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AUDIOVISUALIDADES E O ANTIRRACISMO NA ESCOLA: REFLEXÕES SOBRE O LETRAMENTO RACIAL E ENSINO DE HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
LUCAS FERNANDES DE PINHO
O presente estudo investiga como produções audiovisuais, especialmente curtas-metragens, podem atuar como ferramentas pedagógicas no ensino de História para promover a educação antirracista e o letramento racial. A pesquisa é direcionada aos estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da EEF Professor José Bizerra de Britto, localizada em Crato, Ceará, delimitando-se temporalmente ao período pós-lei 10.639/2003. A problemática central da pesquisa discute o impacto da cultura visual contemporânea, referenciada na branquitude, e questiona como o uso do audiovisual pode se tornar uma linguagem eficaz para mitigar desigualdades raciais, transformar o currículo e auxiliar os estudantes na percepção de suas identidades afrorreferenciadas. Como motivação, parto da minha trajetória docente, na qual observei a relevância de recursos fílmicos na aprendizagem significativa. Metodologicamente, o trabalho fundamenta-se na análise de legislações vigentes (como as leis 10.639/2003 e 11.645/2008), de documentos escolares e do projeto "Cinema para o Letramento Racial". O referencial teórico apoia-se em conceitos como identidades, multiculturalismo e representação (Stuart Hall), estudos culturais (Homi Bhabha), cinema (Aumont e Marie) e letramento racial (France Winddance Twine). Os objetivos específicos incluem orientar uma curadoria fílmica que valorize a corporeidade negra, analisar visualidades cinematográficas que fortaleçam a luta antirracista, ampliar o uso de referências de autores do Sul Global e contextualizar a relação entre o cinema e o letramento racial. Como resultado, o projeto visa produzir e disponibilizar em um website um material de curadoria fílmica orientado em sequências didáticas para subsidiar o trabalho de professores de História.
Oral
Abrir o trabalhoINTERCONEXÕES ENTRE MÉXICO E BRASIL: UM PERCURSO DE MEDIAÇÃO CULTURAL NA EXPOSIÇÃO NAGUAL, FOTOGRAFIAS DE GRACIELA ITURBIDE
MARIA EDUARDA SOUSA FÉLIX ; Kamila Rodrigues de Souza Silva
Este artigo propõe uma reflexão sobre a construção e o desenvolvimento de um percurso de mediação cultural na exposição Nagual, Fotografias de Graciela Iturbide, realizada no Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, em Crato (CE). A mostra, composta por 80 fotografias em preto e branco, estabelece um diálogo sensível entre o México e o Brasil no contexto do Cariri cearense, evidenciando a potência simbólica dos territórios, suas visualidades e suas narrativas ancestrais. Ao mobilizar imagens marcadas por elementos do cotidiano, da espiritualidade e das identidades indígenas e populares, a obra de Iturbide tenciona fronteiras culturais e propõe aproximações entre diferentes experiências latino-americanas. Partindo da escuta sensível e da observação das reações do público durante o percurso mediado, buscamos compreender como essas imagens evocam ressonâncias com o repertório visual e simbólico caririense, ativando memórias, afetos e identificações. Nesse sentido, a mediação cultural é pensada não apenas como prática interpretativa, mas como dispositivo relacional, capaz de promover deslocamentos de sentido e produzir novas formas de engajamento com a obra.
Oral
Abrir o trabalhoENSINO DE HISTÓRIA, EJA E PRIVAÇÃO DE LIBERDADE: UMA PROPOSTA DE MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA EM FORMATO SONORO
RAIMUNDO VITOR BARROS GOMES
Esta pesquisa visa investigar as dificuldades, limites e possibilidades que marcam a aprendizagem histórica de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em situação de privação de liberdade na Unidade Prisional Cariri (PIRC), em Juazeiro do Norte-CE, e em que medida uma mediação pedagógica em formato sonoro pode contribuir para a superação dessas dificuldades e limites. Partindo das contribuições de Paulo Freire sobre a educação de jovens e adultos, como também da didática e do ensino de história pensados a partir de Selva Guimarães e Circe Bittencourt, analisamos as limitações de recursos didáticos nesse contexto prisional, as quais podem tornar as aulas de história condicionadas ao quadro e pincel, o que pode comprometer o processo de ensino e aprendizagem ao gerar uma desarticulação do conhecimento histórico com a realidade social dos discentes. No contexto prisional, as reflexões de Michel Foucault contribuíram para pensarmos o estabelecimento dos ambientes prisionais e o contexto educacional dentro desses espaços. Dialogando com o conceito de educomunicação de Ismar de Oliveira Soares e apontando que um recurso possível seria a utilização de áudios em uma sequência didática, previamente gravados em formato de podcast e transmitidos de maneira offline, um formato dinâmico, fluido e amplamente utilizado por pessoas de diversas faixas etárias. Tal recurso estabelece uma conexão dentro desse contexto, pois dialoga com os sujeitos, suas realidades e seus interesses - as quais, por meio de um formulário de pesquisa, serão mapeadas, identificadas e tratadas qualitativamente - o que pode promover uma aprendizagem significativa e favorecer a construção de uma aprendizagem histórica, conceitos pensados a partir das reflexões de David Ausubel e Luis Fernando Cerri, respectivamente.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoAFETOS, MAPEAMENTOS E MEMÓRIA: POSSIBILIDADE METODOLÓGICA PARA PENSAR A INTERSECCIONALIDADE NO ESPAÇO
KARLA VICTÓRIA TELES SIQUEIRA; Ayo do Nascimento Torres; Anna Luísa Silva Duarte; Thiago de Abreu e Lima Florencio; Cassio Expedito Galdino Pereira
Na atualidade, o debate interseccional sobre gênero, raça, sexualidade e classe deixou de se restringir aos movimentos sociais e passou a integrar as discussões em sala de aula. Entretanto, essas discussões ainda são pouco abordadas na Educação Básica, inclusive em muitas escolas de Ensino Médio, por diferentes razões. Essa lacuna gera diversos desafios, entre eles o desconhecimento acerca das ancestralidades dos povos indígenas, da população negra e dos povos tradicionais, bem como de suas lutas, resistências e dos dilemas enfrentados para viver e permanecer em seus territórios. Nesse contexto, torna-se fundamental promover, no ambiente escolar, debates sobre as vivências desses sujeitos, especialmente a partir dos afetos, articulando saberes identitários, políticos e corpóreos. Uma das possibilidades para esse trabalho consiste na produção de cartografias afetivas que representem as trajetórias socioespaciais das(os) estudantes. Partindo dessa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da oficina Mapas e Memórias do Espaço, realizada em uma escola quilombola de Ensino Fundamental, no município de Jardim, e em duas escolas regulares de Ensino Médio, localizadas nos municípios de Barbalha e Milagres. O propósito central foi estimular as(os) estudantes a expressarem seus afetos e memórias sobre a realidade socioespacial por meio da elaboração de mapas colaborativos e participativos, tendo como eixo de reflexão o debate interseccional de gênero, raça, sexualidade e classe. Para alcançar esse objetivo, realizou-se, inicialmente, um levantamento bibliográfico sobre raça, gênero, sexualidade, classe, realidade socioespacial e representações cartográficas críticas. Em seguida, foi elaborado o planejamento da oficina, definindo-se os métodos e as técnicas de mapeamento a serem utilizados na produção dos mapas. Posteriormente, as oficinas foram desenvolvidas nas escolas participantes. Os resultados evidenciaram que as(os) estudantes conseguiram mobilizar suas memórias e afetos em relação aos espaços ao demarcarem pontos nos mapas e associarem a eles narrativas e significados. Dessa forma, a pesquisa contribuiu para ampliar o diálogo sobre os diferentes sujeitos, suas corporeidades e suas trajetórias, evidenciando como essas experiências são produzidas historicamente no espaço geográfico da região do Cariri.
AFINAL APARECE O BABAU: BRINCADEIRAS POPULARES NO CARIRI DO SÉCULO XIX
MARCOS EMMANUEL SANTOS DO NASCIMENTO
Este trabalho, que se encontra em estágio inicial, busca analisar a presença e as experiências das “brincadeiras populares”, especialmente da “brincadeira de reis”/Babau/Reisado, na cidade do Crato, em meados do século XIX. A maior parte das fontes que descrevem e representam essas manifestações foram escritas por intelectuais da época, em suas análises publicadas em jornais ou confidenciadas em seus diários e registros pessoais. Tomamos aqui os relatos da estadia no Crato entre 1859 e 1860, de Francisco Freire Alemão (1797 – 1874) sobre a “brincadeira de reis”, escritos em seu diário de viagem (1859-1861), e as análises de João Brígido dos Santos (1829 – 1921) em seus vários trabalhos, principalmente no Jornal “O Araripe”, sobre a cultura e as manifestações populares no Cariri cearense. Compreendemos que o cruzamento do relato encontrado no diário de bordo com a análise dos escritos de João Brígido pode contribuir para renovar os sentidos do lugar social que a brincadeira popular “brincadeira de reis”, também conhecida como Babau ou Reisado, ocupava naquele momento histórico, além de nos ajudar a entender sua relação com os intelectuais e seus lugares de saber-poder
Palavras-chave: Brincadeiras Populares,Reisado,Cariri
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENTRE A CAATINGA E O SAGRADO: A MEMÓRIA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA NA RELIGIOSIDADE POPULAR E NA UMBANDA
FRANCISCO EVERARDO PARENTE; João Vitor Duarte Menezes
O cangaço constitui um dos fenômenos históricos, sociais e culturais mais significativos da história do Nordeste brasileiro. Desenvolvido principalmente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, esteve relacionado às condições sociais do sertão, às disputas familiares, às relações de poder, às vinganças, aos conflitos políticos e à atuação de grupos armados que enfrentavam as forças policiais. Entre os personagens que mais se destacaram nesse universo está Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, cuja trajetória tornou-se referência para diferentes representações sobre o cangaço. Ao seu lado, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, também passou a ocupar lugar de destaque na memória social e cultural do Nordeste. A compreensão do cangaço, entretanto, exige superar interpretações simplificadoras que o apresentem somente como fenômeno de criminalidade ou, em sentido contrário, como experiência exclusivamente heroica. O cangaço foi marcado por violência e conflitos, mas esteve inserido em uma sociedade sertaneja que possuía formas próprias de organização social, cultural e religiosa. Nesse contexto, a religiosidade popular constitui uma dimensão importante para compreender a experiência dos cangaceiros. O sertão nordestino era profundamente marcado pelo catolicismo popular, pelas devoções aos santos, orações, novenas, promessas, peregrinações e práticas de proteção religiosa. O estudo de Max Silva D'Oliveira demonstra que a religiosidade também fazia parte da experiência de Lampião. Segundo o autor, apesar de sua vida no cangaço e das práticas violentas relacionadas a esse universo, Lampião não abandonou sua fé em Deus, sua devoção aos santos católicos e sua admiração por Padre Cícero Romão Batista, a quem considerava um homem santo. Essa constatação permite compreender que religiosidade e experiência cangaceira não devem ser tratadas como dimensões necessariamente incompatíveis. A relação entre Lampião e Padre Cícero também demonstra a proximidade entre o universo do cangaço e a religiosidade popular presente no sertão nordestino. Em 1926, Lampião esteve em Juazeiro do Norte, ocasião que produziu importantes registros históricos e contribuiu para a construção posterior de sua imagem. A pesquisa de Wescley Rodrigues Dutra, baseada na entrevista concedida por Lampião ao médico Otacílio Macêdo durante sua passagem por Juazeiro do Norte, demonstra que o próprio.
