197 de 197 trabalho(s) aceito(s)
A AFIRMAÇÃO (OU NEGAÇÃO) DA IDENTIDADE NEGRA: UM RELATO DE QUEM (EN)CRUZA PELAS VIAS INSTITUCIONAIS DO ESTADO DO CEARÁ
JOÉCIO DIAS DA SILVA
A autodeclaração racial e de cor é um dos fatores que o Estado utiliza para a elaboração e execução de uma política para a equidade racial. Resultado de uma reivindicação histórica, ela está presente na atuação da Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC) no ato de matrícula das/os estudantes desde 2019, por meio do Sistema Integrado de Gestão Escolar (SIGE), sendo acompanhada por uma equipe técnica da Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer). A utilização do quesito cor se fortaleceu institucionalmente com a promulgação da Constituição Cidadã, resultado da forte pressão dos movimentos negros sociais, podendo ser entendida como uma forma de resistência e de enfrentamento ao racismo para elaboração de políticas públicas e se dá por meio da autodeclaração. Na análise qualitativa desses dados, verificou-se a necessidade de formação com profissionais da educação com o curso Formação para a Diversidade: novos olhares sobre o SIGE (2020), constituído por três módulos, sendo um deles dedicado à diversidade étnico-racial e ao campo Raça/Cor. Além disso, foi possível a elaboração e divulgação de materiais didático-pedagógicos, a exemplo do livro digital Educação para as Relações Étnico-Raciais: caminhos e desafios (2022), contendo artigos de relatos de experiências em Erer na rede pública estadual, e do material Educação para as Relações Étnico-Raciais Semana da Consciência Negra: OrientAções (2023), importantes instrumentos didático-pedagógico para a construção e o fortalecimento de uma educação antirracista, sendo assim, uma construção profissional e militante que ressalta a importância dessa política pública a fim de implementar uma educação, de fato, que inclua as relações étnico-raciais, de acordo com os marcos legais da promoção da equidade racial, como a Lei Nº 10.639/2003, resultado das lutas dos grupos negros brasileiros, protagonistas na reivindicação de uma escola para todas as pessoas.
Oral
Abrir o trabalhoUM RECORTE ALÉM DO GÊNERO: O SUPERENCARCERAMENTO DE MULHERES NEGRAS PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS NO BRASIL
VITÓRIA ALVES FERREIRA; Alessandra Silva Moreira
O presente estudo tem como objetivo analisar a problemática do superencarceramento de mulheres negras no Brasil, especialmente em decorrência do crime de tráfico de drogas, destacando como essa realidade vai além da perspectiva de gênero, refletindo um contexto de racismo estrutural, a partir de uma perspectiva interseccional de gênero, raça e classe. A pesquisa tem abordagem qualitativa, foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e documental, e foi devidamente fundamentada em dados oficiais (INFOPEN) e autores críticos ao sistema penal brasileiro. Os resultados apontam que a maioria das mulheres presas pelo crime de tráfico de drogas no Brasil, são negras, jovens, de baixa escolaridade e mães, ocupando posições subalternas dentro do sistema do tráfico. Constatou-se ainda que o Estado, embora crie leis com aparente função de igualdade formal, falha na promoção de políticas públicas efetivas, permitindo que o direito opere de forma simbólica e excludente, refletindo a falta de materialidade das referidas leis. Conclui-se que o encarceramento dessas mulheres negras está diretamente relacionado à vulnerabilidade e hipossuficiencia socioeconômica, refletindo o racismo institucional presente no sistema penal, bem como à ausência de alternativas reais de subsistência familiar e econômica, que afeta profundamente suas trajetórias, o que exige uma atuação estatal eficaz, que seja estruturante e antirracista.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DA MULHER NEGRA NA LITERATURA: UMA ABORDAGEM CRÍTICA E DE RECEPÇÃO
ANNA JULITA BATISTA FREIRE AGAPTO ; Alan de Souza Umbelino
A construção da imagem da mulher negra na literatura tem sido historicamente marcada por estereótipos, silenciamentos e apagamentos simbólicos que refletem as dinâmicas estruturais de racismo e sexismo na sociedade brasileira. Este trabalho propõe uma abordagem crítica e de recepção da literatura negra de autoria feminina, refletindo sobre como escritoras negras têm ressignificado suas próprias existências e experiências através da escrita, transformando o ato de narrar em um gesto político de resistência. Tendo como aporte metodológico o método da afrodescendência nos pressupostos da escrevivência de Conceição Evaristo, especialmente em obras como Olhos d’Água (2014), analisamos como essas narrativas promovem a ruptura com os modelos hegemônicos da representação da mulher negra, ao propor enredos que denunciam opressões, mas também reafirmam memórias, afetos e ancestralidade. Ademais, a pesquisa se ancora em debates e produções dos Congressos Artefatos da Cultura Negra, que têm se configurado como espaços de fortalecimento das epistemologias negras e de valorização da literatura afro-brasileira. A recepção crítica de tais produções aponta para o papel fundamental da literatura como instrumento de reconstrução identitária e de luta antirracista, possibilitando que vozes antes marginalizadas ocupem o centro do discurso literário. Dessa forma, percebe-se que escrita de mulheres negras emerge, portanto, como grito de existência e relato de resistência frente às violências simbólicas e materiais que insistem em invisibilizá-las, projetando novos horizontes de subjetividade, pertencimento e emancipação.
Palavras-chave: Literatura negra,escrevivência, mulher negra, resistência
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA RESISTÊNCIA DE PSICÓLOGAS NEGRAS PARA ACESSO PERMANENCIA EM POSTOS DE TRABALHO NA RAPS
MARCELA MARQUES DA SILVA DAMASCENO; Moema Alves Macedo
O trabalho objetiva refletir sobre estratégias de resistência de psicólogas negras para acessar e permanecer em postos de trabalho em políticas públicas de saúde mental, enfrentando discriminações decorrentes do racismo brasileiro e da história da Psicologia como profissão feminina e branca. O racismo é uma estrutura que opera em sociedades capitalistas multirraciais para dividir o trabalho e estabelecer hierarquias raciais, interligado a outras opressões como sexismo e classismo (Gonzalez, 1979). Nisso, convém pensar sobre o recorte da interseccionalidade, sendo esta uma ferramenta analítica para compreender como diferentes opressões se combinam, especialmente na vida de pessoas com múltiplas discriminações (Akotirene, 2019). Essa intersecção promove vivências específicas para psicólogas negras no trabalho, destacando-se na rede de atenção psicossocial. Trata-se de um recorte da pesquisa desenvolvida no mestrado em Psicologia (UFPE). A metodologia se desenvolve por meio de pesquisa qualitativa situada, explicitando a perspectiva da autora, uma mulher negra, psicóloga, periférica, feminista e ex-sindicalista. Foca nas violências raciais institucionais vivenciadas, enfatizando a resistência. Utiliza escrevivência como método contra colonial de escrita, partindo da experiência da pesquisadora em confluência com vivências de outras psicólogas negras da Rede de Atenção Psicossocial do Recife e região metropolitana, convidadas como coautoras. A análise será conduzida pela Interseccionalidade e pelo Pacto Narcísico da Branquitude (Cida Bento). O estudo tem potencial de denunciar a branquitude, que subalterniza o povo negro para manter privilégios, e evidenciar a resistência histórica das mulheres negras. Propõe romper com a visão passiva imposta por epistemologias eurocentradas às mulheres negras na academia e sociedade.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA Educação para relações étnico-raciais no ensino superior: implicações nas práticas pedagógicas de docentes universitárias
ANA LETÍCIA DOS SANTOS CANUTO DO NASCIMENTO
A educação para as relações étnico-raciais no ambiente acadêmico tem sido vista com possibilidades para avançar em diálogos e ações, assim como aborda a Lei nº 12.288/2010 que em seu artigo 12, propõe às instituições de ensino superior seja federal ou estadual a criar incentivos de pesquisas e outras práticas para as relações étnico-raciais. Mas os desafios persistem e o caminho para uma educação com equidade e antirracista é longo, a negligência e a omissão de alguns docentes frente a possibilidade de promover uma educação inclusiva e justa dentro das universidades, além do racismo estrutural enraizado em nossa sociedade são exemplos destes desafios. Questionamos como a educação para as relações étnico-raciais é implicada na prática pedagógica de docentes universitários? Buscamos analisar as implicações da educação para as relações étnico-raciais nas práticas pedagógicas de docentes universitárias(os) investigando como tem se desenvolvido a temática no ensino superior. Partindo da vivência de algumas docentes acadêmicas (parte de uma universidade pública e outra parte de uma faculdade privada no estado do Ceará) através de relatos obtidos em um questionário elaborado através do google forms, no intuito de coletar informações a respeito da aplicação da ERER na prática pedagógica desenvolvida pelas mesmas. Nossa pesquisa foi do tipo participante com abordagem qualitativa. Nos embasamos nos seguintes autores: Nilma Lino(2019), Kabenlege Munanga(1996), bell hooks(2020), Barbara Carine(2023), Cida Bento(2022), dentre outros para análise dos resultados obtidos no questionário. Os resultados indicam que a educação para as relações étnico-raciais no ambiente acadêmico ainda é afetado pelo silêncio e a invisibilização, proporcionando um apagamento e uma marginalização da história e cultura afro-brasileira e africana, assim como o conhecimento produzido por intelectuais negros.
Palavras-chave: ERER, práticas pedagógicas, ensino superior
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoRAINHAS, GUERREIRAS E INTELECTUAIS: O PAPEL DA MULHER NEGRA NA HISTÓRIA E NA CONSTRUÇÃO DA AUTOESTIMA
SUEIDE MENEZES DA SILVA
Falar sobre o protagonismo da mulher negra na história é, antes de tudo, um ato político, de resistência e de reivindicação de memória. Esta pesquisa de mestrado, em fase inicial, nasce da necessidade de revisitar, resgatar e reafirmar histórias de mulheres negras que foram silenciadas, apagadas ou distorcidas pela historiografia eurocentrada. Justifica-se por entender que a construção da autoestima de mulheres negras está diretamente relacionada à valorização de suas referências históricas, culturais e políticas. O objetivo é refletir sobre como as trajetórias de lideranças femininas negras, como Nzinga Mbandi, Dandara dos Palmares, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, contribuem para o fortalecimento da identidade, do pertencimento e da construção de narrativas insurgentes. A pesquisa adota metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada nas epistemologias negras e no pensamento de autoras como Gonzalez (2020), Carneiro (2003) e Davis (2016). Assim como discutem Monte, Leite e Bezerra (2022) no XIII Congresso Artefatos da Cultura Negra, a visibilidade dos saberes produzidos pela população negra é um ato político e pedagógico de enfrentamento ao racismo epistêmico. Este trabalho se configura como uma escrita de resistência, que reafirma que resgatar, valorizar e reivindicar as histórias de mulheres negras é também um caminho de enfrentamento às estruturas coloniais, racistas e patriarcais que ainda operam na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Mulher negra, Protagonismo, Representatividade, Epistemologias negras,Resistencia
Oral
Abrir o trabalhoSANKOFA: ESCREVIVÊNCIA E RESISTÊNCIA DE UMA MULHER NA SITUAÇÃO DE ENCARCERADA
A LEI 10.639/2003 SOB A ÓTICA DO PACTO DA BRANQUITUDE
ANNA KARINA CAVALCANTE DE OLIVEIRA; MARIA NÚBIA DE ARAÚJO; DAMIANA ALVES BRUNO
O objetivo da comunicação é discutir as dificuldades na aplicação da Lei 10.639/03 na escola, (Brasil, 2003) e propor um debate sobre a branquitude. As raízes do racismo continuam sendo uma forma de dominação e prevalecem no nosso país, portanto, as práticas pedagógicas têm inúmeras dificuldades de superar a ideologia da classe dominante. Os problemas estruturantes perpassam desde a formação de professores até elaboração curricular que vem sendo impostos sem diálogo e sem respeito ao conhecimento dos docentes pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Secretarias de Educação do Ceará (SEDUC). Dentre os projetos da SEDUC, citamos ‘O Selo Antirracista’, amiude os eixos norteadores de conteúdos dados em sala de aula ainda não contemplam uma educação antirracista no dia a dia, através da política e planejamento educacional presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Plano Nacional de Educação (PNE), (Brasil, 2018, 2024). A pesquisa bibliográfica apresenta uma proposta de discutir o papel dos docentes em desconstruir a ideologia dominante da branquitude, sob o olhar da autora Cida Bento (2022), utilizando como material didático sua obra ‘O Pacto da Branquitude’, problematizando ética e politicamente a responsabilidade antirracista que o docente deve desempenhar na escola. A leitura de Bento (2022) indica que precisamos ultrapassar as iniciativas pontuais e avançarmos numa educação antirracista, na formação de professores, para que docentes possam apropriar-se dos fundamentos das desigualdade de classe, gênero e raça para reconhecer a hegemonia dos pactos narcisicos dos brancos dominadores que são reproduzidos na construção dos curriculos e na estrutura social e escolar.
Oral
Abrir o trabalhoA INFLUÊNCIA DAS RAÍZES ANCESTRAIS NA VALORIZAÇÃO DO CABELO CRESPO
ELIANA JOÃO CÓ; ANALTINA ANTÓNIO CUSSITALA; GRAÇA SEBASTIÃO FILIPE
Este trabalho analisa a influência das raízes ancestrais na valorização do cabelo crespo a partir de concepções, teorias e epistemologias negras. A estética do cabelo crespo é compreendida não apenas como forma de expressão de identidade, mas também como forma de resistência e de reconexão com a ancestralidade africana. Por muito tempo, o cabelo crespo foi alvo de estigmatização, reflexo do racismo epistêmico que desvalorizou saberes e corpos negros. A retomada do cabelo crespo, impulsionada por movimentos sociais e culturais, reafirma a subjetividade das mulheres negras e seus vínculos históricos e afetivos com suas raízes. A realização deste trabalho foi baseada no método qualitativo, utilizando a pesquisa bibliográfica. A discussão que sustenta a nossa argumentação foi alicerçada na pesquisa de Cruz (2014), dentre outras, que abordam sobre a questão do cabelo crespo. Sendo assim, constata-se que o cabelo crespo é ressignificado como símbolo de pertencimento, contrariando os padrões eurocêntricos. O movimento de valorização do cabelo crespo também é fortalecido por produções e partilhas oriundas de eventos como os Congressos do Artefatos da Cultura Negra. O estudo revela que a escolha por manter o cabelo crespo se torna, assim, um gesto de reconexão com saberes ancestrais africanos e indígenas, desafiando os padrões eurocêntricos e contribuindo para a construção de uma epistemologia do cuidado do corpo e da memória negra. Assim, reforça-se a importância da valorização cultural como ferramenta de enfrentamento ao racismo estrutural.
Palavras-chave: ANCESTRALIDADE,CABELO CRESPO,IDENTIDADE NEGRA,RESISTÊNCIA CULTURAL
Oral
Abrir o trabalhoCAMINHOS CRUZADOS: A IMPORTÂNCIA DE ESPAÇOS SEGUROS NA TRAJETÓRIA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO DE MULHERES NEGRAS EM ESPAÇOS INSTITUCIONAIS.
HEROIFICAÇÃO NEGRA NO CINEMA: A CULTURA VISUAL E AS POSSIBILIDAES DE CONEXÕES IDENTITÁRIAS MEDIADAS POR FILMES DE SUPER-HERÓIS NEGROS NO ENSINO DE HISTÓRIA
MARIA GISELLE MARÇAL FRANCO
Esta proposta advém de uma pesquisa de mestrado profissional em ensino de história e busca operar o conceito de Cultura Visual e as possibilidaes de conexões identitárias a partir dos filmes de super-heróis Pantera Negra (2018) e Pantera Negra: Wakanda para sempre (2022), que se tornaram produtos populares e possibilitadores de sentidos para se discutir as questões étnico-raciais na perspectiva do Ensino de História. A partir da implementação de metodologias que incluem o cinema com temática étnico-racial enquanto recurso pedagógico norteador no letramento racial de sujeitos, procuramos pensar os filmes de super-heróis negros a partir da sua intencionalidade, mas também da capacidade que estes produtos populares da cultura visual têm na contribuição de sentidos e de identificação/distanciamento identitário dos alunos. A partir da decupagem das obras é possível operar o que as cenas e seus enredos propõem e correlacioná-los com conceitos importantes do campo da educação para as relações étnicos racais dialogando com a base teórica de autores como Stuar Hall, Ella Shohat, Robert Stam, Maria Telvira da Conceirção, Fernando Hernandéz e Zilá Bernd, por exemplo. Desse modo podemos evidenciar referências positivas da história do povo negro, mobilizar sentidos e valorizar a pluralidade cultural africana. Também é possível estabelecer identificações para com as heranças históricas e culturais do povo negro em nossa sociedade.
Oral
Abrir o trabalhoPretATITUDES na escola: retornar para aprender e construir uma educação antirracista.
CIDADE, CLIMA E COR: O RACISMO AMBIENTAL NAS TRAMAS URBANAS
JADYNI ESTER MATOS E SILVA; Darlan Rodrigues de Lima
Esta pesquisa propõe uma análise quantitativa da presença do racismo ambiental em bairros periféricos em Juazeiro do Norte - CE no Cariri cearense, com foco nas desigualdades estruturais que afetam populações racializadas. Os centros urbanos das cidades são marcados por uma forte segregação socioespacial, onde populações pretas e pardas concentram-se majoritariamente em áreas mais afastadas dos centros, precário em infraestrutura básica, como saneamento, drenagem pluvial, abastecimento e arborização urbana. O estudo parte do cenário onde historicamente as populações marginalizadas são expostas de forma mais direta aos riscos ambientais urbanos, como alagamentos, ilhas de calor, deslizamentos e construções ambientalmente perigosas, como indústrias poluidoras, usinas e barragens. Em contraste, as regiões centrais e nobres concentram os investimentos públicos, infraestrutura verde e resoluções contra eventos extremos. Casos emblemáticos, como o rompimento da barragem de Brumadinho, evidenciam como tragédias ambientais recaem desproporcionalmente sobre populações não brancas e de baixa renda, revelando a face estrutural do racismo ambiental. Partindo dessa narrativa, o trabalho utilizará dados secundários de fontes oficiais (IBGE, SNIS, relatórios ambientais) e pesquisas sobre a qualidade da água e saneamento, para organizar informações sobre distribuição racial, renda e acesso à infraestrutura urbana. Esses dados serão tratados e analisados por meio de tabulações, gráficos e comparações percentuais, de forma a evidenciar padrões de desigualdade ambiental. Parte-se da hipótese de que a exposição a eventos extremos e acesso a cobertura saneamento não é aleatória, mas profundamente associada a padrões históricos de exclusão racial e urbana, revelando a persistência de estruturas de exclusão no planejamento urbano.
Palavras-chave: Saneamento,Segregação Socioespacial,Riscos Ambientais,Infraestrutura,Planejamento Urbano
Oral
Abrir o trabalhoA leitura literária de Jarrid Arraes em sala de aula: uma prática de educação antirracista
JOSELY MARCELINO FERREIRA; Rafaelly Carneiro dos Santos Nogueira
A escola, enquanto espaço coletivo, carece, ao tempo que possibilita diversas oportunidades de exercício da consciência em prol de uma sociedade mais justa e equânime, sendo, pois, essa a perspectiva sob a qual se desenha nossa escrita. Num relato de experiência enquanto recorte do exercício de leitura literária em sala de aula, vivenciado desde 2019, na EEMTI Virgílio Távora, de Barbalha-CE, fundamentado por escolhas de autores clássicos e contemporâneos, cânones e de literatura marginal em diferentes gêneros da literatura de língua portuguesa, falaremos da obra ‘Redemoinho Em Dia Quente’ (Arraes, 2019). As obras são escolhidas em prol de uma educação antirracista, fundamentada pelas diretrizes das leis nº 10.639 e nº 11.645, bem como, pelas ações de formação continuada da SEDUC-CE por uma educação para as relações étnico-raciais. Com a contribuição teórica de Ribeiro (2019); Pinheiro (2023); Evaristo (2020), Freire (2011), Arraes (2019), Duarte (2020) e Cuti (2010), consideramos a práxis como meio e objetivo dessas experiências exitosas. Testemunhamos como resultado a formação crítica dos alunos por uma tomada de consciência, dos seus olhares guiados pelo reconhecimento do recorte racial que evidencia as vulnerabilidades de determinados sujeitos da nossa sociedade brasileira, e ainda, identificando-se enquanto sujeitos e agentes dessas relações, de modo a tornarem-se multiplicadores dessa criticidade, ao desenvolverem peças, danças, poemas, para apresentarem nos diferentes momentos extraclasse para toda a escola, carregando de sentido o exercício de leitura literária, e de debate das questões subjacentes às escritas escolhidas para permearem suas salas de aula.
Oral
Abrir o trabalhoAs Peneiristaa da Colina do Horto: Trabalho, Patrimonio e conflitos na ordenação dos espaços sagrados em Juazeiro do Norte.
A BEATA MARIA DE ARAÚJO E O FEMININO NO MILAGRE DA HÓSTIA EM JUAZEIRO DO NORTE: INTERSECÇÕES UNIVERSAIS DE RAÇA E GÊNERO NOS SENTIDOS DA HISTERIA
DEYVID SANTOS VASCONCELOS
A figura da Beata Maria de Araújo, central no "milagre da Hóstia" em Juazeiro do Norte (século XIX), é analisada através de interseccionalidade de raça e gênero, sob estruturas de poder foucaultianas. Como mulher negra, leiga e pobre, sua experiência foi marginalizada pela Igreja Católica e pela sociedade patriarcal, que atribuíram suas manifestações religiosas à histeria. A psicanálise freudiana e lacaniana contextualiza a redução do feminino à passividade e maternidade, enquanto o diagnóstico de histeria, associado a possessão e fraude, reforçou estereótipos coloniais que vinculam negritude ao erro e a maldade. Objetivo desse trabalho foi refletir sobre a Beata Maria de Araújo no que tange a universalização interseccional raça-gênero nos sentidos atribuídos a histeria no milagre da Hóstia em Juazeiro do Norte. Ele resulta de um recorte de um trabalho de conclusão de curso com metodologia de pesquisa bibliográfica, descritiva com abordagem qualitativa, realizada por meio da análise de material já publicado acerca da Beata Maria de Araújo, o milagre do Juazeiro do Norte – CE, como também os conceitos de interseccionalidade, raça e gênero, em livros, revistas, teses, dissertações, e outras fontes impressas e/ou virtuais. A análise revelou que a deslegitimação de Maria de Araújo decorreu da interseção colonialista e universalizante entre racismo e sexismo: sua negritude e gênero invalidaram sua experiência mística, patologizada como histeria de conversão. Esse apagamento histórico privilegiou o protagonismo branco masculino do Padre Cícero, perpetuando o pacto da branquitude e a colonialidade. A histeria, enquanto categoria patologizante coletiva, serviu ao controle social eclesiástico, oprimindo a agência religiosa feminina negra. Conclui-se que o caso expõe mecanismos universais de opressão interseccional, onde raça, gênero e poder institucional convergem para silenciar corpos racializados no âmbito do sagrado, forjando patologias e promovendo sofrimento psíquico.
Palavras-chave: Beata Maria de Araújo,Interseccionalidade,Raça,Gênero,Histeria
Oral
Abrir o trabalhoPARA ALÉM DOS MAPAS: GEOGRAFIA, DIÁLOGO E PRÁTICA ANTIRRACISTA
LUIZ EDUARDO DO NASCIMENTO NETO; . Andreza Tacyana Felix Carvalho
O relato de experiência de evento acadêmico de extensão com temática de Educação Antirracista realizado no curso de Geografia da UERN, no Campus de Pau dos Ferros, surgiu da necessidade de preencher uma lacuna nos debates sobre educação antirracista, tema pouco abordado na formação dos futuros geógrafos. O evento, fruto de indagações genuínas de alunos em processo formativo, teve como principal objetivo promover uma reflexão profunda sobre as práticas e os desafios da educação antirracista, conectando-a à ciência geográfica e os saberes de africanidades, assenta-se na temática do movimento Sankofa: reparação e bem-viver proposto pelo evento. A metodologia adotada buscou criar um espaço de diálogo e aprendizado fora do currículo formal, permitindo que os participantes alunos e professores, pudessem interagir com autores como Cicena Nunes, Otília Souza e Vitória Sousa, que tratam de questões étnico-raciais e da necessidade de uma educação mais diversa e inclusiva. Como resultado, o evento possibilitou a construção de um entendimento geográfico mais amplo, que vai além da simples descrição de conceitos e se aprofunda na análise das relações étnico-raciais e decoloniais que moldam os territórios e as ações socioespaciais. Em suma, a experiência demonstrou que a Geografia, quando vista como uma ciência de desvelar e de questionar contextos hegemônicos, pode e deve ser uma ferramenta poderosa para a formação de uma consciência antirracista e para a construção de práticas acadêmicas comprometidas com a diversidade.
Oral
Abrir o trabalhoA GEOGRAFIA DO MEU LUGAR: AS AÇÕES DAS MULHERES NEGRAS DO CARIRI NA CONSTRUÇÃO DE UMA GEOGRAFIA ESCOLAR
MARIA NATALHAL DE LIMA GRANDE ; MARIA NATALHA DE LIMA GRANDE; SAMUEL FEITOSA ALVES
A PROFECIA PROFANA DE VENTURA
MAR SILVA
Em conversa com minha Irmã de Santo e multiartista cearense Pedra Preciosa da Silva, escutei dela que às vezes é necessário desligar a estação do mundo e sintonizar outras frequências. A isso, chamo bem-viver: uma necessidade de permanecer, à revelia de todas as forças que operam para nosso desgraçamento e, pior, nosso fim. Por “nós”, quero dizer todas aquelas que não se enquadram no “sujeito universal” estabelecido nos trâmites dessa sociedade cis-hetéro patriarcal: as bichas pretas, travestis, macumbeiras, determinadas infâncias, pessoas com deficiência, pessoas gordas e fora da estética branco-europeia – para citar algumas de “nós”. Evocar “a profecia profana de Ventura”, isto é, acessar a Poema de Ventura Profana, é uma tentativa de traçar rotas de fuga ou, como nos diz Jota Mombaça (2019), rastrear as forças que operam para o fim do mundo como nos foi dado a conhecer. Assim sendo, neste trabalho, intento analisar a Poema de Ventura Profana, com ênfase em seu recente trabalho “TODO CUIDADO É POUCO”. Ao me relacionar com sua vida-obra, questiono-me: Como a Poema de Ventura Profana se articula como Asé que precipita o fim do mundo como nos foi dado a conhecer à medida que imagea novas sociabilidades? Quais são os desvelamentos presentes na Poema de Ventura Profana? Como sua Poema mobiliza nossa (re)existência – implicando em outros modos de existir? Além de evocar à noção de “A poema”, de Nina Rizzi (2022), evoco outros três operadores téoricos na presente reflexão, quais sejam: (I) a Poética Feminista Negra, de Denise Ferreira da Silva (2019); a (II) Redistribuição da violência, de Jota Mombaça (2019) e (III) o afrofuturismo na linguagem musical, refletido por Hioga Fernanda Duarte Rocha Santos (2022). No trabalho, à luz do Asé de uma travesti negra nordestina, insisto em traçar caminhos que possibilitem outras existências.
Palavras-chave: Ventura Profana, Poética Feminista Negra,Redistribuição da violência, Afrofuturismo
Oral
Abrir o trabalhoA Imprensa Negra em Sala de Aula: Vozes Negras no Pós-Abolição e na Primeira República
SANARA SIPRIANO DE SOUZA; Rennan Ricardo da Silva
O presente estudo tem por foco discutir a experiência das aulas de história na rede privada, a partir dos jornais da imprensa negra brasileira do período pós-abolição como ferramenta pedagógica. Buscamos problematizar o mito da democracia racial presente no discurso de benevolência promovido pela Primeira República (1889–1930), especialmente diante dos eventos que marcaram a realidade social brasileira nesse contexto histórico. Além disso, destacamos a importância do papel desempenhado pela imprensa negra, cuja intencionalidade era expor a permanência da exclusão vivida pela população negra, evidenciando a contradição entre a ideia de liberdade propagada pelo jovem Estado republicano e a realidade de marginalização a que essa população seguia submetida. Como culminância, foi criado uma crônica pelos estudantes da turma 2º ano do ensino médio para um jornal privado da instituição escolar em consonância com a data de 25 de março que se comemora a abolição dos escravos no Ceará. A construção do roteiro de atividade e projeto da produção da crônica seguem como característica da minha prática docente, efetivação e cumprimento da lei nº 10.639/03, lei essa pouco respeitada e cumprida dentro do espaço escolar. Salientando que, segundo Cicera Nunes (2022,p.56) “Há uma experiência histórico-criativa específica da população negra e indígena brasileira que se relaciona com um processo permanente de criação e recriação das suas culturas e que devem fundamentar os currículos escolares”, à vista disso, entendemos que é de suma importância para o ensino de História a presença da experiência negra em primeira pessoa no pós-abolição para lançar luz sobre a Primeira República.
Palavras-chave: Ensino de História, Primeira República, Pós-abolição, Educação antirracista
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoA diversidade de Bandos de espécies mistas e a densidade de habitats estão associadas ao comportamento antipredador em pássaros canoros
ERIC FRAZIER; tfreeber@utk.edu
Meu artigo se concentrou em como fatores ambientais físicos e sociais estão associados a mudanças comportamentais em bandos de pássaros de espécies mistas. Foi documentado que mudanças causadas pelo homem em habitats, como práticas florestais e ruído do tráfego, podem influenciar negativamente o comportamento antipredador e de forrageamento em animais. Além disso, esses padrões comportamentais também estão positivamente associados a métricas sociais de bandos de espécies mistas, como tamanho e composição do bando. Apesar disso, sabemos pouco sobre como essas mudanças induzidas pelo homem afetam esses comportamentos em indivíduos de grupos de espécies mistas. Para resolver essa lacuna, examinamos os efeitos da composição de grupos de espécies mistas, ruído do tráfego e densidade da vegetação no comportamento antipredador e de forrageamento. Usamos comedouros para atrair rebanhos de espécies mistas de chapins da Carolina (Poecile carolinensis), chapins-de-penacho-cinzento (Baeolophus bicolor) e trepadeiras de peito branco (Sitta carolinensis). Os dados foram coletados de 36 locais de alimentação no Centro de Recursos Florestais, Pesquisa Agrícola e Educação da Universidade do Tennessee (UTFRREC) de janeiro a fevereiro de 2024. Uma vez que um rebanho estava presente em um comedouro, expusemos os rebanhos a um modelo de gavião-galinha e recodificamos os comportamentos de coleta e chamada de sementes. Descobrimos que foi um efeito de fatores ambientais físicos e sociais nos comportamentos de chamada e coleta de sementes para Trepadeiras de peito branco e os chapins-de-penacho-cinzento, mas não observamos nenhum efeito de fatores ambientais físicos e sociais nos comportamentos de chamada e coleta de sementes em chapins da Carolina. Nossos resultados mostram que parece haver uma interação entre mudanças ambientais e comportamentos individuais quando no contexto de um estímulo predador. Esta pesquisa serviu como um projeto complementar à minha dissertação.
Palavras-chave: espécies mistas, comportamento antipredor,comportamento de forrageamento,ambiente físico,ambiente social
Oral
A ÁRVORE DE CABEÇA PARA BAIXO: UMA INTERVENÇÃO ANTIRRACISTA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
MARIA JÉSSICA SOUSA LIMA ; Luane Diniz Dos Santos; Marcelo Ribeiro Da Silva
Resumo: A contação de história na educação infantil é uma importante metodologia pedagógica, visto que, através dela as crianças têm experiência que oportunizam seu desenvolvimento integral, com a estimulação da imaginação, criatividade, linguagem, socialização e a capacidade de compreensão emocional. Através do relato de experiência, este trabalho visa elucidar a valorização da contação de história com temáticas afrodescendentes como mecanismo de efetivação da Lei Federal nº 10.639/2003 que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino. As discussões propostas neste trabalho tem como objetivo investigar a partir da história A Árvore de Cabeça Para Baixo - uma história da Costa do Marfim, questões como a construção das identidades, auto aceitação, respeito às diferenças, e como através do enredo é possível construir práticas antirracistas que auxiliem a criança na sua formação moral e ética. O baobá representa a íntima relação entre cada pessoa e uma memória coletiva que se dá a partir de uma herança cultural e/ou biológica que remete à África. Assim, este trabalho fundamenta-se em autores como Bento (2011), Cavalleiro (2000), Silva (2017), entre outros. Dessa forma, a partir do relato de experiência da prática pedagógica em sala aqui abordada, constatou-se que, a criança ao explorar a história vivenciou emoções diversas e desenvolveu a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender a diversidade, de respeitar às características individuais, conceitos esses tão fundamentais capazes de transformar a experiência da criança na educação infantil e contribuir no seu desenvolvimento desde pequeno para atitudes e condutas antirracistas.
Oral
Abrir o trabalhoA FESTA DA BOA MORTE COMO PATRIMÔNIO VIVO DA RESISTÊNCIA NEGRA FEMININA À LUZ DE "VOZES-MULHERES"
ANA CRISTINA DE JESUS SANTANA
Resumo A Festa de Nossa Senhora da Boa Morte em Cachoeira, Bahia, representa um monumento vivo da resistência negra feminina no Brasil e o primeiro movimento feminista abolicionista afro-baiano. Este artigo propõe uma análise interdisciplinar deste patrimônio cultural, tecendo conexões entre o ritual afro-católico e o poema "Vozes-Mulheres" de Conceição Evaristo. A pesquisa documenta fotograficamente os três momentos sagrados da festividade: morte, dormição e a Glória, transformando estas imagens em textos culturais que dialogam com os versos de Evaristo. A metodologia entrelaça autoetnografia sensorial e antropologia visual, permitindo captar dimensões sensoriais e afetivas que escapam ao olhar superficial. O estudo demonstra como esta festa bicentenária constitui um espaço de afirmação identitária onde corpos negros femininos, historicamente silenciados, transformam-se em narrativas vivas de resistência, materializando a transmissão intergeracional de memórias que sustentam a existência e dignidade negras frente às tentativas históricas de apagamento.
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Abrir o trabalhoPAI CEZAR DE OXÓSSI: TERREIROS E ENCRUZILHADAS NO COTIDIANO DO MUNICÍPIO DE MILAGRES-CE
CARLOS CÉSAR PEREIRA DE SOUSA
Neste trabalho apresentamos reflexões sobre as práticas religiosas de matrizes africanas no município de Milagres-CE, objetivando assim analisar as identidades e resistências negras nos terreiros de umbanda desta cidade do Cariri cearense. Para isso tomamos como base as vivências do babalorixá José Cezar da Silva, homem negro falecido em 2012 e que criou o primeiro terreiro de umbanda oficial de Milagres ainda em meados da década de 1970. As atividades religiosas desenvolvidas por Pai Cezar de Oxóssi no espaço urbano deste município cearense durante quatro décadas foram ostensivamente combatidas pelos representantes das elites locais e principalmente pelo grupo religioso predominante, configurando assim racismo de cunho religioso e espacial contra ele e os demais frequentadores do seu terreiro. Observamos em nosso estudo que Pai Cezar de Oxóssi ao levantar o seu terreiro assumiu para si uma atitude política que desafiou a mentalidade imperante que obrigava os negros e negras de Milagres praticantes das religiões de matrizes africanas a esconder suas crenças, seus ritos e devoções. Concluimos observando que o Terreiro de Poncho, como era conhecido na comunidade o babalorixá, as procissões e as festas de santos por ele promovidas abriram caminhos para que outros terreiros e novas ocupações espaciais como também contribuiu para o levantamento de vozes negras contra o racismo religioso e o racismo espacial em Milagres.
Ética, Política e o Ubuntu como Base para uma Epistemologia da Libertação
FRANCISCO REGIMARCIO CARDOSO DE LIMA
A presente pesquisa analisa as relações entre ética, política e filosofia afro-brasileira, destacando o conceito de Ubuntu como eixo estruturante de uma ética comunitária e de uma política voltada à justiça social. A pesquisa parte de uma perspectiva afrodescendente e decolonial, afirmando a centralidade dos saberes africanos e afro-brasileiros na construção de uma epistemologia de resistência e libertação frente ao racismo estrutural e à colonialidade do poder. O princípio de Ubuntu — “eu sou porque nós somos” — é interpretado não apenas como valor moral, mas como base ontológica de uma visão de mundo que prioriza a interdependência, o cuidado, a dignidade humana e a coletividade. No contexto brasileiro, essa filosofia se manifesta nas práticas sociais, religiosas e políticas de comunidades quilombolas, de terreiro e dos movimentos negros urbanos. Autores como Lélia Gonzalez e Abdias do Nascimento, fundamentam a análise crítica à ética individualista e à política excludente herdadas da modernidade ocidental. A partir desse referencial, defende-se uma ética vinculada à ancestralidade e uma política pautada no reconhecimento, na solidariedade e na tolerância. A incorporação dos fundamentos da filosofia afro-brasileira e do pensamento Ubuntu é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, plural, democrática e antirracista. Essa filosofia, portanto, não apenas denuncia estruturas opressoras, mas propõe outras formas possíveis de existência e convivência.
Palavras-chave: Ética,Ubuntu, Política, Ancestralidade,Epsitemologia Afrodescendente
Oral
Abrir o trabalhoA cisão das consciências pelos discursos do Eu-hegemônico: articulação entre a denegação e o dispositivo na construção de identidades inscritas no signo da morte
A PRESENÇA NEGRA NOS GRUPOS DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL (PET) DO BRASIL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA ENTRE O SILENCIAMENTO E O AQUILOMBAMENTO
DAVI PERDIGÃO CARNEIRO
Este trabalho apresenta um relato de experiência a partir da participação nos Encontros regional e nacional de grupos PET (Programa de Educação Tutorial), com foco na presença – ou ausência – de pessoas negras nesses espaços. Embora o PET seja um programa de excelência acadêmica que articula ensino, pesquisa e extensão, a vivência nesses encontros revelou sua branquitude estrutural. As atividades ofertadas majoritariamente ignoravam a dimensão racial, com raras exceções. A única atividade sobre o tema foi o minicurso “Ferramentas antirracistas para grupos PET”, espaço onde foi possível experienciar um aquilombamento afetivo e político. Nesse contexto, compartilhei experiências com outros estudantes negros que, em sua maioria, relatavam solidão, racismo e esgotamento. Em contraste, analiso minha vivência no PET de Humanidades e Letras da UNILAB, grupo majoritariamente negro, que representa uma exceção no cenário nacional dos PETs. Com base em conceitos como escrevivência (Conceição Evaristo), dororidade (Vilma Piedade) e quilombismo (Abdias e Beatriz Nascimento), proponho uma reflexão sobre o pertencimento, as tensões e as possibilidades de construção coletiva negra em ambientes universitários. Enquanto jovem negro, gay e periférico, proponho a noção de dororidade como experiência que conecta afetos e resistências entre corpos racializados e dissidentes.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoA REEXISTÊNCIA NEGRA E O DIREITO REPPRESSIVO: MULHERES QUILOMBOLAS COMO ELEMENTO DE DESGASTE AO SISTEMA ESCRAVOCRATA
A EXCLUSÃO SIMBÓLICA NO JORNAL ‘A VOZ DA RELIGIÃO NO CARIRI’ (1868-1870): UM DEBATE SOBRE RAÇA E GÊNERO PARA SALA DE AULA A PARTIR DE LUZIA PESINHO
BRENDA IZA NASCIMENTO DE OLIVEIRA; Thiago de Abreu e Lima Florencio
A partir da análise de um conjunto de fontes hemerográficas foi selecionado o impresso A Voz da Religião, periódico publicado na vila do Crato, província do Ceará, para pensar possibilidades de práticas educativas para o Ensino de História com foco em raça e gênero. A voz da religião no Cariri tem a sua produção e circulação no Crato e, portanto, representa um modo de significar e produzir sentidos em torno da raça e do processo de radicalização na região. Um destes casos que podemos verificar no jornal é do milagre atribuído ao missionário cearense José Antônio de Maria Ibiapina, que aconselhou Luzia, uma mulher paralítica a banhar-se na fonte do Caldas, em Barbalha e que de acordo com o padre foi curada. É interessante observarmos que na edição que foi anunciado o milagre é formado uma descrição de Luzia Pesinho, descrita como “parda, casada, moradora da vila de Barbalha” na edição de 13 de Dezembro de 1868, pela primeira vez no periódico é citado a fenotipia de uma pessoa, uma mulher parda. Nesse sentido, a presente pesquisa, em fase inicial, tem como objetivo analisar propostas de práticas educativas para ensinar como no século XIX eram atribuídos sentidos às mulheres não brancas, como nas notícias do jornal ao caso da Luzia Pesinho. A metodologia se dá a partir da observação, seleção e descrição densa, e busca problematizar a construção de sentidos atribuídos à cor parda e preta dessa mulher denunciada a partir das textualidades do jornal. Logo, a partir dessa pesquisa documental, busca-se apontar quais narrativas existem sobre essa mulher, possibilitando a construção de uma proposta de Ensino de História. Essa proposta será organizado para a disciplina eletiva do Ensino Médio, intitulada Cultura Tradicional Popular, que focaremos em desvelar o racismo e sexismo das notícias sobre esse caso, demonstrando que há mecanismos de exclusão simbólica que impedia Luzia Pesinho de ser reconhecida como agente da fé, da cultura e da vida cultural do Cariri cearense.
Palavras-chave: Gênero,Ensino de História,Mulher Parda,Agente da Fé,Cultura Tradicional Popular
Oral
Abrir o trabalhoA LEI FEDERAL Nº14.986/24 E O IMPACTO NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE GEOGRAFIA: a busca por uma educação feminista, antirracista e queer
RENATA DA SILVA BARBOSA; Cícero Joaquim dos Santos
A educação geográfica possibilita uma leitura crítica do/no mundo, compreendendo as (re)produções das espacialidades a partir das desigualdades de gênero, sexualidade, raça-etnia, classe. Desse modo, busca-se analisar como a Lei nº 14.986/24 irá impactar no currículo da educação geográfica e posteriormente na formação dos professores de Geografia, através de um ensino que se propoe democrático, feminista, antirracista, queer. Como é sabido, tanto o currículo da educação básica, como o currículo de formação, passa por modificações, que são particulares de cada conjuntura espaço-tempo, exigindo novas diretrizes que atendam a demandas especificas, ou seja, o currículo não é algo fixo, ele é fluído e político, mostrando as relações de poder que o constitui. Assim, o currículo vai ocupar um espaço de disputa, pois é responsável pelo que deve ou não ser trabalhado nas escolas. Isso evidencia a importância da presente lei, que altera a Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional), e que vai instaurar a obrigatoriedade de abordagens sobre as perspectivas femininas no currículo da educação básica. Destarte, o estudo possui como aporte teórico leituras da Geografia Crítica e dos Feminismos, bem como se utiliza de documentos oficiais como a Lei nº 14.986/24, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2014, 2016 e 2018), as resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE), com as Diretrizes Curriculares para Formação Inicial em Nível Superior (2015, 2019). Dentro desse recorte temporal, primeira versão da BNCC (2014) e a resolução de diretrizes para formação (2015), podemos verificar que a categoria gênero foi incluída e retirada das discussões educacionais e isso revela muito da estrutura de opressão o qual serve ao sistema capitalista. Logo, a importância da Lei 14.986/24 que traz a urgência de pensar os conteúdos a partir da perspectiva feminina/relações étnico-raciais, nos conduzindo a pensar os motivos pelos quais essas questões não são debatidas nos espaço.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ETNICORRACIAIS NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORE(A)S DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA URCA CAMPUS IGUATU - CE.
SAMUEL PEREIRA DE SOUSA FILHO; Isnaia Nascimento Lima
A educação das relações étnico-raciais ERER é essencial no enfrentamento ao racismo estrutural. Após a Conferência de Durban em 2001, as reivindicações dos movimentos sociais no Brasil, especialmente do movimento negro, reverberaram na alteração da LDB. Consideradas marcos para as políticas de ações afirmativas, as leis 10.639/03, e 11.645/08 tornaram obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e indígena, porém, a formação inicial dos professore(a)s contempla esta mudança? Recentemente, percebe-se o aumento na autodeclaração de pretos e pardos, reflexo da mobilização dos movimentos sociais negros. O que traz à tona a pauta da ERER na formação inicial de professores, o objetivo deste trabalho é compreender como a ERER é tematizada em uma universidade pública estadual, especialemente no curso de Educação Física, na URCA - campus de Iguatu e analisar as percepções sobre este componente no tripé: ensino, pesquisa e extensão, visando compreender os limites e potencialidades na ótica dos docentes e discentes na efetivação desta política. O trabalho segue por um viés de pesquisa qualitativa, através de entrevistas semiestruturadas com discentes e docentes, as respostas serão analisadas ultilizando as tecnicas descritas por Bardin (2011). Esta pesquisa, buscará alcançar uma compreensão aprofundada das dinâmicas institucionais que impactam na ERER e identificar as práticas, discursos e estruturas institucionais no Campus que contribuem para a inclusão ou marginalização dos conhecimentos epistemológicos afro-indígenas, com especial atenção às dinâmicas das relações de poder. O resultado estimado é que a ERER não é desenvolvida o suficiente na formação inicial de professores de educação física da URCA – Campus Iguatu. Mesmo considerando que o curso existe desde o ano de 2005. Numa cidade que tem nome de origem indígena, com uma história, atravessa os kariris-quixelô. Este trabalho faz parte de uma de pesquisa de iniciação científica em andamento.
