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MULHERES DE CURA: ORIGENS, TRADIÇÕES E RESISTÊNCIAS DAS REZADEIRAS E BENZEDEIRAS DE SANTANA DO CARIRI
JÉSSICA CORREIA DUARTE NUVENS
Esta pesquisa se propõe a identificar as rezadeiras e benzedeiras no território de Santana do Cariri CE, suas raízes, modos de ser, saber e sentir. Reconhecendo que essas mulheres expressam por meio de suas práticas formas de resistência feminina, como detentoras de costumes e memórias ancestrais nascidas de necessidades particulares e coletivas. A história oral será utilizada como principal metodologia. Através de narrativas orais serão identificadas as origens de suas práticas, como perpetuam essas tradições, e de que forma os saberes ancestrais de cura pelas plantas relacionam-se à suas vivências. Objetivando aproximar essas memórias das novas gerações, a pesquisa terá a participação de estudantes da escola local Escritora Rachel de Queiroz. Para embasamento teórico e metodológico será desenvolvido diálogo com autores de história oral e memória, gênero, história das mulheres, cultura e religiosidade trazendo, entre outros autores, Alessandro Portelli (2013; 2016), Verena Alberti (2005), Michel Pollak (1989; 1992), Silvia Federici (2017), Mary Del Priore (2007), Luis Câmara Cascudo (2001) Elda Rizzo Oliveira (1985) Laura de Melo e Souza (1986). A pesquisa está em fase de preparação, busca pelo referencial teórico, e planejamento das etapas de execução. As mulheres a serem entrevistadas serão localizadas por meio de questionários, desenvolvidos para serem aplicados por estudantes da escola Municipal Escritora Rachel de Queiroz, do município em questão. Os estudantes buscarão em suas localidades por rezadeiras e benzedeiras, e em seguida será feita uma visita de reconhecimento, e posterior entrevista. A participação das estudantes, que cursam entre o 6º e o 8º Ano dos anos finais do Ensino Fundamental, objetiva aproximar os saberes ancestrais do conhecimento escolar, além de envolver as novas gerações no contexto das práticas tradicionais de sua localidade. O trabalho está contemplado dentro de um projeto do ensino de História da referida escola, que se propõe a pesquisar os indígenas Buxixés, povos originários de Santana do Cariri CE. Pretende-se apresentar as narrativas coletadas também através de material em vídeo, no formato de documentário, e por meio da publicação de um livreto com a descrição e aplicações das ervas usadas nos rituais de benzedura.
Oral
AS MULHERES E OS ESPAÇOS LITERÁRIOS
LUCIANA BESSA SILVA
Desde os primórdios, o pretenso privilégio biológico colocou o gênero masculino em posição de destaque, e o gênero feminino em posição de subalternidade. Coube/Cabe aos homens escrever as leis e as grandes narrativas literárias de que temos conhecimento. Sem frequentar os bancos escolares/acadêmicos, sob pena de sofrem algum “mal”, a educação das mulheres foi marcada pela precarização. No Brasil, embora seja um fenômeno mundial, ainda são os homens brancos e heterossexuais que continuam frequentando e se destacando no cenário político, econômico e social, salvo raras exceções, embora a Constituição Federal de 1988 em seu inciso 5º apregoe que “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. No que diz respeito ao campo literário, as vozes femininas ficam à margem, já que a produção literária de mulheres é vista com desconfiança pelas grandes editoras e pela crítica especializada, especialmente quando questionam as regras do que seria a boa literatura, ou discutem pautas como patriarcalismo e misoginia. É preciso compreender a literatura como um espaço de poder, tendo vista que literatura é linguagem e linguagem é poder. Ela faz parte de um contexto social, logo, é um produto visível nas livrarias e nas feiras literárias, estudada nas escolas, discutida em congressos/simpósios e pesquisada nas universidades. Gera, para além da atenção da crítica especializada e do leitor, lucros para o setor livreiro. Incomoda governos conservadores e autoritários. Diante do exposto, o objetivo dessa pesquisa é refletir sobre a importância da ocupação dos espaços literários para a legitimação da produção do gênero feminino. Falar dessa temática é relevante, porque traz à tona o silenciamento e a exclusão que as mulheres passaram ao longo dos séculos, como é o caso de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), Amélia de Freitas Beviláqua (1860-1946), Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982), Alba Valdez (1874-1962), entre outras. Tomemos como exemplo um dos espaços literários mais importantes do país - a Academia Brasileira de Letras (ABL) - fundada em 20 de julho de 1897. Criada a partir dos moldes da Academia Francesa (1635), a ABL permitia que apenas homens pudessem compô-la. Por sugestão de Lúcio de Mendonça (1854-1909), um dos idealizadores da agremiação, Júlia Lopes de Almeida, a escritora mais publicada da Primeira República, e que contribuiu para a concepção da ABL, deveria ser um de seus membros, contudo, os demais acadêmicos foram contra. A cadeira de nº 13 foi cedida ao marido dela, o poeta português Filinto de Almeida (1857-1945). Em 1930, a inscrição de Amélia de Freitas Beviláqua foi vetada, quando resolveu concorrer a vaga que pertencia a Alfredo Pujol (1865-1930). Em 1970, Dinah Silveira de Queiroz, a primeira mulher a ser agraciada com o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, confrontou o regimento (artigo 2º) da agremiação: somente “brasileiros homens” natos ou naturalizados poderiam ser membros da instituição. Após muitas pressões, em 1976, o veto ao gênero feminino na ABL foi derrubado e, no ano seguinte, Rachel de Queiroz (1910-2003), autora de O Quinze (1930), tornou-se a primeira mulher a fazer parte de seu quadro. Três anos depois, a autora de A Muralha (1954), Dinah Silveira de Queiroz se tornaria a segunda mulher a conseguir esse feito. Todas essas narrativas de silenciamento e exclusão ao gênero feminino justificam a escrita dessa pesquisa. Trata-se de um trabalho bibliográfico-exploratório em que recorremos a autores como: Bourdieu (1989), Figueiredo (2002), Del Priore (2004), Delcastagné (2005), Lajolo e Regina Zilberman (2011), Fanini (2017) etc. As mulheres por décadas têm lutado pela igualdade de gêneros, pela atenção de grandes editoras e da crítica especializada. Apesar dos inegáveis avanços conquistados no meio literário nos últimos tempos, ainda é o gênero masculino que domina as premiações e os espaços culturais, como é o caso das agremiações, feiras, estante nas livrarias e salas de aula.
A INSERÇÃO E ABORDAGEM DA TEMÁTICA INDÍGENA NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
ÂNGELA MEIRE DE FREITAS PINHEIRO ; Claudemir Carlos Almeida
Este trabalho consiste em uma revisão sistemática de literatura, realizada nas bases de dados do Portal de Periódicos CAPES e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), com o objetivo de responder à seguinte questão: como a temática indígena tem sido abordada na educação básica no Brasil? O estudo visou compreender como a temática indígena tem sido inserida ou abordada na educação básica brasileira, utilizando um recorte temporal de cinco anos (2019-2023). O percurso metodológico incluiu: definição do objetivo, formulação da questão de pesquisa, seleção das bases de dados, estratégia de busca, critérios de inclusão e exclusão, triagem e avaliação dos estudos, extração e análise dos resultados, fazendo uso da síntese textual narrativa. Foram aplicados os termos “Temática Indígena” AND “Educação Básica” e “Lei 11.645/2008” AND “Educação Básica” nas buscas, utilizando o operador booleano AND para refinar os resultados. Dos estudos encontrados, seis manuscritos foram selecionados para análise detalhada. Destes, metade buscou desenvolver produtos educacionais concretos, o que evidencia a carência de materiais didáticos adequados e a necessidade urgente de melhor formação de professores para uma implementação efetiva desses conteúdos. Embora reconhecida como um marco legislativo importante para a promoção da diversidade cultural na educação brasileira, a Lei 11.645/2008 enfrenta desafios e entraves significativos.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCHICA DA SILVA: RESSIGNIFICANDO O MITO EM SALA DE AULA
ATENÇÃO PRIMÁRIA, DIVERSIDADE E DESIGUALDADE: REFLEXÕES SOBRE O ACESSO DA POPULAÇÃO LGBTQIAPN+ EM UM MUNICÍPIO DE PEQUENO PORTE
WALLACE GRANGEIRO COELHO; Víctor Marcel Gonçalves Oliveira
O presente trabalho propõe uma reflexão crítica acerca das barreiras enfrentadas pela população LGBTQIAPN+ em um município de pequeno porte, especialmente no que se refere ao acesso a um acolhimento adequado e à garantia do cuidado integral no âmbito da saúde coletiva. A análise parte da perspectiva de um profissional de saúde atuante na Atenção Primária à Saúde (APS), cuja atuação cotidiana revela as complexidades e tensões que permeiam as práticas de cuidado diante das especificidades dessa população. Em localidades marcadas por estruturas socioculturais conservadoras e forte influência de valores heteronormativos, observa-se uma expressiva negligência institucional em relação às identidades de gênero e orientações sexuais dissidentes. Pessoas trans, travestis e demais sujeitos cujas expressões e corporalidades não correspondem ao sexo biológico atribuído ao nascimento são, frequentemente, submetidas a situações de desrespeito, invisibilidade e violência simbólica. A despeito das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que preconizam a universalidade, a integralidade e a equidade, a prática cotidiana demonstra a persistência de lacunas estruturais e formativas que comprometem o acesso digno e humanizado dessa população aos serviços de saúde. Diante das reflexões aqui desenvolvidas, conclui-se que o enfrentamento das barreiras vivenciadas pela população LGBTQIAPN+ em municípios de pequeno porte exige mais do que a simples observância das diretrizes normativas do SUS. Impõe-se a necessidade de uma reconfiguração profunda das práticas em saúde, alicerçada na escuta qualificada, no reconhecimento das múltiplas vulnerabilidades e na promoção ativa da equidade. Essa transformação, contudo, não se concretiza sem o investimento contínuo em processos educativos — formais e informais — que sensibilizem e capacitem profissionais de saúde para a atuação ética, crítica e comprometida com os direitos humanos. A educação, nesse contexto, figura como ferramenta estratégica e imprescindível: é por meio dela que se rompe o ciclo de reprodução de estigmas e se fomenta uma cultura institucional pautada na diversidade e no respeito às identidades dissidentes. Além da formação técnica, é urgente a incorporação de abordagens interseccionais nos currículos da área da saúde, bem como o fortalecimento de espaços de escuta e participação social que incluam as vozes da própria comunidade LGBTQIAPN+. Tais iniciativas devem ser acompanhadas por políticas públicas específicas que garantam financiamento, monitoramento e avaliação contínua das ações, especialmente nos territórios onde o conservadorismo cultural impõe desafios adicionais à efetivação de direitos. Somente ao conjugar saberes, práticas e vivências será possível construir um cuidado em saúde verdadeiramente integral, que transcenda a lógica biomédica e se fundamente na valorização da dignidade de todas as pessoas.
A VOZ DA RELIGIÃO NO CARIRI (1868-1870): GÊNERO, MILAGRE E RAÇA NO DISCURSO RELIGIOSO
BRENDA IZA NASCIMENTO DE OLIVEIRA
A partir da análise de um conjunto de fontes hemerográficas foi selecionado o impresso A Voz da Religião, periódico publicado na vila do Crato, província do Ceará. O jornal não possui representações visuais a denunciar as múltiplas corporeidades das pessoas negras no século XIX da região do Crato, no entanto, em seu conjunto de textos sobre relatos das missões do Padre Ibiapina, há espaço para os leitores narrarem suas experiências, entre outros, há uma série de editoriais a denunciar por meio das imagens textuais, a fenotipia de personagens que teriam sido afetadas pela cura do milagre oferecido pela fé católica na região do Cariri Cearense. A voz da religião no Cariri tem a sua produção e circulação no Crato e, portanto, representa um modo de significar e produzir sentidos em torno da raça e do processo de radicalização na região. Muito se fala sobre as notícias de um milagre atribuído ao missionário cearense José Antônio de Maria Ibiapina, que aconselhou Luzia, uma mulher paralítica a banhar-se na fonte do Caldas, em Barbalha e que de acordo com o padre foi curada. É interessante observamos que na edição que foi anunciado o milagre é formado uma descrição de Luzia Pesinho, descrita como “parda, casada, moradora da vila de Barbalha” na edição de 13 de dezembro de 1868, pela primeira vez no periódico é citado a fenotipia de uma pessoa, uma mulher parda. A metodologia se dá a partir da observação, seleção e descrição densa, e busca problematizar a construção de sentidos atribuídos à cor parda e preta desses sujeitos denunciados a partir das textualidades. A condição da escravidão e a leniência da Igreja Católica enquanto uma instituição promotora da manutenção desse regime de subalternização. Essa pesquisa tem a finalidade de adentrar as questões raciais e de gênero dentro do periódico A Voz da Religião, na intenção de desvendar como essas pessoas eram vistas e tratadas pela comunidade católica a qual o jornal faz parte.
Palavras-chave: jornal,gênero,padre ibiapina,milagre,raça
Oral
Abrir o trabalhoA EDUCAÇÃO DA MULHER NO SÉCULO XIX SOB OLHAR DA REVISTA O SEXO FEMININO
MARIA ANDRESSA ARAÚJO SILVA
O presente estudo visa compreender e problematizar o processo de escolarização feminina, ao final do século XIX, para tanto fez uso de um periódico escrito por uma mulher, Francisca Senhorinha de Mota Diniz, em sua revista O Sexo Feminino (1873-1889). A relevância do trabalho situa-se em entender as lutas e o enfrentamento das mulheres na busca por escolarização no Brasil, país que por muito tempo excluiu as mulheres do direito à educação, bem como, de seu acesso às escolas. Visto que, até a metade do século XIX, as escolas que aqui havia contavam apenas com a presença masculina. Enquanto as mulheres brancas, negras, ricas ou não, escravas, ou indígenas não detinham desse acesso. (PRADO, 2021) O Brasil império, é marcado pelas influências biológicas, que consideravam as mulheres intelectualmente inferiores aos homens. Entretanto, em 1827 com a lei geral, as mulheres são permitidas a acessar as escolas além do ensino fundamental, mas isso não foi imediato. Todavia, a educação das meninas, por falta de acesso, acontecia apenas nas classes mais abastadas e em seus lares, com o acompanhamento de preceptoras. Isso foi suficiente para um pequeno avanço no registro dos comportamentos e interesses femininos, pois já ao final do século XIX, a imprensa terá a presença dessas que “[...] tiveram o mérito de transformar as até então esparsas referências às mulheres — as quais eram usualmente apresentadas como a exceção, a nota de rodapé, o desvio da regra masculina — em tema central” (LOURO, 1997, p. 18). Em particular, Francisca Senhorinha de Motta Diniz realizou esforços a essas perspectivas. Professora, Escritora e Jornalista, funda em 1873 em Campanha, Minas gerais, o jornal intitulado: O sexo feminino, de subtitulo: Semanario dedicado aos interesses da mulher. De contrário ao pensamento masculino, assume a causa feminina e luta em prol de seus direitos. Cabe agora, conhecer, os meios empregados por ela na luta pelo processo educacional da mulher. METODOLOGIA O trabalho tem como objeto de investigação: A educação da mulher no final do século XIX, sob o olhar do periódico: o sexo feminino, cujas publicações em análise são do ano de 1873. Para escolha do periódico, realizou-se um levantamento no portal de periódicos nacional: hemeroteca digital, biblioteca nacional e na opção: “Busca rápida no acervo digital”, selecionando descritor “o sexo feminino” e período: “1870 a 1899”, encontrou-se 7 registros, Dentre estes, o que se enquadrou, no recorte temporal e no tema foi a revista intitulada: O sexo feminino. A pesquisa é exploratória e documental. Exploratório, por dar início às leituras sobre a revista e documental por utilizar de fontes primárias que fornece indícios ao entendimento historiográfico. (FONTANA E PEREIRA, 2023). As Fontes utilizadas são textos do jornal “O sexo feminino”. O recorte temporal são as últimas décadas do século XIX, publicações de 1873. A pesquisa nos documentos se faz por descritores “Educação feminina” e “comportamento feminino”. RESULTADOS E DISCUSSÕES Inicia em 07 de setembro de 1873, o jornal o sexo feminino, escrito por Francisca Diniz, professora e, sobretudo educadora que iria incomodar a sociedade brasileira. Afinal o que intencionava esta, ocupando um lugar de fala e dedicando aos interesses da mulher? Representado a voz feminina reprimida e negligenciada, Diniz denuncia a situação de vida da mulher no Brasil e demonstra ser a educação, o principal meio para modificar essa circunstância. Assim, expõe: “O século XIX, século das luzes, não se findará sem que os homens se convenção de que mais de metade dos males que os opprimem é devida ao descuido, que elles tem tido da educação das mulheres. e ao falso supposto de pensarem que a mulher não passa de um traste dê casa [...]” (O SEXO FEMININO, 1873, n. 1, p.1) Em uma condição de subordinação, as mulheres padeciam nas mãos da figura masculina, do sistema político, econômico e social da época, para tan
A CONVENÇÃO DE 1951 E A PROTEÇÃO DE MULHERES REFUGIADAS NO BRASIL: UM ENFOQUE DE GÊNERO
ISADORA BRANDÃO DOS SANTOS
Este trabalho analisa a proteção de mulheres refugiadas no Brasil à luz da Convenção de 1951 e seu Protocolo de 1967, com enfoque de gênero, investigando como esses instrumentos internacionais são aplicados e os desafios específicos enfrentados por essa população. A pesquisa, de caráter qualitativo, baseia-se no Direito Internacional dos Direitos Humanos, com análise documental e revisão bibliográfica. Apesar de a legislação brasileira, como a Lei nº 9.474/1997, estar alinhada aos tratados internacionais, sua implementação encontra barreiras que comprometem a efetivação dos direitos das mulheres refugiadas, especialmente no acesso a serviços básicos e na proteção contra a violência de gênero. A discriminação estrutural, a vulnerabilidade econômica e a exposição a riscos como exploração sexual e tráfico humano evidenciam a necessidade de políticas públicas mais eficazes. A ausência de capacitação de profissionais e de infraestrutura adequada para acolhimento reforça as dificuldades enfrentadas, tornando essencial o fortalecimento da cooperação entre o Estado, organizações internacionais e a sociedade civil. A pesquisa aponta que, embora as ONGs desempenhem um papel central na assistência às refugiadas, a falta de financiamento e apoio governamental limita suas ações. Dessa forma, conclui-se que a efetiva proteção das mulheres refugiadas no Brasil exige uma abordagem interseccional e a adoção de medidas concretas para garantir não apenas o reconhecimento formal de seus direitos, mas sua plena implementação, promovendo sua inclusão social e autonomia.
Palavras-chave: Direitos Humanos,Gênero,Políticas Públicas,Refúgio,Violência contra mulheres refugiadas
Resumo Simples · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoAS MULHERES NA ENCHENTE: UM ESTUDO DE CASO DO EVENTO CLIMÁTICO NO MUNICÍPIO DE BODOCÓ - PE SOB A PERSPECTIVA FEMININA.
MEMÓRIA, ATIVISMO E REDES: OS USOS DA HISTÓRIA DAS RELAÇÕES DE GÊNERO E A CONSTRUÇÃO DE FEMINILIDADES NO INSTAGRAM
FERNANDA DANTAS
A velocidade com que a sociedade moderna transita por metamorfoses é de fato assombrosa. Entre estas, podemos observar como as transformações na comunicação tem sido cada vez mais intensas e o campo da história não se isenta de tais mudanças. Ao contrário, ele se conecta diretamente com a ampliação das formas de acesso, produção e circulação do conhecimento histórico. Assim, é evidente quão a ascensão da história pública e a difusão das mídias digitais abriram alas para novas vozes, práticas e linguagens, especialmente no que tange à narrativa de grupos marginalizados, como as mulheres e LGBTQIA+. Isso posto, as redes sociais têm se tornado um terreno fértil para disputas de poder, memória, representações de gênero e ativismos políticos. Dentre essas redes, o Instagram destaca-se não apenas como espaço de socialização, mas também como uma arena de produção e circulação de narrativas históricas e tensões sociais. É possível encontrar variados perfis ligados aos movimentos feministas e coletivos antirracistas utilizando a plataforma para rememorar personagens, datas, eventos e conceitos relacionados à história das mulheres. Eles também fazem uso para influir no debate político contemporâneo, se posicionar e por vezes até questionar as diversas perspectivas de feminilidades impostas desde a tenra idade, as quais constituem padrões de comportamentos, de realizações, de aparências estéticas e até mesmo de posicionamento social, padrões esses que hoje são cotidianamente questionados e reformulados através das relações que estabelecemos nas redes e fora delas. Estes posicionamentos têm contribuído para a construção de uma memória coletiva alternativa àquela tradicionalmente veiculada pelas instituições oficiais e pela historiografia clássica, questionando a diegese social daquilo que se refere ao feminino e a construção dos papéis atribuídos às mulheres ou ainda aprofundando as análises já conhecidas. Este trabalho propõe analisar como alguns perfis utilizam a história das mulheres como ferramenta de engajamento político e disputa simbólica. A partir da análise de postagens de páginas como @feminismos.plurais, @historiadorxslgbtqi, @institutomariellefranco, @amb_feministas, @dedaaladim e @loucurasdahistoria, o estudo busca investigar os usos públicos da história nas redes sociais, analisando as estratégias narrativas, visuais e discursivas na articulação estabelecida entre passado e presente em derredor de lutas feministas e da construção dos discursos narrativos sobre a história de mulheres e na produção de conteúdo feita por elas. Atrelada a esta pesquisa está a necessidade de realizar uma análise comparativa dos perfis mencionados, os quais foram escolhidos por sua estreita conexão com o tema em pauta. Cumpre ressaltar que tal relevância é medida de maneira subjetiva, tendo em vista o alcance que esses perfis lograram junto ao público, o qual, na maioria das vezes, não se compõe da comunidade acadêmica, mas sim de um conjunto de admiradores leigos do saber histórico, ou estudantes que se preparam para adentrar os templos do saber universitário. Tal fato legitima ainda mais a importância de compreender como essa história vem sendo tecida, pois, com vistas a tornar a narrativa histórica cativante aos olhos do público, é necessário preservar os paradigmas que erigem a história como ciência. A pesquisa insere-se, portanto, na interseção entre história pública, estudos de gênero e comunicação digital, e busca compreender os sentidos atribuídos à história no contexto das redes sociais, bem como as potências e limites dessas práticas na formação da memória histórica e da consciência crítica.
A LEI 14.986/24 E A INSERÇÃO DA BEATA MARIA DE ARAÚJO NO ENSINO DE HISTÓRIA
AMANDA MONIQUE FERNANDES SIQUEIRA; CICERO JOAQUIM DOS SANTOS
Esta pesquisa propõe analisar a inserção da história de vida e morte da Beata Maria de Araújo no ensino de história, a fim de potencializar os usos desta na implementação da Lei 14.986/24. A investigação será guiada pelas questões: Como a discussão sobre as exclusões tocantes à morte, ao morrer, ao corpo morto e ao túmulo podem contribuir, no Ensino Médio, para desnaturalizar o silenciamento histórico imposto às mulheres negras e fomentar uma reflexão crítica sobre as desigualdades estruturais? O estudo será realizado na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Dona Maria Amélia Bezerra, localizada em Juazeiro do Norte, Ceará, município com 286.120 habitantes (Censo 2022) e uma taxa de escolarização de 97,3% para crianças de 6 a 14 anos. O aumento de 44,8% nos feminicídios no Ceará em 2023 (Diário do Nordeste) reforça a necessidade de abordar, no ambiente escolar, estruturas de poder que perpetuam desigualdades de gênero e raça. Assim, o ensino de História será investigado como um espaço para desconstruir narrativas hegemônicas e promover reflexões críticas. O objetivo principal será analisar como o ensino de História pode se tornar um espaço de resistência ao abordar a experiência de vida e de morte da Beata Maria de Araújo, especialmente no contexto cearense. A pesquisa analisará, por meio de práticas pedagógicas e produção de narrativas pelos estudantes, as representações de gênero tocantes à morte, ao morrer, o corpo morto e o túmulo da Beata Maria de Araújo. A fundamentação teórica incluirá autores como Achille Mbembe (2018), Angela Davis (2013), Beatriz Nascimento (2006), bell hooks (2013), Chimamanda Ngozi Adichie (2015), Circe Bittencourt (2002, 2008), Cristiani Bereta da Silva (2007), Giorgio Agamben (2010), Grada Kilomba (2019), Judith Butler (2017, 2019), Lélia Gonzalez (2020), Luis Fernando Cerri (2011), Patricia Hill Collins (2019) e Sueli Carneiro (2005). Metodologicamente, a pesquisa será qualitativa, utilizando o método de Análise de Conteúdo (Bardin, 1977). Como produto educacional, será elaborada uma sequência didática com recomendações para professores e gestores.
Palavras-chave: Ensino de \história, Representações de Gênero, Interseccionalidade, Morte, Lei 14986/24
Oral
A CONSTRUÇÃO SOCIAL DOS ESTEREÓTIPOS E A PRODUÇÃO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA A MULHER
GABRIELLI LEITE TEIXEIRA DE OLIVEIRA JORGE
A formação de estereótipos sobre grupos vulneráveis e sua consequente exclusão são fenômenos antigos. O livro Mercador de Veneza, publicado em 1600, por William Shakespeare, já tratava dos estigmas sobre a figura do judeu, durante a Idade Média. Atualmente, esses preconceitos continuam se manifestando na construção do conceito da minoria social, que é vítima da segregação dentro da sociedade. Dentro desse termo, situa-se a mulher, que enfrenta essas dificuldades e que, por isso, sofre com a violência contra o seu gênero. Nesse sentido, essa aversão à pluralidade se percebe no ataque direcionado a esses grupos oprimidos. Para exemplificar, 27 milhões de mulheres foram vítimas de violência em 2024, segundo a quinta edição da pesquisa intitulada Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Datafolha. Os estereótipos de gênero e a violência deles decorrente estão intrinsecamente entrelaçados, uma vez que a idealização de uma performance de gênero não é uma essência fixa, mas uma construção sociocultural moldada pelo discurso dominante de cada época. A demarcação entre o feminino e o masculino, inscrita nas dinâmicas de poder, não apenas funda exclusões, mas também legitima formas explícitas e veladas de violência. Em um contexto atravessado por conflitos de classe, a dominação não se opera apenas por meios ostensivos, mas se insinua nas estruturas culturais por meio da violência simbólica, da qual os estereótipos se tornam veículos privilegiados. Portanto, nota-se a necessidade de entender esse fenômeno vinculado à perpetuação dos estereótipos de gênero para fomentar uma discussão que pode conceber uma maneira de coibir ambos, por suas consequências na integridade moral, psicológica e física da vítima. Para isso, foi utilizado o método de análise qualitativa, por ser necessária uma análise para além de dados estatísticos dentro de um conflito pertinente às relações humanas. Além da apreciação bibliográfica que a auxiliou na fundamentação do discurso.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoMULHERES DO COCO DA BATATEIRA EM CRATO-CE: GÊNERO, INTERSECCIONALIDADE E PRÁTICAS EDUCATIVAS COMUNITÁRIAS
CLARA EDILSANIA NOGUEIRA DA SILVA
RESUMO: A pesquisa investiga as práticas educativas das mulheres do grupo "Mulheres do Coco da Batateiras", localizado no bairro Gizélia Pinheiro (conhecido como Batateiras), um bairro marcado por índices de pobreza e de pessoas em situação de vulnerabilidade social. O estudo parte da abordagem interseccional (Collins & Bilge, 2020; Akotirene, 2019) para compreender como gênero, raça e classe são marcadores de experiências e estratégias de resistência das integrantes do grupo. Além disso, considera a perspectiva da educação popular (Freire, 1968; Hooks, 2020) para analisar como essas mulheres atuam como educadoras populares e agentes de transformação em seu contexto sociocultural. O objetivo principal é analisar as trajetórias de vida dessas mulheres e identificar como suas práticas comunitárias, culturais e educativas desafiam as normas de gênero tradicionais. Para isso, adota-se a história oral (Patai, 2010) como método, com coleta de dados a partir de entrevistas semiestruturadas para coproduzir as narrativas das participantes. A análise dos dados será feita a partir da metodologia de análise de conteúdo (Bardin, 2015). As fontes que serão utilizadas incluem relatos orais das integrantes do grupo e revisão bibliográfica sobre gênero, interseccionalidade e práticas educativas comunitárias, tendo como principais referências: bell hooks, Paulo Freire, Patrícia Hill Colins, Carla Akotirene, Ochy Curiel, Alessandra Masullo e Joan Scott. Atualmente, a pesquisa encontra-se na fase de revisão de literatura, estruturação do roteiro para entrevista com as participantes e submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Cariri - URCA. A partir da revisão de literatura já iniciada, evidenciou-se lacunas em trabalhos que liguem diretamente os descritos: gênero, comunidade e vulnerabilidade social. Os passos da pesquisa bibliográfica indicam que o grupo "Coco da Batateira" funciona como um espaço de fortalecimento identitário e educativo, a partir do qual as mulheres compartilham conhecimentos e constroem redes de apoio.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoMULHERES, GÊNERO E AGROECOLOGIA NA FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR E SOLIDÁRIA DA CIDADE DE BARBALHA – CE.
