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AUMENTO DE RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DEVIDO À CRISE CLIMÁTICA
SAYLA SILVA GOMES ; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Bruna Pedrosa Vieira; Maria Viviane Pereira de Sousa; Rhayla Venâncio Terto
Introdução: A resistência aos antimicrobianos (RAM) é a capacidade de microrganismos sobreviverem aos efeitos de medicamentos, como antibióticos e antivirais. Pode surgir naturalmente, mas é agravada pelo uso incorreto de medicamentos e por fatores ambientais, como o aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos. Objetivo: Compreender a relação entre o aumento da resistência microbiana e as mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública. Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. A pergunta norteadora do estudo foi: “Como as mudanças climáticas contribuem para o aumento da resistência antimicrobiana?”. A busca por publicações científicas foi realizada no mês de abril de 2025, por meio da bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (PubMed) com os descritores padronizados pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): “mudanças climáticas”, “resistência” e “antimicrobiana”; e o portal de periódicos da CAPES, incluindo bases como Medline e PubMed, onde foram empregados os termos “mudanças climáticas” e “vulnerabilidade”, combinados com o operador booleano AND. Resultados: Foram identificados 6 estudos, no qual apontaram que as mudanças climáticas intensificam os fatores que contribuem para o aumento da resistência antimicrobiana, especialmente em regiões vulneráveis como países de baixa e média renda. Eventos extremos, como enchentes e secas, aumentam a ocorrência de doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, o que eleva o uso, muitas vezes inadequado, de antimicrobianos. Além disso, o armazenamento incorreto desses medicamentos em locais com altas temperaturas, umidade ou falta de refrigeração adequada compromete sua eficácia, favorecendo o desenvolvimento de cepas resistentes. O uso indiscriminado de antibióticos, tanto na saúde humana quanto animal, somado à ausência de controle adequado e à prescrição excessiva, agrava esse cenário. Ainda, destaca a necessidade de mudanças estruturais, como o fortalecimento das políticas públicas de controle do uso de antimicrobianos, investimentos em infraestrutura para armazenamento e transporte adequado, ampliação do acesso a saneamento básico, vigilância epidemiológica mais eficaz em áreas vulneráveis e a promoção de ações intersetoriais entre saúde, meio ambiente e agricultura, tanto em nível nacional quanto global. Conclusão: A temperatura desempenha papel na modulação da transmissão de infecções resistentes a antibióticos, bem como a umidade ou a luz e demais condições de armazenamento, podem degradar a potência das substâncias. Desta forma, conclui-se que as mudanças climáticas e a resistência antimicrobiana são ameaças à saúde global, agravadas pela ação humana, entretanto, podem ser minimizadas por suas intervenções preventivas. A promoção de políticas públicas de vigilância ambiental e de controle da resistência antimicrobiana, são medidas cruciais para o manejo deste cenário, ademais, destaca-se a necessidade de mais investigações sobre os desafios relacionados a esta problemática e seus impactos na saúde pública.
CONFECCIONANDO REALIDADES: O USO DA TERRITORIALIZAÇÃO COMO MEIO DE DEMONSTRAÇÃO DA REALIDADE RURAL
ANA RAFAELE LIMA OLIVEIRA; Ana Victoria Fernandes Dias; Bárbara Emilye de Oliveira; Maria de Fátima Soares Gomes; Maria Yasmin Silva Alcântara; Pâmella Sarmento Soares de Carvalho
Este relato descreve a experiência de estudantes de enfermagem na disciplina de Saúde Coletiva II ao confeccionar uma maquete representativa de uma comunidade rural vulnerável e analisar um estudo de caso fictício (Bairro Vale Sereno) para compreender os desafios locais. O objetivo foi refletir sobre as vulnerabilidades sociais e demográficas e propor ações de saúde integradas. A metodologia envolveu a construção da maquete com materiais simples e a análise de casos clínicos simulados, baseados nos princípios da Atenção Básica. Os resultados evidenciaram problemas como infraestrutura precária, envelhecimento populacional, doenças crônicas e exposição a agrotóxicos. Concluiu-se que a atividade aprimorou a compreensão crítica e a empatia dos estudantes sobre a realidade rural, reforçando o papel da enfermagem na territorialização, educação em saúde e desenvolvimento de intervenções contextualmente adequadas.
Palavras-chave: Territorialização, Saúde Coletiva,Enfermagem,Atenção Primária
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Abrir o trabalhoExposição de mulheres à violência em situações de desastres climáticos: Revisão de literatura
CLEYDYANE DA SILVA SANTOS ; Samilly Bernardino Feitosa; Analice Peixoto Alves
A HIGIENE DO SONO COMO ESTRATÉGIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA SAÚDE INFANTOJUVENIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ALICE SILVA GRIGORIO ; Alícia Silva Dantas; Francisca Kely Pereira da Silva Leandra; Francisco Felipe Dantas de Lima; Maria Vitória Bezerra Souza; Samilly Batista de Oliveira
A ação de extensão realizada por estudantes de Enfermagem da URCA no CRAS III de Iguatu-CE promoveu a higiene do sono com 12 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Através de atividades lúdicas e rodas de conversa, abordaram-se hábitos inadequados e alternativas saudáveis, como rotinas regulares e brincadeiras. A experiência reforçou o papel da Enfermagem na promoção da saúde e prevenção de distúrbios do sono, despertando o autocuidado desde a infância.
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Abrir o trabalhoA IMPORTÂNCIA DA IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE PARTO NA PRÁTICA DO ENFERMEIRO OBSTETRA
MARIA EMANUELE GOMES FERNANDES; Larissa Uchôa Melo; Nayara Santana Brito; Riani Joyce Neves Nobrega
O Plano de Parto (PP) configura-se como uma ferramenta essencial no contexto da assistência pré-natal, promovendo o protagonismo da gestante, a redução de intervenções desnecessárias e a humanização do parto. Este estudo objetivou analisar a importância da adesão ao plano de parto a partir da percepção de enfermeiros obstétricos, bem como identificar as principais dificuldades enfrentadas pelas gestantes na compreensão e utilização dessa ferramenta. Para tanto, foi realizada uma revisão integrativa da literatura com abordagem qualitativa e descritiva, fundamentada na Prática Baseada em Evidências (PBE). A coleta de dados ocorreu por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases LILACS, BDENF e IBECS, com a utilização dos descritores “Enfermagem Obstétrica”, “Educação em Saúde”, “Gravidez” e “Parto Humanizado”. Foram incluídos estudos publicados em português e inglês nos últimos cinco anos, resultando em uma amostra composta por nove artigos. A análise permitiu a categorização dos achados em três eixos temáticos: (1) a influência positiva do plano de parto nos desfechos do parto e na experiência materno-fetal; (2) a compreensão da gestante acerca do uso do plano; e (3) o papel do enfermeiro obstétrico na elaboração e efetivação do instrumento. Observou-se predominância dos estudos que destacam a atuação do enfermeiro obstétrico (44,4%), seguida pela valorização da construção do PP como ferramenta de impacto positivo (33,3%) e, por fim, pela compreensão da gestante (22,2%). Os resultados evidenciam que o plano de parto, quando elaborado de forma compartilhada entre gestante e equipe multiprofissional, contribui significativamente para o fortalecimento do vínculo, da segurança e da autonomia da mulher. Além disso, reforça a importância da orientação qualificada para que as mulheres compreendam a imprevisibilidade do parto e estejam preparadas para possíveis mudanças de conduta. A literatura também aponta o PP como mecanismo relevante na prevenção da violência obstétrica, ao fornecer respaldo legal e científico às escolhas da gestante. Apesar dos benefícios observados, a baixa incidência de estudos voltados à compreensão do plano de parto pelas gestantes revela a necessidade de ampliação de estratégias educativas que favoreçam maior conhecimento e participação ativa das mulheres na tomada de decisão. O PP foi reconhecido, ainda, como instrumento facilitador da comunicação entre a gestante e os profissionais de saúde, contribuindo para a personalização da assistência e para a satisfação da mulher com sua experiência de parto. Conclui-se que o plano de parto é uma estratégia eficaz de empoderamento feminino, promoção de direitos e qualificação do cuidado obstétrico, sendo indispensável à construção de uma assistência mais ética, humanizada e centrada na mulher.
ESTRUTURA, GESTÃO E TREINAMENTO NO SISTEMA PENITENCIÁRIO CEARENSE: AVALIAÇÃO POR POLICIAIS PENAIS E SUA IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE COLETIVA
NAYANNE VIEIRA LIMA; Davi Oliveira Teles; Samila Gomes Ribeiro; Ana Izabel Oliveira Nicolau; Purdenciana Ribeiro de Menezes; Ana Karina Bezerra Pinheiro; Raquel Alves de Oliveira
INTRODUÇÃO O contexto do sistema prisional pode influenciar e determinar aspectos importantes da saúde física e mental dos trabalhadores desse ambiente, visto que existem inadequações de saúde e segurança, sobrecarga laboral, falta de reconhecimento financeiro e de participação na tomada de decisão, além de clima organizacional desfavorável, que ocasionam estresse nesses servidores, além de gerar um ambiente de trabalho prejudicial, que influencia na eficácia do trabalho (Galanis; Fragkou; Katsoulas, 2021). Além desses pontos elencados sobre a satisfação, é válido ressaltar que a realização de treinamentos para buscar o aperfeiçoamento profissional dos servidores é uma estratégia que contribui para a qualidade no desempenho das funções. Estudo americano evidenciou que o treinamento dos policiais contribuiu para o desenvolvimento de competências relacionadas à melhora da comunicação, inteligência emocional e outros desafios relacionados às funções executadas. Resultados como esse salientam a importância de atividades de formação para melhores condições de trabalho e satisfação (Sumina; Grischenko; Sepiashvili, 2022). Nesse contexto, analisar a satisfação dos profissionais com o ambiente de trabalho, bem como fornecer o aprimoramento profissional contribui para aumento da qualidade de vida no trabalho e diminuição de desfechos negativos em saúde, além de contribuir para a construção de um ambiente organizacional positivo, aproximando a gestão dos policiais. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar, na perspectiva dos policiais penais, as mudanças realizadas nos últimos quatro anos nas áreas de estrutura física, gestão e treinamentos no sistema penitenciário cearense. MÉTODO O projeto é um recorte da pesquisa sobre “Promoção da saúde e qualidade de vida no sistema penitenciário do Ceará”, financiada pela FUNCAP, integrando o subtópico 1 relacionado à “Saúde e qualidade de vida dos policiais penais do Ceará”. Trata-se de estudo transversal realizado nas Unidades Prisionais e Cadeias Públicas do Estado do Ceará, sendo eles um total de 30 unidades distribuídas pelo Estado e contendo uma quantidade de 3.586 policiais lotados exercendo atividades laborais entre elas. As penitenciárias são locais detentores de estruturas de alta complexidade, as quais englobam fluxos e relações interpessoais, sendo foco de ações desenvolvidas pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) nos últimos tempos para sua reestruturação. Ademais, a amostra foi calculada baseando-se na utilização do cálculo para população finita, em que o tamanho de uma amostra é determinado pelo cálculo de número de respostas coletadas por um questionário, levando em consideração o tamanho da população, a margem de erro e o nível de confiança da amostra. O cálculo amostral foi realizado por meio de uma equação, a qual N = tamanho da população, e = margem de erro (porcentagem no formato decimal) e z = escore z. Assim, a amostra final contou com 344 policiais penais em unidades prisionais do Ceará. O período de coleta de dados foi datado entre junho e agosto de 2022 nas unidades prisionais estabelecidas pela amostra estratificada. Foram incluídos policiais do sistema prisional cearense e excluídos os policiais que não estavam na unidade devido a alguma rotina ou algum afastamento devido motivos de saúde ou férias durante a coleta de dados. No que tange a coleta de dados, suas informações foram coletadas a partir de entrevistas dos pesquisadores para com os policiais penais que estavam de plantão nas unidades prisionais no momento da coleta. As entrevistas ocorreram em ambiente reservado, no intuito de garantir o sigilo e a privacidade dos participantes, com entrevistadores previamente treinados para a aplicação do questionário, que durava – em média – 30 minutos. No momento após o aceite, os participantes eram direcionados aos locais de coleta disponibilizados pela unidade prisional em que atuavam, permitindo um ambiente calmo, tranquilo, evitando constrangimentos e permitindo um local livre de julgamentos, de forma que as informações ali mencionadas fossem mantidas em sigilo. Os policiais que concordaram em participar da pesquisa assinaram o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) e, em seguida, realizava-se a coleta de dados propriamente dita. Para a aplicação do questionário online, foi utilizado o SurveyMonkey, ferramenta esta que também possibilitou a criação e disposição das questões utilizadas a partir de formulários estruturados com questões sociodemográficas e relacionadas ao ambiente de trabalho, o que incluía a avaliação das modificações estruturais, de gestão e de treinamentos. Os dados foram organizados e analisados utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 23.0 para Windows®, com análise de frequências absolutas e relativas. Salienta-se que a pesquisa obedeceu aos preceitos éticos da resolução 466/12 e foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará, submetido via Plataforma Brasil, sob número de CAAE: 29499120.8.0000.5054 e número de parecer: 3.921.161. RESULTADOS E DISCUSSÃO Sobre o perfil da amostra, a maioria dos policiais, 265 (77%) identificou-se com o gênero masculino e 165 desses policiais estavam em uma faixa entre 30 e 39 anos (48,8%). Além disso, 243 (70,6%) declararam-se não brancos e 288 (83,7%) relataram possuir o ensino médio completo. No que diz respeito ao estado civil, 255 (65,4%) relataram possuir cônjuges e 115 (33,4%) mencionaram não ter filhos. Ainda, 188 (54,7%) manifestaram identificar-se com a religião católica. Com relação ao perfil laboral, 246 (71,5%) exerciam atividades laborais fora do setor de segurança antes de se tornarem policiais penais. Além disso, o perfil financeiro investigado dos policiais penais, através de suas declarações, envolveu uma mediana de renda pessoal de R$ 6.707,55. Sobre a avaliação das mudanças feitas nos últimos quatro anos na área da estrutura física, 81,4% relataram mudanças positivas. Nas condutas de gestão das unidades prisionais, 64% relataram mudança para melhor, já nas condutas de gestão da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), 66,6% também relataram melhoria. O perfil sociodemográfico e experiência prévia podem influenciar diretamente a atuação e percepção sobre as condições de trabalho e saúde no ambiente prisional. A vivência fora da segurança pública e o alto índice de satisfação com os treinamentos sugerem uma disposição positiva à adoção de boas práticas institucionais, inclusive no campo da saúde, somado às mudanças na gestão e infraestrutura prisional, que aponta para condições de trabalho aprimoradas, o que impacta positivamente na saúde física e mental dos trabalhadores. Ambientes mais organizados, com melhor estrutura e gestão eficiente, favorecem a diminuição de tensões e riscos de violência, promovendo maior segurança para os profissionais e para a população privada de liberdade (Galanis; Fragkou; Katsoulas, 2021). Sabe-se que as prisões brasileiras, muitas vezes, encontram-se em situação de superlotação e precariedade com relação à infraestrutura. Na pandemia da COVID-19, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconheceu as limitações do espaço prisional, principalmente evidenciando o cenário de calamidade pública, e solicitou a implementação de medidas para a melhoria da infraestrutura dos presídios (Costa et al., 2020). Apesar de ser uma mudança gradativa, ratifica a importância dessa medida ao perceber que o ambiente de trabalho prisional pode acarretar riscos que influenciam na saúde física e mental de policiais, sendo importante implementar medidas que visem a satisfação e a segurança desses profissionais para evitar o acometimento de desfechos negativos em saúde (Cadidé et al., 2022). No que tange aos treinamentos de serviço, 85,5% dos policiais participaram de treinamentos. Destes, a maioria (96,9%) declarou satisfação com os treinamentos disponibilizados. Sabe-se que a realização de treinamentos contribui para o aprimoramento profissional e melhora no desempenho prático das funções laborais. Um estudo com policiais australianos, evidenciou que a realização de treinamentos baseados em simulação contribuiu para melhorar a capacidade de liderança e tomada de decisão dos policiais, ratificando o efeito positivo da oferta de treinamentos com aprendizagem ativa. Logo, recomenda-se a educação continuada para qualificação profissional (Davies; Heysmand, 2019). Ademais, a saúde no sistema prisional está intrinsecamente ligada à segurança institucional. A qualificação contínua dos policiais penais, pode reduzir situações de conflito, melhorar o manejo de crises e ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias, como surtos de doenças transmissíveis. A adoção de uma gestão mais humanizada e eficiente contribui para a prevenção do adoecimento dos profissionais, tanto em termos físicos quanto emocionais, além de fortalecer a mediação de conflitos e a aplicação de protocolos de saúde. Conforme Adorno e Salla (2007), a atuação dos agentes penais não se limita à vigilância, mas também se reflete nas formas de tratamento dispensadas aos internos, afetando diretamente a ambiência e o clima institucional. Assim, os avanços identificados nas estruturas de gestão e formação representam não apenas ganhos operacionais, mas também oportunidades de fortalecer políticas de saúde no ambiente prisional, promovendo o bem-estar coletivo e a estabilidade institucional. CONSIDERAÇÕES FINAIS A respeito das melhorias observadas pelos policiais, destacam-se as mudanças positivas do trabalho no sistema penitenciário de 2019 a 2022. Ademais, recomenda-se a realização de pesquisas contínuas para avaliar a satisfação dos profissionais, bem como a oferta de melhorias nas condições de trabalho como parte de uma política de Estado, visando garantir o bom funcionamento do sistema penitenciário e melhorias nas condições de trabalho para além de um governo ou gestão de secretaria. Dessa forma, ao realizar pesquisas para avaliar a satisfação e sugestões dos profissionais, ocorre a contribuição para o fortalecimento de uma cultura participativa visando a construção de um ambiente de trabalho colaborativo e voltado para as reais necessidades dos que estão executando funções primordiais para a segurança pública prisional, bem como auxiliando na qualidade de vida dos trabalhadores inseridos nessa realidade.
A INFLUÊNCIA DA FÉ NO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA SOB A PERCEPÇÃO DE LÍDERES DE MÚLTIPLAS DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS
FRANCISCO FELIPE DANTAS DE LIMA ; Isy Kaylane dos Santos Silva; Edyna Silva dos Santos; Francisco Thiago Ferreira de Oliveira⁴
Introdução: Na presença da multiplicidade de manifestações religiosas que se verificam no interior Caririense do Ceará, em diferentes segmentos do cristianismo (catolicismo e protestantismo), do espiritismo, das religiões de matrizes africanas (candomblé e umbanda) e do xamanismo, considerou-se pertinente captar a compreensão de líderes religiosos dessas instituições a respeito da influência da fé no processo saúde-doença e o entendimento deles sobre saúde e doença. Objetivo: Investigar a influência da fé no processo saúde-doença, com base na percepção de líderes religiosos. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa empírica, exploratória, com abordagem qualitativa e com caráter exploratório-descritivos, que foi realizada com líderes de múltiplas denominações religiosas (catolicismo, protestantismo, espiritismo, candomblecista, umbandista e xamanismo). O instrumento de coleta de dados utilizado foi um roteiro de entrevista semiestruturada, previamente elaborado. Os dados foram analisados por meio da análise categorial temática. O estudo obteve parecer favorável pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) sob n° 3.687.329. Salienta-se que integra pesquisa-guarda- chuva anterior aprovada em edital FUNCAP/URCA sob registro CAAE 22743119.7.0000.5055. Resultados: O processo analítico oportunizado pela técnica adotada nessa pesquisa permitiu a identificação de duas categorias temáticas. Dessa maneira, empiricamente, as categorias construídas foram: Conceitos de saúde e doença por líderes religiosos; e A influência da fé no processo saúde-doença: manutenção, cura, recuperação e adoecimento. Na primeira categoria, provém dos conceitos dos líderes religiosos entrevistados sobre saúde e doença. Os conceitos apresentados estão intimamente relacionados ao ser humano e suas dimensões física, mental, emocional e espiritual. O entendimento de saúde permeia o bem-estar físico e que acaba se associando e/ou se aproximando do bem-estar mental e espiritual. Já doença é percebida como desequilíbrio das dimensões física, social ou mental que afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo e a saúde. No que se refere à segunda categoria, evidencia-se a participação da fé no processo saúde-doença e a sua influência diante dele, e dos aspectos manutenção, cura, recuperação e adoecimento. Além das concepções dos líderes religiosos em torno da fé. A fé é uma certeza, é dom de Deus, que dar-se diante de uma experiência verdadeira de um encontro com o divino. Diante do processo saúde-doença a fé tem uma participação ativa, visto que ela é capaz de curar, ser instrumento de cura e suporte e auxílio para aceitação do processo de adoecimento e tratamento. Conclusão: Conclui-se que o indivíduo começa a ser compreendido a partir de uma visão biopsicosocioespiritual e não restringida meramente apenas as dimensões física e espiritual. Pois o indivíduo é constituído de aspectos diversos, como, físico, mental, espiritual, religioso, cultural, social, dentre outros. A fé possui influência no processo saúde-doença, e ela ocorre positivamente. Recomenda-se a realização de estudo que contemplem outras denominações que possam contribuir com as reflexões sobre a influência da fé no processo saúde-doença; um estudo que abranja uma maior participação feminina no papel de liderança religiosa e abordem as reflexões sobre a influência da fé no processo saúde-doença. Palavras-chave: Saúde, Doença, Processo Saúde-Doença, Fé.
A UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS PELA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
ANA RAFAELE LIMA OLIVEIRA; Saulo Isaias Vieira de Oliveira; Rachel Cardoso de Almeida
Este estudo objetivou descrever as tecnologias aplicadas pela enfermagem na prevenção da violência obstétrica (VO). Realizou-se uma revisão narrativa de literatura nas bases BVS, PUBMED e SciELO, com artigos dos últimos 5 anos sobre o cenário brasileiro. Os resultados indicam que tecnologias educacionais, como literatura de cordel e panfletos validados, são as principais estratégias utilizadas pela enfermagem para informar e empoderar gestantes e suas redes de apoio contra a VO. Conclui-se que essas tecnologias são ferramentas essenciais na prevenção da VO, sendo crucial investir em seu desenvolvimento, validação e disseminação para assegurar uma assistência ao parto digna e respeitosa.
Palavras-chave: Violência Obstétrica,Assistência de Enfermagem,Tecnologias
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Abrir o trabalhoATENÇÃO À PESSOA SURDA NA SAÚDE PRIMÁRIA: BARREIRAS COMUNICACIONAIS E CAMINHOS PARA UM ATENDIMENTO MAIS INCLUSIVO E EFICAZ
LEONARDO LUÍS PINHEIRO ALVES; Maria Fernanda Rodrigues Ventura
Introdução: A deficiência auditiva (DA) é caracterizada pela redução ou ausência da capacidade de ouvir e afeta significativamente a comunicação oral natural. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2024), estima-se que aproximadamente 2,3 milhões de brasileiros convivam com essa condição, sendo que apenas 22,4% fazem uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Diante desse cenário, observa-se um desafio relevante no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como princípios a universalidade, integralidade e equidade. A barreira linguística entre pacientes surdos e profissionais de saúde compromete seriamente a qualidade do atendimento, dificultando a realização da anamnese, a compreensão de orientações médicas e, por consequência, o acesso adequado aos serviços de saúde. Objetivo: Analisar as principais dificuldades enfrentadas por pacientes surdos no atendimento da APS e propor estratégias que promovam maior acessibilidade e inclusão no SUS, através da literatura. Metodologia: Trata-se de uma Revisão Integrativa da literatura, com abordagem qualitativa, realizada entre fevereiro e março de 2025. Foram incluídos artigos originais completos, de acesso gratuito, publicados entre os anos de 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Excluíram-se os duplicados e que não respondiam ao objetivo do estudo. As buscas foram realizadas nas bases de dados LILACS, PubMed e SciELO, utilizando os descritores e operadores booleanos “deficiência auditiva” OR “surdez” AND “atenção primária”, através da leitura de título e resumo e posteriormente leitura na íntegra do artigo. Selecionaram-se 12 estudos que foram analisados sistematicamente através do método de redução de dados, quanto aos principais achados, limitações e contribuições para a melhoria do atendimento à população surda, apresentados de forma narrativa. Resultados: A principal dificuldade identificada foi a barreira comunicacional entre pacientes com DA e profissionais de saúde, causada pela ausência de fluência em LIBRAS e pelo acesso limitado de instrumentos visuais que facilitem o entendimento das informações clínicas. Apesar da proposta de inserção de intérpretes, essa alternativa apresenta limitações como a quebra de sigilo e a perda da autonomia do paciente. A ausência de profissionais capacitados em LIBRAS, aliada à escassez de recursos visuais acessíveis, contribui para a marginalização desse grupo no sistema público de saúde. Assim, a capacitação dos profissionais em LIBRAS é apontada como a solução mais viável e inclusiva, permitindo um atendimento direto, mais humanizado e eficaz. Além disso, o uso de materiais visuais, como vídeos com legenda descritiva, cartilhas ilustradas e infográficos, contribui significativamente para a compreensão e adesão ao tratamento. A implementação de tecnologias assistivas e a formulação de políticas públicas que promovam a formação contínua dos profissionais também são estratégias recomendadas para fortalecer a equidade no SUS. Conclusão: A barreira linguística compromete o acesso da pessoa com DA aos serviços de saúde na APS. A capacitação dos profissionais em LIBRAS, aliada à adoção de recursos visuais acessíveis e políticas inclusivas, é fundamental para garantir um atendimento mais eficaz, equitativo e humanizado. Essas estratégias representam um passo essencial para tornar o SUS mais acessível à população surda.
Palavras-chave: Mudanças climáticas,Antimicrobiana,Resistência
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Abrir o trabalhoRELAÇÃO ENTRE ARBOVIROSES E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AÇÃO EXTENSIONISTA
KAWANY LEANDRO DA SILVA ; Ana Vitória Pereira Caetano; Maria do Socorro Lima da Silva; Ana Carolina de Morais Almeida; Antônia Fábia Alves Andrade; Camila Fonseca Bezerra; Amanda da Silva Oliveira
Introdução: As arboviroses como dengue, Zika Virus e Chikungunya, representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil, sendo influenciadas diretamente por fatores ambientais e sociais. Com as mudanças climáticas, observam-se alterações de temperatura, umidade e indice pluviométrico, que pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças. Esses fatores aumentam de forma considerável o risco de surtos endêmicos e alteram a distribuição geográfica do vetor. Assim, torna-se essencial promover ações educativas que sensibilizem a população quanto à prevenção das arboviroses e à influência das mudanças climáticas neste contexto. Objetivo: Relatar a experiência de integrantes da Liga Acadêmica de Doenças Infecciosas e Parasitárias (LADIP) em uma ação educativa sobre arboviroses e sua relação com as mudanças climáticas. Método: Trata-se de relato de experiência sobre uma ação realizada por integrantes da LADIP com os moradores da Ocupação Philadelfia na cidade de Iguatu-CE em abril de 2025 com duração de uma hora e meia. A ação educativa foi conduzida utilizando a roda de conversa, panfletos e como metodologia ativa um jogo da memória de elaboração própria como estratégia para estimular a participação e possibilitar a avaliação acerca dos conhecimentos compartilhados na discussão sobre as arboviroses (dengue, Zika Virus e Chikungunya). Os resultados foram apresentados descritivamente. Resultados: Inicialmente foram abordados temas como prevenção, sintomas, formas de transmissão das arboviroses e sua relação com as mudanças climáticas, vacinação contra a dengue e seu público-alvo, os medicamentos que devem ser evitados, além da entrega de panfletos informativos. Posteriormente, aplicou-se um jogo da memória com cartas, no qual os participantes associavam perguntas a imagens relacionadas ao conteúdo abordado. A atividade possibilitou engajamento da comunidade, que se mostrou receptiva e interessada durante toda a ação. Houve participação ativa na dinâmica proposta, com interações, questionamentos e demonstração de compreensão acerca das informações discutidas. A abordagem adotada favoreceu o esclarecimento de dúvidas e estimulou o diálogo entre os extensionistas e a comunidade, contribuindo para a construção de um espaço educativo e participativo. Dessa forma, a atividade contribuiu para sensibilizar os moradores da Ocupação Philadelfia quanto à importância da prevenção destas doenças e a relação meio ambiente na sua disseminação, evidenciando o papel fundamental da educação em saúde como ferramenta de transformação social. Conclusão: A ação educativa realizada pelos integrantes da LADIP alcançou seu objetivo ao promover o conhecimento sobre as arboviroses e sua relação com as mudanças climáticas de forma acessível, participativa e eficaz. A utilização de metodologia ativa, por meio do jogo da memória, demonstrou ser uma estratégia eficiente para estimular o interesse da comunidade, facilitar a compreensão dos conteúdos abordados e promover o engajamento dos participantes.
