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A CAPOEIRA NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: OUTRAS POSSIBILIDADES DE ENSINO E APRENDIZAGENS.
FRANCISCO ORISMIDIO DUARTE DA SILVA
O ensino de Capoeira nas escolas é realizado em sua grande maioria como uma atividade esportiva, dissociada da matriz curricular, onde a escola cede o espaço físico para que ocorram as aulas. Em outros contextos, ela também vem sendo ensinada no contra turno em projetos governamentais como por exemplo, o Projeto Mais Educação. O presente artigo traz uma experiência diferenciada quanto ao ensino da Capoeira numa escola de Ensino Médio Profissionalizante da Cidade de Fortaleza – CE. Trata-se do uso da capoeira enquanto possibilidade de educação cultural afrodescendente, através da disciplina de arte, onde desenvolvemos um aplicativo para smartphones. Esperamos que a partir desse estudo possamos perceber a potencialidade da Capoeira enquanto aliada a educação e assim, potencializar pesquisas e experiências acerca da arte no contexto das africanidades e afrodescendências, em especial a capoeira.
Africanidades e educação não formal: viajando pela África em busca da ressignificação da afrodescendência
MARIA CÍNTIA GOMES; Izabele de Souza Silva
AFRICANIDADES E EDUCAÇÃO NÃO FORMAL: VIAJANDO PELA ÁFRICA EM BUSCA DA RESSIGNIFICAÇÃO DA AFRODESCENDÊNCIA Maria Cíntia Gomes Izabele de Souza Silva Luiz Carlos Carvalho Siqueira RESUMO Este artigo traz considerações sobre importância da valorização da afrodescendência na infância e parte de uma pesquisa-ação desenvolvida com crianças entre 06 e 12 anos de idade. Objetiva conhecer como o contato com práticas pedagógicas pautadas nas africanidades e desenvolvidas em espaços não escolares pode contribuir ou não para a ressignificação da afrodescendência na infância. A realização da pesquisa-ação deu-se por meio de grupos focais ancorados na proposta da Lei Federal 10.639/2003. O diálogo entre os teóricos Cunha Jr., 2013; Munanga, 2004, 2007; Cavalleiro, 2003; Gomes, 2017; Petit, 2015 e as prática vivenciadas nos possibilitou perceber que o contato com as africanidades pode ressiginificar o olhar e a compreensão sobre as influências da cosmovisão africana nos nossos modos de ser, existir e estar no mundo, e que é preciso uma maior articulação entre a educação não formal, a escola e a família para construir efetivamente uma educação anti-racista. Com isso consideramos que o debate sobre negritude e afrodescendência torna-se fundamental para que as crianças possam reconhecer suas origens ancestrais de maneira positiva rompendo com a colonização estética, corporal e cultural emergente da escravização. Palavras-chave: Africanidades. Afrodescendência. Educação não formal. Ressignificação. Simpósio Temático: Africanidades e as encruzilhadas na contemporaneidade. Estudante de Graduação, Curso pedagogia, Universidade Regional do Cariri – URCA, cintiiagomes482@gmail.com Estudante de Graduação, Curso pedagogia, Universidade Regional do Cariri – URCA, izabelesilva69@gmail.com Estudante do Mestrado Profissional de Educação da URCA - Universidade Regional do Cariri; luiz.siqueira@urca.br
Palavras-chave: Africanidades, Afrodescendência, Educação não formal, Ressignificação
Oral
Abrir o trabalhoA IMPORTÂNCIA DA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA PARA A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DA POPULAÇÃO NEGRA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
ALICIA DE SOUSA MÁCARIO; Joana Paula da Silva; Ana Ruth Ferreira Rodrigues
Neste artigo buscaremos construir reflexões de como se dá a importância no processo de construção identitária através da literatura afro-brasileira, no contexto da Educação Básica. Sabendo que esses indivíduos são sujeitos sociais e históricos, é a partir das vivências plurais adquiridas nos diferentes espaços, que cada indivíduo começa a se envolver no processo de apropriação de seus conceitos e valores, sendo capazes de reconhecer e construir suas próprias trajetórias de vida. Nesse sentido, sabendo a importância desses processos dentro do contexto escolar, reconhecemos a literatura como instrumento primordial para o fortalecimento do olhar de pertencimento, sendo capaz de apontar caminhos e ressignificações para alguns conceitos naturalizados dentro da Educação Básica. A representatividade dentro desses espaços se fortificou através da Lei 10.639/03, onde permitiu que a cultura Africana e Afro Brasileira se tornasse parte do conteúdo obrigatório a fim de trazer essa temática explicitando a importância no resgate e reconhecimento da contribuição da população negra na formação da cultura brasileira e como forma de combater a discriminação racial. Dessa forma, buscamos trazer na construção desses indivíduos a transposição de sentimentos ligados a ancestralidade, sendo capazes de se reconhecer como participantes deste processo histórico cultural. Embora na Educação Básica a Lei tenha caráter obrigatório temas, como, a questão da diversidade nas relações étnico-raciais ainda existe a necessidade de promover a integração e conscientização a respeito das diferenças e às diversidades culturais, pois todo esse processo deve ser trabalhado de um modo singular de sentir e interpretar o mundo do qual participam. Sendo assim, tomamos como base à pesquisa-ação para construir uma proposta para o estudo do ensino da literatura afro-brasileira na Educação Básica. Portanto, com a realização deste trabalho poderemos nos aprofundar nesses processos sendo capazes de reconhecer o poder da mediação e da representatividade para esses indivíduos.
Palavras-chave: Educação Básica, Trajetórias, Literatura
Oral
A ASCENSÃO SOCIAL DE MULHERES NEGRAS E PERIFÉRICAS:
ROSANE LORENA DE BRITO
A ASCENSÃO SOCIAL DE MULHERES NEGRAS E PERIFÉRICAS: A COMPREENSÃO DOS ESTEREÓTIPOS PARA UMA QUEBRA DE PARADIGMAS Autora: Rosane Lorena de Brito Universidade da Integração Internacional Afro-Brasileira (MIH) E-mail: rosaldb2002@yahoo.com.br Orientadora: Mariza Angélica Paiva BRITO Universidade da Integração Internacional Afro-Brasileira (MIH) Pós-Doutora em Linguística de Texto (UFC) Mestre e Doutora em Linguística (UFC) E-mail: marizabrito02@gmail.com RESUMO O presente artigo objetiva analisar a ascensão das mulheres oriundas de classes populares, como Conceição Evaristo e Djamila Ribeiro, para refletir sobre a emergência de uma abordagem direcionada ao estudo desse grupo de profissionais negras que redefiniram uma história cultural desenhada através do processo de repetição de estereótipos que levaram a população negra a um efeito de desumanização promovido por imagens negativas. As autoras quebraram um processo hegemônico de exclusão histórica e construíram um discurso de empoderamento. Visando analisar os contextos em que elas cresceram e suas histórias de lutas por respeito, educação e trabalho vivenciadas pelos descendentes de povos escravizados, pretende-se promover uma reflexão dos processos pelos quais as autoras passaram, buscando uma hipótese sobre o que constituiu a quebra do processo hegemônico sobre elas. Investigou-se embasamento nas noções de estereótipo e clichê (Amossy, 2001) e seu aporte linguístico e social, conceitos como memória e rebeldia (Bosi, 2004), ambivalência (Bhabha, 1998), identidade na modernidade (Castells 2010; Hall, 2008), linguagem (Fanon, 2008) interdisciplinaridade (Japiassu, 1976; Fazenda, 2008), recursos persuasivos (Perelman e Olbrechts-Tyteca, 1993) e perspectiva crítica às engrenagens do capital (Mészáros, 2008). Palavras-chave: Estereótipo. Ascensão. Identidade. Cultura. Simpósio Temático: 7 - Proponentes: Dr. Marco Antônio Lima do Bonfim; Mestrando Andy Monroy Osório; Mestrando Francisco Raule de Sousa (Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em História e Letras/UECE/GEDIRG)
Oral
Abrir o trabalhoA FILOSOFIA AFRICANA E SEUS CONTORNOS: UMA ANÁLISE COM BASE NA CRÍTICA HOUTUNDJIANA
NIVALDO PLANTÃO BIAGUÊ; PAULO ANÓS TÉ
O trabalho procura entender a filosofia africana a partir da perspetiva de Paulin Hountundji, agregando analiticamente olhares extravertidos dos sujeitos ocidentais e dos próprios africanos. Conforme o autor, a etnofilosofia é uma prática originalmente europeia mas que hoje é operacionalizada as vezes por próprios investigadores africanos. Nesta óptica, importar-se-ia analisar e debater sobre os antecedentes históricos que asseguram e sustentam a filosofia ocidental como a única e cabível forma de fazer filosofia. Nessa sequência, perguntas como, o que é a filosofia? A quem pertence? É uma prática exclusivamente europeia? Até que ponto os discursos sobre a filosofia é ou pode ser usado como instrumento de negação racional de um povo? Essas e outras questões nos conduzem ao diálogo e análise com pesquisadores como Mogobe B. Ramose, Valentin Y. Modimbe, Renato Nogueira, Amadou Hampâtè Bâ, Elkia M ´bokolo, Elisio Macamo, entre outros. Estes e outros autores são conhecidos metodologicamente como aqueles que se alinham, em termos gerais, com as epistemologias pós-coloniais ou do sul global e decolonial no caso da América Latina. São sabres que se pautam pela valorização das experiências locais, e no espelhamento das especificidades dos povos em relação as suas cosmovisões ancoradas em suas culturas expressadas em diversas dimensões: social, política, econômica, e assim por diante e, são experimentadas a partir das suas realidades e/ou convivências específicas. Neste sentido, são pensamentos que contrapõem ou desmistificam as teorias hegemônicas que, em termos históricos, foram propostas e sustentadas pelos teóricos ocidentais como Friedrich Hegel, Victor Hugo e, por ser uma imposição estratégica, por vezes são reproduzidos pelos próprios pesquisadores africanos – reprodução que pode ser consciente ou inconsciente. No entanto, a realização deste quesito exige uma pesquisa bibliográfica que, por nós é julgada em termos qualitativos a mais cabível para análise e abordagem do fenômeno em questão. As pesquisas africanas desde dos anos 50 e 60 do século XX, têm-se pautado ativamente na retomada de abordagens reais sobre a África. Com isso, considera-se o campo da filosofia como um dos caminhos para produção de um conhecimento africano autônomo e responsável.
Palavras-chave: Filosofia, África, Ocidente, Conhecimento
VALEI-ME SÃO GONÇALO NA CURA DO CÂNCER DE MAMA
ANA MARIA EUGÊNIO DA ANA EUGÊNIO; FERNANDA IELPO DA CUNHA
Descobrir um diagnóstico de câncer não é algo fácil até porque a maioria das pessoas já tem em mente sua própria sentença de morte algo semelhante, o cantar do galo fora de hora e o canto melancólico da acauã, que anuncia que algo sinistro vai ocorrer. Essas características se destacam como os elementos-chaves da autobiografia e das narrativas escritas por Ana Maria Eugênio da Siva que chorou ao saber do seu diagnóstico de câncer de mama, mas depois das lagrimas renasceu encontrando na escrita do seu relato autobiográfico e na dança de São Gonçalo uma forma de superação, resiliência e fé. Neste sentido, foi escrevendo e valendo-me de São Gonçalo que ela encontrou forças para lidar com os resultados do seu diagnóstico de câncer de mama, avaliados e confirmados em meados do segundo semestre 2016. Daquele momento em diante, fortemente abalada, ela inciou uma grande corrida para lidar com todas as etapas do tratamento do câncer e da retirada de sua mama, pedindo forças a São Gonçalo para suportar, fazendo promessas e pagando mediante as graças alcançadas. Assim, justifica-se o objetivo desta pesquisa que analisa a narrativa autobiográfica e os impactos de uma experiência de câncer vivenciada, por uma mulher negra quilombola, apresentando seus sentimentos, medos, angustias, e sobretudo a resistência e vontade de continuar vivendo sendo a escrita dos seus relatos e a dança de são Gonçalo de extrema relevância nesse processo, o que amplia o debater do câncer a partir da especificidade e singularidade de uma mulher de origem quilombola, ainda pouco explorado e debatido nos espaços acadêmicos, da pesquisa e das ações de interveções na área de saúde. O presente estudo é de cunho qualitativo utilizando da metodologia exploratório-descritivo, revisão da literatura e analise bibliográfica com recorte da autobiografia da autora Ana Maria Eugênio da Silva intitulada: “ENFRENTAMENTO E SUPERAÇÃO DO CÂNCER DE MAMA: NARRATIVA AUTOBIOGRÁFICA DE UMA MULHER NEGRA QUILOMBOLA”, apresentada a Universidade Estadual do Ceará-Ce, no ano de 2018.
Palavras-chave: Câncer de Mama,Dança de São Gonçalo, Narrativa Autobiográfica, Saúde
Oral
Abrir o trabalhoKALUNGA, A LONGA TRAVESSIA: O NEGRO NO HORIZONTE DOS CONCEITOS DE EXPERIÊNCIA HISTÓRICA E REGIMES DE HISTORICIDADE.
CARLOS CÉSAR PEREIRA DE SOUSA
Este artigo procura refletir sobre as possibilidades de uso dos conceitos de Regimes de Historicidade de François Hartog e Experiência Histórica de Reinhart Koselleck para pensar a história da pessoa negra no Brasil. Daquelas que foram ou não vítimas da diáspora africana (século XVI a XIX), dos aprisionados no continente invadido, escravizados ou exterminados pelo invasor europeu ao longo de cinco séculos de colonização, neocolonização e recolonização. É um trabalho que procura traçar uma abordagem da história dos pretos no nosso país do ponto de vista dessa prática histórica conceitual, isto é, aquela que se volta não apenas para os fatos e acontecimentos no tempo, mas para os modos de ser dos sujeitos implicados nessas narrativas. Até o momento a história das pessoas negras sejam afrodiaspóricas, descendentes dos traficados e escravizados ou pertencentes aos povos da África está encoberta por uma densa camada de práticas historiográficas que direcionam seu olhar unilateralmente para aspectos bem específicos dessa história. É uma espécie de história-catarse que se debruça sobre as fontes para escrever sobre o trabalho escravo, o tráfico de pessoas, os castigos corporais, os trabalhos forçados. A historiografia volta seu olhar muito estritamente para ação dos traficantes de pessoas no continente africano ou fora dele, para as estruturas da dimensão econômica do escravismo ou para as questões sociais que envolviam o complexo de relações escravizador e o escravizado no meio rural e urbano. O negro aparece nessas narrativas como um ser amorfo, sem ideias, sem experiências, suas vivências restringem-se apenas as fugas, ao trabalho e aos folguedos no terreiro da casa-grande. Assim não se observa a necessidade de uma intensa Experiência Histórica da pessoa negra e de seus Regimes de Historicidade ao longo da travessia África-Brasil. A pessoa negra não possui uma ontologia, não tem um cotidiano é quase desumanizada nessa historiografia, uma espécie de animal que trabalha e foge da senzala quando a vigilância se afrouxa. Nosso objetivo é refletir sobre essa perda de status ontológico da pessoa negra partindo dos teóricos escolhidos.
Palavras-chave: África, Negros, Regimes de Historicidade, Experiência Histórica
PERFORMANCE POÉTICAS: CAROLINA MARIA DE JESUS NA PRAÇA E NA ESCOLA
RENATA MARIA FRANCO RIBEIRO
O presente trabalho faz parte do Projeto Escolar Vozes Femininas que Resistem, realizado na Escola Professor Júlio Holanda/Guaramiranga-Ceará, nas turmas da educação básica do 4º ano ao 8º ano, instituição da rede pública. Inspirado na literatura de cordel Heroínas Negras da escritora Jarid Arraes, na qual a escritora homenageia mulheres negras educadoras, escritoras, ativistas, quilombolas, abolicionistas, narrando suas trajetórias potencializando suas lutas, visibilizando suas memórias e sobretudo oportunizando referências positivas que serão referências de identidade e empoderamento para crianças negras e não negras, que por muito tempo foram silenciadas pelas histórias únicas. O objetivo desse projeto escolar se deu como fomento a Lei 10.639/2003, alterada pela Lei 11.645/2008 estabelece diretrizes e bases na educação nacional, onde a História e Cultura Afro-brasileira e Africana torna obrigatório em todas as instituições de ensino públicas e privados, no entanto nos deparamos com o não cumprimento no currículo oficial escolar. Desse modo, nossa perspectiva foi desenvolver atividades de ensino afro pensado, atividades na rotina diária incentivando a literatura afro-brasileira no currículo, visibilizando as lutas antirracistas das nossas antepassadas mulheres negras e protagonistas das suas trajetórias em sociedades distintas, mas com fortes sequelas racistas em consequência do sistema escravagista implantado no Brasil por mais de três séculos. Buscamos caminhos formativos e estratégias de ensino para conhecer a trajetória da escritora negra e favelada Carolina de Jesus, uma mulher que vivia no seu cotidiano e com seus filhos o abandono do Estado brasileiro. Nossas vivências literárias, se deu estudando a biografia da autora, além da partilha na sala de aula do material pedagógico, fizemos uso da sacola literária, onde os alunos/as estudam em casa trechos das obras da autora Carolina Maria de Jesus, foi organizado o Cine Carolina, criações coletivas performáticas na praça do Teatro de Guaramiranga. A importância da obra da autora demonstra que a escritora já fazia denuncia de uma sociedade desigual, trazia nas suas escritas as angustias dos moradores das periferias das grandes cidades, relatava suas mazelas cotidianas. Palavras-chave: Escritora Negra. Currículo. Visibilidade Positiva. Empoderamento.
INTERSECCIONALIDADES E COEXTENSIVIDADE/CONSUBSTANCIALIDADE DAS RELAÇÕES HETERO-PATRIARCAIS DE GÊNERO, RAÇA/ETNIA E CLASSE SOCIAL: INTERPRETAÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS
POLIANA MACHADO GOMES DA SILVA; Viviane de Araújo Menezes; Karine Carneiro de Oliveira Silva
No interior dos estudos sexuais e de gênero, raça/etnia e classe social, existe uma diversidade de perspectivas analíticas e interpretações teórico-metodológicas acerca destas categorias. Não se pode infirmar ou negar a presença de algumas aproximações entre essas vertentes, contudo, muitas são as contradições e, até mesmo, antagonismos existentes entre elas. Há de se lembrar que esses estudos sofreram e sofrem influências da pluralidade dos feminismos. A saber feminismo materialista francófono, feminismo marxista, feminismo negro, feminismo pós-estruturalista, dentre outros. À vista disso, este trabalho objetiva, compreender as interpretações teórico-metodológicas de duas vertentes centrais em tais estudos: as interseccionalidades (desenvolvidas, inclusive, pelos movimentos feministas negros) e a consubstancialidade/coextensividade (desenvolvida pelos feminismos materialistas francófonos e marxistas). Enquanto a primeira categoria considera que cada eixo (classe, raça/etnia, gênero, castas, geração, etc.) em determinados momentos se entrecruzam, formando intersecções específicas, a segunda categoria considera que outras categorias podem ser adicionadas (geração, nacionalidade, território, etc), mas, o nó, ou novelo, estruturante das relações sociais se dá entre as relações hetero-patriarcais de gênero, raça/etnia e classe social. Em que pese as suas semelhanças e contradições, através de uma pesquisa do tipo teórica, este estudo verifica a importância dessas perspectivas como instrumento de luta e resistência aos desdobramentos do hetero-patriarcado, do racismo e do capitalismo, sobretudo, na sociabilidade brasileira. Isto porque na formação sócio-histórica do Brasil, o racismo e o patriarcado edificaram-se como modelos de dominação, opressão e exploração, criando e recriando as suas formas de ser e existir na contemporaneidade. Foram, ademais, incorporados pelo modo de produção e reprodução capitalista, constituindo um sistema simbiótico de capitalismo-racismo-patriarcado.
Oral
Abrir o trabalhoA REPRESENTAÇÃO DA MULHER NEGRA NO ESPAÇO DA LITERATURA NA OBRA DE TONI MORRISON
ROSILENE GOMES DOS SANTOS
O presente trabalho se trata de um estudo em sua fase inicial, no entanto, tem como proposta analisar questões raciais, sociais, e de maternidade representadas em 'Recitatif' obra de Toni Morrison, autora afrodescendente e americana. O conto foi publicado em 1983 em "confirmation: an anthology of african in american women". O título tem uma origem francesa, e traduzido para o português recitativo é um estilo vocal na forma de diálogo ou narração. O objetivo desse trabalho é buscar identificar e analisar essas identidades representadas na obra e leituras relacionadas a ela, além de paratextos bem como, analisar o papel da mulher dentro da obra e comparar com a realidade da sociedade de hoje. O trabalho seguirá com a seguinte metodologia: leitura e análises de dados da obra através da leitura minuciosa atentando para as questões já pontuadas anteriormente. Nesse sentido, "Recitatif" é um conto curto que tem como dois núcleos duas mulheres, dentre elas uma personagem, protagonista e narradora supostamente negra. Posto como supostamente, por não transparecer nitidamente a questão da sua “cor”, ao passo que são apresentados indícios que a referenciam ao longo da obra, principalmente quando o conto vai se avançando em direção ao fim, vai-se criando a ideia dessa personagem como negra, ou seja, não está claramente dito aos leitores, porém eles vão criando essa visão a partir das situações que a personagem vive. Então, esse trabalho tem por intuito mostrar como a literatura é também uma fonte de estudo e uma representação da sociedade, além de observar a relação da literatura com o contexto social e histórico em que a obra está inserida, e que contribui para a sua própria formação. Assim, segundo Hall (2014) com o advento das tecnologias, e da globalização as identidades foram se multiplicando, e se expandindo e culminando para novas, e assim, abrindo leque para novas incorporações dentro da literatura. Apoiando-se também em teóricos como Hall (2014), Miragaia (2017) e Silva (2015).
Palavras-chave: identidade,maternidade,raça,literatura
Oral
Abrir o trabalhoA LUTA PELA HEGEMONIA DO PAN-AFRICANISMO NA 1° METADE DO SÉCULO XX: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE DU BOIS E MARCUS GARVEY
SABRINA MARIA MONTE
O artigo analisa a trajetória social e política de dois entre os pioneiros pensadores da teoria Pan-Africanista: Du Bois e Marcus Mosiah Garvey. Assim, o objetivo deste trabalho é o de analisar as trajetórias dos seus ativismos, de suas formações politicas e de suas principais obras que registram a construção de suas teorias. Para isso, colocaremos tais trajetórias em perspectiva, contrapondo suas obras, em especial As almas do povo negro do autor, (Du Bois, 1903) e Estrela preta (Garvey, 2013). Os dois autores construíram suas obras a partir do contexto colonial africano, das primeiras décadas do século XX, fazendo uma analise social da população negra em diáspora, que sofreram no sistema colonial, tendo seus corpos e almas violados pelos colonizadores, visto que houve consequências que feriram e ainda ferem os direitos mais elementares dos negros da América do Norte e Caribenha. Os dois autores construíram narrativas politicas anticoloniais e antirracistas para o bem-viver dos negros tanto no continente americano quanto na África colonizada, dentro de uma perspectiva anticolonial, diante de um sistema opressor que inferioriza a vida dos negros na sociedade capitalista. Apesar desta luta em comum, os caminhos da critica ao racismo e ao sistema colonial, em Du Bois e Garvey, foram por caminhos diferentes que devermos ressaltar aqui através deste estudo comparativo entre estes autores fundamentais para o Pan-Africanismo.
Palavras-chave: Colonização,Pôs-colonização, Pan-africanismo
"FIZ DO MEU CORPO MINHA MU(DANÇA)": UMA ETNOGRAFIA SOBRE IDENTIDADE E EXPERIÊNCIA TRANS.
JERFERSON JOYLY DOS SANTOS MEDEIROS
Esse artigo apresenta uma análise etnográfica das aulas de zumba e do discurso utilizado por Sabrina Medeiros em ciclos de debate ao reivindicar o seu lugar de mulher trans. Moradora do município de Nova Palmeira - PB, em suas palavras, se identifica como sendo “mulher trans com 22 anos, preta e periférica", entendendo seu corpo como "lugar político, e lugar extremamente vasto”. A oficina de zumba ofertada pela interlocutora deu espaço e fala para uma militância pessoal dentro do Grupo de Mulheres. Grupo este vinculado ao centro de Referência em Assistência Social – CRAS do referido município, onde são ofertados serviços e ações de proteção social básica, através de grupos, oficinas e rodas de conversa desenvolvidos e potencializados em fortalecer a função protetiva da família. As oficinas acontecem semanalmente e as rodas de conversas quinzenalmente, o Grupo foi formado pela própria secretaria e o convite surgiu devido a interlocutora ter grupos de zumbas paralelos ao Grupo de Mulheres. Sabrina além de oficineira, é coordenadora de projetos dentro da secretaria de ação social, trabalhando diretamente com o Grupo de Idosos e o Grupo NUCA (Núcleo de cidadania dos adolescentes) com oficinas de dança e de exercícios físicos. A interlocutora se sente confortável ao se referenciar como mulher trans e faz da categoria uma bandeira, uma militância que ultrapassa os limites das suas aulas e sua experiência nas rodas de conversas. Sua experiência de identificação aparece como um elemento que subverte, contestando e apresentando novas possibilidades, novos processos de inteligibilidade/reconhecimento, devido ao fato dela borrar a norma. Diante das dimensões de sua origem social e localização podemos observar dinâmicas do mundo social oferecendo assim, recursos que possibilitam o entendimento dos corpos dissidentes. Através de interlocução com Sabrina, foram levantadas questões referentes a: desnaturalização das identidades de gênero, como ela constitue a relação com seu corpo e sua militância na reinvidicação a categoria de mulher trans.
Oral
Abrir o trabalhoO PAPEL DA BANDA MUSICAL COBIANA DJAZZ NO PROCESSO DE LUTA DA INDEPENDÊNCIA NA GUINÉ-BISSAU.
YANIQUE NANQUE
Pretende-se neste presente trabalho expor uma visão compreensiva do papel da música no processo da independência na Guiné-Bissau, com referência a banda musical Cobiana Djazz, o conjunto formado por José Carlos Swarz, Aliu Bari e entre outros elementos nos anos 1970 ainda no decurso da luta armada, protagonizada pelo Partido Africano da Independência Da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC).A Guiné-Bissau situa-se na costa ocidental da África, é formada por uma população heterogênea em termo étnico-cultural. Ao longo do tempo, foi submetido a violenta colonização portuguesa, que causou em 1963 o PAIGC, após esgotado nas negociações se decidiu e deu início a luta armada contra colonialismo português. Opta-se pelas investigações bibliográficas e consulta das fontes de jornais para a reconstrução dos itinerários históricos desta banda, sejam estas notícias, ou mesmo entrevistas à integrantes da banda publicadas em jornais guineenses ou em outras externas e análise de músicas. Desse modo, a música estava presente como elemento cultural de incentivo e de aglutinação das variadas massas populares em torno de uma consciência única da luta, o caso da Cobiana Djazz, cantando em crioulo, a língua nacional, culpando os colonialistas e encorajando os guerrilheiros do partido na determinação para a conquista da independência. Ora, o que se coloca como a discussão é que na Guiné-Bissau há bastante vazio no que refere abordagem, ou seja, o papel dos música na resistência colonial, uma vez que, segundo Gomes (2017), nos campos da batalha na luta armada de libertação nacional da Guiné-Bissau, os cantores estavam presentes, cantando para os combatentes, mobilizando as variadas massas camponesas como as urbanas para se aderirem a luta. Mas não só, como mostra também Voz da Guiné (2016), o grupo como Cobiana Djazz iniciou cantar em crioulo não só para a mobilização nacional, mas também, como uma quebra epistemológica, pois dantes, as musicas estrangeiras que vigoravam no país, eram elas angolanas, brasileiras e cabo-verdianas. por isso, trazer essa problematização ao âmbito acadêmico, constituirá uma relevância na valorização histórica daqueles que lutaram para bem de todos os guineenses, como também, ajudar compreender a injustiça dos colonialistas portugueses que causaram os povos colonizados o espirito de revolta e de luta em torno de uma causa comum.
Oral
A PEDAGOGIA ENGAJADA DE BELL HOOKS E O RECONHECIMENTO DA TEORIA COMO PRÁTICA LIBERTADORA
FRANCISCA ANDRÉA BRITO FURTADO; Ávilla Yasmim de Lima Veríssimo; Cícero Ivanildo Costa Nascimento
Partindo do pressuposto de que em processos de ensino/aprendizagem que considerem a educação como prática da liberdade - fundamento freiriano adotado por hooks do ponto de vista da práxis - aprendem não apenas estudantes, mas também professores, abordaremos nesse trabalho a importância de uma pedagogia engajada. Em sua obra Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade , lançada em 1994, a pensadora negra bell hooks dedica-se à reflexão sobre a possibilidade de uma reinvenção da educação a partir da transgressão. O livro só chega ao Brasil em 2013 e mesmo vinte e cinco anos depois de seu lançamento nos Estados Unidos, suas discussões apresentam-se aos leitores brasileiros como relevantes para o nosso contexto. A educação é para hooks um ato político de enfrentamento ao racismo, a violência de gênero e a desigualdade de classe. Dessa forma, em hooks somos estimulados a pensar sobre a importância da ocupação das escolas e universidades por populações socialmente postas à margem. O desafio de transgredir as barreiras de uma educação hegemonicamente construída com base na história dos vencedores apresenta-se não apenas como uma tarefa a ser cumprida por professores de maneira isolada, mas há um lugar fundamental nessa luta que deve ser ocupado pelos estudantes. A transgressão é tarefa coletiva. A transformação das consciências de estudantes e professores é o desafio da educação libertadora e perpassa a superação de todos os tipos de parcialidades e preconceitos tão fortemente arraigados na sociedade e constantemente reforçados por práticas educacionais comprometidas com a manutenção de opressões. A sala de aula apresenta-se no pensamento de hooks como território fértil para formação de sujeitos livres e críticos. A transgressão proposta por hooks inicia-se na compreensão de que a tarefa do professor não se restringe a partilhar informações, mas que se estende à participação na formação da subjetividade dos estudantes, nesse contexto o encontro entre as experiências de professores e estudantes com o suporte teórico podem impulsionar processos de libertação coletiva.