A BANCADA EVANGÉLICA E A AGENDA ANTIABORTO NO GOVERNO BOLSONARO:UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DOS DEPUTADOS FEDERAIS (2019-2022)
VERÔNICA GUEDES FERREIRA
Esta pesquisa investiga a formação e a ascensão da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), analisando suas articulações no Congresso Nacional durante o governo Bolsonaro (2019-2022). O estudo aborda a influência da bancada nas políticas públicas, focando especificamente nas disputas sobre o aborto. São examinados os discursos proferidos na formulação de Projetos de Lei e Propostas de Emenda à Constituição na 56ª legislatura, destacando líderes da Assembleia de Deus como Silas Câmara, Cezinha Madureira e Sóstenes Cavalcante. O referencial teórico apoia-se em Jörn Rüsen para o método histórico, na conceituação de frentes parlamentares de Araújo e Silva, no Ciclo de Políticas Públicas de Celina Souza e no conceito gramsciano de ideologia de Mansan. Dividido em dois capítulos, o trabalho analisa a inserção política da FPE e o aborto como arena de disputa moral e religiosa que impacta os direitos reprodutivos das mulheres. A metodologia combina Análise de Conteúdo (Bardin e Moraes) e pesquisa onomástica. A coleta de dados no portal da Câmara identificou 421 citações ao termo 'aborto', filtrando as iniciativas que restringem o direito. Conclui-se que a FPE atua estrategicamente para promover uma agenda conservadora articulada em quatro eixos: aumento da criminalização, proibição total, restrição informativa e defesa dos direitos do nascituro, evidenciando os desafios de conciliar liberdade religiosa e direitos humanos em sociedades pluralistas.
Palavras-chave: Frente Parlamentar Evangélica, Aborto,Governo Bolsonaro
Oral
Abrir o trabalhoA Federação Cearense de Futebol (FCF) e a Ditadura Militar: Controle e Propaganda (1970-1979)
"O PRINCÍPIO NÃO ESTÁ NO VERBO, MAS NA CARNE": CORPO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA NA LITERATURA DE TESTEMUNHO PALESTINA.
FELIPE GEYMISON RAMOS BERNARDO
Nos últimos três anos (2023–2026), a “questão da Palestina” , expressão que sintetiza um conflito historicamente construído e que também intitula uma das mais conhecidas obras de Edward Said, voltou a ocupar lugar central no debate político internacional, evidenciando as relações de poder que estruturam esse conflito. Nesse contexto, este trabalho parte da hipótese de que a literatura de testemunho palestina ultrapassa sua dimensão estética, constituindo-se como uma prática de resistência frente às tentativas de apagamento simbólico, material e cultural da identidade palestina produzidas pelas múltiplas violências do Estado de Israel. Como afirma Márcio Seligmann-Silva, "a literatura é chamada diante do trauma para prestar-lhe serviço" (SELIGMANN-SILVA, 2025, p. 149). Nessa perspectiva, a literatura não apenas representa experiências traumáticas, mas preserva memórias que resistem ao esquecimento, permitindo problematizar as fronteiras entre História e Literatura e questionar delimitações rígidas da historiografia quanto ao uso da produção literária como fonte histórica. Assim, a literatura de testemunho produzida por sujeitos palestinos constitui um dos registros mais potentes de uma experiência histórica atravessada pela guerra, pelo deslocamento forçado e pela violência. O objetivo da pesquisa é compreender de que maneira a literatura de testemunho se constitui como uma prática de resistência diante dos processos de desumanização, subalternização e apagamento da memória coletiva palestina. Metodologicamente, a investigação ancora-se na hermenêutica, compreendida como uma prática interpretativa voltada para a produção de sentidos textuais e imagéticos. A partir desse referencial, busca-se compreender como a Nakba é significada nas narrativas palestinas, quais sentidos são atribuídos à experiência do refúgio e de que modo a linguagem testemunhal transforma a memória da violência em resistência. Ao fazê-lo, pretende-se contribuir para uma historiografia sensível às experiências do sofrimento humano, atenta às dores do corpo e do outro, uma historiografia paciente conforme propõe o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, pois essa prática do ofício aguça nossa percepção do nosso papel enquanto historiadores.
Oral
NARRATIVAS DE SI E FORMAÇÃO DOCENTE: A CONSTITUIÇÃO DE UM PROFESSOR DE HISTÓRIA ANTIRRACISTA
PEDRO VICTOR ARAÚJO DOS SANTOS
A pesquisa (auto)biográfica tem se consolidado como um importante campo de investigação ao compreender as narrativas de vida como espaços de produção de conhecimento, formação e construção de identidades. Nesse horizonte, este trabalho tem como objetivo analisar a constituição da identidade docente de um professor de História, preto, gay e comprometido com uma educação antirracista, buscando compreender de que modo as experiências vividas nos espaços escolares contribuíram para sua formação pessoal, acadêmica e profissional. Fundamenta-se nas contribuições de Marie-Christine Josso. (2004), ao compreender as experiências como formadoras, de Gaston Pineau (2006), que concebe a formação na articulação entre autobiografia e heterobiografia, reconhecendo que o sujeito se constitui nas relações consigo, com os outros e com o mundo, e de Christine Delory-Momberger (2008; 2012), ao entender a biografização como um processo de produção de sentidos sobre a própria existência. Metodologicamente, o estudo adota a pesquisa (auto)biográfica, mobilizando narrativas produzidas a partir da trajetória do pesquisador como fonte de reflexão sobre os processos de formação e através do dispositivo biográfico carta. As análises evidenciam que a docência é atravessada por marcadores sociais como raça, sexualidade, origem social e pertencimento, os quais produzem desafios, resistências e aprendizagens que extrapolam os espaços formais de ensino. Ao narrar e escrever sua trajetória, o sujeito biográfico ressignifica experiências de discriminação, pertencimento e resistência, compreendendo-as como constitutivas de uma prática pedagógica comprometida com a justiça social e com uma educação antirracista. Conclui-se que a pesquisa (auto)biográfica possibilita compreender a formação docente como um processo permanente de construção de si, evidenciando o potencial das narrativas na produção de conhecimentos sobre identidade, memória, experiência e ensino de História.
Oral
Abrir o trabalhoOS ESTADOS UNIDOS REPRESENTADO NO CINEMA DE TERROR: A VIOLÊNCIA COMO RESISTÊNCIA (1970-1979)
ADNE CRISTINE MOREIRA DIAS
O cinema, sendo uma das principais fontes de entretenimento utilizadas nos dias atuais, se transforma em uma ferramenta de expressão das práticas culturais e políticas de uma sociedade. Facilitar a propagação de ideais, pensamentos e sentimentos de forma esteticamente agradável ou chamativa é frequentemente um dos motivos principais para a existência, e de mesmo modo, notavelmente, comportamentos sociais e políticos têm sido capturado pela lente de cinegrafistas norte-americanos desde o início de suas produções. Essa influência é bastante presente, principalmente, a partir do crescimento do consumo dos cinemas alternativos e de horror, conhecidos como “Filmes B”, que foram popularizados principalmente diante da atmosfera conflituosa da sociopolítica da década de 1970 por manifestações culturais como a Contracultura e os “Midnight Movies” (Filmes da Meia-Noite), conhecidos por seu caráter anticomercial e suas produções muitas vezes independente. Espera-se investigar e compreender, a partir dos filmes “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) de Tobe Hooper e “Quadrilha dos Sádicos” (1977) de Wes Craven, como o cinema de horror representou injustiças, guerras e censuras da sociedade estadunidense setentista; e como as relações sociopolíticas do período refletiram no consumo do entretenimento cinematográfico e tornaram a violência em objeto de resistência. Entende-se o cinema como um agente da história e os cineastas como força combatente a ideologias dominantes ao criar uma nova visão de mundo, se tornando porta-voz de assuntos vistos anteriormente como indiscutíveis, levado em conta também o caráter ficcional das obras referenciadas e discordando que o cinema seria apenas uma representação do real, isenta de múltiplas perspectivas e nuances. A partir da análise fílmica, serão analisados os conteúdos visuais, textuais e qualitativos das produções a fim de observar seu caráter estético e suas intenções narrativas estabelecidas a partir da seleção de cenas e diálogos. Têm-se como intenção compreender a influência sociopolítica e militar no nascimento, reconstrução e consumo da arte a partir do mal-estar social de uma sociedade em conflito, com a violência que não se vê e que não se escuta, mas que está sempre presente na vivência social.
