134 de 134 trabalho(s) aceito(s)
AS CONTRIBUIÇÕES DAS TECNOLOGIAS NA FORMAÇÃO DOCENTE PARA POTENCIALIZAR A INCLUSÃO E AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
ROBÉRIO FERREIRA NOBRE; Márcio Romeu Ribas de Oliveira; N/I
Este estudo foi desenvolvido no contexto dos formadores de Gestão da Educação Infantil, do Programa Mais Infância. Surgiu numa reunião em que percebemos a ausência de fundamentos sobre as relações étnico raciais e inclusão, onde algumas posturas/falas apresentaram uma pseudoinclusão e desrespeito as crianças, o que nos impulsionou criar momentos de discussão, buscando reconhecer as diversidade como espaço de formação e utilização das tecnologias como potencializadora da valorização e da ampliação das redes formativas que discutam as diversidades na infância, com inserção de fundamentos teóricos e práticos, reconhecendo as tecnologias como espaço dessas discussões e aprendizagem. Nosso objetivo foi criar uma rede formativa em tecnologias como espaço de educação para as relações étnico raciais e inclusão, junto aos Formadores GEI acompanhados pela CREDE 18. O estudo foi estruturado na abordagem qualitativa, com base exploratória, onde buscamos examinar o contexto como é experienciado, compreendendo o comportamento humano a partir do que cada pessoa, ou grupo de pessoas, imaginam ser a realidade. A investigação foi construída nos Círculos de Cultura, sistematizados em quatro encontros, fundamentados numa proposta pedagógica, cujo caráter democrático e libertador que oportuniza uma aprendizagem integral, requer tomada de posição perante a temática em estudo. Caracteriza-se como lócus privilegiado da comunicação- discussão embasadas no diálogo, experiências dos atores- sujeito, na produção teórica sobre a inclusão e educação para as relações étnico raciais, a qual se orienta pelo desejo de cada participante aprender coletivamente, problematizando-a e problematizando-se. Para fortalecer os encontros, usamos obras literárias e jogos digitais, etc. Nos apoiamos em Amaral, (2018), Brasil (2009;2017), Cardoso (2021), Ceará (2019), Cavaleiro (2012), Tardif (2014), Drago (2011), Oliveira, Antonszczyszen, Mata e Soriano (2015), Belloni, (2010), Kenski (2008), dentre outros.
Oral
Abrir o trabalhoA PRESENÇA DE IMAGENS DE PESSOAS NEGRAS NA ARTE DA XILOGRAVURA
FRANCISCA GEANE MARQUES PINHEIRO SANTOS; Erivana Darc Daniel da Silva Ferreira; Sisnande Uchôa Borges
Este trabalho se direciona para a arte da Xilogravura, esta que em sua essência se materializa pela presença da cor preta no papel branco. Porém, a pesquisa ainda em andamento, tem como objetivo geral identificar a presença de pessoas negras como representatividade posta na arte xilográfica. Para os objetivos específicos, tem-se: detectar pessoas negras nos trabalhos xilográficos; reunir xilogravuras que tenham imagens de pessoas negras; quantificar por artista o número de trabalhos com pessoas negras. Como problemática, emergem as perguntas: são inseridas pessoas negras no imaginário dos artistas? As pessoas negras são vistas dentro da arte xilográfica como protagonistas? Ou estão à margem do contexto representativo? Tais questionamentos justificam esta pesquisa por buscar o conhecimento da inserção da imagem de pessoas negras na xilogravura como lugar de pertencimento dentro da arte. Como caminho metodológico, sendo pesquisa de campo terá como local de estudo a Gráfica Lira Nordestina, situada em Juazeiro do Norte/Ce, pelo espaço abraçar inúmeros trabalhos de vários xilógrafos da região do Cariri Cearense, a exemplo de José Lourenço, Cosmo Braz, Jô Andrade, Erivana Darc, Cícero Vieira, Demontiê Gonzaga, Francorli dentre outros. Será quantificado o número de obras que trazem representações de pessoas negras, e, para além, será solicitado dos artistas in loco o preenchimento de questionário semiestruturado, indagando: qual a autoidentificação dos artistas quanto a cor e raça? Representa pessoas negras em suas artes? Qual a motivação da representatividade de pessoas negras em suas xilogravuras? Como resultados esperados, almeja-se encontrar obras xilográficas que reafirmem o lugar de pertencimento de etnias-racial presente na cultura, bem como, espera-se que a pesquisa dialogue com o enfrentamento ao racismo.
Oral
Abrir o trabalhoDo quilombo à cidade: Uma análise sobre a “Cartilha Caminhos” na realidade de populações quilombolas do Cariri
ANDRESSA YARE ANDRADE ROQUE
O Grupo de Valorização Negra do Cariri - GRUNEC é um coletivo pioneiro na região e primordial para o reconhecimento das comunidades rurais negras e quilombolas. É necessário pontuar o GRUNEC como vanguardista no aprofundamento político do quilombo em todo o Cariri, quando em 2011 lançou a “Cartilha Caminhos: Mapeamento das Comunidades Negras e Quilombolas do Cariri Cearense”, que reconhecia 21 comunidades em 15 municípios, duas delas estavam em Potengi, com Carcará e Catolé. À época, já eram analisadas as vivências norteadas pelo racismo e a dificuldade de acessos básicos de saneamento e atenção primária à saúde, assim como as questões culturais e da fé popular, que se afloraram pelas renovações, o reisado e o toré. Além disso, há a conjunção do que entende-se sobre visões comunitárias nos quilombos, isto é, “a força da terra forja a sua identidade: agricultoras, negras, mulheres quilombolas, que dia após dia, no labor da roça, na determinação de viver, se formam enquanto coletivo” (Cartilha Caminhos, 2011, p.16). A análise surge, no entanto, para dialogar sobre a realidade do reconhecimento e atuações das comunidades negras, rurais e quilombolas no acesso à cidade e direitos básicos.
Oral
Abrir o trabalhoBIOGRAFIAS EM MAPAS: PERCURSOS E SABERES SOCIOESPACIAIS DE APRENDIZAGEM DA JUVENTUDE NEGRA PRESENTE NA CASA DE QUITÉRIA
GEOVANIA AURELIANO DE LIMA; Maria Clara Lima da silva; Karlene Pereira de Lima
Desde 2017 a Casa de Quitéria, localizada no Baixio das Palmeiras (Crato-CE), têm atuado para trabalhar a valorização cultural da região, agroecologia e a Educação Popular, tendo como protagonista a juventude circunvizinha. Marcada por comunidades camponesas, maioria negra e/ou com ancestralidade indígena, essa vêm sofrendo com diversos conflitos territoriais. É a partir desses conflitos que as juventudes, especialmente a negra, têm se encontrado na Casa de Quitéria como ponto de cultura e resistência as transformações imposta pela lógica hegemônica. Historicamente são seus ancestrais que moviam os grandes latifúndios das terras desses sítios, ora sendo escravizados, outra trabalhando por sujeição ou sendo meeiro impositivamente. Consequentemente, muitas famílias nunca tiveram acesso ou terminaram o Ensino Básico. Dessa forma, em que ponto a Casa de Quitéria vem transformando essa perspectiva? Partindo dessa conjectura, este trabalho tem como objetivo analisar os percursos e saberes socioespaciais de aprendizagem da juventude negra que é presente nas atividades da Casa de Quitéria. Para tanto, este trabalho se estrutura em três etapas, sendo essas: levantamento bibliográfico, onde buscou autorias sobre juventudes negras e percursos socioespaciais para embasar o estudo; em seguida foi feito a pesquisa de campo, onde se realizaram mapeamentos com a juventude negra, buscando espacializar suas narrativas biográficas; e, por fim, foi feito a análise dos resultados, verficando o papel da Casa de Quitéria na formação e transformação dessa juventude. Como resultados pode notar que a Casa de Quitéria colaborou num olhar mais crítico sobre a identidade racial e territorial. Além disso, a Casa de Quitéria colaborou em incluir essa juventude negra em novos lugares sociais, sendo estes os primeiros das famílias a chegarem. Dessa forma, a Casa de Quitéria enriquece na formação político-territorial dessa juventude, fortalecendo os conhecimentos teóricos e as práticas sociais.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCAPOEIRA E MEMÓRIA NO CARIRI CEARENSE
THYARLISON RIBEIRO DE BRITO
O trabalho intitulado Capoeira e memória no Cariri Cearense, ainda em andamento, pretende discutir a forma axiológica de vetores de construção do sentido no discurso e na memória de um mestre de capoeira. Visando perceber impressões, nos relatos do Mestre Carlinhos Camará, que apontam para a formação do conceito de fundamento na capoeira, o trabalho se originou de coletas feitas por meio de entrevistas, pesquisas de campo e bibliografia variada. Pretendemos compreender como a memória organiza os vetores de construção do conteúdo e do sentido, em suas reflexões sobre as origens da capoeira no Crato e a permanência de valores na forma de uma axiologia da rememoração e da afirmação do momento presente reunidos no conceito de fundamento. Diante do material coletado, articularemos ademais sobre o surgimento da capoeira na cidade de Crato, rastreando relatos do momento em que estão surgindo agentes que, a posteriori, dão continuidade à disseminação da arte em suas singulares características.
Palavras-chave: Capoeira,Memória,Cariri cearense,Axiologia
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoFESTA, TRABALHO E FÉ NAS RENOVAÇÕES DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS: UM ESTUDO NO CARIRI CEARENSE
ELISÂNGELA BEZERRA
O presente trabalho tem como finalidade abordar a transmissão intergeracional da Renovação do Sagrado Coração de Jesus. A renovação se constitui como uma prática já enraizada por muitos fiéis católicos na comunidade caririense, em especial nos municípios de Juazeiro do Norte e Crato. O estudo busca discutir como esta devoção religiosa é transmitida entre gerações de modo a preservar essa tradição e como identificar as adaptações dessa prática no contexto contemporâneo. A pesquisa, ainda em desenvolvimento, utiliza de narrativas orais de membros das comunidades onde a prática é viva, com o objetivo de identificar não somente os rituais em si, mas também a continuidade, as rupturas e as adaptações que com eles ocorrem ao longo do tempo. Ao conversar com os donos da renovação - fiéis católicos devotos do Sagrado Coração de Jesus, motivados e comprometidos -, é possível identificar neles a devoção e a preservação de uma prática religiosa que lhes foram ensinadas ao longo de gerações. É possível ainda identificar que os devotos mais velhos desempenham o papel de ensinar os mais jovens sobre a importância e o significado da festa e da fé. Tal ensinamento envolve o planejamento e a organização da renovação, desde a acolhida aos visitantes fiéis, a preparação da casa, da comida e, sobretudo, da figura do Tirador da renovação. A experiência e o conhecimento se fixam, de modo a transmitir não apenas os aspectos litúrgicos obrigatórios na prática católica, mas também os valores e ensinamentos associados a essas práticas.
A Educação Infantil e o patriarcado: uma análise das compreensões dos papéis sociais do homem e da mulher a partir dos olhares de crianças de uma turma de primeira infância em uma instituição pública na cidade de Crato-Ce
HELENA FERREIRA DUARTE; Antônia Rosivania Rodrigues Duarte; Wildeni Gomes Silva
Resumo O presente resumo constitui-se como um recorte de pesquisa de dissertação de mestrado, na qual analisou as concepções que crianças entre 4 e 5 anos de uma instituição de Educação Infantil localizada no município de Crato-CE têm sobre os papéis do homem e da mulher na sociedade, tendo em vista o modelo patriarcal estabelecido. Entendemos o patriarcado como uma manobra de fortalecimento da sociedade capitalista (Saffioti, 2013) e também dialogamos com Saffioti (2013) quando trata do nó social composto pela imbricação entre raça/etnia, gênero e classe social. Como metodologia, partimos da observação participante, realizando registros em diário de campo a partir da escuta das crianças. Contamos também com a leitura e discussão do paradidático “Menina não entra” (Andrade, 2006), além da atividade “História para completar”, e posteriormente com desenhos realizados pelos infantes. A pesquisa contou com a contribuição das crianças, de seus responsáveis, da gestão da instituição e das professoras. Os dados mostraram que essas concepções se constroem com base nas relações estabelecidas socialmente e nas experiências de vida, com a participação dos seres sociais, numa relação de troca, na qual a construção do eu e do outro é constituída de forma simultânea (Vigotski, 2000), fazendo diferença na concepção social acerca do papel do homem e da mulher.
Palavras-chave: Educação Infantil, Patriarcado, Capitalismo
Oral
Abrir o trabalhoEQUIDADADE ÉTNICO-RACIAL E DE GÊNERO: RELATANDO EXPERIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
SARA RAQUEL DE ALENCAR FERREIRA ULISSES ; Simone Salviano Nascimento
Esse trabalho tem como objetivo relatar experiências vivenciada com as crianças da EMEI Francisca Letícia do Amaral Brasileiro, localizada no Município de Juazeiro do Norte-CE. Nossas experiências são frutos de estudos e pesquisas realizadas mediante o Mestrado Profissional em Educação na Universidade Regional do Cariri MPEDU/URCA. Citamos como exemplo duas pesquisas, a primeira intitulada Diversidade Étnico-Racial na Educação Infantil: dialogando com o Projeto Político-Pedagógico e com a formação docente, a qual foi concluída e abriu caminhos para outras pesquisas serem desenvolvidas com a parceria das equipes: gestora, docente e familiar. A segunda pesquisa Somos de todas as cores em primeira intância foi realizada com a parceria da Secretaria Municipal de Educação de Juazeiro do Norte, e atualmente tem sido ampliada com os estudos decorrentes do MPEDU/URCA. As pesquisas buscam refletir sobre a equidade étnico-racial e de gênero na Educação Infantil a partir do diálogo contínuo com as crianças e as suas famílias dando visibilidade as suas identidades e existências, protagonizando histórias e oportunizando os direitos de aprendizagem e desenvolvimento estabelecidos na BNCC (BRASIL, 2018): conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Vale salientar que também fundamentamos nossos projetos vivenciados com as crianças no diálogo que desenvolvemos a partir do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais – NEGRER, o qual nos fortalece e mostra que não estamos sós, somos um coletivo forte e capaz de romper com preconceitos, discriminações e racismo existente dentro e fora das instituições educativas.
Oral
Abrir o trabalhoA visibilidade de autoras negras LBPT’s da Região do Cariri na grande curricular do ensino básico
FLÁVIA GIOVANA LACERDA; Sebastião dos Santos Lima; Kauan Ferreira da Rocha; Julio César Figueiredo Bernardo Gomes
O presente trabalho consiste na importância de autoras negras LBPT (Lésbicas, Bissexuais Pansexuais e Transexuais) da Região do Cariri na grade curricular do ensino médio da Escola de Ensino de Tempo Integral Dona Antônia Lindalva de Morais. Tendo em vista, a escola trabalha com obras de escritoras negras que abordam as temáticas de racismo, LGBTQIAP+, políticas públicas voltadas para a minoria e violência de gênero. O objetivo do trabalho é apresentar autoras negras que se dispuseram a escrever temáticas sociais, culturais e políticas, para refletirmos nas aulas. Com isso, buscaremos a inserção das pesquisas dessas autoras na grade curricular. A metodologia trabalhada será o levantamento bibliográfico das autoras negras LBPT da Região do Cariri, compreender as percepções e os conceitos que as mesmas formularam e procura-las na Região para entender suas atuações políticas e sociais. O método utilizado será a entrevista semi-estruturada de forma remota para compreender como foi o processo de pesquisa e o que elas têm a contribuir para a grade curricular do ensino médio. A visibilidade de mulheres negras LBPT é uma questão fundamental na luta por igualdade e justiça social, pois essas mulheres enfrentam múltiplas camada de discriminação e opressão. A interseccionalidade de raça, gênero e orientação sexual cria desafio únicos que muitas vezes são ignorados nas discussões sobre direito humanos e igualdade de gênero. Reconhecer e valorizar as vozes dessas mulheres e essencial para construir com uma sociedade inclusiva e justa, onde as funções podem ser mais igualitárias.
Palavras-chave: Autoras negra LBPT,Grade curricular,Visibilidades,Região do Cariri
Oral
Abrir o trabalhoA RELAÇÃO DA CAPOEIRA ANGOLA COM AS PRÁTICAS EDUCACIONAIS
RAFAEL FERREIRA DA SILVA; Maria Kellynia Farias Alves; Sandra Haydeé Petit
A capoeira é um patrimônio cultural e esse artigo tem como tema: A relação da capoeira angola com as práticas educacionais. Inicialmente contextualizo a capoeira angola, fazendo uma relação com a educação, a história e cultura do negro. Esse trabalho teve como objetivo pesquisar a capoeira angola suas práticas educacionais e apresentar uma breve explanação sobre o tema, sendo a capoeira meu objeto de pesquisa. Assim pesquisei os significados, valores e as possibilidades de transposição didática, procurando fortalecer e valorizar a história do negro no Brasil e a memória da capoeira angola, através da prática corporal, da musicalidade e sua filosofia de vida como instrumento educativo e transmissor e difusor da cosmovisão africana. Destaco alguns dos teóricos que fundamentaram essa pesquisa, dentre eles: HAMPATÉ BÂ (1987), SODRÉ (1999), OLIVEIRA (2003), PETIT (2011), CUNHA (2011), MEC (2004), SAMARA (2010), SILVA (2008). Foi desenvolvida numa perspectiva qualitativa e teórica. A metodologia da pesquisa incluiu a coleta de dados como livros e trabalhos acadêmicos que foram selecionados e analisados, para contextualizar e propor formas de transposição didática dos saberes contidos na da capoeira angola. Esse artigo foi feito mediante meus 10 anos de pesquisa na faculdade de educação UFC como parte do projeto de extensão do NACE. Procurei apoio das professoras Sandra Petit e Maria Kellynia da Farias outras pessoas ligadas ao NACE. Espero assim contribuir com a formação de professores através da cosmovisão africana e fortalecer a lei 10639/03 que institui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africanas na educação, após seus 21 anos de criação.
Oral
Abrir o trabalhoA BARRAGEM BANGUÊ COMO FIO CONDUTOR NA URBANIZAÇÃO DE ASSARÉ: CAMINHOS PARA UMA EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA ANTIRRACISTA
A AÇÃO DOS MESCANISMOS MUNICIPAIS DE FISCALIZAÇÃO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA EXECUÇÃO DAS LEIS FEDERAIS N.º 10.639/2003 E N.º 11.645/2008: A EXPERIÊNCIA NA REDE DE ENSINO BÁSICO DE JUAZEIRO DO NORTE - CE.
JULIANA ARAÚJO PEIXOTO
Juazeiro do Norte - CE, registrou por meio do Núcleo de Educação e Promoção da Igualdade Racial, entre 2022 e o primeiro semestre de 2024, ao menos seis denúncias formalizadas, relacionadas a ausência da execução das leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008, na rede básica de ensino municipal. As leis tornam obrigatório o ensino da história da África, Afro-brasileira e Indígena. As denúncias foram também encaminhadas aos Conselhos municipais de participação social. Os Conselhos são órgãos colegiados, deliberativos, permanentes e paritários, têm por finalidade propor, deliberar, fiscalizar e monitorar políticas públicas em suas instâncias correspondentes. Juazeiro do Norte, conta com o Conselho Municipal de Educação e o Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial, dentre outros. Os dois mencionados mecanismos, devem ser implicados na luta e no combate à discriminação racial, com vista a garantir a promoção da educação antirracista na rede de ensino municipal, garantindo o ensino e historia da população negra, quilombola, de terreiro e indígena. Alguns dos resultados da experiência municipal, podem ser demonstrados nas seguintes situações: 1 - forte presença da sofisticação e da complexidade envolvendo o racismo estrutural e sistêmico, encarnadas também nos espaços de participação social, 2 - frequente ausência dos debates sobre das duas leis federais e 3 - não há diversidade étnico-racial, como populações negras e Comunidades Tradicionais compondo os diversos Conselhos do município. Os resultados implicam a exigência de promover discussões sobre a racialização nos espaços de participação social, quem são os sujeitos racializados? Qual o lugar da educação numa perspectiva antirracista dentro dos Conselhos?
Oral
Abrir o trabalhoCOMUNIDADE ISÚ-KARIRI: EXPERIÊNCIAS E APRENDIZAGENS IN LOCUS
MARIA DAS CHAGAS SILVA PEREIRA ; Ana Beatriz Cidreira Novais
O trabalho em questão trata-se de um relato de uma aula campal realizada na comunidade indígena Isú-Kariri, em Brejo Santo, Ceará, em agosto de 2023. A visita foi organizada como parte de uma disciplina do curso de pedagogia do Instituto de Formação de Educadores (IFE/UFCA) e que objetivou-se compreender o modo de vida e a cultura dos povos indígenas locais. Durante a visita, os/as estudantes participaram de diversas atividades, como a observação de artesanatos, pintura corporal com tintas naturais, e uma roda de conversa onde os/as membros da comunidade que compartilharam seus conhecimentos e tradições. A comunidade Isú-Kariri utiliza a oralidade como meio de transmissão de conhecimentos e valores culturais, passando tradições de geração em geração. Conforme Duarte (2020) a oralidade possui o papel de transmitir o conhecimento popular. O artesanato, com o uso de material natural como urucum e jenipapo, e as danças e músicas locais, desempenham um papel fundamental na manutenção da identidade cultural da comunidade. A visita também revelou o impacto da integração na sociedade dominante, que levou a mudanças de alguns costumes. Conclui-se destacando a importância do contato direto com as comunidades indígenas para a formação de futuros professores/as, enfatizando a necessidade de preservar e valorizar as tradições ancestrais e a identidade cultural dos povos originários.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoContribuições para fortalecimento dos processos educativos e museológicos da Casa de Memória do Povo Indígena Cariri de Poço Dantas-Umari
KAWANNE RIBEIRO DE BRITO; Deyza Furtado Leite
O presente trabalho tem por objetivo apresentar um recorte do projeto de iniciação científica voltado para a Casa de Memória dos indígenas Cariri de Poço Dantas Umari, Crato/CE. A proposta desta pesquisa é colaborar com o Espaço da Casa de Memória a partir do levantamento de um acervo de história oral dos troncos velhos e de um inventário participativo dos objetos do espaço museal. Inicialmente, a metodologia se deu através do levantamento bibliográfico na Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), além da busca em repositórios das universidades brasileiras. Espera-se que, ao final desta pesquisa, seja construído um acervo que ficará na comunidade para que consiga ser trabalhado coletivamente, e num segundo momento, que possam compor parte do acervo da Casa de Memória. Assim sendo, o retorno de uma pesquisa para uma comunidade no qual foi estudada mostra a importância desta para a sociedade, em que essa visibilidade auxilia na luta constante frente às pressões da sociedade. Nessa apresentação, vamos mostrar o que já foi efetivado em termos de pesquisa bibliográfica e de campo.
"JÁ VIU ELES CHORAR PELA COR DE ORIXÁ?”: NOTAS SOBRE O SAGRADO NO URBANO E RACISMO RELIGIOSO
JADIELE CRISTINA BERTO DA SILVA
A estátua de Iemanjá, localizada na orla do Cabo Branco em João Pessoa - PB, passou quase uma década sem cabeça, quando foi alvo de racismo religioso. O monumento como chave para identidade e representação, concerne, este como fundamento para afirmação de identidade, munido de significado, significação e representação. O monumento materializa a história e memória do lugar, sendo a identidade vinculada ao grupo social de um dado lugar, onde o monumento materializa a história e a memória. O trabalho apresenta reflexões acerca do monumento enquanto força comunicativa e afirmativa de identidade a partir dos monumentos de Iemanjá, especialmente a representação presente localizado na Praia de Cabo Branco na capital João Pessoa, a qual está inserida no contexto de luta pelos movimentos negros e das Comunidade Tradicional de Matriz Africana e Povos de Terreiro em prol da sua restauração. Para tal, a pesquisa bibliográfica e documental foram adotadas como procedimentos metodológicos. O referencial teórico se ancora na interdisciplinaridade por reconhecermos a impossibilidade de tratar a temática na perspectiva disciplinar, para tal dialogamos com Pinto (2011), Nogueira (2020), entre outros intelectuais negros. O contexto de inauguração da estátua de Iemanjá a configura como um marco histórico no Estado da Paraíba. No intenso processo histórico de perseguição aos povos de terreiro do território paraibano, o monumento foi doado por Oswaldo Trigueiro, então prefeito do município de João Pessoa, à Federação Espírita da Paraíba em 1966 atendendo a um projeto realizado pelo então presidente da Federação, Walter Pereira. No mesmo ano, foi sancionada a Lei nª 3.443 pelo governo de João Agripino, que dispunha sobre “o exercício dos Cultos Africanos no Estado da Paraíba". Do ano 2016 até 2024, a estátua de iemanjá ficou decapitada e decepada. Neste sentido, o racismo se enuncia enquanto estrutural e estruturante, desde a negligência nos processos de investigação.
Oral
Abrir o trabalhoA PRESENÇA DE IMAGENS DE PESSOAS NEGRAS NA ARTE DA XILOGRAVURA
SISNANDE UCHOA BORGES; Erivana Darc Daniel da Silva Ferreira; Francisca Geane Marques Pinheiro Santos
Este trabalho se direciona para a arte da Xilogravura, esta que em sua essência se materializa pela presença da cor preta no papel branco. Porém, a pesquisa ainda em andamento, tem como objetivo geral identificar a presença de pessoas negras como representatividade posta na arte xilográfica. Para os objetivos específicos, tem-se:detectar pessoas negras nos trabalhos xilográficos; reunir xilogravuras que tenham imagens de pessoas negras; quantificar por artista o número de trabalhos com pessoas negras. Como problemática, emergem as perguntas: são inseridas pessoas negras no imaginário dos artistas? As pessoas negras são vistas dentro da arte xilográfica como protagonistas? Ou estão à margem do contexto representativo? Tais questionamentos justificam esta pesquisa por buscar o conhecimento da inserção da imagem de pessoas negras na xilogravura como lugar de pertencimento dentro da arte. Como caminho metodológico, sendo pesquisa de campo terá como local de estudo a Gráfica Lira Nordestina, situada em Juazeiro do Norte/Ce, pelo espaço abraçar inúmeros trabalhos de vários xilógrafos da região do Cariri Cearense, a exemplo de José Lourenço, Cosmo Braz, Jô Andrade, Erivana Darc, Cícero Vieira, Demontiê Gonzaga, Francorli dentre outros. Será quantificado o número de obras que trazem representações de pessoas negras, e, para além, será solicitado dos artistas in loco o preenchimento de questionário semiestruturado, indagando: qual a autoidentificação dos artistas quanto a cor e raça? Representa pessoas negras em suas artes? Qual a motivação da representatividade de pessoas negras em suas xilogravuras? Como resultados esperados, almeja-se encontrar obras xilográficas que reafirmem o lugar de pertencimento de etnias-racial presente na cultura, bem como, espera-se que a pesquisa dialogue com o enfrentamento ao racismo.
Oral
Abrir o trabalhoA PRESENÇA DE IMAGENS DE PESSOAS NEGRAS NA ARTE DA XILOGRAVURA
ERIVANA DARC DANIEL DA SILVA FERREIRA; Francisca Geane Marques Pinheiro Santos; Sisnande Uchôa Borges
Este trabalho se direciona para a arte da Xilogravura, esta que em sua essência se materializa pela presença da cor preta no papel branco. Porém, a pesquisa ainda em andamento, tem como objetivo geral identificar a presença de pessoas negras como representatividade posta na arte xilográfica. Para os objetivos específicos, tem-se: detectar pessoas negras nos trabalhos xilográficos; reunir xilogravuras que tenham imagens de pessoas negras; quantificar por artista o número de trabalhos com pessoas negras. Como problemática, emergem as perguntas: são inseridas pessoas negras no imaginário dos artistas? As pessoas negras são vistas dentro da arte xilográfica como protagonistas? Ou estão à margem do contexto representativo? Tais questionamentos justificam esta pesquisa por buscar o conhecimento da inserção da imagem de pessoas negras na xilogravura como lugar de pertencimento dentro da arte. Como caminho metodológico, sendo pesquisa de campo terá como local de estudo a Gráfica Lira Nordestina, situada em Juazeiro do Norte/Ce, pelo espaço abraçar inúmeros trabalhos de vários xilógrafos da região do Cariri Cearense, a exemplo de José Lourenço, Cosmo Braz, Jô Andrade, Erivana Darc, Cícero Vieira, Demontiê Gonzaga, Francorli dentre outros. Será quantificado o número de obras que trazem representações de pessoas negras, e, para além, será solicitado dos artistas in loco o preenchimento de questionário semiestruturado, indagando: qual a autoidentificação dos artistas quanto a cor e raça? Representa pessoas negras em suas artes? Qual a motivação da representatividade de pessoas negras em suas xilogravuras? Como resultados esperados, almeja-se encontrar obras xilográficas que reafirmem o lugar de pertencimento de etnias-racial presente na cultura, bem como, espera-se que a pesquisa dialogue com o enfrentamento ao racismo.
Oral
Abrir o trabalhoA Servidão Voluntária no modo de adesão Religiosa dos dias atuais.