Palavras-chave: Educação,Transgressão, Liberdade
Oral
Palavras-chave: Capoeira,Arte,Cultura,Educação
Oral
Abrir o trabalhoArragaia uma experiência artística e pedagógica
LILIANA DE MATOS OLIVEIRA
O presente artigo tem como objetivo refletir o projeto artístico pedagógico Arragaia, afro referenciado, realizado a partir da disciplina TCC I – Montagem, da XXVII turma referente ao curso Licenciatura em Teatro do Instituto Federal do Ceará – Campus Fortaleza. O espetáculo teatral ARRAGAIA, resultante das sete ações desenvolvidas, parte de cosmovisões Africanas Ocidentais, Afro-Brasileira e Indígena (Yanomami), abordando em sua narrativa a insensibilidade política, cultural e indenitária pela qual a sociedade ainda permanece submersa, e que manifesta seu nefasto transbordamento nas constantes, velhas e atuais problemáticas INVASÕES Filosóficas, Territoriais, Espirituais e Científicas às existências dos nossos povos originários. O espetáculo parte de uma narrativa mítica e de um universo onírico, tendo o fazer ritual cênico como atualização da existência, para colocar em discussão os ensinamentos de coletivo e memória que nos trazem os saberes ancestrais. O projeto artístico e pedagógico Arragaia através de ações formativas internas e externas e ações de troca e compartilhamento: Abertura de Processo – Roda de Saberes, Armazém: Materialidades da Cena IFCE, Projeto de Encenação, Escrito Acadêmico e Poético e as Ações artístico-pedagógicas: Projeto de Imersão, Ateliê Figurino e Boneco, Áudio-Visual Curta, ampliou a discussão sobre a efetivação da implementação da lei 10.639 e a 11.645 no ensino desta licenciatura. O projeto de Encenação, vinculado à grade curricular do curso, através da disciplina TCC I – Montagem, configura-se como uma importante ferramenta artístico-pedagógica pela qual os alunos exercitam as diversas etapas da criação teatral; desenvolvimento do projeto de encenação (temática, levantamento histórico, estético, etc.), processo de criação (dramaturgia, corporal, vocal, cena), processo de produção (realização de parcerias com empresas, articulação com os setores do instituto (IFCE), artistas da cidade, setores de divulgação/comunicação rádio, tv) e o processo pedagógico a partir da articulação com o ensino (criação de ferramentas) e com a criação de escritos reflexivos acadêmicos e poéticos que articulam prática e teoria.
Palavras-chave: Encenação Teatral,Prática Pedagógica,Ritual Cênico,Ancestralidade,Afro referenciado
Oral
Abrir o trabalhoCULTURA NEGRA, ARTE E ENSINO SUPERIOR: MAPEAMENTO DE ESTUDOS EM ANAIS DO ARTEFATOS
ANA PAULA ALVES DA SILVA; JOSEFA CLARICE VIEIRA DE LIMA
CULTURA NEGRA, ARTE E ENSINO SUPERIOR: MAPEAMENTO DE ESTUDOS EM ANAIS DO ARTEFATOS 1 Ana Paula Alves da Silva 2 Josefa Clarice Vieira de Lima 3 Cicera Sineide Dantas Rodrigues RESUMO: O ensino superior é uma temática relevante que precisa ser discutida cada vez mais. Conhecer trabalhos acadêmicos sobre cultura negra e Arte neste nível de ensino é o foco central desta pesquisa. Nesse sentido, objetivou-se mapear os principais estudos que abordam a temática da Cultura Negra e a Arte no Ensino Superior, encontrados nos últimos anais do Congresso Internacional do Artefatos da Cultura Negra. A metodologia fundamentou-se na abordagem quantitativa e qualitativa de pesquisa. Nesta direção, foram utilizadas como técnicas centrais o estudo bibliográfico, a partir do levantamento das principais produções acadêmicas publicadas pelo congresso em suas três últimas edições - 2015, 2016 e 2017. Os trabalhos encontrados foram agrupados e interpretados teoricamente com base em autores que abordam sobre o Estado da Questão, como Rodrigues (2016); Nóbrega-Therrien e Therrien (2004); além de teóricos que discutem sobre o ensino superior, tais como Cunha (2006; 2010); Soares (2009); Pimenta e Almeida (2011). A pesquisa permitiu conhecer os temas mais abordados nas produções acadêmicas em relação à cultura negra, a arte e ensino superior, possibilitando perceber o papel do evento em dar visibilidade ao debate e a divulgação de pesquisas vinculadas a essa temática. Palavras-chave: Cultura Negra. Arte. Ensino Superior. Simpósio Temático: ST6. A cultura negra no ensino de Arte: narrativas de formação, saberes e práticas educativas. 1 Estudante, Graduanda em Pedagogia, URCA, anaalves097@gmail.com, Juazeiro do Norte – CE, Brasil. (PIBIC-FECOP/URCA) 2 Estudante, Graduanda em Pedagogia, URCA, claricelima1998@gmail.com , Juazeiro do Norte – CE, Brasil. (PIBIC-FECOP/URCA) 3 Professora Universitária, URCA, Doutora em Educação, UECE, cicerasineide@hotmail.com, Ceará, Brasil.
Palavras-chave: Cultura Negra,Arte,Ensino Superior
Oral
Abrir o trabalhoNARRATIVAS DE SAMUEL QUIXOTE: A CULTURA NEGRA NA REELEITURA DE HERÓIS DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
CONCEIÇÃO ARIADNA RODRIGUES LUSTOSA; Hugo de Melo Rodrigues; Cicera Sineide Dantas Rodrigues
A cultura é um importante elemento de constituição da identidade de uma sociedade, e o ensino de arte, seja formal ou informal, é um meio de fortalecimento dessa cultura. Nesta direção, este estudo destaca a importância do ensino de arte na valorização da cultura negra. Assim, esta pesquisa tem como objetivo conhecer a trajetória de formação, saberes e práticas educativas de Samuel dos Santos Vieira, educador e artista negro do Cariri cearense, que no processo de ensino e aprendizagem da cultura negra, tem a cidade como sala de aula, as paredes como caderno e os pincéis como lápis. Samuel Quixote, como também é conhecido, vem ganhando notoriedade no seu trabalho de releitura dos heróis das histórias em quadrinhos com enfoque na etnia negra. Por meio da sua arte, esses heróis, ganham uma nova identidade, trazendo beleza e encantamento aos muros de cidades caririenses. No processo metodológico utilizou-se a entrevista narrativa para a produção de dados. Fazer o registro dessa narrativa, possibilitou conhecer e difundir a história de um educador caririense que vem gerando possibilidades de abordar a cultura negra como empoderamento mediante a releitura das histórias em quadrinhos.
Palavras-chave: Arte,Cultura Negra,Histórias em Quadrinhos
Oral
Abrir o trabalhoASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA AFRODESCENDENTE EM EDUCAÇÃO: UM OLHAR DIRECIONADO À JUVENTUDE NEGRA
ITALO RAMON SANTOS BANDEIRA
O Presente artigo trata-se de reflexões parciais levantadas na pesquisa desenvolvida no Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri – PMPEDU/URCA. Buscamos discorrer conceitualmente a respeito dos aspectos metodológicos que fundamentam as pesquisas com a temática da afrodescendência na educação. Desta forma, quando decidimos falar de juventude negra no contexto escolar, decidimos falar de um grupo de indivíduos que se organizam como categoria social, que pertencem a um determinado espaço, que tem consciência de sua identidade e de sua cidadania, que entendem os processos históricos de exclusão da população negra. Para tanto, utilizamos como metodologia a cartografia social, ou seja, um conjunto de procedimentos metodológicos que possibilitem conhecer e experimentar a realidade dessa juventude, sendo as histórias de vidas utilizadas como instrumento metodológico que mediaram um mergulho singular no universo de dispositivos que compõem o imaginário dos jovens do bairro Frei Damião em Juazeiro do Norte - CE. Em virtude disso, observamos maior flexibilidade e abertura para vivenciar a realidade estudada percebendo as conexões entre dispositivos compreendendo sua essência, suas configurações e reconfigurações, oportunizando a construção do conhecimento não como uma mera descrição, mas contando a historia dos sujeitos respeitando sua autoria e valorizando suas verdades, refazendo caminhos percorridos, sendo que isso é mais do que revivê-los, refere-se a criar possibilidades “de inventar novos modos de ser no mundo, a partir do vivido, do encontro com o outro de incorporar o vivido, o passado que se faz presente.”.
Palavras-chave: Cartografia Social,História de Vida,Metodologia,Afrodescendencia
Oral
Abrir o trabalhoDA CONSTRUÇÃO DOS ENGENHOS DE CANA-DE-AÇÚCAR Á ESPACIALIDADE NEGRA: GEOGRAFIZANDO SOBRE O CRATO-CE
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; Meryelle Macedo da Silva
DA CONSTRUÇÃO DOS ENGENHOS DE CANA-DE-AÇÚCAR Á ESPACIALIDADE NEGRA: GEOGRAFIZANDO SOBRE O CRATO-CE Rafael Ferreira da Silva Meryelle Macedo da Silva Henrique Cunha Junior RESUMO A introdução do trabalho escravizado no Brasil, no que se refere aos povos africanos, permitiu a espacialização de variados conhecimentos, forjando um patrimônio cultural material e imaterial, onde se inclui a construção dos engenhos de cana-de-açúcar, em específico os do município do Crato-Ce, então utilizados na produção de rapadura e aguardente. Assim, o nosso trabalho, decorreu da seguinte problemática: a catalogação dos engenhos de cana-de-açúcar do Crato-Ce nos permite apreender a espacialidade negra local em determinado tempo-espaço? Nesse contexto, nosso objetivo principal foi o de catalogar os engenhos de cana-de-açúcar do Crato para compreender a espacialidade negra em determinado tempo-espaço. Para tanto, nos fundamentamos na pesquisa afrodescendente, elaborada por Cunha Junior (2001). No que tange a revisão de literatura tivemos como alguns referenciais, os trabalhos de Cunha Junior (2001), Nunes (2005) e Ratts (2005). Na fase de campo, em andamento, estamos coletando os dados através de acervos fotográficos, cartográficos e da história oral. Embora a pesquisa esteja em desenvolvimento podemos perceber que estudar os engenhos como possuidores de uma essência cultural africana corrobora para o entendimento de como tal população atuou na produção do espaço geográfico cratense. Palavras-chave: Espacialidade negra. Engenhos de cana-de-açúcar. Crato-Ce. Simpósio Temático: Africanidades e as encruzilhadas na contemporaneidade. 1 Estudante,Graduando em Geografia, Universidade Regional do Cariri-URCA, 2 rafaelferreira688@yahoo.com.br, Crato, Ceará, Brasil. 2 Estudante, Mestra em Educação, Universidade Regional do Cariri-URCA, meryellerodrigues@hotmail.com, Crato, Ceará, Brasil. 3 Professor Dr., Universidade Federal do Ceará-UFC, hcunha@ufc.br, Fortaleza, Ceará, Brasil.
Palavras-chave: Espacialidade negr, Engenhos de cana de açúcar, Crato-Ce
Oral
Abrir o trabalhoHISTÓRIA LOCAL E ENSINO: A ANCESTRALIDADE CONSTRUÍDA POR MÃOS NEGRAS
MIRIAN JOSSETTE DE SOUSA OLIVEIRA
Este artigo compõe uma pesquisa que se iniciou através do projeto de extensão “Produzindo histórias locais: Cultura material e memória na perspectiva dos moradores da cidade de Cajazeiras” entre a UFCG – CFP em conjunto com colaboradores da comunidade cajazeirense, e está percorrendo até o trabalho de conclusão de curso. Entendemos que a história local intitulada “oficial” está permeada por uma narrativa colonial e dominante, manifestada através de instituições, símbolos e representações, legitimada muitas vezes por meio do ensino, ao contar o “mito de origem” de cada cidade. A partir disso, surge a necessidade de refazer percursos históricos e construir múltiplas concepções nas narrativas locais, compreendendo sua articulação aos contextos mais extensos. Portanto, propomos o movimento ancestral das mãos de uma família de artesãs negras na produção de louças de barro como uma possibilidade, para a história local dentro da cidade de Cajazeiras, no Alto Sertão Paraibano. Este trabalho não pretende substituir a história oficial do município, ele parte do pressuposto que existem muitos caminhos e perspectivas para a escrita historiográfica e apresenta-se como uma dentre as diversas visões em um mesmo espaço, buscando perceber o movimento das populações que se formam nas comunidades e interagem na produção de suas práticas e saberes. Estes sujeitos são históricos e suas ações cotidianas devem atuar como parte da historiografia, e, consequentemente, do ensino.
Oral
Abrir o trabalhoO REGGAE NA PRAÇA COMO PRÁTICA CONTEMPORÂNEA DE RE-EXISTÊNCIA NA DIÁSPORA
CARLL SERENA DE SOUZA; Elisabeth Maria Oliveira dos Santos
Neste artigo apresentamos um conjunto de abstrações teóricas relacionadas com o debate contemporâneo sobre afro-diáspora trazido por Paul Gilroy na obra Atlântico Negro, e ancestralidade presente na obra Pretagogia: pertencimento, corpo-dança afroancestral e tradição oral Africana na formação de professoras e professores, de Sandra Haydee Petit. O artigo é derivado de um mergulho antropológico no circuito de reggaes organizados em praças públicas na cidade de Fortaleza/CE. Nos concentramos mais especificamente, em reggaes organizados nas três maiores periferias urbanas da capital, considerados pelos jovens que colaboraram com a realização deste trabalho como: os três maiores pólos do reggae da capital cearense. Esse trabalho se materializa para além da prática etnográfica, através de entrevistas semi-estruturadas com jovens residentes dessas três periferias urbanas. Sendo elas: Bom Jardim, Jangurussu e Pirambú. Nos atentando à "raça" como centralidade analítica deste trabalho, isso porque a raça se faz como categoria central de organização da juventude negra em espaços simbolicamente construídos em coletivo. Logo, defendo esta percepção de raça como centralidade analítica por experiências que se materializam em práticas sociais contemporâneas, mas que denunciam feridas históricas causadas pela colonização. Ao acrescentar tais problematizações realizadas por grandes intelectuais negros como Almeida(2019), Césaire(1977) e Gonzales(1982), que em épocas distintas estão dialogando sobre problemas sociais que por acaso o debate classista não consegue efetivar resoluções, estamos contextualizando o que historicamente sempre esteve diante dos nossos olhos, mas foi e é considerado como apêndice: a raça. Visto isso, acrescentamos a importância de se racializar os territórios em que se organizam os reggaes em praças públicas, bem como, racializar a juventude que circula neste espaço. Apresentamos reflexões acerca das vivências construídas nos reggaes na praça pelos jovens colaboradores deste trabalho como: experiências de conexão coletiva e ancestral da juventude negra no espaço urbano.
Palavras-chave: Antropologia Urbana,Diáspora,Reggae,Ancestralidade
Oral
Abrir o trabalhoORA BRANCO HÁ DE VER, OS PRETIN ANDAR NA RUA, HÁ DE VER:MARUJADA DE CURAÇÁ.
ELIANE DOS SANTOS SOUZA E SILVA
O presente trabalho é parte da dissertação do mestrado profissional em Ensino de História da Universidade Regional do Cariri (URCA) intitulado Nas fitas da memória a construção da nossa História: Marujada de Curaçá como possibilidade de Educação Patrimonial. A história da Marujada de Curaçá remonta aos tempos da fundação da cidade. Segundo a tradição, a fundadora de Curaçá, dona Feliciana Maria de Santa Tereza de Jesus, em 1819, mandou vir escravos para trabalhar na construção de uma capela em louvor ao Bom Jesus da Boa Morte, e foi com esses escravos que, de acordo com a tradição oral se iniciou a devoção a São Benedito santo que por ter sido também escravo, era considerado protetor destes (LOPES, 2000). A Tradição da Marujada é uma manifestação cultural e como tal caracteriza, identifica e representa a cultura do povo curaçaense. Como manifestação viva que é a Marujada de Curaçá é uma manifestação que se renova e se ressignifica a cada ano. Há quase dois séculos, a bandeira de São Benedito percorre as casas da cidade abençoando seus moradores e recebendo as esmolas para a Marujada, em um ritual que se repete, mas que guarda uma particularidade para cada um dos devotos que acompanham. Até a década de 60, Mãe Sérgia era a guardiã da bandeira de São Benedito, filha de escravos, herdou de seu pai, escravo de D. Feliciana, o posto de guardiã da tradição da Marujada. Mesmo após sua morte, com mais de 90 anos, ocorrida no final dos anos 60, a bandeira ainda é guardada em sua casa, assim como os ensaios são realizados em frente da mesma e ano após ano os marujos adentram por suas portas para lhe prestar homenagens. Neste artiga,buscamos perceber os elementos de afirmação negra presentes na Marujada de Curaçá, a partir da análise de suas canções e de suas representações. As discussões aqui apresentadas servirão de base para uma proposta de aula a ser trabalhada com alunos do Ensino Fundamental, em uma interlocução entre o Ensino de História e a Educação Patrimonial, referenciando dessa forma, o ensino de História às vivências e o papel dos sujeitos como construtores da história individual e coletiva de um povo. Palavras Chave: Negritude; Marujada; Ensino de História. Simpósio Temático: Africanidades e as encruzilhadas na contemporaneidade
Oral
Abrir o trabalhoPARQUE ESTADUAL DO SÍTIO FUNDÃO DO CRATO-CE: ESPACIALIDADE NEGRA E IDENTIDADE AFRODESCENDENTE
MERYELLE MACEDO DA SILVA; Cicera Nunes
PARQUE ESTADUAL DO SÍTIO FUNDÃO DO CRATO-CE: ESPACIALIDADE NEGRA E IDENTIDADE AFRODESCENDENTE Meryelle Macedo da Silva Henrique Cunha Junior Cicera Nunes RESUMO A história da África no Brasil começa a ser tecida com o escravismo criminoso, quando os povos africanos e seus descendentes atuaram na produção e transformação do espaço geográfico, fomentando um patrimônio cultural, a exemplo da afroarquitetura. No município do Crato, localizado no Cariri cearense, encontramos um rico acervo afroarquitetônico, em especial, o do Parque Estadual do Sítio Fundão, a saber, uma casa de taipa com andar superior, ruínas de uma barragem construída por escravizados e ruínas de um engenho de cana de açúcar, de tração animal. Nesse contexto, objetivamos analisar o patrimônio afroarquitetônico do Parque Estadual do Sítio Fundão como mecanismo de apreensão da espacialidade negra. Tivemos como base teórico-metodológica a pesquisa afrodescendente de Cunha Junior (2001) e como instrumento de coleta de dados o trabalho iconográfico. Os principais resultados mostram que os estudos sobre o local priorizam a dimensão natural, deixando de perceber o ambiente construído e suas especificidades históricas. Os diminutos trabalhos sobre a geo-história local, bem como, a falta de ações educacionais com tal finalidade, dificulta o conhecimento da história e da cultura de matriz africana, assim como o alcance de uma identidade afrodescendente. Palavras-chave: Afroarquitetura. Parque Estadual do Sítio Fundão. Identidade afrodescendente. Simpósio Temático: Africanidades e as encruzilhadas na contemporaneidade. 1 Estudante, Mestra em Educação, Universidade Regional do Cariri-URCA, meryellerodrigues@hotmail.com, Crato, Ceará, Brasil. 2 Professor Dr., Universidade Federal do Ceará-UFC, hcunha@ufc.br, Fortaleza, Ceará, Brasil. 3 Professora Dra., Universidade Regional do Cariri-URCA, cicera.nunes@urca.br, Crato, Ceará, Brasil.
Palavras-chave: Afroarquitetura,Parque Estadual do Sítio Fundão,Identidade afrodescendente
Oral
Abrir o trabalhoANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO DE BIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO EM UMA PERSPECTIVA ÉTNICO-RACIAL
ELIMARDO CAVALCANTE BANDEIRA; Sofphia Martins da Silva
A lei 10.639/03 estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira no currículo da Educação Básica e no Ensino Superior. Para tanto, é imprescindível a composição do material didático apresentar conteúdos sobre a temática, estabelecendo intrínseca relação com a genuína história da nossa ancestralidade. As lutas e conquistas da população negra no Brasil são tratadas de forma superficial, ocasionando silenciamento e invisibilidade desse processo. Nesse viés, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) campus Jaguaribe, realizou uma pesquisa acerca do recorte racial nos livros didáticos de Ciências adotados nas escolas do município de Jaguaribe-Ceará. O livro didático de Biologia do 1° Ano do Ensino Médio foi avaliado pontuando a forma como a história afro-brasileira está retratada desde o sumário, nas imagens e o conteúdo textual. Como estratégia metodológica optou-se pelo estudo bibliográfico e documental. Após a coleta dos dados, realizou-se o agrupamento assim como o mapeamento bibliográfico. A partir disso, foi possível observar que no livro didático estudado, o currículo de Biologia permeia discussões acerca dos estudos da origem da vida e patologias associadas à genética. Das populações negra e branca que possibilita concordância com as questões raciais. Porém, o que se observa são conteúdos superficiais e distorcidos nos exemplares, resultando uma aplicabilidade defasada do ensino. Observou-se que ao tratar-se da origem da vida e abordagem cultural populacional não houve referência dos povos africanos na construção da nossa ancestralidade. Portanto, em consequência disso, as questões raciais veiculadas no livro didático reproduzem um lógica colonial, estereotipada, eurocêntrica pautada numa visão de ciência onde a população negra não é a produtora de conhecimento, dessa forma, reforça a colonização dos currículos no ensino de Ciências. Com esse projeto, foi possível construir um olhar crítico e reflexivo nos integrantes do NEABI campus Jaguaribe a respeito do livro didático e da temática étnico-racial.
Palavras-chave: Livro didático,Relações étnico-raciais, Ensino, Biologia
Oral
Abrir o trabalhoAPLICAÇÃO DA LEI 10.639/03: POTENCIALIZANDO IDEIAS
ANTONIA LANNUZZA GOMES LOUREIRO
O Artigo apresenta um Relato de Experiência, realizada na Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Odorico de Andrade, localizada no Município de Tauá, no Estado do Ceará. Trata-se de uma formação que teve como público alvo os professores de Ciência Humanas e Gestores da referida Unidade Educacional, com o objetivo de potencializar as ações já realizadas na escola, com o intuito de aplicar a Lei 10.639/03. Sabe-se que em 2003 foi sancionada a Lei Federal nº 10.639/2003; determinando a obrigatoriedade da inclusão no currículo da rede de ensino o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e outras providências. Portanto, a Lei Federal n. 10.639, tendo sido promulgada em 2003, já estava em plena vigência quando a EEEP Monsenhor Odorico de Andrade passou a funcionar como escola profissionalizante, em 2008. A Lei 10.639/2003 é reconhecidamente fruto de uma política de intervenção do movimento negro e de intelectuais comprometidos com a luta anti-racista. Quanto às disciplinas de Ciências Humanas, por terem características formativas, são de suma importância na contribuição da construção do caráter cidadão dos alunos. Nas aulas dessas disciplinas, temos a oportunidade de discutirmos as relações entre os sujeitos, suas práticas e seus saberes. É a possibilidade de contribuir para o combate ao eurocentrismo que ainda hoje domina nossas produções historiográficas, currículos, livros e materiais didáticos, além das avaliações. No presente artigo, relataremos as ações, metodologias e recursos propostos nos 4 momentos de formação, cujos temas trabalhados foram: Combate aos silenciamentos sobre práticas racistas, Representatividade e Identidade como algo em permanente construção, Fomento a posturas antirracistas, Movimento Negro e suas conquistas e Currículo escolar para a diversidade. Para o embasamento teórico da pesquisa, fizemos a leitura e reflexão de algumas obras e artigos de Nilma Lino Gomes (2012), Silvio Almeida (2018), Kabengele Munanga (2005), Henrique Cunha Júnior (2001), dentre outros estudiosos do tema.
Palavras-chave: Ensino, História, África
Oral
Abrir o trabalhoDIÁLOGOS DOCENTES SOBRE EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL EM FORTALEZA-CEARÁ.
ROSILENE AIRES; Ana Marina da Silva Peres Telemaco; Renata Paula de Oliveira Leite
A política de Educação para as Relações Étnico-Raciais, conforme instituída pelo artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação n° 9.394/1996 está intimamente ligada às políticas de desenvolvimento dos currículos escolares, na produção e distribuição de materiais didáticos específicos e com a formação de professores. Neste sentido, este artigo relata um eixo de ação desta política, que é a formação docente na rede estadual de ensino em Fortaleza- Ceará com total de 40 horas de atividades. Esta formação foi promovida pela Coordenadoria da Diversidade e Inclusão Educacional – Codin responsável pela Educação Escolar Indígena, Quilombola e para as Relações Étnico-Raciais na rede estadual de ensino. Para tanto, foram disponibilizadas as escolas 70 vagas, sendo que o total de inscritos somou 60 professores. Em se tratando das áreas, observou que 6 inscritos não identificaram sua formação inicial, 3 são da matemática, 2 das ciências da natureza e 2 são gestores escolares, 21 de linguagens, e, por fim, a maioria dos professores cerca de 33 são de ciências humanas. Acredita-se que essa diversidade docente contribui para a abrangência da Lei 11.645/2008 no currículo de nossas escolas e nas demais coordenadorias da Secretaria tendo em vista a participação dos seus técnicos, o que demarca um ciclo formativo de formato distinto do último ocorrido em 2015 e destacado em Aires (2017) e Aires et al (2016). A metodologia desenvolvida nos cinco encontros presenciais, partiu de datas de referência, tanto de caráter nacional (19/04 – Dia do Índio, 13/05- Dia de luta contra o racismo e dia dos pretos velhos, 18/05 – Criação do Conselho Nacional de Mulheres Negras, 24/06 – Dia do Cigano e 03/08 – Dia do Capoeirista) quanto de caráter estadual (25/03 - Carta Magna), a fim de suscitar o diálogo docente durante as oito horas de atividade proporcionadas em cada encontro, os conceitos abordados e a escolha dos formadores, relacionaram-se as datas destacadas e possibilitaram reflexões sobre: território, quilombo, cultura, educação escolar indígena e quilombola e cultura cigana com mesas de debate e rodas de conversa com professores da rede estadual que desenvolveram práticas pedagógicas relacionadas as temáticas. A formação gerou desdobramentos didático-pedagógicos que confrontam e modificam estruturas discursivas racistas ainda presentes nas práticas de educadores e educadoras e fortalece as políticas afirmativas. Totalizou-se ao longo dos cinco encontros formativo.
Palavras-chave: Formação Continuada, Ensino Médio, Grupos étnicos, Lei 11.645
Oral
Abrir o trabalhoENSINO BÁSICO: UM ESTUDO CENTRADO NA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/2003
ROSÁLIA FELIPE DA SILVA; ALIANA FRANCISCA DA SILVA
À temática étnicorracial está presente em várias discussões que emergem na sociedade brasileira. Embora nos últimos anos tenha ocorrido maiores debates deste tema devido a implementação da Lei 10.639/2003, ainda se detecta carências e falhas perante muitas execuções nos espaços escolares. Nessa perspectiva analítica, este trabalho trata-se de uma pesquisa iniciada em agosto de 2017, ainda em andamento que ocorreu/vem ocorrendo nas instituições públicas de ensino infantil e fundamental das cidades cearenses Brejo Santo e Porteiras. O estudo objetivou-se conhecer a abordagem da Lei 10.639 nos estabelecimentos de ensino destas cidades. Usou-se questionários e/ou entrevistas, apropriando-se dos métodos quali-quantitativos para coleta de dados, assim como a verificação nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas foco. Os dados apresentados constituem dois recortes analíticos: um de caráter temporal de 2017 a meados de 2019; outro estrutural analisando três questões, dentre as 15 (quinze) elaboradas para o questionário/entrevista. De acordo com os resultados concluiu-se que ainda persiste a concentração de práticas estereotipadas e desconhecimento do que trata a Lei 10.639 por parte dos entrevistados/as, carecendo assim de mais práticas inclusivas e uma formação adequada para todos/as que ocupam esses espaços. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Oral
Abrir o trabalhoESCREVIVÊNCIA: A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE
LETÍCIA LIMA SILVA
● O presente estudo analisa a ontologia de Conceição Evaristo com o seu conceito de escrevivência, é através deste conceito que Evaristo discorre sobre suas vivencias como mulher negra, pobre e de periferia na sociedade brasileira. Diante disso, alia-se a militância negra com objetivo demarcar a cultura afrodescendentes e a sua posição de negra no meio social. Ao analisar o conceito de escrevivência é possível percebermos a luta pelo empoderamento da mulher negra na sociedade. Desse modo, minha intenção é propor um ciclo de leitura e reflexão sobre a poética da autora em uma escola de ensino fundamental II do município de Redenção-Ce. Por mais que sua literatura tenha sido reconhecida tardiamente, Evaristo se tornou um grande nome quando se trata de cultura afrodescendente. Vale ressaltar que um dos seus principais meios de publicação foi a série cadernos negros fundada pelo grupo Quilombhoje. Partindo desse pressuposto, a literatura de Evaristo está marcado como uma poética de alteridade comprometida com a crítica social, com a história e a ancestralidade da cultura dos afrodescendentes, visando também reflexões sobre a mulher. Desse modo, minha intenção é propor um ciclo de leituras e reflexões sobre a poética da autora em uma escola de ensino fundamental II do município de Redenção-Ce. Proponho aqui uma análise das construções lírica da autora com o objetivo de mostrar e identificar as experiências e a importância da literatura de Conceição Evaristo tanto nos meios educacionais, refiro-me as escolas de ensino básico, pois ela é pouco vista, quanto nos meios sociais. Vale ressaltar que após toda à uma história marcada por lutas e por algumas ausências acadêmica Evaristo consegue publicar sua primeira obra Ponciá vicêncio. Cito toda essa bibliografia da autora pois foi de suma importância para obter o resultado da questão levantada. Como é vista a mulher negra na sociedade brasileira do século XXI, e pode perceber mesmo estando num século de tão alto desenvolvimento e tecnologia ainda as mulheres negras são desvalorizadas e vistas com preconceito.
Palavras-chave: Escrevivência, Afrodescendentes, Mulher Negra
Oral
Abrir o trabalhoINFÂNCIAS NEGRAS E LITERATURA INFANTIL: PRIMEIRAS VIVÊNCIAS NO ESPAÇO ESCOLAR
KÁTIA KAROLINE FERREIRA SILVA; CICERA NUNES
INFÂNCIAS NEGRAS E LITERATURA INFANTIL: PRIMEIRAS VIVÊNCIAS NO ESPAÇO ESCOLAR Kátia Karoline Ferreira Silva Cicera Nunes RESUMO Este é um fragmento retirado de minha pesquisa para obtenção de título de Especialista em Educação Infantil na Universidade Regional do Cariri (URCA), em Crato, Ceará. O objetivo da referida pesquisa é refletir sobre as infâncias das crianças negras e entender como as mesmas são acolhidas no processo educacional na educação infantil. As vivências registradas no referido trabalho, foram realizadas com 13 crianças do Infantil II em uma Creche do município do Crato, durante os meses de março a novembro de 2018. A pesquisa foi motivada pela necessidade de buscar estratégias para reverter uma situação de rejeição e negação do pertencimento étnico-racial manifestada durante uma contação de história por uma das crianças da turma. Para a construção metodológica deste trabalho foram utilizados registros fotográficos, vídeos e anotações, bem como alguns livros de literatura infantil que nos permitiram através do universo lúdico, mergulhar em questões muito profundas referentes a necessidade de se pensar a construção da identidade negra desde a primeira infância. O mesmo parte da metodologia afrodescendente, tendo como abordagem a pesquisa qualitativa, utilizando como embasamento teórico Cunha Jr. (2007), Cavalleiro (2000), Gomes (2005) e Munanga (2005). O referido trabalho se justifica, pois se apresenta como um desafio para que as (os) professoras (es) se comprometam com a superação dessas questões e a construção de uma educação anti-racista desde a educação infantil. O mesmo sugere também uma reflexão acerca dos caminhos que precisam ser construídos no espaço escolar a partir da efetivação contínua da Lei 10.639 de 2003, que infelizmente segue sendo negligenciada em algumas instituições de educação infantil. Palavras-chave: Infância Negra. Identidade. Literatura Infantil. Simpósio Temático 10: Desafios e possibilidades da aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08 na educação básica
Oral
Abrir o trabalhoJOGOS AFRICANOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA: O YOTÉ COMO RECURSO DIDÁTICO.
