61 de 61 trabalho(s) aceito(s)
AS FRONTEIRAS ENTRE A LIBERDADE E A ESCRAVIDÃO.
MARIA CLARA SILVA GOMES
Esta pesquisa visa analisar as relações sociais vigentes durante o século XIX. Tendo como foco principal o fenômeno da escravização ilegal, que passa a se estruturar de forma mais intensa durante a segunda metade do XIX. Busca-se interpretar esse fenômeno e como percorreu toda a sociedade brasileira, dando ênfase a região do Cariri Cearense, desse modo mantendo suas bases por meio da reprodução do cativeiro ilegal, tendo como reprodutoras meninas. Garotas essas que viviam sobre a tutela dos seus senhores, que em determinados momentos faziam parecer dissolvida à fronteira existente entre escravidão e liberdade. Principalmente com o discurso de educação virtuosa ou por ser tratada como um membro da família, entretanto cabe ressaltar que existiam formas de resistências presentes na vivência dessas vitimas. Além disso, para melhor análise dessa pesquisa utilizamos de fontes presentes no acervo do Centro de Documentação do Cariri- CEDOCC e periódicos encontrados na hemeroteca digital. Em suma estamos observando por meio desse estudo que esses sujeitos, são filhos de pessoas de cor e escravizadas, desse modo, estão inseridos em um meio de precariedade que em muitas ocasiões advêm da infância e da condição social atuante daquele indivíduo.
Palavras-chave: Mulheres,Século XIX,Escravização Ilegal
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCRÍTICA MARXISTA Á POLÍTICA BURGUESA
THIAGO DA SILVA ARAÚJO
Este trabalho tem como objetivo analisar a luta de classe na França no século XIX, entre 1848 a 1851. A partir do método do materialismo histórico-dialético e tendo como repertório teórico o livro O 18 Brumário de Luís Bonaparte (2011) escrito por Karl Marx. Após a revolução de fevereiro de 1848, movimento popular que derrubou o rei Luís Felipe 1° que instaurou a segunda república francesa, posteriormente houve em 1848 as ditas jornadas de junho, que marca a ruptura entre burguesia e o proletariado. A repressão mostrou que a burguesia preferiu a ordem á revolução, abrindo espaço para a reação conservadora, retratando como surge uma figura cômica e caricata, que se veste com a fantasia de estadista para enganar o povo e garantir o poder da burguesia. Desse modo, com o estudo do método marxista compreendemos os acontecimentos desse período, temos a percepção de que as condições materiais de existências presentes no corpo social, onde serão moldadas tendo em vista suas relações sociais e políticas. Por fim, a análise busca questionar a aparência da realidade e suas causas profundas, baseadas nas condições materiais de existência de uma organização estruturada conforme os antagonismos de classe durante o período estudado neste trabalho.
A CATEGORIA DE CULTURA POPULAR NA OBRA E TRABALHO DE JOSÉ ALVES DE FIGUEIREDO FILHO (1950 – 1970)
MARCOS EMMANUEL SANTOS DO NASCIMENTO
Este trabalho analisa a apropriação da categoria de “cultura popular” em narrativas e representações sobre a construção da identidade caririense entre as décadas de 1950 e 1970, utilizando, para tanto, as contribuições de intelectuais e memorialistas, com destaque para a obra e atuação do memorialista José Alves de Figueiredo Filho. O objetivo proposto é compreender como determinados grupos de intelectuais e instituições disputam o poder simbólico de “dizer” o que é o Cariri – tanto em sua configuração territorial quanto em seus significados culturais – e quais manifestações culturais são legitimadas nesse processo. Para isso, parte-se da categoria de cultura popular como uma construção erudita, apropriada estrategicamente por atores sociais, para entender assim, quais lugares são destinados a estas manifestações. A pesquisa encontra-se em estágio inicial e adotamos a análise documental e a leitura crítica para análise da obra e trabalho do José Alves de Figueiredo Filho. Espera-se contribuir com a história social da cultura e com a compreensão do papel dos intelectuais e da cultura popular na conformação simbólica de um “Cariri” diferenciado de seu entorno sertanejo e do litoral representado pela capital do estado.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoCENTRO CULTURAL MESTRE NOZA: O ARTESANATO COMO UM SIMBOLO DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA E RELIGIOSA NO FORTALECIMENTO PELA DEVOÇÃO À FIGURA DO PADRE CÍCERO
MATHEUS ALENCAR ALMEIDA ; Cicera Wanessa dos Santos Nunes