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Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE OFICINA EDUCATIVA DE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO DE INFECÇÕES
KARINE FREITAS RICARTE; Bruna Pedrosa Vieira; Isy Kaylane dos Santos Silva
As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde são comuns em Unidades de Terapia Intensiva, devido às condições clínicas dos pacientes e à complexidade dos cuidados. A higienização das mãos é uma medida essencial para preveni-las e garantir a segurança do paciente. Este relato de experiência descreve a participação em uma oficina sobre higienização das mãos, realizada por profissionais de uma UTI em julho de 2024. A atividade, com duração de duas horas, envolveu seis acadêmicos de enfermagem e foi mediada por um médico intensivista. Dividiu-se em uma parte teórica e outra prática, na qual os participantes, vendados, simularam a higienização das mãos com tinta lavável. Após a remoção das vendas, as mãos foram inspecionadas, revelando falhas sutis na técnica, especialmente em regiões como extremidades digitais, espaços interdigitais e dorso das mãos. Os participantes demonstraram conhecimento prévio, mas as dificuldades observadas evidenciaram a necessidade de atenção aos detalhes e de treinamentos regulares. A oficina também suscitou reflexões sobre os desafios da prática clínica, como a adesão insuficiente dos profissionais, muitas vezes decorrente da sobrecarga de trabalho e da falta de insumos. Conclui-se que oficinas como essa são fundamentais para reforçar boas práticas entre os acadêmicos, contribuindo para a formação de profissionais comprometidos com a segurança do paciente e com a redução de riscos nos serviços de saúde.
Palavras-chave: Unidade de Terapia Intensiva, Higiene das Mãos,Segurança do Paciente
Resumo Simples
Abrir o trabalhoTENDÊNCIA DE INFECÇÃO POR ARBOVIROSES NO NORDESTE BRASILEIRO ENTRE 2015 E 2024
AMÁBILE AIRES PINHEIRO CARNAÚBA ; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Carola Lima Bezerra; Djair Oliveira Silva; Gisele Pedroza da Costa; Antônio Germane Alves; Lucas Dias Soares Machado
Introdução: As arboviroses são um conjunto de doenças virais transmitidas predominantemente por artrópodes, especialmente mosquitos. A expansão de arboviroses, como dengue, vírus Zika e chikungunya, está diretamente associada aos Determinantes Sociais de Saúde, fatores que impactam o bem-estar e a vitalidade. A região Nordeste do Brasil apresenta um ambiente propício para a proliferação de vetores, como o Aedes aegypti, devido ao clima quente, à urbanização desordenada e às desigualdades sociais, o que se reflete nos altos índices epidemiológicos. Objetivo: Analisar a tendência de infecção por arboviroses no Nordeste brasileiro entre 2015 e 2024. Método: Estudo ecológico operacionalizado a partir de casos notificados de dengue, zika e Chikungunya no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) referentes aos estados da região Nordeste no período de 2015 a 2024. O indicador de incidência ajustada foi calculado a partir dos casos notificados divididos pela população para o mesmo local e período, multiplicados por 100 mil. Considerou-se o erro padrão para ajustes na taxa de incidência. A análise de tendência foi realizada no Joinpoint Regression Program e essas foram classificadas quanto a Variação Percentual Anual Média (AAPC) em: progressiva quando AAPC positiva e p<0,05; regressiva quando AAPC negativa e p<0,05; ou estacionária quando p>0,05. Por tratar-se de dados secundários não houve necessidade de apreciação da proposta por Comitê de Ética em Pesquisa, atentando-se para os princípios éticos segundo Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Identificou-se um total de 1.999.241 casos de dengue, 765.961 casos de Chikungunya e 200.410 casos de Zika no Nordeste entre 2015 e 2024, apontando uma maior prevalência de dengue na região. À análise de tendência apenas o estado do Pernambuco demonstrou tendência regressiva para dengue (1261,48 casos em 2015 para 252,32 casos em 2024; AAPC=-16,4; p<0,05). Por sua vez, a região Nordeste (397,03 para 38,27; AAPC=-22,9; p<0,05) e os estados do Maranhão (302,78 para 32,37; AAPC=-22,0; p<0,05), do Piauí (17,39 para 3,96; AAPC=-15,1; p<0,05), do Ceará (298,09 para 26,79; p<0,05), Alagoas (1976,11 para 19,24; AAPC=-40,2; p<0,05) e Bahia (420,91 para 12,31; AAPC=-32,5; p<0,05) apresentaram tendência regressiva para os casos de Zika. Enfim, tratando-se da Chikungunya, observou-se tendência regressiva no Ceará (1340,03 para 291,65; AAPC=-19,6; p<0,05) e progressiva nos estados da Paraíba (22,55 para 102,67; AAPC=24,2; p<0,05) e Sergipe (36,30 – 108,68; AAPC=17,0; p<0,05). Conclusão: A análise da tendência de infecções por arboviroses no Nordeste, enquanto diagnóstico situacional, é fundamental para embasar medidas preventivas. Esse conhecimento viabiliza ações que mitigam riscos à população vulnerável e diminuem a morbimortalidade, além de fundamentar políticas públicas de vigilância em saúde mais eficientes.
Palavras-chave: Arboviroses, Vigilância em Saúde, Determinantes Sociais da saúde
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Abrir o trabalhoIntrodução: A igualdade de gênero é amplamente considerada um pilar do desenvolvimento sustentável e um motor essencial para o avanço global. Contudo, as desigualdades históricas de gênero geram um impacto desproporcional na sociedade, culminando em violência, particularmente contra as mulheres. Essa violência, já presente, pode ser agravada pela exposição a diversos fatores, como crises e catástrofes climáticas, que aumentam a vulnerabilidade feminina. Objetivo: Compreender como os desastres climáticos exacerbam situações de exposição a violência pelas mulheres. Método: Trata-se de uma revisão narrativa realizada através da PUBMED e Scopus via plataforma Cafe, com os seguintes descritores combinados com o operador booleano “AND”: “Violence Against women” AND “Climatic disaster”. Foram originados 10 resultados, sendo que os 10 foram incluídos pois contemplavam o critério de inclusão “responder ao objetivo do estudo”. Foram excluídos 3 estudos não disponíveis na íntegra e revisões, restando 7. Foram adicionados também 2 documentos da ONU Mulheres Brasil, os quais foram pesquisados através da biblioteca virtual do site Un Women. Resultados: Observou-se que os desastres afetam mulheres e homens de maneiras distintas em termos de percepção, experiência, resposta e recuperação, sobrepondo questões econômicas. Em países tão distintos economicamente como Sri Lanka, Brasil e Estados Unidos a ocorrência de desastres como: tsunami, terremotos e inundações, os impactos sofridos sobre as mulheres são expressivamente mais fortes que nos homens, deixando evidente que são dificuldades influenciadas pelas desigualdades de gênero. Tais desigualdades naturalizadas socialmente tornam as mulheres mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, devido à falta de acesso a recursos e à dependência de sistemas públicos, tendo como exemplo abrigos governamentais. Essa vulnerabilidade as expõe a um risco maior de violência, tanto por parceiros íntimos quanto por estranhos. O aumento da violência observado globalmente em decorrência de crises climáticas, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, é frequentemente uma consequência direta da combinação de desigualdades existentes e da vulnerabilidade gerada pelos desastres. Sendo elemento central nesse processo a necessidade de deslocamentos intensos e severos, sujeitando as mulheres à convivência em alojamentos compartilhados, sendo expostas a todo e qualquer tipo de violência. Essas desterritorializações forçadas levam à perda de espaços e referências de vida, à destruição de moradias e à dissolução de redes de apoio, expondo as pessoas a um contexto de reorganização da vida marcado pela falta de recursos básicos como alimento e água potável, além de agravar problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade pelo aumento da violência de gênero. Conclusão: Diante do exposto, torna-se evidente que o aumento da violência contra a mulher é ainda mais intensificado no contexto de crises climáticas, especialmente nos casos de eventos extremos como secas e tempestades, que torna nítida a desigualdade de gênero e as dinâmicas de poder desiguais entre homens e mulheres, aumentando o risco de violência feminina e dificultando a capacidade das mulheres e suas famílias de enfrentar adversidades climáticas.
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Abrir o trabalhoGESTÃO DE RESÍDUOS HOSPITALARES: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL NOS SERVIÇOS DE SAÚDE
KARINE FREITAS RICARTE; Laura Helena Alves Vieira; Íngrid Luna Silva; Luis Eduardo Santiago Holanda; Mariana Yasmim Bezerra Vieira; Estefane Gabrielly Pereira Viana
Introdução: Os geradores de Resíduos dos Serviços de Saúde são locais que realizam atendimento à saúde humana e que geram resíduos perigosos, representando risco à saúde e ao meio ambiente, exigindo práticas adequadas de gerenciamento. Objetivo: Sintetizar evidências científicas sobre os principais desafios da gestão de resíduos hospitalares e apresentar estratégias para promover a sustentabilidade ambiental nesses ambientes. Método: Revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa. A busca foi realizada em nas bases LILACS, BDENF, MEDLINE, Scopus e SciELO, utilizando DeSC e MeSH relacionados à gestão de resíduos dos serviços de saúde e desenvolvimento sustentável. Resultados e Discussão: Evideniou-se falhas estruturais na gestão de resíduos hospitalares, como segregação inadequada, ausência de protocolos e capacitação profissional, e distanciamento entre normas legais e a prática. A sobrecarga da equipe e a falta de recursos dificultam a adoção de práticas sustentáveis. Há riscos diretos à saúde dos profissionais e da população, além de impactos ambientais. Conclusão: A fragilidade no conhecimento sobre a gestão de resíduos hospitalares influencia diretamente a prática dos profissionais de saúde, contribuindo para o descarte inadequado desses materiais. É fundamental fortalecer a educação permanente dos profissionais, alinhar a prática às políticas públicas e consolidar uma cultura de sustentabilidade nos serviços de saúde.
Palavras-chave: Resíduos hospitalares,sustentabilidade ambiental,Educação ambiental
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Abrir o trabalhoÍNDICE DE TERRITÓRIO SAUDÁVEL E SUSTENTÁVEL DO MUNICÍPIO DE IGUATU, CEARÁ
DJAIR OLIVEIRA SILVA; Antônio Germane Alves Pinto; Gisele Pedroza da Costa; Leticia Matias da Silva; Lívia Carvalho Pinheiro de Melo; Lucélia Aparecida Oliveira; Pedro Lucas Ferreira Mota
INTRODUÇÃO A relação entre saúde e território tem se tornado um eixo central nas discussões sobre planejamento em saúde pública, sobretudo diante da necessidade de compreender os determinantes sociais em sua dimensão coletiva e estrutural. O conceito de território saudável e sustentável envolve uma abordagem ampliada de saúde, na qual as condições de vida, os recursos ambientais, a infraestrutura urbana, o acesso aos serviços públicos e os fatores socioeconômicos atuam de forma integrada na determinação do bem-estar populacional. Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2010) afirma que o território deve ser compreendido como um espaço onde se manifestam não apenas os problemas de saúde, mas também as potencialidades para sua superação. No Brasil, a diversidade regional intensifica os desafios de planejamento e gestão territorial. A realidade dos municípios do semiárido nordestino é marcada por desigualdades históricas, com carências estruturais que impactam diretamente os indicadores de desenvolvimento humano. Municípios como Iguatu, situado no centro-sul cearense, enfrentam déficits crônicos em renda, escolaridade e infraestrutura, refletindo as fragilidades do modelo de desenvolvimento regional adotado nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, esses municípios apresentam potencialidades institucionais, sociais e ambientais que podem ser ativadas mediante políticas públicas integradas e sustentáveis (IPEA, 2019; SILVA et al., 2021). Nesse cenário, emerge a necessidade de ferramentas que auxiliem na leitura do território e orientem ações estratégicas de forma objetiva, fundamentadas em evidências. O Índice de Território Saudável e Sustentável (ITSS) configura-se como um instrumento técnico-metodológico capaz de integrar diferentes dimensões sociais, vulnerabilidade e desenvolvimento humano em uma métrica única e compreensível. Desenvolvido a partir de fontes secundárias confiáveis, como DATASUS, IBGE, PNUD e IPEA, o ITSS permite classificar os municípios segundo sua necessidade de intervenção, apoiando o planejamento intersetorial em saúde, assistência, educação e infraestrutura (PETERSEN et al., 2020). Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar o ITSS do município de Iguatu, Ceará, com base na combinação dos indicadores que compõem as dimensões de vulnerabilidade social e desenvolvimento humano. Busca-se, assim, identificar o grau de prioridade para ações públicas, compreender os fatores que influenciam o desempenho territorial e subsidiar a tomada de decisão por parte dos gestores, técnicos e demais atores envolvidos no processo de construção de políticas públicas territorializadas (DATASUS, 2023; PNUD, 2020). Descritores: Desenvolvimento sustentável; Determinantes sociais da saúde; Vulnerabilidade social; Planejamento em saúde. MÉTODO Trata-se de um estudo analítico do tipo transversal realizado em abril de 2025 com dados secundários referentes ao município de Iguatu, Ceará, lócus de inserção da Universidade Regional do Cariri – Campus Avançado de Iguatu. A análise envolveu o cálculo do Índice de Territórios Saudáveis e Sustentáveis (ITSS) desenvolvido a partir de componentes do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), Censo Demográfico (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Programa das Naçõess Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O ITSS é composto por duas dimensões: vulnerabilidade social e desenvolvimento humano. A primeira dimensão, vulnerabilidade social, contempla sete componentes, a saber: a) Índice de Vulnerabilidade Social (IVS)-renda e trabalho; b) IVS-capital humano; c) IVS-infraestrutura; d) Índice de Gini; e) razão de dependência; f) taxa de mortalidade até 5 anos; e g) taxa de mortalidade até 5 anos por diarreia. A segunda, desenvolvimento humano, por sua vez, envolve cinco componentes: a) o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)-renda; b) IDHM-educação; c) IDHM-longevidade; d) percentual de saneamento básico adequado; e) percentual de abastecimento de água por rede geral (Petersen et al., 2020). A operacionalização do estudo compreendeu a seleção do município de interesse e a consulta dos dados nas bases do IBGE, IPEA, PNUD e DATASUS; a organização dos dados de cada componente do indicador quanto ao ponto de corte por meio dos percentis até 25%, de 25% a 50%, de 50% a 75%, de 75% a 90% e acima de 90%; e atribuição de uma pontuação padronizada a cada componente do indicador a partir dos limites percentis. Destaca-se que para os componentes da dimensão Vulnerabilidade social, quanto maior o percentil, menor a percentual. Já para a dimensão Desenvolvimento Humano, aplica-se o inverso (Petersen et al., 2020). A pontuação recebida por cada componente é somada para compor o ITSS e a classificação do município em prioridade de ação em territórios saudáveis e sustentáveis orienta-se pela pontuação final: 0 a 3 pontos – Prioritária; > 3 a 6 – Necessária; > 6 a 9 – Recomendada; > 9 a 12 – Observação analítica (Petersen et al., 2020). O processamento dos dados deu-se por meio do Microsoft Excel, a partir de planilha eletrônica automatizada para o cálculo do ITSS. Por tratar-se de dados secundários, disponíveis em bases de acesso público, não se fez necessário apreciação ética, respeitando-se as recomendações da Resolução CNS nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO O município de Iguatu, no Ceará, apresentou Índice de Território Saudável e Sustentável de 9,00, correspondendo a uma prioridade de ação necessária. Em comparação com a realidade de estados do semiárido, esse nível de prioridade também prevaleceu entre os municípios de Alagoas (51%), Bahia (59%), Paraíba (56,5%), Pernambuco (56,8%), Piauí (70,1%) e do próprio Ceará (58,7%). A tabela 1 demonstra os valores atribuídos aos componentes dos indicadores do município e seu índice de Território Saudável e Sustentável. Tabela 1 – Componentes do Índice de Território Saudável e Sustentável do município de Iguatu, CE. Iguatu, CE, 2025 Componentes do indicador Distribuição Percentual Percentil municipal Pontos recebidos IVS-renda e trabalho 0,442 > 25% a ≤ 50% 0,75 IVS-capital humano 0,442 > 25% a ≤ 50% 0,75 IVS-infraestrutura 0,104 ≤ 25% 1,00 Índice de Gini 0,552 > 50% a ≤ 75% 0,50 Razão de dependência 0,447 > 25% a ≤ 50% 0,75 Taxa de mortalidade até 5 anos 1,93 ≤ 25% 1,00 Taxa de mortalidade até 5 anos por diarreia 0 ≤ 25% 1,00 IDHM-renda 0,642 > 50% a ≤ 75% 0,50 IDHM-longevidade 0,599 > 50% a ≤ 75% 0,50 IDHM-educação 0,808 > 75% a ≤ 90% 0,75 % de saneamento básico adequado 80,72 > 75% a ≤ 90% 0,75 % de abastecimento de água por rede geral 86,12 > 75% a ≤ 90% 0,75 Índice de Território Saudável e Sustentável = 9,00 Apesar dos avanços em infraestrutura sanitária, os resultados revelam desequilíbrios relevantes entre os componentes do ITSS. A baixa pontuação em capital humano e renda indica a permanência de vulnerabilidades sociais enraizadas, que demandam políticas integradas voltadas para a educação, qualificação profissional e geração de renda. Conforme destacado por Silva et al. (2021), a superação dessas fragilidades exige uma abordagem multissetorial e contínua, que considere as especificidades regionais e estimule o desenvolvimento local sustentável. Além da leitura técnica dos dados, é importante considerar que os resultados obtidos refletem não apenas aspectos estruturais do município, mas também os efeitos acumulados de políticas públicas adotadas nos últimos anos. A elevada pontuação em indicadores de infraestrutura, como saneamento básico e abastecimento de água, pode estar relacionada a investimentos estaduais e federais em programas de urbanização e acesso à água no semiárido. No entanto, a persistência de desigualdades em dimensões como renda e capital humano sugere que os ganhos não foram igualmente distribuídos entre os grupos populacionais. Isso indica a necessidade de uma abordagem integrada que vá além da infraestrutura física e contemple políticas de inclusão social, valorização da educação e fortalecimento do sistema de proteção social, com vistas à superação das desigualdades que ainda moldam o território. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise do Índice de Território Saudável e Sustentável (ITSS) do município de Iguatu revelou uma realidade marcada por contrastes entre avanços setoriais e desafios persistentes. A pontuação final de 9,00 classifica o município na categoria de prioridade necessária, evidenciando que, embora existam indicadores positivos, como a taxa zero de mortalidade por diarreia e os altos percentuais de abastecimento de água e saneamento básico, ainda há lacunas significativas em dimensões como renda, capital humano e desigualdade social. Esses achados confirmam a importância do ITSS como ferramenta de diagnóstico territorial e planejamento estratégico, ao permitir a identificação de áreas críticas que demandam ações integradas e contínuas do poder público. A utilização de dados secundários de bases públicas reforça o potencial da análise técnica como aliada na formulação de políticas baseadas em evidências, sobretudo em contextos do semiárido brasileiro, marcados por desigualdades históricas. Como implicação prática, o estudo fornece subsídios para gestores municipais, profissionais de saúde e planejadores públicos, ao indicar com clareza onde se concentram os maiores desafios do território. No entanto, como limitação, destaca-se a dependência exclusiva de dados secundários, que, embora robustos, não captam todas as nuances locais nem a dinâmica recente de políticas públicas implementadas. Sugere-se, portanto, a realização de estudos complementares com abordagem mista, incorporando perspectivas qualitativas da população e dos agentes públicos, com o propósito de aprofundar a compreensão sobre as interações entre o território, as políticas e os sujeitos. A continuidade e ampliação de pesquisas dessa natureza é fundamental para fortalecer a capacidade analítica dos municípios e construir estratégias mais justas e sustentáveis de desenvolvimento local. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Plano Nacional de Saúde 2020–2023. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. BUSS, Paulo Marchiori; PELLEGRINI FILHO, Alberto. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 77–93, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/physis/a/ZfVWRbXZc6cqMzQ7RM6hfFx/?lang=pt. Acesso em: 28 abr. 2025. DATASUS. Departamento de Informática do SUS. Informações de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br. Acesso em: 28 abr. 2025. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Desigualdades regionais e políticas públicas no Brasil: 10 anos de transformações. Brasília: IPEA, 2019. PETERSEN, Carlos et al. Índice de Território Saudável e Sustentável: proposta metodológica e aplicação em municípios do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 12, p. 4995–5006, 2020. Disponível em:https://www.scielo.br/j/csc/a/jWcWqCPKZGXt7wzSNg8gvgq/?lang=pt. Acesso em: 30 abr. 2025. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Relatório de Desenvolvimento Humano Municipal: Brasil. Brasília: PNUD, 2020. Disponível em: https://www.br.undp.org. Acesso em: 29 abr. 2025. SILVA, Ana Lúcia Rodrigues da et al. Indicadores de saúde e desigualdades regionais no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 21, supl. 1, p. 89–97, 2021.Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/8vGZT8bTWyy5GRPjw7sVppr/. Acesso em: 29 abr. 2025. WHO – World Health Organization. Healthy settings: the settings-based approach to health promotion. Geneva: WHO, 2010. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 30 abr. 2025.
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Abrir o trabalhoPRODUÇÃO INTELECTUAL EM ENFERMAGEM E SAÚDE AMBIENTAL NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA EM 2020 A 2025: ESTUDO BIBLIOMÉTRICO
LUCÉLIA APARECIDA OLIVEIRA; Nayanne Vieira Lima; Rai da Silva Maia; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Sabrina de Alencar Ribeiro; Pedro Lucas Ferreira Mota; Antônio Germane Alves Pinto
INTRODUÇÃO: A saúde ambiental está diretamente ligada à saúde do ser humano, tecendo influências e sendo influenciada por eles. A Enfermagem se aproxima dessa área de estudos desde o cerne (ou núcleo) de sua estruturação científica, a partir da atuação de Florence Nightingale em sua teoria ambientalista, a qual retrata que um ambiente favorável, sobretudo limpo e organizado, ajuda na recuperação dos pacientes e na saúde da população, influenciando claramente o processo saúde-doença (Medeiros, 2015). Sob esse prisma, os vários problemas ambientais existentes, como falta de saneamento básico, moradia, alimentação adequada, mudanças climáticas e contaminação de águas e solos, favorecem a existência de doenças e comprometem o processo saúde-doença. As influências transcendem a saúde individual e têm alcance coletivo, mostrando que o conceito de saúde vai além de tratar doenças, englobando o cuidado com o ambiente para estabelecer melhores condições de vida e propagar o bem-estar dos indivíduos (Bezerra, 2010). Nesse contexto, é válido ressaltar que o enfermeiro, nos múltiplos cenários em que atua, deve desenvolver competências de liderança e pensamento crítico que o auxiliem a lidar com problemas e tomadas de decisão, visando capacitar a população e promover uma realidade mais sustentável e consciente. Diante disso, a pós-graduação surge como orientadora para ampliar essa visão, concentrando-se em temas centrais que possam ser melhor explorados, compreendidos e não negligenciados em meio às inúmeras problemáticas da área da saúde. Cabe primordialmente à pós-graduação fomentar discussões e consolidar evidências científicas que norteiem a prática profissional, além de investigar em que medida esses temas são efetivamente trabalhados e incorporados na realidade dos enfermeiros (ALVES LEITE et al, 2019). Assim sendo, objetivou-se mapear os estudos relacionados a saúde ambiental e enfermagem desenvolvidos em programas de pós-graduação stricto sensu de enfermagem no Brasil. MÉTODO: Trata-se de um estudo bibliométrico, destinado a identificar as teses e dissertações produzidas nos programas de pós-graduação stricto sensu brasileiros, específicos da enfermagem. A pesquisa bibliométrica configura-se como um eixo fundamental da ciência da informação, pois viabiliza a quantificação e o delineamento da produção intelectual. Por meio de suas métricas, torna-se possível analisar o comportamento científico, o desenvolvimento das áreas de conhecimento e os impactos gerados pelos resultados das pesquisas (Moreira, et al., 2025) O estudo foi conduzido no mês de abril de 2025, considerando os produtos depositados no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes a partir dos descritores em saúde: “saúde ambiental” e “enfermagem”. Desse modo, foram elegíveis estudos relacionados à saúde ambiental e enfermagem. A busca foi realizada por dois pesquisadores independentes, de modo que os conflitos foram resolvidos por consenso com um terceiro pesquisador. Foi aplicada a seguinte estratégia no campo de busca: “saúde ambiental” AND “enfermagem”. Ademais, utilizaram-se os filtros “ciências da saúde” da “grande área do conhecimento” e “enfermagem” da “área de conhecimento”. O processo de seleção baseou-se no Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR) (Page et al., 2020). Foram incluídas as teses e dissertações que se alinhavam ao objeto de estudo, sem recorte temporal. Ao passo, excluíram-se aquelas que não estavam disponíveis online. Isto é, dos 46 estudos identificados, 16 foram excluídos durante a triagem, de modo que a amostra final foi composta por 30 estudos. Os dados foram registrados em uma planilha eletrônica, considerando as informações de ano de realização, título do estudo, universidade, estado e abordagem metodológica. Estes foram analisados a partir de estatística descritiva com frequência absoluta e relativa, de modo que os achados foram categorizados dimensionalmente e apresentados por meio de infográfico. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram encontradas 30 produções referentes à saúde ambiental e enfermagem, com crescente produção de teses (17; 56,33%), no período de 2013 a 2016 (16; 53,33%), de abordagem quantitativa (22; 73,33%). Em termos institucionais, a Universidade de São Paulo – Campus Ribeirão Preto, obteve o maior depósito de estudos (24; 80,00%). Os estudos mais frequentes destinavam-se a contribuir para o desenvolvimento de conhecimentos em saúde pública e intervenções (07; 23,33%). A caracterização detalhada dos estudos, considerando período de publicação, tipo de produção, abordagem metodológica, estado de construção, universidade e dimensão temática, encontra-se sintetizada na figura 2. O mapeamento realizado evidencia que, embora as discussões no campo da saúde tenham intensificado a necessidade de atenção às mudanças climáticas (Nicholas; Breakey, 2017) e às questões ambientais, a produção científica na pós-graduação strictu senso em enfermagem sobre essa temática ainda é incipiente, apresentando uma tendência de declínio ao longo do tempo. Nesse contexto, compreendendo-se as implicações do ambiente no processo saúde-doença — como já destacado por Florence Nightingale —, torna-se imperativo que os enfermeiros se debrucem sobre a questão ambiental, assumindo um compromisso social pautado na compreensão crítica desses processos e na atuação efetiva diante dos desafios impostos (Goodman, 2013). Contudo, é importante reconhecer que os estudos produzidos contribuem para o avanço da ciência da enfermagem sob a perspectiva ambiental, representando um progresso relevante nos processos de sensibilização quanto às complexidades dos fenômenos ambientais e na aplicação da prática de enfermagem voltada para um cuidado promotor de saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo permite identificar tanto os avanços quanto as lacunas existentes na interface entre a enfermagem e a saúde ambiental. Os achados evidenciam que, embora a produção científica ainda se apresente de forma dispersa entre as diferentes regiões e instituições analisadas, ela ainda é alvo de análise, especialmente sob a abordagem quantitativa e como resultado de pesquisas desenvolvidas em programas de doutorado. A sistematização dessas informações oferece subsídios relevantes para o delineamento de estratégias educacionais eficazes. Destaca-se, nesse sentido, a necessidade de ampliação das investigações na área e da translação do conhecimento produzido para a graduação, com o objetivo de integrar, de forma mais sólida, os saberes relacionados à saúde ambiental e à saúde individual. Espera-se que os resultados aqui apresentados estimulem uma postura crítica por parte da enfermagem, favorecendo a identificação de lacunas e impulsionando a produção de conhecimento na área. A efetivação desse movimento contribui para o fortalecimento da ciência da enfermagem e para a qualificação do cuidado, potencializando seus impactos na promoção da saúde.