MARIA GABRIELA DE FIGUEIREDO FURTADO; Anna Karla Silva do Nascimento
A inserção do estudo sobre a história e a cultura afro-brasileira no currículo escolar tem sido um desafio para as escolas de todo o Brasil por causa da precária formação dos professores sobre essa temática, do outro lado, temos a Matemática que é considerada uma disciplina difícil, incompreensível por parte dos estudantes das escolas. Pensando nessas dificuldades e na junção das duas temáticas supracitadas, este trabalho, apesenta uma experiência educacional com um jogo de origem africana no ensino de Geometria e da cultura africana em escolas da rede municipal de ensino de Brejo Santo /CE. Buscamos verificar em que medida os jogos africanos podem contribuir com a aprendizagem matemática no contexto dos anos finais do ensino fundamental. A pesquisa teve, inicialmente, caráter bibliográfico, desenvolvida a partir do levantamento de possíveis jogos de tabuleiro com origem africana que apresentassem possível potencial pedagógico, além da construção de um histórico sobre sua origem. Com isso e o yoté foi escolhido como ferramenta pedagógica para aplicação desta pesquisa. Esta experiência utilizou-se da observação e de um questionário para coleta dos dados. Em relação ao yoté, foi destacada pelos estudantes e pelos docentes das escolas que participaram da pesquisa a importância da sua interação entre conceitos matemáticos e histórico-culturais. Dentre as dificuldades relacionadas a manipulação do jogo os discentes, apresentaram como maior desvantagem o reconhecimento dos personagens afrodescendentes presentes nas peças do jogo.Com a realização desta pesquisa foi possível notório que é de fundamental importância que as escolas empreendam práticas direcionadas não apenas aos conteúdos conceituais e procedimentais das disciplinas presentes nos currículos escolares, mas ainda aos conteúdos atitudinais, essenciais para a formação de cidadãos que respeitem a diversidade e diferenças em uma sociedade multicultural.
Oral
Abrir o trabalhoJOGOS E BRINCADEIRAS: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO NAS RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS NO ENSINO DE GEOGRAFIA
IZABELE DE SOUZA SILVA; MARIA CINTIA GOMES
JOGOS E BRINCADEIRAS: UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO NAS RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS NO ENSINO DE GEOGRAFIA Izabele de Souza Silva Maria Cintia Gomes Luiz Carlos Carvalho Siqueira A implementação da Lei 10.639/2003 que versa sobre a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileiras ainda é um desafio para a formação e prática docente nos dias de hoje. Reconhecendo tal aspecto, o texto objetiva demostrar de que modo jogos e brincadeiras auxiliam o exercício docente no componente curricular da Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ele é um recorte da pesquisa intitulada Jogos e brincadeiras africanas/afrodescendentes no ensino de Geografia nas séries iniciais do Ensino Fundamental, que tem natureza básica, realizada através de pesquisa bibliográfica. Tem como referencial teórico de Callai (2000; 2005); Castellar e Vilhena (2014) e documentos educacionais tais como o PCN (1997) e a BNCC (2017) ambos voltados para o Ensino da Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004). Constatou-se que os jogos e brincadeiras fazem com as crianças reconheçam a História e Cultura Afro-Brasileiras, bem como, superem preconceitos e visões estereotipadas sobre os povos e continentes africanos. Tais estratégias demonstram que o ensino de Geografia se constitui como um espaço importante para promoção da Educação das Relações Étnico-raciais. Palavras-chave: Jogos. Brincadeiras. Ensino de Geografia. Relações Étnico-Raciais. Simpósio Temático: Desafios e possibilidades da aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 na educação básica
Oral
Abrir o trabalhoLEI 10.639 DE 2003: FORMAÇÃO CONTINUADA E RECONHECIMENTO DA HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA
EDILEUSA FRANCISCA DA SILVA
A Lei 10.639/2003 torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, desta maneira ela é de extrema importância para construção da identidade racial e para a aceitação da diferença, logo é fundamental para uma educação. Porém, muitos(as) professores(as) trabalham a temática somente nas datas comemorativas de 13 de maio e 20 de novembro o que não ocorre rotineiramente no ambiente escolar, também se observa que em salas de aula de todo o Brasil que a história afro-brasileira é tratada somente sobre a escravização de negros(as) e os relatos de sofrimento presentes no passado brasileiro. Porém pouco é falado sobre o Movimento Negro no Brasil e quando se é tratado, em muitos casos, retratam somente as ações feitas para o fim da escravidão. Assim, percebendo-se a necessidade de tratar essas questões devido a ocorrência de reprodução de estereótipos que não contribuem para a formação do sujeito humano no locus educacional e reflete em sua formação, diante disto se observa a necessidade do(a) docente ter uma formação continuada voltada para a Lei 10.639/2003, para que saiba como se tratar a temática racial a partir de um ponto de vista histórico-cultural, na qual os(as) alunos(as) possam aprender com o passado e com a cultura e assim desenvolver uma educação antirracista e que valorize a Cultura Afro-Brasileira. Nesse sentido, este pretende expor uma análise acerca do projeto de extensão intitulado “a prática docente e a formação continuada: Lei 10.639/2003 e o ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira”. O projeto objetiva realizar discussões na sala de aula acerca de questões raciais, racismo, identidade, história e cultura africana e afro-brasileira de forma que os(as) alunos(as) negros(as) se sintam valorizados (as) e no caso dos(as) alunos(as) não negros(as) possam aceitar as diferenças e que professores(as) sejam capazes de realizar diálogos de maneira a acabar com a reprodução de estereótipos sobre a população negra brasileira e seus ascendentes africanos(as).
Palavras-chave: Identidade,Ensino,Formação Continuada
Oral
Abrir o trabalhoO NEABI NO ENSINO BÁSICO: UMA PROPOSTA DE APLICAÇÃO DAS LEIS 10.639/2003 E 11.645/2008.
EDSON DA SILVA NASCIMENTO; Lara Jamilly Castro de Brito
Os núcleos de estudos africanos, afro-brasileiros e indígenas, (NEABIs), surgiram no meio acadêmico como um espaço de acolhimento, reflexão e construção do conhecimento para e sobre a comunidade negra e indígena com intuito de resistir ao racismo e resgatar as suas raízes históricas e culturais outrora marginalizadas pelo processo de aculturação eurocêntrica. Esses grupos de pesquisa distantes de pretenderem promover a soberania de uma cultura sobre as outras, empreendem com determinação mecanismos didáticos e metodológicos para proporcionar o entendimento de que a pluralidade é um sintoma imprescindível de unidade a uma nação multicultural. Os Neabis floresceram a partir da resistência e do enfrentamento da comunidade negra contra a desigualdade histórica (e ainda sincrônica) étnico-racial. Objetivamos, então, refletir, aqui, sobre os desafios e resultados da implantação do Neabi no ambiente escolar e vê-lo como uma possibilidade eficaz em prol aos anseios postulados na lei 10.639/03 e de sua atualização 11.645/08. Defendemos a hipótese de que a organização desses grupos nas escolas funcionará tanto como um meio de produção de conhecimento pela comunidade escolar sobre a história e cultura africana e indígena de maneira interdisciplinar, como também uma ferramenta de formação para os professores de diferentes formação. À realização desse intento, fundamentados com as investigações salutares de pesquisadores da área como Alberto da Costa e Silva, Kabengele Munanga e Marina de Mello e Souza, dentre outros, dissertamos sobre a história e funcionamento dos Neabis nas universidades, sobre o contexto histórico e os entraves na aplicação das leis de ações afirmativas sancionadas em 2003/2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após emblemáticos embates promovidos pelos grupos de resistência étnico-raciais brasileiro. Em seguida, discutimos algumas ações para implantação dos Neabis nas escolas, almejando transpor os entraves encontrados devido ao universo dispare das escolas em detrimento à realidade das universidades, da falta de conhecimento dos docentes sobre história e cultura africana e o preconceito sobre suas matrizes cultural e religiosa.
Oral
Abrir o trabalhoO NEABI NO ENSINO BÁSICO: UMA PROPOSTA DE APLICAÇÃO DAS LEIS 10.639/2003 E 11.645/2008.
LARA JAMILLY CASTRO DE BRITO; Edson da Silva Nascimento
Os núcleos de estudos africanos, afro-brasileiros e indígenas, (NEABIs), surgiram no meio acadêmico como um espaço de acolhimento, reflexão e construção do conhecimento para e sobre a comunidade negra e indígena com intuito de resistir ao racismo e resgatar as suas raízes históricas e culturais outrora marginalizadas pelo processo de aculturação eurocêntrica. Esses grupos de pesquisa distantes de pretenderem promover a soberania de uma cultura sobre as outras, empreendem com determinação mecanismos didáticos e metodológicos para proporcionar o entendimento de que a pluralidade é um sintoma imprescindível de unidade a uma nação multicultural. Os Neabis floresceram a partir da resistência e do enfrentamento da comunidade negra contra a desigualdade histórica (e ainda sincrônica) étnico-racial. Objetivamos, então, refletir, aqui, sobre os desafios e resultados da implantação do Neabi no ambiente escolar e vê-lo como uma possibilidade eficaz em prol aos anseios postulados na lei 10.639/03 e de sua atualização 11.645/08. Defendemos a hipótese de que a organização desses grupos nas escolas funcionará tanto como um meio de produção de conhecimento pela comunidade escolar sobre a história e cultura africana e indígena de maneira interdisciplinar, como também uma ferramenta de formação para os professores de diferentes formação. À realização desse intento, fundamentados com as investigações salutares de pesquisadores da área como Alberto da Costa e Silva, Kabengele Munanga e Marina de Mello e Souza, dentre outros, dissertamos sobre a história e funcionamento dos Neabis nas universidades, sobre o contexto histórico e os entraves na aplicação das leis de ações afirmativas sancionadas em 2003/2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após emblemáticos embates promovidos pelos grupos de resistência étnico-raciais brasileiro. Em seguida, discutimos algumas ações para implantação dos Neabis nas escolas, almejando transpor os entraves encontrados devido ao universo dispare das escolas em detrimento à realidade das universidades, da falta de conhecimento dos docentes sobre história e cultura africana e o preconceito sobre suas matrizes cultural e religiosa.
Oral
Abrir o trabalhoO RELATO DE EXPERIÊNCIA
MARIA DAS DORES DA SILVA; CICERA QUIRINO DE OLIVEIRA; ISABEL CRISTINA MATOS SOBREIRA
O RELATO DE EXPERIÊNCIA Maria das Dores da Silva¹ Cícera Quirino de Oliveira² Isabel Cristina Matos Sobreira³ RESUMO O relato de experiência tem por objetivo apresentar um projeto educacional realizado com turmas de educação infantil em uma instituição de educação infantil situada na cidade de Juazeiro do Norte – Ceará. As atividades realizadas pelo projeto objetivaram estimular a imaginação das crianças desenvolvendo a linguagem oral e transmitindo assim, conhecimentos, contribuindo com o respeito, a aceitação e a valorização da autoestima. A metodologia utilizada para desenvolver o trabalho foi o método pesquisa-ação desenvolvida no 1° semestre do ano de 2018 com os alunos de uma creche da rede pública municipal. Na ocasião, as crianças das turmas, III, IV e V do turno da tarde, foram organizadas em um espaço amplo para uma roda de conversa sobre a temática da história escolhida: O Mundo do bleck power de Tayó, fazendo uma relação com as características físicas. A contação de história aconteceu de forma dinâmica e lúdica chamando a atenção das crianças que não se dispersaram. Logo após esse momento da história todos foram presenteados com o momento de beleza, escolhendo adereços para enfeitar os cabelos. No trabalho apresentado concluímos que a contação da história fez com que cada um valorizasse o seu tipo de cabelo e respeitasse o cabelo e formas de pentear. Foi um momento de valorização e afirmação da autoestima de cada criança presente, as mesmas demonstraram interesse em todo desenvolvimento da ação. Voluntariamente participando da contação e dos momentos de valorização de seus cabelos, sendo tocando e massageando ou utilizando os adereços oferecidos pelo grupo. Ao fim, era notadamente visível a felicidade nos rostinhos das mesmas. Pois visualizavam no espelho o resultado produzido em seus cabelos e sorrindo agradeciam às contadoras. Palavras-chave: Contação de história, Literatura infantil, Valorização, Educação infantil. Simpósio Temático: Desafios e possibilidades da aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 na educação básica Proponentes: Dra. Rosângela Ribeiro da Desafios e possibilidades da aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 na educação básica Proponentes: Dra. Rosângela Ribeiro da Silva; Antônia Suele de Souza Alves; Thiago Silva Galdino (UNILAB/CE)
Oral
Abrir o trabalhoOFICINA DE ADINKRAS NA EDUCAÇÃO PARA RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE JAGUARIBE–CE
VIVIANE DE SOUSA FERREIRA; Raquel Campos Nepomuceno de Oliveira
Este trabalho apresenta relato de experiência de uma oficina no projeto de extensão “Caminhos para a desconstrução do racismo em escolas públicas de Jaguaribe-CE”. A atividade de extensão teve como principal objetivo valorizar diferentes formas de conhecimento sobre as relações étnico-raciais, assim como a construção da identidade e cultura negra junto a crianças. Dentre os objetivos específicos do projeto, buscou-se: valorizar e visibilizar a história e a cultura da população negra nas escolas públicas da rede municipal da cidade de Jaguaribe; trazer um repertório de conhecimentos novos produzidos históricos e culturalmente pela população negra por meio de intervenções pedagógicas; contribuir com a formação inicial dos alunos para as relações étnico-raciais das escolas públicas das redes municipal jaguaribanas; produzir material didático pedagógica sobre as relações étnico raciais na educação infantil do Vale do Jaguaribe; fortalecer o vínculo entre o IFCE e a rede pública municipal de ensino. Acredita-se que a atividade da oficina aqui relatada proporcionou grande contribuição ao contexto escolar, na medida em que representou uma forma dinâmica de execução da Lei 10.639/2003. Com as crianças de ensino fundamental I, foram realizadas oficinas afro-pedagógicas tendo como estratégia de aprendizagem a ludicidade para abordar às questões raciais. Por meio da oficina da simbologia adinkra, conseguiu-se apresentar e discutir sobre o contexto de origem, uso e significado desta simbologia para o povo africano, relacionando-a ao seu significado de riqueza, de representação utilizado por realezas e sua importância social. Dessa forma, as crianças participaram e se engajaram bastante nas discussões desta simbologia, mostrando sempre curiosidade ou afeição por algum símbolo. Por fim, percebeu-se a importância de se dialogar sobre elementos da cultura africana e afro-brasileira, a fim de proporcionar ampliação dos conhecimentos, em especial à questão das relações étnico-raciais, visto o silenciamento escolar em relação a essa temática que atinge principalmente a educação infantil e as séries iniciais do Ensino Fundamental.
Palavras-chave: Relações étnico-raciais, Cultura negra, Extensão
Oral
Abrir o trabalhoOS CONTOS INFANTIS E SUA INFLUÊNCIA PARA A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DA CRIANÇA
THAÍS GONÇALVES SILVA ; SILVANEIDE SOARES DOS SANTOS; MARIA JÉSSIKA LIMA DE FREITAS GOMES
Este trabalho objetiva identificar a relevância de se trabalhar a construção identitária das crianças fazendo uso de contos infantis que tratam da representatividade do negro, pois percebe-se que na maioria das vezes a imagem do negro se apresenta de forma estereotipada, perpetuando preconceitos e estereótipos. Partindo de um diálogo informativo sobre a influência e como é essencial a representatividade e importância do negro na história da humanidade. Diante disso, cada grupo tem seus costumes, crenças, histórias próprias e cabem a escola trabalhar essa diversidade e povos que foram figuras importantes para a construção do Brasil. Nesse sentido, a lei 10.639\03 foi uma grande conquista do movimento negro, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana no currículo escolar. A análise toma por base os autores como Bettelheim (1989), Gusmão (1997), Leite (19933), Peres (2012) e Siebra (2005); que em suas pesquisas dão evidência do impacto sociocultural da cultura de massa, como a mídia, o consumo em que as pessoas de origem étnica branca assumem influência no mercado, sendo que as outras representações as vezes são ocultadas e invisíveis. Com base em uma pesquisa de estudo de caso, de cunho qualitativo buscou-se a princípio realizar um questionário com a professora sobre seu posicionamento a respeito de questões étnico-racial e se são trabalhadas com os alunos, posteriormente realizou-se uma roda de conversa com os alunos e contação da história o cabelo de Lelê de Valéria Belém. Os resultados indicam que trabalhar a literatura em sala de aula é possibilitar aos alunos momentos de reflexão e ao profissional educador oportunizar a contextualização da realidade da turma, dentre elas valores étnico-raciais; ou seja, é por meio da literatura que ambos professores e alunos podem vivenciar uma prática reflexiva e crítica, reconhecendo as contribuições únicas e significativas que esses povos trouxeram e implementando nas aulas a lei 10639\03 e não somente em um único dia, isto é, devem trabalhar e incluir durante todo o ano letivo.
Oral
Abrir o trabalhoPOVOS ORIGINÁRIOS E AFRODESCENDÊNCIA: PRÁTICAS DE ENSINO E AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADES PARA ALÉM DO EUROCENTRISMO
TICIANO QUEIROGA E OLIVEIRA; FRANCISCO ANDERSON VARELA BEZERRA; BRUNO WESLEY SOARES DA COSTA ARAÚJO
O presente estudo se propõe a analisar as práticas de ensino voltadas para a diversidade étnica da ancestralidade dos povos originários e afrodescendentes, tendo como principal perspectiva compreender a importância das Leis Nº 10.639/2003 e a 11.645/2008 para o conhecimento e autoafirmação do caráter identitário do processo de formação dos discentes da rede básica de ensino. Para tanto, nos amparamos nos documentos legislativos como as leis supracitadas, bem como nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino das relações étnico-raciais e das questões indígenas na educação básica, assim, buscando romper com o modelo hegemônico e etnocêntrico de educação que por séculos vêm sendo imposta coercitivamente nas escolas. Destarte, a relevância social que propomos reflete no processo de autoconhecimento das/dos discentes enquanto indígenas e afrodescendentes, uma vez que, ao tomar conhecimento de sua posição há uma compreensão mais próxima da realidade. Metodologicamente o trabalho pauta-se num estudo documental e revisão bibliográfica de obras produzidas na perspectiva de rupturas epistemológicas de descolonização dos currículos escolares.
Palavras-chave: Práticas de Ensino, Povos originários, Afrodescendência, Identidade
Oral
Abrir o trabalhoRELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: AUTO ESTUDO A PARTIR DA EXPERIÊNCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E NO ENSINO SUPERIOR
ELIZAMA PEREIRA MESSIAS
Neste artigo, utilizamos a perspectiva do auto estudo e da história de vida para realizar um estudo sobre as experiências pedagógicas de trabalho com Educação das Relações Étnico Raciais desenvolvida em dois tempos e lugares distintos. O primeiro tempo e lugar deu-se entre os anos de 2003 e 2007 na Educação Básica, o segundo tempo e lugar ocorreu entre 2013 e 2015 na UFPE, enquanto professora substituta da disciplina Educação das Relações Étnico Raciais no Brasil. A pesquisa, ainda em andamento, conta com a coleta de diversos dados recolhidos nos períodos mencionados, que constitui-se de artefatos pedagógicos tais como planejamentos de sequência didáticas, planos de ensino, ementas, anotações, relatórios, depoimentos dos estudantes, um artigo de relato de experiência e portfólios produzidos pelos/as estudantes e pela docente. Para este artigo, utilizamos registros de observação de uma turma da educação básica no ano de 2004, depoimentos de estudantes da educação básica, registros auto reflexivos produzidos por estudantes do ensino superior e parte dos dados de um questionário de levantamento de conhecimentos prévios aplicados junto aos estudantes da disciplina educação das relações étnico-raciais. A análise destas experiências a partir dos materiais coletados revelam a importância de recursos pedagógicos que favorecem a reflexão, na formação inicial e continuada de professores/as, dentre os quais destacamos o portfólio. Revelam também o uso de uma diversidade de recursos para trabalhar a temática das relações étnico-raciais que coloca no centro a importância de ouvir os estudantes e trabalhar na perspectiva da transformação de representações negativizadas sobre o continente africano e sobre o ser negro/as no Brasil, bem como na construção de atitudes e valores para a construção de relações étnico-raciais saudáveis. Apontam a necessidade de desenvolver estratégias para a aquisição de competências cognitivas, socioculturais e e políticas como fundamentais para um ensino e formação de professores/as preocupado com a justiça social.
Oral
Abrir o trabalhoCINEMA E DISCURSO - UM ESTUDO SOBRE AS REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DE HOMENS NEGROS NO FILME CORRA!
ANDY MONROY OSÓRIO; Marco Antonio Lima do Bonfim
O presente estudo é um desdobramento de uma pesquisa mais ampla, em desenvolvimento no Mestrado Interdisciplinar em História e Letras (MIHL-UECE), na linha de pesquisa Gênero, Raça e Identidades em Quixadá-CE, que visa compreender como a análise discursiva sobre representações de masculinidades negras no cinema pode contribuir para uma educação antirracista. através do filme Corra! (2017). Para tanto, utilizamos como aparato teórico e metodológico o modelo tridimensional de Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001) para apontar possíveis pontos de diálogos que contribuam para reflexão sobre estereótipos racistas em sala de aula numa perspectiva de descolonização do currículo (MUNANGA, 2013; GOMES, 2012). A pesquisa busca lançar um olhar crítico para a reprodução da imagem estigmatizada do homem negro no cinema, indicar possíveis apropriações pedagógicas do filme a fim de contribuir com a mudança no imaginário social construído sobre o homem negro. Especificamente, focalizamos a reprodução discursiva de estereótipos (BHABHA, 1998) raciais acerca dos homens negros provenientes de um pensamento colonial. Os principais estudos indicam que a masculinidade hegemônica é branca, heterossexual e burguesa, porém, o privilégio social pela condição de gênero não é compartilhado por todos os homens de maneira análoga, visto que o quesito classe, etnia, religião ou orientação sexual, reconfigura o status e poder social. Os resultados preliminares apontam através da análise da obra que o cinema pode se constituir como um importante material didático para mediar reflexões sobre as ideias circulantes da masculinidade negra e romper com a visão (hegemônica) historicamente representada nos livros didáticos (SILVA, 2004). Buscamos, por meio desse trabalho, dar visibilidade às produções que envolvem o tema da masculinidade negra, escassas no ambiente acadêmico, bem como fomentar discussões e reflexões acerca dos desdobramentos pluriangulares que o tema proposto inscreve no contexto cinematográfico contemporâneo.
Palavras-chave: cinema,educação,masculinidade negra
Oral
Abrir o trabalhoDIÁLOGOS E ATIVISMOS ENTRE GRUPOS DE ESTUDOS ACADÊMICOS SOBRE IDENTIDADE, RAÇA E GÊNERO.
FRANCISCO RAULE DE SOUSA
As interações dos/as componentes de grupos de estudos no âmbito acadêmico ampliam-se com suas participações em outros grupos de temáticas diversas, tendo em vista que a dinâmica de discussões oportuniza aos/às acadêmicos/as assegurar-lhes uma formação com ampla visão no que concerne às questões de inclusão e visibilidade. As discussões fomentadas nesses espaços cooperam à capilaridade do ativismo de grupos como os de negras, negros e LGBTQ+. Uma evidência disso, são suas nomenclaturas apontando à agenda sobre identidade, raça e gênero. Além disso, os textos e discussões elencados para dar vivacidade e essência constitutiva aos coletivos figuram dentre autores e autoras que corroboram para que se desfaça o epistemicídio imposto nos espaços de formação do ensino superior. O presente trabalho objetiva discutir com base na perspectiva inter e transdisciplinar do conhecimento (MOITA-LOPES, 2011, 2006; CAVALCANTI, 2006) como a interação entre dois grupos de estudos: GEDIRG – Grupo de Estudos sobre Identidade Raça e Gênero e NEEHDREM – Núcleo de Estudos em Educação, História, Diversidade, Raça, Etnia e Movimentos Sociais coopera para na promoção de diálogos e ativismos que são construídos dentro do espaço acadêmico e reflete para além dele. Inicialmente, esses grupos serão descritos de acordo com as principais temáticas que os nomeiam e seus objetivos de atuação na comunidade acadêmica, dentre os quais constam a promoção do ativismo e da educação como prática de liberdade (FREIRE, 1999; HOOKS, 2013). Em seguida, serão apresentados os textos e autores/as adotados nos debates durante seus encontros destacando aqueles e aquelas autoras que figuram como nomes importantes na promoção de debates que visem a inclusão e a resistência de grupos invisibilizados. Por fim, relacionaremos outros grupos de estudos dos quais os membros de ambos participam, visando identificar pontos de interseções temáticos que fortaleça o ativismo sobre as temáticas identidade, raça e gênero. Pretende-se, assim, obter um cenário que reafirme esses grupos de estudos como imprescindíveis na construção de redes de saberes fortalecedoras de ativismos e resistências no âmbito acadêmico de universidades na capital e no interior do Ceará.
Palavras-chave: grupos de estudos,Identidades,LGBTQ+,Ativismos
Oral
Abrir o trabalhoDISCURSIVISANDO IDENTIDADES SOCIAIS DE RAÇA, GÊNERO E CLASSE NA MÍDIA BRASILEIRA EM PERSPECTIVA DECOLONIAL
MARCO ANTONIO LIMA DO BONFIM
Esta apresentação é oriunda de minhas recentes reflexões como um linguista aplicado negro e militante acerca dos ganhos epistêmicos oriundos de publicações de vários linguistas aplicados/as brasileiros/as. Portanto, alinhado aos pressupostos epistemológicos da Análise do Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 1999, 2001, 2003, 2012), da Nova Pragmática (RAJAGOPALAN, 2010; SILVA; ALENCAR; FERREIRA, 2014) e ao que tenho denominado de virada decolonial (BONFIM, 2016; 2019) na Linguística Aplicada Brasileira, especificamente no escopo dos estudos transdisciplinares acerca da intersecção entre Educação linguística, raça, gênero e classe, este estudo busca propor uma compreensão decolonial (FANON, 2008; FREIRE, 1983; MIGNOLO, 2006; MALDONADO-TORRES, 2016; KILOMBA, 2016;) acerca das construções de identidades sociais de raça, gênero, sexualidade e classe na produção, circulação e contestação de discursos que estabeleçam, reproduzam e/ou contestem desigualdades sociais na mídia brasileira. Parto de dois pressupostos; o de que o conceito de língua enquanto uma noção científica ocidental para investigar a linguagem humana é uma invenção política-linguística-retórica e o de que as relações raciais estruturam as nossas práticas linguísticas e, sendo assim, faz-se necessário descolonizar a noção língua (e, por conseguinte, o olhar para a forma como estabelecemos nossas identidades sociais) herdada da tradição eurocêntrica, visando à construção de novas configurações de conhecimento e de poder acerca de nossas práticas linguístico-identitárias. Configurações estas que consigam sustentar não apenas que nossas posições sociais, isto é, nossas identidades, são construídas e constantemente negociadas no âmbito de nossas práticas discursivas e sociais (HALL, 2014), mas também que as categorias de gênero, raça e classe estão imbricadas na produção de identidades sociais, o que nos obriga a adotar uma perspectiva de análise mais complexa da construção discursiva de identidades, uma abordagem que leve em conta esta interseccionalidade sob um olhar afroperspectivista.
Palavras-chave: Gênero,Identidades, Perspectiva Decolonial, Raça
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E SUA IMPORTANCIA PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA
FRANCISCA KELLY DUARTE DE SOUSA; DORISMAR FERREIRA SOARES
Atualmente há um crescente debate sobre o racismo contra a população negra, sua implantação na sociedade, bem como, nas diferentes áreas do ensino escolar, neste caso, o das ciências exatas em peculiar na matemática. Ao se preocupar apenas com a natureza individual da aprendizagem é deixado de lado a lacuna existente no que diz respeito a questão racial, principalmente quando convergimos às abordagens cognitivas. O objetivo da produção deste trabalho é de mostrar a importância de levar em consideração o pluriculturalismo brasileiro no ensino da matemática, incentivando os docentes e pesquisadores a buscar mais informações sobre a temática, utilizando em específico a história dessa ciência. O presente trabalho apresenta conceitos importantes que envolvem o racismo e as possíveis contribuições da educação antirracista no ensino da matemática. Para isso, buscaremos dialogar com (GUIMARÃES, 1999), a respeito da temática voltada ao Brasil, (SILVA, 2010), na perspectiva de desconstrução do negro no livro didático e (CAVALLEIRO, 2001), para ressaltar a importância da utilização do conteúdo aqui abordado no espaço escolar.
Palavras-chave: Racismo no Brasil,Ensino da Matemática,Educação Antirracista
Oral
IDENTIDADE NEGRA, JUVENTUDE E ESCOLA: uma revisão de literatura
BEATRIZ GONCALVES DE LIRA
O processo de construção da identidade negra sofreu fragmentações, enquanto uns reconhecem-na, outros têm dificuldade em se posicionar e a camuflam, sustentados na ocorrência da mestiçagem. O discurso de identidade não é algo recente, mas é notório que hoje em dia os jovens têm sido protagonistas no processo de reconhecimento das suas identificações raciais, estabelecendo ligações desde cedo, principalmente dentro de instituições escolares assim projetando sua ideologia para a sociedade em geral. A problemática do estudo cai nas indagações de como os estudos relacionam a temática identidade negra, juventude e escola? Como as pesquisas apresentam esse campo de discussão? Desse modo o objetivo do presente artigo é verificar como os estudos tem procurado aproximar o campo de discussão identidade negra, juventude e escola. A metodologia caracteriza como pesquisa qualitativa do tipo bibliográfica. Para coleta de dados buscou-se por trabalhos sobre as relações estabelecidas entre identidade negra, juventude e escola, sendo assim, foi realizado uma breve consulta a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD). A princípio utilizou as palavras de busca Identidade Negra: resultando 7.912 trabalhos; Identidade Negra e juventude: 2.500 trabalhos encontrados e por fim para afunilar a temática Identidade Negra, Juventude e Escola com 2.412 resultados distribuídos em 121 páginas, das quais foram visitadas 29 páginas não sendo possível continuar a análise por conta de um erro na página do site. Diante dos trabalhos analisados pode-se perceber que os estudos estão estruturados em três eixos: A Identidade Negra transcorrendo no âmbito escolar, as Práticas Pedagógicas para a Educação das Relações Étnico-Raciais, destacando a importância dos estudos para essas relações, apontando também sua fragilidade nas políticas pautadas na Igualdade Social e os estudos sobre Políticas Públicas de Igualdade Racial em si abrindo discussões sobre as pessoas que contra a política de ação afirmativa de cotas.