Oral
Abrir o trabalhoETNOMUSICOLOGIA NEGRA BRASILEIRA: A MÚSICA COMO TECNOLOGIA DE MEMÓRIA, REPARAÇÃO E BEM-VIVER NA EDUCAÇÃO
AUANY VITORIA DA SILVA BATISTA; Reginaldo Ferreira Domingos
A história oficial brasileira marginaliza protagonismos negros, inclusive no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, previsto na Lei 10.639/03. Diante disso, este trabalho analisa a canção “Revolta Olodum”, do grupo Olodum, como expressão de resistência cultural e valorização da memória afro-brasileira. O objetivo é compreender como a música pode atuar como tecnologia de reparação histórica e promoção do bem-viver, especialmente na educação. Utilizou-se a Análise do Discurso de orientação francesa, com base em Orlandi e Pêcheux, para examinar os efeitos de sentido produzidos na letra. O corpus analisado destaca personagens históricos como Zumbi, Maria Bonita e Antônio Conselheiro, além de revoltas como a dos Malês e a Balaiada. Os resultados indicam que a canção constrói um discurso contra-hegemônico que reinscreve a memória negra na história nacional, associando-a ao Pelourinho e à identidade nordestina. Conclui-se, ainda que parcialmente, que a inserção de músicas negras no contexto escolar fortalece a identidade afro-brasileira e contribui para o combate ao racismo estrutural. Em diálogo com trabalhos anteriores apresentados neste congresso, como o de Julião e Perlini (2024), que aborda o uso do rap em escolas de Juazeiro do Norte-CE como ferramenta de empoderamento negro, reforçamos o papel da música como meio de transmissão de saberes, ancestralidade e práticas educativas emancipadoras.
Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO DOCENTE E RACISMO: INFLEXÕES SOBRE O DISPOSITIVO DE RACIALIDADE
JOSÉ WILLYAM DE SOUSA SILVA; Louise Carla Siqueira da Silva; Laiany Henrique Félix
O presente artigo organiza compreensões acerca de uma pesquisa em andamento no Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri (MPDU/URCA). A pesquisa reflete sobre como o dispositivo de racialidade – termo cunhado por Sueli Carneiro (2023) – pode interferir nas relações de poder que se articulam na Educação e incidem na formação de professores. Objetiva-se discutir os efeitos do dispositivo de racialidade no processo formativo docente. Para tanto, adotou-se a abordagem qualitativa por meio de pesquisa bibliográfica (Bento, 2012; Brizola, 2016). Entende-se que a formação tem operado como um mecanismo de reprodução da hierarquização racial nas relações entre poder, saber e ser. A educação é um dos espaços em que o racismo se manifesta pelo apagamento de pessoas negras e de seus saberes — processo no qual a formação docente também está implicada. Nessa perspectiva, evidenciam-se mecanismos do dispositivo de racialidade articulados a uma agenda historicamente institucionalizada, que legitima epistemologias baseadas na naturalização da ausência da população negra — cuja existência é marcada por políticas de morte — e na elevação da branquitude ao status de humano universal. Cabe ressaltar que, embora seja uma pesquisa em desenvolvimento a ser aprofundada, inicialmente conclui-se que a dinâmica de agência do dispositivo de racialidade no ambiente educacional opera por meio do epistemicídio. Ao articular formas de negação epistemológica, cria mecanismos de assujeitamento que dificultam o acesso ao conhecimento. Essa dinâmica impacta a formação docente, pois professores formados em contextos marcados por epistemicídios tendem a reproduzir, mesmo de forma não intencional, práticas pedagógicas que invisibilizam saberes e perspectivas de populações racializadas, perpetuando desigualdades no processo educativo.
Palavras-chave: dispositivo de racialidade,formação de professores,epistemicídio
Oral
Abrir o trabalhoINICIAÇÃO À DOCÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES DO PIBID-SOCIOLOGIA/UNILAB NA FORMAÇÃO ANTIRRACISTA E ANTILGBTFÓBICA NA DOCÊNCIA
ENZO RAPHAEL DA SILVA LOPES
A formação em licenciaturas permite a possibilidade de ingresso como bolsista no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Através da experiência enquanto bolsista desse programa, este trabalho busca apresentar o PIBID-Sociologia/UNILAB como um agente de transformação das práticas pedagógicas tradicionais, considerando práticas pedagógicas emancipatórias antirracistas e antilgbtfóbicas na formação docente, além de expor a importância de um programa aliado ao projeto da UNILAB. Segundo Almeida (2024), as noções de gênero são formadas culturalmente e institucionalmente, nesse sentido, entende-se a escola como uma instituição que reforça estereótipos e preconceitos, mas que tem a responsabilidade de desconstruí-los. Este trabalho também objetiva refletir sobre os impactos das práticas educativas voltadas para o ensino antirracista e antilgbtfóbico realizadas pelos bolsistas do PIBID-Sociologia/UNILAB, trazendo experiências formativas palpáveis. A análise se concentrará na experiência e observação do autor como bolsista, tendo realizado diversas atividades voltadas para o entendimento dos estudantes sobre direitos humanos, além de incluir metodologicamente neste trabalho as literaturas já produzidas sobre educação e diversidade. Perante o exposto, entende-se o PIBID-Sociologia/UNILAB como um programa fortalecedor da formação de licenciandos, impactando não só na formação de docentes, mas na formação de jovens do Ensino Médio. Posto isto, entende-se que as opressões que geram racismo e LGBTfobia no contexto educacional devem ser combatidas e o trabalho de bolsistas do PIBID-Sociologia/UNILAB contribui de maneira significativa nesse combate. De acordo com Silva (2024), a compreensão de performances de gênero em contexto de vulnerabilidade exige investigação interseccional para o entendimento das formas de opressão e o feminismo decolonial seria um aliado na desconstrução dos padrões ocidentais de gênero e raça na educação.
Palavras-chave: PIBID, antirracista, antilgbtfóbico, práticas pedagógicas
Oral
Abrir o trabalhoTRAVESSIA DOCENTE NA PESQUISA/FORMAÇÃO: O ENCONTRO COM A DISCIPLINA DE GÊNERO E DIVERSIDADE NO MPEDU-URCA
MARIA LILIANE ROSADO RODRIGUES
O universo da pesquisa científica, na área da Educação, é um mecanismo de grande potencial para a possibilidade de preenchimento das lacunas existentes na formação de professores. Partindo desta premissa, este artigo é um relato de experiência que tem como objetivo explorar as vivências da autora, no encontro com a disciplina de Gênero e Diversidade, do Programa de Mestrado Profissional em Educação (MPEDU) vinculado a Universidade Regional do Cariri(URCA), ressaltando os impactos desta travessia na sua vida/docente em formação. É a partir deste lugar que a autora narra o percurso ao encontrar-se, pela primeira vez, com os estudos sobre gênero, raça e diversidade. Imersa nas teorias decolonias, através dos Feminismos Subalternos de Luciana Ballestrin (2017), Gayatri Chakravorty Spivak (2010), Patricia Hill Collins e Sirma Bilge (2020), Yuderkys Espinosa Miñoso (2020) e Glória Anzaldua (2005), é provocada a pensar doravante um mecanismo teórico-metodológico que nos provoca a rasgar o véu das teorias dominantes, brancas e burguesa. A metodologia ultilizada para a elaboração deste artigo é a narrativa autobiográfica, método que oferece aos sujeitos a reflexão sobre si, evocando sua subjetividades, desvelando a transformação de si, explorando seu lugar de fala e fazendo emergir novos saberes. Esta experiência formativa impactou as dimensões pessoal e profissional da autora ao redimensioná-la em um processo de descobertas da identidade docente, como sendo corpo/mente, conformados em um contexto histórico, social, cultual e político, em contínua formação.
Palavras-chave: Formação docente, Narrativas de si, Gênero, Diversidade
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho‘ENTRE LIVROS E HISTÓRIAS HÁ SABERES DOS TERRITÓRIOS’: EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DA CASA DE QUITÉRIA
GEOVANIA AURELIANO DE LIMA; Karlene Pereira de Lima; Cassio Expedito Galdino Pereira; Glauco Vieira Fernandes
Este estudo tem como objetivo analisar o papel da bilioteca comunitária da Casa de Quitéria na valorização e disseminação de saberes negros e indígenas no território do Baixio das Palmeiras. A biblioteca comunitária foi constituída como parte da Casa de Quitéria, que é um espaço cultural criado em movimento de resistência da ancestralidade do território e contra o avanço de Grandes Projetos de desenvolvimento, como o Cinturão das Águas do Ceará – CAC. Assim, esse espaço tem sido um ponto de cultura que desenvolve atividades voltadas para os interesses comunitários, promovendo experiências e práticas com a cultura, agroecologia e formação política sobre a defesa do território. Desse modo, a biblioteca é um espaço que proporciona acesso ao conhecimento as pessoas da comunidade, sobretudo a inserção de autores e autoras negros(as) e indígenas no seu acervo literário, promovendo a disseminação dos saberes étnico-raciais por meio da literatura. Esta pesquisa foi realizada por meio de um levantamento bibliográfico, com a revisão de literatura que discutem sobre o tema, a exemplo de Hooks (2017), Evaristo (2006) e Krenak (2019), e análise documental para se obter informações sobre atividades voltadas para questões étnico-raciais. Os resultados mostram que a biblioteca comunitária desempenha um papel fundamental na difusão dos saberes e literaturas étnico-raciais, proporcionando aos indivíduos e, principalmente, as crianças, um reconhecimento sobre sua própria ancestralidade e identidade. Portanto, a biblioteca influencia as pessoas sobre os conhecimentos histórico e social, promovendo uma formação educacional antirracista em espaço não formal de ensino contra o apagamento e estereótipos das pessoas negras e indígenas.
Palavras-chave: Cultura,Ancestralidade,Identidade,Acervo Literário,Espaço Cultural
Oral
Abrir o trabalho“LÁPIS COR DE PELE?”: UMA PRÁTICA DOCENTE DECOLONIAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL COM VALORIZAÇÃO DAS IDENTIDADES NEGRAS E FEMININAS EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO CRATO-CE
RANIELTON DANTAS DE ARAUJO; Marcelo Ribeiro da Silva; Luane Diniz Nascimento
Este trabalho trata-se de relatos de experiências vivenciadas nas turmas do Infantil V em uma escola da rede pública municipal do Crato – CE e propõe uma reflexão crítica sobre as práticas docentes na Educação Infantil, a partir de concepções historicamente construídas que universalizam um povo diverso e multicultural por meio de falas e expressões generalistas e preconceituosas, como “lápis cor de pele”. A discussão insere-se em uma perspectiva decolonial, ao problematizar a naturalização de padrões eurocentrados no cotidiano escolar, perceptíveis na escolha de cores, brinquedos, personagens e estéticas consideradas “neutras”. Tais escolhas, aparentemente inofensivas, reproduzem desigualdades e silenciamentos relacionados à raça e ao gênero. O problema central identificado é a ausência de formação continuada que aborde, de forma interseccional, as relações étnico-raciais e de gênero, o que compromete a construção de práticas pedagógicas antirracistas, inclusivas e equitativas desde a primeira infância. Expressões comuns entre as crianças, como “cor de menina” ou “cor de pele”, revelam como os marcadores sociais da diferença atravessam a sala de aula, reforçando estereótipos e exclusões. Valorizar outras narrativas e representações torna-se urgente para que crianças negras, indígenas, meninas e demais sujeitos historicamente marginalizados se reconheçam como protagonistas de suas histórias. O objetivo deste trabalho é analisar como práticas pedagógicas baseadas em uma abordagem decolonial podem contribuir para o enfrentamento de discursos discriminatórios e para a promoção de uma educação comprometida com a equidade, o pertencimento e a diversidade. Dialogando com autores como Nilma Lino Gomes (2017), Bell Hooks (2013), Patricia Hill Collins (2019) e Kabengele Munanga (2005), a prática docente é compreendida como um ato político de resistência, formação de identidade e justiça social.
Palavras-chave: Educação Infantil,Relações étnico-raciais e de gênero,Identidades
Oral
Abrir o trabalho“LUGAR DE HOMEM?”: DESAFIOS DE GÊNERO, CORPO E FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL PÚBLICA NO MUNICÍPIO DO CRATO – CE
RANIELTON DANTAS DE ARAUJO; Marcelo Ribeiro da Silva; Maria Jéssica Sousa Lima
Dados mais recentes do Censo Escolar 2024 / INEP apresenta a presença de professores homens atuantes na Educação Infantil. O mesmo revela que entre 96,1% e 97,1% dos docentes da Educação Infantil no Brasil são mulheres, evidenciando a baixa presença masculina, especialmente em municípios do interior como Crato - CE. Este trabalho analisa as práticas docentes de professores homens na Educação Infantil, relacionando-as com as relações de gênero, os modos de escolarização do corpo e a importância da formação continuada. A partir de uma abordagem qualitativa e de relatos de experiência, investigam-se os desafios enfrentados por esses profissionais diante de estigmas, desconfianças e expectativas sociais sobre masculinidade e cuidado. Autores como Guacira Louro (2023) contribuem para compreendermos a escola como um espaço privilegiado na produção de subjetividades e na reprodução de normas de gênero. Em diálogo com estudos como Santos (2021), Montecino et al. (2024) e Connell (2016), este trabalho analisa como as relações de gênero, atravessadas por fatores ideológicos, políticos e culturais, operam na naturalização da docência infantil como um campo essencialmente feminino. Assim, discute-se como essas construções sociais dificultam a inserção e a permanência de homens na Educação Infantil, reforçando estigmas e tensionando papéis de cuidado tradicionalmente atribuídos às mulheres. As experiências analisadas evidenciam que a presença masculina na Educação Infantil pode ampliar e enriquecer as concepções de cuidado, afeto e sensibilidade, especialmente quando apoiada por políticas de formação continuada que integrem as questões de gênero, sexualidade e diversidade como pilares fundamentais. Nesse sentido, a atuação dos homens na docência infantil deve ser compreendida não como uma exceção, mas como uma potencialidade transformadora capaz de desafiar padrões hegemônicos e fomentar práticas pedagógicas mais justas, inclusivas e comprometidas com a diversidade.
Palavras-chave: Educação Infantil,Relações de gênero,Formação continuada
Oral
Abrir o trabalhoA construção de sentidos de uma militante LGBTQIA+ sobre a atuação da sociedade civil em um município nordestino
GEOVANE GESTEIRA SALES TORRES; Raimundo Batista dos Santos Junior
Objetiva-se refletir sobre a construção de sentidos de uma militante LGBTQIA+ em relação à atuação da sociedade civil em prol dos direitos sexuais em um município nordestino. Realizou-se uma entrevista semiestruturada com uma militante transexual atuante em um Conselho Municipal de Direitos LGBTQIA+ no Ceará. Os dados foram tratados a partir do método análise de conteúdo, criando-se cinco categorias de análise e totalizando 35 unidades de registro. A categoria com maior frequência (f) foi Transferência de Responsabilidades (f 16), demonstrando a atuação filantrópica da sociedade civil, confluindo com a transferência de responsabilidades do Estado para o terceiro setor pela participação neoliberal. A categoria Relação Governo-Sociedade (f 9) demonstra o diálogo societal e o exercício do controle social, algo marcante nas instituições participativas - IPs e na atuação institucional de movimentos sociais. A categoria Problemas da Participação Institucionalizada (f 5) revelou percalços na efetivação de deliberações e a autonomia frágil do conselho, essa realidade problemática é compartilhada por outras IPs. As demais categorias tiveram baixa frequência. Conclui-se que a interlocutora nota as potências e fragilidades da participação institucionalizada, contudo, não demonstra crítica à participação neoliberal.
Palavras-chave: Participação social,Instituições participativas,Direitos sexuais,Associativismo
Oral
Abrir o trabalhoA LITERATURA SURDA NEGRA: UMA EXPRESSÃO ESTÉTICA DE IDENTIDADE E RESISTÊNCIA
FRANCISCO MANOEL MARTINS DOS SANTOS
Este trabalho aborda a literatura negra surda como instrumento de resistência, visibilidade e afirmação identitária para a comunidade negra surda no Brasil. Parte-se da constatação da baixa representatividade de pessoas negras na literatura surda — reflexo do racismo estrutural que atravessa também os campos da cultura e da educação. Compreende-se a literatura negra surda como manifestação estética resultante da interseção entre a identidade surda e a negritude, expressando experiências singulares por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O estudo tem por objetivos: analisar a presença da negritude na literatura surda; refletir sobre a interseccionalidade entre ser surdo e negro; documentar produções artísticas, como o Slam de Poesia em Libras; e compreender de que forma a poesia pode contribuir para o fortalecimento da identidade negra surda. Como referencial teórico, recorre-se a Conceição Evaristo (2009), que discute a invenção de formas de expressão afro-brasileira como resposta à violência histórica do racismo. A metodologia inclui observação participante em eventos culturais e entrevistas com autores e ativistas negros surdos. Dentre os destaques estão os poetas e pesquisadores Edinho Santos, Priscilla Leonnor e Weslei Rocha, cujas produções afirmam e fortalecem essa literatura. Eventos como o “Slam Mãos Quentes”, realizados no Ceará, são apresentados como espaços de expressão e empoderamento. As produções poéticas em Libras mostram-se essenciais à construção do pertencimento e da autoestima entre pessoas negras surdas. Conclui-se que a valorização da literatura negra surda é fundamental para combater a invisibilidade e promover a diversidade cultural e identitária. Recomenda-se, portanto, o incentivo por meio de políticas públicas e a criação de espaços culturais, reconhecendo a potência dessa produção como movimento de resistência e de transformação social.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoAÇÕES AFIRMATIVAS NAS POLÍTICAS CULTURAIS BRASILEIRAS: ESPECIFICIDADES, DESAFIOS E CAPILARIDADE ATUAL
MARIANA BRAGA TEIXEIRA
Este trabalho discute as especificidades das ações afirmativas nas políticas culturais brasileiras, com foco nas legislações recentes e nos desafios de sua implementação. Parte-se do reconhecimento das múltiplas formas de apagamento das expressões culturais negras, indígenas, LGBTQIA+, de pessoas com deficiência e de comunidades tradicionais. As ações afirmativas se configuram como instrumentos reparatórios, fundamentadas na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010), na Política Nacional Aldir Blanc (Lei nº 14.399/2022) e na Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), que consolidam diretrizes para o fomento cultural inclusivo. Destacam-se ainda as Instruções Normativas nº 5 e nº 10 do Ministério da Cultura, que estabelecem critérios de implementação como editais exclusivos, bônus de pontuação, estratégias de busca ativa, linguagem acessível e formação direcionada. Tais medidas sinalizam a sofisticação das ações afirmativas no campo cultural. Um dos principais avanços é a capilaridade inédita do processo, em curso com a descentralização de recursos para estados e municípios por meio do Sistema Nacional de Cultura. Como afirmam Reis e Cunha Jr. (2022), ‘a ausência de políticas públicas voltadas à preservação dos bens culturais da população negra revela o processo contínuo de invisibilização dos saberes e práticas culturais negras’. A política cultural afirmativa, nesse sentido, deve ser compreendida como estruturante, voltada à reparação, valorização da ancestralidade e superação das desigualdades históricas.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE ACESSO E PERMANÊNCIA: COTAS RACIAIS E POLÍTICAS ESTUDANTIL NO ENSINO SUPERIOR
JONAS PEREIRA DE JESUS; Joelma Maria Freitas
O presente artigo tem como objetivo compreender os impactos das políticas de assistência estudantil na vida de pessoas negras e de baixa renda em instituições públicas do Estado do Ceará. A metodologia adotada consiste em pesquisa de natureza descritiva, e abordagem qualitativa, realizada por meio de pesquisa de campo, utilizando entrevistas estruturadas como técnica de coleta de dados. Trata-se também de uma pesquisa bibliográfica, com fontes primárias e secundárias, que permitem refletir sobre as questões étnico- raciais na sociedade brasileira, em especial no contexto cearense. Participaram do estudo quatro interlocutores que entre os anos de 2009 e 2022 cursaram graduação ou mestrado em instituições públicas tendo sido, em suas respectivas trajetórias acadêmicas, contemplados com políticas de assistência estudantil. Para embasar a construção teórico-metodológica da pesquisa, foram utilizados como aportes Oliveira (1996), Minayo (2000), Gil (2007), que nos elucidam sobre o percurso metodológico trilhado. No campo dos estudos étnico-raciais dialoga-se com Guimarães (2003), Vasconcelos (2010), Munanga (2011) e Gomes (2024), os quais analisam sobre as conquistas da população negra no acesso às universidades públicas, bem como as políticas de cotas raciais e de assistência estudantil. Ademais, foram adotados os referenciais de Almeida (2021) e Kilomba (2019), que discutem o racismo estrutural, além de Ratts e Ribeiro (2011), autores que discutem a presença do corpo negro na sociedade cearense, apresentado em edições anteriores do evento Artefatos da Cultura Negra no Ceará. Os resultados dessa investigação indicam que a política de assistência estudantil exerce papel fundamental na garantia do acesso e permanência dos estudantes “negres” e de baixa renda no ensino superior. Aponta-se ainda, que os históricos processos de inserção da população negra permanecem desafiadores especialmente no que concerne à efetivação dos direitos, sobretudo no campo da educação.
Oral
Abrir o trabalhoFABRICANDO PATRIMÔNIO E REPARAÇÃO HISTÓRICA: O IPHAN NO CEARÁ E AS AÇÕES DE SALVAGUARDA DA CAPOEIRA
JÉSSICA LILIAN RODRIGUES FURTADO
Em 2008, a Capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão responsável pela preservação do patrimônio cultural em âmbito nacional. O Ofício dos Mestres de Capoeira e a Roda de Capoeira foram inscritos, respectivamente, nos livros de Registro dos Saberes e das Formas de Expressão e teve como objetivo principal a valorização da história de resistência negra no Brasil, durante e após a escravização, de forma que este reconhecimento demarca o valor da herança legada pela cultural africana. Com ocorrência dessa manifestação em todo o território nacional, as Superintendências Estaduais do Iphan têm atuado junto aos coletivos estaduais de detentores no processo de salvaguarda, contemplando as especificidades que o bem cultural apresenta em cada estado. No caso do Ceará, desde 2013 tem havido um intenso engajamento e participação dos movimentos dos capoeiristas através do coletivo deliberativo – Grupo de Trabalho da Salvaguarda da Capoeira no Ceará no planejamento das pautas para a construção de políticas públicas culturais voltadas para salvaguardar a capoeira. Através da metodologia da história oral, buscamos esquadrinhar as memórias dos técnicos do Iphan-CE que acompanham e/ou participaram ativamente neste processo de salvaguarda do bem. Analisamos neste ensaio as experiências desses agentes da cultura na lida com a capoeira cearense, assim como as ações promovidas pela Superintendência do IPHAN no Ceará, que foram materializadas na elaboração: de planos de ação, de seminários para elaboração do Plano Estadual de Salvaguarda da Capoeira, do Mapeamento da Capoeira Cearense, frutos do diálogo contínuo e das demandas provocadas pela comunidade detentora desse bem cultural.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoINCLUIR QUEM? EDUCAÇÃO, EXCLUSÃO E MEMÓRIA ANCESTRAL
RUDGE CANDIDO MOTA; Francisco Renato Silva Ferreira
O presente trabalho propõe uma reflexão crítica sobre os sentidos e limites da educação inclusiva no Brasil, a partir da pergunta provocadora: incluir quem? A análise se ancora no princípio filosófico do Movimento Sankofa, símbolo da ancestralidade africana que evoca a necessidade de retornar ao passado para ressignificar o presente e projetar um futuro justo. Parte-se do reconhecimento de que as práticas escolares ditas inclusivas frequentemente se sustentam em paradigmas eurocentrados e capacitistas, desconsiderando os atravessamentos de raça, território, deficiência e classe. Apoiado nos aportes de Carneiro (2023), Gomes (2017), Walsh (2021) e outros referenciais negros e decoloniais, o estudo propõe uma abordagem interseccional que articula inclusão, justiça epistêmica e reparação histórica. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e teórico-analítica, com base em revisão bibliográfica rigorosa, incluindo produções dos Anais do Artefatos da Cultura Negra. Defende-se uma reconfiguração curricular que legitime saberes afro-indígenas, formas plurais de aprendizagem e subjetividades historicamente silenciadas. Conclui-se que não há inclusão verdadeira sem escuta radical, reconhecimento da diferença e compromisso ético-político com o bem-viver, enquanto horizonte de uma escola anticolonial e emancipada.
Palavras-chave: Educação inclusiva, Sankofa, Currículo, Justiça epistêmica, Interseccionalidade
Oral
Abrir o trabalhoO EXERCÍCIO TRABALHO DO SOCIÓLOGO NO CAMPO DE POLÍTICAS PÚBLICAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E TRABALHO EM JUAZEIRO DO NORTE, CE
JOAO EDUARDO TOME ARAUJO
O trabalho discorre sobre experiências na execução do trabalho de Sociólogo na Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (SEDEST) do município de Juazeiro do Norte, Ceará, no período de 2021- 2025. A proposta é evidenciar desafios que perpassam a realização do fazer profissional, com a devida ética e rigor metodológico, no campo da sociologia aplicada a políticas públicas, em um contexto perpassado por práticas que desvirtuam o conteúdo das políticas públicas e instrumentos jurídicos e normativos que as ordenam. Para isso, apresento o exemplo de três casos onde nos processos de desenvolvimento de políticas públicas, de modo muito normalizado/sutil, mas bastante evidente para um olhar treinado para observação das intersecções entre fenômenos sociais, cotidianamente são operadas práticas sociais que incidem no apagamento e invisibilização de determinados grupos sociais, especialmente quando relacionados a questões étnico raciais e de gênero. (1) Caso do levantamento de dados para elaboração do diagnóstico municipal da primeira infância, o qual demandou a indicação do número de pessoas quilombolas no município; (2) Caso do levantamento e sistematização de registros administrativos relacionados às políticas de atenção à população em situação de rua, atividade realizado no âmbito do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em Situação de Rua de Juazeiro do Norte; (3) Caso da reformulação do instrumental de abordagem das “Blitz” noturnas para aproximação da população LGBTQIAP+ que faz utiliza das ruas como local para obtenção de rendimentos, fruto da articulação entre Conselho Municipal de Direitos das Pessoas LGBTQIAP+ com o Núcleo de Diversidade e Gênero no município.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA LITERATURA AFRICANA COMO RESPOSTA ESTÉTICA AO RESSENTIMENTO: UMA ANÁLISE SOCIOCRÍTICA DE NIKETCHE DE PAULINA CHIZIANE
EDILVAN MORAES LUNA ; Huanna Pereira de Oliveira; Kayke Ariel Lopes de Souza
Este trabalho tem como objetivo investigar como a literatura africana emerge como contranarrativa a uma tendência ideológico-literária de matriz eurocêntrica cujo principal traço é a centralidade do ressentimento. Segundo Maria Rita Kehl (2004), o ressentimento é uma constelação de afetos marcada por conflitos internos imaginários do sujeito, e que atribui a Outro a responsabilidade pelo sofrimento que sente. Ainda segundo Kehl a estética do ressentimento é marcada por uma queixa e culpabilidade que atravessa produções estéticas europeias. O ressentimento, em outras palavras, é um veneno psicológico a consumir a vida dos sujeitos e, curiosamente, esse afeto tem uma valorização significativa na literatura ocidental. A partir do conceito exposto, iremos analisar uma tendência literária que vai à contramão dessa valorização do ressentimento: as literaturas africanas. Estas literaturas refletem condições socioeconômicas, políticas e culturais de povos historicamente violentados físicos, ontológica e epistemologicamente pelo colonialismo. O que observamos ao ler um conjunto de obras é que o ressentimento é afeto não gestado pelos personagens, pois a necessidade de luta e resistência se sobrepõe, criando estratégias subjetivas para tecer modos de existência criativos e afirmativos de subjetividades que desestruturam práticas Necropolíticas (MBEMBE, 2018). Escolhemos a obra Niketche, de Paulina Chiziane, para, por meio de uma análise sociocrítica, observar como a literatura e escrita “matripotente” (MOREIRA, 2020) marcada por certa “escrevivência” (EVARISTO, 2020) tece experiências e afetos de resistência, dando horizonte subjetivo e possíveis territórios imaginários para fazer frente ao ressentimento.
Palavras-chave: Literatura Africana,Necropolítica,Ressentimento
Oral
Abrir o trabalhoAÇÕES EDUCACIONAIS E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: CONTRIBUIÇÕES ADVINDAS DO CLUBE DO LIVRO “LEITURAS NEGRAS” REALIZADO NA EEEP LUCAS EMMANUEL LIMA PINHEIRO EM IGUATU-CE
NATÁLIA ALVES MARTINS AMORIM
Considerar a riqueza e a contribuição da diversidade étnica das comunidades africanas, indígenas, tradicionais no ambiente escolar, parece que não é um trabalho fácil, uma vez que são poucas as escolas e profissionais que incluem ao longo de todo o ano letivo, práticas de fato antirracistas. Quando essas práticas passam para a visibilidade e produção de escritas negras, esse caminho parece ainda de mais difícil acesso. Com as Leis 10. 639/03 e a Lei 11.645/08, que alteraram a LDB e determinam o ensino da História e da Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena nos sistemas de ensino público e privado, a educação se vê diante da necessidade de ações inclusivas e do desafio de atender essas demandas, não apenas no mês da Consciência Negra, mas durante todo o ano. É nessa perspectiva que o Clube do Livro Leituras Negras traz para a comunidade escolar Lucas Emmanuel Lima Pinheiro localizada no município de Iguatu-CE, a inclusão de um encontro semanal dedicado à leitura de obras literárias de autoria feminina, buscando atender à necessidade de ações educacionais antirracistas bem como os atravessamentos de gênero em consonância com a Lei nº 14.986/2024, que instituiu a obrigatoriedade do estudo e contribuição das mulheres em todos os níveis de ensino. Dessa maneira, inserir a literatura negra de autoria feminina no cotidiano da escola como uma atividade extracurricular é uma ação que busca mobilizar a comunidade escolar, provocar reflexões críticas acerca de gênero e raça, contribuir com o empoderamento e desconstruir hegemonias. Segundo Monte, Leite e Bezerra (2022) é preciso ler, estudar e principalmente escutar pessoas negras, pois suas vivências são diferentes das pessoas brancas. Assim, o Clube do Livro busca criar um espaço em que a leitura seja uma ferramenta de experienciar em que as vozes de mulheres protagonistas rompam silêncios e empoderam mentes.
Palavras-chave: Literatura afro-brasileira Autoria feminina negra; Educação antirracista
Oral
Abrir o trabalhoClube de Leitura Leia Mulheres Negras: experiências de formação crítica e afetiva a partir das epistemologias negras
CLAUDIANNE DE OLIVEIRA FREITAS DE LIMA ; Ana Maria Ribeiro da Silva; Maria Eduarda Costa Siqueira
Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre a participação no clube de leitura Leia Mulheres Negras, projeto de iniciação científica vinculado à Universidade Regional do Cariri (URCA), voltado para a valorização de autoras negras no campo das ciências humanas e literatura. A proposta do clube busca promover práticas de leitura e escuta atentas, críticas e afetivas, a partir das epistemologias produzidas por mulheres negras, como Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, bell hooks e tantas outras. As atividades do grupo ocorrem dentro da universidade. A experiência tem possibilitado o fortalecimento de identidades raciais, o combate ao racismo epistêmico e o incentivo à leitura de obras que historicamente foram marginalizadas nos currículos escolares e universitários. O clube atua, portanto, como espaço de formação política e subjetiva, promovendo diálogos entre saberes acadêmicos e populares, e favorecendo a construção de uma educação antirracista, decolonial, antissexista e comprometida com a justiça social. Este resumo reflete parte das vivências enquanto integrantes e bolsistas do projeto, ressaltando os impactos formativos e as potencialidades dessa iniciativa. Questões que dialogam com os debates apresentados nos Congressos anteriores do Artefatos da Cultura Negra, como demonstrado por SANTOS; SANTOS e LIMA (2024).
Palavras-chave: Mulheres Negras Racismo; Epistemicídio.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE LINHAS DA HISTÓRIA E A VOZ DA LITERATURA: LETRAMENTO RACIAL NO ENSINO DE HISTÓRIA EM DIÁLOGO COM CAROLINA DE JESUS E CONCEIÇÃO EVARISTO
JOSEFA ALICE NETA SOBRAL SOUSA
Em muitas das nossas escolas de ensino básico do Brasil - mesmo sob a vigência da Lei 10.639/03 -, as questões raciais ainda são abordadas de maneira pontual e as ações e práticas voltadas para a educação racial, reduzidas ao mês de novembro, e marcadas por um ensino de história que é ancorado numa historiografia amparada na colonialidade e atravessada pela racialização. Nesse sentido a escola tem se mantido como uma instituição-âncora para a reprodução de práticas raciais como por exemplo, o racismo recreativo. Dessa forma, promover um letramento racial na prática do ensino de História constitui nessa pesquisa em andamento, seu propósito central. As narrativas de Carolina Maria e Conceição Evaristo são marcadas pela denúncia das injustiças sociais e raciais, e podem favorecer uma ampliação sobre as complexidades das questões raciais no Brasil, particularmente no contexto escolar. A pesquisa postula como objetivo geral promover o letramento racial no ensino de história a partir da literatura de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, com vista ao fortalecimento de uma educação antirracista.O amparo teórico desta proposta tem como referências as contribuições dentre outros de, Almeida (2018), Bernd (2018), Evaristo (2009), Conceição (2015), Fenelon (2012), Ferreira (2014; 2015; 2017), Ferreira (2009), Gomes (2017; 2019), Gonzalez(1988) Guimarães (1999), Moore (2007), Moreira (2023), Mbembe (2017), Oliveira (2003), Pesavento (2003; 2006) Ribeiro (2023), Soares (2024), por meio de uma metodologia baseada nos princípios e procedimentos da literatura como linguagem, onde serão trabalhadas as obras Quarto de despejo: diário de uma favelada e Olhos d`água e suas respectivas autoras.
Palavras-chave: Ensino de História ,Letramento racial, Literatura negra
Oral
Abrir o trabalhoESCREVIVÊNCIA E EDUCAÇÃO: VOZES NEGRAS NA EDUCAÇÃO COMO ATO POLÍTICO DE RESISTÊNCIA.
MARIA LIZANDRA MOREIRA DE SOUZA ; DENISE CAVALCANTE SARAIVA
O presente artigo busca refletir a escrevivência enquanto ato de resistência e como metodologia no campo educacional, sobretudo na valorização das narrativas de mulheres negras. A partir do conceito desenvolvido por Maria da Conceição Evaristo de Brito a escrevivência; destaca-se a obra de Carolina Maria de Jesus “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960)”, como uma das expressões precursoras dessa escrita de si, com caráter coletivo. Entende-se portanto, que a escrevivência surge como ferramenta de resistência, podendo ser trabalhada e desenvolvida na área Educacional, por suas propriedades pedagógicas e políticas, contribuindo para a construção de uma Educação Antirracista e para a valorização de epistemologias plurais. O estudo fundamenta-se em autorias não eurocêntricas produzidas por autoras como Carolina Maria de Jesus (2014), Conceição Evaristo (2020), Chimamanda Ngozi Adichie (2019), Oliveira (2023), entre outros/as. Com o intuito de refletir sobre os impactos da escrevivência na formação docente e na transformação dos espaços escolares, a pesquisa adota a metodologia de pesquisa bibliográfica, visando discutir o papel da escrevivência como ato político de resistência na ampliação das vozes marginalizadas e na ressignificação dos processos de ensino-aprendizagem no chão da escola. Conclui-se que a escrevivência, enquanto prática de resistência no âmbito pedagógico permite o reconhecimento das subjetividades, afirmando assim, o compromisso com a construção de uma educação crítica, que pode ser operada em conjunto com a Lei 10.639/03, estabelecendo assim engajamento com a justiça social.
Palavras-chave: Escrevivência; Mulheres negras; Educação antirracista; Resistência
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoGuardiã das memórias: Scholastique Mukasonga velando o corpo de sua mãe em A Mulher de Pés Descalços.
CRISTINA MARIA DA SILVA
O trabalho busca refletir sobre o trabalho da escritora Scholastique Mukasonga (1956-Ruanda) e como sua literatura se vincula a um processo de rememoração (Gagnebin, 2014) e expressão narrativa do luto. Sua escrita é uma forma de velar os trinta sete mortos de sua família, além de amigos e conhecidos. A “vigília” é um trabalho emocional, físico e intelectual de cuidado para com as pessoas negras mortas ou à beira da morte, zelar por elas e por suas memórias (Sharpe, 2023). Aliada ao vestígio é uma forma de evidenciar que o passado que não passou reaparece, rompendo o presente. Tenho como objetivo abordar “os espaços da recordação” (Assmann, 2011) acionado em suas obras, aqui principalmente, em A Mulher de Pés Descalços. A testemunha (testis) não é só a que assiste, é também aquele que subsiste além de, tem não só a visão como referência, mas a audição. “Aquele que se mantém no fato” (Seligmann-Silva). Como uma guardiã das memórias, Mukasonga, em sua escrita alinhava as narrativas pessoais à história de Ruanda e, mais propriamente, ao genocídio que destruiu sua família. Tenta dizer o indizível (Kilomba, 2019). Não se deixa sucumbir pelas narrativas que tentam negar o genocídio e nem mesmo pela dor que a dilacera. Como afirma Saidiya Hartman (2021), erradicar a memória é eliminar todas as evidências de uma existência anterior à escravidão, ou seja, “nenhuma imagem de sua mãe viria à mente enquanto ela olhava o rosto de seu filho.” Como sobrevivente, seu corpo e as memórias dos lugares lidam com as feridas abertas pelo trauma do genocídio de 1994. Seu trabalho retomando a história pessoal é uma forma de escuta, sobretudo das mulheres como sujeitos e não como coisa ou resto (Mbembe, 2018); (Felix, XV, Anais, 2024, p. 253). Os territórios revisitados após a destruição de sua família contrastam com os territórios sagrados descritos e experimentados com Stefania: a mãe não sepultada. As páginas escritas envoltas em lágrimas são a forma de sepultar dignamente sua mãe.
Oral
Abrir o trabalhoLITERATURA FEMINISTA NEGRA: PROPOSTA PEDAGÓGICA DE RECONHECIMENTO DAS INTELECTUAIS NEGRAS ESCRITORAS
CLAUDIANNE DE OLIVEIRA FREITAS DE LIMA
O objetivo desse artigo é analisar obras literárias escritas por mulheres negras que dialoguem com propostas pedagógicas antirracistas. Nesse sentido, selecionamos dois exemplares de livros de autoria da Bell Hooks, a saber, “E eu não sou uma mulher?” e “Ensinando a transgredir: educação como prática da liberdade”. Além dessa autora negra feminista, escolhemos o livro “Quarto de despejo: Diário de Uma Favelada” de Carolina Maria de Jesus e um artigo intitulado “Narrativas de mulheres negras: cultura de base africana e educação no Cariri cearense” da intelectual negra caririense Cicera Nunes. Os textos escolhidos permitirão construir estratégias de reconhecimento das escritas feministas negras e superar a consolidação do pensamento eurocentrista. O método adotado nesta pesquisa é o de revisão literária com as autorias Hooks (2019, 2017), Jesus (2014) e Nunes (2021). Historicamente, na América, durante o processo de invasão europeia, a literatura foi um campo demarcado pelas escritas de homens brancos, com o decorrer do tempo essa realidade tem mudado positivamente com as escritas de mulheres negras, especialmente afro-feminina. Esse texto não só busca demonstrar a importância das escritas femininas negras como também mostra caminhos pedagógicos de inserção das literaturas feministas na educação.
Palavras-chave: Literatura feminista negra, Bell Hooks, Carolina Maria de Jesus e Cicera NunesEducação antirracista.
Oral
Abrir o trabalhoPOR UMA INTERPRETAÇÃO VIVA DO PASSADO: A LITERATURA DE OCTAVIA BUTLER E RESISTÊNCIAS AO RESSENTIMENTO
EDILVAN MORAES LUNA ; Kessia Balbino Alves; Melissa Santos
Este trabalho tem como objetivo analisar a literatura negra como produtora de narrativas de empoderamento subjetivo. Esses empoderamentos no campo estético são respostas a tendências literárias que atribuem centralidade a outras produções literárias que hipervalorizam afetos de ressentimento. A partir do conceito de escrevivência, em que, em entrevista, Conceição Evaristo (2017) diz que “toma como mote de criação justamente a vivência. Ou a vivência do ponto de vista pessoal mesmo, ou a vivência do ponto de vista coletivo”, vemos como experiências literárias subjetivas de resistência fornecem estruturas de sentimento (WILLIAMS, 2011) e paisagens afetivas que não recaem em constelações afetivas de ressentimento. Este afeto, segundo perspectivas psicanalíticas, se resume em uma série de afetos tristes, para pensar com Espinosa, em que a impotência em face de estruturas socioeconômicas retorna para o sujeito na forma de um remoer interno, um “envenenamento psicológico” que se converte em queixas e em obstaculização da ação para mudar modos de existências pessoais. Por meio de uma análise sociocrítica da “literatura matripotente” (MOREIRA, 2020) de Octavia Butler, em particular, Kindred: Laços de sangue, veremos como não apenas a ficção científica negra como também o percurso de aprendizagem da personagem, Dana, permite uma abordagem e interpretação crítica da experiência do tempo e da escravidão. “Interpretações vivas do passado” – conceito que elaboramos a partir da leitura de Butler – que, ao invés de recair em paralisias ressentidas, move a personagem para uma apreensão mais consciente e afirmativa de seu presente.
Oral
Abrir o trabalhoREFLEXÕES SOBRE UMA LITERATURA IMIGRANTE: FORMAS DE RESISTÊNCIAS A MODOS DE OPRESSÕES INTERSECCIONAIS NA OBRA CIDADÃ DE SEGUNDA CLASSE, DE BUCHI EMECHETA
HUANNA PEREIRA DE OLIVEIRA ; Maria Jossandra Santos de Sousa
Esta pesquisa tem como objetivo analisar o romance da escritora nigeriana Buchi Emecheta, Cidadã de segunda classe, observando como a “literatura matripotente” (MOREIRA, 2020), mais além da crítica social, pode se tornar meio para mitigar sofrimentos de raízes socioeconômicas, culturais e políticas. Por meio da denúncia do colonialismo e de suas consequências posteriores – o que poderíamos identificar como a colonialidade do poder, do saber e do ser (QUIJANO, 2005) –, vemos a força de uma escrita semiautobiográfica que pensa o sujeito não em seu solipcismo existencial, mas como um elo numa cadeia de relações historicamente marcadas. Acompanharemos a travessia da personagem Adah da Nigéria à Londres, observando nessa trajetória as estratégias de empoderamento subjetivo da personagem ao lidar com uma vida marcada pela “interseccionalidade” (CRENSHAW, 2002) de formas de opressão, principalmente, num contexto marcado pela imigração. Esperamos evidenciar, por meio de uma análise sociocrítica do romance de Emecheta, aquilo que afirma a pesquisadora e ativista negra Jurema Werneck: “Para nós mulheres negras – compreendidas como uma diversidade incomensurável, porém marcadas por desigualdades que têm origem na inferiorização e exploração –, as múltiplas ações políticas que empreendemos atravessam diferentes níveis de atuação, diferentes campos da existência, marcadas por encontros conflituosos ou violentos com o ocidente, com o patriarcado, com o capitalismo, com o individualismo...” (WERNECK, 2008, s.p.). Buscaremos também relacionar a análise proposta com o conceito de escrevivência (EVARISTO, 2017), enfatizando a força da escrita literária como ferramenta de resistência e luta em que, mais do que ecoar vozes, vemos uma verdadeira composição de práticas, discursos e imaginários antirracistas e anticoloniais.
Palavras-chave: Empoderamento,Escrevivência,Literatura Africana
Oral
Abrir o trabalhoTERRITÓRIOS PLURAIS E EM MOVIMENTO: NARRATIVAS DE VIDA E SABERES ECOSSOCIAIS
ALEF DIOGO DA SILVA SANTANA
A categoria território possui uma ambivalência de significados em diversos campos do conhecimento. Neste estudo, destacam-se duas concepções: de um lado, a perspectiva que o considera como instrumento técnico-administrativo das políticas públicas de saúde; de outro, a cosmovisão dos modos de habitar, viver e cuidar expressos por povos e comunidades tradicionais. Partindo desse cenário, objetivamos analisar as concepções de profissionais da saúde e de um assessor de saúde, responsável pela implementação do primeiro Sistema Agroflorestal do município de Iguatu, sobre a categoria território, destacando formas distintas de se relacionar com o cuidado e com o espaço vivido. Do ponto de vista teórico-metodológico, foram utilizadas as narrativas de vida, oriundas da antropologia, articuladas às discussões propostas por autores decoloniais e contracoloniais, como Milton Santos (1990, 1994), Beatriz Nascimento (1985) e Antônio Bispo dos Santos (2013, 2015), os quais reconhecem o território como espaço de relações, práticas, emancipação, poder e afetividades. O Sistema Agroflorestal localizado no município de Iguatu, vinculado à Escola de Saúde Pública local, constitui um lócus territorial privilegiado para reflexão e produção dos dados empíricos deste trabalho, sendo compreendido como uma tecnologia leve na produção do cuidado. Os dados preliminares revelam que existem outros sentidos atribuídos à categoria território, à medida que se confluem ideias e ocorre a biointeração (Bispo dos Santos, 2023) de práticas de cuidado, distantes da perspectiva hegemônica, técnico-política e estatal. Por fim, o Sistema Agroflorestal, sob uma ótica decolonial e contracolonial, pode ser incorporado às políticas municipais de saúde como expressão de um saber popular que dialoga com os modos de vida de povos tradicionais, reconhecendo o território como espaço vivo de produção de saberes, afetos e existência.