Palavras-chave: SAÚDE AMBIENTAL, SAÚDE-DOENÇA,PÓS-GRADUAÇÃO,ENFERMAGEM
Oral
Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA: TERRITORIALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE MAQUETE DO BAIRRO CAFUNDÓ DO JUDAS
LAURA TABITA DE QUEIROZ MAGALHÃES MARQUES ; Alice Guedes Alexandre Bezerra; Davilla Nunes Severo; Francisca Miriakele Alves da Silva; Gabriele Castro da Silva; Renata Alencar Nascimento
Esse trabalho foi baseado nas experiências de seis discentes do sétimo semestre do curso de enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA). As estudantes realizaram a construção de uma maquete de um bairro fictício Cafundó do Judas, uma região com muitas vulnerabilidades e alta densidade populacional. Além disso, fizeram a territorialização do local, para identificar as problemáticas, fatores de risco e possíveis medidas que a equipe de enfermagem poderia realizar para melhorar a qualidade de vida da população.
Palavras-chave: Territorialização da Atenção Primária,Enfermeiros de Saúde da Família,Enfermagem
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Abrir o trabalhoSAÚDE PLANETÁRIA, CAATINGA E SUBESTRUTURA: DESCRIÇÃO DA PROLIFERAÇÃO DE ARBOVIROSES E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL NO CEARÁ.
LÍVIA CARVALHO; Lívia Carvalho Pinheiro Melo; Antônio Germane Alves Pinto; Lucélia Aparecida Oliveira; Nayanne Vieira Lima; Pedro Lucas Ferreira Mota; Raí da Silva Maia; Sabrina de Alencar Ribeiro
Este estudo investiga a distribuição espacial e as correlações socioambientais da incidência de arboviroses — dengue, chikungunya e zika — no estado do Ceará, entre 2020 e 2024, à luz da perspectiva da Saúde Planetária, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, os sistemas naturais e o contexto socioeconômico. A pesquisa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), destacando a importância de dados científicos para compreender os efeitos das mudanças climáticas e da degradação ambiental sobre a saúde coletiva. A metodologia adotada foi um estudo transversal descritivo baseado em dados secundários do DATASUS e do IBGE. Foram analisadas incidências municipais de arboviroses, individual e conjuntamente, e correlacionadas com variáveis como renda, rede de esgoto, abastecimento de água e coleta de lixo. A análise espacial foi realizada com o software GeoDa e os testes de correlação aplicados com o JASP. Os resultados evidenciam que a dengue foi a arbovirose mais prevalente, seguida por chikungunya e zika. Destacam-se os municípios de Brejo Santo, Aratuba e Penaforte com as maiores taxas combinadas. Brejo Santo, por exemplo, apresentou uma incidência geral de 195,79 casos por mil habitantes. A análise também indicou correlação positiva entre a cobertura de esgoto e a incidência de arboviroses (r = 0,450; p = 0,031), o que pode estar relacionado à urbanização desordenada. Por outro lado, observou-se correlação negativa com a ausência de coleta de lixo (r = -0,440; p = 0,037), possivelmente explicada por subnotificação e menor densidade populacional em áreas com pior infraestrutura. O estudo confirma que condições climáticas extremas e desigualdades estruturais, típicas da Caatinga, intensificam a vulnerabilidade da população às arboviroses. Os dados reforçam a importância de ações territoriais de saúde pública que levem em conta fatores como renda, saneamento e clima local. Conclui-se que a integração entre políticas ambientais e de saúde, guiadas pela Saúde Planetária e pelos ODS (notadamente os objetivos 3, 6 e 13), é crucial para conter a expansão dessas doenças e promover a equidade em saúde no semiárido nordestino.
Palavras-chave: Saúde planetária, Arboviroses,Distribuição espacial
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Abrir o trabalhoTERRITÓRIOS SAUDÁVEIS E SUSTENTÁVEIS: ESTUDO BIBLIOMÉTRICO NA PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU DAS CIÊNCIAS DA SAÚDE NO BRASIL.
GISELE PEDROZA DA COSTA; Antônio Germane Alves Pinto; Letícia Matias da Silva; Lívia Carvalho Pinheiro Melo; Lucas Dias Soares Machado; Lucélia Aparecida Oliveira; Nayanne Vieira Lima
Introdução: Os territórios saudáveis e sustentáveis referem-se a ambientes que favorecem o bem-estar e a qualidade de vida da população por meio de condições ambientais, sociais e econômicas adequadas. Esses fatores, sustentados por ações comunitárias e políticas públicas, atuam como importantes determinantes para a saúde dos indivíduos. Os programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil, especialmente das ciências da saúde, têm um papel essencial nesse cenário: eles constroem e aprimoram conhecimentos críticos e aprofundados sobre a relação entre ambiente e saúde. Assim, a produção científica nesse campo apresenta potencial para a formulação de soluções baseadas em evidências, contribuindo para a promoção da saúde populacional. Objetivo: Mapear os estudos relacionados aos territórios saudáveis e sustentáveis desenvolvidos em programas de pós-graduação stricto sensu das ciências da saúde no Brasil. Método: Estudo bibliométrico, realizado no Portal de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior em abril de 2025. Foram utilizados os descritores controlados “Cidade saudável” e os não controlados “Territórios saudáveis” e “Territórios sustentáveis”, que interrelacionados, compuseram a equação de busca: “Cidade Saudável” OR “Territórios saudáveis” OR “Territórios sustentáveis”. Além disso, utilizou-se o filtro “ciências da saúde” da “grande área do conhecimento”. Foram incluídos os estudos alinhados ao objeto de análise, sem recorte temporal. Ao passo, excluíram-se aqueles indisponíveis online. Os estudos selecionados foram catalogados para análise, que foi conduzida pelos autores do estudo, que possuem ampla leitura sobre o objeto, atestada a partir de consultoria sobre o tema para Organização Pan-Americana de Saúde e Ministério da Saúde. Resultados: Foram incluídas quatro produções referentes aos territórios saudáveis e sustentáveis, do tipo dissertação (3; 75%) e tese (1; 25%), publicadas nos anos de 2014, 2019, 2020 e 2023. A abordagem metodológica dos estudos consistia em abordagens qualitativas (2; 50%) e mistas (2; 50%). Em termos institucionais, a Fundação Oswaldo Cruz obteve o maior depósito de estudos (3; 75%), distribuídos entre a unidade regional de Brasília (2; 50%) e Rio de Janeiro (1; 25%). Além disso, identificou-se um estudo construído pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1; 25%). Quanto aos programas, sobressaiu-se a área de concentração políticas públicas em saúde (2; 50%), seguido da saúde pública (1; 25%) e enfermagem e saúde (1; 25%) Os estudos mais frequentes destinavam-se a contribuir para o desenvolvimento de conhecimentos em território e saúde (3; 75%) e saúde ambiental (1; 25%). Conclusão: Entende-se que, embora existam estudos sobre o tema, seu número ainda é limitado dada a abrangência e a relevância para a saúde pública. Observa-se ainda uma concentração tanto no âmbito institucional quanto na área de conhecimento políticas públicas de saúde, o que reflete o engajamento de parte das instituições com essa produção científica emergente, ao mesmo tempo em que convoca as demais instituições a contribuírem para o fortalecimento desse campo e, consequentemente, para o desenvolvimento de estratégias que promovam a adequação dos territórios sob a vertente de territórios saudáveis e sustentáveis.
Palavras-chave: Cidade saudável, Política pública , Programas de Pós-graduação em saúde
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Abrir o trabalhoPalavras-chave: Enfermagem Obstétrica, Educação em saúde,Gravidez, Parto humanizado
Oral
Abrir o trabalhoABORGAGEM INTERDISCIPLINAR ÀS FÍSTULAS DIGESTIVAS, INTERSECÇÃO ENTRE SAÚDE FÍSICA E MENTAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
RAFAEL CESAR BARRETO; Leonardo Luís Pinheiro Alves; Maria Selma Alves Bezerra
As fístulas digestivas são comunicações anormais entre estruturas do trato gastrointestinal e outras superfícies, podendo gerar complicações físicas, nutricionais e psicológicas. Diante da complexidade dessa condição, destaca-se a importância de uma abordagem interdisciplinar no cuidado ao paciente, envolvendo diferentes áreas da saúde. Com esse propósito, a Liga Acadêmica de Estomaterapia (LAEST) da URCA organizou o I Fórum de Estomaterapia, abordando a intersecção entre saúde física e mental no manejo das fístulas digestivas. O evento foi planejado por comissões específicas e contou com inscrições online e presenciais. Reuniu profissionais como coloproctologista, nutricionista, psicóloga, enfermeiros e representante comercial, que ministraram palestras e demonstrações práticas. Como resultado, o fórum promoveu a troca de conhecimentos, incentivou a formação crítica e humanizada de estudantes e profissionais e reforçou a importância da atuação multiprofissional no tratamento integral de pacientes com fístulas.
Palavras-chave: INTERDISCIPLINAR, ENFERMAGEM, FÍSTULA DIGESTIVA
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Abrir o trabalhoABRIL AZUL: INCLUSÃO E CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
LIVIANE IZIDORIO DA SILVA; Darlange da Silva Pinheiro; Paloma Alves Silva; Priscilla Mércia da Nóbrega Barbosa; Sayla Silva Gomes; Vitoria Emile Lins de Andrade; Jessyca Moreira Maciel
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Com prevalência estimada em uma a cada 100 crianças no mundo, o TEA se configura como uma questão de saúde pública, exigindo ações intersetoriais voltadas à inclusão e ao respeito às diversidades. Nesse contexto, o Abril Azul surge como uma campanha de extrema relevância ao promover a conscientização sobre o autismo, mobilizando a sociedade e os profissionais da saúde. Este trabalho objetiva relatar uma experiência vivenciada durante uma ação educativa realizada em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Iguatu-CE, em alusão à campanha Abril Azul, conduzida por estudantes de enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA). A atividade consistiu em uma roda de conversa com usuários e profissionais da UBS, seguida da entrega de panfletos informativos, visando o fortalecimento de vínculos, a escuta qualificada e o compartilhamento de vivências. A ação demonstrou-se eficaz ao estimular o diálogo sobre o TEA, promover a troca de experiências entre os participantes e combater estigmas associados ao transtorno. A participação ativa da comunidade, aliada à receptividade dos materiais distribuídos, evidenciou o impacto positivo da educação em saúde na Atenção Primária. Conclui-se que ações como essa fortalecem a formação dos futuros profissionais de enfermagem e contribuem para a construção de uma sociedade mais empática e inclusiva. Ressalta-se a necessidade de ampliar essas iniciativas com apoio de equipes multiprofissionais e articulação com serviços especializados.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista, Educação em Saúde, Serviços de Saúde Comunitária, Conscientização, Enfermagem
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Abrir o trabalhoACOLHIMENTO FRENTE À CRIANÇAS COM TEA NA CONSULTA DE PUERICULTURA: UMA PERSPECTIVA DISCENTE
FERNANDA ISIDÓRIO MAIA DA SILVA ; MARIA TAINARA PINHEIRO; ISABELA ROCHA SIEBRA
ACOLHIMENTO FRENTE À CRIANÇAS COM TEA NA CONSULTA DE PUERICULTURA: UMA PERSPECTIVA DISCENTE Fernanda Isidório Maia da Silva¹ Maria Tainara Pinheiro² Isabela Rocha Siebra³ Rachel Cardoso de Almeida4 Introdução: As vivências em estágio são fundamentais para a formação do enfermeiro, especialmente quando inseridas no contexto da atenção primária à saúde, como ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Como exemplo de ação executada na UBS, puericultura é uma importante ferramenta nesse contexto, pois permite o acompanhamento integral do desenvolvimento infantil. Quando a criança apresenta características do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o cuidado precisa ser adaptado, considerando as necessidades específicas de comunicação, comportamento e sensorialidade. Desse modo, o acolhimento humanizado é essencial para promover uma escuta ativa e um vínculo terapêutico eficaz entre profissional, criança e família. Objetivo: Relatar a experiência discente no acolhimento de crianças com TEA durante consultas de puericultura em uma UBS. Método: Durante o nono semestre do curso de Enfermagem, no período de 07 de outubro de 2024 a 24 de janeiro de 2025, foi realizado estágio supervisionado na Unidade Básica de Saúde Santo Antônio, localizada no município de Iguatu – Ceará. As atividades foram realizadas sob supervisão docente e envolviam consultas de puericultura com foco no desenvolvimento infantil. Em alguns atendimentos, foi necessário adaptar a abordagem para acolher adequadamente crianças com características sugestivas de TEA, utilizando linguagem acessível, observação atenta de comportamentos e escuta sensível às demandas das famílias. Resultados: A experiência permitiu compreender, na prática, a importância da abordagem individualizada e do acolhimento às necessidades específicas das crianças com possíveis sinais de TEA. A escuta qualificada aos familiares foi essencial para identificar preocupações relacionadas ao desenvolvimento da criança e para promover encaminhamentos adequados à rede de apoio. O cuidado adaptado contribuiu para o fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e as famílias, além de evidenciar o papel do enfermeiro na identificação precoce de alterações no neurodesenvolvimento. Conclusão: O estágio proporcionou uma vivência enriquecedora, reforçando a importância da atuação sensível e humanizada do enfermeiro na atenção primária. Embora o tempo de estágio tenha sido limitado, foi possível desenvolver habilidades de observação clínica, comunicação e acolhimento. Ressalta-se a necessidade de momentos formativos para os profissionais de saúde no cuidado à criança com TEA, visando uma assistência mais inclusiva e eficaz desde os primeiros anos de vida. Descritores: Transtorno do Espectro Autista; Cuidado da Criança; Enfermagem. Referências ALMEIDA, Rosângela Oliveira de; CARVALHO, Danuza Jesus Mello de. AUTISMO: O PAPEL DO ENFERMEIRO NO CUIDADO DE CRIANÇAS DO ESPECTRO AUTISTA. Apoena Revista Eletrônica, 2023. Disponível em: https://transformauj.com.br/wp-content/uploads/2024/04/27.AUTISMO-O-PAPEL-DO-ENFERMEIRO-NO-CUIDADO-DE-CRIANCAS-DO-ESPECTRO-AUTISTA-.pdf Acesso em: 01 mai. 2025 CORREA, I.S; GALLINA, F.; SCHULTZ, L. F. Indicadores para triagem do transtorno do espectro autista e sua aplicabilidade na consulta de puericultura: conhecimento das enfermeiras. Rev. APS. 2021 abr.-jun.; 24(2): 282-95. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/aps/article/view/32438/23491. Acesso em: 01 mai. 2025. DEL CIAMPO, L. A. O Programa de Saúde da Família e a Puericultura. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 11, n. 3, p. 739-743, 2006. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232006000300021. Acesso em: 01 mai. 2025. JERÔNIMO Tatiane Garcia et al. Assistência do enfermeiro(a) a crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. Acta Paul Enferm. 2023;36:eAPE030832. Disponível em:https://www.scielo.br/j/ape/a/3KwWvQnjR76F3Ddwm53BVRm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 01 mai. 2025.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista, Cuidado da Criança,Enfermagem
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Abrir o trabalhoASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS NA RELAÇÃO ENTRE O COVID-19 E O SARCOMA DE KAPOSI EPIDÊMICO: REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA
MARIA DE FÁTIMA SOARES GOMES ; Anna Beatriz dos Santos Bezerra; Bruna Stephanie Bernardo da Silva; Emanuelly Vieira Pereira; Exilei Bastos Florentino; Géssica da Silva Lima; Sarah Caldas dos Santos Silva; Camila Fonseca Bezerra
Introdução: A pandemia do COVID-19, desencadeada pelo coronavírus SARS-CoV-2, desafiou sem precedentes os sistemas de saúde mundiais. A interação entre a infecção por SARS-CoV-2 e comorbidades preexistentes são objeto de estudos em busca de elucidar potenciais impactos na progressão e manejo. O Sarcoma de Kaposi (SK), especialmente a variante epidêmica associada à infecção pelo Human Immunodeficiency Virus (HIV), é uma neoplasia angioproliferativa multifocal causada pelo herpesvírus humano tipo 8 (HHV-8). A imunossupressão induzida pelo HIV constitui fator de risco crítico para o desenvolvimento e progressão do SK, bem como para co-infecções. Assim, a relação entre a COVID-19 e o SK requer atenção. Objetivo: Explorar na literatura científica os mecanismos fisiopatológicos que podem estar relacionados com a infecção pelo COVID-19 ao desenvolvimento ou progressão do SK em indivíduos vivendo com HIV. Método: Trata-se de revisão narrativa da literatura realizada de abril a maio de 2025. Foram consultadas as bases PubMed, SciELO, Google acadêmico e BVS Saúde, utilizando os DeCS: “Sarcoma de Kaposi”, “HIV”, “COVID-19” e MeSh: “Sarcoma, Kaposi” “HIV” e “ COVID-19” usando o operador booleano AND. Foram incluídos artigos publicados de 2020 a 2025, que abordassem essa interação e excluídos trabalhos que não apresentavam relação direta com o tema proposto ou que não estavam disponíveis na íntegra, sendo elencados 10 estudos como amostra. Os resultados foram apresentados descritivamente. Resultados: Os estudos evidenciaram que a coinfecção por HIV e SARS-CoV-2 tem se mostrado um agravante importante no quadro de pacientes imunossuprimidos, favorecendo a manifestação do SK, sendo a depleção do sistema imune fator de risco. O SK foi uma das primeiras manifestações clínicas da Acquired Immune Deficiency Syndrome (Aids). Mesmo com os avanços da Terapia Antirretroviral (TARV), a coinfecção por HIV-HHV-8 continua representando um desafio clínico, especialmente em contextos de acesso limitado ao tratamento ou diagnóstico tardio do HIV. Em diversos casos, lesões cutâneas e orais características do SK foram identificadas apenas durante a internação por COVID-19. A resposta inflamatória intensa, associada à linfopenia e à disfunção endotelial provocadas pelo coronavírus, favorecem a reativação do HHV-8. Contudo, o uso de corticosteróides em casos graves de COVID-19 pode suprimir a imunidade adaptativa, facilitando a progressão do SK. A destruição de linfócitos comuns tanto no HIV quanto no SARS-CoV-2, reduz a vigilância antiviral e, junto ao dano endotelial e à hipercoagulabilidade, contribui para a angiogênese característica da neoplasia. Conclusão: Evidenciou-se que a infecção por SARS-CoV-2 pode atuar como fator agravante no desenvolvimento ou progressão do SK em pessoas vivendo com HIV em decorrência da imunossupressão, visto que as evidências científicas sugerem possível progressão neoplásica, destacando-se a importância do monitoramento clínico dos pacientes durante e após a infecção por COVID-19.
Palavras-chave: Sarcoma de Kaposi,Hiv,Covid-19
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Abrir o trabalhoASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À MULHER COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
FRANCISCA MIRIA KELE ALVES DA SILVA; ALICE GUEDES ALEXANDRE BEZERRA; DAVILLA NUNES SEVERO; GABRIELE CASTRO DA SILVA; LAURA TABITA DE QUEIROZ MAGALHÃES MARQUES; RENATA ALENCAR DO NASCIMENTO
Introdução: A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina, prevalente em 23% das mulheres jovens e 50% das mulheres idosas. Sua identificação precoce e o uso de estratégias conservadoras são essenciais ao manejo, destacando a importância da assistência de enfermagem em âmbito primário. O objetivo deste estudo foi descrever a assistência de enfermagem a mulheres com IU na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Descrever a assistência de enfermagem a mulheres com IU na Atenção Primária à Saúde (APS). Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada em fevereiro e março de 2025. A busca das publicações foi realizada no Consensus, ferramenta apoiada por inteligência artificial que sensibiliza os 10 estudos mais relevante para determinado prompt. Por meio de três prompts, foram sensibilizados 30 estudos relevantes. Resultados: Os resultados apontam que a assistência de enfermagem à IU na APS tem mostrado benefícios com o uso de métodos conservadores, como a redução dos sintomas em 40,4% das pacientes e melhorias na qualidade de vida. Tais métodos, como o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, da bexiga e perda de peso, são eficazes para a IU de esforço. A estimulação elétrica e a acupuntura podem ser úteis no manejo da IU de urgência. No entanto, desafios como alta taxa de abandono ao tratamento (32%), falta de motivação, comorbidades, estigma e dificuldades financeiras dificultam a adesão ao tratamento. A escassez de serviços especializados na APS também limita o cuidado contínuo. Apesar disso, a atuação dos enfermeiros tem se mostrado custo-efetiva. Ressalta-se que os estudos sensibilizados refletem uma realidade global, que deve ser conhecida e reproduzida no cenário nacional. Conclusão: Conclui-se que a assistência de enfermagem à IU na APS é fundamental ao manejo adequado, possibilitando a identificação precoce e o tratamento custo-efetivo por meio de estratégias conservadoras. Enfermeiros estomaterapeutas podem fornecer apoio matricial à APS, orientando as melhores práticas. Desafios relacionados à falta de recursos na APS ainda precisam ser superados.
Palavras-chave: Nursing Care, Women,Urinary Incontinence,Primary Health Care
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Abrir o trabalhoATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EDUCADOR EM DIABETES COMO ESTRATÉGIA TRANSFORMADORA DO AUTOCUIDADO EM SAÚDE: REVISÃO NARRATIVA
RAYSSA BRAGA VIDAL DE BRITO ; Hercilianny Zélia Pedrosa Santiago
No Brasil e no mundo, as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como o Diabetes Mellitus (DM), representam um problema de saúde pública significativo. A educação em saúde surge como ferramenta fundamental no cuidado ao paciente, com o autocuidado como prática transformadora. Este estudo teve como objetivo descrever o papel do enfermeiro como educador em diabetes, evidenciando sua atuação como uma prática transformadora para o autocuidado em saúde. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada em abril de 2025, com busca nas bases de dados LILACS, BDENF e MEDLINE via BVS. A seleção dos artigos foi feita em três etapas: busca e triagem, extração e análise de dados, e redação da revisão. Utilizou-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e palavras-chave combinados com operadores booleanos. Os resultados mostram que o enfermeiro desempenha um papel crucial na Atenção Primária no manejo do DM, atuando como educador e promovendo o autocuidado. A educação em saúde tem impacto positivo na adesão ao tratamento, conhecimento da doença e prevenção de complicações. O estudo também aponta desafios enfrentados pelos enfermeiros, como tempo limitado, falta de recursos e dificuldades no trabalho em equipe. Em conclusão, o enfermeiro exerce um papel transformador na educação em diabetes, promovendo o autocuidado e capacitando os pacientes. Investir na formação desses profissionais e em estratégias educativas é essencial para melhorar a adesão ao tratamento e os resultados em saúde.
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Abrir o trabalhoCOMPORTAMENTO DE SAÚDE PROPENSO A RISCO EM UNIVERSITÁRIOS: UMA ANÁLISE DE ENFERMAGEM À LUZ DO METAPARADIGMA SAÚDE PLANETÁRIA DA TECompSP
AMANDA AIRES PINHEIRO CARNAÚBA; Carola Lima Bezerra; Djair Oliveira Silva; Gisele Pedroza da Costa; Letícia Matias da Silva; Antônio Germane Alves Pinto; Lucas Dias Soares Machado7
Introdução: O comportamento de saúde propenso a risco em universitários é tido, por vezes, como produto das mudanças contextuais e subjetivas reforçadas pelo ambiente universitário, o que demanda o fortalecimento de um cuidado sistematizado multidisciplinar, em especial da enfermagem. Nesse contexto, a Teoria de Médio Alcance para o Comportamento de Saúde Propenso a Risco em Universitários (TECompSPRU), desenvolvida em 2024, estabelece um conjunto de conceitos que, de forma isolada ou conjugada, promovem a descrição e a explicação do construto, visando ao fortalecimento do raciocínio de enfermagem sobre o fenômeno, sobretudo ao relacioná-lo ao metaparadigma da enfermagem. Objetivo: Refletir sobre o comportamento de saúde propenso a risco em universitários, tomando como base o metaparadigma da saúde planetária proposto pela TECompSPRU. Método: Estudo reflexivo, que buscou responder: como a TECompSPRU aborda o metaparadigma da saúde planetária no comportamento de saúde propenso a risco em universitários? A análise, baseada na obra de Mota (2024), partiu de uma revisão crítica (não sistemática) da literatura, com foco na triangulação entre os conceitos do metaparadigma de enfermagem e o construto de interesse. Resultados: O comportamento de saúde propenso a risco em universitários é compreendido como uma tendência à adoção de hábitos configurados como prejudiciais à saúde, com potencial negativo, desfavorável e/ou destrutivo. Como fenômeno de enfermagem - resposta humana -, sua análise exige articulação com o metaparadigma da área, conforme a TECompSPRU desenvolve a partir de Fawcett (2023). Nessa abordagem, a saúde planetária refere-se a um estado particular, caracterizado pela busca do bem-estar e da harmonia em seus múltiplos aspectos. Ou seja, faz-se necessário que o cuidado esteja pautado na prevenção e na promoção dos fatores que influenciam o fenômeno, além da recuperação da saúde em casos de adoecimento. Embora possa ser vista como um conceito isolado, a saúde planetária resulta das relações entre o ser humano, o ambiente global e as atividades nusológicas. Em síntese, o universitário é um ser adaptável e relacional, em constante busca pela saúde planetária. Contudo, sua interação com o ambiente global – incluindo sua individualidade e o contexto universitário – gera estressores que culminam na manifestação do fenômeno e, portanto, repercutem em sua saúde planetária. O ambiente global e a saúde planetária são objetos das atividades nusológicas – atividades que integram a ciência de enfermagem -, por meio do controle dos fatores que afetam o universitário e do gerenciamento dos estressores que emergem desse meio. Conclusão: A TECompSPRU propõe uma análise colaborativa do fenômeno mediante a integração dos quatro conceitos do metaparadigma de enfermagem (pessoa, ambiente, saúde e cuidado). A teoria posiciona a saúde planetária como eixo integrador dessas dimensões, cuja manifestação simultaneamente influencia e resulta das mesmas. Essa abordagem inovadora amplia a compreensão do fenômeno para a prática clínica, embora necessite de validação teórica; e empírica quanto à sua aplicabilidade em diferentes contextos universitários.