Nessa pesquisa será apresentado a importância do Centro de Cultura Popular Mestre Noza, localizado em Juazeiro do Norte no estado do Ceará, expondo ao público uma vasta diversidade de manifestações artísticas que expressam a fé e devoção à religiosidade local destacada pela figura do Padre Cicero Romão Batista, levando em consideração o seu grandioso impacto no trabalho manual local que se alastrou por toda a região nordeste do país. O centro foi nomeado em homenagem ao xilogravurista Mestre Noza, que propagou a sua arte como influência da sua crença, e por esse meio, obteve influência significativa para atrair ainda mais artesãos para a região. É perceptível que o trabalho rústico, frequente no cotidiano do Cariri cearense, possui grande impacto no turismo religioso e na economia da região, evidência da influência do artesanato como peça-chave para expansão e reconhecimento da região, demostrando o crescimento dessa prática desenvolvida em Juazeiro do Norte. O foco central dessa pesquisa está relacionado na valorização dos artesãos que encontram por meio de suas técnicas manuais expressar sua devoção e consequentemente garantir sua renda familiar, que através de turistas e devotos de figuras religiosas impulsionam a valorização desse comércio. Além de compreender e identificar a origem e significados pertencentes a essas esculturas, analisando a proposta apresentada pelos autores de suas obras e revigorando sua arte como um meio de resistência. O método de pesquisa é desenvolvido por meio de pesquisas em campo no Centro Mestre Noza, com foco nos relatos orais dos artesãos que testemunham sua fé e devoção ao realizar suas esculturas, como também os empecilhos enfrentados por esses trabalhadores no âmbito artesanal. Ao realizar essa pesquisa oral entre os artesãos do Centro Mestre Noza, ficou claro que ingressaram nesse meio por necessidade e por influência de pessoas próximas. Destacaram que as esculturas mais vendidas estão relacionadas a figuras religiosas católicas, entre elas o destaque de imagens do Padre Cícero. No entanto, afirmam que a valorização desses trabalhos manuais são mais frequentes com turistas do que com a própria população da região, lugar que é marcado pela fé católica, além de destacarem que a valorização dessa cultura é mais expressiva fora do Juazeiro do Norte. Portanto, é evidente a influência e importância dos artesãos para a sociedade e contribuição para a fé católica, entretanto sofrem pela ausência de valorização local.
As duas faces de Eva: gênero e rebeldia na obra de Rita Lee (1972-1976).
MARIA CAROLLINE ALVES DE ARAÚJO
A presente pesquisa faz parte da elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso em História, pela Universidade Regional do Cariri, em que proponho a análise das representações de gênero nas canções da cantora Rita Lee, na fase inicial de sua carreira solo. A música, em especial no período da ditadura civil-militar, foi uma importante porta-voz das ideias de rebeldia, resistência e protesto contra o regime autoritário, bem como contra os costumes de uma sociedade conservadora, como a brasileira. O golpe cívico militar, ocorrido em 1964, foi um tempo repleto de angústias para muitos brasileiros, em especial aos que iam contra os princípios que estavam sendo impostos pela ditadura instalada. Houve no intervalo de 1968 a 1974, o governo do General Costa e Silva e do General Médici, que também ficaram conhecidos como “os anos de chumbo”. Nesses anos houve a maior repressão de todo o período ditatorial, como por exemplo: a criação do AI-5 e o aumento de torturas, assassinatos e desaparecimentos daqueles que desaprovavam o governo. Artistas de diversas áreas, militantes e estudantes sofreram com a censura e foram cruelmente torturados nesse período. Lee, em 1976, foi presa após os militares terem implantado, segundo ela, drogas em seu apartamento. No período indicado foi apurado que ela não estava fazendo o uso de entorpecentes já que estava grávida de seu primeiro filho, a cantora cita o ocorrido em sua primeira autobiografia intitulada “Rita Lee: uma autobiografia” de 2016 e em entrevistas, como em uma feita pelo jornalista Pedro Bial, no programa “Conversa com o Bial”, em 2017. A efetivação do trabalho será feita, principalmente, por meio de análises de músicas de autoria da Rita Lee no período proposto inicialmente e buscando analisar as representações de gênero presentes nas letras e nas performances da compositora, tendo como amparo as pesquisas de Judith Butler, Simone de Beauvoir e Joan Scott. A pesquisa que ora propomos, está em seu estágio inicial e buscará articular a análise de gênero no contexto da ditadura militar tomando como lócus privilegiado a obra musical de Rita Lee.