Palavras-chave: Território, Tecnologia de cuidado, políticas de saúde, povos tradicionais, saúde coletiva
Oral
Abrir o trabalhoA FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: TENSÕES ENTRE EDUCAÇÃO, CAPITALISMO, RAÇA E DEMOCRACIA HOJE
MARCELA COSTA BEM; Antônia Eudivânia de Oliveira Silva
A proposta desse trabalho é apresentar reflexões teóricas acerca da função social da escola sob a perspectiva de conceitos tensionados pela Sociologia na sua tentativa de compreender as instituições educacionais. Nesse sentido, abordaremos importantes conceitos e reflexões a partir da sociologia da educação, discutidos pelos autores Quintaneiro (2002), Apple (2011), Martins (2011), Ribeiro (2019), Hooks (2019), Bourdieu (1970) e Saviani (2008). Tensionam-se, dessa forma, as concepções de classe social, hegemonia, intelectuais orgânicos e educação democrática. Portanto, serão considerados os atravessamentos históricos que perpassaram e perpassam as questões raciais no contexto capitalista e educacional brasileiro. Objetivamos, a partir do olhar desses autores, contribuir com a comunidade acadêmica e escolar, tendo em vista as problemáticas que envolvem o trabalho pedagógico do professor na atualidade e a formação dos alunos na sociedade brasileira. Cabe salientar que o método utilizado para o desenvolvimento deste trabalho baseou-se na revisão bibliográfica e conceitual das categorias apresentadas nas obras dos autores mencionados, relacionando-as diretamente com o campo da educação e com o sistema vigente, com o propósito de enfatizar o papel social da escola enquanto instituição formadora de sujeitos históricos e agentes transformadores de realidades.
Oral
Abrir o trabalhoCIÊNCIA, CULTURA E EDUCAÇÃO: A REPRESENTATIVIDADE NEGRA NA ANIMAÇÃO INFANTIL “SUPER SEMA”
GRAZIELE PEREIRA ALCÂNTARA; Thiago Alves Moreira Nascimento; Cassio Expedito Galdino Pereira
O presente trabalho dialoga acerca da representatividade dos afrodescendentes nos desenhos animados e sua contribuição na discussão das ciências naturais, promovendo a possibilidade de refletir sobre as dificuldades de encontrar animações educativas que expõe a diversidade cultural étnico-racial. Outra questão a ser abordada com base em Saviani (2011), em relação à democratização do saber elaborado onde a população deve ter acesso aos conhecimentos científicos baseados na ciência. Esse saber garante aos mesmos a oportunidade de se apropriar dos elementos produzidos pela a humanidade por meio do trabalho não material, ou seja, a forma de pensar, planejar e criar recursos para nosso próprio benefício. A escola fornece não apenas os conhecimentos sistematizados transmitidos pelo professor aos seus alunos, mas torna-os conscientes da cultura gerada por gerações, na qual podemos incluir a cultura da comunidade negra, com essa temática ressaltamos a importância da formação docente em tornar os recursos educacionais mais inclusivo e que demonstre a interculturalidade existente, visto que “deve ser priorizada a construção de conhecimentos pautados na ética e na perspectiva de contribuir para redução das desigualdades educacionais, sociais e étnico-raciais persistentes em todos os níveis da educação pública, desde a educação infantil...” (Nunes, Santana e Franco, 2021, p.5) O objetivo geral busca verificar a simbologia da cultura africana na animação Super Sema e identificar conceitos científicos da ciências naturais, portanto de carácter analítico procuramos episódios que sejam significativos para temática proposta. Observamos elementos da identidade negra tais como representação estética visual dos personagens como do próprio espaço e nomes com origem africana, além disso identificamos conceitos científicos que auxiliam no processo ensino-aprendizado das crianças no contexto escolar, exemplo o episódio “o rei e a floresta eterna”.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoELAS TAMBÉM FAZEM CIÊNCIA: ESCUTAS E EXPERIÊNCIAS NO ENSINO MÉDIO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE ICÓ
MARIA DERLANDIA DE ARAÚJO JANUÁRIO; KELI GOMES FERREIRA
A presença de mulheres nas Ciências Exatas, especialmente mulheres negras, segue marcada por desigualdades estruturais que se expressam desde a formação básica até os espaços acadêmicos e de produção científica. Historicamente, a ciência construiu-se com base em processos excludentes que silenciaram vozes dissidentes e reforçaram uma imagem hegemônica de cientista: homem, branco, europeu e de classe média. Esse imaginário ainda se perpetua no cotidiano escolar e universitário, com impactos diretos na autoimagem e nas expectativas de meninas e mulheres racializadas quanto ao seu pertencimento ao campo científico (ALVES-BRITO, BOOTZ, MASSONI, 2018; ALVES-BRITO, ALHO, 2022; EVARISTO,2005). Este cenário evidencia a urgência de ações que confrontem os estereótipos de gênero e raça, articulando ensino, pesquisa e inovação em prol de uma ciência mais justa e representativa. Assim, a proposta desta pesquisa busca contribuir com o fortalecimento da presença de meninas e mulheres na ciência, por meio da escuta sensível de suas experiências, percepções e desafios em relação ao fazer científico, ao ensino e à sua permanência nos espaços escolares e acadêmicos. A pesquisa foi desenvolvida em um Escola de Ensino Médio Profissional na cidade de Icó. Os instrumentos de coleta incluiram questionários, entrevistas, rodas de conversa, observações e análise de materiais didáticos. Além disso, foi realizado formação com professores e divulgações sobre o assunto em redes sociais com intuito de construir coletivamente alternativas que promovam uma educação científica plural, que reconheça e valorize a diversidade de saberes e experiências, rompendo com os silenciamentos historicamente impostos às mulheres, especialmente às mulheres negras, no campo das Ciências Exatas.
Palavras-chave: cientistas negras, mulheres na ciencia, equidade,gênero
Oral
Abrir o trabalhoHistória Local e as interseções entre identidade e pertencimento
BARBARA ALMEIDA OLIVEIRA; Lorrany Santiago de Sousa; Vitor Pereira de Alencar
O objetivo geral deste estudo é apresentar uma reflexão sociohistórica sobre identidade e pertencimento através do ensino de História Local. Orientando-se por integrar tais conceitos ao currículo escolar como estratégias de interseção entre as vivências dos educandos e da produção histórica. Nesse contexto, a parte diversificada do currículo da educação básica tem demonstrado-se relevante no campo do diálogo entre estudantes e aproximação com suas vivências e história. De caráter qualitativo, adotou-se a metodologia da pesquisa-ação participativa, considerando que não apenas os educandos estão envolvidos no processo de aprendizagem e produção do conhecimento, como constituem-se em sujeitos da reflexão. Esta abordagem permite uma investigação profunda das experiências dos estudantes em relação à história local e aos territórios quilombolas. Destarte, o estudo configura-se em um relato de experiência construído a partir das eletivas de História Local e História, Memória e Espaço Geográfico ministradas na EEMTI José Waldemar de Alcântara e Silva localizada na cidade de Salitre-Ce. Salitre, juntamente com Araripe, constitui-se na atualidade os territórios com maior número de quilombos certificados no sul do estado, além dos que ainda encontram-se em processo de reconhecimento. Ao longo da eletivas foi identificado o desconhecimento e afastamento dos educandos em relação à História e importância dos territórios quilombolas na constituição da memória e identidade local, inclusive entre os estudantes que nasceram e vivem em quilombos. Constatou-se ainda a dificuldade em racionalizar o espaço que ocupam como produto de processos históricos, atravessados por permanências e continuidades, memórias e esquecimentos, narrativas e silêncios. Diante do exposto, a História Local é apresentada no presente estudo como importante estratégia de ensino e pesquisa na integração entre o currículo escolar, memória e espaço, aproximando as vivências dos estudantes da produção da História.
Oral
Abrir o trabalhoMUITA LUTA, POUCA ESCUTA: História Oral como método e fonte de ensino aprendizagem no ensino médio
BARBARA ALMEIDA OLIVEIRA; Maria Eduarda Leite; Maria Eloa Silva Barboza; Heloisa Santos Oliveira
O presente estudo constitui-se em um relato de experiência construído no decorrer do primeiro semestre de 2025 na eletiva de História, Memória e Espaço Geográfico ministrada na EEMTI José Waldemar de Alcântara e Silva. Com objetivo geral de apresentar a História Oral como uma metodologia de ensino-aŕendizagem no ensino médio capaz de promover a integração dos estudantes com a história local, memória coletiva e tradição quilombola. Para tanto, utiliza-se de uma abordagem qualitativa e do método da pesquisa ação participativa, uma vez que coube aos educandos traçar estratégias através da História Oral para emergir na constituição da História Local. Explorando tais conceitos a partir da perspectiva da teoria da aprendizagem significativa articulada a constituição do espaço e dos sujeitos como objeto de do conhecimento histórico, utilizou-se do conhecimento técnico da História Oral como estratégia de ensino-aprendizagem. No decorrer da eletiva foi constatado, entre os estudantes, grande carência sobre a história do locus de estudo, especificamente, no que diz respeito à articulação entre história local, memória e sua vinculação com a trajetória e tradição quilombola. Atentos às especificidades referente às narrativas orais, atravessadas por subjetividades, sentidos, sensibilidades e intencionalidades (de lembrar ou esquecer), identifica-se nesse percurso o uso da História Oral como recurso eficaz na integração dos estudantes com as experiências e trajetórias relatadas. Considerando nesse contexto, o contato entre os indivíduos com narrativas diversas que atravessam à constituição da cidade enquanto espaço histórico.
Oral
Abrir o trabalhoO papel da importância da representatividade de cientistas negros na Educação Básica
KELI GOMES FERREIRA; Maria Derlandia de Araújo Januário
Mesmo após 135 anos da abolição da escravatura no Brasil, com a Lei Áurea em 1888, a discriminação contra negros ainda é um problema atual e se reflete no ambiente escolar, especialmente nas áreas de Ciências da Natureza. Para abordar essa questão, em uma escola de Ensino Médio Profissionalizante na cidade de Icó foram realizadas pesquisas sobre o conhecimento dos estudantes acerca desse assunto. Os resultados revelaram que a maioria desconhecia qualquer cientista afrodescendente, evidenciando um apagamento histórico ainda presente nos currículos escolares. Diante desse cenário, foram realizadas intervenções pedagógicas junto às turmas do Ensino Médio, por meio de exibição de filmes, apresentações contextualizadas e rodas de conversa. Essas ações buscaram promover o debate sobre a importância da representatividade negra na ciência, abordando marcos históricos e o silenciamento sistemático das contribuições de cientistas negros e negras ao longo do tempo. As reflexões suscitadas por essa política curricular que vai além do cumprimento legal da Lei nº 10.639/2003, colocam em xeque os fundamentos da educação vigente e propõem uma transformação estrutural, conceitual, epistemológica e política, comprometida com uma educação antirracista (GOMES, 2012; NUNES; SANTANA; FRANCO, 2021; ALVES-BRITO, 2020). Além das ações em sala, foram aplicados questionários, elaboradas apresentações e realizadas campanhas de conscientização em redes sociais, com o intuito de evidenciar a relevância da presença negra na ciência e inspirar jovens estudantes a se reconhecerem como sujeitos possíveis na produção do conhecimento científico.
Oral
Abrir o trabalhoRELAÇÃO CÉU-TERRA DO POVO INDÍGENA KARIRI: FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE E IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS
CRISTIANO ANTONIO DOS SANTOS; Francisco Joedson da Silva Nascimento; Lucas Gabriel Bezerra da Silva
Neste trabalho temos como objetivo apresentar um projeto de pesquisa em fase inicial que tem como foco a investigação e valorização os conhecimentos sobre o céu e a terra das comunidades indígenas do Povo Kariri no Cariri cearense, buscando compreender a forma como esses povos interpretam os astros, os ciclos naturais e suas relações com o tempo, a agricultura, a espiritualidade e a organização social. A relação céu-terra permite o diálogo entre os saberes tradicionais e a ciência moderna, reconhecendo os conhecimentos originários como formas legítimas e complexas de compreensão do mundo. Ao mesmo tempo, busca-se fortalecer a identidade cultural dessas comunidades por meio do reconhecimento da oralidade como fonte de conhecimento e da promoção de ações educativas. O projeto adota uma metodologia com caráter interventivo e formativo. As atividades serão desenvolvidas em contato direto com as comunidades envolvidas, de forma dialógica promovendo o protagonismo dos sujeitos pesquisados. A metodologia se estrutura em quatro etapas principais: levantamento bibliográfico e teórico; pesquisa documental, etnográfica e cartográfica; pesquisa de campo com base em narrativas orais; e sistematização dos dados. Como ação final, serão promovidas oficinas formativas junto às comunidades, visando à socialização dos conhecimentos sobre a relação céu-terra sistematizados e à construção de espaços educativos pautados no reconhecimento e na valorização da memória ancestral. Tais oficinas buscarão integrar as dimensões pedagógica, cultural e política do conhecimento, contribuindo para uma educação libertadora e territorializada. Espera-se, como resultado, contribuir para o fortalecimento da identidade étnica e dos saberes tradicionais das comunidades indígenas do Cariri, ampliar o registro e a compreensão das cosmologias indígenas e incentivar práticas educativas baseadas no diálogo entre saberes.
Oral
Abrir o trabalhoSABERES PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: MINICURSO COMO PROPOSTA DE CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PEDAGOGOS
ANTONIO RONISKEL DE OLIVEIRA; Karen Virginia da Silva Guedes
Este escrito visa apresentar um relato de experiência a partir das vivências de um minicurso ofertado na semana universitária da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Com ênfase na educação antirracista para a formação de uma identidade negra no ambiente escolar, através de literatura para crianças e atividades que podem ser implementadas no ambiente escolar. Isso auxilia não apenas no aprendizado dos conteúdos curriculares, mas também na formação de suas identidades ao descobrirem suas origens ancestrais. Permitindo que a criança negra perceba sua potencialidade e tenha acesso à história dos que vieram antes, das contribuições de conhecimentos, de cultura, de saberes religiosos, políticos, como, também, no âmbito da economia. Podendo construir sua identidade negra com saberes e conhecimentos que fortaleçam suas potencialidades em uma ótica de pertencimento, de compreensão do lugar que tem direito de ocupar. O minicurso foi idealizado a partir do livro “Como ser um educador antirracista”, da autora Bárbara Carine Pinheiro, que discute e apresenta propostas de como trabalhar em uma perspectiva que aborde a pluralidade ancestral negra. A obra evidência a importância e a responsabilidade que o professor tem em mediar conhecimentos plurais amplamente sobre as diversas culturas que formam o nosso país. Discursos eurocêntricos não cabem na educação brasileira, a sociedade tem a responsabilidade de fazer uma reparação, e deve começar pela educação. É relevante destacar que todas as culturas e conhecimentos trazem sua importância.
Palavras-chave: Educação antirracista, Formação Inicial, Formação continuada,Lei 10.639/03
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoVOZES QUE ESCREVEM: A EXPRESSÃO FEMININA NAS PÁGINAS DA ESCOLA
JONH ELISON RODRIGUES; Nair Horrany Vieira Rodrigues; Maria Rita Lima Mendonça; Maria Derlandia de Araújo Januário
Este projeto tem como objetivo promover a visibilidade da escrita feminina e discutir a luta histórica das autoras por reconhecimento literário. Santos e Amaral (1997) afirmam que, apesar da presença de mulheres na literatura, condicionamentos patriarcais as invisibilizam. Filho e Freire (2020) destacam que, no século XIX, muitas autoras usaram pseudônimos masculinos, reforçando estigmas sobre sua criatividade, refletindo assim o apagamento das vozes femininas na sociedade e nas práticas escolares (Alves- Brito, 2021; Silva, 2018). Nunes (2021) destaca a potência da escrita como ferramenta de emancipação e resistência de meninas e mulheres. Assim, a iniciativa busca desconstruir essas barreiras e valorizar a escrita como expressão de subjetividades. O projeto coleta textos autorais (poesias, poemas...) de alunas da EEEP Raimundo Saraiva Coelho, em Juazeiro do Norte, criando um acervo para uso escolar e tradução para o inglês, ampliando sua visibilidade. Além de quebrar preconceitos, pretende empoderar as alunas e incentivar sua expressão artística. O impacto esperado é a conscientização sobre a importância da escrita feminina, de meninas negras, para que elas se sintam confiantes em expressar suas histórias e sentimentos através da escrita. A disseminação desses textos ocorrerá de maneira online e impressa para promover a inclusão literária nas escolas da região do Cariri.
Palavras-chave: Escrita Feminina,Empoderamento,Ensino Médio
Oral
Abrir o trabalhoANA MARIA DE JESUS SILVA
O conceito de Sankofa, da cultura africana Akan, ensina que é preciso “voltar e buscar” o que ficou para trás para compreender o presente e transformar o futuro. Ao ser articulado com a escrevivência — escrita da experiência, termo de Conceição Evaristo —, torna-se uma poderosa ferramenta de resistência e reconstrução para mulheres negras na situação de encarceradas. A partir do relato de uma mulher de 37 anos, mãe solo de seis filhos, percebe-se que a memória, a dor e a fé caminham juntas na busca por dignidade e mudança. Dentro do sistema prisional, onde predominam histórias atravessadas por fome, abandono, racismo e desigualdade, a pedagogia antirracista surge como instrumento essencial. Ela valoriza a ancestralidade, os saberes afro-brasileiros e a subjetividade das mulheres negras, permitindo que se reconheçam como sujeitas de direito e não apenas como corpos punidos. A escrita da mulher na situação de encarcerada, ao seguir os tempos de Sankofa — passado, presente e futuro —, revela uma trajetória de luta, reconhecimento de erros e esperança de reconstrução. A fé, expressa em frases como “Deus está no controle”, não é submissão, mas força espiritual diante da exclusão. Assim, a escrevivência dentro do cárcere não é só relato: é denúncia, cura e projeto de futuro. Investir em educação e escuta é afirmar que a dignidade não se perde com a liberdade. Sankofa nos ensina que ao retornar à nossa origem, podemos encontrar caminhos reais de transformação.
Oral
Abrir o trabalhoA FORMAÇÃO CONTINUADA DE DOCENTES NO NOVO ENSINO MÉDIO DA CAUCAIA: UMA AVALIAÇÃO EM PROFUNDIDADE DA APLICAÇÃO DAS LEIS 10.639/2003 E 11.645/2008
EMANUELLE CORDEIRO DE SOUSA
Este trabalho tem o objetivo de investigar as alterações na política de formação continuada de professores da educação básica, mediante as Leis 10.639/2203 e 11.645/2008 no Estado do Ceará. A escolha do tema contempla muitas facetas a fim de perceber as relações étnico-raciais que é um desafio na conjuntura atual do nosso país que precisam ser compreendidos para os processos formativos, ficcionais e suas narrativas em tornos das populações, seus imaginários e representações visando à elaboração de projetos que promovam a articulação entre as políticas públicas com o uso das tecnologias educacionais, a partir de uma leitura e avaliação das diretrizes normativas que tornaram obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio no país. O estudo se dá a partir da necessidade de entender que a história não se faz apenas do passado, e sim da inter-relação de passado e presente e, a leitura dentro desse binômio nos dá a possibilidade de ler e reler a sociedade com seus constantes movimentos de continuidades e rupturas, com isso se faz necessários ferramentas de tecnologias educacionais que auxiliem na interpretação e repasse dos conhecimentos e que promovam um ambiente educacional favorável a produção de inovações de forma efetiva com qualidade na inclusão digital.
Oral
Abrir o trabalhoA LEI 10.639/2003 E O CURSO DE PEDAGOGIA DA URCA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
SÂMIA MARIA LIMA DOS SANTOS ; Clebson Leite de Sousa; Francisca Emeline Tavares de Oliveira
A análise crítica relativa à efetividade de uma política educacional implica considerar o contexto social em que ela foi engendrada, os seus destinatários e as condições para sua aplicação. Partindo desse pressuposto, e com base na literatura de referência, nos inquieta o fato de que, mesmo com duas décadas em vigor, a Lei 10.639/2003 ainda encontra desafios para sua implementação no contexto do currículo escolar e das práticas pedagógicas no âmbito das Instituições de Ensino Superior (IES). Destaca-se, também, a importância do rigor teórico-epistemológico crítico do professor enquanto mediador de possibilidades de implementação da referida Lei. O trabalho trata-se de um relato de experiência pedagógica vivenciado enquanto estudante do curso de Pedagogia da Universidade Regional do Cariri (URCA), localizada no Sul do Ceará, ao participar de uma oficina de confecção da boneca Abayomi, símbolo da cultura africana e da resistência do povo negro, realizada por uma professora do referido curso, como parte de uma proposta de valorização da cultura africana. Refletir sobre os desafios e as possibilidades de implementação da Lei 10.639/2003, no âmbito da IES, consiste no objetivo deste estudo que se fundamenta em revisão bibliográfica e relato de experiência. O levantamento bibliográfico examinou a produção acadêmica comprometida em denunciar o fato de que, historicamente, o pensamento educacional brasileiro tem negligenciado os saberes e a contribuição dos povos africanos para a formação da identidade nacional. Nesse contexto, práticas pedagógicas que valorizem a cultura negra se tornam fundamentais para uma educação antirracista e inclusiva. Fundamentam esse estudo os seguintes autores: Cunha JR. (2011), Gomes (2012), Petit (2015); Nunes; Santana e Franco (2021), Meijer (2019) e Freire (2014). Os resultados apontam que a vivência relatada se revelou significativa e provocadora de reflexões sobre o papel do educador na promoção da diversidade cultural no espaço escolar.
Palavras-chave: Educação antirracista,Lei 10.639/2003,Pedagogia
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Abrir o trabalhoA PRESENÇA DA AUSÊNCIA: RELATOS SOB A ÓTICA DA LEI 10.639/03 NO INTERIOR CEARENSE
THAMYRES DUTRA MESQUITA; Viviane Pereira da Silva Santos
A Lei 10.639/2003, que institui o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, enfrenta desafios estruturais em sua aplicação, como a carência de formação docente e a persistência de um currículo eurocêntrico. Este artigo analisa a implementação da lei no contexto interiorano cearense, através de relatos de experiência de uma professora de Ciências Humanas e uma estudante de uma escola pública do interior. Utilizando a metodologia de relato de experiência, o estudo evidencia a desconexão entre a presença da UNILAB — instituição referência em estudos africanos — e a realidade escolar de Acarape, marcada pela superficialidade no tratamento da temática. Resultados apontam que atividades pontuais, como o projeto "Pra Dentro D’África", demonstram potencial para descolonizar práticas pedagógicas. As reflexões expostas por hooks (2017; 2021), Asante (2019) e Munanga (2005) foram os pilares para o planejamento e a prática do projeto e, posteriormente, deste estudo. Discute-se a urgência de políticas públicas que assegurem fiscalização, formação docente e integração entre a universidade e educação básica. Conclui-se que a efetivação da lei é fundamental para uma proposta educacional afrocentrada, capaz de ressignificar identidades e combater desigualdades históricas.
Palavras-chave: Lei 10.639/2003,UNILAB,Educação Afrocentrada,Descolonização Curricular
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Abrir o trabalhoCINECLUBE COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA ANTIRACISTA: UMA EXPERIÊNCIA NA EEMTI DR. BRUNILO JACÓ
GABRIEL HOLANDA ALMEIDA ; Francisco Wellington Leite da Costa Moura
O “Cinemas do Atlântico Sul - Cinemas do Brasil e dos PALOP” é um projeto de extensão da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) que, propõe articular ensino, pesquisa e extensão por meio de um cineclube itinerante, seminários temáticos e oficinas em audiovisual, promovendo o diálogo intercultural entre o Sul-Global (Quijano, 2007; Mignolo, 2017), mais especificamente Brasil e Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Maciço de Baturité. Por meio de uma parceria entre o projeto de extensão e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da Sociologia, foi realizada uma ação do cineclube na escola Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Dr. Brunilo Jacó, em Redenção, onde está situada a sede da Unilab no Ceará. Foi exibido, nas salas de aula, o filme “A Minha Banda e Eu”, produção angolana e portuguesa, e o debate mediado pelos bolsistas do PIBID, que discutiram acerca das representações de Angola e o imaginário do continente Africano no Ceará/Brasil. Foram destacadas as bases civilizatórias e epistemológicas da filosofia africana (Mudimbe, 1988; Adichie, 2019; Oyěwùmí 2021), bem como as contribuições do pensamento do Sul global, a partir da implementação das leis 10.639/03 e 11.645/08, ao conectar produção audiovisual, às questões etnico-raciais e políticas (hooks, 2019). Evidenciou-se assim as disputas de produção e reprodução de imaginários sociais (Almeida, 2024), bem como a importância tanto quanto de quem assiste, quanto de quem produz, dialogando com o que Almeida (2024) discutiu no XV Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra.
Oral
Abrir o trabalhoCONSCIENTIZAÇÃO DA LEI 10.639/03 NO CURSO DE LETRAS LÍNGUA PORTUGUESA DA UNILAB: PERCEPÇÃO DOS ESTUDANTES A RESPEITO
PRETO AGOSTINHO BESSAM; Graça Sebastião Filipe; Aliu Tchalá
O presente trabalho tem como objetivo propor uma reflexão sobre conscientização da lei 10.639/03 no curso de Letras Língua Portuguesa da Unilab, a partir da percepção que os estudantes têm a respeito desta lei no currículo de ensino do curso. A pesquisa será aplicada no curso de Letras Língua Portuguesa da UNILAB, que tem como objetivo fomentar a integralização do Brasil com países da CPLP, priorizando o respeito, inclusão e expansão no ensino superior. Procuramos analisar como este curso tem adotado as determinações sobre a lei no currículo de ensino, observando se está busca adaptar seus conteúdos para proporcionar uma educação mais alinhada com a diversidade étnica e cultural. Metodologicamente, adotaremos abordagem quali-quantitativa, aplicaremos um questionário para coletar as informações sobre a percepção dos estudantes do curso de Letras Língua Portuguesa da Unilab no que concerne a presença desta lei dentro do currículo de ensino do curso de graduação. Para fundamentar a pesquisa, utilizaremos fontes bibliográficas como Nogueira (2011), que discute o ensino e a lei 10.639/03. Além disso, Jardel et al. (2022) debateram sobre a revista África na Unilab: a aplicação das epistemologias do sul global em apoio à lei 10.639/03. Por fim, Sousa e Souza (2022) debatem sobre: e quanto ao racismo, o que mudou após a implementação da lei 10.639/03. Gomes (2012) apresenta um estudo sobre a aplicação da lei 10.639/03 em duas escolas públicas de Crato-CE, além de discutir sobre relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Este estudo, pretende despertar a atenção dos alunos para o risco da desinformação acerca da aplicabilidade da lei nos programas de ensino de formação e estimular a discussão sobre a relevância de um ensino que valorize a diversidade étnica e cultural.
Palavras-chave: Lei 10.639/03,conscientização,Letras Língua Portuguesa,currículo
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO BÁSICO
MARIA DANIELE ALVES
A educação brasileira que foi marcada historicamente e ao longo dos anos por um ensino eurocêntrico, onde sempre se destacou a história do colonizador europeu, formalizou em 2003, a partir da promulgação da Lei 10.639/03, a obrigatoriedade da inclusão da história do povo africano nas salas de aula de todo o Brasil. A promulgação desta lei representa um marco significativo na promoção de uma educação antirracista e na valorização da diversidade étnico-racial no Brasil. No entanto, sua efetivação no cotidiano escolar ainda enfrenta múltiplos desafios, entre eles, a falta de formações para os professores, a escassez de materiais didáticos, entre outras questões. A carência de uma preparação docente mais eficaz tem culminado na maioria das vezes, em práticas pedagógicas superficiais, muitas vezes reduzidas a datas comemorativas, conteúdos isolados na proposta educacional ou estereótipos culturais. Este trabalho, ainda em desenvolvimento, busca refletir, de forma crítica e construtiva, sobre esses desafios presentes na maioria das escolas públicas da região do Cariri cearense. Para isto, pretendemos utilizar uma metodologia de abordagem qualitativa, que nos permitirá compreender as percepções, experiências e estratégias adotadas pelos docentes, bem como os obstáculos enfrentados no cotidiano escolar. Pretendemos desenvolver ao longo da pesquisa, entrevistas e questionários com professores e alunos, no que compete às práticas pedagógicas ministradas no ambiente escolar, referentes a Lei 10.639/03, bem como a análise de materiais didáticos utilizados por estes. Além disso, faremos uso de análise bibliográfica e documental. Sabemos que muitos são os desafios, mas para superá-los torna-se fundamental o investimento na formação docente e a criação de políticas públicas que garantam suporte pedagógico e comprometimento de toda a comunidade escolar de forma contínua e efetiva para que tenhamos verdadeiramente uma escola inclusiva e antirracista.
Oral
Abrir o trabalhoEXPERIÊNCIAS NA CONSTRUÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: O LABORATÓRIO ÉTNICO-RACIAL ALDA FAÇANHA (AQUIRAZ - CE)
LARA VIRGINIA SARAIVA PALMEIRA; Ana Ashley Mendes Rodrigues; Francisco Douglas Ferreira da Silva
Diante das desafiadoras dificuldades de implementar o conjunto de leis que garantem o desenvolvimento de uma educação antirracista no Brasil e no Ceará, o artigo em questão tem como objetivo descrever a composição de um laboratório específico de estudo de temáticas étnico-raciais na Escola Estadual de Educação Profissional Alda Façanha, localizada no município de Aquiraz (CE), desde sua concepção, com seu plano de trabalho mais formal, até a estória dos seus primeiros passos. O Laboratório de Estudos Raciais Alda Façanha (LERAF) tem como principal objetivo ser um centro permanente de estudos na escola, de modo a envolver todos os agentes desse ambiente, que seja capaz de discutir os principais temas acerca do racismo e de seus desdobramentos, promovendo momentos formadores das mais diversas naturezas e elaborando materiais didático-pedagógicos que extrapolem os muros da escola e atinjam a comunidade local como um todo. A ação é inserida no Projeto Selo Escola Antirracista da Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Como referencial teórico, partimos de Beatriz Nascimento (Ratts, 2006) e o conceito de quilombo, o qual recebe uma carga de significados que remetem a um instrumento ideológico contra as formas de opressão que o transforma de uma instituição clandestino a um símbolo de resistência. Assim, se configura como uma tecnologia ancestral, um espaço de agregação e acolhimento (e aqui a atitude de acolher é fundamental para se pensar numa escolar antirracista) que se reconfigure diversas vezes, de múltiplas formas nas experiências da diáspora afrobrasileira no nordeste brasileiro. Outra autora fundamental é Nilma Lino Gomes quando a autora escreve sobre movimento negro enquanto educador e emancipador (2017). Acredito, assim como a autora, procuro investir na capacidade de subverter a teoria educacional, repensar a escola, decolonizar os currículos e dar visibilidade às vivências dos sujeitos.
Oral
Abrir o trabalhoFOI SÓ UMA “BRINCADEIRA”: A SUTILEZA DO RACISMO RECREATIVO NA ESCOLA
JOÃO ANTÔNIO DE MELO PEREIRA
Nossa sociedade teve uma grande contribuição advinda do processo de colonização europeia, consequentemente promovendo uma verdadeira mistura étnica e cultural (Candau, 2008). Uma das sequelas vinda desse legado escravocrata para nossa sociedade brasileira é o racismo estrutural. Conforme Almeida (2019), o racismo é uma espécie de alicerce, tendo por excelência sua capacidade sistemática e relacional com as estruturas sociais em que naturaliza opressões, reforçando desigualdades sociais e econômicas na sociedade brasileira. Um dos locais em que mais apresenta seus efeitos é no ambiente escolar. Por ser um espaço destinado a socialização e apropriação dos conhecimentos, valores e culturas produzidos no decorrer do desenvolvimento da humanidade e da sociedade, a instituição educacional é um dos locais onde mais se perpetua ações racistas, pois esses comportamentos, infelizmente, pertencem a raiz social do nosso país. Logo, sendo a escola parte inseparável da estrutura racista e de suas reproduções, é impossível não haver manifestações de cunho racista. Isso, então, torna-se um palco para as práticas denominadas de “brincadeiras”, reforçando estereótipos e hierarquias (Moreira, 2019), conhecido por racismo recreativo. Então, o presente trabalho tem como obejtivo relatar, através do Africanidades (evento realizado no dia da Consciência Negra), manifestações de racismo recreativo na Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra (EEMGAB), localizada na cidade de Juazeiro do Norte – CE, no contexto do Programa da Residência Pedagógica (2022-2024). As metodologias utilizadas foram: observação participante, o caderno de campo e a análise das cartas anônimas – dinâmica realizada com estudantes em 2023 no “Africanidades”; nas quais elas/es relataram episódios vivenciados de racismo recreativo. Esperamos que esse estudo oportunize e possibili mobilizar docentes e discentes a respeito do racismo recreativo e seu impacto na vida de pessoas negras no contexto da educação básica.
Palavras-chave: Escola,Racismo,Racismo Recreativo,Residência Pedagógica
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO DOCENTE ANTIRRACISTA EM DISPUTA: ENSAIO BIBLIOGRÁFICO SOBRE A (IN)APLICABILIDADE DA LEI 10.639/2003
FRANCISCA EMELINE TAVARES DE OLIVEIRA; Sâmia Maria Lima dos Santos; Clebson Leite de Sousa
Há mais de duas décadas após a promulgação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na educação básica, persiste um descompasso entre a letra da lei e a prática escolar. Este estudo, de natureza bibliográfica, busca compreender como a literatura de referência interpreta os impasses da formação docente antirracista nesse cenário. À luz de Gomes (2012), Munanga (2005), Ribeiro (2014), hooks (2013), Nunes; Santana e Franco (2021) e Freire (2017), analisam-se criticamente as dimensões curriculares, pedagógicas e institucionais que sustentam o atual contexto da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER). A síntese preliminar dessas obras evidencia três pontos-chave que serão detalhados ao longo do texto: (1) as fragilidades na formação inicial de professores, que frequentemente abordam as relações étnico-raciais como conteúdo pontual e não como eixo transversal do currículo; (2) a descontinuidade das ações formativas continuadas, marcadas por precariedade institucional e financeira; e (3) as implicações da lógica meritocrática da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e das avaliações externas, que têm reduzido a ERER à condição de saber não avaliado. Conclui-se, inicialmente, que superar esses desafios exige políticas formativas permanentes, articulação entre universidades e redes de ensino, e revisão crítica dos dispositivos de avaliação que reproduzem desigualdades.
Palavras-chave: Formação docente, currículo, Educação Antirracista, Lei 10.639/03
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoGincanas Escolares no Ensino Médio em Caucaia-Ce: Ensino de História e Educação para Relações Étnico-raciais
ALINE ALVES DE SOUZA ; Karcelia Fava Santos da Costa
Nessa pesquisa propomos realizar um estudo do Ensino de história e das relações étnico-raciais a partir das gincanas escolares afro-brasileiras e indígenas que acontecem desde 2022 na EEMTI Presidente José Sarney, instituição na qual leciono desde o ano de 2014, situada no bairro Araturi, na cidade de Caucaia, no Estado do Ceará. Levando em consideração o contexto escolar, os sujeitos envolvidos e a legislação vigente no que diz respeito às diretrizes para educação para relações étnico raciais e as leis 10.639/03 e 11645/08, a pesquisa tem como objetivo realizar uma análise das formas de recepção do movimento negro em Caucaia, sua organização, os eventos culturais afrocentrados na cidade e na escola e as lutas por território e identidade. Além disso perceber e analisar como os alunos e alunas da EEMTI Presidente José Sarney estão inseridos no Movimento negro caucaiense e sua articulação no contexto escolar e nas gincanas com a finalidade de um Ensino de História coerente com as demandas do movimento negro. A necessidade de uma educação antirracista exige dos docentes e da própria escola repensar suas práticas, seu currículo, desconstruir histórias únicas, buscar referencias negras na comunidade, na escola, construir metodologias com o objetivo de uma representatividade positiva da população negra brasileira, buscar apoio nos movimento culturais negros para vivência e de aprendizado dos educandos. Serão utilizados como referências para esta pesquisa autores importantes na discussão do Movimento Negro brasileiro e cearense, para o Ensino de História e para Educação para relações étnico-raciais, tais como: Nilma Lino Gomes, Kabenguele Munanga, Franz Fanon, Cida Bento, Hilário Ferreira Sobrinho, Joelma Gentil, Alex Ratts, William Augusto Pereira, Circe Bittencourt, Maria Auxiliadora Schmidt, Barbara Carine.
Palavras-chave: Gincana, Ensino de História, Movimento Negro,Educação para Relações Étnicos-raciais
Oral
Abrir o trabalhoO ANU COMO SUPORTE NA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/03 POR MEIO DAS DISCUSSÕES SOBRE AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS
FRANKLIN JOSÉ PAULO; ELIANA JOÃO CÓ; PRETO AGOSTINHO BESSAM
O presente trabalho de pesquisa tem por objetivo compreender as reflexões feitas pelo projeto África na Unilab (ANU) que interligam as discussões sobre as relações étnico-raciais. O ANU é um projeto que procura colocar em evidência assuntos relacionados ao continente africano, bem como faz referência a uma abordagem que perpassa sobre as relações étnico-raciais quando estimula a construção de uma consciência antirracista por meio do seu formato de atuação nas escolas da educação básica. É importante ressaltar que essas discussões não suscitam só o exercício da obrigatoriedade do ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira como dita a lei 10.639/03, mas também fazem o resgate da memória ancestral destes povos a partir da reflexão sobre a filosofia e cultura africana e afro-brasileira. A pesquisa constituir-se-á através de fontes bibliográficas e iremos nos sustentar a partir de artigos científicos postulados em autores como: Jardel, et. al (2022), Nogueira (2011), Oliveira (2012) e Sousa e Machado (2021). Quanto à abordagem, será qualitativa e as observações serão feitas a partir da análise de relatos de estudantes bolsistas do Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras (PETHL) da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) durante os encontros e recepções de estudantes de escolas da Educação Básica. A inclusão de temáticas com ênfase no ensino das relações étnico-raciais é necessária e a intenção do projeto ANU é no sentido de contribuir, provocar e construir um ponto de partida para um aprendizado sobre a nossa ancestralidade e contribuir com a luta antirracista.
Palavras-chave: LEI 10.639.03,RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS, ANU
Oral
Abrir o trabalhoO ENSINO DE SOCIOLOGIA NA EEMTI PADRE LUÍS FILGUEIRAS E AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS (2019 – 2024)
JOSE NICOLAU DA SILVA NETO
Este artigo visa comparar o ensino de Sociologia aplicado na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Padre Luís Filgueiras, situada no município de Nova Olinda-CE, entre 2019 e 2024, com foco nas abordagens relacionadas à educação antirracista nos livros didáticos utilizados antes, durante e depois das aulas remotas por consequência da pandemia de covid-19. Nesse sentido, a pesquisa busca compreender de que forma a ausência de conteúdos sociológicos vêm contribuindo para a falta de pensamento crítico sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) entre o corpo discente da escola. A metodologia usada abrangeu revisão bibliográfica de autores e autoras negras e indígenas, análise dos livros didáticos a partir do desenvolvimento de oficina nos 3º anos entre 2023 e 2024 e aplicação de questionários com os discentes. Os resultados apontam que a aplicabilidade correta das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 ainda é o principal obstáculo dos sistemas de ensino, apesar de serem constatadas inclusões pontuais sobre a temática nos livros. O estudo identificou que é fundamental construir um currículo escolar descolonizado, atualizar outros documentos que identificam a instituição, como o PPP e Regimento Interno de forma que atendam a demanda antirracista – que foi feita entre 2024 e 2025 – e ter formação docente constante que reconheça a diversidade étnico-racial como um elemento central da prática pedagógica.
Palavras-chave: Ensino de Sociologia, Relações étnico-raciais, Currículo descolonizado
Resumo Simples
Abrir o trabalhoPENSANDO E REPENSANDO A EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NAS ESCOLAS ATRAVÉS DO GRUPO DE ESTUDOS AFRITUDES
MARISMENIA NOGUEIRA DOS SANTOS; MARIA GISELLE MARÇAL FRANCO; EVECRIS KEYLLA PAJEÚ SARAIVA
A presente proposta de artigo tem como objetivo discutir e apresentar as contribuições do grupo Afritudes como um espaço de estudo, pesquisa e desenvolvimento de competências sobre a educação antirracista. O grupo de estudos Afritudes, caracteriza-se como um ambiente de leituras antirracistas com foco nas relações étnico-raciais e o aprofundamento destas nas práticas educativas, o qual tem como público-alvo os docentes da educação básica do município de Juazeiro do Norte - Ceará e da rede estadual e municipal da cidade de Araripina - Pernambuco. O grupo é um espaço para debatermos consolidar e propagar a cultura e a educação antirracista através da leitura e debates de livros, filmes e vivências dos docentes que fazem parte do grupo que discutem essa temática, com intuito de formar continuamente profissionais comprometidos com a causa da educação antirracista nas escolas onde atuam, favorecendo para o enfrentamento do racismo estrutural no país. O que colabora nas ações contínuas no ambiente escolar de combate ao racismo estrutural, por meio do letramento racial e da sensibilização da comunidade, da valorização da cultura e história afro-brasileiras no currículo, e do aumento da representatividade negra entre estudantes, educadores e gestores. Fazendo jus a aplicação das Leis 10.639 (2003) e 11.645 (2008), que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena, valorizando a presença e a cultura não branca no corpo docente e discente, bem como no currículo e nas práticas pedagógicas. O grupo é um espaço de aprendizagem compartilhada e prática colaborativa, com dimensões pessoal e experiências profissionais; e também se encontra em processo de consolidação e construção das aprendizagens. Para tanto analisamos o grupo de estudos como locus privilegiado para o compartilhamento de saberes, produção de conhecimentos e construção de aprendizagens antirracistas afim de promover uma melhor orientação e atitudes contra o racismo.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO RACIAL E ESCOLA - DESAFIOS PARA O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM ANTIRRACISTA
AURILENE PEREIRA DE JESUS; JONAS PEREIRA DE JESUS
Antecipadamente, quando combinados preconceito, discriminação e racismo em forma de pensamentos, práticas e atitudes no ambiente escolar, o que percebemos é o desastre de todo um processo educativo, tornando-o doloroso, castrador e fracassado. A forma como a população negra é vista nos dados oficiais, faz com que os estudantes negros não queiram pertencer a este grupo, passando a ter vergonha de si e experimentando o racismo consigo mesmo. O fato de o professor silenciar, mediante situações tão delicadas no interior da escola, pode acarretar diversas fragilidades no ambiente escolar e vida social. O artigo em andamento, tem como objetivo analisar os reflexos negativos causados pelo preconceito no processo de ensino aprendizagem de crianças e adolescentes em sala. Serão refletidas as diferenças entre preconceito, discriminação e racismo, como também, abordagens consideradas preconceituosas existentes no livro didático manuseado pelos alunos. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa bibliográfica com fundamentação teórica incluindo autores no assunto tais como, Gomes (2001), Cavalleiro (2006), Ribeiro (1995), Franco (2015), Nunes e Santos (2011), Petit (2015), Domingos (2015) entre outros/as. Por fim, inferimos que, os rastros do preconceito deixados na formação dos negros brasileiros são bastantes sintomáticos, pois a porcentagem de pessoas autodeclaradas negras no ensino superior é bem menor do que a de pessoas brancas. Embora sendo crime, previsto em lei, o racismo ainda atua com expressividade nos dias atuais, e como ferramentas de combate temos as leis 10.639/2003 e 11.645/ 2008, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nos espaços escolares, como ações afirmativas de valorização da população negra, revisão histórica e reparação. Para tanto, faz-se necessário um real engajamento daqueles que estão no dia a dia do chão da escola.
Palavras-chave: preconceito,discriminação,racismo,escola
Resumo Simples
Abrir o trabalhoPROCESSO EDUCACIONAL NA ESCOLA NELI GAMA NOGUEIRA NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA BASE EM PACAJUS – CEARÁ NO CONTEXTO DA LEI 10.639/03
MARIA ISABEL GOMES DE FREITAS; NICOLAU DAS NEVES MANUEL
A pesquisa surgiu da necessidade de compreender o processo de ensino-aprendizagem na Escola Neli Gama Nogueira, Comunidade Quilombola da Base, situada no município de Pacajus, Ceará, no contexto da Lei 10.639/03, bem como analisar a metodologia pedagógica de incorporação de conteúdos antirracistas e decoloniais para o fortalecimento da identidade negra e da valorização da cultura afro-brasileira no cotidiano escolar. A pretensão é compreender como esses conteúdos são inseridos no currículo e na prática pedagógica escolar, bem como o ensino da identidade quilombola é abordado nessas práticas e qual a relação entre a escola e a comunidade, numa análise comparativa com o Projeto Político Pedagógico (PPP) de Educação Escolar Quilombola do Estado do Ceará, buscando verificar diretrizes voltadas à valorização da cultura afrodescendente e como elas se refletem nas ações da escola. A abordagem é qualitativa, com estudo de campo na escola, utilizando observações diretas, leitura e análise do PPP, além de diálogos com professores e a gestão escolar. Os resultados iniciais demonstram que a escola desenvolve ações de valorização da cultura afro-brasileira, como Arte e Cultura, com limitações na integração dessas ações com a realidade da comunidade quilombola, o que exige maior articulação entre os conteúdos escolares e os saberes tradicionais, para o ensino mais significativo e respeitoso às identidades culturais dos estudantes, na promoção de uma educação inclusiva, antirracista e sensível à cultura. Para avançar, é fundamental que os educadores reconheçam e valorizem os saberes existentes na sociedade, promovendo a compreensão das contribuições étnico-raciais na formação da identidade brasileira.