Oral
Abrir o trabalhoMOVIMENTO NEGRO E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/03
CRISTIANE DE OLIVEIRA FÉLIX
O presente texto busca colaborar para uma reflexão sobre a história do Movimento Negro e suas contribuições na implementação da Lei 10.639/03. Promulgada em 2003, a Lei instituiu a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas instituições de ensino básico, sejam elas públicas ou privadas, o documento especifica as disciplinas que devem inserir a temática em seus conteúdos, sendo elas literatura, história e artes, o decreto também delibera a inclusão no calendário escolar o Dia 20 de Novembro, dia da Consciência Negra. Tais mudanças foram decorrentes das alterações realizadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação- LDB- O estudo teórico sobre o Movimento Negro envolve a história das/os africanas/os escravizadas/os e seus afrodescendentes no período de colonização e pós – abolição (DOMINGUES, 2006), suas constantes lutas de resistência e emancipação; destacamos também, algumas conquistas, focando na educação para as relações etnicorraciais que ganhou espaço em meio as lutas pelo protagonismo dos Movimentos Sociais Negros, contextualizamos uma série de acontecimentos que marcaram o processo de conquistas até a promulgação da Lei; apresentamos uma breve discussão acerca do Mito da Democracia Racial que sustentava a ideia de que no Brasil não havia conflitos raciais e da Ideologia do Branqueamento formulada pela elite branca, apontadas por Nascimento (2017) como formas de “genocídio da população negra”, causando o embranquecimento da sociedade brasileira, com influências dos processos imigratórios, principalmente europeus. Expomos o Movimento Negro como um agente educador, formador de saberes emancipatórios e que reeducada a sociedade brasileira sobre as questões raciais no Brasil (GOMES, 2017). O trabalho se estrutura metodologicamente por meio de uma pesquisa bibliográfica, em livros, artigos e teses. O objetivo geral deste artigo diz respeito a compreensão de conhecimentos em relação ao Movimento Negro e seus subsídios na elaboração e prática de uma educação antirracista.
Oral
Abrir o trabalhoO DEBATE ACERCA DAS QUESTÕES DE RAÇA, IDENTIDADE E DIFERENÇA
JOÃO MARCOS DE SOUZA RODRIGUES
Este trabalho tem como objetivo problematizar as questões de identidade e diferença relacionando-as a ideia de “raça” enquanto conceito sociológico e categoria central na luta política dos(as) negros(as) no Brasil. As trajetórias dos movimentos negros brasileiros são marcadas por lutas em prol da emancipação dos sujeitos negros(as), principalmente no que diz respeito aos novos significados para o ser negro no âmbito da ação política. Em face das situações do contexto político atual, em que as populações negras estão cada vez mais sendo massacradas nas periferias, e dada a forte ascensão de discursos que legitimam esses processos de violência, é que achamos necessário trazer para o debate as discussões acerca das problemáticas da “identidade” e da “diferença”, de modo a tratar os limites da utilização desses discursos. Atualmente, vem sendo evocado pela direita conservadora, o direito à diferença e à identidade nacional homogênea, com o intuito de secundarizar outros processos identitários. Nesse sentido, vale salientar que o trabalho é uma pesquisa de revisão bibliográfica, fruto das discussões realizadas na disciplina de “Sociedade, Diversidade e Educação”, ministrada no programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG.
Palavras-chave: Raça, Identidade, Diferença, Movimento Negro
Oral
Abrir o trabalhoRESISTÊNCIA EM VOZ E VERSO: O SLAM COMO MEIO DE AFIRMAÇÃO E LUTA ANTIRRACISTA
ROBERTO FERREIRA; Pâmela Lopes Diniz Silveira
O slam é uma forma de poesia de empoderamento, altiva e pronta para o confronto, a batalha, não de mc’s, mas de poetas e poetisas. Sua performance se dá na modalidade oral, veiculada em locais públicos, como as ruas, praças, saraus e na mídia digital, abordando questões sociais, principalmente no tocante às desigualdades existentes, econômicas, raciais, de gênero e de identidade, no âmbito individual e coletivo. São discursos que partem do lugar social de quem teve o espaço de fala negado, em detrimento de um discurso dominante e de quase hegemonia imposto sob a ótica elitista. São narrativas de protagonismo, contra-eugemônicas. Este artigo propõe adentrar-se nas especificidades desse gênero, usufruindo da sua função social de afirmação da identidade negra, de luta e resistência antirracista, pensando também a inserção da temática mencionada para a sala de aula. Para tanto, buscaremos dialogar com (SOUZA, 2011), no destaque ao corpo, voz e performance do(a) slammer, (FREITAS, 2017), na perspectiva de que o homem branco é possuidor de privilégio histórico e de fala na sociedade e (ROJO, 2015) para ressaltar a importância desse gênero contemporâneo, oral, discursivo e híbrido no espaço escolar.
Oral
Abrir o trabalhoRESISTÊNCIA EM VOZ E VERSO: O SLAM COMO MEIO DE AFIRMAÇÃO E LUTA ANTIRRACISTA.
PAMELA LOPES DINIZ SILVEIRA; ROBERTO FERREIRA
O slam é uma forma de poesia de empoderamento, altiva e pronta para o confronto, a batalha, não de mc’s, mas de poetas e poetisas. Sua performance se dá na modalidade oral, veiculada em locais públicos, como as ruas, praças, saraus e na mídia digital, abordando questões sociais, principalmente no tocante às desigualdades existentes, econômicas, raciais, de gênero e de identidade, no âmbito individual e coletivo. São discursos que partem do lugar social de quem teve o espaço de fala negado, em detrimento de um discurso dominante e de quase hegemonia imposto sob a ótica elitista. São narrativas de protagonismo, contra-eugemônicas. Este artigo propõe adentrar-se nas especificidades desse gênero, usufruindo da sua função social de afirmação da identidade negra, de luta e resistência antirracista, pensando também a inserção da temática mencionada para a sala de aula. Para tanto, buscaremos dialogar com (SOUZA, 2011), no destaque ao corpo, voz e performance do(a) slammer, (FREITAS, 2017), na perspectiva de que o homem branco é possuidor de privilégio histórico e de fala na sociedade e (ROJO, 2015) para ressaltar a importância desse gênero contemporâneo, oral, discursivo e híbrido no espaço escolar.
Oral
Abrir o trabalho“Mulheres marcadas”: Narrativas e trajetórias de professoras filhas do candomblé.
CICERA AGUIDA BARBOSA MARCELINO
O presente estudo tem como proposta, trabalhar as narrativas e trajetórias de professoras advindas do terreiro de candomblé, dentro do contexto, discutimos: como o ambiente escolar institucionaliza o racismo em torno de práticas de manutenção de um currículo ilusório, que não discute as africanidades que traduzem os problemas que dizem respeito a população negra. Partimos da ideia de que o racismo é estrutural, como esclarece, Almeida (2018) e a partir dessa constatação entendemos que o fato de ocupar os espaços acadêmicos e escolares Hooks (2013) e Kilomba (2010) da cidade de Juazeiro- CE, essas professoras acabam por trazer para o campo educacional os temas relacionados à África e africanidades, logo, a discussão gira em torno da obrigatoriedade da Lei 10.639/2003, assim como, leva-nos a discutir não apenas, o acesso, mas a permanência de negros na escola. Apresentamos as narrativas autobiográficas Souza (2006) como instrumento metodológico de análise da pesquisa e também ressignificar as narrativas de professoras candomblecistas.O presente estudo tem como proposta, trabalhar as narrativas e trajetórias de professoras advindas do terreiro de candomblé, dentro do contexto, discutimos: como o ambiente escolar institucionaliza o racismo em torno de práticas de manutenção de um currículo ilusório, que não discute as africanidades que traduzem os problemas que dizem respeito a população negra. Partimos da ideia de que o racismo é estrutural, como esclarece, Almeida (2018) e a partir dessa constatação entendemos que o fato de ocupar os espaços acadêmicos e escolares Hooks (2013) e Kilomba (2010) da cidade de Juazeiro- CE, essas professoras acabam por trazer para o campo educacional os temas relacionados à África e africanidades, logo, a discussão gira em torno da obrigatoriedade da Lei 10.639/2003, assim como, leva-nos a discutir não apenas, o acesso, mas a permanência de negros na escola. Apresentamos as narrativas autobiográficas Souza (2006) como instrumento metodológico de análise da pesquisa e também ressignificar as narrativas de professoras candomblecistas.
Oral
Abrir o trabalhoOral
Abrir o trabalhoANGELA, CAROLINA E MARIELLE: FEMINISMO NEGRO DECOLONIAL NAS AMÉRICAS.
MARIA ISABELLA ALVES FACUNDO
O presente artigo delineia os contornos históricos, baseados em fatos, estudos e vivências sobre a evolução da personagem da mulher negra dentro das estruturas sociais, ao longo das décadas e em diferentes localizações geográficas. O feminismo negro não traz em sua luta apenas a ânsia de mudar realidades e lutar pela liberdade ideológica, física e psicológica feminina. Carrega consigo além, a fome de descolonizar estigmas raciais e explicitar perícias incabíveis. A linha de pesquisa contará com os aportes de grandes figuras do sexo feminino que tiveram papéis ilustres na história da luta pelos direitos das mulheres negras, como Angela Davis, Carolina Maria de Jesus e Marielle Franco. Personalidades que segundo a obra “A condição humana” da filósofa política alemã Hannah Arendt, poderiam ser facilmente classificadas como “Vida Activia” pois, não deixaram que suas realidades fossem limitadas pelo ambiente e o contexto em que estavam inseridas. E com isso trouxeram não apenas esperança, mas mostraram que a voz das minorias pode e deve ser ouvida, e que mesmo o processo sendo desgastante, cada pequena ação pode fazer a diferença. Como buscar conhecimento, lutar pelo seu espaço ou enaltecer seu local de origem. Por conseguinte, o texto trará análises das questões omitidas e das evoluções nessa área de investigação, elucidando de maneira cronológica vultos históricos e contemporâneos que defendem o debate e a revolução dentro das questões socioculturais, civis e políticas. O estudo tem o intuito de abarcar os dilemas das hierarquias de gênero raciais, aclarar os movimentos e revoluções sociais e estimular o sentimento de resistência aos padrões colonizadores preconceituosos institucionalizados. Outrossim, criando o sentimento da existência de um sujeito coletivo que tem como finalidade despir velhos fantasmas que estão apenas dotados de uma nova roupagem. O feminismo negro deve ser considerado um novo marco civilizatório, pois ele é um elemento culminante para o sucesso da trajetória das mulheres até serem reconhecidas como indivíduos políticos. Apenas com um olhar crítico e interseccional a realidade das mulheres pode ser remodelada, vencendo as opressões de raça, classe e gênero.
Palavras-chave: FEMINISMO, MULHERES,NEGRAS,DECOLONIAL,ATIVISMO
Oral
Abrir o trabalhoDESCOLONIZAÇÃO DO CURRÍCULO NA GUINÉ-BISSAU
USSAY MATILDE CAMARÁ
DESCOLONIZAÇÃO DO CURRÍCULO NA GUINÉ-BISSAU Resumo: Este artigo pretende discutir a descolonização do currículo na Guiné-Bissau. Pretendemos com isso, centrar principalmente nas respostas das seguintes questões: que tipo de currículo é usado na Guiné-Bissau? Quais são as consequências da importação do currículo? Quais são os desafios e possibilidades para a descolonização do currículo? Procura-se ampliar a visão sobre a necessidade da reforma curricular mais urgente na Guiné-Bissau e a possibilidades da inserção dos conhecimentos tradicionais nos currículos. Palavras chaves: Guiné-Bissau, descolonização, currículo, conhecimentos tradicionais. INTRODUÇÃO O presente trabalho visa discutir a descolonização do currículo na Guiné-Bissau entre 1994-2018, o recorte temporal se justifique porque abrange o processo da entrada do país para a democracia (multipartidarismo), que culminou com a realização das primeiras eleições livres, justas e transparentes do país. Contudo, vejo essa adesão à democracia como um ponto principal para abertura de um sistema de currículo mais democrática. A educação como é de conhecimento de todos, creio eu, é um direito de todos, partindo desse pressuposto, podemos defini-lo como sendo indispensável na vida de um ser humano. No entanto, não devemos cair no senso comum, ou seja, considerar a escola como sendo um único lugar legitima da educação, uma vez que existem vários tipos de educação, mas ela é a responsável pela educação formal. Nesse sentido, para Morgado e Silva (2016. p.60), consideram o currículo como espaço de lutas, Sendo reconhecido como um território de lutas pela hegemonia, o currículo interfere, de forma direta ou indireta, quer na legitimação do conhecimento que, em determinado momento, é considerado como conhecimento oficial (Apple, 1999), quer na produção e/ou consolidação de determinadas identidades sociais particulares que condicionam a inclusão ou exclusão de cada indivíduo na escola e, mais tarde, na sociedade. É nesta linha do pensamento que o Gonçalves (1991), vai destacar que, a escola concebida como instituição formal da educação, não pode deixar de ter um currículo. OBS: este trabalho é um trabalho completo, porem o resumo não chegou 2000 caracteres, por isso coloquei assim. peço desculpas e compreensão.
Oral
Abrir o trabalhoEPISTEMICÍDIO ESTRUTURAL NA GUINÉ-BISSAU: DILEMAS ENTRE O ESTADO E ORGANISMOS INTERNACIONAIS EM RELAÇÃO AO CURRÍCULO
NIVALDO PLANTÃO BIAGUÊ
O trabalho procura, de forma especulativa, compreender se e como as questões de um passado histórica-econômico se fazem presentes na construção do currículo em um Estado frágil e periférico na pirâmide do desenvolvimento mundial como a Guiné-Bissau. E, de igual forma, entender quando, por quem, como, para quem e para qual finalidade esse currículo é elaborado. Neste sentido, a arguição deste quesito centra-se no sentido amplo de decisões da ordem curricular ao nível político-administrativo global, destramando assim algumas nuances que se podem considerar condicionantes a esse processo. Ou seja, identificar analisar e descrever os fatos que ocorrem no âmbito político educacional global em relação ao currículo é, por nós, uma meta a ser atingida com o desenvolvimento do trabalho. A ordem de analises a serem desencadeadas obedece - duma maneira angolar – uma orientação analítica-crítica sobre o currículo, começando pela origem, forma da elaboração, até sua implementação na Guiné-Bissau. A relação entre atores envolvidos na elaboração dessas políticas curriculares será a gênese no nosso serviço odontológico. Entretanto, as categorias como: memória, Estado, fragilidade econômica, cooperação, organismos internacionais, entre outras, seriam elementos e/ou fatores estimulantes para operacionalização de análise que se pretende levar a cabo. Para isso, adota-se a pesquisa bibliográfica/documental por nós julgada mais cabível para terapeutização do fenômeno em abordagem. Parte-se do pressuposto de que, a efetivação das políticas internacionais no campo da educação, tem por seu torno o currículo. Currículo esse que dada a fragilidade estatal – instabilidade política - de um país como o nosso e dependência econômica, acaba sendo tendencialmente elaborado por “agentes internacionais”, tendendo assim a sobrepor suas epistemologias como modelo único a seguir. Este fato coincide com a efetivação de agenda uniformizadora dos países centrais ou do norte global para o resto do mundo. A referida uniformização se dá em dimensões sociopolítica, cultural-educacional, econômica, entre outras. Ela, além de orientada por pensamento intelectual racional e ideológica – que tem por base o currículo - também apresenta como uma das pautas a perpetuação do capitalismo como eixo central das relações econômicas a nível global.
Oral
Abrir o trabalhoEPISTEMOLOGIA E DESENVOLVIMENTO: A INQUIETAÇÃO AFRICANA NO CENÁRIO INTELECTUAL GLOBAL
LUCAS JAIME INDI
Entre vários problemas e desafios que o continente africano vem deparando ao longo da história, sobretudo no que refere à sua conexão histórica com colonialismo desembocado pelos europeus, registra-se um grande paradoxo no campo epistemológico e teórico sobre a realidade das sociedades africanas. A própria literatura sobre a história de luta dos países do Sul em particular da África para transformação social do continente sempre apresenta claramente os obstáculos derivado do Norte global. O neocolonialismo serve para aprovar esse fato. Aliás, as formações discursivas ideológicas neoliberais politicamente disseminadas em África possuem um papel essencial na estruturação de sistemas governativas dos países africanos e contribuem em grande escala para uma má liderança do continente. Hoje em dia vários conceitos aparentam representar algo bom, mas na realidade são instrumento de dominação. Este trabalho consiste em discutir e analisar a discrepância epistemológica e seus impactos para o desenvolvimento do continente africano, procurando entender se os atores africanos encontram ou não o eco de suas vozes no seio da dinâmica que demarca diferentes interesses nas relações diplomáticas globais que permeiam os processos de globalização. Pois, assiste-se um grande paradoxo no campo epistemológico e teórico sobre a existência da humanidade africana caraterizada pelas blasfémias, neuroses, preconceitos e violência. E, na sequência destas narrativas surgem outras adjetivações que conjugadas com as primeiras obstaculizam o desenvolvimento do continente africano. Trata-se de termos como: Narco Estado e Estado falhado, fazendo alusão a um lugar onde vivem os pobres, rurais, dualistas, apresentando condições produtivas precárias cujo a força de trabalho não é qualificada e barata. Este trabalho é feito através da revisão de literatura, com ênfase na consulta de livros; dissertações; projetos de pesquisas e artigos relacionados a este assunto. E como procedimento de interpretação de dados aplicou-se a análise de discurso conteúdo. Conclui-se que essa discrepância epistemológica apresenta efeitos negativos no desenvolvimento do continente africano.
Oral
Abrir o trabalhoIdentidade Cultural do povo Tchokwe e suas Transformações
DANILSON ERNESTO CACULO
A presente comunicação tem como objetivo promover uma reflexão sobre a identidade cultural do povo Tchokwe e suas transformações, a partir de uma ruptura do império Lunda do final do século XVIII ao principio do século XIX, período no qual se deu a formação de novos grupos étnicos nessa região. Partimos da elaboração de um projeto cuja dimensão analítica foi mapear as trajetórias desses povos as quais caracterizam novas práticas culturais adquiridas pelos Tchokwe a partir das relações com os outros povos. Para mecanizar o projeto usaremos os documentos de registo disponível no acervo Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, e materiais de escultura como forma de resistência contra a invasão portuguesa nesta região, estas informações estão disponíveis no museu do Dundo localizada na província da Lunda Norte e no museu de antropologia de Luanda, para dar mais embasamento teórico vamos trabalhar com seguintes autores Pantoja 2011, Mayor 2017, Hall 2006 e 2011, Le goff 2003, Tavares 2009, dentre outros autores que trabalham estas questões que me proponho a discutir. Além de todas as buscas e de análise das fontes documentais sobre o tema e o objeto específico de estudo aqui abordado, também nos propomos a recorrer às fontes orais, uma vez que as tradições orais do grupo Tchokwe estão registradas de forma presente nos contos transmitidos pelos historiadores e os anciãos que fazem parte do conselho do grupo étnico, que são denominados como Tubungo. Sua construção identitária perpassa, portanto, o contexto histórico e a própria relação com outros povos, tanto ao saírem do território de governo Lunda, quanto ao voltarem para dominar o mesmo território. Neste processo se apresentam em três fases fundamentais na construção de novas identidades: o primeiro, quando ainda pertencente ao império Lunda; o segundo, quando se relacionam com outros povos; e o terceiro, quando voltam para dominar o império Lunda, que este se torna mais frágil com a saída de outra força atuante na região, os Miatas. Apesar dos Tchokwes se identificarem com novas construções identitárias eles invocam os mesmos poder da ancestralidade Lunda por deter os mesmos contextos históricos e memoria em comum.
Oral
Abrir o trabalhoMARCADOS PARA MORRER: “DE ONDE VEIO A BALA QUE EU PAGUEI, QUE MATOU MEU FILHO?”
DEYBSON DE SOUSA CAVALCANTE
“Hoje eu transformei o meu luto em luta, porque foi eu paguei a bala que matou o meu filho.” Essas são as palavras de uma mãe em um evento de combate à mortalidade na adolescência. Inconformada com o assassinato de seu filho, vítima da violência institucional em um bairro de Fortaleza Ceará. Essa mãe diz também que está cansada de ver o sangue negro correr na favela. Diante do cenário de violência institucional que assola as periferias das grandes cidades e afetam majoritariamente a população e a juventude negra, Fortaleza não é diferente, as periferias, sobre tudo a comunidade do Curió, passa constantemente por ações de extrema violência institucional. Para entender essa prática recorremos a Achile Mbemb em seu texto: Necropolítica, que fala sobre o governo dos corpos, e as ações de morte do estado. Entendendo a polícia como aparelho do estado, e a juventude negra como população diretamente afetada por esse controle, pretende-se, discutir nesse ensaio, a partir de uma perspectiva pós-colonial, uma análise da chacina do curió como um evento que concretiza os conceitos Achile Mbembe. Essa reflexão com um olhar descolonizado sobre a chacina do curió é uma forma de resistência: epistemológica e metodológica, que busca dar evidência aos fatos como forma de entendimentos social. O ensaio é construído por meio de uma interpretação epistemológica que dê conta de observar o fenômeno específico de violência institucional, como forma de inovação das epistemologias utilizadas inclusive para estudos de violência institucional. (estou inserido aqui essa mensagem para poder computar os 2000 caracteres exigidos pelo sistema, porem havia desenvolvido um resumo com base nas regras disponíveis do site do evento, fiz ajustes mas mesmo assim não chegou aos 2000, portanto favor considerar o arquivo que vai em anexo ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------)
Palavras-chave: Necropolítica, Chacina, Violência Institucional
Oral
Abrir o trabalhoMUSEU COMUNITÁRIO: MEMÓRIA VIVIDA, HISTÓRIA SENTIDA NOS BRASIS E ÁFRICAS
TIAGO MORAIS DE FREITAS; Kairine Adeline Ribeiro Rodrigues
Com o intuito de problematizar os processos de educação não-formal, informal e da escolarização dos nossos antepassados, do tempo presente e futuro, propomos a “invenção” de um Museu Comunitário que versa sobre Memórias vividas, Histórias sentidas nos Brasis e Áfricas. Interessante destacar que as memórias vividas, por vezes, fazem parte de um imaginário que “pode ter sido real” e que as histórias sentidas trazem a tona as impressões, percepções e sensações do percurso experienciado. Temos como objetivo geral proporcionar conhecimentos históricos sobre as memórias, as histórias, os afetos e os saberes vivenciados nas educações experienciadas e partilhadas nas comunidades locais do sul-sul, em especial das infâncias e das ancestralidades no processo de alfabetização, letramento e bi-translinguagem. Dentre outros objetivos buscamos promover um espaço dialógico que reflita em torno das infâncias e da ancestralidade, em seus percursos educativos e escolares no espaço e tempo; trazer a tona os saberes invisibilizados, problematizando a realidade, a memória e a história. A construção desse trabalho se deu a partir da realização da componente curricular Alfabetização, letramento e bilinguismo nos países da integração do Curso de Pedagogia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. Partindo dos diálogos em sala de aula, trabalhamos em grupo para geração de ideias na elaboração deste projeto. Quanto à metodologia usada para coleta e inventário participativo do acervo arrecadado, mergulhamos nas experiências de museus comunitários cearenses e na publicação do IPHAN - Educação patrimonial: inventários participativos. Como resultado inicial temos a realização da primeira exposição itinerante que trata do Resgate histórico dos processos de alfabetização, letramento e bi-translinguagem, onde sistematizou-se as Memórias e Histórias que cada um carrega em si e dos ancestrais, valorizando e problematizando estes processos, seja através de livros, fotografias, objetos, relatos, entre outros, e promovendo diálogo entre o passado, presente e futuro, entre os Brasis e Áfricas, entre os causos e resistências no cotidiano de cada um e uma.
Palavras-chave: Museu comunitário,Escolarização,Alfabetização,Ancestralidades,Sul-Sul
Oral
Abrir o trabalhoO NEGRO E O PENSAR DECOLONIAL: DOS MALÊS À MARIGHELLA – UM POVO CHAMADO REVOLUÇÃO.
IVAN AZEVEDO DO NASCIMENTO; Djamiro Ferreira Acipreste Sobrinho
Os movimentos libertários representaram e representam uma rica e curiosa passagem histórica, sobretudo no tocante à colonização, à escravidão e aos regimes de exceção instaurados em grande parte das sociedades. Por essa razão, o presente artigo tentará resgatar uma memória, até então pouco discutida na literatura científica, que evidencie o protagonismo dos povos e das culturas afro, recorrendo a pesquisas bibliográficas e abordagens feitas por autores e por autoras negras – tais como Ângela Davis, Kimberlé Crenshaw, Frantz Fanon, dentre outros - assim como bibliografias produzidas por outros grupos étnicos sobre o referido assunto ao longo da história. E destes podemos destacar João José Reis, Paul E. Lovejoy, Boaventura de Sousa Santos e Nei Lopes. Tentando, dessa forma, levantar questões que permeiam a sociedade, concernente as condições das classes marginalizadas no Brasil, herdeiras de um processo colonizatório explorador, bem como as ligações com outras nações da diáspora africana, a fim de traçar paralelos entre os motivos impulsionadores de inúmeros levantes ocorridos no território brasileiro de cunho ideológico e descolonizador. Por sua vez, abordaremos aspectos relevantes da causa dos negros e do pensar decolonial, presentes nos ideais libertadores dos Malês, negros islamizados, que foram despidos de suas ideologias e submetidos a um processo de coisificação humana durante o regime escravocrata no território brasileiro, mas lutaram energicamente, no século XIX, contra o poder hegemônico de dominação e contra a exploração do seu povo. Aspectos esses também percebidos na figura histórica de Carlos Marighella, símbolo brasileiro de resistência, considerado um mártir do século XX no País, por militar pelas causas sociais, combatendo regimes absolutistas e marchando em defesa dos interesses das minorias desfavorecidas. Por conseguinte, faremos emergir diversas questões socioculturais, elucidando os impactos desse protagonismo transformador, aqui abordado, que tem inspirado inúmeros povos até os dias de hoje.
Palavras-chave: Negros,Minorias,Malês,Marighella,Protagonismo
Oral
Abrir o trabalhoO REGIME DE ESCRAVIDÃO NA NECROPOLÍTICA
REGIANE LORENZETTI COLLARES
O REGIME DE ESCRAVIDÃO NA NECROPOLÍTICA: TERROR, RESISTÊNCIA E SACRIFÍCIO Regiane Lorenzetti Collares 1 RESUMO O pensador africano Achille Mbembe se dedica, em seu ensaio intitulado Necropolítica, a analisar uma espécie de escravidão atrelada a um empreendimento contemporâneo do poder que consiste prioritariamente em manter vidas no limite cruel de sobrevidas, às custas de minar as forças de resistência daqueles que não conseguem e não devem mais viver. O mote principal deste escrito é então se debruçar sobre as configurações soberanas do poder que consistem em controlar a mortalidade e definir condições de vida/sobrevida ou, noutros termos, de configurações precárias de existência. Assim, em um amálgama de biopoder, poder que infiltra no funcionamento orgânico dos sobreviventes, e do poder soberano, que decide os que podem viver e devem morrer, há uma maquinaria de um novo modo de escravidão que surge do tensionamento entre resistência, sacrifício e terror. Isto é, o terror da biopolítica contemporânea é se projetar a partir do uso dos corpos e vidas, ação própria de uma estrutura de sistema de colonização. Nesta proposta de comunicação, na perspectiva de um mundo que produz mortos, segundo a visão de Mbembe, o objetivo é destacar os traços perversos e aterrorizantes de subjetividades que são lançadas, dentro de esquemas de governamentalidade contemporâneos, a uma condição de mortos-vivos, em uma escravidão que não funciona mais nem pelos açoites dos senhores de escravo, nem mais por correntes de ferro, mas sim pela amputação da integridade física e espiritual de uma parcela da população que deve alimentar, com seus restos, a ferocidade e rapidez dos fluxos econômicos atuais, pois cada sobrevivente agora se apresenta em pedaços, fragmentos de existência, efeito de uma tecnologia de destruição que cumpre reatualizar uma forma de governo em que escravizar é produzir a morte em vida. Palavras-chave: Morte. Escravidão. Sobreviventes Simpósio Temático: ST12
Oral
Abrir o trabalhoSUJEITOS FRACTALIZADOS: (RE)INTERPRETAÇÕES AFRICANAS E AFRO-DIASPÓRICAS DAS IDENTIDADES
CAUÊ HENRIQUE AYO CHAVES ALVES
SUJEITOS FRACTALIZADOS: (RE)INTERPRETAÇÕES AFRICANAS E AFRO-DIASPÓRICAS DAS IDENTIDADES Cauê Henrique Ayo Chaves Alves1 RESUMO Este trabalho surge da necessidade de enegrecer referenciais na interpretação dos sujeitos em uma pós-modernidade de múltiplas identidades. Revisando conceitos e pensamentos filosóficos a partir dos olhares africano e afro-diaspórico, esta pesquisa qualitativa atravessa bibliografias acerca da dialética de Esù, da organização africana em fractais e dos conceitos de identidades pós-modernas e interseccionalidade. Compreendendo as tensões promovidas por sujeitos de marcadores sociais diversos, a pesquisa toma o princípio matemático dos fractais africanos como potencial (re)interpretação da multiplicidade contida no indivíduo interseccional. Ainda em desenvolvimento, o objetivo deste processo teórico-reflexivo é inserir gradualmente uma nova perspectiva sobre as leituras filosóficas das questões do sujeito na chamada ‘pós-modernidade’, contrapondo a ideia disseminada de que há uma fragmentação do indivíduo (com a adesão a múltiplas identidades) com a noção aqui desenvolvida de ‘fractalização’ identitária, inserindo-o em um panorama de identidades interseccionais. Para isto, o referencial bibliográfico baseia-se em conceitos propostos essencialmente por filosofias africanas e teorias afro-diaspóricas, motivando-se principalmente pela escrita de Carla Akotirene acerca da interseccionalidade e considerando, para este fim, as utilizações política e filosófica dos fractais africanos, aplicando em suas interpretações a figura de Esù como ‘senhor do movimento’ e, portanto, 'senhor da interseccionalidade'. A pesquisa encontra-se aqui ainda em seu estágio inicial, mas já aponta-se como potencial reestruturação da ideia que se faz acerca da produção científico-cultural em África, retomando conceitos ancestrais e teorias de seus descendentes para compreensão do universo e de determinados conflitos ontológicos acerca da subjetividade e do reconhecimento.
Palavras-chave: Filosofia, Fractais, Interseccionalidade, Dialética
Oral
Abrir o trabalhoUM MANIFESTO PARA AS CIÊNCIAS SOCIAIS: O PORQUE DE DESCOLONIZAR?