Palavras-chave: gênero,Rita Lee,música,ditadura,resistência
Oral
Abrir o trabalhoA IMPORTÂNCIA DE ENSINAR MULHERES NA HISTÓRIA: SILENCIAMENTOS E RESISTÊNCIAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO
VIRGINIA MARIA BELÉM SOBRAL DE LACERDA ; FRANCISCO EGBERTO DE MELO
O livro didático é um importante suporte para os docentes e estudantes na medida em que serve de guia para o processo de ensino e aprendizagem, já os manuais do professor, que integram essas coleções, assumem uma função estratégica como dispositivos de formação docente em serviço. No entanto, é preciso problematizar se esses manuais incorporam debates contemporâneos sobre gênero, decolonialidade e representação histórica das mulheres ou se apenas reproduzem uma pedagogia superficial e normativa. Esse trabalho tem por objetivo compreender os subsídios epistêmicos presentes nos manuais do professor que acompanham os livros didáticos aprovados no PNLD 2026-2029 para a formação docente no que diz respeito à abordagem da história das mulheres e das relações de gênero no Ensino Médio. A pesquisa se encontra em andamento para a dissertação de mestrado profissional ProfHistória. Esta comunicação pretende analisar os manuais do professor que acompanham as coleções de livros didáticos de História PNLD 2026-2029, para o Ensino Médio, adotados pelas escolas da rede pública estadual de Mauriti, observando em que medida eles contribuem para a formação dos docentes no que diz respeito ao ensino das relações de gênero e história das mulheres numa perspectiva decolonial. A metodologia de pesquisa é qualitativa com abordagem crítica, analisando quatro coleções didáticas do PNLD 2026-2029 (livro do aluno e o manual do professor), além dos documentos oficiais (BNCC, PNLD e Lei 14.986/2024) e entrevistas com os professores da rede estadual de Mauriti sobre a utilização desses manuais. Como referenciais teóricos esse trabalho se baseia nos estudos de gênero como categoria de análise por Joan Scott, na interseccionalidade na perspectiva de Lélia Gonzales, na crítica interseccional defendido por Angela Davis, nas noções de colonialidade de gênero de Maria Lugones, no conceito de representação e mediações de Roger Chartier e nos estudos sobre gênero e educação de Guacira Lopes Louro.
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoAS PRÁTICAS DE BENZEDURAS NAS AULAS DE HISTÓRIA: POSSIBILIDADES PEDAGÓGICAS NO ENSINO MÉDIO
ITAMAR SILVA LIMA
Esta pesquisa, vinculada ao Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória – URCA), investiga como as práticas de benzedura, ainda presentes no cotidiano das comunidades de Pio IX-PI, podem ser integradas criticamente ao ensino de História no Ensino Médio. Parte-se da seguinte problemática: de que forma as práticas de benzedura podem ser integradas criticamente ao ensino de História do Ensino Médio como estratégia de valorização dos saberes tradicionais e da identidade local dos estudantes? Tal questão emerge do silenciamento curricular que atinge saberes ancestrais, especialmente os produzidos por mulheres negras, idosas e pobres do sertão. O objetivo geral é compreender a relevância cultural, histórica e pedagógica das benzeduras e propor sua inserção no currículo por meio de uma abordagem decolonial que promova a justiça epistêmica. A pesquisa adota metodologia qualitativa, com base na História Oral Temática (Alberti, 2004; Portelli, 1997; Delgado, 2010), análise de conteúdo (Bardin, 2011), observação participante e entrevistas com benzedeiras, professores e estudantes. O referencial teórico articula a História Cultural (Chartier, 1990; Pesavento, 2005), o Ensino de História crítico (Bittencourt, 2018; Rüsen, 2007), a crítica curricular (Apple, 2006; Sacristán, 2000) e os estudos decoloniais (Santos, 2010; Mignolo, 2003; Walsh, 2010). Como resultado, será produzido um caderno pedagógico multimodal intitulado “Saberes que curam: as benzeduras na história local”, voltado à 2ª série do Ensino Médio do CETI Nossa Senhora do Patrocínio. Busca-se, assim, valorizar memória, identidade cultural e saberes populares por meio de práticas educativas contextualizadas, afetivas e interculturais.