TIAGO GOMES LANDIM
Após apresentar reflexivamente os conceitos de tirania e de servidão à luz dos pensadores Leo Strauss e Étienne de La Boétie, o que se segue é uma tentativa de aplicação de tais reflexões na análise dos personagens da sociedade religiosa dos dias atuais, sobretudo das igrejas cristã de matriz pentecostal em comparação com os atores alemães no período do surgimento e estruturação do nazismo na Alemanha dos anos 1930 à luz da obra “Herencia de esta época”, de Ernst Bloch. Apesar de estar analisando a sociedade desse período, Bloch tem como modo de proceder um sofisticado modo de se distanciar da contingência do momento, o que confere à sua apresentação uma acontemporaneidade do tempo e dos personagens que analisa, sempre propondo uma leitura que poderia – e se alguém assim o desejar poderá – servir como escopo de julgamento de outras sociedades em outros momentos cujas relações se estabeleçam em um cenário semelhante ao que ele analisou.Mas ainda que se vendendo, os trabalhadores guardam em si uma reserva de resistência, pois eles não são favoráveis às condições de exploração que lhes são impostas. A sujeição é, portanto, uma subordinação desgostosa na solidão, ainda que consentida na coletividade que anestesia e faz o trabalhador a se crer em condições de igualdade com a burguesia. Os trabalhadores se engajam em igrejas de matriz pentecostal e acabam por assumir máscaras que lhes são impostas ou permitem que as ponham. Nas mais diversas igrejas, por exemplo, o ser humano mediano tem uma consciência atrasada, pensa-se como um burguês ainda que, em última análise não passe de um sub-proletarizado que, por influência da concepção religiosa, não percebe sua condição de lupenproletariado. Passa por um processo de aquisição de uma falsa consciência e, assim, quase não vão notando as mudanças econômicas que o vai desfavorecendo. O pentecostal está cada vez mais à mercê daqueles que se locupletam de sua derrota.
Oral
Abrir o trabalhoAFIRMAÇÃO INDÍGENA EM MILAGRES-CEARÁ
DEYZA FURTADO LEITE
A presente pesquisa consiste em compreender e analisar o atual processo de afirmação indígena que vem ocorrendo no município brasileiro de Milagres, no interior do Ceará, ambiente educacional, libertador e humano. Inicialmente através da metodologia qualitativa, que envolve pesquisa em arquivos bibliográficos, análise documental e História Oral, procuro demonstrar, em um segundo momento, focando principalmente através de narrativas de Dona Dionisia Severo (in memóriam), milagrense com vasto conhecimento em ervas medicinais que se reconhecia como mulher indígena, a sua presença indígena neste município. A pesquisa já apresenta resultados, iniciais foi possível verificar o caráter de afirmação indígena em Milagres e sua aproximação a uma articulação mais ampla de afirmação étnica a nível de Brasil e em todo o Nordeste. O trabalho vem contribuindo para o reconhecimento da população indígena com conhecimento e garantia de direitos constitucionais, histórias, saberes e formas de organização.
Oral
Abrir o trabalhoAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E INCLUSIVAS NAS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL: REFLEXÕES DOCENTES
ROBÉRIO FERREIRA NOBRE; Ana Renata de Alencar Tranquilino; Nayra Regina Estevo Nunes
Este estudo foi desenvolvido no contexto das práticas formativas dos professores de Educação Infantil do município de Campos Sales. A pesquisa surgiu durante uma formação na qual, durante as discussões, percebemos ausência de conhecimentos básicos sobre as relações étnico raciais e alguns posicionamentos que afirmava ser de inclusão, quando se tratava de segregação ou exclusão, o que nos impulsionou criar este estudo, buscando identificar os saberes dos professores que atuam na Educação Infantil sobre as relações étnico raciais e inclusão de todas as crianças, bem como, reconhecer suas práticas cotidianas junto as crianças e como essas abordagens estão sendo trabalhada, discutida ou vivenciadas na Educação Infantil enquanto espaço de formação humana, oportunizando o reconhecimento e valorização da diversidade das crianças como espaço de vivências e inclusão na Educação Infantil. O estudo foi estruturado na abordagem qualitativa, com base exploratória, realizada através da aplicação de um questionário com a participação de 50 (cinquenta) professores da Educação Infantil de Campos Sales, no qual buscamos reconhecer as impressões, expressões, saberes, práticas e posicionamentos sobre a temática, buscando ainda, identificar lacunas diante dos direitos humanos e princípios éticos, estéticos e políticos frente a educação inclusiva e relações étnico raciais. Como fundamentos, apoiamos nas contribuições de Brasil, (2009;2017), Cardoso (2021), Ceará (2019), Nunes e Coelho (2022), Cavaleiro (2012), Corsaro, (2011), Drago (2011), Pimenta (2019), dentre outros. O estudo buscou possibilitar aos professores, articular os diversos saberes a partir das diversas aprendizagens para exercer uma docência concreta que incluam todas as crianças e valorize uma educação para as relações étnico raciais. Acreditamos, que a partir desse estudo, nossas reflexões levarão à novas compreensões e posturas diante da temática em estudo.
Oral
Abrir o trabalhoCor(poética)espiralar
VICTOR DE FREITAS DA SILVA
Este artigo tem o intuito de refletir sobre a poética do encantamento (MACHADO, 2014, p. 205), de modo a corporificar um pensamento anti-dialético. A cor(poética)espiralar não faz mais que explicar pelo encantamento o processo criativo da aparição, Negrume da Guerra (2020), na qual, a obra promove uma experiência de desmonte da lógica colonial, de modo a ocluir o colonialismo, objetivando um sacudimento imagético (ético, político e estético) que etno-reconcilia pelo território da memória o espectador. Em outras palavras, este artigo “não tem por pretensão enunciar a verdade absoluta das poéticas da diáspora” (SANTOS, 2014, p. 8), em razão disso, consideramos apontar minha poética do encantamento, se assim, implicasse ao contracolonialismo (BISPO, 2023, p.34), posto isto, advindo do pertencimento do corpo, corpo-território, memÓRÍa (SARAIVA, 2021, p. 116). Nesse sentido confluímos no que chamamos de cor(poética)espiralar, pensando a partir da poética do encantamento que desorganiza o tempo colonial por meio da narrativa mito-poética (BARBOSA, 2021, p.27) presente na concepção dramatúrgica da aparição.
Palavras-chave: MemÓRÍa,Etno-reconciliação da memÓRÍa,Ancestralidade,Poética do encantamento,Contracolonialismo
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoLegado das tecnologias africanas na metalurgia de Juazeiro do Norte – Ceará.
LUIS SHERMAN ARAÚJO SILVA
A metalurgia familiar de alumínio em Juazeiro do Norte é um tesouro ancestral profundamente enraizado na herança cultural africana (CUNHA, 2010), principalmente porque ainda faz uso da tecnologia do cadinho. Esta prática artesanal, transmitida de geração a geração, é um testemunho vivo da habilidade e criatividade dos artífices do metal da região. Os artífices de metal de Juazeiro do Norte não são apenas artesãos; são guardiões de uma tradição milenar, uma linhagem que remonta aos tempos ancestrais da África, onde a metalurgia era uma arte sagrada, conectada com os espíritos e a natureza. Os ferreiros em África são artesãos habilidosos que dominam técnicas antigas de forjar o metal com maestria, criando peças únicas e ricamente ornamentadas que refletem a rica cultura e tradições do continente africano (SILVA, 2008). Cada peça criada nesse contexto carrega consigo não apenas a maestria do artesão, mas também as histórias e vivências de uma comunidade que se mantém unida em torno de suas tradições. Desde a fusão do alumínio até a modelagem e o acabamento final, cada gesto é carregado de significado, de respeito pela tradição e de amor pela arte. Esta apresentação, fruto de uma pesquisa em andamento de história oral, pretende apresentar o universo das oficinas de metalurgia de Juazeiro do Norte que ainda hoje se valem de tecnologias ancestrais africanas, a exemplo do cadinho, fazendo da metalurgia uma arte e um símbolo de identidade.
Oral
Abrir o trabalhoBIOGRAFIAS EM MAPAS: PERCURSOS E SABERES SOCIOESPACIAIS DE APRENDIZAGEM DA JUVENTUDE NEGRA PRESENTE NA CASA DE QUITÉRIA
GEOVANIA AURELIANO DE LIMA; Maria Clara Lima da silva; Karlene Pereira de Lima
Desde 2017 a Casa de Quitéria, localizada no Baixio das Palmeiras (Crato-CE), têm atuado para trabalhar a valorização cultural da região, agroecologia e a Educação Popular, tendo como protagonista a juventude circunvizinha. Marcada por comunidades camponesas, maioria negra e/ou com ancestralidade indígena, essa vêm sofrendo com diversos conflitos territoriais. É a partir desses conflitos que as juventudes, especialmente a negra, têm se encontrado na Casa de Quitéria como ponto de cultura e resistência as transformações imposta pela lógica hegemônica. Historicamente são seus ancestrais que moviam os grandes latifúndios das terras desses sítios, ora sendo escravizados, outra trabalhando por sujeição ou sendo meeiro impositivamente. Consequentemente, muitas famílias nunca tiveram acesso ou terminaram o Ensino Básico. Dessa forma, em que ponto a Casa de Quitéria vem transformando essa perspectiva? Partindo dessa conjectura, este trabalho tem como objetivo analisar os percursos e saberes socioespaciais de aprendizagem da juventude negra que é presente nas atividades da Casa de Quitéria. Para tanto, este trabalho se estrutura em três etapas, sendo essas: levantamento bibliográfico, onde buscou autorias sobre juventudes negras e percursos socioespaciais para embasar o estudo; em seguida foi feito a pesquisa de campo, onde se realizaram mapeamentos com a juventude negra, buscando espacializar suas narrativas biográficas; e, por fim, foi feito a análise dos resultados, verficando o papel da Casa de Quitéria na formação e transformação dessa juventude. Como resultados pode notar que a Casa de Quitéria colaborou num olhar mais crítico sobre a identidade racial e territorial. Além disso, a Casa de Quitéria colaborou em incluir essa juventude negra em novos lugares sociais, sendo estes os primeiros das famílias a chegarem. Dessa forma, a Casa de Quitéria enriquece na formação político-territorial dessa juventude, fortalecendo os conhecimentos teóricos e as práticas sociais.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCINE COPA NA COMUNIDADE DO BAIXIO DAS PALMEIRAS: ANÁLISE DOS DEBATES NA EXIBIÇÃO DE “AS GUERRAS DA CONQUISTA” – DOCUMENTÁRIO GUERRAS DO BRASIL
FATIMA MIRIAN LIMA DINIZ
Resumo: O trabalho proposto tem a intenção de analisar o papel didático do uso do audiovisual como instrumento para construção de uma consciência crítica a respeito da realidade a partir da experiência da exibição do documentário Guerras do Brasil durante o projeto Cine Copa, na comunidade do Baixio das Palmeiras. O presente projeto visa trazer à tona questões pertinentes que permeiam a comunidade a partir da exibição de filmes seguidos do debate coletivo entre bolsistas, professor coordenador e a comunidade do Baixio das Palmeiras., assim como também temáticas que contemplam as relações entre lutas de classes, raça e resistência. No debate acerca do documentário, que teve como conteúdo principal questões como colonização, descolonização e povos originários, a comunidade do Baixio das Palmeiras, no Crato/CE demonstraram grande interesse sobre o tema proposto, assim, o debate gerou muitos questionamentos sobre até onde somos afetados pela a colonização, assim como também o papel que a igreja católica teve, principalmente na representação dos jesuítas na catequização dos povos originários e como isso está intimamente relacionado com a população brasileira ser majoritariamente católica. A temática, que não se esgota na colonização como algo que atravessa apenas os corpos dos indígenas, mas que também perpassa por um local de domínio do território e extermínio das populações originárias como parte do processo que veio a formar o Brasil, fez com que a comunidade relacionasse as questões históricas com as experiências da comunidade, percebendo como o processo de dominação existe até os dias atuais e como a resistência e luta se fazem necessários. É preciso destacar também que o projeto promove no momento de lazer a exibição de filmes com a intenção de promover uma reflexão crítica, com a intenção de um engajamento coletivo nas lutas a partir do reconhecimento de sua história, das experiências dos que também lutaram e são parte da história do Brasil.
Oral
Abrir o trabalhoCINEMA E CULTURA NEGRA: RETRATOS DE RESISTÊNCIA E REPRESENTAÇÃO A PARTIR DO CURTA METRAGEM “COMUNIDADES NEGRAS DO CARIRI CEARENSE” NA SALA DE AULA
MARIA YASMIN FERREIRA DE OLIVEIRA ; Alaide Maiara Lopes Gonçalves
A partir das telas é possível visualizar inúmeras representações, como o curta-metragem “Comunidades negras do Cariri cearense” produzido no ano de 2010 e dirigido por João do Crato, Paulo Fuísca e Verônica Carvalho. Esse curta retrata a história das comunidades Caracará e Arapuca, localizadas ao redor da Chapada do Araripe, mais precisamente na Serra Boca da Mata. Ao decorrer da trama há diálogos com as comunidades supracitadas e suas histórias de lutas e resistência para manter suas raízes, é evidenciado o conceito de quilombola e o orgulho que os mesmos sentem de pertencerem a resistência do povo negro. Essa situação intensifica-se com a construção do canal de Transposição do Rio São Francisco e o Cinturão das Águas do Ceará, que adentrará parte do Cariri até chegar na capital Fortaleza. Nesse sentido, a produção cinematográfica foi em prol de criar visibilidade para essas comunidades caririenses e o silenciamento de suas histórias e oralidade, sobretudo para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para o beneficiamento da população. Dessa forma, este trabalho tem como propósito analisar como essa obra cinematográfica contribui para o pensamento crítico escolar de adolescentes da EEMTI Alaíde Silva Santos, localizada em Juazeiro do Norte-CE, entenderem as transformações nos territórios negros do Cariri cearense provocadas por grandes obras hídricas. Para tanto, metodologicamente essa pesquisa se divide em levantamento bibliográfico, pesquisa de campo e análise de dados. A partir das vozes destacadas no curta-metragem e a discussão em sala de aula, percebe-se que a pauta mais enfatizada é a luta pelos seus direitos a necessidades básicas, como saúde, educação, acessibilidade, água de qualidade e questões territoriais. Portanto, é visível que o diálogo entre a linguagem cinematográfica e o ensino possibilita o pensamento critíco dos estudantes.
Palavras-chave: Pensamento crítico, Territórios negros, Ensino
Oral
Abrir o trabalhoDO BRASIL COLONIAL AOS DIAS ATUAIS: O CORPO DA MULHER NEGRA. A EDUCAÇÃO FORMAL ENQUANTO ROTA ESTRATÉGICA
NATÁLIA DANTAS RIOS ; KESYA JANYELLE RODRIGUES CRUZ
Esse trabalho objetiva problematizar o lugar da mulher negra no imaginário social brasileiro apontado a escola como rota estratégia na modificação social. Compreender as relações que transfiguram um momento histórico faz parte de um processo de captar todas as relações objetivas que se fazem presentes em um determinado contexto cultural. O papel que as mulheres desempenham desde a época do Brasil colonial até os dias atuais configuram base de sofrimento. No Brasil dos séculos XVI-XIX, as mulheres negras eram tratadas como objetos sexuais de seus senhores, além de garantir a sobrevivência da casa-grande, ficando à mercê dos caprichos das sinhás. Enquanto as mulheres brancas eram tratadas como “puras” e “dóceis”, as negras eram referenciadas com adjetivos pejorativos, associadas à libertinagem e à desordem. Para as mulheres negras foi negado o direito de amar, de ter seus próprios filhos, de construir uma família em uma conjuntura marcada pela objetificação e pelo imaginário da subserviência. Todo esse processo histórico é marcado por um sofrimento-ético-político dessas, sentenciado por hipersexualização num imaginário de fetichismo sexual. Ao mesmo tempo em que são desejadas, não são vistas como alguém com quem se possa manter um relacionamento. Esse comportamento é perpetrado por homens brancos, mas também por homens negros que sustentam a violência e o racismo. A escolha de não se casar ou de não ter filhos é uma possibilidade para as mulheres nos dias de hoje, mas para as mulheres negras isso nunca foi uma escolha, sempre foi uma imposição. Essa solidão das mulheres negras é fonte de muito sofrimento, pois retrata como elas são constantemente subalternizadas. Além da condição de mulher, as características raciais e fenotípicas das mulheres negras são a todo momento associadas a estereótipos negativos. O espaço escolar tem potencial de problematizar as relações éticos-raciais e de gênero de modo interseccional criando rodas estratégicas de transformação social.
Palavras-chave: Sofrimento-ético-político,Hipersexualização,Mulher negra,Racismo,Corpo
Oral
Abrir o trabalhoLazer e consciência de classe na comunidade do Baixio das Palmeiras em Crato-Ce
FRANCISCA CLARICE PEREIRA DA SILVA LEITE
O trabalho proposto tem a intenção de promover uma reflexão acerca do projeto de pesquisa intitulado “Cultura Corporal e Luta de classes: resistência no lazer auto-organizado pelos movimentos sociais no distrito do Baixio das Palmeiras- Crato-CE” afim de promover momentos de lazer e reflexões a partir da exibição de filmes, documentários e/ou vídeos acerca das demandas da comunidade do Baixio das Palmeiras, localizada em Crato. A intenção principal é exatamente fazer um elo, interligando e associando o referencial teórico sobre lazer, classe trabalhadora e luta de classes, promovendo um debate a partir do que a própria comunidade entende a respeito das temáticas, fazendo uma roda de conversa a qual este saberes serão compartilhados. Nesse sentido, partimos da visão do artista Denilson Baniwa, que em suas obras retrata o genocídio vivenciado pelos povos originários durante o período de “colonização”, acarretando o ocultamento de conhecimentos e estudos produzidos pelos povos indígenas. Com isso, o projeto visa aguçar o olhar crítico da comunidade a partir da temática sobre a colonização e analisar como essa afeta os corpos da classe trabalhadora deste local, possibilitando aos moradores desta comunidade a compreender melhor sua realidade por meio de recursos audiovisuais, proporcionando além do desenvolvimento do senso crítico momentos de lazer, que envolvem a arte, a ancestralidade e aspectos relacionados a cultura corporal que representam esse grupo – como o maneiro-pau e dança do coco conectando a comunidade do Baixio com as questões sobre povos originários, do seu direito à terra, propiciando o resgate cultural e o sentimento de pertencimento a essa cultura que merece reconhecimento diante do contexto regional.
Palavras-chave: Cultura,Indígenas,Lazer,Resistências
Oral
Abrir o trabalhoMENINAS COM A PEDRA NO SAPATO: RELAÇÕES DE GÊNERO NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO EM TEMPO INTEGRAL
MARIA CECÍLIA BEZERRA MAIA ; Amanda Monique Fernandes Siqueira; Cassio Expedito Galdino Pereira; Glauco Vieira Fernandes
Este trabalho tem a intenção de discutir interferências do patriarcado na rotina escolar das adolescentes mulheres na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Dona Maria Amélia Bezerra, em Juazeiro do Norte - CE. No cotidiano escolar das adolescentes matriculadas nesta escola, percebemos que as meninas têm dificuldades de se manterem nas aulas em tempo integral, por serem responsabilizadas por atividades domésticas que as impedem de frequentar, assiduamente, à escola e concluírem seus estudos: “a mulher deve ser tudo, mulher, mãe, trabalhadora, bem-sucedida, educada, bem-cuidada, participativa, empreendedora, entre tantos outros adjetivos”, Cunha (2023. Esta discussão nos atenta à sobrecarga de trabalho doméstico e responsabilidades impostas às meninas pelo fato de serem mulheres. Além dos estudos, a falta de acompanhamento pedagógico, psicológico, políticas públicas de incentivo às famílias de baixa renda e falta de estrutura nas instituições para atraírem e manterem essas meninas dentro das escolas, contribuem para este fato. Além do gênero, observamos que a raça e a classe social atravessam essas estudantes mulheres neste modelo de educação e nas suas vidas, ocasionando esses empecilhos. A integralização das escolas não possibilita acesso e permanência para todas as pessoas. É necessário um conjunto de ações voltadas à igualdade e à equidade, para que o Estado e a comunidade escolar proporcionem a transformação das realidades a que estudantes mulheres ainda estão sendo submetidas.
Palavras-chave: Mulheres,Equidade,Raça
Oral
Abrir o trabalhoO IMPACTO DO AUDIOVISUAL NA CONSCIÊNCIA ANTIRASCISTA: UMA ANÁLISE DO DEBATE NA EXIBIÇÃO DE “AS GUERRAS DOS PALMARES” PELO PROJETO CINE COPA NA COMUNIDADE DO BAIXIO DAS PALMEIRAS
CÍCERO ISMAEL SOUZA DOS SANTOS ; Allanna Larissa Silva Macêdo
O audiovisual, quando alinhado com debates reflexivos, pode gerar um efeito transformador, principalmente se utilizado no contexto de luta de classes. A comunidade Baixio das Palmeiras, Crato-CE, enquanto povo negro, alinhado ao projeto Cine Copa, promove debates de questões raciais e luta de classes, se tornando fundamental, a medida que a exibição de filmes evidenciam a opressão e a exploração enfrentadas pela classe trabalhadora negra e a resistência a essas condições. Assim, o Cine Copa, possui o intuito de contribuir para a compreensão dessas lutas, vivências e o lugar das relações de raça e classe que perpassam a sociedade, através do audiovisual, utilizando a exibição de filmes e documentários que retratam a cultura e a história de luta do povo negro. Portanto, o objetivo desta pesquisa é analisar como a exibição de filmes que retratam a resistência e luta do povo negro pode impactar a autoafirmação e a construção da luta coletiva da Comunidade do Baixio das Palmeiras. Por conseguinte, o projeto Cine Copa possui como metodologia a exibição de documentários e filmes seguidos de debates promovidos com a comunidade, onde os espectadores podem discutir os temas abordados, refletir sobre sua realidade e compartilhar experiências. O debate pós-exibição funciona como um espaço de troca e aprendizado, permitindo que os participantes expressem suas percepções e desafios de vida. A análise do impacto dessa metodologia será feita através do diário de campo a partir das falas dos debates, além de entrevistas e questionários com a Comunidade, tendo como foco a compreensão como o projeto Cine Copa contribui para a construção de uma consciência política da trajetória histórica de resistência e luta antirracista no território do Baixio das Palmeiras.
Palavras-chave: Classe,Raça,Baixio das Palmeiras,Resistência,Audiovisual
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoUtilizando Animações como Ferramenta Educativa para Abordar o Racismo na Infância: Uma Perspectiva Através da Animação Super Choque
MARIA LARYSSA MOURA SOARES ; Maria Étilla de Carvalho Bezerra; Thiago Alves Moreira Nascimento
É sabido desde a criação da lei 10.639/03 que foi decretada a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas do Brasil. Desta feita, faz-se necessária a criação de novas práticas e métodos pedagógicos. Como recurso metodológico, o uso de animações na Educação pode proporcionar resultados relevantes, pois permite abordar a pauta do racismo de forma mais clara e acessível para as crianças, e de forma integrada aos conteúdos curriculares. Sendo assim, essa pesquisa tem como objetivo geral a análise de possibilidades de práticas de Ensino de Ciências através do uso da animação Super Choque para uma Educação Antirracista. Esse trabalho caracteriza-se como uma pesquisa descritiva e qualitativa, principiando de uma simples reflexão sobre como combater o racismo, partindo dessa reflexão pode-se chegar a um caminho viável, utilizando de desenhos animados para alcançar esse objetivo. Trabalharemos em específico com a série animada Super Choque criada por Dwayne McDuffie, que tem como protagonista um adolescente afro-americano que luta contra o racismo estrutural que muitos jovens de bairros pobres da cidade de Dakota enfrentam. A animação apresenta críticas aos conflitos raciais e sociais trazendo um contexto entre hérois e vilões buscando evidenciar as mazelas de um jovem negro na cidade. Foi partindo do preceito de que o racismo é uma pauta pouco abordada na infância que surgiu a primeira ideia desse trabalho. Os resultados trazidos nesse discussão são da grande relevância em debater pautas raciais logo na infância. O uso de animações na educação infantil pode proporcionar grandes resultados, pois permite abordar a pauta do racismo de forma mais clara e acessível para as crianças. As animações conseguem transmitir conceitos complexos de maneira acessível e eficaz, por isso e atraente para as crianças o uso de animações como ferramenta pedagógica relevante para as pessoas compreenderem os dilemas da ciência e do racismo que acontece no vivido.
Oral
Abrir o trabalhoVIVÊNCIAS DE MULHERES NEGRAS NO ESPAÇO URBANO: UM ESTUDO DE CASO NO BAIRRO JOÃO CABRAL, JUAZEIRO DO NORTE-CE
CICERA KEVELYN FERREIRA DE OLIVEIRA CUNHA; Rayssa Gabrielly Gomes Carvalho; Francisco Joedson da Silva Nascimento
Este trabalho aborda a temática das mulheres negras e sua relação com o espaço urbano, tendo como foco o bairro João Cabral, localizado em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. Para a realização da pesquisa, foram realizadas entrevistas com três mulheres da comunidade. O estudo foi dividido em duas etapas: a teórica e a prática. A etapa teórica consistiu na análise de artigos, livros e vídeos relacionados ao tema em questão, permitindo uma fundamentação sólida para o entendimento do contexto das mulheres negras no espaço urbano. Já a etapa prática envolveu a imersão em campo, onde coletamos dados de acordo com as afinidades identificadas, visando alcançar os objetivos propostos pela pesquisa. Na pesquisa teórica entrevistamos essas mulheres com perguntas que trazem o foco de como elas se sentiam ao redor da nossa sociedade e se a cor de pele delas realmente importa ou afeta em algo, já que mulheres negras sofrem várias tipos de violências, especialmente o assédio e o racismo estrutural. Na prática, elas representaram algum acontecimento que elas presenciaram ou sofreram algum assédio, desconforto ou racismo, na forma de desenho. Dentro de todo esse análise e pesquisa, podemos ver que é essa a consciência de entender os privilégios e desigualdades sociais entre mulheres brancas e negras.
Palavras-chave: Espaço,urbano,violência, desigualdade social
Oral
Abrir o trabalhoResumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoMeu machado: arquitetura das variações de um coco no cariri cearense
MATHEUS SIMPLICIO RIBEIRO DA SILVA
O trabalho em questão, intitulado “Meu machado: arquitetura das variações de um coco no cariri cearense" aborda a construção de um repertório de cocos, com foco no lugar ocupado pelo coco Meu Machado e suas diversas variações. Para esta pesquisa, utilizamos o repertório de cocos da equipe do Behetçoho, que foi coletado por meio de entrevistas e gravações realizadas com cantadores de coco da região. Inicialmente, utilizamos a variação de acordo com o cantador, analisando a presença do Meu machado nos repertórios de Dona Naninha, Seu Ciro, Dona Maria e Dona Maria em conjunto com Seu Ciro. Continuando na mesma linha de trabalho, daremos um foco à versão cantada por Dona Maria. Ao acompanhar Seu Ciro, seu marido, durante uma vida inteira, sendo ele o coquista principal, Dona Maria presenciou o canto do Meu Machado inúmeras vezes. Mesmo diante disso, a sua versão do Meu Machado possui características únicas que podem ser somente atribuídas ao seu canto, evidenciando a sua posição enquanto guardiã da memória dos cocos. Assim, os saberes obtidos por Seu Ciro foram passados para Dona Maria sem que isso interferisse na sua forma de cantar o Meu Machado.
Palavras-chave: coco,tradição,oralidade,repertório de cocos,canto dançado
Oral
Abrir o trabalhoUM SATÉLITE NA CABEÇA: IMAGEM E TRADIÇÃO NO ESTUÁRIO ESTÉTICO DO MANGUEBIT
GEORGE ANTONIO CORREIA FEITOSA
Propomo-nos a explorar as imagens poéticas e a tradição poético-discursiva na música e no discurso de duas bandas do movimento Manguebit(beat), entre 1980 e 2007. A linha-mestre do movimento é o entendimento dialético entre duas principais esferas culturais: a local e a universal, configuradas por meio do conflito e da articulação entre expressões populares e tradicionais brasileira, latino-americanas e africanas e expressões anglo-americanas e inglesas. É o método da Cooperativa Mangue; a dimensão musical, é a afrociberdélica. Nossa leitura projeta uma conversão entre o horizonte poético de cinco canções, em que emana uma visão estética de mundo, de um sistema organizacional que age na composição da realidade urbana da grande cidade moderna, como produto da contribuição estética do legado afro-latino-brasileiro e do norte global. Nossa proposta pressupõe iluminar o diálogo com o contexto musical e irrestrito da música mangue, o Manguebeat, isto é, com seus fundamentos musicais e festivos de origem africana, latino-americana e brasileira (o Soundsystem, o Reggae, o Samba, o Maracatu, a Ciranda, o Afrobeat, o Fuji, a Makossa etc) e anglo-saxônicas (o Rock, o Fuzz Jazz, o Funk etc). Esse acervo musical se deve ao que Lorena Calábria (2020) chama de hedonismo musical e deriva-se de um circuito interno de eventos organizado pelo próprio coletivo e que mantinham viva aquela cena. As festas reuniam o grupo e já ajudavam a formar um sistema que envolvia agenda cultural, cinema, música e outras expressões, como circulação de fanzines, produção em quadrinhos etc. Esse circuito serviu de laboratório para as idéias que se tornariam o escopo do Manguebit e resultou no método experimental moderno e transformador, em que preponderam as experiências de fusão estética. Uma marca singular do movimento é dada pelo modo como essas experiências se articulam a uma visão social desencantada e crítica, que trouxe reflexões acerca da situação brasileira.