Palavras-chave: EDUCAÇAO,QUILOMBO,TERRITÓRIO,LEI10.639/03
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Abrir o trabalhoProtagonismo Negro no Ensino de História da Abolição do Estado do Ceará
KARCELIA FAVA SANTOS COSTA; Aline Alves de Souza
Este trabalho investiga como a cidade de Redenção, no Ceará, representa, por meio de seu patrimônio histórico, o pioneirismo na abolição da escravidão no Brasil, ocorrida em 1º de janeiro de 1883. A pesquisa centra-se na análise de três monumentos: o Monumento da Negra Nua, o busto da princesa Isabel e a estátua de Vicente Mulato, que simbolizam diferentes narrativas sobre o processo abolicionista. A metodologia incluiu a análise de fotografias desses monumentos com estudantes do ensino médio, visando compreender como eles interpretam essas representações. Os resultados evidenciaram que as narrativas perpetuadas pelos monumentos reforçam estereótipos raciais, destacando a figura da princesa Isabel como "redentora" e representando os negros de forma submissa e desumanizada. A pesquisa conclui que a educação histórica crítica, alinhada à Lei 10.639/2003, é essencial para desconstruir essas narrativas hegemônicas e promover uma consciência antirracista. O estudo reforça a importância de valorizar o protagonismo negro na história da abolição e de questionar as representações que perpetuam desigualdades raciais.
Oral
Abrir o trabalhoQUANDO A PUBLICIDADE E A SUBVERSÃO SE ENCONTRAM: A MARCA COSMÉTICA SALON LINE, CONSTRUINDO IDENTIDADES E DESCONSTRUINDO ESTEREÓTIPOS.
POLYANA CARVALHO NUNES
Este trabalho traz uma discussão acerca de como a publicidade pode ser usada como um instrumento de emancipação e empoderamento da mulher negra. Ela, que foi historicamente condicionada à objetificação, principalmente pela ótica da publicidade, encontra hoje, nas campanhas publicitárias da marca cosmética Salon Line, lugar de protagonista de sua história e de suas escolhas. O objetivo desse trabalho é intermediar, no âmbito do ensino médio, uma reflexão sobre a publicidade como um agente ambivalente: ao mesmo tempo que pode emancipar e oportunizar o protagonismo de pessoas ou grupos, pode também ser responsável pela produção e perpetuação de estereótipos. Disso decorre a necessidade de constante criticidade e discussão a respeito do tema. Amparada pelo que preconiza a Lei 10.639/03 e sob o aporte teórico de Carrazcoza (2004), Mignolo (2010), Mananga (2005, 2010), Hooks (2005), dentre outros, discutiremos a necessidade da abordagem do tema. No que tange à metodologia, temos uma pesquisa qualitativa de natureza interventiva e com viés de aplicação. Como resultados, esperamos contribuir para uma postura mais crítica por parte de nossos alunos e alunas frente aos anúncios publicitários que eles/ elas consomem diariamente e sob os quais se camuflam e se escamoteiam as mais diversas nuances e intenções.
Oral
Abrir o trabalhoVOZES DOS POVOS DE SANTO NO CARIRI ORIENTAL: DOS TERREIROS À ESCOLA
MARIA ARIANY OLIVEIRA DA SILVA
Estudos têm demonstrado a reprodução de herança colonial de violência e racismo religioso no que se refere as culturas e os fazeres religiosos de matrizes africanas. Ao tempo em que tem reproduzido uma relação de poder e uma ferida colonial dentro dos espaços escolares, esta relacionada com a lógica racista herdada peço processo educativo elaborado sobre a base ocidental. Diante deste contexto, em 2017, foi proposto uma pesquisa para entender a dinâmica da implementação da Lei 10.639/2003 nas escolas, na região do Cariri Oriental. Após de 5 anos de inquirições realizou-se uma nova linha investigativa. Então, a partir de 2022, neste trabalho especificamente, tem como objetivo identificar mediante relatos de povos de terreiros da cidade de Brejo Santo- CE, as diferentes formas que a escola têm se relacionado com os fazeres afrodiaspóricos e com os iniciados. Assim, primeiramente, realizou-se o mapeamento das manifestações culturais de matriz africana na cidade. A pesquisa iniciou com estudos bibliográficos com Cunha, (2020), quando se trata de Bairros de Maioria Negras e identificando as características desse lugares com suas culturas e fazeres sagrados afrodiaspóticos. Posteriormente, utilizando como referência Domingos (2019), seguindo com conversa, entrevistas, anotações e de interações com os dirigentes dos terreiros. Para esse recorte a pesquisa possui apenas resultados parciais, desse modo, identificamos mediante a fala dos entrevistados, que existe um tratamento diferenciado e um racismo religioso quanto a povos de terreiros em ambiente escolar, principalmente ao utilizar adereços e vestimentas da religião que não fazem parte do fardamento escolar.
Oral
Abrir o trabalhoYOTE A PARTIR DOS JOGOS ELETRÔNICOS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: CULTURA, IDENTIDADE E IGUALDADE SOCIAL
DOUGLAS ALVES DA SILVA; Antonio Germane Alves Pinto; André Luis Façanha da Silva
O jogo é um fenômeno social e cultural presente nos diferentes povos. Assim, o Yoté é um jogo de tabuleiro originado na cultura senegalesa e bastante difundido na África ocidental, que pode ser vivenciado no formato de jogo eletrônico enquanto conteúdo da Educação Física Escolar (EFE). O presente trabalho tem como objetivo relatar experiencia pedagógica sobre educação das relações étnicos raciais (ERER) na EFE, através do Yoté, jogos de matriz africanas no formato de e-games com vista a desenvolver uma EFE antirracista. Optamos pelo caminho metodológico do relato de experiência, desenvolvido com alunos de 7º anos, em uma escola de pública, de um distrito da cidade de Jucás-CE. As aulas foram desenvolvidas: a) Jogos eletrônicos; b) Conhecimento histórico e instruções sobre o jogo; c) Jogo do Yoté através de Tablet; d) Jogos de Matriz Africana; e) Relações étnicos raciais e equidade. Foram Utilizados 5 Tablets que fazem parte do material da escola. Foi possível verificar uma ampla discussão a respeito dos jogos eletrônicos, sobre seus aspectos positivos e negativos. Em relação ao Yoté todos os alunos desconheciam o jogo, bem como sua origem, porém, por se tratar de um jogo de raciocínio, com exigência de estratégia, houve uma grande aceitação. Sobre a ERER e igualdade social foi indagado sobre as contribuições culturais a importância do legado africano e resistências afrobrasileiras, como Zumbi de Palmares, abordou-se a valorização e a construção da identidade etnicorracial e representatividade afrobrasileira. Considerando a escola como um microssistema da sociedade, é responsável em garantir equidade em todos os âmbitos, desta forma a educação física apresenta-se como uma disciplina que com intencionalidade pedagógica, colabora neste contexto, além de carregar características lúdicas, foi possível praticar a interdisciplinaridade através da ERER, principalmente nos campos: da cultura corporal, sociologia e educação.
Palavras-chave: Educação Física Escolar,Educação das relações etnicorraciais,Matriz Africana.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho“Desafios da Educação Antirracista em Contextos de Vulnerabilidade Social: O Caso do Jangurussu”
JÉSSICA CARDOSO DE SANTANA
A pesquisa “Desafios da Educação Antirracista em Contextos de Vulnerabilidade Social: O Caso do Jangurussu” visa explorar o racismo ambiental e sua a relação com a história do bairro Jangurussu, em Fortaleza. O objetivo é compreender o racismo estrutural na história do bairro e os impactos na comunidade, contribuindo para uma educação antirracista. A pesquisa surge da necessidade de abordar o racismo em sala de aula, e engajar os/as estudantes, em toda sua diversidade. O território, que se desenvolveu ao redor de um aterro sanitário, abriga uma comunidade em situação de vulnerabilidade social, com IDH de 0,17 (segundo o Censo 2010), além de altos índices de violência e problemas de saneamento básico. O que foi originalmente pensado para acolher migrantes do interior, acabou se tornando o lar de "retirantes do lixo", pessoas que sobreviviam em torno de aterros sanitários. O intuito é gerar discussão e articular os conceitos de Consciência Histórica, Consciência Racial e Racismo Ambiental, a partir da análise, em sala de aula, de fontes históricas. A metodologia incluirá pesquisa bibliográfica sobre o Jangurussu, obras de artistas como Descartes Gadelha e de análise da legislação sobre educação antirracista. Serão realizadas análises iconográficas das obras, entrevistas com moradores, professores e especialistas, e oficinas com estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. A relevância da pesquisa se justifica pela persistência do racismo no Brasil e a dificuldade de abordá-lo efetivamente nas escolas, apesar da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. A escola pode desempenhar um papel crucial na desconstrução de preconceitos e promoção de uma educação antirracista, ressaltando a contribuição de afro-brasileiros, indígenas e africanos para a construção do Brasil. Numa perspectiva contra-colonial,o ensino de História pode oferecer a oportunidade de questionar estruturas racistas e coloniais.
Oral
Abrir o trabalhoNAYRA HEVILY DE OLIVEIRA SILVA
O presente resumo tem como intuito apresentar minhas escrevivências desde a minha chegada na Unilab, a minha produção de conhecimento e a entrada no Coletivo Lélia Gonzalez Presente!(Unilab-Ceará), coordenado pela Profa. Dra. Jacqueline Costa. Sou uma mulher negra, tenho cabelos cacheados, sou filha da Dona Antonia Aurea e Sr. Francisco Raimundo, ambas (os) agricultores. Atualmente, estudo Pedagogia na Unilab, ocupo este espaço institucional também através da pesquisa, da extensão e da arte. Chegar até a universidade foi um caminho atribulado, a ascensão para mulheres negras é por vezes árduo, haja vista que o racismo e o preconceito de classe, raça e gênero andam de mãos dadas, e são nessas ‘andanças’, que pude perceber a importância da busca e construção de espaços seguros, dentro dos locais onde nossos corpos transitam, ao mesmo tempo potencializando a minha produção de conhecimento. A metodologia deste trabalho é um percurso de minha trajetória, de minha chegada na universidade e no Coletivo Lélia Gonzalez, Presente, ancoradas com teoria de Conceição Evaristo (2017) com o conceito de escrevivência e com Patrícia Hill Collins com o conceito de lugar seguro (2019), assim como Ana Eugenia e Geyse Anne me ajudam a pensar nas escrevivências de Carolina Maria de Jesus, a partir da produção escrita e audiovisual “Carolina Maria de Jesus: Facetas de um Brasil Desigual” (2022). Os resultados dessa escrevivência evidenciam que minha experiência, enquanto uma jovem mulher negra e intelectual, vem se dando de maneira desafiadora. Concluo que, a partir da busca por esses espaços seguros dentro da Unilab, o Coletivo Lélia Gonzalez Presente!, chega a cruzar meus caminhos como uma confluência de ideias a partir das intelectuais negras e do feminismo negro, com a finalidade de ser um espaço formativo, que promove a educação antirracista, acolhimento entre mulheres negras e projeto de vida.
Palavras-chave: Mulheres Negras,Escrevivências,Trajetórias,Racismo,Educação
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCOLETIVO LÉLIA GONZALEZ, PRESENTE!, FORMAÇÃO INTERDISCIPLINAR, INTELECTUAL E POLÍTICA SOBRE O PENSAMENTO FEMINISTA NEGRO E O EMPODERAMENTO DE MULHERES NEGRAS - (UNILAB-CEARÁ).
JACQUELINE DA SILVA COSTA
O presente resumo tem como objetivo apresentar os resultados preliminares do estado da arte da produção de intelectuais negras, impacto do projeto em suas trajetórias de vida e educacional e traçar o perfil das cursistas e formadoras que atuam no Coletivo Lélia Gonzalez, Presente! Que ancora o Projeto de Ensino, Pesquisa e Extensão de Formação em Rede Lélia Gonzalez, Presente! Formação Interdisciplinar, Intelectual e Política sobre o Pensamento Feminista Negro e o Empoderamento de Mulheres Negras da Universidade da Integração da Lusofonia Afrobrasileira (Unilab-Ce). A proposta nasce do desejo coletivo de professoras negras em dialogar sobre a produção de intelectuais negras com mulheres negras internas e externas à universidade. O procedimento metodológico acessará o acervo bibliográfico, dados de cursistas e formadoras e vídeos dos encontros gravados na plataforma zoom anos de 2022 a 2023. O escopo teórico acolhe dois conceitos, o de escrevivência de Conceição Evaristo (2020) e o de lugar seguro de Patrícia Hill Collins (2019). Os resultados preliminares dão conta que, a formação e estudos em rede sobre a produção de escritoras negras africanas, latino americanas e norte americanas sobre o Pensamento Feminista Negro e estudos interseccionais, tem proporcionado conhecimento e reflexões para o empoderamento de mulheres negras, que na verdade retomamos os objetivos do movimento de mulheres negras da década de 80, como afirma Cícera Nunes et all (2019, p. 244), “a discussão de raça e feminismo dentro do movimento feminista e do movimento negro, eram as maiores questões pontuadas pelas mulheres negras”. Concluímos que o contato com as experiências múltiplas e diversas de mulheres negras de diferentes contextos tem impactado na reformulação de projetos de vida, e na construção de agenda de pesquisa, agendas de pesquisa, de propostas concretas de políticas públicas feminista e antirracista para “o bem viver” e para a construção e manutenção de “espaços seguros”.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA: VIVÊNCIAS DAS PESQUISADORAS EM QUILOMBOS NO NORTE DO TOCANTINS
SHEYLA GONÇALVES DA COSTA MOURA
O presente texto tem como objetivo evidenciar um relato de experiência vivida pelas pesquisadoras negras em comunidades quilombolas no centro-norte do Tocantins. Os registros impressos decorrem dos sentidos nos encontros do curso de aperfeiçoamento em educação escolar quilombola do centro norte tocantinense realizado pela Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) em parcerias com outras instituições públicas. Nestes espaços de aprendizagem, lideranças quilombolas e representantes dos quilombos contemplados por esta política pública, externaram que esta formação fortalece as lutas inerentes nestas comunidades em contexto amazônico. Principalmente, a garantia de uma educação que observa e efetive o que rege a legislação brasileira, norteada como é definido na Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Câmara de Educação Básica (CEB) n° 08, de 20 de novembro de 2012 (Brasil, 2012) referentes às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica.
Palavras-chave: Mulheres-pesquisadoras Negras,Saberes,Educação Escolar Quilombola,Quilombos
Oral
Abrir o trabalhoEFEITOS DO ACESSO DEFICITÁRIO DO DIREITO: UM OLHAR PARA MULHERES NEGRAS.
BÁRBARA VITÓRIA DA SILVA EUGÊNIO FERREIRA
A mulher negra é historicamente marcada por uma série de negações de Direitos que culminam em efeitos não apenas sociais, mas também emocionais. O passado escravocrata do Brasil que caracterizava, de maneira geral, a população negra como objeto de mercado, recaia brutalmente em mulheres negras, vistas como não dignas à dignidade humana, à liberdade e, sobretudo, ao direito à maternidade. Nos dias atuais, observa-se em várias vias a continuidade desses mecanismos de negação advindos do acesso deficitário a direitos fundamentais pela população feminina negra. Essa realidade, consequentemente, acarreta em efeitos sociais e emocionais significativos na vivência de mulheres negras. Diante desse olhar, o objetivo deste trabalho é analisar as consequências sociais, políticas e emocionais oriundas da seletividade do Direito Brasileiro. A realização dessa análise se dá por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, de caráter descritivo e de abordagem qualitativa. O procedimento metodológico fundamenta-se em estudos já existentes e a uma revisão de literatura de autoras negras como exemplo de Akotirene (2019) e Gonzales (2020). Essa análise é feita à luz dos Direitos e Garantias fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoINTERSECCIONALIDADE ENQUANTO FERRAMENTA TEÓRICO-METODOLÓGICA
MARIA KELLYANY CORREIA FERREIRA
O presente artigo estabelece reflexões acerca da interseccionalidade como ferramenta teórica e metodológica para compreender as múltiplas formas de opressão enfrentadas por mulheres negras, articuladas a partir das categorias de raça, gênero e classe. O conceito de interseccionalidade, cunhado por Kimberlé Crenshaw (1989), emerge como resposta à limitação de análises que tratam essas dimensões de forma isolada. A partir das contribuições de autoras como Lélia Gonzalez (1983), Luiza Bairros (1995) e Djamila Ribeiro (2017), discute-se como essas categorias, interligadas, constituem mecanismos estruturais de exclusão social. A interseccionalidade permite elucidar como sistemas de dominação como o racismo, o sexismo operam de maneira simultânea, intensificando desigualdades e produzindo realidades específicas para mulheres negras. A presente pesquisa, tem natureza qualitativa e embasa-se à luz da pesquisa bibliográfica conforme destaca Gil (2008) que reconhece a importância das fontes teóricas para a construção crítica do conhecimento. Tomou-se como referenciais, obras de autoras/es de Patricia Hill Collins (2016), Carla Akotirene (2019) dentre outros/as. As referidas autoras reiteram a interseccionalidade enquanto epistemologia crítica e instrumento de resistência teórica. Conclui-se que a interseccionalidade amplia a compreensão das estruturas de poder e constitui referencial indispensável para visibilizar e analisar as experiências sociais de grupos historicamente marginalizados.
Palavras-chave: Interseccionalidade,Metodologia ,Raça,Gênero,Classe
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoNEGRAS E NEGROS NA UNIVERSIDADE: TRAJETÓRIAS E EXPERIÊNCIAS DE ESTUDANTES COTISTAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT.
JACQUELINE DA SILVA COSTA
O presente trabalho foi um estudo sobre as trajetórias e experiências de estudantes que ingressaram na UNEMAT (Universidade do Estado do Mato Grosso) por meio do PIIER (Programa de Integração e Inclusão Étnico-Racial). Para atingir os objetivos almejados, foram levantadas informações sobre: estudantes cotistas formados, ativos e desistentes, estudantes que entraram na Universidade por meio do sistema de ampla concorrência, o significado da Universidade, a acolhida de estudantes cotistas, a relação entre estudantes cotistas, não-cotistas e professores da perspectiva das políticas adotadas pela UNEMAT, o reconhecimento mútuo e a percepção da construção da identidade e da produção do conhecimento. Um estudo comparativo de casos entre dois campi universitário (Cáceres e Sinop) foi adotado para concretizar os objetivos da pesquisa. Pesquisa Documental, Survey e Pesquisa Qualitativa também foram feitas. A pesquisa quantitativa (survey amostral) e a pesquisa qualitativa (entrevista em profundidade) atingiram 507 pessoas. Os resultados mostraram que o PIIER tem promovido a igualdade, a justiça social e a diversidade na UNEMAT. Tem impactado positivamente as reformulações dos projetos de vida dos (as) estudantes. A presença desses (as) jovens e adultos (as) negros (as) tem indicado que eles historicamente excluída (o) e racializada (o), do ponto vista epistemológico e de justiça cognitiva, podem desencadear um conjunto de interrogações culturais e desafios para a produção de conhecimento com os quais a universidade terá de lidar.
Oral
Abrir o trabalhoO AMOR COMO TERRITÓRIO NEGRO – BEATRIZ NASCIMENTO E BELL HOOKS: PEDAGOGIAS DE RESISTÊNCIA NO COLETIVO LÉLIA GONZALEZ
CLAUDIA PATRICIA RODRIGUES DE OLIVEIRA; Ana Maria Pereira Galliez; Maria Clara Rodrigues Xavier
Este artigo apresenta uma experiência pedagógica desenvolvida no âmbito do Projeto de Extensão e Pesquisa Rede de Estudos e Formação Lélia Gonzalez, Presente!, vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab-CE) e coordenado pela Profa. Dra. Jacqueline Costa. A iniciativa tem como propósito promover uma formação interdisciplinar, crítica e politicamente engajada em torno do pensamento feminista negro e do fortalecimento de mulheres negras em seus territórios e vivências “para romper com o latifúndio do saber” (Silva, 2022, p. 110). A ação aqui relatada integrou o ciclo formativo do Coletivo Lélia Gonzalez, com ênfase na discussão sobre o amor entre mulheres negras como prática política, pedagógica e afetiva. Dialogamos com os pensamentos de duas intelectuais negras centrais para essa reflexão: Beatriz Nascimento, com seu ensaio A mulher negra e o amor, que propõe uma leitura afrocentrada e decolonial do afeto; e bell hooks, com a obra Vivendo de amor, em que o amor é abordado como prática de liberdade, cura e resistência. A experiência consistiu na realização de uma aula-vivência em junho de 2025 com cerca de 40 mulheres, majoritariamente negras, oriundas de diversas regiões do Brasil. Utilizamos como metodologia a escuta sensível, a observação participante e o registro crítico (Freire, 1996), articulados com a escrevivência (Evaristo, 2020), que reconhece a experiência individual como força coletiva e epistemológica. O encontro possibilitou um espaço seguro para partilhas profundas sobre o amor como território de disputa, ensinamento e negação para mulheres negras. Concluímos destacando a urgência de consolidar políticas públicas como as Leis 10.639/03 e 11.645/08, reafirmando a centralidade dos saberes negros no campo acadêmico e na construção de pedagogias antirracistas e emancipatórias.
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Abrir o trabalhoQUEM ENSINA TAMBÉM RESISTE: A LUTA POR VISIBILIDADE DAS DOCENTES NEGRAS DA URCA.
HAYANE MATEUS SILVA GOMES
A presente pesquisa tem como objetivo compreender de que maneira a invisibilidade de professoras negras efetivas da Universidade Regional do Cariri (URCA), especialmente no campus Pimenta, atravessa suas trajetórias acadêmicas e profissionais, produzindo silenciamentos de ordem simbólica, política e epistêmica. Partindo da constatação de que o ensino superior brasileiro ainda reproduz desigualdades históricas, estruturais e institucionais, busca-se evidenciar como o racismo e o sexismo, operando de forma interseccional, impactam a presença e o reconhecimento das mulheres negras no magistério superior. Nesse sentido, o estudo propõe mapear a presença de professoras negras efetivas na URCA, analisando os desafios enfrentados por elas em sua permanência e afirmação no espaço universitário. O trabalho também se dedica a investigar as percepções dessas docentes sobre a invisibilidade que as atravessa, bem como as estratégias de resistência e reexistência que constroem para sobreviver e afirmar seus saberes e existências em contextos frequentemente marcados pela exclusão e pelo epistemicídio.Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, com recorte específico no campus Pimenta. O principal instrumento metodológico será a realização de entrevistas com professoras negras que atuam como efetivas na instituição e que, prioritariamente, desenvolvem pesquisas ou ações vinculadas às temáticas étnico-raciais e de gênero. A análise das narrativas será realizada a partir de uma escuta sensível e comprometida com a justiça social, orientada por referenciais críticos que dialogam com o feminismo negro, a decolonialidade e as epistemologias do sul.A pesquisa se ancora em autoras e autores como Sueli Carneiro, que trata do epistemicídio e do silenciamento das mulheres negras na produção de conhecimento; Patricia Hill Collins, com sua perspectiva sobre a matriz de dominação e o conhecimento situado; bell hooks, que discute educação crítica e antirracista.
Oral
Abrir o trabalhoSou uma mulher negra: Escrevivência de uma vida de luta e (re)exixtência
ELIANE HELENA FERREIRA
Sou uma mulher negra, filha de Mathildes Euzábio Ferreira e Francisco de Assis Ferreira, de família negra com poucos recursos e isso me impôs uma série de desafios. Assim, este relato de experiência tem por objetivo: compartilhar minha experiência de vida, somada às contribuições do Coletivo Lélia Gonzalez, Presente! que ancora o Projeto de Extensão e Pesquisa Lélia Gonzalez , Presente! Formação Interdisciplinar, Intelectual e Política sobre o Pensamento Feminista Negro para o Empoderamento de Mulheres Negras, oferecido pela Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab-Ceará). O Coletivo Lélia Gonzalez, Presente!, tem produzido e compartilhado conhecimento, pois não considera feminismo como universal e contrapõe a idéia de ser "uma forma de categorizar todas as mulheres como uma única forma de representação", como aponta Cícera Nunes et al (2019, p. 243) e como formadora do Projeto Lélia, entendo como é importante e necessário conhecer as teorias ue sustentam o Pensamento Feminista Negro, em especial o pensamento de Lélia Gonzalez.. A metodologia é um relato de experiência com base teórica a "Escrevivência" de Conceição Evaristo (2019), que tem como foco as experiências pessoais, individuais ou coletivas que empoderam mulheres negras. Os resultados desse relato de experiência, evidencia que o Coletivo Lélia chega até nós com muita potência e te reverberado positicamente em mim e em outras irmãs muito acolhimento ao ponto de nos sentirmos capazes e seguras de compartilhar nossas experiências mais íntimas. Concluo que conhecer a produção de intelectuais negras tem contribuído decisivamente para o meu empoderamento, logo quero que minha experiência de vida seja conhecida por outras mulheres e que elas se sintam motivadas a compartilhar a sua experiência e saber que somos protagonistas de nossa própria história e que precisamos divulgá-las como forma de afirmar nossa potencialidade.
Palavras-chave: Mulher negra, escrevivência,feminismo negro,coletivo leleia gonzalez
Oral
Abrir o trabalhoSUJEITAS DA LIBERDADE: MULHERES ESCRAVIZADAS, JUSTIÇA E RESISTÊNCIA NO CEARÁ OITOCENTISTA
VITÓRIA D'AVILA SERAFIM DE BARROS
Apesar da violência, da subjugação, da exploração e das condições precárias de vida, as mulheres escravizdas participaram ativamente da vida social e não estavam alheias às dinâmicas sociais e as relações de poder estabelecidas no mundo colonial, foram capazes de construir arranjos familiares e de sociabilidade, estabeleceram negociações e tiveram ganhos reais de liberdade. Por meio dessas ações, acessamos reivindicações e práticas de mulheres que subverteram a norma da exploração, recorrendo à justiça na esperança persistente da conquista da liberdade. Sujeitas das suas próprias histórias, estiveram em fuga, em quilombos, e, no nosso caso, com muita economia e trabalho feito, acumularam o pecúlio e disputaram frente ao sistema jurídico a sua liberdade. Ao analisarmos os usos das legislações emancipatórias por mulheres escravizadas no Ceará oitocentista , propomos, portanto, observarmos as práticas de resistência e de produção de liberdade de mulheres, que reelaboram os modelos tradicionais da historiografia. Este trabalho insere-se nos saberes localizados e corporificados na medida em que se propõem a refletir e questionar as representações das mulheres escravizadas, bem como os conceitos a elas atribuídos, em consonância com as ressignificações propostas e com os deslocamentos de ótica e análise das relações de poder no sistema escravista.
Palavras-chave: Mulheres escravizadas, Gênero e escravidão,Justiça
Oral
Abrir o trabalhoUMA ANÁLISE DA INTERSECCIONALIDADE A PARTIR DE LESBIANIDADES NEGRAS DO MUNICÍPIOR DE MOSSORÓ/RN
GIANNA GRASIELA MAIA DA SILVA
O presente trabalho tem como objetivo discutir e analisar a interseccionalidade a partir de lesbianidades negras. Inicialmente, o trabalho irá resgatar o manifesto do Combahee River Collective como pioneirismo nas discussões de interseccionalidade, antes do termo ser cunhado por Crenshaw (1989). O grupo, formado por mulheres negras lésbicas que, em seu manifesto, demonstravam a simultaneidade de suas opressões a partir de suas vivências e expressava a invisibilidade por parte do movimento feminista e do movimento negro americano de sua época. Neste contexto, podemos entender a existência da mulher lésbica desafia a lógica patriarcal, sendo vista como uma ameaça à ordem vigente (Clarke, 2016). Logo, quando falamos de lesbianidades negras estamos discutindo uma atenuação de conceitos importantes de gênero e raça. O trabalho terá como metodologia uma abordagem qualitativa a partir de entrevistas semiestruturadas com mulheres negras lésbicas no município de Mossoró/RN, de idades a partir de 18 anos. O recorte geográfico do trabalho contribui para ampliar os estudos de gênero, raça e sexualidade para além dos grandes centros urbanos. A interseccionalidade aparece como um referencial teórico metodológico, perpassando todo o trabalho, com autoras como Patricia Hills Collins, Sirma Bilge, Lélia Gonzalez e também dialogando com autoras negras lésbicas, destacando Audre Lorde e Cheryl Clarke.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho“UMA CIDADE SEM MUITA OFERTA DE CULTURA E LAZER, O QUE AS PESSOAS TÊM PRA SE DIVERTIR É AFETOS”: (RE)EXISTINDO COM AS REDES DE AFROAFETOS, SENDO MULHER NEGRA ESTUDANTE DA UNILAB/CE
ANA RAQUEL SILVA REGINALDO
O afroafeto é uma agência política que possibilita o enfrentamento das violências geradas à população negra feminina, sendo assim, uma predisposição para o fortalecimento das redes com acolhimento e manutenção da comunidade. O seu reconhecimento nos espaços acadêmicos é uma possibilidade para percebermos uma forma de (re)existência universitária e uma contribuição no fortalecimento das comunidades. Este trabalho contou como principal objetivo analisar as ferramentas de cuidado afetivo-coletivo da comunidade feminina negra, em meios aos desafios acadêmicos e nos municípios de Redenção e Acarape, onde a Unilab está instaurada. Fruto de uma reivindicação do Movimento Negro Unificado, a Unilab também tem como um dos principais objetivos a cooperação com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), os PALOP e Timor-Leste. A relevância deste estudo vêm ao meio aos inúmeros casos das violências não serem solucionados em meios institucionais e estatais. Metodologicamente, utilizou da pesquisa narrativa, desde a observações etnográficas, entrevistas narrativas, a interseccionalidade e o conceito afroafeto, cunhado por Marta Quintiliano (2019). Como resultados parciais, as mulheres negras estudantes da Unilab tem como principais redes de afroafeto: as comunidades internacionais dos seus respectivos países, grupos da igreja, projetos de extensão e pesquisa que tem compromissos antirracista e feminista, movimento estudantil, movimentos de luta, grupos de dança, arte e cultura. Foi evidenciado como comunidade afrofeminina unilabiana foi a busca de grupos afetivos que nos fazem permanecer e resistir em meio ao caos acadêmico hegemônico e brancocêntrico. Em suma, esta pesquisa é fruto de vivências pessoais, coletivas e afetivas, possibilitando afirmar que evidenciar as formas de (re) existência da população negra feminina é colocar a necessidade da garantia da isenção, permanência e formação de futuras profissionais.
Palavras-chave: Redes de Afroafetos,Mulher Negra,Unilab
Oral
Abrir o trabalhoFRANCISCO GIVALDO PEREIRA; Cicera Nunes; Pedro Esdras Lucena Pereira; Regilania da Silva Lucena
O presente trabalho trata-se de um recorte da dissertação intitulada PretATITUDES na escola: entre trajetos, vozes e fazeres docentes para a Educação das Relações Étnico-Raciais - ERER, no Cariri cearense, orientada pela professora Dra. Cicera Nunes, no Programa de Mestrado Profissional em Educação – MPEDU – URCA, de autoria de Francisco Givaldo Pereira. Apresentamos um recorte do estudo contendo trajetos do percurso desenvolvido que vai desde as experiências do autor nas ações de promoção de uma educação antirracista nas escolas de educação básica públicas e privadas do município de Juazeiro do Norte – CE, passando pelo envolvimento de 04 (quatro) professores (as) da educação básica em diferentes territórios do Cariri cearense, e os desdobramentos que apontam aprofundamento das possibilidades pedagógicas que intitulamos pretATITUDES (PEREIRA, 2022). Fundamentamo-nos numa base teórica que contribui com a consolidação das pedagogias antirracistas (NUNES, 2011, 2021 e 2022); CUNHA JÚNIOR, (1997, 2010 e 2021); PEREIRA, 2022; GOMES, (2012) (NASCIMENTO, (2022), ao contextualizar a importância desse tema na formação de professores (as), ao tempo em que apontam caminhos possíveis de transformação das escolas. Concluímos destacando a importância do movimento sankofa, dentro da perspectiva filosófica africana, que indica no seu entendimento a importância de aprender com o passado para construir o futuro. Na essência, "voltar e buscar", ou "retornar para aprender", e que nesse movimento reflexivo acontece seus trânsitos formativos, identitários que se refletem na construção da nossa identidade negra e que se relaciona diretamente com o processo de construção das pretATITUDES no movimento de ressignificar a nossa relação com a África e com as trajetórias históricas da população negra no contexto afro diaspórico.
Oral
Abrir o trabalhoPROCESSOS DE ENSINO, APRENDIZAGEM E CRIAÇÃO EM ARTE/TEATRO ANTIRRACISTA
JOSÉ JESUS RODRIGUES DA SILVA
O presente trabalho, resultado de uma investigação do programa de Pós-graduação Mestrado Profissional em Artes (PROF-ATES), relata as experiência pedagógicas desenvolvidas em sala de aula por um professor branco, cisgênero e heterossexual que atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental no município de Juazeiro do Norte-CE. A pesquisa foi realizada com uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental, utilizando metodologias do Teatro do Oprimidode de Augusto Boal- especiamente o Teatro Jornal e o Teatro Imagem- para promover uma abordagem antirracista no processo de ensino, aprendizagem e criação em Teatro. Para direcionar esse pensamento, diversos autores contribuíram para fundamentar os pensamentos sobre a responsabilidade de todos no combate ao racismo: Licko Turle, Bell Hooks, Djamila Ribeiro, Sílvio Almeida, Abdias do Nascimento, Augusto Boal, Paulo Freire, entre outros. Para isso, todo o desenvolvimento dessas experiências têm como objetivo gerar debates e reflexões sobre a importância do Ensino do Teatro na discursão, reflexão e denúncia do racismo em sala de aula.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoINTERSECÇÕES ENTRE GÊNERO, RAÇA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DIREITO À CIDADE NO NORDESTE BRASILEIRO.
DÉBORA JAMILLY FERREIRA ALVES; JHOSAMMY KAUANY GONÇALVES LIMA
Este trabalho articula as estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas com a agenda de igualdade racial, de gênero e o direito à cidade, inserindo essa problemática no campo da arquitetura e urbanismo. Pesquisas recentes indicam que promover a igualdade de gênero pode ampliar a eficácia das estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, considerando as diferentes atribuições associadas à homens e mulheres. A questão racial também se apresenta como um eixo central, uma vez que populações negras, historicamente marginalizadas, são desproporcionalmente afetadas pelos impactos das mudanças climáticas e têm seu direito à cidade frequentemente negado. A pesquisa parte de uma perspectiva interseccional para compreender como raça, gênero e território se entrelaçam nas estratégias de justiça climática no contexto nordestino. Para promover essa análise, neste momento da pesquisa, serão considerados como estudos de caso a investigação das políticas climáticas dos estados do Ceará e do Pernambuco, com o intuito de identificar de que maneira essas políticas incorporam (ou deixam de incorporar) a perspectiva de gênero, raça e direito à cidade em suas estratégias de mitigação e adaptação. A análise busca evidenciar limites e potencialidades dessas iniciativas diante dos desafios impostos pelas desigualdades socioespaciais e pelas mudanças climáticas na região. A metodologia mobiliza revisão bibliográfica de artigos acadêmicos, documentos técnicos, planos e políticas públicas relacionados às mudanças climáticas, igualdade de gênero, raça e direito à cidade. A análise de políticas climáticas dos dois estados, teve como base seus planos estaduais e municipais, a fim de identificar o grau de incorporação de uma perspectiva interseccional nas estratégias de mitigação e adaptação.
Palavras-chave: Mudanças Climáticas, Estudos Raciais,Mulhers,Direito à Cidade
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoANDECIELI FERREIRA MARTINS
O presente estudo está voltado para a atuação das peneiristas, grupo de mulheres que comercializam produtos religiosos principalmente na colina do Horto, em Juazeiro do Norte – Ceará, sobretudo em períodos de romarias. O trabalho desenvolvido pelo grupo, é um cartão postal para aqueles que interagem com o espaço do Horto em visitas e peregrinações, quando muitos adquirem artigos religiosos como forma de levar lembranças do lugar para suas casas. A presença de múltiplos atores no local do Horto, como os donos de barraca, vendedores ambulantes, peneiristas, fogueteiros, fotógrafos, guardadores de carro e pedintes, permitem pensar na materialização de uma memória em disputa, quando diferentes grupos são movidos a estarem presentes nos ciclos de romarias por questões que vão além do sustento financeiro. A pesquisa que tem por intuito: 1) visibilizar a história das peneiristas e sua formação de grupo, conhecendo as histórias e memórias das mulheres que integram esta equipe, relacionando assim as suas dinâmicas ligadas à organização da instituição que exerce a oficialização desse trabalho no espaço do Horto; 2) refletir como se estrutura esta atividade em meio ao contexto dos ciclos de romarias e no entremeio das temporadas; 3) traçar as linhas geracionais entre as mais velhas, “as guardiãs” do espaço sagrado do Horto, e as que rompem esse tempo da tradição com processos de identificação que se utilizam de muitos signos atrelados à profissão de peneirista. A metodologia de histórias de vidas permite apontar em que medida as memórias dessas mulheres e do seu trabalho são valorizadas e que, através de narrativas e escutas, revelam-se registros marginalizados, silenciados e esquecidos recuperados através da oralidade das peneiristas. Assim, conota-se uma simbologia de resistência,visibilidade em uma hierarquia estabelecida dentro desse território, e suas narrativas possibilitam entender a sua organização de forma ampla, localizando-as entre os grupos nesse ambiente.
Oral
Abrir o trabalhoESCREVIVÊNCIAS: AS MULHERES DO CARIRI CEARENSE EM REDEMOINHO EM DIA QUENTE, DE JARID ARRAES
RAFAELLY CARNEIRO DOS SANTOS NOGUEIRA ; Josely Marcelino Ferreira
O presente artigo tem por objetivo discutir a influência do conceito de “escrevivência” cunhado por Conceição Evaristo na escrita literária de Jarid Arraes, tomando como objeto de estudo a obra “Redemoinho em dia quente”. A pesquisa é de cunho qualitativo e apresenta o método indutivo. Como aporte teórico, recorreu-se a Evaristo (2020), Freire (2011), Arraes (2019), Duarte (2020) e Cuti (2010) dentre outros. Para melhor compreensão leitora, o artigo foi organizado em três partes. Na primeira, discorre-se sobre a literatura negra feminina na contemporâneidade, na segunda aborda-se o conceito de “escrevivência” de Conceição Evaristo e sua influência na escrita literária de Jarid Arraes. Na terceira parte, aplica-se o referido conceito na análise dos contos que compõem Redemoinho em dia quente. Com a realização desse estudo, foi possível reconhecer as vivências e o pertencimento identitário da autora com a região do Cariri e com as mulheres desse lugar, bem como seu caracter de resistência como mulher afrodescendente. Ademais, com base nas personagens analisadas é factível a importância da obra de Jarid para a representatividade das mulheres caririense em seu exercício de subversão a ordem patriarcal historicamente construída sobre a região.
Oral
Abrir o trabalhoMIOLAGEM E VOZ ATIVA: A COMUNICAÇÃO ANTIRRACISTA DO TERREIRO DAS PRETAS NO CARIRI CEARENSE
MARCELA KAYLANY GOMES DA SILVA
Este trabalho tem como tema o estudo da atuação comunicacional do Terreiro das Pretas, um aquilombamento autônomo da família Neves Carvalho, localizado em Crato na região do Cariri, no Ceará. Reconhecido como um espaço de articulação política, cultural e comunicacional, o Terreiro desenvolve práticas voltadas à valorização da identidade negra e à construção de uma comunicação antirracista no território. A pesquisa é realizada com o objetivo de compreender de que forma o Terreiro das Pretas intervém no contexto regional por meio de ações comunicativas que enfrentam o racismo estrutural e propõem novas formas de narrar, existir e resistir. A relevância do estudo reside na necessidade de reconhecer e fortalecer experiências de comunicação antirracista. Através de práticas educativas, culturais e afetivas, o Terreiro das Pretas se consolida como um importante agente de transformação social e de afirmação da memória negra no Cariri cearense. A pesquisa, fundamentada em revisão bibliográfica, entrevistas e observação participativa, evidencia que o Terreiro atua como um quilombo contemporâneo, promovendo uma comunicação que se ancora na ancestralidade e na escuta coletiva. Iniciativas como o Cinemáfrica e o Projeto Oliveira’s, ambos articulados como coletivos do Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), demonstram como o Terreiro produz narrativas protagonizadas por sujeitos negros, fortalecendo vínculos comunitários e produzindo pedagogias vivas de resistência. Oficinas, rodas de conversa, exibições audiovisuais e ações formativas são utilizadas como ferramentas comunicativas que rompem com lógicas excludentes e transformam o território. A partir dessas práticas, o Terreiro das Pretas se afirmar como uma potente frente de comunicação antirracista no Cariri, inserindo sua atuação em um longo histórico de lutas negras na região.
Oral
Abrir o trabalhoNzinga
LETÍCIA RAMALHO NASCIMENTO; Janderson Felipe Saldanha Oliveira
O curta-metragem Nzinga (2025), dirigido pela cineasta negra Letícia Ramalho, propõe um reencontro com a figura histórica de Nzinga a Mbande, rainha de Angola e símbolo de resistência anticolonial e liderança feminina. Por meio de um documentário performático, a diretora entrelaça história, arte e memória para celebrar a presença de Nzinga na contemporaneidade, evocando sua força através das linguagens da música, da dança e da estética do maracatu cearense. Ao reconhecer a influência dessa personagem africana na constituição simbólica do maracatu, o filme revela os laços entre a tradição afro-brasileira e a herança real angolana. As vestimentas utilizadas pela rainha do maracatu tornam-se elo de continuidade e resistência, reafirmando a presença do corpo negro feminino como sujeito de poder, ancestralidade e criação, indicando uma narrativa que destaca o protagonismo das mulheres nessa importante manifestação cultural do Ceará. Classificado para todos os públicos, Nzinga poderá ser exibido pela primeira vez no XVI Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra, antes de ser disponibilizado em plataformas digitais, ampliando seu alcance e potencializando o acesso à história e à cultura afro-brasileira. Atravessando o tempo e o espaço, a obra reafirma a importância da memória como prática política e convida o público a mergulhar nas camadas simbólicas do maracatu cearense, manifestação viva de uma herança ancestral que resiste, se reinventa e pulsa em cada batida.
Palavras-chave: protagonismo feminino, ancestralidade,maracatu
Oral
Abrir o trabalhoO OFÍCIO ANCESTRAL E O PROTAGONISMO SOCIAL DE MULHERES NEGRAS NO BAIRRO BATATEIRAS NO MUNICÍPIO DO CRATO - CE
MERYELLE MACEDO DA SILVA; Louise Carla Siqueira da Silva3
O objetivo geral desse trabalho é estabelecer compreensões acerca do protagonismo social das mulheres moradoras do bairro Batateiras, localizado no munícipio do Crato-Ce. A Batateiras é um bairro negro, que, portanto, guarda em si e em sua culturalidade, imersão e influências africanas, onde se inclui a matrilinearidade e uma diversidade de ofícios possibilitadores de uma organização social singular. Notoriamente, tem-se na Batateiras uma presença significativa de mulheres responsáveis por forjar a história e a dinamicidade espacial e territorial do lugar, por meio dos ofícios ancestrais que desempenham. Para as discussões do texto em tela, apresentaremos três dessas mulheres, a saber, “Dona Tereza” rezadeira e mezenheira, “Dona Edite”, mestra da cultura por meio da dança do coco e “Dona Alice”, também rezadeira. O método de pesquisa utlilizado para produção do presente estudo foi a afrodescendência, cunhada pelo intelectual Henrique Cunha Jr. (2006) que nos propicia adentrar os territórios negros e analisar de modo sistemático e subjetivo suas marcas sociais, além de também propiciar a inclusão das populações negras dentro dos muros das instituições e pesquisas acadêmicas. Como procedimento metodológico realizamos percursos afrourbanísticos em que trabalhamos com a História Oral (HO) e registros fotográficos. Para uso das fontes orais, utilizamos como referenciais autores e autoras como Meihy; Seawright (2020) e Mattos; Senna (2011-2014). O estudo permitiu concluir que reconhecimento social dessas mulheres torna-se um instrumento fundamental para a identificação e compreensão das africanidades locais. Elas, são, sobretudo mulheres que mantêm os elos ancetrais e com isso propagam as memórias sociais negras que dão vida ao bairro.
Oral
Abrir o trabalhoSER MULHER NEGRA NA PERIFERIA: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL DAS VIVÊNCIAS NO BAIRRO JOÃO CABRAL
RAYSSA GABRYELLY GOMES CARVALHO ; Cicera Kevelyn Ferreira de Oliveira Cunha; Glauco Vieira Fernandes
Neste estudo buscamos analisar nossas experiências enquanto mulheres negras periféricas do bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte, a partir do conceito de interseccionalidade como eixo central. Nossas vivências são atravessadas por fatores interdependentes de raça, gênero e classe, os quais evidenciam a complexidade e os desafios da condição de ser mulher negra no Brasil. As obras Mulheres, Raça e Classe, de Angela Davis, e Interseccionalidade, de Carla Akotirene (2019), constituem referências fundamentais para a compreensão das múltiplas opressões que enfrentamos. Apesar das adversidades impostas pelo racismo estrutural e pelas desigualdades de gênero, reconhecemos que o acesso a uma educação pública de qualidade, comprometida com a formação crítica, foi determinante para o processo de tomada de consciência acerca das questões de gênero, raça e classe. Nossas trajetórias, enquanto mulheres negras adolescentes oriundas de um bairro negro periférico, revelam um percurso contínuo de resistência e empoderamento, ressaltando a importância de uma abordagem interseccional para a compreensão das nossas realidades e para o fortalecimento do diálogo em torno da justiça social no Brasil contemporâneo.