LUDMILA MYLLENA LACERDA DE ALENCAR
MULHERES, GÊNERO E AGROECOLOGIA NA FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR E SOLIDÁRIA DA CIDADE DE BARBALHA – CE. Eixo Comunitário: 5. Comunidades Tradicionais, Gênero e Sexualidade Autora: Ludmila Myllena Lacerda de Alencar Aluna da 3º série do ensino médio da EEMTI Virgílio Távora E-mail: ludmilamyllena72@gmail.com Orientador(a): Prof.ª Dra. Maria Eduarda Pereira Leite Professora de Sociologia na Rede Estadual do Ceará E-mail: mariamepleite@gmail.com RESUMO: Este estudo foi desenvolvido no âmbito da disciplina de NTPPS (Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais), componente curricular voltado para a iniciação científica no Ensino Médio, que busca incentivar os alunos a investigarem questões sociais relevantes. A pesquisa analisou a relação entre mulheres, gênero e agroecologia na feira de agricultura familiar e solidária da cidade de Barbalha-CE, um espaço onde agricultoras e artesãs exercem papel central na produção e comercialização de produtos agroecológicos e artesanais. O objetivo principal foi compreender como esse espaço contribui para o protagonismo das mulheres, considerando os impactos socioeconômicos, culturais e subjetivos na construção de lideranças femininas e no fortalecimento da economia solidária. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e participativa, combinando pesquisa bibliográfica e documental com entrevistas semiestruturadas realizadas com as feirantes. A observação participante foi utilizada para captar as interações e as dinâmicas da feira. O referencial teórico incluiu autores como Bezerra (2019), que discute o papel das feiras agroecológicas na emancipação feminina, e Gomez et al. (2016), que analisam a relevância desses espaços para a autonomia financeira das mulheres. Além disso, Jesus Cruz et al. (2020) destacam a importância da economia solidária no fortalecimento da identidade feminina e na promoção da sustentabilidade. Os resultados indicaram que 100% das participantes consideram a geração de renda como principal motivação para integrar a feira. No que se refere à autonomia financeira, 40% das entrevistadas avaliaram que a feira contribui significativamente para essa conquista, enquanto 60% ainda enfrentam desafios. Quanto à liderança, 60% das mulheres reconheceram dificuldades na organização do espaço, mas todas destacaram o caráter colaborativo da feira. Além disso, 60% das participantes afirmaram que sua percepção sobre o papel da mulher na sociedade mudou significativamente após sua inserção na feira. As considerações finais apontam que a feira de agricultura familiar e solidária de Barbalha-CE é mais do que um espaço de comercialização: trata-se de um ambiente transformador, no qual as mulheres se reconhecem como agentes de mudança. Apesar dos avanços observados em autonomia financeira e empoderamento, persistem desafios ligados à liderança e à igualdade de gênero, destacando a necessidade de políticas e ações que reforcem a participação feminina. Dessa forma, a feira se consolida como um exemplo de economia solidária alinhada à sustentabilidade e ao protagonismo feminino.
Oral
Abrir o trabalhoMULHERES, MEMÓRIA E TERRITÓRIO: A RETOMADA DAS MULHERES KARIRI EM CIÊNCIA DE CABOCLA
ANNA LUISA SILVA DUARTE; Thiago de Abreu e Lima Florêncio
Este trabalho tem como propósito entender a retomada indígena do povo Kariri pela ancestralidade e memória das mulheres indígenas no Sítio Mororó, localizado na zona rural do município de Santana do Cariri, Ceará. A retomada indígena do povo Kariri é um movimento que vem acontecendo, articulado a partir da memória, da espiritualidade e dos vínculos com o território, que compõem o repertório de lugares do povo Kariri no Ceará. Nesse sentido, o movimento de retomada indígena iniciou-se no contexto do Mororó a partir da valorização das práticas de cura e saberes tradicionais, como demonstram a reportagem do IFCE sobre o seminário de preservação do patrimônio imaterial da comunidade e o artigo de Verioní Bastos (2018), que aponta o papel das rezadeiras e rezadores como herdeiros da memória Kariri e protagonistas na manutenção das práticas ancestrais. No Sítio Mororó, o território se revela como lugar de memória, e a ancestralidade se manifesta por meio das rezas, das plantas medicinais, dos encantamentos e da oralidade. Dessa maneira, surge o seguinte questionamento: como as mulheres do Sítio Mororó contribuem para preservar a memória e a ancestralidade para a afirmação de serem indígenas? Partindo dessa conjectura, este estudo objetiva analisar as narrativas históricas das mulheres indígenas do Sítio Mororó, por meio do documentário Ciência de Cabocla, produzido por Adeciany Castro, como instrumento de autoafirmação identitária por meio de suas memórias e práticas. O documentário trata da história de três mulheres da comunidade – Dona Lourdes, Káka e Rogéria – que, a partir de suas experiências, constroem uma narrativa que entrelaça memória, espiritualidade, práticas de cura, encantarias e pertencimento ao território. As falas das três personagens revelam o modo como os saberes ancestrais circulam entre as gerações e se constituem como ciência legítima, mesmo que à margem da institucionalidade, apresentando a mulher como figura central no processo de resgate e resistência cultural. Metodologicamente, esta pesquisa tem natureza qualitativa, e seu procedimento consiste em explicar os fenômenos por meio da análise documental desse filme. Para tanto, no primeiro momento foi realizado o levantamento bibliográfico sobre os temas "povos indígenas" e suas retomadas no Nordeste brasileiro, análise de filmes como fonte documental e o conceito de memória. Em seguida, a partir desse referencial, foi assistido o documentário, anotando-se trechos importantes e realizando-se sua análise, para assim chegar à última etapa: a escrita sobre o papel das mulheres nessa autoafirmação identitária. Os resultados da pesquisa apontam que as mulheres do Sítio Mororó desempenham um papel central na preservação da memória e na transmissão dos saberes ancestrais do povo Kariri. Por meio da oralidade, das práticas de cura e da espiritualidade, elas mantêm viva uma ciência tradicional que se afirma diante das tentativas históricas de silenciamento e marginalização. O documentário Ciência de Cabocla evidencia como a memória coletiva é sustentada pela atuação feminina, fortalecendo os vínculos com o território e afirmando uma identidade indígena enraizada no cotidiano e nas heranças ancestrais. As práticas das rezadeiras, suas relações com os encantados e com a mata revelam uma percepção própria de mundo, em que território, espiritualidade e cuidado formam um saber ancestral. A autoafirmação identitária, nesse contexto, emerge não apenas como resistência, mas como uma forma de reconstrução ativa da presença Kariri na região. Assim, a experiência das mulheres do Mororó se inscreve como um exemplo potente de retomada indígena no Nordeste brasileiro, onde memória, espiritualidade e pertencimento se entrelaçam como fundamentos de um processo contínuo de resistência e reconstrução.
Palavras-chave: Saberes tradicionais,Ancestralidade,Oralidade
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPertencimento étnico e sexualidade não-hegemônica: um estudo sobre indígenas LGBT+ no Cariri cearense.
JOSEANE DE CÁSSIA TEIXEIRA VIEIRA; Ayo do Nascimento Torres
As populações indígenas e a comunidade LGBT+ do Brasil enfrentam um processo de apagamento histórico e exclusão. Essa pesquisa aborda a interseccionalidade da identidade indígena, diversidade de gênero e orientações sexuais em comunidades da região do Cariri Cearense. O processo de invisibilidade e marginalização é resultante do processo colonialista que estruturou a homofobia na sociedade, nessa região, essa interseccionalidade ainda carece de reconhecimento histórico, que enfrentam desafios impostos por essa estrutura, o que dificulta o acesso aos direitos e à autoafirmação. É importante lembrar também que essas próprias identidades são reflexo do processo colonialista, tendo em vista que a cultura que veio de fora do Brasil trabalha severamente com pautas identitárias. No contexto indígena, as identidades eram tratadas de forma fluída, e por isso também foram marginalizadas. Esse estudo busca compreender como o apagamento das identidades indígenas LGBT+ refletem na continuidade desse processo colonizador, fundamentado em uma revisão bibliográfica como as obras “a queda do céu”, “Impressões sobre homossexualidade nas culturas indígenas: o Movimento LGBTQIA+ e a juventude indígena”, “Homossexualidade indígena no Brasil: Desafios de uma pesquisa”, “Por onde andam as políticas públicas para a população LGBT no Brasil” entre outras obras a serem trabalhadas. Além disso, será realizado uma pesquisa qualitativa com trabalho de campo , tendo como referência, as comunidades de Poço Dantas-Umari e a Serra do Catolé, onde serão coletados relatos de vivências de pessoas LGBT+ nesses territórios. Embora ainda em andamento, a pesquisa já aponta a necessidade de dar voz àqueles que são excluídos pela estrutura preconceituosa herdada pelo colonialismo, propondo também um rompimento com o identitarismo para a compreensão dos processos jurídicos brasileiros que refletem no modelo das lutas políticas desses grupos.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoTRAJETÓRIA DE VIDA E LUTA DA PROFESSORA E MILITANTE MISCILANE KARIRI
LUCILENE DA SILVA LIRA; Cicera Micherlanya Pereira Teles
Neste estudo buscamos compreender a trajetória de vida e processo tomada de consciência indígena e de gênero da professora e militante Miscilane Kariri. No podcast Negrer, Miscilane foi entrevistada e falou sobre como é a sua vida e sobre suas raízes e de onde veio. Doutoranda em Antropologia pela UFPE, mestre em Ciências Sociais pela UFCG e graduada em Ciências Sociais pela URCA, a professora não deixa de ressaltar sobre suas origens, ela fala que migrou muito cedo para o Juazeiro do Norte com sua família, mas suas raízes são do Crato, da comunidade Kariri de Poço Dantas-Umari. Quanto ao movimento de afirmação indígena de sua comunidade, ela passou a compreender melhor pelo âmbito acadêmico e que a fez entender e buscar saber mais sobre o movimento comunidade e a compartilhar histórias e lutas sobre a resistência dos povos indígenas do Cariri, e principalmente pelos Kariri de Poço Dantas-Umari. Este trabalho trata-se de um esforço por ressaltar o protagonismo indígena feminino no Cariri, em que esperamos poder contribuir com a valorização das pessoas e coletividades indígenas, bem como as lutas que protagonizam.
Oral
Abrir o trabalhoOral
Abrir o trabalhoRESISTÊNCIA E VISIBILIDADE: A MULHER LÉSBICA NA LITERATURA BRASILEIRA COMTEPORÂNEA A PARTIR DE NATALIA BORGES POLESSO
BEATRIZ CIRINO DA SILVA ; KERÉN HAPUKE ESTRELA MACIEL
O presente trabalho, tem como objetivo principal analisar a representação da mulher lésbica na literatura brasileira contemporânea, com foco nas obras da autora Natalia Borges Polesso. A pesquisa busca problematizar o apagamento histórico e literário das mulheres lésbicas, explorando como a heteronormatividade e o patriarcado influenciam a invisibilidade dessas identidades na literatura. O artigo utiliza uma abordagem qualitativa, com análise literária e de conteúdo, para examinar como as personagens lésbicas são construídas e como suas histórias refletem questões de gênero, sexualidade, resistência e marginalização no livro "Amora". A fundamentação teórica do projeto inclui conceitos de Michel de Certeau sobre práticas de resistência no cotidiano, Michel Foucault sobre biopolítica e disciplina de normalização, e Judith Butler sobre performatividade de gênero e heteronormatividade. Além disso, a pesquisa dialoga com Adrienne Rich, que discute a heterossexualidade compulsória e a existência lésbica. A pesquisa busca contribuir para o debate sobre a importância da representação literária das mulheres lésbicas, destacando como a literatura pode ser um espaço de resistência e subversão das normas sociais.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoVIRGINIA MARIA BELÉM SOBRAL DE LACERDA
CHICA DA SILVA: RESSIGNIFICANDO O MITO EM SALA DE AULA Eixo Comunitário: Educação das relações étnicos-raciais, gênero e sexualidade. Virgínia Maria Belém Sobral de Lacerda Mestranda em Ensino de História E-mail: virginia.sobral@urca.br Orientador(a): Cícero Joaquim dos Santos Universidade Regional do Cariri E-mail: Joaquim.santos@urca.br RESUMO: Em diversos momentos da história brasileira foram produzidos materiais sobre a personagem histórica Chica da Silva, muitas dessas informações contidas nesses materiais são narrativas ficcionais, sem compromisso com a pesquisa historiográfica, o que acabou contribuindo para a construção de uma imagem sexualizada e autoritária da mesma. Esse trabalho tem por objetivo ressignificar o mito desta destacada personagem da história do Brasil, a partir de um estudo feito com os estudantes do 2º ano do ensino médio, partindo de uma problematização do conceito de representação de Chica da Silva em sala de aula, através de uma pesquisa desenvolvida com os estudantes. O conceito de representações, por sua vez, será discutido segundo a análise de ROGER CHARTIER (1988), pensando como uma imagem se transforma e é dada a ler em outros períodos diferentes dos que foram produzidos. A metodologia empregada consiste em aplicar um questionário com os educandos e a partir da análise das respostas desse questionário problematizar as representações de Chica da Silva no ensino de História. A pesquisa está em fase inicial, após a aplicação do questionário e análise dos resultados, dialogaremos apresentando as percepções dos estudantes sobre Chica da Silva e problematizaremos as imagens estereotipadas da personagem no ensino de História, contextualizando com o artigo Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito, da professora Dra. Júnia Ferreira Furtado, o poema Trecho de Romanceiro da Inconfidência – Romance XIV de Cecília Meireles e a música Xica da Silva de Jorge Benjor. Ao término das discussões, a partir dessa intervenção em sala de aula, os alunos poderão compreender como uma mulher negra escravizada rompeu com o que costumeiramente era designado à sua condição e se transformou numa senhora proprietária de casas e escravos. A temática pesquisada também estabelece uma relação com a Lei 14.986 de 25 de setembro de 2024 que torna obrigatória abordagens e experiências nas perspectivas femininas nos conteúdos curriculares, contribuindo para o combate à violência de gênero e promovendo um espaço para diálogo e conscientização dos estudantes. Permitindo assim, que os educandos levantem questões sobre a sociedade brasileira contemporânea, visando combater práticas de discriminação e racismo. Palavras-chave: Representações; Mulheres Negras; Ensino de História; Chica da Silva.
Palavras-chave: REPRESENTAÇÕES,MULHERES NEGRAS,ENSINO DE HISTÓRIA,CHICA DA SILVA
Oral
Abrir o trabalhoENSINAR E TRANSFORMAR: O letramento audiovisual sobre as questões de gênero e sexualidade a partir da produção de vídeos educativos.
JOAO VITOR DE MORAIS SILVA
O seguinte projeto tem como objetivo elaborar vídeos educativos acerca das questões de gênero e sexualidade, a representatividade da comunidade LGBTQIAPN+, a criação de leis e direitos que regem sobre a comunidade, como também divulgar sobre a trajetória do movimento feminista no Brasil e suas conquistas. O projeto conta com o convenio financeiro da FAPEMA (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão) e o Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA). Para o desenvolvimento metodológico do trabalho, definiu como a dimensão quali quantitativa, principalmente no transcurso para o mapeamento de fontes como subsidio para produção dos vídeos educativos e edição. O curso será lançado em site web, 100% gratuito e será administrado pela extensão Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) que funciona como armazenamento dos cursos e direcionamento, além do mais o/a cursista ao finalizar o curso será direcionado para responder um questionário de finalização de curso para emissão do seu certificado. Nesse sentido, para fomentar a discussão teórica, utilizamos Scott, (1995), Foucault (1999), Bourdieu (1998), Rubin (1993), visto aos conceitos que direcionam nossas reflexões em torno das questões de gênero e sexualidade. Por fim, busca-se com o projeto na segunda etapa e na sua finalização fomentar sobre as questões de gênero e sexualidade para a sociedade, visto o objetivo de fomentar cada vez mais a ampliação dos debates em todos os setores da sociedade.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENTRE O SILÊNCIO E A RESISTÊNCIA: A LEI 14.986/24 E A TRAJETÓRIA DE ESPERANÇA GARCIA
EDILANE FRANCISCA DA SILVA
A pesquisa parte do entendimento de que o racismo e o machismo estruturais contribuíram para o apagamento dessas mulheres, inclusive nos conteúdos escolares. Um exemplo marcante é a história de Esperança Garcia, mulher negra escravizada no Piauí, que em 1770 escreveu uma carta ao governador da província denunciando violências sofridas por mulheres e crianças. Esse documento é considerado um dos primeiros registros jurídicos do país, e em 2022, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), reconheceu Esperança como a primeira advogada brasileira. Mesmo assim, ainda é pouco conhecida entre professores de História da rede estadual e municipal do estado do Piauí. Inicialmente, a pesquisa vem realizando uma revisão bibliográfica, e posteriormente fará uso de um formulário eletrônico que será enviado para professores(as) de História das redes estadual e municipal da cidade de Pio IX-PI. O objetivo é investigar seus saberes ou a ausência deles sobre a trajetória de Esperança Garcia e sobre a Lei 14.986/24, que busca incluir a história das mulheres no currículo escolar. Como este estudo vem tecendo uma reflexão a partir dos marcadores raça e gênero, o referencial teórico-metodológico vem sendo construído baseado em Crenshaw (2012), com o conceito de interseccionalidade, e Nepomuceno (2012), que discute a invisibilidade e o protagonismo ignorado das mulheres negras nos séculos XX e XXI. A pesquisa, vinculada ao ProfHistória URCA, está na fase inicial. Até o momento, não conta com apoio financeiro. Espera-se que os resultados contribuam para entender como os currículos escolares ainda silenciam vozes fundamentais, bem como que apresente propostas para inserção da trajetória de Esperança Garcia e de tantas outras mulheres negras nos currículos da educação básica brasileira.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoLIVRES, LIBERTAS E ESCRAVIZADAS: RELAÇÕES DE GÊNERO DURANTE O SÉCULO XIX NA SOCIEDADE BRASILEIRA.
MARIA CLARA SILVA GOMES; Leticia Felix Dias
Resumo: Esta pesquisa está em fase inicial e objetiva compreender como as mulheres estavam inseridas na conjuntura do XIX, na sociedade brasileira. Abordando questões de raça, gênero e classe, desse modo partimos de suas dessemelhanças tanto em relação para com os homens, quanto entre as próprias mulheres em suas respectivas classes. As mulheres livres da alta e média sociedade eram tidas como recatadas e do lar. As mulheres escravizadas eram tidas como propriedades de trabalho e do desejo de seus senhores e as libertas viviam na tênue fronteira entre liberdade e escravidão e gozavam de uma liberdade precária, liberdade essa que estava ameaçada constantemente. Algumas dessas mulheres pobres e escravizadas estavam inseridas no mundo do trabalho como: lavaderias, costureiras e vendeiras. A partir da discussão teórica proposta por Emília Viotti da Costa no livro Da Monarquia à República, buscamos analisar as realidades históricas dessas mulheres em suas diferentes condições, no século XIX. A micro-história é adotada por necessidade de um estudo mais detalhado e centrado nas experiências femininas e as fontes trabalhadas são jornais como: O Araripe e o Jornal do Sexo Feminino, encontrados na hemeroteca digital disponível no site da Biblioteca Nacional, fazendo nos ter um entendimento mais sólido de como essas mulheres estavam situadas na sociedade da temporalidade estudada.
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Abrir o trabalhoO ESPAÇO GENERIFICADO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
REBECCA ARAGAO DE OLIVEIRA COSTA
A presente pesquisa buscou analisar a participação nas aulas e ocupação dos espaços de meninas durante as aulas de Educação Física no ambiente escolar, e de como esses ambientes tornam-se generificados, ou seja, marcado por divisões com base no gênero. O texto utilizou a revisão bibliográfica como metodologia, analisando artigos, livros e revistas científicas sobre o gênero e Educação Física. Atualmente, a pesquisa encontra-se na fase de levantamento e análise das referências teóricas com cunho feminista, buscando compreender como o currículo e as práticas pedagógicas podem reforçar o binarismo de gênero e influenciar a experiência dos alunos. Por tanto, os resultados parciais apontam que a ocupação dos espaços e a participação nas aulas são influenciadas por normas de caráter social que associam os meninos a ambientes públicos e desafiadores, enquanto meninas tendem a ser direcionadas a espaços privados, mais restritos e comportamentos mais passivos, assim, evidenciando estes comportamentos nas escolas, nas aulas de Educação Física.
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Abrir o trabalhoO NEABI COMO FERRAMENTA PARA A DESCONSTRUÇÃO DOS ESTEREÓTIPOS DAS MULHERES NEGRAS EM ARARIPE-CE
HELENA LOPES DA SILVA; Ivana Larissa de Almeida Silva
O presente trabalho busca analisar as iniciativas voltadas para a desconstrução dos estereótipos relacionados às mulheres negras a partir das ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiro e Indígena (NEABI) de uma escola pública estadual localizada no município de Araripe, situado na região do Cariri, sul do Ceará, no Nordeste brasileiro. O Núcleo de Estudos da Cultura Afrobrasileira e Indígena é um espaço dedicado à pesquisa, discussão e promoção da valorização da diversidade cultural de uma instituição de ensino de tempo integral. Formado pelos estudantes, o grupo pretende desenvolver ações dentro do espaço escolar a fim de aprofundar o conhecimento sobre a história, as tradições e as expressões artísticas, a religiosidade e outros aspectos da cultura afrodescendente presentes no Brasil. Sendo assim, a pesquisa parte do pressuposto que o NEABI é uma ferramenta de suma importância para a construção de novas ideias e perspectivas voltadas para a valorização da identidade étnico-racial dentro do espaço escolar. O estudo tem como objetivo geral compreender as práticas educativas protagonizadas pelos estudantes através do NEABI, práticas estas direcionadas ao combate aos preconceitos, discriminações e exclusões étnico-raciais e de gênero. A metodologia da pesquisa foi pensada partindo de uma revisão bibliográfica, e contando também com as discussões teóricas trabalhadas por Djamila Ribeiro (2019), Dalila França e Khalil Silva (2021). Inicialmente, foi possível identificar a promoção de palestras, debates, rodas de conversas, podcast e grafites protagonizados pelos estudantes envolvidos no NEABI. A partir da abordagem qualitativa e da pesquisa documental e de campo, o estudo analisará tais práticas.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPESSOAS NEGRAS E LGBTQIAPN+: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DO NÚCLEO DE ESTUDO DE GÊNERO DE UMA ESCOLA PÚBLICA EM CEDRO – PE.
ELIAS LAURINDO DE OLIVEIRA
A adaptação escolar é um processo gradual e contínuo, que envolve não apenas o campo do ensino e aprendizagem, como também um estilo de vida baseado no respeito às individualidades, visto que embora a escola seja um espaço plural, cada membro da comunidade escolar possui suas particularidades. Nesta perspectiva, observa-se a existência dos Núcleos de Estudo de Gênero e enfrentamento da violência contra a mulher, implantados em diversas escolas da Rede Estadual de Educação do Estado de Pernambuco, no Nordeste brasileiro. Estes Núcleos de estudo abrem espaços para os estudantes se envolverem e promoverem discussões sobre as diferenças numa interseccional de raça, gênero e sexualidade. O Núcleo de Estudo de uma escola estadual situada no município de Cedro - PE constitui nosso objeto de estudo, tendo como principal objetivo, compreender as práticas pedagógicas da referida escola, a partir do Plano de Ação do Núcleo, seus impactos na valorização à diversidade no espaço da escola, para a construção de identidades e sentimento de pertencimento ao ambiente escolar, especialmente o público negro e LGBTQIAPN+ numa perspectiva interseccional. Esta pesquisa vem sendo construída no diálogo com importantes autores que contribuem com esclarecimentos acerca da necessidade da valorização do coletivo e da igualdade no espaço escolar tais como Klaus e Hattge (2019), Antas e Arantes (2021), Melo (2016), Carvalho et al. (2023), Lima (2024), Ribeiro (2017), Gusmão (2022) e outras fontes como a Secretaria da Mulher de Pernambuco. Este referencial teórico, consultado para elaboração deste projeto servirá de base no desenvolvimento da pesquisa, juntamente com os documentos oficiais tais como Bases Nacional Comum Curricular (BNCC), Plano Nacional de Educação (PNE) e o Plano Estadual de Educação (PEE) que trazem nos seus textos, metas de erradicação dos preconceitos no espaço da escola. Além da pesquisa documental e consulta bibliográfica como metodologia, pretende-se realizar o acompanhamento das atividades na referida escola, acerca da execução do plano de ação do Núcleo de Gênero, aplicação de questionário e entrevistas com o corpo docente e discente. Esta metodologia deverá embasar a elaboração do produto educacional, que será um conjunto de atividades propostas para as aulas. Considerando que este projeto refere-se a uma das pesquisas da Turma de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri, espera-se que seu desenvolvimento possibilite excelentes resultados.