Palavras-chave: Manguebit,Cultura popular,Canção popular,Poesia,Música popular
Oral
Abrir o trabalhoA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA ESCOLA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES 17 DE FEVEREIRO (2023-2024)
DOMINGOS MENDONÇA DINGA
É evidente na sociedade guineense que a violência de género está ganhando cada dia mais força, e de maneira particular, nas escolas. A violência de género se refere à más condutas e atitudes prejudicais baseados no gênero e que ocorrem nas diferentes formas e espaços, tomando como exemplos assédio sexual, agressões físicas ou verbais e descriminação baseado no género, violência psicológica entre professor/a e aluno/a. Tais ações comprometem a segurança e o bem-estar das vitimas e, pode criar um ambiente de ressentimento que afeta o desempenho académico e desenvolvimento pessoal. A escola escolhida é uma instituição pública cujos os desafios de compreender a dimensão das violências ainda estão fora da discussão, ainda que seja provocada por uns professores/as, a própria direção administrativo, não está preparada a mudar. Propomos como objetivo compreender como os professores, alunos e a direção lidam com esse problem. Para isso, o trabalho realizou-se sob pesquisa exploratório e documental que possibilitou o andamento até aqui. Os resultados obtidos até agora mostram uma certa preocupação em relação ao ambiente pedagógico, onde os envolvidos não têm ou recusam saber das várias denúncias e casos omissos que ocorrem naquela escola.
Oral
Abrir o trabalhoCorpos violados: algumas considerações sobre a violência contra a mulher negra no Cariri
CINTHIA GOMES TEIXEIRA; Aline da Silva
Este artigo investiga a violência contra a mulher na cidade de Crato, Ceará, na segunda metade do século XIX, focando nos crimes de defloramento e estupro. A pesquisa utiliza inquéritos policiais, processos criminais do Centro de Documentação do Cariri (CEDOCC) para analisar como as mulheres eram submetidas à violência e à dominação masculina. A história dessas mulheres, muitas vezes ignorada pela historiografia tradicional, é revelada através de documentos judiciais, que mostram as táticas usadas por elas para defender sua honra em uma sociedade que as julgava com base em normas morais e religiosas rígidas. Além disso, o artigo destaca como as mulheres negras enfrentavam ainda mais desafios, devido ao racismo e ao sexismo que as colocavam em uma posição ainda mais vulnerável. Elas eram frequentemente relegadas a papéis sociais inferiores, e suas vozes eram ainda mais silenciadas. A análise busca dar visibilidade a essas mulheres, mostrando como sua luta por dignidade e justiça reflete a complexa interseção entre gênero e raça na história do Brasil. O artigo também reflete sobre como as mulheres negras, historicamente marginalizadas, enfrentavam um duplo desafio: além de serem submetidas à violência e à dominação masculina, sofriam com o racismo institucionalizado.
Oral
Abrir o trabalhoDIVERSIDADE E REPRESENTATIVIDADE NOS BRINQUEDOS: IMPACTOS NA CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES NA EDUCAÇÃO INFANTIL.
ALINE DA SILVA; CINTHIA GOMES TEIXEIRA
O brincar, elemento central na educação infantil, não apenas contribui para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças, mas também desempenha um papel crucial na formação das identidades de gênero e étnico-raciais. Este estudo de revisão de literatura, de caráter qualitativo, tem como objetivo examinar os impactos da representatividade nos brinquedos infantis e suas implicações para a construção das identidades de gênero e a percepção étnico-racial na educação infantil. Utilizando as bases de dados SciELO e Google Acadêmico, foram selecionados artigos publicados entre 2010 e 2023. A pesquisa inicial identificou 13 estudos relevantes, dos quais 2 foram selecionados por tratarem diretamente do tema em estudo. Na ocasião fizemos leitura completa do artigo e da tese de doutorado. A revisão destacou a importância de incorporar brinquedos mais representativos nas práticas pedagógicas da educação infantil, com o intuito de fomentar ambientes educacionais mais inclusivos e que respeitem a diversidade. Conclui-se que a representatividade nos brinquedos não é apenas uma questão de escolha ou mercado, mas um elemento fundamental para a promoção de uma educação que valorize e respeite as diferenças, preparando as crianças para uma convivência em uma sociedade plural e equitativa.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO INFANTIL,REPRESENTATIVIDADE RACIAL,IDENTIDADE DE GÊNERO,BRINQUEDOS
Oral
Abrir o trabalhoENSINAR E APRENDER SOBRE O FEMINISMO NEGRO ALÉM DA ESFERA ACADÊMICA: AS IDENTIDADES DAS MULHERES NEGRAS NO SISTEMA CARCERÁRIO.
ANA MARIA DE JESUS SILVA; Zuleide Fernandes de Queiroz
Através da pesquisa e da educação, é viável, por meio de movimentos sociais, buscar um modelo de educação antirracista que promova práticas discursivas e gramaticais de resistência. Neste texto, iremos conhecer a história de uma mulher encarcerada e as oportunidades de compartilhar sobre suas experiências na construção e no fortalecimento de uma educação e práticas feministas antirracistas dentro das instituições prisionais. A pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa, apoiando-se na história oral para aprofundar-se na vida de uma mulher negra que sofre os efeitos da invisibilidade social, educacional e política. Centralizamos este micro trabalho a unidade prisional feminina da cidade de Crato - CE, este ambiente carcerário é representado por 112 mulheres detentas em celas físicas no semestre de 2023/2. É fundamental, por intermédio de práticas educativas antirracistas, estimular diálogos sobre feminismo no ambiente prisional e discutir os direitos que essas mulheres, marginalizadas pela sociedade, precisam reivindicar. Em vista disso, acreditamos que a história vida foi a que melhor se adaptou a essa investigação e estudo. Pois, a população carcerária feminina que compõem a unidade prisional feminina do Crato - CE, conforme dados extraídos do Departamento Penitenciário Nacional (SENAPEN) que se refere de julho a dezembro de 2023/2, estão classificadas por cor, raça e gênero. As quais configuram-se em: 2 mulheres amarelas, 1,79%; 32 mulheres brancas, 28,57%; 68 mulheres pardas, 60,71% e 10 mulheres negras, 8,93%, e a quantidade de mulheres gestantes e parturientes é de 5 detentas. (Brasil, 2024). Dessa forma, poderemos entender os desafios e as dificuldades que essas mulheres negras enfrentam no dia a dia do sistema carcerário.
Palavras-chave: Educação antirracista, mulheres negras, cárcere feminino
Oral
Abrir o trabalhoESCUTAR MULHERES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA FRENTE DE MULHERES DO CARIRI
MACEDÔNIA BEZERRA FELIX
Escutar mulheres tem sido um dos principais trabalhos realizados na Frente de Mulheres do Cariri. A Frente é um coletivo de mulheres feministas que se articulam no Cariri Cearense desde 2014 com o intuito de feminizar e enegrecer os movimentos na região (ISIDORIO ET AL, 2015). Este escrito vem dividir a experiência de escuta de uma mulher entre outras, através do ofício da Psicanálise neste coletivo. A cada ano cresce o número de mulheres, em diversas situações de violência que procuram mulheres na Frente de Mulheres para partilhar suas dores. Ao tempo que essas mulheres denunciam a fragilidade das políticas públicas na região, se reforça um movimento de aquilombamento (NASCIMENTO, 2007) pensado e organizado por mulheres que se contrapõe a uma lógica de solidão e silenciamento. A partir de qual lugar essas mulheres que falam são ouvidas? O trabalho vem compartilhar um saber fazer pela prática da escuta (FREUD, 1923/2023), atravessado por um pensamento feminista decolonial (CURIEL, 2020), antirracista (RIBEIRO, 2019) e interseccional (AKOTIRENE, 2020), que reconhece na fala uma via que move posições subjetivas ao escutar mulheres como sujeitos (LACAN 1958/1998) e, não apenas, como vítimas.
Palavras-chave: Escuta, Mulheres, Violencia, Frente de Mulheres do Cariri, Psicanálise
Oral
Abrir o trabalhoGÊNERO, RAÇA E ATUAÇÃO PSICOLÓGICA NO CONTEXTO PRISIONAL FEMININO: RELATO DE APRENDIZAGENS EM GRUPO DE PESQUISA SOB O FOCO DA CRIMINOLOGIA ANTIRRACISTA
GISLANIA FERREIRA DE LIMA; Benedito Medrado Dantas
Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a atuação e formação psicológica no contexto prisional feminino, tendo como base as relações étnico-raciais e sob o foco da Criminologia Antirracista. Tais reflexões se orientam pelo reconhecimento de que as lógicas de controle nas instituições prisionais se articulam com a estrutura ideológica colonial e sua perspectiva racializada, que direciona quem deve ser punido ou silenciado. O método utilizado foi a produção discursiva em relato de aprendizagens junto a um Grupo de Pesquisa de Iniciação Científica realizado em 2023 e intitulado “Estudos sobre os crimes de ódio, violência racial e saúde integral da população negra sob o foco da criminologia preta”. As análises dialogaram com a revisão de literatura sobre gênero, raça e atuação psicológica com mulheres encarceradas. O grupo promoveu o debate sobre a necessidade de produção de conhecimento que rompa com o pensamento criminológico ocidental e suas concepções éticas e filosóficas eurocêntricas, destacando uma Criminologia Antirracista difusora do pensamento negro para as ciências jurídico-criminais e da saúde. Estratégias pedagógicas de grupos de pesquisas em universidades podem se tornar espaços de resistência quando abordam temas que fogem da matriz curricular tradicional, potencializando o aquilombamento de estudantes e professores posicionados em prol da equidade social dentro e fora da academia. Sobre o tema do aprisionamento de mulheres negras, desenvolveu-se saberes no intuito de superar análises criminológicas descritivas e incorporar a discussão das injustiças sociais no sistema judicial, que se alimenta de tecnologias da colonialidade. É o olhar interseccional que constrói uma Psicologia atenta às vivências de camadas historicamente marginalizadas e que interage com as epistemologias trazidas pelo feminismo negro, queer, periférico e/ou indígena, promovendo um posicionamento profissional ético-político na atuação psicológica com mulheres encarceradas.
Palavras-chave: Psicologia,Criminologia Antirracista,Mulheres Encarceradas
Oral
Abrir o trabalhoHISTÓRIA DE VIDA E MORTE: COMO A VIOLÊNCIA DE GÊNERO É PROBLEMATIZADA NO ENSINO DE HISTÓRIA
AMANDA MONIQUE FERNANDES SIQUEIRA
Este trabalho elabora uma revisão sistemática da literatura sob a perspectiva de analisar o estado da arte de estudos relacionados à abordagem da morte no ensino de história, a partir da relação homo sacer e ensino de História. O objetivo é perceber se há discussão dessa temática a partir do que o livro didático oferece e como ela é feita através da ótica do ensino de história na educação básica. Para essa revisão foram consultados banco de dados com trabalhos acadêmicos como a BDTD e a Periódicos da CAPES, com o intuito de selecionar trabalhos que trouxessem esse panorama. O rastreio nessas plataformas resultou em uma Dissertação com o desenvolvimento da pesquisa focado em saber como as questões relacionadas à morte, à necropolítica, ao homo sacer e sob o enfoque dos Direitos Humanos, chegam aos estudantes do Ensino Fundamental II. Através desta pesquisa notamos como essa temática carece de enfoque, principalmente no que diz respeito à representação dos corpos matáveis pelas políticas e práticas sociais, no ambiente escolar. É necessário que a problemática da morte seja discutida em sala de aula para que haja transformação política e social.
Oral
Abrir o trabalhoINTERSECCIONALIDADE E FORMAÇÃO PROFISSIONAL: UM OLHAR SOBRE A DISCUSSÃO DE RAÇA E GÊNERO NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM SAÚDE A PARTIR DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DOCENTES.
FRANCISCA JANIELE FELIPE FEITOSA
O referido resumo advém dos estudos realizados para a elaboração da dissertação do mestrado profissional em ensino em saúde, que possui como tema “Raça e gênero em interseccionalidade na curricularização da extensão: experiências nos cursos de saúde em instituição de ensino superior no interior do Ceará”. Desta forma, será abordado a discussão da perspectiva interseccional entre raça e gênero no âmbito da formação profissional em saúde, por isso propõe o seguinte questionamento: as práticas pedagógicas e a formação profissional relativas ao ensino superior possibilitam a realização desse debate? A partir dessa problemática estruturou-se o seguinte objetivo: entender se as práticas pedagógicas possibilitam o debate interseccional entre raça e gênero no âmbito da formação profissional em saúde. Trata-se de um estudo teórico, descritivo, de caráter exploratório e abordagem qualitativa. Pode-se dizer que vivências isoladas ou desarticuladas, não garantem o desenvolvimento de uma postura mais empática ou problematizadora dos acadêmicos, por isso aponta-se como possibilidades o investimento em formação docente, associado a outras experiências e teorizações no decorrer da graduação. Acredita-se que essas intervenções podem promover o desenvolvimento de novos olhares, que corpos privilegiados possam refletir sobre as desigualdades estruturadas na sociedade, para que corpos silenciados e excluídos deixem de ser objeto de estudos e passem a protagonizar outras esferas da sociedade.
Palavras-chave: ensino superior ,interseccionalidade,práticas pedagógicas
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoINTERSECCIONALIDADES CORPO-POLÍTICAS E DESOBEDIÊNCIA EPISTÊMICA NAS LITERATURAS NEGRA E MARGINAL/PERIFÉRICA
THIAGO SILVA GALVINO
Esta pesquisa busca compreender as intersecções corpo-políticas nas Literaturas Negra e Marginal/Periférica como formas de desobediência epistêmica. Para isso, nosso marco teórico conta com os estudos descoloniais de Walter D. Mignolo (2017), sobre a modernidade/colonialidade, para compreensão das dinamicas geopolíticas do poder colonial, mas também da desobediência epistêmica como possibilidade de resgate e valorização das experiências corpo-políticas (Mignolo, 2008) dos povos nativos e afro-diaspóricos. Nesse sentido, o objeto de pesquisa são os estudos críticos de Mirian Alves (2010), Uruguay Cortazzo (2018), e Audre Lorde (2019), aliados aos estudos de Patricia Hill Collins e Silma Birme (2020) sobre interseccionalidade. Leda Maria Martins (2019) defende que o corpo é a encruzilhada que desvela as especificidades e as aspectualidades das sophias nos códigos simbólicos estabelecidos por uma sociedade. Para a autora, o corpo é o agenciador privilegiado das práticas culturais, orque ele é sensível aos saberes de sua comunidade/sociedade, como também constantemente performa essas sensibilidades no cotidiano (Martins, 2019). A linguagem poética seria, assim, compreendida como mediadora entre o profundo e o superficial, o singular e o universal, o espírito e o corpo. Ela configura-se para acolher as demandas antagônicas e contraditórias da vida, reorganizando-as em uma forma motivada/engajada, o poema, nas quais as experiências indizíveis da existência tomam corpo. Nesse sentido, a literatura negra tem como proposta epistemológica a opção descolonial de desobediência epistêmica. Dessa maneira, na luta contra o racismo, abrir espaço para a literatura produzida pelas populações marginalizadas historicamente possibilita a “[...] busca pelo letramento racial e visualização da negritude, a partir da leitura de autores negros, da busca pelas versões não européias da história, [que] se manifestam como pontapé inicial para esse enfrentamento” (Souza, Silva e Macêdo, 2023).
Palavras-chave: Literatura Negra,Literatura Marginal/Periférica,Poesia,Desobediência Epistêmica,Corpo-política
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoMASCULINIDADES SUBALTERNIZADAS: REPRESENTAÇÃO AUDIOVISUAL NO FILME “A TERCEIRA MARGEM DO RIO”
GABRIEL HOLANDA ALMEIDA
Este resumo tem por objetivo apresentar uma breve reflexão acerca do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado como “Masculinidades subalternizadas em Chorozinho: A terceira margem do rio”. O trabalho utilizou-se das ferramentas do audiovisual para analisar as masculinidades na cidade de Chorozinho, Ceará, ao passo que lançou luz sobre as masculinidades que fogem do padrão hegemônico estabelecido, já que essa funcionou como categoria de análise para discutir as performances de gênero e sexualidade. Deste modo, pretende-se discutir sobre as relações de poder que as masculinidades carregam, bem como a construção social delas, em especial aquelas subalternizadas (CONNEL, 1995; SPIVAK, 2010), como mostra o filme resultante do TCC supramencionado. Além disso, debateremos questões que emergem nos lócus como família, escola e cinema no cenário nordestino cujas as representações das masculinidades são extremamente estereotipadas (ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2011). Em consonância com as críticas de bell hooks (2023) ao cinema, serão debatidos os instrumentos metodológicos do audiovisual na reprodução dos estereótipos racistas, homofóbicos, sexistas e transfóbicos, além da criação de novos imaginários sobre aquelas/es que são subalternizadas/os. Por fim, pode-se destacar o que Geisy e Ana Eugênio afirmaram no XIII Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra ao apresentarem seu filme, “Nosso papel enquanto produtoras e intelectuais negras é encorajar a todes a ocupar os diversos espaços de poder” (SILVA e SILVA, 2022).
Oral
Abrir o trabalhoNÃO BASTA TOLERAR! A URGÊNCIA DA INSERÇÃO DO GÊNERO, DA SEXUALIDADES E DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NOS CURSOS DE FORMAÇÃO DOCENTE
RENATA DA SILVA BARBOSA; Cícero Joaquim dos Santos
A sociedade é constituída de normas e regras que foram sendo impostas dentro de uma ideia política e econômica que se estrutura a partir do patriarcado, do sexismo, do racismo, do eurocentrismo. Esses marcadores socioespaciais (re)produzem espacialidades oprimidas, que muitas das vezes não consegue se emancipar aos mecanismos de violação dos direitos sociais. Desse modo, e buscando trabalhar com uma educação propositiva, almeja-se analisar como as categorias de gênero, de sexualidade e das relações étnico-raciais vem sendo inseridas no currículo de formação dos docentes da área de Geografia e da Pedagogia, da Universidade Regional do Cariri – URCA, em prol de uma educação que não apenas tolere a diversidade do outro, mas a compreenda na sua estranheza e singularidade. Logo, para desenvolvimento da presente pesquisa, será utilizado como ferramenta metodológica a pesquisa bibliográfica, utilizando de autores referências no debate de gênero e das questões étnico-raciais, e a pesquisa documental, o qual será analisado o Projeto Político Pedagógico dos respectivos cursos, instigando a pensar quais as reflexões realizadas nas disciplinas para formação docente, que tenha destaque para a questão de gênero, de sexualidade e das relações étnico-racial. Assim, pode-se concluir que mesmo diante discussões cada vez mais presentes na ciência brasileira, a formação docente nos respectivos cursos, ainda ocorre de forma a desconsiderar esses marcadores socioespaciais como questões urgentes a serem trabalhadas nas escolas.
Oral
Abrir o trabalhoO ATIVISMO DIGITAL: TRAJETÓRIA INSTITUCIONAL DO PORTAL GELEDÉS
ANDRÉA GEISIANE GOMES DA SILVA
O presente trabalho fará uma avaliação da trajetória do Portal Geledés - Instituto da Mulher Negra. O portal se articula como mecanismo de mudança social em rede na efetivação dos direitos da mulher negra e propaga a participação democrática na esfera online e no espaço público urbano. A pesquisa terá foco na discussão do feminismo negro, utilizando o portal como política pública antirracista, que procura promover a participação social, bem como as igualdades de gênero, raça e classe. A pesquisa analisa a trajetória do Portal Geledés (Instituto da Mulher Negra) e suas ações na promoção do ativismo digital para o fortalecimento do feminismo negro. Os aspectos metodológicos são a netnografia e a Avaliação em Profundidade. O feminismo deveria conseguir agregar as especificidades das lutas de todas as mulheres. No entanto, as mulheres negras têm subjetividades que as envolvem, ou seja, essas questões perpassam o feminismo e o Movimento Negro Unificado, evidenciando as novas demandas para o movimento de mulheres negras (Carneiro, 2011). A metodologia será qualitativa e netnográfica que se inter-relaciona com a análise da rede social de diversas formas importantes, pois a etnografia na esfera online tem descrições expansivas, densas e detalhadas que colaboram para o estudo em rede. A netnografia analisa as relações entre os atores sociais e os vínculos existentes entre eles.
Palavras-chave: Política Pública Antirracista,Ativismo Digital,Nenografia,Avaliação em Profundidade
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoO CENTRO SOCIOEDUCATIVO COMO ESPAÇO DE REFLEXÕES RELACIONADAS À RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS, DE GÊNERO E SEXUALIDADE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
Neste estudo, parte-se de que o Centro Socioeducativo é um espaço não-escolar, onde são priorizados os debates sobre as relações étnico-raciais, gênero e sexualidade. O presente relato de experiência aborda estratégias utilizadas para tratar temáticas pertinentes como: dominação e submissão da relação homem/mulher; problematização sobre a perpetuação da disseminação de uma cultura patriarcal, machista, sexista e de exclusão; violência contra a mulher; perspectivas antirracistas, antiLGBTQIA+fóbicas e descolonizadoras; dentre outras. Os resultados indicam que a socioeducação é um processo de formação humana integral e consiste na articulação entre os eixos do desenvolvimento físico, mental, moral e social. Trata-se de um espaço protegido, capaz de oportunizar novas possibilidades ao adolescente e sua família, promovendo o exercício da cidadania e assegurando a proteção integral. Vale ressaltar que a grande maioria do público atendido nestes centros é composto por pessoas negras, invisibilizadas e marginalizadas socialmente, vítimas do racismo estrutural. A pesquisa se direciona ao Simpósio Temático: Gênero, sexualidade e relações étnico-raciais.
Palavras-chave: Socioeducação,Relações étnico-raciais,Gênero,Sexualidade
Oral
Abrir o trabalhoO CHEIRO DA LYCRA: A DANÇA CONSTRUINDO NARRATIVAS DE ENFRENTAMENTO
ALYSSON AMANCIO DE SOUZA
O ‘Cheiro da Lycra’ é uma obra da Cia Alysson Amancio, grupo de dança contemporânea caririense, realizada através do Projeto Corpos, Danças (Des) Fronteirizades no Laboratório de Criação em Dança 2021 do Porto Iracema das Artes. Uma pesquisa colaborativa com os artistas Luiz Renato e Kel Maia e tutoria de Fauller. A dramaturgia se faz a partir das memórias do intérprete-criador Alysson Amancio, seus enfrentamentos de entender-se e assumir-se gay /negro/ artista da dança haja vista ter nascido “macho” no interior do Ceará onde as expectativas eram e ainda são, na maioria dos casos, marcadas por estereótipos de gênero, raça e capital. A obra provoca uma reflexão sobre constante e árdua luta de descolonializar-se da brancacisheteronormatividade. Nessa perspectiva, a presente escrita é uma reflexão como as artes cênicas e mais especificamente a Dança pode ser uma ferramenta importante para a produção de novos discursos/subjetividades na luta contra as necropoliticas. No tocante ao referencial teórico os dialogos acontecem principalmente através de bell hooks, Grada Kilomba e Achille Mbembe.
Palavras-chave: Dança,Cia Alysson Amancio,Enfrentamento
Oral
Abrir o trabalhoO Impacto da Abordagem Interseccional na Compreensão das Questões de Gênero no Ceará Científico
CICERA LIMA DE ARAÚJO; BÁRBARA ALMEIDA OLIVEIRA
O presente relato de experiência tem como finalidade apresentar os usos do conceito de interseccionalidade na estruturação dos projetos para o Ceará Científico desenvolvidos na EEMTI José Waldemar de Alcântara e Silva, localizada no interior do estado do Ceará, na cidade de Salitre. A inserção do conceito na estruturação de três projetos desenvolvidos pelos estudantes da escola permitiu a inclusão de marcadores sociais e econômicos que não se restringem apenas à dimensão de gênero ou à dicotomia masculino-feminino. Os projetos sobre violência de gênero, monoparentalidade feminina, saúde mental, relações de trabalho trouxeram para o contexto escolar um conjunto de discussões sustentadas em perspectivas múltiplas da problemática debatida. Por essa ótica, o presente relato apresenta como objetivo geral discutir os conceitos de interseccionalidade através das práticas de ensino e pesquisa no contexto da educação básica. Enquanto uma produção de abordagem qualitativa de caráter descritivo, utiliza-se da pesquisa bibliográfica na construção do aporte teórico utilizado na construção dos projetos. Isto posto, defende-se a importância e a necessidade de permitir aos educandos desenvolver a capacidade de operacionalizar de forma prática conceitos que atravessam suas vivências cotidianas. Este tipo de prática possibilita compreender a escola como um espaço que vai além das notas, indicadores e pressões por adequação às dinâmicas profissionais, permitindo (re)pensar os projetos e os processos de ensino como formadores de consciência social, histórica e crítica que considerem as diversidades e desigualdades às quais somos submetidos no nosso processo de desenvolvimento.
Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS E DISRUPÇÕES: PERFORMANCES DE GÊNERO NA COMUNIDADE, VULNERABILIDADE SOCIAL E INTERSECCIONALIDADE.
CLARA EDILSANIA NOGUEIRA DA SILVA
O presente trabalho visa apreender as performances de gênero de uma comunidade em situação de vulnerabilidade social, e partir disso, construir caminhos metodológicos para se trabalhar a temática neste ambiente. Com uma abordagem interseccional de gênero, raça e classe, tensiona-se como esses marcadores exacerbam situações de vulnerabilidades para determinados grupos. A pesquisa, ainda em andamento, também pretende apreender as práticas disruptivas presentes na comunidade, e entender como as participantes performam gênero, e como tais aspectos são compreendidos por elas. O estudo leva em consideração que as performances refletem transformações do ambiente social e cultural e que já podem existir práticas disruptivas na comunidade protagonizadas pelas mulheres, mesmo que não sejam reconhecidas ou entendidas como tal, e que esse não reconhecimento é parte de um distanciamento epistêmico da temática. Deste modo, se problematiza como o conceito de gênero precisa se tornar mais inclusivo e plural para chegar em todas as camadas e grupos sociais, e alcançar além dos muros da academia. A pesquisa pretende contribuir com essa aproximação do conceito de gênero em ambientes comunitários e, do mesmo modo, incluir práticas comunitárias como forma de disrupção e transformação epistêmica nesses estudos, em consonância com os marcadores de raça e classe.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoSEQUÊNCIA DIDÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: RELATO DE CASO SOBRE A DISCUSSÃO ÉTNICA EM “O GATO E O ESCURO” DE MIA COUTO
MARIA JÉSSICA SOUSA LIMA ; Luane Diniz Dos Santos; Sâmia Maria Lima Dos Santos
A literatura infanto-juvenil é um importante suporte para tratar de questões complexas presentes na sociedade, levantar questionamentos e exemplificar situações de uma maneira mais acessível às crianças. Segundo a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, a criança é um sujeito social e histórico que está inserido numa organização familiar e numa sociedade com uma determinada cultura e momento histórico. Temos como objetivo entender como a narrativa e as ilustrações dão suporte para que as crianças tenham compreensão e percepções de forma ampliada, vasta e positiva, em consequência também estabelecer valores estéticos e éticos sobre as diversidades. Este trabalho é o relato de experiência de uma sequência didática pensada para a pré-escola, a partir do livro “O gato e o escuro” de Mia Couto com ilustrações de Marilda Castanha, que tem sua temática em torno da questão do medo do escuro, do desconhecido. Segundo Machado (2001) a leitura ficcional nos obriga “a entrar na pele de um outro e entender seus motivos, nos acostumando a uma aceitação intrínseca da diversidade”. Dessa maneira, este trabalho dialoga com autores como: Miguez(2000), Benjamin (1983), Frantz Fanon (2008) entre outros. Constatamos que ainda permeia o imaginário das crianças a figura do gato preto como algo ruim, e ao trabalhar a sequência didática a cor preta e tons escuros que na maioria das vezes não eram utilizados nas pinturas artísticas e desenhos em sala de aula, passaram a usadas, assim, foi possível ampliar as percepções das produções artísticas demonstrando uma maior aceitação da cor preta e por conseguinte das diversidades.
Oral
Abrir o trabalhoTerritórios em Minoridades: Corporeidades femininas negras
NAYARA LIMA LONGO
Este trabalho busca apresentar alguns elementos levantados quando da escrita da dissertação de mestrado concluída junto ao Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense. O que se propõe é dar passagens a experiências intensivas que atravessam a construção de corporeidades femininas negras, através de breves narrativas por entre histórias, acontecimentos, fragmentos de vidas que talvez ajudem na composição de um mosaico de elementos que possam disparar questões sobre em que condições se dá a produção de existências femininas negras na atualidade. Corpo e cabelo, destacaram-se neste percurso como elementos importantes nestas práticas de subjetivação, de maneira que é sobre os seus modos de constituição que incidirão basicamente o foco destes fragmentos de experiências. O investimento busca, sobretudo, tensionar algumas das hierarquizações identitárias emergentes neste processo, procurando com isto dar passagem à potência de afirmação de cada corpo na composição de liberdades possíveis. Utilizando como metodologia a cartografia, busca-se acompanhar um pouco da trajetória de vida de uma trançadeira, que através de suas práticas e problematizações nos alimenta na composição de modos mais soberanos e belos de existência.
Oral
Abrir o trabalhoVIOLÊNCIA DE GÊNERO NA ESCOLA NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO-ENA-BISSAU (2023/2024)
GERALDÃO UTILIANO JOSÉ MAURÍCIO QUADÉ
No ano letivo de 2023/2024, a Escola Nacional de Administração enfrentou uma série de incidentes relacionados à violência de gênero, destacando a necessidade urgente de abordar esse problema no ambiente escolar. Foram registrados diversos casos de violência de gênero. Alunos/as relataram casos frequentes de assédio verbal e físico por parte dos colegas de ambos os sexos, outros devido as questões de identidade de gênero e/ou orientação sexual. Atos de discriminação e exclusão social com base no gênero foram observados, afetando o bem-estar psicológico das vítimas. Posto isto, o trabalho tem como objetivo analisar os riscos das violências baseadas no gênero naquela escola. Adotou-se a pesquisa exploratória e documental. A administração da escola adotou várias medidas para combater a violência. Foram realizadas palestras e debates para educar/re alunos/as e funcionários/as sobre igualdade de gênero e respeito. Implementação de políticas mais rigorosas contra esse ato, treinamento para professores/a e funcionários/as sobre o assunto. Embora essas medidas tenham trazidos alguns resultados positivos, como o aumento da conscientização entre os alunos/as, desafios significativos permanecem. Há uma resistência cultural entre alguns alunos em aceitar as novas normas de comportamento. A escola enfrenta limitações de recursos para implementar programas contínuos de prevenção e apoio.