Palavras-chave: Cultura,Ancestralidade,Identidade,Acervo Literário,Espaço Cultural
Oral
Abrir o trabalhoA RACIALIZAÇÃO DA LOUCURA: UMA ANÁLISE DO HOSPITAL COLÔNIA E A ÉTICA NA PSICOLOGIA
DÉBORA RAQUEL SOUSA MONTEIRO; Maria Luiza Gonçalves da Silva
RESUMO: Na presente pesquisa fazemos uma análise acerca do hospital Centro Psiquiátrico de Barbacena, apesar de ter sido fechado no ano de 1980 o rastro de mortes que o mesmo deixou é incalculável, acredita-se que mais de 60 mil pessoas morreram durante o seu período de funcionamento, a forma como tratava seus pacientes era desumana, usando desde choques a lobotomias. Sua inauguração ocorreu pouco depois da abolição dos escravos, desta forma, muitos ex-escravos acabaram por ter sua liberdade sanada ao serem enviados para o Hospital Colônia. No decorrer da pesquisa nos esforçamos em compreender, baseados em pesquisa bibliografica e no documentário “Holocausto Brasileiro” se os negros aprisionados naquele lugar eram de fato pessoas acometidas por doenças mentais, ou se eram pessoas vitimas da “limpeza social” praticada pelo estado. Buscamos entender o que levava a sociedade a fechar os olhos diante de tanta crueldade, e porque o hospital mantinha-se aberto. Concluimos que muitos dos pacientes, em sua maioria negros, naquela situação de desumanidade foram levados a insanidade, e os que sobreviveram sendo libertos com o fechamento do hospital jamais se livraram das sequelas que os tratamentos lhe causaram. Finalmente assimilamos que esta pesquisa é apenas o início de um estudo mais abrangente na área dos hospitais psiquiátricos, visando que o que vimos acontecer outrora não aconteça novamente.
Oral
Abrir o trabalhoAS IMPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS DO COLONIALISMO NA SUBJETIVIDADE: UMA ANÁLISE DA OBRA “O RETRATO DO COLONIZADO PRECEDIDO DO RETRATO DO COLONIZADOR”
LARA VICTORIA REGIS LOPES; ANA GISELE PEREIRA ROCHA; BEATRIZ GADELHA FERREIRA DOS SANTOS
O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma leitura crítica da obra O Retrato do Colonizado precedido pelo Retrato do Colonizador, de Albert Memmi, evidenciando as implicações do processo de colonização e a influência desse processo na construção da subjetividade do sujeito. Publicado em 1957, o livro aborda a relação de exploração entre colonizador e colonizado, destacando os efeitos dessa dominação na subjetividade do colonizado. Diante disso, busca-se trazer uma perspectiva crítica dessa relação e analisar como ela ainda se manifesta na sociedade contemporânea, impactando diretamente as formas de (re)existência dos sujeitos historicamente colonizados. Para Almeida (2008), os grupos hegemônicos são os que definem as condutas e as regras, e estas são naturalizadas no convívio social, fazendo com que africanos e afrodescendentes sejam excluídos e invisibilizados. E, para quebrar a lógica da branquitude que nega e atrasa a temática racial e a luta por igualdade, pois o que predomina é o argumento da falsa igualdade, Ferreira e Oliveira (2023), é necessário, compreender as relações coloniais e suas consequências em um país com uma herança colonialista, a fim de avançar nas discussões básicas sobre o racismo. Portanto, trata-se de um levantamento bibliográfico da obra de Memmi, articulado com a realidade atual e quais os prejuízos traz para a construção da identidade dos sujeitos explorados. Conclui-se que as estruturas coloniais ainda persistem de maneira velada na sociedade, mantendo relações de exploração e opressão.
Palavras-chave: SUJETIVIDADE,COLONIALISMO,EXPLORAÇÃO
Oral
Abrir o trabalhoBARREIRAS PSICOSSOCIAIS NA BUSCA DE CUIDADO EM SAÚDE: racismo religioso como pilar de sofrimento ético-político de comunidade de Candomblé
MOEMA ALVES MACEDO; Herlania Batista Galdino; Benedito Medrado
O racismo religioso atua como pilar de sofrimento ético-político para comunidades de religiões de matriz africana, notadamente o Candomblé, na busca por cuidados em saúde, reforçando barreiras psicossociais e obstáculos ao pleno exercício da cidadania e do direito à saúde. No Brasil, o racismo é uma herança colonial que naturaliza iniquidades e compromete o cuidado, obstruindo a alteridade na relação profissional-assistido. Objetiva refletir sobre o racismo religioso como pilar de sofrimento ético-político de comunidades de religiões de matriz africana na busca por cuidado em saúde, promovendo a subjetivação de barreiras psicossociais. Trata-se de um recorte de tese de doutorado, fundamentado em pesquisa qualitativa, ancorada no construcionismo social. Foram produzidos ecomapas e entrevistas com lideranças religiosas e filhos/as de santo (≥18 anos) de comunidade tradicional de Terreiro de Candomblé em Juazeiro do Norte-CE, além de entrevistas com trabalhadores/as da UBSF da área adscrita. A análise foi realizada por meio de mapas dialógicos. O “mito negro” pode ser uma pista para pensar simbolismos coloniais internalizados que, junto ao “mito da democracia racial” e ao “apartheid psíquico”, operam inconscientemente (por vezes), favorecendo sentidos para a subjetivação de barreiras psicossociais em duas dimensões: (1) Na branquitude: naturalizam o racismo e desvalidam vivências afro-religiosas; (2) Nos povos da comunidade tradicional de Candomblé: demandam estratégias defensivas para evitar o “ferro em brasa”, tais como ocultar a identidade para acessar serviços, gerando desamparo, dor e violação de direitos. Essas barreiras psicossociais reafirmam e fortalecem obstáculos subjetivados, negando singularidades. A resistência ancestral mantém as religiões afro como núcleos aquilombados de enfrentamento ao racismo no Brasil, reivindicando a garantia constitucional da liberdade religiosa. Profissionais de saúde demandam educação permanente com implicação ético-política.
Palavras-chave: Barreiras psicossociais,Racismo religioso,Sofrimento ético-político, Cuidado em saúde,Candomblé
Oral
Abrir o trabalhoCAMINHOS PARA UMA REVOLUÇÃO AMOROSA: A IMPORTÂNCIA DO AUTOAMOR NA SUPERAÇÃO DO AUTO-ÓDIO
BIANCA HELENA CALLOU SILVA
bell hooks (2021) defende que o amor-próprio é a base para amar os outros, sendo um ato de resistência contra a opressão, a lógica neoliberal, colonialista, racista e sexista e que exige esforço, reflexão e ação. Assim, esse trabalho busca refletir sobre o auto-amor como um ato de resistência contra o auto-odio resultante de mecanismos defensivos contra dores psíquicas do racismo. Para desenvolvê-lo, é necessário ter consciência de si e do mundo, cultivando práticas como autoaceitação, autorresponsabilidade, autoafirmação, viver com propósito e integridade pessoal. Entretanto, muitas vezes, a falta de amor-próprio resulta de experiências de violência, como o racismo, que fragmenta a identidade e alimenta o auto-ódio, como destaca Fanon (2008). Por isso, terapeuticamente, trabalhar trilhas para o auto-amor, além do reconhecimento de representações positivas da negritude e o fortalecimento do pertencimento comunitário tornam-se essenciais para superar impactos psíquicos decorrentes do racismo. Diante disso, neste trabalho, adotei uma metodologia com base no construcionismo social, usando a revisão dialógica de literatura, para compreender o amor-próprio, segundo bell hooks, como prática de resistência e ferramenta revolucionária no enfrentamento ao auto-ódio descrito por Frantz Fanon. As análises indicam que a consciência de si e do mundo contribui para desenvolver o autoamor tendo potencial de fortalecimento da autoestima e identidade, autonomia e o pertencimento comunitário fortalecem a construção do amor-próprio. Assim, as práticas terapêuticas voltadas ao cuidado da pessoa que apresenta sofrimento psíquico decorrentes do racismo, nem podem lançar mão dos aspectos comunitários, ancestrais e coletivos e podem buscar no auto-amor um caminho de enfrentamento.
Oral
Abrir o trabalhoCULTURA, IDENTIDADE E BEM-VIVER: A IMPORTÂNCIA DO PERTENCIMENTO QUILOMBOLA NA CONSTRUÇÃO DA SAÚDE MENTAL
JOSÉ FLÁVIO NUNES MARQUES
Este trabalho reflete sobre as potencialidades comunitárias quilombolas na promoção da saúde mental e do bem-viver. A saúde mental está profundamente ligada à valorização da cultura, identidade e pertencimento étnico-racial, expressos em manifestações culturais, rituais, tradições orais e organização social. Esses elementos funcionam como formas de resistência ao racismo estrutural e à invisibilidade social. A partir de revisão narrativa da literatura, destaca-se que autores como Fanon e Ribeiro defendem a descolonização da subjetividade como essencial para o fortalecimento psíquico. Práticas ancestrais como rezas, danças, culinária e o vínculo com o território sustentam a identidade coletiva e promovem coesão e equilíbrio emocional. O bem-viver, inspirado nas filosofias africanas e indígenas, propõe uma saúde que integra corpo, espírito, comunidade e natureza. Reconhecer a identidade quilombola fortalece o sentimento de pertencimento e deve ser eixo central de políticas públicas e práticas terapêuticas.
Oral
Abrir o trabalhoDESAFIOS DO RACISMO NA CLÍNICA: REFLEXÕES A PARTIR DA SUPERVISÃO DE ESTÁGIO
MIRIAN BARBOSA DE MATOS SALES; MARIA NOEME CRUZ LANDIM SAMPAIO; IVANCILDO COSTA FERREIRA
O racismo no Brasil tem raízes no colonialismo e na escravidão, e deixou marcas profundas nas subjetividades das pessoas, especialmente da população negra. Esse processo gera desigualdades sociais que produzem adoecimentos específicos e sofrimento psíquico. Por isso, a clínica psicológica precisa considerar a história e as experiências vividas pelas pessoas negras. Objetivo: refletir sobre atendimentos psicológicos realizados por terapeutas brancos, acompanhados em supervisão, ao atenderem demandas de sofrimento psíquico decorrentes de atravessamentos do racismo. Referencial teórico e metodológico: O racismo provoca desvalorização e exposição constante à violência simbólica e material. A psicologia precisa se afastar de uma visão eurocêntrica e construir práticas que considerem a história, o contexto social e a identidade negra. Este trabalho é um relato de experiência baseado na discussão de diários de campo das supervisões clínicas, onde foram compartilhados sentimentos, dificuldades e estratégias utilizadas pelos terapeutas. Resultados: Durante as supervisões foram relatados: medo, insegurança, racialização do grupo branco, desconforto e dúvidas sobre como criar vínculo terapêutico. Houve confronto com questões raciais e reconhecimento do sofrimento ético-político da população negra. As estratégias de supervisão incluíram: uso de referências negras, dramatizações sobre os atendimentos e reflexões sobre sentimentos dos supervisionados. Para o manejo clínico, foram usadas as estratégias: nomear e reconhecer as violências vividas; estimular estratégias de enfrentamento individual e coletivo; resgatar referências negras na história, na cultura, na família e na comunidade.
Palavras-chave: CLÍNICA PSICOLÓGICA,RACISMO, SUPERVISÃO DE ESTÁGIO, SOFRIMENTO PSÍQUICO, MANEJO CLINÍCO
Oral
Abrir o trabalhoMASCULINIDADES NEGRAS E SAÚDE MENTAL: DESAFIOS, CUIDADOS E PRÁTICAS ANTIRRACISTAS
ANDERSON MORAES PIRES; Raquel de Souza Xavier; Raquel Souza dos Santos
O Brasil é marcado por desigualdades, sendo estas atravessadas por sistemas estruturantes como o racismo e o patriarcado. Há séculos, sobrevivemos em meio aos efeitos desses dispositivos de poder que tentam limitar, silenciar, marginalizar e, em muitos casos, eliminar vidas consideradas abjetas. Argumentamos que o patriarcado e o racismo são tecnologias cotidianas de poder que organizam o mundo. Este trabalho foi pensado, portanto, como uma peça do grande mosaico de enfrentamento às lógicas que produzem o adoecimento da população negra e marginalizada, buscando visibilizar experiências, práticas e possibilidades de uma clínica antirracista. Delineamos como objetivo a reflexão sobre as práticas de cuidado em saúde mental voltadas para masculinidades negras, problematizando o racismo e o patriarcado como sistemas normativos e estruturantes do sofrimento psíquico. Além disso, propomos lampejos para uma clínica psicológica antirracista, que reconheça e enfrente os impactos dessas opressões na constituição subjetiva desses sujeitos. Com este trabalho, pretendemos dialogar sobre práticas de cuidado em saúde mental voltadas às masculinidades negras. Para nossa discussão, utilizamos de forma metodológica e política a escrevivência que se contrapõe aos moldes de uma ciência hegemônica tradicional, e adota a construção de um saber posicionado e localizado. No atendimento a população negra, há barreiras existentes na oferta de cuidado, em que há um silenciamento, invalidação e omissão do racismo como elemento criador e potencializador do sofrimento. O despreparo profissional de lidar com essa demanda pode gerar a revivência do trauma e revitimização da violência num espaço que deveria ser de acolhimento. Diante disso, procuramos rotas de saídas e propomos uma clínica posicionada, que repense o seu próprio lugar ético-político e adote uma postura antirracista capaz de visibilizar e enfrentar os impactos dessas opressões de forma interseccional.
Palavras-chave: masculinidades negras,clínica antirracista,saúde mental
Oral
Abrir o trabalhoNEGRITUDE NO ENSINO UNIVERSITÁRIO: TRAJETÓRIAS (IM)POSSÍVEIS E CONDIÇÕES DE CUIDADO EMOCIONAL
ANDERSON MORAES PIRES
É possível ter bem-estar em instituições de ensino historicamente forjadas por e para sujeitos normativos? Este trabalho tem como objetivo dialogar sobre trajetórias de pessoas negras, observando as condições de saúde mental, cuidado emocional e bem-estar que emergem (ou não) nesses contextos. Para isso, insere-se no campo das pesquisas qualitativas, assumindo um caráter exploratório, com foco em revisão de literatura. Foi realizada uma busca na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), utilizando os descritores “negritude” e “ensino superior”, sem aplicação de filtros por data, disponibilidade de arquivo, instituição, idioma ou área do conhecimento. A busca retornou um total de 87 trabalhos. Após uma leitura inicial dos títulos, resumos e palavras-chave, foram selecionadas 11 teses de doutorado que apresentavam maior adesão aos objetivos do presente estudo. Os estudos partem do pressuposto de que a identidade racial é parte importante na constituição dos sujeitos e, igualmente, defendem que o reconhecimento e valorização de tal identidade são cruciais para um mundo contemporâneo com mais justiça social. As investigações também fazem tensionamentos a partir das interações de diferentes marcadores sociais, focando, muitas vezes, no de raça, gênero e/ou classe. Também é possível destacar o tom crítico às maneiras de exercício e manutenção do racismo no espaço universitário. Outro aspecto abordado e defendido nas teses selecionadas se refere à importância dos movimentos sociais negros e às estratégias de enfrentamento ao racismo. Considero, portanto, que a universidade, mesmo como espaço de reconhecimento e criação de possibilidades de vida, ainda opera dispositivos de violência, sobretudo contra mulheres negras. Por isso, as estratégias de enfrentamento ao racismo surgem como formas de cuidado emocional. Mas, insistir em permanecer nesses espaços também cobra um alto custo subjetivo. Assim, questiono a romantização da resiliência.
Palavras-chave: relações raciais,negritude,racismo,educação,saúde mental
Oral
Abrir o trabalhoO HIP HOP EM SALGUEIRO: UMA REFLEXÃO LIGADA A UMA HISTÓRIA DE LUTA E SUPERAÇÃO NO SERTÃO CENTRAL DE PERNAMBUCO
ROBERTO KENNEDY BEZERRA DOS SANTOS ; ELIAS DA SILVA FELIX
Este trabalho tem como objetivo relatar vivências da comunidade local com a cultura hip hop, compreendendo seus impactos como instrumento de resistência, saúde mental e fortalecimento identitário. O estudo se insere no contexto de expansão do hip hop no Brasil, movimento surgido nos anos 1970 em comunidades afro-americanas marginalizadas de Nova York, como forma de protesto, lazer e afirmação cultural. No entanto, apesar de seu crescimento, ainda há regiões brasileiras, como a cidade de Salgueiro (PE), que demonstram baixa integração com essa manifestação cultural. A fundamentação teórica baseia-se em autores que tratam da cultura popular, da resistência negra e da construção identitária em contextos periféricos, como Silva e Nunes (2022) e Reis e Figueredo (2021), que destacam o hip hop como meio de denúncia e sobrevivência social. A pesquisa utilizou abordagem qualitativa realizada por meio de observação participante em evento local intitulado “Batalha da Sabor”, ocorrido em maio de 2025. O evento, promovido por um grupo da comunidade, teve sua principal atividade cancelada por falta de participantes, indicando baixo envolvimento e a persistência de estigmas sociais que associam o hip hop à violência e marginalidade. Os resultados apontam que, embora o hip hop possua forte potencial como ferramenta terapêutica e promotora de pertencimento, ainda enfrenta barreiras estruturais e culturais que dificultam sua aceitação. Conclui-se que o reconhecimento pleno desse movimento requer ações de sensibilização, políticas públicas inclusivas e uma reinterpretação coletiva da cultura como espaço de valorização da diversidade e da resistência negra.
Palavras-chave: HIP HOP,MOVIMENTO CULTURAL,SAÚDE MENTAL,TECNOLOGIA DE RESISTÊNCIA
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO MOVIMENTO NEGRO COMO SUJEITO COLETIVO DE PRODUÇÃO DE SABERES NA CONSTRUÇAÕ DA SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO NEGRA
HERNANI PEREIRA DOS SANTOS; JÉSSICA SILVA RODRIGUES
O movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB) e a luta antimanicomial consistem em uma mudança em curso das instituições de saúde mental nos níveis epistemológico, jurídico-político, técnico-assistencial e sociocultural. Ancora-se na crítica e distanciamento do modelo asilar e propõe a desinstitucionalização, efetivada por meio da da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), desde a promulgação da Lei 10216 de 2002 (Amarante, 2004; David, 2024; Yasui, 2010). Apesar dos avanços, o movimento de RPB enfrenta dificuldades e tensões para a sua efetivação, seja em razão dos desmontes vividos nos últimos anos na RAPS (Dimenstein; Simoni; Londero, 2020; Dimenstein; Macedo; Fontenele, 2022), ou das opressões de raça e gênero que nela operam (Moreira; Passos, 2019; Passos, 2018; Passos; Moreira, 2018), ou, em razão das ambiguidades presentes no quadro interpretativo dos profissionais da rede, que ora consideram um paradigma biomédico, ora um psicossocial (Moura; Amorim; Reis; Matsukura, 2022). Tais dificuldades apontam para os atravessamentos de gênero e de raça e seus efeitos deletérios, haja vista que a RPB foi marcada por intenso processo de apagamento das questões étnico-raciais e de gênero que teve como efeito o afastamento das reflexões críticas sobre os impactos do colonialismo na produção do sofrimento psíquico (Passos, 2018; Passos e Pereira, 2017). Esse trabalho propõe resgatar a história de participação do movimento negro na construção da RPB e das políticas de saúde da população negra e refletir sobre a importância da agência coletiva e de um sujeito epistemológico coletivo na promoção de ações antirracistas em uma sociedade racista e marcada por uma história colonial nas práticas de educação e de saúde. Para tanto, as discussões se ancoram em referenciais do campo da Atenção Psicossocial e de autoras/es críticas/os à colonialidade. Trata-se de uma revisão crítica de literatura, que consiste em uma análise aprofundada e sistemática, sobre o tema proposto.
Palavras-chave: Decolinialidade,Rede de Atenção Psicossocial,Reforma Psiquiátrica Brasileira,Saúde Mental da População Negra,Práticas Antirracistas
Oral
Abrir o trabalhoQUEM TEM PERFIL? ATRAVESSAMENTOS DE GÊNERO E RACIALIDADE AO PERFIL DOCENTE NO PROJETO PROFESSOR DIRETOR DE TURMA
YAN FERREIRA DE ALENCAR
O presente trabalho tem como objetivo discutir os achados das pesquisas sobre o Projeto Professor Diretor de Turma, com ênfase no perfil docente atribuído a esta prática pedagógica. A questão que acompanha este trabalho é: Qual o perfil de professores esperado pelo projeto, e como este se articula aos marcadores sociais de gênero e racialidade? Para tanto, realizamos uma revisão bibliográfica, com recorte temporal entre 2020 e 2024, na plataforma CAPES, selecionando estudos que analisam o diretor de turma em diferentes contextos (BANDEIRA, 2023; FILHO, 2023; PEREIRA, LOPES; 2022; MORAES, CLEMENTE; 2021; LEITE, ANDRADE, 2020). Como referencial teórico, fazemos uso de autoras que debatem gênero, racialidade e formação docente (SILVA, SANTOS, 2022; HOOKS, 2021; FANON, 2020; KILOMBA, 2019; DAVIS, 2016). Os achados indicam que a forma de cuidado ao aluno é um fator preponderante, ainda que não seja reconhecido formalmente. Tensionamos essa dimensão de cuidado com o lugar historicamente construído da mulher negra na sociedade colonizada, buscando problematizar os efeitos subjetivos dessa lógica. Por fim, defendemos a necessidade de maior visibilidade dos dados que acompanham e executam essa política educacional, assim como uma ampla discussão do papel das mulheres no projeto, visando combater estigmas e construir um novo olhar sobre o trabalho dessas professoras, reconhecendo seus esforços e, ao mesmo tempo, seu processo de adoecimento ao cuidar do outro, de forma não remunerada.
Oral
Abrir o trabalhoRACISMO E SUBJETIVIDADE: UMA REVISÃO DE LITERATURA SOB A ÓTICA DE FRANTZ FANON E NEUSA SANTOS DE SOUZA
EMANUELLI ANUNCIADA RIBEIRO HOMEM ; Moema Alves Macedo
Esse trabalho reflete sobre influências de mecanismos de opressão na população negra com base nas teorias desenvolvidas por Neusa Santos Souza e Frantz Fanon, discutindo como a violência estrutural originada tanto pela violência colonial e o preconceito racial, afeta profundamente essa população no contexto brasileiro, e como esses mecanismos influenciam a saúde mental; A pesquisa possui caráter descritivo e utiliza uma abordagem qualitativa, fazendo uma revisão bibliográfica sobre os impactos do racismo na saúde mental da população negra. Baseando-se em obras e artigos científicos em português, com foco principal nas publicações dos últimos 63 anos, e por dados coletados online, principalmente nas plataformas Google Scholar e SciELO. Franz Fanon, em seu texto Pele Negra, Máscaras Brancas aponta como o racismo leva pessoas negras a internalizar ideais brancos, resultando na alienação do “eu” (FANON, 2008), propondo o conceito de sociogenia. Já Neusa Santos Souza, em seu Tornar-se Negro, descreve como surge a conscientização identitária dos negros diante do racismo estrutural, cumindano o "tornar-se negro", uma afirmação de identidade positiva em um contexto de marginalização. Ambos veem como esse sistema de dominação advinda do racismo possui um fator central na psique e identidade negra. Assim, Intervenções contra o racismo na psicologia precisam considerar esses efeitos e adicionar a sociogenia para entender as experiências da população negra. Tanto Fanon como Neusa dentro dos processos de construção da identidade negra, fornecem bases epistemológicas para que as práticas psicológicas abordam a colonialidade e o embranquecimento e proponhem estratégias de resistência e ressignificação identitária (FANON, 2008; SOUZA, 1983). Perspectivas essenciais para intervenções que reconheçam e validem as experiências da negritude, sugerindo suporte efetivo a efeitos psíquicos do racismo, independente de abordagem ou local de prática da psicologia.
Palavras-chave: Racismo, Neusa Santos Souza, Fanon,. Subjetividade,Psicologia
Oral
Abrir o trabalhoSABER DA EXPERIÊNCIA
MACEDÔNIA BEZERRA FELIX
O saber da experiência não se adquire em enciclopédia. Construído no risco da escuta, esse saber diverge do acadêmico, sendo necessário para tanto, a aposta no trabalho e na invenção de cada sessão. Esse texto trata de escuta realizada no consultório visando discutir fragmento de atendimento com criança e sua relação com o ato do analista. Entre o discurso da mãe que demandava a análise e uma criança que se isolava, se traçou o tempo do sujeito na infância, o qual apresentou marcas de gênero e etnia. Por meio de um relato de experiência, o trabalho aponta a perda de saber necessário ao percurso, argumentando que a psicanálise se reinventa na prática clínica. Deste modo, a cada um que ocupa o lugar do analista se apresenta o desafio de elaborar um saber entre a teoria e a experiência. Ao mesmo tempo que o saber teórico é essencial para o ofício do analista, ele sozinho não faz a clínica. No percurso que cada um suporta para escutar o sofrimento, a análise pessoal e a supervisão vêm fazer nó, permitindo que o analista elabore um saber inédito e próprio daquilo que faz. Portanto, a teoria funciona como bússola no trabalho do analista. Nesta perspectiva, quando se trata da experiência, de algum modo o saber da psicanálise se re(inventa) a partir do trabalho e da aposta de cada analista. Logo, há algo a saber que só vem no depois da (na) clínica, e no depois do ato. A descoberta do inconsciente, realizada por Freud, persiste a cada vez que um psicanalista ocupa um lugar de causa e insiste a arriscar um ato singular.
Palavras-chave: Clínica com criança,Tempos do sujeito, Saber do psicanalista, Ato analítico, Psicanálise
Oral
Abrir o trabalhoSOU NINGUÉM? POIS NÃO SOU HOMEM E NEM SOU BRANCA: A dolorosa universalização da interseccionalidade na existência da mulher negra
MARIA VITORIA LUCAS DUARTE
Este artigo tem como objetivo analisar como a universalização da interseccionalidade entre raça e gênero contribui para o agravamento do sofrimento psíquico das mulheres negras. A partir de uma abordagem qualitativa e exploratória, foi realizada uma revisão narrativa da literatura com base em autoras negras que discutem feminismo negro, racismo estrutural e saúde mental. A pesquisa evidencia que a mulher negra, historicamente marcada por opressões interseccionais, enfrenta um processo contínuo de desumanização, silenciamento e exclusão social, o que contribui diretamente para o desenvolvimento de quadros de sofrimento psíquico, como baixa autoestima, ansiedade crônica e autossilenciamento. Além disso, o trabalho propõe uma reflexão crítica sobre o “não lugar” da mulher negra na sociedade, problematizando o mito da mulher forte e a ausência de políticas públicas e práticas clínicas adequadas às suas especificidades. Nesse mesmo sentido, aponta as contribuições da psicologia no cuidado com as mulheres pretas ao reconhecer que seus sofrimentos têm raízes históricas no racismo estrutural, práticas como a escrevivência valorizam saberes ancestrais e ajudam a ressignificar experiências de exclusão, ações afirmativas e espaços coletivos de troca fortalecem o sentimento de pertencimento e promovem saúde mental. Conclui-se que o sofrimento psíquico da mulher negra deve ser compreendido como expressão legítima de um sistema excludente e violento, e que o cuidado só será efetivo se comprometido ética e politicamente com a escuta e a valorização de suas subjetividades.
Palavras-chave: Interseccionalidade,Mulher negra,Sofrimento psíquico,Racismo Estrutural,Feminismo Negro
Oral
Abrir o trabalhoVIVÊNCIAS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
CAREN ASTARTE ALVES SANTIAGO; Vanessa Ohara Barros e Silva
O presente relato de experiência tem como objetivo compartilhar as vivências de estudantes e professores durante uma visita guiada à Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas, localizada no município de Salgueiro, sertão de Pernambuco. A atividade foi orientada pela metodologia da observação participante, aliada a momentos de escuta com lideranças locais, o que possibilitou uma imersão profunda nos modos de vida e nas práticas socioculturais da comunidade. Ao longo da visita, foram observados diversos elementos que caracterizam a resistência e a autonomia do território, como os saberes tradicionais transmitidos oralmente, a valorização da espiritualidade, as práticas agroecológicas e a forte relação entre educação, pertencimento e identidade. Para essa pesquisa, foram utilizados também os trabalhos de José Ítalo dos Santos Nascimento, Ana Maria Eugenio da Silva e Geyse Anne Souza da Silva, na fundamentação teórica, entre outros autores, para dialogar com as vivências das pessoas da comunidade quilombola. Destaca-se o protagonismo das mulheres quilombolas, fundamentais na preservação da memória coletiva, na continuidade dos conhecimentos ancestrais e na liderança de projetos comunitários. A biblioteca afro-indígena, a escola quilombola e o projeto de reacaatingamento são exemplos concretos de como o território se organiza em torno da sustentabilidade, da história e da educação libertadora. A comunidade expressa um firme compromisso com a reexistência, o direito à terra e a valorização da cultura negra e indígena. O relato também propõe uma reflexão crítica sobre o papel das instituições de ensino superior na promoção da extensão universitária voltada à transformação social e ao reconhecimento dos saberes populares. A experiência reforça a importância do contato direto com territórios tradicionais como forma de formação cidadã, empática e comprometida com a justiça social.
Palavras-chave: Conceição das Crioulas,Quilombola,Educação,Relato de Experiência,Saúde Coletiva
Oral
Abrir o trabalhoVIVÊNCIAS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
VANESSA OHARA BARROS E SILVA; Caren Astarte Alves Santiago
O presente relato de experiência tem como objetivo compartilhar as vivências de estudantes e professores durante uma visita guiada à Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas, localizada no município de Salgueiro, sertão de Pernambuco. A atividade foi orientada pela metodologia da observação participante, aliada a momentos de escuta com lideranças locais, o que possibilitou uma imersão profunda nos modos de vida e nas práticas socioculturais da comunidade. Ao longo da visita, foram observados diversos elementos que caracterizam a resistência e a autonomia do território, como os saberes tradicionais transmitidos oralmente, a valorização da espiritualidade, as práticas agroecológicas e a forte relação entre educação, pertencimento e identidade. Para essa pesquisa, foram utilizados também os trabalhos de José Ítalo dos Santos Nascimento, Ana Maria Eugenio da Silva e Geyse Anne Souza da Silva, na fundamentação teórica, entre outros autores, para dialogar com as vivências das pessoas da comunidade quilombola. Destaca-se o protagonismo das mulheres quilombolas, fundamentais na preservação da memória coletiva, na continuidade dos conhecimentos ancestrais e na liderança de projetos comunitários. A biblioteca afro-indígena, a escola quilombola e o projeto de reacaatingamento são exemplos concretos de como o território se organiza em torno da sustentabilidade, da história e da educação libertadora. A comunidade expressa um firme compromisso com a reexistência, o direito à terra e a valorização da cultura negra e indígena. O relato também propõe uma reflexão crítica sobre o papel das instituições de ensino superior na promoção da extensão universitária voltada à transformação social e ao reconhecimento dos saberes populares. A experiência reforça a importância do contato direto com territórios tradicionais como forma de formação cidadã, empática e comprometida com a justiça social.
Palavras-chave: Conceição das Crioulas,Quilombola,Educação,Relato de Experiência,Saúde Coletiva
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalho“AS FERRAMENTAS DO SENHOR NUNCA DERRUBARÃO A CASA-GRANDE”: POR UMA CLÍNICA ANTIRRACISTA DO CUIDADO E DA PROMOÇÃO À SAÚDE MENTAL POR E PARA POPULAÇÃO NEGRA
RAQUEL SOUZA DOS SANTOS; Benedito Medrado; Moema Alves Macêdo
Este trabalho propõe um diálogo ético-político sobre práticas clínicas antirracistas voltadas à população negra. Adotamos como referencial teórico-metodológico o Construcionismo Social em Psicologia, realizando uma revisão dialógica da literatura em bases de dados sobre clínica psicológica, práticas antirracistas, racismo e saúde mental da população negra. São experiências recorrentes entre pessoas negras sentimentos de baixa autoestima, insegurança, desadequação, inferioridade, além de dificuldades nos âmbitos profissional e afetivo. Esses sofrimentos, frequentemente expressos de forma indireta, têm como origem ou fator agravante a violência racial, cujo funcionamento na sociedade brasileira é velado, silencioso e muitas vezes inominável. Essa lógica racial hierarquiza a humanidade, produzindo privilégios e desvantagens entre sujeitos brancos e negros. Diante disso, propomos um deslocamento da compreensão do sofrimento do campo individual para o coletivo, com foco nas intersecções entre racismo e outras relações de poder. A clínica tradicional, marcada por um viés eurocêntrico normativo e universalizante, tende a desconsiderar os efeitos psíquicos do racismo, limitando a escuta clínica. Em contraposição, propomos uma clínica antirracista que se posiciona contra modelos hegemônicos, desvela o racismo e promove a construção de narrativas contra-hegemônicas, fortalecendo identidades e pertencimentos raciais. A clínica antirracista, portanto, não se limita ao tratamento de sintomas, mas configura-se como prática de enfrentamento ao racismo, dentro e fora do setting terapêutico.
Palavras-chave: Clínica Antirracfista,saúde mental,populaçao negra,práticas psicológicas,racismo estrutural
Oral
Abrir o trabalhoO ensino de Geografia vem exigindo uma maior discussão sobre as mudanças entre a natureza e sociedade, mas também de sequelas históricas, sobre o racismo e o mito da democracia racial. Desse modo, os conteúdos escolares precisam seguir uma linha na qual haja uma discussão pautada crítica a partir de fundamentos da Geografia Negra. Partindo dessa conjectura, este trabalho tem como objetivo refletir as ações produzidas pelas mulheres negras da região do Cariri cearense e como isto pode influenciar na metodologia/ didática da geografia escolar. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi de natureza qualitativa, percorrendo uma investigação descritiva sobre a temática retratada. Como resultado podemos ver que as mulheres negras produzem espaços e práticas espaciais, como é visível em espaços agrários, quilombos e bairros negros. Nesses locais, a relação com a natureza, dinâmicas sociais, culturais, econômicas e politicas partem da liderança das mulheres, que instruem as vivências para um compromisso ancestral. Dessa forma, ao trabalhar o movimento de mulheres negras como uma metodologia de ensino para a disciplina de geografia, podemos readequar a aprendizagem a partir do ponto de vista das ações que são desenvolvidas para além da sala de aula, isso de fato se torna necessário como fonte de estímulo para os alunos e inovação nas práticas educativas do ensinar geografia.
Palavras-chave: Ensino de geografi, Educação Antirracista, Mulheres Negras
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA GEOGRAFIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE RECONHECIMENTO DAS MATRIZES CULTURAIS DOS BAIRROS NEGROS
HORTÊNSIA DA SILVA EUGÊNIO FERREIRA; Rafael Ferreira da Silva; Meryelle Macedo da Silva
A Geografia é a ciência de apreensão do espaço geográfico. Enquanto disciplina escolar, especialmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a Geografia deve condicionar as crianças a desenvolverem a capacidade de compreensão do espaço em que vivem, inclusive reconhecendo-se como produtoras do mesmo. Nessa direção, cabe as(aos) docentes trabalhar, ludicamente, a identificação e o entendimento dos elementos materializados em determinado lugar. Nesse sentido, é preciso atentar-se a atuação dos grupos étnico-raciais, para que tenhamos uma visão realmente crítica da sociedade. Nesse viéis estamos considerando, sobretudo, os bairros negros. Diante do contexto, o escopo principal desse texto é a proposição de práticas pedagógicas voltadas para o reconhecimento das matrizes culturais dos bairros negros, tendo em vista a Lei 10.639/03 que torna obrigatório o Ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira na Educação Básica. Para a execução dessa pesquisa nos fundamentamos no método da afrodescendência. Sob esse aporte fizemos uma revisão de literatura, focando na temática da Geografia e relações étnico-raciais, a exemplo de Silva (2023) e bairros negros e educação, como Cunha Junior (2017). Desenvolvemos uma sequência didática baseada em três etapas. Na primeira etapa, a(o) professora(or) dialogaria com as crianças sobre o contexto de formação do bairro, evidenciando positivamente as trajetórias da população negra e suas materialidades, dando abertura para que as crianças evidenciassem suas práticas sociais cotidianas. Na segunda etapa, seria desenvolvido um percurso afrourbanístico pelas ruas do bairro, sugerimos que o objetivo principal desse percurso seja a investigação das casas de taipas de mão, e na terceira etapa faríamos uma oficina de feitura de casas de taipa de mão. Acreditamos que a referida sequência didática pode atuar para que as crianças reconheçam e valorizem a ancestralidade negra do seu lugar, possibilitando a construção da identidade étnico-ra
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoAncestralidade e conhecimentos africanos no Brasil: Proposta para uma prática docente antirracista
JACIARA GLENDA MACÊDO DE SOUZA ; Rafael Ferreira da Silva
A construção de uma educação antirracista, engajada com a justiça social que favoreça a população negra deve existir de forma efetiva nas instituições promotora de educação, tanto como forma de reparação histórica, como também seja base para o reconhecimento das existências e resistência de africanos e afrodescendentes durante o processo do escravismo criminoso. A educação deve valorizar os saberes tradicionais e ancestrais dos povos africanos e afrodescendentes e indígenas, de maneira a reconhecê-los como uma importante fonte de conhecimento que são essenciais para a luta contra o racismo que ainda permanece enraizado na atual sociedade em que vivemos. Sendo assim, o presente artigo tem o objetivo investigar como os reconhecimentos das técnicas e tecnológicas de matriz africana contribui nas práticas pedagógicas antirracista. Nosso método de pesquisa é a afrodescendência articulado pelo intelectual pan-africanista Cunha Junior (2001). Como procedimento metodológico realizamos uma revisão de literatura com autores que apontam a importância de uma educação antirracista (Nunes, 2015), Silva (2023) e Silva L. (2023). Defendemos que ao refletir acerca de uma educação antirracista, a Lei 10.639/2003 está sendo implementada de forma efetiva na educação, promovendo práticas educativas de inclusão de novas narrativas sobre a presença africana no Brasil.
Palavras-chave: Educação antirracista, Técnicas e tecnologias africanas,Lei 10.639/03
Oral
Abrir o trabalhoBairro Negros: proposta pedagógica para o ensino das africanidades e afrodescendências nas áreas de Geografia e Pedagogia
ROSÁLIA FELIPE DA SILVA; Rafael Ferreira da Silva
Bairros negros são formas de existência e resistência das populações negras nas cidades brasileira, pessoas responsáveis pela formação social, cultural e econômica do Brasil durante e pós o escravismo criminoso, além de contribuir com uma profusão de conhecimentos técnicos e tecnológicos na formação do patrimônio cultural material e imaterial. Nesse sentido, objetiva-se com esse artigo discutir a relação entre bairros negros e o ensino das africanidades e afrodescendências nas áreas de Geografia e Pedagogia. A concepção de bairro negros foi pensada pelo intelectual pan-africanista Cunha Junior (2017, 2023) o qual vislumbra nas arquiteturas, na economia própria dos referidos bairros e na forma como os afrodescendentes sociabilizam um modo de vida africana ressignificado no tempo-espaço. Nesse contexto, entendemos que os bairros negros salvaguardam uma historicidade africana que precisa ser descortinada de modo a viabilizar e entender a complexidade sistêmica da organização social afrodescendente e da constituição das africanidades. Nesse artigo utilizamos a metodologia da pesquisa afrodescendente, sendo esta imprescindível, pois ela nos coloca em contato direto com o campo pesquisado e permite que nos relacionemos com a pesquisa, propiciando de maneira sistemática a construção da nossa identidade afrodescendente e a nossa relação com as africanidades. Como procedimento metodológico, realizamos uma revisão de literatura com autores que nos auxilie a compreender a concepção de bairro negros e a relação com a Geografia e Pedagogia, a exemplo dos autores Cunha (2017, 2023), (Silva, 2023), (Silva, Souza e Cunha Junior, 2023) e (Silva, 2019). A proposta dos bairros negros como forma de compreender as africanidades e afrodescendências traz novas concepções de suplantar o racismo e o pensamento eurocêntrico na educação, sobretudo no ensino de Geografia e Pedagogia.
Oral
Abrir o trabalhoENSINO DAS GEOGRAFIAS NO ENGENHO DE RAPADURA PADRE CÍCERO NO MUNÍCIPIO DE BARBALHA – CEARÁ: o reconhecimento das africanidades e afrodescendências
MARCELO SANTANA VITORINO; Rafael Ferreira da Silva
As Geografias são formas refletidas de forma natural e de como a sociedade se organiza e modifica o espaço geográfico com instalações de objetos que passam a contar história no decorrer do tempo, salvaguardando na memória das pessoas uma relação de pertencimento pela materialidade produzida. Nesse sentido, o objetivo desse artigo é investigar de que forma podemos aprender e ensinar as geografias do engenho de rapadura Padre Cícero no município de Barbalha – Ceará a fim de compreender as africanidades e afrodescendências que constitui o território caririense. Utilizamos o método da afrodescendência que nos coloca diretamente em contato com o território pesquisado (Cunha Junior, 2001). Realizamos uma revisão de literatura com autores que dialogam sobre ensino de Geografia (Callai, 2018), Silva (2023) e Castrogeovanni (2016). No que se refere os estudos dos engenhos de rapadura e as africanidades os estudos de Silva. F; Silva e Cunha Junior (2025) são relevantes no trato da temática. O ensino de Geografias é um campo abrangente, viabilizando construir um olhar crítico sob a realidade espacial. Dessa forma, acreditamos que essa pesquisa pode contribuir de maneira efetiva uma revisão na forma como se ensina Geografias, apontando caminhos para o reconhecimento das africanidades e afrodescendências.
Resumo Simples · Oral + Pôster/Banner
Abrir o trabalhoFOTOGRAFAR O COTIDIANO, NARRAR A SI NO TERRITÓRIO: MAJORLÂNDIA (RE)SIGNIFICADA ATRAVÉS DE (FOTO)ESCRE(VIVÊNCIAS)
EZEQUIEL NUNES DE LIMA
Este artigo busca apresentar discussões que percorrem minha pesquisa em desenvolvimento no Programa de Pós-graduação em Mídia e Cotidiano, na Universidade Federal Fluminense (PPGMC/UFF), que tem como objetivo central descrever a praia de Majorlândia através de (foto)escre(vivências) do cotidiano de jovens moradores locais a partir do entendimento de que essa prática teórica-metodólogica, que une imagem e escrita, possibilita o acesso às narrativas de vivências cotidianas, e evidencia memórias, afetos e formas de pertencimento que escapam às representações tradicionais do território de uma comunidade. Nessa busca por responder como é o cotidiano na Praia de Majorlândia a partir dos jovens da comunidade, reforça-se o potencial das mídias como extensão do território através de usos e narrativas constantemente atualizadas pelo olhar e pelas mãos daquelas(es) que vivem e fazem o cotidiano litorâneo. A metodologia sensível segue caminhos qualitativos com abordagem cartográfica e inspiração etnográfica, e utiliza como base a (foto)escre(vivência) para identificação, produção e análise de dados coletivos e compartilhados. A inspiração teórica é proveniente, sobretudo, do trabalho de Vilma Neres Bispo (2016) e outros usos da escrevivência (Evaristo, 2020), além dos perfis pessoais no Instagram de moradores de outras partes do litoral cearense, como Canoa Quebrada/Vila dos Estevão e Redonda, e produções audiovisuais como o filme “Carolina Maria de Jesus: Facetas de um Brasil Desigual” (Silva & Silva, 2023) apresentado no Congresso Artefatos da Cultura Negra 2023, etc. Com isso, a pesquisa tem como destino construir uma cartografia afetiva (Rolnik, 1989) do cotidiano de Majorlândia à luz das narrativas que se desenvolvem com o território no dia a dia.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O USO DE TRILHA URBANA NO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA AS AFRICANIDADES
MARIA ISMÊNIA LEITE DE SOUSA
Este estudo trata-se de um relato de experiência com uso de trilha urbana, para estudo das africanidades presentes nas espacialidades do município de Assaré no Ceará. A experiência da trilha urbana foi utilizada para conclusão de estudo da Eletiva História, Memória e Espaço Geográfico. As eletivas fazem parte do itinerário formativo utilizado na educação básica com a reforma do novo ensino médio e que vem sendo adaptada nas escolas da educação básica nos anos iniciais em tempo integral. A trilha foi realizada com um grupo de vinte e cinco estudantes da educação básica para identificação dos espaços de memórias com marcadores das africanidades nas áreas urbanas do município. O objetivo da trilha foi para estudo com apreciação dos espaços de memórias que alteraram a geografia do município. Para o desenvolvimento deste estudo, foi utilizado uma metodologia bibliográfica de base afro referenciada, associada a pesquisa de campo. Os dados foram levantados com base em estudos de fontes bibliográficas nos espaços de sala de aula para compreensão dos estudantes sobre os marcadores das africanidades presentes nas expressões geográficas urbanas do município. Portanto, durante os estudos, foi realizada a leitura de autores que tratam da produção de conhecimentos de base africana vinculado à produção das cidades brasileiras. Para a pesquisa de campo, mapeamos durante os encontros da eletiva, os seguintes espaços de memórias para ser estudado e posteriormente apreciado através da realização de uma trilha urbana afro geográfica, são eles: A igreja matriz de Nossa Senhora Das Dores, o antigo casarão do Memorial Patativa do Assaré, o sobrado girafinha, as ruínas da barragem Banguê e o casarão da Várzea. Desse modo, o uso da trilha propiciou aos estudantes a construção de um pensamento crítico com compreensão das africanidades existentes na edificação do município.