Palavras-chave: Núcleos de Gênero, Interseccionalidade, Gênero, Relações Étnico Raciais
Resumo Simples · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoSILÊNCIOS DIDÁTICOS E PRESENÇAS NEGADAS: A REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NEGRAS NOS VOLUMES 2 E 4 DA COLEÇÃO MODERNA PLUS
CARLA EMANUELA DE MELO LIMA
Este trabalho tem como objetivo analisar criticamente a representatividade — ou a ausência dela — das mulheres negras nos volumes 2 (Globalização, Emancipação e Cidadania) e 4 (Poder e Política) da coletânea didática Moderna Plus, adotada no Novo Ensino Médio. A investigação parte da constatação de que o livro didático, embora seja uma ferramenta pedagógica relevante, frequentemente reproduz narrativas hegemônicas que silenciam sujeitos historicamente marginalizados. A pesquisa adota como referencial teórico os estudos de gênero e raça, com ênfase na interseccionalidade proposta por autoras como Patricia Hill Collins (2021), Lélia Gonzalez (2020) e Joan Scott (1995). As fontes analisadas são os próprios volumes da coletânea, examinados por meio de análise qualitativa de conteúdo, a partir de categorias como silenciamento, ausência de protagonismo e estereotipação. Os resultados obtidos até o momento apontam para uma invisibilidade sistemática das mulheres negras nos textos e imagens dos materiais, revelando um descompasso entre a proposta pedagógica anunciada pela coleção e sua efetivação no conteúdo apresentado. A pesquisa encontra-se na fase final, com sistematização dos dados e elaboração de propostas pedagógicas que promovam maior inclusão e valorização das narrativas negras femininas no ensino de História.
Oral
Abrir o trabalhoTORNAR-SE MULHER NEGRA: VIVÊNCIAS DE DUAS ESTUDANTES NEGRAS DO BAIRRO JOÃO CABRAL EM JUAZEIRO DO NORTE-CE
RAYSSA GABRYELLY GOMES CARVALHO ; Cicera Kevelyn Ferreira de Oliveira Cunha
Neste estudo buscamos analisar nossas experiências enquanto mulheres negras periféricas do bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte, tendo como eixo orientador o conceito de interseccionalidade. Nossas vivências são influenciadas por fatores interseccionais de raça, gênero e classe, refletindo a complexidade da condição de ser mulher negra no Brasil. As leituras de "Mulheres, Raça e Classe" de Angela Davis e a obra sobre interseccionalidade de Karla Akotirene (2019) são fundamentais para entender as opressões que enfrentamos. Apesar dos desafios como racismo estrutural e desigualdade de gênero, entendemos que o acesso a uma educação pública e de qualidade, com formação crítica foi crucial para o nosso processo de tomada de consciência de gênero, raça e classe. Assim, nossas trajetórias enquanto mulheres adolescentes revelam um processo contínuo de resistência e empoderamento, evidenciando a necessidade de uma abordagem interseccional para compreender nossas realidades e contribuir para o diálogo sobre justiça social no Brasil contemporâneo.
Oral
Abrir o trabalhoResumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoÉ POSSÍVEL EXISTIR NA URCA? REFLEXÕES SOBRE ACESSO E PERMANÊNCIA DE PESSOAS TRANS E TRAVESTIS NA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI
SAULO ISAIAS VIEIRA DE OLIVEIRA; Nicole Bezerra Costa
A presença de pessoas trans e travestis no ensino superior brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais e institucionais, refletindo um ciclo de exclusão que se inicia na infância e se perpetua ao longo de suas vidas. A marginalização dessa população é evidenciada por altos índices de evasão escolar e pela ausência de políticas afirmativas eficazes. Desta forma, este trabalho objetiva refletir criticamente a inserção de pessoas trans na Universidade Regional do Cariri - Campus Multi-Institucional Humberto Teixeira (URCA - CMHT), problematizando a ausência de disciplinas obrigatórias que abordem gênero e sexualidade e discutindo como a estrutura acadêmica pode reforçar a cisnormatividade, reforçando o status quo. A partir de um debate sobre equidade educacional e políticas públicas, este texto realça iniciativas de outras Universidades do Nordeste que avançaram, em algum nível, nessa pauta, destacando a urgente necessidade de debates no âmbito institucional para o acesso e permanência dessa população na Universidade.
Palavras-chave: Minorias Sexuais e de Gênero,Ensino Superior,Saúde,Educação
Oral
Abrir o trabalhoENTRE TENSÕES E MOVIMENTOS: REFLEXÕES SOBRE O CORPO DISSIDENTES NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
LUCAS MOREIRA DE SOUZA
O presente trabalho pauta em compreender quais as barreiras relacionadas as questões de gênero e sexualidade na Educação Física Escolar, como a formação docente e a matriz curricular de ensino. Assim, este trabalho pretende refletir acerca dos obstáculos que impossibilitam a participação de corpos dissidentes nas aulas do curso de Educação Física da URCA, campus Multi-Institucional Humberto Teixeira. Além disso, se faz relevante trabalhar a disciplina curricular a partir de uma abordagem crítica-reflexiva, incluindo o debate sobre gênero e sexualidade, possibilitando uma vivencia prazerosa e saudável para todos os corpos. Na formação dos docente do curso de Educação Física do referido campus, é comum observar desafios quanto às questões de gênero e sexualidade na formação dos discentes, a exemplo: não ter formação adequada dos docentes para debater questões essenciais à diversidade sexual e de gênero; reprodução de metodologias de ensino que não condizem com o processo de ensino-aprendizagem contemporâneo, como separar os discentes a partir de uma perspectiva biológica, o não-respeito ao uso do nome social para discentes transexuais do curso; reprodução da cis-heteronormatividade na condução das aulas; entre outros. Do ponto de vista teórico, este trabalho dialoga com os debates transfeministas, de perspectivas feministas decoloniais, de autores dissidentes e da produção bibliográfica do campo da Educação e da Educação Física. Este é, portanto, um trabalho reflexivo e que se situa nas fronteiras do campo de conhecimento das áreas da saúde, educação, ancorados nas discussões pós-estruturalistas. Por fim, a proposição aqui é muito mais de levantar questões e iniciar um tensionamento crítico dentro do campo da Educação Física, do que, necessariamente, apresentar soluções para essas múltiplas-realidades.
Palavras-chave: Gênero,Sexualidade,Educação Física Escolar, Saúde Coletiva
Oral
Abrir o trabalhoFIBROMIALGIA E GÊNERO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DAS MULHERES CISGÊNEROS NA EXPERIÊNCIA DA DOR CRÔNICA.
CÍCERA KELLY DA SILVA ; Maria Yasmin Ferreira Lopes
RESUMO: Esta pesquisa aborda a experiência de mulheres cisgêneras em situação de dores crônicas, provocadas pela fibromialgia associadas aos papeis de gênero (Scott, 1990; Butler, 2013) e de feminilidade. A fibromialgia se caracteriza como uma doença autoimune, predominantemente feminina, que se caracteriza por um quadro clínico de dor crônica e difusa, sendo musculoesquelética e não inflamatória, e que geralmente é acompanhada de alterações na memória, no sono, na atenção, além de causar fadiga, cansaço, ansiedade e cefaleia (Claus, 2014; Trevisan, Atavila, Machado, Aota, Soares, 2022). Tem como objetivo analisar como as mesmas percebem e vivenciam a doença, considerando as expectativas sociais e culturais relacionadas ao papel da mulher. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e de campo, junto ao método bola de neve (Bernard, 2005). O estudo contou com a colaboração de seis participantes, sendo essas caracterizadas por serem: mulheres cisgêneras, com idade entre 25 e 60 anos, que possuem fibromialgia. A partir dos resultados obtidos, compreende-se que as participantes apresentam influência das questões de gênero impostas pela sociedade sobre seus tratamentos de saúde, refletindo diretamente na forma de lidar com as dores crônicas.
Oral
Abrir o trabalhoMASCULINIDADE E FEMINILIDADE NO VOLEIBOL: COMO OS ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO AFETAM A PERCEPÇÃO DO ATLETA ?
PEDRO AUGUSTO CALOU PEREIRA
O voleibol é um esporte amplamente praticado por homens e mulheres, mas ainda influenciado por estereótipos de gênero que impactam a percepção dos atletas e suas oportunidades profissionais. A mídia esportiva reforça padrões tradicionais de masculinidade e feminilidade, resultando em desigualdades de visibilidade, premiação e reconhecimento. Além disso, a representatividade de atletas LGBTQUIAP+ permanece baixa devido a barreiras institucionais e sociais, como a falta de políticas inclusivas e o preconceito estrutural. Esta pesquisa, com abordagem quanti-qualitativa, analisa como o gênero e a sexualidade influenciam a experiência de atletas no voleibol. Por meio de uma análise documental de artigos acadêmicos, reportagens e discursos midiáticos, investiga disparidades na cobertura esportiva e nos recursos destinados aos atletas. Os resultados preliminares indicam que a mídia retrata atletas masculinos com foco na força e agressividade, enquanto as mulheres são frequentemente avaliadas por critérios estéticos. No que diz respeito à diversidade sexual e de gênero, observa-se a invisibilização de atletas LGBTQUIAP+, muitas vezes desencorajadores a expressarem suas identidades por recebimento de discriminação. Diante desses resultados, a pesquisa aponta para a necessidade de diretrizes claras que promovam patrimônio no esporte, garantindo maior representatividade e inclusão. A implementação de políticas afirmativas, mudanças na cobertura midiática e incentivos institucionais são medidas essenciais para construir um ambiente esportivo mais justo e acolhedor no voleibol.
Palavras-chave: Masculinidade,feminilidade,esteriótipo de gênero,inclusaõ no esporte,voleibol
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoVIOLÊNCIA DE GÊNERO E SAÚDE MENTAL: A INTERSECCIONALIDADE ENTRE RAÇA, CLASSE E IDENTIDADE DE GÊNERO.
JOSE RICARDO DE SOUSA SANTANA
Esta pesquisa surgiu no cotidiano das discussões sobre a temática de Gênero e Diversidade na numa disciplina do programa de pós-graduação do Mestrado Profissional da Universidade Regional do Cariri - URCA, refletindo sobre a relação entre violência de gênero e saúde mental, considerando a interseccionalidade entre raça, classe e identidade de gênero. O objetivo principal é compreender como diferentes marcadores sociais impactam a vivência da violência e suas consequências psicológicas para pessoas em uma experiência transexual, especialmente aquelas em contextos de vulnerabilidade social. A pesquisa fundamenta-se em teóricos como Kimberlé Crenshaw, Marie-Christine Josso e Delory-Momberger, bell hooks articulando interseccionalidade e narrativas autobiográficas, de modo que a metodologia escolhida é o estado da questão ou estado da arte (EQ - EA) buscando articular bibliografias e periódicos além de documentos institucionais e produções acadêmicas que dissertam sobre saúde mental e políticas públicas. Resultados parciais indicam que a interseccionalidade intensifica os efeitos da violência de gênero, agravando transtornos psicológicos e limitando o acesso a serviços de saúde mental. A conclusão preliminar aponta a necessidade de políticas públicas mais inclusivas e de abordagens interseccionais na assistência psicológica.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoAS MARIAS DE JUAZEIRO: INVESTIGANDO O TERRITÓRIO RELIGIOSO DE JUAZEIRO DO NORTE/CE
ANA CLARA BENJAMIM SILVA
O espaço urbano, frequentemente percebido como neutro, é fortemente moldado por normas e estruturas de poder patriarcais, criando barreiras para as mulheres que ultrapassam as limitações físicas. Essas barreiras revelam desigualdades no acesso, apropriação e pertencimento à cidade. A perspectiva interseccional destaca que as mulheres não formam um grupo homogêneo, e que as experiências urbanas variam conforme o contexto local e as condições pessoais. O trânsito das mulheres pela cidade, portanto, carrega significados distintos, refletindo essas diversidades. Nesse contexto, a pesquisa investigou a situação das mulheres em um território urbano onde predomina a religiosidade, como no caso da área central de Juazeiro do Norte/CE. A análise sob a ótica de gênero revela como as mulheres são moldadas pelo ambiente urbano e, ao mesmo tempo, como influenciam este espaço, evidenciando disputas entre tradições, movimentos sociais transformadores e os desafios feministas às hierarquias patriarcais. O desafio metodológico da pesquisa foi sintetizar esses aspectos, utilizando recursos como impessoalidade, textos literários, oficinas, observação e entrevistas semiestruturadas. Ao total, participaram da investigação onze mulheres, dentre elas foram considerados a diversidade de marcadores sociais de identidade de gênero, raça, idade, escolaridade e também as diferentes interações com a pauta religiosa. Os resultados apontam que, nos espaços públicos de Juazeiro do Norte, a opressão às mulheres vai além das limitações físicas da infraestrutura urbana, sendo sustentada por normas sociais e culturais ligadas à religiosidade e à dinâmica das romarias e peregrinações. A religiosidade, especialmente no contexto do catolicismo sincrético, impacta a identidade das mulheres, gerando conflitos entre os valores religiosos e culturais. As entrevistadas apontam que a violência de gênero resulta em discriminação comportamental, restringindo sua mobilidade e acesso a recursos e oportunidades econômicas. Além disso, destaca-se a precarização do trabalho informal feminino e as tensões entre diferentes classes sociais, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas inclusivas para enfrentar desigualdades de gênero, raça e classe social.
Palavras-chave: Cidade e gênero,Mulheres,Território Religioso,Interseccionalidade,Corpo-território,Juazeiro do Norte/CE
Oral
Abrir o trabalhoEntre a fé e a margem: A presença de mulheres trans nas romarias de Juazeiro do Norte
LAURA STEPHANY ALVES SILVA
A pesquisa investiga a presença e a vivência religiosa das mulheres trans nas romarias de Juazeiro do Norte, desafiando o estigma de um espaço marcado exclusivamente pela cisnormatividade. O objetivo principal é compreender como essas sujeitas ocupam e ressignificam o ambiente religioso, ampliando o debate acadêmico sobre a interseção entre religiosidade e identidade de gênero. A partir do documentário “Também sou teu povo”, pretende-se discutir como essas mulheres reivindicam espaço dentro de um contexto historicamente excludente. Estimando utilizar a História Oral, na perspectiva de Marta Rovai (2024), para construir uma futura narrativa que permita que suas vozes sejam ouvidas em seus próprios termos, não intencionando “dar voz” a esses sujeitos supostamente desprovidos, mas dar escuta para construir junto a elas uma narrativa. Em fase inicial, a investigação já revela indícios significativos da presença ativa de mulheres trans nas romarias, não apenas como profissionais do sexo, mas também como devotas que ressignificam os espaços religiosos e culturais de Juazeiro do Norte.
Palavras-chave: GêNERO,Religiosidade,Devoção
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoESTADO LAICO: COOPERAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO E INSERÇÃO DOS VALORES CRISTÃOS EM DECISÕES JUDICIAIS E LEGISLATIVAS PERANTE OS CASOS DE INTERRUPÇÃO DE GRAVIDEZ NO BRASIL
ANA SOFIA CAVALCANTE DE ALENCAR
O presente projeto de pesquisa aborda a influência dos valores cristãos em decisões judiciais e legislativas relacionadas à interrupção de gravidez no Brasil, questionando a compatibilidade dessa influência com o princípio da laicidade do Estado. A separação entre Igreja e Estado foi estabelecida pela Constituição de 1891, garantindo a neutralidade estatal em questões religiosas. No entanto, decisões legislativas e judiciais sobre o aborto revelam contradições em relação a esse princípio. O objetivo geral é analisar o impacto dos valores cristãos sobre as decisões políticas e jurídicas relacionadas ao aborto, investigando se essa influência viola o caráter laico do Estado. Para isso, o trabalho adota um método hipotético-dedutivo, fundamentado na Teoria da Justiça de Rawls e na Teoria Pura do Direito de Kelsen. A pesquisa utiliza abordagem qualitativa, combinando análise histórica, observacional e comparativa de decisões judiciais, legislação e literatura especializada. Resultados preliminares indicam que a influência cristã está presente na formulação de políticas e na interpretação de normas jurídicas, o que pode comprometer a imparcialidade do Estado em questões morais. A pesquisa destaca a necessidade de reafirmar a separação entre religião e Estado para garantir a proteção dos direitos reprodutivos das mulheres e assegurar a neutralidade estatal em temas de natureza moral.
Palavras-chave: Estado laico, aborto,valores cristãos,decisões judiciais
Resumo Expandido · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoFAZERES SAGRADOS AFRODIASPÓRICOS NO CARIRI ORIENTAL: NOS ESPAÇOS DAS RUAS À RESISTÊNCIA DOS ESPAÇOS ESCOLARES
MARIA ARIANY OLIVEIRA DA SILVA
Em 2003 foi aprovada a Lei 10.639, que tornava obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira, assim contribuindo para a demanda histórica do movimento negro e para criação de possibilidades inclusão desses conteúdos na educação básica. A partir de pesquisas iniciais realizadas nos espaços escolares e de resultados obtidos no trata com a implementação da Lei 10.639/2003 buscou um diálogo analítico com as comunidades em que as escolas estão inseridas e seus fazeres culturais. Assim, este trabalho tem como objetivo identificar mediante relatos de moradores de bairros da cidade de Brejo Santo-CE, as diferentes formas que a comunidade e a escola têm se relacionado com os fazeres culturais afrodiaspóricos, sejam esses religiosos ou outras manifestações imateriais afrodescendentes. Na busca de comprovar a hipótese levantada a conversa com adeptos, sendo pontos de partida para entender esta relação. Sabendo que a educação Brasileira possui uma herança colonial marcada por indiferença e superioridade desencadeando o racismo religioso. A pesquisa iniciou com estudos bibliográficos, utilizando como referência Reginaldo Domingos, seguindo com conversa através de entrevistas, anotações e de interações com os dirigentes dos terreiros, os quais têm relatado, nas empreitadas investigativas iniciais, situações de racismo religioso. A pesquisa ainda em andamento, possuir apenas resultados parciais, desse modo, identificamos que a cidade possui crenças religiosas diversificadas e a cultura afrodescendente faz parte da maioria dos bairros, sendo possível observar mediante a fala dos entrevistados. Possuindo então, terreiros de Umbanda e Candomblé.
Oral
Abrir o trabalhoMORTIFICAÇÃO DO FEMININO EM INSTITUIÇÕES TOTAIS: UMA ANÁLISE PSICOLÓGICA DA REALIDADE HISTÓRICA DOS CONVENTOS REPRESENTADA PELO FILME EM NOME DE DEUS
ARIANE FATIMA DE BRITO FERREIRA
O trabalho objetiva debater a temática do controle da sexualidade e do corpo feminino, a partir da inclusão de mulheres em instituições cristãs totalitárias. Tendo-se como base uma vivência real trazida por uma obra cinematográfica sobre os conventos das Irmãs Madalenas, retrata-se uma cultura interna de imposição de normas de pureza, castidade e submissão, associadas à culpa e punição, no qual, mulheres que socialmente já tinham suas identidades negadas por um sistema social e cristão patriarcal vigente, deparavam-se com a continuidade da mortificação das suas personalidades ao serem internadas nesses ambientes, gerando impactos psíquicos negativos sobre a visão de si e para o mundo. O trabalho desenvolveu-se a partir de uma análise fílmica em consonância com conceitos teóricos da Psicologia, permitindo um embasamento crítico às vivências de sofrimento dessas mulheres, de modo a concluir-se a importância dessa área perante as consequências causadas pelas estruturas de opressão social e do posicionar-se politicamente sobre as injustiças de dominação feminina, em prol de uma Psicologia transformadora e ética que não negligencie o sofrimento humano.
Oral
Abrir o trabalhoO ‘Homem de verdade’ no sertão: representação da masculinidade nordestina em Mar do Sertão
KALINE ADRIANO PEREIRA DA SILVA; N/I
RESUMO: Esta pesquisa intitulada O ‘Homem de verdade’ no sertão: representação da masculinidade nordestina em Mar do Sertão, encontra-se em fase inicial, mas já encontramos resultados que apontam por meio da telenovela Mar do Sertão (2022), escrita por Mário Teixeira, os embates entre o que é ser considerado ‘homem de verdade’ e o que foge a essa ideia no imaginário sertanejo. Para isso, sonda-se os personagens Zé Paulino, Coronel Tertúlio e seu filho Tertulinho. Enquanto Zé Paulino e o coronel representam o ideal de ‘cabra macho’, Tertulinho é visto como uma vergonha para seu pai, por ser considerado ‘frouxo’ e não corresponder a esse modelo. Este trabalho também busca refletir até onde esse imaginário construído ao redor de um nordeste unitário é algo que está presente no cotidiano nordestino, ou mais importante, em qual ambiente nordestino. Para melhor compreensão desta discussão dialoga-se com Durval Muniz Albuquerque JR a partir de sua obra Nordestino: a invenção do “falo” uma história do gênero masculino, onde ajudará a entender a análise dos discursos performáticos dos personagens, de seus diálogos, verbais e não-verbais, e o ambiente que os compõe, refletindo assim o que é ser ‘homem nordestino’.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho“ELA NÃO QUERIA SER SANTA ”: BEATA BENIGNA COMO SÍMBOLO DE COMBATE AO FEMINICÍDIO NO CEARÁ.
TATIANA OLEGARIO DA SILVA
O presente trabalho tem como objetivo analisar o feminicídio e a construção da santidade de Benigna Cardoso da Silva apresentando os desdobramentos atuais e o impacto de sua história de vida e morte nas questões relacionadas à violência contra a mulher. Esta jovem aos recém completados treze anos de idade, foi estuprada e assassinada por seu colega de classe, Raul Alves Ribeiro. O crime ocorreu no dia 24 de outubro de 1941, na cidade de Santana do Cariri, região sul do estado do Ceará. O acontecimento despertou a sensibilidade na população e ao longo do tempo o local do assassinato foi se tornando espaço de memória e visitação, onde inicialmente as pessoas rezavam e pediam intercessão a jovem em momentos difíceis. Com o decorrer dos anos a história da mártir foi ganhando maior notoriedade e sua santidade foi se estabelecendo tanto na narrativa popular quanto eclesiástica. Em consequência disso, em 2011 a Igreja local iniciou o processo de beatificação e após 11 anos, em 2022, Benigna veio a se tornar a primeira beata do Ceará. Percebemos que gradualmente a construção da imagem de Benigna enquanto santa vem abrindo espaço para outros questionamentos sobretudo no que se refere aos debates em torno da violência que as mulheres são acometidas diariamente portanto, tendo em vista que o caso de Benigna não é isolado na região e no estado, pois desde 1941 até a atualidade os números de violência contra a mulher e de feminicídios no estado do Ceará tem ganhado proporções alarmantes, em maio de 2019 a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará aprovou o projeto de Lei Nº 162/19, que instituiu o dia 24 de outubro como o Dia de Combate ao Feminicídio no Estado do Ceará. A data faz referência ao assassinato de Benigna e a mesma se tornou símbolo de combate ao feminicídio no estado. Diante o que foi exposto, o eixo de problematização dessa pesquisa consiste em questionar como como esse crime e posterior santificação de Benigna dialoga com as questões voltadas a violência contra as mulheres e o feminicídio no estado em questão e, de que maneira os jornais e outros tipos de mídia tem vinculado a imagem de Benigna ao combate ao feminicídio no estado. Quanto aos procedimentos metodológicos que irão embasar essa pesquisa, utilizamos amplamente análise documental de fontes como: lei que estabelece o dia 24 de outubro como dia de combate ao feminicídio no Ceará; reportagens que tem como foco o rosto de Benigna para além de uma santidade feminina mas como resistência à violência contra a mulher, criança e adolescente; o inquérito policial, dentre outros documentos. Utilizaremos um diálogo com Segato (2005, 2010, 2015) Lagarde (2006) dentre outros autores que nos possibilitarão entender os conceitos então trabalhados. Assim, destacamos que essa pesquisa possui financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e encontra-se em fase inicial. Contudo, como resultado parcial constatamos que a partir do momento em que a história de vida e morte de Benigna ganhou maiores proporções e visibilidade, houve também um maior engajamento por parte do poder público, escolas e outros setores da sociedade para visibilizar os dados de violência contra a mulher e de feminicídios no estado, assim como um aumento de projetos que tem como finalidade explorar a história da jovem para além do aspecto religioso, mas de cunho educativo e que possibilite uma maior conscientização da causa.
Palavras-chave: Feminicídio, Benigna, santidade
Oral
Abrir o trabalho“NO ESQUECIMENTO, SEM MEMÓRIA, NO TEU SANGUE DE ALMA PROFUNDA”: UMA ANÁLISE DE DISCURSO DA POESIA DE IDELVÂNIA FÉLIX DE LIMA
NATANAELY NUNES DA SILVA; Cláudia Rejanne Pinheiro Grangeiro
Resumo: A Beata Maria de Araújo é uma personagem importante para a história de Juazeiro do Norte – Ceará e protagonista de um dos episódios mais significativos da história religiosa da cidade, no qual a hóstia consagrada pelo Padre Cícero Romão Batista transubstanciou-se em sangue em sua boca. Apesar de Maria ser compreendida como uma das principais personagens da história de Juazeiro, ainda assim atravessou processos que buscavam silenciá-la e apagar sua relevância, podendo ser citado, como exemplo, os inquéritos investigativos que buscavam calar sua voz e dos outros integrantes do chamado episódio do milagre. Desta forma, a presente pesquisa, financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, e que atualmente se encaminha para seu estágio final, trabalha sob a hipótese de que os marcadores de raça, classe, gênero e etnia, tanto quanto o contexto histórico que respirava os ventos de uma abolição recente e o racismo institucional contribuíram de forma significativa para a constituição dos processos que envolvem os dispositivos de silenciamento. É partindo deste ponto que nos propomos a realizar uma análise dos discursos em torno da Beata Maria de Araújo, mais especificamente nos poemas presentes na Mostra de “Poemas Para Maria”, projeto fomentado pela Prefeitura de Juazeiro do Norte e que, atualmente, encontra-se na sua sétima edição. Para tanto, fizemos a seleção do poema “Onde estás”, de Idelvânia Félix de Lima, com o objetivo de compreender como os discursos de memória e silêncio em torno dessa figura histórica são construídos pela poeta. Assim, utilizamos das discussões fomentadas por autores da chamada Análise do Discurso francesa como Michel Pêcheux (1997) e Eni Orlandi, em consonância com os estudos produzidos por Dia Nobre (2010), Priscila Ribeiro Jerônimo Diniz (2021), Maria do Carmo Pagan Forti (1999), André Andrade (2023). Ademais, também citamos a extrema relevância das teorias e discussões de pensadoras feministas como Carla Akotirene (2019), Patricia Hill Collins (2016) e Sirma Bilge (2016).
Palavras-chave: Beata Maria de Araújo; Discurso; Interseccionalidade; Onde estás? ; Idelvânia Félix de Lima.
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Educação da mulher,imprensa,o sexo feminino
Oral
Abrir o trabalhoA SUBVERSÃO DA REPRESENTAÇÃO DA FIGURA FEMININA EM DIÁRIOS DE UMA APOTECÁRIA
PAULO ANDRÉ RODRIGUES SARAIVA; Renato Peixoto Nunes Filho
Esse resumo pretende destacar a subversão da figura feminina na obra Diários de uma Apotecária, analisando e interpretando diretamente a obra, apoiado no trabalho de Simone de Beauvoir que trabalha como as mulheres são forçadas a posições secundárias pela sociedade. A obra é originalmente escrita como light novel e posteriormente adaptada para mangá e anime , é ambientada em um país fictício inspirado na antiga China Imperial durante a Dinastia Tang . A história acompanha Maomao, uma jovem que trabalha como apotecária — alguém que preparava e vendia remédios e ervas medicinais — e que é sequestrada e vendida como serva no Palácio Imperial, onde convivem militares, eunucos, servos e concubinas a serviço do Imperador. Com seu vasto conhecimento, Maomao desvenda a causa da morte dos filhos do Imperador e, apesar de tentar se manter anônima, acaba atraindo a atenção de um eunuco influente. Isso a envolve em uma série de casos misteriosos e, graças ao seu raciocínio lógico aliado a conhecimentos científicos e históricos, Maomao os desvenda e é promovida a provadora de venenos de uma das concubinas de mais alto escalão. A figura feminina é central nesta obra, sendo representada por cortesãs, concubinas e servas em uma sociedade imperial e patriarcal, na qual o Imperador ocupa a posição social e política mais elevada. Essas mulheres são colocadas em posições de submissão, mas a narrativa destaca suas diversas qualidades e habilidades, revelando figuras femininas com poder e influência, mesmo em um contexto que tende a ofuscar essa realidade. O principal exemplo é a protagonista Maomao, que se mostra extremamente inteligente, não apenas na medicina, mas também ao demonstrar conhecimento histórico e raciocínio lógico. Assim, a obra propõe uma subversão da representação de mulheres que se destacaram ao longo da história, mas que foram apagadas e silenciadas pelo patriarcado e pelo machismo em diferentes momentos históricos e contextos socioculturais. Atualmente a obra conta com uma colaboração com a Associação Farmacêutica do Japão reforçando o alcance e reconhecimento a influência positiva dos personagens.