Oral
Abrir o trabalhoVIOLÊNCIA DE GÊNERO NO BAIRRO DA AJUDA, GUINÉ-BISSAU
ESTEVÃO MENDONÇA
Bairro de Ajuda, um bairro com estrutura arquitetônica colonial tem vindo a chamar atenção da sociedade guineense no que refere à violência baseada no gênero feminino, fato este, muitos movimentos juvenis do mesmo bairro têm desenvolvidos atividades de sensibilizações para chamar atenção das autoridades nacionais no sentido de maior proteção às mulheres, jovens e crianças. O trabalho tem como objetivo compreender os fatores que contribuem no avanço da violência em gênero no bairro em estudo. Para realização deste trabalho, foi feito um recorte temporal para o período de 2023 e foi adotado metodologia, a pesquisa exploratória, conversa informal com os sujeitos selecionados e análise bibliográficas. Os resultados são surpreendentes, ainda que a pesquisa esteja na fase de conclusão, pode-se ver que, muitos não sabem se de fato, algumas práticas na sociedade guineense constituem violência de gênero, pois são naturalizados na sociedade tornando assim desconhecidos por muitos que as praticam. Concluímos que é urgente a participação do estado e das organizações no sentido de contribuir com projetos de atuação comunitárias para ajudar na mudança no atual quadro de violência naquele bairro, por meio de eventos, estudos e conhecimento das leis nacionais e internacionais que explicam esse assunto.
Oral
Abrir o trabalhoVIOLÊNCIA DOMÉSTICA NAS MULHERS DE 18 A 35 ANOS NA SECÇÃO DE SAFIM (2020-2023)
TIDA SEIDI; UMARO BALDÉ; OSNELA YASMINE BIAIA; ESTEVÃO MENDONÇA
Esta pesquisa propõe compreender as razões da violência de gêneno na secção de Safim. A violência doméstica está ganhando cada dia mais força na sociedade contemporânea e atualmente toda sociedade está enfrentando este problema, inclusive a nossa que não está isenta desta realidade social. A violência doméstica refere-se a comportamentos e atitudes prejudicais como agressões físicas, verbais e psicológicas, tais práticas comprometem a segurança e o bem-estar das vitimas, pode criar um ambiente de ressentimento que afeta o desempenho familiar e desenvolvimento pessoal. . Entretanto o referido estudo restringe-se numa das secções da do Sector de Safim (secção do mesmo nome). Presenta estuda utiliza como metodologia a pesquisa exploratória, associada à pesquisa de campo e bibliográfica, como proposta central compreender a violência domestica nas mulheres, isto é, compreender o por quê da violência, quais são os determinantes que influenciam a prática deste fenómeno social e das suas consequências no Safim.
Oral
Abrir o trabalhoA APRENDIZAGEM COOPERATIVA E SUAS INFLUÊNCIAS NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DE GÊNERO E ÉTNICO-RACIAL.
JOSÉ RAIMUNDO DE LIMA NETO; José Raimundo de LimaNeto; Evelin Mangueira do Nascimento
A Aprendizagem Cooperativa está centrada na colaboração participativa com os indivíduos ativos em um grupo, viabilizando assim que as relações interpessoais de gênero e étnico-racial sofram impactos positivos na vida escolar e social dos estudantes. No âmbito educacional o procedimento cooperativo desenvolve um ambiente propício para que discentes de diversas identidades de gênero e origens étnico-raciais cooperem em prol de objetivos comuns. A presente produção tem por objetivo analisar os cenários e possibilidades da metodologia que favoreça o desenvolvimento integral do indivíduo com valores sociomorais, e nesse contexto, descrever e analisar: Como a Aprendizagem Cooperativa pode influenciar no desenvolvimento de uma Educação antirracista? O conjunto metodológico utilizado, além de pesquisas bibliográficas, engloba ações de cunho quanti-quali, por meio de entrevistas com docentes e aplicação de formulário para os estudantes, com finalidade de investigar os possíveis impactos resultantes do uso da Aprendizagem cooperativa no cotidiano escolar e meio social que se busque equidade. Contudo, utilizamos entre outros, a seguinte bibliografia: ADICHIE, C. N. Sejamos todos feministas. Cristina Baum (Trad.) Notting Hill: Fourth Estate, 2014; FREIRE, P. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro: Grupo Editorial Record, 1992; NUNES, C. COELHO, W. N. B. Educação étino-raciais no cariri cearense: Orientações didático-pedagógicas. Crato-CE: Editora Cooperativa Parentes, 2022; Entrevistas: Professor Doutorando Francisco Ivanildo de Sousa, 2024; Professor Mestre Carlos César Pereira de Sousa, 2024; Coordenadora Mestre Maria de Fátima Pereira Araújo, 2024. Assim, a essência colaborativa no geral é inclusiva e apresenta menores casos de discriminação, contribuindo com uma cultura que defende a equidade, permitindo que diversas perspectivas sejam consideradas e valorizadas, o que decorre maior integração entre pessoas de diversos grupos étnicos e de gênero.
Oral
Abrir o trabalhoA TRANSVERSALIDADE DO ENSINO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NOS CURSOS DE DIREITO
ANTONIA JANAINA GOMES LOPES; Lara Raíssa Branco Rodrigues Veríssimo
A construção de uma democracia livre, justa e solidária passa pelo resgate da história e da memória a história e cultura afro-brasileira. No campo educacional, a abordagem de tais questões é essencial para uma Educação em Direitos Humanos, conforme o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH, 2003), e posteriormente, a Resolução n. 1/2004, do Conselho Nacional de Educação (CNE), e a Lei n. 11.645/2008, trouxeram a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira em todos os níveis da educação nacional, o que inclui o ensino superior. Diante desse cenário normativo, em 2018, a Resolução n° 5 do Ministério da Educação (MEC) estabeleceu, dentre as diretrizes para os Cursos de Direito, a abordagem do ensino da cultura :afro-brasileira como tema transversal. Por isso, esse trabalho investiga a seguinte questão: como transversalizar o ensino da cultura afro-brasileira nos currículos dos cursos de Direito? O objetivo geral da pesquisa é explicitar formas transversais de inserir o ensino da cultura afro-brasileira no currículo dos cursos de Direito. O percurso investigativo segue os seguintes objetivos: entender o conceito de tema transversal para construção de um currículo multidimensional; analisar o marco jurídico-educacional do ensino da cultura afro-brasileira no ensino jurídico; e apresentar o ensino da cultura afro-brasileira como eixo articulador para um currículo multidimensional nos cursos de Direito. A metodologia adota uma abordagem dedutiva, objetivos básicos e natureza explicativa, com técnicas de pesquisas qualitativas, por meio de uma revisão narrativa de literatura. A pesquisa aponta que a integração do ensino da cultura afro-brasileira nos cursos de Direito vai além do cumprimento de diretrizes normativas, também representa avanço na formação de profissionais comprometidos com a justiça social, o respeito às diferenças e a construção de uma identidade nacional que inclua a cultura afro-brasileira entre os seus pilares.
Palavras-chave: Ensino Jurídico,currículo, temas transversais,cultura afro-brasileira
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoBRINCANDO REISADO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA PROPOSTA AFRO-AFETIVA
RAYANNE PEREIRA DO NASCIMENTO; Sara Raquel de Alencar Ferreira Ulisses
Esse trabalho tem como objetivo evidenciar as relações da Pedagogia Afro-afetiva com o Reisado nos espaços educativos através dos valores civilizatórios afro-brasileiros. Ele é fruto dos resultados de duas pesquisas realizadas no Mestrado Profissional em Educação na Universidade Regional do Cariri. A primeira destas foi intitulada “O ensino das africanidades através do Reisado no Cariri Cearense” e a segunda como “Diversidade Étnico-Racial na Educação Infantil: dialogando com o Projeto Político-Pedagógico e com a formação docente”. Ambas orientadas pela Dra. Cícera Nunes, na linha de pesquisa “Práticas Educativas, Culturas e Diversidades”, e; sublinha “Educação para o patrimônio, currículo e relações étnico-raciais”, configurando experiências pedagógicas antirracistas pautadas na disseminação dos valores civilizatórios afro-brasileiros. Nesse processo estabelecemos um diálogo afro-afetivo entre a brincadeira do Reisado e a Educação Infantil; primeira etapa da educação básica que tem nos eixos norteadores as interações e as brincadeiras conforme estabelecido no art. 9º das DCNEI (BRASIL, 2009). Esse diálogo permitirá às crianças ampliarem seus repertórios artísticos a partir das representações, musicalização, danças, conhecendo e se reconhecendo na história do reisado, contribuindo com aprendizagens significativas às suas memórias, ancestralidades e territorialidades. Vale salientar que propostas como esta contribuem na efetivação da Lei 10.639/03 na vida das crianças, as quais exercerão os direitos de aprendizagem e desenvolvimento estabelecidos na BNCC (BRASIL, 2018): conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se; experenciando as relações étnico-raciais, gerando sentimentos afro-afetivos entre seus pares/adultos mediante os valores, assim, contribuindo com uma educação antirracista. Para tanto, as teóricas destacadas foram: Nunes (2007; 2014), Nascimento (2022; 2023) e Ulisses (2022; 2024), e o uso da abordagem qualitativa e pesquisa-ação.
Palavras-chave: Reisado,Educação Infantil,Pedagogia Afro-afetiva
Oral
Abrir o trabalhoCOLAGEM E RACISMO AMBIENTAL: DIÁLOGOS ENTRE ARTE E SABERES ANCESTRAIS NA EXPOSIÇÃO "TERRA EM TRANSE"
KAMILA RODRIGUES DE SOUZA SILVA; Francisca Sâmia da Silva Julião
Este estudo busca expor e explorar as vivências que foram adquiridas e desenvolvidas na oficina artística, que uniu a técnica da colagem a uma reflexão sobre o racismo ambiental, em consonância com a exposição “Terra em Transe”, ocorrida entre os meses de Setembro 2023 e Agosto 2024 no Centro Cultural do Cariri A proposta foi guiar essa atividade por meio da perspectiva triangular de Ana Mae Barbosa, além da abordagem pedagógica ancestral "miolagem" do Grupo de Valorização Negra do Cariri - GRUNEC, integrando também os conhecimentos de Ailton Krenak (2019; 2022) e Nego Bispo (2023). A intenção foi enfatizar e apresentar a visão dos povos originários sobre a conexão entre corpo, território e natureza, combinando esses elementos com a criação coletiva por meio da colagem. Desta forma nosso objetivo é direcionar nossa atenção para a temática ambiental, especialmente o racismo ambiental, evidenciando seu impacto nas periferias do Brasil. Justifica-se o uso da colagem como recurso escolhido devido à sua essência acessível e inclusiva, buscando transmitir visualmente as reflexões que surgiram dos participantes. A partir dessa metodologia, conseguimos alcançar uma pedagogia ancestral, validando os saberes através da oralidade, reconhecendo o corpo a partir do território e de sua relação, e criando, assim, uma prática de aquilombamento. Isso amplia a visão sobre questões que nos afetam, com um recorte específico sobre a temática. A abordagem do fazer artístico se concretiza, permitindo que o visual transmita a discussão de forma clara e acessível. Vivências como essa, onde gerações se encontram para compartilhar saberes e construir novas visões, são potentes. Elas abordam e conectam questões sociais à exposição, permitindo que o público se sinta mais à vontade no espaço, superando o distanciamento do cubo branco. Com práticas assim, as pessoas podem valorizar seus saberes, reconhecer a sabedoria dos mais velhos e reforçar seu pertencimento a esse local.
Palavras-chave: Racismo Ambiental,Colagem,Exposição Terra em Transe,Prática Antirracista
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoCONEXÕES E CONFLUÊNCIAS DAS INFÂNCIAS COM A NATUREZA A PARTIR DE UMA COSMOVISÃO AFRICANA E AFRODESCENTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL
ALAN CORDEIRO DA SILVA; Priscila Maria de Souza Camilo; Thaysa Gabrielle da Silva Santos
Este trabalho objetiva apresentar os resultados preliminares de uma pesquisa ainda em andamento que versa sobre o direito das crianças ao contato com a natureza em creches e pré-escolas. A pesquisa tem como objetivo geral analisar o que está sendo oferecido às crianças nos espaços e tempos institucionais com relação ao seu direito a vivências na natureza em uma instituição de educação infantil do Crato, Ceará. Mais especificamente objetiva: i) verificar como se constitui o ambiente institucional, designadamente com relação ao direito das crianças aos espaços naturais e ao contato com os elementos da natureza, buscando na escola a presença de espaços potencialmente promotores de interações e vivências de desemparedamento das crianças, na busca de se propor experiências pedagógicas de conexão com a natureza a partir das africanidades. Nesse sentido, essa pesquisa vem dialogando com os estudos cunhados por Lea Tiriba (2010) e Barros (2018) sobre a relação da infância com a natureza, em consonância as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira (Brasil, 2004), Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2009), assim como aos valores civilizatórios africanos e afro-brasileiros sistematizados por Trindade (2010) e as africanidades no Cariri cearense por Nunes (2011). Em termos metodológicos, esta investigação de natureza qualitativa se caracteriza como um estudo de caso interventivo, a partir de observações do ambiente escolar, de entrevistas individuais com as professoras e proposição de atividades afrorreferenciadas. Sabendo que as creches e pré-escolas são espaços férteis para se reinventar o mundo de forma amorosa e respeitosa para com a natureza e com o outro, esperamos que esta pesquisa agregue às práticas docentes escolares a corporificação de valores civilizatórios que foram e são impressos pelos povos africanos e afrodescendentes, em especial no território caririense.
Palavras-chave: Educação Infantil,Natureza,Africanidades,Desemparedamento
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Abrir o trabalhoCURSO DE DIREITO DA URCA E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: REFLEXÕES ACERCA DO CURRÍCULO DO BACHARELADO
LUIZ WENDESTENY SILVA TEIXEIRA; Cicera Nunes
Este trabalho é parte de um estudo em andamento que se objetiva a discutir a veiculação de questões sobre as relações étnico-raciais no currículo do curso de Direito da Universidade Regional do Cariri (URCA). Trata-se de uma pesquisa qualitativa cuja abordagem envolve a análise documental e discussão do currículo e projeto político-pedagógico do curso de Direito, buscando averiguar se há viabilização de discussões relacionadas à identidade e cultura étnico-racial. Considera-se como uma temática de grande relevância, uma vez que, o Direito atua de maneira a promover à proteção aos Direitos Humanos, assim como, a inclusão e a equidade, sobretudo no tocante às políticas públicas de reversão das desigualdades, dentre estas, o enfrentamento ao racismo. O estudo está ancorado nas reflexões de Livia Maria Nascimento Silva (2022), Cícera Nunes (2024) e Adilson Moreira (2017; 2022). Espera-se ampliar o debate que possibilite a compreensão de como a formação jurídica dos estudantes do curso de Direito pode enfatizar uma educação antirracista e crítica, de modo que os (as) futuros (as) juristas sejam mais preparados (as) a fim de que o sistema jurídico funcione de maneira equânime.
Palavras-chave: Curso de Direito,Relações Étnico-Raciais,Currículo
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoDESAFIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA JORNADA ANTIRRACISTA
JOÃO PAULO DE LEMOS
O presente artigo se vale da escrevivência como método (Evaristo, 2020) para situar minha trajetória enquanto estudante que, desde os primeiros contatos com o racismo, na cidade de Tracunhaém, até a chegada a Caririaçu como professor do Ensino Básico, foi vivenciando e aplicando conhecimentos da luta antirracista. A partir da experiência vivida (FANON, 2020) ao longo dessa trajetória, pude ressignificar elementos e reverberar conceitos importantes para que a luta antirracista se tornasse uma proposição permanente no ensino de história, evidenciada no grupo de pesquisa “Estudos Clube da História e Jornadas Antirracistas” que coordeno desde 2023. Nesse sentido, em diálogo com os documentos oficiais da BNCC e do DCRC, a nível nacional e estadual, procurei aproximar história e memória, passado e presente, com enfoque nas vivências locais e intersubjetivas, para analisar de que forma se pode efetivar a construção de um ensino de história antirracista. Assim, as teorias de Koselleck (2014), Ribeiro (2019), Fanon (2020) e Césaire (2022), dentre outros, nos ajudam a refletir sobre como nossos antepassados e seus ensinamentos romperam o racismo estrutural (Almeida, 2020) e podem ser conduzidos às nossas escolas para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E JUSTIÇA SOCIAL: CONSTRUÇÃO DE UMA CARTILHA SOBRE RACISMO AMBIENTAL NA PRÁTICA EDUCACIONAL DE GEOGRAFIA DO ENSINO FUDAMENTAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO.
FRANCIELE MARIA COSTA FERREIRA; SUSANA DAINARA TERTO DE OLIVEIRA
O trabalho apresentado é referente a um relato de experiência da elaboração da cartilha para práticas pedagógicas na disciplina de geografia do ensino fundamental do estado de Pernambuco, que surgiu como uma alternativa de apoio aos professores de ensino fundamental nas suas práticas em sala de aula. A educação antirracista tem ganhado força nos últimos anos e, com isso, tem se desenhado um novo caminho para uma educação verdadeiramente comprometida com os movimentos sociais negros, que não só movimenta uma estrutura socialmente racista, mas que também incomoda parte dessa sociedade detentora de privilégios, que de certa forma, é determinante para a perpetuação desse sistema. De todos os mecanismos pelos quais o racismo se apresenta dentro das relações sociais, reforço a importância de chamar a atenção para um conceito que vem ganhando notoriedade, principalmente dentro do campo geográfico: O RACISMO AMBIENTAL. Por isso, me propus a construir uma discussão acerca das relações étnico-raciais a partir da geografia, e diante disso, apresento possibilidades metodológicas com base em habilidades do componente curricular do estado de Pernambuco, para que assim, possamos estar verdadeiramente comprometidos com uma educação antirracista e plural. Com base em autores como Almeida (2019); Anjos (2017) (2020); Bento (2022); Santos (2023); Mbembe (2018), Sousa (2022) a cartilha foi produzida no primeiro semestre do ano de 2024, em parceria com a Secretaria Executiva de Desenvolvimento da Educação do Estado de Pernambuco, e distribuída para todos os professores de geografia do ensino fundamental dos anos finais do estado pernambucano.
Palavras-chave: Racismo Ambiental, Educação Antirracista, Práticas Pedagógicas, Geografia Escolar
Oral
Abrir o trabalhoENSINO DE HISTÓRIA E MÚSICA: O RAP COMO ARTE E FERRAMENTA DE EMPODERAMENTO NEGRO
FRANCISCA SÂMIA DA SILVA JULIÃO
O presente trabalho propõe de forma breve relatar e refletir sobre a experiência vivenciada ao longo da oficina “Ensino de História e Música: O Rap como arte e ferramenta de empoderamento Negro” realizada no escola de Ensino Médio EEFM Clotilde Saraiva Coelho que fica localizada no bairro Pirajá, na cidade Juazeiro do Norte/CE, no mês de junho de 2024. Esta atividade é um desdobramento do Estágio Supervisionado V, que faz parte da grade curricular do curso de Licenciatura Plena em História da Universidade Regional do Cariri - URCA. A oficina partiu de um desejo intrinsecamente ligado ao interesse pessoal da autora em compreender as mais diversas formas de resistência e manifestações voltadas para o tema culturas afrodiaspóricas. O enfoque principal foi entender o significado e a importância da implementação da Lei 10.639/03, especialmente no que tange à abordagem racial nos currículos escolares, destacando a habilidade do Rap como uma arte que auxilia na formação da identidade dos alunos e alunas negras. Esse momento foi bastante interessante, onde culminou em um debate em que oportunizou o aprofundamento das reflexões deste estilo enquanto movimento cultural de protesto e crítica aos meios de opressão. Além disso, possibilitou a construção de uma reflexão sobre as letras, a percepção da importância deste gênero como potencializador de trocas de vivências e como uma ferramenta pedagógica possível no contexto educacional, especialmente através do ensino de História. A construção deste relato também se sucedeu em parceria com o projeto de pesquisa Caminhos para a descolonização: A arte como ferramenta para uma transformação antirracial, PIBIC-FECOP.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoEPISTEMOLOGIAS NEGRAS E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: O TRATO COM AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO CURSO DE PEDAGOGIA DA URCA
SÂMIA MARIA LIMA DOS SANTOS ; Luane Diniz Dos Santos2; Maria Jéssica Sousa Lima3
Este trabalho é fruto de uma experiência pedagógica vivenciada por uma ex-professora substituta da Universidade Regional do Cariri (URCA), localizada no Sul do Ceará. As motivações para a realização do presente estudo nasceram de experiência vivenciada ao ministrar a disciplina “Educação e Cultura Afrodescendente”, no nono semestre do curso de Pedagogia da instituição. Assim, o estudo fundamenta-se em revisão bibliográfica e relato de experiência que diante da constatação da escassez de produção literária de autoria negra nos cursos de formação inicial utilizou como estratégia pedagógica o contato dos discentes com a literatura de autoria negra, promovendo momentos de reflexão e análise. O levantamento bibliográfico examinou a produção acadêmica comprometida em fazer a denúncia da ausência de referenciais teóricos que partem das visões de mundo dos povos africanos e da produção do conhecimento no contexto afro diaspórico. Fundamentam esse estudo os seguintes autores: Cunha JR. (2011), Gomes (2012), Petit (2015); Nunes; Santana e Franco (2021) e Meijer (2019). Nesse sentido, o trabalho advoga por uma didática afrorreferenciada que pense as perspectivas teóricas e práticas da formação inicial e continuada de docentes visando desconstruir a base epistemológica e metodológica eurocentrada dos currículos dos cursos de formação inicial, uma didática que se estruture a partir de um paradigma afrocentrado. Esperamos ao término deste trabalho contribuir para a análise crítica em torno da necessidade de pôr em xeque a teoria educacional de base colonial e sua relação com o epistemicídio relativo ao conhecimento das populações negras.
Oral
Abrir o trabalhoESCREVIVENDO “EPISTEMOLOGIAS E DESAFIOS NO ENFRENTAMENTO AO RACISMO NA GEOGRAFIA BRASILEIRA”: UMA CONSTRUÇÃO DIDÁTICA PARA PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO MÉDIO DE PERNAMBUCO.
SUSANA DAINARA TERTO DE OLIVEIRA; Franciele Maria Costa Ferreira
O trabalho apresentado é referente a um relato de experiência da elaboração da cartilha para práticas pedagógicas na disciplina de geografia do ensino médio do estado de Pernambuco. A Geografia se apresenta como uma ciência preocupada em compreender o ser humano e suas relações com o espaço, e, para além disso, compreender de que forma essa relação social constrói e dinamiza suas dimensões espaciais. É importante considerar o incentivo de uma compreensão sobre a relação sociedade x espaço de forma crítica e autônoma por parte dos educandos, buscando utilizar a Geografia como ferramenta essencial para interpretação de uma realidade que ainda é desconhecida, porque sofreu um apagamento histórico. Sabendo que a cultura afro-brasileira sofreu e ainda sofre com um intenso processo de apagamento, principalmente dentro das instituições de ensino, pois “os silenciamentos praticados pelas escolas não contribuem para a formação de uma consciência crítica nos alunos” (Loureiro; Nunes, 2019, p. 421), é importante pensarmos em formas de dialogar e analisar o processo de formação dessa cultura, em diversidade étnico-racial, pertencimento e pluralismo na formação de povos e nações. Para isso, precisamos dos aportes necessários, e no caso do Brasil, há uma lei que obriga que todas as instituições de ensino, privadas ou públicas, insiram em seus currículos o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, que é a Lei nº 10.639/2003. Por isso, a ideia da cartilha surge como uma alternativa para apoio e assistência aos professores nas suas práticas em sala de aula acerca das epistemologias e desafios no enfrentamento ao racismo na educação, com foco na geografia do Brasil a partir da referida lei. Com base em autores, como, Gomes (2003; 2017); Moura (2010); Souza (2016); Ratts (2007); Silva (2005), a cartilha foi produzida no primeiro semestre do ano de 2024, em parceria com a Secretaria Executiva de Desenvolvimento da Educação do Estado de Pernambuco.
Palavras-chave: Cartilha didática, Cultura afro-brasileira e indígena, Geografia do Brasil, Diversidade étnico-racial
Oral
Abrir o trabalhoFANON NO MANICÔMIO: O APAGAMENTO DE UM PSIQUIATRA NEGRO
DANILO OLIVEIRA DA SILVA; Ana Luísa da Silva Farias
Esta pesquisa se debruça sobre a literatura para explorar a persistência da violência racial na história brasileira e seu impacto na academia, onde predominam epistemologias eurocêntricas. A exclusão e o silenciamento de pensadores críticos, como Machado de Assis, exemplificam como a academia perpetua a dominação racial. O conceito de epistemicídio, que se refere ao extermínio das memórias ancestrais de grupos minorizados, é central na discussão. Nesse cenário, Frantz Fanon, psiquiatra martinicano, é destacado por suas análises sobre colonialismo e opressão racial, ainda é pertinente ressaltar, que suas obras são de grande relevância na discussão sobre a atenção psicossocial, em especial, no que concerne a luta antimanicomial. Desse modo, apesar de suas contribuições significativas, a relação de Fanon com o campo da saúde mental foi minimizada no Brasil nas últimas três décadas. Este trabalho questiona se Fanon poderia ser visto como vítima de epistemicídio no contexto da luta antimanicomial, investigando suas influências e concepções sobre a rede de cuidado psicossocial.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoHISTÓRIA DOS AFRODESCENDENTES NO BRASIL: UM OLHAR SUBJETIVO SOBRE A DISCIPLINA DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
EMANUELA FERREIRA MATIAS; NATÁLIA VIVIANE SANTOS DE MENEZES; REBECA SILVA DE OLIVEIRA
No Brasil, a visão eurocêntrica tem perpetuado uma desigualdade educacional pondo à margem disso os africanos e os afrodescendentes, distorcendo assim as suas narrativas históricas. Visando reverter essas ordens pré-estabelecidas e dar voz à história não contada, a Universidade Federal do Ceará introduziu em 2002 a disciplina “História dos Afrodescendentes no Brasil” no curso de pedagogia, como uma matéria optativa. Com isso, o objetivo da pesquisa é entender a percepção dos alunos sobre a disciplina História dos Afrodescendentes no Brasil, já que eles optaram por incluí-la em seu percurso de formação. A pesquisa, de natureza qualitativa, exploratória, descritiva e retrospectiva, foi realizada com estudantes que cursaram a disciplina nos dois semestres de 2023, abrangendo uma amostra de 18 alunos de graduação. É possível perceber o impacto significativo na formação docente e acadêmica dos alunos, apesar de ainda haver surpresa ao se deparar com temas relacionados às populações afrodescendentes. Os alunos destacaram a importância dos conteúdos estudados, fazendo-os compreender a presença da cultura africana na sociedade brasileira, abrangendo aspectos como cultura, urbanização, economia e gastronomia. Também houve o reconhecimento racial e a valorização das africanidades ao reconhecer no cotidiano as práticas estudadas em sala de aula. Vemos portanto a importância da disciplina para a formação docente e a necessidade da obrigatoriedade desses conhecimentos no currículo, em conformidade perante a Lei n° 10.639/03.
Palavras-chave: História dos Afrodescendentes,Práticas Pedagógicas Antirracistas, Formação Docente.
Oral
Abrir o trabalhoInfâncias e natureza: desemparedamento das crianças na perspectiva de uma educação afrorreferenciada
JANIELE SIMIÃO DOS SANTOS
Os Parâmetros Nacionais de Qualidade para Educação Infantil (Brasil, 2006, p.18) conceituam as crianças como “[...] cidadãos de direitos; indivíduos únicos, singulares; seres sociais e históricos; seres competentes, produtores de cultura; indivíduos humanos, parte da natureza animal, vegetal e mineral”. Torna-se imprescindível o contato das crianças com a natureza em creches e pré-escolas, o que lhes constitui um direito, conforme o documento “Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças” (Brasil, 2009), que aponta como indicadores de qualidade: ambientes com plantas e canteiros; banho de sol; brincadeiras com água, areia, argila, pedrinhas, gravetos e outros elementos da natureza; passeios ao ar livre, visitas a parques, jardins e praças arborizadas; direito a olhar para fora através de janelas mais baixas e com vidros transparentes; inclusão das famílias na programação relativa à natureza. Tais indicadores se entrecruzam com a tese de Lea Tiriba (2005) e os valores civilizatórios afro-brasileiros de Trindade (2005). Assim, o objetivo desta pesquisa é conhecer como as práticas pedagógicas têm conseguido ou não promover vivências de crianças da educação infantil significativas à garantia de seus direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer (se) em relação com a natureza, considerando os ensinamentos de Lea Tiriba (2005) sobre o desemparedamento das crianças e os valores civilizatórios afro-brasileiros de Trindade (2005). A pesquisa de campo ocorre mediante um estudo de caso interventivo, em uma escola de educação infantil do Crato, Ceará, mediante observações do ambiente escolar e de entrevistas com as professoras. Nas observações iniciais, já foi possível verificar que o ambiente da escola dispõe de espaços que podem ser revitalizados para proporcionar às crianças vivências afrorreferenciadas na natureza, o que nos leva a crer que poderemos deixar uma contribuição importante à escola.