Palavras-chave: africanidades,memórias urbanas, ensino de Geografia
Oral
Abrir o trabalhoENTRE ESCREVIVÊNCIAS E AFETOS: O “COLETIVO LÉLIA GONZALEZ, PRESENTE!” COMO REDE DE POTÊNCIA PARA MULHERES NEGRAS
MARIA ESTELA SALES E SILVA
Este trabalho fundamenta-se a partir do conceito de Escrevivência de Conceição Evaristo (2003), que evoca a experiência de mulheres negras à partir de nossos conhecimentos e vivências, diretamente ligados à ancestralidade que nos guia e orienta em diáspora. O presente trabalho tem como objetivo apresentar relatos de experiências de nós mulheres negras ligadas ao Coletivo Lélia Gonzalez, Presente!, que ancora o Projeto de Pesquisa e Extensão “Lélia Gonzalez, Presente!, pois ingressamos no coletivo como cursistas e hoje fazemos parte do quadro de formadoras. Essa análise se dá através da interssecionalidade, considerando não só as formas de opressão que constantemente nos atravessam, como os espaços em que estamos inseridas, como nossos territórios, campos políticos de decisão e de educação. O procedimento metodológico teve como fonte de pesquisa o 3º. Ciclo Formativo Sobre o Pensamento Feminista Negro oferecido pelo “Coletivo Lélia Gonzalez, Presente!”, ofertado em 2024, no formato on-line pela plataforma zoom. Foram analisados trechos das gravações dos encontros deste mesmo ano, com autorização prévia das colaboradoras e entrevistas abertas realizadas posteriormente, em ambos os momentos com as mesmas mulheres. Após relacionar as narrativas, os resultados demonstraram uma importante influência dos Ciclos Formativos, enquanto “espaço seguro” (COLLINS, 2019) para o fortalecimento e empoderamento de nossos corpos, se extendendo para os demais ambientes e pessoas que nos cercam. Desse modo, o Coletivo Lélia Gonzalez, Presente! tem se consolidado como ferramenta “para romper com o latifúndio do saber” (Silva, Silva, 2022, p. 110), e como espaço feminista onde se tecem redes de afroafeto e acolhimento para a potencialização de mulheres negras.
Palavras-chave: Mulher negra; Escrevivência; Lugar seguro; Coletivo Lélia Gonzalez; Unilab
Oral
Abrir o trabalhoPENSAMENTO DE UMA INTELECTUAL NEGRA CARIRIENSE: narrando a história da professora Cicera Nunes
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; Barbara Nobre Alencar Monteiro; Yohana Alencar Oyátòsín
Este estudo tem como objetivo analisar o pensamento da intelectual negra Cicera Nunes, docente do Departamento de Educação da Universidade Regional do Cariri (URCA) e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico- Raciais (NEGRER/URCA). Adotou-se o diálogo como metodologia principal nesta pesquisa de cunho (auto)biográfico, complementado por uma revisão bibliográfica sobre narrativas negras e produções (auto)biográficas. Como contribuição pedagógica, elaborou-se um quadro referencial com obras da autora, visando subsidiar pesquisadores interessados em sua produção acadêmica. A entrevista realizada permitiu compreender a relevância de valorizar o pensamento negro feminista brasileiro, em especial o caririense, reforçando nosso vínculo com os territórios percorridos e com os sujeitos com quem colaboramos na construção de uma educação antirracista e equitativa para populações negras. Além disso, ampliou-se a perspectiva sobre a produção de conhecimento nesse campo.
Oral
Abrir o trabalhoPretuguês em Lélia Gonzalez: Subversão à Língua Oficial Dominante dos Colonizadores
SANDRO ALVES DE MOURA; Mara Betânia dos Santos Barbosa¹; Aline Alves de Lima²
A proposta de diálogo neste trabalho, intitulado “Pretuguês: subversão à língua oficial dominante dos colonizadores em Lélia Gonzalez”, é centrada nas críticas que a pesquisadora faz à invisibilização das contribuições afro-brasileiras à língua e à cultura do país. O termo “Pretuguês” é um neologismo criado para explicar a africanização da língua portuguesa brasileira, sendo esse um fator marcante da presença dos negros africanos em todas as dimensões do território nacional. Essa influência é expressiva, especialmente a partir dos troncos linguísticos bantu e iorubá, que ainda são evidentes nas religiões de matriz africana, como os Candomblés. O objetivo geral é discutir o “Pretuguês” como uma estratégia de resistência e afirmação cultural das comunidades afro-brasileiras, desafiando a língua oficial dominante. Especificamente, os objetivos são: analisar as características linguísticas do “Pretuguês” e sua relação com as línguas africanas e o português; discorrer sobre o papel do “Pretuguês” na preservação da identidade cultural e na resistência contra a colonização linguística e, ainda, discutir a importância do reconhecimento e da valorização dessas formas linguísticas na construção de uma sociedade mais plural e inclusiva. A proposta comunicativa da pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa, analisando discursos, registros orais e escritos de comunidades afro-brasileiras, além de uma revisão bibliográfica sobre os estudos de Lélia Gonzalez e outros autores na área de linguística e cultura. De modo geral, a discussão baseia-se na importância das manifestações culturais e linguísticas como formas de resistência. A pesquisa também incorpora teorias de estudos culturais, linguística e teoria da resistência cultural, para compreender o papel do “Pretuguês” na luta por identidade e autonomia linguística.
Oral
Abrir o trabalhoPROTAGONISMO FEMININO NO CAMPO DE ENSINO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO DE BOLSISTAS NEGRAS AFRICANAS NO PETHL
GRAÇA SEBASTIÃO FILIPE ; Analtina Antonio Cussitala; Eliana João Có
O presente trabalho surge da reflexão entre três mulheres/bolsistas negras africanas do Programa de Educação Tutorial em Humanidades e Letras da UNILAB (PETHL), acerca da contribuição que o programa tem proporcionado em seus processos de aprendizado e atuação na área de ensino. A importância deste estudo reside no fato de que o PETHL da Unilab é singular na instituição e possui uma estrutura distinta de outras instituições, composto majoritariamente por indivíduos negros e afro-brasileiros em sua equipe. O objetivo desta pesquisa é compreender como o PETHL tem influenciado a experiência dessas mulheres em suas atividades pedagógicas, levando em conta que são alunas de licenciatura em Pedagogia, Sociologia e Letras Português, oriundas de países africanos: duas de Angola e uma da Guiné-Bissau. Visto que, essas mulheres exercem funções fundamentais nas atividades ligadas aos três pilares que sustentam o PETHL, com nossa ênfase voltada para o eixo de ensino. No que diz respeito à metodologia, optamos por uma abordagem qualitativa, uma vez que serão considerados dados que não podem ser mensurados numericamente. Iremos analisar as narrativas das três mulheres com base nas referências de autores como Cunha (2018), Hooks (2014), Gandin e Porto (2021), Torres (2018) e Santos (2018) para debater sobre feminismo negro e protagonismo feminino. Com este estudo, pretendemos confirmar que o protagonismo feminino persiste, estimulando discussões e permitindo que as mulheres deixem de ser coadjuvantes na sociedade, passando a ser o centro da própria história. Esta pesquisa possibilitará o destaque da presença feminina no meio acadêmico, especialmente em projetos de destaque como o Programa de Educação Tutorial (PET).
Palavras-chave: PETHL,protagonismo feminino,ensino,atuação de mulheres negras
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoResistance is Ritual: Black Women’s Wellness from Queen Nanny to Escrava Anastácia
CHANTA PALMER
The Adinkra symbol Sankofa teaches that looking to the past is essential for understanding the present and shaping a just future. This concept is crucial in analyzing the resilience of Black women across the diaspora, from historical figures like Queen Nanny of the Maroons to contemporary victims of state violence like Sandra Bland and Breonna Taylor. It also resonates with Escrava Anastácia, an Afro-Brazilian folk figure who, though silenced by enslavement, has become a sacred symbol of healing and spiritual resistance. This research explores how Black women have preserved and transformed wellness practicesspiritually, mentally, and physically as acts of resistance against coloniality and White supremacy. By tracing these practices from the Middle Passage to modern movements for justice and self-care, this study aligns with the broader Sankofa Movement, emphasizing reparation and well-being in anti-racist education. This work contributes to the discourse on Black women’s wellness as a form of historical continuity, resistance, and healing, echoing the transformative power of critical pedagogy and the struggle for racial justice in academia and beyond.
Oral
Abrir o trabalhoA PRESENÇA DA JUREMA NA SERRA DO CATOLÉ: CAMINHOS PARA COMPREENDER A RELIGIOSIDADE INDÍGENA EM MEIO À HEGEMONIA DO CATOLICISMO
GRAZIELA VIEIRA LEITE ; Francisco Joedson da Silva Nascimento; Cassio Expedito Galdino Pereira; Renata Marinho Paz
Esta pesquisa tem como objetivo compreender a presença da Jurema na Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte – CE, como um caminho para refletir sobre a religiosidade indígena em meio à forte hegemonia do catolicismo na região. Juazeiro, conhecida como “Capital da fé nordestina”, teve sua história e memória religiosa centrada na figura do Padre Cícero e nas práticas católicas, o que historicamente tem invisibilizado outras formas de espiritualidade presentes no território. Diante disso, buscamos compreender como mestres, mestras, lideranças e praticantes da Jurema mantêm seus saberes, práticas e crenças em um contexto de resistência cultural, reafirmação identitária e territorial. A pesquisa se fundamenta em uma abordagem etnográfica, com realização de levantamento bibliográfico e documental, vivências e entrevistas com sujeitos vinculados à Jurema, especialmente no território da Serra do Catolé. Por meio desta pesquisa, espera-se compreender e visibilizar a Jurema como expressão viva da religiosidade indígena, fortalecendo os processos de afirmação do povo Kariri e contribuindo para a valorização da diversidade religiosa no Cariri cearense. Além disso, a pesquisa pretende ser um instrumento de diálogo com os movimentos de luta pela memória, território e identidade, diante dos processos históricos de apagamento das espiritualidades indígenas na região. A investigação também se relaciona com as reflexões propostas no Simpósio Temático 1 do Congresso “Artefatos da Cultura Negra” (p. 118), ao promover um olhar educativo e de colonial sobre patrimônios espirituais indígenas, valorizando saberes ancestrais como forma de resistência e ensino.
Palavras-chave: Jurema sagrada,Religiosidade indígena,Serra do |Catolé
Oral
Abrir o trabalhoA viabilidade de Bacurau (2019) para o Ensino de Sociologia: Possibilidades Pedagógicas do Cinema em Sala de Aula
RENNAN RICARDO DA SILVA; Sanara Sipriano de Souza
A proposta deste trabalho é refletir sobre o filme Bacurau (2019) como ferramenta pedagógica para o ensino de Sociologia. Ao utilizar o filme como instrumento para debates em sala de aula, compreende-se sua complexidade e potência para promover discussões entre professores e estudantes, rompendo com a noção de que filmes são “mero entretenimento”. Nas aulas, propõe-se a problematização das imagens, com o intuito de desenvolver conceitos sociológicos. A imagem em projeção, com movimentos e sons, é percebida pelo espectador através de sua própria lente, formada por sua percepção, crenças, saberes e afetos, diante das questões histórico-sociais e psíquicas que moldam sua visão da produção cultural (MARTINS, 2007). Considerando os debates e temas que emergem da obra entre o professor e seus estudantes, colocando-os como sujeitos do conhecimento e intérpretes da obra, projetando-se nela, em seu tempo e espaço, e extrapolando os limites de local/espaço. O uso de Bacurau pode promover a conexão entre professores e estudantes com os personagens do filme, com toda a sua carga cultural e conceitual, favorecendo a partilha de vivências em uma aprendizagem histórica, repleta de conceitos capazes de apreender as transformações ocorridas nas sociedades contemporâneas em suas relações com o tempo (passado/presente/futuro). (MELO, 2023). A sociedade de Bacurau remete a lutas reais em meio à ficção, permitindo interpretações a partir dos povos indígenas, quilombolas e outras populações periféricas. Tal abordagem proporciona o conhecimento de formas diversas de existência, para além da lógica eurocêntrica, como exemplificado na figura de Damiano, que vive na mata e mantém relação de convivência com a natureza em relação de conexão e não de utilitarismo. Análise possível através do pensamento de Fanon (1961) sobre o mundo colonial e Bona (2020) sobre as formas alternativas de fugas das “presas do Estado” e das “presas do Capitalismo” pelos grupos racializados (quilombos).
Palavras-chave: Ensino de Sociologia, Bacurau (2019), Anticolonialismo, Marronagem
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoAFETOS, IDENTIDADE E PERTENCIMENTO: ENSINO DE HISTÓRIA E A DIVERSIDADE MÚSICAL NEGRA PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
JOÃO PAULO DE LEMOS
O presente trabalho tem como objetivo como a produção musical negra entre os anos de 1960 e 1990 podem ser utilizadas no ensino de História. Nossa busca é analisar a importância desse repertório musical na luta antirracista, antecedendo até mesmo o reconhecimento formal pelo Estado brasileiro e a posterior implementação de legislações de combate às desigualdades. Busca-se compreender as resistências expressas nas letras compostas em sua maioria pela população negra em diversos territórios do país. Como demonstra José Ramos Tinhorão (2001), a história da música brasileira está intrinsecamente ligada às influências africanas e indígenas, constituindo-se como elemento fundamental da cultura nacional: "melhor se sente o caráter de um povo". Roberto Pereira (2023), por sua vez, direciona o debate para os processos de seleção e preservação da cultura negra pelo Estado. A análise dessas letras permite refletir sobre dimensões como performance, espiritualidade, sociedade e existências negras, articuladas aos fundamentos teóricos da negritude e identidade propostos por Aimé Césaire e Frantz Fanon. O vasto acervo da música contemporânea brasileira oferece subsídios para a construção de uma sociedade antirracista. Este trabalho propõe um diálogo interdisciplinar entre ensino de História e produção cultural, utilizando a música como ferramenta pedagógica para discutir a formação de identidades nacionais. A pesquisa focalizará manifestações populares afro-brasileiras, examinando seu papel na construção identitária local e na luta antirracista. Ancorado no conceito de escrevivência de Conceição Evaristo, o projeto será desenvolvido por meio de oficinas com estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Profissional Paulo Barbosa Leite, localizada em Caririaçu, no sul do Ceará, integrada à Região Metropolitana do Cariri.
Palavras-chave: Ensino de História,Música,Educação antirracista,Música negra
Resumo Simples
Abrir o trabalhoCANDOMBLÉ E EDUCAÇÃO: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO NO ENFRENTAMENTO AO RACISMO RELIGIOSO
HERLANIA BATISTA GALDINO ; Cícera Nunes
No presente trabalho refletimos sobre os fundamentos das religiões de matriz africana com um olhar para o candomblé. Buscamos compreender os valores culturais, filosóficos, mitológicos das culturas africana presentes no candomblé a partir de uma ótica que se contrapõe ao eurocentrismo e manifesta uma visão de mundo própria que carrega os princípios da ancestralidade, oralidade, coletividade, da consciência ecológica, dentre outros. Enquanto o eurocentrismo valoriza apenas os conhecimentos e costumes europeus, o candomblé preserva tradições, rituais e valores que resistem a perseguição histórica. Assim, essa religião de matriz africana representa uma forma de resistência cultural e afirmação da identidade negra no Brasil, ao tempo, em que nos reconecta ao continente africano e ao legado reelaborado pela população negra na diáspora. No contexto das reflexões sobre o ensino da história e cultura africana e afrobrasileira destacamos que o conhecimento dos fundamentos das religiões de matriz africana é fundamental para o enfrentamento ao racismo religioso. Diante do exposto, refletimos com base em Cunha Jr. (2009), Moura (2024), Filizola e Botelho (2009) como a educação pode ser um lugar importante de conhecimento das formas de organização social e cultural da população negra no contexto brasileiro, ao tempo, em que se promove uma educação antirracista comprometida com o enfrentamento ao racismo religioso.
Oral
Abrir o trabalhoCARTOGRAFIAS DA ANCESTRALIDADE: CULTURA E RESISTÊNCIA INDÍGENA NO HORTO, SERRA DO CATOLÉ, JUAZEIRO DO NORTE-CE
LETÍCIA DO NASCIMENTO TORRES; Anna Luísa Silva Duarte; Cassio Expedito Galdino Pereira; Thiago de Abreu e Lima Florencio
A comunidade do Horto compartilha uma história cheia de memórias ancestrais dos povos indígenas da região. Diante de um movimento de retomada indígena sendo construído na comunidade, este trabalho tem como foco o mapeamento da presença indígena na comunidade do Horto, localizada na Serra do Catolé, Juazeiro do Norte-CE. A pesquisa parte da necessidade de reconhecer e valorizar a identidade indígena na região, frequentemente invisibilizada pelos discursos oficiais e pelas dinâmicas urbanas. Pensando em espaços de cultura e espiritualidade, como a Casa de Mãe Dodô e a Estátua do Padre Cícero, o objetivo principal deste trabalho, ainda em andamento, é identificar e registrar a memória ancestral indígena presentes nas práticas culturais, histórias orais, hábitos cotidianos e na organização social dos moradores da comunidade. Para isso, essa pesquisa de natureza aplicada, abordagem qualitativa e finalidade exploratória e descritiva, metodologicamente se utilizará de métodos de coleta de dados em pesquisa de campo, sendo observações participantes, entrevistas com os troncos velhos da comunidade, rodas de conversa e construção de mapas colaborativos. Espera-se como resultado a produção de um mapeamento cultural e identitário que contribua para o fortalecimento das raízes indígenas locais, a valorização da diversidade étnica e o reconhecimento da comunidade do Horto como um espaço de resistência e memória indígena no Cariri cearense. Além disso, pretende-se estimular o protagonismo comunitário e fomentar políticas públicas voltadas à preservação das culturas originárias.
Palavras-chave: Mapeamentos Colaborativos,Histórias Orais,Memórias Ancestrais
Oral
Abrir o trabalhoCIA BALE BAIÃO DANÇA PAULO FREIRE: O MOVER DANCÍSTICO AFROCOMUNITÁRIO DE/EM UMA PESQUISA-ESPETÁCULO
JOUBERT DE ALBUQUERQUE ARRAIS
Esta comunicação propõe uma escrita crítica coimplicada, situada no trabalho artístico da Cia Balé Baião, de Itapipoca (CE), com foco na pesquisa-espetáculo “Dançar Paulo Freire” (2021), como evidenciadora de um mover dançístico afrocomunitário de seu percurso artístico-pedagógico de ativismos e militâncias. Buscamos problematizar aspectos interseccionais das escolhas estéticas corpocênicas de um dançar em comunidade para confluenciar dialogias dancísticas do Corpo Afroancentral (Sousa, 2022, 2018) de “Gerson Moreno” (Gerson Carlos Matias de Sousa), artista-coreógrafo-pedagogo cearense, com a Pedagogia Crítica (Freire, 1996; 1967; 1968) de Paulo Freire, educador e filósofo pernambucano. Para isso, apresentaremos a crítica de dança enquanto Crítica com a Dança (Arrais, 2013, 2008), que consiste em uma escrita coimplicada (não reativa e dialogante) que se retroalimenta da mesma questão que a obra artística formula, evidenciando em ambas o compromisso com os saberes afrodiaspóricos e contracoloniais.
Oral
Abrir o trabalhoCINECATOLÉ: O AUDIOVISUAL COMO FERRAMENTA DE MOBILIZAÇÃO DA MEMÓRIA INDIGENA NA SERRA DO CATOLÉ
JOSE FELIPE EVANGELISTA DA SILVA
Este trabalho tem como objetivo apresentar a criação do CineCatolé, iniciativa voltada à valorização da identidade, memória e cultura indígena na Serra do Catolé, situada entre os municípios de Juazeiro do Norte e Crato, tendo como público-alvo as comunidades locais. Cabe destacar que as produções cinematográficas indígenas começaram a se consolidar a partir da virada do século XXI, especialmente por meio de iniciativas como o projeto Vídeo nas Aldeias, coordenado pelo antropólogo Vincent Carelli. Na contemporaneidade, muitos povos se utilizam da produção audiovisual enquanto um instrumento de comunicação e formação intrinsecamente ligado a sua autoafirmação e luta territorial (Quintero e Zanforlin, 2024). A metodologia adotada envolve a seleção de produções audiovisuais indígenas do Nordeste, que representam diferentes povos e saberes de distintas etnias. O CineCatolé é concebido como uma ferramenta capaz de mobilizar as memórias ancestrais dos habitantes do território, ao mesmo tempo em que proporciona novos referenciais sobre as múltiplas formas de ser indígena, contribuindo para a desconstrução de estereótipos relacionados a esses povos. As sessões de exibição são seguidas por rodas de conversa que promovem reflexões sobre os curtas apresentados e as vivências das comunidades. Trata-se, portanto, de um projeto de extensão de relevância social e cultural, comprometido com a valorização da diversidade e o fortalecimento das tradições ancestrais.
Palavras-chave: Memória ancestrais,Povo Kariri,Serra do Catolé
Oral
Abrir o trabalhoCOMPREENDER A ORGANIZAÇÃO E INCIDÊNCIA POLÍTICA DE INDÍGENAS LGBT’s NO ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – ATL
JOSEANE DE CÁSSIA TEIXEIRA VIEIRA; Francisco Joedson da Silva Nascimento
O presente estudo busca compreender a organização e a incidência política de indígenas LGBTQIA+ no Acampamento Terra Livre (ATL), com ênfase nas atuações dos Coletivos Tybyra e Caboclas, sendo o primeiro fundado em 2019 e reconhecido como a primeira organização nacional voltada à defesa dos direitos de indígenas LGBTQIA+ e o segundo fundado em 2020, sendo o primeiro coletivo LBGT+ e indígena do Ceará. A análise parte da observação de ações realizadas durante a 21ª edição do ATL, ocorrida em abril de 2025, com destaque para o ato “Memória, Justiça e Resistência Indígena LGBTQIA+” . A metodologia adotada baseia-se na análise de fontes jornalísticas e institucionais, especialmente os registros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que documentaram a programação oficial do evento. O objetivo central é identificar como a atuação dos coletivos articulam memórias, denúncias e visibilidade dentro de um dos maiores espaços de mobilização indígena do país. Os resultados evidenciam que a presença do Coletivo Tybyra e do Coletivo Caboclas no ATL vai além da reivindicação por inclusão: trata-se de uma ação política organizada, que homenageia lideranças LGBTQIA+ indígenas vítimas de violência e marginalização histórica, como Tybyra Tupinambá, e promove debates sobre território, ancestralidade e resistência de corpos dissidentes. A realização do ato em espaço central do acampamento, bem como o seminário “Indígenas LGBTQIA+ contra o fim do mundo”, revela o avanço de pautas interseccionais no movimento indígena. Conclui-se que a atuação dos Coletivos Tybyra e Caboclas representam um marco na luta por justiça social, fortalecendo o protagonismo de indígenas LGBTQIA+ e contribuindo para ampliar a compreensão sobre diversidade dentro dos povos originários e sobre a urgência de políticas específicas voltadas à proteção e visibilidade desses sujeitos em contexto de violência e invisibilização.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCONSTRUÇÃO DE UMA PSICOLOGIA ANTIRRACISTA: INSERÇÃO DE EPISTEMOLOGIAS AFRICANAS, AFRODIASPÓRICAS E AFROINDÍGENAS EM CURRÍCULOS DE GRADUAÇÕES NO BRASIL
MARIA EDUARDA DO CARMO GOMES; Paulo Henrique Matos Raulino; Vanessa Queiroz de Sousa
O presente trabalho visa analisar a estruturação de uma Psicologia antirracista e libertadora no Brasil, avaliando como ocorre esse processo e as suas potencialidades concretas. Ao longo da história da Psicologia, nota-se um intenso processo de lutas para o estabelecimento da profissão enquanto uma práxis antirracista. No contexto brasileiro, esse movimento forma-se por meio de resoluções e publicações e da influência das Diretrizes Curriculares Nacionais que alicerçam a formação em Psicologia. Segundo Santos, Santos e Lima (2024), para uma educação antirracista é preciso romper com a exclusão dos conhecimentos das populações negras proveniente de um apagamento histórico. Partindo dessa visão, procura-se resgatar a importância das epistemologias africanas, afrodiaspóricas e afroindígenas para a formação em Psicologia no Brasil a partir da análise das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Psicologia (RESOLUÇÃO CNE/CES N° 1/2023) e dos materiais oficiais publicados pelo Conselho Federal de Psicologia sobre o tema, promovendo uma discussão com autores e materiais pedagógicos e epistemológicos que versam sobre o assunto. Aproximando as tentativas de institucionalização destas discussões em ambiente acadêmico e a histórica inviabilização de autores fora do eixo eurocêntrico, pretende-se discutir tais materiais a partir das contribuições que partem de vieses historicamente silenciados, envolvendo autores como Frantz Fanon, Na’im Akbar e Lélia Gonzalez sobre o impacto psíquico do racismo, e perspectivas críticas de autores como Ailton Krenak e Antônio Bispo dos Santos. Assim, este trabalho busca pensar o debate étnico-social na Psicologia não como uma mera reorientação no foco da atuação, mas na criticidade perante as próprias bases epistemológicas do saber psicológico tradicionalmente estabelecido e da possibilidade de confluência entre seu local histórico-geográfico de enunciação e o objetivo de sua aplicação e postulação.
Palavras-chave: Currículo,Decolonialidade,Epistemologias africanas afrodiaspóricas e afroindígenas,Psicologia, Práticas Educativas Antirracistas
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoDIREITOS HUMANOS POR MEIO DAS VIVÊNCIAS RAÍZES DO HORTO: PRÁTICAS EDUCATIVAS SOBRE OS SABERES ETNOBOTÂNICOS DOS POVOS INDÍGENAS DA SERRA DO CATOLÉ
FÁTIMA LENIRA DE MOURA GOMES; Priscila Orlandini; Rayane de Tasso Moreira Ribeiro; Francisca Ranielly de Brito Macêdo
Os saberes tradicionais constituem importante ferramenta de resistência e, com o auxílio de movimentos sociais, tomaram dimensões jurídicas que possibilitaram a garantia de direitos fundamentais, fortalecendo a continuidade da memória e identidade. No território da Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte, os povos indígenas Kariri mantêm vivas essas práticas ancestrais, especialmente o uso de plantas medicinais, saberes etnobotânicos, e cuidado com o meio ambiente, mesmo diante de processos de invisibilização histórica, pressões territoriais e apagamentos culturais. Nesse sentido, este estudo objetiva valorizar os saberes etnobotânicos como prática educativa e analisar sua relação com os direitos humanos e a preservação cultural dos Kariri da Serra do Catolé, do Horto do Padre Cícero, Juazeiro do Norte, Ceará. Para isso, foram realizadas atividades no contexto das ações do projeto “Vivências raízes do Horto”, durante o primeiro semestre de 2025, utilizando uma abordagem qualitativa e participativa, que incluiu rodas de conversa, reconhecimento de plantas medicinais e compartilhamento de experiências, articulando as vivências dos participantes aos conhecimentos ancestrais dos mesmos. Como resultados, verificou-se que as gerações mais jovens do povo Kariri da Serra do Catolé têm pouca vivência com os saberes etnobotânicos locais, o que contribui para o apagamento cultural e reforça estigmas. Sobre temas ambientais, as discussões trouxeram falas sobre o desmatamento, mudanças climáticas, uso de plantas medicinais, deslocamentos territoriais forçados e dificuldades de sobrevivência em áreas degradadas do território. Portanto, conclui-se aqui a necessidade permanente de valorização dos saberes tradicionais como prática educativa visando fortalecer os direitos humanos dos povos indígenas, bem como promover a retomada identitária e ações voltadas a mitigação das mudanças climáticas em territórios tradicionais do cariri cearense.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E INCLUSÃO: O PPP QUILOMBOLA COMO PRÁTICA DE BEM-VIVER
CARLOS EDUARDO DE ALENCAR; Francisca Ranielly de Brito Macêdo; Jany Mery Alencar Leite
O fortalecimento da educação escolar quilombola é fundamental para a luta histórica dos povos negros por direitos, reconhecimento e dignidade. No sertão do Ceará, essa luta ganha forma na comunidade quilombola do Sítio Arruda, no município de Araripe, com a consolidação da Escola Municipal Santa Verônica. Mais do que um espaço de ensino, a escola se constitui como território de resistência, bem-viver e protagonismo comunitário. As diretrizes para as ações educativas desenvolvidas na escola constam no Projeto Político-Pedagógico Quilombola (PPPQ), construído de forma coletiva. Com base nesse documento norteador, o objetivo central desta pesquisa é verificar a implementação das ações propostas no PPPQ, destacando sua contribuição para a promoção de uma educação contextualizada, antirracista e comprometida com a inclusão, a sustentabilidade e a justiça social. Para tanto, a metodologia utilizada foi de natureza qualitativa, baseada na análise documental do PPPQ, em observações do cotidiano escolar e na sistematização das práticas pedagógicas realizadas, sendo a pesquisa conduzida no primeiro semestre de 2025. Como resultados, verificou-se que o documento orienta ações que integram os eixos de memória, oralidade, território, ancestralidade e educação ambiental, com impacto direto na vivência escolar. Destacam-se, entre essas ações, a implementação de hortas agroecológicas, oficinas de capoeira e futebol, oficinas de educação ambiental e o desenvolvimento dos projetos Afrobrincar no terreiro da escola e Palavras de Cor, voltado à mediação da literatura negra na formação de alunos leitores. Essas práticas vêm ampliando os vínculos entre escola e comunidade e fortalecendo a identidade quilombola como eixo estruturante da formação integral dos estudantes. Assim, a experiência da Escola Santa Verônica reafirma a potência de um projeto político-pedagógico comprometido com o bem- viver, a equidade étnico-racial e a transformação social a partir do chão da escola.
Palavras-chave: Currículo antirracista, Gestão democrática, Justiça social, Literatura negra, Saberes tradicionais
Oral
Abrir o trabalhoERVAS NA MEDICINA TRADICIONAL TRUKÁ: PREPAROS E TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS
SAULO QUINTANA GOMES; Kauan Gabriel dos Santos Silva; Cristiano Antônio dos Santos
Numerosas pesquisas têm explorado os saberes tradicionais sobre a manipulação de plantas no preparo de medicamentos. Está é uma das práticas através das quais grupos sociais utilizam conhecimentos tradicionais para resolver seus problemas cotidianos fortalecendo sua identidade. Tais práticas dialogam com saberes da ciência ocidental moderna, tanto no que diz respeito à manipulação das substâncias quanto à prescrição e à administração para o tratamento de uma doença. Interessa ao ensino de ciências pensar os processos de transmissão tanto dos saberes tradicionais quanto dos saberes científicos, com atenção para os diálogos que entres eles se estabelecem, para o rompimento com a educação colonizadora. O presente trabalho faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo – que vem investigando os saberes de povos indígenas e suas implicações para o ensino de química e das ciências em geral – e objetiva investigar os saberes sobre a natureza e as transformações da matéria presentes nas tradições do povo Truká. Destacam-se aqui os saberes sobre a manipulação de ervas no preparo de medicamentos, bem como os processos de transmissão destes conhecimentos. Foram feitas entrevistas semiestruturadas com cinco mulheres Truká possuidoras de saberes tradicionais. As entrevistas foram transcritas e investigadas por Análise de Conteúdo. Nas entrevistas foram identificadas práticas Truká sobre a manipulação de sete diferentes vegetais indicados para a preparação de labedores, chás e banhos. Foram observadas variações nas recomendações de preparação e uso entre as diferentes informantes, mas todas elas destacam a transmissão oral familiar de seus conhecimentos. Foram identificadas relações interculturais nas entrevistas, especialmente quando o uso de uma preparação é justificado a partir de conceitos da ciência ocidental. Implicações para a Educação Escolar Indígena Truká – em particular para o ensino de química – são discutidas a partir dos dados coletados.
Palavras-chave: nterculturalidade,Saberes Indígenas,Povo Truká,Ensino de Química
Oral
Abrir o trabalhoESCOLA DE CAPOEIRAS: SOBRE A CAPOEIRA ANGOLA ENQUANTO VIVÊNCIA DE EDUCAÇÃO
KALUANAM LEITE DUARTE; Abraão dos Santos Aragão; Rubens Venâncio
O projeto de extensão “Escola de Capoeiras” é uma ação da Terreiro Capoeira Cariri e do grupo de pesquisa uaná | fotografia, pesquisa, poéticas (CNPq / URCA) que tem por objetivo criar um espaço de acontecimentos para as pesquisas que entrelaçam a educação antirracista (Carine, 2023) e o campo artístico por meio de estudos e práticas de capoeira angola. Atuando em parceiria com o Grupo de Valorização Negra do Cariri – GRUNEC, com a EEEP Aderson Borges de Carvalho e com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER – URCA), estabelecemos um ambiente imersivo para trocas, vivências e reflexões sobre a capoeira angola a fim de suscitar o interesse do público interno e externo à universidade para o conhecimento da capoeira como patrimônio cultural brasileiro. Para essa ginga, jogamos na roda das pesquisas de Tavares (2012), Mata Machado e Araujo (2015) Cunha Junior (2018) e Silva (2020). Como resultado, mantemos atividades semanais nos espaços do GRUNEC e da EEEP Aderson Borges de Carvalho. Outro importante resultado, foi a realização do I Ciclo de Vivências em Capoeira que ofereceu, nas dependências da URCA, uma oficina de capoeira angola aberta à comunidade e uma vivência chamada Roda de Miolagem, realizada no Ponto de Cultura Terreiro das Pretas na cidade de Crato – CE.
Palavras-chave: Capoeira Angola,Educação,Extensão Universitária,Patrimônio Cultural
Oral
Abrir o trabalhoExperiência de uma educação antirracista a partir do Projeto Cariri Sem Fronteiras: conectando idiomas, culturas e comunidades.
VIVIA BORGES DA SILVA
O presente trabalho tem como objetivo apresentar um relato de experiência, como coordenadora, das ações desenvolvidas pelo Projeto Cariri Sem Fronteiras: conectando idiomas, culturas e comunidades, vinculado à Pró-Reitoria de Cultura da Universidade Federal do Cariri (UFCA). O projeto busca desde a sua concepção contribuir para uma educação antirracista no contexto do ensino superior por meio de ações que aproximem as culturas dos estudantes oriundos de países africanos, integrantes do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), com a cultura dos estudantes locais a partir da troca de experiências entre os membros dos diversos cursos de graduação da UFCA. A troca de saberes dá-se no formato de cursos de línguas, exposições e interações que promovem o conhecimento e valorização da cultura africana, bem como fomente uma educação antirracista. Além disso, a proposta do projeto visa comunicar aos participantes que o ensino superior é um lugar de trocas, aprendizagens e empatia. .
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO CRÍTICA E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PROJETO DE EXTENSÃO Q-ERER
DENISE CAVALCANTE SARAIVA; Maria Lizandra Moreira de Souza
Este artigo apresenta um relato de experiência vivenciado por duas estudantes voluntárias no âmbito do projeto de extensão Q-ERER: (des)construindo saberes e epistemologias, vinculado à Universidade Regional do Cariri (URCA) e ao Núcleo de Estudos em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER/URCA), com atividades realizadas por meio de encontros remotos via plataforma Googlemeet. As ações do projeto são conduzidas e desenvolvidas pela coordenação do projeto e outros/as docentes colaboradores/as, com a participação ativa das autoras do presente estudo, por meio de leituras orientadas e discussões críticas. O projeto tem como proposta central promover práticas educativas antirracistas, articuladas à Educação para as Relações Étnico-Raciais, a partir da leitura problematizada de obras literárias produzidas por autorias negras e indígenas. O objetivo do artigo é refletir sobre a contribuição dessas leituras para o processo formativo de estudantes em graduação, sobretudo de licenciaturas, no que diz respeito à construção de uma educação democrática, crítica e comprometida com a efetivação das Leis 10.639/03 e 11.645/08. A construção do presente trabalho adota uma abordagem quantiqualitativa, baseada na organização e compreensões das experiências vivenciadas. O estudo fundamenta-se nas obras trabalhadas no projeto, "Quarto de despejo: Diário de uma favelada" de Carolina Maria de Jesus (2014), e "O perigo de uma história única" de Chimamanda Ngozi Adichie (2019), além dos estudos de Oliveira (2023) e outros/as autores/as. Conclui-se que a inserção da literatura não eurocêntrica em espaços educativos representa uma prática que potencializa a valorização de saberes historicamente silenciados e para o fortalecimento de uma educação antirracista.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: Experiencia dos bolsistas PETHL
ANALTINA ANTÓNIO CUSSITALA ; Aliu Tchalá; Franklin José Paulo
A formação de professores, em muitos momentos, tem deixado de lado temas ligados às questões raciais ao longo da formação de novos professores. O combate ao racismo é uma pauta muito necessária para a formação de professores comprometidos com a educação antirracista. A formação que o Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras proporciona aos seus bolsistas promove uma interação entre ensino, pesquisa e extensão nas suas atividades que estimulam e transformam o ambiente educativo mais inclusivo. ‘‘Temos ciência de que muito tem sido feito, mas que muito ainda temos que fazer [...], tendo em vista que encontramos facilmente resistência à participação em formações voltadas às africanidades’’ (Silva & Santos, 2022, p.120). Este trabalho tem o intuito de analisar a atuação PETHL na formação de professores para a uma prática pedagógica antirracista. Esta será uma pesquisa bibliográfica com uma abordagem qualitativa, a partir das observações feitas da atuação dos bolsistas PETHL em atividades formativas. O Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, com as suas atividades, tem preparado os estudantes com uma consciência social para sua atuação futura como professor. Contudo, a educação antirracista deve ser uma prática do dia-a-dia para a formação de uma sociedade justa e igualitária
Palavras-chave: PETHL,educação antirracista,formação de professores
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoGALHAPIS: Dispositivo estético/artístico em sala de aula
FLAUDEMIR SÁVIO SOUSA MENDES
"Galhapis : dispositivo estético/artístico em sala de aula" desdobra-se como um relato sensível da fusão entre teoria e prática no chão da arte-educação. O artigo narra a experiência vivida com graduandos de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri (URCA), onde um dispositivo artístico – quase um organismo vivo – ativou não apenas processos didáticos, mas ecologias de criação. Entre tintas, ideias e corpos em diálogo, a ação pedagógica floresceu no componente Pesquisa e Prática Pedagógica em Artes Visuais I, tecendo fios entre o fazer artístico e as teorias da educação. O "Galhapis" revelou-se então um catalisador: um convite aos estudantes para habitar a zona fronteiriça onde a poiética respira junto com a reflexão crítica. O arcabouço teórico (e artístico) que sustenta essa experiência é tão plural quanto necessário: das clássicas contribuições de Ana Mae Barbosa (Silva e Lampert, 2017) e Luigi Pareyson (1993) às metodologias de Sandra Rey (1996; 2002) e Dias e Irwin (2013); das vozes decoloniais de Luiz Rufino (2019; 2021) e Krenak (2019; 2022) até a filosofia africana como arte do encontro, proposta por Lopes e Simas (2021). O texto, assim, não apenas descreve: ele reverbera os ecos dessa prática – um murmúrio que continua a expandir-se após a última aula.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EPISTEMOLOGIAS NEGRAS: CONTRIBUIÇÕES PARA PRÁTICAS EDUCACIONAIS ANTIRRACISTAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
EYLLA MARIA JALES LEANDRO; Luiz Khalill Pinheiro Silveira
A pesquisa em andamento busca investigar o uso da inteligência artificial (IA) na criação de recursos pedagógicos que valorizem as epistemologias negras e contribuam para a consolidação de práticas educacionais antirracistas no contexto da educação básica brasileira. A partir da promulgação da Lei nº 10.639/2003, tornou-se obrigatória a inclusão da história afro-brasileira no currículo escolar. No entanto, ainda persistem desafios relacionados à implementação dessa legislação, como na produção de materiais didáticos que respeitem as contribuições do povo negro. Nesse cenário, ferramentas baseadas em IA estão sendo cada vez mais utilizadas na educação, com potencial para democratizar o acesso ao conhecimento e personalizar experiências de aprendizagem. O presente estudo propõe uma análise crítica sobre a atuação dessas tecnologias na construção de conteúdos que expressem saberes tradicionais, evitando a reprodução de estereótipos. Serão investigadas iniciativas que aplicam IA para geração de conteúdos educativos voltados à cultura negra, com destaque para o papel de algoritmos de recomendação. A pesquisa se apoia em referenciais teóricos sobre educação antirracista, epistemologias negras e ética da inteligência artificial, articulando aspectos técnicos e pedagógicos. Pretende-se contribuir para a reflexão sobre o desenvolvimento de tecnologias educacionais que dialoguem com os princípios da justiça racial, valorizem a diversidade e fortaleçam o senso de pertencimento de estudantes negros.
Palavras-chave: Inteligência Artificial, Educação Antirracista, Epistemologias Negras, Cultura Afro-brasileira,Lei 10.639/2003
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Abrir o trabalhoJOGAR PARA DESCONSTRUIR: UMA EXPERIÊNCIA ANTIRRACISTA NO ENSINO DE HISTÓRIA EM ICÓ/CE
LAIANY HENRIQUE FÉLIX
Este artigo apresenta um relato de experiência em uma escola pública do interior do Ceará, que teve com o objetivo analisar os efeitos de uma prática pedagógica antirracista mediada por um jogo educativo, aplicada nas turmas de 3º ano do Ensino Médio da Escola de Ensino Médio Vivina Monteiro, localizada no município de Icó. A proposta se insere no contexto da Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, mas cuja implementação ainda encontra entraves estruturais e simbólicos. A atividade foi elaborada com base em conteúdos que abordam personalidades negras históricas, saberes africanos e vivências quilombolas, organizados em um tabuleiro interativo. A pesquisa é caráter qualitativo e fundamentada na metodologia narrativa, utilizando observações sistemáticas e relatos espontâneos dos estudantes. Com a utilização do jogo para trabalhar temáticas ligadas aos povos africanos e afrodescendentes, os resultados indicaram não apenas maior engajamento dos alunos, mas também mudanças em suas percepções sobre identidade racial, ancestralidade e valorização da cultura negra. O jogo funcionou como ferramenta de escuta e provocação crítica, favorecendo espaços de diálogo e reconhecimento das múltiplas trajetórias presentes em sala de aula. Constatou-se ainda que a ludicidade, quando aliada a objetivos formativos, pode ser uma importante estratégia na promoção da educação antirracista. Conclui-se que práticas como esta são replicáveis em outros contextos escolares, sobretudo em regiões onde a formação continuada e o acesso a materiais específicos são limitados. A experiência reforça o papel do professor de História como mediador de memórias silenciadas e construtor de caminhos pedagógicos voltados à equidade racial.
Palavras-chave: Educação Antirracista, Ensino de História, Relações Étnico-raciais, Ludicidade, Escola Pública
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Abrir o trabalhoMATERIAL DIDÁTICO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA A PROMOÇÃO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO CARIRI CEARENSE.
EMANUELA DE MORAES SILVA; PAULA JESUS DOS SANTOS; JUDSON JORGE DA SILVA
O ensino da História e Cultura afro-brasileira e indígena nas escolas é essencial para a construção de uma educação plural e democrática. A obrigatoriedade de seu ensino, com as leis 10.639/03 e 11.645/08, representa um avanço no combate ao apagamento histórico desses grupos. No entanto, ainda persistem desafios na aplicação efetiva dessas diretrizes, como, por exemplo, a falta de material didático adequado e a continuidade de visões estereotipadas de povos de origem não europeia. Estudar e ensinar as contribuições dos povos indígenas e africanos no Brasil vai além do cumprimento de leis educacionais: é uma ferramenta de descolonização do currículo, promovendo uma educação antirracista e o reconhecimento da identidade de alunos negros e indígenas, ampliando também o horizonte da diversidade dos demais estudantes. A abordagem de um ensino intercultural enriquece o aprendizado de todos os alunos, desenvolvendo respeito e desconstruindo narrativas que marginalizam a história das populações negras e indígenas no Brasil. Pesquisas desenvolvidas por Munanga (2005), Gomes (2012) e Munduruku (2009) destacam que a educação antirracista fortalece a identidade desses grupos e combate a discriminação estrutural. Portanto, buscamos com esse neste trabalho reforçar a importância das práticas pedagógicas, com o uso ou não de tecnologias, que integrem de forma crítica e reflexiva as histórias e culturas afro-brasileira e indígena no ambiente escolar.