Palavras-chave: Comportamento de risco, Enfermagem, Teoria de enfermagem, Estudantes
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Abrir o trabalhoCONSTRUÇÃO DE MAQUETE PARA SIMULAÇÃO DE TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA II: RELATO DE EXPERIÊNCIA
JOSÉ SAMUEL BITÚ HOLANDA; Ana Paula Nunes Fernandes; Djair Oliveira Silva; Pablo Henrique Coêlho de Freitas
Introdução: No processo de aprendizagem da enfermagem em saúde coletiva, a territorialização corresponde a uma ferramenta fundamental para diagnóstico situacional em saúde de uma comunidade. Nesse sentido, a proposição de uma territorialização simulada com base em um território fictício proporciona o desenvolvimento de habilidades inerentes à atuação no contexto da Atenção Básica à Saúde. Sua aplicação está fundamentada na aprendizagem significativa, de modo a despertar o senso crítico e a capacidade argumentativa dos estudantes ao analisar um contexto de vida populacional. Objetivo: Relatar a construção de uma maquete como recurso de territorialização, destacando os determinantes sociais de saúde em um bairro fictício de classe média alta. Método: Este trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, com abordagem descritiva e qualitativa, desenvolvido a partir de uma atividade prática realizada na disciplina de Saúde Coletiva II, no curso de graduação em Enfermagem da Universidade Regional do Cariri-URCA/Campus Iguatu. A experiência refere-se à construção de uma maquete representando um bairro fictício de classe média alta, com o objetivo de subsidiar a territorialização e o reconhecimento dos determinantes sociais de saúde presentes no espaço urbano. A atividade foi realizada em grupo e envolveu pesquisa, discussão e construção colaborativa, com base nos princípios da territorialização e da atenção primária à saúde. O relato aborda as etapas do processo, os desafios enfrentados, as estratégias utilizadas e as reflexões geradas a partir da vivência, visando contribuir para o fortalecimento da formação crítica e integrada do/a enfermeiro/a no campo da saúde coletiva. Resultados: A construção da maquete do bairro Parque das Flores serviu como uma ferramenta prática para analisar os determinantes territoriais e socioespaciais da saúde, permitindo visualizar dinâmicas sociais, infraestrutura e desafios como o isolamento de idosos, a subutilização da UBS e a baixa participação em ações coletivas, reforçando a importância da territorialização no planejamento de intervenções mais efetivas na Atenção Básica. Essa experiência destacou a importância da territorialização na Enfermagem, pois permite identificar as características do território e suas influências no processo saúde-doença. A maquete revelou elementos como moradias padronizadas, áreas de lazer e poucos serviços públicos de saúde. Ao analisar o bairro, observou-se uma população majoritariamente idosa, com baixa utilização dos serviços públicos de saúde, possivelmente devido à preferência por atendimento privado ou à sensação de autossuficiência. No entanto, discutiu-se que o poder aquisitivo não garante saúde, visto a ocorrência de doenças crônicas e problemas de saúde mental, relacionados a fatores como isolamento social e fragilidade dos vínculos comunitários. A atividade reforçou a importância do olhar crítico do/a enfermeiro/a para vulnerabilidades invisíveis e para a promoção de cuidado integral, baseado em escuta e vínculo. Conclusão: A maquete serviu como um ponto de partida para muitas reflexões sobre o papel dos/as futuros/as enfermeiros/as e a importância de uma prática mais sensível, atenta e comprometida com as reais necessidades das pessoas. Foi uma vivência que marcou e, sem dúvida, vai influenciar a forma como se encara a saúde coletiva no processo formativo da enfermagem.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde,Determinantes Sociais da Saúde,Enfermagem em Saúde Comunitária.
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Abrir o trabalhoCONSTRUINDO A REALIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE UMA MAQUETE COMO FERRAMENTA DE REFLEXÃO NA SAÚDE COLETIVA
MAIZA KELLE SILVA ; Saulo Isaias Vieira de Oliveira; Francisca Raquel Roque Soares; Antônia Fábia Alves Andrade; Maria Tainara Rodrigues da Silva
O artigo relata a experiência de acadêmicos de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA – CHMT) na construção de uma maquete como recurso didático para abordar os determinantes sociais da saúde em comunidades vulneráveis. Inserida na disciplina de Saúde Coletiva II, a atividade propôs a criação de um bairro fictício, Vila Aurora, representando uma comunidade periférica com cerca de 15 mil habitantes e marcada por graves deficiências de infraestrutura, como ausência de saneamento, iluminação, segurança e transporte. Esses aspectos foram integrados visualmente na maquete, construída com materiais simples como isopor, barro, palitos de picolé, papelão e gel de cabelo, além de miniaturas que representavam moradores, animais e elementos naturais do ambiente. A atividade prática buscou incentivar uma compreensão crítica dos determinantes sociais da saúde e promover a reflexão dos alunos sobre os desafios enfrentados em comunidades reais. A representação visual possibilitou perceber como a falta de infraestrutura impacta negativamente os indicadores de saúde, provocando doenças como arboviroses e infecções hídricas. Além disso, o trabalho reforçou a importância do trabalho em equipe, da criatividade na utilização de recursos simples e da sensibilidade para com o contexto social em que os profissionais de saúde irão atuar. Durante a elaboração da maquete, foi possível representar elementos simbólicos como o rio poluído que corta a vila, a precariedade das moradias, a carência de serviços básicos e a distância até a Unidade Básica de Saúde (UBS). Esses aspectos suscitaram reflexões sobre o papel do profissional de saúde na promoção da equidade e no enfrentamento das desigualdades sociais. A construção colaborativa fortaleceu a troca de experiências entre os alunos e favoreceu uma visão mais humanizada e ética da prática profissional, voltada para o cuidado integral e adaptado à realidade local. A atividade não apenas consolidou o aprendizado teórico sobre saúde coletiva, como também se destacou como ferramenta pedagógica eficaz, proporcionando aos estudantes uma experiência de ensino significativa, com forte impacto visual e emocional. O exercício permitiu vivenciar na prática a complexidade da realidade social e estimulou o desenvolvimento de competências importantes para a atuação em cenários desafiadores, como a escuta ativa, o trabalho interdisciplinar e a proposição de soluções concretas para problemas coletivos. Conclui-se que a construção da maquete foi uma estratégia exitosa no processo de ensino-aprendizagem, por articular teoria e prática de forma criativa, crítica e participativa. A atividade destacou a importância da abordagem territorializada e do engajamento comunitário para a transformação dos determinantes sociais da saúde, reafirmando o compromisso ético dos futuros profissionais com a justiça social e a universalização do acesso à saúde.
Palavras-chave: Enfermagem,Construção de maquete,Saúde Coletiva
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Abrir o trabalhoCONTRIBUIÇÕES DO ESTÁGIO EM TERAPIA INTENSIVA NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS PARA SEGURANÇA DO PACIENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
MARIANA YASMIM BEZERRA VIEIRA ; Nágila da Silva Teixeira; Luis Eduardo Santiago Holanda; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Rhayla Venâncio Terto; Íngrid Luna Silva
Introdução: O estágio supervisionado é um componente essencial na formação acadêmica em enfermagem, possibilitando a integração entre teoria e prática. A inserção do acadêmico em Unidade de Terapia Intensiva contribui significativamente para o desenvolvimento de habilidades técnicas, cognitivas e relacionais. Portanto, o contato direto com pacientes críticos e com a equipe multiprofissional possibilita ao acadêmico aprimorar competências e fortalecer seu perfil profissional para atuação humanística e segura. Objetivo: Relatar as contribuições do estágio em unidades de terapia intensiva no desenvolvimento de competências profissionais de acadêmicos de enfermagem para segurança do paciente. Método: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente às vivências de acadêmicos de enfermagem da Universidade Regional do Cariri durante o estágio curricular da disciplina Processo de Cuidar em Saúde do Adulto, realizado em duas unidades de terapia intensiva de hospitais localizados no município de Iguatu-CE, no mês de janeiro de 2025. Os resultados são apresentados descritivamente. Resultados: No decurso do estágio, os discentes participaram ativamente na assistência a pacientes adultos e idosos em estado crítico de saúde, acompanhando rotinas assistenciais e colaborando em cuidados de enfermagem sob supervisão docente. Foram desenvolvidas práticas como avaliação e registro de evolução de enfermagem, elaboração de diagnósticos de enfermagem, aspiração orotraqueal, coleta de aspirado traqueal, higienização e aspiração de traqueostomia, administração de medicamentos conforme prescrição médica, higiene corporal no leito, coleta e interpretação de gasometria arterial, manejo de equipamentos, sondagem nasogástrica e cateterismo vesical de demora, troca de curativos de dispositivos vasculares e tratamento de lesão por pressão. Além da dimensão técnica, observou-se o aprimoramento da tomada de decisão, colaboração, atividade ética, prática crítico-reflexiva, avaliação de risco de efeitos adversos de medicamentos, trabalho em equipe, cuidado centrado no paciente, comunicação com pacientes, familiares e equipe multiprofissional, observação de dados objetivos e subjetivos, interpretação e avaliação de informações, planejamento e preparo de intervenções, reconhecimento de desvios nos padrões clínicos esperados, conhecimento interdependente, raciocínio indutivo e raciocínio dedutivo, priorização dos procedimentos de enfermagem, cognição, gerenciamento do plano de cuidados, precisão de cuidados intensivos, liderança, gerenciamento de estresse e fadiga, senso de responsabilidade pelo bem-estar do paciente, atenção e vigilância, compartilhamento de responsabilidades e informações, interação e o consenso entre a equipe multiprofissional, sendo considerados aspectos fundamentais na humanização e segurança da assistência de enfermagem, bem como no enfrentamento de situações críticas com mais confiança e autonomia. Conclusão: A experiência em unidades de terapia intensiva proporcionou o desenvolvimento e aprimoramento de competências profissionais congruentes aos domínios competências gerais, observação e julgamento clínico, pensamento crítico, gerenciamento de recursos, segurança do paciente, gerenciamento do cuidado, habilidades de trabalho em equipe e conhecimentos teóricos, contribuindo para atuação qualificada em contextos críticos e fortalecendo a formação de profissionais de enfermagem com vistas à integralidade do cuidado e segurança do paciente.
Palavras-chave: Competência Profissional,Enfermagem, Estudantes de Enfermagem,Segurança do Paciente,Unidades de Terapia intensiva
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Abrir o trabalhoCUIDADO DE ENFERMAGEM TRANSPESSOAL COMO MECANISMO DE APOIO A GESTAÇÃO TRANSMASCULINA: ESTUDO TEÓRICO-REFLEXIVO
CAROLA LIMA BEZERRA; Josefa Nayara de Lima
A transgeneridade abrange diversas identidades de gênero, incluindo pessoas trans que buscam reconhecimento social e legal. O estigma associado à identidade trans tem impactos significativos nos direitos humanos, afetando a dignidade dessa população globalmente. A Política Nacional de Saúde para LGBTTs reforça a saúde integral, porém, homens trans enfrentam desafios ao gestar, sem apoio público e científico adequado, o que limita seu acesso aos direitos reprodutivos. A enfermagem, seguindo a teoria do cuidado transpessoal de Jean Watson atrelado ao conceito de Processo Clinical Caritas, propõe um cuidado inclusivo e colaborativo durante o pré-natal, respeitando as particularidades da transmasculinidade e promovendo um ambiente acolhedor. Este modelo não só visa à saúde física, mas também emocional, fortalecendo a conexão entre cuidador e paciente e destacando a necessidade de uma prática de enfermagem sensível à diversidade de gênero para garantir uma gestação tranquila e respeitosa.
Palavras-chave: Enfermagem,gestação,transexual
Oral
Abrir o trabalhoDENSIDADE DE INCIDÊNCIA DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA E ADESÃO AO PROJETO “SAÚDE EM NOSSAS MÃOS”: RELATO DE EXPERIÊNCIA
HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA ; Cícera Claudice de Souza Araújo; Vandeiza Ataliba Bastos; Jayana Castelo Branco Cavalcante de Meneses; Rhanna Emanuela Fontenele Lima de Carvalho; Edeiza Ataliba Bastos
A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é uma infecção frequente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), associada ao aumento da morbimortalidade, tempo de internação e custos hospitalares. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência da UTI do Hospital Regional Dr. Manoel Batista de Oliveira (Iguatu-CE) na análise da densidade de incidência de PAV e na adesão ao projeto “Saúde em Nossas Mãos”. Trata-se de um relato de experiência realizado em março de 2025, com base nos dados da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Os resultados indicaram taxas de PAV entre 22,4 e 187,5 infecções por 1.000 dias de ventilação mecânica, valores superiores aos parâmetros nacionais e internacionais. Diante disso, a instituição aderiu ao projeto “Saúde em Nossas Mãos”, que promove estratégias baseadas em evidências para a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. A iniciativa visa qualificar a prática assistencial e fortalecer a cultura de segurança do paciente. Conclui-se que a análise contínua de indicadores e a implementação de protocolos preventivos são fundamentais para a melhoria da qualidade do cuidado intensivo.
Palavras-chave: Pneumonia associada à ventilação mecânica, Segurança do paciente, Infecção hospitalar, Unidade de Terapia Intensiva, Prevenção
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Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE “LINHA DO TEMPO E A SAÚDE NO COTIDIANO”: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.
SARA BRAGA DE SOUZA ; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Francisca Emily Coelho Mota; Isabelle Souza Braz; José Ronald Laurentino Silva; Laura Helena Alves Vieira
Este relato de experiência descreve uma ação educativa realizada na Unidade Básica de Saúde Cocobó/Altiplano, no município de Iguatu-CE, com o objetivo de refletir sobre a aplicação da Educação Popular em Saúde (EPS) no cotidiano da atenção básica. Fundamentada nos princípios de Paulo Freire, a atividade envolveu 18 profissionais de saúde em uma roda de conversa estruturada na dinâmica “Linha do Tempo e a Saúde no Cotidiano”, dividida em três etapas: Passado, Presente e Futuro. A proposta promoveu a valorização dos saberes populares, o resgate de práticas tradicionais, a análise crítica das ações atuais e o planejamento coletivo de melhorias. Os resultados apontaram avanços na escuta ativa e acolhimento, além da necessidade de ampliar ações educativas e parcerias. A iniciativa reforçou o protagonismo dos profissionais e o compromisso com práticas mais humanizadas e participativas. Conclui-se que a EPS é uma estratégia potente para fortalecer vínculos, democratizar o conhecimento e transformar os serviços de saúde.
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Abrir o trabalhoEFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA SOBRE AS INTERNAÇÕES HOSPITALARES POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
LUIS EDUARDO SANTIAGO HOLANDA; Laura Helena Alves Vieira; Íngrid Luna Silva; Karine Freitas Ricarte; Mariana Yasmim Bezerra Vieira; Estefane Gabrielly Pereira Viana; Rayane Moreira de Alencar
INTRODUÇÃO As mudanças climáticas consistem em variações relevantes nos padrões de temperatura, chuva e vento ao longo do tempo, causadas principalmente por emissões de gases e aerossóis de origem humana, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Seus efeitos mais evidentes incluem o aumento da temperatura global, o derretimento das calotas polares, a elevação do nível do mar e a intensificação de eventos climáticos extremos, com impactos ambientais, econômicos e sociais (Vassari-Pereira et al., 2022). Essas alterações afetam diretamente a saúde humana, agravando doenças respiratórias devido à piora da qualidade do ar, à expansão de vetores de enfermidades, à insegurança alimentar e à ocorrência de eventos extremos, como secas e ondas de calor. Os efeitos são mais intensos entre crianças, idosos, pessoas com doenças pré-existentes e populações em situação de vulnerabilidade social (Vassari-Pereira et al., 2022). Na região da Amazônia Legal no Brasil, as queimadas sazonais se destacam como um elemento crítico que contribui para o aumento das doenças respiratórias. A exposição à fumaça e às partículas finas geradas pela queima de vegetação está fortemente ligada ao aumento das internações hospitalares, especialmente nos períodos de maior atividade de incêndios. Crianças, idosos e pessoas que sofrem de doenças respiratórias crônicas são os mais vulneráveis aos efeitos dessa exposição (Ribeiro et al., 2024). Com base nos dados analisados, fica claro que as mudanças climáticas e a poluição do ar têm efeitos diretos e distintos sobre a saúde respiratória em diversas regiões. Estudos mostram que os impactos do clima e da poluição do ar sobre a saúde respiratória variam entre regiões. Em São Caetano do Sul, por exemplo, há aumento de internações influenciado por pressão atmosférica e material particulado (MP10). Isso reforça a necessidade de políticas públicas adaptadas às realidades locais. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa é analisar essas relações em contextos regionais, contribuindo para ações preventivas e formulação de políticas públicas de saúde ambiental. (Vassari-Pereira et al., 2022). MÉTODO Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e com abordagem qualitativa. A busca na literatura foi realizada em abril de 2025, através das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) acessadas via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS); e National Library of Medicine (PubMed). Foram empregados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Doenças Respiratórias”, “Mudança Climática” e “Poluição do Ar” e "Hospitalização" e os Medical Subject Headings (MeSH): “Respiratory Tract Diseases”, “climate change”, “Air Pollution”, “Hospitalization”, cruzados com o operador booleano AND. Foram incluídos estudos originais, disponíveis on-line de forma gratuita, nos idiomas português e inglês, com foco nos efeitos das mudanças climáticas e poluição atmosférica sobre internações hospitalares por doenças respiratórias. Foram excluídas teses, dissertações, estudos duplicados e que não atenderam ao objetivo da pesquisa. A análise dos estudos selecionados e a síntese dos dados extraídos dos artigos foram realizadas de forma descritiva, possibilitando descrever e classificar os dados, com o intuito de reunir o conhecimento produzido sobre o tema explorado na revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO A busca nas bases de dados resultou em 14 artigos (BVS: 2; PubMed: 12), após a exclusão de duplicatas, aplicação dos filtros de texto completo, gratuito e idiomas (português e inglês), obteve-se uma amostra de 10 artigos. Após a leitura dos títulos e resumos, nove artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Ao final da análise, a amostra final incluiu sete artigos, dos quais um foi publicado em português e seis em inglês. De acordo com os estudos selecionados, observou-se que o aumento da temperatura impacta diretamente na saúde respiratória. Durante a exposição ao calor, o corpo aciona mecanismos de termorregulação que elevam o fluxo sanguíneo da pele, o débito cardíaco e, em alguns casos, a ventilação pulmonar. Essas alterações podem agravar condições respiratórias pré-existentes, sobretudo entre populações mais vulneráveis, como idosos (Sohail et al., 2024). Além disso, foi evidenciado que os poluentes atmosféricos também influenciam as taxas de internações por doenças respiratórias. Entre eles, o material particulado inalável (MP10) e o ozônio atmosférico (O3), ambos associados ao aumento relativo do risco de internações e óbitos por doenças respiratórias, tais como pneumonia, asma, rinite alérgica e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Dessa forma, a interação entre poluentes e variáveis climáticas reforça a importância de monitoramento ambiental contínuo e de políticas públicas voltadas à melhoria qualidade do ar (Vessari-Pereira; Valverde; Asmus, 2023). Wichmann et al. (2011) indicam que tais associações variam conforme características demográficas e socioeconômicas da população, evidenciando a importância de considerar fatores individuais e contextuais na análise dos efeitos climáticos na saúde. Os resultados obtidos reforçam que, mesmo em regiões de clima temperado, como a Dinamarca, flutuações na temperatura aparente influenciam de forma significativa a demanda por serviços hospitalares, destacando a necessidade de estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Outro fator relevante são os incêndios florestais, que têm sido apontados como causadores de hospitalizações e mortes por doenças respiratórias em diversas partes do mundo, como no Brasil e nos Estados Unidos. Crianças entre 1 e 4 anos e adultos acima de 60 anos figuram entre os grupos mais vulneráveis, em razão de características fisiológicas específicas, como imaturidade imunológica ou presença de comorbidades (Ribeiro et al., 2024). Ademais, os estudos evidenciaram que fatores como umidade e velocidade do vento devem ser considerados em conjunto com a temperatura e poluição. Em diversas análises, encontrou-se relação significativa entre essas variáveis e admissões em emergências por causas respiratórias, embora ainda seja necessário modelar a poluição com outros fatores ambientais para definir com maior precisão o impacto das mudanças climáticas na saúde (Islam; Chaussalet; Koizumi, 2016). No que se refere a efetividade das intervenções públicas, o estudo de Chen et al. (2018) realizado em Toronto, Canadá, apontou que alertas de qualidade do ar, embora relevantes, apresentaram impacto limitado na melhoria dos indicadores de saúde pública. Com isso, observou-se que a simples emissão de alertas não se mostrou suficiente para mitigar os efeitos adversos da poluição atmosférica. Ressaltando a importância de estratégias integradas que aliem comunicação e políticas públicas que favoreçam mudanças comportamentais e promovam maior proteção à saúde da população exposta. Adicionalmente, fatores socioeconômicos regionais como o PIB, a densidade populacional e a infraestrutura de saúde podem influenciar as hospitalizações por doenças respiratórias. No entanto, a ausência de variação temporal ou de dados disponíveis em base semanal limita a inclusão direta desses fatores nos modelos. Ainda assim, a associação entre fatores sociais e a poluição do ar sugere que tais variáveis são indicadores indiretos dos efeitos antropogênicos sobre o clima (Chou-Chen; Barboza, 2024). Diante do exposto, nota-se que é essencial a continuidade de estudos para investigar relações não lineares entre clima, poluição e saúde, além de integrar dados socioeconômicos onde possível, pois ainda há diversas limitações quanto ao desenvolvimento dessas pesquisas, conforme mencionado pelos autores. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados analisados mostram que a poluição, o aquecimento global e as queimadas, que liberam diversos gases prejudiciais à saúde pulmonar da população, contribuem para o aumento das taxas de hospitalização de pessoas com problemas respiratórios. Tais impactos afetam diferentes grupos, mas principalmente aqueles mais vulneráveis, como crianças, idosos e indivíduos com doenças crônicas, que estão mais propensos aos agravos dos danos respiratórios. Além disso, mesmo pessoas que não apresentam doenças respiratórias podem desenvolvê-las após contato contínuo com esses poluentes. Portanto, é nítida a necessidade urgente de fortalecer a vigilância ambiental e sanitária, além de adotar políticas ambientais e de saúde que abordem os efeitos dos incêndios, as mudanças climáticas e a liberação de gases, com o objetivo de prevenir doenças respiratórias e promover a melhoria da qualidade de vida da população.
Palavras-chave: Doenças Respiratórias, Mudanças Climáticas, Poluição Atmosférica, Internações Hospitalares
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Abrir o trabalhoESTRATÉGIAS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE DESENVOLVIDAS PELA ENFERMAGEM PARA O CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: REVISÃO NARRATIVA
VIVIANE DA SILVA AMORIM; Maria Liana da Silva de Souza; Alice de Lima Angelim; Antonia Nayane Pereira Sabino; Ingridi da Silva Rodrigues
Introdução: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica que acomete uma parte significativa da população. A educação em saúde é um meio adequado para controlar e prevenir essa doença. Objetivo: Identificar na literatura as estratégias de educação em saúde realizadas pela enfermagem para o controle da hipertensão arterial sistêmica. Método: Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida no mês de abril de 2025, nas bases de dados LILACS, BDENF e MEDLINE por meio da Biblioteca Virtual em Saúde. Aplicou-se a equação de busca simples em conjunto com os operadores booleanos: "educação em saúde" AND "hipertensão arterial" AND enfermagem, filtrando-se pesquisas dos últimos 10 anos. Os estudos foram selecionados a partir da relevância para o tema, e os resultados dos estudos foram analisados e sintetizados. Resultados: Foram selecionados cinco estudos. As pesquisas mostraram que o enfrentamento da HAS tem exigido a adoção de práticas de autocuidado por parte dos pacientes, como a prática regular de exercícios físicos, alimentação saudável, aumento da ingestão de água, monitoramento diário da pressão arterial e uso correto das medicações anti-hipertensivas. Nesse sentido, estratégias educativas em saúde tem se mostrado eficaz no fortalecimento do controle da HAS. A atuação do enfermeiro é essencial nesse processo, uma vez que esse profissional é responsável por reconhecer precocemente os casos, orientar os pacientes sobre os cuidados e tratamentos adequados, bem como monitorar e prevenir possíveis agravos. No entanto, o abandono do tratamento figura como um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais de saúde, dificultando a continuidade e a efetividade das ações terapêuticas. Além disso, barreiras estruturais nas unidades de saúde e entraves no processo de trabalho em equipe também foram apontadas como obstáculos relevantes. Entre as intervenções analisadas, destacam- se as ações educativas presenciais, principalmente aquelas com abordagem individualizada. Uma metanálise demonstrou que esse tipo de intervenção resultou em uma redução média de 12,41 mmHg na pressão arterial sistólica e de 5,40 mmHg na diastólica, evidenciando sua eficácia no controle da doença. Complementarmente, os estudos ressaltaram a importância da criação de espaços coletivos de educação em saúde onde os pacientes possam dialogar, compartilhar experiências e trocar conhecimentos. Ações educativas que utilizam linguagem acessível, materiais didáticos e abordagens práticas como palestras sobre o controle do consumo de sal e a importância da atividade física mostraram-se eficazes. Conclusão: O controle da HAS depende fortemente de práticas de autocuidado como alimentação saudável, atividade física regular, uso adequado de medicação e monitoramento da pressão arterial. As estratégias educativas em saúde, a e linguagem acessível, demonstraram ser eficazes na promoção do conhecimento e na redução significativa dos níveis pressóricos. A atuação do enfermeiro mostrou-se essencial nesse processo, tanto na orientação quanto no acompanhamento dos pacientes, embora desafios como o abandono do tratamento, limitações estruturais nas unidades de saúde e dificuldades no trabalho em equipe ainda comprometam a efetividade das ações.