Oral
Abrir o trabalhoQUANDO A FICÇÃO ATRAVESSA A REALIDADE: HERÓIS NEGROS NO CINEMA NACIONAL, ENSINO DE HISTÓRIA E QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
MARIA GISELLE MARÇAL FRANCO; Lucas Fernandes de Pinho
O presente trabalho busca analisar produção fílmica brasileira Quilombo (1984), que foi dirigido por Carlos José Fontes Diegues. O filme contou com a consultoria da historiadora Beatriz do Nascimento no que se refere ao trato dado as corporeidades negras retratadas nesse filme, em termos de representatividade positiva. A partir dessa análise será possível articular e historicizar conceitos como quilombo, aquilombamento, colonização e escravização, representação, estereotipagem, elementos africanizados da cultura brasileira. Além disso, podemos pensar sobre as perspectivas cinematográficas e historiográficas, bem como o ensino de história no contexto em que o filme foi produzido e em sua composição: roteiro, fotografia, música, figurino, enredo, direção, entre outros. No desenvolvimento da pesquisa será possível evidenciar as trajetórias de algumas personalidades negras brasileiras, partindo da ideia de heroificação negra no cinema, problematizando o conceito, mas entendendo sua capacidade de potencializar histórias que por vezes foram apagadas, mas que, pontualmente, são contadas em películas épicas e/ou de ficções. Objetivamos uma análise de seu potencial educacional para abordar questões étnico-raciais na perspectiva do ensino de história. Vale ressaltar que esta é uma pesquisa que a posteriori, a partir de uma proposta metodológica de intervenção mediada por sequência didática, pode perscrutar o eixo da recepção fílmica, aspecto deste campo de estudo que ainda é pouco explorado (Turner, 1997; Menezes, 2003; Valim, 2012). O trabalho vai se debruçar sobre as perceptivas historiográficas e cinematográficas dos anos de 1960, 1970 e 1980 do Brasil, para entender as dinâmicas epistemológicas que incidem sobre essa obra do cinema nacional, Quilombo (1984) e de seu diretor (Carlos Diegues). Além disso, articula contribuições da História Cultural, da Cultura Visual e do Multiculturalismo para entender as representações, estereotipagens e a construção de sentidos que o filme se propõe e evoca (Chartier, 1991; Hall, 2016; Hernandes, 2000). Metodologicamente, a pesquisa desenhará um estudo transversal analítico da película a partir de análises de frames que engajam questões étnico-raciais. Estabelecerá correlações com as perspectivas historiográficas e cinematográficas do período e, especialmente, pensaremos como esta obra pode ser usada como fonte histórica em sala de aula na medida que contribui para a construção de uma educação antirracista.
Oral
Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA DAS PRÁTICAS DE PESQUISA E EXTENSÃO NO GEPAFRO
OTACILIO ALVES DE CALDAS NETO
O seguinte trabalho consiste em uma apresentação oral acerca do projeto de extensão GEPAFRO em Movimento: educação antirracista, inovação social e empreendedorismo afrodiaspórico, desenvolvido por intermédio do Grupo de Estudo e Pesquisa em História Afrodiaspórica com ênfase em um relato pessoal da atuação do grupo no semestre acadêmico 2025.2. Que optou por trabalhar a autora, professora e filósofa burquinense Sobonfu Somé (1968–2017) no ciclo formativo que durou dos meses de abril a julho de 2026. O GEPAFRO buscou analisar, ler e debater a obra O Espírito da Intimidade: ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar. O trabalho com o livro possibilitou o diálogo entre a cultura ocidental e a cultura do povo Dagara, que sempre estão incluídos na produção intelectual da autora. O conhecimento obtido por meio da leitura permite o desenvolvimento do letramento racial e ultrapassa os espaços formais de ensino. Dessa forma, propõe-se comprovar a importância de iniciativas feitas pelo GEPAFRO que promove espaço para leitura e discussões com foco em uma educação antirracista.
Palavras-chave: Ciclo formativo, Letramento racial, Educação antirracista, Pesquisa e extensão, GEPAFRO.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoO futuro como espelho: expectativas e realidade em 2001: Uma Odisseia no Espaço e Blade Runner – O Caçador de Androides
ISAAC ALVES DO NASCIMENTO; Hudson Kayan da Silva
O futuro como espelho: expectativas e realidade em 2001: Uma Odisseia no Espaço e Blade Runner – O Caçador de Androides Hudson Kayan da Silva Isaac Alves do Nascimento Resumo: O cinema vai muito além de contar histórias, ele funciona como um espelho do presente. Como explica os historiadores Marc Ferro e Robert Rosenstone, cada filme carrega consigo o imaginário, os medos, as esperanças e as ideias de sua época. Quando analisamos as obras que retratam o futuro, percebemos que elas não tentam prever o que virá, mas sim projetar o que a sociedade vivia no momento de sua criação. 2001: Uma Odisseia no Espaço, de 1968, surge na corrida espacial e na confiança total do progresso, refletindo a crença de que o ser humano poderia conquistar o universo. Já Blade Runner, de 1982, apresenta um cenário de transformações rápidas e incertezas, trazendo dúvidas sobre os limites da tecnologia e o sentido de ser humano. Este trabalho busca analisar estes dois filmes para mostrar como cada visão de futuro e construída a partir da realidade e das expectativas do seu próprio tempo. O objetivo e demonstrar que o cinema é uma fonte preciosa para assimilar a história e as mentalidade de cada período. Palavras – chave: Imaginário Social; Projeção de futuro; Tempo histórico
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Mapas afetivos,Corpo,Território,Memórias,Oficina
Oral
Abrir o trabalhoCINEMÁFRICA: PROMOÇÃO E AMPLIAÇÃO DO REPERTÓRIO CRÍTICO DE ESTUDANTES E PROFESSORES
CICERA KEVELYN FERREIRA DE OLIVEIRA CUNHA; Emanuela de Moraes Silva; Alysson Alves de Oliveira; Diego César dos Santos; Thiago de Abreu e Lima Florencio
Este trabalho tem como objetivo promover a ampliação do repertório crítico e cultural de estudantes e professores do Ensino Médio e do Ensino Superior, bem como da comunidade dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, acerca do cinema africano e afrodiaspórico. Para tanto, articula história, arte e movimentos sociais, buscando reconhecer e valorizar as identidades negras nos territórios, evidenciando o protagonismo africano na formação socioespacial do Brasil e contribuindo para o enfrentamento dos estereótipos e das discriminações raciais. Nesse sentido, por meio da exibição de filmes no Terreiro das Pretas, no Crato, em noites de lua cheia, e nas escolas EEMTI Liceu Prof. Raimundo C. B. de Farias (Crato), EEMTI Tiradentes (Juazeiro do Norte) e EEMTI Almiro da Cruz (Barbalha), busca-se discutir raça, identidade e interseccionalidade a partir da prática da “miolagem”. Metodologicamente, este estudo caracteriza-se como qualitativo, fundamentado na abordagem da História Cultural e tendo como fontes de análise produções audiovisuais e narrativas de história oral construídas durante as rodas de “miolagem”. A “miolagem” ocorre sempre após a exibição de um filme, sob a mediação de uma liderança comunitária ou de uma pessoa mais velha, possibilitando a abertura do debate e a partilha de experiências na roda. A pesquisa encontra-se em andamento, tendo como principal espaço de atuação, até o momento, o Terreiro das Pretas. Nesse processo, observa-se uma maior centralidade das ações na formação inicial de professores, abordando temáticas como organização política, pertencimento, território, direitos dos quilombos e das comunidades tradicionais, além da história das mulheres escravizadas e/ou submetidas a violências. A partir desses debates, podem emergir reconstruções de relatos orais sobre as histórias da região, possibilitando reflexões acerca da busca por garantias de segurança, reconhecimento e direitos. Espera-se que o CinemÁfrica ao Luar continue ampliando vivências, militâncias e engajamentos na luta antirracista e emancipatória, fortalecendo o movimento negro educador por meio das ações desenvolvidas em diálogo com a universidade, a comunidade e os espaços da educação básica.
Palavras-chave: Cinema,África,Afrodiaspórico,Identidade Negra,Miolagem
Oral
Abrir o trabalhoCOOPERAÇÃO REPRESSIVA ENTRE BRASIL E CHILE: TROCA DE INFORMAÇÕES, PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E TÉCNICAS DE TORTURA (1973–1979)
EVELYN GABRIELY FERREIRA CARDOSO
Durante o período da Guerra Fria, a América Latina teve sua importância geopolítica reforçada diante do intuito de conter o avanço de movimentos socialistas e a expansão da influência soviética no continente. Nesse contexto, os Estados Unidos apoiaram regimes autoritários latino-americanos, fortalecendo estruturas repressivas voltadas ao combate de opositores políticos. No Brasil e no Chile, as ditaduras militares desenvolveram mecanismos de vigilância, perseguição e tortura que passaram a atuar de maneira articulada, através de cooperações entre órgãos de segurança. A presente pesquisa tem como objetivo analisar os mecanismos de cooperação e troca entre os serviços de inteligência e repressão do Brasil e do Chile durante os anos de 1973 a 1979, com enfoque na troca de informações, práticas repressivas e técnicas de tortura entre os órgãos de segurança dos dois países. Busca-se identificar como a cooperação repressiva interestatal afetou opositores ao regime, movimentos sociais e a sociedade civil, investigar de que maneira a repressão política contribuiu para a manutenção da ordem econômica e dos interesses das elites alinhadas ao modelo capitalista. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, tendo como perspectiva metodológica o materialismo histórico-dialético. Serão analisados documentos disponíveis no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), no projeto Brasil: Nunca Mais, além de registros produzidos por órgãos de segurança e documentos diplomáticos. Pretende-se, por meio da articulação entre bibliografia especializada e documentação histórica, construir uma interpretação crítica sobre a institucionalização da violência de Estado e sobre a cooperação repressiva entre os regimes militares brasileiro e chileno, compreendendo esses processos como parte de uma estrutura de dominação política e ideológica consolidada no contexto da Guerra Fria.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE O SILÊNCIO E A PERMANÊNCIA: TRAJETÓRIAS, PRÁTICAS E DESAFIOS DAS MULHERES EDUCADORAS EM MAURITI-CE (1960–1990)
DEBORAH NASCIMENTO SOUSA
Este trabalho investiga as trajetórias, as práticas educativas e os desafios enfrentados por mulheres que atuaram na educação em Mauriti–CE entre as décadas de 1960 e 1990. O ponto de partida é o questionamento sobre a pouca visibilidade das experiências de educadoras na História da Educação, buscando compreender suas vivências na docência, os métodos utilizados no cotidiano e o impacto do seu trabalho no processo de alfabetização local. O projeto também pretende discutir a feminização do magistério na região, bem como a realidade educacional e as formas de formação dessas professoras no período delimitado. O percurso metodológico adota uma abordagem qualitativa, combinando pesquisa bibliográfica, levantamento documental e História Oral. O levantamento bibliográfico abrange livros, artigos e dissertações sobre a história da educação, a docência feminina e o contexto educacional cearense. A etapa documental foca em registros de escolas, atas da Secretaria de Educação e arquivos da Prefeitura de Mauriti–CE. A História Oral forma a base central do trabalho, por meio de entrevistas semiestruturadas com familiares, ex-alunos e pessoas do convívio das educadoras. Foram mapeadas nove professoras que atuaram no município durante o recorte temporal e que contam com rede de acesso para coleta de depoimentos sobre suas memórias e vivências profissionais. As informações reunidas nos documentos e nas entrevistas serão interpretadas a partir da Análise de Conteúdo. Com o cruzamento dessas fontes, espera-se compreender as trajetórias dessas mulheres e os obstáculos do exercício docente, contribuindo para ampliar o debate sobre a atuação feminina no ensino e para o registro da história da educação em Mauriti–CE.