Palavras-chave: Infâncias,natureza,desemparedamento,valores civilizatórios afro-brasileiros
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Abrir o trabalhoLETRAMENTO LITERÁRIO ANTIRRACISTA NO CONEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
MARIA JÉSSICA SOUSA LIMA ; Luane Diniz Dos Santos; Sâmia maria Lima Dos Santos
O primeiro contato com a literatura, na maioria das vezes, acontece no espaço escolar, assim, a educação infantil cumpre um papel de destaque por ser a primeira etapa da educação básica. Literaturas abordadas pelo circulo de cultura com referências de personagens negros(as) através do letramento literário é imprescindível na contribuição da construção das identidades de crianças negras e não negras, como também, na luta pela descontrução do racismo estrutural presente na sociedade. As discussões propostas neste trabalho tem como objetivos refletir sobre importância do letramento literário antirracista no contexto da educação infantil, ao analisar a abordagem proposta pelo projeto de leitura: Construindo laços através da leitura promovida pela CEI - Centro de Educação Infantil Ana Izaura Brito Leite, situada no distrito de Ponta da Serra - CRATO - Ce, nos anos de 2022 e 2023. Desta forma, tendo como base os portfólios da instituição para relato de experiência e embasamento teórico de autores como, Munanga (2005); Bento (2011); Silva Júnior (2012); este trabalho buscou aspectos da estruturação do Círculo de Cultura através das literaturas infantis “Cabelo bom é o que?” de autoria de Rodrigo Goecks e “Menina bonita do laço de fita” de autoria de Ana Maria Machado. Constatou-se que o projeto visou explorar ambas as literaturas de diversas maneiras, sempre no viés de promover a diversidade e o respeito às diferenças, através das personagens meninas e seus cabelos crespos, foram oportunizados espaços para a valorização da educação para a diversidade e construções identitárias das crianças.
Oral
Abrir o trabalhoO ENCONTRO AS ARTES, A LUTA, OS SABERES E OS SABORES COMO UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E DAS RELAÇÕES ÉTNICOS RACIAIS NO MUNICÍPIO DE SALGUEIRO PERNAMBUCO.
JOSÉ ALUIZIO MATIAS
Trata-se do recorte de uma pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional em Ensino de História da Universidade Regional do Cariri – URCA que busca analisar a contribuição do Encontro “As artes, a luta, os saberes e os sabores” realizado bianualmente pela Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas – Salgueiro – Pernambuco para a formação continuada dos (as) professores (as) da área de história. O referido evento vem acontecendo desde 2017 a partir de uma parceria entre a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas – AQCC e o Movimento Intercultural e Identidade (Portugal) da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. O encontro fomenta diálogos entre os conhecimentos acadêmicos e os conhecimentos tradicionais na perspectiva de promover uma educação quilombola e antirracista. A ação reafirma existência do povo quilombola no território pernambucano e conta com a participação de inúmeras instituições educacionais de Salgueiro e de outros municípios e Estados. A comunidade quilombola, fundada pelo protagonismo de seis negras crioulas livres que chegaram na região, está localizada no Sertão Central pernambucano no 2º distrito na zona rural ficando à distância de 41,5 km da sede do município de Salgueiro Pernambuco. A história oral, a ancestralidade e o protagonismo feminino ressignificam a relação de Conceição das Crioulas com o seu território projetando outras possibilidades de educação a partir da relação de pertencimento com as trajetórias de luta da população negra no contexto brasileiro. A pesquisa, de abordagem, qualitativa, se baseará na história oral dos (as) professores (as) de história procurando compreender como essa ação impacta nos seus processos formativos e como tem colaborado no processo de implementação da Lei Nº. 10.639/03 que alterou a LDB Nº. 9.394/96 tornando obrigatório o ensino da história e cultura africana e afrobrasileira e das DCN’s para a Educação Escolar Quilombola (2012).
Palavras-chave: Ensino , Escola, Relações Etnico-Raciais
Oral
Abrir o trabalhoO LETRAMENTO RACIAL NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS
ANA PAULA SANTOS SANTANA
A alfabetização é um fator importante no trilho educativo. Porém, é necessário integrá-la ao processo de letramento. Este, acarreta ao indivíduo, ações voltadas ao ser social no contexto ao qual está inserido. Dessa forma, percebe-se que o ato de ler e escrever, tem um papel importante de articulação, entre diversas áreas de conhecimento, possibilitando o engajamento das relações étnico-raciais em sua composição. Mediante este quadro, e as minhas vivências como professora negra e alfabetizadora, veio o anseio de pesquisar e contribuir para o meio acadêmico com o tema aqui destacado. Através do letramento racial, o discente constrói sua identidade, possibilitando o respeito a si próprio, e ao outro. As práticas pedagógicas são determinantes no desenvolvimento do ler, escrever e ser. Assim, faz-se necessário um corpo docente que compreenda a diversidade existente nas instituições escolares. Alencar e Nogueira (2019), destacam a relevância de tratar as relações étnico culturais de forma profunda e contínua. Com isso, professores e professoras, serão determinantes, para que esta prática ocorra efetivamente no terreiro da escola. Este escrito possibilita trazer a reflexão da magnitude da alfabetização associada ao letramento racial, como forma de propagação de educação antirracista. Esta pesquisa tem caráter qualitativo, e terá como sujeitos, educadoras alfabetizadoras, de uma instituição pública em Juazeiro do Norte-CE. A mesma segue em andamento no Programa de Mestrado Profissional em Educação na Universidade Regional do Cariri (PMPEDU/URCA), sob a orientação da professora Drª Cícera Nunes.
Oral
Abrir o trabalhoO NÃO-LUGAR DAS RELAÇOES ETNICO RACIAIS NO INSTITUTO FEDERAL DO CEARÁ: ESCREVIVÊNCIAS (AUTO)BIOGRÁFICAS DE UM PROFESSOR-PESQUISADOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
PAULO TIAGO OLIVEIRA ALVES; LUCIANA VENANCIO; JOSEFA DE OLIVEIRA ALVES
Os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas têm se mostrado centrais nos institutos federais de educação. Eles têm a responsabilidade de sistematizar conhecimentos que contribuem para a promoção da equidade racial e da educação para as relações étnico-raciais, com a perspectiva de superar o racismo e consolidar a cidadania. O objetivo deste trabalho foi compartilhar experiências educacionais, destacando o contexto da coordenação do centro no IFCE. Metodologicamente, baseamos nossa abordagem em dois campos da pesquisa biográfica: a narrativa (auto)biográfica, que permite ao sujeito, por meio de múltiplas linguagens, estabelecer significado com sua própria existência; e a “escrevivência”, na qual cada trajetória carrega a história comunitária e ancestral (Evaristo, 2008). Foi narrada uma experiência educacional de um professor-pesquisador negro que coordenou o centro de 2019 a 2021. Em relação ao referencial teórico, em suas experiências, o professor explica a visão sobre como a branquitude produz epistemicídio (Carneiro, 2005) através de discursos diários depreciativos sobre os conhecimentos originários das populações negras. O professor narra a postura de silenciamento de professores não negros contra outros colegas negros, alinhando-se com hooks (2017) ao destacar a cumplicidade entre os opressores, reforçando o pacto narcísico da branquitude (Bento, 2002). Na apresentação dos resultados, alinhamos com Ferreira e Coelho (2019) sobre o fortalecimento das políticas de ações afirmativas para aumentar o número de projetos de pesquisa focados no tema. Através desses projetos, torna-se possível disseminar experiências enquanto se contribui para a produção de conhecimento científico. No entanto, mesmo após o professor citar um dos relatórios desenvolvidos pela pró-reitoria de extensão do IFCE, que aponta a necessidade de mais de uma pró-reitoria colaborar para que o trabalho seja realmente significativo, o silêncio continua sendo a política que prevalece.
Palavras-chave: Educação para as relações etnicorraciais,Escrevivências,Equidade,Educação antirracista
Oral
Abrir o trabalhoO NÚCLEO EDUCAERÊ E PEDAGOGIAS PARA A INFÂNCIA: AS MEMÓRIAS DA MORINGA COM AS CRIANÇAS DO ALTO DA PENHA EM CRATO-CE REGIÃO DO CARIRI
ALAN CORDEIRO DA SILVA; Janayna Leite Silva; Ana Paula dos Santos
O presente trabalho trata sobre uma experiência pedagógica do EduCaErê, núcleo do Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC) que desenvolve ações voltadas as infâncias, com foco nas crianças, situadas em territórios negros e quilombolas. Dessa forma, o objetivo geral é apresentar o EduCaErê como um núcleo do movimento negro organizado caririense, de tal modo, os específicos são: relatar a experiência com as crianças com idade de cinco a onze anos da comunidade Alto da Penha no espaço da biblioteca municipal Luiz Cruz e apontar pedagogias de africanidades para as infâncias. Quanto a metodologia, é de cunho qualitativo tendo como abordagem metodológica a miolagem. Os participantes são crianças com idade entre cinco e onze anos, o local é a biblioteca pública municipal Luiz Cruz, localizada no Bairro Alto da Penha na cidade do Crato - CE, quanto a técnica para a produção dos dados, nos apoiamos na observação participante. O EduCaErê reconhece como um direito das crianças negras e não negras o acesso ao conhecimento das contribuições dos povos africanos, afro-brasileiros e afro caririense em cumprimento a Lei nº 10.639/2003.
Palavras-chave: EduCaErê,Infâncias,lei 10.639/03, africanidades
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO RECONHECIMENTO DA HISTÓRIA AFRICANA E AFRODESCENDENTE NO CARIRI CEARENSE E A REFORMULAÇÃO DO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; Alan Cordeiro da Silva
O artigo objetiva reconhecer a história africana e afrodescendente na região do Cariri cearense e articula ideias sobre a necessidade de uma reformulação no currículo da formação inicial e continuada de professores, tendo em vista a inserção da temática das relações étnico-raciais, atendendo a obrigatoriedade da implementação da Lei 10.639/03 que altera o currículo eurocentrado da educação básica e superior para tratar da História e cultura africana e afrodescendente. Para que aconteça uma mudança na educação é fundamental que as instituições de ensino reconfigurem o currículo buscando positivar as culturas africanas que durante o escravismo criminoso foram amplamente difundidas no Brasil. Antes de discutir sobre o falso heroísmo europeu, é importante se atenta que quem colonizar as américas, especialmente o território brasileiro, foram os africanos, trazendo consigo um conjunto de conhecimentos técnicos e tecnológicos que formou uma sociedade. Utilizamos nessa pesquisa a metodologia da afrodescendência elaborada pelo pan-africanista Cunha Junior (2001). Essa metodologia nos insere dentro das discursões das relações étnico-raciais e permite nos encontrar com nosso passado e reavalia a forma como é ensinada na educação a história das populações africanas, isto é, a história ancestral. Para trata sobre história do Cariri, utilizamos a pesquisa de Nunes (2011), Silva (2023) e Santos (2019) onde a primeira autora vai tratar sobre o patrimônio cultural das populações negras e suas influências nas manifestações religiosas, a segunda autora irá falar sobre as técnicas e tecnologias construtivas e, a última autora, não menos importante, irá discutir sobre a constituição das sociedades quilombolas caririense. No que se refere a colonização africana no Brasil utilizamos o pan-africanista Querino (1918). Compreendemos que ainda há uma lacuna na educação brasileira sobre as discussões das relações étnico-raciais e a história da África.
Oral
Abrir o trabalhoPor uma Pedagogia de Quilombo: a inclusão de saberes ancestrais no ensino de História.
CICERA RAYANNE DE SOUSA GONCALVES
Os quilombos são lugares de produção de conhecimento e de saberes. O objetivo deste trabalho é questionar a inclusão dos saberes que são compartilhados pela própria comunidade, nas relações entre as pessoas e no dia-a-dia, na prática docente do Ensino de História em sala de aula. O referido estudo se concentra na Escola Antônio de Sá Roriz, localizada na Zona Rural do municipio de Jardim-CE, tendo em vista a mesma estar inserida no censo escolar enquanto escola quilombola. A Pedagogia de Quilombo é aquela que se pratica na lavoura, nas farinhadas, no terreiro de casa. A metodologia utilizada se deu através da análise dos documentos curriculares que regem o processo de ensino-aprendizagem da escola. A partir da análise do Projeto Político Pedagógico elaborado na escola discorrerei sobre o currículo que é adotado na mesma, e se este, está em acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais e Estaduais para a Educação das Relações Étnico-raciais e das escolas quilombolas. Uma comunidade quilombola mantém um conjunto de saberes ancestrais culturais, medicinais, alimentícios e extrativistas que potencializa e fortalece o sentimento comunitário a fim de contribuir no processo singular de constituição de identidade. Assim, refletimos sobre a inclusão dos saberes quilombolas que são vividos dentro da própria comunidade no contexto de uma educação escolar quilombola que favoreça o conhecimento e posterior reconhecimento identitário de cada ser humano. Consideramos que é preciso haver uma proposta decolonial no Ensino de História para que se respeite a diversidade social e acima de tudo, haja um processo de reconhecimento de uma identidade a partir de um currículo ensinado na escola. Dessa forma, analiso o conhecimento incorporado às práticas educativas escolares.
Palavras-chave: Comunidades quilombolas,saberes ancestrais,ensino de História
Oral
Abrir o trabalhoPOSSIBILIDADES ANTIRRACISTAS NO ENSINO DE GEOGRAFIA
ROSÂNGELA ÁVILA RIBEIRO TOMAS
É importante que desde o período escolar, as crianças e adolescentes tenham consciência crítica sobre os privilégios de classe, raça, etnia e gênero. Com a proposta de Educação libertadora, é possível transgressões, rompendo com uma “Educação bancária”, que prepara pessoas para o mercado de trabalho apenas, deixando de lado a percepção critica de mundo. Logo, a escola é valiosa no processo de construção e constituição humana. Desse modo, os (as) estudantes necessitam ter consciência de suas vivências e condicionamentos sociais, sendo assim considerados no processo de ensino e aprendizagem. É necessário que seja realizado o estudo das questões Étnico-raciais no ambiente escolar, em especial nas aulas de Geagrafia, pois essa área do saber é responsável por orientar os (as) educandos (as) a lerem o mundo e perceberem a realidade em que vivem. Atualmente contamos com a implementação da Lei n.º 10.639/2003, que exige o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todo o currículo escolar da Educação Básica. Para compreender se a Geografia escolar tem implementado a lei e contribuído para uma Educação multicultural, pluralista e antirracista, este estudo que teve início na minha pesquisa de monografia, busca analisar como o Ensino de Geografia pode contribuir na Educação antirracista de estudantes da Educação Básica. Por tanto, foi analisado nesse trabalho como as configurações territoriais têm impactos positivos e negativos em estudantes negros (as). Sabendo que a escola e a ciência geográfica podem contribuir de maneira ativa na formação de cidadãos antirracistas, que entendem como a discriminação social e racial os atravessam e possam ter consciência crítica, possibilitando possíveis novas percepções sociais.
Palavras-chave: Consciência crítica , Relações Étnico-raciais, Ensino de Geografia
Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS EDUCATIVAS ANTIRRACISTAS: DESAFIOS E SUCESSOS NA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO ‘CONSCIÊNCIA NEGRA’ EM IGUATU-CE
NATÁLIA ALVES MARTINS AMORIM ; winnie rodrigues holanda; josé aurélio gomes de sousa melo
A partir das Lei 10. 639/03, que veio alterar a LDB 9.394/96 tornando obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, e da Lei 11.645/08, que determinam o ensino da História e da Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena nos sistemas de ensino público e privado, a educação se vê diante da necessidade de ações inclusivas e do desafio de diversificar o currículo para atender essas demandas, não apenas no mês da Consciência Negra, mas durante todo o ano. É nessa perspectiva que Macedo e Ferreira (2023) afirmam que as transformações estruturais decorrem de ações contínuas e conjuntas, portanto, devem ocorrer em todo o ano letivo, de modo transdisciplinar. Nesse viés, a Escola de Ensino Fundamental Elze Lima Verde Montenegro, localizada no município de Iguatu-CE, vem desenvolvendo o projeto Consciência Negra, mediado e coordenado pela professora de História e Geografia, mas que incluem e mobiliza toda a comunidade em práticas educativas a fim de superar o racismo e outras formas de discriminação, por meio de ações críticas, consistentes e transformadoras. Considerar a riqueza e a contribuição da diversidade étnica das comunidades africanas, indígenas, tradicionais para compreender a cultura e a história nacional parece que não tem sido um trabalho fácil, uma vez que são poucas as escolas e profissionais que incluem ao longo de todo o ano letivo, práticas de fato antirracistas. Este texto enfatiza os desafios enfrentados pela escola, em relação à qualidade da educação, ao passo que destaca as contribuições do projeto “Consciência Negra” desenvolvido na escola de Ensino Fundamental Elze Lima Verde Montenegro como uma ação exitosa que reflete a necessidade urgente de inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar. Nesse viés, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica e qualitativa de cunho descritivo a fim de apresentar e refletir sobre a importância de práticas pedagógicas inclusivas e antirracistas.
Palavras-chave: Educação,antirracismo
Oral
Abrir o trabalhoRACISMO EM SALA DE AULA, ISOLAMENTO E SOLIDÃO: DIÁLOGOS A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL.
MARIA APARECIDA DAS CHAGAS FURTADO
O presente trabalho é fruto da experiência de estágio no ensino fundamental, anos finais, na Escola de Ensino Fundamental Dom Quintino na cidade do Crato/CE. A observação foi feita para a disciplina de Estágio Supervisionado III. O objetivo principal desta discussão é compreender as relações étnico-raciais entre alunos dentro da sala de aula e em como o racismo atua neste meio, fazendo com que alunos negros sofram microagressões, que podem chegar a situações piores, por conta da sua condição enquanto pessoas negras, e que os isolam do todo, afetando seu desenvolvimento escolar e aceitação das suas características. Como fazer para que professores consigam superar esta problemática em conjunto, utilizando o ensino de história? Sendo o docente um suporte para as vítimas e não um aliado do racismo estrutural. É essencial articular formas que façam com que esses profissionais possam intervir ao perceber tais situações. Ao experienciar a docência no chão da sala de aula, não só mais no âmbito teórico, é visto como a prática é mais complexa do que se imagina. Ao se depararmos com a realidade de crianças negras neste ambiente, vemos o quão escassa é a formação de professores sobre questões étnico-raciais. Esse racismo “silencioso” que vai moldando esse ambiente, traz consigo tudo que a séculos veem sido colocado no imaginário da sociedade brasileira, que pessoas negras são parte negativa do povo brasileiro e que por isso devem ser excluídas. Nesse sentido, será utilizado como aporte teórico os seguintes autores: FANON (2008), HOOKS (2017), BARROS (2005), JUCA (2015), SILVA (2013), ALMEIDA (2020) e MOREIRA (2019). Para obter informações sobre esta discussão, será utilizado anotações feitas durante as observações das aulas, como também, reportagens que relatam casos de racismo no interior das escolas do Brasil, como uma forma de ilustrar que esta problemática ainda é muito presente nos ambientes educacionais.
Palavras-chave: Racismo,Ensino de História,Crianças,Isolamento,Violência
Oral
Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIAS NO ESTÁGIO IV: ATIVIDADES SOCIOEDUCATIVAS, COM A OFICINA "RACISMO E RESISTÊNCIA: DA VIOLÊNCIA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NEGRA".
RENNAN RICARDO DA SILVA; Sanara Sipriano Souza
O presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar o relatório final da disciplina de Estágio IV: Atividades Socioeducativas, do curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri – URCA. Essa disciplina visa o desenvolvimento de atividades em organizações sociais, buscando entender as discussões acadêmicas para a sociedade. Com caráter teórico e prático, a disciplina direciona suas aulas para a atuação em organizações sociais. As atividades foram desenvolvidas na Organização Não Governamental Nosso Lar, no bairro Tiradentes em Juazeiro do Norte – CE. A proposta incluiu diagnóstico institucional, atividades de campo, aplicação da oficina “Racismo e Resistência: da Violência a Construção da Identidade Negra”, e a elaboração de um relatório final sobre as atividades realizadas. O interesse em desenvolver as atividades com foco na temática étnico-racial surgiu da participação no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações ÉtnicoRaciais – NEGRER e Grupo de Estudo e Pesquisa em História Afrodiaspórica - GEPAFRO. O debate sobre racismo e antirracismo se mostra urgente, dada a longevidade histórica do problema, que persiste há mais de 500 anos e continua a impactar nossa sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Educação Antirracista , Estágio , Atividades Socioeducativas
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoSei o que elas/es fazem/fizeram na escola: pretATITUDES e educação antirracista.
FRANCISCO GIVALDO PEREIRA; Cicera Nunes
No presente trabalho propomos uma discussão sobre trajetos, vozes e fazeres docentes para a Educação das Relações Étnico-Raciais - ERER, no Cariri cearense, a partir da perspectiva de práticas antirracistas na escola. Essa discussão apresenta fragmentos de trajetos e vozes que ecoam como pedagogia antirracista no ambiente escolar. Os trânsitos formativos dessas/es quatro professoras/es (duas professoras e dois professores), bem como suas vozes e práticas docentes, reveladas nas escutas de grupos focais, foram reescritas e discutidas/ressignificadas a partir de uma revisão bibliográfica que legitime essas perspectivas pedagógicas antirracistas. Pesquisas e estudos de (NUNES, 2022; PINHEIRO, 2023; CUNHA JÚNIOR, 2010; GOMES; GONÇALVES E SILVA, 2007; 2012; NOGUERA, 2014; HOOKS, 2017; RUFINO, 2017; PEREIRA, 2022). As narrativas e reflexões sustentadas durante o percurso dessa escrita são resultantes de experiências vivenciadas em grupos focais, durante a pesquisa de Francisco Givaldo Pereira, intitulada, PretATITUDES na escola: entre trajetos, vozes e fazeres docentes para a Educação das Relações Étnico-Raciais - ERER, no Cariri cearense. Orientada pela professora Dra. Cicera Nunes, no programa de Mestrado Profissional em Educação – MPEDU - URCA. Palavras-chave: Educação Antirracista, Trajetos, Educação para as Relações Étnico-Raciais, Práticas docentes.
Oral
Abrir o trabalhoVALORIZAÇÃO ÉTNICO-RACIAL PARA ALÉM DA SALA DE AULA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
LUANE DINIZ DOS SANTOS; Maria Jéssica Sousa Lima; Sâmia Maria Lima dos Santos
Mesmo com a lei 10.639/2003 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de “História e cultura afro-brasileira e africana” dentro das disciplinas que fazem parte das grades curriculares no ensino fundamental e médio ainda se apresenta a dificuldade de implementação efetiva da lei. Muito se fala sobre a importância da valorização da diversidade racial, porém, é possível perceber que algumas questões estacionam nos discursos e somente são abordadas em períodos que fazem alusão a temática como 20 de novembro “Dia da Consciência Negra”. Este trabalho tem como objetivo abordar a diversidade ético-racial sob a ótica da lei 10.639 e refletir sobre uma prática pedagógica realizada com o intuito de valorizar a cultura afro-brasileira no desfile cívico da escola Professor José do Vale Arraes Feitosa no ano de 2023, no município de Crato-Ce. Para tanto, buscamos arcabouço teórico nos documentos oficiais e recorremos a autores como: Munanga (2005), Ciavatta (2015), Nunes e Ulisses (2022) entre outros. Tem como metodologia o relato de experiência e a observação empírica das práticas desenvolvidas dentro da referida escola. Constatamos que poucas instituições presentes no desfile abordaram a cultura afro-brasileira e africana, destacando-se apenas figuras regionais, literatura de cordel, temáticas relacionadas à valorização da mulher e da vida, entre outros. Assim, nota-se que poucas instituições de ensino evidenciaram questões étnico- raciais, demonstrando que falta ainda a valorização das diversidades étnicas fora dos espaços de sala de aula. Dessa forma, a partir do relato de experiência essa pesquisa apresenta como resultado que é possível desenvolver práticas das políticas afirmativas em diversos espaços coletivos, inclusive fora da escola.
Oral
Abrir o trabalhoAS IDEIAS E O COTIDIANO DE UMA EDUCADORA NEGRA EM MILAGRES-CE NAS ÚLTIMAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
CARLOS CÉSAR PEREIRA DE SOUSA
Este trabalho é um estudo sobre a ação docente da professora Expedida Ariza Pereira de Andrade, mulher negra que viveu no município de Milagres-CE na segunda metade do século XX. Procuramos refletir como ao longo de duas décadas (1980 – 2000) a atividade política e a presença do corpo de Expedida Ariza ne educação de Milagres se efetivou como resistência ao racismo e combate aos pactos da branquitude nesta cidade do interior cearense. Como uma mulher negra frequentemente violentada pelo racismo na própria comunidade onde nasceu e viveu, Ariza adotou táticas de resistência cujo objetivo era evidenciar sua presença na cidade e fazer-se visível numa sociedade onde ser negra era sobretudo submeter-se a invisibilidade e ao esquecimento. Ao atuar como professora no ensino público esta educadora levou ao espaço da sala de aula suas experiências e vivências de enfrentamento ao racismo, pois sua trajetória até à docência é a história de quem precisou se lançar contra negação do direito dos negros de acesso à educação no Brasil.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoLei do ventre livre: Proteção dos direitos das mulheres ou estratégias dos senhores de engenho
KARLENE PEREIRA DE LIMA ; Regina Vieira Lopes
Uma visão decolonial sobre a luta das mulheres negras e suas experiências no período escravocrata brasileiro é fundamental para entender questões contemporâneas, por isso, é importante fazer análises sobre eventos ocorridos durante essa época, tal qual a implementação da Lei 2.040 de 28 de setembro de 1871 lei do Ventre Livre. Desse modo apresenta-se a questão: a Lei do Ventre Livre foi criada com o objetivo de proteger direitos das mulheres negras escravizadas ou perpetuar o regime de exploração escravocrata? A partir desse questionamento, surge como objetivo analisar a relação da Lei do Ventre Livre com a realidade social das mulheres negras no período escravocrata e os interesses socioeconômicos e políticos dos senhores de engenho. Para tanto, o estudo busca ultrapassar uma visão dogmática e positivista dos fenômenos jurídicos, partindo de uma contextualização histórico-sociológica da Lei do Ventre Livre, para, em seguida, relacionar os seus aspectos jurídicos com as consequências práticas na vida das mulheres negras escravizadas. O estudo é feito por meio de uma abordagem metodológica dedutiva de natureza básica com objetivos explicativos, análise documental e utilizando a técnica de revisão bibliográfica através da leitura de textos de autores como Campello (2018) versando sobre a análise histórico-jurídica da lei e Oliveira (2021) discutindo acerca da decolonialidade.
Palavras-chave: Análise histórico-jurídica, decolonialidade ,direitos,mulheres
Oral
Abrir o trabalhoNARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DE PROFESSORAS NEGRAS: ESBOÇO INICIAL DE UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA
DOMINIQUE FERREIRA ALVES
Sabemos que dialogar sobre a interseccionalidade de gênero e raça é falar sobre trajetórias marcadas por uma dupla resistência. E quando essa interseccionalidade cruza com a docência temos um quadro ainda maior de obstáculos a serem superados, haja vista que, o acesso à educação não foi pensado para a população negra. Nesse contexto, a minha vivência enquanto professora/negra da rede pública de ensino de Juazeiro do Norte-CE, engajada na luta pelo combate ao racismo e sexismo, tem me motivado no desenvolvimento de estudos que nos aproximem de professoras negras atuantes na educação básica da rede municipal juazeirense, com a finalidade de conhecer a trajetória de vida dessas profissionais, o papel das instituições de ensino na construção de suas identidades e no fortalecimento da sua autoestima, os acontecimentos que exerceram influências (sejam elas positivas ou negativas) na afirmação da negritude e como estas reflexões aparecem nas suas atuações como docentes. É válido destacar que o presente trabalho emerge de uma proposta de pesquisa apresentada como critério de seleção para o ingresso no Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri (MPEDU / URCA) e que esta encontra-se no seu estágio inicial, etapa que consiste na construção da revisão sistemática de literatura, a qual foi desenvolvida a partir da seguinte pergunta de pesquisa: O que a literatura científica publicada nos últimos cinco anos discute acerca das experiências, desafios e contribuições relatadas em narrativas autobiográficas de professoras negras? Para isso, utilizamos como base de dados a plataforma de Periódicos da CAPES, de onde extraímos 12 produções acadêmicas no formato de artigos, pesquisados a partir dos seguintes descritores: Professoras negras, Narrativas negras e Educação antirracista. Nos resultados identificamos e descrevemos os temas mais recorrentes nas narrativas autobiográficas das professoras negras que aparecem nas produções acadêmicas analisada
Palavras-chave: Narrativas autobiográficas,Professoras negras ,Revisão sistemática
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoNEGRAS E UNIVERSITÁRIAS: A LUTA PELO RECONHECIMENTO E EQUIDADE NO AMBIENTE ACADÊMICO A LUZ DO FEMINISMO DECOLONIAL
THAILLANE DE SOUZA NOBRE
Ao longo da história, a universidade tem sido caracterizada por sua postura conservadora, elitista, hierárquica e meritocrática que costumava ser dominado por homens brancos. (frase sobre introdução – mulher) Apesar do aumento significativo da presença feminina em universidades ainda persistem obstáculos que contribuem para a exclusão das mulheres que dificultam a vida destas e diversos tipos de violência. O objetivo desse estudo é refletir de como as mulheres negras enfrentam a discriminação e preconceito em virtude de questões de gênero e raça na universidade. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa construído a partir das concepções de Lugones (2005), Lélia Gonzalez (2017), dentre outros. Seguindo a perspectiva mencionada anteriormente, à medida que a colonialidade se perpetua, estabelecem-se padrões de dominação em diversos aspectos da vida das mulheres, como na divisão do trabalho por gênero, na esfera doméstica, no domínio público da autoridade, no mercado de trabalho, no controle da biologia reprodutiva, destacando a importância da interseccionalidade para compreender as lutas contra o racismo e os desafios enfrentados pelo movimento feminista. É fundamental reconhecer as diferentes formas de opressão para além de características simplistas como cor da pele, refletindo sobre os marcadores que contribuem para as desigualdades dentro do ambiente acadêmico.