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Abrir o trabalhoEXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA: EXPERIÊNCIA VINCULADA AO PROJETO SEXUALIDADE, FUNÇÃO, PRÁTICAS E POSIÇÕES SEXUAIS NA GESTAÇÃO DE RISCO HABITUAL
NÁGILA DA SILVA TEIXEIRA
Introdução: A formação em enfermagem demanda práticas que integrem ensino, pesquisa e extensão, visando o desenvolvimento de competências para atenção integral à saúde. A extensão universitária ao articular teoria e prática, fortalece o compromisso social e a construir saberes contextualizados às realidades locais. Neste sentido, a vivência extensionista pode contribuir para a formação técnico-humanística, crítico-reflexivo e o desenvolvimento de competências para a promoção da saúde sexual e reprodutiva. Objetivo: Relatar as contribuições da extensão universitária em projeto direcionado a promoção da saúde sexual e reprodutiva de mulheres grávidas para a formação em enfermagem. Método: Trata-se de relato de experiência referente ao período de abril a dezembro de 2024 relacionado a atuação extensionista no projeto “Sexualidade, Função, Práticas e Posições Sexuais na Gestação de Risco Habitual”. O projeto objetiva promover educação em saúde sexual e reprodutiva a mulheres grávidas assistidas pelas Equipes da Estratégia Saúde da Família da zona urbana do município de Iguatu-CE. As ações foram realizadas em três Unidades Básicas de Saúde, de forma grupal, nos dias de consulta pré-natal com tempo estimado de 60 minutos, utilizando metodologias interativas. Os resultados são apresentados descritivamente. Resultados: Para implementação das atividades educativas, realizou-se capacitações com temáticas relacionadas aos objetivos do projeto, planejamento das atividades, construção de plano de atividade educativa, de materiais e metodologias interativas, além da participação em eventos acadêmicos e produções científicas, onde os integrantes do projeto atuaram como protagonistas desse processo até a condução das atividades educativas. A experiência participativa na extensão proporcionou a comunicação ética, dialógica e coparticipativa, transpondo a cientificidade e integrando saberes. Além disso, fomentou a reflexão crítica, postura ética e humanizada diante das demandas sensíveis da saúde sexual e reprodutiva. A vivência reforçou a importância da extensão como espaço transformador e de construção de identidade profissional comprometida com a promoção da saúde sexual e reprodutiva e as necessidades da comunidade na prática assistencial de enfermagem. Ademais, instigou o interesse pela produção científica, colaborando para consolidar ensino-pesquisa-extensão como pilares indissociáveis à ampliação do conhecimento e desenvolvimento das competências para promoção da saúde sexual e reprodutiva, dentre elas: escuta ativa, acolhimento, respeito, empatia, confiança, sensibilidade sociocultural, comunicação dialógica, humanização, respeito às culturas, empoderamento da/o usuária/o, valorização à vida, solução de problemas, sigilo profissional, direitos na saúde, conhecimento interdisciplinar, incentivo ao autocuidado, educação em saúde, promoção da saúde, planejamento e orientações de atenção em saúde, atuação no pré-natal e frente às disfunções sexuais. Conclusão: As práticas extensionistas vivenciadas foram essenciais para a formação ao contribuírem para o desenvolvimento de competências transversais para atuação em saúde sexual e reprodutiva, de habilidades interpessoais, críticas e reflexivas, oportunizadas nas ações de educação em saúde.
Palavras-chave: Educação em Saúde,Enfermagem,Gravidez,Promoção da Saúde,Saúde Sexual e Reprodutiva
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Abrir o trabalhoMORBIMORTALIDADE HOSPITALAR POR DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO EM IGUATU (2020 A 2024)
LETICIA MATIAS DA SILVA; Lucélia Aparecida Oliveira; Raí da Silva Maia; Antônio Germane Alves Pinto; Lívia Carvalho Pinheiro Melo; Nayanne Vieira Lima; Pedro Lucas Ferreira Mota
As doenças do aparelho respiratório representam um importante problema de saúde pública, com impacto significativo na morbimortalidade em municípios do interior nordestino. Este estudo ecológico analisou as internações hospitalares por essas doenças em Iguatu (CE), entre 2020 e 2024, utilizando dados do SIH/SUS. Foram avaliadas taxas de internação, perfil sociodemográfico, custos hospitalares e mortalidade. Identificaram-se 4.549 internações no período, com aumento progressivo das taxas, que passaram de 428,23 para 1.555,67 por 100 mil habitantes (Variação Percentual Anual Média de 38,06%; p=0,004). Crianças de 1 a 4 anos e idosos acima de 70 anos foram os grupos mais afetados. O custo total foi de R$ 4,2 milhões, com média de R$ 932,17 por internação. A mortalidade foi de 11,30, com pico em 2020. Conclui-se que as doenças respiratórias têm crescido no município, atingindo principalmente grupos vulneráveis, o que reforça a importância de estratégias preventivas e do fortalecimento da atenção primária à saúde como forma de preservar vidas e promover equidade no cuidado.
Palavras-chave: Morbimortalidade,Internações hospitalares,Vulnerabilidade em saúde
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Abrir o trabalhoNUTRINDO VÍNCULOS: A CONEXÃO PROFUNDA ENTRE AMAMENTAÇÃO, ALIMENTAÇÃO E SAÚDE MENTAL
GABRIELY FERREIRA DOS REIS ; Aline Morais de Lima; Antônia Donita Oliveira Fortaleza; Edyna dos Santos Silva; Evanuelli Alves Leal; Nathaly Almeida de Lima; Roger Teixeira da Silva
Introdução: De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os primeiros dois anos de vida de um indivíduo necessitam de uma nutrição adequada para que este alcance um crescimento saudável, bem como o desenvolvimento cognitivo ideal. Método: Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa do tipo relato de experiência das atividades realizadas a partir de um projeto de extensão. Resultados e Discussão: Os resultados revelaram uma alta satisfação, alcançando uma média de 9,8 em relação a todos os pontos abordados, conforme feedback das quatro participantes envolvidas na atividade. Considerações Finais: O cuidado integral durante o período gestacional e pós-parto envolve não apenas aspectos físicos, mas também emocionais.
Palavras-chave: Aleitamento Materno;, Introdução Alimentar;, Saúde Mental;
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Abrir o trabalhoO CUIDADO DE QUEM CUIDA: EXPERIÊNCIA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL E SEGURANÇA NO TRABALHO
VITÓRIA EMILE LINS DE ANDRADE; Darlange da Silva Pinheiro; Liviane Izidorio da Silva; Paloma Alves Silva; Priscilla Mércia da Nóbrega Barbosa; Sayla Silva Gomes; Karine Nascimento da Silva
Este relato de experiência descreve uma intervenção realizada por estudantes de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA), durante o Estágio Supervisionado I, em uma Unidade Básica de Saúde no município de Iguatu-CE, em abril de 2025. A ação teve como objetivo promover a saúde mental e a segurança no trabalho dos profissionais da unidade, utilizando metodologias participativas inspiradas na educação popular em saúde. A intervenção foi dividida em três momentos: roda de conversa, atividade lúdica (bingo) e prática de autocuidado com foco em cuidados com a pele. Os resultados evidenciaram a importância de espaços de escuta e acolhimento, bem como o impacto positivo de ações simples e de baixo custo no bem-estar emocional, autoestima e sentimento de pertencimento dos profissionais. Conclui-se que ações dessa natureza devem ser integradas à rotina dos serviços de saúde como estratégias efetivas de valorização e cuidado com os trabalhadores.
Palavras-chave: Saúde Mental, Atenção Primária à Saúde, Enfermagem, Promoção da saúde
Oral
Abrir o trabalhoO PAPEL DAS LIGAS ACADÊMICAS NA CONSTRUÇÃO DO CUIDADO INTEGRAL EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS
VITÓRIA EMILE LINS DE ANDRADE; Sarah Lima Vieira; Luis Eduardo Santiago Holanda; Francisco Welington Cavalcante da Silva
Este trabalho analisa o papel das ligas acadêmicas na formação de profissionais da saúde, com foco na Liga Acadêmica de Atendimento Pré-Hospitalar (LAAPH) da Universidade Regional do Cariri (URCA). A pesquisa, de natureza qualitativa, evidencia que a participação em ligas contribui significativamente para o desenvolvimento técnico, ético e humano dos estudantes, especialmente em situações de urgência e emergência. A LAAPH promove treinamentos práticos, simulações realísticas e eventos científicos que fortalecem a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Apesar de enfrentar desafios estruturais e de recursos, a liga se consolida como espaço formativo essencial, alinhado aos princípios do SUS e à formação de um cuidado integral e humanizado.
Palavras-chave: Ligas Acadêmicas, Urgência e Emergência, Formação em Saúde, Cuidado Integral, Ensino Prático
Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS DE CUIDADO ÀS COMUNIDADES TRADICIONAIS COM FOCO NA SAÚDE INDÍGENA E QUILOMBOLA: IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO DE ENFERMAGEM
CAMILA CORRÊA SOUSA SILVA ; Nadiany Chayn Alves
Este trabalho analisa as práticas de cuidado de enfermagem voltadas às comunidades indígenas e quilombolas, evidenciando a urgência de integrar saberes tradicionais às abordagens técnico-científicas. A pesquisa revela que desafios históricos e estruturais como a hegemonia do modelo biomédico, a precariedade dos serviços nos territórios e o silenciamento das práticas ancestrais comprometem a efetividade do cuidado. Defende-se um modelo de atenção intercultural, que reconheça a espiritualidade, os saberes locais e a autonomia desses povos. Estratégias como rodas de conversa, escuta qualificada e valorização das lideranças tradicionais são fundamentais para um cuidado integral, humanizado e transformador. A formação crítica, ética e culturalmente sensível dos profissionais de enfermagem é indispensável para romper com lógicas excludentes e promover justiça social. Ao propor uma atuação baseada no diálogo entre saberes, este estudo reafirma a enfermagem como força vital para um sistema de saúde justo, plural e comprometido com a saúde dos povos tradicionais.
Palavras-chave: Saúde Indígena
Oral
Abrir o trabalhoPromoção de práticas de autocuidado para mulheres à luz da Teoria de Orem: Relato de experiência
CLEYDYANE DA SILVA SANTOS ; Samilly Bernardino Feitosa; Exilei Bastos Florentino; Kathelen Almeida Silva; Isabella Bezerra Freitas; Raí da Silva Maia
Introdução: Historicamente a mulher foi socializada a se responsabilizar pelo cuidado do outro (dos filhos, do marido, dos familiares), muitas vezes sobrecarregando-se e negligenciando o cuidado com a própria saúde. Com base nessa reflexão, é importante que ações de promoção do autocuidado sejam implementadas para mulheres, que por uma questão cultural muitas vezes ainda se enxergam unicamente como cuidadora dos outros. Assim, o embasamento na Teoria do autocuidado de Dorothea Orem se destaca por permitir o estímulo à autonomia, autoestima e empoderamento da mulher. Objetivo: relatar e descrever a experiência de uma ação educativa sobre a prática de autocuidado para mulheres baseada na teoria de Orem. Método: trata-se de um relato de experiência, descritivo e qualitativo sobre uma ação que objetivou apresentar práticas de autocuidado para mulheres, realizada por seis estudantes de enfermagem, como requisito para obtenção de nota da disciplina de Bases Teóricas e Metodológicas de Enfermagem. A ação foi desenvolvida para mulheres da Associação de Mulheres de Iguatu (AMI), no Campus Multi-institucional Humberto Teixeira. Para o desenvolvimento da ação foram utilizados materiais como projetor (para explicação da Teoria do Autocuidado), post-it e caneta (para uma dinâmica integrativa) e uma caixa de som (para a realização da atividade de respiração guiada). Resultados: a experiência adquirida nessa ação revelou que o autocuidado é uma prática fundamental para o bem-estar das mulheres, tanto física como emocionalmente. Para os facilitadores da ação, esse momento foi considerado positivo, pois a partir dele refletiu-se sobre as dificuldades existentes para que o autocuidado seja realizado diariamente, das quais pode-se destacar as sobrecargas de tarefas familiares e profissionais, a falta de tempo e o estigma social em torno do autocuidado feminino. Ainda possibilitou a sensibilização sobre os desafios femininos enfrentados pelas participantes. Mediante as dificuldades identificadas, os facilitadores reforçaram a importância de que as mulheres realizem atividades que gostam e que as façam sentir-se bem, assim como, de cultivar boas relações e se cercarem de pessoas que as façam sentir-se amadas. E para estimular práticas de reconexão consigo mesmas, os facilitadores realizaram uma respiração guiada, com o uso de música ambiente para auxiliar na concentração. Além disso, houve desafios durante a execução da atividade, visto que se esperava um número maior de participantes, porém também foi um ponto positivo, pois ouve uma maior participação do público. Conclusão: Conseguiu-se realizar a ação e transmitir as informações com clareza, por meio de práticas e orientações que determinaram resultados positivos sobre a importância do autocuidado e como praticá-lo no cotidiano. Por fim, esse encontro gerou momentos reflexivos, interativos e dinâmicos por meio da participação da equipe, assim como do público acompanhado.
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Abrir o trabalhoRELAÇÃO ENTRE O ÍNDICE DE GINI E A MORTALIDADE POR TUBERCULOSE NO CEARÁ
SABRINA DE ALENCAR RIBEIRO; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Carola Lima Bezerra; Djair Oliveira Silva; Pedro Lucas Ferreira Mota; Antônio Germane Alves Pinto
Introdução: A tuberculose é uma das principais causas de morte no mundo, sendo a forma pulmonar a mais comum e de maior impacto na saúde pública, pois mantém a cadeia de transmissão da doença, gerando alta morbimortalidade e custos para os serviços de saúde e a sociedade como um todo. Nesse contexto, os fatores de risco para tuberculose podem ser exógenos, como a carga bacilar e a proximidade com casos bacilíferos sem tratamento, ou endógenos, como infecção pelo HIV, subnutrição/desnutrição, diabetes mellitus, consumo de álcool, tabagismo, entre outros. Além disso, determinantes socioeconômicos desfavoráveis estão associados à maior morbidade e mortalidade, principalmente em países de baixa e média renda, sendo essa caracterizada como uma doença associada a pobreza e iniquidades sociais. Objetivo: Analisar a relação entre o índice de Gini e a mortalidade por tuberculose no Ceará entre 2020 e 2023. Método: Estudo ecológico realizado em abril de 2025 a partir de dados secundários do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao estado do Ceará. Delimitou-se o período de 2020 a 2023 como interesse, considerando a disponibilidade de dados. A taxa de mortalidade por tuberculose foi calculada a partir do número de óbitos registrados divididos pela população média para o mesmo local e período. Adotou-se como referência agrupamentos de 100 mil habitantes. O índice de Gini foi utilizado para mensurar a distribuição de renda entre os municípios, considerando que quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. O Índice de Moran Local Bivariado (LISA bivariado) foi adotado para avaliar a correlação espacial entre a mortalidade por tuberculose e o índice de Gini, representando os padrões de dependência espacial estatisticamente significativos. O estudo respaldou-se na Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde que trata de estudos com dados secundários. Resultados: A taxa de mortalidade por tuberculose no Ceará entre 2020 e 2023 foi de 9,22 óbitos a cada 100 mil habitantes. As maiores taxas foram identificadas nos municípios de Baixio (33,9/100 mil), Altaneira (28,7/100 mil) e Cariré (22,1/100 mil). 22,2% (n=41) dos municípios cearenses apresentaram taxas de mortalidade por tuberculose acima da média estadual. A média estadual do Índice de Gini foi de 0,535. Observou-se clusteres alto-alto entre os municípios de Potengi, Altaneira e Assaré, assim como nos municípios de Crato, Baixio, Independência, Madalena, Irauçuba e Chaval, o que desvela que municípios de alta mortalidade por tuberculose estão cercados por municípios vizinhos com alto índice de Gini (alta desigualdade de renda). Em tempo, identificou-se um cluster baixo-baixo dentre os municípios do Vale do Jaguaribe e Litoral Leste, representando baixa mortalidade por tuberculose em municípios cercados por vizinhos com baixo índice de Gini. Conclusão: Considerando a tuberculose enquanto uma doença negligenciada associada a condições socioeconômicas, a desigualdade de renda (Gini) encontra-se espacialmente associada a maiores taxas de mortalidade por essa condição, reafirmando o impacto de condições socioeconômicas precárias.
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Abrir o trabalhoVISITAS TÉCNICAS PARA COMPREENSÃO DO FLUXO DE CUIDADOS DA TUBERCULOSE NO SISTEMA PRISIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
SABRINA DE ALENCAR RIBEIRO; Nayanne Vieira Lima; Raquel Alves de Oliveira; Sabrina Freitas Nunes; Ana Karina Bezerra Pinheiro
INTRODUÇÃO A tuberculose (TB) é uma das principais causas de morte, sendo a forma pulmonar a mais comum e de maior impacto na saúde pública, pois mantém a cadeia de transmissão da doença (WHO, 2021). Por isso, é fundamental investigar as pessoas sintomáticas respiratórias (SR), caracterizadas por tosse superior a três semanas na população geral, ou qualquer duração em grupos vulneráveis, como a População Privada de Liberdade (PPL) (Brasil, 2019). A PPL no Brasil inclui pessoas com 18 anos ou mais, condenadas ao cumprimento de pena privativa de liberdade, sendo um grupo populacional exposto a condições precárias e insalubres. Em 2022, havia 826.740 indivíduos sob custódia, em celas físicas ou prisão domiciliar (Brasil, 2022). Essa população apresenta vulnerabilidades interligadas, individual, social e programática, que contribuem para o risco de adoecimento (Ayres 2009). A realidade prisional é marcada por superlotação, má alimentação, sedentarismo e uso de drogas, o que agrava a vulnerabilidade da PPL a doenças infecciosas como TB, hanseníase e infecções sexualmente transmissíveis (Tavares; Arara; Lima, 2020; Beaudry et al., 2020). Soma-se a isso a dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, tornando essencial a articulação entre os setores da saúde e da justiça para efetivar os princípios do SUS e promover melhores condições de vida (Batista et al., 2019; Costa et al., 2020). Nesse cenário, os profissionais de saúde devem seguir as recomendações do Ministério da Saúde para o manejo adequado da TB, visando o diagnóstico precoce, a redução da morbimortalidade e o alcance das metas de controle da doença (Antunes et al., 2016). Diante do contexto prisional e das lacunas nos cuidados com a TB, destaca-se a importância da imersão na realidade do serviço para compreensão da dinâmica e necessidades desse público. Assim, este relato tem como objetivo descrever a experiência de visitas técnicas para compreensão do fluxo de cuidados da TB no sistema prisional. MÉTODO Trata-se de um relato de experiência sobre visitas técnicas realizadas no sistema prisional, com o objetivo de compreender o fluxo de cuidados da (TB). Essas visitas compuseram a etapa inicial de uma pesquisa mais ampla, voltada ao desenvolvimento, adaptação e avaliação de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para diferentes agravos à saúde da (PPL). A pesquisa resulta de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará, a partir da identificação das necessidades desse público. As visitas ocorreram entre julho e novembro de 2023, em três unidades prisionais do Ceará, selecionadas conforme o tipo de regime, incidência de TB e perfil da população custodiada. Participaram discentes do Mestrado e Doutorado Acadêmico em Enfermagem da UFC, com imersão em unidades de triagem, observação, regimes fechado e semiaberto, permitindo a análise das semelhanças e diferenças entre elas. Antes das visitas, os pesquisadores foram vinculados oficialmente ao sistema prisional mediante investigação prévia e cadastramento no Sistema de Gestão Penitenciária (SIGEPEN) do Ceará, o que possibilitou o controle institucional de acesso. Foram realizadas nove visitas, das 07h30 às 17h, com acompanhamento de profissionais da saúde e segurança das unidades, que colaboraram com o processo de observação e diálogo. As visitas tiveram como foco a imersão na realidade prisional, considerando aspectos socioculturais, estruturais, relações de poder, organização interna, bem como a busca, oferta e acesso aos serviços de saúde. O registro da experiência foi feito por meio de diário de campo, com base nas impressões dos pesquisadores. RESULTADOS E DISCUSSÃO A experiência nas visitas técnicas ao sistema prisional possibilitou compreender o fluxo de cuidados da TB. A imersão nesse contexto permitiu conhecer a realidade sociocultural e as relações de poder que influenciam na busca, oferta e acesso aos serviços de saúde. Durante as visitas às alas e celas, observou-se a estrutura arquitetônica e a organização dos espaços, com celas abrigando, em média, de 10 a 20 internos. Na literatura, evidencia-se que o ambiente de reclusão fechado, com pouca iluminação e uma grande quantidade de pessoas configura-se como um ambiente propício para o desenvolvimento de doenças infectocontagiosas, sendo mais vulneráveis quando comparados à população em geral (Tavares; Arara; Lima, 2020). No contexto do fluxo de cuidados da TB, evidenciou-se a atuação da equipe multiprofissional, com ações de educação em saúde nas alas prisionais durante o banho de sol, disponibilidade de cela de isolamento para casos identificados ainda não tratados, realização de triagem na entrada, busca ativa e passiva, consultas de acompanhamento e tratamento diretamente observado nas celas. Durante as consultas, observa-se o uso frequente da busca ativa pelos profissionais de saúde. Estratégias como rodas de conversa e intervenções educativas também são necessárias para a organização e identificação das necessidades dessas pessoas (Mariano et al., 2015). As Unidades Prisionais realizam triagem e rastreamento da TB na entrada no sistema, com diferenças no seguimento: algumas unidades realizam coleta de escarro apenas diante de queixas como tosse, enquanto outras coletam escarro de todos os ingressos, independentemente da presença de sintomas. Também foram observadas variações na busca passiva de sintomáticos respiratórios e na padronização dos intervalos de triagem. Realizam-se ações de educação em saúde em datas alusivas ao combate à tuberculose, com atividades nas quadras de banho de sol e afixação de cartazes informativos nas paredes do setor de saúde. As consultas de acompanhamento ocorrem no setor de saúde, mediante solicitação aos profissionais da segurança para que os internos sejam retirados das celas e levados aos consultórios. As bases teóricas da promoção da saúde relacionam-se com a educação em saúde, entendida como componente essencial do cuidado, configurando-se como um processo dialógico e compartilhado, que fortalece o vínculo entre as pessoas e seus ambientes, promovendo protagonismo e autonomia (Fittipaldi; O’dwyer; Henriques, 2021). A estratégia do Tratamento Diretamente Observado é realizada com a entrega e observação da ingestão da medicação nas celas. Observam-se diferentes níveis de abandono do tratamento, desde a recusa total até o uso irregular ou interrupção precoce, relacionados a fatores individuais, sociais ou à relação fragmentada com os serviços de saúde (Russoni; Trindade, 2019). No contexto prisional, essa estratégia também atua como medida para evitar o compartilhamento ou a venda de medicações. Além disso, no sistema prisional são vivenciadas inúmeras barreiras que dificultam o acesso às ações e serviços de saúde, acentuando as vulnerabilidades anteriores (Souza et al., 2019). Assim, é importante considerar que o acesso dessas pessoas também é condicionado e influenciado pelas relações de poder entre os próprios apenados, com o sistema como um todo e com os profissionais. CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência de inserção no sistema penitenciário possibilitou compreender o fluxo de cuidado à tuberculose, identificando vivências, relações de poder, aspectos socioculturais, singularidades da PPL e os principais entraves enfrentados, além das ações realizadas para prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose. Assim, as visitas técnicas configuraram uma etapa fundamental para subsidiar a elaboração de um protocolo exequível à realidade prisional, articulado às recomendações da literatura para qualificar as ações em saúde.
Palavras-chave: Educação em saúde, Triagem
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Abrir o trabalhoPalavras-chave: Agentes Penitenciários,Saúde Coletiva,Penitenciária
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Abrir o trabalhoIMPACTOS DO ESTRESSE NOS NÍVEIS PRESSÓRICOS DE UNIVERSITÁRIOS DA ÁREA DA SAÚDE: REVISÃO NARRATIVA
TEREZA INGRIDY DA SILVA COSTA ; Isabelle Bento Mendes Siqueira
Introdução: Os acadêmicos da área da saúde enfrentam desafios que os tornam vulneráveis ao estresse. A pressão por bons resultados, a carga de estudos e a insegurança sobre o futuro elevam os níveis de estresse, associados a alterações pressóricas, ansiedade e depressão. Fatores como privação de sono, má alimentação e sedentarismo agravam essa situação, prejudicando o bem-estar e aumentando o risco de doenças. Objetivo: Identificar na literatura científica os impactos do estresse nos níveis pressóricos de universitários da área da saúde. Método: Esta pesquisa caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, realizada no mês de abril de 2025, nas bases de dados LILACS, BDENF e MEDLINE, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde, aplicando-se a equação de busca simples em conjunto com os operadores booleanos: estresse AND "pressão arterial" AND universitários AND saúde. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, que abordassem o tema. A seleção dos artigos seguiu a análise dos títulos, resumos e textos, e os dados foram organizados de forma descritiva para destacar os principais achados relacionados ao tema. Resultados: Foram selecionados cinco artigos científicos sobre a relação entre estresse, níveis pressóricos e comportamentos de saúde em estudantes da área da saúde. 65% dos participantes eram do sexo feminino, com idade média de 21 anos. Observou-se um aumento significativo do estresse ao longo do semestre, especialmente entre os estudantes de ciências médicas. Porém, não foram observadas mudanças significativas nas fases do estresse entre o início e o final do semestre. Em relação aos fatores de estilo de vida, foram identificados comportamentos prejudiciais, como sedentarismo, alimentação inadequada, consumo de álcool, tabagismo e uso de drogas ilícitas. Ao longo de um ano, foi constatada melhora em alguns parâmetros de saúde, como pressão arterial, colesterol HDL e qualidade do sono. A frequência de estresse, humor deprimido e ansiedade também diminuiu. Apesar disso, houve um aumento na prevalência de pré-obesidade, bem como no consumo de substâncias como álcool, tabaco e drogas ilícitas. Os dados indicam que a prática regular de atividade física contribuiu para o controle da pressão arterial. No entanto, o estresse persistente, associado a hábitos inadequados, continua sendo um fator de risco importante para alterações pressóricas e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares entre estudantes da área da saúde. Conclusão: Os resultados mostram que, apesar das melhorias em parâmetros como pressão arterial e colesterol HDL, o estresse permanece um fator relevante entre os estudantes da área da saúde, cuja frequência aumentou ao longo do semestre. A prática regular de atividade física contribui para o controle da pressão arterial, mas o estresse persistente, aliado a comportamentos de risco como sedentarismo e consumo de substâncias, continua sendo um fator de risco para alterações pressóricas e doenças cardiovasculares. Assim, é essencial promover intervenções focadas na redução do estresse e na adoção de um estilo de vida saudável, visando a melhoria da saúde e bem-estar dos universitários.
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Abrir o trabalhoRELAÇÃO ENTRE NÚMERO DE NASCIDOS VIVOS DE MÃES COM QUANTIDADE INADEQUADA DE CONSULTAS PRÉ-NATAL E NÚMERO DE ENFERMEIROS NO SUS CEARENSE
CAROLA LIMA BEZERRA; Djair Oliveira Silva; Gisele Pedroza da Costa; Leticia Matias da Silva; Livia Carvalho Pinheiro Melo; Pedro Lucas Ferreira Mota; Antonio Germane Alves Pinto
A assistência pré-natal é crucial para monitorar a saúde gestacional, identificar riscos e implementar estratégias preventivas, visando reduzir a morbimortalidade materna e neonatal. A qualidade e frequência das consultas pré-natais são determinantes na eficácia dos serviços de saúde, especialmente no Brasil, onde altas taxas de morbimortalidade persistem. A enfermagem desempenha papel central assegurando a regularidade e qualidade do pré-natal. Este estudo ecológico investigou a relação entre nascidos vivos de mães com consultas pré-natais inadequadas e o número de enfermeiros no SUS do Ceará entre 2014 e 2023. Resultados apontam que muitos enfermeiros não garantiram melhor cobertura pré-natal, sugerindo desafios na alocação e prática profissional, enquanto municípios com menos enfermeiros mostraram-se eficazes na organização dos serviços, destacando a necessidade de gestão otimizada da força de trabalho para melhorar desfechos materno-infantis.