Oral
Abrir o trabalhoJUVENTUDE, PARTICIPAÇÃO SOCIAL E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES: PERCEPÇÕES DE ADOLESCENTES PARTICIPANTES DO NÚCLEO DE CIDADANIA DE ADOLESCENTES (NUCA) DE NOVA OLINDA (CE)
MARIA MORGANNA RIBEIRO DE SOUZA
A proposta desta pesquisa é analisar as percepções de adolescentes participantes do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) do município de Nova Olinda (CE) acerca das relações entre identidade, cidadania e participação social. A escolha dessa temática decorre da compreensão de que as juventudes constituem construções históricas e sociais, atravessadas por diferentes experiências, pertencimentos e relações de poder, tornando relevante investigar como os adolescentes percebem seus direitos, seus espaços de participação e a construção de seus projetos de vida em um contexto marcado pela atuação de políticas públicas voltadas ao protagonismo juvenil. Utilizamos como metodologia uma pesquisa de abordagem qualitativa, com apoio de dados quantitativos, desenvolvida por meio da aplicação de um questionário estruturado aos participantes do NUCA, compreendendo esse instrumento como uma fonte histórica capaz de revelar representações, experiências e formas de construção das identidades juvenis. Em termos teóricos, dialogamos com Stuart Hall, ao compreender a identidade como um processo histórico e cultural em constante transformação; com Michel Foucault, cujas reflexões sobre poder, saber e produção dos sujeitos possibilitam compreender a constituição das identidades nos diferentes espaços sociais; e com Paulo Freire, ao discutir a educação como prática de formação cidadã e fortalecimento da participação democrática. A pesquisa evidencia que os adolescentes reconhecem a importância dos direitos humanos, da educação e da participação juvenil na transformação da comunidade, valorizando o protagonismo social e a construção de projetos de vida. Ao mesmo tempo, revela que muitos ainda percebem limitações quanto ao reconhecimento de suas vozes nos espaços familiares, escolares e comunitários, evidenciando tensões entre o reconhecimento formal dos direitos e sua efetivação cotidiana. O estudo busca contribuir para as discussões sobre juventudes na História do Tempo Presente, destacando o NUCA como um espaço de formação cidadã, fortalecimento das identidades juvenis e ampliação das possibilidades de participação social.
Oral
Abrir o trabalhoO CURRÍCULO COMO PRODUTO: LÓGICA DE MERCADO E MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO MÉDIO DE CARIRIAÇU (2021-2025)
GUILHERME QUIRINO FEITOSA
Esta pesquisa investiga a influência neoliberal na educação pública cearense por meio da análise de materiais didáticos do ensino médio em Caririaçu (2024-2025). O campo empírico abrangeu três instituições: EEMTI São Pedro (integral regular), EEMTI Plácido Aderaldo Castelo (tempo regular) e EEEP Paulo Barbosa Leite (profissionalizante). Defende-se que o discurso estadual de excelência oculta um modelo excludente, que submete a formação escolar à lógica de mercado. A metodologia articulou análise documental da Unidade 2 do livro Diálogos em Ciências Humanas (PNLD) e aplicação de questionários a 324 estudantes. Os dados apontam que 198 alunos consideram o material subutilizado; 154 identificam viés mercadológico em disciplinas externas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC); e 89% percebem o livro como um produto comercial, e não como um recurso pedagógico neutro. A análise documental corrobora essa visão ao evidenciar ênfase em avaliações externas e referências eurocêntricas. Tais características reproduzem a racionalidade de mercado consolidada pela Reforma do Ensino Médio — que, como aponta Cunha (2017), alterou drasticamente a estrutura curricular pública e privada. Conclui-se que o modelo educacional local invisibiliza contradições estruturais, exigindo do professor uma mediação crítica indispensável.
Palavras-chave: Neoliberalismo,. Material didático.,. Ceará. Ensino médio
Oral
Abrir o trabalhoOS DISCURSOS SOBRE COTAS RACIAIS E SOCIAIS VEICULADOS PELA JOVEM PAN NO PERÍODO 2016-2026
ALAN NEVES SOARES
O presente trabalho investiga as representações discursivas relacionadas às políticas de cotas raciais e sociais divulgadas pela Jovem Pan entre 2016 e 2026, considerando materiais publicados em seu portal oficial e em seu canal institucional no YouTube. O interesse pela temática teve origem ainda no ensino médio, a partir de discussões sobre desigualdade social, meritocracia e ações afirmativas, sendo posteriormente desenvolvido durante a graduação em História pela Universidade Regional do Cariri. A pesquisa considera que os meios de comunicação não funcionam apenas como transmissores de informações, mas também como espaços de produção de discursos que interferem na construção do imaginário coletivo e nos debates políticos atuais. Tendo como principal base teórica as reflexões de Michel Foucault em A Ordem do Discurso (1970), o estudo relaciona essa abordagem a pesquisas sobre a nova direita brasileira e a atuação da mídia conservadora. O objetivo principal é analisar como a emissora constrói suas interpretações sobre essas políticas, observando os argumentos utilizados em torno de conceitos como meritocracia, igualdade formal e reparação histórica. A hipótese inicial indica a existência de uma abordagem predominantemente crítica às cotas raciais e sociais, associada a perspectivas liberais-conservadoras. No campo metodológico, será utilizada a Análise do Discurso, com levantamento de materiais realizado através de buscas por palavras-chave nos arquivos digitais da Jovem Pan. Os conteúdos selecionados serão organizados em ordem cronológica por meio de planilha eletrônica e armazenados em formato PDF. Posteriormente, a análise buscará reconhecer padrões discursivos, formas de argumentação e estratégias de construção de sentidos presentes nas publicações escritas e audiovisuais. Pretende-se, ao final, compreender como os discursos midiáticos da emissora participam da formação de determinadas narrativas e influenciam as discussões sobre desigualdade racial e social no Brasil contemporâneo.
Palavras-chave: Jovem Pan,Acões afirmativas,cotas raciais e sociais,Mídia conservadora
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: cangaço,Religiosidade popular,Lampião e Maria Bonita, Umabanda
Oral
Abrir o trabalhoLugar, memória e religiosidade no sul do cariri cearense: história oral sobre a formação material do bairro Limoeiro – Juazeiro do Norte – CE
BRUNO LEVI DA SILVA BESERRA
A Cidade de Juazeiro do Norte possui um legado religioso que eleva o Cariri a pólo histórico nacional. No município, destaca-se o bairro Limoeiro, onde a atuação de freiras, clérigos e leigos impulsionou o desenvolvimento social, econômico e educacional. A fé na região vai além do templo, atendendo às realidades locais e gerando forte expansão geográfica. Esta pesquisa qualitativa fundamenta-se na metodologia da História Oral e na análise documental baseada em Jacques Le Goff e Michel de Certeau. Foram realizadas entrevistas com moradores, dialogando com arquivos pessoais e da secretaria paroquial. O projeto analisa as mutações da igreja local e como isso influenciou o progresso do comércio, das moradias e das edificações no entorno. O estudo rompe estereótipos ao evidenciar o protagonismo religioso de personagens locais na organização comunitária e na criação de equipamentos coletivos, como casas para desabrigados, mercados, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e instituições de ensino — a exemplo da creche Irmã Neli Sobreira. Conclui-se que a atuação transformadora converteu uma antiga vila em um bairro em constante ascensão. Neli Sobreira, Alzira de Morais, Fernando Cavalcante e Tereza Cristina surgem como potências que edificaram histórias por meio da assistência social e do fortalecimento comunitário, trazendo uma ótica feminina e popular à história do município. Assim, a história oral consolida-se como instrumento essencial para a preservação dos fatos locais.
Palavras-chave: Religiosidade,História oral,memória social
Oral
Abrir o trabalhoRESISTÊNCIA E VANGUARDA: AS CARREGADORAS DO PAU DA BANDEIRA NO SÍTIO CORRENTINHO, BARBALHA-CE, 2016-2025.