Palavras-chave: Figura Feminina,Subversão,Protagonismo Feminino
Oral
Abrir o trabalhoEntre Espadas e Cartas Mágicas: As Faces do Feminino no Mangá Shoujo
WINNIE RODRIGUES HOLANDA; Natália Alves Martins Amorim
Esta comunicação tem como objetivo analisar as representações femininas nos mangás shoujo, com foco nas obras A Princesa e o Cavaleiro (1953-1956), de Osamu Tezuka, e Sakura Card Captor (1996-2000), da CLAMP. A intenção é discutir como essas representações se transformaram ao longo das décadas e como foram recebidas pelo público brasileiro. Considerando a relevância do mangá shoujo como forma de expressão cultural, o estudo propõe uma análise literária e crítica de gênero, evidenciando os papéis sociais atribuídos às personagens femininas, os estereótipos presentes e as possibilidades de empoderamento promovidas por essas narrativas. O projeto baseia-se em uma abordagem qualitativa e bibliográfica, utilizaremos um referencial teórico fundamentado em Butler, hooks, Saffioti, Scott e Showalter para fundamentar as discussões sobre gênero, feminismo, como também Macwilliams, Luyten, Gravett e Fujino para falar sobre mangá e cultura pop. Discutiremos o impacto cultural dos mangás no Brasil, especialmente no que diz respeito à construção de identidade das leitoras. Através da comparação entre duas obras de períodos distintos e com diferentes perspectivas autorais (masculina e feminina), busca-se compreender como o shoujo mangá evoluiu e como pode atuar como instrumento de reflexão e transformação social.
Oral
Abrir o trabalhoGENXES: OFICINAS DE ENSINO DE HISTÓRIA, GÊNERO E SEXUALIDADE NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS DO CARIRI CEARENSE
FRANCISCO HELDER DA SILVA FILHO; Charlie Renatti da Silva
Esta pesquisa pretende refletir sobre as ações educativas do projeto de extensão universitária GENXES: Oficinas de Ensino de História, Gênero e Sexualidade, estando ele atrelado ao Núcleo de História Oral, Memória e Diversidades (NHISTAL). Tal projeto vem realizando práticas educativas sobre as dissidências sexuais e de gênero nos espaços educativos escolares e não escolares da região do Cariri cearense, no Nordeste brasileiro. Conectando a História LGBTQIAPN+ e o ensino de história, essa iniciativa conta com o financiamento da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri, estando vinculada ao Departamento de História desta IES e ao Programa de Extensão Núcleo GENXES: Acolhimento e Empoderamento LGBTQIA+, localizado no Museu Comunitário Casa da Memória de Porteiras, na cidade de Porteiras-CE. A pesquisa tem como objetivo geral compreender a dinâmica das ações educativas desenvolvidas pelo projeto GENXES. Como objetivos específicos, ela busca entender o alcance social e seus resultados. Do ponto de vista teórico, ela tece reflexões sobre memória, comunidade, gênero e interseccionalidade, nos diálogos com bell hooks, Joan Scott, Patricíl Hill Collins, Benito Schmidt, Lauri Miranda e Jaqueline Gomes de Jesus. O estudo é descrito e analítico, com uma abordagem qualitativa. Ele utiliza o Caderno de Campo, bem como relatórios, publicações e imagens. O GENXES teve início em 2018. No contexto da Pandemia de Covid-19, ele foi direcionado para a rede social Instagram (@genxes. Em 2023, ele voltou a ser realizado presencialmente, sendo desenvolvido nos espaços urbanos e rurais de Porteiras. Já em 2024, as oficinas voltaram a acontecer em Crato e Juazeiro do Norte, envolvendo, principalmente estudantes e LGBTQIAPN+.
Oral
Abrir o trabalhoMULHERES, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: PERSONALIDADES FEMININAS NA EDUCAÇÃO TAUAENSE
PRISCILA ALVES ALMEIDA ; Ângela Meire de Freitas Pinheiro
A história da educação no Brasil é marcada por inúmeras transformações e desafios, sendo permeada por importantes figuras que, através de seu trabalho e dedicação, contribuíram significativamente para o desenvolvimento educacional do país. No contexto local de Tauá, município situado no estado do Ceará, diversas mulheres desempenharam um papel crucial na construção e melhoria do sistema educacional. Dessa forma a cidade de Tauá apresenta muitas instituições de ensino ou ruas de Tauá que levam os nomes das professoras da educação primária tauaenses, uma forma que o legislativo encontrou de eternizar a contribuição dessas personalidades para a formação do município. No entanto, apesar dessa justa homenagem, pouco se conhece sobre a trajetória de vida, os desafios enfrentados e o verdadeiro legado dessas mulheres que dedicaram suas vidas à educação. Este trabalho parte da necessidade de resgatar a história dessas figuras fundamentais, destacando o protagonismo feminino na construção da educação pública da Região dos Inhamuns, especialmente no município de Tauá. Nosso objetivo é identificar a atuação das professoras no desenvolvimento educacional da região, inserindo suas trajetórias no contexto histórico do século XX, quando a educação no interior nordestino passava por profundas transformações. A pesquisa, de natureza bibliográfica e documental, foi realizada por meio da análise de acervos públicos e particulares da cidade, documentos escolares, reportagens antigas, artigos acadêmicos e relatos orais que ajudaram a reconstruir parte da memória educacional local. Entre os nomes identificados, destacam-se Maria do Livramento , Dondon Feitosa, Maria Celeste, entre outras. Essas educadoras foram pioneiras em suas comunidades, muitas vezes iniciando o trabalho pedagógico em escolas improvisadas, com poucos recursos e em condições desafiadoras. Ainda assim, exerceram com excelência o papel de mediadoras do saber, tornando-se referências éticas e intelectuais para as gerações seguintes. Suas práticas docentes refletiam não apenas o domínio dos conteúdos escolares, mas um profundo compromisso com a transformação social e o fortalecimento das identidades locais. Ao registrar e valorizar essas trajetórias, este estudo busca preencher lacunas da historiografia local e preservar a memória de mulheres que, embora pouco reconhecidas em vida, deixaram marcas profundas na história da educação tauaense e na formação de sua gente.
Palavras-chave: Protagonismo Feminino,Educação tauaense,Memória histórica
Oral
Abrir o trabalhoO COMPORTAMENTO SOCIALMENTE ESPERADO DA MULHER NOS USOS DO INSTAGRAM: UM DIÁLOGO COM OS ACADÊMICOS DA GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO DO IFCE – CAMPUS JUAZEIRO DO NORTE
MARIA YASMIN FERREIRA LOPES
Essa pesquisa aborda a percepção de homens cisheteronormativos acerca do comportamento assumido pela mulher héterocisnormativa nas redes sociais, em especial, o Instagram, no que se refere as questões afetivas. O autor Prensky (2001) diz que é importante compreender como performances e percepções são constituídas, questionadas e reformuladas a partir do uso cotidiano das mídias digitais, o que também inclui as redes sociais, nas relações interpessoais e íntimas. O estudo a seguir tem como objetivo geral compreender a percepções sociais masculinas relacionadas aos papéis de gênero nos usos das redes sociais por mulheres. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e com grupo focal (Gatti, 2005). Com o estudo percebe-se como papéis de gênero (Scott, 1990; Butler, 2013), são repercutidos socialmente nas redes sociais, demonstrando que as atitudes de mulheres em espaços sociais são avaliadas e julgadas, em especial nas relações afetivas. Logo, pode-se concluir que as redes sociais se configuram como um espaço de inúmeras linguagens que caracterizam o comportamento de homens e mulheres.
Palavras-chave: redes sociais,papéis de gênero,cisheteronormatividade
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPassados Presentes? As relações entre as mulheres de Atenas e do Brasil da década de 1970
ANA CAROLINA DE MENEZES SANTANA PINHEIRO
O presente trabalho visa abordar através a partir da letra da música Mulheres de Atenas composta por Chico Buarque e Augusto Boal quais as proximidades e distanciamentos entre as imagens das mulheres atenienses do período da Grécia clássica e das mulheres brasileiras dos anos 1970, década em que a canção foi lançada. A partir de uma metodologia de história comparada, o artigo almeja responder as perguntas: Sobre quais mulheres a canção aborda? Quais as características das mulheres na sociedade de Atenas? Qual o papel do feminino na sociedade brasileira dos anos 1970? Quais as semelhanças e divergências das características sociais das mulheres dessas épocas? A partir deste recorte têmporo-espacial, serão correlacionados os dados das respectivas análises bibliográficas, através do contexto histórico social. Afim de traçar as semelhanças, diferenças e influências, a proposta desse trabalho espera criar novas perspectivas para o futuro/presente. Como referencial teórico o trabalho utiliza-se dos conceitos de papeis de gênero e do patriarcado. Como fontes o projeto busca analisar a canção de Chico Buarque e Augusto Boal utilizando-se também de fontes secundários para analisar o contexto histórico da sociedade de Atenas a partir dos livros de Catherine Salles intitulado: Nos Submundos da Antiguidade História e Simon Goldhill na obra de nome: Amor, sexo e tragédia. Sobre a história das mulheres no Brasil foram utilizadas obras de Mary Del Priore denominadas: Histórias íntimas: Sexualidade e erotismo na história do Brasil e Sobreviventes e guerreiras: uma breve história da mulher no Brasil de 1500 a 2000. A pesquisa está em andamento tendo sua primeira parte sobre a vivencia na Atenas clássica e no Brasil da década de 1970 concluída. A pesquisa já foi concluída. Em sua primeira parte, aborda os papeis de gênero das mulheres e homens de Atenas já foi finalizada, demonstrando a diversidade das características femininas e do complexo mundo ao qual essas mulheres atenienses estavam envolvidas. No tocante às mulheres do Brasil da década de 1970 a abordagem sobre papeis de gênero está concluída faltando apenas intercalar as análises com a letra da canção e concluir como esses papeis de gênero e as sociedades patriarcais continuam agindo e reagindo em submeter a figura feminina a seu controle e como as mulheres tanto de Atenas como do Brasil encontraram formas de se opor a essa dominação. Após essa introdução do tema entra a relação da análise da canção em comparação as vivencias femininas de ambas as épocas. A música nesse sentido mostra-se uma crítica para lembrar as mulheres as lutas, perdas e ganhos que resultaram ao momento histórico a qual vivenciam agora e como a resistência é tão necessária para evitar a perda de direitos conquistados duras penas ao longo da história. Por fim, a pesquisa compara as semelhanças e divergências traçando a importância da lembrança desses passados na construção do presente tendo vista garantir seus direitos rumo a avanços e conquistas no futuro.
Oral
Abrir o trabalhoPODCAST FEMINISTA: REFLEXÕES SOBRE UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE HISTÓRIA
MARÍLIA CRISTIANE PEREIRA DA SILVA
Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre práticas de ensino de história desenvolvidas com uma metodologia ativa em sala de aula. Trata-se da produção de podcasts sobre três pensadoras feministas: Mary Wollstonecraft, Olympe de Gouges e Louise d’Epinay. A experiência ocorreu em uma turma de 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública, localizada no munícipio de Salgueiro , Sertão Central do estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Como objetivo principal, essa ação buscou apresentar mulheres importantes na história, sobretudo aquelas que deram início ao movimento feminista. Assim, tais práticas trabalharam o conceito feminismo com os estudantes, abordando-o numa perspectiva plural. As fontes utilizadas para o desenvolvimento da experiência foram: o livro didático Coleção Jovem Sapiens e o Currículo de História do estado de Pernambuco. A metodologia para a criação dos podcasts foi realizada através de trabalhos em grupo de pesquisa e criação de um roteiro que será utilizado para a produção dos conteúdos. A experiência está em desenvolvimento. Nesse momento, os estudantes estão escrevendo o roteiro e começando as produções que serão apresentadas para a turma, avaliadas e posteriormente divulgadas.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoRaízes Clássicas: A Mulher na Grécia Antiga e o Ideal Feminino na Cultura Ocidental
KÉREN HAPUKE ESTRELA MACIEL ; Beatriz Cirino da Silva
Este estudo examina como as representações femininas na Antiguidade Grega moldaram o conceito de feminilidade, o ideal feminino que ainda é predominante na sociedade ocidental atual. Através de uma análise das esferas social, política e religiosa, a função feminina é analisada em diversos cenários, incluindo o doméstico e o público, destacando suas representações na literatura, arte e mitologia grega. Personagens como Afrodite, Atena e Hera, bem como personalidades literárias e históricas, ajudaram a moldar concepções sobre beleza, virtude e comportamento feminino que ainda ecoam nos dias de hoje. A pesquisa se baseia na teoria de gênero e na história cultural, sob uma visão interdisciplinar e comparada. O pensamento de Michel Foucault é aplicado na análise das normas de conduta feminina e dos mecanismos de poder que apoiaram tais ideais. Por outro lado, Judith Butler auxilia na análise da performatividade de gênero, explorando como esses padrões foram naturalizados ao longo dos anos. Autoras como Mary Beard e Sarah Pomeroy oferecem contribuições cruciais para compreender a posição feminina e a formação social do gênero na Grécia Antiga. O artigo também aborda a forma como esses princípios, geralmente fundamentados em padrões de beleza e submissão, foram reinterpretados ao longo dos séculos, particularmente durante o Renascimento e o Neoclassicismo. Finalmente, considera-se o efeito dessas concepções na representação feminina contemporânea. A metodologia utiliza fontes primárias, como textos de Homero, Hesíodo e tragédias gregas, além de leituras contemporâneas sobre a história das mulheres e do gênero. A pesquisa examina como os ideais gregos de feminilidade, associados à submissão e à beleza, continuam presentes nas sociedades do ocidente até os dias atuais.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoREPENSANDO AS MASCULINIDADES: HISTÓRIA E GÊNERO EM DIÁLOGO COM O CINEMA
CLEYTON DA SILVA SANTOS
Este artigo discutirá a construção das identidades de gênero, com foco nas masculinidades, a partir de uma análise crítica das representações cinematográficas e terá como metodologia a investigação genealógica de Michel Foucault. A partir da década de 1930, os estudos de gênero ganham destaque na academia, impulsionados pelo avanço dos movimentos feministas e pela incorporação dos estudos culturais ao campo historiográfico. A partir dos anos 1970, surgem os primeiros estudos voltados à compreensão das masculinidades, propondo a existência de múltiplas formas de ser homem, organizadas dentro de uma hierarquia social. Paralelamente, o cinema passa a ser um espaço de crítica e reflexão feminista, com ênfase na representação estereotipada das mulheres e, posteriormente, na análise do papel hegemônico masculino nas produções audiovisuais. Assim, o cinema é compreendido como um importante meio de produção e reprodução de identidades de gênero, sendo fundamental para se pensar as diversas masculinidades em circulação na sociedade.
Oral
Abrir o trabalhoTRANSMEMÓRIAS - TRANSGENERIDADE, MEMÓRIA E HISTÓRIA NA CIDADE DO CRATO-CE
CHARLIE RENATTI DA SILVA
Este trabalho tem como tema central as transmemórias, com foco nas vivências de pessoas trans e travestis na cidade do Crato-CE. O objetivo principal é investigar como as trajetórias dessas pessoas permeiam com resistência, empoderamento e produção de história em espaços permeados por normatividades religiosas e culturais. A pesquisa utiliza como referencial teórico autores como Ribamar de Oliveira, Jacques Le Goff, Marta Rovai, Thiffany Odara, além de Michael Löwy e Michelle Perrot, fundamentando-se em conceitos de transgeneridade, memória e história oral. Löwy (2010/2011), a partir da leitura das teses de Walter Benjamin, contribui para uma compreensão dialética da cultura, enfatizando a importância de narrativas contra-hegemônicas. Já Perrot (1988) oferece subsídios teóricos fundamentais para pensar os sujeitos historicamente marginalizados, como operários, mulheres e prisioneiros, expandindo o olhar para incluir, também, as experiências de pessoas trans e travestis. As fontes utilizadas incluem entrevistas semiestruturadas, registros fotográficos, documentos históricos, obras artísticas e literárias, além de dados e eventos relacionados a movimentos sociais da região. A metodologia adotada é qualitativa, com ênfase na história oral e abordagem participativa, priorizando a escuta ativa e o protagonismo das pessoas trans e travestis na produção do conhecimento. Atualmente, a pesquisa encontra-se na fase inicial de coleta de dados, com levantamento bibliográfico básico e preparação dos roteiros de entrevista. Como resultados parciais, destaca-se a identificação de narrativas locais de resistência e exclusão que têm sido negligenciadas pela historiografia tradicional.
Palavras-chave: Transmemória,História Oral,Resistência,Trangeneridades,Narrativas
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalho“ESQUERDISTA E HOMOSSEXUAL”: OS EXPURGOS DO PROFESSOR GERD BORNHEIM, A DITADURA MILITAR E A MEMÓRIA
JAIME VALIM MANSAN
Este trabalho propõe uma reflexão sobre a trajetória do filósofo e professor Gerd Alberto Bornheim (1929-2002), enfocando a vigilância, delação, perseguição, LGBTQIAPN+fobia e repressão que sofreu durante a Ditadura Militar. Em 1969, foi expurgado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), resultando em seu exílio na França e na Alemanha. Discuto ainda seu possível primeiro expurgo da UFRGS em 1961, supostamente motivado por sua orientação sexual, além de sua trajetória após 1979 e a construção de uma memória coletiva sobre ele, permeada por diferentes perspectivas e silenciamentos. Essa análise parte da atualização de minha pesquisa de mestrado, que subsidiou a publicação do livro Os expurgos na UFRGS: afastamentos sumários de professores durante a Ditadura Militar (2023). Bornheim foi um dos 40 docentes da UFRGS atingidos pela repressão, que se utilizou de preconceitos, como a LGBTQIAPN+fobia, para justificar ações repressivas. A pesquisa teve início na graduação em História na UFRGS (2004-2006) e se aprofundou no mestrado na PUCRS (2007-2009), utilizando 42 entrevistas temáticas semiestruturadas com professores, estudantes e familiares, além de documentos repressivos (SNI, DOPS, Forças Armadas), registros do MEC e da UFRGS, publicações e jornais. Embora a pesquisa tenha gerado resultados expressivos, como o suporte a ações reparatórias e a ampliação de investigações sobre o tema no RS, ainda há lacunas na análise da interseção entre fatores políticos e de gênero/sexualidade nas práticas repressivas. Esta comunicação busca contribuir para esse debate “a contrapelo” (Benjamin), explorando as múltiplas violências que Bornheim enfrentou antes, durante e depois da Ditadura. Para tanto, utilizo os conceitos de controle social (Cohen), vigilância (Foucault) e repressão (Aróstegui), considerando que ele foi identificado como “esquerdista” por colegas e órgãos de vigilância. A LGBTQIAPN+fobia é abordada como um conjunto de discriminações e violências baseadas na cisheteronormatividade, que incluem exclusão social e agressões físicas e simbólicas (Bourdieu). Butler (1990) e Rich (1980) ajudam a compreender as bases culturais dessas discriminações, enquanto Louro (2004) e Facchini (2005) analisam como normas de gênero e sexualidade influenciam processos de inclusão/exclusão, inclusive no meio educacional/universitário. Para a construção da memória coletiva sobre Bornheim, recorro a Halbwachs (1990), que destaca a dimensão social da lembrança. A metodologia baseia-se em Rüsen (2010), Le Goff (1999) e Halbwachs (1990), além das reflexões sobre fontes orais de Thompson (1992), Joutard (1998), Alberti (1989) e Vilanova (1998). As entrevistas temáticas semiestruturadas seguiram Lüdke e André (1986), e as fontes foram organizadas em seis grupos: administrativas, repressivas, orais/relatos de memória, legislação e periódicos. Esse estudo deriva de uma pesquisa financiada pela CAPES entre 2007 e 2009.
Palavras-chave: LGBTQIAPN+fobia,repressão,silenciamentos,memória,Ditadura Militar
Oral
Abrir o trabalhoDÉBORA JAMILLY FERREIRA ALVES; JHOSAMMY KAUANY GONÇALVES LIMA
Pensar o direito à cidade, enquanto um direito coletivo e essencial, envolve refletir possibilidades de garantia, para todas e todos pessoas, acesso a bens, serviços e lazer, assegurando a participação ativa das e dos habitantes nos processos de transformação dos espaços urbanos. Isso significa que elementos como moradia digna, lazer, mobilidade, educação, saúde e segurança são condições essenciais e indissociáveis para uma cidadania efetiva. No entanto, grupos vulneráveis - como mulheres, pessoas negras indígenas, e LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Transgêneros, Travestis, Queer, Intersexuais, Assexuais, Pansexuais, entre outras) - enfrentam, em decorrência de uma estrutura social marcada pela desigualdade - maiores dificuldades no acesso democrático à cidade. Essa desigualdade é, muitas vezes, agravada tanto por descasos, no planejamento urbano, com os diferentes níveis de vulnerabilidade, quanto em cenários de mudanças climáticas (que afetam a todos, mas sobretudo grupos com menos condições de acesso à qualidade de vida). Nesse sentido, a análise interseccional de marcadores de gênero, de sexualidade e sociais (como classe, raça e escolaridade), ampliam os desafios no exercício pleno desse direito, uma vez que permite uma reflexão mais profunda sobre os níveis de usufruto real da cidade. Frente ao exposto, o presente trabalho tem como objetivo analisar, em ótica interseccional, problemáticas decorrentes das mudanças climáticas e seus impactos no exercício do direito à cidade, utilizando como estudo de caso o desastre climático ocorrido em 2018, em Bodocó (34.478 hab., IBGE, 2022), no Sertão de Pernambuco. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual a metodologia parte de uma revisão narrativa (que fundamenta a discussão dos conceitos levantados pela problemática) e envolve um estudo de caso: uma enchente ocorrida no citado município, que deixou mais de 800 pessoas desabrigadas. Os procedimentos metodológicos estão agrupados em três etapas: (i) análise das interseccionalidades presentes na problemática sobre as mulheres e desastres climáticos; (ii) diagnóstico das situações de vulnerabilidade socioespacial nos locais atingidos pela enchente em Bodocó - PE; (iii) identificação de estratégias de intervenção e políticas públicas para mitigar as desigualdades de gênero e fortalecer a resiliência comunitária. Com isso, o estudo busca discutir, de forma crítica, como a ausência de políticas públicas urbanas, somada ao avanço das mudanças climáticas, resulta no agravamento das vulnerabilidades sociais enfrentadas pelas mulheres no espaço urbano. Ademais, sob a ótica da interseccionalidade, espera-se ampliar as contribuições para os estudos de gênero e direito à cidade.
Palavras-chave: Direito à Cidade, Mulheres, Mudanças Climáticas, Bodocó (PE), Políticas Públicas Urbanas
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoDIREITO E INTERSECCIONALIDADE: UMA DISCUSSÃO SOBRE O PROTOLOCO PARA JULGAMENTO COM PERSPECTIVA DE GÊNERO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA- CNJ.
FRANCISCA JANIELE FELIPE FEITOSA; Francisco Wagner Sérgio de Oliveira
Este estudo examina a interseccionalidade, uma prática- conceito ( Pocahy, 2011) no Direito, com foco na aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O conceito de interseccionalidade, desenvolvido por Kimberlé Crenshaw na década de 1980, permite compreender como múltiplas formas de opressão como racismo, sexismo, classismo e homofobia se interconectam, gerando experiências singulares de discriminação. No contexto jurídico, essa perspectiva revela como o Direito, apesar de sua aparente neutralidade, pode perpetuar desigualdades ao ignorar a intersecção entre gênero, raça, classe e outras categorias sociais. O objetivo principal desta pesquisa é analisar o Protocolo do CNJ sob a ótica interseccional, investigando seu potencial para promover uma justiça mais equitativa e inclusiva. Busca-se demonstrar como a interseccionalidade pode contribuir para a efetivação do Protocolo, garantindo sua aplicação de forma abrangente e sensível às múltiplas dimensões da discriminação. A pesquisa evidencia a necessidade de avanços na implementação do Protocolo, especialmente diante dos altos índices de violência de gênero no Brasil. A metodologia adotada é bibliográfica e aplicada, com abordagem qualitativa, de caráter explicativo e exploratório. O referencial teórico inclui as contribuições de Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins, Angela Y. Davis, Carla Akotirene, documentos do CNJ, decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) e relatórios da ONU Mulheres. As fontes utilizadas abrangem artigos acadêmicos, normas jurídicas, jurisprudência e documentos institucionais, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a Convenção de Belém do Pará (1994). O método de análise consiste na revisão crítica dessas fontes, com ênfase na identificação de lacunas e desafios na aplicação do Protocolo. Os resultados parciais da pesquisa indicam que, apesar de o Protocolo do CNJ representar um avanço significativo na promoção da igualdade de gênero no sistema jurídico brasileiro, sua implementação enfrenta desafios como a escassez de recursos e a resistência de setores conservadores do Judiciário. Há uma necessidade urgente de capacitação dos operadores do Direito para a correta aplicação do Protocolo, incorporando uma abordagem interseccional que leve em conta não apenas o gênero, mas também raça, classe, orientação sexual e identidade de gênero. A Corte IDH reforça a importância de programas de formação contínua para garantir uma atuação não discriminatória no sistema de justiça. Além disso, a interseccionalidade se estende a diversas áreas do Direito, como direito do trabalho, direito de família e direito previdenciário. No direito de família, questões como divórcio e pensão alimentícia são frequentemente marcadas por disparidades de gênero. No direito penal e previdenciário, decisões judiciais muitas vezes ignoram as interseções entre gênero, raça e classe, reforçando injustiças estruturais. Dessa forma, a aplicação da perspectiva de gênero no Direito é essencial para combater desigualdades e garantir um sistema jurídico mais justo e equitativo. Conclui-se que o Protocolo do CNJ tem potencial para transformar o sistema de justiça brasileiro, mas sua efetividade depende de uma aplicação consistente e interseccional. A capacitação dos profissionais do Direito e a superação de barreiras estruturais são essenciais para garantir uma justiça verdadeiramente inclusiva. Assim, a interseccionalidade, tanto como ferramenta analítica quanto prática, mostra-se fundamental para desconstruir hierarquias sociais e construir um sistema jurídico que promova a equidade e a dignidade de todas as pessoas.