Palavras-chave: Enfermagem, Nascidos Vivos,Consulta pré-natal
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Abrir o trabalhoATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO PROCESSO DE CAPTAÇÃO E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E CUIDADOS COM OS DOADORES E RECEPTORES
MARIA VITÓRIA BEZERRA SOUZA; Alice Silva Grigório; Alícia Silva Dantas; Samilly Batista de Oliveira
A doação de órgãos é um processo essencial para salvar vidas, sendo realizada a partir de doadores vivos ou em morte encefálica (ME). O Brasil possui um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo, regulamentado por legislações específicas e integrado ao SUS. Nesse contexto, a enfermagem assume papel central, atuando desde a identificação do potencial doador até os cuidados com doadores e receptores. Este estudo, do tipo revisão integrativa, teve como objetivo refletir sobre a atuação da enfermagem no processo de captação e doação de órgãos. A busca foi realizada nas bases MEDLINE®, LILACS, BDENF e Coleciona SUS, resultando em 14 artigos analisados. Os resultados indicam que o enfermeiro é responsável por cuidados clínicos essenciais como suporte hemodinâmico, controle de temperatura, nutrição e prevenção de infecções. Também exerce papel gerencial nas CIHDOTT e na comunicação com as famílias, sendo fundamental no acolhimento e na orientação ética sobre o processo de doação. Conclui-se que a atuação da enfermagem é estratégica e humanizada, embora ainda enfrente desafios como falta de capacitação e recursos. Investir em políticas públicas e fortalecimento das comissões hospitalares é essencial para melhorar os índices de doação no país.
Oral
Abrir o trabalhoCANNABIS MEDICINAL E A REGULAMENTAÇÃO DA ENFERMAGEM CANÁBICA NO BRASIL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
LUYANNE CAVALCANTE DA SILVA; Stephany Kainã Ferreira dos Santos; Milena de Souza Sales
A cannabis medicinal tem ganhado reconhecimento como alternativa terapêutica eficaz, exigindo da enfermagem uma atuação crítica, ética e atualizada diante das transformações científicas e sociais. No Brasil, a prática da enfermagem canábica ainda não é regulamentada, o que compromete a segurança jurídica e técnica dos profissionais. Diante disso, este relato de experiência tem como objetivo compartilhar os desafios e oportunidades observados por discentes de enfermagem frente à atuação profissional no contexto da cannabis medicinal. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a partir de uma atividade acadêmica realizada por estudantes do 8º semestre de enfermagem durante seminário na disciplina Tópicos Especiais em Enfermagem. Participaram 33 discentes, de forma voluntária. A atividade envolveu exposição teórica, debates e estudos de caso sobre a prática da enfermagem na terapêutica canábica. As discussões evidenciaram barreiras culturais, sociais e éticas, além da ausência de formação específica e regulamentação, fatores que dificultam a consolidação dessa prática no Brasil. Também foi destacada a importância de políticas públicas, diretrizes normativas e estratégias educativas que promovam o uso seguro, ético e baseado em evidências da cannabis medicinal na enfermagem. A experiência revelou a urgência de regulamentar a prática da enfermagem canábica e de promover a formação profissional que integre aspectos técnicos, éticos e legais. Reconhecer a enfermagem como protagonista nesse campo é essencial para consolidar uma prática centrada no cuidado e ampliar o acesso seguro a terapias complementares eficazes.
Palavras-chave: maconha medicinal,terapias complementares,cuidados de enfermagem,especialização, cannabis
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Abrir o trabalhoCAPACITAÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS COM PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
EDYNA SILVA DOS SANTOS; Aline Morais de Lima; Gabriely Ferreira dos Reis; Maria Cleciane dos Santos Silva; Marinalva Lima Guedes; Nathaly Almeida de Lima; Samyra Paula Lustoza Xavier
Introdução: Primeiros socorros são medidas iniciais essenciais para preservar a vida até a chegada de atendimento especializado. Sob essa perspectiva, no contexto escolar, é comum que, em caso de acidentes, os professores sejam os que estão mais próximos, pois passam a maior parte do dia com as crianças. A Lei Lucas nº 13.722/2018 tornou obrigatória essa capacitação para profissionais da educação. Nesse sentido, a formação adequada contribui para respostas mais eficazes em situações de urgência. Essa preparação beneficia não só os profissionais, mas toda a comunidade, especialmente na proteção de crianças. Objetivo: Este estudo tem como objetivo apresentar e destacar a importância da capacitação em primeiros socorros para professores da educação infantil. Metodologia: Este é um relato de experiência do tipo descritivo, com abordagem qualitativa, desenvolvido a partir de uma ação prática realizada em ambiente educacional. Resultados: A partir da atividade prática buscou solucionar a falta de experiência prática relatada pelos profissionais em formações anteriores. Além disso, os profissionais puderam visualizar as técnicas de primeiros socorros demonstradas pelos discentes e, posteriormente, tiveram a oportunidade de reproduzi-las como voluntários. Em conclusão, o surgimento de dúvidas e curiosidades durante a prática demonstrou um engajamento dos profissionais e proporcionou um momento para que os discentes pudessem esclarecê-las, visando uma melhor compreensão do tema. Conclusão: A ação educativa com grupo operativo motivou a mudança de atitudes dos professores em relação à capacitação em primeiros socorros. A vivência prática no planejamento e desenvolvimento da atividade ampliou seus conhecimentos e os preparou para situações reais. A troca de experiências entre discentes e professores, com o esclarecimento de dúvidas, demonstrou o aperfeiçoamento de ambos. Dessa forma, a extensão universitária fortaleceu o vínculo ensino-serviço-comunidade, evidenciando a necessidade de mais iniciativas relevantes para a população, como demonstrado pelo feedback positivo e alcance dos objetivos.
Palavras-chave: Primeiros socorros,educação em saúde,educação infantil, capacitação
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Abrir o trabalhoCUIDADOS DE SAÚDE E A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ÀS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA
VITÓRIA CAMILE FÉLIX OLIVEIRA ; GEOVANNA TEIXEIRA DA SILVA
A população em situação de rua no Brasil enfrenta graves violações de direitos humanos e exclusão social. A falta de moradia está ligada a fatores como desemprego, uso de drogas e ausência de políticas públicas eficazes. A Política Nacional para essa população reconhece a moradia como um direito essencial, mas ainda há muitos desafios, especialmente na área da saúde, onde o acesso aos serviços é limitado e marcado por preconceito. A enfermagem tem um papel estratégico, oferecendo cuidado humanizado, escuta ativa e defendendo os direitos desse público. Este estudo, por meio de uma revisão de literatura, analisou práticas de cuidado e os principais obstáculos enfrentados por profissionais da área. Os resultados mostraram que as pessoas em situação de rua vivem vulnerabilidades extremas que afetam sua saúde física e mental, reforçando a importância de ações integradas e intersetoriais. Conclui-se que é necessário fortalecer a formação dos profissionais, ampliar políticas públicas inclusivas e garantir um atendimento de saúde contínuo e digno.
Palavras-chave: Palavras Chaves: pessoa mal alojada, cuidados de enfermagem
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Abrir o trabalhoDESVENDANDO O TERRITÓRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA TERRITORIALIZAÇÃO NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL COM ÊNFASE EM SAÚDE DA FAMÍLIA E COMUNIDADE
MARCOS RYAN LOIOLA LIMA; Wesley Moreira Ferreira; Shady Maria Furtado; Hertha Nayara Simião Gonçalves; Pedro Lucas Ferreira Mota; Vitória Kamile Veríssimo Diogenes; Karollina Soares Loiola
INTRODUÇÃO O território enquanto ambiente em transformação, se configura como algo vivo e que é influenciado pelos indivíduos que o compõe, moldando esse espaço através do estabelecimento de relações de poder explícitas ou implícitas. Sendo assim, o processo de territorialização não pode ser percebido apenas na observação espacial e geográfica de um lugar, é preciso estar atento as interações sociais que acontecem naturalmente naquele território (Martins; Chagas, 2022). Pensando nisso, a territorialização para o profissional de saúde que se propõe a atuar na atenção primária é essencial, pois serve como um elemento balizador do planejamento das atividades desempenhas por eles para a comunidade do território. Além disso, a forma com que a população influencia e é influenciada pelo território interfere direta e indiretamente na sua saúde. Sendo assim, é um processo fundamental e que reflete significativamente na resolutividade dos serviços (Costa; Alves; Lima-Júnior, 2022). No contexto da residência multiprofissional com ênfase em saúde da família e comunidade, é igualmente essencial a vivência de um processo de territorialização na realidade do serviço que serão inseridos os residentes. Para além disso, se mostra uma vivência fundamental para o desenvolvimento profissional nesse processo formativo de especialização em serviço (Pereira et al, 2020). Cabe ressaltar que, o processo de territorialização é vivenciado de forma única por cada indivíduo, mesmo com grupos que possuem um objetivo em comum e vivenciam esse processo de maneira consciente e sistematizada, a “apropriação” do território é individual. Nesse contexto, é preciso pontuar a importância do envolvimento do enfermeiro nesse processo, tendo em vista o seu papel crucial na superação das desigualdades no acesso ao cuidado integral (Lins, 2024). Pensando na contribuição profissional através do compartilhamento de caminhos e estratégias potencializadoras, o objetivo desse estudo é relatar o processo de territorialização vivenciado por residentes enfermeiros da ênfase de saúde da família e comunidade no interior do Ceará. MÉTODO Trata-se de um relato de experiência referente ao processo de territorialização inerente à Residência Multiprofissional da Escola de Saúde Pública do Ceará (Resmulti), sob a perspectiva de enfermeiros residentes da ênfase de saúde da família e comunidade. Essa vivência aconteceu entre os dias 17 de março e 14 de abril de 2025, no município de Tauá, no estado do Ceará, localizado à 337 km da capital, na região dos Inhamuns. O primeiro módulo da RESMULTI refere-se à territorialização, onde os residentes são apresentados à proposta e convidados a vivenciar esse processo de forma crítica e reflexiva. Os residentes foram apresentados tanto aos dispositivos do setor de saúde do município quanto àqueles que se articulam indiretamente com a saúde, como os da Proteção Social e da Educação. O enfoque principal recaiu sobre o território da população adscrita à Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, à qual os residentes estarão vinculados durante todo o programa. Paralelamente, cabia aos residentes a elaboração progressiva de um relatório crítico e reflexivo sobre os ambientes que iam conhecendo ao longo desse processo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante a territorialização foi possível conhecer todos os tipos de dispositivos do setor saúde presentes no munícipio, que são: Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS-AD); Secretaria Municipal de Saúde (SMS); uma UBS; Centro de Abastecimento Farmacêutico (CAF); Hospital Municipal; Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS-II); Policlínica; Área Descentralizada de Saúde (ADS); Unidade de Pronto Atendimento (UPA); Centro de Especialidades Odontológicas (CEO); e Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN). A partir da visita a esses dispositivos foi possível se aproximar verdadeiramente dos mecanismos que fazem cada um deles funcionarem, possibilitando maior conhecimento acerca do funcionamento da Rede de Atenção à Saúde (RAS) do município. Dessa forma é possível promover maior aproximação dos profissionais com a logística por traz da construção da saúde coletiva, podendo refletir na maior articulação dos serviços de saúde, que persiste fragmentada, principalmente devido a falhas na comunicação entre os serviços (Veras et al, 2024). Além disso, perpassou-se por dispositivos que não fazem parte do setor saúde, mas que se relacionam com ela indiretamente, que foram; creches municipais, Secretaria de Proteção Social (SPS), Secretaria Municipal de Educação (SME), casa de acolhimento, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Praça do Esporte e da Cultura (PEC), conselho tutelar, museu regional, Secretaria de Políticas e Projetos para a Mulher e Família (SPPMF) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). Assim, mostrou-se crucial a articulação intersetorial quando se trata da Promoção da Saúde, pois foi possível tomar conhecimento sobre as ferramentas disponíveis para a alcançar a qualidade de vida da população. Para tanto, é essencial a integração de saberes e a organização coerente com objetivos em comum, que se mostrou presente no território em questão, acontecendo com maestria através do Programa Quem Ama Cuida (PROAMA) que promove a articulação entre saúde, proteção social e educação, com um objetivo comum de promover o acompanhamento e emancipação de mães e gestantes em vulnerabilidade social. Por fim, realizou-se o acompanhamento de cada uma das 10 microáreas vinculadas à UBS de referência dos residentes, sendo possível perceber as potencialidades e fragilidades existentes na comunidade. Assim, foi possível perceber que a comunidade enfrenta grandes problemas com a ausência de saneamento básico, a criminalidade e longas filas de espera por especialistas médicos. A associação dessas problemáticas na realidade observada não são meras eventualidade, pois, por se tratar de uma comunidade periférica, historicamente é visto a perpetuação dessas características, onde as políticas públicas não chegam em sua totalidade. Essa situação, resulta em baixa coesão social, facilitando a chegada da criminalidade, criando um ciclo que reforça cada vez mais as vulnerabilidades existentes (Vieira et al, 2025). Entretanto, a comunidade que vive no território persiste e busca usufruir do direito a saúde ofertado através da UBS e demonstra grande apreço pelo atendimento prestado pelos profissionais que a compõe. Além disso, foi possível identificar grupos de cuidado que já existem com a população, bem como líderes comunitários comprometidos com o alcance da saúde em seu sentido ampliado. A partir da identificação desses potenciais dentro da comunidade é fundamental potencializá-los, tendo em vista a capacidade de emancipação presentes nesse contexto. Ademais, o enfermeiro, como figura de liderança, tem total capacidade de auxiliar na organização de grupos de cuidado, a fim de torná-los cada vez mais eficazes e voltados às necessidades da comunidade. Bem como, a partir de práticas pedagógicas e da aproximação com líderes comunitários, é possível emancipar ainda mais esses indivíduos que poderão crescer sua representatividade e propulsar o alcance de suas atividades (Abreu; Silva; Domanoski, 2024). CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base na territorialização realizada, foi possível construir um panorama abrangente da estrutura e funcionamento da RAS do município, assim como dos dispositivos intersetoriais que se articulam indiretamente com a saúde. Nesse cenário, o destaque para programas como o PROAMA demonstra que a articulação entre saúde, assistência social e educação pode ser eficaz e inspiradora quando há clareza de objetivos comuns e atuação integrada. Tais experiências apontam para um modelo de cuidado mais conectado às reais necessidades da população, especialmente das pessoas em situação de vulnerabilidade. A realidade observada nas microáreas reforça a importância de se considerar os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) no planejamento das ações. Problemas estruturais como a falta de saneamento, a criminalidade e a demora no acesso a especialistas revelam a negligência histórica que recai sobre territórios periféricos, perpetuando um ciclo de exclusão social e adoecimento. No entanto, a resistência da comunidade e seu apreço pelos profissionais da saúde indicam uma força social que pode e deve ser mobilizada. Nesse contexto, o papel do enfermeiro como agente articulador é crucial, pois sua liderança pode fortalecer os grupos de cuidado já existentes, impulsionar práticas pedagógicas emancipadoras e ampliar a atuação dos líderes comunitários. Assim, investir na valorização desses atores sociais pode representar um caminho potente para romper com as lógicas excludentes e construir, de fato, uma saúde pública equitativa, participativa e transformadora. REFERÊNCIAS Abreu, E.A; Silva, E.A; Domanoski, P.C. O papel do enfermeiro educador no desenvolvimento da liderança. Revista Nursing, v. 27, n. 307, p. 10081-10085, 2024. DOI: https://doi.org/10.36489/nursing.2024v27i307p10081-10085. Acessado em 01 de maio de 2025. Costa, G.A; Alves, L.S.F; Lima-Júnior, F.O. A territorialização na Atenção Básica e o pensar estratégico na prevenção e promoção da saúde. Revista Política e Planejamento Regional, Rio de Janeiro, v.9, n. 3, p. 395-407, dez. 2022. Disponível em: https://www.revistappr.com.br/artigos/publicados/artigo-a-territorializacao-na-atencao-basica-e-o-pensar-estrategico-na-prevencao-e-promocao-a-saude.pdf. Acessado em: 30 de abril de 2025. Lins, E. N. P. O papel do enfermeiro na Estratégia Saúde da Família. Revista acadêmica digital, v. 79, p. 1-14, nov. 2024. Disponível em: https://souzaeadrevistaacademica.com.br/revista/79-novembro-2024/04-emilly-nascimento-pessoa-lins-artigo.pdf. Acessado em: 01 de maio de 2025. Martins, M.P; Chagas, P.B. Território, territorialização e territorialidade: proposta de avanço de chaves teóricas para a análise(s) dinâmica(s) das cidades. G&DR, Taubaté-SP, v. 17, n. 2, p. 314-325, mai-ago/2021. Disponível em: https://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/6067. Acessado em: 30 de abril de 2025. Pereira, J.C; Alves, E.V.C; Dias, A.R; Lacerda, D.A.L. A territorialização como instrumento para formação em saúde a partir de uma experiência de extensão popular. Rev. Ed. Popular, Uberlândia, Edição Especial, p. 233-241, jul. 2020. DOI: 10.14393/REP-2020-53298. Acessado em: 30 de abril de 2025. Veras, A.S; Cordero, J.A; Diniz, D.M; Oliveira, M.L. A desarticulação dos serviços de saúde no Brasil: a desassistência e a desinformação no acesso. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 17, n. 10, e11175, out. 2024. DOI: 10.55905/revconv.17n.10-024. Acesso em: 01 de maio de 2025. Vieira, J.M.S; Villanova, L.B; Valério-Filho, M; Mendes, R.M; Gomes, C. A Precariedade do Espaço da Cidadania: Saneamento na Favela Jardim Nova Esperança, São José dos Campos-SP. Revista Ciência et Praxis, v. 20, n. 35, p. 47-66, jan. 2025. DOI: https://doi.org/10.36704/CIPRAXIS.V20I35.8998. Acessado em: 01 de maio de 2025.
Palavras-chave: Territorialização, Atenção Primária à Saúde, Saúde da família
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Abrir o trabalhoEDUCAR PARA PREVENIR: VIVÊNCIAS NA CONSTRUÇÃO DE SABERES SOBRE A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - RELATO DE EXPERIÊNCIA
BEATRIZ MOREIRA BARRETO ; Bruna Pedrosa Vieira; Isy Kaylane dos Santos Silva; Maria Viviane Pereira de Sousa; Amanda Soares
Introdução:A gravidez na adolescência é um fenômeno social e de saúde pública que envolve diversas implicações físicas, emocionais e sociais para aqueles que a experienciam de forma indesejada. Esse acontecimento, muitas vezes, está relacionado à falta de informação, ao início precoce da vida sexual e à ausência de utilização de métodos contraceptivos eficazes. Diante dessa realidade, ações educativas nos ambientes em que estes indivíduos estão inseridos, em especial as escolas, tornam-se essenciais para promover a sensibilização, a prevenção e o desenvolvimento de comportamentos sexuais e reprodutivos saudáveis e responsáveis entre os adolescentes. Objetivo: Relatar a experiência vivida durante a realização de uma oficina educativa com foco na prevenção da gravidez na adolescência, direcionada a estudantes do ensino fundamental. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência. Oficina realizada no dia 16 de abril de 2025, na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com 33 alunos das turmas de 8ª e 9ª séries. A atividade foi conduzida por acadêmicas do curso de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri, Campus Iguatu, vinculadas ao Projeto de Extensão Saúde e Cidadania na Escola (PESCE). A ação foi solicitada (temática) e previamente agendada pela gestão escolar. Durante o desenvolvimento, a atividade teve duração de 1 hora e foi dividida em dois momentos: de início, houve uma abordagem teórica sobre mudanças físicas e emocionais da adolescência, o processo de gravidez, métodos de prevenção da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), impactos da gravidez na adolescência e a importância da rede de apoio. No segundo momento, foi realizada uma dinâmica interativa: os alunos escreveram suas dúvidas e curiosidades em papéis que foram inseridos dentro de bexigas. As bexigas eram estouradas aleatoriamente, as perguntas eram lidas em voz alta e discutidas de forma aberta e acolhedora. Resultados e Discussão: A participação na oficina permitiu revisar conceitos sobre gravidez indesejada na adolescência abordando os impactos que podem ser causados, sejam eles físicos, emocionais e sociais, ajudando os alunos a entenderem as causas, consequências e responsabilidades associadas à gravidez precoce. Durante a atividade, alguns participantes demonstraram um bom entendimento sobre o assunto, evidenciando conhecimento prévio do tema abordado. No entanto, outros tiveram dificuldades em participar das dinâmicas realizadas por não tratarem o tema com a devida seriedade. Esse resultado reforça a importância da realização de debates relacionados a gravidez na adolescência e a necessidade de discussões regulares para garantir uma orientação eficaz que possa desenvolver hábitos seguros de vida e saúde. Ademais, a experiência, ao abrir espaço para o diálogo, proporcionou compartilhamento de orientações sobre saúde sexual, incluindo métodos contraceptivos, contribuindo, dessa forma, para a redução de casos de gravidez não planejada. Conclusão: Conclui-se que, com base na experiência relatada, oficinas educativas são estratégias que permitem promover o conhecimento, estimular o diálogo entre os pares e desenvolver atitudes responsáveis entre os adolescentes. A atividade desenvolvida demonstrou que há curiosidade e interesse no assunto, consolidando iniciativas como essas como estratégias fundamentais para o fortalecimento da educação em saúde, prevenção de riscos e promoção do autocuidado em saúde na adolescência.
Palavras-chave: Gravidez na Adolescência, Prevenção , Serviços de Saúde
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Abrir o trabalhoEstresse ocupacional e saúde mental de profissionais de enfermagem na unidade de terapia intensiva: Revisão integrativa
LAURA HELENA ALVES VIEIRA ; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; José Ronald Laurentino Silva; Mariana Yasmim Bezerra de Alencar
As unidades de terapia intensiva são consideradas um dos setores hospitalares que mais geram sobrecarga para os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros. Esses profissionais enfrentam diversos problemas, tanto dentro quanto fora do ambiente hospitalar, os quais impactam significativamente sua vida pessoal e sua saúde. Essa realidade precária de trabalho repercute negativamente sobre o bem-estar desses profissionais, favorecendo o adoecimento físico e mental, comprometendo, assim, sua qualidade de vida e seu desempenho profissional.