FATIMA MIRIAN LIMA DINIZ
A pesquisa investiga os aspectos culturais e sociais acerca da ação realizada por mulheres do Sítio Correntinho de carregarem o mastro da bandeira de São João Batista. A partir dessa problemática, espera-se compreender as motivações que levaram essas mulheres a reinventar a tradição de carregamento do pau da bandeira de São João Batista, visto que essa era uma prática masculina no Sítio até 2015. Por que essas mulheres decidiram carregar o pau da bandeira de seu bairro? O que a comunidade que participa dos festejos, realizados por essas mulheres, acha da reinvenção da tradição, tendo em vista suas mudanças e permanências? Além de fazer um questionamento ao machismo nessa tradição e entender como a resiliência dessas mulheres criou um espaço de representatividade no festejo. Dessa forma, busca-se analisar os simbolismos e significados realizados na ação do carregamento do mastro por mulheres. Para isso, será realizado um estudo de caso específico na expressão da tradição no Sítio Correntinho, utilizando-se de entrevistas orais com as carregadoras e com outros moradores que participam do festejo; documentos que tenham registrado essa ação, como atas de reuniões da organização da festa; Registros da capela da comunidade; Matérias de jornais e registros da comemoração com fotos e vídeos; Ademais, serão utilizadas outras pesquisas acerca da temática do pau da bandeira de Santo Antônio, buscando assimilações e reinvenções das práticas do carregamento por homens. Os conceitos a serem utilizados serão, principalmente, o de invenção da tradição, de Eric Hobsbawm (1984), e a construção de gênero na sociedade, de Joan Scott (1990). Essa pesquisa é relevante principalmente para dar visibilidade ao tema e aguçar o debate acerca dessa tradição e da representatividade feminina.
Palavras-chave: Mulheres , pau da bandeira,tradição
Oral
Abrir o trabalhoMARCUS VINICIUS DE SOUSA DA HORA
A presente pesquisa que corresponde ao meu TCC analisa a instrumentalização do futebol como ferramenta de propaganda política e controle social durante a ditadura militar brasileira, com foco no estado do Ceará durante a década de 1970 entre os anos de 1970 à 1979. Embora a historiografia tradicional priorize os grandes centros do eixo Sudeste, o contexto cearense revela dinâmicas singulares de intervenção estatal e manipulação de massas. O objetivo geral consiste em examinar os impactos da ditadura militar na Federação Cearense de Futebol (FCF), identificando como a presença de militares na gestão da entidade contribuiu para o controle do futebol cearense por diversas formas como a construção do Estádio Governador Plácido Castelo, criação de campeonatos, homenagens a militares ,auxilio político a clubes e a articulação com governadores da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) reforçaram a sustentação ideológica do regime. A metodologia adota uma abordagem qualitativa de natureza histórico-analítica, fundamentada na análise documental de boletins informativos, atas, regulamentos e correspondências da FCF, além da análise de conteúdo do Jornal dos Sports e do Jornal Unitário. O referencial teórico articula as categorias de controle social, comunicação de massas e uso político do esporte. Como resultados e discussões preliminares, observa-se que a gestão militar da federação interferiu diretamente nas estruturas organizacionais, nos calendários esportivos e na cobertura midiática local, utilizando o apelo popular de clubes como Ceará e Fortaleza para difundir uma narrativa de integração nacional e hegemonia. Conclui-se que o futebol no Ceará operou como um dispositivo estratégico de dominação simbólica, demonstrando a capilaridade das práticas autoritárias do regime militar para além das capitais centrais do país.
Palavras-chave: Ditadura Militar,Federação Cearense de Futebol,Futebol
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCENSURA E RESISTÊNCIA LITERÁRIA: CAPITÃES DE AREIA DURANTE O ESTADO NOVO NO BRASIL
MARIANE FEITOSA DUTRA
A literatura é um importante meio de representar a sociedade e de questionar problemas políticos, principalmente em períodos de governos autoritários. Nesse contexto, este estudo analisa a obra ‘Capitães da Areia’, de Jorge Amado, e sua relação com a censura imposta durante o Estado Novo (1937-1945), buscando compreender como o romance se tornou uma forma de resistência diante da repressão do governo de Getúlio Vargas. A pesquisa se justifica pela importância histórica da obra e pela necessidade de refletir sobre o papel da literatura na denúncia das desigualdades sociais e na defesa da liberdade de expressão. O estudo possui caráter qualitativo, baseado em pesquisas bibliográficas e documentais, utilizando a análise da obra de Jorge Amado e os estudos de autores como Alfredo Bosi, Antoine Compagnon e Antonio Candido, além de trabalhos sobre a censura e o contexto político do Estado Novo. Os resultados mostram que ‘Capitães da Areia’ foi considerada uma obra perigosa pelo regime, pois retratava a pobreza, o abandono infantil e os problemas sociais do Brasil, contrariando a imagem de ordem e progresso defendida pelo governo. A apreensão e a queima de exemplares do livro demonstram o receio do Estado diante do poder da literatura de despertar reflexões e críticas sociais. Além disso, a resistência presente na obra não aparece apenas nos temas abordados, mas também na valorização das vozes dos grupos marginalizados e na construção de uma narrativa que questiona a exclusão e o silenciamento impostos pela sociedade. Dessa forma, conclui-se que a obra de Jorge Amado vai além do campo literário, tornando-se um importante documento histórico e um instrumento de resistência cultural, reafirmando a literatura como espaço de luta contra o autoritarismo e de defesa da memória, da liberdade e da justiça social.
Palavras-chave: censura,Estado Novo,Literatura e Resistência,Jorge Amado,Capitães da Areia
Oral
Abrir o trabalhoDO IDEAL AO REAL: CONTRASTES NA REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NAS “POESIAS” DE BARBOSA DE FREITAS
JERRE AURÉLIO NEVES DA CRUZ
Este estudo analisa as representações das mulheres na poesia de Barbosa de Freitas, poeta cearense conhecido como o “Condoreiríssimo”. O condoreirismo foi um movimento literário que se destacou na segunda metade do século XIX no Brasil e está ligado ao Romantismo, particularmente à terceira geração romântica, também chamada de geração condoreira. Influenciado pelo poeta francês Victor Hugo, esse movimento se caracteriza por uma poesia grandiosa, repleta de questões sociais como liberdade, justiça e oposição à escravidão. Seus poetas, conhecidos como condoreiros (em referência ao condor, uma ave de voo alto), fizeram uma poesia combativa e engajada. Dentro desse contexto, Barbosa de Freitas foi uma das figuras de destaque no Ceará. Sua poesia, tal como a de outros condoreiros cearenses, se relaciona perfeitamente com as ideias libertárias da última romântica. Tomando como fonte o livro “Poesias”, investigamos como o autor retrata a mulher no contexto do Cariri, especialmente em suas representações ligadas à prostituição e à pobreza — semblantes críticos da realidade regional no século XIX. A abordagem articula análise literária e histórica, explorando as contradições entre o idealismo condoreiro (com sua defesa dos oprimidos) e a perpetuação de estereótipos femininos vinculados às estruturas de poder da época. Levanta-se a hipótese de que a poesia de Barbosa de Freitas revela tanto uma crítica social quanto a (re)inscrição de hierarquias de gênero, oferecendo um panorama complexo das dinâmicas identitárias no sertão cearense.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENTRE A DITADURA E A DEMOCRACIA: HISTÓRIA POLÍTICA, RESISTÊNCIA E CIDADANIA LGBT NO CEARÁ.
GILNEY MATOS MOTA ; Tayná da Silva Batista
Este trabalho analisa a trajetória histórica e política da população LGBT no Ceará, tomando como eixo as relações entre ditadura, redemocratização, organização dos movimentos sociais e construção da cidadania. Parte-se do período da Ditadura Militar brasileira (1964–1985), marcado não apenas pela repressão aos opositores políticos, mas também por mecanismos de controle social, moralização dos costumes, censura, violência e perseguição dirigidos às dissidências sexuais e de gênero. No contexto cearense, busca-se compreender como gays, lésbicas, travestis e outras pessoas dissidentes construíram estratégias de sociabilidade, sobrevivência e resistência diante da invisibilização e das diferentes formas de violência. A redemocratização e a Constituição Federal de 1988 possibilitaram novas formas de participação política e organização coletiva, destacando-se, no Ceará, a criação do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), em 1989, e a posterior consolidação de movimentos voltados ao enfrentamento da violência, à resposta ao HIV/AIDS e à reivindicação de direitos. O estudo também considera a ocupação dos espaços públicos pelas Paradas da Diversidade Sexual, as trajetórias de lideranças como Janaína Dutra e o processo de institucionalização das políticas públicas LGBT. Metodologicamente, trata-se de pesquisa histórico-documental, de abordagem qualitativa, articulando fontes hemerográficas, documentos institucionais, legislação, acervos de movimentos sociais e registros de memória. Argumenta-se que a história política LGBT cearense deve ser compreendida como parte da própria história da democracia no estado, uma vez que a conquista do direito à existência pública, à memória, à participação política e à cidadania constitui dimensão fundamental do processo democrático brasileiro.
Palavras-chave: História LGBT,Ceará,Ditadura Militar ,Direitos Humanos,Memória , Democracia;
Oral
Abrir o trabalhoLUGARES DE MEMÓRIAS DO CARIRI À ÉPOCA DA DITADURA MILITAR (1964-1985).
APARECIDA VALDCÉLIA FERREIRA DE ALMEIDA
Com a deposição de João Goulart (1961-1964) da Presidência, instaurou-se no Brasil um regime autoritário que perdurou por 21 anos na história nacional. A ditadura militar (1964-1985), por meio das forças armadas e com apoio de alguns setores conservadores ligados à igreja católica, à mídia corporativa e aos empresários, buscou reprimir todos aqueles que se opunham à ordem vigente. Na região do Nordeste, os aparatos repressivos da ditadura militar também se tornaram presentes, seja nos centros urbanos, sertões ou litorais. No Ceará, mais precisamente na região do Cariri, as práticas impostas pelos militares também fizeram parte do cotidiano carirense e da população. Dessa maneira, as cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha não ficaram excludentes desse mecanismo de repressão. Essas três cidades sofreram impactos estruturais e sociais de controle imposto pelo Estado autoritário. A pesquisa buscou localizar os espaços que serviram de resistência e luta durante esse período histórico.