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Abrir o trabalhoGÊNERO, MOBILIDADE URBANA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: INTERSECCIONALIDADES NO COTIDIANO DAS MULHERES DO BAIRRO FREI DAMIÃO, EM JUAZEIRO DO NORTE - CE
JHOSAMMY KAUANY GONÇALVES LIMA ; DÉBORA JAMILLY FERREIRA ALVES
A mobilidade urbana desempenha um papel fundamental no exercício da cidadania, possibilitando a chegada ao trabalho, aos serviços de saúde e de educação e ao lazer. Porém, a qualidade e a disponibilidade desse acesso não são garantidas de maneira igualitária para a população. As pessoas que usufruem do acesso a esses serviços e atividades de maneira inclusiva e segura, possuem autonomia e empoderamento citadino, status que contribui na quebra ou mitigação de ciclos de pobreza, violências e limitação de vivência social. Contudo, se a precariedade da infraestrutura e a ausência de políticas públicas de mobilidade eficazes comprometem qualquer grupo social, isso ocorre, ainda mais, no cotidiano das mulheres, já que são social e costumeiramente atribuídas a elas a maior ou a totalidade das demandas de cuidado doméstico. Soma-se, a essa condição de vulnerabilidade, a cultura de violência associada aos seus corpos, e os eventos climáticos que vêm se agravando cada vez mais rapidamente, muito em consequência dos impactos ambientais gerados pela humanidade. Assim, vê-se uma relação entre mobilidade, mudanças climáticas e gênero, que revela um cenário de agravamento de desigualdades, muitas vezes percebidas no espaço urbano. Nesse contexto, a interseccionalidade se mostra um prisma importante de análise porque contribui para a leitura da interação entre marcadores sociais de raça, gênero, classe e território, de modo a formular um olhar crítico sobre as desigualdades socioespaciais. Buscando um objeto empírico para essa análise, tomou-se por base o bairro Frei Damião, em Juazeiro do Norte -CE, onde os transtornos causados pelas mudanças climáticas somam-se à precariedade da infraestrutura urbana, às dificuldades de acesso ao transporte público e à falta de segurança pública, de modo a comprometer as atividades cotidianas dos moradores, já que cria barreiras para os deslocamentos nos espaços públicos, evidenciar a desigualdade de acesso a serviços essenciais. O objetivo deste estudo é analisar as interseccionalidades presentes nos deslocamentos cotidianos das mulheres nos espaços públicos, evidenciando a relação entre mobilidade urbana e mudanças climáticas, tendo como estudo de caso o bairro Frei Damião, em Juazeiro do Norte – CE. A metodologia se baseia em uma revisão narrativa dos conceitos centrais combinada a um estudo de caso, acionando técnicas de pesquisa como levantamentos, reportagens, entrevistas e questionários. Ditos procedimentos estão divididos em três etapas: (i) construção do embasamento teórico sobre gênero, mobilidade, mudanças climáticas e interseccionalidade (ii) análise dos condicionantes socioespaciais presentes nos deslocamentos cotidianos das moradoras do bairro Frei Damião; (iii) discussão sobre os desafios e as possíveis soluções relacionadas à mobilidade urbana e às mudanças climáticas no cotidiano do bairro. Como resultados, a pesquisa espera, num primeiro plano, evidenciar as demandas das mulheres dessa comunidade, ressaltando a importância de cidades que ofereçam infraestrutura e mobilidade adequadas, oferecendo segurança e acesso de qualidade compatíveis com os diferentes níveis de necessidades. Num segundo plano, pretende-se contribuir para o debate sobre gênero, políticas públicas urbanas e interseccionalidade, almejando um planejamento urbano mais inclusivo e resiliente, também frente às mudanças climáticas.
Palavras-chave: Mobilidade urbana,políticas públicas urbanas,interseccionalidade,mudanças climáticas,Juazeiro do Norte - CE
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoSUBVERTENDO O SILÊNCIO: A ESCUTA PSICANALÍTICA FRENTE AOS EFEITOS DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA O FEMININO NA MULHER
CIMARA BANDEIRA DE SOUSA CALDAS
Ancorado na ética psicanalítica, este estudo investiga a violência contra o feminino na mulher por meio da escuta clínica de mulheres encaminhadas pelo Núcleo Especializado na Defesa da Mulher (NUDEM) de Fortaleza. Desenvolvido pelo Laboratório de Estudos sobre Psicanálise, Cultura e Subjetividade (LAEpCUS/UNIFOR) em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCe), o estudo enfatiza a necessidade de intervenções que abordem o sofrimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A pesquisa problematiza os discursos e processos de subjetivação que reiteram a violência de gênero, compreendendo-a como um fenômeno estrutural que atravessa relações individuais, familiares e sociais. A intervenção, conduzida na modalidade de urgência subjetiva e voltada para sujeitos em estado de angústia iminente, transcende o acolhimento inicial, buscando identificar os núcleos centrais do sofrimento. Seu propósito é possibilitar que essas mulheres, a seu modo, reorganizem seu tecido subjetivo, restaurando, ainda que parcialmente, a capacidade de enfrentar a dor psíquica resultante da violência. Dessa forma, a investigação analisa como a violência se perpetua nas subjetividades femininas, explorando as interações entre dimensões culturais, políticas e interseccionais que sustentam a misoginia e a exclusão do feminino. A metodologia envolve a escuta clínica e a análise psicanalítica dos relatos, articulando os registros jurídico, cultural, político e de gênero sob uma abordagem borromeana. Os resultados evidenciam a psicanálise como um campo essencial para a escuta ética e a produção de conhecimento sobre os efeitos psíquicos e sociais da violência, contribuindo para o debate acadêmico e a articulação com políticas públicas.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: História de Gênero , mídias digitais, Instagram, feminilidades, construção de narrativas, História das Mulheres
Oral
Abrir o trabalhoA Evolução dos Direitos LGBTQIAPN+ no Brasil: Conquistas Jurídicas e Desafios na Efetivação dos Direitos Fundamentais.
FRANCISCO WAGNER SERGIO DE OLIVEIRA; Francisca Janiele Felipe Feitosa
RESUMO O movimento LGBTQIAPN+ no Brasil, embora tenha ganhado força após a Revolta de Stonewall em 1969, nos Estados Unidos começou a se organizar de forma mais estruturada em 1978, com a criação do Somos: Grupo de Afirmação Homossexual em São Paulo. No mesmo ano, surgiu o jornal Lampião da Esquina, no Rio de Janeiro, uma das primeiras publicações voltadas para a comunidade LGBTQIAPN+, que denunciava violências e buscava visibilidade durante a ditadura militar. O movimento se expandiu gradualmente, dando origem a outras publicações, como o Xana com Xana, voltado para mulheres lésbicas, e à realização de protestos, como o ocorrido nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo em 1980. Nesse mesmo ano, foi fundado o Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga associação de defesa dos direitos LGBTQIAPN+ ainda em atividade no país. O objetivo desta pesquisa é analisar a evolução dos direitos LGBTQIAPN+ no Brasil, destacando conquistas legais e desafios persistentes, como a violência e a discriminação, que exigem ações concretas para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. A metodologia utilizada para esta análise baseia-se em revisão histórica e levantamento de dados estatísticos, com foco em marcos legais e sociais que impactaram a comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil. As principais fontes utilizadas incluem legislações nacionais, decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF), relatórios de organizações da sociedade civil, como o Grupo Gay da Bahia (GGB) e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), além de publicações acadêmicas sobre direitos humanos, cidadania e interseccionalidade. A pesquisa encontra-se na fase de análise dos dados coletados, e os resultados parciais indicam avanços significativos ao longo das últimas décadas, como o reconhecimento da união estável homoafetiva pelo STF em 2011, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2013 e a garantia do direito à retificação de nome e gênero sem necessidade de cirurgia em 2018. Além disso, em 2019, o STF equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo e, em 2020, foi derrubada a restrição à doação de sangue por homens gays. Desde 2008, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cirurgias de redesignação sexual, e, em 2025, o STF ampliou as medidas protetivas da Lei Maria da Penha para casais homoafetivos masculinos e mulheres trans. Apesar dessas conquistas, os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIAPN+ ainda são alarmantes. Dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) mostram que, em 2024, foram registradas 291 mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+, um aumento de 8,83% em relação a 2023, com uma morte a cada 30 horas. Mulheres trans e travestis negras são as mais afetadas, evidenciando a interseção entre gênero, raça e classe. A região Nordeste lidera os assassinatos de pessoas trans (38% dos casos), seguida pelo Sudeste (33%), com São Paulo, Minas Gerais e Ceará registrando os maiores números. Além disso, o Disque 100 recebeu 5.741 denúncias de violência contra pessoas LGBTQIAPN+ até setembro de 2024, próximo ao total de 6.070 registradas em 2023. A subnotificação de casos, devido à ausência de estatísticas governamentais detalhadas, dificulta a compreensão plena da dimensão do problema. Outro fator relevante é a ascensão da extrema-direita no Brasil, que tem impactado negativamente os direitos LGBTQIAPN+. Discursos estigmatizantes e propostas legislativas restritivas ameaçam conquistas históricas, como tentativas de limitar o acesso a tratamentos de transição de gênero e a realização de eventos culturais LGBTQIAPN+. Diante desse cenário, esta pesquisa busca contribuir para o debate sobre direitos humanos e cidadania, ressaltando a importância de políticas públicas inclusivas, ações afirmativas e o fortalecimento dos movimentos sociais para garantir a equidade e a dignidade da população LGBTQIAPN+.
Oral
Abrir o trabalhoA MARCHA TRANS DO CARIRI E AS TERRITORIALIDADES LGBTQIAPN+: PRÁTICAS DE (RE)EXISTÊNCIA NO CARIRI CEARENSE
ANA VERONICA BARBOSA ISIDORIO
A construção de territorialidades LGBTQIAPN+ em contextos periféricos envolve uma complexa articulação entre identidades dissidentes, disputas por visibilidade e enfrentamento das violências estruturais. Além do mais, aponta existências diversas atravessadas pelas relações não só de gênero e sexualidade, mas também racial e de classe, provocando a construção de um debate interseccional a respeito das sujeitas(os) que habitam esses lugares. No interior do Ceará, a Marcha Trans do Cariri, realizada nas cidades do Crato (2024) e Juazeiro do Norte (2025), emerge como um potente exemplo de como as pessoas LGBT+ reconfiguram os espaços urbanos por meio da ação coletiva. A partir de uma abordagem inspirada em Alex Ratts (2006), compreende-se o território não apenas como porção física, mas como construção relacional, afetiva e política. Este texto busca analisar o impacto da marcha como um processo de (re)territorialização e de formação política no sertão nordestino, evidenciando seus desdobramentos para a organização da população trans e travesti da região. Essa pesquisa parte da observação participante de uma mulher negra, professora, sapatão e protagonista nos movimentos sociais da região, e nasce como o propósito de juntar elementos concretos da articulação LGBT+ da região do Cariri, como forma de potencializar a luta por políticas públicas mais eficientes para essa população, em especial a política de educação e saúde. Portanto, trata-se de um trabalho que também afeta efetivamente a existência da pesquisadora. A ocupação das ruas por corpos e vozes dissidentes tensiona a normatividade espacial e revela o caráter performativo do território, tal como discutido por autores da geografia crítica (HAESBAERT, 2007). A Marcha Trans do Cariri desloca o debate sobre diversidade de gênero e sexualidade para além dos grandes centros urbanos, inscrevendo-o no cotidiano de cidades marcadas por fortes tradições religiosas e valores conservadores. Ao pautar demandas como cotas acadêmicas para pessoas trans, criação de ambulatórios especializados e empenho para política de empregabilidade digna específicas na região, o evento revela a potência das territorialidades insurgentes, aquelas que emergem da luta coletiva por direitos e reconhecimento. Para além do ativismo, a marcha constitui-se como espaço pedagógico, onde se produzem saberes e se constroem novas subjetividades políticas. Inspiradas pela noção de educação como prática da liberdade (FREIRE, 1996), essas ações ampliam a consciência crítica e fortalecem redes de solidariedade. Como destaca Amara Moira (2020), ser trans em espaços historicamente excludentes é um ato constante de (re)existência. Nesse sentido, a marcha não apenas denuncia as ausências do Estado, mas propõe outras formas de habitar e (re)significar o território. A relação com a escola pública também se destaca, pois pessoas trans e travestis que participam da marcha relatam a escola como um dos primeiros espaços de exclusão e violência. Contudo, a presença dessas vozes nas ruas e nos debates políticos aponta para a urgência de repensar as práticas educativas. Incorporar a luta por reconhecimento de gênero e sexualidade no currículo escolar significa ampliar a noção de cidadania e consolidar a escola como território plural. A Marcha Trans do Cariri ressignifica o espaço urbano do interior cearense como território de luta, resistência e afirmação de existências dissidentes. Seu impacto vai além da manifestação pontual: transforma subjetividades, fortalece redes de apoio e tensiona as fronteiras entre centro e periferia, cidade e sertão, norma e dissidência. A partir das lentes da geografia crítica e das teorias interseccionais e decoloniais, compreende-se que tais práticas constituem formas legítimas e fundamentais de produção de território e de transformação social. Inserir essas experiências nos debates acadêmicos e escolares é reconhecer que os corpos LGBT+ não apenas resistem, mas reinventam os modos de viver e educar.
Oral
Abrir o trabalhoANÁLISE DO ACESSO À JUSTIÇA: O DIREITO DE ALTERAÇÃO NO REGISTRO CIVIL DE TRANSGÊNEROS
EMANOEL OLIVAL PEREIRA MARTINS; Luana Carla Bezerra de Brito
O presente trabalho teve como objetivo realizar uma análise do acesso à justiça no referencial das retificações de nome realizadas por pessoas transgênero. As análises qualitativas foram feitas a partir de pesquisa bibliográfica e documental, considerando-se a lei de registros públicos, do provimento número 73/2018 do CNJ e da lei federal número 14.382/22. Os resultados analisados apresentam uma evolução bastante significativa no que tange a acessibilidade e facilidade da retificação de nomes, que transitou de um direito de ação burocrático e elitizado para uma alteração simplificada que pode ser realizada diretamente em cartórios e sem necessidade de judicialização, mas que ainda não possui os meios de acesso disponíveis devido ao conservadorismo ideológico presente tanto nas autoridades legislativas e administrativas quanto na estrutura social, que resiste em aceitar o processo de transição e identificação de pessoas transgênero. Através dessa pesquisa, nota-se que o indivíduo transgênero, apesar de possuir direitos assegurados pela legislação vigente, ainda não possui meios de efetivação e se encontra em uma sociedade conservadora, inclusive no âmbito normativo.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE LUTA E SILÊNCIO: REFLEXÕES SOBRE AS PUBLICAÇÕES DO IMOPEC NO CEARÁ
ANA CRISTINA DE SALES; MARIA ARLEILMA FERREIRA DE SOUSA
O presente estudo tem como objetivo compreender como as relações de gênero no Ceará foram problematizadas e difundidas pelo Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC). A instituição, uma Organização Não Governamental (ONG) fundada em 1988 na cidade de Fortaleza/CE, desenvolveu, desde sua fundação, iniciativas voltadas à formação de públicos no que diz respeito aos problemas sociais do Ceará, promovendo pesquisas acadêmicas, cursos de formação e elaboração de materiais educativos. Para ampliar sua atuação e consolidar seu papel como uma voz denunciante, o Instituto produziu e difundiu materiais escritos, dentre eles, o Boletim Raízes, que se configura como fonte documental deste estudo. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na análise documental dessa publicação, buscando identificar a abordagem conferida às questões de gênero. Foram examinadas 64 edições do Boletim Raízes, publicadas durante os anos de 1992 a 2015, com o objetivo de verificar a presença e a recorrência da temática de gênero no discurso institucional do IMOPEC. Para sustentar a análise, utiliza-se como referencial teórico as reflexões de Joan Scott (1995) na perspectiva de gênero como categoria de análise histórica, aplicadas ao contexto brasileiro por autoras como Carla Bassanezi Pinsky (2019) e Guacira Louro (1997). Os resultados parciais indicam que a ONG participou ativamente de diferentes lutas sociais, incluindo o combate à desigualdade de gênero, com ênfase nas experiências cotidianas e nas formas de atuação das mulheres. No entanto, a análise documental demonstra que, ao longo das 64 edições do Boletim Raízes, apenas uma edição foi dedicada integralmente à questão. Tal fato evidencia que a discussão sobre gênero não estava entre as prioridades do IMOPEC ou que houve um silenciamento da temática dentro da sua produção editorial, reforçando os desafios a respeito da invisibilidade das questões de gênero em espaços institucionais (Saffioti (2004). O boletim de número 45, intitulado “Pela Igualdade de Gênero”, constitui um documento importante para compreender o posicionamento do IMOPEC em relação a temática no Ceará, bem como seu horizonte político e propostas alternativas para o enfrentamento dos problemas sociais a elas relacionados. Dentre as discussões presentes nesse boletim, destacam-se “A desigualdade de gênero no Ceará” e a “Memória de inclusão da mulher”, que evidenciam os desafios enfrentados pelas mulheres no contexto social e político cearense e a necessidade de maior engajamento institucional na promoção da equidade de gênero. Assim, os achados da pesquisa indicam que, apesar da atuação do IMOPEC em diversas lutas sociais, a temática de gênero teve espaço limitado em sua produção editorial, o que reforça a necessidade de um olhar crítico acerca da construção e difusão de discursos institucionais, bem como, dos desafios enfrentados para a incorporação da pauta de gênero em organizações da sociedade civil.
Palavras-chave: IMOPEC,BOLETIM RAÍZES,RELAÇÕES DE GÊNERO
Oral
Abrir o trabalhoMANUAL DE SOBREVIVÊNCIA: COMO A JUVENTUDE LGBTQIA+ BRASILEIRA SE MANTEVE DIANTE DA COVID-19
PAULO DE TARSO XAVIER SOUSA JUNIOR; Liana Maria Ibiapina do Monte
Este trabalho possui como objetivo geral discutir sobre como a juventude LGBTQIA+ brasileira vivenciou o período ocasionado pela pandemia da Covid-19. Além do mais, o trabalho emerge em como esses jovens não apenas sobrevivem, mas se articulam diante de um cenário pós-pandêmico. Para isto, este escrito se configura como uma revisão de literatura de caráter integrativo. Foram realizadas buscas nas seguintes bibliotecas virtuais: Scielo, Google Acadêmico, BVS Brasil, Lilacs e Pepsic. Participaram desta investigação trabalhos em língua portuguesa com publicação a partir do ano de 2020. Os resultados apontaram para uma ausência do poder público frente a esses jovens, uma vez que medidas protetivas em relação ao vírus ocasionava em problemas de sobrevivência em espaços propícios a lgbtfobia e relações abusivas. Conclui-se a necessidade de olhar político e de proteção a esses jovens, como alternativa não apenas da manutenção da sua sobrevivência como de oportunizar novas experiências a eles.
Palavras-chave: discriminação,exclusão,coletividade
Oral
Abrir o trabalhoMULHERES(IN)VISÍVEIS? A CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES DE LÉSBICAS DO CARIRI CERENSE DO SÉCULO XXI .
ANA ELISA PEREIRA DA COSTA; N/I
Essa pesquisa histórica busca compreender a construção de identidades de mulheres lésbicas negras que atuaram e/ou continuam atuando nos movimentos sociais feministas da região do Cariri cearense do século XXI. Imersa no campo da história das mulheres e pensada numa perspectiva feminista, ela conecta lesbianidade e feminismo, dando destaque às experiências de vida de mulheres negras feministas lésbicas caririenses e/ou residentes na região. Nesse direcionamento, a problemática questiona como algumas mulheres lésbicas construíram suas identidades e se posicionaram na cena pública, considerando as trajetórias de vidas e suas inserções nos movimentos sociais do Cariri Cearense do século XXI? O estudo dialoga com as categorias gênero, interseccionalidade e memória, tomando como referências os escritos de Angela Davis, Djamila Ribeiro, Sueli Carrneiro, Bell Hooks, Marta Rovai, Joan Scott, Patricia Hill Collins e Sirma Bilge . O trabalho vem sendo desenvolvido a partir da metodologia da história oral, mediante a história oral de vida. Além das entrevistas orais, usadas aqui com fontes principais, o projeto também utiliza um caderno de campo e publicações impressas e virtuais relacionadas aos movimentos sociais do Cariri.
Palavras-chave: lesbianidade,identidade,memória,raça
Oral
Abrir o trabalhoPRÁXIS FEMINISTA E OLÍMPIADAS: ANUNCIANDO AVANÇOS PARA ATLETAS DE VÔLEI DE PRAIA EM PARIS 2024
HELOÍSA OLIVEIRA ALMEIDA; Brunno Henrique de Oliveira
O nosso estudo se debruçou sobre o seguinte problema investigativo: De que forma as práxis feministas pode produzir narrativas não-estereotipadas, igualitárias e justas para as atletas do vôlei de praia nas olimpíadas de Paris 2024 diante da instituição olímpica? Traçamos como objetivo central: Investigar se e de que forma o movimento feminista pode forjar novas narrativas positivas para as atletas de vôlei de praia na olímpiadas de Paris, 2024 correlacionando ao surgimento das diretrizes do Comitê Olímpico Internacional para igualdade de gênero no desporto olímpico. O referencial teórico adotado se ancoram nos estudos feministas (Louro, 1997; Altmann, 2015) e crítico .Os aspectos metodológicos envolvem análise de conteúdo (Bardin, 2011) e análise dos recursos de audiovisual (Rose, 2015), da transmissão esportiva do jogo de vôlei de praia Os dados levantados para a analisar referem-se a documentos técnicos, produções acadêmicas e transmissão esportiva. Como resultados foi possível identificar a melhoria das narrativas e discussões propaladas pelos veículos de comunicação ao fazer a cobertura esportiva no caso do vôlei de praia nas Olimpíadas Paris, 2024, auxilio pelas normativa das diretrizes tendo como protagonista o movimento feminista no cenário esportivo. As conquistas das mulheres tendem a ser perenes e frágeis, precisamos ficar atentos recorrentes com foco no controle das mulheres, e isto, também no cenário olímpico.
Palavras-chave: Feminismo, Práxis, Olímpiadas, Diretrizes, Narrativas
Oral
Abrir o trabalhoAs vivências de mulheres trans e travestis no Instituto Federal do Ceará- Campus Cedro/Ce
WÂNNIA KELLY DOS RAMOS DUARTE SANTANA
O presente estudo investiga as vivências de mulheres trans e travestis no Instituto Federal do Ceará-Campus Cedro/Ce. Foi desenvolvida com objetivo de conhecer as vivências de mulheres trans e travestis, tendo em vista que esse questionamento nos permite a reflexão sobre os desafios das mulheres transexuais e travestis. Teve como objetivos específicos: debater sobre o acesso, permanência e perspectiva de mulheres trans e travestis nos ambientes escolares; identificar as histórias orais de vidas sobre as vivências escolares das discentes transexuais e travestis; elaborar um curso de formação de professores a respeito de eixos temáticos como gênero, interseccionalidade e sexualidade. Realizou-se uma pesquisa de base qualitativa, com o método da história oral e com a estratégia de realização das entrevistas semiestruturadas que estão sendo gravadas por áudios com a permissão das alunas, campus. Diante disso, verificou-se que a compreensão dos desafios das mulheres trans e travestis no IFCE, a falta de abordagem dos temas nas escolas sobre as questões da transexualidade e o empoderamento ou a construção de identidades . Conclui-se, com a iniciativa da elaboração do curso de formação para os professores, com intuito de colaborar com aumento de representações de mulheres trans e travestis nos espaços escolares.
Oral
Abrir o trabalhoCASA DA DIVERSIDADE CRISTIANE LIMA: PRÁTICAS EDUCATIVAS E CONSTRUÇÃO DE SABERES E IDENTIDADES EM JUAZEIRO DO NORTE-CE
ERINALDO GUALBERTO DA SILVA
: Este trabalho apresenta reflexões sobre as práticas educativas da Casa da Diversidade Cristiane Lima, localizada na cidade de Juazeiro do Norte, região do Cariri, sul do estado do Ceará, no Nordeste brasileiro. A Casa da Diversidade é um espaço de socialização, formação, profissionalização e acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+, que em muitas situações são colocadas numa condição de vulnerabilidade, precariedade e de negação de seus direitos fundamentais, seja na família, na escola, no mercado de trabalho e em outras instituições sociais. Como objetivo geral, o estudo pretende compreender as dinâmicas das práticas educativas desenvolvidas na Casa e partir dela. A pesquisa dialoga com autores(as) como Thiffany Odara (2020), Paulo Freire (1996), Vera Candau (2003), na tentativa de responder à questão: Como as práticas educativas da Casa da Diversidade contribuem para a construção de identidades LGBTQIAPN+, numa perspectiva de uma educação libertadora? Tendo como procedimento metodológico a História Oral, a pesquisa realizou entrevistas orais com os fundadores e dirigentes da referida Casa, bem como com as mulheres trans e travestis atendidas. Além disso, usou documentos oficiais como fontes para a análise do contexto. Como resultados, o estudo aponta a Casa da Diversidade como um espaço importante na construção de uma educação não formal voltada para liberdade de ser, pensar, existir e fazer-se no mundo, a partir de ações como rodas de conversa, oficinas, cursos profissionalizantes, grupos de convivências, palestras entre outros.
Oral
Abrir o trabalhoCOLETIVA MARIA PIAUÍ: MOBILIZAÇÃO DAS MEMÓRIAS E CULTURAS INDÍGENAS NA SERRA DO CATOLÉ
MARIA FERNANDA SOUSA DE OLIVEIRA; Francisco Hugo Nunes Alves
Neste estudo buscamos compreender o processo de criação e atuação da Coletiva Maria Piauí, fundada por um grupo de indígenas Kariri na Serra do Catolé. Tendo como referência a trajetória de vida de Maria Piauí, uma criança que teve sua aldeia destruída na Chapada do Araripe e que migrou para Serra do Catolé, a coletiva realiza diversas ações como o Cineclube Catolé, o curso de formação em audiovisual indígena Caboclinha da Jurema, além de eventos e intercâmbios com outros povos. Ações que compõem um movimento de levante e afirmação indígena com base nas memórias, práticas culturais e pertencimento territorial envolvendo as comunidades do Horto, Vila Planalto, Sítios Catolé, Popôs, Campina e Leite, em Juazeiro do Norte, bem como o Sítio Serraria, em Crato, ambas localizadas na referida serra. Diante deste contexto, buscamos compreender como as atividades artístico-culturais vem contribuindo com o movimento de organização comunitária, circulação das memórias e práticas culturais com o intuito de fortalecer a identidade indígenas das referidas comunidades. Com este trabalho, esperamos poder contribuir com a compreensão e contextualização do movimento que ora abordamos, valorizando as existências e lutas indígenas que vêm sendo protagonizadas.
Palavras-chave: Arte e cultura indígena, Serra do Catolé,movimento indígena,povo Kariri
Oral · Pôster/Banner
Abrir o trabalhoCULTIVANDO GÊNERO: NAS AULAS EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
CLAYSON NICALLE CAVALCANTE DA SILVA ; Acsa Sousa Viana e Verônica Souza Santana
Este estudo trata da temática de educação física escolar, gênero e a formação de professores delineada a fim de responder ao seguinte problema de pesquisa: Qual o papel da educação física na promoção da equidade de gênero no ambiente escolar? Temos como objetivo geral: Investigar como as práticas pedagógicas em educação física podem, por vezes, reforçar estereótipos e/ou, ao mesmo tempo, propor estratégias que tornem a disciplina mais inclusiva. A pesquisa é do tipo qualitativa, classificada como de revisão de literatura (Minayo,1994). A analise metodológica foi orientado por método de análise de conteúdo com pressupostos críticos (Bardin, 1998). O trabalho foi analisado com base em autores com viés crítico. Foi concluído que a educação física reflete um problema estrutural persistente na escola, que é a perpetuação de práticas excludentes de gênero, institucionalizadas a partir de uma concepção binaria de gênero. Os resultados apontam também que a educação física pode ser capaz de promover estratégias positivas desde que haja formação dos professores para a temática de gênero na escola.