CARLL SERENA DE SOUZA; Euvaldo de Barros Lima Filho; Nair Beatriz Verissimo Lucena dos Santos
A formulação de conhecimento é muito diversa e dinâmica, porém, esse dinamismo e essa diversidade não equivale a realidade das academias brasileiras. Por mais que a educação seja entendida como forma de libertação ou de construção de uma sociedade mais igualitária e justa, porque insistimos em obras científicas escritas por europeus? Nosso trabalho surge a partir de uma série de diálogos entre estudantes negros e negras do curso de ciências sociais da universidade federal do ceará. Preserva-se a importância de descrever o valor diálogo por ele mesmo ser uma característica contemporânea da oralidade. Nos baseamos na teoria apresentada na obra Pretagogia de Sandra Haydee Petit para costurarmos o valor da oralidade e da importância em reconhecê-la para o fortalecimento de nossas práticas científicas. Os estudantes do curso de ciências sociais nos apresentam questões relacionadas à experiência acadêmica e a ausência de referenciais negros nos currículos, paralelo a situações construídas em cotidiano pautadas numa disparidade racial. Problematizamos a partir dos diálogos colhidos, a emergencialidade de se afro-referenciar as ciências sociais, bem como suas práticas metodológicas e analiticas. A formulação de conhecimento é muito diversa e dinâmica, porém, esse dinamismo e essa diversidade não equivale a realidade das academias brasileiras. Por mais que a educação seja entendida como forma de libertação ou de construção de uma sociedade mais igualitária e justa, porque insistimos em obras científicas escritas por europeus? Nosso trabalho surge a partir de uma série de diálogos entre estudantes negros e negras do curso de ciências sociais da universidade federal do ceará. Preserva-se a importância de descrever o valor diálogo por ele mesmo ser uma característica contemporânea da oralidade. Nos baseamos na teoria apresentada na obra Pretagogia de Sandra Haydee Petit para costurarmos o valor da oralidade e da importância em reconhecê-la para o fortalecimento de nossas práticas científicas. Os estudantes do curso de ciências sociais nos apresentam questões relacionadas à experiência acadêmica e a ausência de referenciais negros nos currículos, paralelo a situações construídas em cotidiano pautadas numa disparidade racial. Problematizamos a partir dos diálogos colhidos, a emergencialidade de se afro-referenciar as ciências sociais, bem como suas práticas metodológicas e analiticas.
Palavras-chave: Antropologia, Epistemologia, Contranarrativas
Oral
Abrir o trabalhoA Representação das quebradeiras de coco babaçu em livros didáticos: um olhar a partir da semiótica social
EDSON SOUSA DA SILVA
Este artigo tem por objetivo destacar a importância das representação das quebradeiras de coco babaçu em Livros Didáticos e quais seus papeis numa análise a partir da semiótica social. Quer-se ainda verificar como a multimodalidade se constitui nos livros didáticos analisados. Essa análise se fundamenta na Semiótica Social (HODGE; KRESS, 1988) e em seus principais desdobramentos: a abordagem multimodal e a Gramática do Design Visual – GDV (KRESS; VAN LEEUWEN, 1996, 2006). Trago ainda as noções e Multimodalidade em Livros Didáticos de Gualberto (2016). Dessa forma analiso os modos e recursos semióticos, além das noções de tipografia, cores e layout, entre outros elementos das categorias da GDV para ver como as quebradeiras de coco são representadas (ideacional) e como essas imagens se colocam para o público (interpessoal). Tendo em vista a publicação de livros didáticos específicos no estado do Maranhão, sobre as quebradeiras de coco babaçu, busca-se refletir sobre como a imagem delas se constroem e os conceitos de texto e leitura numa perspectiva multimodal. Adicionalmente, esse estudo se fundamenta nas contribuições de van Leeuwen (2006) sobre tipografia, Kress e van Leeuwen (2002) acerca das cores, Kress (2010), a respeito da multimodalidade. Com este trabalho tento apresentar as categorias de análise, contribuindo para a discussão dos possíveis sentidos produzidos, principalmente pela imagem nos livros didáticos. Neste artigo, abordamos a construção do dialogismo interno (dimensão verbal) no gênero jornalístico notícia, a partir da análise dos pontos de vistas sócio semi-comunicacionais, sob a perspectiva do dialogismo e dos imaginário sociodiscursivos. Nesta pesquisa, portanto, inicialmente, tem-se as relações dialógicas que orientam o(s) sentidos(s) da notícia e para sua composicionalidade textual retomando a situação social de interação da notícia publicada na versão online do El país. Com o título “As quebradeiras de babaçu lutam pela igualdade de gênero” a matéria faz referências a um grupo de mulheres que sobrevivem e sustentam suas famílias através de um extrativismo chamado “babaçu” nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Oral
Abrir o trabalhoESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA CAMPONESA: GÊNERO E CONFLITOS PELA TERRA NO MÉDIO MEARIM MARANHENSE
RAVENA ARAUJOPAIVA; Francisca Gardina dos Santos Lima
O estado do Maranhão e mais especificamente a região do Médio Mearim maranhense na década de 1980 passou por muitos e intensos conflitos fundiários ocasionando a morte de trabalhadores, inclusive. Tal cenário decorria da intensa concentração fundiária que permeava o estado e que foi incentivada e legitimada por mecanismos legais como a Lei 2.979 de 17/07/1969 comumente conhecida como Lei Sarney de Terras que fomentou a privatização de terras públicas. Nesse processo as ações de dominação impulsionados pelo projeto de expansão da agropecuária iam desde ameaças, passando pela destruição das casas, o sequestro e assassinato de trabalhadores rurais, configurando um modo especifico de se fazer “reforma agrária”. Nesse cenário, trabalhadores constroem estratégias de resistência, pautadas nos conhecimentos tradicionais e na sua ligação com o território, que em várias situações possibilitou a conquista da terra. O presente trabalho propõe-se a refletir sobre as estratégias de resistência forjadas cotidianamente por trabalhadores e trabalhadoras no Médio Mearim maranhense durante a luta pela terra, bem como o papel da mulher nessa luta, tentando compreender o conflito para além do embate físico que se encerra em um dia, mas como um movimento que se configurou cotidianamente, que possibilitou ainda a construção de novas identidades sociais e trajetórias políticas, sobretudo, das mulheres. Dessa forma, estabelecendo uma relação entre os conflitos agrários e a noção de estratégias de resistência, compreendida no âmbito da família camponesa, percebendo esse processo como ambiente de configuração de novas identidades, categorias políticas e organizacionais, e um novo modo de compreender e vivenciar a condição da mulher dentro das comunidades pesquisadas. Isso tudo no processo efervescente e violento, criador de necessidades, da luta por um pedaço de terra; momento de ressignificações, mudanças estruturais, ideológicas, embates políticos (internos e externos) e construção de novos papéis sociais.
Oral
Abrir o trabalhoO PROTAGONISMO DA ENTIDADE ESPIRITUAL POMBAGIRA RAINHA E SUA REPRESENTAÇÃO NOS RITUAIS DE ESQUERDA DA UMBANDA.
ANDECIELI FERREIRA MARTINS
Esta pesquisa surge da necessidade de relacionar a pluralidade do ser feminino em sua representação nos espaços de manifestações religiosas, e pautar como esses significados sobre a mulher é exercido dentro até mesmo de hierarquias que passam por locais de rituais, os quais se estabelecem as relações de gênero. Assim, se faz necessário entender como questões que perpassam o social se rompem, onde aos poucos percebo as camadas representativas destes marcadores dentro de rituais a partir de manifestações e relações de poder que existe para além dos espaços onde se praticam. Contudo, sigo em uma análise que cabe problematizar cuidadosamente esse estudo da relação do protagonismo dessa entidade espiritual feminina com as conquistas de mulheres na contemporaneidade e sua autonomia diária em meio aos padrões colocados de como ser e se fazer mulher nas sociedades de classes, atrelados a uma estrutura patriarcal que se mantém. Dessa maneira propor um tensionamento de gênero relativizando a negação dessa figura espiritual e sua influência sobre as mulheres, como algo enérgico que protege e norteia; Abordo representações do feminino, do sagrado, função e influência na religiosidade, bem como essa entidade espiritual é construída no imaginário e como vem sendo interpretada. Contudo, estruturo a partir de embasamento teórico por meio de orientações e pesquisa de leitura, como também a utilização da técnica de observação participante, história de vida e entrevista para efetivar o desenvolvimento desse estudo motivado pelo olhar atento as falas, danças, músicas e o intercâmbio entre a casa de axé frequentado por mim e o contato direto com a Líder espiritual e suas filhas de Santo. Me possibilitando a compreensão da importância dessa entidade que nesses ciclos percorridos revela-me o poder que mantém nesses locais. A observação seguiu datas pré-agendadas pelas suas dirigentes dos espaços visitados – as mães de santo. Escolhi dois espaços de inicio para as visitações, a casa da mãe de santo Fabiola na cidade de Crato-Ce, e no Ilê Omin Asé Odara, na Cidade de Juazeiro do Norte Ceará, dirigido pela Mãe de Santo Lucia. Essas ideias de transitar em mais um espaço, era para que eu pudesse estabelecer um paralelo da performance da Entidade Pombagira nos rituais em cada espaço, diferenciando a suas relações com cada elemento dedicado a elas.
Oral
Abrir o trabalho“MINHA TERRA, TEM PALMEIRAS!”: QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU DO MARANHÃO E O ENSINO DE HISTÓRIA LOCAL.
JEAN CARLOS SILVA CUNHA
A coleta e quebra de coco babaçu no Maranhão e em outros lugares, é uma atividade que tem ultrapassado diversas barreiras e obstáculos durante toda sua trajetória e que não se limita somente à prática extrativa em sua literalidade cotidiana, mas envolve uma construção identitária e cultural que faz parte da vida daqueles e daquelas que estão envolvidos em todo o seu processo. Além de se tratar de uma questão econômica, a coleta e quebra do coco babaçu promove uma integração sociocultural que aglutina diversas ações comuns de mulheres do campo e também da cidade. O trabalho realizado pelas mulheres que quebram coco babaçu no interior do estado do Maranhão se engaja dentro de uma dinâmica voltada para o estudo das relações de gênero no que concerne seu protagonismo diante à tomada de decisões exigidas através do seu oficio; outro aspecto que é possível perceber é a relação afetiva que elas exercem em seu contato com a natureza e principalmente na luta por sua preservação. O presente trabalho traz para o debate historiográfico, narrativas de mulheres que se dedicam à quebra do coco babaçu e busca refletir sobre temáticas que abrangem a cultura regional do Médio Mearim maranhense e assim discutir sobre as possibilidades de inserção das histórias de vida dessas mulheres dentro do ensino de história local. Este trabalho busca ainda problematizar algumas questões referentes ao universo vivenciado pelas quebradeiras de coco babaçu do Maranhão que contribuíram e ainda contribuem para o fortalecimento de sua identidade cultural; As quebradeiras de coco babaçu do Médio Mearim assim como de outras regiões, exercem um importante papel na construção sociocultural da região onde vivem e suas narrativas repletas de sensibilidade contribuem de maneira efetiva para a compreensão de questões que envolvem as relações de gênero, subjetividades, percepção de si e os usos da memória; questões que estão alinhadas a uma dinâmica multiculturalista e que devem fazer parte das discussões e debates dentro de um ensino de história que se queira inclusivo, dinâmico e atento aos desafios do presente.
Palavras-chave: Memória,Gênero,Sensibilidades,Identidade,Ensino de História
Oral
Abrir o trabalhoOral
VIOLÊNCIA E AUTORITARISMO DOS AGENTES POLICIAIS DA GUINÉ-BISSAU NAS MANIFESTAÇÕES DOS MOVIMENTOS DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL GUINEENSE.
UMARO SEIDI
O presente trabalho tem como objetivo principal analisar as relações que se dão entre a violência e o autoritarismo dos agentes policiais na Guiné-Bissau nas manifestações dos movimentos das organizações da sociedade civil. Sendo ele de natureza qualitativa a forma pela qual ela está sendo feito é através das entrevistas semiestruturadas com os membros dos movimentos sociais que em alguns casos foram impedidos de realizarem suas manifestações pelos agentes da policia e que sofreram agressões e espancamentos por parte desses agentes. Segundo a liga guineense dos direitos humanos (LGDH) desde a declaração da independência do país, em 1973, o Estado guineense não conseguiu transformar as suas forças de segurança e de guerrilha que lutaram e derrotaram os colonos portugueses numa corporação militar e de segurança democrática capaz de proteger o povo, o Estado, as instituições públicas e os direitos humanos em geral. A própria atuação das forças de ordem pública é caraterizada pela utilização brutal da força, prática reforçada na tortura e nas prisões arbitrárias. A liga guineense dos direitos humanos relata que a situação das forças de ordem pública é caraterizada pela utilização brutal da força, prática reforçada na tortura e nas prisões arbitrárias. Identifica-se que seus membros efetivos são mal distribuídos, como também carecem de instituições de formação, de modo que manifestam o baixo nível académico no seio deste além do mais, mesmo com a aprovação das leis N.º 08/2010 e N.º 09/2010 por parte da Assembleia Nacional (ANP) -- que prevê que a Guarda Nacional tenha como atribuições garantir as condições de segurança que permitam o exercício dos direitos e liberdades e o respeito pelas garantias dos cidadãos, bem como o pleno funcionamento das instituições democráticas, no respeito pela legalidade e pelos princípios do Estado de direito Popular -- as forças de segurança pública sentem-se ainda legitimadas em violar os direitos humanos, o que é acompanhado nomeadamente com as detenções arbitrárias, uso desproporcional da força, práticas de torturas e outros tratamentos cruéis e degradantes.
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Escritora Negra,Curriculo,Visisbilidade posiiva, Empoderadamento
Oral
Abrir o trabalhoA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA NA CREDE 5: SUJEITOS E PRÁTICAS DA ESCOLA QUILOMBOLA LUZIA MARIA DA CONCEIÇÃO EM CROATÁ- CE.
ROSILENE AIRES; JOÃO ALDENIR VIEIRA DA SILVA; TOM JONES DA SILVA CARNEIRO
Este artigo reafirma o direito a educação escolar diferenciada para a população quilombola, conforme garantido na Resolução CNE/CEB n° 08 de 20 de Novembro de 2012. Para tanto, destacam-se os princípios e objetivos desta resolução e as concepções de território e quilombo presentes na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho e o cotidiano escolar quilombola, enfatizados em Santos e Bezerra (2016). Desse modo, objetivou-se refletir sobre as práticas pedagógicas e como estas contribuem para a valorização da especificidade e da identidade quilombola, tendo como referência à Escola Quilombola Luzia Maria da Conceição localizada no território Quilombola de Três Irmãos o qual representa um grupo étnico-racial de ancestralidade negra e de trajetória histórica própria que ocupa um recorte espacial permeado de luta, cultura, modos de vida e pertencente ao município de Croatá – Ceará. O ponto de partida foi o estudo de matrícula da população negra da Crede 5, para assim, correlacioná-la aos dados do censo escolar da escola quilombola no período de 2015 a 2018 referente a matrícula, rendimento e evasão escolar. Em seguida, realizou-se momentos formativos na escola nos quais entrevistou-se gestores, funcionários, docentes e discentes da escola, a fim evidenciar o cotidiano escolar quilombola a luz dos sujeitos e das suas práticas. Por fim, identificou a precária infraestrutura da escola, o que limita o acervo e o uso de recursos didático-pedagógicos. Além disso, percebeu-se nas práticas cotidianas dos entrevistados, o desconhecimento sobre a importância da autodeclaração étnica de todos os segmentos da escola para a construção da identidade quilombola, o que desafia estes sujeitos na construção de práticas pedagógicas contextualizadas ao quilombo. Outro desafio citado pelos entrevistados foi a elaboração de projeto político pedagógico da escola que ocorreu no ano de 2018, tendo em vista que o documento deverá possibilitar uma aprendizagem sobre sua ancestralidade, sua cultura, suas memórias e marcos civilizatórios previstos na lei 11.645/2008 e nas diretrizes da Educação Escolar Quilombola.
Palavras-chave: escola quilombola, educação escolar quilombola, quilombo três irmãos, território
Oral
Abrir o trabalhoA UNIVERSIDADE COMO UM DIREITO INDÍGENA E QUILOMBOLA: AVANÇOS, DESAFIOS E AÇÕES AFIRMATIVAS NA UNILAB
ANTONIO JEOVANE DA SILVA FERREIRA
No cenário da Educação Superior no Brasil constatamos, especialmente a partir dos anos 2000, uma brusca guinada no que diz respeito ao acesso de múltiplos segmentos étnico-raciais e sociais nas diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) espalhadas pelo país. Este novo cenário configura-se principalmente a partir da implementação de políticas de ações afirmativas que, direcionadas a estes segmentos, objetivam mitigar as desigualdades no campo educacional, promovendo assim a equidade de oportunidades a sujeitos outrora relegados deste espaço. Neste sentido, no Ceará, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) destacou-se ao ser pioneira na realização (desde 2017) de um Processo Seletivo Específico (PSE) para o acesso de Indígenas e Quilombolas. É, pois, nesta perspectiva que o presente trabalho se alicerça, objetivando discutir os avanços e desafios a partir do acesso de estudantes indígenas e quilombolas na Unilab diante da construção de uma política de ação afirmativa institucionalizada. Este é um campo de reflexão ainda germinal, por esta razão faz-se necessário delineá-lo, haja vista que a Unilab ao atender tais reivindicações impulsiona o tardio processo de democratização do ensino superior no Ceará, no que diz respeito aos povos indígenas e quilombolas.
Palavras-chave: Ações Afirmativas,Indígenas,Quilombolas,Unilab
Oral
Abrir o trabalhoACHILLE MBEMBE: NECROPOLITICA, GUERRA E INIMIZADE
LUIS CELESTINO DE FRANÇA JÚNIOR
O que os europeus nao conseguem perdoar do nazismo seria o fato de Hitler e os nazistas trazerem para dentro da Europa o genocidio que os europeus consideravam algo distante do velho continente e presente somente em colonias na Amèrica e na Africa. Essa é apenas uma das provocaçòes que Achille Mbembe traz ao apresentar a necropolitica. A proposta do artigo é circunscrita a um dos temas presentes no livro Necropolitica: a guerra. No regime da necropolitica, a guerra nào seria mais algo que coloca em conflito diferentes Estados, ou seja, a guerra nào se dà mais como algo do Estado contra um inimigo externo, mas do Estado contra a pròpria populaçao. Nesse sentido, em Mbembe encontramos uma reflexao que denuncia o estado de guerra permanente em que as sociedades dos paises ocidentais vivem. A guerra deixa de ser vista como fenomeno extremo na expressao de conflitos armados periodicos na historia das naçoes e passa a ser algo constitutivo da vida, das estruturas e das formas constituintes das sociedades ocidentais. O trabalho vem contribuir para perceber que ali onde muitos enxergam paz, hà guerra. Contra os corpos, contra as linguas, contra as culturas e obviamente contra a vida. Nao hà de se falar de biopolitica quando o regime que se vive nao instaura a vida, mas a gerencia e deixa morrer. A ideia de biopolitica se aproxima de uma tanatopolitica. Ou melhor, contra uma parcela da populaçào, notadamente a populaçao negra. Ali onde muitos enxergam liberdade, hà escravidào. No consumo e nas formas como a vida e as existencias sao capturadas pela governamentalidade neoliberal, nocao tao cara ma onra de Michel Foucault. Nesse sentido, uma articulacao entre a necropolitica e a biopolitica passa pela leitura de temas fundamentais. O artigo buscarà articular a compreensào da guerra em duas obras de Mbembe, Necropolitica e Politicas de Inimizade, articulando os conceitos de guerra nas obras de Michel Foucault, Frederic Gros (Etats de Violence), Felix Guatarri e Gilles Deleuze.
Palavras-chave: Necropolitica, guerra
Oral
Abrir o trabalhoANÁLISE DO DOCUMENTÁRIO “ESTAMIRA” A PARTIR DE UMA LEITURA PSICOSSOCIAL
ERNANI DE MORAIS LIMA JUNIOR; Italo Pereira Coelho
Produzido por Marcos Prado e José Padilha no ano de 2006, o documentário cinematográfico “Estamira” acaba trazendo à tona a situação de vulnerabilidade agravada por transtornos mentais vivida pela personagem em um aterro sanitário do Rio de Janeiro. Partindo do pressuposto de que a realidade da personagem ainda se faz presente em nossa sociedade, e apresenta uma intersecção de preconceitos relacionados ao racismo, exclusão social, adoecimento mental, gênero e que a população negra corresponde a uma parcela extremamente pobre no país, o trabalho tem como objetivo realizar uma análise psicossocial do documentário. Para isso, utilizou-se a análise de práticas discursivas do documentário cinematográfico, onde o material audiovisual foi coletado na plataforma de compartilhamento de vídeos do YouTube, além de uma revisão bibliográfica nas plataformas de periódicos electrónicos Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), entre os anos de 2009 e 2019, foram também utilizados livros que melhor se adequavam a temática trabalhada. Observou-se que a personagem principal acaba denunciando diversas situações de uma realidade inóspita, de segregação histórica de um povo, que batalha diariamente para romper com os grilhões do racismo estrutural sobretudo na interseção com a discriminação de gênero e a pobreza. Ela encontra nos sintomas do adoecimento mental uma forma de sobreviver e lutar contra a realidade que diariamente ela se encontrava, fazendo com que seus sintomas servisse como uma espécie de apaziguamento do que ela viveu e ainda vivia durante a construção do documentário “Vocês é comum. Eu não sou comum.” “Eu sou Estamira! Estamira tá em todo lugar.” No desenrolar da trama a personagem acaba denunciando diversas formas de preconceito vivido, mas devido às suas condições psicopatológicas acaba se agravando ainda mais, deixando isso perceptível através de algumas das suas falas: “A minha cabeça trabalha muito, mas, o trocadilho fez com que eu me separasse até dos meus parentes.” e “A minha missão é revelar, seja a quem for, doa a quem doer. ”Assim, o filme acaba denunciando o mito da democracia racial ao apresentar diversas formas de exclusão dentro da sociedade brasileira, que por diversas vezes ainda se fazem presente dentro do país.
Oral
Abrir o trabalhoDA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: O CONTRAPONTO DA POLÍTICA PÚBLICA DO CAC E IMPACTO NA VIDA DOS REMANESCENTES DOS ÍNDIOS CARIRIS- SÍTIO POÇO DANTAS- CRATO-CE.
ANA LARISSA RAYNARA DA SILVA DOMINGOS; Francisca Carminha Monteiro de Lima; José Patrício Pereira Melo
RESUMO Historicamente índios Cariris do Sítio Poço Dantas em Crato, Ceará, na região do Cariri carregam marcas do processo de colonização que foram submetidos e formas de uso e exploração da natureza e das pessoas para (re) produção de mais valia global e garantia de usos racionalizados do espaço pelo capital. Com isso, verificamos na mesma, a construção do CAC – Cinturão das Águas do Ceará que consiste em uma grande obra hídrica com previsão de término de quarenta anos, afetando o acesso a água pelos moradores da comunidade referida e a construção de grandes obras de integração regional seja ligada a comunicação, produção, escoamento, contenção dos corpos hídricos, viária, ferroviária, etc., expressam o desenvolvimento expansionista do capitalismo, ou seja, a expansão física e simbólica do sistema de produção racionalizada de valor de troca. Possibilitam assim formas de uso e exploração da natureza e das pessoas para (re)produção de mais valia global e garante usos racionalizados do espaço pelo capital. Logo, o presente trabalho objetiva analisar de modo teórico, pois a pesquisa em campo está em andamento, à violação do direito ao acesso a água em contraponto com a política pública referida. Utilizando-se de referenciais do direito socioambiental enquanto liame jurídico entre o direito constitucional, direito ambiental e os direitos sociais insertos na constituição federal do Brasil. Em suma, denota-se que os membros do grupo se mostram resilientes e conscientes entre si a partir de uma invocação da sua memória coletiva à ancestralidade Cariri por meio da autoafirmação da identidade, para lutarem, a seus modos, com relações de dominação do capital, criando uma compreensão coletiva da necessidade do direito coletivo socioambiental e acesso às políticas públicas indigenistas para terem retornarem a utilizarem a água nas suas terras, e assim a realização das atividades básicas de subsistência. Palavras-chave: Índios Cariris. Direitos Socioambientais. Políticas Públicas.
Oral
Abrir o trabalhoESTÉTICA, EMPODERAMENTO E IDENTIDADES: ESTUDANTES BISSAU-GUINEENSES NO CONTEXTO DA UNILAB/CEARÁ.
RENATA MARIA FRANCO RIBEIRO
O presente trabalho analisa a estética afirmativa, empoderamento e identidades, no contexto da UNILAB, no caso das acadêmicas Bissau-guineenses, enquadrado no debate sobre a política da identidade e a questão étnico-racial (Candé, 2012; Gomes, 2001; 2002). Foi nosso interesse compreender a relação entre a estética afirmativa e empoderamento das estudantes na migração estudantil da Guiné-Bissau para os municípios cearenses Redenção e Acarape, Brasil. Para isso optamos por motivações das acadêmicas mulheres guineenses procurando entender como construíram suas identidades a partir das referências que contemplam estética, corpo, política, histcultural e entendo por cenário os acontecimentos e discussões no contexto das políticas de integração na UNILAB. Nesta pesquisa, analisamos a partir das entrevistas produzidas e da observação de campo como as estudantes- acadêmicas mulheres Bissau/guineenses apresentam suas estéticas. Para isso, traremos o conceito de estética afirmativa e empoderamento, considerando que essa transformação pode ser política e cultural, como apresentam as simbologias, negritude africana, suas trajetórias, a educação familiar na fala das interlocutoras, o cuidado feminino desde criança com o trançado dos cabelos, as vestimentas apresentadas pela mãe ou as mulheres mais velhas das suas famílias, as aprendizagens de vida com suas mães, avós, tias nas sociedades de origem, onde tiveram sua primeira educação, sobretudo familiar. A presente pesquisa tem como objetivo geral, compreender a partir das experiências de vida das estudantes Bissau-guineenses, como a estética afirmativa pode ser uma ferramenta política para a desconstrução de estereótipos raciais, estéticos, históricos e sexuais brasileiros/ cearenses que negativam a estética da mulher negra africana. Para tanto, as estudantes Bissau-guineenses começam a ser referências a partir do seu lugar de fala, mulheres que migraram para estudar, com diferentes nacionalidades seja africanas, brasileira, com crenças plurais nesse espaço pluriétnico acadêmico da UNILAB. De tal forma, optamos por motivações das acadêmicas mulheres guineenses procurando entender como construíram suas identidades a partir de referências que contemplam estética, corpo, política e entendo por cenário os acontecimentos e discussões no contexto das políticas de integração na UNILAB.
Palavras-chave: Estudantes Bissau-guineenses,Estetica, Empoderamento, Identidades
Oral
Abrir o trabalhoETNOCENTRISMO NA UNILAB
DÉCIO OTTO CARLOS GOMES
Proponho no presente estudo em andamento analisar e problematizar as praticas etnocêntricas dentro da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). O intuito desse trabalho é de entender como as praticas etnocêntricas afeta projeto da integração. Para isso, o artigo tem como ponto de partida diversos problemas que aconteceram no cotidiano desse espaço acadêmico onde as diversidades culturais que compõem universidade não esta sendo respeitado. A dificuldade de lidar com a diversidade cultural traz a negação dos valores culturas impossibilitando a integração entre os estudantes onde cada grupo exalta a sua cultura tomando-a como o centro para julgar outras culturas. Para evidenciar os fatos fizemos pesquisa de campo, observação participante e entrevista com sete estudantes de diferentes nacionalidades que compõem a universidade com o intuito de refletimos juntos o papel de cada um de unibiano/a face a essa situação. Trata-se de uma visão crítica dos estudantes frente a situação que a universidade atravessa. Este estudo se justifica partindo no nome da universidade, que tem um caráter da integração como objetivo de promover avanços na demanda da disseminação do conhecimento em um ambiente de respeito às distintas identidades, ao pluriculturasmo abrindo caminho para novos horizontes no que diz respeito a conhecimento. Este pesquisa visa prestar uma contribuição para minimizar as praticas etnocêntricas dentro e fora de espaço da instituição. O presente trabalho em andamento é o resultado de pesquisa etnográfica do componente curricular Antropologia e Sociologia da Educação nos países da integração, ministrado pelo professor Dr. Luis Eduardo Torres Bedoya. Vale ressaltar que a escolha de entrevistados/as foi de maneira aleatória e as entrevistas ocorreram dentro da Universidade, sete estudantes colaboraram de forma significativa com a entrevista para a construção de trabalho, as observações e entrevistas foram feitas no campus da liberdade e palmares.
Palavras-chave: Unilab,etnocentrismo
Oral
Abrir o trabalhoIdentidades indígenas e quilombolas em processos de ensino-aprendizagens no campo de tensão entre territorialidade, gênero e direitos humanos.
RAMON SAMPAIO PEREIRA
Este trabalho possui como referência o ST1” Identidades indígenas e quilombolas em processos de ensino-aprendizagens no campo de tensão entre territorialidade, gênero e direitos humanos” de autoria de Ramon Sampaio Pereira, tendo por objetivo enfatizar a importância de uma pedagogia universitária com o escopo de engajar o pensamento decolonial no âmbito acadêmico das Universidades do Cariri, haja vista a preponderante amplitude de abordagem do pensamento decolonial sobre diferentes tipos de conhecimentos construídos, não apenas os chancelados pelas ciências, mas também, os advindos de comunidades locais, como as indígenas, quilombolas e outros grupos subalternos que emergem da agressiva dominação do pensamento hegemônico Europeu, através dos longos séculos de avanço do pensamento colonialista e dominador deste. Servindo como parâmetro de embasamento a lei 10.639 de 2003, a qual torna obrigatória à temática “História E Cultura Afro-brasileira” no currículo oficial das redes de ensino, podendo ser aplicada analogicamente às Universidades e Faculdades, uma vez que estas possuem fundamental função na construção do conhecimento, oportunizando uma pedagogia voltada à ecologia de saberes. O Estímulo e tal evidência se consubstanciam na elaboração prática de métodos pedagógicos inclusivos e oportunos na medida em que estes estejam cumprindo com a finalidade da lei de disseminar a construção de um pensamento decolonial com ênfase à construção decolonial do conhecimento seja pelo de nossos ancestrais quilombolas seja pela sociedade subalterna do moderno cenário capitalista. Bem como a Resolução nº 8 de 2012, e uma pedagogia decolonial baseada nos pressupostos do Pensamento Decolonial Latino-americano, conforme a educação escolar quilombola é uma conquista das reivindicações do movimento negro e quilombola que deve ocorrer tanto em escolas localizadas em território quilombola, quanto em escolas que não estão localizadas nestes territórios, mas que atendem alunos e alunas oriundos das comunidades quilombolas, porem configura a necessidade deste tipo de visão quanto as universidades.