Palavras-chave: Ditadura Militar,Memória,Cariri
Oral
Abrir o trabalhoMovimentos estudantis no Cariri cearense durante a transição à democracia (1974-1994)
JULIA KATTRYNI ALVES GALENO
A presente pesquisa investiga a atuação dos movimentos estudantis secundaristas e universitários no Cariri cearense durante o processo de transição da Ditadura Militar para a democracia, entre 1974 e 1994, tendo como foco as cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. O estudo parte da compreensão de que a redemocratização brasileira constituiu um processo complexo, marcado por disputas políticas, permanências autoritárias e novas formas de participação social. Nesse contexto, busca compreender como os estudantes se organizaram, quais pautas defenderam e quais estratégias utilizaram em suas mobilizações políticas e sociais, envolvendo também o processo de criação da Universidade Regional do Cariri (URCA) e sua relação com as lutas estudantis. O objetivo principal é analisar as formas de luta adotadas pelos movimentos estudantis caririenses no período, identificando seus modos de organização, suas relações com partidos políticos, lideranças locais, entidades religiosas e outros movimentos sociais, além de investigar possíveis ações de vigilância e repressão sofridas durante o período. A pesquisa também busca compreender as memórias produzidas pelos antigos participantes e os significados atribuídos atualmente a essas experiências. Como metodologia, são utilizadas abordagens da História Oral e da pesquisa documental, com análise de entrevistas realizadas com participantes dos movimentos estudantis, jornais, revistas e documentos de vigilância, envolvendo acervos públicos e privados. Do início desde ano até o momento atual, foi realizada a revisão das transcrições das dez entrevistas feitas no ano passado e início deste ano e, atualmente, o esforço concentra-se no mapeamento de documentos de vigilância utilizando o Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN) e o método onomástico, buscando nomes de pessoas, grupos e instituições envolvidas, e organizando esses documentos em uma base de dados ainda em processo de construção. A pesquisa ainda prevê, para este ano, a construção de um filme documentário utilizando o registro audiovisual das entrevistas. Espera-se que a pesquisa contribua para ampliar o conhecimento sobre a história política e social do Cariri cearense, evidenciando o papel dos estudantes como sujeitos históricos no processo de redemocratização. A pesquisa demonstra que esses movimentos alcançaram conquistas expressivas e tiveram participação significativa na construção de espaços de reivindicação, mobilização e participação política na
Palavras-chave: Movimentos estudantis, Redemocratização, Historia Oral, Cariri cearense
Oral
Abrir o trabalhoO CEARÁ EM TRAÇOS: O HUMOR GRÁFICO COMO LINGUAGEM POLÍTICA NA IMPRENSA CEARENSE (1977–1985)
JANIZI DAS DORES RODRIGUES
Resumo: A ampliação dos estudos sobre a ditadura militar brasileira permitiu incorporar novos objetos e perspectivas, especialmente aqueles relacionados à cultura política, às práticas culturais e à imprensa. No Ceará, a historiografia recente tem contribuído para compreender as especificidades da experiência autoritária no estado. Entretanto, o humor gráfico permanece pouco explorado como objeto historiográfico, sobretudo quanto ao seu papel na produção de discursos políticos e na construção de representações sobre o regime militar. As pesquisas dedicadas às charges concentram-se, em grande medida, nos grandes centros editoriais brasileiros ou privilegiam períodos posteriores à redemocratização, deixando em aberto questões sobre a produção humorística desenvolvida na imprensa cearense durante os anos finais da ditadura. Partindo dessa lacuna, o presente trabalho analisa o humor gráfico publicado em jornais cearenses entre 1977 e 1985, compreendendo-o como uma linguagem política inserida nas estratégias editoriais da imprensa e nas disputas pela construção de sentidos sobre a realidade. O corpus é constituído por charges publicadas em periódicos como O Povo, Correio do Ceará e Diário do Nordeste, buscando identificar de que maneira imagens e textos articularam críticas, apoios, ambiguidades e negociações em torno do regime militar e do processo de abertura política. Parte-se do entendimento de que a charge ultrapassa a dimensão do entretenimento, constituindo-se como prática cultural produtora de representações e participante da elaboração de projetos políticos e editoriais. Metodologicamente, a pesquisa articula revisão bibliográfica sobre humor gráfico, imprensa, cultura política e ditadura militar ao levantamento documental em periódicos cearenses, hemerotecas e acervos digitais, empregando a análise histórica das imagens em diálogo com seus contextos de produção, circulação e recepção. O referencial teórico fundamenta-se nas discussões de Roger Chartier, Michel de Certeau e Henri Bergson, dialogando com as contribuições de Matilde de Lima Brilhante, João Teófilo e da recente historiografia sobre a ditadura militar no Ceará. Ao privilegiar o humor gráfico como linguagem política da imprensa cearense, o estudo busca contribuir para a ampliação da historiografia da ditadura no estado, evidenciando a potência das imagens como fontes para compreender as relações entre imprensa, cultura política e autoritarismo.
Palavras-chave: Humor gráfico, Imprensa cearense, Cultura política, Ditadura militar,História da imprensa
Oral
Abrir o trabalhoRELAÇÕES DE PODER E ESCRITA DA HISTÓRIA: A TRAJETÓRIA INTELECTUAL DE RAIMUNDO DE OLIVEIRA BORGES E A HISTORIOGRAFIA DO CARIRI
JOHNNYS JORGE GOMES ALENCAR
O presente trabalho analisa as relações de poder na escrita da História do Cariri cearense a partir da trajetória intelectual de Raimundo de Oliveira Borges (1907-2010) e de sua produção historiográfica. A investigação fundamenta-se principalmente em seus escritos publicados entre as décadas de 1980 e 2010, bem como em documentos provenientes de seu arquivo pessoal. Borges foi jurista, memorialista, historiador, professor e membro-fundador do Instituto Cultural do Cariri (ICC). Neste trabalho, sua trajetória e seus escritos são tomados como objeto central para compreender as relações de poder em torno da elaboração de narrativas historiográficas. A abordagem teórico-metodológica do estudo ancora-se no diálogo com o campo da História Política, perpassado pela História dos Intelectuais e da História da Historiografia. O foco recai sobre as trajetórias, as redes de sociabilidade e os usos do passado como elementos substanciais para a análise da atuação de intelectuais em projetos vinculados à escrita da história em recorte regional. As análises demonstram que seus escritos se orientaram por uma cultura historiográfica específica que elegeu a cidade do Crato como centro epistemológico, tensionando desigualdades espaciais na construção de uma “história regional” hegemônica. Suas narrativas fundamentaram-se em três pilares: o topos da história magistra vitae, um desejo de verdade e justiça que evidenciava o diálogo entre o Direito e a História, e um modelo de escrita (auto)biográfica que narrava vidas para escrever a história. Por fim, o trabalho busca compreender como projetos individuais e coletivos se entrelaçam na construção de uma cultual historiográfica, contribuindo para a análise sobre a postura dos intelectuais atuantes nesse projeto, preocupados com às questões de seu tempo e com a elaboração de uma historiografia voltada a narrar e documentar o “passado glorioso” do Cariri e de seus “filhos”.
Palavras-chave: Historiografia,Intelectuais,Relações de poder
Oral
Abrir o trabalhoA PENITENTE DO OLHO D’ÁGUA DO ANGICO DA SERRA DO CATOLÉ: HISTÓRIA ORAL, MAPEAMENTOS E TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS
EMANUELLY FERNANDES DA SILVA ; Karla Victória Teles Siqueira; Francisco Joedson da Silva Nascimento; Cassio Expedito Galdino Pereira; Thiago de Abreu e Lima Florencio
A influência do Catolicismo Apostólico Romano no município de Juazeiro do Norte tem provocado silenciamentos das histórias de sujeitos religiosos locais, como a penitente Cícera Pires. Moradora da comunidade do Horto, reconhecida por sua sensibilidade para manifestar entidades espirituais, passou, em cumprimento a uma promessa, a realizar rituais, práticas de preservação e festejos no Olho d’Água do Angico. No entanto, suas espacialidades e contribuições permanecem pouco registradas pela historiografia oficial, sendo preservadas, sobretudo, por meio das oralidades da comunidade. Partindo dessa perspectiva, esta pesquisa tem como objetivo compreender, por meio da história oral e da produção de mapas biográficos, a trajetória socioespacial da Penitente do Horto e suas práticas relacionadas à espiritualidade no Olho d’Água do Angico, localizado na comunidade do Horto, em Juazeiro do Norte–CE. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa em história oral, tomando como fonte as narrativas da comunidade sobre a penitente. Para a produção dos dados, utilizam-se a observação participante, entrevistas e mapeamentos decoloniais. Embora ainda esteja em andamento, a pesquisa já evidencia a relevância da penitente para a constituição da sacralidade do território e para a manutenção de cosmovisões indígenas presentes na comunidade. Desse modo, propõe-se ampliar o olhar sobre a Serra do Catolé e sobre o próprio Horto, compreendendo-os não apenas como espaços marcados pela tradição católica, mas também como territórios de manifestação dos encantados, da natureza e de outras formas de espiritualidade.
Palavras-chave: Horto,Espiritualidade,Indígena,Mapa Biográfico,Memória
Oral
Abrir o trabalhoAS CARNES NAS PALAVRAS: A COBERTURA JORNALÍSTICA DOS CASOS JOHNATHANN KISS (2000), GISBERTA SALCE (2006) E DANDARA KETLEY (2017)
LUAN SILVA DE LUNA
A lgbtfobia, sendo culturalmente perpetrada, está presente no cotidiano social. O jornalismo desempenha um papel especialmente relevante na formação de opinião popular. Assim, quando se analisa a produção jornalística em torno da cobertura de assassinatos de pessoas lgbtqiapn+, nos colocamos diante de um mecanismo que incorpora uma ordem cultural em funcionamento. O objetivo deste trabalho está, portanto, em analisar a produção noticiosa em torno dos casos Johnatthann Kiss (Juazeiro do Norte, 2000), Gisberta Salce (Cidade do Porto, 2006) e Dandara Ketley (Fortaleza, 2017) e pensar nas congruências, principalmente no tocante à perpetração de violências à comunidades dissidentes de gênero, na produção jornalística. Usamos para isso os métodos quantitativo e qualitativo a partir de coleta e análise de manchetes sobre os casos citados acima, tanto em mídia impressa como digital, articulando a essa proposta os apontamentos do historiador Durval Muniz em seu livro A pele da História: Corpo, tempo e escrita historiográfica (2025). Observamos que as continuidades de violências, como a reiteração da antiga identidade de gênero da vítima, é uma prática presente nessas coberturas.