Palavras-chave: educação física ,Esteriótipos de gênero ,inclusão,Formação ,escola
Oral
Abrir o trabalhoENTRE SABERES E SILENCIAMENTOS: A VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA PROFESSORES/AS DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANOS FINAIS
IRLANA MARIA HOLANDA GONÇALVES; Érica de Souza Teles
O presente trabalho visa discutir as possíveis causas da violência de gênero nas escolas públicas, sofrida por professores e professoras vinculados a um programa de pós-graduação em história em uma universidade pública no estado do Ceará. No Brasil, atualmente observa-se um crescimento alarmante da violência contra educadores nas instituições de ensino público, afetando o magistério, causando traumas e interferindo diretamente no desenvolvimento desses profissionais. Para investigar essa problemática, utilizaremos uma abordagem quantitativa, por meio da aplicação de um formulário disponibilizado via Google Forms, com foco na coleta de dados e relatos de professores (as) do programa de pós-graduação que lecionam nos anos finais e que já sofreram algum tipo de violência no ambiente escolar nas aulas de História. O referencial teórico-metodológico será composto por Saffioti (2015), que trata da violência de gênero, e pela análise do discurso de Foucault (2008), utilizada para compreender as narrativas descritas nos questionários sobre as experiências em sala de aula. Nessa perspectiva, percebe-se que a violência contra os (as) educadores (as) tem se tornado cada vez mais frequente e, muitas vezes, não há punição para os (as) agressores (as), o que impacta a permanência de professores (as) de História na docência e desestimula a entrada de novos (as) profissionais nas licenciaturas.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE SABERES E SILENCIAMENTOS: A VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA PROFESSORES/AS DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANOS FINAIS
ERICA DE SOUZA TELES; Irlana Maria Holanda Gonçalves
O presente trabalho visa discutir as possíveis causas da violência de gênero nas escolas públicas, sofrida por professores e professoras vinculados a um programa de pós-graduação em história em uma universidade pública no estado do Ceará. No Brasil, atualmente observa-se um crescimento alarmante da violência contra educadores nas instituições de ensino público, afetando o magistério, causando traumas e interferindo diretamente no desenvolvimento desses profissionais. Para investigar essa problemática, utilizaremos uma abordagem quantitativa, por meio da aplicação de um formulário disponibilizado via Google Forms, com foco na coleta de dados e relatos de professores (as) do programa de pós-graduação que lecionam nos anos finais e que já sofreram algum tipo de violência no ambiente escolar nas aulas de História. O referencial teórico-metodológico será composto por Saffioti (2015), que trata da violência de gênero, e pela análise do discurso de Foucault (2008), utilizada para compreender as narrativas descritas nos questionários sobre as experiências em sala de aula. Nessa perspectiva, percebe-se que a violência contra os (as) educadores (as) tem se tornado cada vez mais frequente e, muitas vezes, não há punição para os (as) agressores (as), o que impacta a permanência de professores (as) de História na docência e desestimula a entrada de novos (as) profissionais nas licenciaturas.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) NO SÉCULO XXI: DESAFIOS PARA UMA PEDAGOGIA DA RESISTÊNCIA
MARIA ARLEILMA FERREIRA DE SOUSA; ANA CRISTINA DE SALES
O presente estudo tem como objetivo problematizar a formação de professores(as) no século XXI, considerando os desafios impostos por modelos de ensino conservadores. De natureza qualitativa, a pesquisa fundamenta-se em uma revisão bibliográfica, buscando compreender as implicações desse modelo no processo de formação docente, tanto inicial quanto continuada. Para discutir essa problemática, adota-se como referencial teórico autores como Arroyo (2014), que enfatiza a necessidade de “Outras Pedagogias” para a formação de sujeitos diversos no contexto contemporâneo. De forma complementar, Imbernón (2024) ressalta a importância de uma formação docente que fomente o protagonismo dos professores ao longo de sua trajetória formativa e em suas práticas pedagógicas. A pesquisa evidencia que as práticas de ensino e de formação ainda se encontram atreladas a perspectivas conservadoras e a políticas ultraconservadoras e reacionárias, o que impõe desafios à construção de um modelo educacional progressista. Nesse sentido, se faz importante fortalecer práticas pedagógicas alinhadas a uma visão democrática da educação, contribuindo para a superação de paradigmas meritocráticos, excludentes, sexistas e homofóbicos. Assim, reforça-se a necessidade da adoção de uma pedagogia da resistência (Gadotti et al., 2008), que valorize o docente como agente central de seu processo formativo e promova práticas pedagógicas que estimulem tanto seu desenvolvimento profissional quanto sua emancipação.
Palavras-chave: Formação de Professores\as,Prática docente,Ensino Conservador,Ensino Progressista
Oral
Abrir o trabalhoFUTEBOL E MULHER: AS QUESTÕES DE GÊNERO NA PRÁTICA DISCURSIVA DE ACADÊMICOS DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
MIRIA VENTURA TEXEIRA; Marcelo Alencar Leite
O estudo aborda a relação entre futebol e mulheres, destacando as questões de gênero na prática discursiva de acadêmicos do curso de Licenciatura em Educação Física (EF) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Juazeiro do Norte. O futebol, considerado a paixão nacional brasileira, é um esporte que agrega diferentes valores e significados culturais e sociais. No entanto, a prática do futebol por mulheres tem sido historicamente marcada por desvalorizações e preconceitos, devido à visão patriarcal que define o esporte como masculinizado. Objetivo geral: Compreender a percepção dos acadêmicos do curso de Licenciatura em EF sobre as práticas pedagógicas de professoras de EF e a prática de futebol por mulheres. A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa, de tipo descritivo e do estudo de campo. Foi aplicado um questionário estruturado, contendo cinco perguntas subjetivas. Para a participação, os acadêmicos deveriam atender ao critério de inclusão: matricula ativa no oitavo semestre e critérios de exclusão: matrícula inativa, acadêmicos que não assinaram ao TCLE e/ou não responderam ao questionário. Após o contato com o coordenador do curso foi deliberada a autorização para a realização da pesquisa, essa permissão se deu através da assinatura do Termo de Informação a Instituição. Com os dados disponibilizados pela coordenação do curso, verificamos um total de 27 acadêmicos matriculados, sendo que no decorrer do semestre ocorreram 4 desistências, ficando 23 ativos, desses 22 assinaram o TCLE e 20 responderam ao questionário. As respostas foram coletadas via áudio pelo aplicativo WhatsApp, transcritas e analisadas. Os resultados da pesquisa foram organizados em categorias: 1. Futebol Feminino e Como a Sociedade Enxerga a Mulher Praticante - Os acadêmicos percebem que o futebol feminino está em evolução, mas ainda enfrenta preconceitos e discriminações. A mídia esportiva pouco divulga o futebol feminino, e quando o faz, é de forma periférica. As mulheres enfrentam desigualdades salariais, falta de reconhecimento e estrutura profissional. 2. Preconceitos e Atitudes de Discriminação com Mulheres que Jogam Futebol - As mulheres que praticam futebol são frequentemente vistas como masculinizadas e enfrentam preconceitos relacionados à sua sexualidade. A discriminação inclui falta de visibilidade, apoio e investimentos. 3. Professora que Ministra Aula de Futebol / Preconceitos - As professoras enfrentam preconceitos sobre sua capacidade de ensinar futebol. A sociedade e os alunos muitas vezes acreditam que as professoras não têm o mesmo conhecimento e experiência que os professores homens. Importância - A presença de professoras ministrando aulas de futebol é fundamental para quebrar paradigmas e proporcionar inclusão. 4. Participação das Alunas Quando o Conteúdo Ministrado é Sobre Futebol - A participação das alunas em aulas de futebol é baixa devido a preconceitos e discriminações que elas enfrentam desde a infância. As alunas muitas vezes se sentem inibidas e ridicularizadas, preferindo se ausentar das aulas. 5. O Incentivo e a Prática do Esporte Podem Diminuir Preconceitos no Futebol Feminino? - Os acadêmicos acreditam que o incentivo e a prática do esporte podem diminuir preconceitos no futebol feminino. O professor/a de EF tem um papel crucial na mediação e incentivo à prática esportiva conjunta e integrada, sem separações, preconceitos e atitudes discriminatórias. A mulher no futebol enfrenta muitas barreiras, mas a prática esportiva, quando incentivada e administrada de forma educacional, pode proporcionar benefícios significativos e ajudar a alcançar uma sociedade mais igualitária. O futebol feminino, apesar de ainda sofrer com desvalorização, está em evolução. É fundamental que toda a sociedade tenha consciência da grandeza do futebol feminino e que a prática seja realizada por todas as pessoas, sem distinções de gênero, preconceitos ou discriminações.
Oral
Abrir o trabalhoGÊNERO E SEXUALIDADE: UMA ANÁLISE A PARTIR DA LICENCIATURA EM GEOGRAFIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE), FORTALEZA (CE)
DANISLÉO LIMA ALVES; BÊLLYZ VICTÓRIA TEIXEIRA FONTES
A identidade de gênero e a orientação sexual são fatores que influenciam as vivências dos sujeitos e marcam suas espacialidades e territorialidades nos mais variados contextos e espaços, dentre estes a escola. Tendo isso em vista, é importante que a Educação Básica e, portanto, a Formação de Professores (as) abordem questões de gênero e sexualidade. A realidade brasileira é marcada por uma herança colonial, patriarcal e machista, em que se enxerga a cisgeneridade e a heterosexualidade como padrão. Nesse contexto, pessoas que não se identificam com esse padrão são consideradas “abjetas” (Butler, 2022), o que influencia em como são vistas e tratadas nos espaços. Diante disso, este trabalho tem por objetivo analisar os temas de gênero e sexualidade no Curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, Campus Itaperi, Fortaleza, estado do Ceará, considerando o ensino, a pesquisa e a extensão, logo que compreendemos que é importante que os Cursos de Formação de Professores (as) de Geografia atentem para as questões de gênero e sexualidade, para que o (a) professor (a) de Geografia possa desenvolver um olhar geográfico a partir das dissidências sexuais e de gênero, considerando que o conhecimento não deve partir de um “sujeito universal”, , já que consideramos a pluralidade e, assim, os espaços geográficos (sociais, por natureza) precisam também serem estudados a partir dessa dimensão.. O trabalho faz parte da dissertação de mestrado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PROPGEO) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que trata da abordagem de gênero e sexualidade na formação de professores (as) de Geografia da Universidade Estadual do Ceará (UECE). O trabalho também parte de questões da pesquisa de Iniciação Científica em desenvolvimento, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que trata sobre mulheres mães na Licenciatura em Geografia da UECE. Para o desenvolvimento do estudo, foi realizado levantamento bibliográfico, com os seguintes referenciais teóricos: Butler (2023), Hooks (2013), Louro (1997), Silva (2009; 2010; 2023), Silva e Ornat (2010), Mendes (2012), Moreira e Tonini (2023). Também foram realizadas buscas de documentos em sites oficiais da UECE para a análise do ensino na Licenciatura em Geografia da UECE, tendo como base o Projeto Pedagógico de Curso (PPC) da Licenciatura em Geografia da UECE, em vigência no ano de 2024. Através da análise foi observado, a partir do PPC, que o curso de Licenciatura em Geografia da UECE apresenta as seguintes iniciativas previstas no currículo: disciplina optativa de “Geografia e Gênero”, alusão da Lei Federal nº 14.164, de 10 de junho de 2021, que insere a prevenção da violência contra as mulheres na Educação Básica, e cita gênero nas disciplinas obrigatórias de “Geografia Agrária”, “Oficina em Geografia II” e a optativa de “Espaço e Cidadania”. Até o final do mês de abril serão concluídas as últimas análises, contribuindo com um breve panorama sobre as contribuições do curso de Geografia da UECE para o desenvolvimento das questões de gênero e sexualidade, considerando o ensino, pesquisa e extensão, na formação dos (as) professores (as) de Geografia desta instituição. Dessa forma, percebe-se que o curso apresenta iniciativas para a abordagem do tema de gênero, mas pouco aborda sobre sexualidade. Vale destacar que o Projeto Pedagógico de Curso é um documento importante pois é um documento curricular a ser seguido, mas isso não garante a efetivação de todas as propostas. Sendo assim, no momento em que o PPC não propõe discussão de gênero e sexualidade, é importante que os (as) professores (as) das disciplinas incluam em seus conteúdos programáticos da disciplina, desde a sua metodologia, aos referenciais teóricos utilizados, a perspectiva de gênero, raça, etnia e classe social, inclusive na seleção dos (as) teóricos (as) e suas representatividades, para que assim sigamos na construção de uma forma
Oral
Abrir o trabalhoGÊNERO PRA QUE TE QUERO? ESTUDOS DE GÊNERO E SEXUALIDADE EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM BREJO SANTO-CE
JOSE FABRICIO LAURINO DOS SANTOS
A educação em sexualidades e diversidade de gênero tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa, ajudando a desconstruir estereótipos, reduzir desigualdades e combater exclusões. No ambiente escolar, essa abordagem contribui para a formação de indivíduos mais críticos e preparados para conviver em uma sociedade diversa. Uma escola estadual de educação técnica profissional localizada na cidade de Brejo Santo-CE configura-se como um espaço oportuno, oferece um contexto favorável para a inclusão dos estudos de gênero e sexualidades, considerando sua estrutura pedagógica e sua proposta educacional. Este trabalho tem como objetivo analisar a inserção dos estudos de gênero e sexualidade na EEEP Balbina Viana Arrais e seus impactos na formação cidadã dos estudantes. A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica. Ela utilizou as categorias gênero, sexualidade e interseccionalidade, tomando como base teórica estudos de Joan Scott, Guacira Lopes Louro e Patrícia Hill Collins. Além disso, como fontes, ela fez uso de documentos institucionais e legislações voltadas para a educação profissional. Este é um estudo descrito e analítico, com abordagem qualitativa. Os resultados mostram que a inclusão do ensino de gênero e sexualidade dentro da escola favorece o respeito à diversidade e reduz atitudes discriminatórias. Além disso, contribui para que os estudantes desenvolvam uma visão mais ampla sobre questões sociais, tornando-os mais preparados para lidar com desafios dentro e fora do ambiente escolar. No entanto, ainda existem desafios, como resistências sociais e a falta de políticas públicas que garantam a abordagem sistemática dessa temática. Assim, investir na educação de gênero e sexualidade nas escolas profissionalizantes se mostra essencial para tornar o ambiente escolar mais inclusivo e contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para atuar na construção de uma sociedade mais equitativa.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoGÊNERO, SEXUALIDAE E EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA: DESAFIOS PARA FORMAÇÃO DOS NOVOS PROFESSORES DE GEOGRAFIA
RENATA DA SILVA BARBOSA; Clesley Maria Tavares do Nascimento
O espaço geográfico, categoria central de estudo da Geografia, é a expressão da relação sociedade-natureza, o qual entende que a existência humana é espacializada, em um processo de (re)produção espacial. No entanto, essas formas de organização e de dinâmica espacial não ocorrem na neutralidade, revelam relações de poder forjadas na exclusão e na hierarquização dos corpos (gênero, classe, raça/etnia, religião, idade, sexualidade). Nesse sentido, há corpos que são excluídos e que são invisibilizados, social e cientificamente, dentro dessa estrutura da colonialidade, exigindo a inserção e aprofundamento dessas discussões nos cursos de formação inicial de professores. Diante desse cenário, o presente trabalho traz os resultados de uma pesquisa de Iniciação Cientifica (IC) , que teve como objetivo central compreender como as questões relacionadas ao gênero e à sexualidade vêm sendo trabalhadas na formação docente, no curso de licenciatura plena em Geografia da Universidade Regional do Cariri(URCA). Refletir sobre as questões de gênero e de sexualidade, de forma a desconstruir padrões estereotipados que geram exclusão social; contribuir para construção de uma equidade de gênero e de diversidade sexual, no enfrentamento do sexismo e da homofobia, a partir de práticas de ensino que desconsideram a hegemonia de classe, de sexualidade e de gênero, que reforçam o preconceito nos cursos de formação e no ambiente escolar, constituem os demais objetivos da pesquisa. É importante destacar, que o conceito de corpo-território, oriundo das discussões sobre gênero levantadas pelo movimento ecofeminista indígena, conduziu a trama investigativa deste projeto. Se havia resistência sobre a relevância do corpo, como ponto de partida para o entendimento do espaço geográfico, ela foi sendo dissipada nas ultimas décadas, através de pesquisadores como Alicia Lindon (2012) e Joseli Silva (2016). (HAESBAERT, 2020) Isto posto, destaca-se que trabalhar com gênero e sexualidade não é apenas discutir sobre os papéis desempenhados por homens e mulheres socialmente, ou pensar nos elementos que os colocam em grupos distintos, mas considerar os contextos sociais, culturais, econômicos que esses sujeitos se encontram inseridos em uma estrutura socioespacial edificada no tripé da colonialidade do poder, do saber e do ser. Importa salientar que na ânsia de produzir uma ciência que subverta o poder instituído, revelando as violências (em suas amplas esferas) de uma sociedade heteronormativa, o estudo se baseou no pensamento decolonial, que busca desconstruir uma “‘colonialidade do poder’, marcada por profunda herança escravista e patriarcal onde proliferam, até hoje, violências de classe, de raça e de gênero” (HAESBAERT, 2020, p.75). É notório que as instituições de ensino e de pesquisa, como as universidades e as escolas, tenham suas bases em estruturas que reproduzem as relações de poder socialmente construídas, ou seja, são espaços que geralmente reprimem, que não compreendem a diversidade e os variados modos de vida, violando os direitos de existência dos sujeitos. Isso reforça, ainda mais, a necessidade de discussões sobre gênero e sexualidade nesses ambientes de formação. Corroborando com esse pensamento, Copatti e Callai (2022, p.206) apontam que “a partir do olhar geográfico propositivo, conscientizador e provocador sobre a realidade e as interações humanas em sociedade, é possível repensar valores e contribuir, pela geografia escolar, à emancipação dos sujeitos e ao exercício da cidadania”. Considera-se que ao enveredar pelo caminho da diversidade, da empatia, da justiça e do respeito, o ensino de geografia encontre espaço para provocações dialógicas que conduzam a superação da invisibilidade dos sujeitos subalternizados pela lógica eurocêntrica dominante.
Oral
Abrir o trabalhoHEROÍNAS CEARENSES VÃO À ESCOLA - vozes e lutas femininas reveladas através de narrativas escritas e audiovisuais
ITAMAR DA SILVA LIMA
Este estudo relata as experiências do projeto “Heroínas cearenses vão à escola: vozes e lutas femininas reveladas através de narrativas escritas e audiovisuais, realizado na E. E. M. T. I Ana Noronha, em Parambu-CE. A problemática abordada é a falta de visibilidade e reconhecimento das figuras femininas na história do Ceará. A pesquisa visa contribuir com o preenchimento dessa lacuna, destacando as contribuições de cinco mulheres importantes para a história do estado: Jovita Feitosa, Preta Tia Simoa, Bárbara de Alencar, Maria da Penha e Raquel de Queiroz. A relevância da pesquisa reside na promoção da igualdade de gênero e no enriquecimento do currículo escolar com biografias de mulheres cearenses ainda pouco contempladas pela historiografia regional e nacional. A realização desse trabalho envolveu pesquisas bibliográficas, pesquisas biográficas, oficinas e produção de textos de cordéis, gravação de documentário e outras atividades. Autores como Scott (1990), Perrot (2005), Gonzalez (2020), Arraes (2020), Silva (2010) deram o suporte teórico necessário à pesquisa. Os resultados evidenciam a importância da história dessas mulheres na construção da história e identidade cearense, bem como também na formação dos estudantes do estado.
Palavras-chave: Heroínas cearenses;,Educação de gênero;,Ensino de História;
Oral
Abrir o trabalhoINTERLOCUÇÃO ENTRE ESCOLA E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONTRIBUIÇÕES À FORMAÇÃO DOCENTE CONTINUADA NO TRABALHO COM A DIVERSIDADE
AMANCIO LEANDRO CORREA PIMENTEL; Michelly Maier Pimentel
O presente estudo se constitui a partir de uma reflexão acerca dos modos como o Outro, o diferente, o diverso, ao longo da formação das sociedades ocidentais moderna e contemporânea, foi sendo percebido e os impactos atuais de tal percepção. A abordagem desta proposição é de natureza qualitativa, uma vez que se trata de trabalhar com categorias, fenômenos e o espaço das relações que não podem ser reduzidos a operacionalizações quantificáveis (Deslandes et al., 1994). Nossa opção teórico-metodológica é dialética uma vez que reconhecemos que tais fenômenos, categorias e relações, ligados entre si, se influenciam reciprocamente (Lakatos; Marconi, 2003). A reflexão se materializa a partir de pesquisa bibliográfica cujo referencial teórico passa por Dussel (1994), Rocha (1988), Arroyo (2003; 2007), Gohn, 2013, Boyé (2022) dentre outros e outras. Partimos da premissa de que a racionalidade desenvolvida e disseminada nas referidas sociedades, pautadas pelo modelo do homem europeu, com sua “civilidade”, religião e “razão” operaram eficazmente na constituição de indivíduos violentos que não sabem lidar com o tensionamento de modelos pré-estabelecidos. Desenvolveu-se, dessa forma, a pré-disposição mental para não aceitar maneiras diferentes de ser homem e mulher. Portanto, homens que não sejam dominantes e violentos física e simbolicamente, mulheres que não aceitem ser submissas, bem como as demais configurações de identidade de gênero que fogem aos padrões hegemônicos, são percebidos como distorção dos modelos “essenciais” de gente ameaçando a ordem vigente. Diante disso, considerando que crianças e adolescentes passam de onze a quize anos de suas vidas no espaço escolar, compreendemos ser a escola um espaço privilegiado para a reinvenção de outros modos de convivência. Entretanto, conforme diz bell hooks (2017), no confronto com a diversidade dentro de sala de aula, educadores e educadoras estão mal preparados. Nesse sentido, objetivamos pensar sobre a formação continuada de professores e professoras da Educação Básica a partir da interlocução com os movimentos sociais que, conforme diz Arroyo (2003, p. 42), carrega consigo a potência de reeducar indivíduos, grupos e a sociedade ao recolocarem “[...] a ética nas dimensões mais radicais da convivência humana [...]”. Consideramos que tal discussão contribui com as reflexões e luta de intelectuais e militantes, na medida em que seja imprescindível a construção de uma pedagogia do encontro que favoreça o diálogo autêntico entre o diverso para além de categorias como tolerância e respeito, ou seja, falamos acerca da construção de um autêntico encontro de diferentes em suas escolhas e identidades.
Palavras-chave: Racionalidade ocidental,Questões de gênero,Formação docente,Movimentos sociais,Encontro
Oral
Abrir o trabalhoLEITURAS QUE EMPODERAM, MULHERES QUE INSPIRAM: A LITERATURA AFRO-BRASILEIRA DE AUTORIA FEMININA NA SALA DE AULA
NATÁLIA ALVES MARTINS AMORIM ; Cícera Nunes
A presente pesquisa tem por objetivo geral trazer uma reflexão acerca dos usos da literatura de autoria feminina negra para a promoção da visibilidade de autoras que por séculos tiveram suas produções desvalorizadas, esquecidas e invisibilizadas no cenário literário e, dessa maneira, contribuir para uma educação antirracista no ambiente escolar, pautando as questões de gênero. O estudo reforça que as narrativas afro-brasileiras femininas são estratégias que podem operar na desconstrução de hegemonias e apresentações de novas subjetividades, resistências e protagonismos. Considerando a escrita de mulheres negras e sua importância para trabalhar relações étnico-raciais, a pesquisa busca analisar a aplicabilidade desse universo literário por meio de práticas de leitura no ambiente escolar, propondo intervenções que possam contribuir e subsidiar as práticas pedagógicas em consonância com o proposto pelas leis n°10.639/2003 e n°11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de História e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica, pública e privada. A investigação parte da seguinte pergunta norteadora: Como a literatura de autoria feminina negra pode contribuir no processo de empoderamento e (re)construção de identidade de grupos étnicos no espaço escolar, tomando como referência a projeção de imagens positivas das mulheres negras a partir da visibilidade e de narrativas de autoras afro-brasileiras? A partir disso, o objetivo principal da pesquisa é analisar as possibilidades de integração da produção literária de mulheres negras de Literatura Afro-Brasileira na prática pedagógica em sala de aula, promovendo leituras e debates que contribuam para o empoderamento de gênero e racial. O estudo toma como base para a sua realização os estudos de Cosson (2021), Santos (2018), Hooks (2017), Cuti (2010), Adiche (2019), Ribeiro (2019) e Pinheiro (2023) que contribuem de forma significativa sobre o papel e a importância da literatura em sala de aula, bem como sua função social, política e crítica com apontamentos sobre gênero na intersecção raça. A pesquisa destaca em especial as Leis 10. 639/03 e 11.645/08, que determinam o ensino da História e da Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena nos sistemas de ensino público e privado de forma que toda a comunidade possa se envolver em práticas educativas a fim de superar o racismo e outras formas de discriminação por meio de ações críticas, consistentes e transformadoras. Para tanto, será utilizado o modelo de pesquisa qualitativa de natureza aplicada. Dessa forma, a pesquisa almeja contribuir para o processo de leitura e aprendizado, rompendo com o silenciamento de toda uma população, criando e experienciando novas formas de sentir e fazer. Como metodologia serão desenvolvidas três etapas. No primeiro momento, será realizada a seleção das obras e autoras. Como critério de escolha, será priorizado autoras de contos, crônicas e poesias pois, atendem a um gênero literário curto, que pela concisão, adequa-se ao objetivo proposto que é a construção de cinco oficinas pedagógicas a serem realizadas em uma escola pública de ensino médio em Iguatu-CE. Assim, a pesquisa conta com um público variado de professores, com idades, realidades e disciplinas diferentes a fim de que o trabalho com o texto literário aconteça de forma multidisciplinar. Para o segundo momento, serão organizadas rodas de conversas com os professores a fim de conhecer as obras e autoras. A leitura e escuta é o principal recurso utilizado nessa etapa. E por fim, condensando todas as reflexões levantadas, serão organizadas cinco oficinas pedagógicas em um e-book que será o produto pedagógico a ser utilizado por professores para o trabalho em sala de aula.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoO ENSINO DE LITERATURA NEGRA FEMINISTA FRENTE ÀS COERÇÕES DA EDUCAÇÃO NEOLIBERAL NO ESTADO DO CEARÁ: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
FERNANDA CASCIANO FERREIRA; Kawê da Silva Gurgel
Este trabalho pretende fazer um relato da atividade de monitoria que está sendo desenvolvida no Componente Curricular Eletivo intitulado "Laboratório de Redação para o ENEM”, na escola Dona Maria Amélia Bezerra, em Juazeiro do Norte. A princípio, o intento é auxiliar os discentes matriculados na disciplina supracitada na produção da redação, sobretudo na construção de um repertório sociocultural - critério analisado no processo de avaliação - baseado, entre outros arcabouços teórico-críticos, na epistemologia negra, com ênfase em produções de cunho feminista. A pesquisa fundamenta-se na relação teórico-metodológica entre o relato de experiência das práticas de leitura, a análise de textos desenvolvidas durante as aulas e a reflexão teórico-crítica sobre o currículo neoliberal e seus impactos na educação. Para tanto, além de autoras de obras literárias como Chimamanda, Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Jarid Arraes, faremos a leitura de textos de autores como Michel Foucault e Laval sobre essa “nova razão” que ultrapassa os domínios da economia e se capilariza no âmbito social, inclusive na educação, agenciando diferentes pautas, em especial aquelas relacionadas a gênero e raça. Cabe ressaltar que a proposta inicial sugerida pela professora seria ministrar o componente “Literatura Afrocentrada”, com ênfase na leitura de escritoras negras de temáticas feministas. Entretanto, fomos impossibilitadas de ir adiante com o projeto, já que, por “sugestão” do núcleo gestor, o foco seria preparar os alunos e alunas para as avaliações externas, a exemplo do SPAECE, SAEB e ENEM. Dessa maneira, o princípio da “liberdade de escolha”, vendido pela Escola de Tempo Integral, é - sobretudo nessa conjuntura que se pretende homogênea nas escolas públicas do estado do Ceará - uma estratégica discursiva para o exercício do poder e para tornar efetivas as coerções impostas por esse modelo de educação (FOUCAULT,2008.), considerado, hodiernamente, hegemônico. Este, regido sob o princípio do “estado regulador”, tal como apontado por Laval (2019), ao mesmo tempo em que delega às empresas o gerenciamento dos saberes e das estratégias que deverão nortear as práticas de ensino, incumbe ao Estado o papel de quantificar, ranquear, e, portanto, aferir, por meio de diferentes instrumentais, a eficácia desse consórcio. Nessa esteira, apesar de o trabalho encontrar-se em estágio inicial, podemos perceber sua importância na perspectiva de contribuir de maneira significativa para a formação dos discentes matriculados no componente. Isso, no sentido de ampliar suas possibilidades de argumentação para produzir um texto que atenda às exigências do ENEM , já que este é um dos processos que os possibilitam acessar a universidade, e de construir um conhecimento que ultrapasse o lugar comum do referencial eurocêntrico que, por vezes, é verificado nas redações, contribuindo,assim, para uma educação antirracista e emancipadora.