Oral
Abrir o trabalhoJUVENTUDE E AFRODESCENDÊNCIA: UMA EXPERIÊNCIA EXITOSA DE APLICABILIDADE DA LEI 10.639/03
CÍCERA ALVES AGOSTINHO DE SÁ; ITALO RAMON SANTOS BANDEIRA
A garantia do ensino da História da África e dos africanos afrodescendentes, assegurada em 2003, com base na Lei nº 10.639, ratificada em 2008, pela instituição da Lei nº 11.645 é alvo de resistências e desvios em sua implementação nas etapas que constituem a Educação Básica. Cientes da importância do cumprimento dessas determinações legais, a Escola Estadual de Educação Profissional Irmã Ana Zélia da Fonseca realizou, em 2015, o projeto Nossa negritude, que possibilitou a atuação interdisciplinar dos docentes responsáveis pelos componentes curriculares: História, Geografia, Biologia, Língua Portuguesa, Matemática, Educação Física, História e Sociologia. Esse projeto foi desenvolvido ao longo de oito meses, nas aulas destinadas do desenvolvimento de projetos de pesquisa, sendo organizado com base em atividades de pesquisas individuais, em grupos, marcado pela realização de várias atividades de integração, marcadas pela socialização dos resultados parciais levantados em cada etapa do projeto, com base nas ações desenvolvidas por cada grupo de alunos, que eram coordenadas pelos professores que aderiram à proposta. Pretende-se com a presente pesquisa analisar parte dos efeitos resultantes das construções associadas ao tema, por meio das atividades de pesquisas, culminâncias mensais e apresentação dos resultados na Feira de Ciências e Tecnologias da escola, como também na Feira Regional de Ciências e Tecnologias, realizada pela 20ª Coordenadoria Regional de Educação – CREDE 20. Trata-se de uma pesquisa afrodescendente em educação, cuja metodologia adotada decorre do viés qualitativo, de base quantitativa, pois apresentaremos os principais resultados e análises decorrentes das ações do projeto. Os resultados apontam que uma ação interdisciplinar contribui para que os estudantes conheçam e compreendam o nível de contribuição dos africanos para a formação da nossa sociedade e para o reconhecimento de sua própria identidade jovem, enquanto categoria social e construção étnica de sua ancestralidade, bem como, oportuniza um transgredir as margens de uma educação eurocentrada.
Oral
Abrir o trabalhoLUTAS INDÍGENAS - O FUTURO REFLETE O PASSADO
FRANCISCO FLÁVIO EUFRAZIO
O presente artigo tem como propósito ressaltar a continuidade das lutas indígenas no seio das relações capitalista contemporâneas como forma de resistência, sobrevivência e garantia de direitos durante um incessante processo de enfrentamento por demarcação e homologação de terras indígenas e a permanência destas, como é o caso do parque do Xingu criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros. Tais discussões buscam também adquirir um reconhecimento cultural, social, linguístico, religioso, que unificados com outras reivindicações de grupos tradicionalmente abastados de seus direitos, como as lutas raciais e de gênero vêm representado ser problemáticas perpetuadas da colônia aos dias atuais, geridas pelos constantes processos de ascensão da supremacia branca, especialmente do homem hétero branco. Os vastos procedimentos de retrocessos dos direitos ditos conquistados por tais grupos populacionais, acabam mostrando a falência da competência do Estado brasileiro de resolver questões historicamente atravessadas no interior das relações contraditórias, estas relacionadas aos elevados níveis de beneficiamento à lógica acumulativa capitalista, principalmente durante o governo do Fernando Henrique Cardoso – FHC, com a efetivação do modelo econômico neoliberalismo, através de expectativas sanadoras da crise de 1970. Esta análise teórica é elaborada através dos acontecimentos históricos envolvendo as desapropriações de terras legalizadas, assim como o genocídio cultural de comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas situados dentro das relações sociais estruturadas pelo sistema capitalista desde suas primeiras formas de acumulação de capital. Analisando também os grandes desafios desses povos que é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de preservar a própria cultura e a de se adaptar às mudanças do novo mundo, também buscando problematizar os vastos processos de desenvolvimento industrial do país e o aumento de grandes latifundiários que são uns dos principais causadores da Questão Social enfrentada por essas comunidades.
Palavras-chave: INDÍGENAS,RESISTÊNCIA ,CAPITALISMO,QUESTÃO SOCIAL
Oral
Abrir o trabalhoO ensino da capoeira na educação básica como forma de combate ao preconceito à cultura de matriz africana
IVYNA BARBOSA AURÉLIO COSTA; Caio Paiva Fernandes; Jearles Ximenes Alcântara Barros
A capoeira hoje é considerada um patrimônio nacional, visto que, a sua herança histórica e cultural, traz consigo uma luta de resistência, inclusão social e aprendizagem. Inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2014, a capoeira ultrapassou os muros da marginalização social estabelecida pelo preconceito e demonstrou transferir a cultura afro-brasileira a todas as pessoas, com ênfase maior as que frequentam o ensino básico e médio, visto que, em 2003, a lei n° 10.639 tornava obrigatório o ensino da história, e cultura afro-brasileira nas escolas do país, agregando o ensino da história e cultura indígena. Hoje, a capoeira é praticada em diversos lugares do mundo, e é reconhecida pela comunidade internacional como algo intrínseco à cultura brasileira. Mas nem sempre foi assim, no período colonial, a capoeira era associada a marginais pelo império. Esse preconceito perdurou por anos, já que só em 1932 é inaugurada a primeira academia de capoeira do país. A importância da implementação da capoeira no ensino básico e médio, se tem pelo fato de dessa forma, fazer com que alunos tenham um contato maior com a história e cultura de matriz africana, e com isso, diminuir o preconceito e o racismo nas escolas por meio da implementação das leis 10.639/03 e 11.645/08. Dado a importância da capoeira, utilizamos a metodologia qualitativa e etnográfica afim de obter dados diretamente da experiência e vivência dos mestres de capoeira enfatizando a avaliação dos discursos presentes em ambiente escolar, observando como a capoeira regional modifica os mesmos e como a implementação mais intensificada nas escolas ajuda a combater esses embates étnico-raciais. Através da roda de conversas e do mapeamento nas escolas objetivamos fazer uma metodologia dialogal, dando abertura para que todos os envolvidos discorram e dialoguem entre si sobre as perspectivas alcançadas no decorrer da atividade realizada pelo nosso projeto, enfatizando também quaisquer estigmas e preconceitos que vierem a serem rompidos pelo processo de ensino aprendizagem. Espera-se que esse projeto cumpra com o seu objetivo principal, que é o de alcançar o sentimento de inclusão social entre as crianças, romper o preconceito étnico e cultural com a cultura africana e afro-brasileira, além de ensinar que a capoeira é um símbolo de resistência, e a sua prática, leva ao choque cultural, a tolerância e ao bom convívio social entre as diferentes etnias.
Oral
Abrir o trabalhoO legado de África: o grito diaspórico da reexistência
HIGOR PORFÍRIO
Este trabalho objetiva historicizar a transcendência da diáspora africana, colocando o movimento Hip-Hop, especificamente o rap, como principal viés de Reexistência para a cultura negra no Brasil, através da problematização das letras das músicas e das capas de discos que serão utilizadas. Além disso, este trabalho também trata de destrinchar o termo Reexistência em um sentido amplo mostrando as diversas formas de expressões políticas da diáspora de África, dentro da música “marginal” brasileira. Busca-se apreender as diversas formas de comprovação da resistência negra dentro do cenário musical do rap brasileiro, para que assim a sua existência seja vista de uma outra forma, colocando o negro como figura principal e ponto-chave dentro dessa luta pelo espaço que até algum tempo atrás lhe era negado. Esta pesquisa dar-se-á por meio do uso de fontes documentais e seus dados serão analisados através da análise do discurso.
Palavras-chave: Reexistência, Diáspora, Música
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Abrir o trabalhoQuilombos no Ceará: trajetórias na universidade pública
IVAN COSTA LIMA; Tatiana Ramalho da Silva
O estudo em andamento, objetiva investigar os territórios quilombolas no Ceará que estão passando pelo processo de certificação, demarcação e titulação empreendidas por órgãos federais, tendo em vista o reconhecimento de sua existência por todo o país. Assim, problematizar a situação da população negra na região, produzindo-se conhecimentos sobre os caminhos traçados pelas comunidades quilombolas na implementação de igualdade racial no estado. Assim como, relacionar suas trajetórias com a educação, a cultura e o desafio para a afirmação da identidade como comunidades e povos tradicionais, tendo em vista as poucas pesquisas desenvolvidas na região. Pretende-se ampliar as formas como a vida quilombola se articula e sua luta em defesa de seu território, modos de vida e as lutas socioambientais para se manterem, possibilitando subsidiar as políticas públicas voltadas para esta população, em especial a educação quilombola. Para tanto, para alcançar este conhecimento metodologicamente utilizaremos da pesquisa participante, que tem sido teorizada como conhecimento coletivo produzido a partir das condições de vida de pessoas, grupos e classes populares, como tentativa de avançar a partir da ciência tal conhecimento "de dentro para fora” e da história oral para captar as dinâmicas utilizadas por estes sujeitos, através de relatos orais e do registro audiovisual de suas participações dentro e fora das comunidades. Em especial, evidencia-se a presença de estudantes quilombolas no ensino, pesquisa e extensão dentro da Universidade Internacional da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab, na cidade de Redenção, Ceará. Tais debates devem contribuir no acúmulo de informações tão necessárias na compreensão dos processos que forjam a conformação da sociedade brasileira, a partir das dinâmicas culturais quilombolas, que devem ser pesquisadas e constituir ações educativas no combate ao racismo nos sistemas de ensino e na sociedade abrangente, e na implementação das políticas públicas de igualdade racial neste estado. Esperamos construir conhecimentos, que contribuam em dar visibilidade a população negra nesta região, subsidiando a universidade e a sociedade abrangente com o reconhecimento das comunidades quilombolas cearenses, suas histórias, memórias, formas de agir e pensar sobre as relações raciais dentro da Educação brasileira
Palavras-chave: Quilombo, Ceará, Territórios,Universidade
Oral
Abrir o trabalhoQuilombos no Ceará: trajetórias na universidade pública
TATIANA RAMALHO DA SILVA; Ivan Costa Lima
O estudo em andamento, objetiva investigar os territórios quilombolas no Ceará que estão passando pelo processo de certificação, demarcação e titulação empreendidas por órgãos federais, tendo em vista o reconhecimento de sua existência por todo o país. Assim, problematizar a situação da população negra na região, produzindo-se conhecimentos sobre os caminhos traçados pelas comunidades quilombolas na implementação de igualdade racial no estado. Assim como, relacionar suas trajetórias com a educação, a cultura e o desafio para a afirmação da identidade como comunidades e povos tradicionais, tendo em vista as poucas pesquisas desenvolvidas na região. Pretende-se ampliar as formas como a vida quilombola se articula e sua luta em defesa de seu território, modos de vida e as lutas socioambientais para se manterem, possibilitando subsidiar as políticas públicas voltadas para esta população, em especial a educação quilombola. Para tanto, para alcançar este conhecimento metodologicamente utilizaremos da pesquisa participante, que tem sido teorizada como conhecimento coletivo produzido a partir das condições de vida de pessoas, grupos e classes populares, como tentativa de avançar a partir da ciência tal conhecimento "de dentro para fora” e da história oral para captar as dinâmicas utilizadas por estes sujeitos, através de relatos orais e do registro audiovisual de suas participações dentro e fora das comunidades. Em especial, evidencia-se a presença de estudantes quilombolas no ensino, pesquisa e extensão dentro da Universidade Internacional da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab, na cidade de Redenção, Ceará. Tais debates devem contribuir no acúmulo de informações tão necessárias na compreensão dos processos que forjam a conformação da sociedade brasileira, a partir das dinâmicas culturais quilombolas, que devem ser pesquisadas e constituir ações educativas no combate ao racismo nos sistemas de ensino e na sociedade abrangente, e na implementação das políticas públicas de igualdade racial neste estado. Esperamos construir conhecimentos, que contribuam em dar visibilidade a população negra nesta região, subsidiando a universidade e a sociedade abrangente com o reconhecimento das comunidades quilombolas cearenses, suas histórias, memórias, formas de agir e pensar sobre as relações raciais dentro da Educação brasileira
Palavras-chave: Quilombo, Ceará,Territórios,Universidade
Oral
Abrir o trabalhoUM OLHAR NA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA DA COMUNIDADE “CERCADÃO DOS DICETAS”
AFONSO JOSE MENDES
Este artigo intitulado “Educação escolar Quilombola” é o resultado da aula de campo realizada no dia 07 de novembro de 2017, com os alunos da turma de Educação Escolar Quilombola e da turma da Antropologia e Sociologia de Educação nos Países da Integração, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira-UNILAB, na comunidade Quilombola do “Cercadão dos Dicetas”, localizada no município de Caucaia, no estado de Ceará. O objetivo dessa aula é de conhecer e compreender a realidade da comunidade quilombola, as características de suas práticas educativas e culturais na construção da sua identidade e avaliar as contribuições dos (as) professores (as) e gestores da escola na educação escolar quilombola. Essa aula de campo foi realizada por meio de roda de conversa com os estudantes da UNILAB e a comunidade, momentos que reuniu a líder da comunidade “Cercadão dos Dicetas”, representante dos quilombolas na secretaria da educação do município e as professoras da referida comunidade. Na elaboração deste artigo, usamos as questões sem-abertas que enfocam dos saberes escolares e ações, acerca do uso das diretrizes escolar quilombola; Identidade escolar; população da escola; quantidade de alunos quilombolas e não quilombolas que estudam na escola, fundação da escola quilombola; concepção do que é ser quilombola. Qual diferença de uma escola quilombola e uma escola da prefeitura no espaço quilombola, numa entrevista que foi realizada com duas representantes/professoras, primeira entrevistada foi a professora Claudia Oliveira¹ e a segunda entrevistada foi Maria dos Prazeres², ambas estão ligadas das escolas quilombolas, utilizamos também alguns textos ou artigos como: “Diretrizes curriculares da Educação escolar Quilombola, 2012”; “Diversidade educacional infantil; decreto/ 2003/ d4887”; HAYDÉE PETIT & COSTA e SILVA,. “Africanidades Caucaienses: saberes, conceitos sentimentos, 2013”. NASCIMENTO & LARKIN NASCIMENTO. “Quilombolismo um conceito emergente do processo Histórico-Cultural da população Afro-Brasileira”, colocamos algumas imagens ilustrativas que foram tiradas na aula de campo. Consideramos que essa aula de campo e a pesquisa foram do encontro que serviu de troca de conhecimentos e saberes, também foi o momento que a comunidade recebeu os estudantes e professores da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, UNILAB, isso demostra um fortalecimento e as experiências adquiridas entre os estudantes e a comunidade.
Oral
Abrir o trabalho“HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA”: FORMAÇÃO, DESAFIOS E APLICABILIDADE DO DOCENTE NO ÂMBITO ESCOLAR
RAFAELLY CARNEIRO DOS SANTOS NOGUEIRA ; YOHANA MARIA MONTEIRO AUGUSTO DE ALENCAR
“HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA”: FORMAÇÃO, DESAFIOS E APLICABILIDADE DO DOCENTE NO ÂMBITO ESCOLAR Yohana Maria Monteiro Augusto de Alencar1 Rafaelly Carneiro dos Santos Nogueira2 Resumo: A Lei 11.645/2008 altera a Lei 9.394/1996, modificada pela Lei 10.639/2003, a qual estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e Indígena”. O principal objetivo da sua promulgação é amenizar as discriminações e preconceitos raciais, além de inserir no currículo o acesso a histórias e fatos esquecidos devido a um ensino branco europeu. O presente artigo objetiva problematizar e discutir a aplicabilidade efetiva desta Lei nas formações de docentes e na posterior utilização da mesma nas salas de aula, de maneira pedagógica e eficaz ao combate da desigualdade social e do preconceito à pluralidade cultural. Com mais de dez anos de promulgação, ainda é perceptível a dificuldade do educador aplica-la em sala de aula, tanto por um despreparo profissional sobre relações étnicos-raciais, quanto por resistência dos próprios alunos, que abrangidos por algum preconceito racial dificultam a sua aplicabilidade. Para dar suporte teórico-metodológico utilizaremos Miguel Ifadireo (2019), Maria Regina Almeida (2013), Natalia Ramos (2007), Edosn Silva (2014) dentre outros. Realizou-se a pesquisa bibliográfica, pautado em matérias digital, o próprio texto Constitucional de 1988, a Lei 11.645/2008 entre outras obras que tratam sobre a temática. Diante dos diversos obstáculos existentes nas escolas sobre a utilização da referida lei, busca-se com urgência debater e promover estratégias e ações coerentes à implementação dessa lei, que é obrigatória no cenário escolar como um todo. Ressalta-se a necessidade de qualificar os educadores, pois muitos destes não tiveram essa matéria no período de graduação, por isso, se faz mister, a importância de capacitação para os profissionais da educação que atuam em sala de aula. Assim se faz cogente reparar e reduzir as desigualdades culturais existentes desde a colonização do país, garantindo o respeito aos afro-brasileira e indígenas, sobretudo no atual momento político do país, onde os movimentos sociais e de raça mostram-se fortes e ativos na luta por seus direitos. Palavras chave: Formação Docente, Desafios Pedagógicos, Lei nº 11.645/2008, Pluralidade Cultural. Simpósio Temático: Identidades indígenas e quilombol
Oral
Abrir o trabalhoLITERATURAS AFRICANAS: UM DEBATE URGENTE NAS LICENCIATURAS
ANTONIA BEATRIZ DA SILVA CHAVES; Renato Alexandre dos Santos; Justino Gomes
As literaturas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe (os cinco países do continente africano que têm o português como língua oficial) ainda são negligenciadas na maior parte do sistema educacional brasileiro, apesar de um número significativo de autores serem reconhecidos de forma incontestável pela contribuição de suas produções poéticas e ficcionais para o "macrossistema literário" da língua portuguesa (junto com Brasil e Portugal). A necessidade de propiciar tal conhecimento em todos os níveis da educação brasileira foi reafirmada, no início deste milênio, com a atualização da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) pelas leis 10.639/03 e 11.645/08, as quais, entre outras providências, determinam a inclusão da história e cultura africana nos currículos de ensino do país. O objetivo geral deste trabalho é apresentar e debater alguns dos temas do repertório literário africano em língua portuguesa (neocolonialismo, oralidade e escrita, tradições e modernidade), apontando para a necessidade de sua inclusão em práticas pedagógicas do/as futuro/as educadores no Brasil. A discussão é fundamentada nos trabalhos de Rita Chaves (2000), Moema Augel (2005), Carmem Lúcia Tindo Secco (2002), Sueli Saraiva (2012), Maria Aparecida Santilli (1985), Ana Mafalda Leite (2003), entre outro/as.
Palavras-chave: Literaturas africanas, Pós-colonialismo, Cultura, Resistência, Ensino
Oral
Abrir o trabalhoOficina de Literaturas Africanas de língua portuguesa: Guineense e Moçambicana, na escola Padre Saraiva Leão, Redenção CE
NINTO JOÃO BICO VAZ; Mamadú Saliu Djaló
Oficina de Literaturas Africanas de língua portuguesa: Guineense e Moçambicana, na escola Padre Saraiva Leão, Redenção CE GT(nº3): experiência de formação de professores na área de humanas Mamadú Saliu Djaló Ninto João Bico Vaz Antônia Suele de Sousa Alves Pereira (orientadora) Resumo: No dia 06 de Junho de 2019 foi realizada a oficina das literaturas africanas da língua portuguesa realizada na escola padre Saraiva Leão, localizada na Redenção CE. Baseando “na lei 10.639/03 que estabelece a inclusão de estudo da historia da África e dos africanos nos estabelecimentos de Ensino Fundamental ou Médio seja privado ou público bem como ensino da cultura afro-brasileira”, (Santumauro, UFMG). O objetivo deste resumo é descrever uma Oficina de literaturas africanas de língua portuguesa: guineense e moçambicana. Esta ação faz parte do subprojeto “Ensino de Língua portuguesa com base em gêneros textuais”, vinculado ao PIBID do Curso de Licenciatura em Letras da Unilab que tem como objetivo maior: “promover ensino, pesquisa e extensão de alto nível com uma perspectiva intercultural, interdisciplinar e crítica no que se refere à Língua Portuguesa e às Literaturas em Língua Portuguesa [...]” (UNILAB, 2013). Esta oficina foi realizada por dois bolsistas de Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da UNILAB e tem por objetivo apresentar aos alunos da escola as literaturas africanas de língua portuguesa especialmente da Guiné-Bissau e de Moçambique que fazem parte de CPLP. Haja vista que estão inseridos no contexto da UNILAB. Para tanto, durante a oficina foi apresentado aos alunos as duas literaturas, nomeadamente, a guineense e moçambicana. No que se refere a literatura guineense, trabalhamos com a obra de Tony Costa – “Ntin” que foi publicada depois da independência e que mostra como está a sociedade guineense, por sua vez, na literatura moçambicana selecionamos a obra de Luís Bernardo Honwana – “Nós Matamos o Cão Tinhoso”, em que foi escrito e publicado no período da colonização, no qual o movimento Frente da libertação de Moçambique (FRELIMO) reivindicava a libertação do país. As turmas que beneficiaram dessa oficina foram o terceira A e terceiro B e que acontecia todos as segundas no período de manhã. Percebemos que os alunos entenderam e se tornaram mais participativos, e passaram a ter interesse pela cultura africana em que debateram as temáticas trazidas nessas literaturas. Por fim vimos que atingimos os objetivos pretendidas.
Oral
Abrir o trabalhoOficina de Literaturas Africanas de língua portuguesa: Guineense e Moçambicana, na escola Padre Saraiva Leão, Redenção CE
MAMADÚ SALIU DJALÓ; Ninto João Bico Vaz
Oficina de Literaturas Africanas de língua portuguesa: Guineense e Moçambicana, na escola Padre Saraiva Leão, Redenção CE GT(nº3): experiência de formação de professores na área de humanas Mamadú Saliu Djaló Ninto João Bico Vaz Antônia Suele de Sousa Alves Pereira (orientadora) Resumo: No dia 06 de Junho de 2019 foi realizada a oficina das literaturas africanas da língua portuguesa realizada na escola padre Saraiva Leão, localizada na Redenção CE. Baseando “na lei 10.639/03 que estabelece a inclusão de estudo da historia da África e dos africanos nos estabelecimentos de Ensino Fundamental ou Médio seja privado ou público bem como ensino da cultura afro-brasileira”, (Santumauro, UFMG). O objetivo deste resumo é descrever uma Oficina de literaturas africanas de língua portuguesa: guineense e moçambicana. Esta ação faz parte do subprojeto “Ensino de Língua portuguesa com base em gêneros textuais”, vinculado ao PIBID do Curso de Licenciatura em Letras da Unilab que tem como objetivo maior: “promover ensino, pesquisa e extensão de alto nível com uma perspectiva intercultural, interdisciplinar e crítica no que se refere à Língua Portuguesa e às Literaturas em Língua Portuguesa [...]” (UNILAB, 2013). Esta oficina foi realizada por dois bolsistas de Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da UNILAB e tem por objetivo apresentar aos alunos da escola as literaturas africanas de língua portuguesa especialmente da Guiné-Bissau e de Moçambique que fazem parte de CPLP. Haja vista que estão inseridos no contexto da UNILAB. Para tanto, durante a oficina foi apresentado aos alunos as duas literaturas, nomeadamente, a guineense e moçambicana. No que se refere a literatura guineense, trabalhamos com a obra de Tony Costa – “Ntin” que foi publicada depois da independência e que mostra como está a sociedade guineense, por sua vez, na literatura moçambicana selecionamos a obra de Luís Bernardo Honwana – “Nós Matamos o Cão Tinhoso”, em que foi escrito e publicado no período da colonização, no qual o movimento Frente da libertação de Moçambique (FRELIMO) reivindicava a libertação do país. As turmas que beneficiaram dessa oficina foram o terceira A e terceiro B e que acontecia todos as segundas no período de manhã. Percebemos que os alunos entenderam e se tornaram mais participativos, e passaram a ter interesse pela cultura africana em que debateram as temáticas trazidas nessas literaturas. Por fim vimos que atingimos os objetivos pretendidas.
Oral
Abrir o trabalhoOral
DAS NARRATIVAS AOS AFETOS: literatura afro-brasileira e empoderamento racial na experiência do projeto Griô – 2017 - 2018
GECYANY SEVERO DA SILVA; Maria Elaine de Carvalho Cruz
O presente trabalho estuda a importância da literatura e cultura afro-brasileira na construção da identidade étnico racial de crianças e adolescentes negros, a partir da vivência de dois anos do projeto de extensão Griô: a literatura e cultura africana e afrobrasileira no universo infanto-juvenil das periferias do cariri. O objetivo central do estudo foi compreender em que medida o conhecimento e o acesso a literatura e cultura afrobrasileira contribui no processo de identificação e reconhecimento racial das crianças e dos jovens que tiveram acesso ao projeto. Com uma discussão acerca do desenvolver do projeto e os caminhos da construção identitária, partiu das seguintes indagações: como o projeto Griô chega no contexto das áreas periféricas do cariri cearense? A partir da vivência do projeto Griô qual o papel da literatura afro-brasileira infanto-juvenil para a identificação racial das crianças e jovens negros? Para abordar as referidas questões o estudo tomou como referência autores que levantam questionamentos sobre racismo, identidade, literatura, contexto periférico, representações e culturas negras, especificamente Moore (2015), Hall (2014), Silva (2015), Evaristo (2014), Carolina de Jesus (2014), Mattos (2015), Hooks (1981). A pesquisa foi realizada mediante observação e participação através de oficinas da boneca Abayomi, contações de história e rodas de conversa. Desta forma, a metodologia empregada tem caráter qualitativo. O referido estudo apresenta dados, ainda que preliminares do ponto de vista do seu aprofundamento, que o trabalho com a literatura afro-brasileira corrobora com os processos identitários de crianças e jovens negros periféricos, no sentido de seu empoderamento racial, de si e na sociedade.
Oral
Abrir o trabalhoEstudo comparativo dos contos Obsessão e Pai contra mãe em correlato aos Cadernos Negros
MAKLINA DOS SANTOS ALMEIDA
O presente trabalho propõe discutir o significado do resgate da conscientização e preservação identitária coletiva do negro no Brasil, por meio da memória da sua ancestralidade africana e do confronto aos estereótipos criados pelas narrativas da cultura dominante. Ao valorizar a história e cultura africana como resistência ao apagamento dessas heranças, a literatura afro-brasileira se empenha em expressar a identidade e visão de mundo do negro na sua condição de diáspora, ao mesmo tempo em que traz para si a existência de uma voz autoral antes silenciada e limitadas às normas estéticas literárias oficiais. Pertencente à construção literária organizada e de projeto identitário que tem como propósito destacar o negro como sujeito em uma atitude compromissada, a série Cadernos Negros, criada em 1978, é a principal comunicadora no Brasil da produção literária da cultura de matriz africana e afro-diáspórica. A produção literária afro-brasileira surgiu a partir de um contexto social e política de lutas por igualdade racial e cultural no Brasil, tendo como influência os movimentos anteriores da Frente Negra Brasileira, nos anos 1930 e do Teatro Experimental do Negro (TEM) em 1944 e do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial – MNUCDR nos anos 70. Deste modo, a literatura manifesta-se como determinante na conscientização negra. O projeto alterna poemas nos anos pares e contos nos anos ímpares de escritores e poetas negros. Para este trabalho, destacamos o conto “Obsessão”, de Sônia Fátima, Cadernos negros, edição16 para um estudo comparativo com o conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis. Considerou-se como eixo da análise a metáfora da camisa xadrez em “Obsessão” e do aborto sofrido pela mulher negra escravizada no desfecho de “Pai contra mãe”. Ambas as narrativas são afrodescendentes na temática e denunciam a violência cultural e a ideologia do branqueamento, que têm raízes na história do Brasil escravocrata e que contribuem para a invisibilidade do negro ainda neste século XXI. Deste modo, ao fortalecer a luta identitária negra e sua apropriação dos espaços artísticos culturais como expressão da sua existência, os contos admoestam contra essa espécie de aborto cotidiano da afro descendência na sociedade brasileira,
Palavras-chave: Cadernos negros,Identidade afrodescendente,Pai contra mãe,Obsessão
Oral
Abrir o trabalhoPROCESSO DE RESISTÊNCIAS CULTURAIS NA GUINÉ DITA PORTUGUESA
TEDSE SILVA SOARES DA GAMA
O país que hoje se designa Guiné-Bissau, era o território da antiga colônia portuguesa que foi dominado e governado pelo regime colonial português há vários séculos e que conquistou a sua independência em 24 de setembro de 1973 através da luta de libertação nacional. Assim sendo, o presente trabalho propõe analisar o processo de resistências culturais na Guiné dita portuguesa. Essa resistência apresenta três fases: a primeira ocorreu na dita campanha de “pacificação” onde resistiram a usurpação estrangeira, a segunda fase é denominada “a idade do ouro do colonialismo triunfante”, neste período a resistência ao domínio do estrangeiro aconteceu de uma forma passiva, assente nas diretrizes de um nacionalismo de integração que visava a inserção no governo colonial, a última fase é marcada pelo nacionalismo revolucionário, ou seja, a luta de libertação nacional em que as massas instituíram a força como símbolo de resistência política e armada para a liquidação da ocupação estrangeira, o que foi possível através de uma luta em comum mantendo inviolado os seus sentimentos e dignidade. Para Nkrumah (1997, p.69) a importância dessa luta revela o espirito de solidariedade entre os africanos para enfrentar os colonialistas em todas as partes do continente, por que “[...] já nada pode deter o crescimento do nacionalismo. Enquanto um único metro quadrado do solo africano continuar sob domínio estrangeiro a batalha continuará. Assim, Candé Monteiro (2013, p.91), afirma que este território possui mais de trinta grupos étnicos situados nestas regiões do país, entre os quais destaca Balantas (27%), Fulas (22%), Mandingas (12%), Manjacos (11%), Papeis (10%) e outros (18%). A partir deste elemento, o trabalho procura entender o processo de valorização da identidade através da resistência dos diferentes grupos étnicos face ao processo de imposição dos valores e elementos culturais europeus, ainda que esses grupos nas suas configurações regionais possuem suas línguas e manifestações culturais. Ademais, nos interessa compreender como foi a união desses grupos étnicos tendo em conta a diversidade linguística.
Palavras-chave: Cultura,Resistência,Identidade
Oral
Abrir o trabalhoRODA DE LEITURA DE CORDÉIS E CANTIGAS DE CAPOEIRA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO E MEMÓRIAS
JOEL ALVES BEZERRA; JOSÉ OLÍMPIO FERREIRA NETO
A Roda de Capoeira, o Ofício dos Mestres e a Literatura de Cordel são bens culturais que foram registrados como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Algumas cantigas de capoeira foram inspiradas em histórias que são contadas em cordéis, assim como a capoeira também oferece inspiração para alguns cordelistas. Pensando nessa interseção de saberes, desenvolve-se um projeto com o objetivo de aproximar os alunos do patrimônio cultural que carrega consigo as identidades e memórias dos diferentes povos formadores da cultura brasileira, entre eles o de matriz africana. Esse estudo foi desenvolvido no projeto A Capoeira na Escola que ocorre numa escola o município de Fortaleza. Jogo de corpo em forma de luta, forjado a partir de elementos de resistência urbana desde o final do século XVIII, a capoeira se apresenta como uma de nossas maiores expressões culturais, sendo no ano de 2008, a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira, reconhecidos como Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil, e no ano de 2014, a Roda de Capoeira, inscrita na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco. Entre as atividades propostas, realizou-se uma roda de leitura de cordéis e de cantigas que tratam da capoeira, mestres e personagens da cultura popular que são citados nessas formas de expressão, buscando verificar essa atividade como ação formadora dos alunos e como espaço de memórias. O projeto possibilita que os alunos entrem em contato com a cultura popular, outra forma de ver o mundo e fazer conexões com as disciplinas ministradas na escola. Essa reflexão inicial indica que a roda de leitura de cordéis e de cantigas de capoeira mostrou-se como uma ação formadora e espaço de memórias e que coaduna com a implementação da Lei nº. 10.639/03 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. Tal processo propicia a visibilidade da contribuição do povo negro e afrodescendente no processo de formação social, cultural, econômica e política do povo brasileiro.