Palavras-chave: LGBTQIAPN+, Lgbtfobia, Gênero, Jornalismo
Oral
Abrir o trabalhoESTUDANTES PESQUISADORES NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA DIOCESANO CONCEITO
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; André Luiz Gomes Fagundes; Lara Maria Rodrigues Siebra
Esta pesquisa tem como objetivo analisar a participação de estudantes pesquisadores da educação básica na produção científica. Consideramos a ciência um importante meio de compreensão da sociedade, da cultura e da economia. Por meio da pesquisa, é possível revelar fatos relevantes sobre o passado de determinados grupos e contextos geográficos e históricos. Para Silva (2023), pesquisar exige compromisso, posicionamento político e métodos que dialoguem com diferentes áreas do conhecimento. Entre esses métodos, destaca-se a pesquisa da afrodescendência, que, segundo Cunha Junior (2001), permite ao pesquisador inserir-se no campo investigado. Gil (2002), por sua vez, define a pesquisa como uma prática relacional voltada à descoberta do que ainda não foi explicado. A partir da relação entre pesquisa e pesquisador, questionamos se a atividade científica deve permanecer restrita ao meio acadêmico ou se os docentes também podem formar pesquisadores na educação básica. Para responder a essa questão, iniciamos, em 2025, a formação de estudantes – pesquisadores da Escola de Educação Básica Diocesano Conceito, dando continuidade ao trabalho em 2026. Desde então, observamos resultados positivos: os alunos demonstram interesse crescente em conhecer, investigar e propor soluções para problemas como a poluição e o desmatamento das florestas brasileiras, especialmente na Chapada do Araripe. Também têm se interessado pelo estudo das culturas africanas e indígenas no Brasil, com foco na região do Cariri cearense. Adotamos uma abordagem quanti-qualitativa, que inclui a investigação e o mapeamento de espaços culturais, além da proposição de medidas para reduzir a poluição e prevenir o desmatamento em uma agenda em defesa da Chapada do Araripe. Concluímos que é necessário continuar formando pesquisadores na educação básica, a fim de ampliar a rede de investigação e aproximar esses estudantes da universidade, entendida como um espaço de produção científica.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO DOCENTE EM HISTÓRIA, CURRÍCULO E RACIONALIDADE NEOLIBERAL: UMA ANÁLISE DO PPC DA URCA
LIGIANE NUNES ALVES FERREIRA
O Projeto Pedagógico de Curso constitui um importante documento orientador da formação acadêmica, expressando concepções de educação, currículo, saber e sociedade. No campo da formação de professores de História, sua análise permite compreender os sentidos atribuídos à docência e as disputas que atravessam a seleção e a organização dos conhecimentos. Nesse sentido, este trabalho analisa o Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em História da Universidade Regional do Cariri, atualizado em 2022, mas que não chegou a ser implementado, buscando compreender as concepções de formação docente presentes no documento e suas relações com a racionalidade neoliberal e com perspectivas interseccionais. A investigação fundamenta-se nas contribuições de Michel Foucault para a análise dos discursos e das relações entre saber e poder; de Pierre Dardot e Christian Laval acerca da racionalidade neoliberal; e de autoras e autores que discutem currículo, formação docente, interseccionalidade e descolonização dos saberes, como Bell Hooks, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Walter Mignolo e Paulo Freire. Metodologicamente, realiza-se uma análise documental do Projeto Pedagógico do Curso, contemplando sua estrutura curricular, ementas, planos de ensino, bibliografias e distribuição da carga horária. A análise considera ainda a organização cronológica dos conteúdos e a articulação entre saberes disciplinares, saberes da prática de ensino e saberes teóricos para ensinar. Os resultados evidenciam tensões entre a formação disciplinar, os saberes pedagógicos e epistemológicos e as racionalidades que atravessam a organização curricular. Também são identificadas lacunas relacionadas à diversidade epistemológica e à representatividade de vozes historicamente marginalizadas, especialmente de mulheres, indicando a necessidade de ampliar a presença de perspectivas interseccionais e de saberes subalternizados na formação docente. A análise permite compreender o currículo como espaço de disputa simbólica e política, no qual se constituem determinadas formas de ser e ensinar História. Conclui-se que a reflexão sobre o Projeto Pedagógico do Curso pode contribuir para pensar caminhos de formação docente mais críticos, plurais e socialmente comprometidos, capazes de reconhecer a diversidade de experiências e saberes que atravessam o ensino de História.
Palavras-chave: Formação docente Currículo. Ensino de História.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoNARRATIVAS DOCENTES E DIVERSIDADE NA ESCOLA: EXPERIÊNCIAS DE RAÇA, GÊNERO E SEXUALIDADE NA CONSTRUÇÃO DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
PEDRO VICTOR ARAÚJO DOS SANTOS; Jussandra Érica de Morais; Ranielton Dantas de Araújo
Este trabalho tem como objetivo refletir sobre as experiências de professores no exercício da docência e na construção de práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade e da sexualidade no espaço escolar. A pesquisa fundamenta-se na perspectiva autobiográfica, compreendendo as experiências e memórias dos sujeitos como possibilidades legítimas de produção de conhecimento, conforme Passeggi (2016). Nesse sentido, as narrativas autobiográficas constituem espaços de construção e ressignificação das experiências vividas, aproximando-se da perspectiva da escrevivência, proposta por Conceição Evaristo (2020), que relaciona a escrita de si às experiências individuais e coletivas marcadas por raça, gênero e desigualdades sociais. O debate sobre as relações étnico-raciais fundamenta-se em Gomes (2017), que compreende o racismo como elemento estruturante das relações sociais e educacionais brasileiras, enquanto Munanga (2003) contribui para a compreensão das formas de construção e reprodução do racismo. Para discutir as relações entre raça, gênero e sexualidade, recorre-se à perspectiva da interseccionalidade de Collins (2021), considerando a articulação entre diferentes formas de opressão. No campo da diversidade sexual, Louro (2025) contribui para compreender a participação da escola na produção e reprodução de normas de gênero e sexualidade, destacando a necessidade de problematizar práticas heteronormativas. A pesquisa utiliza as narrativas autobiográficas de três docentes como principal fonte de reflexão, buscando identificar situações de preconceito, silenciamento, resistência e pertencimento vivenciadas em suas trajetórias. A partir dessas experiências, discute-se a construção da identidade docente, com base em Arroyo (2025), considerando os atravessamentos de raça, gênero e sexualidade, bem como as estratégias pedagógicas voltadas ao respeito às diferenças. As contribuições de hooks (2013) permitem compreender a educação como prática de liberdade, diálogo e transformação. Conclui-se que as narrativas autobiográficas possibilitam evidenciar experiências invisibilizadas e produzir conhecimentos a partir das vozes dos sujeitos, defendendo uma educação comprometida com o enfrentamento do racismo, da homofobia, da lesbofobia e de outras formas de discriminação.
Oral
Abrir o trabalhoREPRESENTAÇÕES DOS POVOS INDÍGENAS NA IMPRENSA: UMA ANÁLISE DA COBERTURA DA FOLHA DE S. PAULO SOBRE O MARCO TEMPORAL EM 2023
ANNA LUISA SILVA DUARTE
As disputas em torno do Marco Temporal ultrapassam o campo jurídico e configuram uma disputa pelos sentidos atribuídos aos povos indígenas, aos seus direitos territoriais e às formas como suas histórias são narradas na esfera pública. Inserida no campo da História do Tempo Presente, esta pesquisa analisa como a Folha de S. Paulo construiu representações sobre os povos indígenas durante o debate em torno do Marco Temporal no ano de 2023, marcado pelo julgamento do Recurso Extraordinário n.º 1.017.365 pelo Supremo Tribunal Federal e pela promulgação da Lei n.º 14.701/2023. O objetivo é compreender de que maneira a narrativa jornalística participa da produção de sentidos sobre a questão indígena, investigando quais perspectivas são privilegiadas, quais vozes recebem visibilidade e como determinadas interpretações sobre os direitos territoriais são construídas e difundidas pelo periódico. A pesquisa possui natureza qualitativa e fundamenta-se na análise de notícias, reportagens, editoriais e artigos de opinião publicados no acervo digital da Folha de S. Paulo. Como aporte teórico, dialoga com o conceito de Operação Midiográfica, de Sônia Meneses, compreendendo a mídia como produtora de conhecimento histórico e participante da construção de memórias e narrativas sobre o tempo presente. Espera-se, com esta pesquisa, contribuir para a compreensão do papel da imprensa na elaboração de representações sobre os povos indígenas e nas disputas em torno da memória, da identidade e dos direitos territoriais no Brasil contemporâneo.