Palavras-chave: Literatura Negra Feminista,Educação Neoliberal,Ceará
Oral
Abrir o trabalhoO LEGADO TRASFORMADOR DE ELLEN RIPLEY: REPRESENTAÇÕES FEMININAS E NOVOS PARADIGMAS NA FICÇÃO CIENTIFICA CINEMATOGRAFICA.
RENATO PEIXOTO NUNES FILHO ; Paulo André Rodrigues saraiva
Este resumo tem como objetivo central investigar o impacto da personagem Ellen Ripley, protagonista do filme Alien, o Oitavo Passageiro (1979), dirigido pelo diretor Ridley Scott, na reconfiguração das representações femininas no cinema norte-americano de ficção científica. Partindo de uma revisão bibliográfica que explora as origens do gênero e a representação histórica das mulheres na ficção científica, o trabalho identifica em Ripley uma figura disruptiva, cujas características desafiaram os estereótipos vigentes até então. Para avaliar sua influência nas décadas seguintes, foi selecionado um corpus de filmes com afinidades temáticas semelhantes ao filme Alien. Contato (1997), Gravidade (2013), Passageiros (2016), Aniquilação (2018). As protagonistas dessas obras, foram analisadas a partir de parâmetros como construção narrativa, aparência (figurino, cabelo, maquiagem), relações interpessoais, força física, emocional, e estruturação de sua jornada heroica. A metodologia incluiu a criação de uma "Galeria de Personagens", submetida a uma análise crítica fundamentada em teóricas feministas como, Barbara Creed (2007) e Maureen Murdock (1999). Os resultados indicam que, embora a influência de Ripley seja perceptível nessas personagens, sua assimilação foi gradual e marcada por contradições. Além disso, constatou-se que o protagonismo feminino na ficção científica “mainstream” permanece limitado em termos de diversidade, refletindo a sub-representações de mulheres em cargos criativos-chave, como direção e roteiro. O cinema de ficção científica, desde suas origens, tem sido um campo marcado por narrativas dominadas por personagens masculinos, frequentemente associados a papéis de heróis. As personagens femininas, quando presentes, eram comumente reduzidas a estereótipos, como a "dona de casa do futuro", a "cientista secundária" ou a "vítima a ser salva". Essa dinâmica começou a ser questionada de maneira mais contundente apenas no final dos anos 1970, com o surgimento de Ellen Ripley em Alien, o Oitavo Passageiro (1979). Interpretada por Sigourney Weaver, Ripley não apenas sobrevive à ameaça alienígena, mas também subverte expectativas de gênero ao assumir um papel tradicionalmente reservado a homens: o da heroína resiliente, estratégica e não sexualizada. Esta pesquisa busca examinar em que medida Ripley inaugurou uma nova forma de representação feminina no gênero e como sua influência se manifestou em filmes posteriores. Para tanto, cinco filmes produzidos entre 1997 e 2018 foram escolhidos, todos ficções cientificas protagonizados por mulheres. A escolha desse recorte temporal permite observar como a herança de Ripley foi incorporada ao longo de quatro décadas. Adicionalmente, o estudo problematiza as limitações desse legado, destacando a escassez de protagonistas femininas diversificadas (em termos de raça, sexualidade e corporalidade) e a falta de oportunidades para cineastas mulheres no gênero. A pesquisa combina análise fílmica e revisão teórica, utilizando como base os estudos feministas de Mulvey (sobre o "olhar masculino") e Murdock (sobre a jornada da heroína). A análise revela que Ripley exerceu uma influência inegável, mas não imediata. Nota-se, que muitas dessas personagens ainda enfrentam limitações: Enquanto, Aniquilação (2018) mostra Lena em um papel mais burocrático. algumas são sexualizadas, como na obra (Passageiros), outras têm sua expertise questionada (Gravidade), e poucas são interpretadas por mulheres não brancas. Por fim Ellen Ripley permanece um marco na ficção científica, mas sua herança é paradoxal: embora tenha pavimentado o caminho para protagonistas mais complexas, sua plena potencialização ainda esbarra em estruturas industriais excludentes.
Palavras-chave: Ellen Ripley; ficção científica; protagonismo feminino; representação de gênero; cinema hollywoodiano.
Oral
Abrir o trabalhoO MASCULINO E O FEMININO NA MATERIALIDADE DAS COISAS: UMA PROPOSTA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA PARA O ENSINO DE HISTÓRIA.
AURINEIDE ALVES DE OLIVEIRA MIRANDA
RESUMO: O presente artigo é um recorte da dissertação A Casa da Memória de Penaforte/CE no Ensino de História: memórias e propostas didático-pedagógicas, produzida durante o Mestrado Profissional em Ensino de História – Profhistória- na Universidade Regional do Cariri (URCA), já em estágio de conclusão. Objetiva construir uma análise sobre a questão de gênero partindo da observação de objetos que fazem parte do acervo da Casa da Memória de Penaforte/CE, um museu comunitário que salvaguarda memórias históricas do lugar. O acervo desse espaço de memória é composto por objetos do cotidiano e fotografias. Geralmente, no nosso cotidiano, não percebemos a história na materialidade das coisas e nem que isso ajuda a construir noções que distinguem o gênero masculino do feminino. Essas distinções existentes na sociedade, estão nas relações que construímos, nos espaços que habitamos e sua organização, inclusive nos objetos presentes neles. Para essa escrita, nos ancoramos em Ramos (2004, 2010, 2016), que problematiza o conceito de memória e propõe o Ensino de História partindo de objetos geradores. Para relacionar os objetos de memória presentes no acervo com as questões de gênero, nos respaldamos em Vânia Carvalho (2022), onde a autora aponta que a distinção social, parental, etária e de gênero são aprofundadas nas atividades cotidianas a partir das coisas. A pesquisa foi realizada a partir de fontes escritas como Atas e Livro de tombamento, observação do acervo e principalmente entrevistas de história oral. Das análises decorridas do cruzamento das fontes citadas, identificamos que os utensílios domésticos, assim como objetos de aspecto religioso, foram doados por mulheres. A parte do acervo que caracteriza a participação masculina é composta por alguns bens ligados aos trabalhos externos à vida doméstica. Esses itens lembram atividades intelectuais ou uma rotina nos espaços públicos que geralmente eram desenvolvidas por homens. Nos quadros com fotografias encontramos representações de homens e mulheres, porém a maior parte são do gênero masculino. Nesse sentido, apontamos as possibilidades de desenvolver práticas de ensino de história partindo de objetos do cotidiano carregados de memórias e histórias, podendo extrair deles problematizações que foquem o debate sobre as questões de gênero no que concerne as tarefas e atribuições que historicamente a sociedade aponta como masculina e feminina.
Oral
Abrir o trabalhoOS DESAFIOS PARA O ACESSO AOS SERVIÇOS DA ATENÇÃO BÁSICA PELA POPULAÇÃO LGBTQIA+.
YASMIM AGOSTINHO ALENCAR ; Clayson Nicalle Cavalcante da Silva
Os desafios de acesso à atenção básica pela população LGBTQIA+ continua a ser um grande entrave, mesmo tendo seu direito garantido na Constituição Federal do Brasil de 1988 o que preza a igualdade de acesso. Objetiva-se investigar as barreiras estruturais e sociais que dificultam esse acesso e propor medidas para tornar o atendimento mais inclusivo. Estudo bibliográfico do tipo revisão integrativa, com buscas no período de março de 2025, nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) a partir dos cruzamentos dos descritores estabelecidos e utilização do operador booleano AND. Foram encontrados na busca 678 após leitura e análise dos artigos restaram 4 estudos a serem incluídos na pesquisa. Como resultados foram encontrados como principais desafios para o acesso da população LGBTQIA+ a atenção básica, o despreparo do profissional de saúde e manutenção do preconceito entre estes profissionais e reprodução de práticas excludentes, como medidas de resolutividade foram apontados a inclusão destas temáticas em currículos estudantis e a formação na saúde fortalecimento da Política Nacional direcionada a esta população. Conclui-se que ainda há grandes desafios para que o acesso à população LGBTQIA+ seja garantido no cuidado primário, porém é visto que estratégias voltadas a educação, formação em saúde e o fortalecimento da política pública podem ser grandes aliados nessa causa.
Palavras-chave: sexualidade ,atenção básica ,saúde
Oral
Abrir o trabalhoPRODUÇÃO SOCIAL DE SAÚDE EM TERRITÓRIOS-AFETIVOS: O BAR OVO E AS VIVÊNCIAS DE PESSOAS NEGRAS SEXO-GÊNERO-DIVERSAS
ALEF DIOGO DA SILVA SANTANA
O conceito de território, inspirado em Milton Santos (1986), foi crucial para a Reforma Sanitária Brasileira e a construção do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, essa abordagem negligencia as experiências e relações vividas pelas pessoas; as relações de poder nos territórios e sua própria agência na existência dessas relações. Este texto argumenta que, para pessoas negras sexo-gênero-diversas, certos territórios da cidade de São Paulo não são apenas espaços de adversidade, mas também locais de produção de afetividades, cuidado e reinvenção, ou em outros termos, de produção social de saúde. A pesquisa, de abordagem etnográfica, investiga essa produção social de saúde em um território-afetivo chamado Bar Ovo. Ao longo de três anos de trabalho de campo, com observações e registros em diário de campo, a pesquisa revela que as afetividades desempenham um papel central no fortalecimento das redes afetivas e nas teias de solidariedade entre as pessoas interlocutoras do Bar Ovo. Quando analisado e ou aproximado à luz da perspectiva da determinação social do processo saúde-doença, esse fenômeno permite trilhar caminhos inovadores na produção social de saúde, especialmente ao refletir sobre as relações sociais entre mulheres negras dissidentes.
Palavras-chave: Território, Saúde Coletiva, Etnografia, Pessoas sexo-gênero-diversasm,Redes Afetivas
Oral
Abrir o trabalhoProjeto diversas: leituras de gênero e sexualidade nos espaços educativos escolares e não escolares do cariri/ce
MARIA MANUELA DE SOUZA FIGUEIREDO; Renata da Silva Barbosa
Este trabalho almeja analisar as práticas educativas do projeto de extensão universitária DIVERSAS: Leituras de Gênero e Sexualidade, em desenvolvimento na região do Cariri cearense, estando vinculado ao Núcleo de História Oral, Memória e Diversidades (NHISTAL), do Departamento de História da URCA. Contando com o apoio e financiamento da Pró-Reitoria de Extensão desta IES, o projeto vem sendo operacionalizado a partir do acervo da Biblioteca Comunitária Célia Guabiraba, existente na sede da Associação Retratores da Memória de Porteiras, no município de Porteiras-CE. O estudo tem como objetivo geral compreender as práticas de leitura e seus impactos na formação de leitores sobre as questões de gênero e sexualidade. No que diz respeito aos procedimentos teórico-metodológicos, o estudo dialoga com as categorias interseccionalidade, gênero, sexualidade e comunidade, mediante os debates apresentados por bell hooks, Joan Scott, Guacira Lopes Louro e Chimamanda Adichie. A pesquisa é descritiva e analítica, com abordagem qualitativa. Além dos registros no Caderno de Campo, o trabalho analisa relatórios, textos e imagens das ações educativas. O DIVERSAS foi iniciado em 2023, baseado na metodologia dos Círculos de Leituras, fundamentados na proposta de Educação Popular de Paulo Freire. Naquele ano ele contou com a atuação do bolsista João Damasceno, que realizou rodas de conversas em escolas e outros espaços educativos das cidades de Crato e Juazeiro do Norte. Foram discutidas as obras “O Bom Crioulo”, de Adolfo Caminha, e “Quarto de Despejo”, de Maria Carolina de Jesus. Em 2024, o projeto vem realizado círculos de leitura e debates a partir da obra “Sejamos Todos Feministas”, de Chimamanda Adichie, e vem sendo protagonizado pela bolsista Maria Manuela de Souza figueiredo
Palavras-chave: Gênero; Sexualidade; Livro e Leitura; Educação Popular.
Oral
Abrir o trabalhoQUANDO A CURIOSIDADE VAI ALÉM DA SALA DE AULA: O EDUCADOR SOB O OLHAR ESTUDANTIL NA CONSTRUÇÃO DE REFLEXÕES SOBRE SEXUALIDADE E CONVIVÊNCIA
RUAN GONÇALVES MONTEIRO
Cotidianamente somos abordados de questionamentos por parte dos alunos, alguns relativos ao que está sendo abordado em sala de aula, outros em relação a vida pessoal. Observando alguns desses questionamentos destaca-se um na qual debates e especulações são gerados: a orientação sexual. Ela é alvo de comentários, dúvidas ou suposições por parte dos estudantes. Tendo em vista, e vivenciado, essa situação por algumas vezes, o presente trabalho tende a investigar a curiosidade dos alunos em relação à vida pessoal de seus professores, com foco especial na especulação sobre a sua sexualidade. O presente trabalho tem como objetivo compreender como o interesse sobre a sexualidade do professor se manifesta dentro do ambiente escolar, perpassando por quais impactos isso pode ter na relação entre alunos e professores. Dentro desse contexto analisa-se também se existe uma diferença na receptividade ou abertura por parte dos alunos ao dialogar sobre temas como sexualidade e diversidade com professores LGBTQIAPN+ ou heterossexuais. Nesse sentido pretende-se refletir sobre o papel das aulas temáticas e pedagógicas que abordam a diversidade, o respeito e às diferentes identidades, além da importância de combater estigmas e preconceitos dentro do ambiente escolar. A pesquisa está em desenvolvimento e será feita através de questionários aplicados aos estudantes das séries do ensino médio em uma escola pública situada na cidade de Crato – CE. Com a coleta das respostas poderemos analisar aquilo que fora proposto além de refletir sobre respeito, convivência com a diversidade, promovendo um ambiente de aprendizado acolhedor e consciente.
Palavras-chave: sexualidade,educação em sexualidades,gênero
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Abrir o trabalhoQUESTÕES DE GÊNERO NA ESCOLA DE CÍVICO-MILITAR DE ENSINO FUNDAMENTAL II, EM JUAZEIRO DO NORTE.
ANA CLARA FELIPE TORRES
Falar sobre gênero é falar sobre pessoas e suas diversidades no mundo, ou seja, é um pilar fundamental para a sociedade. Pois, gênero é uma construção social que se modifica de acordo com o tempo histórico e não pode ser definido ou delimitado pelo sexo biológico. Discutir gênero é falar das singularidades em um mundo diverso/plural. Falar sobre gênero desde o Ensino Fundamental, é uma necessidade para a formação de crianças e adolescentes, pois é através dessas discussões em sala de aula que podemos ampliar os nossos conhecimentos e contribuir para transformar a realidade de muitos estudantes dentro e fora das escolas. Portanto, este trabalho pretende trazer à discussão como têm acontecido os estudos sobre gênero no Ensino Fundamental II em Juazeiro do Norte na rede pública. Para tanto, escolhemos uma escola cívico-milita e entrevistamos estudantes do nono ano desta escola. Nos interessa saber se na escola há projetos que contemplem essa temática e também se os estudantes compreendem o conceito de gênero. Consideramos ser de extrema importância a abordagem desse assunto, pois entendemos que para uma sociedade se estruturar com equidade e igualdade, faz-se necessário entender que pessoas e suas relações com a sociedade acontecem e contribuem independentemente do seu gênero, e que a escola, como espaço de formação cidadã, tem papel primordial nessa construção pautada na igualdade e diversidades das pessoas.
Palavras-chave: gênero, escola, adolescentes
Oral
Abrir o trabalhoTRANSEXUAIS NO ENSINO DE HISTÓRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
JOSÉ CLÁUDIO LEÔNCIO GONÇALVES; Antonio Juscelino Barbosa dos Santos
Este artigo propõe refletir acerca da relação entre ensino de história e formação docente, a partir da abordagem de gênero e sexualidade. Nesse sentido, buscamos analisar os motivos que nos levaram a estranhar o lugar de sujeitos transexuais no ensino de História, no século XXI, por meio da vivência em sala de aula com um estudante que se reconhecia como transexual masculino, entre os anos de 2015 e 2017. Como problemática central destacamos: Qual o lugar de estudantes transexuais e da transexualidade na escola e no ensino de História? Para tanto, são analisadas as nossas práticas pedagógicas em História, livro didático de História, materiais didáticos de própria autoria e relato estudantil. Enquanto referenciais teóricos para corroborar com a pesquisa podemos citar: ARROYO (2014), BENTO (2010), CERRI (2009), LOURO (2014) e FONSECA e SILVA (2007). O trabalho é fruto do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistoria-URCA/2016-2019). A pesquisa está inserida no campo do Ensino de História e enquadra-se na linha de pesquisa Saberes Históricos no Espaço Escolar, considerando que o foco foi sobre as condições de formação estudantil, o ensino de História no contexto escolar e seus entrecruzamentos com a própria formação docente. A perspectiva teórica deste trabalho é o multiculturalismo, ou seja, uma postura de enfrentamento aos problemas sociais do nosso e do combate da escola e do ensino de história excludente a fim de contribuir com a formação de sujeitos críticos e atuantes na construção da justiça social. Todos os debates sobre gênero e sexualidade estão dentro da grande temática de diversidade que está posta na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O tema da diversidade também atravessa a formação de professores. Consideramos, portanto, que refletir a cultura escolar, o ensino de História e as questões de gênero e sexualidade tornam-se extremamente necessárias e urgentes para que, enquanto educadores(as) e cidadãos(ãs) comprometidos(as), reavaliemos nossas práticas na busca do reconhecimento do multiculturalismo e da promoção de uma educação que respeite e amplie a cidadania para os diferentes gêneros e sexualidades, combatendo a LGBTQIA+fobia, bem como, reivindicar o lugar dos(as) transexuais na história e na memória coletiva, o que está intimamente ligada com o autorreconhecimento da população LGBTQIA+ como sujeitos históricos.
Palavras-chave: Ensino de História,Formação de Professores,Estudantes Transexuais,Ensino Médio
Oral
Abrir o trabalho“DIREITO DE QUEM?”: AS DIFERENÇAS EXISTENTES NO ACESSO E PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES LGBTQIAPN+ DO CURSO DE DIREITO DA URCA – CAMPUS IGUATU/CE (2021-2025)
CARLOS EDUARDO RODRIGUES PARENTE
O curso de Direito é concebido sob uma ótica extremamente elitizada, arcaica e formal, o que faz com que haja pouco espaço para discussões e vivências que fujam às normas de gênero e sexualidade. Inclusive, há pouca representatividade de pessoas LGBTQIAPN+ nos espaços de destaque na academia e na produção de conhecimento científico desta seara. Assim, a partir deste contexto, surge o problema desta pesquisa: quais as diferenças existentes no acesso e permanência de estudantes LGBTQIAPN+ e não LGBTQIAPN+ do curso de Direito da URCA – Campus Iguatu/CE no período de 2021 a 2025? A temática deste estudo possui grande relevância social, considerando que se atém a uma população extremamente vulnerabilizada e que é alvo de preconceito e discriminação na sociedade, o que culmina na maior falta de oportunidades para estes sujeitos em todos os espaços sociais, especialmente na Universidade e no mercado de trabalho. O objetivo geral deste estudo é analisar as diferenças no acesso e permanência de estudantes LGBTQIAPN+ do curso de Direito da URCA – Campus Iguatu/CE a partir de suas perspectivas. No que diz respeito à revisão de literatura, será feita tendo como referencial teórico especialmente as obras de Guacira Lopes Louro, Jane Felipe, Silvana Vilodre Goellner, Heleieth Saffioti e Joan Scott. O referido estudo será qualitativo e de campo e a coleta de dados será efetuada por meio de grupos focais. Quanto à escolha dos sujeitos de pesquisa, está ocorrerá por meio da amostragem em bola de neve. Até o presente momento, foi possível concluir que há muitos desafios na luta das LGBTQIAPN+ por igualdade nos espaços educacionais. Ressalta-se que o estudo ainda será submetido à banca de qualificação do e, posteriormente, ao Comitê de Ética em Pesquisa e, após, será realizada a coleta de dados com grupos focais.
Palavras-chave: População LGBTQIAPN+,Diferenças,Acesso e permanência,Curso de Direito
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Abrir o trabalhoA SEXUALIZAÇÃO DAS MENINAS COMO EXPRESSÃO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO AMBIENTE ESCOLAR
ANA JÚLIA GONÇALVES SIQUEIRA; N/I
A violência de gênero é um problema estrutural, social e cultural que se manifesta de forma significativa no ambiente escolar. O presente trabalho investiga a sexualização das meninas como forma de violência dentro desse espaço e o papel da escola na prevenção e no enfrentamento dessa violência, analisando autores referência sobre o tema e políticas institucionais como a Lei nº 14.164/2021 e o PL 10.583/2018, que dispõem sobre a inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate à erotização infantil (sexualização precoce) nas escolas públicas do Brasil. O estudo adota uma metodologia de análise documental, entrelaçando pesquisa bibliográfica com a análise de artigos e obras de autores(as) que exploram as múltiplas ramificações da temática em questão. O presente trabalho visa investigar como a violência de gênero nas escolas afeta o desempenho escolar das meninas, manifestada de maneiras sutis e explícitas no contexto escolar, desde a separação de gênero em atividades até nos uniformes escolares que reafirmam a objetificação das meninas no cenário escolar. Colocando a escola como meio ativo para promover a prevenção e enfrentamento dessa questão, além de contribuir para o debate ativo no meio acadêmico em vista da baixa quantidade de trabalhos a respeito do tema.
Palavras-chave: violência de gênero,sexualização,escola
Oral
Abrir o trabalhoA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NAS NARRATIVAS DE TRADIÇÃO ORAL: APONTAMENTOS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA.
EDUARDO DA SILVA RIBEIRO; N/I
As narrativas de tradição oral representam uma forma de transmissão da cultura de forma dinâmica e flexível ao longo das gerações. Na escuta dessas narrativas é possível perceber a transmissão de preconceitos, exclusões e desigualdades sociais, culturais, econômicas, políticas, de gênero e sexualidade, dentre muitas outras questões. Este trabalho objetiva compreender as representações sobre a violência de gênero presentes nas tradições orais contadas por narradores do município de Farias Brito, situado na região do Cariri cearense do século XXI. Como objetivos específicos, o estudo almeja entender os contextos de ressignificação das narrativas, bem como suas funcionalidades sociais, além das possibilidades dos seus usos para o ensino de história que problematize as questões de gênero. A pesquisa entende a tradição oral como um sistema dinâmico e flexível de construção, transmissão e ressignificação de saberes. Nesse sentido, ela dialoga com os conceitos representação, tradição oral e memória. Do ponto de vista metodológico, ela vem sendo desenvolvida a partir da educação patrimonial, e faz uso do acervo de entrevistas orais existente na EEMTI Gabriel Bezerra de Morais, escola pública de Farias Brito, acervo construído quando do desenvolvimento do projeto Memória e Ancestralidade, realizado nos anos de 2018 e 2019. No recorte desta apresentação, o estudo se dedica a problematização de três narrativas, a saber: 1. A filha do fazendeiro; 2. A onça e o homem; 3. A maldição da esposa. Tais tradições possuem em sua estrutura arquétipos que representam a naturalização e banalização da violência de gênero, bem como suas ressignificações e permanências na memória social.
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Abrir o trabalhoAS PERFORMANCES DE MASCULINIDADES E O RENDIMENTO ESCOLAR DE MENINOS: UMA REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA
CLAUDEMIR CARLOS ALMEIDA; Cícero Felix Martins
Este trabalho é uma revisão da bibliografia que foi escrito na disciplina de Teoria e Métodos em Educação do Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri – URCA. Esta revisão foi realizada com objetivo de encontrar tensionamentos e aproximações na literatura científica brasileira entre os temas gênero e evasão escolar. Para tanto, foi realizado a revisão sistemática acerca das relações de gênero e o rendimento escolar de meninos, entre os anos de 2019 a 2023 na plataforma Capes Periódicos. Os filtros utilizados foram: produção nacional e idioma português. O protocolo utilizado foi o sistematizado por Atallah e Castro (1998) com algumas adaptações. O material retornado após todo o protocolo, que responde ao nosso objetivo, foi três artigos que aqui estão apresentados e discutidos nas seguintes categorias: A estética das atividades escolares como critério avaliativo; Indisciplina/disciplina como fator de bom/mau rendimento; Reafirmação do poder pela violência. Como principal resultado destacamos a baixa quantidade de literatura científica que aproxime as duas áreas aqui apresentadas, o que pode ser um campo fértil de pesquisa e, ainda, que o projeto de masculinidade defendido na escola, aproxima-se do padrão de masculinidade hegemônica, impactando negativamente no rendimento escolar dos meninos.