Palavras-chave: Materiais didáticos,tecnologias digitais,população afro-brasileira e indígena
Oral
Abrir o trabalhoMEMÓRIAS QUE CURAM: SABERES ANCESTRAIS E A ARTE DE CURAR A PARTIR DAS REZAS, ERVAS E DA MEDICINA POPULAR
MARIA FLÁVIA PEREIRA JUVINO; Ana Crislainy Martins da Silva; Cícero Bernardino da Silva
Adentrar o universo das rezadeiras e erveiras permite observar uma cultura construída com base em práticas sincréticas desenvolvidas ao longo do tempo. Neste trabalho, busca-se refletir sobre saberes medicinais populares sob a perspectiva da sustentabilidade e dos conhecimentos ancestrais, reconhecendo sua importância para a cultura local, a saúde comunitária e o uso consciente dos recursos naturais. A pesquisa está sendo desenvolvida a partir de entrevistas de campo (História Oral), nas quais a memória funciona como suporte para manter vivas essas tradições. Nego Bispo (2023) nos recorda da importância dos modos e seus vieses, fundamentais em práticas e saberes que se tornam arte ao manejar a natureza, adaptando-se ao ambiente e ao tempo. A conexão entre espiritualidade e conhecimento popular é marcada por práticas que nos vinculam aos nossos antepassados, os quais repassaram seus conhecimentos relativos ao cultivo das ervas medicinais e ao seu uso adequado. Dessa forma, as ervas constituem uma farmácia acessível no terreiro de casa. É essa relação íntima com a natureza que caracteriza as erveiras e rezadeiras entrevistadas, permitindo-nos investigar os motivos do desinteresse das novas gerações. Essas mulheres produzem remédios que transcendem a cura de enfermidades físicas, alcançando dimensões espirituais e emocionais, e conectam-se ao divino por meio de suas intercessões, garantindo o bem-estar daqueles que as procuram. Destacam-se neste trabalho as histórias dessas rezadeiras e erveiras que, através de seus conhecimentos, buscam "reflorestar o imaginário", como bem nos diz Ailton Krenak (2022). O estudo enfatiza, portanto, a importância de preservar esses saberes ancestrais mantidos por homens e mulheres que estabelecem uma relação sustentável com a natureza. Tornar visíveis suas histórias, suas conexões com o sagrado e suas narrativas de cura constitui medida essencial para garantir que esse patrimônio imaterial não desapareça.
Palavras-chave: Saberes ancestrais,Natureza,História oral,Medicina Popular,Sustentabilidade
Resumo Simples
Abrir o trabalhoO CANDOMBLÉ JUAZEIRENSE: ENTRE ROTAS E MEMÓRIAS
MARIA EDINA MARQUES FERREIRA
O presente trabalho tem como objetivo discutir as rotas de estabelecimento do candomblé em Juazeiro do Norte através das memórias das mães de santo, lideranças afrorreligiosas. A pesquisa tem uma abordagem interdisciplinar e utiliza a metodologia da História Oral compreendo que a oralidade, assim como memória são elementos fundantes e fundamentais dessas comunidades afrorreligiosas. A oralidade por ser um traço constitutivo dessas comunidades e a memória por ser um elemento pelo qual a memória é acessada, selecionada e narrada. O gênero também se constitui como um importante conceito que estrutura esta pesquisa em virtude de as fontes dessa investigação serem lideranças femininas nos terreiros de candomblé e das tensões em torno das dinâmicas de implantação e visibilidade das casas de Axé. Assim, esta pesquisa apresenta o mapeamento dos terreiros de candomblé de Juazeiro do Norte, bem como as distintas rotas entre os primeiros terreiros de candomblé na capital, Fortaleza, e no interior do Cariri, em Juazeiro do Norte, ainda que estejam situados temporalmente próximos.
Oral
Abrir o trabalhoO CURSO CABOCLINHA DA JUREMA: FORMAÇÃO AUDIOVISUAL INDÍGENA” COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO E CIRCULAÇÃO DAS MEMÓRIAS E PRÁTICAS CULTURAIS INDÍGENAS NA SERRA DO CATOLÉ POR MEIO DO CINEMA
FRANCISCO HUGO NUNES ALVES ; Maria Fernanda Sousa de Oliveira; Maria Raynara de Brito Macedo
Este trabalho tem como objetivo analisar os frutos do curso “Caboclinha da Jurema: formação audiovisual indígena”, iniciativa voltada à valorização e circulação das memórias e práticas culturais indígenas na Serra do Catolé, localizada entre os municípios de Juazeiro do Norte e Crato, tendo como público-alvo os jovens das comunidades do Horto, Vila Planalto, e Sítio Catolé, Serraria, Popôs e Leite, com encontros em variadas comunidades entre abril a dezembro de 2024. Cabe destacar a formação resultou na produção cinematográfica de dois curtas-metragens: “Maria Piauí” (13’) e Histórias e Encantarias da Serra do Catolé (20’), bem como a realização da I Mostra de Cinema Indígena da Serra do Catolé, realizada em março e abril de 2025. Na contemporaneidade, muitos povos se utilizam da produção audiovisual enquanto um instrumento de comunicação e formação, intrinsecamente ligado à sua autoafirmação e luta territorial (Quintero e Zanforlin, 2024). A metodologia adotada envolveu a introdução ao roteiro, acessibilidade, jogos teatrais e criatividade em um contexto intercultural indígena, unido a exibição de produções audiovisuais indígenas do Nordeste, que representavam diferentes povos e saberes de distintas etnias. O curso foi realizado pela Coletiva Maria Piauí e a Organização do Povo Kariri da Serra do Catolé, sendo concebido como uma ferramenta capaz de mobilizar as memórias ancestrais dos habitantes do território, ao mesmo tempo em que proporciona novos referenciais sobre as múltiplas formas de ser indígena, contribuindo para a desconstrução de estereótipos relacionados a esses povos. As sessões de exibição foram seguidas por rodas de conversa que promoveram reflexões sobre os curtas apresentados e as vivências das comunidades. Trata-se, portanto, de um projeto de relevância social e cultural, comprometido com a valorização da diversidade e o fortalecimento das tradições indígenas.
Oral
Abrir o trabalhoO DESCANSO DAS ALMAS’ NA RECRIAÇÃO DAS NARRATIVAS ORAIS DA SERRA DO CATOLÉ (JUAZEIRO DO NORTE-CE)
LARYSSA RAYANNE PEREIRA DYAS ; Maria Raynara de Brito Macedo
Este trabalho tem como objetivo desenvolver práticas pedagógicas que fortaleçam a identidade étnico-racial dos moradores da Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte-CE, a partir do curta-metragem “O descanso das almas”. A partir de narrativas orais sobre ancestralidades indígenas presente nessa obra, sob direção de Joedson Kariri e Juma Pariri, busca-se compreender a formação socioespacial da comunidade e promover uma educação crítica, contextualizada e antirracista. O estudo parte da crítica às práticas pedagógicas tradicionais, que frequentemente ignoram os sujeitos e territórios indígenas, contribuindo para o apagamento de suas memórias e saberes. A metodologia está dividida em três etapas: levantamento teórico, com leituras sobre o reaparecimento político do povo indígena no Ceará (Ratts, 2009; Nascimento, 2023), a presença indígena em Juazeiro do Norte nos circuitos ritualísticos (Macedo, Teixeira, Souza, 2023; Pereira, et. al, 2024) e a educação antirracista pelo movimento indígena educador (Nunes, 2022; Munduruku, 2012); trabalho de campo com a miolagem através da exibição do curta-metragem; e, por fim, a análise e sistematização dos dados com devolutiva à comunidade. A partir da relação espiritual e territorial dos Kariri com uma árvore sagrada da região, o tamboril, conhecida localmente como “O descanso das almas”, este curta potencializa o valor simbólico e ancestral dos povos indígenas da região, possibilitando trazer à tona os saberes locais e a escuta ativa dos moradores. Dessa maneira, através do cinema como acionador da memória, esse curta explora os relatos sobre a resistência cultural dos Kariri, denuncia o impacto da urbanização e da destruição de territórios sagrados, mostrando o desaparecimento do tamboril e revela as consequências para a memória e espiritualidade indígena. Através dos relatos de Joedson e sua família, o documentário propõe uma reflexão sobre a importância da preservação da memória, da natureza e da ancestralidade indígena em meio a
Palavras-chave: Educação Antirracista,Sequecia Didática,Indigena Kariri
Oral
Abrir o trabalhoO ENSINO DAS RELAÇÕES CÉU-TERRA NA PERSPECTIVA DO POVO TRUKÁ
CRISTIANO ANTONIO DOS SANTOS; Kauan Gabriel dos Santos Silva; Yasmim Rochelly da silva; Saulo Quintana Gomes
Este trabalho tem como objetivo o fortalecimento cultural e a promoção de diálogos interculturais na educação escolar indígena Truká. Baseia na oralidade, nas interações entre anciãos e curumins, na forma como o povo Truká vem transmitindo de uma geração para outra seus conhecimentos ancestrais relacionados ao céu. Deste modo, dialogando com a pesquisa desenvolvida pelo pesquisador e professor indígena Cristiano Antonio dos Santos (2022), no presente estudo propomos, por meio da metodologia de roda de conversa, socializar e popularizar em uma intervenção decolonial os conhecimentos ancestrais sobre a relação céu-terra na perspectiva do povo Truká, com os estudantes do 5ª ano do ensino fundamental da Escola Estadual Indígena Manoel Deodato, localizada na aldeia Caatinguinha, Ilha da Assunção, Cabrobó/PE. A intervenção será realizada pautada nas diretrizes da educação intercultural e o fortalecimento das relações étnico-raciais, contando com atividades de interação e diálogo interculturais entre anciãos e estudantes, aulas expositivas e atividades artísticas. Como hipóteses, supõe-se que a intervenção reforce o sentimento de pertencimento ao povo, bem como o vínculo cultural entre estudantes e anciãos, contribuindo também para o ensino de ciências. Para verificação das hipóteses formuladas, utilizaremos dados coletados através de textos e desenhos produzidos pelos estudantes após a intervenção, bem como entrevistas com alguns participantes (estudantes e anciões). Estes dados serão analisados através da análise de textual discursiva (Moraes, 2003).
Oral
Abrir o trabalhoO JOGO DE TABULEIRO SHISIMA COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA
PEDRO VICTOR ARAÚJO DOS SANTOS
Este trabalho apresenta uma análise do uso do jogo de tabuleiro africano Shisima como ferramenta pedagógica no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, com foco na abordagem da Diáspora Africana. A proposta visa atender à Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatória a inclusão desses conteúdos no currículo escolar. Apesar dos avanços legais, persistem desafios como a escassez de materiais didáticos específicos, a falta de formação docente adequada e a permanência de práticas pedagógicas eurocentradas. A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Salgueiro, com turmas do segundo ano do Ensino Médio Integrado, envolvendo 55 estudantes. Com abordagem qualitativa e exploratória, foram utilizadas aulas expositivas, aplicação do jogo em grupos e rodas de conversa. O jogo Shisima, tradicional na África Oriental, especialmente no Quênia, foi contextualizado historicamente e ressignificado como meio de promover reflexões sobre racismo, estereótipos e valorização da cultura afrodescendente. Os resultados indicaram um aumento no engajamento dos alunos, ampliação de repertórios culturais e superação de visões estereotipadas da África. Fundamentada em autores como Munanga, Gomes e Pereira & Giacomoni, a proposta defende o uso intencional de jogos como instrumentos pedagógicos e políticos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece o papel das práticas lúdicas na promoção da diversidade e da equidade, onde o jogo o Shisima se mostrou um recurso eficaz para o fortalecimento da identidade estudantil, a construção de uma escola mais inclusiva e o combate ao racismo estrutural.
Oral
Abrir o trabalhoO PAPEL DAS COMISSÕES TEMÁTICAS NA PROMOÇÃO DA DEMOCRACIA E DO ACESSO À JUSTIÇA: O CASO DA COMISSÃO DE IGUALDADE RACIAL DA OAB DE JUAZEIRO DO NORTE – CE
FÁBIO VINÍCIUS SILVA SOUSA; Francisca Janiele Felipe Feitosa; Francisco de Assis Severo Lima
O artigo tem por objetivo analisar o papel das comissões temáticas como mecanismos de fortalecimento da democracia participativa e de promoção do acesso à justiça, para tanto tomamos como objeto de estudo a criação e atuação da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsseção de Juazeiro do Norte/CE. A pesquisa parte da premissa de que uma advocacia engajada, em diálogo com movimentos sociais e coletivos de valorização da cultura negra, é capaz de ampliar a representatividade e incidir sobre estruturas institucionais, na luta contra o Racismo. Busca-se, assim, evidenciar a relevância do trabalho jurídico voltado à efetivação dos direitos sociais e à identificação de violações a princípios fundamentais, especialmente no que se refere à população negra, historicamente afetada no contexto nacional. Dessa forma, a pesquisa visa problematizar como a criação da referida comissão representa a institucionalização de uma demanda social por equidade racial e maior representatividade nos espaços de poder. Por meio da abordagem qualitativa e do método do estudo de caso, serão examinadas a origem, a composição e as principais ações da comissão, ressaltando seu papel na visibilização das pautas étnico-raciais e no enfrentamento ao racismo estrutural. Ao final, busca-se compreender como a comissão através da participação e elaboração de/em eventos, criação de projetos (como exemplo: Escola sem Racismo), pode se constituir um instrumento de promoção da cidadania, de democratização do acesso à justiça e de consolidação de uma advocacia comprometida com os direitos humanos, a justiça social e a democracia racial.
Palavras-chave: Comissões Temáticas; OAB; Igualdade Racial; Acesso à Justiça Democracia.
Oral
Abrir o trabalhoPRESENÇA INDÍGENA E RACISMO AMBIENTAL NA COMUNIDADE DO HORTO, SERRA DO CATOLÉ, JUAZEIRO DO NORTE, CEARÁ
MARIA NAYARA DA SILVA; Priscila Orlandini; Rayane de Tasso Moreira Ribeiro
A presença indígena em áreas urbanas e periurbanas tem sido historicamente invisibilizada por políticas de planejamento que desconsideram seus modos de vida, saberes e direitos territoriais. Na Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte (CE), essa realidade se expressa em processos de marginalização e na sobreposição de interesses que ameaçam a integridade dos territórios tradicionais e do meio ambiente. Diante desse contexto, o objetivo desta pesquisa é analisar as dinâmicas da presença histórica e atual dos povos indígenas na comunidade do Horto do Padre Cícero, localizada na Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte, bem como compreender como se manifestam as formas de racismo ambiental que incidem sobre o território. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada na etnografia e na pesquisa-ação participativa, com análise documental e oficinas comunitárias, além de mapeamento participativo dos impactos ambientais no território. Os resultados apontam para a invisibilidade desses povos nos discursos oficiais, a distribuição desigual de ônus ambientais e a negação sistemática de direitos territoriais. Evidenciou-se também a urgência de políticas públicas inclusivas que reconheçam a presença indígena, assegurem a justiça ambiental e fortaleçam a autonomia das comunidades na defesa de seus territórios e modos de vida.
Palavras-chave: Cariri cearense,Impactos ambientais,Justiça socioambiental,Resistência indígena,Direitos territoriais
Oral
Abrir o trabalhoRaízes Ancestrais: A prática do Maracatu para uma Educação Antirracista
LETÍCIA RAMALHO NASCIMENTO; Janderson Felipe Saldanha Oliveira
Este trabalho apresenta um relato de experiência pedagógica vivenciada no projeto “Raízes”, realizado em 2023 na EEMTI Romeu de Castro Menezes, localizada no bairro Nova Metrópole, em Caucaia (CE). A iniciativa teve como principal objetivo atender às diretrizes da Lei nº 11.645/08, que torna obrigatória a inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar. A proposta buscou promover o reconhecimento e a valorização das identidades ancestrais dos estudantes, estimulando o contato com suas origens por meio da escuta de histórias familiares e comunitárias relacionadas aos saberes africanos e indígenas. De caráter interdisciplinar, o projeto envolveu todas as áreas do conhecimento e mobilizou as turmas do ensino médio em uma série de atividades artístico-culturais, como apresentações teatrais, danças, exibição de curtas-metragens e exposições fotográficas. Um dos destaques foi a participação da turma do 2º ano, que apresentou uma encenação de maracatu com alguns dos seus elementos tradicionais: porta-estandarte, rainha, rei e batuqueiros. A apresentação incluiu o canto de uma loa e a cerimônia simbólica da coroação da rainha negra do maracatu. Antes da performance, os alunos participaram de momentos formativos sobre a história do maracatu, seus personagens, músicas, instrumentos e toques característicos. Como reconhecimento pelo trabalho realizado, a escola foi contemplada, ainda em 2023, com o Selo Escola Antirracista, concedido pela Secretaria da Educação do Ceará a instituições que desenvolvem ações comprometidas com a equidade racial e o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar.
Palavras-chave: educação antirracista, maracatu, interdisciplinaridade
Oral
Abrir o trabalhoREESCREVENDO A PSICOLOGIA: AS CONTRIBUIÇÕES DE AUTORAS NEGRAS PARA O SABER PSICOLÓGICO.
ALINE KELLY SOUZA DO NASCIMENTO; Maria Eduarda do Carmo Gomes; Vanessa Queiroz de Sousa
O seguinte trabalho pretende analisar o apagamento histórico das contribuições de intelectuais femininas, especificamente de autoras negras, e como as produções científicas produzidas por essas figuras podem contribuir positivamente na prática psicológica. Segundo Nobre (2024), ainda é possível observar a presença de obstáculos nos ambientes acadêmicos no que concerne à participação feminina, sendo a situação das mulheres negras mais preocupante, já que sofrem preconceito tanto de gênero como de raça. A invisibilização de pensadoras femininas, apesar da existência de uma maior abertura para a inclusão dessas personagens no contexto acadêmico, é um cenário ainda vigente e mais acentuado ao considerarmos intelectuais negras. Ao colocarmos em perspectiva que a construção da Psicologia enquanto ciência foi e continua sendo marcada por uma base eurocentrada, é visível um silenciamento de outras epistemologias que emergem das experiências racializadas e territoriais. Diante dessa conjuntura, é necessário compreender que a estruturação do ensino de Psicologia é diretamente impactada por essa lacuna de representatividade, sendo necessária uma reformulação para abarcar essas visões historicamente apagadas, construindo uma ciência que dialogue e compreenda as múltiplas realidades presentes em nossa sociedade. Desse modo, buscamos evidenciar as contribuições de mulheres negras como Neusa Santos, Virgínia Bicudo e Lélia González, intelectuais que oferecem importantes contribuições para refletirmos sobre realidades que passaram por séculos de apagamento, buscando a construção de uma Psicologia contextual e refletindo sobre os efeitos subjetivos e sociais dessa invisibilização, bem como as possibilidades de transformação curricular. Assim, este trabalho se insere no esforço de construção de uma Psicologia antirracista e libertadora, que reconheça a pluralidade de vozes como fundamento ético e político da formação e atuação profissional.
Palavras-chave: Mulheres negras; Psicologia; Eurocentrismo; Decolonialidade
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoSABERES QUILOMBOLAS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO CARIRI OESTE: A ESCOLA SANTA VERÔNICA COMO ESPAÇO DE RESISTÊNCIA
CARLOS EDUARDO DE ALENCAR; Francisca Ranielly de Brito Macêdo; Jany Mery Alencar Leite
O Sítio Arruda, localizado no município de Araripe, no sertão cearense, é uma comunidade quilombola marcada pela luta das populações negras por território, reconhecimento e dignidade. Nesse contexto, a Escola Santa Verônica representa uma importante experiência de educação contextualizada, constituindo-se como espaço de resistência, afirmação cultural e construção de justiça social. O presente trabalho tem como objetivo analisar o Projeto Político-Pedagógico Quilombola (PPPQ) da escola, compreendendo como ele contribui para a valorização da cultura afro-brasileira, o fortalecimento da identidade étnico-racial e a implementação de práticas pedagógicas antirracistas no contexto da educação escolar quilombola. A pesquisa baseou-se na análise documental e em observações realizadas na escola e comunidade, durante o primeiro semestre de 2025, com foco em ações relacionadas à educação ambiental, agroecologia, plantas medicinais, celebrações culturais e saberes ancestrais integrados ao currículo. Como resultados, observou-se que, mesmo diante de desafios como escassez de recursos, rotatividade docente e limitações estruturais, a escola consolida práticas educativas fundamentadas na memória coletiva, nos valores comunitários e na ancestralidade negra. Dentre as ações, destacam-se o uso pedagógico de plantas nativas, a implantação de uma horta agroecológica, o ensino integral com foco nas tradições locais e as celebrações do Dia da Consciência Negra. Conclui-se que a Escola Santa Verônica se configura como um território educativo de resistência, onde a educação quilombola é entendida não apenas como direito, mas como ferramenta de transformação social. A experiência reforça a importância de políticas públicas específicas e de projetos pedagógicos construídos com a comunidade, comprometidos com a reparação histórica, o reconhecimento identitário e a justiça racial no sertão cearense.
Palavras-chave: Currículo antirracista,identidade étnico-racial,justiça racial,projeto politico pedagógico,saberes ancestrais
Oral
Abrir o trabalhoSABERES TRUKÁ SOBRE A NATUREZA E AS TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA
SAULO QUINTANA GOMES; Ailane dos Anjos da Silva; Cristiano Antônio dos Santos
No ensino de ciências a tendência é reproduzir uma lógica colonial universalista e exclusivista da ciência, que ignora outras formas de conhecer a natureza. Para o rompimento com a educação colonizadora, pesquisadores têm explorado noções como atitude intercultural e diálogo de saberes, campo teórico no qual o presente trabalho se insere. Ele faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo – que vem investigando os saberes de povos indígenas e suas implicações para o ensino de química e das ciências em geral – e objetiva investigar os saberes sobre a natureza e as transformações da matéria presentes nas tradições do povo Truká. Foram feitas entrevistas semiestruturadas com indígenas Truká possuidores de saberes tradicionais. As entrevistas, oito no total, foram transcritas e investigadas por Análise de Conteúdo. Nas entrevistas foram identificadas práticas Truká sobre (1) o processamento da mandioca na fabricação de beiju, farinha e goma, (2) o uso de diferentes plantas medicinais, agrião, marcela, arruda, tanchagem e alumã – incluindo técnicas de manejo, colheita e preparo para uso –, (3) técnicas agrícolas e sua relação com o clima e com as fases da lua – e, (4) a produção de doce de mamão. Foram também narradas práticas sociais de compartilhamento tanto do trabalho quanto dos produtos obtidos. Este conjunto de saberes poderá ser utilizado para construção de práticas de ensino interculturais voltadas para o ensino de química dos Truká.
Palavras-chave: Interculturalidade,Saberes Indígenas,Povo Truká,Ensino de Química
Oral
Abrir o trabalhoTerritório do samba e do axé: Representação da religião de matriz africana no samba de roda em Barbalha, Ceará
KARLA VICTÓRIA TELES SIQUEIRA; Emanuela de Moraes Silva; Cassio Expedito Galdino Pereira
Este trabalho tem como propósito mostrar o processo de retomada das memórias e ancestralidades do povo afro-brasileiro, através da valorização do samba enquanto ritmo cultural e religioso na cidade de Barbalha, Ceará. Trazendo as raízes da construção socioespacial e econômica da localidade, Barbalha é constituída a partir do trabalho de escravizados, que vieram no processo de diáspora africana, produzindo novas territorialidades. Porém, é recorrente o apagamento da presença e identidade negra no município, sendo muitas vezes este colocado como reduto dos colonizadores brancos. Compreendendo o samba de roda enquanto instrumento de valorização da cultura negra, com seu ritmo irreverente e único que está associado a sua origem ancestral, o samba do grupo Capadócia vem carregado de afeto, carinho e respeito pela cultura negra barbalhense. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar a representação social do samba da Capadócia como processo de retomada da cultura, identidade e ancestralidade negra no território de Barbalha. A metodologia foi baseada em uma abordagem qualitativa, tendo como finalidade ser uma pesquisa explicativa, tomando como base o estudo de campo no samba do grupo Capadócia, que acontece na rua do Vidéo, centro de Barbalha. Assim podemos constatar que a maior parte do público que faz-se presente é negra e faz parte de uma religião de matriz africana, sentindo-se representados pelo momento, tornando ali um espaço de reflexão e resistência. A fé é tratada dentro da roda de samba, com pontos cantados em casas de axé, ritmados em toques de origem africana e/ou afrodescendente, apresentando a força e fé dos filhos de Ogum. Portanto, o samba do grupo Capadócia tem possibilitado o fortalecimento e/ou desenvolvimento da cultura e identidade negra, mostrando a presença do povo de terreiro existente no município.
Palavras-chave: Cultura,Ancestralidade,Capadócia
Oral
Abrir o trabalhoUMA EXPERIÊNCIA NA APLICAÇÃO DA LEI 10.639/2003: NEABI CLUBE DA HISTÓRIA E A EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NA ESCOLA PROFISSIONALIZANTE PAULO BARBOSA LEITE.
JOÃO PAULO DE LEMOS; José Laert Santos Almeida; Kayke Januário da Silva; Maria Gabriela Gomes de Lima
A construção docente perpassa diversos paradigmas: sociais, culturais, educacionais, entre outros. Desde que a obrigatoriedade do ensino de História, literatura e cultura afrobrasileiro foi implementada em 2003 acaba recaindo sobre o historiador a responsabilidade por realizar atividades – muitas vezes em atividades extraclasse – para que os debates possam acontecer e a formação discente ocorra. Um dos desafios encontrados é justamente organizar o tempo para que haja participação dos alunos nas atividades propostas. Diante das perspectivas e a partir da construção da Jornada Antirracista em 2021; surge o grupo de estudos chamado NEABI Clube da História. Local onde nos propomos a debates a temática antirracista e que a partir do olhar sensível dos estudantes presentes nos possibilitou a caminhar na construção de um projeto que viabilizasse a participação no Ceará Científico de 2024, onde ficamos em segundo lugar na Fase Regional – Crede 19, onde buscamos falar das rezadeiras e sua importância social em Caririaçu. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo descrever como as atividades do grupo de estudos possibilitam aos estudantes participantes observar como o racismo é arraigado e intrínseco em nossa sociedade e como entender suas manifestações a partir de leituras como o Pequeno manual antirracista da Djamila Ribeiro; Colorismo da Alessandra Devulsky; Racismo Recreativo do Adilson O amanhã não está a venda do Ailton Krenak, entre outros que fomentam os debates para a construção da Jornada Antirracista.
Palavras-chave: Educação Antirracista,História,Ensino de História,Grupo de Estudos
Resumo Simples
Abrir o trabalho‘DOS TRAÇADOS DA PALHA AOS TRAÇADOS DOS MAPAS’: MAPEAMENTOS DAS TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS DAS MULHERES ARTESÃS DA PALHA DA SERRA DO CATOLÉ
CICERA MICHERLANYA PEREIRA TELES; Maria Ramonieli Freitas Gonçalo; Graziela Vieira Leite; Cassio Expedito Galdino Perreira
O presente trabalho tem como foco desenvolver, por meio de mapeamentos colaborativos, as trajetórias socioespaciais da atuação das mulheres indígenas artesãs na confecção de artefatos de palha na região do Cariri cearense, com foco especial na associação localizada na Serra do Catolé, conhecida popularmente como bairro do Horto, em Juazeiro do Norte, Ceará. Observa-se, ainda, que a produção artesanal é marcada por histórias dos saberes tradicionais dos povos indígenas (originários). Desde a fundação da cidade, muitos indígenas vêm em romaria para o Juazeiro do Norte, e com isso trouxeram a arte dos artefatos de palha. Nesse contexto, o principal objetivo é apresentar a origem e as trajetórias socioespaciais das mulheres indígenas artesãs na confecção de artefatos de palha através de mapeamentos colaborativos. Para tanto, essa pesquisa, que possui uma abordagem qualitativa, é de caráter descritiva e exploratória, se fundamentando em uma base teórica que abordam asuntos relacionados ao tema, especialmente Macedo, Teixeira e Sousa (2023), Savoro, Silva e Nötzold (2019), Coelho e Almeida (2019), com enfoque descritivo e analítico. Para coletar os dados utilizaremos entrevistas e observações sistemáticas dos tipos de produtos confeccionados e o processo de criação sobre palha. Como resultado, propomos trazer as trajetórias socioespaciais das mulheres indígenas da Serra do Catolé, apresentando os tipos de itens confeccionados das práticas artesanais que surgiram como alternativa de renda e empoderamento feminino, além de mostrar a forte influência dos povos indígenas na técnica utilizada no artesanato, tanto para a escolha dos materiais quanto para o conhecimento do método de trançado ao longo da sua vida. Conclui-se que a proposta desenvolvida representa um marco na história e na cultura das mulheres artesãs indígenas de saberes ancestrais, preservando tradições e fortalecendo a resistência da mulher indígena na região do Cariri cearense.
Palavras-chave: Mapas, Artesanato, Saberes Ancestrais,Indígenas,Serra do Catolé
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA MATERIALIDADE DA ANCESTRALIDADE AFRICANA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS CASAS DE TAIPA DO BAIXIO DOS OITIS, DO CRATO-CE
KARLENE PEREIRA DE LIMA
O cerne principal deste estudo é analisar as casas de taipa da comunidade do Baixio dos Oitis como uma marca ancestral africana. Em vista disso, quanto aos fundamentos metodológicos fez-se uso da pesquisa da afrodescendência, que se trata de uma abordagem que objetiva reconhecer e valorizar as experiências, saberes e trajetórias da população negra no Brasil, bem como entender como o racismo influencia as práticas socioespaciais. Como procedimento metodológico realizamos uma revisão de literatura e uma pesquisa de campo. Sobre a revisão de literatura, estudamos autoras(es) que oferecem ferramentas para refletir acerca da presença de técnicas e tecnologias de matriz africana no corpo social brasileiro, a exemplo de Cunha Junior (2010) e sobre o patrimônio cultural negro como Silva e Cunha Junior (2022). Por sua vez, a pesquisa de campo foi desenvolvida por meio do referencial teórico-metodológico dos percursos afrourbanisticos, os quais ocorreram na zona rural do Crato-Ce, na comunidade do Baixio dos Oitis. Entendemos que o conhecimento e a valorização das africanidades, permitem perceber as trajetórias negras no espaço geográfico e evidenciam o protagonismo social da comunidade. Temos nos Oitis uma diversidade de casas de taipa de mão, em geral construídas pelos próprias(os) moradoras(es). Essas construções, suas técnicas e formas representam um ambiente que evoca a memória de um espaço ancestral africano.
Oral
Abrir o trabalhoA RUA DO MEIO COMO DISPOSITIVO DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: MEMÓRIA, TERRITÓRIO E AFROREFERÊNCIA
LAIANY HENRIQUE FÉLIX; José Willyam de Sousa Silva
Este artigo analisa a Rua do Meio, localizada no centro histórico de Icó (CE), como território educativo e de memória da presença negra, historicamente apagada dos discursos urbanos e escolares. A pesquisa, de caráter qualitativo e fundamentada em revisão bibliográfica, adota uma abordagem afroreferenciada para refletir sobre a articulação entre território, identidade e práticas pedagógicas antirracistas. Parte-se da compreensão de que o currículo escolar tradicional privilegia uma narrativa eurocentrada, invisibilizando saberes e experiências negras, especialmente nos contextos do interior nordestino. Diante disso, propõem-se práticas como mapeamento afetivo, escrevivências, oficinas de memória e visitas guiadas como estratégias para promover o reconhecimento da identidade negra e reconstruir vínculos com a história local. A Rua do Meio é apresentada como um espaço simbólico marcado por silenciamentos, onde resistem vivências comunitárias profundamente ligadas à cultura afro-brasileira. Ainda que essa presença seja marginalizada, ela constitui uma fonte potente de aprendizagem e reexistência. Ao reconhecer esse território como parte do currículo, propõe-se uma educação comprometida com a justiça social, que valoriza a memória coletiva, o pertencimento e a diversidade. Conclui-se que, ao reorientar os olhares para espaços historicamente invisibilizados, é possível ampliar o horizonte da prática docente e fortalecer a construção de uma escola mais crítica, democrática e antirracista.
Palavras-chave: Educação Antirracista, Território Educativo, Afrorreferência, Memória Negra, Icó
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoARTE-EDUCAÇÃO E LEI 10.639/2003: UMA EXPERIÊNCIA AFROREFERENCIADA A PARTIR DA CONSTRUÇÃO DE MÁSCARAS
FRANCISCO ORISMIDIO DUARTE DA SILVA; Mayara Oliveira Santos; Felype Gabryel Silva Leandro; Rosamaria do Carmo Santos
O trabalho “Arte-Educação e Lei 10.639/2003: a experiência afroreferenciada a partir da construção de máscaras”, busca provocar, com os/as aluno/as, reflexões sobre si e sobre o mundo através de uma prática artística que se guia pelos valores civilizatórios africanos, em especial os da circularidade, oralidade e ancestralidade. Para tel feito, utilizamos a prática do desenho, da pintura, da escultura e da modelagem junto com as discussões sobre nossas identidades e sobre nossa sociedade, realizadas no dia a dia escolar da EEEP Aderson Borges de Carvalho e na Roda de Miolagem ocorrida, no mês de março de 2025, no ponto de cultura Terreiro das Pretas, na ocasião do I Ciclo de Vivências em Capoeira. Utilizamos como apoio teórico as dicussões sobre a arte propostas por Almeida, bem como a Lei 10.639/2003 e os estudos de Sodré (2010), Nunes (2011), Silva (2020) e Silva e Petit (2024) que tratam sobre identidade e educação para as relações etnico-raciais. Como resultado, tivemos a realização de uma exposição artística, como também, importantes vivências que nos provocaram inumeras reflexões e a compreensão sobre as questões que envolvem nossas ancestralidades, identidades e sociedade.
Palavras-chave: Arte-educação,Lei 10.639/2003,Identidade,Cultura afrodescendente
Oral
Abrir o trabalhoAS CASAS DE TAIPA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DE MATRIZ AFRICANA: UMA FEFLEXÃO ACERCA DO BAIRRO BATATEIRAS DO CRATO-CE
MARIA LARYSSA MOURA SOARES ; Thaise de Sousa Santos
AS CASAS DE TAIPA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DE MATRIZ AFRICANA: UMA FEFLEXÃO ACERCA DO BAIRRO BATATEIRAS DO CRATO-CE EDUCAÇÃO E PATRIMÔNIO CULTURAL: PERSPECTIVA PARA O ESTUDO E O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRODESCENDENTE Maria Laryssa Moura Soares 1 Universidade Regional do Cariri – URCA laryssasoares5603@gmail.com Thaise de Sousa Santos 2 Universidade Regional do Cariri –URCA thaise.sousa@urca.br Meryelle Macedo da Silva3 Universidade Regional do Cariri – URCA meryelle.macedo@urca.br Resumo: A Taipa é uma herança cultural ligada à história do povo negro no Brasil. Construídas a partir do barro, as cosntrução de taipa remontam aos saberes tradicionais africanos. Deste modo, objetivamos com essa pesquisa reconhecer as casas de taipa como patrimônio cultural de matriz africana. Para tanto, tivemos o Bairro Batateiras, localizado no Crato-Ce, como recorte espacial. Como método utilizamos a afrodescendência, e como procedimentos metodológicos realizamos uma revisão bibliográfica, baseando-se, sobretudo, em autorias negras, tais como Silva (2023), Nunes (2011) e Cunha Junior (2010), além de percursos afrourbanísticos. A Batateiras é composta em sua maioria pela população negra, possui uma grande variedade de elementos culturais de matriz africana a exemplo das casas de taipa, estes fatores a configuram como um bairro negro. Verificamos na Batateiras muitas casas de taipas de mão, que em geral pertencem as(aos) moradoras(es) mais antigas(os). A formação do bairro está atrelada a propagação da taipa de mão como um saber coletivo e ancestral. Apesar de muitas vezes associadas à pobreza, hoje as casas de taipa ganham reconhecimento como patrimônio cultural e símbolo da resistência e identidade afrodescendente. Palavras Chave: Casas de taipa,Patrimônio Cultural,Bairro negro,Batateiras.
Oral
Abrir o trabalhoCapoeira e Afrodescendências: possibilidades para a educação da relações étnico-raciais e aplicação da Lei 10.639/03 na disciplina de artes em escolas de ensino médio do Cariri cearense.
FRANCISCO ORISMIDIO DUARTE DA SILVA
Este trabalho refere-se a um recorte da pesquisa de doutoramento, que se encontra em fase de realização no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Pernambuco – UPE. Objetiva compreender como o arcabouço cultural da capoeira pode contribuir, dentro da disciplina de artes, para a educação das relações étnico-raciais tendo como base a aplicação da Lei 10.639/03 em escolas de ensino médio do Cariri cearense. Por se tratar de um patrimônio imaterial cultural brasileiro, acreditamos que o arcabouço cultural da capoeira possa subsidiar a disciplina de artes, principalmente no que diz respeito a aplicação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira em nossas escolas. Assim sendo, temos a compreessão de que nossa investigação deverá tomar por base pesquisas que estejam alinhadas com as discussões que valorizem a cultura africana e afro-brasileira enquanto culturas produtoras de conhecimentos. Nos utilizaremos dos estudos de Araújo (2004), Cunha Junior (2005), Melo (2007), Costa; Silva (2016), Sodré (2012), abib (2019) e Silva (2020), autores/as que tratam da capoeira e das relações etnico-raciais na educação. Acerditamos que nossos objetivos sejam exequíveis para que possamos compreender como e por que o arcabouço cultural da capoeira pode adentrar nos conteúdos de artes do ensino médio e, assim, possibilitar a valorização da capoeira enquanto uma manifestação cultural de valor inestimávél à educação brasileira.
Palavras-chave: Capoeira,Ensino de artes,Patrimônio cultural,Lei 10.639/2003,Relações étnico-raciais.
Oral
Abrir o trabalhoESCRAVIZADO, LETRADO E CAPOEIRA: FUGAS E NEGOCIAÇÕES NO CARIRI NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
JOEL ALVES BEZERRA
Este trabalho surge a partir do anúncio vinculado no jornal O Araripe, de 20 de fevereiro de 1864, sobre o escravizado foragido de nome Luiz, homem negro, letrado e capoeira. Nosso objetivo é o de compreender as relações simbólicas da população escravizada por meio das fugas e sociabilidades presentes nas dinâmicas urbanas no Cariri, a partir da segunda metade do século XIX. Por meio da análise nos jornais locais da fuga de escravizados buscaremos perceber a construção, ou melhor a desconstrução do homem negro enquanto ser humanizado, atribuindo e ressaltando para esses sujeitos características negativas. A fuga foi uma importante forma de resistência dos escravizados no Brasil, durante grande parte do período colonial e imperial. Os anúncios de foragidos serviram tanto para os senhores recapturarem seus escravizados como acabavam por revelar, de certo modo, a relação existente entre senhores e escravizados. Ao mesmo tempo, identificamos que estes mesmos anúncios acabam trazendo em suas linhas outras formas de resistências, que não somente o da fuga, mas também de estratégias de negociações entre os escravizados e outros atores sociais. Por exemplo, o caso do escravizado Luiz, que detinha o poder da leitura e da escrita, algo não tão comum para um escravizado oitocentista. Estas características, adicionada ao de ser capoeira, acabaram servido para a sua possível readaptação em outros espaços que não o do seu local de fuga. Entendemos que este trabalho dialogo na perspectiva dos estudos sobre a história e cultura afro-brasileira e africana, na medida que aponta a participação ativa da população negra escravizada em suas diversas formas de resistências.
Oral
Abrir o trabalhoLEI 10.639/2003: QUAL A LUGAR DA EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DO CARIRI CENTRAL
HÉLIO RODRIGUES CARVALHO FILHO; Auany Vitória da Silva Batista
A história da educação brasileira é marcada por silenciamentos e exclusões de saberes e sujeitos não brancos, especialmente negros e indígenas. A promulgação da Lei 10.639/03 representou uma conquista dos movimentos negros, ao tornar obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na educação formal. Esta pesquisa propõe refletir sobre os desafios e possibilidades da implementação dessa lei nas escolas públicas do Cariri cearense, com foco na região do Cariri Metropolitano e no Ensino Médio das CREDES 18 e 19. Compreende-se tal implementação como um ato de reparação histórica e valorização de saberes ancestrais, em diálogo com o Movimento Sankofa. Destacam-se, em edições anteriores do congresso, trabalhos como o de Paixão et al. (2024), que apresenta a Capoeira como prática cultural e educativa em consonância com a Lei 10.639/03. A metodologia baseia-se na análise de dados coletados nas escolas e coordenadorias da região, por meio de entrevistas e interações com profissionais da educação, observando suas percepções e relatos sobre a efetivação da lei. Para esta submissão ao XVI Congresso Internacional Artefatos, apresenta-se o percurso da pesquisa, iniciado com revisão teórica, diretrizes curriculares e textos de referência, além da análise de dados de campo dos últimos três anos. Parte da pesquisa está vinculada ao grupo “Observatório de Políticas e Práticas Culturais”, da Pró-Reitoria de Cultura da UFCA. Na fase atual, foram realizadas visitas às CREDES, buscando compreender em que medida a Lei 10.639/03 tem sido incorporada ao cotidiano escolar e que caminhos fortalecem uma educação antirracista. Embora haja avanços pontuais, os dados indicam que a efetivação da lei ainda enfrenta desafios, reforçando a urgência de ações formativas e políticas que consolidem os saberes afro-brasileiros e o compromisso com uma educação antirracista.
Palavras-chave: Lei 10.639/2003, Implementação,Educação,Étnico-racial,Sankofa
Oral
Abrir o trabalhoPATRIMÔNIO,COMUNIDADE E ESCOLA: UMA ANÁLISE DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE CAUCAIA -CE
ALINE ALVES DE SOUZA ; Karcelia Fava Santos da Costa
O objetivo deste trabalho é produzir uma reflexão acerca dos bens patrimoniais do município de Caucaia a partir da análise dos patrimônios tombados no município, do projeto patrimônio para todos que elegeu em 2013, o patrimônio material e imaterial da região e por fim analisar o que os alunos de uma escola de Ensino Médio em 2024, elegeram como patrimônio da cidade de Caucaia. Patrimônio cultural refere-se ao conjunto de bens materiais e imateriais que possuem valor histórico, cultural e social para uma comunidade, sendo reconhecidos e preservados para as gerações futuras. Perceber o campo do patrimônio como um campo das disputas de narrativas e também de disputa política do território e da memória é a chave para compreender como a história é também um campo de batalha onde a memória é construída a partir dos valores do presente e desse olhar do presente para o passado. Nessa disputa de narrativas o patrimônio histórico emerge simbolicamente e fisicamente para manutenção da memória. Qual a memória que queremos preservar, quando um prédio, uma tradição, um lugar é patrimonializado? Quais os lugares de memória da cidade de Caucaia? Quem elege o que merece ou não ser preservado? Para a realização desta pesquisa foram referências importantes no campo da Educação Patrimonial, Antônio Gilberto Ramos Nogueira, Michael Pollak, Valdei Araujo e no que se refere ao Ensino de História Circe Bittencourt, Maria Auxiliadora Schmidt e Jorn Rusen.
Palavras-chave: Ensino de História,Educação para relações étnico-raciais,Patrimônio Cultural
Oral
Abrir o trabalhoPROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL EM HUMANIDADES E LETRAS: CULTURA E LITERATURA AFRICANA NAS PUBLICAÇÕES DO DIQUINTA
ALIU TCHALÁ; Preto Agostinho Bessam; Franklin José Paulo
Como forma de atender as necessidades do ensino e da comunidade acadêmica, além de contribuir na melhoria da qualidade da educação do ensino superior, o projeto Desempenho Acadêmico Nota 10: não leve dúvidas para casa, traga para o PET do Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras da Unilab (PETHL), é regida mediante três vertentes: Monitoria, Oficina Temática e Diquinta, sendo este um projeto que consiste na publicação de textos (elaborados pelos bolsistas do programa), todas as quintas-feiras no portal web e nas plataformas digitais do mesmo programa. Mostrar como o PETHL está contribuindo na divulgação de cultura e da literatura africana é o objetivo deste trabalho. E vale ainda mostrar que, desde a sua criação em 2012, o PETHL conta com bolsistas negros, tanto africanos e quanto afro-brasileiros, evidenciando o princípio defendido pela Unilab: a integração cultural. Esta pesquisa é de caráter qualitativo, fundamenta-se em uma revisão da literatura na obra de Andressa Yare Andrade Roque (2023), relativa à contra-narrativa de mídias televisivas, e nas obras de Pereira (2007), Techio e Souza (2022) e entre outros autores, referentes à importância das tecnologias e das redes sociais na atualidade, na divulgação e socialização de saberes, assim como no engajamento de estudantes. E não só, iremos observar e analisar as reações (comentários) nas nossas publicações voltadas à cultura e à literatura dos povos africanos. Certamente, as mídias e redes sociais podem ajudar nas sugestões e na orientação de temáticas para pesquisas acadêmicas. Além disso, podem contribuir no ensino da cultura africana e afro-brasileira, reforçando a aplicação da lei 10.639/03.
Palavras-chave: Cultura, literatura africana,PETHL,diquinta
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA INSERÇÃO DE PRÁTICAS ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
JACIANE DA SILVA SANTOS ; jaciane.santos@urca.br; N/I
O tema da referida pesquisa é A inserção de práticas étnico-raciais na Educação Infantil, motivado pelo entendimento que para a construção de uma sociedade mais justa, plural e antirracista essa abordagem deve estar presente desde os primeiros anos escolares. Sendo assim essa pesquisa segue em andamento, mas que conta com dados da experiência que adquiri no meu período de estágio e em estudos que já venha fazendo no decorrer da graduação acredito que para além de incentivo a mudança no currículo que impactam diretamente nas metodologias ativas, é importante que reconheçamos que a base para consolidação de uma educação antirracista é o olhar que também precisa estar voltado para a formação dos professores. Para contribuir com a fundamentação do presente trabalho, trago como referencial teórico Kabengele Munanga (2005), que defende a educação como um instrumento transformador para superar o racismo. Apresento também Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva que ressalta que é preciso desenvolver práticas pedagógicas que considerem as identidades negras como positivas e fundamentais para a construção da autoestima das crianças. Nilma Lino Gomes (2017), em O Movimento Negro Educador, destaca que os saberes produzidos historicamente pelo movimento negro são essenciais para pensar uma nova prática pedagógica, comprometida com a equidade racial. Ainda trarei algumas reflexões da autora Eliane Cavalleiro (2000) do seu livro "Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil"Diante disso, compreende-se a relevância desse estudo que segue abrindo caminhos para novas percepções, em tornar a presença de práticas étnico-raciais na Educação Infantil que para além de datas comemorativas, se faz indispensável socialmente incluir uma formação docente sólida, planejamento curricular consciente e atitudes diárias que construam um ambiente escolar antirracista, democrático e inclusivo.