Oral
Abrir o trabalhoO CORPO DE MULHERES NEGRAS COMO INSTRUMENTO DE PODER: ANÁLISE DO LIVRO " NOSSO CORPO SEU CAMPO DE BATALHA: A GUERRA E AS MULHERES"
THAIS EDUARDA ALVES DE MELO; ALLANNA LARISSA SILVA MACÊDO; BIANCA VITÓRIA SANTANA NUNES
O corpo das mulheres negras são utilizados como demonstração de poder devido a um olhar dominante do homem, o qual a vê como subordinada a suas vontades. Nesse contexto, pretende-se analisar os relatos das mulheres no livro "Nosso Corpo Seu Campo de Batalha" em que os corpos femininos são colocados como instrumento de dominação, descrevendo os impactos da violência moral, sexual e patrimonial e as sequelas deixadas na vida das mulheres negras. Sob essa ótica, cabe destacar que o livro debate sobre o estupro como arma sistemática de guerra, onde a violação do corpo de milhares de mulheres trouxe o significado de subordinação, repulsa e devastação. Além disso, o livro retrata que não eram apenas estupros em massa, mas também massacres violentos com o intuito de dizimar populações, destruir povoados e evidenciar quem está no poder. O corpo de mulheres negras carregam uma herança histórico cultural de violência e resistência, onde um fato tão hediondo pode influenciar diretamente na sua qualidade de vida. Portanto, vale ressaltar o quanto a realidade dessas mulheres são atingidas quando presentes em um contexto de guerra e perseguição, tendo o seu corpo violado, com marcas físicas e psicológicas, frutos do estupro. Além de toda discriminação sofrida e estampada socialmente. O presente estudo possui o objetivo de exibir as marcas na vida das mulheres negras que sofreram com a demonstração de poder do homem, sendo o seu corpo considerado instrumento de uso, poder, destruição e desonra. Por conseguinte, a metodologia utilizada é de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, e relato de mulheres que sofreram e sofrem com a dominação do homem.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPODER, INTERSECCIONALIDADE, DECOLONIALIDADE E REPRESENTATIVIDADE: MULHERES NEGRAS NAS ESTRUTURAS POLÍTICAS BRASILEIRA
IZABELLY OLIVEIRA DA SILVA; Maria Novais Miranda Neta
No Brasil, a conquista da efetivação dos direitos políticos, a partir do sufrágio feminino, tem menos de cem anos de existência, no qual demonstra como a construção da cidadania de homens e mulheres foi estruturada de maneiras diferentes, principalmente, quando adicionamos ao debate as questões étnico-raciais. Para entender a situação da representatividade política de mulheres negras, foi necessário compreender o conceito de cidadania, poder, representatividade e interseccionalidade. Portanto, o objetivo geral é identificar qual o atual cenário político no tocante a representatividade de mulheres negras no poder legislativo, com foco nos cargos do Senado Federal. A escolha se deu tendo em vista que o órgão do Poder Legislativo Federal é uma das casas do Congresso Nacional e possui inúmeras competências, entre elas a elaboração e aprovação de leis. Para uma mudança efetiva nas estruturas sociais é necessário que os grupos vulneráveis estejam representados nos cargos políticos de poder, assim, possibilitando a conquista de uma efetiva igualdade de gênero e racial. Para estabelecer uma resposta concreta sobre a identificação do atual cenário político, definimos três metas específicas para a pesquisa que é de natureza básica. Com o método de pesquisa bibliográfica, buscou-se definir o conceito de cidadania e estruturas de poder. De acordo com o que disciplina a metodologia da pesquisa científica, a utilização de uma abordagem quali-quantitativa para coletar a partir de dados o número de mulheres negras em cargos no senado federal de 1988 a 2024. O recorte temporal se deu tendo em vista as mudanças proporcionadas pela promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, marco da redemocratização. No que diz respeito aos objetivos, são classificados como exploratórios. Nesse viés, buscou-se discutir a importância das políticas públicas e para garantir a maior participação de mulheres negras em cargos públicos eletivos a partir de um processo decolonial.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPOLÍTICAS PÚBLICAS DE EQUIDADE ÉTNICO-RACIAL E DE GÊNERO NA DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO ESTADO DO CEARÁ: Uma leitura decolonial e interseccional
SABRINA DE SOUSA GOMES
O presente trabalho tem por finalidade aferir, sob perspectivas decoloniais e interseccionais, a existência de políticas públicas para o preenchimento dos cargos advocatícios da Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará (DPGE-CE) que levem em conta aspectos de raça e gênero. Consoante à redação da Constituição Federal (1988), a Defensoria Pública é uma instituição permanente e essencial à função jurisdicional do Estado, tendo entre suas atribuições funcionais a orientação jurídica, a promoção dos Direitos Humanos e, gratuita e integralmente, a defesa judicial e extrajudicial dos Direitos Individuais e Coletivos àqueles que necessitam, independente do grau. O ponto de partida é a hipótese de que não há políticas públicas com recorte de raça e gênero para a ocupação do quadro jurídico-funcional do órgão cearense. Tal hipótese será confirmada ou falseada ao final da pesquisa, que se prevê qualitativa e descritiva. Para esta verificação, conhecer-se-á o papel plurifacetado da Defensoria Pública e, em particular, da DPGE-CE, através de dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, plataformas governamentais e produções científicas com ênfase em decolonialidade e interseccionalidade, como “Colonialismo, Poder e Epistemologias Do Sul: Perspectivas Decoloniais no Mestrado Associado em Antropologia UFC/UNILAB” (Silva, 2022). Mediante dados estatísticos oficiais, delinear-se-á o perfil étnico-racial e de gênero das(os) Defensoras(es) Públicas(os) do Estado do Ceará a fim de compará-lo com outras estatísticas concernentes às minorias citadas e estabelecer relações com fenômenos tangentes e com obras pertinentes ao recorte temático, como os escritos de Kilomba e de Gonzalez. Como instituição de defesa dos Direitos Humanos Fundamentais das minorias que têm sido historicamente violadas no Brasil, implementar políticas públicas que promovam a ocupação representativa dos cargos institucionais é medida que fortalece a igualdade e a justiça social como um pilar democrático.
Palavras-chave: Políticas Públicas,Defensoria Pública,Raça,Gênero,Equidade
Oral
Abrir o trabalhoRACISMO E DISCRIMINAÇÃO CONTRA MULHERES NEGRAS NO CARIRI CEARENSE
OLGA NUNES DE SOUSA; ANA CLARA DE SOUZA VENÂNCIO; DAYANY MENESES DE OLIVEIRA; JOSÉ RAELDES DA SILVA OLIVEIRA
A população negra é afetada em seu cotidiano por diversas formas de preconceito, uma delas é o racismo e a discriminação, basta ligar a televisão para sermos noticiados sobre crimes onde o alvo é a pessoa negra. O machismo em uma sociedade patriarcal afeta as mulheres em seu dia a dia, e quando somado ao racismo e à discriminação, impõe sobre as mulheres negras uma camada adicional de opressão. O racismo e a discriminação contra mulheres negras constituem questões profundas e estruturais enraizadas em um sistema de opressão que combina raça e gênero, o entrelaçamento do machismo e do racismo coloca-as em uma posição de fragilidade marcada pela discriminação e violência além da exclusão social e a negação dos seus direitos. Para o desenvolvimento do trabalho, buscamos abordar as diferentes formas de racismo e discriminação vivenciadas por mulheres negras, analisando os casos presentes no cariri cearense. Para que isso seja feito, serão utilizados noticiários, jornais e coberturas midiáticas recentes que abordem casos de discriminação racial, além disso serão utilizados estudos acadêmicos, depoimentos de mulheres negras, possibilitando refletir as experiências vivenciadas pelas mesmas. Com isso, será possível que tenhamos uma visão contextualizada da realidade enfrentada por essas mulheres, na qual batalhas são travadas diariamente contra o machismo, sexismo e o racismo presentes na sociedade.
Palavras-chave: Racismo,Discriminação,Violência,Mulheres
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoSOBRE (VIVÊNCIAS) E SALA DE AULA: MULHERES NEGRAS E EDUCAÇÃO BÁSICA
SANARA SIPRIANO DE SOUZA; Rennan Ricardo da Silva
A presente pesquisa emerge a partir da minha vivência como educadora e mulher negra, o que me leva a refletir criticamente sobre as formas e os efeitos persistentes do colonialismo, que atravessam minha existência enquanto corpo-mulher-negra e professora. O estudo se desdobra em duas dimensões físico-experiênciais. A primeira é marcada pela conclusão do curso de licenciatura plena, que culmina na inserção no mercado de trabalho no Cariri. Nesse contexto, a escrita deste estudo se configura tanto como um espaço de memória quanto como uma tomada de consciência racial, moldada pela experiência de ser uma jovem educadora negra. A segunda dimensão refere-se à minha participação no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER) e no Grupo de Estudo e Pesquisa em História Afrodiaspórica (GEPAFRO). Esses espaços foram fundamentais para o amadurecimento e a consolidação de reflexões críticas acerca das relações étnico-raciais, além de contribuírem para o desenvolvimento de práticas pedagógicas emancipatórias e antirracistas no ensino básico. A metodologia utilizada configura-se como pesquisa narrativa, oportuniza o encontro do individual e do coletivo visto que o narrador traz a marca do singular em sua narrativa, ao mesmo tempo em que traz a marca da cultura, da história, do contexto. (MARQUES E SATRIANO,2017,p.377).
Oral
Abrir o trabalhoTerritório e territorialidades: um olhar sobre o gênero e a raça no Sítio Carrapato, município de Crato/CE
ANA VERONICA BARBOSA ISIDORIO
A pesquisa faz parte do projeto submetido ao Mestrado em Geografia da Universidade Estatual do Ceará – UECE, e tem objetivo de reconhecer a presença e atuação das mulheres negras, longo de três gerações, como referências de lideranças na comunidade do Sítio Belo Horizonte, popularmente conhecida como Sítio Carrapato, no município de Crato, na região do Cariri cearense. Esta pesquisa se inicia formalmente, no ano de 2024, quando do acesso da pesquisadora ao programa de mestrado. É importante mencionar que a relação da pesquisadora com a comunidade a ser pesquisada já se delonga no tempo. O interesse pelo tema da pesquisa ocorre em virtude da atuação da pesquisadora nos movimentos de mulheres e negro na região do Cariri, ao longo de aproximadamente 18 anos. Esses movimentos têm se organizado em torno da luta por dos direitos da população negra e das mulheres, na superação do racismo e da violência contra à mulher e de dar visibilidade às existências desses grupos na região. Uma região conhecida por registrar altos índices de violência contra à mulher, além de se configurar como um território que cria e reproduz, fortemente, as marcas de uma sociedade racista, machista e LGBTfóbica. Em meio a esse Cariri marcado por suas contradições territoriais, a pesquisa se debruça sobre a comunidade do Sítio Carrapato, buscando compreender seus processos territoriais a partir das vivências de três gerações de mulheres. Nesse recorte de tempo e espaço, pretende-se observar como as mulheres da comunidade conseguiram ao longo do tempo permear a vida comunitária, interferindo na sua dinâmica organizacional e política se colocando como como protagonistas de variados processos de resistência, que perpassam pela luta e conquista da terra, organização coletiva da comunidade e o contexto das relações sociais estabelecidas na vivência comunitária. Palavras-chave: Resistências; interseccionalidade; mulheres negras.
Oral
Abrir o trabalhoMARIA ISMÊNIA LEITE DE SOUSA; HENRIQUE CUNHA JÚNIOR
O presente estudo apresenta a possibilidade de construção de uma educação geográfica antirracista vinculada as potencialidades da população negra na produção dos espaços urbanos. Desta forma, a pesquisa tem como objetivo, identificar as afrodescendências presentes no patrimônio material de Assaré- CE, a partir de uma análise sistematizada da Barragem Bangüê na produção de um ensino geográfico antirracista. Para realização deste estudo, utilizamos a metodologia da pesquisa de campo com uso de entrevistas narrativas com homens guardiões das memórias do lugar, associada ao estudo das afrodescendências para compreensão das heranças africanas transplantadas na diáspora, através dos povos que povoaram este território com a realização do trabalho da mão de obra na produção da cultura e patrimônio local. Diante das ideologias fundamentadas e impostas pela população dominante na origem das cidades cearenses, há um desconhecimento em reconhecer a existência da escravização na origem da cidade. Assim, apontando caminhos para uma revisão étnico-espacial na formação urbana do lugar, a partir do processo de construção da barragem Banguê, na produção de um ensino geográfico antirracista ancorada no que orienta a Lei 10.639/03 vinculada as relações raciais.
Palavras-chave: Barragem Banguê,formação urbana de Assaré,afrodescendência,ensino de geografia
Oral
Abrir o trabalhoA presença da mulher negra na capoeira angola e sua atuação no movimento social
RAFAEL FERREIRA DA SILVA; Priscila Drumond
Este artigo discute como as mulheres se apropriaram da capoeira como um ato de resistência ao racismo e ao patriarcado. Começa com informações do autor Pedro Abib (2005) sobre a prática da capoeira no final do século XVIII e XIX no Rio de Janeiro e na Bahia. Em seguida, aborda a participação feminina na capoeira e seus significados sociais naquele período, antes de apresentar uma análise de uma capoeirista e pesquisadora negra sobre a inclusão feminina negra nessa arte como forma de resistência hoje, concluindo com reflexões da feminista Sueli Carneiro. Destaco alguns dos teóricos que fundamentaram essa pesquisa, dentre eles: HAMPATÉ BÂ (1987), SODRÉ (1999), OLIVEIRA (2003), PETIT (2011), CUNHA (2011), MEC (2004), SAMARA (2010), SILVA (2008). Foi desenvolvida numa perspectiva qualitativa e teórica. A metodologia da pesquisa incluiu a coleta de dados como livros e trabalhos acadêmicos que foram selecionados e analisados, para contextualizar e propor uma crítica. Esperamos assim contribuir com a formação acadêmica através da cosmovisão africana e fortalecer a lei 10639/03 que institui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africanas na educação, após seus 21 anos de criação.
Oral
Abrir o trabalhoAPREENSÕES URBANAS EM TERRITÓRIOS NEGROS: A TEORIA DA DERIVA APLICADA AO BAIRRO LIBERDADE EM SÃO PAULO-SP
JEFFERSON ALEFF BEZERRA BATISTA
As populações desenvolvem processos históricos de territorialização que as singularizam, criando suas particularidades, culturas próprias e identidades. O urbanismo tem dificuldade em compreender estruturas urbanas que se desenvolvem de forma espontânea, constituindo um tecido urbano informal, e sendo assim, caminhar em diferentes localidades pode ser considerado um instrumento de grande eficácia para percepção e investigação do território. Nesse sentido, a presente pesquisa apresenta a deriva urbana como ato performático, pessoal ou coletivo, cuja ação procura adentrar nos territórios, com o intuito de explorar os elementos simbólicos existentes nestes lugares, a fim de proporcionar uma potencialização e resgate das histórias e das culturas presentes nesses espaços. Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo apresentar a metodologia da deriva, a partir da apreensão urbana em um território negro, neste caso, o Bairro da Liberdade em São Paulo-SP. Fundamentamo-nos no método da afrodescendência, que versa sobre a importância de da participação social de africanos e afrodescendentes na formação sociológica brasileira, realizamos uma pesquisa bibliográfica e uma prática de campo, essa ocorrida através da deriva urbana. Utilizamos os registros fotográficos como técnica de coleta de dados na apreensão da realidade local como representação para uma análise crítica dos aspectos encontrados. Conclui-se que a exploração por meio da deriva constitui-se como uma metodologia necessária para a investigação do território, pois proporciona uma maior apreensão do espaço urbano, possibilitando assim o resgate de memórias afetivas, sejam elas individuais ou coletivas.
Palavras-chave: Territórios Negros,Teoria da Deriva,Bairro da Liberdade
Oral
Abrir o trabalhoCOMO PESQUISAR A MATERIALIDADE DO TERREIRO
EUNICE GONÇALVES QUEIROZ; Henrique Cunha Junior
Nas religiões de matriz africana devido a existência da energia vital e das conexões de tudo que existe sobre o mundo, tudo é sagrado. Não existe separação entre o sagrado e o profano como na forma do mundo ocidental. Dentro e fora do terreiro, o sagrado continua, a mudança é sobre a forma de comportamento para reverência ao sagrado. Mas, como forma de ação de pesquisa é possível pensar como partes do todo e fazermos as distinções apenas operacionais da pesquisa: “A forma de pesquisar”. Elegemos quatro escalas do existente no terreiro, onde o examinamos face ao bairro, como parte da cidade; a edificação em sua composição arquitetônica e paisagística; o edifício e seu jardim. Já nas formas de pesquisar e metodologias, têm-se no grupo candomblecista o mundo material é sempre perpassado pelo espiritual. E a identidade individual e coletiva nas sociedades africanas com a ancestralidade como eixo estrutural. Este trabalho é de transdisciplinaridade e de complexidade sistêmica, agrupando as áreas de arte, design, arquitetura e urbanismo. Focalizados o estudo de um terreiro de candomblé dentro da sua materialidade. Trazemos um enfoque de patrimônios culturais da população negra como marcadores materiais e imateriais, da existência da população negra na cidade de São Paulo - SP de um terreiro tradicional que é o Axé Ilê Obá. O estado de SP foi construído por mãos negras no início do séc. XVI grupo africano da etnia bantu, constatando-se duas grandes migrações de negros para esta região. Com construção moderna deste terreiro que têm 4.000 metros quadrados, baseado em suas linhas de construção simples, na sua lógica de bom desempenho às atividades; e soma-se neste local com seus jardins e árvores sagradas, onde a árvore pode ser um local de morada ou uma passagem de energias e divindades, através de seu tronco sagrado. Na filosofia e das religiões de matriz africana onde tudo é energia, as formas existentes são estados de interação pela organização das energias.
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Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E A FILOSOFIA DO BEM VIVER: RELAÇÕES QUE SE ESTABELECEM A PARTIR DE UMA REVISÃO DE LITERATURA
MARIA CARLA DA SILVA PEREIRA; Carlos Geraldo Mossmann Junior
Esta pesquisa se insere nos interesses temáticos do grupo de estudos e pesquisas Observatório do Bem Viver (CNPQ/CAPES) e tem como objetivo discutir a importância da educação antirracista e decolonial no Brasil, com foco na valorização do patrimônio cultural da população negra e na filosofia do Bem Viver. A pesquisa de natureza qualitativa, utiliza autores como Alberto Acosta (2016), Ailton Krenak (2019), Antônio Bispo dos Santos (2023), bell hooks (2021), Cida Bento (2022), Paulo Freire (2011), Luiz Rufino (2021) e Walter Mignolo (2008) para analisar a necessidade de desconstruir o eurocentrismo e promover a justiça social. Os resultados apontam para a necessidade de práticas educativas que integrem saberes ancestrais, valorizem a diversidade cultural e promovam a descolonização do pensamento. O artigo defende a importância de uma educação que rompa com as estruturas de poder coloniais e construa um futuro mais justo e sustentável, em harmonia com a natureza. O público de interesse inclui educadores, pesquisadores, gestores educacionais, estudantes e demais interessados em temas como educação antirracista, decolonialidade, cultura afro-brasileira, filosofia do Bem Viver e justiça social.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA,DECOLONIALIDADE,BEM VIVER
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Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E A FILOSOFIA DO BEM VIVER: RELAÇÕES QUE SE ESTABELECEM A PARTIR DE UMA REVISÃO DE LITERATURA
CARLOS GERALDO MOSSMANN JUNIOR; Maria Carla da Silva Pereira
Esta pesquisa se insere nos interesses temáticos do grupo de estudos e pesquisas Observatório do Bem Viver (CNPQ/CAPES) e tem como objetivo discutir a importância da educação antirracista e decolonial no Brasil, com foco na valorização do patrimônio cultural da população negra e na filosofia do Bem Viver. A pesquisa de natureza qualitativa, utiliza autores como Alberto Acosta (2016), Ailton Krenak (2019), Antônio Bispo dos Santos (2023), bell hooks (2021), Cida Bento (2022), Paulo Freire (2011), Luiz Rufino (2021) e Walter Mignolo (2008) para analisar a necessidade de desconstruir o eurocentrismo e promover a justiça social. Os resultados apontam para a necessidade de práticas educativas que integrem saberes ancestrais, valorizem a diversidade cultural e promovam a descolonização do pensamento. O artigo defende a importância de uma educação que rompa com as estruturas de poder coloniais e construa um futuro mais justo e sustentável, em harmonia com a natureza. O público de interesse inclui educadores, pesquisadores, gestores educacionais, estudantes e demais interessados em temas como educação antirracista, decolonialidade, cultura afro-brasileira, filosofia do Bem Viver e justiça social.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA,DECOLONIALIDADE,BEM VIVER
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Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NA PRÁTICA DOCENTE: O QUE DIZEM OS DISCUSSOS?
LUANE DINIZ DOS SANTOS; Maria Jéssica Sousa Lima2; Sâmia Maria Lima Dos Santos
A sociedade brasileira é o reflexo das mazelas herdadas pela colonialidade e racismo estrutural, a educação formal, por sua vez, enfrenta inúmeros desafios, entre eles, o enfrentamento às práticas discriminatórias presentes na sociedade. A educação antirracista se faz imprescindivel na luta pelo respeito as diferenças nas mais variadas formas e manifestações, além de buscar a justiça, equidade e valorização da diversidade cultural nos espaços oficiais de ensino. O objetivo deste estudo é refletir como se efetivam as práticas da educação antirracistas desenvolvidas em duas instituições de ensino no município do Crato-Ce e quais seus impactos no ambiente educacional. Assim, o estudo tem como fundamentação teórica autores tais como: Munanga (2005), Ulisses e Nunes (2022), Gomes (2013), Arroyo (2012) entre outros. Também possui a análise de dados coletados com o uso de questionário semiestruturado, para dar vozes aos docentes participantes da pesquisa e refletir sobre sua prática aplicada em sala de aula e ambiente escolar. A análise dos questionários foram feitos a partir da análise de conteúdo de Bardin (2011). Os resultados aqui apresentados expõem as dificuldades da implementação efetiva da 10.639/03 pelos docentes, sobretudo o “descaso” destinado ao tema, evidenciando que embora a temática seja abordada em sala de aula, ainda falta aprofundamento teórico dos professores(as) sobre as questões étnicos raciais, o que em parte compromete a sua prática, como também evidencia a necessidade de formação continuada.
Oral
Abrir o trabalhoESCOLA DE SABERES DE BARBALHA: UMA INSTITUIÇÃO PROMOTORA DE CULTURA E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
DOMINIQUE FERREIRA ALVES; Ana Paula Santos Santana
A educação antirracista é uma determinação legal que deve ser implementada nas instituições educacionais brasileiras, respaldando-se na lei 10.639/03. Contudo, é fato que a educação formal não é o único espaço responsável pelo fomento de práticas voltadas para a valorização da história e da cultura do povo negro. No sul do Ceará, mais precisamente no município de Barbalha, localidade que se destaca pela preservação do seu patrimônio material e imaterial, foi fundada em 2016 a Escola de Saberes Tradicionais de Barbalha (ESBA) que vem se destacando pela preocupação em promover a valorização da cultura popular nos mais diversos espaços. Diante desse importante achado, buscamos investigar, identificar e apresentar as contribuições da Escola de Saberes para a população barbalhense, dentro da vertente da educação antirracista. Para tanto desenvolvemos uma pesquisa de campo e adotamos a aplicação de questionário como técnica para a coleta de dados. Os resultados obtidos resultaram no presente trabalho que carrega uma abordagem qualitativa, de cunho descritivo, e dialogam diretamente com os escritos de Nunes (2014); Cunha Júnior (2019); Gonçalves (2000) e Brasil (2014). A partir do estudo realizado foi possível concluirmos que, através das manifestações de reisado, de capoeira, de pinturas artísticas, oficinas artesanais e pedagógicas, apresentações musicais e diversas outras ações formativas, a Escola de Saberes de Barbalha atua como vetor da cultura afro-brasileira. Cabe acrescentar também que, a partir da atuação acolhedora e inspiradora da ESBA, bem como motivados pelo envolvimento da referida instituição com a comunidade local, outras escolas de saberes estão sendo fundadas de forma independente, por iniciativa da própria comunidade, a exemplo da Escola de Saberes idealizada pelo Mestre Serginaldo, do Reisado Congo São Miguel Arcanjo, Sítio Lagoa – Barbalha.
Palavras-chave: Escola de Saberes,Educação antirracista,Cultura afro-brasileira
Oral
Abrir o trabalhoEspaços de presença: Representação e Narrativas visuais a partir da memória coletiva de mulheres negras e afro indígenas no Cariri.
INGRID PEREIRA BESERRA
Este artigo objetiva estudar produções de artes visuais de artistas contemporâneas da região do Cariri que investigam outras mulheridades e coletividades criadoras de arte e cultura dentro deste território. Pesquisamos processos de elaboração das obras destas artistas comprometidas com o resgate das culturas de tradição e vernaculares, e das epistemologias que fundamentam esses saberes ancestrais. Temos inúmeras artistas que centram seus trabalhos e poéticas neste campo de interesse, contudo, nos debruçaremos sobre as produções de duas artistas: Eliana Amorim e Maria Macedo. Este debate nos interessa devido às investigações presentes no grupo de pesquisa que integramos por nome “Nzinga", no qual, abrange, sobretudo, o direito à memória dos grupos etnico raciais e sociais que foram violentados durante o processo de invasão, expropriação e aculturação do território invadido. Parte deste projeto de dominação, que denominamos de colonial, consistiu nas práticas do epistemicídio e etnocídio. Tais ações, focaram na desestabilização e eliminação dos fundamentos identitários dos povos nativos e transplantados para servir a edificação deste projeto colonial.
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Abrir o trabalhoOS CONGOS DE MILAGRES-CE: UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA POPULAÇÃO NEGRA POUCO CONHECIDO E VALORIZADO EM SEU MUNICÍPIO DE ORIGEM
CÍCERA ALVES AGOSTINHO DE SÁ
Durante três décadas, atuando na educação pública de Milagres-CE, meu município de nascedouro, acompanhei parte das apresentações dos Congos, que liderados pelo Senhor Doca Zacarias, perpetuavam os rituais de matrizes africanas em parte das nossas festividades culturais e religiosas. No entanto, durante mais de uma década, eu desconhecia, assim como parte significativa da população, a grandeza da cultura africana, representada nas apresentações realizadas pelo grupo, situação que começa a ser modificada com a defesa da tese de doutoramento da pesquisadora Cícera Nunes, que analisou a cultura de base africana naquele município, com foco no grupo citado. Considerando esse contexto, este estudo objetiva ampliar os estudos sobre os Congos de Milagres-CE, contribuindo com o processo de difusão da rica cultura africana cultuada naquele município e defesa de sua possível inserção no currículo da educação do referido município. Este trabalho se pauta nas contribuições de Nunes (2011; 2014) e de Sousa (2021), que abordam a manutenção das atividades do grupo Congos de Milagres como um movimento de resistência negra, no Cariri. As escolhas metodológicas adotadas para estudo o inserem no conjunto das abordagens qualitativas, com enfoque bibliográfico e memorialístico, visto que parte das experiências vivenciadas no acompanhamento das atividades culturais realizadas pelo grupo serão analisadas com base nas contribuições dos pesquisadores citados e de outros que serão acrescidos à investigação. Os resultados apontam a necessidade de se continuar investindo em estudos que versem sobre a resistência da cultura negra em nosso território, marcado pelo investimento cotidiano no processo de manutenção do embranquiçamento da nossa cultura, consequência da subserviência dos brasileiros face aos efeitos da colonização, que na prática ainda não foi superada, além da defesa à inclusão desse tema no currículo de escolas da rede municipal de Milagres-CE.
Palavras-chave: Resistência, Representatividade,Congada,Milagres-CE
Oral
Abrir o trabalhoQUÍMICA E AFRICANIDADE: O COURO BOVINO NO CARIRI CEARENSE
ROSÁLIA FELIPE DA SILVA
O estado do Ceará, em especial a região do Cariri cearense, é palco de um valioso legado da população africana e afrodescendente, as quais possuem significativas contribuições em diversos campos do conhecimento e que são configurados como africanidades. Podemos destacar a presença das africanidades nos reisados, nas congadas, nas religiões de base de matriz africana, na cultura do couro, do artesanato e do ferro dentre outros (SILVA; SANTOS, 2017). Mesmo sendo evidente o legado cultural e científico da população afrodescendente na região do Cariri cearense, destacando suas contribuições, infelizmente ainda são frequentemente negligenciadas no currículo escolar devido a uma estrutura educacional eurocêntrica e racista. O estudo foi realizado nas cidades de Brejo Santo e Mauriti, com foco no processo de pré-curtimento do couro bovino em salgadeiras locais. A pesquisa, qualitativa e descritiva, utilizou métodos como observação participante, história oral, e survey, e teve como objetivo evidenciar os conhecimentos científicos e educacionais relacionados à química no tratamento do couro. Os resultados apontam que esses conhecimentos deveriam ser integrados ao currículo escolar para enriquecer o processo de ensino-aprendizagem do currículo elementar, bem como aos saberes voltados ao conhecimento na perspectiva das africanidades. Além disso, a pesquisa resultou na criação de uma cartilha digital como material didático voltado à comunidade escolar e interessados na temática.