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Abrir o trabalhoCORPOS SILENCIADOS, VOZES QUE RESISTEM: SLAM EM LIBRAS E A REALIDADE DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MULHERES
JULIA BATISTA ALVES
Essa pesquisa se debruça sobre o processo de produção da arte sinalizada, mas especificamente, da construção poética na Língua Brasileira de Sinais (Libras), compreendida como um processo de transformar ideias, sentimentos ou temáticas relevantes em uma forma de expressão artística visual. Envolvendo a escolha de vocabulários em Libras, ritmo e elementos visuais, como por exemplo os recursos de expressões corporais e faciais, classificadores, gestos, emoções e uso do espaço, utilizados como ferramentas principais. Tem como objetivo principal a análise do processo de criação de uma poesia sinalizada sobre violência sexual, desenvolvida por uma mulher durante a participação em um curso de slam em Libras, explorando como a utilização dessa forma de expressão artística em Libras pode amplificar as vozes e experiências das vítimas, promovendo informação à comunidade surda, especificamente as mulheres surdas, e fomentando o empoderamento aliado à resistência. Além disso, visa i. Analisar e compreender o processo de construção poética; ii. Detectar o tema que será abordado na poesia, nesse caso sendo a violência sexual; iii. Identificar os elementos e ferramentas necessárias para a produção sinalizada. A pesquisa é de abordagem qualitativa, classificada como estudo de caso experimental, embasada em evidências da literatura científica, o que permite uma compreensão aprofundada do tema. Motivada pela literatura surda e pela arte, tem como aporte teórico os estudos de Mourão (2011) e da Silva (2023), e, para tratar da violência de gênero, os trabalhos de Aras (2013); Nader e Soares (2023) e Baalbaki (2021-2024). Foi aplicado um estudo de natureza descritiva sobre a experiência vivenciada, cujo resultado será analisado a partir de um vídeo em Libras. Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado um diário de campo, escrito em português, com anotações relacionadas ao curso, que contribuirá para a produção poética sinalizada pela pesquisadora. A versão em Libras será utilizada para análise de dados. A pesquisa apresenta resultados positivos, sendo bem recebida e elogiada pela comunidade surda. Evidencia-se que o slam em Libras possibilita a compreensão de discussões políticas para mulheres surdas, uma vez que respeita sua primeira língua e valoriza o universo dos artefatos culturais surdos nas representações artísticas.
Oral
Abrir o trabalhoDANDARA: RECORTE CLÍNICO DE ESCUTA EM PSICANÁLISE
MACEDÔNIA BEZERRA FELIX
O trabalho interroga os efeitos da LGBTQIAPN+fobia na subjetividade a partir da experiência no consultório. Os restos de um tempo de escuta são apresentados em recorte clínico, o caso Dandara. Para tanto, discute-se como as vivências da violência de gênero (ARAUJO ET AL, 2019) e do racismo (KILOMBA, 2019) produziram uma espécie de destino ao relegar ao corpo LGBTQIAPN+ um lugar de marginalização, exclusão e morte (NETO, 2021; NASCIMENTO, JUNIOR, 2021). Neste sentido, problematiza-se como o preconceito provoca intenso sofrimento psicológico, tecendo-se comentários sobre o acesso a análise pessoal, argumentando-se alternativas na clínica e a função da psicanálise para ouvir sujeitos em sofrimento e que também estão em vulnerabilidade econômica (SETUBAL ET AL, 2024). Reconhecendo-se que falar desperta outros efeitos, aponta-se a escuta do lugar do analista (DIAZ, BRANDI, 2003) como possibilidade para sustentar no tempo uma invenção singular (FREUD, 1914/2024; LACAN,1998). Conclui-se, enlaçando-se pedaços de saber da prática, referindo-se ao psicanalista como testemunha de uma história reescrita na análise, na qual Dandara reconstrói subversiva resistência e um saber fazer para a vida.
Palavras-chave: Clínica, Violência de gênero, LGBTQIAPN+ fobia;, Psicanálise
Oral
Abrir o trabalhoLETRAMENTO DE GÊNERO E A LEI MARIA DA PENHA: PROMOVENDO A EQUIDADE DE GÊNERO E O EMPODERAMENTO FEMININO NA EEMTI PADRE JOSÉ ALVES DE MACÊDO.
KARINA BEZERRA SALES; Anthony Matias Soares
A pesquisa ressalta a importância do letramento de gênero na EEMTI Padre José Alves de Macedo, utilizando a Lei Maria da Penha como base educativa para promover a equidade de gênero e combater a violência contra a mulher. A pesquisa revela que a implementação do programa de letramento de gênero e o ensino da Lei Maria da Penha como ferramenta para o empoderamento feminino resulta em mudanças significativas nas atitudes dos estudantes, aumentando a sensibilização sobre os direitos das mulheres e reduzindo estereótipos de gênero, estimulando os estudantes a se tornarem agentes de mudança em suas comunidades. Além disso, o letramento de Gênero com ênfase no ensino da Lei Maria da Penha contribui para a criação de ambientes mais seguros e respeitosos, com uma diminuição de comportamentos agressivos e de bullying. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas que incluam a perspectiva de gênero, promovendo um diálogo contínuo sobre os direitos das mulheres. Ao final, propõe-se a continuidade da pesquisa em contextos variados e a formação de educadores para garantir a eficácia do ensino, sublinhando a relevância do letramento de gênero como uma ferramenta essencial na construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
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Abrir o trabalhoMENINAS SURDAS: O QUE CONTAM E OS “SINAIS” DA VIOLÊNCIA
LEIDIANE BESSA BASTOS GONÇALVES DE MARINS ; DANIELLE RODRIGUES
A proposta desta pesquisa foi analisar relatos de estudantes surdas à luz do debate de violência de gênero. No intuito de fazer uma pesquisa exploratória a fim de expandir as pesquisas nesta área, o presente artigo buscou trazer e analisar as narrativas de estudantes adolescentes surdas frente ao que vivenciam acerca da sua condição de ser: Mulher e Surda. A pesquisa foi realizada em uma escola pública bilíngue (localizada na cidade do Rio de Janeiro-RJ) a partir de observação participante de uma das autoras da pesquisa, que é professora de Sociologia nesta mesma instituição. Como recorte, tratamos aqui o relato de uma atividade pedagógica proposta na referida instituição; que teve como tema motivador a violência de gênero e cultura do estupro – necessidade esta surgida após um professor deste espaço educacional ter pregado um papel com a imagem clássica dos bonecos de WC – menino e menina – no sanitário do vestiário da educação física. Nesta imagem, o menino pulava o muro para olhar a menina no banheiro. Além do debate com os discentes, também foi realizado formação com os professores e inspetores escolares. A trajetória metodológica usou mão de uma abordagem qualitativa através de observação participante, usando a interseccionalidade como ferramenta analítica (Collins, 2020). Durante a formação proposta, foi possível compreender como determinados momentos da vida delas (infância, na família, escola, vida amorosa etc.) mostraram reiteradamente situações de violência simplesmente por serem quem são. É o que Amossy (2005a) fala sobre o ethos discursivo; onde a fala sobre como a imagem (de si mesmo ou do outro a partir de relatos) torna possível a compreensão e projeção da própria identidade, que emerge nos discursos da coletividade inter-relacionadas. No caso destas estudantes, os marcadores sociais da deficiência (estamos imersos em uma sociedade de cultura predominantemente ouvinte) e os de classe social (onde pessoas pobres possuem um menor grau de escolarização; influenciam diretamente no nível da aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e do português como segunda língua) mostram as múltiplas camadas de vulnerabilidade dessas estudantes surdas. Os resultados evidenciaram que as imagens dentro de uma escola são formas de acesso a conhecimento direto de uma compreensão de mundo para as pessoas surdas, que entendem o mundo pelos olhos e necessita de informação em sua língua visual (Perlin; Vilhalva, 2016). E, foi através dela que as alunas trouxeram à tona relatos de violência sexual. O discurso das alunas mostrou a precariedade com que os órgãos oficiais tratam a mulher surda, especialmente nos casos de violência. Sabido do perfil de quem comete violência doméstica em nosso país, que são pessoas próximas do convívio, especialmente familiar, permitir que essas mulheres não tenham um canal autônomo para realizar suas queixas é como abandoná-las a continuarem experimentando esse ciclo de violência. O Estado precisa criar canais de comunicação que sejam de fato democráticos, auxiliando que as mulheres possam buscar sua proteção. Neste sentido, mais uma vez a escola se tornou espaço necessário para garantir de forma sistemática e formal a discussão sobre cultura do estupro, violência de gênero e canais de denúncia.
Palavras-chave: Surdas,Adolescência,Violência de Gênero, Escola,Cultura do Estupro
Oral
Abrir o trabalhoNÚCLEOS DE GÊNERO : UMA AÇÃO PARA O ENFRENTAMENTO À VIOLENCIA CONTRA AS MULHERES E AS COMUNIDADES LGBTQIAPN+ NO ESTADO DE PERNAMBUCO
IVANA LARISSA DE ALMEIDA SILVA ; Helena Lopes da Silva
O presente trabalho visa destacar a implementação dos núcleos de gênero nas escolas de ensino médio da rede estadual de Pernambuco como uma alternativa para combater as diversas violências sofridas pelas mulheres e pelas comunidades LGBTQIAPN+. Os Núcleos de Gênero são espaços que operam na promoção da equidade de gênero e dos direitos humanos, por meio de ações de fiscalização, articulação de políticas públicas e promoção de práticas inclusivas. Em Pernambuco existem, o decreto 40.317/2014 que institui o Comitê Pernambucano de Apoio à formação em Gênero e o projeto de lei ordinária 1371/2023 que institui a política pela Paridade de Gênero no estado, ambas auxiliam na regulamentação dos trabalhos com os núcleos de gênero. Esses espaços para discussões foram abertos em 2009 nas universidades pernambucanas e a partir de 2011 chegaram às escolas de referência e de ensino técnico, sendo ampliados em 2021 a partir da parceria entre a Secretaria de Educação e Esporte e a Secretaria da Mulher de Pernambuco. Vale salientar que, o desenvolvimento dessa pesquisa se dará primeiramente a partir do entendimento do que seria um Núcleo de Gênero e posteriormente com a análise dos parâmetros legais que regulamentam esses espaços nas escolas , e por fim, fazer um estudo de caso a partir das vivências da Escola de Referência Dr.Walmy Campos Bezerra, na cidade de São José do Belmonte -Pe.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoO USO DO NOME SOCIAL NO ÂMBITO ESCOLAR: ESTADO DA QUESTÃO
CÍCERO FELIX MARTINS; Priscila Alves Almeida
O presente artigo trata-se de uma revisão sistemática da literatura que busca considerar o estado da questão acerca dos estudos referentes à temática do uso do nome social no âmbito escolar. Para isso, realizou-se um estudo de abordagem qualitativa, amparado metodologicamente no estado da questão, para constatar e analisar produções bibliográficas publicadas previamente sobre a matéria. Empregou-se como referencial metodológico os estudos de Nóbrega-Therrien e Therrien (2010). A coleta de dados ocorreu em junho de 2024, por meio de busca em bancos de dados como: SciELO – Scientific Electronic Library Online (Biblioteca Científica Eletrônica On-line); da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e de Repositórios Institucionais de Universidades diversas, utilizando-se o cruzamento dos descritores “Nome Social Educação” e “Nome Social Educação Básica”, com delimitação temporal de 2019 a 2023. Foram selecionados 15 trabalhos para análise e categorização. Os estudos analisados revelaram que os assuntos mais predominantes nos textos são o gênero e sexualidade na Educação Básica. Conclui-se que a compreensão da teoria Queer e seus desafios se mostrou relevante para a reflexão sobre a inclusão e a diversidade de gênero e sexualidade, e consequentemente, quanto ao uso do nome social no ambiente escolar. É notória a importância da temática tanto no ambiente acadêmico, como na prática educacional. Tendo em vista que a sociedade é tendenciosa quanto a adoção de aspectos mais engessados quando a diversidade e diferenças de gênero. Sendo admirável a contribuição do estudo para demonstrar a importância do papel da escola frente a escolha dos estudantes pelo uso do nome social e suas ações de enfrentamento no contexto escolar.
Oral
Abrir o trabalhoODEIO, LOGO, EXPRESSO: UMA ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA FAIRCLOUGHIANA SOBRE OS DISCURSOS DE PROJETOS DE LEI CONTRÁRIOS À LINGUAGEM NEUTRA NAS ESCOLAS
JOÃO YURE SANTOS SILVA
o debate em torno da linguagem neutra (LN) está cada vez mais atual na sociedade, assumindo uma pluralidade valorativa de perspectivas acerca do tema, dentre as quais situam grupos sociais favoráveis e outros que se posicionam em desacordo ao fenômeno. Logo, ela deve ser componente de discussão na arena do debate dos diversos setores da sociedade. A LN caracteriza-se por usar termos sem especificação binária de gênero, visando uma comunicação inclusiva. Em função disso, o uso dessa linguagem é alvo de ataques oriundos desde pessoas anônimas a agentes políticos conservadores. No Brasil, existem diferentes projetos de lei que objetivam a proibição desse tipo de linguagem nas escolas de ensino da rede pública e privada. Assim sendo, o presente estudo tem como propósito examinar os discursos de projetos de lei contra à linguagem neutra no contexto escolar sob a ótica da análise de discurso crítica (ADC) de Fairclough. Essa perspectiva refere-se a um campo de estudos heterogêneos, caracterizado por sua interdisciplinaridade. A ADC é um instrumento teórico-metodológico que investiga a relação entre discurso e sociedade. Logo, o olhar faircloughiano propõe que o discurso seja analisado mediante três práticas discursivas: texto, prática discursiva e prática social. Tal proposta ficou conhecida por concepção tridimensional do discurso. Para tanto, a metodologia usada foi a pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, visto que se fez um levantamento bibliográfico a respeito dos projetos de lei contrários à LN nas escolas, entre os anos de 2020 a 2024, e perante isso, foram feitas análises desses projetos sob o contexto das três dimensões do modelo faircloughiano. Em conclusão, os resultados parciais evidenciam que os projetos de lei investigados foram produzidos por sujeitos constituídos ideologicamente por ideais conservadores, nota-se que estão empenhados em abolir a linguagem neutra do contexto escolar, por intermédio de discursos de ódio. Ademais, esses projetos estabelecem relações interdiscursivas entre si, visto que o sujeito que enuncia o discurso de ódio raramente é seu originador. Nesse viés, evidenciamos nos dizeres sob análise posicionamentos que intentam a manutenção do status quo, que abraça a divisão binária em masculino e feminino, excluindo quem não se identifica com tal marcação de gênero tradicional
Palavras-chave: Linguagem neutra,projetos de lei,escolas,análise de discurso crítica
Oral
Abrir o trabalhoOpressões interseccionais e ensino de história: a construção da Cruz da Rufina como patrimônio difícil no Cariri cearense
CÍCERO JOAQUIM DOS SANTOS
No Natal de 1854, a morte de Thereza Rufina provocou muitos rumores, sensibilidades fúnebres e tensões sociais. Naquele 25 de dezembro, Rufina foi assassinada na Baixa da Severina, percurso que ligava a povoação de Porteiras à Vila de Milagres, no sul da Província do Ceará. Nas páginas dos periódicos da época, há acusações que apontam para a autoria do crime e seus desdobramentos. Conforme as notícias divulgadas, o escravo Agapito, pertencente ao coronel João Tavares de Castro Figueiras, teria assumido a autoria do crime, antes de fugir. Pouco tempo depois, ele morreu em Cajazeiras, Província da Paraíba. Os rumores e as dúvidas que circularam recaíram sobre os reais motivos do assassinato, e sobre seu mandante. Segundo um depoente mencionado no Jornal O Cearense, havia rumores de que Rufina era amásia do coronel João Tavares de Castro Figueiras, e que sua esposa teria arquitetado o desaparecimento de Rufina. Outro narrador aponta que Agapito agiu por vingança, pois teria apanhado do referido coronel por ter chamado Rufina de “égua”. Nas páginas dos periódicos, Rufina foi mencionada como “égua”, “amásia” e “puta”, termos reveladores das opressões de gênero que lhe recaiam. Sua morte trágica tornou-se um marco temporal e espacial. Seu corpo morto foi esmiuçado e abandonado sem os ritos fúnebres da época. No local, foi erguida uma Cruz que ganhou seu nome. Desde então, ela vem sendo cultuada pelos moradores das áreas próximas, especialmente mulheres e agricultores pobres. Esta pesquisa objetiva compreender o processo de construção da Cruz da Rufina como patrimônio difícil a partir de práticas educativas na contemporaneidade. Mediante os usos das categorias sensibilidade, interseccionalidade e patrimônio difícil, esta pesquisa histórica analisa os materiais educativos produzidos sobre a morte da Rufina e o culto ao seu espaço, conectando-os nos debate sobre ensino de história.
Palavras-chave: Morte, Patrimônio difícil, ensino de história
Oral
Abrir o trabalhoOUTRAS MULHERES MARCADAS NA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE: ATOS DE FALAS TRANSFÓBICOS E LESBIÓFOBICOS NO CIBERESPAÇO
MARIA ANDREANE LEITE PIRES
A temática tem como objetivo analisar os discursos de cunho transfóbico e lesbofóbico proferidos por internautas na seção de comentários das mídias digitais, mais especificamente a imprensa digital nas redes sociais, como instagram, twitter e facebook, no Nordeste entre 2005 a 2023. Dentre os objetivos específicos, busca-se investigar a relação entre gênero e sexualidade, de modo a entender como a cisheteronormatividade condena mulheres trans e lésbicas; compreender como a violência linguística e o discurso de ódio se firmam no ciberespaço; e apresentar as experiências e vivência de mulheres lésbicas na luta pelo direito de ser quem elas são. A metodologia acionada é a Netnografia, definida como uma etnografia adaptada que investiga as interações sociais no ciberespaço (Amaral, Natal, Viana, 2008), bem como um método qualitativo do campo da comunicação digital, que é resultado das inovações tecnológicas do século XXI (Adade, Barros e Costa, 2018). As fontes são os comentários disponíveis em publicações da imprensa digital, e o método adotado para análise dessas fontes é a análise do discurso (CHARAUDEAU, 2002). Ao selecionar mulheres trans e lésbicas, buscamos investigar como a LGBTfobia e a misoginia se entrelaçam e somam forças na opressão contra mulheres. Tal quadro é reflexo tanto do patriarcalismo, expresso na violência de gênero, que é um flagelo inserido nas vísceras da sociedade, quanto da cisheteronormatividade, responsável por deslegitimar qualquer experiência que fuja das conjunturas sociais. Desse modo, partimos do pressuposto de que “atos de falas”, ou seja, comentários nas mídias digitais, violentam simbolicamente essas mulheres. Logo, nosso interesse é compreender como essa violência é praticada no ciberespaço, um ambiente virtual possibilitado pela internet onde ocorrem interações online que constroem realidades além da materialidade. Nesse espaço, o discurso de ódio disfarçado de liberdade de expressão ganha proporções inimagináveis que ferem a dignidade dessas mulheres. Dessa forma, o trabalho tem o seu desenvolvimento guiado pelas seguintes perguntas norteadoras: De que modo mulheres trans e lésbicas são violentadas virtualmente? Quais as relações entre gênero e sexualidade? Como se configura as vivências de mulheres trans e lésbicas? Entendemos que essas mulheres se constituem como as outras faces femininas que, por um fator interseccional, sofrem outras opressões que não acometem mulheres cis e héteros. Elas têm seus direitos desrespeitados, são invisibilizadas por não serem consideradas “genuinamente mulheres”, e sofrem todo tipo de ataque nas redes sociais. O referencial teórico se constitui das seguintes categorias de análise: história do tempo presente (Delacroix, 2018 e Rodrigues, 2014); gênero e sexualidade (Butler 2003; Scott, 1995; Beauvoir, 1980; Weeks, 2010 e Foucault, 2013); existência lésbica e trans (Carvalho, 2014; Rich, 2010 e Witting, 1992); relações de poder e o patriarcado (Foucault, 1996; Saffioti, 2004); as noções acerca de mídia e ciberespaço (Charaudeu (2013) e violência linguística (Silva, 2017). Como resultados parciais, podemos observar que as questões de gênero entrelaçadas com a sexualidade apontam para as violências sofridas por mulheres trans, que veem seus corpos sendo discriminados e violentados virtualmente. A linguagem na imprensa e nesses comentários está longe de ser neutra, eles na verdade naturalizam o inaceitável. São mecanismos que ferem profundamente essas mulheres. Importante mencionar que a presente pesquisa é fruto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), e ela ainda está em fase de desenvolvimento, mais especificamente no seu 6 º (sexto) mês de pesquisa, sendo que a duração total é de 1 (um) ano.
Palavras-chave: mulheres lésbicas,mulheres trans, netnografia, imprensa digital
Oral
Abrir o trabalhoPACTO DA BRANQUITUDE NO JUDICIÁRIO: AUSÊNCIA DE MULHERES NEGRAS NO TERCEIRO PODER
LUIZ WENDESTENY SILVA TEIXEIRA; Luciana da Silva Batista
O presente trabalho tem como objetivo discutir a ausência de mulheres negras no terceiro poder tendo como base as discussões do pacto da branquitude que, por sua vez, se originaram a partir dos encontros do Núcleo de Estudos em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (NEGRER-URCA). Trata-se de uma pesquisa qualitativa que articula uma análise com discussão a respeito das barreiras de acesso à magistratura e seu impacto na aplicação do Direito, bem como da falácia da meritocracia em função de uma suposta “neutralidade racial” que se configuram como uma violência simbólica e estrutural contra mulheres negras. Tendo em vista os debates a respeito das relações étnico-raciais viabilizadas por diversos movimentos sociais, considera-se como uma temática relevante, uma vez que articula a questão racial a uma discussão que já vem sendo travada no âmbito do terceiro poder, de forma a promover inclusão e equidade. O estudo se ancora no debate de Cida Bento (2022), Cícera Nunes (2024), Fernanda Saroti Souto (2024) e Adilson Moreira (2017; 2022) e outros. Espera-se, com isso, promover novos olhares para a ausência de mulheres negras no terceiro poder.
Palavras-chave: Relações Étnico-Raciais,Mulheres Negras,Branquitude,Poder Judiciário
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoRESPONSABILIDADE DAS PLATAFORMAS DIGITAIS ESTRANGEIRAS: UMA ANÁLISE JURÍDICA E SOCIAL DO DISCURSO DE ÓDIO NO BRASIL
ALLANNA LARISSA SILVA MACEDO; Maria Eduarda Ferreira dos Santos Moura
Desde o nascimento da comunicação em massa no Brasil, a mídia exerce influência sobre a opinião pública, especialmente durante o regime militar em 1964 (Bucci, 2016), quando o governo utilizou a censura e a propaganda estatal para controlar a narrativa pública, promovendo uma imagem favorável do regime e reprimindo qualquer oposição (Barros Filho, 2023). A televisão, tornou-se uma ferramenta essencial de manipulação, com conteúdos que exaltavam o governo e limitavam críticas políticas (Leal Filho, 2004). Entretanto, a distorção midiática atualmente recebe o nome de “fake news”, tendo um forte impacto social, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Apesar de o Marco Civil da Internet ter sido criado para tornar o ambiente virtual mais seguro (Teffé; Moraes, 2017), ainda há pessoas que utilizam esse meio para propagar o ódio (Quadrado; Ferreira, 2020), muitas vezes direcionado a grupos minoritários, como a comunidade LGBTQ+. Essa prática se apoia em uma interpretação errônea da liberdade de expressão, situando-se em uma linha tênue entre o direito à manifestação e a incitação ao preconceito e à violência. Nesse contexto, a problemática central deste trabalho gira em torno dos desafios jurídicos para responsabilizar as plataformas que agem de forma “conivente” com seus usuários na disseminação de discursos de ódio no Brasil. Portanto, o objetivo deste estudo é analisar a influência das mídias digitais estrangeiras na disseminação de discursos de ódio no Brasil, considerando seus impactos jurídicos, sociais e culturais, bem como os desafios à proteção dos direitos humanos e à aplicação da legislação brasileira na responsabilização de plataformas e seus usuários. Sob esse viés, o referencial teórico resgata a manipulação histórica das mídias durante a ditadura, com base em contribuições como de Bucci (2016), Almeida (2020) e Maia (2017), que discutem a censura, o uso da mídia e os efeitos desse controle na sociedade da época, a evolução da Internet e os desafios relacionados à sua regulamentação para a proteção dos direitos dos usuários são aspectos abordados com base em Mendonça (2024), bem como em legislações específicas que tratam do tema, como a Lei Carolina Dieckmann e a Lei Geral de Proteção de Dados. Essas normas representam marcos importantes na tentativa de estabelecer diretrizes para a segurança e privacidade digital, refletindo a necessidade contínua de adaptação do judiciário às novas dinâmicas tecnológicas. Ademais, analisa o papel das redes sociais, como Facebook, Instagram, X e YouTube, na gestão de denúncias sobre ataques a minorias e na remoção desses conteúdos, por fim, debate os discursos de ódio voltados à comunidade LGBTQ+. O estudo foi conduzido por meio de uma abordagem qualitativa, conforme destaca Godoy (1995), a qual possibilita uma análise aprofundada dos fenômenos sociais por meio da interpretação de dados não numéricos, procedimento documental a partir da análise de casos como o do pastor André Valadão e o Deputado Nikolas Ferreira que tiveram suas publicações de incitação de ódio à comunidade retirada das redes sociais. Ainda, o TJRJ determinou que o Facebook retirasse posts da página que produzia conteúdo preconceituoso contra as mulheres. Além disso, a pesquisa examina as diretrizes da empresa Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, no que se refere à moderação de conteúdo e às possíveis implicações dessas políticas para diferentes grupos sociais. Ressalta-se que o estudo ainda está em desenvolvimento, buscando uma análise sobre os impactos dessas narrativas e regulamentações no ambiente digital. Em síntese, a pesquisa indica que, apesar de existirem legislações pertinentes ao tema, ainda há falta de penas eficazes por parte do Poder Judiciário, o que impacta diretamente na proteção dos direitos humanos no Brasil. Assim, o trabalho visa contribuir para o debate sobre a necessidade de punições mais rigorosas e da atuação efetiva do Judiciário diante dos desafios impostos pela era digital.
Palavras-chave: Discurso de ódio,Plataformas digitais,Responsabilidade jurídica,Direitos LGBTQ+,Fake news
Oral
Abrir o trabalho“MILHÕES FORAM QUEBRADOS, MAS ELES NÃO ME DESTRUÍRAM”: Os testemunhos dos “triângulos-rosa” e sua memória na construção de uma produção historiográfica politizada.
LUIS HENRIQUE FERREIRA DO NASCIMENTO
O presente estudo investiga os testemunhos dos “triângulos-rosa”, homossexuais perseguidos pelo regime nazista e aprisionados em campos de concentração entre 1930 e 1945. A problemática central reside na exclusão historiográfica dessas narrativas e na necessidade de sua ressignificação para a construção de uma historiografia politizada que contribua para a memória e identidade da comunidade LGBT+. Metodologicamente, utiliza-se a análise do discurso para examinar testemunhos de sobreviventes, compreendendo-os como instrumentos de reivindicação política e justiça histórica. O campo teórico é delimitado pela “História-fora-do-armário”, em uma abordagem Social, abarca os conceitos de “Memória” (Halbwachs), “Memória Traumática” (Seligman-Silva), “Testemunho” (Pollak e Heinich) e “Poder” (Blackburn). As hipóteses apontam para a instrumentalização da memória dos “triângulos-rosa” na construção de uma narrativa inclusiva, resgatando suas experiências e promovendo um diálogo sobre justiça histórica e direitos da comunidade LGBT+ na atualidade.
Palavras-chave: LGBT+,Triângulos-Rosa,Testemunho,Memória
Oral
Abrir o trabalho