Palavras-chave: Estresse ocupacional,saúde mental , enfermagem, unidade de terapia intensiva, condições de trabalho
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Abrir o trabalhoFLUXO DE ATENDIMENTO EM SAÚDE PARA O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
SAMUEL NAFTALI ALVES LIMA; Anna Livia Lima; Purdenciana Ribeiro de Menezes; Ana Izabel Oliveira Nicolau; Ana Karina Bezerra Pinheiro; Sabrina Freitas Nunes
FLUXO DE ATENDIMENTO EM SAÚDE PARA O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA Samuel Naftali Alves Lima1 Anna Lívia Lima2 Purdenciana Ribeiro de Menezes3 Ana Izabel Oliveira Nicolau4 Ana Karina Bezerra Pinheiro5 Sabrina Freitas Nunes6 INTRODUÇÃO As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são infecções transmitidas principalmente por sexo desprotegido, cujos impactos vão além do biológico, refletindo desigualdades sociais e estruturais. Populações vulneráveis, como a População Privada de Liberdade (PPL), estão mais expostas a esses agravos devido à combinação de fatores sociais, econômicos, culturais e de gênero que acentuam sua vulnerabilidade9 (Oliveira et al., 2023). Destes agravos, foram identificados na PPL 29.361 mil casos de doenças transmissíveis no segundo semestre de 2023 no Brasil nas celas físicas, sendo HIV foi responsável por 9.977 do perfil de adoecimento, a sífilis 9.016 e as hepatites 213 (Brasil, 2023). O HIV continua sendo um desafio global de saúde pública. Em 2021, mais de 0,5% da população mundial vivia com o vírus, com maior incidência em países marginalizados. O Brasil foi responsável por 50% dos novos casos na América Latina em 2019. Como resposta, a OPAS, junto à OMS e aos Estados membros, estabeleceu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do HIV/IST (2016–2021), com o objetivo de eliminar essas epidemias como problemas de saúde pública nas Américas até 2030 (OPS, 2016). Os desafios para o controle do HIV no sistema prisional são inúmeros, sobretudo pela condição de apenado e a fuga dos pactos sociais e civis, e a superlotação, insalubridade, violências, e demais comportamentos de risco, como relações sexuais desprotegidas e uso de drogas injetáveis, tornam o ambiente vulnerável ao HIV (Carvalho et al., 2020). Assim, o objetiva-se relatar a experiência de acompanhamento do fluxo de cuidados para o HIV no sistema penitenciário. MÉTODO Trata-se de um relato de experiência sobre a realização de visitas técnicas em uma unidade penitenciária de triagem e observação criminológica do estado do Ceará, conduzidas por duas pós-graduandas dos programas de mestrado e doutorado acadêmico da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará (SAP). As visitações ocorreram em julho de 2023, por quatro dias consecutivos. Antes de entrar, as participantes foram orientadas pela SAP sobre o sistema prisional e medidas de segurança. Ao chegarem, realizaram o cadastramento no Sistema de Gestão Penitenciária (SIGEPEN), medida obrigatória para controle de entrada no sistema, e iniciaram o percurso pelas áreas da unidade. No setor de saúde, há consultórios para diversos procedimentos, como consultas médicas, enfermagem, triagem com testagem rápida, vacinação, curativos, atendimento psicológico, serviço social e assistência odontológica. Os internos podem ser encaminhados para atendimento especializado conforme necessidade clínica. O estudo utilizou diário de campo para coletar informações sobre a unidade, profissionais e estrutura. Identificaram-se limitações como falta de insumos preventivos, rastreamento pontual, monitoramento laboratorial insuficiente, fragilidade no vínculo com internos, pouca confidencialidade e consultas coletivas que dificultam a abordagem de sexualidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO O fluxo de cuidados para o HIV no sistema prisional do Ceará começa na Unidade de Triagem, onde os internos passam por uma consulta de enfermagem com anamnese detalhada, permitindo identificar comorbidades e diagnósticos referidos. Essas informações são registradas no Sistema de Gestão Penitenciária (SIGEPEN), que facilita a continuidade do cuidado nas unidades subsequentes. O diagnóstico do HIV segue dois fluxos principais: o primeiro é a testagem rápida, realizada com consentimento do interno e orientação prévia. Se o TR1 for não reagente, o TR2 é dispensado, mas em casos de sintomas, o teste é repetido após 30 dias. Caso haja discordância entre os testes, uma coleta venosa é realizada para confirmação laboratorial. O tratamento é iniciado preferencialmente na unidade de permanência. O segundo fluxo considera o diagnóstico referido, onde o interno informa já ter HIV. A informação é validada pelos exames e, em caso de discrepâncias, a família é contatada para apresentação de documentos médicos que confirmem o diagnóstico e forneçam mais informações. A testagem para HIV é essencial para identificar infectados, iniciar a terapia e reduzir a transmissão, sendo necessária de forma sistemática ao longo do percurso prisional das PPL. Contudo, barreiras institucionais, como dificuldades financeiras e logísticas, dificultam sua implementação, favorecendo a continuidade da transmissão (Bossonario et al., 2020). Além disso, a triagem enfrenta desafios, como a falta de confidencialidade, especialmente em relação ao HIV, devido à urgência do retorno dos internos às celas e à triagem coletiva. Além disso, a baixa escolaridade e a desorientação de muitos internos dificultam a coleta e a compreensão das informações de saúde. Nisso, a comunicação do profissional de saúde com o apenado deve ser respeitosa, sem discriminação, promovendo a criação de vínculos para facilitar a coleta de informações, embora haja barreiras na confidencialidade, que influenciem na recusa dos testes rápidos. Casos de recusa devem ser investigados para identificar as barreiras existentes na testagem rápida e outros cuidados, a fim de traçar estratégias para superar esses desafios (Carvalho et al., 2020; De Oliveira et al., 2023; OMS, 2014). O cuidado ao HIV nas prisões deve incluir não apenas diagnóstico e tratamento, mas também educação em saúde, prevenção, adesão ao tratamento e promoção da qualidade de vida. Garantir confidencialidade, respeito e atuação interprofissional é essencial para um cuidado ético e humanizado. Estratégias educativas, como distribuição de panfletos e cartazes, ajudam a promover a prevenção em um ambiente com comportamentos de risco (Brasil, 2018). A figura 1 abaixo representa o manejo do HIV na unidade de triagem de fortaleza. Figura 1- Fluxo de cuidados para o HIV nas unidades de triagem. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2025. Fonte: Autores. CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência proporcionou uma imersão nos fluxos de cuidados para o HIV nas unidades prisionais, permitindo compreender a realidade social das Pessoas Privadas de Liberdade (PPL), e a necessidade de cuidado articulado e intersetorial, com foco na promoção de saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV, respeitando as especificidades do ambiente prisional. REFERÊNCIAS BOSSONARIO P.A; SAITA N.M; ANDRADE R.L.P; SANTOS G.P; NEMES, M.I.B; MONROE A.A. Assistência às pessoas com HIV/AIDS no cárcere: revisão da literatura. Texto Contexto Enferm. v. 29, p. e20180324, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1980- 265X-TCE-2018-0324 BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Relatório de Informações Penais (RELIPEN), 15° SISDEPEN 2° Semestre 2. Disponível em: https://www.gov.br/senappen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios/relipen/relipen-2-semestre-de- 2023.pdf. BRASIL. Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Prevenção Combinada. Brasília, DF(BR): Ministério da Saúde; 2018. Disponível em:http://www.aids.gov.br/pt-br/publico- geral/previna-se 22. CARVALHO I.S; GUEDES T.G; BEZERRA S.M.M.S; ALVES F.A.P; LEAL L.P; LINHARES F.M.P. Educational technologies on sexually transmitted infections for incarcerated women. Rev. Latino-Am. Enfermagem. v. 28, p. e3392, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.4365.3392. DE OLIVEIRA, C. B. et al. Infecções Sexualmente Transmissíveis em uma população privada de liberdade do sul de Minas Gerais: estudo transversal. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 16, n. 8, p. 13092-13104, 2023. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (EUA). Plano de Ação para a prevenção e o controle do HIV e de infecções sexualmente transmissíveis 2016-2021. Washington, D.C, 2016. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/34077. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Consolidated guidelines on HIV prevention, diagnosis, treatment and care for key populations. Geneva. 2014. ¹Acadêmico de Enfermagem, URCA, e-mail: samuel.naftali@urca.br ²Acadêmico de Enfermagem, URCA, e-mail: annalivia.lima@urca.br ³Enfermeira. Doutora em Enfermagem, e-mail: purdencianaribeiro@gmail.com 4Enfermeira, Doutora em Enfermagem, UFC, e-mail: anaizabelicolau@gmail.com 5Enfermeira, Doutora em Enfermagem, UFC, e-mail: anakarinaufc@hotmail.com 6 Enfermeira, Mestre em Enfermagem, URCA, e-mail: sabrina.freitas@urca.b
Palavras-chave: Prisões, HIV
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Abrir o trabalhoFOCOS DE CALOR NO CEARÁ EM 2023: IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO DE ENFERMAGEM
NAYANNE VIEIRA LIMA; Raí da Silva Maia; Sabrina de Alencar Ribeiro; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Antônio Germane Alves Pinto; Lucas Dias Soares Machado
Introdução: As mudanças climáticas vêm provocando eventos extremos, como ondas de calor mais intensas e frequentes, que impactam diretamente a saúde humana. A exposição ao calor excessivo e aos poluentes pode desencadear a desidratação, exaustão térmica e agravamento de condições clínicas preexistentes, demandando atenção especial dos serviços de saúde. Diante desse cenário, é essencial refletir sobre o papel da enfermagem, propondo cuidados que envolvam vigilância em saúde, educação da população e medidas preventivas frente aos riscos ambientais, reforçando o compromisso da profissão com a saúde coletiva. Objetivo: Tecer implicações para o cuidado de enfermagem a partir da análise dos focos de calor no Ceará entre 2000 e 2025. Método: Trata-se de um estudo ecológico operacionalizado a partir de dados secundários da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos referentes aos municípios cearenses entre 2000 e 2025. Os dados foram descritos quanto ao total de focos por ano, por município e média mensal, ilustrados a partir de gráficos de barras. Os cuidados de enfermagem sensíveis ao fenômeno foram propostos a partir da Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC). Por tratar-se de dados secundários disponibilizados publicamente, não houve necessidade de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, respaldando-se na Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados: Foram identificados 138.604 focos de calor no estado do Ceará no período em questão, representando um aumento da temperatura diretamente relacionado com a poluição devido a emissão de gases excessivos de indústrias e frota veicular em circulação. Os municípios com maior número de focos foram Boa Viagem (5106), Cratéus (4550), Santa Quitéria (4107), Quixeramobim (3531) e Granja (3452). Em relação a média de focos por mês, observou-se uma maior concentração destes nos meses de novembro (n=50.189), dezembro (n=42.423) e outubro (n=29.412), respectivamente. Sob essa vertente, pontuam-se como intervenções de enfermagem sensíveis ao fenômeno a identificação de riscos (6610), proteção contra riscos ambientais (8880), controle do ambiente/comunidade (6484), educação em saúde (5510) e cuidados com lesões (3660). Conclusão: Portanto, diante da crescente intensificação dos focos de calor e seus impactos à saúde, torna-se evidente que essa é uma demanda emergente. Cabe à enfermagem aprofundar-se na temática, reconhecendo os riscos envolvidos e contribuindo para a construção de um conjunto sistematizado de cuidados que responda adequadamente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas na atenção à saúde da população.
Palavras-chave: Calor,Onda de Calor,Cuidados de Enfermagem
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Abrir o trabalhoINFLUÊNCIA DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NA SAÚDE HUMANA: ABORDAGENS DE ENFERMAGEM PARA MITIGAÇÃO E ASSISTÊNCIA
LEONARDO LUÍS PINHEIRO ALVES; José Marcos Breno Oliveira Coelho (In memoriam)
Introdução: As mudanças climáticas são transformações nos padrões de temperatura e clima da Terra, causadas por fatores naturais e ações humanas, como a emissão de gases de efeito estufa. Tais mudanças têm impactos profundos no meio ambiente e na sociedade, afetando a biodiversidade, aumentando a frequência de eventos climáticos extremos e repercutindo negativamente na saúde humana. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo analisar as consequências das mudanças climáticas na saúde humana e o papel da enfermagem em estratégias de intervenção, sensibilização e prevenção. Metodologia: A pesquisa, de caráter teórico e reflexivo, baseou-se em uma revisão crítica de leis, manuais, protocolos, diretrizes e estudos científicos. A metodologia incluiu levantamento bibliográfico em bases de dados como BVS, Scielo, Lilacs e Medline, bem como consulta ao site da OPAS. A busca foi realizada utilizando os termos e operadores booleanos: Mudança Climática AND Cuidados de Enfermagem AND Educação em Saúde AND Meio Ambiente. Foram selecionados documentos publicados entre 2015 e 2025, analisados tematicamente para identificar padrões e lacunas. Resultados e Discussão: Os resultados mostram que a qualidade de vida das pessoas vem diminuindo consideravelmente devido às mudanças climáticas, que intensificam o adoecimento e comprometem o acesso a necessidades básicas como água potável, alimento e ar puro. A enfermagem desempenha um papel crucial na conscientização e educação sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde, promovendo práticas sustentáveis e influenciando comportamentos. Essa perspectiva se alinha à teoria ambientalista de Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna, que já reconhecia, em seu tempo, a influência direta do ambiente sobre a saúde humana. Assim, reforça-se a necessidade de uma atuação protagonista da enfermagem frente aos desafios ambientais contemporâneos. Conclusão: Conclui-se que a enfermagem desempenha um papel crucial na mitigação desses impactos, por meio de estratégias educativas, programas de prevenção e controle de doenças. Os enfermeiros são essenciais na sensibilização pública e no preparo para emergências climáticas. Além disso, defende-se a importância de políticas públicas que promovam a sustentabilidade e saúde coletiva, com o apoio de estudos científicos para enfrentar os impactos climáticos. A integração das intervenções de enfermagem nas políticas de saúde pública e ambiental é fundamental para promover resiliência e um futuro sustentável.
Palavras-chave: Mudança Climática,Cuidados de Enfermagem,Educação em Saúde;,Meio Ambiente
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Abrir o trabalhoO FUTURO DA PREVENÇÃO DE LESÕES POR PRESSÃO COM SENSORES DE MOVIMENTO INTELIGENTES: UMA REVISÃO DE LITERATURA
LAURA TABITA DE QUEIROZ MAGALHÃES MARQUES ; Jocileudo Marcos Varela; Ana Rafaele Lima Oliveira; Rafael Cesar Barreto; Alice Guedes Alexandre Bezerra
As Lesões por Pressão (LPs) representam um grave problema de saúde pública em escala global, afetando milhões de indivíduos anualmente, com incidência e prevalência particularmente elevadas em pacientes hospitalizados e com mobilidade reduzida. Sendo a principal estratégia para a prevenção de LPs, recomendada por diretrizes internacionais consiste no reposicionamento frequente do paciente, visando aliviar a pressão sobre as áreas de risco. Contudo, a implementação efetiva desta prática enfrenta desafios consideráveis no ambiente clínico. Desse modo, esse estudo buscou revisar a literatura a fim de compreender o uso de sensores de movimento e as implicações dessa tecnologia na prevenção de lesões por pressão.
Palavras-chave: Sensor de Movimento,Lesão por Pressão,Reposicionamneto
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Abrir o trabalhoO USO DA MUSICOTERAPIA PARA ALÍVIO DA DOR EM PACIENTES COM LESÕES: RELATO DE EXPERIÊNCIA
ANA VITÓRIA PEREIRA CAETANO ; Cauã Bastos Feitosa; Cinthia Taynara Batista da Silva; Elane Oliveira dos Santos; Gleiciane Silva Miguel; Sarah Caldas dos Santos Silva
Introdução: A musicoterapia é uma abordagem complementar, que utiliza a música como ferramenta para influenciar aspectos emocionais e neurocognitivos, podendo ser utilizada de forma estratégica para reduzir o estresse e promover bem-estar. Em lesões graves, onde é comum a associação a dor, é essencial promover o acolhimento, a fim de compreender o sofrimento do cliente e possibilitar a criação de um ambiente humanizado, destacando o uso da musicoterapia e da escuta ativa durante procedimentos. Objetivo: Relatar a assistência de acadêmicos de enfermagem a um paciente com lesão grave utilizando a musicoterapia. Método: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, envolvendo alunos do 10º semestre do curso de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA), realizado através da disciplina de Estágio Supervisionado II. Durante a atividade prática, os discentes realizaram uma visita a uma paciente no leito hospitalar da Clínica Cirúrgica do Hospital Regional de Iguatu (HRI), em abril de 2025, com o objetivo de realizar o processo de enfermagem em suas 5 fases, após o levantamento das necessidades de saúde da paciente foi utilizado a musicoterapia como intervenção durante a avaliação, limpeza e desbridamento da lesão. Resultados: A paciente apresentou hérnia e deiscência da ferida operatória na região abdominal, com lesão caracterizada por exsudato abundante, presença de esfacelo, tecido de granulação e formação de túnel. Durante o atendimento realizou-se a avaliação da ferida, limpeza e o curativo da lesão, ademais durante o procedimento a paciente mostrou-se bastante ansiosa e sensível a dor, identificando o diagnóstico de dor aguda, dessa forma para amenizar essa dor uma das intervenções utilizadas foi a musicoterapia e a escuta ativa, consequentemente a musicoterapia ofereceu uma melhoria na saúde mental e física, reduziu a dor e o estresse, aprimorando a comunicação e a autoestima da paciente. Conclusão: Conclui-se que, a ação realizada, proporcionou aos acadêmicos de enfermagem uma experiência prática relevante e esclarecedora, onde a musicoterapia mostrou-se ser de suma importância no controle da ansiedade da paciente, trazendo mais eficácia para a realização do curativo ao diminuir a sensação de dor.
Palavras-chave: Musicoterapia,Lesão,Assistência de enfermagem
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Abrir o trabalhoPREVENÇÃO DE ACIDENTES DOMÉSTICOS NA INFÂNCIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
ANA CAROLINA MOREIRA DA SILVA ; NAYANNE VIEIRA LIMA; SABRINA DE ALENCAR RIBEIRO; MÁYRA TAUANE DAVID ARAÚJO; SHERLINE ALVES PEREIRA; JOSEFA NAYARA DE LIMA
INTRODUÇÃO Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), um acidente é um evento casual, não intencional, causado por fatores externos que acaba resultando em danos corporais ou mentais. Visto isso, os acidentes domésticos estão diretamente ligados ao ambiente em que aquela criança frequenta, como cozinha, banheiro, escada, quarto e garagem. No que se refere às crianças existem vários fatores de risco para as lesões, como por um exemplo, idade, sexo, falta de supervisão de um adulto, acessibilidade e exposição ao perigo (Dantas et al., 2024; Santos et al., 2021). Os acidentes domésticos são responsáveis por um elevado índice de morbimortalidade entre crianças e adolescentes, sendo considerado uma grave questão de saúde pública. De acordo com a OMS cerca de 830 mil crianças morrem anualmente devido a acidentes que poderiam ser evitados. Essas lesões envolvem afogamento, queimadura, choques elétricos, obstrução das vias aéreas, quedas, dentre outros (Santos et al., 2021). As crianças, principalmente na primeira infância, estão em fase de desenvolvimento físico, cognitivo e social, por isso apresentam riscos maiores de acidentes domésticos em razão da necessidade de movimentar-se em busca de novas experiências. Além disso, por passarem mais tempo dentro de casa, estão mais suscetíveis aos fatores de risco como um piso molhado, móveis com quina, vidros, berços sem proteção, camas elevadas, dentre outros (Santos et al., 2021). Visto a compreensão dos fatores de risco envolvidos nos acidentes domésticos entre crianças é fundamental a implementação de medidas preventivas, como ações de educação em saúde direcionadas à orientação de crianças e seus responsáveis sobre os acidentes e os fatores de risco, com o objetivo de prevenir a ocorrência de novos eventos, reduzindo as gravidades das lesões e minimizando as consequências (Dantas et al., 2024). Sendo assim, o presente estudo objetivou relatar as atividades e experiências vivenciadas por acadêmicas de enfermagem durante uma ação de educação em saúde na pediatria, acerca da prevenção de acidentes domésticos na infância. MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, baseado nas vivências de acadêmicas de enfermagem durante as atividades do projeto de extensão "Promoção da Saúde na Pediatria - PROPED", vinculado à Universidade Regional do Cariri. A ação educativa foi realizada no dia 11 de dezembro de 2024, no período vespertino, com duração aproximada de uma hora, na brinquedoteca do Hospital Regional de Iguatu, localizado na região Centro-Sul do estado do Ceará, Brasil. O convite para participação na ação foi direcionado às crianças internadas na unidade hospitalar, bem como aos seus respectivos responsáveis que se encontravam presentes nas enfermarias e demonstraram interesse na atividade. A intervenção contou com a participação de três crianças — duas do sexo feminino e uma do sexo masculino — além de três responsáveis, totalizando seis participantes. O planejamento da atividade foi realizado previamente, com embasamento na literatura científica pertinente. A temática abordada foi a prevenção de acidentes domésticos na infância. A metodologia adotada incluiu uma explanação teórica sobre acidentes domésticos: conceito, tipos, fatores de risco e prevenção. Complementando a abordagem, foram utilizadas imagens ilustrativas e TV de papelão. Em seguida, foi realizado um bingo educativo com o intuito de reforçar o aprendizado de maneira lúdica. Ao final da atividade, como estratégia de avaliação, foram utilizadas placas com emojis representando diferentes emoções, permitindo que as crianças expressassem seus sentimentos em relação à ação desenvolvida. RESULTADOS E DISCUSSÃO A atividade teve início com uma explanação sobre o conceito de acidentes domésticos e as formas de preveni-los, utilizando exemplos práticos do cotidiano. Em seguida, foram apresentadas imagens ilustrativas e uma TV confeccionada em papelão, com o objetivo de destacar os tipos de acidentes mais comuns na infância e os ambientes da casa que requerem maior atenção, como cozinha, quartos, sala, escadas, janelas, banheiro, lavanderia e garagem. Na sequência, foi aplicado um bingo educativo com imagens relacionadas a ações e objetos associados a acidentes domésticos, visando reforçar o aprendizado de maneira lúdica. Como prêmio, todas as crianças participantes receberam um livro de ilustrações sobre a temática abordada e lápis de colorir. Ao término da atividade, utilizaram-se placas com emojis como instrumento de avaliação, possibilitando que as crianças expressassem suas percepções acerca da intervenção. A ação demonstrou-se dinâmica e com resultados positivos (Figura 01). Na acolhida, as crianças apresentaram receio para participar, mas com o passar do tempo a ação foi divertida e as mesmas, começaram a participar junto aos pais, os responsáveis durante a explanação, relataram que alguns acidentes já ocorreram, e na percepção das extensionistas viu-se a importância da temática ser trabalhada em diversas épocas do ano, tanto para crianças quanto aos responsáveis no intuito de ensinar e alertar. Dessa forma, o ambiente em que a criança vive é considerado e responsável pelos riscos de acidentes causados na infância. Acontece que o lar se encontra brinquedos, pisos, móveis sem proteção, entre outros, que quando expostos pode causar acidentes, como piso molhado, brinquedos que podem ter partes afiadas ou que estão fora do lugar, escadas sem corrimão, panelas no fogão, objetos perfuro cortantes, entre outros, por esses exemplos e outros que tem-se que trabalhar com a temática (Almeida et al., 2023). É considerável que a comunicação entre o profissional, a família e a criança é essencial para ensinar sobre a prevenção, autocuidado e percepção dos riscos que o lar proporciona, portanto, uma acolhida, conversas, modo de falar com a população e a forma como ensinar é essencial para dar uma assistência de enfermagem centrada no indivíduo, família e comunidade, a relação entre eles se torna um cuidado humanizado, muito essencial para todos (Ribeiro, Silva, 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS A ação demonstrou a importância de intervenções educativas para prevenir acidentes domésticos na infância, destacando a eficácia de abordagens lúdicas como forma de sensibilizar crianças e responsáveis. A participação ativa dos envolvidos evidenciou a relevância de estratégias que vão além da simples transmissão de informações, promovendo o engajamento e a reflexão sobre os riscos do ambiente doméstico. Os participantes demonstraram receptividade e envolvimento ao longo da atividade, o que reforça a necessidade de ações contínuas voltadas para a conscientização sobre os riscos presentes no ambiente domiciliar. A atuação dos profissionais de saúde, em especial os enfermeiros, deve priorizar o diálogo humanizado, a orientação prática e o fortalecimento do vínculo com as famílias, promovendo, assim, uma assistência integral e eficaz. Portanto, observou-se que trabalhar a temática de forma humanizada, com foco na comunicação e na construção conjunta do conhecimento, potencializa o aprendizado e fortalece o vínculo entre profissionais de saúde, crianças e famílias. Assim, iniciativas como essa devem ser contínuas, adaptando-se às necessidades locais e abrangendo diferentes momentos do ano, para garantir um impacto mais amplo e duradouro na promoção da segurança infantil.
Palavras-chave: Acidentes domésticos,Prevenção de acidentes,Saúde infantil, Cuidados infantis
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Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE TERRITORIALIZAÇÃO: CONSTRUÇÃO DA CIDADE FICTÍCIA SANTA ESPERANÇA COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO EM SAÚDE COLETIVA
FRANCISCA EMILY COELHO MOTA; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Isabelle Souza Braz; José Ronald Laurentino Silva; Laura Helena Alves Vieira; Sara Braga de Souza
Introdução: Bissacotti, 2019, nos elucida que a territorialização configura-se como um instrumento estratégico para a organização dos processos de trabalho na Atenção Básica, contribuindo diretamente para a qualificação das práticas em saúde. Por meio desse processo, torna-se viável a realização da análise situacional da população adscrita ao território, possibilitando o planejamento das ações em saúde, a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da atenção prestada. A partir dessa abordagem, foi proposta uma atividade prática no contexto da disciplina de Saúde Coletiva II, voltada para a construção e análise de uma cidade fictícia denominada Santa Esperança .Objetivo: Desenvolver, por meio de uma maquete, a representação de um território urbano com o intuito de exercitar a territorialização, identificando os principais problemas sociais e de saúde pública, bem como refletir sobre estratégias de reorganização da Atenção Básica. Método: A atividade foi realizada por estudantes do 7º semestre de Enfermagem, durante sete dias, em grupos. A proposta consistiu na construção de uma maquete representando uma cidade fictícia, elaborada a partir de elementos reais e dados sociais típicos do contexto brasileiro. A cidade foi dividida em zonas com diferentes níveis de infraestrutura e vulnerabilidade. Posteriormente, foi feita a análise das condições sociais, ambientais e de saúde pública com base em indicadores discutidos em sala de aula, como saneamento, acesso a serviços e desigualdade social. Resultados: A cidade de Santa Esperança foi caracterizada como um município de médio porte, com 80.000 habitantes e alto crescimento desordenado. A análise evidenciou problemas graves de saúde pública, especialmente nas periferias, como surtos de doenças infecciosas, elevada incidência de doenças crônicas, precariedade no atendimento à saúde mental e altos índices de violência. Também foram observadas dificuldades na territorialização, como ausência de dados georreferenciados, baixa cobertura da Estratégia de Saúde da Família (60%) e insuficiência de recursos humanos e materiais. Estratégias como o uso de tecnologias para mapeamento, ampliação da cobertura da ESF e ações intersetoriais foram discutidas como formas de enfrentamento. Conclusão: A atividade permitiu que os estudantes aplicassem os conhecimentos teóricos em uma prática reflexiva e contextualizada, compreendendo a importância da territorialização como ferramenta para o planejamento e organização dos serviços de saúde. A construção da maquete revelou-se um instrumento didático eficaz para a análise crítica dos determinantes sociais de saúde e da atuação profissional em contextos de vulnerabilidade.
Palavras-chave: Educação em saúde,Territórialização da Atenção Primária, Saúde coletiva
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Abrir o trabalhoSÍNDROME DE BURNOUT EM DOCENTES UNIVERSITÁRIOS: UM DESAFIO PARA A SAÚDE MENTAL.
ANA LÍVIA BATISTA ALVES ; Henrique José de Souza; Vitória Camile Félix Oliveira
Introdução: Define-se a Síndrome de Burnout como um esgotamento emocional causando estresse excessivo no indivíduo em decorrência de seu exercício profissional. Para os profissionais que lidam diretamente com o público, a exemplo dos profissionais de saúde, bancários, policiais, professores, dentre outros, há um risco ainda maior de serem acometidos por este agravo, considerando as pressões por resultados, culminando em desgastes físicos e mentais. No que tange aos docentes universitários, o próprio ambiente acadêmico é submetido a exigências e ajustamento às regras institucionais. É uma das profissões mais afetadas pelo estresse cujos efeitos comprometem a saúde física e mental desses profissionais, com efeito direto na sua qualidade de vida. Assim, o burnout pode afetar negativamente a eficácia do ensino, as interações dos professores com os alunos, sua motivação para trabalho, sua capacidade de apoiar os alunos, contribuindo também com o absenteísmo. Também pode afetar a saúde e o bem-estar dos professores no trabalho, aumentando a probabilidade de sofrerem de diversas patologias como depressão, insônia, entre outras. Objetivo: Identificar por meio de uma revisão literária os desafios acerca da Síndrome de Burnout em professores universitários. Método: Trata-se de uma revisão de literatura, com busca de artigos em português, publicados na base de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), utilizando os descritores “Burnout”, “Docentes”, “Universidades”. Foram incluídos artigos completos que abordassem a temática com ênfase no impacto da saúde e do desempenho do trabalho desses profissionais. Resultados: Os achados, obtidos a partir da análise de quatro artigos, apontam que os docentes enfrentam uma carga exaustiva de trabalho, impactando negativamente em sua qualidade de vida, sono, concentração e produtividade. Essa rotina desgastante favorece um estado de sobrecarga e exaustão emocional, elementos centrais da Síndrome de Burnout. Conclusão: Diante deste cenário, é de suma importância a implantação de programas e políticas públicas de saúde que contribuam com a qualidade de vida dos educadores, de forma a lidarem melhor com o estresse do dia, objetivando a prevenção do adoecimento dos professores e ainda, a promoção de ambientes de trabalho mais acolhedores e saudáveis. Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de uma atenção mais cuidadosa à saúde dos profissionais da educação. Investir no cuidado com os docentes é fundamental não apenas para preservar sua saúde, mas também para assegurar a eficácia do processo educacional.