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Abrir o trabalhoSELO ESCOLA ANTIRRACISTA: POLÍTICA DE COMBATE AO RACISMO DA EDUCAÇÃO CEARENSE
CÍCERA ALVES AGOSTINHO DE SÁ
O embraquiçamento da população brasileira decorrente do colonialismo perdura em nosso país desde o período de invasão do nosso território pelos europeus, incorrendo em práticas racistas. Embora a Lei nº 10.639 se encontre em vigência desde 2003, em muitas redes educacionais as práticas antirracistas se limitam às atividades realizadas em novembro, por ocasião do Dia da Consciência Negra. Ante o exposto este estudo objetiva discutir as contribuições e limitações do Selo Escola Antirracista, uma política pública implementada pela Secretaria de Educação do Ceará (SEDUC-CE) para combate ao racismo nas escolas. Este estudo se pauta nas contribuições de Pereira (2021), Nunes (2014), Sá, Franca e Aguiar (2023), além de Sá e Bandeira (2019), sendo a última pesquisa apresentada na edição edição de 2019 do evento Artefatos da Cultura Negra. Trata-se de um estudo qualitativo, que discute os termos da referida política, à luz dos referenciais abordados neste estudo. A politica estadual Selo Educação Antirracista mobiliza escolas da rede pública estadual cearense a implementar um conjunto de práticas antirracistas, cujas evidências são inseridas no ambiente virtual da política, convergentes com a redução/eliminação de práticas antirracistas, para serem avaliadas por comissão instituída pela SEDUC-CE. Certamente, iniciativas dessa natureza fomentam o debate nas escolas participantes sobre o racismo , uma vez que o tema passa a fazer parte da rotina das escolas que aderem à política,atarvés da realização das atividades planejadas pelas escolares, na luta pelo fortalecimento da luta pela igualdade étnico-racial.
Palavras-chave: Política Pública, Fortalecimento,Luta Antirracista,Escolas cearenses
Oral
Abrir o trabalhoTeias de Ancestralidade: Vivências e aprendizados no Terreiro Cultural Arte e Tradição
BARBARA NOBRE ALENCAR MONTEIRO; Maria Luisa Souza Pereira
Trata-se de um estudo em andamento, com abordagem qualitativa, originado pelo desejo de relatar a experiência vivida pelos participantes do Grupo Arte e Tradição do município de Barbalha-CE. Objetivamos mostrar como os espaços de cultura são importantes formadores da identidade de um sujeito e de um grupo, além de mostrar como a história ancestral que percorre nossas subjetividades também carregam consigo sabedorias de vida que ensinam a arte, tradição, consciência de si, valorização da história, negritude, empoderamento feminino e da cultura de um povo. O estudo está ancorado nas reflexões teóricas de SILVA (2020), NUNES (2011), HALL STUART (2003), FERREIRA NETO e SILVA (2023). Do ponto de vista metodológico trabalharemos com a escuta sensível das integrantes do grupos fundamentadas na perspectiva autobiográfica e da escrevivência com base no pensamento de Conceição Evaristo. A ONG e Cultural Capoeira Arte e Tradição, fundada em 13 de maio de 2004, visa manter vivas as tradições e culturas afro-brasileiras e indígenas que existem no distrito de Arajara, zona rural de Barbalha/CE. Tendo como carro chefe a capoeira, neste espaço podemos encontrar a diversidade de manifestações culturais. Ali, o mestre Chico Ceará (mestre Gilberto) e esposa, a mestra de cultura Socorro Alexandre, mantém vivo o patrimônio cultural herdado e vivenciado em suas histórias de vida, com práticas educativas transmitidas pela oralidade e através da educação popular, trazendo consciência, autonomia e cultura para crianças e adolescentes da comunidade, além de um calendário de eventos fixos durante todo o ano no próprio terreiro, e participando de atividades em toda a região do Cariri cearense. Assim, podemos constatar que as reflexões encontradas reforçam a potência da articulação entre as práticas educativas e as culturas afro-brasileiras e indígenas para além dos moldes tradicionais. As práticas ancoradas na oralidade e educação popular valorizam a preservação de manifestações artístico-cult
Palavras-chave: Identidade Cultural, Educação,Subjetividade, Tradição, Comunidade
Resumo Simples
Abrir o trabalhoTeias de Ancestralidade: Vivências e aprendizados no Terreiro Cultural Arte e Tradição
MARIA LUÍSA SOUZA PEREIRA; Barbara Nobre Alencar Monteiro
Trata-se de um estudo em andamento, com abordagem qualitativa, originado pelo desejo de relatar a experiência vivida pelos participantes do Grupo Arte e Tradição do município de Barbalha-CE. Objetivamos mostrar como os espaços de cultura são importantes formadores da identidade de um sujeito e de um grupo, além de mostrar como a história ancestral que percorre nossas subjetividades também carregam consigo sabedorias de vida que ensinam a arte, tradição, consciência de si, valorização da história, negritude, empoderamento feminino e da cultura de um povo. O estudo está ancorado nas reflexões teóricas de SILVA (2020), NUNES (2011), HALL STUART (2003), FERREIRA NETO e SILVA (2023). Do ponto de vista metodológico trabalharemos com a escuta sensível das integrantes do grupos fundamentadas na perspectiva autobiográfica e da escrevivência com base no pensamento de Conceição Evaristo. A ONG e Cultural Capoeira Arte e Tradição, fundada em 13 de maio de 2004, visa manter vivas as tradições e culturas afro-brasileiras e indígenas que existem no distrito de Arajara, zona rural de Barbalha/CE. Tendo como carro chefe a capoeira, neste espaço podemos encontrar a diversidade de manifestações culturais. Ali, o mestre Chico Ceará (mestre Gilberto) e esposa, a mestra de cultura Socorro Alexandre, mantém vivo o patrimônio cultural herdado e vivenciado em suas histórias de vida, com práticas educativas transmitidas pela oralidade e através da educação popular, trazendo consciência, autonomia e cultura para crianças e adolescentes da comunidade, além de um calendário de eventos fixos durante todo o ano no próprio terreiro, e participando de atividades em toda a região do Cariri cearense. Assim, podemos constatar que as reflexões encontradas reforçam a potência da articulação entre as práticas educativas e as culturas afro-brasileiras e indígenas para além dos moldes tradicionais. As práticas ancoradas na oralidade e educação popular valorizam a preservação de manifestações artístico-cul
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Abrir o trabalhoUM ENCONTRO COM A ANCESTRALIDADE: DAS RODAS DE CAPOEIRA AS RODAS DE RIMA, A PEDAGOGIA DA CIRCULARIDADE E O COMBATE AO RACISMO NA CURURU SKATE E RAP
ANANDA EMILLY DO NASCIMENTO SOARES; Grazyelle Araújo Soares
O presente artigo pretende analisar aspectos que perpassam a batalha de rima de Fortaleza/CE, Cururu Skate e Rap, compreendendo-a como um importante mecanismo de resistência expressa através da arte urbana. Para tal estudo, realizamos uma pesquisa bibliográfica acerca das questões de juventudes periféricas, territorialidade e raça, entendendo que a construção das periferias está intrinsecamente ligada ao processo de subalternização da população negra. Este trabalho tem como objetivo geral mostrar como as batalhas de rap são educadoras, fruto de caminhos que se cruzaram entre a universidade e a “escola da rua”. Através da pesquisa de campo foi possível observar como batalhas de rima são um encontro com a ancestralidade, onde se tornam um espaço educativo, dando evidência a dinamicidade cultural dos jovens negros periféricos e suas implicações na formação educacional dos mesmos. Assim como as rodas de capoeira e de samba são espaços auto-organizados, lugares para trocar conhecimentos e também um lugar de denúncia e (re)existência, atualmente também temos as rodas de batalha de rap. Espaços também majoritariamente auto-organizados, mantidos em sua maioria por jovens negros e periféricos. Desse modo, as batalhas de MC’s constroem um “espaço do ancestral com o presente e futuro numa mescla que permite com que as sensações e impactos aconteçam de modo genuíno” (SANTOS, 2022, p. 241)
Palavras-chave: Batalha de rima Juventudes; Racismo; Pedagogia.
Oral
Abrir o trabalho“O QUE VEM VER”: O coco de roda como estratégia organizativa de luta
JADIELE CRISTINA BERTO DA SILVA
O presente trabalho busca investigar a agência do coco de roda, uma manifestação cultural secular no Brasil, como estratégia organizativa de luta pela terra e afirmação da identidade racial na Comunidade Quilombola de Ipiranga – Paraíba- Brasil. O coco de roda é encontrado no Nordeste brasileiro e, é um forte instrumento contra o memoricídio, como também auxilia no processo de ensino-aprendizagem dentro de diversas comunidades, considerando que é brincado e dançado principalmente por pessoas subalternizadas historicamente e com tradições orais. Nas diversas escalas que é encontrado o coco se apresenta de forma distinta, seja a partir do próprio nome, na dança, música e nos batuqueiros, este caráter configura variadas apropriações, mobilizações e sentidos diferentes à brincadeira. Tendo em vista o campo da decolonialidade, o coco de roda será investigado na perspectiva da africanidade, enquanto portador de elementos dos valores afro-brasileiros (e da diáspora). Enquanto metodologia, adota-se a pesquisa bibliográfica e documental em instituições públicas, além do trabalho de campo, essencial para o diálogo teórico e prático, além de proporcionar a aproximação com os sujeitos da pesquisa. O referencial teórico se baseia em autores da Geografia, Ciências Sociais, História e Antropologia, como Marques (2015), Porto (2015), Silva (2018), Ayala (2018), Silva (2014), Alburquerque Junior (2013), Taylor (2013) e Raffestin (1997). Apesar de ser manifestado em territórios tradicionais com mais de 150 anos de existência, o coco de roda torna-se patrimônio cultural imaterial no Estado paraibano apenas no ano de 2021, o que é reflexo da recente transformação das referências culturais da população negra enquanto patrimônio no Brasil, dado o histórico do racismo e da colonialidade, que destitui a visibilidade e importância da cultura afro-brasileira, principalmente frente às políticas de patrimônio conservadoras e elitistas.
Oral
Abrir o trabalhoA CAPOEIRA NA RODA DA EDUCAÇÃO: APLICAÇÃO DA LEI 10.639/03 EM ESCOLAS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO ESTADO DO CEARÁ COM O APOIO DO MATERIAL EDUCATIVO A ARTE DE EDUCAR GINGANDO
FRANCISCO ORISMIDIO DUARTE DA SILVA; Fernanda de Souza Paixão; Rebeca Widianny Cândido Gomes
A capoeira nos possibilita a aplicação da Lei 10.639/03 no âmbito de toda a educação básica. O presente trabalho tem por objetivo demonstrar uma experiência aplicada na Escola Estadual de Educação Profissional Aderson Borges de Carvalho, em Juazeiro do Norte – CE. A referida atividade ocorreu com o apoio do material educativo “A Arte de Educar Gingando” que desloca o potencial da capoeira, enquanto uma prática cultural, para a educação, buscando criar e fortalecer práticas educacionais que sejam significativas e corroborem com os pressupostos da Lei supracitada. Para tal empreendimento, o trabalho ancorou-se nas Leis 9.394/06 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB e Lei 10.639/2003, Lei que altera a LDB para instituir a obrigatoriedade do ensino da cultura africana e afro-brasileira no ensino básico, junto aos estudos de Cunha Junior (2006, 2020), Petit (2015) e Silva (2020, 2021). Tendo a capoeira como o fio condutor para o aprendizado sobre nossos valores ancestrais e considerando a influência que a cultura afrodescendente exerce sobre nossa sociedade, tivemos como resultados a promoção da aplicação da Lei 10.639/03, mesmo que de forma pontual, permitindo dessa forma, ao público escolar em nível de ensino médio, que integra essa escola, o conhecimento sobre as matrizes culturais brasileiras, bem como a inserção de alunas, da rede básica de ensino, ao universo científico.
Oral
Abrir o trabalhoA CONTRIBUIÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA SOCIOEDUCAÇÃO PARA O ENFRENTAMENTO AO RACISMO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
O estudo parte de um relato de experiência sobre a contribuição do Serviço Social no enfretamento ao racismo na vida de adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa, em meio fechado, no Cariri Cearense. Na atual conjuntura, percebe-se que a maior parte dos jovens atendidos é negra. Tais sujeitos vivenciam múltiplas violações de direitos, baseadas nas relações étnico-raciais, tais como: precárias condições de vida e de trabalho, marginalização, exclusão social, encarceramento em massa, desigualdade de acesso à educação, saúde, lazer, etc. O racismo gera a marginalização, estigmatização, esteriotipação, bem como a cooptação de adolescentes por organizações criminosas. Nesse sentido, os profissionais do Serviço Social precisam se empenhar na defesa intransigente dos direitos humanos e na luta antirracista, uma vez que o projeto profissional ético-político da categoria traz uma direção emancipatória. Defende-se, nesta pesquisa, que o Serviço Social contribui diretamente na luta antirracista por meio de práticas educativas com os jovens e suas famílias. Sendo sua atuação essencial na defesa dos direitos sociais e no combate ao racismo e a toda forma de exploração, dominação e opressão. Há, contudo, necessidade de maior qualificação profissional para atuação nos casos de medidas socioeducativas, no sentido de ampliar a horizontalidade da comunicação, das ações e das intervenções, estimulando o empoderamento e o protagonismo juvenil. A pesquisa se direciona ao Simpósio Temático 5: Políticas Públicas e Relações Étnico-raciais.
Palavras-chave: Racismo estrutural,Adolescente,Socioeducação; Serviço Social
Oral
Abrir o trabalhoA ressignificação das estéticas negras como direcionamento para sistematização da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira
HORTÊNSIA DA SILVA EUGÊNIO FERREIRA; Maria do Carmo Leite; Meryelle Macedo da Silva
Desde o momento da implementação da Lei 10.639/03 esperam-se ações que assegurem a reparação social e o resgate histórico e cultural das populações negras, que historicamente são atravessadas pelos racismo antinegro, então pautado na inferiorização das culturas negras, possibilitando dificuldades de reconhecimento da identidade étnico-racial. Diante do contexto, o objetivo principal deste trabalho é refletir sobre a valorização das estéticas negras como instrumento da Lei 10.639/03. O método da pesquisa foi a afrodescendência, elaborada por Cunha Junior (2013). Como procedimentos metodológicos utilizamos a revisão literatura, através de autores que contemplam o estudo das estéticas negras, como Corrêa, Junior e Carvalho (2022); a relação entre educação e valorização da identidade negra, como Gomes (2002); e as trajetórias para a ressignificação cultural, a exemplo de Silva e Nunes (2022) e Gomes (2003). É importante ressaltar que atrelada à produção científica, refletimos sobre a realidade escolar que nos atravessa cotidianamente. Mesmo com a promulgação da Lei 10.639/03, as crianças negras ainda não se reconhecem como belas, os cabelos crespos e cacheados ainda não são associados a beleza, a cor da pele e os traços negróides ainda são vistos como inferiores, tudo isso em razão de um padrão branco de beleza, o único aceito socialmente. Essa realidade exige dos professores e gestores uma ação contínua de transformação social.
Oral
Abrir o trabalhoFÓRUM DE NEGRES GUERREIRO RAMOS: A CONSTRUÇÃO DO MOVIMENTO NEGRO ESTUDANTIL DENTRO DO CURSO DE GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
THAIS MARCELINA DA SILVA; José Erivando Lima da Silva
Este trabalho busca apresentar a experiência do movimento negro estudantil e sua contribuição para a formação dos estudantes negros no curso de Gestão de Políticas Públicas (GPP) da Universidade Federal do Ceará (UFC). O Fórum de Negres Guerreiro Ramos (FNGR) nasceu em 2022, com uma articulação de estudantes negros, inspirados por outros coletivos universitários, no intuito de construir um espaço de acolhimento e valorização do conhecimento negro, desafiando o epistemicídio que historicamente marginaliza as contribuições de intelectuais negros (Carneiro, 2011). O objetivo dessa articulação é estabelecer vínculos traçando um caminho de valorização da cultura, educação e identidade negra em um espaço educacional, tornando possível a identificação da comunidade negra acadêmica como sujeitos intelectuais (Sampaio, 2020). Dentre as ações do FNGR está a realização anual do evento Novembro da Memória Negra, com palestras, rodas de conversa, mostra e debate de filmes desenvolvidos por pessoas negras. O Fórum tem como orientação as teorias de Guerreiro Ramos (1995) nos seus estudos sociológicos que abordam a sociedade brasileira, seus entrelaces coloniais e demarcações raciais, sua perspectiva do “negro-vida” que assume seu próprio destino, assim como seus trabalhos que apresentam uma visão crítica dentro da área da Administração, a qual está diretamente ligada ao curso de Gestão de Políticas Públicas.
Palavras-chave: Movimento Negro Estudantil,Gestão de Políticas Públicas,Guerreiro Ramos
Resumo Simples
Abrir o trabalhoLeituras na Oca Literária promovendo o desenvolvimento econômico e cultural de uma comunidade através da biblioteca pública oca literária.
ALICE GOMES DA SILVA; Mateus Araújo da Silva
O projeto Leituras na Oca promove o desenvolvimento econômico e cultural da comunidade, objetivo é possibilitar a difusão da literatura infatojuvenil na comunidade Carrapato por meio de atividades como prática leitura e contação de história tendo como foco o a leitura de temática africana e afro-brasileira. A Oca Literária funciona como um espaço de convivência onde os moradores poderão participar de eventos literários,oficinas de debates temáticos como as questões de debates temáticos como as questões ambiente dentre as questões ancestralidade em virtude do enriquecimento e a aprendizagem significativa com ênfase nas vivências, experiência e ancestralidade identitária da comunidade carrapato.A iniciativa oferece e promove atividades de incentivo à leitura, oficinas criativas e eventos culturais, tudo isso se constrói um espaço que valoriza o conhecimento de pessoas que participa com agentes que transforma e fortalece a identidade local. Esse local é um ponto de inclusão social, influenciando o aprendizado continuo e o desenvolvimento de competências que impactam de maneira positiva a cultura e a economia da comunidade Carrapato, abrangendo pessoas adultas e crianças
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoO CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA: PENSANDO UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; Gresciliane Soares Silva
O currículo da educação superior ainda continua arraigado na base do pensamento eurocêntrico. Quando os docentes, especialmente da Geografia, vão atuar na educação básica não conseguem sistematizar um olhar crítico sobre as relações étnico-raciais. A fim de propor uma reformulação do currículo da educação geográfica no ensino superior, objetivamos com esse artigo, articular estratégias pedagógicas que discuta o sobre a história africana e afrodescendente, atendendo a obrigatoriedade da Lei 10.639/03 que altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 de Diretrizes e Base da Educação Nacional-LDB. Realizamos uma revisão bibliográfica sobre a temática das relações étnico-raciais e o ensino de Geografia. Dialogamos com as pesquisas de Nunes (2011) que trata sobre o ensino de história e cultura africana na educação superior, além dessa a autora, os estudos de Silva (2023) nos auxiliou na compreensão do patrimônio cultural negro no Cariri cearense e o ensino de Geografia. A pesquisa da afrodescendência cunhada pelo pan-africanista Cunha Junior (2001) foi fundamental para ampliarmos nosso olhar sobre a nossa contestação no que se refere a reformulação do currículo na educação superior. Acreditamos que é preciso avançar nas discussões das relações étnico-raciais no Brasil e que haja uma conexão entre a educação básica e superior, pensando uma formação de professores que atue para construir uma educação antirracista nas escolas.
Oral
Abrir o trabalhoO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO QUILOMBOLA DA ESCOLA SANTA VERÔNICA: UM ESTUDO DE CASO
JANY MERY ALENCAR LEITE
A partir da Chamada Pública Nº 02-2023/ PIBIC-FECOP-URCA, realizamos em 2023 o estudo de caso intitulado “Projeto Político Pedagógico Quilombola: estudo de caso Escola Santa Verônica, Sítio Arruda, Araripe-CE”, com objetivo de contribuir com a elaboração do PPPQ da escola Santa Verônica. Assim, mesmo frente aos desafios externos como a significativa rotatividade de professores durante o ano letivo de 2023; avançamos na estruturação dos elementos constitutivos do PPPQ: foram definidos elementos constitutivos do PPPQ da escola; ocorreu a estruturação inicial do documento; realizamos a aplicação dos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil e Ensino Fundamental (MEC/SEB, 2009), instrumento de autoavaliação e diagnóstico da situação da escola a partir em conjunto de indicadores analisados e debatidos pela comunidade, família e a equipe de professores e funcionários da escola. Portanto, o estudo de caso evidenciou o processo de construção coletiva do PPPQ da escola Santa Verônica, permitindo o aprofundamento da observação e vivência junto a escola como um todo, e afirmando o que aponta Gil (2002), quando diz que o estudo de caso possibilita a identificação de possíveis fatores que influenciam e contribuem para o acontecimento do fenômeno estudado. Em 2023, a partir do segundo semestre, a dinâmica de rotatividade de professores se deu de forma significativa; a exemplo do mês de junho que iniciou com 7 professores; agosto com 6, sendo que nesse mês saíram 4 e entraram 3 novos. Dessa forma, dada a importância do PPPQ, por representar a própria identidade da escola, a sua elaboração contou com o envolvimento e compromisso da comunidade vem ocorrendo o processo de construção coletiva desse importante documento, a partir da escuta propositiva dos atores locais, sendo esse o primeiro PPP da escola Santa Verônica. O estudo está amparado em autores como André (1995), Benedicto (2022), Cunha (2012), Miranda (2018), Santos (2022), e outros.
Oral
Abrir o trabalhoPALAVRAS DE COR: A LITERATURA NEGRA DA EDUCAÇÃO BÁSICA, A FORMAÇÃO DE ALUNOS LEITORES DA ESCOLA SANTA VERÔNICA, COMUNIDADE QUILOMBOLA DO SÍTIO ARRUDA, ARARIPE-CE
JANY MERY ALENCAR LEITE; Laís Antônia de Oliveira Alves; Tiago da Silva Morais; Cleiton José do Nascimento Souza
O projeto de extensão Palavras de Cor a Literatura Negra na Educação Básica está com três anos de execução por meio de Chamadas Públicas de Seleção de Projetos de Extensão da URCA. Enquanto resultados expressivos, em 2023 destacamos a realização de 22 círculos de leituras envolvendo 46 alunos, do 4º ao 9º ano, da Escola Santa Verônica, comunidade quilombola do Arruda, em Araripe/CE. Foram 17 obras literárias abordadas, associadas a realização de atividades em sala de aula envolvendo conteúdos de língua portuguesa relacionados a temáticas como o enfrentamento ao racismo, a luta do movimento negro e a biografia de persolaidades negras. As ações de mediação literária, com a realização de círculos de leitura de obras do literário negro, tem resultado na concretização de momentos de leitura e reflexão sobre o lido; oportunizando aos alunos acessar obras do literário negro que trazem enredos próximos da sua identidade afro-quilombola, e contribuindo com a apropriação de referenciais históricos e culturais envolvidos com a sua cultura e comunidade. No tocante a corroborar para a formação de leitores literários, os círculos de leitura se configuraram como uma estratégia necessária para que os alunos desenvolvam o gosto pela leitura e superem dificuldades de leitura e escrita. Norteiam o estudo os aportes teóricos de Benedicto (2022), Miranda (2018), Rodrigues e Neto (2019; 2021), Felipe (2018) e Nunes (2022).
Oral
Abrir o trabalhoPESQUISA SOBRE A POLÍTICA DE AÇÕES AFIRMATIVAS NO CASO AS COTAS RACIAIS NA URCA
RUDGE CANDIDO MOTA
O trabalho é parte de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo curso de Mestrado em Educação Profissional – MPEDU, pela Universidade Regional do Cariri – URCA, através de pesquisa, com alunos (as) estudantes cotistas de cursos de graduação da URCA, nos campus da cidade do Crato. Tem por objetivo investigar como tem se dado a implementação da política de ações afirmativas voltadas para os (as) estudantes negros (as) na Universidade. A metodologia utilizada foi a coleta de dados por questionário com perguntas objetivas e dissertativas. O estudo vem sendo baseado em autores como: Abdias Nascimento (2016), Livia Santana Vaz (2022), Nilma Lino Gomes (2017) e Silvio Almeida (2018). Com os dados da pesquisa já coletados pode-se ter uma noção da visão dos (as) aluno (as) cotistas em relação a sua presença dentro da Universidade, e os resultados iniciais mostram que muitos (as) alunos (as) desconhecem grupos de estudos e congressos que ocorrem com a temática voltada para o público negro dentro da Universidade.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPOLÍTICA DE AÇÃO AFIRMATIVA ÉTNICO-RACIAL COMO ACESSO À PÓS-GRADUAÇÃO NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS: UMA ANÁLISE SOBRE AS VAGAS RESERVADAS A PESSOAS AUTODECLARADAS NEGRAS
JULIANA ARAÚJO PEIXOTO
Esse trabalho, fruto de uma pesquisa em andamento, propõe realizar um estudo sobre a política pública de ação afirmativa, com enfoque na política de cotas étnico-racial reservadas ao acesso à pessoas autodeclaradas negras nos programas de pós-graduação (mestrado e doutorado). Em 2021, retornou com maior efervescência, o debate sobre a validade e continuidade da lei federal de cotas, n.º 12.711, criada em 2012 e implementada em 2013. A lei criou mecanismo a fim de garantir a reserva de vagas para alunos/as provenientes de famílias de baixa renda, autodeclarados/as pretos/as, pardos/as, indígenas e com deficiências, no ensino superior federal, tanto nos níveis de graduação e técnico vinculados ao Ministério da Educação (MEC). Em agosto do ano de 2022, a lei chegou ao seu décimo ano, com alguns setores da sociedade ainda contrários, refutando suas continuidade ou até mesmo a criação dela, com a tentativa de desqualificar a sua necessidade. Como constava em prerrogativa própria e por pressão dos movimentos negros, a lei passou por uma revisão. Em 2023, foram sancionadas atualizações a partir de uma nova lei federal, n.º 14.723, a qual instituiu mudanças, determinando às instituições de ensino superior federais ampliarem para a graduação e para os programas de pós-graduação, a inclusão também de alunos/as quilombolas. O incremento destas políticas públicas, proporciona um maior grau de formação acadêmica voltado às pessoas negras. Estudos apontam que a após a implementação da lei de cotas, oportunizou-se uma mudança do perfil universitário negro na graduação do ensino público, expandindo o ingresso paulatino de mais estudantes negros/as de 13% para mais de 39% entre os anos de 2012 a 2017 (SILVA, 2020). Posto isto, quais desafios as universidades se depararão na reserva de vagas para pessoas autodeclaradas negras nos programas de pós-graduação? Sobretudo, as estaduais, considerando a autonomia universitária e a não obrigatoriedade de aplicação da nova lei.
Palavras-chave: Política de ação afirmativa étnico-racial; vagas reservadas; pós-graduação; educação.
Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS ETNICO-RACIAIS: CONSCIÊNCIA E RESISTÊNCIA ANTIRRACISTA NO COTIDIANO DA EEMTI DEPUTADO ANTÔNIO LEITE TAVARES
CLEILSON PEREIRA RIBEIRO; Alessandra Santos Araújo; Jucier Ricarte Saraiva; Francisco Diogo da Silva
O estudo examina as práticas pedagógicas da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Deputado Antônio Leite Tavares, focadas na promoção da equidade racial e de gênero. Localizada em Barro, Ceará, a escola se destaca por incorporar conteúdos sobre história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, conforme as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. A instituição está empenhada em conquistar o Selo Escola Antirracista, buscando fortalecer a formação crítica e cidadã dos alunos, visto que foi identificado um elevado nível de intolerância que precisa ser reduzido. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa, incluindo entrevistas e observações, para explorar as percepções de professores, alunos e gestores em relação às práticas antirracistas adotadas. Entre as iniciativas pedagógicas estão debates, oficinas e atividades culturais, que visam valorizar a diversidade e aumentar a conscientização sobre as desigualdades raciais e de gênero. Os resultados indicam que os alunos percebem positivamente o ambiente escolar mais inclusivo, embora desafios como a falta de recursos e a resistência de alguns membros da comunidade ainda existam. Contudo, a colaboração entre professores, alunos e gestores tem sido crucial para superar essas dificuldades. O estudo conclui que a EEMTI é um exemplo de como a educação pode ser um instrumento eficaz na promoção da justiça social.