Palavras-chave: Capoeira,Cordel,História,Cultura,Memória
Oral
Abrir o trabalhoA COOPERAÇÃO SUL-SUL PARA O DESENVOLVIMENTO: O CASO DA GUINÉ-BISSAU COM A CHINA
JEILSON DJASSI
O presente artigo tem como objetivo, analisar a Cooperação Sul-Sul, de uma maneira específica, o caso da Guiné-Bissau com a China, tomando em consideração as construções de algumas infraestruturas na Guiné-Bissau pelo governo Popular chinês. Todavia, a ideia é a de compreender o motivo dessa relação; tentar entender os impactos, ou seja, os benefícios dessa relação “sino-guineense”. Ademais, pretendemos compreender o que está por detrás dessa relação de muitos anos entre esses dois países. Os acordos assinados entre a República Popular de China com a Guiné-Bissau tem sido algo das nossas inquietações, pois, sabemos que hoje em dia o poder econômico tem sido algo de manipulação nos acordos internacionais e, sendo a China um país, ou seja, uma potência mundial que detêm um poderio econômico bem estável, isso, de certa forma, nos faz pensar se realmente essa relação “sino-guineense” tem observado os objetivos norteadores da Cooperação Sul-Sul. Ora, talvez não seja a nossa pretensão fazer uma leitura crítica sobre essa cooperação, mas vimos, de alguma maneira a necessidade de levantar, ou seja, de fazer uma análise sobre essa relação de modo a poder compreendê-la. Ademais, compreendemos que quando se faz uma análise sobre os acordos internacionais nos dias hodiernos (em que o capitalismo fala mais alto) não podemos deixar de falar da questão do poderio econômico, ou seja, os países que detém o poderio econômico muito estável tendem a monopolizar os acordos que assinam com os países menos fracos em termos econômicos. De salientar que decidimos trabalhar a pesquisa bibliográfica e documental, na qual fizemos leituras, análises e fichamento dos textos e documentos lidos e por último coletamos e interpretamos todas as informações fichadas. Vale enaltecer que o presente artigo será dividido em dois tópicos: no primeiro tópico iremos falar da construção das infraestruturas na Guiné-Bissau pelos governos chinês e no segundo, neste, caso, o último tópico, vamos falar da política externa guineense no contexto Sul-Sul.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO POPULAR COM AS CLASSES POPULARES: RELAÇÕES E RESISTÊNCIAS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
CRISTINA DA SILVA GOMES; SAMARA CAMINHA DE ALMEIDA
Este trabalho surge com o intuito de refletir diferentes concepções de educação popular, bem como, a atuação de educadores/as e suas intencionalidades com a prática educativa democrática e libertadora. Indagando a possibilidade de como lutar numa condição governamental autoritária por uma educação popular democrática com as classes populares, tem-se como objetivo desenvolver acerca da educação popular para, pela e com as classes populares mediante os contextos de democratização e ideologia dominante, com isso, dialogando com os teóricos Wanderley (1980), Gadotti (1994), Freire (1992) e Torres (1994) busca-se, primeiramente, explanar acerca do surgimento da educação popular no Brasil, trazendo os conceitos e as diferenças entre educação popular para, pela e com as classes populares, em conformidade com a definição de democracia, evidencia-se as falhas da educação popular para os sujeitos e o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Além disso, objetiva-se discorrer sobre o papel do Estado e, principalmente, dos movimentos populares através da educação e direitos sociais, na concretização de uma prática educacional capaz de transformar um modelo hegemonizado, no qual a sociedade encontra-se atualmente estruturada, conduzindo esse processo à uma prática democratizante. Desse modo, a luta de classes surge como projeto que abre possibilidades para a educação libertadora e transformadora, não somente a educação escolar, mas uma educação com as massas, com as classes populares, oportunizando vez e voz, estimulando a autonomia e a consciência crítica dos sujeitos, assim, a educação de fato estará concretizando seu papel político, social e emancipatório, pois, a esperança torna-se necessária para romper certas dicotomias que surgem, assim como, assinala Freire (1992), em situações limites, portanto, é preciso adotar uma postura crítica que busque soluções para enfrentar os altos-limites que são postos, destarte, ampliam-se possibilidades para alcançar a libertação e a democracia.
Palavras-chave: Educação, Democracia, Classes Populares, Luta de Classes
Oral
Abrir o trabalhoFeminismo Negro e Trajetória de Mulheres Negras No Cariri Cearense
MARIA ELAINE DE CARVALHO CRUZ; Maria Raiane Felix Bezerra; Gecyany Severo da Silva
O artigo faz parte de uma pesquisa em desenvolvimento, que busca analisar as falas e trajetória politicas de mulheres negras pertencentes ao Coletivo Pretas Kariri, sobre percepções dos efeitos do racismo em suas vidas, e como elas traçam estratégias de enfrentamento enquanto mulheres negras organizadas, versando também sobre suas perspectivas em relação ao feminismo negro. O coletivo entre diversos pontos trabalha com a identidade e estética das mulheres negras da região do Cariri Cearense, tendo como base o processo histórico de apagamento racial no Ceará. A pesquisa desenvolve-se por meio de entrevistas semiestruturada com foco no geracional das entrevistadas. Usando os trabalhos de pensadoras que levantam questionamentos tais como pensamento feminista, feminismo negro e interseccionalidade, especificamente Bell Hooks (2013), Sueli Carneiro (2003), Kimberlé Crenshaw (2002) como referencial teórico.
Palavras-chave: mulheres negras, feminismo negro,interseccionalidade
Oral
Abrir o trabalhoFESTA CRIOULA, PENSANDO RESISTÊNCIAS DE CORPOS ASSUJEITADOS NO BAR THE LIGHTS
KARLENE DA SILVA ANDRADE
Neste trabalho reflito sobre formas de resistências de pessoas negras e LGBTQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros, transexuais, queers, etc) a partir do bar The Ligths em Fortaleza-CEARÁ, localizado no bairro do Benfica, considerado parte central na cidade. Através de um olhar de perto e de dentro (MAGNANI, 2012) procuro transcrever as formas de sociabilidades desses sujeitos na corporeidade da/na cidade, o objetivo é observar como esses corpos estigmatizados habitam o espaço urbano e existem de variadas formas, por meio da música, dança e arte em geral no lazer noturno. Compreendendo que este espaço é preenchido pelas pessoas que compõem e transformam a paisagem urbana, construindo redes de relacionamentos com atravessamentos afetivos, políticos, subjetivos e sociais (PERLONGHER, 2008); (FRANÇA, 2002), e que esse lugar de lazer ou do lúdico pode ser visto a partir de uma perspectiva política, e a partir da perspectiva antropológica, tomo como recorte empírico e análise etnográfica (PEIRANO, 2014) entre a festas noturnas que acontecem no bar citado, a “Festa Crioula”, esta tem com proposta trazer músicas consideradas socioculturalmente como de gente “preta e periférica”, tal qual o funk, e acaba por trazer, através da sonoridade, danças e performances múltiplas. Por meio da observação participante, e de um olhar que busca descolonizar, apreendo que a festa agencia corporeidades específicas, acionando identidades políticas sexuais, de gênero, classe e raça (LOURO, 1997), reconfigurando o cenário que esses sujeitos decidiram habitar. Essa festa traz também possibilidade para pensar embates e conflitos sociais, visto a diversidade do espaço urbano e suas desigualdades estruturais. Nesse sentido, ela se configura como um espaço de tensionamento das lógicas colonizadoras que demarcam o que é de origem negra no Brasil, como uma não cultura ou sub-cultura, uma forma de violência e apagamento da história e vida de povos negros (GONZALEZ, 1988); (GROSFOGUEL, 2013).
Palavras-chave: LBGTQ, Raça, Festa Crioula
Oral
Abrir o trabalhoMULHERES NEGRAS E ATIVISMO: FEMINISMO E PARTIDOS POLÍTICOS DE ESQUERDA.
MARIA RAIANE FELIX BEZERRA; Maria Elaine de Carvalho Cruz
A trajetória do movimento de mulheres trouxe importantes contribuições a serem pautadas no processo democrático e em criações de políticas públicas pela promoção da igualdade de gênero. O sufrágio e a conquista pelo meio público em relação a órgãos institucionais que defendesse as mulheres tanto do abuso sexual quanto da violência doméstica. O feminismo dessa forma foi uma ferramenta fundamental que contribuiu para a organização das mulheres por meio de pautas que eram, sobretudo, ligadas a disparidade e desigualdade de gênero. Por todos esses avanços que tratamos como fruto da luta feminista, é preciso também falar sobre seus posicionamentos correlacionados ao eurocentrismo como prática de pensamento universal. Além dos avanços e das conquistas, o feminismo brasileiro de caráter eurocêntrico acaba por silenciar os corpos subalternizados e não propõe outras epistemologias para pensar do que diz respeito às especificidades das mulheres negras. A trajetória das mulheres negras no feminismo ou no âmbito partidário se tratando dos processos de deliberações tem suas dificuldades, não apenas em espaços de decisões, mas também no enfrentamento ao “Racismo por omissão. Este artigo é parte de uma pesquisa em andamento que se propõe a discutir, a partir, da relação de atuação e inserção de mulheres negras, que compõem alguma vertente do movimento negro e que mantém um vinculo costurado com os partidos de esquerda, através dessa perspectiva de costura, proponho uma discussão a respeito de como essas mulheres pautam questões de ações afirmativas e como isso se dá no meio partidário, tendo em vista que a questão racial não está na centralidade do debate. Para fomentar essa pesquisa será preciso recolher vivências dessas mulheres através de entrevistas semiestruturadas que serão feitas com as interlocutoras do projeto que atendam a esse quesito em relação à militância dupla e também que residam na cidade de Crato-Ce. Proponho-me a desenvolver um texto inicialmente tratando-se das trajetórias do feminismo clássico, perpassando o feminismo negro e assim chego na inserção aos partidos políticos de esquerda, com base nas fundamentações teóricas lidas até aqui, muito bem explanadas por Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro.
Palavras-chave: mulheres negras, trajetórias, inclusões, exclusões
Oral
Abrir o trabalhoO DIREITO ACHADO NA RUA ATRAVÉS DO DIÁLOGO ENTRE A ASSESSORIA JURÍDICA UNIVERSITÁRIA POPULAR E OS MOVIMENTOS SOCIAIS DO ESTADO DO CEARÁ
AMANDA OLIVEIRA DE SOUSA; Arthur de Oliveira Sales; Livia Maria Nascimento Silva
A Assessoria Jurídica Universitária Popular (AJUP) se constitui como uma organização alternativa inserida nos cursos de graduação em Direito, que possibilita a promoção de espaços interdisciplinares de reflexão crítica em torno da prática jurídica através da extensão universitária. Nesse contexto, o presente trabalho pretende apresentar o elo estabelecido entre as AJUPs e os movimentos sociais, abordando suas dimensões histórica, social, política e ideológica para melhor compreensão da importância de suas atuações na atual conjuntura brasileira. O estudo é resultado de uma pesquisa de campo, do tipo quantitativa-qualitativa, realizada no período de abril a junho de 2019, que buscou analisar como ocorre a atuação desses grupos no Estado do Ceará. Para tanto, utilizou-se da pesquisa bibliográfica, documental e de campo, com emprego de questionários semiestruturados. Ao todo foram encontrados 07 grupos, e, através das análises e discussões de suas respostas, foi averiguado que apesar de exercerem atividades distintas, conforme as necessidades e viabilidade da realidade onde funcionam, possuem objetivos em comum, como a defesa dos direitos humanos, a busca por justiça social e o norte metodológico baseado na educação popular. Além disso, verificou-se que as práticas pedagógicas da AJUP, junto ao desempenho da militância dos movimentos sociais na contemporaneidade, despertam os estudantes para uma consciência crítica acerca do Direito e o empoderamento das camadas populares. Dessa forma, percebe-se que as AJUPs são uma possibilidade de ressignificação da educação jurídica, pois estabelecem uma disputa paradigmática frente ao tradicional positivismo predominante nos cursos de Direito, além de projetarem uma prática mais humanizada e engajada em causas sociais.
Palavras-chave: Assessoria Jurídica Universitária Popular,Movimentos sociais, Estado do Ceará
Oral
Abrir o trabalhoO papel das ONGs na defesa dis direitos humanos em Angola 2002 a 2010 (Comunga)
WANDER FAUSTINO DE SOUSA OLIVEIRA
Em África, a partir dos anos de 1990 ficou registrado por transformações sócio-políticas importantes que resultaram com a abertura ao multipartidarismo. Em Nação angolana particularmente, a trajeto de um sistema monopartidário, ou seja, sistema de partido único para um sistema multipartidário consiste na base da assinatura dos Acordos de Bicesse ocorrido em 1991, incrementando desta forma, a força política e social, que possibilitou o surgimento das Organizações não-Governamentais (ONGs) (ASSIS, 2016). Sendo isto, perante as exigências internacionais segundo Neto (2012), a nação angolana vive relativamente a paz desde o fim da guerra civil em 2002. Sendo o momento para a reconstrução de modo que a emergência da ajuda humanitária outorga espaço ao trabalho de reconstrução, desenvolvimento, edificar as infraestruturas e instituições destinados a fomentar respeito aos direitos humanos visando proporcionar uma vida digna a todos angolanos. Muitas organizações Internacionais dispõem esforços para proteção dos direitos humanos e lutar contra a transgressão desses direitos. A condenação dessa prática, isto é, a luta contra a violação dos direitos humanos tem crescido exponencialmente no âmbito internacional e em essencial a nação angolana, ainda o apoio público é relevante para o sucesso da política de proteção dos direitos humanos. Com isso, as Organizações Não-governamentais (ONGs) têm desempenhado papel fundamental tanto na defesa dos direitos dos Homens, assim como no alerta a comunidades internacionais sobre delito desses direitos. Como aponta Scheid; Mafalda & Pinheiro (2010), o conceito das organizações não-governamentais teve a sua origem em 1940, com a organizações das nações unidas (ONU) percebida como as entidades que operam com os projetos de interesses públicos ou humanitários. Ou seja, as ONGs são alistas como terceiro setor, consideradas entidades privadas que operam com fins de interesses públicos, elas realizam ações para um bem coletivo. Entretanto, conforme Landim (2002), é que a expressão “organização não-governamental” ou ONG não consta no dicionário Aurélio, pois uma forma de pensar o termo ONGs é considera-la segundo a categoria construída socialmente. Ainda vale ressaltar que esse termo se originou de trânsito internacionais. Sendo a expressão que resulta a marca da polissemia, agitar-se em um ambiente que se proporciona a múltiplas assimilações ideológicas, autorizando atitudes diversas por atores diferentes. Portanto, se pode consti
Oral
Abrir o trabalhoPROBLEMAS DE PATRIMÔNIO: feminismos e imaginários espaciais na Festa de carregamento do Pau da Bandeira de Santo Antônio em Barbalha (CE)
ROBERTO MARQUES
Discutiremos nessa apresentação disjunções e conjunções entre as ações dos feminismos no Cariri e o imaginário espacial que regula a patrimonialização da Festa do Pau de Bandeira de Santo Antônio, na cidade de Barbalha (CE). No ano de 2019, aconteceu a sexta Marcha das Mulheres em Barbalha, ocorrida durante o cortejo de grupos populares que antecede a festa. Ao longo do percurso, participantes da marcha foram continuamente interpeladas por representantes da organização do cortejo, a fim de localizar o movimento de mulheres, os debates sobre gênero e a cultura popular naquela manifestação. Pensaremos, portanto, a participação de múltiplas vozes que compuseram esse drama social como disputa entre diferentes projetos para a região do Cariri, para os debates sobre gênero e para a vida das mulheres. Chama a atenção também como a patrimonialização da cultura popular caldeia diferentes projetos, nem sempre atentos às demandas de grupos vulnerabilizados. Poderíamos dizer que a patrimonialização da festa e de seus personagens acessa uma romantização do mundo rural incompatível com a denúncia da morte de mulheres em Barbalha, embora ambos os percursos de patrimonialização da Cultura Popular local e da violência contra a mulher acessem a ideia de um Brasil rural, atávico e distante da urbanidade como origem de suas ações. As fricções ocorridas na Festa de Santo Antônio no ano de 2019 nos relembram, portanto, imagens que circulam em momentos em que grupos à margem do imaginário nacional brasileiro empunham símbolos diacríticos das ideias de participação, memória nacional e cidadania. A circulação dessas imagens é inspirada na tensão entre um ethos corporal facilmente reconhecível como estando à beira das ideias modernas de cidadania, participação ou modo de produção de bens considerados modernos e objetos que se impõem como clichês de uma utopia generalizante de abrigo à diversidade de demandas compostas pela e para a nação. Palavras-chave: Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri, Patrimônio, Cultura Popular,Cariri
Oral
Abrir o trabalhoA DIMENSÃO POLÍTICA DA MÚSICA ENQUANTO MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA: O QUE EMICIDA NOS FALA EM “AMARELA”?
ITALO PEREIRA COELHO; Ernani de Morais Lima Junior
A música pode ser compreendida como uma forma de expressão artística presente dentro das diversas sociedades, sendo uma importante ferramenta de transmissão dos valores e crenças presentes nas culturas e nos variados diversos períodos históricos, assim como uma forma para manifestação de uma identidade cultural e reafirmação do pertencimento de seu povo. Emicida, em suas composições, acaba sendo visto como um intérprete brasileiro das diversas situações de desigualdade social existente no país, trazendo à tona vozes dessas pessoas excluídas, fazendo com que ele se tornasse uma figura de grande representatividade no meio artístico por meio do Rap. Com isso, o trabalho tem como objetivo realizar uma análise da música “Amarelo” (2019) e sua relação com o racismo estrutural. Para realização da pesquisa, foi realizada análises de práticas discursivas a partir da composição do cantor devido ser uma das mais atuais, além da realização de uma revisão bibliográfica nas bases de dados electródicos Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico, por meio dos descritores "música", "negros" e "exclusão”, no período de 2009 a 2019, além de cartinhas produzidas pelo Ministério da Saúde acerca da temática estudada. Observou-se que a música acaba denunciando uma realidade que se faz presente para a população negra no Brasil. No trecho: "Cê vai sair dessa prisão, Cê vai atrás desse diploma", "Só eu e Deus sabe o que é não ter nada, ser expulso" acaba refletindo a realidade da população carcereira predominantemente negra, da dificuldade do acesso da população negra à educação básica e, consequentemente, ao ensino superior, bem como das variadas formas de exclusão provenientes do racismo presente no país. Ademais, as produções musicais poderiam assim serem denominadas enquanto um movimento politizado de “arte militante” por ter um conjunto de críticas bem estabelecidas de ordem social além de uma visão ideológica delimitada à população negra.
Palavras-chave: Emicida,Música,Manifestação,População Negra
Oral
Abrir o trabalhoA MÁSCARA E A COR: É POSSÍVEL LIBERTAR A HISTÓRIA DAS IMAGENS POR MEIO DE IMAGENS?
ELANE ABREU DE OLIVEIRA
A história das imagens é permeada por visibilidades e invisibilidades derivadas da supremacia de raça e arraigadas por teorias que inferiorizam corpos negros. Em vista disso, herdamos narrativas visuais muitas vezes equivocadas quando se pretende representar pessoas negras, especialmente em fotografias e retratos, pois estes reforçaram paradigmas ideológicos da diferença racial (WILLIS, 2016; ROTH, 2009). Faz-se urgente, a partir dessa consciência histórica, o estudo e a crítica contínua das imagens que herdamos – da escravidão aos dias atuais. A pergunta inicial deste trabalho surge do pensamento provocado por duas imagens recentemente trabalhadas em dois projetos distintos: a de Anastácia Livre, obra do artista visual Yhuri Cruz; e a de Machado de Assis Real, realização da Faculdade Zumbi dos Palmares. A primeira imagem representa Anastácia sem máscara, convocando-nos a ver seu rosto liberto, desacoplado da iconografia colonial. A segunda imagem retrata Machado de Assis negro, distinguindo-se da fotografia historicamente reproduzida do escritor cuja pele foi instituída como branca. Nestas imagens/projetos, são notórios os desejos de “corrigir”, “reparar”, “libertar” esses personagens de uma injustiça histórica, construída no passado. De um lado, temos em jogo uma mulher escravizada, a Anastácia de biografia incerta - talvez filha oriunda de uma família real angolana, talvez uma princesa nagô -, que veio parar no Brasil. De outro, temos um homem literato de grande prestígio nacional, sendo um dos escritores mais consagrados do Brasil. A máscara de Anastácia cai e a cor de Machado se converte nas propostas visuais que aqui mencionamos. Ambos são elementos simbólicos importantes para que se “revise” a história que imputaram a esses personagens. Surge a provocação: é possível libertar a história das imagens por meio de imagens? A possibilidade técnica de reprodução de ambos os retratos é direcionada para a recriação, o reconhecimento ou recondução da memória desses personagens, abrindo perspectivas distintas do olhar colonizado. Com base em escritos como os de bell hooks (2019), Grada Kilomba (2019), Lilia Schwarcz (2017), Marcus Wood (2013), dentre outros, busca-se neste texto problematizar as imagens (retrato/ilustração e fotografia) como “contranarrativas visuais” e gestos decoloniais, observando nelas alternativas para livrar/reparar nossas representações antepassadas do determinismo racial e imagético.
Palavras-chave: Imagem,História,Retrato,Liberdade,Reparação
Oral
Abrir o trabalhoA PRODUÇÃO ARTÍSTICA DAS PESSOAS NEGRAS NO CENTRO DE CULTURA POPULAR MESTRE NOZA EM JUAZEIRO DO NORTE – CE
OTILIA APARECIDA SILVA SOUZA
A PRODUÇÃO ARTÍSTICA DAS PESSOAS NEGRAS NO CENTRO DE CULTURA POPULAR MESTRE NOZA EM JUAZEIRO DO NORTE – CE. Otilia Aparecida Silva Souza¹ Universidade Regional do Cariri E-mail: otiliaa15@yahoo.com.br Este trabalho se propõe a refletir sobre a participação de pessoas negras na produção artística do Centro de Cultura Popular Mestre Noza, em Juazeiro do Norte-CE. A ideia de realizá-lo surgiu quando desenvolvi uma pesquisa sobre a arte popular do Cariri para a minha tese de doutorado. Na ocasião, visitei o Centro de Cultura Popular Mestre Noza bem como outros espaços que expõem ou vendem arte popular nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte e observei que a quantidade de pessoas negras que trabalha com arte na região é bem expressiva. A partir dessa constatação, me deparei com os seguintes questionamentos: quem são os negros que fazem a arte popular do Cariri? O que andam produzindo; como se expressam e de que forma a sua cor (ou origem étnica) interfere na sua visão de mundo, no seu fazer artístico? No entanto, não pretendo realizar um mapeamento desses artistas no Centro de Cultura, nem tão pouco fazer uma análise das suas obras. A ideia central do trabalho é cartografar a presença de pessoas negras na produção artística do Cariri para compreender se elas se reconhecem como herdeiras de uma cultura afrodescendente e se representam intencionalmente isso nas suas obras. O trabalho pretende também, proporcionar mais visibilidade a essas pessoas que costumeiramente são negligenciadas e/ou silenciadas. Para desenvolvê-lo, além da revisão da literatura especializada em arte popular, cultura popular e arte afrodescendente, utilizo a pesquisa de campo como recurso metodológico, realizando visitas periódicas ao Centro, seguidas de entrevistas semiestruturadas com seus artistas. Palavras-chave: Arte popular. Artistas negros. Centro de Cultura Popular Mestre Noza. Juazeiro do Norte-CE. Simpósio Temático: Narrativas Negras: Imagens e Som 1.Professora de Antropologia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri. Doutora em Artes pela Universidade de Minas Gerais. E-mail: otiliaa15@yahoo.com.br. Crato-CE. Brasil.
Oral
Abrir o trabalhoÀS 21H A BAHIA É BRANCA: UM ESTUDO DE CASO DA TELENOVELA “SEGUNDO SOL”
PAULO JUNIOR ALVES PEREIRA; Ricardo Rigaud salmito; Geovane Gesteira Sales Torres
As telenovelas são notadamente um fator importante da sociedade e, por consequência, da cultura nacional, elas auxiliam na construção e na desconstrução de paradigmas e preconceitos, pois constituem-se como o principal produto da televisão brasileira. As telenovelas, em linhas gerais, adotam enredos centrados no núcleo Rio de Janeiro e São Paulo, algo que desmerece o âmbito plural da realidade brasileira. Logo, tramas que se estabelecem em outros pontos do país, em tese, são um fator a ser comemorado. Todavia, a novela “Segundo Sol”, levada ao ar no horário das 21h, pela Rede Globo, ampliou o debate sobre a branquitude das produções dramatúrgicas, pois, a referida novela engendrava-se na Bahia, local que conta com uma população afrodescendente da ordem de 80% de seus habitantes. Entretanto, ao iniciar sua exibição, a telenovela mostra uma Bahia extremamente branca, de poucas nuances e mínima representatividade. O presente trabalho almeja perceber, diante de um estudo focado na telenovela “Segundo Sol”, aspectos ligados a formação imagética da pessoa negra inserida nestas obras, notando qual papel é designado a estes, quando entram em cena, observando, ainda, se as características dos personagens reforçam, ou rompem, com fatores estigmatizantes. Buscando identificar os nortes fundamentais apontados pelo trabalho, é importante ressaltar que as telenovelas persistem ocupando espaços de ampla relevância, atingindo números expressivos de audiência, além de persistir ocupando o lugar de produto mais caro para anunciar, dentro da TV brasileira. Ressalta-se, ainda, que todas essas questões ganham força singular quando observadas sob a ótica das novelas da Rede Globo, principal de rede de TV do país e uma das maiores produtoras do mundo. as novelas das 21h, horário que "Segundo Sol" foi veiculada segue como um espaço tradicional, atingindo milhares de pessoas em todo país. Logo, auxiliando o cidadão no diálogo com uma uma série de questões, neste diálogo, pode haver a desconstrução de paradigmas. Mas, também, pode haver a reafirmação.
Palavras-chave: telenovela,segundo sol,bahia,imagem,negritude
Oral
Abrir o trabalhoCOMO AS ESTUDANTES NEGRAS DA UNILAB-CE SE SENTEM REPRESENTADAS PELA MÍDIA
DANIELE DOS SANTOS SILVA; João Victor Sousa de Oliveira; Ana Cristina Sousa Paulino
RESUMO A construção da imagem feminina estereotipada, gerada no período escravocrata, dentro dos moldes de uma sociedade machista, racista e patriarcal e, alimentada após a abolição, dificultou a integração do negro(a) na sociedade, ocasionando uma significativa desigualdade. O trabalho tem como objetivo analisar como as mulheres negras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB-CE) se sentem representadas pela mídia. O local de pesquisa compreende estudantes de países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e é formado por grande maioria de estudantes negros. Trabalhamos com o método quantitativo e técnica de levantamento com questões de representatividade, desde papeis sociais a influências estéticas, com a participação de 100 alunas autodeclaradas negras, de três nacionalidades diferente, brasileiras, guineesses e angolanas. A mídia é uma das maiores reprodutoras e construtoras de estereótipos, ela vem interferindo nos conceitos sociais, reforçando e impondo uma cultura de corpos perfeitos, determinando padrões para todas as mulheres brasileiras e ocupando uma posição de suposto saber na construção de práticas e hábitos cotidianos, reafirma os estereótipos gerados ainda no período escravocrata e legitima o racismo presente no Brasil. Os resultados mostram o tamanho do poder influente da mídia na estética feminina e o quanto a sociedade impõe o padrão estético ditado por ela como perfil de aceitação. A discussão do tema é de suma importância para que de fato haja uma reflexão e um alerta sobre como cada indivíduo vê a mídia e a consume no dia a dia. Ela esconde a real face da sociedade brasileira, uma sociedade negra e diversificada, o embranquecimento da realidade não condiz com a representação desejada, ocultando a realidade estética do nosso país. Maquiando e alterando a representação desejada. A presença de atores negros não se dá por naturalidade apenas quando há necessidade de representação, o que evidencia a desigualdade racial e mostra o racismo e a negação da população negra e suas representatividades positivas.
Palavras-chave: Raçã, Mulher, Mídia, Representatividade, Gênero
Oral
Abrir o trabalhoDESCOLONIZANDO OLHARES: A FOTOGRAFIA DE MARCELA BONFIM E ZANELI MUHOLI NA (RE)CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DA NEGRITUDE
PÂMELA MARIANA QUEIROZ SANTANA
A presente pesquisa pretende analisar as fotografias produzidas por Zaneli Muholi e Marcela Bonfim, duas fotógrafas negras que voltaram as suas lentes para os corpos Africanos e Afro Diaspóricos, respectivamente. O negro teve o seu lugar delimitado nas imagens ao longo da história, sendo resguardado ao sujeito de cor a marginalidade nas produções fotográficas. As imagens dos sujeitos negros foram feitas e reproduzidas por pessoas brancas. Para Sodré (2000) nos localizamos numa sociedade regida pela estética branca, sendo assim, a identidade do sujeito negro se constrói a partir de uma lógica baseada em valores estéticos ligados à branquitude. Tendo em vista que as imagens influenciam no domínio político e social exercido sobre as pessoas, assim como na construção do imaginário das mesmas, este trabalho considera que a subversão das imagens de Muholli e Bonfim, são fruto do processo de reconstrução das referências dos negros sobre si mesmo a partir das suas próprias mãos. Esta pesquisa qualitativa adota procedimentos metodológicos amparados no pensamento Decolonial (Santos, 2009) e pretende ser instrumento de investigação sensível no entendimento da produção fotográfica dessas duas mulheres negras, que mesmo em continentes diferentes, realizaram trabalhos atravessados pelo desejo de reconstruir o corpo negro a partir da imagem. Na análise das fotografias produzidas por é possível perceber que para desenvolver e construir imagens condizentes com a realidade do povo negro, é preciso o abandono dos valores e da estética da supremacia branca, em detrimento da evidência do entendimento do valor das imagens para a população negra. Enquanto mulheres negras, as duas fotógrafas encontraram um pouco de si nas imagens que elas mesmas produziram, o que segundo Kilomba (2010) pode ser percebido como “A transformação do silêncio em linguagem e ação”. Se pode perceber ainda que as fotografias analisadas esboçam respeitável contribuição no que diz respeito à reconstrução da imagem dos povos de cor, em África e na América. As fotografias se consolidam na contramão do percurso histórico, auxiliando na (re)construção dos olhares de negros sobre si e de brancos sobre os negros. Abrindo espaço para novas análises e produções fotográficas, visuais e imagéticas a cerca do povo negro.