Palavras-chave: Burnout, Docentes, Universidade
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Abrir o trabalhoUSO RACIONAL DE RECURSOS E INSUMOS NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM TERAPIA INTENSIV A: REVISÃO NARRATIV A
RHAYLA VENANCIO TERTO; Amábile Aires Pinheiro Carnaúba; Amanda Aires Pinheiro Carnaúba; Bruna Pedrosa Vieira; Maria Viviane Pereira de Sousa; Sayla Silva Gomes
Introdução: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente caracterizado pela ampla complexidade, o uso de tecnologias e a necessidade de recursos e insumos para garantir uma assistência integral e a segurança dos pacientes em estado clínico crítico. Nesse cenário, a atuação da equipe de enfermagem assume papel fundamental, não apenas na execução de cuidados, como também na gestão eficiente dos recursos disponíveis. O uso racional de bens e insumos na assistência de enfermagem na UTI torna-se essencial para a otimização do atendimento, redução de desperdícios, sustentabilidade dos serviços de saúde e manutenção da qualidade assistencial. Objetivo: Refletir sobre a importância do uso racional de recursos e insumos na assistência de enfermagem em terapia intensiva. Método: Revisão narrativa da literatura, descritiva e qualitativa. A busca foi realizada em maio de 2025, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS ), utilizando as bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO). Também foram consultadas a National Library of Medicine (PubMed) via Medical Literature Analysis and Retrievel System Online(MEDLINE). Utilizaram-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): “Recursos em Saúde” “Unidade de Terapia Intensiva” “Segurança do Paciente” e “Cuidados de Enfermagem”combinados com o operador booleano AND. Foram incluídos artigos originais, de acesso gratuito, texto completo, sem limitação temporal e de língua. Excluíram-se publicações que, embora disponíveis nos termos estabelecidos, não apresentavam relação direta com o tema proposto, não contribuíam de forma relevante para os objetivos do estudo ou abordavam contextos distintos da terapia intensiva. Também foram excluídas teses, dissertações, revisões de literatura e materiais duplicados. artigos duplicados e que não atenderam o objetivo da pesquisa. Resultados: Os dados obtidos revelam a importância do uso de método sistêmico de análise de consumo e gastos de materiais em unidades de terapia intensiva que subsidiam ações administrativas de economia. A equipe de enfermagem se destaca como a principal gestora do consumo e custo de materiais hospitalares, portanto, destaca-se a relevância de que o enfermeiro possua conhecimentos sobre o gerenciamento do uso de materiais, realize a supervisão adequada das atividades da equipe e promova continuamente a educação e a atualização profissional, com o intuito de assegurar melhores resultados financeiros e a qualidade na utilização dos recursos materiais indispensáveis à assistência ao paciente. Conclusão:A partir da análise dos estudos, conclui-se que o uso racional de recursos e insumos na assistência de enfermagem em terapia intensiva é de fundamental importância para garantir a qualidade do cuidado prestado, a segurança do paciente e a sustentabilidade dos serviços de saúde.Dessa forma, a implementação de estratégias fundamentadas em evidências científicas, associada ao compromisso técnico e ético dos profissionais, reforça a importância da enfermagem e evidencia a necessidade de investimento institucional em políticas que garantam condições adequadas de trabalho, educação permanente e segurança tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde.
Palavras-chave: Recursos de Saúde,Unidade de Terapia Intensiva, Segurança do Paciente, Cuidados de Enfermagem
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Abrir o trabalhoVIOLÊNCIA DOMÉSTICA, SEXUAL E OUTROS TIPOS CONTRA MULHERES NO ESTADO DO CEARÁ
NATHALY ALMEIDA DE LIMA ; Antônia Mylena Carmem de Lima; Aline Morais De Lima; Edyna Silva dos Santos; Gabriely Ferreira dos Reis; Josinez Figueiredo de Souza; Lívia Nonato de Souza
O resumo trata de uma temática que perdura ao longo dos anos, a violência contra a mulher continua a ser um problema de saúde pública, visto que os índices de feminicídio também continuam a ser alarmantes. O presente estudo expõe a quantidade de notificações de violência por diferentes indicadores, demonstrando que a quantidade de notificações quando relacionadas a raça e escolaridade flutuavam entre diminuição e aumento. Por tanto as portas de entrada ao serviços podem se dividir em baixa, média e alta complexidade, mas em todas elas o profissional Enfermeiro tem o papel de cuidar do usuário de acordo com as suas demandas, oferecendo uma escuta ativa e uma explicação dos direitos e opções que as vítimas de violência possuem para conseguirem retomar a vida e recomeçar.
Palavras-chave: Violência Contra a Mulher;, Violência doméstica;, Delitos Sexuais;
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Abrir o trabalhoVIVÊNCIAS NO PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA: AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
MARIA FERNANDA DE OLIVEIRA ALVES; Sabrina de Alencar Ribeiro; Nayanne Vieira Lima; Thayná Milena dos Santos; Letícia Mirelly Fagundes Xavier; Ana Júlia Máximo Mendes; Solange Pereira Queiroz
Introdução: O Programa Saúde na Escola (PSE) constitui uma importante estratégia intersetorial entre as áreas da saúde e da educação, com foco na promoção da saúde e na prevenção de agravos entre crianças e adolescentes. Dentre suas ações, destacam-se as avaliações antropométricas — como aferição de peso e altura — fundamentais para o monitoramento do crescimento e desenvolvimento infantil. A identificação precoce de alterações nutricionais, como desnutrição, sobrepeso ou obesidade, possibilita intervenções adequadas e oportunas, contribuindo não apenas para a melhoria da saúde das crianças, mas também para seu desempenho escolar e qualidade de vida. Nesse contexto, a inserção de estudantes de Enfermagem em atividades do PSE fortalece a formação prática e aproxima a universidade das necessidades reais da comunidade. Objetivo: Relatar a experiência de acadêmicas de Enfermagem na realização de medidas antropométricas em crianças e adolescentes no contexto do Programa Saúde na Escola (PSE). Método: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido durante as atividades do Estágio Supervisionado I do curso de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri (URCA), realizado em abril de 2025. A ação foi realizada em uma Escola de Ensino Fundamental, situada na área de abrangência de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no município de Iguatu, Ceará, e teve como foco a avaliação nutricional das crianças matriculadas. A atividade ocorreu com alunos do 1º ao 9º ano, em período diurno, abrangendo a faixa etária de 6 a 15 anos. Foi conduzida por seis acadêmicas de Enfermagem, sob orientação de uma enfermeira preceptora de estágio vinculada à universidade. Durante a ação, foram coletadas medidas de peso e altura utilizando instrumentos devidamente calibrados, como balança digital e fita métrica, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Resultados: A atividade contemplou cerca de 300 crianças e adolescentes e foi conduzida de forma ética e colaborativa pelas acadêmicas, com apoio da equipe escolar e da comunidade educativa, o que favoreceu sua organização e acolhimento. Durante a ação, vivenciamos momentos de escuta qualificada, acolhimento e interação com os estudantes, percebendo diferentes reações ao serem medidos — muitos demonstraram curiosidade e interesse em saber seu peso e altura. Foram utilizadas estratégias de acessibilidade para incluir crianças com limitações físicas, motoras ou cognitivas, assegurando a participação de todos. A coleta dos dados antropométricos permitiu identificar possíveis vulnerabilidades, como risco de desnutrição, sobrepeso e obesidade, que podem interferir no desenvolvimento infantil. Além da dimensão clínica, a atividade fortaleceu os vínculos entre os setores da saúde e educação, e gerou propostas de continuidade das ações em parceria. Conclusão: A realização de medidas antropométricas no contexto do PSE alcançou seus objetivos ao proporcionar uma vivência prática significativa para as acadêmicas e favorecer o monitoramento do estado nutricional das crianças. A experiência reforça a importância da atuação intersetorial entre saúde e educação na promoção da saúde infantil e destaca o papel essencial da enfermagem na detecção precoce de agravos nutricionais e na construção de um cuidado integral e humanizado.
Palavras-chave: Saúde da Criança, Antropometria,Avaliação Nutricional
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Abrir o trabalhoResumo Simples · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoAVALIAÇÃO DA ACESSIBILIDADE NORMATIVA EM SAÚDE AMBIENTAL
BIANCA DA SILVA LOURENÇO; Antonia Donita Oliveira Fortaleza; Livia Nonato de Souza
INTRODUÇÃO A acessibilidade refere-se à garantia de que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida poderão fazer uso de forma segura, seja de maneira independente ou com auxílio, dos espaços urbanos, meios de transporte e de comunicação, entre outros serviços. É um princípio fundamental, que busca promover a inclusão e garantir que todos os indivíduos tenham as mesmas oportunidades, sendo objeto de diversas regulamentações legais e técnicas no Brasil (Freitas, 2023). Esse princípio não se limita apenas a espaços construídos, abrange também o meio ambiente urbano e natural, assegurando que área públicas, parques e demais espaços ao ar livre sejam acessíveis a todas a pessoas, sem deixar de seguir as normas ambientais, de proteção e preservação dos patrimônios nacionais (Brasil, 2015). Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar a acessibilidade normativa, com foco na comparação do Decreto nº 5.296/2004 com a Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e, ainda, com a Norma Brasileira NBR 9050:2015 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), de modo a analisar as principais convergências, divergências, evoluções e lacunas existentes entre os normativos. A pesquisa justifica-se pela necessidade de conhecer as exigências legais e técnicas que regem a acessibilidade e investigar se essas normas estão sendo efetivas nos meios urbanos e naturais, para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência. MÉTODO O presente estudo tem caráter documental e abordagem qualitativa, com foco na análise de três documentos oficiais, selecionados por sua importância normativa e institucional no tocante à inclusão de pessoas com deficiência (PcD) nas políticas de saúde ambiental. Os documentos analisados foram: Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência; Decreto nº 5.296/2004; e Norma Brasileira NBR 9050:2015 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A análise foi guiada por palavras-chave previamente definidas a partir dos objetivos da pesquisa, organizadas em cinco grandes eixos temáticos: acessibilidade arquitetônica, comunicação e sinalização, barreiras físicas, tecnologias assistivas e espaços naturais. Esse direcionamento temático permitiu uma leitura sistemática e direcionada dos conteúdos, com ênfase na identificação de trechos que tratam da articulação entre deficiência e saúde ambiental. A etapa de sistematização dos dados foi conduzida por meio de uma planilha eletrônica elaborada no Google Planilhas. Cada entrada da planilha foi composta pelas seguintes variáveis: documento de origem, seção ou artigo, excerto selecionado, resumo do conteúdo, grau de relevância e possíveis implicações práticas. Para fins analíticos, os trechos identificados foram classificados com base em três níveis de relevância: nota 1 – baixa relevância: indica referências genéricas à temática da deficiência, sem detalhamento prático ou vinculação direta a políticas públicas; nota 2 – relevância média: abrange conteúdos com potencial de aplicação, ainda que sem explicitação de mecanismos operacionais; nota 3 – alta relevância: engloba trechos que estabelecem metas, prazos, indicadores ou obrigações concretas, com implicações diretas na formulação e execução de ações em saúde ambiental inclusiva. A classificação foi realizada por uma equipe composta por quatro avaliadores. Após esse processo, os dados foram organizados de modo narrativo e foi construída uma matriz SWOT, ou FOFA, em português: Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Essa ferramenta é especialmente útil quando se quer avaliar políticas públicas sob uma perspectiva estratégica. Em seguida, os dados são discutidos à literatura pertinente. RESULTADOS E DISCUSSÃO O Decreto número 5296, de 2 de dezembro de 2004 e a Lei número 13146, de 6 de julho de 2015 versam sobre a promoção dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil. Ambos os normativos tratam da acessibilidade como um direito fundamental, abrangendo diversas questões como a comunicação, o transporte, os bens culturais, entre outras. Além disso, eles apresentam conceitos importantes como o de acessibilidade, barreiras e desenho universal. Entretanto, apesar do Decreto representar um avanço significativo, ele está mais voltado à acessibilidade arquitetônica e urbanística, com foco na eliminação de barreiras e na adaptação de ambientes físicos (Brasil, 2004). Enquanto isso, a Lei se mostra como um avanço legislativo mais amplo e completo, que aborda, além da acessibilidade arquitetônica, os direitos humanos de forma integral (Brasil, 2015). O normativo de 2015 apresenta capítulos que abordam o direito à vida, à educação, à saúde, à assistência social, à previdência social, à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer, além de defender a ideia de igualdade de oportunidades entre as pessoas com deficiência e as demais, sem sofrer nenhum tipo de discriminação. Ainda, amplia os conceitos de barreira e acessibilidade e introduz outros, como o de barreiras atitudinais, o qual refere-se a atitudes que dificultam ou limitam a inclusão social de pessoas com deficiência, impedindo que elas tenham as mesmas condições e oportunidades que as demais (Brasil, 2015). Outro ponto importante abordado pela Lei 13146 é o dever que o poder público tem de ofertar meios concretos de acesso ao patrimônio cultural, pela pessoa com deficiência, sem deixar de seguir as normas ambientais e de proteção do patrimônio histórico (Brasil,2015). Com um objetivo próximo a esses dois normativos também há a norma técnica 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), intitulada “Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos”, a qual define parâmetros e diretrizes para garantir que todos os ambientes sejam acessíveis a todas as pessoas, independentemente de suas deficiências ou necessidades. Ela garante que as edificações e espaços públicos sejam seguros, confortáveis e autônomos para todos (ABNT, 2015). Dessa forma, a análise demonstra que a legislação brasileira evoluiu de uma perspectiva técnica de acessibilidade para um compromisso abrangente com a inclusão e a cidadania da pessoa com deficiência, refletindo um amadurecimento social e jurídico diante da diversidade humana. Entretanto, apesar da Lei Brasileira de Inclusão ter inserido os espaços de caráter ambiental no conceito de acessibilidade, ainda há lacunas no que tange esse princípio, visto que, este normativo não traz explicações detalhadas acerca das diretrizes específicas para a promoção da acessibilidade em ambientes naturais. Como exemplo, é cabível citar a falta de planejamento e de iniciativas voltadas à promoção da inclusão social de pessoas com deficiência em Unidades de Conservação de Uso Sustentável, o que inviabiliza a presença desses indivíduos nesses locais e distancia-se da meta de proporcionar acesso universal a espaços públicos, inclusivos e áreas verdes, trazida pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que deve ser cumprida até o ano de 2030 (Santos, 2021). Visando contemplar os demais trechos identificados nos documentos analisados, e sintetizar as informações de forma estruturada, estratégica e crítica, apresenta-se a seguir a matriz FOFA. Matriz FOFA – Saúde Ambiental e Pessoa com Deficiência FORÇAS (internas) - Existência da PNSPD e diretrizes específicas para inclusão. - Marco legal robusto (Estatuto da PcD, SUS, acessibilidade). - Políticas que reconhecem determinantes ambientais. FRAQUEZAS (internas) - Baixa capacitação dos profissionais sobre saúde ambiental e PcD. - Falta de articulação intersetorial entre saúde, ambiente e educação. - Ausência de indicadores específicos para PcD em vigilância ambiental. OPORTUNIDADES (externas) - Expansão da agenda da saúde planetária e dos ODS. - Tecnologias assistivas e inovação para acessibilidade. - Financiamentos internacionais voltados à justiça ambiental. AMEAÇAS (externas) - Crescentes desigualdades ambientais e sociais. - Crises ambientais que agravam vulnerabilidades das PcDs. - Retrocessos em políticas sociais e ambientais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a análise e construção da matriz FOFA foi possível perceber a integração de múltiplas direções das políticas públicas, facilitou a identificação de lacunas e oportunidades e pode contribuir com a prática ao permitir que profissionais, gestores e formuladores de políticas consigam usar os resultados da matriz para tomar decisões mais bem informadas, pois ela evidencia onde investir, o que corrigir, quais ameaças monitorar e quais oportunidades aproveitar.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência, Educação em saúde ambiental, Políticas
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoDiretrizes integradas para programas de educação ambiental inclusiva
LIVIA NONATO DE SOUZA; ANTONIA DONITA OLIVEIRA FORTALEZA; BIANCA DA SILVA LOURENÇO
INTRODUÇÃO Compreende-se a educação ambiental como o resultado da reprodução de valores, comportamentos e habilidades, que evidenciam a necessidade de preservação do meio ambiente. Nesse sentido, destaca-se sua capacidade de potencializar o desenvolvimento de uma consciência crítica acerca das implicações significativas do meio ambiente no processo saúde-doença, bem como seu papel na manutenção da vida, correlacionando aspectos ecológicos, sociais, econômicos, científicos e éticos (Brasil, 1999). Para que a educação ambiental cumpra seu papel formador, é primordial que as ações sejam planejadas de forma inclusiva, contemplando as especificidades das pessoas com deficiência (PcD). Essas garantias são amparadas pela Lei nº 13.146/2015, que dispõe sobre a igualdade de condições para o pleno exercício da cidadania. Desse modo, a inclusão configura-se como estratégia essencial para fortalecer os esforços em prol da sustentabilidade e, consequentemente, da promoção da saúde (Brasil, 2015). Portanto, justifica-se a integração de ações de educação ambiental e inclusão da PcD, considerando que essa iniciativa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, essencialmente os ODS 3,4,10 e 13. Ao promover acesso equitativo, a participação socioambiental e a redução das desigualdades. Estudos recentes mostram que muitas unidades básicas de saúde, enquanto espaços públicos, possuem falhas de acessibilidade, evidenciando o não cumprimento das diretrizes previstas legalmente (Araújo et al., 2022). Considerando que as ações de inclusão da pessoa com deficiência na saúde ambiental ainda são incipientes, é válido evidenciar como esse cenário pode ser modificado, assim, esse estudo objetiva sintetizar os documentos analisados em um check-list para boas práticas em educação ambiental voltada à inclusão de PcD. MÉTODO Trata-se de um estudo documental, de abordagem qualitativa, baseado na análise de seis documentos normativos e institucionais, selecionados por sua relevância para a temática da inclusão e acessibilidade de PcD no contexto da saúde ambiental. Os documentos analisados foram: Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência; Portaria GM/MS nº 1.526/2023 – Atualiza a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência; Decreto nº 5.296/2004; Norma Brasileira NBR 9050:2015 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); Relatório Final da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental (2009) e Subsídios para a Construção da Política de Saúde Ambiental (2009). A análise documental teve como objetivo responder às seguintes questões de pesquisa: (1) Quais exigências legais e normativas devem estar presentes em um programa de educação ambiental voltado para pessoas com deficiência? (2) Como articular, em um único fluxo de trabalho, os eixos de acessibilidade, tecnologias assistivas e vigilância ambiental? A leitura dos documentos foi orientada pela identificação de palavras-chave relacionadas ao objetivo da pesquisa, agrupadas nos eixos temáticos: acessibilidade arquitetônica; comunicação e sinalização; barreiras físicas: tecnologias assistivas; e, espaços naturais acessíveis. A sistematização da análise foi realizada por meio de um roteiro estruturado em uma planilha eletrônica (Google Planilhas), composta pelas colunas: documento, artigo/seção, trecho identificado, resumo do conteúdo, relevância e implicação prática. Cada trecho foi classificado quanto à relevância, de acordo com os critérios: nota 1 – baixa relevância: menção genérica à acessibilidade ou deficiência, sem vínculo com ações ou políticas concretas; conteúdo superficial e sem aplicação direta; nota 2 – relevância média: descrição de requisitos ou diretrizes que tangenciam a inclusão de PcD, com potencial de aplicação, mas sem detalhamento operacional; nota 3 – alta relevância: presença de obrigações, prazos ou indicadores específicos que impactam diretamente projetos de saúde ambiental inclusiva, fornecendo parâmetros claros para sua implementação. A atribuição das notas foi realizada por uma equipe composta por quatro avaliadores. Após o preenchimento da planilha, foi feita a consolidação dos dados, considerando apenas os trechos classificados com nota 3. Esses trechos foram então sintetizados e organizados em formato de checklist e/ou descritos em texto narrativo, conforme apresentado na seção de resultados, sendo discutidos à luz da literatura pertinente. RESULTADOS E DISCUSSÃO Fundamentado na legislação e normas técnicas, foram destacadas diretrizes que contribuem para programas de educação ambiental que sejam também inclusivos. Essas diretrizes fortalecem o compromisso com a participação plena das pessoas com deficiência, promovendo ambientes sustentáveis e acessíveis, em sintonia com os princípios da saúde planetária. CHECKLIST ● Monitorar indicadores de saúde e inclusão social ● Incluir setor saúde no licenciamento ambiental ● Ter rampas associadas a degraus e escadas ● Instalar corrimãos duplos em rampas e escadas ● Ter corrimãos firmemente fixados e de material rígido ● Instalar elevadores com botões em Braille e relevo ● Oferecer tradutores de Libras, guias-intérpretes e ledores em eventos ● Garantir sinalização visual e tátil no piso ● Oferecer portas alternativas a portas giratórias ● Garantir inclusão com o mínimo impacto ambiental nas áreas protegidas ● Reservar 2% das vagas de estacionamento para PCDs ● Reservar espaços para cadeirantes em teatros, estádios, auditórios ● Ter saídas de emergência acessíveis ● Garantir transporte coletivo acessível para PCDs ● Garantir acessibilidade em sites e portais públicos ● Ter banheiros acessíveis (1 por sexo, por pavimento) ● Garantir mobiliário de recepção adaptado à altura de cadeirantes ● Garantir circulação segura durante obras pública ● Garantir acesso aos direitos fundamentais da PCDs ● Ter pelo menos 1 elevador com cabine acessível ● Assegurar dignidade, autonomia e convivência comunitária ● Ter espaços físicos sem barreiras e com adaptação arquitetônica ● Garantir tecnologia assistiva e apoio técnico na reabilitação ● Oferecer ensino de Libras, Braille e uso de tecnologias assistivas ● Ter áreas comuns acessíveis em edifícios multifamiliares ● Garantir acesso ao patrimônio cultural, respeitando a acessibilidade ● Ter pelo menos 10% dos computadores acessíveis em lan houses e telecentros ● Garantir atendimento domiciliar quando houver limitação funcional ● Ter passarelas com rampas, escadas e/ou elevadores. Embora as diretrizes legais e normativas estejam dispostas de maneira consolidada, ainda persistem entraves que comprometem sua integração à educação ambiental e à saúde. Essa situação é condicionada essencialmente à carência de planejamento com foco na inclusão e ao deficiente reconhecimento das implicações que o meio ambiente exerce sobre a promoção da saúde. O checklist apresentado neste estudo demonstra a necessidade de considerar, para além dos aspectos estruturais, os comunicacionais e sociais da acessibilidade. Nessa perspectiva, cabe salientar que estudos recentes revelam que mesmo em espaços universais, como unidades de conservação, apresentam obstáculos à plena participação de pessoas com deficiência, tanto por barreiras físicas, quanto a sinalização em Braille e a disposição de intérpretes (Santos et al., 2023). Nessa conjuntura, a acessibilidade deixa de ser uma mera exigência técnica e se torna indispensável para a justiça ambiental e promoção equitativa da saúde. Políticas públicas recentes evidenciam a vitalidade da intersetorialidade e da equidade como princípios estruturantes, reafirmando a importância da articulação entre inclusão, sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente (Brasil, 2023). Dessa forma, enfatiza-se a urgência de mecanismos que garantam o planejamento participativo, a adoção de tecnologias assistivas e o monitoramento contínuo das ações implementadas, assegurando que os programas de educação ambiental promovam transformação social (Santos et al., 2023). CONSIDERAÇÕES FINAIS A criação do checklist oferece subsídios práticos para a existência de ambientes inclusivos e sustentáveis, além de contribuir para promoção da saúde, qualidade de vida e prevenção de agravos à saúde da pessoa com deficiência. Reforça-se a importância de incorporar a acessibilidade como eixo da educação ambiental, contribuindo para a equidade e a justiça social no campo da saúde. A efetividade dessas ações depende da articulação intersetorial, de iniciativas governamentais bem estruturadas e do monitoramento contínuo, elementos indispensáveis para consolidar políticas públicas inclusivas e passíveis de operacionalização.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência,educação em saúde ambiental, politicas
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Abrir o trabalhoO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE: POTENCIALIDADES PARA A PRÁTICA DE ENFERMAGEM
MARÍLIA IASMIM VIANA COSTA; Carla Vitória Lourenço de Castro; Gisele Pedroza da Costa
A inteligência artificial (IA) tem se destacado como uma ferramenta inovadora e transformadora na área da saúde, impactando diretamente a prática da enfermagem. O Brasil, por meio do SUS, vem integrando essas tecnologias para aprimorar a qualidade da assistência. Este estudo, uma revisão de literatura com abordagem qualitativa, teve como objetivo analisar como a enfermagem pode utilizar tecnologias baseadas em IA para fortalecer sua atuação clínica e gerencial. A pesquisa foi realizada nas bases BVS, LILACS, MEDLINE, BDENF e Google Acadêmico, resultando em 12 artigos analisados. Os resultados apontam que a IA contribui com o suporte à decisão clínica, automatização de tarefas, diagnóstico precoce, personalização do cuidado, monitoramento remoto e gestão de prontuários. Na prática de enfermagem, permite antecipar demandas, prever complicações, otimizar recursos e melhorar a segurança do paciente. Destaca-se ainda seu uso na análise de dados e na padronização de procedimentos, promovendo maior eficiência na gestão e nos cuidados assistenciais. Apesar das vantagens, o uso da IA exige do enfermeiro novas competências técnicas, atualização constante e sensibilidade ética. A tecnologia não substitui o cuidado humanizado, mas complementa e potencializa a prática profissional. Conclui-se que investir na capacitação dos profissionais e na incorporação consciente da IA é essencial para transformar os serviços de saúde com qualidade e segurança.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoRELATANDO A EXPERIÊNCIA DE UM SEMINÁRIO SOBRE OS CUIDADOS DE ENFERMAGEM ÁS CRIANÇAS ATÍPICAS NA REDE DE ATENÇÃO Á SAÚDE
MARIA DA GLÓRIA SOARES GOMES; FRANCISCA NALANDA MIRANDA SOUZA; ANA CAROLINE COSTA DE CARVALHO; PÉTERSON CAUAN BEZERRA ALENCAR
Introdução: O cuidado de enfermagem se desenvolve em contextos dos mais diversos, dentre os quais é possível reconhecer suas especificidades quando ocorre junto às crianças atípicas, a exemplo aquelas que possuem transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse contexto, a disciplina Tópicos Especiais em Enfermagem viabilizou um seminário integrado sobre essa temática com vistas à uma maior aproximação dos acadêmicos com esse campo de atuação. Objetivo: Relatar a experiência de acadêmicos de enfermagem acerca de um seminário sobre os cuidados de enfermagem às crianças atípicas na Rede de Atenção à Saúde. Método: Trata-se de um relato de experiências, desenvolvido por quatro acadêmicos de enfermagem do 8º semestre do curso de enfermagem da Universidade Regional do Cariri. A atividade foi desenvolvida ao longo de duas semanas, desde o planejamento, montagem de plano de aula, contato com uma expertise na temática e apresentação do seminário. A apresentação ocorreu no mês de abril, no período vespertino, tendo uma duração média de 120 minutos. Participaram 33 acadêmicos e dois convidados, pais de uma criança com TEA. O momento foi dividido em dois, no primeiro houve uma fala de um pai que acompanha os cuidados e necessidades de seu filho com autismo, no segundo, o grupo realizou uma explanação dialogada que tratou de aspectos relacionados ao assunto em questão e aos cuidados de enfermagem. Resultados: O assunto foi abordado de forma teórica e prática, com explicações sobre crianças atípicas, suas condições e o papel da Enfermagem. Contou com a participação de um convidado que contribuiu com sua experiência na área, enriquecendo o debate e a compreensão do tema. A metodologia favoreceu o aprendizado participativo e reflexivo. Os participantes se envolveram ativamente, compartilhando pontos de vista, experiências e dúvidas sobre o tema. Houve debates ricos e troca de saberes. A atividade despertou neles a percepção da importância de um conhecimento mais aprofundado sobre o cuidado às crianças atípicas. O momento contribuiu para ampliar o conhecimento sobre o cuidado às crianças atípicas e a atuação da Enfermagem na rede de atenção à saúde. Estimulou a empatia, o pensamento crítico e a valorização do cuidado humanizado. Também reforçou a importância da formação prática e reflexiva para a atuação profissional. Conclusão: Conclui-se que o seminário integrado proporcionou um aprendizado significativo, por possibilitar uma maior apropriação teórica e vivencial acerca do cuidado de enfermagem às crianças atípicas. É reconhecido as fragilidades e desafios a serem superados para que haja integralidade assistencial na Rede de Atenção à Saúde.
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