Oral
Abrir o trabalhoPROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL DE HUMANIDADES E LETRAS: EXPERIÊNCIAS VIVIDAS NAS ESCOLAS DO MACIÇO DE BATURITÉ NO COMBATE AO RACISMO COM O PROJETO ÁFRICA NA UNILAB
ANALTINA ANTÓNIO CUSSITALA ; Franklin José Paulo
Desenvolver ações que favorecem a execução das políticas afirmativas têm sido uma das missões do Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras (PETHL), e sendo que as políticas afirmativas precisam ser difundidas, as ações realizadas pelo programa só vêm fortalecer a sua efetivação. O PETHL pauta as suas atividades voltadas ao estudo decolonial e anti-racista, cumprindo com aquilo que são os ideais da universidade. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo relatar as experiências vividas nas escolas do Maciço de Baturité no combate ao racismo. Com o seu projeto África na UNILAB (ANU), o Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras (PETHL) da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) vai para as escolas ou recebe os alunos na universidade para falar das questões raciais e levar conhecimentos da realidade africana que muitas vezes os alunos têm apenas conhecimentos que a mídia internacional transmite anunciando apenas miséria, pobreza, sofrimento e outros males que afetam o continente, inicia-se uma troca de conhecimentos de vários assuntos e principalmente sobre o racismo, que afeta tanto os estudantes brasileiros afrodescendentes enfrentam como também os africanos. ‘‘Por causa do racismo estrutural a população negra tem menos condições de acesso a uma educação de qualidade’’ (Ribeiro, 2019, p.22). Não é apnas na área de educação onde os negros sao menos previlegiados mas, nota-se que a situação esta presente em todas as esferas da sociedade. A pesquisa está sendo elaborada a partir das observações feitas durante as visitas e recepções de escolas que o Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras organiza, onde há um contato entre diferentes raças e etnias. Contudo, esses encontros acabam por aproximar a escola, a região do Maciço de Baturité da comunidade estudantil africana, nos permitindo trazer a nossa realidade contando na primeira pessoa as nossas vivências e evitando assim um olhar racista.
Palavras-chave: PETHL,ANU,racismo
Oral
Abrir o trabalhoQual o PODER que o Autêntico tem? – Uma experiência de educação antirracista na nossa escola.
PEDRO ESDRAS LUCENA PEREIRA ; Alessa Samara Gonçalves Parente; Monalisa Macêdo Ferreira
P.O.D.E.R = Pedagogia, Organização e Diversidade Étnico Racial, nasce da necessidade de revisitar as bases civilizatórias africanas, afro-brasileiras e indígenas, inseridas na formação sociológica brasileira. Propor o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira e indígena partir de uma pedagogia antirracista que visibilize e potencialize a identidade étnico racial brasileira, a partir das singularidades do território da comunidade escolar. Possibilitar diversas situações de ensino e aprendizagens: rodas de pesquisas, com formação docente e discentes; com leituras e construção de materiais e processos (situações problemas) que atendam as diretrizes da ERER, a partir do chão da região do cariri e instituição escolar. As nossas referências bibliográficas e atitudinais de práticas pedagógicas educativas, de cunho de letramento racial, são: NUNES,2011 e 2022; CUNHA, 2022 e 2023; PINHEIRO, 2023; ROCHA, 2012; RIBEIRO,2019; BISPO, 2023. O processo de avaliação é de multifaces. Disposto ao seguimento de ensino-aprendizagens, considerando as práticas e vivências: realização e apresentação de trabalhos, pesquisas, construção de portifólio e diário de bordo; organização e/ou participação em eventos esportivos formativos; visitas técnicas em NEABIs (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas) da região, como processo de formação docente-discente e de consolidação dessa experiência em nossa escola.
Oral
Abrir o trabalho“Terra da Luz” e os Movimentos Negros Cearenses
ROSÂNGELA ÁVILA RIBEIRO TOMAS
Existe uma cogitação que não há a existência de negros (as) no Ceará, uma concepção que é proposta pós abolição, onde a partir da libertação dos (as) escravizados (as) e com a conhecida nomeação do estado como “Terra da Luz”, se acredita também que no referido estado já não existem mais negros (as). Restaram poucos documentos que pontuam a presença negra no Ceará, no período escravocrata, o que provoca apagamento e esquecimento dos mesmos na história. Desta maneira, para melhor compreensão da presença negra na formação socioespacial cearense e sua (re)existência na contemporaneidade, este estudo que teve início na minha pesquisa de monografia, fundamentada em autores e autoras comprometidos (as) com a pesquisa crítica, busca compreender a atuação de alguns Movimentos Negros no Estado do Ceará, desde o período de escravatura até os dias atuais. Os movimentos negros são existentes desde o período escravocrata, ao qual apesar de grandes dificuldades, combate o racismo e trava lutas constantes na garantia de direitos a favor da população negra. Apesar das tentativas de apagamento, não há possibilidade de negar a sua atuação, tendo em vista a participação ativa dos mesmos nos cenários econômicos, políticos e sociais. Atualmente contamos com muitas organizações negras no Ceará, que lutam junto a órgãos públicos em reivindicação de ações afirmativas, assim como tem participação na luta para fazer valer a Lei 10.639/2003, que determina o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira e Lei 11.645/08, que acrescenta o ensino da história e cultura indígena na Educação Básica.
Palavras-chave: Ceará, (re)existência,(re)existência
Oral
Abrir o trabalhoResumo Simples · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoDESCONSTRUINDO O IMAGINÁRIO SOCIAL SOBRE O NASCIMENTO DA FILOSOFIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
FELIPE FILGUEIRAS FELIX
Este artigo se propõe a discutir sobre o imaginário social do que se considera por “o surgimento da filosofia”, buscando questionar a tradicional associação da filosofia a Grécia e aos filósofos brancos. A Filosofia, arte que origina todas as demais ciências existentes, é uma das, se não a mais importante conquista da humanidade no quesito do pensamento e avanço do conceito de humanidade e seu surgimento é associado ao povo grego. Diferente do que se propaga, a Filosofia enquanto forma de análise do pensamento, surgiu na África a partir das proposições culturais de tribos e reinos. Neste sentido, esta escrita proporciona uma discussão sobre as raízes originárias da Filosofia e sua relação com o continente africano a partir das contribuições teóricas de Molefi Kete Asante (2014) e Irineu Modesto Moises (2022), como outros autores que possibilitam um olhar crítico e trazem evicências etimológicas a respeito do marco histórico da Filosofia para que seja realizada uma constextualização que evidencie a afirmação proposta, assim como a dos autores que conversam a partir dessa tese, o que auxiliará no desenvolviemento desta escrita.
Palavras-chave: FILOSOFIA AFRICANA, CONTEXTUALIZAÇÃO, DESCONSTRUÇÃO
Oral
Abrir o trabalhoINFLUÊNCIAS DA CULTURA INDÍGENA NAS PRÁTICAS RELIGIOSAS DO CATOLICISMO POPULAR EM JUAZEIRO DO NORTE NO SÉCULO 21
LETÍCIA DO NASCIMENTO TORRES
Esse projeto nos atenta à necessidade de compreender as culturas indígenas do Cariri Cearense. Através da nossa pesquisa de campo e das leituras que fizemos, observamos que esses povos influenciam e são influenciados pelo catolicismo popular. Nesse sentido, buscamos informações na internet, onde percebemos a ausência de pesquisas e trabalhos sobre o tema. Com as referências bibliográficas que serviram de base para a nossa discussão, buscamos desenvolver este trabalho, na tentativa de contribuir para a compreensão do epistemicídio fomentado pela colonização do saber a que esses povos foram condicionados, mas também, com o intuito de salientar a resistência dos povos indígenas no Cariri Cearense. Desta maneira esperamos ter amplitude de aprendizado e compartilhar esses conhecimentos com outras pessoas e os próprios estudantes de nossa escola: EEMTI Maria Amélia Bezerra. Através do nosso trabalho, identificamos pessoas que, em suas práticas religiosas, trazem elementos da cultura e da espiritualidade indígena junto a práticas do catolicismo popular. Assim como entrevistamos pessoas para compreender a percepção delas a respeito da relação entre cultura indígena e catolicismo popular. Baseado nos textos de Nascimento, Francisco Joedson da Silva (2023) e também na sua contribuição com Silva, Miscilane Costa e Florêncio, Thiago de Abreu e Lima em A Escola de Educação Básica e a Educação Para as Relações Étnico-Raciais (2023), nós percebemos que o preconceito e o racismo religioso poderiam diminuir se o conhecimento afro-indígena chegasse, de maneira efetiva, nas escolas de educação básica no nosso país. Por isso, consideramos essa discussão relevante e desenvolvemos essa pesquisa em nossa escola.
Palavras-chave: AFRO-INDÍGENA, CULTURA, CATOLICISMO, ESCOLA
Oral
Abrir o trabalhoMemória das águas: Reisado de Caretas de Potengi e o resgate da cultura afro-indígena
ANDRESSA YARE ANDRADE ROQUE
O Reisado de Caretas de Potengi, que já foi Reisado de Couro, existe desde 1930. Antes da década de 1980, quando o atual mestre de cultura, Antônio Luiz de Souza passou a ser brincante, o reisado já existia e era traçado pela sua memória, quando reviveu a prática afetiva pela oralidade de sua mãe, Neuza Francisca de Souza, que contava as histórias ouvidas pelo seu bisavô, Benedito de Souza Lima, um dos grandes fundadores do reisado. O Reisado já passou por sítios conhecidos de Potengi, como Barreiros e Melosa, e hoje acontece na comunidade de Sassaré, que tem se reconhecido atualmente enquanto localidade quilombola. A brincadeira traz elementos fortes, além da forte identidade negra e indígena, com a diferenciação das máscaras com seus formatos únicos, materiais diversos, tinturas e texturas singulares, madeira de mulungu e couro de bode são materiais que a compõem. O Reisado de Caretas é a maior manifestação cultural de Sassaré, do brincante à brincadeira, o terreiro do Mestre Antônio Luiz é habitado. A relação de água e memória se entrelaça quando, na lagoa do Sassaré, os brincantes começavam um legado pelo início do século XX e traziam imaginário ao atual mestre. Sassaré, assim, se reinventa com novas histórias, mas seguindo o legado repassado.
Oral
Abrir o trabalhoOs saberes das Meizinheiras da Serra do Catolé do Cariri Cearense : Uma manifestação de ancestralidade e fé no período da pandemia do Covid-19.
JOSEANE DE CÁSSIA TEIXEIRA VIEIRA; Cássio Expedito Galdino Pereira; Francisco Joedson da Silva Nascimento
O presente trabalho busca analisar o contexto social da pandemia do Covid-19 na Serra do Catolé do Cariri Cearense, e a importância dos saberes medicinais populares das Meizinheiras nessa região. O vírus do Covid-19 trouxe incertezas e medo, o fato de ainda não existir uma cura e da obrigação das pessoas em ficar em confinamento, fez com que muitos procurassem formas diversas de se protegerem, um deles foi a procura por plantas medicinais e práticas religiosas. A Serra do Catolé do Cariri Cearense é uma Região localizada entre os Municípios de Juazeiro do Norte e Crato – Ceará, favorecida pelos solos férteis e uma população conhecida pela sua fé, depositou esperança nos saberes das Meizinheiras e na sua relação com o cultivo e afetividade com as plantas. Esses saberes, embora não seja perceptível por todos, representa uma ancestralidade perpassada de geração em geração através da oralidade, a representação nítida de uma cultura que se mantém por meio de raízes. Dessa forma, os saberes das Meizinheiras representam não somente percepções de saúde e cura, mas também o acolhimento emocional e espiritual diante uma tragédia que abalou a fé de muitos. Portanto, diante a sua inegável importância nesse contexto, a presente obra busca reconhecer e enfatizar os seus saberes ancestrais como forma de fortalecimento do território.
Palavras-chave: Meizinheiras, saberes, covid19
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPROTAGONISMO FEMININO-INDÍGENA EM SALA DE AULA: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PENSADAS A PARTIR DA HISTÓRIA DA CACIQUE PEQUENA
LUIZ WENDESTENY SILVA TEIXEIRA; Cicera Nunes
O presente trabalho tem como objetivo discutir práticas pedagógicas que proporcionem a valorização do protagonismo feminino-indígena, tomando por base a história de vida e a luta política da Cacique Pequena, líder indígena do povo Jenipapo-Kanindé no Ceará. Este trabalho é fruto das discussões da disciplina de Educação e Cultura Afro-brasileira, ministrada pela professora Cícera Nunes. Considerando as discussões propostas na disciplina, delineou-se o percurso metodológico a partir de uma abordagem qualitativa desenvolvida a partir de entrevistas e pesquisas bibliográficas com e a respeito de Maria de Lourdes da Conceição Alves, conhecida como Cacique Pequena. Posteriormente, propôs-se um plano de aula a ser desenvolvido no Ensino Básico, considerando o protagonismo da Cacique, que se tornou a primeira mulher cacique do Brasil, rompendo com o reflexo do patriarcado instituído no país e absorvido pelas aldeias indígenas. Os resultados obtidos possibilitaram pensar uma melhor articulação entre o protagonismo feminino e indígena e a prática pedagógica visando uma educação antirracista e que combata a desigualdade de gêneros. Conclui-se que as práticas pedagógicas centradas no reconhecimento da histórica e cultura indígena, enfatizando o protagonismo feminino, pode construir uma educação emancipadora, crítica e diversa, que valorize as relações étnico-raciais. Estas práticas pedagógicas ainda contribuem para manter vivo o legado e a luta da Cacique Pequena, difundido a sua atuação político-social no território cearense e para além dele.
Palavras-chave: Protagonismo feminino e indígena,História indígena,Educação
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoREENCONTRO E VALORIZAÇAO DAS COMUNIDADES NEGRAS DO CARIRI CEARENSE: UMA ANÁLISE DO PROJETO DO GRUNEC
ANA LUISA RODRIGUES ; Antônio Carlos Dias de Oliveira
O GRUNEC - Grupo de Valorização Negra do Cariri, enquanto movimento negro pioneiro da região do Cariri cearense, tem em suas principais frentes de atuação ao longo de seus 24 anos de existência o acompanhamento de comunidades rurais, negras e quilombolas da região, se comprometendo na valorização de suas existências e no dialogo interseccional. Dito isto, o GRUNEC realizou em 2009 o projeto ‘‘Mapeamento das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas da Região do Cariri cearense’’ resultando na elaboração de uma cartilha publicada em 2011, promovendo visibilidade e formação de agentes produtores de políticas públicas. Com o apoio da Temporada de Arte Cearense – TAC houve a segunda edição do projeto “Reencontro das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas do Cariri Cearense”, o objetivo tem sido reencontrar os laços criados, nas comunidades já mapeadas e focar na formação cultural. E uma ação em constante movimento, por isso não cabe um tempo passado nesse novo processo, as ações têm se desdobrado até o momento atual com diálogos que vão para além dos indicativos iniciais do projeto, mas que tem mobilizado o GRUNEC e seus núcleos aprimorar metodologias e sonhos coletivos para com as comunidades que fazem parte dessa história. Inicialmente o projeto seria desenvolvido no espaço do Terreiro das Pretas que é um Núcleo do GRUNEC, porém acabou tomando um formato itinerante, buscando ter mais alcance e dialogar com as comunidades a partir do seu terreiro, retomando as atividades em comunidades negras rurais, quilombolas, periféricas urbanas da região do Cariri cearense. E durante todo esse processo do projeto em prática, se constrói um material audiovisual, ‘em cima’ das entrevistas e rodas de conversa, no final de todo esse material entra o trabalho de transcrever todo esse material e contribuir na análise crítica.
Palavras-chave: Populações Negras,Quilombola,Visibilidade,Cariri
Oral
Abrir o trabalhoSABERES TRADICIONAIS NA ESCOLA: RELATOS DE EXPERIÊNCIA COMO PROFESSOR SUPERVISOR DO PIBID DE HISTÓRIA.
DIEGO CESAR DOS SANTOS
O presente resumo trata-se de um relato de experiência relacionada à participação como professor supervisor no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de História da Universidade Regional do Cariri entre os meses de novembro de 2022 e abril de 2024.Nessa perspectiva, enquanto professor supervisor, fui responsável por uma equipe de 08 bolsistas que facilitaram oficinas em turmas de história do ensino médio na EEMTI-Tiradentes em Juazeiro do Norte-CE. As oficinas seguiam a temática do subprojeto de Ensino de História e Saberes Tradicionais, com o objetivo de propiciar, a partir de uma perspectiva pluriepistêmica (Grosfoguel, 2016), a circulação de saberes dos Terreiros de Mestres da Cultura Popular, raizeiras, benzedeiras e religiões de matriz africana e indígena no espaço escolar. A elaboração das oficinas foi precedida de formações pedagógicas ofertadas à equipe de discentes e docentes na universidade e nos Terreiros dos mestres da cultura popular e das religiões de matriz africana e indígena. Nesse sentido, ocorreram encontros com acadêmicos, mestres de reisados, sacerdotes de candomblé e de Jurema. Ademais, após essas formações, os discentes planejavam as oficinas e a metodologia a ser empregada. Nesse momento, dúvidas e receios foram comuns, cabendo a mim, como supervisor, acalmá-los, conversar e apontar caminhos para que o grupo escolhesse o melhor modo de desenvolver as atividades. Facilitamos 14 oficinas sobre reisado, presença indígena e negra, liberdade religiosa, entre outros temas. Sempre relacionando com o cotidiano dos adolescentes e considerando o fato de estarem em uma escola de tempo integral. Para os alunos, os momentos foram de muita participação, muitos relatando histórias de familiares envolvidos com a cultura popular e alguns se auto afirmand praticantes de Umbanda e Candomblé. Na condição de professor da rede pública (educação básica), foi uma excelente oportunidade de atualização teor
Oral
Abrir o trabalhoSIMBOLOGIA ADINKRA: PROPOSTAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA
TALISSON ALVES DA SILVA
Tal trabalho concentra-se em evidenciar a simbologia Adinkra como uma oportunidade de planejar práticas da história e cultura afro-brasileira e africana na sala de aula. O fomento investigativo de tal pesquisa encontra-se no estudo teórico dos símbolos Adinkras, sua origem, como podem relacionar-se ao pertencimento étnico-racial e na africanidade das pessoas negras. Situando o contexto de trazer esta simbologia como conteúdo didático, esta demonstra-se executável em uma sequência didática de aulas sobre nesta temática. Buscou-se a partir do surgimento destes elementos gráficos, bem como do seu uso desde os séculos passados, problematizar a presença e resistência destas formas e significados na atualidade. Tal tema em uma perspectiva decolonizadora, consegue colaborar a desmistificar a história dos povos negros, em uma vertente que não engloba só as barreiras enfrentadas no decurso do tempo, mas também valores de vida de muitos antepassados. O estudo bibliográfico de reforço à tal pesquisa, foi a partir de Carmo (2016) e Dias (2023), além de outras reportações. As propostas realizadas, conseguem reforçar a densidade histórica em torno do continente africano, com temáticas que se ramificam à própria valorização étnica do povo negro, aliçerçando este como provedor de muito conhecimento científico e organização social, promovendo um saber ancestral hierarquizado.
Palavras-chave: Simbologia Adinkra,África,Sequência Didática
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalho“PARAÍBA, TERRA INDÍGENA”: DESAFIOS E PROPOSTAS PARA O ENSINO DA HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA EM CABEDELO - PB
CLESSIANA DE OLIVEIRA LOPES
O presente trabalho relata uma experiência pedagógica realizada com alunes do Ensino Médio, em uma Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT) de Cabedelo, Paraíba, sobre o ensino da cultura e história dos povos indígenas. O Brasil possui um verdadeiro mosaico de diversidade cultural, no entanto, desde o processo de invasão a história de alguns povos continuam sendo violentamente apagadas e negligenciadas. Como um quadro representativo das tensões sociais, o contexto escolar também está marcado pela ausência e silenciamento de histórias que fazem parte dessa pluralidade. Nesse contexto e partindo do princípio de que o processo de ensino-aprendizagem não deve estar desconexo da realidade dos estudantes, a ação foi desenvolvida como projeto de intervenção pela professora de sociologia, pois no que concerne a questão indígena, constatou-se um total desconhecimento dos estudantes sobre a história dos povos que habitam o território paraibano. Leituras de Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade de Bell Hooks, Futuro ancestral de Ailton Krenak e O perigo de uma história única Chimamanda Adichie foram utilizadas não apenas como referências de reflexões sobre a prática pedagógica, como também materiais didáticos trabalhados em sala de aula com os estudantes. Nesse sentido essa reflexão também pretende se situar dentro das discussões acerca da implementação das Leis 11.645/08 e 10.639/2003, bem como trilhar caminhos possíveis para professores enfrentarem os desafios encontrados no ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.
Oral
Abrir o trabalho“POSSIDÔNIO PEREIRA DA CUNHA: A TRAJETÓRIA DE UM MESTRE UMBANDISTA CONTRA O RACISMO RELIGIOSO (1948-1982)”
MARIA VITORIA AGRA LINS DA CUNHA
Essa pesquisa tem como objetivo central a análise da trajetória de Possidônio Pereira da Cunha, um pai de santo no interior pernambucano, no enfrentamento contra o racismo religioso, tornando-se o fiscal, pela União Espírita de Umbanda de Pernambuco, responsável pela regulamentação dos centros espíritas e terreiros, conforme estabelecido no art. 150 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1982, contribuindo através de suas experiências pessoais para o avanço das políticas públicas no Estado de Pernambuco, direcionadas às religiões de matriz afro-brasileira. Será utilizada como metodologia a análise documental, com foco no material escrito por seu filho, Antônio Severino da Cunha, auxiliado por membros do seu terreiro fundado posteriormente, o Templo de Umbanda Cristã - Santo Antônio de Ouro Fino, registro impresso nomeado por “Tributo a Possidônio Pereira da Cunha (Mestre Possi)” como também o documento federal de fiscalizador dos terreiros pertencente a este. A base teórica principal é a obra de Sidnei Nogueira, "Intolerância religiosa" (2020), na qual entende o racismo religioso como parte de um processo mais amplo de dominação, compreendendo-o como uma tentativa de aniquilar a existência, suprimir crenças, apagar memórias e silenciar origens. Ele destaca que aceitar as crenças, a cultura e a episteme daqueles que foram escravizados pela sociedade branca é reconhecer o erro histórico e afirmar a humanidade daqueles que foram desumanizados e mortos. Ao adotar essa perspectiva, o objetivo é combater o esquecimento intencional ao qual as histórias do povo de terreiro estão sujeitas. Essa abordagem visa promover a conscientização sobre as consequências do racismo religioso e fomentar um diálogo de tolerância e respeito às diversas expressões religiosas presentes no país.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho"O espaço religioso na geografia."
MARIA DE NAZARÉ SANTOS PRIMO ; Maria das Graças de Alencar Velozo
Nas últimas décadas o tema religião tem começado a ser debatido na geografia. Geógrafos vêm explorando a relação da religião na produção do espaço geográfico seja no aspecto político, econômico ou social. Nessa relação há pesquisas pensando a percepção espacial, querendo compreender a estrutura espacial constituída pela religião e natureza. Ao pensar na realidade brasileira, um ponto central é abordar as influências das religiões de matrizes africanas, Afro-Brasileira e Ameríndias na produção do espaço. Dessa forma, como os espaços religiosos são construídos pela população negra e indígena?. Partindo dessa conjuntura, o presente trabalho tem o intuito de analisar o espaço religioso produzido pela população negra e indígena, portanto, será feito um estudo de caso no bairro Frei Damião, Juazeiro do norte - CE. Metodologicamente essa pesquisa se divide em três etapas: (1) Levantamento Bibliográfico; (2) Pesquisa de campo; (3) Análise dos dados que foram obtidos. Nesse sentido, espera-se obter resultados que contribuam na compreensão da construção do espaço religioso.
Palavras-chave: Espaço,Religião,geografia
Oral
Abrir o trabalhoÁRVORES SAGRADAS NO CANDOMBLÉ: CONEXÃO MÍTICA ENTRE OS MUNDOS ATRAVÉS DA MEMÓRIA E DA ORALIDADE
SANDRO ALVES DE MOURA; Herlania Batista Galdino; Aline Alves de Lima
No Brasil, as religiões de matriz africana perpetuam os saberes ancestrais acerca da necessidade de preservarmos a natureza, ensinando que é urgente discutirmos o comportamento destrutivo herdado dos colonizadores e sua ação criminosa sobre a vida. Nesse viés, as árvores são tão sagradas que, na mitologia dos Orixás, elas são capazes de gestar e ser a morada dos ancestrais; elas possuem espíritos que conectam mundos míticos. O título deste trabalho que visa dissertar sobre a temática é “Árvores Sagradas no Candomblé: conexão mítica entre os mundos através da memória e da oralidade”; o objetivo geral é: abordar a simbologia das árvores no Candomblé, enquanto corpo representativo e material da sacralidade entre os adeptos da religião; especificamente, as finalidades são: apresentar importância das árvores como elemento de conexão sujeitos/sujeitas – natureza – Divindades, figurando um espaço de pedagogia ancestral; disseminar o Candomblé como uma pedagogia de proteção à natureza e discutir a memória e a oralidade como ferramentas de transmissão desses saberes. Quanto à abordagem do referido trabalho, utilizarei a pesquisa qualitativa; é uma pesquisa bibliográfica e, também, participante. Para referencial teórico, mencionarei o conceitos a partir de Hampatê Ba (2010); o conhecimento de base oral, advindo da Yalorixá Stella de Oxóssi (1925-2018), sacerdotisa do Ilê Axé Opó Afonjá; “Os nagô e a morte” (2012), Juana Elbein Santos; Vagner Gonçalves Silva em: Candomblé e Umbanda. Caminhos da Devoção Brasileira (2005); Mitologia dos Orixás, Prandi (2003); Ailton Krenak (2020); Martins, L. (2003). PERFORMANCES DA ORALITURA: CORPO, LUGAR DA MEMÓRIA e outros/as não referidos/as neste resumo.
Oral
Abrir o trabalhoRELIGIÕES AFRICANAS E ROMARIAS: RESISTÊNCIA CULTURAL E RACISMO RELIGIOSO NO CARIRI
ALLANNA LARISSA SILVA MACEDO; Bianca Vitória Santana Nunes; Thais Eduarda Alves de Melo
As religiões africanas são perseguidas em todo o mundo, em decorrência do racismo sistêmico e estrutural, caracterizado pelo genocídio dos povos africanos. No Brasil, este cenário não é diferente, especialmente em regiões do interior, como no Cariri Cearense. No século XVII, com a povoação da região do Cariri pelos povos africanos, foram deixadas marcas e tradições de suas religiões, que são demonizadas até os dias atuais por não se enquadrarem na visão eurocêntrica do mundo. Com a chegada do Padre Cícero e suas pregações, sob o discurso de “Oração e Trabalho”, tornou-se mais evidente a demonização da cultura afro-brasileira, tendo em vista que o “povo de fé” perseguia e atacava terreiros de religiões africanas. Além disso, havia discursos de ódio, onde os denominavam de “feiticeiros” e “inimigos de Deus", sob cunho depreciativo. Atualmente, o Cariri é alvo de grandes romarias, chegando a mais de um milhão de fieis para idolatrar santos e o Pe. Cícero, enquanto os terreiros afro-brasileiros são minoria, e sofrem constantemente com a repressão de uma região majoritariamente católica. Assim, as religiões de bases africanas, embora haja leis de combate ao racismo religioso, sofrem diariamente com essa prática. Na região do Cariri, essas religiões não são bem vistas, considerando o contexto histórico e religioso da região Sul-Cearense. Dessa forma, a justificativa para o desenvolvimento da presente pesquisa é a importância de enfatizar o racismo religioso que ocorre na região do Cariri, sob a perspectiva de religiões de matriz africana que possuem tradição na região desde o século XVII. Por conseguinte, a pesquisa tem o objetivo de analisar a repressão sofrida pelas religiões de matriz africana sob a ótica de um Cariri Cearense composto, em sua maioria, por romeiros do Padre Cícero. Sob esse viés, a metodologia a ser utilizada é de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, e relatos feitos por pessoas que frequentam religiões afro-brasileiras.
Palavras-chave: Racismo Religioso,Religiões Afro-brasileiras,Cariri Cearense,Liberdade Religiosa
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho“MAGIA CATÓLICA”? A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA AFRO-AMERÍNDIA E AS PRÁTICAS CATÓLICAS LEIGAS EM JUAZEIRO DO NORTE.
ANDECIELI FERREIRA MARTINS
Este trabalho tem como objeto de estudo as “Aves Marias de Jesus”, mulheres remanescentes da irmandade “Os Aves de Jesus” Penitentes Peregrinos Públicos, que mantem práticas religiosas e místicas na cidade de Juazeiro do Norte, no sul do Ceará... É partir das observações participantes em vivências com o grupo, que pretende-se entender como essas mulheres trazem o seu olhar sobre as práticas religiosas realizadas pelo grupo, através de suas narrativas. A partir dessas representações sociorreligiosas pretende-se discutir as implicações da tradição afro-brasileira nas práticas do catolicismo popular observadas nas expressões de fé e mística do grupo. Dessa maneira, a abordagem sobre as intersecções que se estabelecem nos hábitos cotidianos, e na diferença em que se dá os cultos dos elementos da Igreja Católica Ortodoxa, será possível ser analisado nas relações Afro-Ameríndias. Trazendo assim, o debate e reflexão sobre um dinamismo e as formas com a qual as instituições e grupos de tradições religiosas ajudam a tencionar ou manter os discursos homogêneos, intolerantes e desiguais, referente as religiões existentes na cidade. É partir da pesquisa, e de seus respectivos resultados que se propõe a discussão acerca intolerância religiosa, de forma a tentar promover a liberdade, sobretudo o respeito nos espaços em que o sincretismo se dá como atividade contínua de resistência. Ainda assim, desnaturalizar como esse tema vem sendo compreendido no campo religioso em que a demanda de uma pesquisa contemporânea sobre a presença Afro na tradição Católica seja possível de se trabalhar.
Oral
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