Oral
Abrir o trabalhoAs Infâncias Negras e a Interseccionalidade nas violências praticadas em ambientes escolares
DAMIANA ALVES BRUNO ; Diana Nara da Silva Oliveira
O presente trabalho discute as diversas violências que afetam as populações negras, estas já tão marcadas pelas desigualdades estruturais vivenciadas, de forma física e psicológica na sociedade de classes. As opressões ocorridas trazem um marco fundante e unificado de outras características, sempre atingindo, de forma mais direta mulheres, comunidade LGBTQIAPN+ e o povo pobre. Nesse sentido, com base nos pressupostos de Allan Pevirguladez (2024), Barbara Carine, (2023), Conceição Evaristo (2014), Carolina Maria de Jesus (1960), Cida Bento (2022), dentre outros, consideramos que as práticas racistas estão, geralmente, acompanhadas de machismo, lgbtfobia e outras discriminações. No âmbito escolar, por sua vez, é muito comum vermos o distanciamento de crianças negras ou de comunidades tradicionais com as demais, o que produz a solidão da criança negra e o racismo infantil e institucional, nas quais as infâncias negras, por vezes, silenciadas de forma aparentemente natural que nem percebemos o isolamento. O racismo institucional pode impactar diretamente o desempenho e a permanência delas na escola. Se o fato da pele preta já é um divisor de águas, ou pior de vidas, a situação piora quando esse corpo está entrelaçado por raça, gênero/sexualidade, classe e/ou deficiência. Portanto, é fundamental pensar uma educação inclusiva, emancipadora, que valorize a cultura afro- brasileira e indígena, que possibilite a construção de escola plural num ambiente sem violência e justo, considerando raça, gênero/sexualidade, e classe no ambiente escolar com práticas pedagógicas que promovam a justiça social, a partir da sensibilidade e do comprometimento com educação de qualidade e de valorização.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoBRINCANDO E APRENDENDO COM AS VIVÊNCIAS DE REISADO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
RAYANNE PEREIRA DO NASCIMENTO; SARA RAQUEL DE ALENCAR FERREIRA ULISSES
O presente trabalho é resultado de uma experiência pedagógica desenvolvida na Escola Educar Sesc, Unidade Crato-CE, na qual contamos com a participação da coordenação pedagógica, da equipe docente e das crianças da Educação Infantil. Esse momento construiu-se através do nosso engajamento com os estudos do reisado brincante na educação infantil, visto que para contribuir com a implementação da Lei nº 10.639/03 nos currículos da educação básica produzimos produtos educacionais originados das nossas pesquisas de mestrado realizadas no ano de 2023, pela Universidade Regional do Cariri, orientadas pela professora Cicera Nunes. Esses produtos foram intitulados de Cartilha Pedagógica Reisado no Cariri: fruto do patrimônio afro-brasileiro e; o livro intitulado Cartas afro-afetivas das professoras de Educação Infantil em Juazeiro do Norte-CE. Nossos estudos deram continuidade originando o trabalho: Brincando Reisado na Educação Infantil: uma proposta afro-afetiva, o qual foi publicado nos Anais XV Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra – Políticas Afirmativas para a Promoção da Equidade Étnico-Racial (2024). A partir daí esses estudos e materiais vêm sendo utilizados por nós e outros docentes, com o intuito de corroborar com a educação antirracista. Neste trabalho focaremos na experiência vivenciada com a oficina de Reisado do Congo desenvolvida na Escola Educar Sesc – Unidade Crato, na qual foi fundamentada na Lei 10.639/2003; nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009); Trindade (2015); Nascimento (2023) e; nos produtos educacionais acima mencionados. Desse modo, podemos evidenciar o quanto o trabalho educacional com a temática do reisado pode ampliar os conhecimentos culturais, afro-brasileiros e de patrimônio aos estudantes e profissionais do ensino que recebem os aprendizados partilhados através dos materiais confeccionados nesses produtos educacionais.
Palavras-chave: Educação infantil,Relações étnico-raciais,Reisado
Oral
Abrir o trabalhoCANÇÃO AFRODESCENDENTE OLELÊ NA TRANSMISSÃO DE VALORES ÉTICO-RACIAIS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
MARIA JÉSSICA SOUSA LIMA ; Luane Diniz Dos Santos; Sâmia Maria Lima Dos Santos
Resumo: A música como expressão de vida faz parte da trajetória humana desde a mais tenra infância com as canções de ninar e até ao fim da vida com as canções fúnebres. De tal forma, as canções afrodescendentes desempenham um papel crucial na constituição do ser, de sua cultura e identidade. Através do relato de experiência, este trabalho visa elucidar a valorização das afro canções partindo da cantiga Olelê, originária do rio Cassai, na República Democrática do Congo, que comumente é utilizada para encorajar crianças e adultos a enfrentarem desafios através da coragem, força e união. As discussões propostas neste trabalho tem como objetivo investigar a musicalização na educação infantil para transmissão de histórias, valores e formação cultural etnico-racial, já que as músicas afrodescendentes constituem patrimônio fundamental da cultura imaterial conectadas por um tronco comum que é a raiz africana. Este trabalho é um relato de caso e parte das investigações das intencionalidades pedagógicas com o projeto Construindo laços através da leitura, como também dos portfólios, relatos e registros das vivências e experiências dos alunos da escola CEI - Centro de Educação Infantil Ana Izaura Brito Leite, situada no distrito de Ponta da Serra - Crato - CE fundamentados em autores como Borba (2019); Brito (2003); Cardoso (2018). Constatou-se que é possível abordar a valorização das relações étnicas-raciais na educação infantil de forma lúdica, a partir da musicalização com afro canções, como também observou-se a importância de práticas pedagógicas antirracistas para a constituição de uma sociedade mais justa e respeitosa.
Palavras-chave: Canções Afrodescendentes,Educação Infantil,Intencionalidades pedagógicas,Patrimônio Imaterial, Musicalização
Oral
Abrir o trabalhoDESCOBRINDO QUEM SOU COM A ÁFRICA QUE HÁ EM MIM: UM RELATO DE EXPERIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM JUAZEIRO DO NORTE
SARA RAQUEL DE ALENCAR FERREIRA ULISSES
Em 2024, após concluir minha pesquisa de Mestrado intitulada Diversidade Étnico-Racial na Educação Infantil Educação Infantil: dialogando com o projeto político-pedagógico e a formação docente, orientado pela professora Cicera Nunes e encorajada pelos estudos do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER); reuni a soma dos encontros formativos de Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI) e o conhecimento da coleção (PAIC, PROSA E POESIA), organizada pelo Governo do Estado de Ceará; com textos elaborados por autores cearenses e distribuídos na rede municipal de Juazeiro do Norte, em um projeto denominado Descobrindo quem sou com a África que há em mim, o qual desenvolvi no decorrer do ano 2024 com as crianças de uma turma do Infantil II, na EMEI Francisca Letícia do Amaral Brasileiro, objetivando no âmbito geral analisar em conjunto com as crianças as contribuições do continente africano em nossas histórias, culturas e formação da sociedade brasileira. Como objetivos específicos: I) Apresentar o significado dos nomes das crianças. II) Visibilizar heróis e heroínas negras que venceram o medo e lutaram contra a escravidão e o racismo no Brasil. III) Socializar com as famílias as atividades realizadas com as crianças. A concretização do projeto aqui exposto permeou uma abordagem qualitativa configurando um estudo de caso interventivo com relato de experiência à luz das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI (BRASIL, 2009); Base Nacional Comum Curricular – BNCC (BRASIL, 2018) e da Lei 10.639/2003. Vale salientar que pude compartilhar os resultados desse projeto com outros professores de Educação Infantil, no Evento Compartilhando Experiências Significativas, ocorrido em 13 de dezembro de 2024, organizado pela Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte.
Oral
Abrir o trabalhoDiálogos sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais no cotidiano de centros de educação infantil
ANA LETÍCIA DOS SANTOS CANUTO DO NASCIMENTO; Damiana Alves Bruno
Este resumo apresenta um relato de experiência das vivências desenvolvidas em diálogos nos espaços de dois Centros de Educação Infantil(CEI), no município de Sobral – Ceará com educadoras das referidas instituições. Os diálogos partiram da temática “Educação para as Relações Étnico-Raciais(ERER) na educação infantil” refletindo sobre as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, além do parecer 015/2023 do conselho municipal de Educação de Sobral, dialogando sobre as possibilidades e desafios para se aplicar a ERER no cotidiano dos CEI’s. Este relato parte deste questionamento “Como a ERER pode ser aplicada na rotina cotidiana dos CEI’s no município de Sobral?” O objetivo é refletir como os diálogos promovem compreensão sobre a temática e possíveis mudanças nas práticas pedagógicas desenvolvidas dentro destas instituições. O resumo se caracteriza em um estudo descritivo e qualitativo, do tipo relato de experiência, explicando as questões propostas. As autoras que embasaram as discussões neste trabalho foram Nilma Lino Gomes (2019), Cavalleiro (2012), Barbara Carine Pinheiro (2023), Cida Bento (2022), Jussara Santos (2024), dentre outras. Ao pensarmos no cotidiano de um Centro de Educação Infantil é relevante perceber esse espaço acolhedor e cuidadoso para proporcionar a formação de todas as crianças visando que tenham uma infância segura, mas nem todas as crianças são acolhidas, protegidas, vistas e ouvidas, pois quando olhamos para as infâncias negras e indígenas evidencia-se o privilégio que educadores promovem para uma determinada infância em detrimento de outras infâncias existentes dentro da escola, esse foi um dos motivos para que os diálogos iniciassem. Diante dos resultados obtidos percebe-se uma lacuna na formação das professoras em relação a temática, tornando os diálogos um meio para promoverem um espaço de reflexão sobre as possibilidades de uma educação inclusiva e antirracista, na qual valoriza a diversidade racial e cultural existentes no ambiente escolar.
Palavras-chave: ERER, educação infantil, lei 10.639/2003, lei 11.645/2008
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoHISTÓRIAS DE IRUN: POEMINHAS AFRO-BRASILEIROS E RESISTÊNCIA ESTÉTICA COMO PRÁTICA SANKOFA NA ESCOLA
JULIA AUDREY DE PAULA; Monique Rayane Bezerra
O projeto Histórias de Irun: Poeminhas Afro-Brasileiros foi desenvolvido na Escola Municipal Santa Terezinha, em uma região periférica de Petrolina-PE, com o objetivo de fortalecer a identidade étnico-racial de crianças negras por meio da valorização estética do cabelo crespo/cacheado, através da escrita poética e da construção de vínculos com a ancestralidade. A ação se materializou em oito encontros formativos com 18 estudantes dos anos iniciais (9 a 11 anos), articulando rodas de leitura de literatura afro-brasileira, oficinas de micropoemas e exercícios de autopercepção. Ancorado nas contribuições de Nilma Lino Gomes (2006), Eliane Cavalleiro (2021), Izabel Cristina Evaristo da Silva et al. (2016) e na epistemologia Sankofa, o projeto buscou romper com o apagamento cultural promovido pelo racismo estrutural, utilizando o cabelo como signo simbólico e marcador de pertencimento. Como culminância, foi realizada uma Noite de Autógrafos com a comunidade, na qual os estudantes lançaram um livreto com suas produções poéticas e visuais. Essa experiência, como defendido por Edivone Oliveira e colaboradores em edições anteriores do Artefatos da Cultura Negra (2022), reafirma a importância de práticas pedagógicas que valorizam a oralidade, a corporeidade e os saberes de origem africana na construção de um currículo antirracista desde a infância.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPOESIA E IDENTIDADE: PROMOVENDO RESPEITO AS CULTURAS EM SALA DE AULA
LUANE DINIZ DOS SANTOS; Maria Jéssica Sousa Lima; Sâmia Maria Lima Dos Santos
Resumo: A poesia, como forma de comunicação e expressão artística, representa um papel imprescindível na formação da identidade cultural e na valorização da diversidade étnico-racial. Ela possui a capacidade de estimular a imaginação, produção criativa e desenvolver habilidades dos estudantes por meio da construção dos versos/poemas. O trabalho trata-se de um relato de experiência realizado com estudantes do 3º ano do ensino fundamental da Escola de Ensino Fundamental Professor José do Vale Arraes Feitosa, localizada no município do Crato-CE. Este trabalho buscou explora a importância de integrar a poesia no ambiente escolar, promovendo o respeito e a compreensão das diferentes culturas presentes na sociedade, além de estimular discussões críticas sobre identidade, pertencimento, racismo e as desigualdades sociais buscando a implantação efetiva da lei nº 10.639/03. Durante o desenvolvimento das atividades práticas, buscou-se envolver todos os alunos, no que se refere a criação e interpretação de poesias visando conecta-los com suas próprias histórias e as de seus colegas, fortalecendo a empatia e o respeito mútuo. Ao valorizar a riqueza das vozes poéticas diversas, este trabalho busca contribuir para um ambiente educacional mais inclusivo, onde todos os alunos se sintam representados, respeitados e principalmente valorizados. Para embasamento teórico buscamos suporte em autores da área tais como: Nascimento (2023), Silva e Nunes (2022) Almeida (2009) e autores referencias em outros temas da educação, Silva (2024) Freire (2018) entre outros. A poesia torna-se, assim, um poderoso instrumento para a formação de cidadãos conscientes e respeitosos em relação às diferenças.
Palavras-chave: Poesia e Identidade, Diversidade Étnico Racial, Valorização Cultural, Pratica Pedagógica.
Oral
Abrir o trabalhoPOR UMA EDUCAÇÃO INFANTIL ANTIRRACISTA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRADUANDAS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFCA
MARCELA MARIA GONÇALVES DE OLIVEIRA
POR UMA EDUCAÇÃO INFANTIL ANTIRRACISTA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE GRADUANDAS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFCA Marcela Maria Gonçalves de Oliveira 1 Universidade Federal do Cariri – UFCA marcela.oliveira@aluno.ufca.edu.br Gercilene Oliveira de Lima2 Universidade Federal do Cariri – UFCA gercilene.lima@ufca.edu.br Resumo Este trabalho é fruto de uma vivência desenvolvida na disciplina de Didática Geral, do curso de Pedagogia, da Universidade Federal do Cariri – UFCA, em parceria com o projeto O Papel das Brincadeiras na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: com a palavra, as crianças e os/as educadores/as das escolas públicas de Brejo Santo – CE, com destaque à educação étnico-racial e as pedagogias das infâncias. Apresentamos como pergunta central: quais percepções as graduandas do curso de Pedagogia da UFCA apresentaram acerca da oficina pedagógica, por uma educação infantil antirracista, desenvolvida com crianças do Infantil IV, de uma instituição de educação infantil pública, da cidade de Brejo Santo – CE? Temos como objetivo geral compreender nas narrativas de graduandas do curso de Pedagogia da UFCA, se a oficina pedagógica por uma educação infantil antirracista, contribuiu à formação docente. Como objetivos específicos analisar como se deu a oficina pedagógica sobre a temática do antirracismo na educação infantil, com crianças do Infantil IV, de uma instituição de educação infantil pública, da cidade de Brejo Santo – CE; identificar quais foram os recursos didáticos utilizados nas atividades com as crianças do Infantil IV. Dialogamos com os autores Brasil (2017), Brasil (2010), Brasil (2003), Candau (2023), Dias (2022), Ulisses e Nunes (2022), entre outros. O percurso metodológico foi a abordagem qualitativa, de acordo com Minayo (2001), conjugada com a pesquisa (auto)biográfica em educação, conforme Delory-Momberger (2012), Josso (2010), Passeggi (2018), entre outros. Consideramos esta pesquisa relevante, ao tempo em que afirmamos à necessid
Palavras-chave: Educação Infantil Antirracista,Curso de Pedagogia,Formação Docente,Relato de Experiência
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS PEDAGÓGICAS DECOLONIAIS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: RESISTÊNCIAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
LAIZA MARIA FREITAS ALMEIDA
As práticas pedagógicas decoloniais visam desconstruir os efeitos do colonialismo na educação. Franco (2022) ressalta que a didática decolonial exige reformulação ética e epistemológica do ensinar, e Quijano (2000) destaca que a colonialidade do saber persiste mesmo após a descolonização formal. Assim, objetivamos discutir as tensões entre práticas pedagógicas decoloniais e a permanência da colonialidade no currículo escolar a partir da experiência de uma professora em aulas de Educação Física, implementando a Lei nº 11.645/08 com turmas do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental em uma escola da rede municipal de Fortaleza-CE. As aulas utilizaram vídeos, imagens e vivências corporais como estratégias de valorização de saberes historicamente marginalizados, para reafirmar o corpo como espaço de memória e resistência (Kilomba, 2019; Krenak, 2019). A problemática surge do contraste entre as vivências envolvendo jogos e brincadeiras das culturas africanas e indígenas e a posterior chegada de materiais didáticos distribuídos para as(os) discentes que não apresentavam nenhuma referência à essas culturas. Para tal intento, adotamos uma metodologia de abordagem qualitativa, com base no relato de experiência. A análise dialoga com Pereira (2021) ao apontar que a temática das relações étnico-raciais, quando integradas ao currículo, contribuem para a valorização cultural e para o enfrentamento das lógicas coloniais que ainda estruturam o ensino. Silva e Oliveira (2022) ressaltam a urgência de epistemologias contra hegemônicas nos processos formativos. Também dialogamos com Nascimento (2022) ao defender a valorização das infâncias negras e indígenas por meio de experiências estéticas e culturais. Conclui-se que práticas pedagógicas decoloniais além de confrontarem o racismo epistêmico, afirmam a potência dos corpos e saberes ancestrais no processo educativo, exigindo o comprometimento ético-político do(a) educador(a) com uma educação antirracista e pluriepistêmica.
Palavras-chave: Práticas Pedagógicas, Decolonialidade; ,Relações Étnico-raciais , Educação Física.
Oral
Abrir o trabalhoRELATOS DE EXPERIÊNCIA: SER BOLSISTAS EM PESQUISA SOBRE PRÁTICAS EDUCATIVAS PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS
LAISA BIBIANO NASCIMENTO; Lídia Raiely Silva da Pascoa; Maria Luana de Araújo Ramos
O presente trabalho tem como objetivo apresentar relatos de experiência das bolsistas em participação na pesquisa “Práticas Educativas e Descolonização dos Currículos: Educando as Relações étnico-raciais”. Este estudo em forma de relatos é integrado por reflexões sobre a formação docente-pesquisadora das três bolsistas no contexto da Lei 10.369/03, referida nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana - DCNERER (Brasil, 2004). As ações que ocorreram, como por exemplo: os estudos teóricos, as escritas de relatórios, as análises dos dados iniciais da pesquisa, até submissões de produções científicas, são utilizadas como dados para desenvolvimento dos nossos relatos, reflexões e percepções epistemológicas. Sendo assim, buscamos discorrer sobre a relação intrínseca que consideramos existir entre o percurso da pesquisa - como parte da nossa formação acadêmica - e a construção de nossa identidade docente antirracista. A metodologia empreendida nesta produção, diz respeito à revisão bibliográfica com abordagem qualitativa descritiva (Godoy, 1995; Souza et al 2014) e linguagem baseada na escrevivência (Evaristo, 2019). Este resumo é enriquecido pelas referências encontradas nos anais da XV edição deste congresso e nas apresentadas pelo projeto de pesquisa (Brasília (2004); Oliveira (2008); Unesco, (2008); Coelho (2018); Nascimento (2024); Paiva (2024); Rios et al (2024); Silva (2024) Ferreira; Santos et al (2024). Consideramos que a participação (formação) no grupo de trabalho originado pela pesquisa, nos ajuda a construir compreensão sobre a Educação das Relações Etnico-raciais e a partir dos conhecimentos adquiridos, poderemos produzir/realizar epistemologias com ênfase na Lei 10.639/03 para a descolonização dos currículos. Neste sentido, explanamos nossas percepções enquanto sujeitos que compreendem e concordam com a importância da implementação da lei 10.639/03.
Palavras-chave: Relato de experiência,Educação das Relações Etnico-Raciais,Iniciação Científica
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoTERRITÓRIOS NEGROS E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: CONSTRUÇÃO DE UM JOGO PEDAGÓGICO NO CARIRI CEARENSE
RENNAN RICARDO DA SILVA
Este trabalho visa contribuir com a coleta de dados e a organização de um material didático fundamentado nas narrativas e histórias negras do Cariri cearense, por meio da criação de um jogo pedagógico, para uso em sala de aula por professores e estudantes do ensino médio, com possibilidade de aplicação interdisciplinar. O jogo parte do projeto “Territórios de Saberes: elaboração de materiais didáticos a partir dos elementos presentes nos territórios indígenas e negros do Cariri cearense”, sendo desenvolvido dentro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais - NEGRER/URCA. Contudo, o foco recai sobre a perspectiva da população negra do Cariri alinhada à Lei nº 10.639/03 e às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, reconhecendo a necessidade de fortalecimento da educação antirracista, visando a construção de uma sociedade mais justa. segundo Pinheiro (2023), a educação antirracista se faz necessário por um olhar positivo da história da população negra, e ressalta Coelho (2022), sobre a importância da educação antirracista com ações pedagógicas em contra partida as narrativas “antinegro” na escola. A pesquisa encontra-se em andamento, no desenvolvimento do jogo, com base em levantamento bibliográfico dos saberes locais relacionados aos territórios, personagens históricos e manifestações culturais negras. O projeto do jogo consiste em um tabuleiro com 48 casas, casas armadilhas e perguntas, cinco peões, prevendo uma duração média entre 15 minutos. Para avançar, os jogadores devem responder corretamente às perguntas mediadas por um facilitador, utilizando cartas temáticas com conteúdos como o reisado, o GRUNEC, o Terreiro das Pretas etc. Busca-se, assim, mediar o processo de ensino-aprendizagem por meio da discussão deste material nas escolas, promovendo a valorização das narrativas negras deste território.
Palavras-chave: Educação Básica,Educação Antirracista,Negrer.,Jogo Pedagógico,Narrativas Negras do Cariri Cearense
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoResumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoTERRITÓRIO E IDENTIDADE: UM ESTUDO SOBRE A REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NAS COMUNIDADES DE TRADIÇÃO QUILOMBOLA DO CARIRI CEARENSE
VITÓRIA ALVES FERREIRA; Emanoel Olival Pereira Martins; Luan Nóbrega Nunes de Sousa Lima
O presente estudo tem por objetivo analisar a viabilização da regularização de territórios quilombolas, em especial, das comunidades de tradição do Cariri Cearense, ressaltando quais os instrumentos jurídicos que podem ser utilizados para regularizar as terras que estão em posse das comunidades, refletindo majoritariamente sobre a importância da preservação dos direitos constitucionais presentes no ADCT. O estudo reflete sobre os principais desafios, entraves políticos, jurídicos e econômicos que as comunidades enfrentam no processo de regularização e proteção das comunidades tradicionais, para assim, viabilizar a preservação e efetivação dos direitos destinados às comunidades quilombolas. A pesquisa tem abordagem qualitativa com análise documental, sendo desenvolvida por meio de revisão bibliográfica de autores como Santos (2021) e Furtado (2024) que analisaram a relação dos povos quilombolas e suas interações com o município frente a efetivação e reconhecimento da sua terra, bem como do decreto número 4.887/2003 e lei número 13.465/2017. Os resultados destacam que o agronegócio e os grandes proprietários rurais criam entraves que prejudicam e que recorrentemente silenciam aqueles que entram no debate, motivados em sua maioria por questões pecuniárias de caráter pessoal, percebe-se a necessidade de uma atuação ativa do Estado e do município em desenvolver órgãos que fiscalizam a proteção aos direitos constitucionais das comunidades. Conclui-se que a regularização fundiária é uma problemática alarmante que afeta diretamente o reconhecimento etnico-racial dessas comunidades de tradição ancestral, sendo imprescindível garantir efetividade material da previsão constitucional e protegê-los, pois carregam em seu solo, a identidade, memória e sobrevivência ancestral.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoWEVERSON DOMINGUES PEREIRA
Este trabalho tem como horizonte a mobilização e a articulação de conceitos de Du Bois, Lélia González e Sueli Carneiro - respectivamente, “véu” e “dupla consciência”; “racismo por denegação” e “dispositivo de racialidade”. Parte-se da hipótese de que o “véu” duboiseano pode ser compreendido como uma dimensão ontológica que organiza os regimes de de-significação do branco para com o não-branco. Trata-se de uma ontologia da diferenciação, cujo discurso é a base dessa dimensão, pois ele comunica os entes e orienta a objetivação do que é “real” através da hierarquia simbólica de sujeitos e de suas experiências no “mundo real”. A experiência da dupla consciência, emerge, como uma cisão subjetiva entre a autoimagem e a imagem imposta pelo Eu-hegemônico. No Brasil, essa dinâmica se complexifica sob a lógica do "racismo por denegação”, formulado por González, que atua através da manipulação da subjetividade do sujeito negro, influenciando-a através repugnância histórico-simbólica criada pelo racismo e suas manifestações de desumanização, que interdita o corpo; as epistemologias; as histórias; e cinde a consciência. A articulação do “racismo por denegação” com o “dispositivo de racialidade”, formulado por Carneiro, sob o mito da democracia racial que vigora no cenário brasileiro, forjam identidades que se denegam, devido aos discursos e as epistemologias desumanizantes, que através da desontologização dos sujeitos alijados do sistema hegemônico de poderes e saberes, interdita o negro e a Negritude, portanto, controla a vida inscrevendo-os no signo da morte.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NAS AULAS DE FILOSOFIA DO ENSINO PROFISSIONALIZANTE
WALESKA CASTRO GOMES
O presente trabalho é um compendio de ações realizadas na disciplina de filosofia, nas turmas do terceiro ano do ensino médio, em um contexto do Novo Ensino Médio, reforma de conteúdos e políticas práticas da educação em uma Escola Profissionalizante de tempo integral da Crede 19 adaptado para exposição de maneira a fomentar o conhecimento sobre a temática em sala de aula, desmistificar padrões impostos socialmente e quebrar paradigmas enraizados no atual contexto social. A proposta em sala de aula é conectar teoria e prática num debate de mesa redonda com batuques. Um dos filósofos utilizados é o Frantz Fanon, filósofo negro que propõe a ideia de que “cada geração deve descobrir sua missão”. Essas dinâmicas estimulam escuta ativa, argumentação e o reconhecimento da diversidade como motor do pensamento crítico. Vivenciando corporalmente conceitos como colonialidade, liberdade e diferença, os estudantes percebem que a filosofia não está só nos livros, mas pulsa nas histórias dos avós, nos tambores, nos corpos que dançam e questionam, na culinária, nos ditados populares, nos ritos e danças de um povo. Ao final, registramos as intervenções realizadas na escola. Assim ampliam o repertório cultural, ganham autonomia intelectual e se veem agentes de transformação social.
Oral
Abrir o trabalhoA DANÇA E O CORPO AFROANCESTRAL: FALAS-DIZERES DE/ENTRE GERSON MORENO (CE) E MUNIZ SODRÉ (BA)
JOUBERT DE ALBUQUERQUE ARRAIS
Do que falamos-dizemos da dança e do corpo afroancestral? Para responder provisoriamente essa pergunta performativa, partindo de um pensar com mover e dançar (Bardet, 2015, 2012) e de que a dança é o pensamento do corpo (Katz, 2003, 1994), propomos uma primeira aproximação para um diálogo possível entre dança e filosofia no sentido de falas e dizeres – afrorreferenciadas/os no corpo, no movimento e na ancestralidade – de um dançarino-coreógrafo-pedagogo cearense (Gerson “Moreno” Carlos Matias de Sousa) e um filósofo-comunicólogo baiano (Muniz Sodré), no que cada um discorre em palavras faladas (aulas-palestras) e palavras escritas (artigos e ensaios). No primeiro, escolhemos a vídeo-palestra “Minha política é a dança que gero no mundo” (Moreno/Sousa, 2022), o artigo acadêmico “Baião dos saberes: processos de formação e criação em danças cênicas na Escola Livre Balé Baião” (Moreno/Sousa, 2022) e sua tese/doutorado “Processos de aprendizagem e criação em danças afroancestrais: proposições pedagógicas e modos de fazer” (Moreno/Sousa, 2022, prelo). Já no segundo, selecionamos as aulas “A Dança como Vetor da Alegria” (Sodré, 2021) e “Dança e Corporeidade” (Sodré, 2021) com a conferência “Cultura, Corpo e Afeto” (Sodré, 2014). Nessa provocação de Moreno/Sousa e Sodré, que outra pergunta poderíamos formular no sentido de uma dança contemporânea brasileira como pensamento do corpo afroancentral?
Oral
Abrir o trabalhoREGINA VIEIRA LOPES
Este trabalho faz uma análise da resistência de mulheres negras quilombolas como um fator crucial para o desgaste e eventual abalo do sistema escravocrata brasileiro. O racismo estrutural, conforme discutido por Djamila Ribeiro (2017), manifesta-se não apenas na exclusão material, mas também na negação de saberes e narrativas, tornando a valorização das vozes negras, em especial as femininas, um ato urgente de reexistência. Com relação ao silenciamento histórico imposto, a exemplo da “mascara de Anastácia”, metáfora criada por Grada Kilomba (2019), a insurgência dessas mulheres desafiou diretamente o Estado, provocando uma reação legislativa repressiva que evidencia o impacto de suas ações. O objetivo geral desta pesquisa é analisar de que forma a insurgência de mulheres negras por meio dos quilombos impactou o sistema escravocrata brasileiro, demonstrando a conexão entre a resistência dessas mulheres e a imposição de uma legislação repressiva que caracteriza um abalo a esse sistema. Para tanto, foram delimitados como objetivos específicos: analisar o papel das mulheres negras dentro dos quilombos, investigar a legislação que tratava acerca desse modo de insurgência e, por fim, verificar como esse tipo de enfrentamento enfraquecia o regime de escravização negra no Brasil. O trabalho é conduzido por uma abordagem metodológica dedutiva, de natureza básica e com objetivos explicativos. Espera-se demonstrar que a resistência organizada pelas mulheres quilombolas não foi meramente um ato de sobrevivência, mas uma estratégia política que gerou custos significativos para o sistema escravocrata. A necessidade de criar e aplicar uma legislação cada vez mais dura contra a fuga e a existência dos quilombos é um indicativo claro do poder disruptivo dessas comunidades. A pesquisa visa, assim, reescrever parte da história, conferindo o devido protagonismo às mulheres negras na luta contra a escravidão.
Palavras-chave: Quilombos,mulheres-negras,desgaste político,reexistência
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCONVERSAÇÕES COM CRISTIANE SOBRAL: O ALGORITMO COMO GESTO DE ANUNCIAÇÃO E RESISTÊNCIA
LUCAS PINHEIRO TENÓRIO FARIAS
Neste trabalho busco refletir sobre a noção de algoritmo com base na participação da escritora, atriz e professora, Cristiane Sobral, em dezembro de 2023, no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade federal do Ceará (UFCE) por ocasião do XX Encontro Interdisciplinar de Estudos Literários. Na conferência realizada por Sobral, “Escurecimento da beira úmida do rio Nilo ao chão da terra negra brasileira: resistência e anunciação na literatura de autoria feminina e negra”, a escritora trouxe uma outra noção de algoritmo que não está baseada na matemática, mas sim, na marcação de gestos de anunciação e resistência ancestrais, tecidas sobretudo por mãos femininas, como prática política e social (Araújo; Gonçalves; Nogueira, 2020). Esses vestígios (Sharpe, 2023) algoritimizados que compõem a poética da experiência entre vidas da negritude são apresentados por Cristiane Sobral no seu livro de contos Caixa Preta (2023) onde refletimos como a autora articula o algoritmo a partir de situações cotidianas na vida das pessoas negras. Nesse sentido, essa proposta buscará nos contos “Gira” e “Você tem todos os dentes?” compreender como a autora movimenta o algoritmo a partir de duas experiências negras femininas diferentes.
Palavras-chave: algoritimo, literatura, resistência, Cristiane Sobral
Oral
Abrir o trabalhoDIANTE DO ESPELHO DE OXUM: A TRASIÇÃO CAPILAR DE UM HOMEM NEGRO NO INTERIOR CEARENSE
LUAN RODRIGUES DO NASCIMENTO
O cabelo Black Power, enquanto categoria política, social e cultural, levou cerca de quinze anos para fazer sentido em minha vida. Essa trajetória me leva a refletir sobre a ausência dessa discussão nos espaços que frequentei ao longo da minha construção como homem negro. A aproximação com o tema ocorreu de forma mais significativa quando passei a pesquisar e acompanhar youtubers negras que discutiam estética, identidade e autoestima. Este resumo visa refletir sobre o processo de transição capilar que vivenciei como homem e interiorano, ao me reconhecer como homem negro de cabelo cacheado/crespo, com base nas minhas escrevivências e nas contribuições de Conceição Evaristo, Denise da Costa e Nilma Lino Gomes, e analisar o processo de reconstrução de minha masculinidade. A metodologia empregada é um dialoga com minhas escrevivências ancorada ao conceito de escrevivência de Conceição Evaristo (2020), retoma discussões trazidas no Congresso Artefatos da Cultura Negra de 2023, como (Ana Eugênio e Geyse Anne, 2023) com Nilma Lino Gomes, que, em Sem Perder a Raiz (2019), propõe uma reflexão sobre pertencimento, ancestralidade e empoderamento a partir da valorização da estética negra, e com Denise da Costa, que, em seu livro Que leveza busca Vanda? (2019), analisa o cabelo como campo de disputa simbólica e política nos corpos negros, especialmente femininos. A partir disso, a discussão se desdobra em torno do empoderamento racial que emerge com o processo de transição capilar, bem como os sentidos de pertencimento, transformação e construção identitária do corpo-negro-sou. Conclui-se que a transição capilar é uma ação profundamente transformadora, que reformula não apenas a estética, mas a própria identidade de quem se propõe a vivê-la. É um movimento de reconexão com a ancestralidade e de ruptura com padrões impostos, revelando o corpo e o cabelo negro como território de resistência, memória e afirmação.
Palavras-chave: Escrevivência,Transição Capilar,Identidade,Empoderamento racial
Resumo Simples
Abrir o trabalhoDRAMATURGIA COMO FERRAMENTA DE ESCREVIVÊNCIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O ENCONTRO NEGRO NOS PROCESSOS FORMATIVOS DE TEATRO EM FORTALEZA
ELISA DE SOUZA DA SILVA; Lucas França Damasceno
O presente trabalho tem como objetivo relatar experiências vividas pelos pesquisadores enquanto alunos participantes do processo de criação da dramaturgia dos espetáculos de conclusão de turma: “Espirais”, no Curso de Princípios Básicos de Teatro (CPBT), em 2023, e “A2”, no Percursos Básicos de Teatro, em 2024, ambos a partir da lente de uma perspectiva do encontro e da necessidade coletiva de enegrecer e tomar para si a responsabilidade sobre a forma como as nossas subjetividades seriam representadas em cima do palco. Cada um com a sua abordagem pedagógica, os dois processos proporcionaram um ambiente de encontro afetivo e artístico, no qual sentimos a urgência de utilizar as ferramentas que aprendemos para desenhar a nossa própria narrativa, trazendo para a cena elementos que são caros para a representatividade e ancestralidade negra. Através de uma pesquisa bibliográfica, utilizamos como referência de estudos e provocação para a escrita desses textos teatrais os questionamentos propostos por Abdias Nascimento e o Teatro Experimental do Negro, tendo em vista a importância dessa vanguarda para o surgimento e a afirmação de atores e atrizes negros no país. Dito isto, este trabalho tem como finalidade discorrer sobre o processo de resistência e de aquilombamento experienciados a partir da criação de uma dramaturgia voltada para nós, pessoas pretas; e que utiliza a escrevivência, conceito tão bem desenvolvido por Conceição Evaristo, como uma ferramenta essencial para este processo; além de reconhecer a importância do pensamento de outros ancestrais, que nos proporcionaram reflexões e ensinamentos primordiais para estas realizações, como Antônio Bispo dos Santos (2023) e Leda Maria Martins (2021). Por fim, justifico a existência deste relato como mais um registro a contribuir com o movimento artístico antirracista crescente no Brasil, além de buscar o aquilombamento dentro de espaços acadêmicos que ainda são majoritariamente embranquecidos.
Palavras-chave: Teatro, Raça,Aquilombamento,Dramaturgia
Oral
Abrir o trabalhoELEMENTOS ESTÉTICOS EM OBRAS DE ARTE NEGRA NA CONTEMPORANEIDADE: UMA DISCUSSÃO SOBRE RESISTÊNCIA E APROPRIAÇÃO
HAILLA SIANNY KRULICOSKI SOUZA SENA
A presente pesquisa propõe uma investigação acerca dos elementos estéticos presentes em obras de arte de autoria negra, em exposições de espaços institucionalizados de arte na contemporaneidade. Ao longo do curso da história, museus reproduziram discursos hegemônicos e genéricos sobre a história da humanidade. No entanto, instituições museológicas nunca foram isentas de um posicionamento político (MBEMBE, 2017), domesticando forças, narrativas e povos, ao ponto de “museificar” as representações sociais existentes no contexto em que estavam inseridas. Com o avanço de teorias decoloniais a partir de autores como Aníbal Quijano, Paulo Freire, Aimé Césaire, Frantz Fanon e Rita Segato, essas teorias contribuíram para um novo momento histórico, onde as narrativas artísticas também foram impactadas pela enfim possibilidade de diversos povos narrarem suas próprias histórias dentro desses espaços como forma de resistência e reconstrução de discursos racistas. Essa pesquisa, portanto, investiga a forma com que a política da arte, dentro dessas instituições, absorve narrativas negras a partir de elementos estéticos específicos, determinando a possibilidade de inserção a partir de uma forma única de narrativa sobre negritude que evocam um senso comum relativo a uma religiosidade comum negra. Para isso, a pesquisa de campo será realizada em exposições presentes nos museus de Fortaleza–CE, além de uma busca digital sobre exposições realizadas anteriormente por artistas e curadores negros em outros espaços, passíveis de diálogo.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoNARRATIVAS NEGRAS EM TELA: O CINEMÁFRICA COMO ESPAÇO DE RESISTÊNCIA E VALORIZAÇÃO DA NEGRITUDE
ERISVANIA DE SOUSA SANTOS
A presente pesquisa visa investigar o papel fundamental do Cinemáfrica como espaço de formação, aquilombamento e valorização da cultura afro-brasileira. O objetivo é a formação Antirracista através do cinema negro, logo o cineclube proporciona narrativas que abordam a diversidade de experiências, memórias e lutas da população negra. Historicamente a presença negra no audiovisual é frequentemente limitada a imagens, ideias e generalizações simplificadas, os atores negros e atrizes negras interpretam personagens subalternizados, inferiorizados e subservientes. O audiovisual brasileiro tende a corroborar com a invisibilidade e representatividade estereotipada da população negra, produzindo uma imagética colonialista acerca do corpo e da cultura afro-brasileira na nossa sociedade, criando segundo Chimamanda Adichie (2019) “O perigo de uma história única”, que por sua vez reforça histórias distorcidas que inibem a construção de identidades positivas do(a) negro(a). Logo, o Cinemáfrica contribui para desconstrução de narrativas-imagéticas hegemônicas e a construção de um olhar libertador e fortalecedor da negritude. No filme “Ôrí” (1989) da cineasta Raquel Gerber, Beatriz Nascimento evidencia como a imagem positiva e a visibilidade influencia no processo de construção das identidades negras, segundo a autora “É preciso a imagem para recuperar a identidade, tem-se que tornar-se visível, porque o rosto de um é o reflexo do outro, o corpo de um é o reflexo do outro, e cada um o reflexo de todos os corpos, a invisibilidade está na raiz da perda da identidade”. A projeção de imagens abre espaço para trocas de narrativas e representações positivas que valorizam as identidades negras, retomando as histórias invisibilizadas e corpos silenciados, reavivando memórias negras através da tela. Dessa forma a gente só consegue se projetar onde a gente se vê.
Palavras-chave: Cinemáfrica,Negritude,Resistência
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoQUANDO A REPÚBLICA UNIVERSITÁRIA VIRA UM LUGAR SEGURO: TRAJETÓRIAS (AFRO)AFETIVAS NO ENSINO SUPERIOR NO INTERIOR CEARENSE
EZEQUIEL NUNES DE LIMA; Luan Rodrigues do Nascimento
Instabilidade e medo dão lugar a afetos com raízes no acolhimento e no incentivo, através do desejo de transformação por vias da educação alicerçado na construção de lugar seguro, que está presente no nosso encontro – encontro de estudantes negros. Assim, este artigo busca apresentar três trajetórias (afro)afetivas de alunos da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), por meio de memórias nascentes em uma república universitária, no interior cearense. Fundamentamo-nos na escrevivência (Evaristo, 2020), compreendida por nós como recurso teórico-metodológico que entrelaça a escrita e a vivência nas dimensões sensíveis das palavras, comum nas discussões apresentadas no Congresso Artefatos da Cultura Negra, presente inclusive na linguagem audiovisual (Ana Eugênio e Geyse Anne, 2023) através da união dos atos de “escrever", "viver" e "se ver". Ainda, a consolidação de redes afro-indígenoafetivas (Quintiliano, 2020), como encontros políticos de solidariedade, e construção de lugar seguro (Collins, 2019), como possibilidade de sobrevivência dentro da Universidade. Com isso, as escrevivências dialogadas nesse texto, atravessam veredas e vielas que nos constituem, em combate à escassez de afeto e cuidado através dos nossos encontros. Foi dentro desse não-lugar que construímos uma acolhida de afro-afeto costurada na escuta, no acolhimento e na partilha cotidiana que induziram a construção de afro-referências no mundo da música, livros e teorias acadêmicas.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoRetratos de uma Presença Negra nos Arquivos do GRUNEC
ANTONIO CARLOS DIAS DE OLIVEIRA
Este artigo discute a presença negra no Cariri cearense a partir da análise dos arquivos produzidos pelo GRUNEC – Grupo de Valorização Negra do Cariri. O objetivo é compreender como a fotografia e o audiovisual têm sido utilizados como ferramentas de afirmação identitária, construção de memória e resistência política frente ao apagamento histórico presente nos registros oficiais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise de documentos, imagens e ações realizadas pelo grupo ao longo de seus 25 anos de atuação. Destaca-se, nesse contexto, a presença do Projeto Oliveira’s, que atua com juventudes negras e LGBTQIAPN+ por meio de oficinas criativas e colaborativas em produção fotográfica e audiovisual, influenciando o modo de olhar e manusear esses arquivos como materiais relevantes em processos de pesquisa e formação. Os resultados apontam que a produção de arquivos visuais pelo GRUNEC contribui para reescrever narrativas sobre o território, valorizando a cultura negra e ampliando a presença dessa população nos espaços de representação. Conclui-se que os arquivos do GRUNEC não apenas documentam, mas também mobilizam afetos, saberes e ações, funcionando como instrumentos pedagógicos e políticos fundamentais para a valorização da população negra no Cariri.
Palavras-chave: Fotografias, Presença Negra,Audiovisual, Afeto, Valorização
Oral
Abrir o trabalhoVOZES DO QUILOMBO: DIREITO, EDUCAÇÃO JURÍDICA POPULAR E RESISTÊNCIA NO TERRITÓRIO DOS MULATOS
LUIZ WENDESTENY SILVA TEIXEIRA
O presente trabalho integra os resultados da pesquisa “Educação Jurídica Popular nas comunidades indígenas e quilombolas do Cariri cearense”, atualmente em sua etapa final, desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais - NEGRER/URCA. A partir da convivência direta com a comunidade do Quilombo Serra dos Mulatos, localizado no município de Jardim-CE, foi elaborada uma cartilha educativa, fruto da escuta atenta, das narrativas orais e das memórias compartilhadas pelos moradores. O material prioriza demandas concretas identificadas nas áreas de saúde, educação e território, respeitando os modos próprios de organização e saber dessa coletividade. A proposta tem como alicerce a pedagogia popular, ancorada na ancestralidade e no sentimento de pertencimento ao território. Dialoga com o pensamento de Nego Bispo (2023), que propõe uma inversão epistemológica : não se trata de levar conhecimentos formais a comunidade, mas de reconhcer os quilombos como espacos produtores de saber. Fazendo assim, o direito deixa de ser uma ferramenta alheia e passa a ser vivenciado como prática coletiva de cuidado com a vida e defesa da dignidade, atravessada por epistemologias outras, enraizadas e não coloniais. Em diálogo com as lideranças locais e com autoras como Lélia Gonzales (2020) e Sirley de Souza (2019), reafirma-se o compromisso com uma formação jurídica antirracista, conectada ao território e atenta às lutas de quem insiste em transformar o mundo a partir do próprio chão.
Palavras-chave: Educação Jurídica Popular,Quilombo dos Mulatos,Direito e Território
Oral
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