Palavras-chave: Povos indígenas,Marco Temporal,Mídia,História do Tempo Presente,Representações
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Abrir o trabalhoCAROLINA MARIA DE JESUS E A ESCRITA DE SI: AUTORREPRESENTAÇÃO E CONTEXTO SOCIAL NA OBRA “QUARTO DE DESPEJO” (1950-1977)
DANIELLE MELO DOS SANTOS
A escrita de Carolina Maria de Jesus constitui uma importante forma de autorrepresentação e denúncia social no contexto brasileiro das décadas de 1950 e 1970. Compreendendo a literatura como fonte histórica e espaço de construção da memória social, esta pesquisa analisa como a autora transformou suas experiências de vida em uma narrativa capaz de evidenciar as desigualdades raciais, sociais e urbanas presentes na sociedade brasileira, além de revelar as disputas em torno da representação da mulher negra no campo literário e na imprensa. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e está inserida no campo da História Cultural, estabelecendo diálogo entre História e Literatura. As fontes centrais analisadas são a obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, e matérias publicadas na revista O Cruzeiro e no jornal Última Hora (PR). A discussão teórica apoia-se nos estudos de Patricia Hill Collins, Regina Dalcastagnè e Nicolau Sevcenko, que contribuem para a compreensão da literatura como espaço de resistência, produção de memória e construção de identidades. A análise evidencia que a escrita de Carolina Maria de Jesus rompe com a invisibilidade historicamente imposta às mulheres negras ao transformar experiências de pobreza, exclusão e discriminação em denúncia social e memória coletiva. Sua narrativa possibilita o acesso a perspectivas frequentemente silenciadas pela historiografia e pelos discursos dominantes, permitindo compreender aspectos da vida cotidiana das populações marginalizadas no período. A recepção da autora pela imprensa brasileira revelou-se marcada por ambiguidades. Embora Carolina tenha alcançado grande notoriedade pública após a publicação de Quarto de Despejo, parte dos veículos de comunicação reduziu sua produção literária à condição de “escritora da fome”, reforçando estereótipos raciais e sociais queimitaram o reconhecimento de sua atuação intelectual. Dessa forma, sua trajetória evidencia tanto a potência da literatura como instrumento de resistência quanto os obstáculos enfrentados por mulheres negras para obter reconhecimento no campo cultural brasileiro. Os resultados parciais demonstram que a obra de Carolina Maria de Jesus permanece fundamental para a compreensão das relações entre literatura, memória, raça e desigualdade social, reafirmando a importância da literatura negra brasileira para a pesquisa histórica e para a construção de narrativas produzidas a partir das experiências de grupos historicamente marginalizados.
Palavras-chave: Autorrepresentação, Literatura,Mulhere negras
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Abrir o trabalhoENSINANDO E TRANSFORMANDO: os impactos do ProfHistória na implementação da educação antirracista nas escolas do Cariri atendidas pelos professores de História formados no Prof-Urca.
MARIA CLARA BRIGIDO PEREIRA LIMA
A presente pesquisa investiga os impactos do ProfHistória-Urca na implementação das políticas antirracistas no ensino de História no Cariri cearense, buscando compreender as contribuições da formação de professores para o desenvolvimento de práticas e reflexões relacionadas à educação das relações étnico-raciais. O estudo parte do contexto de implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na educação brasileira, e tem como objetivo compreender de que maneira a formação proporcionada pelo ProfHistória-Urca se relaciona com a implementação dessas políticas no espaço escolar. A pesquisa contempla o mapeamento de professores egressos do programa que desenvolveram dissertações relacionadas às questões raciais, bem como a identificação de propostas, projetos e reflexões sobre a temática nas escolas em que esses profissionais atuam. Como parte das atividades de levantamento e sistematização dos dados, vem sendo realizado o mapeamento das dissertações produzidas por professores egressos do ProfHistória-Urca relacionadas às questões raciais. Paralelamente, está sendo desenvolvido o levantamento de escolas brasileiras que receberam selo antirracista e de produções científicas relacionadas à temática. Esses levantamentos constituem uma etapa inicial da pesquisa e contribuem para a organização dos dados que serão posteriormente analisados, possibilitando refletir sobre as relações entre formação de professores, ensino de História e educação antirracista. Espera-se, com a continuidade da investigação, compreender desafios e contribuições do ProfHistória-Urca para a implementação de políticas antirracistas no ensino de História.
Oral
Abrir o trabalhoHISTÓRIA E LITERATURA AFRICANA NA ESCOLA: PRETAGOGIA, ESCREVIVÊNCIAS E EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA A PARTIR DE DINA SALÚSTIO
FRANCISCO ILDERLANIO BEZERRA DE ALMEIDA
Este trabalho é um relato de experiência com a leitura de contos da obra Mornas eram as noites, da autora cabo-verdiana Dina Salústio, no Círculo de Leitura: Histórias e Literatura Africana, com discentes do 8º ano B e dos 9º anos A e B da Escola de Ensino Fundamental em Tempo Integral Luiz Liberato de Carvalho (LLC), em Chorozinho, Ceará. A metodologia utilizada para os encontros é a Pretagogia (Petit, 2015), que tem como base a filosofia Ubuntu, entendida por Ramose (2011) como ser-sendo. O nosso objetivo é contribuir para a construção de práticas de educação antirracista e trabalhar questões relacionadas a gênero a partir de África na educação básica. O projeto é desenvolvido desde 2024 na LLC e integrado, desde 2025, ao projeto Intelectuais Africanas (CNPq). Os círculos com Salústio aconteceram nos meses de junho e agosto, com três encontros de 90 minutos, sendo dois encontros com as turmas do 9º ano e um com o 8º ano. Também contamos com a participação de discentes da Unilab e docentes da LLC. Durante a vivência, buscamos compreender como a leitura de literaturas africanas escritas por mulheres reflete experiências vividas em contextos rurais. A metodologia de análise das experiências é qualitativa e toma como fonte os registros em diário de campo durante os encontros com as turmas do 8º e 9º anos e suas escrevivências (Evaristo, 2005), escritas e orais, produzidas durante o círculo, pois todos os alunos e alunas escreveram um poema ou um conto relacionado a um dos temas dos contos lidos. A análise dos escritos demonstra que as discussões produzidas a partir do cotidiano das mulheres nas obras de Salústio não estão distantes da realidade dos nossos discentes. Entre os estudantes dos 9º anos, surgiram contribuições durante o círculo e em suas escritas que problematizam o racismo, o machismo, o feminicídio, a colonialidade, o corpo e a justiça, acompanhadas de associações espontâneas com diferentes contextos africanos, de Cabo Verde à Nigéria. No 8º ano, as reflexões primordiais foram as de luto, ausência paterna e trabalho infantil. Esses resultados são discutidos em diálogo com Grada Kilomba (2021), sobretudo no que se refere à luta contra a subalternidade, a partir das partilhas e das escrevivências produzidas. Em suma, o nosso método se mostrou como uma prática pedagógica capaz de deslocar a posição do estudante de receptor de conteúdos para sujeito de fala e produtor de conhecimento.
Palavras-chave: Dina Salústio. Literatura Africana. Escrevivência. Círculo de Leitura. Gênero.
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Abrir o trabalhoMemória negra e quilombola a partir do arquivo fotográfico da Família Neves Carvalho
KAYLANE BARROS
O presente estudo pesquisa o arquivo fotográfico da família Neves Carvalho, possuindo como curadoras as irmãs de Valéria e Verônica. Essas mulheres, quilombolas, ativistas da causa negra caririense, educadoras populares e doutoras honoris causa pela Universidade Regional do Cariri (URCA), organizam e representam no Cariri cearense para trazer à tona as espacialidades e histórias esquecidas/apagadas da população negra. Dessa maneira, como guardiãs e responsáveis pelo Terreiro das Pretas, situado no município de Crato-CE, constroem um espaço com acervo que se configura como um território ancestral, social e político do movimento negro. Partindo dessa conjectura, explorar seu acervo fotográfico nos permite viajar essas histórias dadas como não oficiais, apagadas pelo processo de violência racial que construiu nossa região, reflexo da diáspora que ocorreu na América. Nesse sentido, essa pesquisa tem como objetivo central estabelecer um diálogo entre as memórias arquivísticas da família e a profunda conexão territorial, afetiva e histórica que esta mantém com o quilombo Saco dos Cansanção, local de sua origem, reverberando na família práticas espaciais de resistências e militância na região do Cariri cearense. Para isso, partindo de uma revisão sistemática de literatura e documentos sobre a população negra e arquivos, faz-se uso da metodologia de pesquisa-ação, o que inclui a catalogação de fotografias, documentos e objetos pertencentes à família. Essa abordagem visa organizar e expandir o acervo existente, contribuindo significativamente para a preservação e ampliação da história e memória negra e quilombola no Cariri Cearense.
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Abrir o trabalhoO NOVO DISCURSO DE NEGAÇÃO DO RACISMO NO BRASIL: A PARDITUDE E SUA RECEPÇÃO NAS PLATAFORMAS MIDIÁTICAS
JHONATA HIGOR ALVES DA SILVA
Esta pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em desenvolvimento no Curso de Licenciatura em História, da Universidade Regional do Cariri (URCA), tem como objetivo compreender de que forma a mídia tem recepcionado e contribuído para potencializar a veiculação de discursos e interpretações ideológicas que defendem a separação entre a identidade parda e negra, protagonizado pelo “movimento” da parditude e sua principal expoente, Beatriz Bueno. O estudo parte da constatação de que, diante do crescimento de interpretações revisionistas da teoria racial brasileira, intensificaram-se os questionamentos sobre a identidade racial dos pardos, a construção do sujeito negro e a defesa de uma identidade parda dissociada da identidade negra. Inserida no campo da História Cultural e do pensamento negro, e orientada por uma abordagem qualitativa, o estudo tem como principais fontes a pesquisa analisa matérias jornalísticas, entrevistas, artigos e postagens publicadas em veículos de comunicação e redes sociais, especialmente jornais digitais, Instagram e YouTube. Os resultados parciais indicam que, sobretudo a partir de 2025, houve um crescimento significativo na quantidade de publicações favoráveis e contrárias ao debate da parditude, evidenciando a centralidade que o tema passou a ocupar na midia digital. Também foi identificado o interesse de grandes veículos de comunicação, como a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que passaram a dedicar espaço ao assunto por meio de reportagens, entrevistas e artigos de opinião. A pesquisa problematiza o papel desempenhado por essas mídias na produção e circulação de narrativas sobre raça, identidade e racismo. Argumenta-se que determinados discursos difundidos nesses espaços podem contribuir para a atualização de mecanismos de negação do racismo estrutural e para a deslegitimação das formulações históricas do movimento negro. Nesse sentido, o trabalho aponta elementos iniciais os quais demonstram que a ampliação do debate sobre uma identidade parda apartada da identidade negra não ocorre de forma neutra, mas está inserida em disputas políticas e simbólicas que influenciam a compreensão das relações raciais no Brasil contemporâneo. Ao analisar esses processos, a pesquisa indica a importância de contribuir para a reflexão sobre os impactos da mídia na construção das identidades raciais e nas disputas em torno das teorias sobre raça e racismo no país.
Palavras-chave: Racismo, mídia
Oral
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