Palavras-chave: Fotografas Negras , Imagem, (Re)Construção, Negritude
Oral
Abrir o trabalhoSONORIDADES E A SOCIEDADE: RACIONAIS MC'S E A SOCIEDADE BRASILEIRA
KELLY ALVES FERREIRA DA SILVA
Este artigo tem enquanto objetivo mostrar que há diversidades na disponibilidade do saber sociológico para além do livro didático dentro de sala de aula. Atualmente, os professores e as professoras da área de ciências humanas encontram desafios em sala de aula devido ao fato da disciplina exercer o hábito da leitura contínua. Observando a dinâmica dos alunos e das alunas em sala de aula, em frente a essa situação, nós professores e professoras em formação devemos nos adequar aos desafios de nossos tempos. Sendo assim, partilho uma das estratégias de interação com os alunos e com as alunas em sala de aula com auxílio midiático e sonoro. Uma aula ao som de músicas que extraía dos livros didáticos os saberes que à nós professores e professoras muitas vezes é desafiante de passar aos nossos e nossas alunos e alunas da maneira tradicional, se torna uma aula interativa e bastante participativa.
Oral
Abrir o trabalho“CORRA!”: ENTRE TERROR E SUSPENSE, UM NOVO OLHAR PARA O RACISMO
PAULO JUNIOR ALVES PEREIRA; João Wilson da Silva Júnior
A pessoa negra carrega consigo, infelizmente, um conjunto de estereótipos e preconceitos demasiadamente marcantes. Situação que, ainda, é notada em dias atuais. A arte, em suas múltiplas manifestações, observa esses estereótipos e, muitas vezes, os contesta em cena. No âmbito do audiovisual, o cinema desempenha papel de protagonista diante desta contestação, devido ao número crescente de longas, de diferentes vertentes, que abordam o racismo e outras formas de discriminação em decorrência da cor da pele. Neste norte, o filme “Corra!”, de 2017, assume destaque entre as produções recentes, situando-se nos gêneros de terror e suspense, propõe um outro olhar defronte aos fatos, os coloca sutilmente diante do espectador, tudo é travestido com tons de naturalidade, fator que inquieta e incomoda. O presente trabalho almeja perceber como o longa-metragem trabalha, e discute, aspectos ligados ao racismo e a discriminação, contrastando-o com outros longas que se debruçam sobre a questão. Neste caso, há atenção especial, por tratar-se de um filme alocado em um gênero que costuma abusar de estigmas, soluções fáceis, além de, na maioria das vezes, debater superficialmente questões de relevância social.
Palavras-chave: cinema,corra!,racismo,discriminação
Oral
Abrir o trabalhoA RAÇA E O GÊNERO ENQUANTO FATORES DETERMINANTES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER NEGRA
LILIANE MATIAS DA SILVA; Felipe Silva Duarte
Esta pesquisa tem como temática a raça e o gênero enquanto fatores determinantes da violência doméstica contra a mulher negra. Assim, o objetivo central deste estudo é analisar esse duplo aspecto de vulnerabilidade enquanto causas substanciais da violência contra a negritude feminina em seu âmbito privado. Para tanto, iniciou-se estudando brevemente acerca da raça, bem como sobre as origens e os impactos do racismo, para em seguida analisar a gênese do fenômeno de dominação/submissão em razão do gênero. Com base nesse estudo, foi estabelecida uma interrelação entre o gênero e a raça enquanto fatores da violência contra a mulher negra no seio familiar, e refletido acerca do papel da Lei Maria da Penha na qualidade de mecanismo legislativo no combate à violência doméstica. O trabalho ora apresentado é resultado de uma pesquisa de metodologia dedutiva, com uma abordagem qualitativa e com caráter descritivo e explicativo, onde se utilizou de procedimento essencialmente bibliográfico. Com isso, concluiu-se que “ser mulher” e “ser negra” é fazer parte de um perfil de pessoas que historicamente sofreram obstáculos para seu desenvolvimento social e que, por essa razão, continuam sendo submetidas à violência doméstica.
Palavras-chave: Raça, Gênero, Mulher, Negritude, Violência doméstica
Oral
Abrir o trabalhoCANDOMBLÉ E UMBANDA: MISTICISMO E PRECONCEITO
CANDICE CAMILLA OLINDA SANTOS
A contemporaneidade regou o mundo com um contexto de diversidade religiosa axiomático, presente de maneira significativa no seio social. Sob este viés, os Direitos Humanos garantem uma série de direitos que incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, justificando o livre arbítrio para escolher. Entretanto, as religiões de matriz africana são alvos recorrentes de um mal que assola a sociedade em tempos hodiernos, o preconceito. O tema em tela tem por propósito central reconhecer que no fenômeno do misticismo, presente no candomblé e na umbanda, existe uma força que molda comportamentos, construindo novas estruturas de pensamentos, possivelmente destruindo pré-conceitos. Atrelado a esse objetivo geral, e para que haja uma condução mais consistente do trabalho, torna-se necessário traçar objetivos específicos tais como pontuar as nuance do preconceito que envolve as duas expressões religiosas citadas, bem como buscar compreender como às informações sobre as religiões africanas chegam para a totalidade, problematizar questionamentos, desmistificando-os e demonstrar o quanto elas estão presentes no contexto das religiões desde a sua formação. A pesquisa, em andamento, foi construída por meio do método dedutivo, onde a coleta de informações vem sendo acrescida pela robustez da pesquisa bibliográfica, citando autores como Vagner Silva, Juracy Marques e Joaquim Novaes, Patrícia Birman, Maria Helena Concone, entre outros, estabelecendo uma linha entre a realidade e o caráter subjetivo do objeto analisado. Assim, este trabalho justifica-se por apresentar uma sociedade pouco aberta, a novas leituras de mundo no tocante a religião, e de base preconceituosa ainda forte, descontextualizado da realidade e destrutiva em muitos casos. Essa macula está enraizado na matriz cristã que, ainda hoje, molda muitos pensamentos, e mesmo a diversidade religiosa estando presente em tempos hodiernos sofre alguns poucos avanços, encontrando-se invisível, requerendo espaço e representatividade. Portanto, o resultado mostra um ostracismo imposto pelo preconceito no que tange o tema, distanciando a consciência histórico-religiosa, fruto da não ruptura com visões arcaicas, ainda presentes. Logo, essa pesquisa torna-se constantemente inacabada, pois o objeto de estudo sempre trará novas e instigantes reflexões, construindo novos conhecimentos e ressignificação outros.
Palavras-chave: Diversidade,Religião, Preconceito
Oral
Abrir o trabalhoCINEMA E ENSINO DE HISTÓRIA: AS PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS NAS DISCUSSÕES DE GÊNERO, SEXUALIDADE E RAÇA
ANTONIO CARLOS DIAS DE OLIVEIRA; Cicero Joaquim dos Santos
Este trabalho apresenta reflexões sobre as possibilidades dos usos de fontes fílmicas no ensino de história da atualidade, tomando como recorte a ser problematizado as relações de gênero, sexualidades e raça. Compreendendo o currículo como um objeto de poder em movimento que define oficialmente os saberes da cultura a serem transmitidos às novas gerações, bem como entendendo as mudanças nas performances de professores e professoras, especialmente no que diz respeito aos diálogos e inserções das mídias no espaço escolar e universitário, esta proposta pretende dialogar com algumas produções cinematográficas e investigar como seus usos podem colaborar com os percursos formativos de professoras, professores e estudantes dentro de sala de aula e no processo formativo de estudantes universitários em outros espaços de interação, seja eles em programas de iniciação a pesquisa, iniciação à docência, projetos de extensão, movimentos estudantis, e formação dos grupos de estudos. Dessa forma, pensar a performance educativa e informativa das produções fílmicas pode ajudar a conduzir a utilização da linguagem cinematográfica na discussão, dentro do ensino de história, das temáticas gênero, sexualidade e relações étnico-raciais, nos espaços de formação, possibilitando a construção de um currículo que considere as temáticas mencionadas como essenciais em todos os espaços que se construa o ensino, tomando-as como importantes. Pretende-se reivindicar o cinema como ferramenta pedagógica que seja utilizada com frequência e capaz de ajudar na formação de professores, dentro dos espaços educacionais, na sala de aula das escolas e universidades, possibilitando, a partir desse contato, uma abertura mais perceptível para o mundo da arte e das subjetividades. Busca-se, assim, compreender, no cotidiano do âmbito escolar, a importância das produções artísticas como: filmes; documentários; teatro; música, entre outros, que possam repensar o ensinar e construir uma metodologia adequada para o ensino em questão. Assim veremos como o ensino de história pode se utilizar de produções fílmicas para encontrar uma nova forma de discutir gênero, sexualidade e relações étnico-raciais dentro da sala de aula.
Palavras-chave: Ensino de História,Percursos formativos,cinema
Oral
Abrir o trabalhoMATERNIDADE E TRAJETÓRIA ACADÊMICA: entre representações e exigibilidade de políticas estudantis
LIVIA MARIA NASCIMENTO SILVA
O acesso à educação superior é uma das principais formas de emancipação humana, já que se constitui como oportunidade de mobilidade social e de superação da condição de pobreza (BASTIANI; ARBAGE, 2018). Contudo, a discussão sobre esse tema como direito no Brasil deve ser compreendida no contexto de desigualdades históricas, sociais e econômicas, onde os grupos mais vulneráveis são impedidos de ingressar, permanecer e concluir. Nesse ínterim, tendo em vista que o índice de gravidez na adolescência no Brasil é alto (DATASUS, 2019), principalmente entre jovens de baixa renda e negras, o ônus da maternidade está intrinsecamente ligado à mitigação de direitos básicos, como educação, saúde, lazer e trabalho, sendo, inclusive, um dos principais motivos entre as meninas e mulheres para o abandono dos estudos em todos os níveis de instrução (SANTOS, 2017; ANDIFES, 2014). O presente trabalho é resultado de uma pesquisa de campo, tipo quanti-quali, que buscou analisar os obstáculos na formação acadêmica das mães da Universidade Regional do Cariri. Para tanto, utilizou-se da pesquisa bibliográfica, documental e de campo com emprego de questionários semiestruturados. Ao todo foram 102 respostas coletadas no período de maio a junho de 2019 e, através das análises e discussões, foi averiguado que as alunas possuem diversas dificuldades para permanência nos cursos de graduação desta instituição. A relevância desse estudo reside em não somente dar visibilidade as dimensões das desigualdades, mas primordialmente para contribuir na criação e implantação de políticas de assistência estudantis que visem combater a exclusão das mulheres das camadas mais populares da sociedade, bem como promover a discussão de gênero no espaço acadêmico. Frisa-se que o entendimento de uma universidade responsável na atualidade é aquela que se compromete com o processo de democratização, equidade e justiça social, mas para que isso aconteça medidas antidiscriminatórias e estratégicas devem ser tomadas.
Palavras-chave: Maternidade,Trajetória acadêmica,Universidade Regional do Cariri
Oral
Abrir o trabalhoMULHERES NO PARLAMENTO BRASILEIRO: INTERAÇÕES ENTRE GÊNERO, RAÇA e CLASSE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
AMANDA OLIVEIRA DE SOUSA; Raysa Raquel Cordeiro Barros; Arthur de Oliveira Sales
Em uma sociedade assentada em bases assimétricas de poder e dominação entre homens e mulheres nas instâncias de representação política, embora se reconheça que a via eletiva não trás, por si só, representatividade, não se pode minimizar o impacto para a qualidade da democracia da participação feminina nas esferas de decisão, espaço ainda predominantemente masculino. Nesse panorama, o presente estudo objetiva analisar, em perspectiva interseccional, a dinâmica de ocupação do poder pelas mulheres na Câmara dos Deputados nas últimas duas eleições gerais, explicitando, especificamente, a construção sociocultural em torno da inferiorização feminina no campo político, a ascensão das mulheres aos cargos de poder no Brasil e as variáveis de raça e classe que permeiam esse retrato. Como suporte metodológico, a pesquisa, de cunho exploratório e qualitativo, faz uso do método de abordagem dedutivo e dos métodos de procedimento histórico e comparativo, bem como das técnicas de pesquisa bibliográfica e documental. Verifica-se que o afastamento das mulheres da vida pública reflete o produto da sedimentação de papéis sexuais pela cultura patriarcal e representa um profundo déficit para a democracia. No Brasil, esse paradigma aponta para a lentidão com a qual se deu a inserção feminina nos cargos políticos e para o fato de que hoje, mesmo com avanços sociais e legislativos, nas últimas 2 eleições (2014 e 2018), a proporção de mulheres deputadas federais eleitas foi de apenas, respectivamente, 51 e 77 mulheres e, dentre elas, apenas 10 e 13 mulheres negras. Na literatura consultada, indica-se que as candidaturas femininas são obstaculizadas por múltiplos fatores como a legislação e o funcionamento dos partidos políticos, mas também interagem com as condições socioeconômicas das mulheres e com barreiras estruturais como o machismo e o racismo. Conclui-se, assim, que mesmo com os ganhos obtidos nos direitos políticos das mulheres brasileiras nas últimas décadas, ainda persistem óbices de diversas ordens que se colocam à frente da concretização do comando constitucional da igualdade de gênero no campo político, situando a população feminina como sub-representada nesse espaço.
Palavras-chave: Gênero, Câmara dos Deputados, Política
Oral
Abrir o trabalhoO MACHISMO E RACISMO ESTRUTURAIS E A NEGAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES NEGRAS NO BRASIL
RAQUEL ANDRADE DOS SANTOS
A formação histórica e socioeconômica do Brasil evidencia os elementos fundamentais para a compreensão da construção dos papéis sociais da mulher negra. O processo de escravização do povo negro e a constituição de uma economia baseada na oligarquia rural foram responsáveis pela centralização de poderes na figura patriarcal-branca. Durante o percurso da história, a definição do lugar social aos quais gerações de mulheres negras foram submetidas foi construída por homens brancos, heterossexuais e de meia-idade, que pertencem a uma classe que se mantém no controle do Estado e das instituições desde então. Em suma, a estruturação do pátrio poder presente nas relações históricas de opressão das mulheres negras ultrapassou as barreiras dos muros da casa grande e tornou-se alicerce sócio-político no país. Tais fenômenos tornaram-se cruciais para a estruturação do machismo e racismo responsáveis pela negação dos direitos humanos das mulheres negras pelo Estado, sociedade civil e instituições ao longo da história. Nesse sentido, a análise interseccional desses fatores combinadas com a apreciação dos instrumentos de proteção aos direitos humanos, bem como dos direitos e garantias fundamentais elencados na Constituição Federal de 1988, se faz necessária para inserção das mulheres negras como sujeitas de direitos na organização social. A construção patriarcal e paternalista do ordenamento jurídico brasileiro, no que tange, sobretudo ao conjunto legislativo que afeta diretamente por ação ou omissão, os direitos das mulheres negras evidenciam a dívida histórico-legislativa do Estado diante da vulnerabilidade de tal extrato social. A tardia desconstrução legislativa do pátrio poder, a resistência do legislador na regulamentação da atividade doméstica são alguns dos inegáveis indicativos do não reconhecimento da equivalência de direitos humanos quando se trata de mulheres negras. Defronte tal contexto, resta fundamental o reconhecimento da desigualdade decorrente da negação do mínimo existencial considerando o binômio gênero-raça, e consequentemente de classe, como instrumento balizador de proteção legislativa e socioeconômica e para o eficiente direcionamento de políticas públicas para as mulheres negras no Brasil.
Palavras-chave: Machismo,Racismo,mulheres,negras
Oral
Abrir o trabalhoO PROTAGONISMO DO GRUNEC DIANTE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER NEGRA DE CRATO-CE
LILIANE MATIAS DA SILVA; Felipe Silva Duarte
Esta pesquisa tem como temática o protagonismo do Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC) no enfrentamento à violência doméstica contra a negritude feminina no município de Crato-CE. Dessa forma, objetiva-se, de modo geral, examinar a participação dessa associação civil no combate à violência contra a mulher negra no meio familiar na urbe de Crato-CE, e, em específico, visa estudar a forma de participação dos movimentos sociais de temática negra no enfrentamento à violência no âmbito privado contra as mulheres pretas e pardas e investigar as atividades do GRUNEC no enfretamento às agressões contra a afrodescendência feminina no município de Crato-CE. Para tanto, a metodologia aplicada foi a indutiva, com abordagem essencialmente qualitativa de caráter descritivo e explicativo, utilizando-se de procedimentos bibliográficos, bem como estudo de campo na sede do Grupo para realização de entrevistas e para análise de documentos. Os resultados obtidos evidenciaram que o GRUNEC, desde 2001, destina boa parte de suas atividades à luta contra a violência em desfavor da mulher preta e parda por meio de um conjunto de intervenções sociais previamente organizadas e através de militâncias que compõem a atuação do Grupo.
Palavras-chave: Grupo de Valorização Negra do Cariri, Mulher negra, Violência doméstica
Oral
Abrir o trabalhoOS ESTUDOS DE GÊNERO E SEXUALIDADE E O PROCESSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
ALESSANDRA OLIVEIRA DE ARAUJO; Gabriel dos Santos Barbosa; Tarciana Cardoso de Sousa
A presente pesquisa se propôs analisar os desafios da transversalidade dos estudos de gênero e sexualidade no processo de formação em Serviço Social, observando como a temática tem sido incorporada na formação acadêmica dos assistentes sociais e sua importância neste processo. Tendo em vista que a profissão possui em seu Projeto Ético Político alguns princípios que sinalizam o empenho na eliminação de toda forma de preconceito e a luta contra opressões, assim, se faz pertinente assegurar a abordagem de temáticas que contemplem todos os demarcadores sociais da diferença no âmbito da formação profissional sem hierarquizá-los. Para dar subsídios à pesquisa, realizou-se pesquisa bibliográfica e documental, vislumbrando compreender a contribuição destes estudos na formação profissional. Para tal, analisaram-se as Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, buscando encontrar menções à temática aqui abordada. Constatando assim, certa fragilidade na incorporação dos referidos estudos durante o percurso da formação acadêmica dos assistentes sociais.
Oral
Abrir o trabalhoRAÇA, SERTÃO E VIVÊNCIA
FRANCISCO FLÁVIO EUFRAZIO
O artigo traz consigo o objetivo de destacar algumas das inúmeras limitações sentidas pelos sujeitos negros/as sertanejos/as, expondo as relações de poder ainda existentes na região nordeste, estas caracterizadas por ter suas bases na tradicionalidade do ainda vivido sistema coronelista, ocasionador das intensas problemáticas geradas pelas aglomerações das expressões da Questão Social, que vinculadas às mazelas sentidas pelo contexto do sertão - em particular do alto sertão paraibano - expõem as dificuldades desses indivíduos de modificarem sua realidade de extremo pauperismo. As vastas relações de poder que atualmente expressam novas roupagens, unificadas com discursos ditos naturais, acabam sendo aceitas como normais pelas impossibilidades de questionamentos devido as frustrantes tentativas de modificação da vivência neste espaço, forjado por relações sociais controvérsias pela existência desta região ainda no “atraso”. Contudo, algumas vivências em particular buscam cotidianamente romperem com esse imaginário equivocado que tradicionalmente é repercutido no consciente popular, em particular no consciente negro sertanejo localizado nas áreas rurais dessa regionalidade. Através de observações, leituras e experiências vividas no alto sertão paraibano, as quais provocaram inquietações a respeito das vastas opressões sentidas pelos sujeitos de cor negra, os quais configuram ser a maior parcela populacional desta regionalidade, se faz necessário expressar posicionamento crítico gerador de focos de problematizações a respeito dos vastos processos de naturalização das problemáticas sentidas pelos segmentos racializados regionais. Com isso, resultando na ruptura do imaginário preconceituoso posto sobre os habitantes dessas “bandas”, na destruição da personificação de um sertão arcaico, de um sertão regido sob leis naturais, assim como apresentando o descaso enfrentado por múltiplos âmbitos dessa regionalidade gerados pela ausência do Estado. Assim reafirmando que o sertão é um espaço regional capaz de expressar autenticidade, um espaço que embora sofra com as precarizações da ausência estatal consegue resistir, consegue quebrar com os paradigmas postos sobre essa região e sobre seus habitantes. Um sertão composto de sujeitos capazes de reinventar sua história a partir de seu desejo.
Palavras-chave: Leis naturais,Raça,Resistência,Sertão
Oral
Abrir o trabalhoREFLEXÃO SOBRE GÊNERO E DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO: MEMÓRIA DE UMA MULHER NEGRA AFRICANA
ISLA TEASSE ISAQUE MAHANJANE
RESUMO O presente trabalho apresenta reflexões sobre a influência da escola moçambicana na propagação de ideologias relacionadas ao gênero masculino. Este trabalho situa-se no contexto de um país recém liberto da colonização, onde as prioridades após a independência não foram exatamente educacionais, mas a reconstrução do patrimônio físico, estrutural e econômico. A educação formal só se tornou parte prioritária há menos de duas décadas, o que nos faz compreender porque é que algumas questões que vem sendo discutidas a muito tempo em todo mundo só foram iniciadas a pouco tempo. Sendo assim o objetivo centra-se na reflexão sobre a construção e desconstrução de crenças arraigadas na sociedade moçambicana que influenciem nas ideologias de gênero nas escolas do país. A metodologia utilizada neste trabalho é de análise documental e a construção de narrativas, isto porque a reflexão e/ou a construção de narrativas dependem da compreensão de cada fato histórico e o olhar de quem o produz. A educação é um processo ou instrumento no qual todos têm o direto de se apropriar objetivando o desenvolvimento (intelectual, físico e moral) que perpassa a uma conjuntura das relações de igualdade. A educação em direitos humanos devia ser parte fundamental do ensino (desde o básico ao superior). Muitas das problemáticas ou costumes atrelados a ideologia de gênero estão relacionados a falta de internalização dos diretos humanos por parte da sociedade moçambicana. Há alguns anos atrás em Moçambique, a educação tornou-se uma arma revolucionária contra as ideologias de gênero, atualmente é notável a presença de mulheres nas instituições de ensino e aprendizagem e entre outros espaços de forma inclusiva, principalmente na capital do país, porém em muitas localidades a superioridade do gênero masculino não permite a inclusão das mulheres e se permite é de forma injusta, ou seja, onde o homem tem mais benefícios em relação à mulher. Neste contexto a educação e gênero abrangem de forma peculiar os caráteres de direitos humanos. Espera-se que através da educação a ideologias de gênero que foram historicamente propagadas (inclusive pela escola), possam pertencer ao passado. O resultado de uma reflexão é muito relativo, dito isto, dependerá da compreensão de cada leitor. A temática de gênero carece de discussões no meio acadêmico nas instituições de ensino superior em Moçambique.
Oral
Abrir o trabalhoRELIGIÕES, PONTE OU ABISMO ENTRE AS PESSOAS?: UM OLHAR SOBRE MEMÓRIAS E NARRATIVAS LOCAIS
TALBATA SANTOS MOTA; ALAN BARBOSA DE SALES
RELIGIÕES, PONTE OU ABISMO ENTRE AS PESSOAS?: UM OLHAR SOBRE MEMÓRIAS E NARRATIVAS LOCAIS Talbata Santos Mota Alan Barbosa de Sales Orientadora: Cícera Nunes Resumo: Embora o Brasil levante a bandeira de Estado laico, e a lei 9.459 de 1997, considere crime inafiançável condutas odiosas em relação á fé e ao credo religioso de alguém, nos últimos anos, o ativismo social contra a intolerância religiosa tem ganhado espaço na região do Cariri cearense. Líderes religiosos de diferentes segmentos e crenças têm lutado pelo respeito aos espaços sagrados e pelo direito de exercer a sua fé sem discriminações. Essa discussão, no entanto, não se limita aos muros dos templos, nem se esgota no campo dos movimentos sociais. Este é um assunto que, perpassa outras dimensões, como por exemplo, o campo educacional que é o foco deste trabalho. Portanto, partimos do pressuposto de que, a escola enquanto instituição que exerce forte influência na formação humana e cidadã, configura-se, palco de embates e ao mesmo tempo, ferramenta importante no processo de desconstrução de representações sociais que criam abismos entre os homens e fragmentam a sociedade. Nesse sentido, o presente trabalho, trata-se de um estudo investigativo, de cunho qualitativo que se encontra em andamento e, tem como objetivo compreender qual o papel que a escola exerce na luta pelo respeito à diversidade religiosa e pela superação de preconceitos que segregam, silenciam, estigmatizam e excluem um número considerável de alunos. Este estudo visa ainda, ampliar as reflexões sobre a necessidade de construir uma escola verdadeiramente laica, que contemple o respeito à pluralidade de ideias e a dignidade alheia, onde todos sem distinção tenham o direito de viver e assumir a sua fé sem represálias. Para tanto, as reflexões levantadas por Beloti (2014), Brasil (2011), Ojeda (2014), Ribeiro (2016), Souza e Ficagna (2016), tem dado grandes contribuições na compreensão da temática proposta. Pretende-se também recorrer à História Oral (Meihy, 2015) para que, através de memórias e narrativas locais seja possível compreender a dinâmica das relações religiosas na região, especificamente no âmbito educacional. Palavras-chave: Intolerância religiosa. Respeito. Diversidade religiosa. Escola laica.
Palavras-chave: INTOLERÃNCIA RELIGIOSA, RESPEITO, ESCOLA LAICA, DIVERSIDADE RELIGIOSA
Oral
Abrir o trabalhoSERVIÇO SOCIAL, QUESTÃO SOCIAL E QUESTÃO RACIAL: APONTAMENTOS CRÍTICOS DA DECOLONIALIDADE.
GABRIEL DOS SANTOS BARBOSA; Alessandra Oliveira de Araujo; Tarciana Cardoso de Sousa
O serviço social brasileiro como profissão se inscreve na trama da tessitura social, sob um conjunto de práticas interventivas que incidem na realidade social de acordo com cada contexto histórico, tendo como objeto fulcral de sua atuação a – questão social, compreendida para os/as autores/as canônicos/as do serviço social, como fruto da contradição e do conflito entre o capital/trabalho, a partir do antagonismo entre duas classes sociais, gerando assim o que se conhece como expressões da questão social. No entanto, compreendemos que as explicações dadas a este axioma conceitual, partem de teorizações eurocêntricas caindo em um viés meramente classista, requerendo que façamos apontamentos críticos frente a essa categoria analítica. Dessa forma, objetivou-se no bojo deste trabalho realizar uma discussão crítica por meio da lente decolonial em detrimento da questão social, trazendo à tona a problematização de sua significação canônica e se de fato considera as particularidades da questão racial ou apenas subsume esta a perspectiva de classe. A pesquisa se dimensionou em uma abordagem qualitativa, demarcada pelo procedimento de caráter bibliográfico. Destarte, a pesquisa revelou a necessidade de romper com o paradigma hegemônico eurocentrado para interpretação da questão social, levando em conta a noção da geopolítica do conhecimento.
Palavras-chave: Serviço Social, Questão Social,Questão Racial,Decolonialidade
Oral
Abrir o trabalhoTrajetórias e demandas por direitos humanos:a mulher negra na constituição de 1988
JAHYRA HELENA PEQUENO DOS SANTOS; Ivanna Pequeno dos Santos
O presente trabalho tem por objetivo analisar a trajetória da mulher negra na constituinte de 1988, em defesa dos direitos humanos. Especificamente, direitos de liberdade e igualdade, que devem institucionalmente ser assegurados. Identifica-se a participação da mulher negra nos grupos sociais que demandavam direitos junto aos constituintes, bem como, na composição das bancadas. A mulher representa mais da metade do eleitorado brasileiro, no entanto, está quase ausente do espaço de poder, que é a política. Ao homem foi assegurado, por meio de uma sociedade patriarcal o espaço público. Destaca-se que nas eleições para a Câmara dos deputados, em 1986, somente 26 (vinte e seis) mulheres foram eleitas. Este grupo pactuou que, independente do partido a que pertenciam, elas defenderiam os direitos das mulheres. Dentro da organização da bancada se inseria a mulher negra, com demandas específicas.Seria necessário defender uma igualdade não somente de gênero, mas também de cor. A mulher sai do espaço privado, assume a a sua autonomia e reivindica direitos. A Constituição Federal, como norma máxima de um Estado, baliza uma série de valores que subsidiam as leis para que estas sejam compatíveis com a norma ápice, ou seja, para que possam ser consideradas constitucionais. Nesse sentido, com a constituinte emerge um nova ordem jurídica e social para o país, daí a importância do estudo deste momento histórico, o que, por si só, justifica a relevância do tema. Parte-se da seguinte questão: como se organizaram os movimentos sociais negros, especificamente das mulheres, em defesa de direitos e garantias? Como resultado do estudo, defende-se que as discussões da constituinte contou com a participação do ativismo negro, porém, em relação a sua representação na Assembleia Nacional Constituinte, houve um claro defict. A pesquisa é, eminentemente bibliográfica e exploratória. Ressalta-se o acervo bibliográfico da Câmara dos deputados, que detém um robusto material sobre as constituintes.
Palavras-chave: Direitos humanos,Constituinte de 1988,Mulher
Oral
Abrir o trabalho“VIRGINIUS (NARRATIVA DE UM ADVOGADO)” E “MARIANA”: GÊNERO E ENSINO DE HISTÓRIA
ROBERTO DA SILVA
Essa pesquisa aborda principalmente as relações de gênero nos contos machadianos “Virginius (narrativa de um advogado)” e “Mariana”. Essas narrativas literárias são alinhadas com problemáticas de ensino de história. Nesse sentido, podem ser analisadas as ironias, as sutilezas, o “humor”, o “ceticismo” e o “pessimismo” para gerar interpretação de gênero envolvendo o ensino de história. Essas características podem ser abordadas pela “poética da dissimulação” de que fala Eduardo de Assis Duarte no livro “Machado afro-descendente” (2007). E com isso apontar as posturas críticas do Machado de Assis através da literatura. Os personagens Julião, Elisa, Carlos, Mariana, Coutinho e Pio estão relacionados com feminilidade e com masculinidade. E as relações de gênero aqui nessa pesquisa estão relacionadas com a escravidão e com a afro-descendência. Nesse caso, há a problematização das condições históricas relacionadas com o patriarcado da sociedade em que vivia o literato. As relações patriarcais passam por transformações de significação. E, além disso, pode ser trabalhada no ensino de história a história das recepções desses contos levando em conta as relações de gênero. Essas fontes literárias contribuem nas análises das circulações de ideias sobre ações de gênero. Tudo isso envolve a filosofia de Machado de Assis sobre ações sociais nos contos aqui em problemática com o ensino de história. No ensino de história também podem ser trabalhadas as “paisagens” por onde transitam os personagens. E abordar a problemática das “táticas” e de “violência simbólica” no conto “Mariana”. Além disso, problematizar sobre as relações patriarcais no conto “Virginius”. Aqui há diálogo com Sidney Chalhoub, com Eduardo de Assis Duarte e com Mailde Jerônimo Trípoli. E na área de ensino de história envolve os textos de Circe Maria Fernandes Bittencourt, de Andreza Oliveira Andrade e do Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Entre outros autore (a)s. Há usos das fontes para além dos espaços escolares.
Oral
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