Palavras-chave: Ensino de História,Benzeduras,História Oral,Currículo,Educação decolonial
Oral
Abrir o trabalhoANÁLISE DO CURTA-METRAGEM “O DESCANSO DAS ALMAS” COMO INSTRUMENTO DE DEMARCAÇÃO DA PRESENÇA INDÍGENA NA SERRA DO CATOLÉ
LARYSSA RAYANNE PEREIRA DYAS ; Maria Raynara de Brito Macedo
Este trabalho tem como objetivo propor práticas pedagógicas que valorizem a identidade indígena da Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte-CE, por meio do curta-metragem O Descanso das Almas, de Joedson Kariri e Juma Pariri. A proposta parte de narrativas orais sobre a ancestralidade indígena Kariri, buscando compreender a formação da comunidade e propor uma educação crítica, contextualizada e antirracista. A metodologia é dividida em três etapas: levantamento teórico, exibição e discussão do curta e análise com devolutiva à comunidade. O filme destaca a relação espiritual dos Kariri com um Pé de Tamboril, árvore sagrada da região, e denuncia os impactos da urbanização sobre os territórios indígenas. Com base nos estudos de autores como João Pacheco de Oliveira, Rosani Fernandes e Daniel Munduruku, além da Lei nº 11.645/2008, que obriga o ensino da temática indígena nas escolas, o trabalho propõe uma sequência didática para escolas localizadas em territórios indígenas ou próximas deles. A proposta inclui aulas com literatura indígena, jogos didáticos sobre a presença indígena no Ceará e análise do curta-metragem. Este trabalho reconhece a oralidade como forma legítima de conhecimento e visa romper com práticas escolares excludentes, promovendo o pertencimento indígena e o fortalecimento da memória coletiva. Espera-se que a iniciativa contribua para a formação de sujeitos críticos e para a valorização dos saberes e identidades dos povos originários.
Palavras-chave: Educação antirracista ,identidade indigena, Povo Kariri, Serra do Catolé, Praticas pedagogicas
Oral
Abrir o trabalhoDireitos Humanos, Cinema & Sensibilidade: construindo espaços para a formação cidadã de adolescentes e jovens do Cariri cearense.
A invisibilidade das Mulheres negras como sujeito do feminismo
MARIA NÁDIA DE LIMA SOUSA
A INVISIBILIDADE DAS MULHERES NEGRAS COMO SUJEITO DO FEMINISMO: UMA ANÁLISE A PARTIR DE DJAMILA RIBEIRO E ANGELA DAVIS Maria Nadia de Lima Sousa Coautor Orientadora: Professora Dra. Rúbia Micheline Moreira Cavalcanti Resumo: Este trabalho tem como objetivo discutir a invisibilidade das mulheres negras dentro do movimento feminista hegemônico, analisando as contribuições de Djamila Ribeiro e Angela Davis como marcos teóricos centrais. Historicamente, o feminismo predominante se concentrou nas experiências das mulheres brancas de classes médias, deixando à margem as vivências das mulheres negras, cujas opressões são atravessadas simultaneamente por raça, classe e gênero. A metodologia utilizada baseou-se em pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico, com ênfase na análise crítica de obras das autoras mencionadas e outros textos correlatos. Os resultados evidenciam que, apesar de avanços nos discursos feministas atuais, as mulheres negras ainda são sub-representadas como protagonistas de suas lutas. A discussão aponta que a interseccionalidade, enquanto ferramenta analítica, revela como essas múltiplas opressões operam de forma articulada, reforçando a necessidade de uma prática feminista inclusiva e plural. Conclui-se que reconhecer e valorizar a trajetória das mulheres negras é fundamental para a construção de um feminismo mais democrático e transformador. Palavras-chave: Feminismo,Mulheres negras,Interseccionalidade, Invisibilidade, Angela Davis. Agradecimentos: Agradeço à Universidade Regional do Cariri (URCA), a minha orientadora e aos colegas pesquisadores que ajudaram com sugestões relevantes durante o desenvolvimento do projeto. Agradeço ainda ao professor Jaime Valim pela ajuda durante o processo.
Palavras-chave: feminismo , mulheres negras , invisibilidade , interseccionalidade
Oral
Abrir o trabalhoNÃO HOUVE DITADURA? DISCURSO NEGACIONISTA NAS MÍDIAS DIGITAIS SOBRE O GOLPE DE 64
KAYLANE BARROS; Clarissa Benjamin de Queiroz
Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa de Iniciação Científica “Histórias paralelas, caminhos reacionários: As versões da história costuradas pela extrema-direita no Brasil (2004 a 2024)”, vinculado ao LAPEHC (Laboratório de Pesquisa em História Cultural) da Urca. A princípio, essa pesquisa investiga como narrativas de extrema-direita têm tensionado o campo da memória histórica ao disseminar versões negacionistas sobre o golpe militar de 1964. Desse modo, as análises partem da atuação de criadores de conteúdo conservadores nas redes digitais, sobretudo o instagram, e como eles operam como agentes do negacionismo histórico em relação ao golpe de 1964 e à ditadura civil-militar brasileira. Portanto, ao evidenciar as estratégias de esquecimento e negação no ambiente digital, este trabalho tem por objetivo a divulgação de uma abordagem crítica e informada da história e uma reflexão sobre o papel das redes sociais na produção e disseminação de narrativas negacionistas sobre a história recente do país e como estas impactam nossa atual conjuntura social e política.
Oral
Abrir o trabalhoA BANCADA EVANGÉLICA E A AGENDA ANTIABORTO NO GOVERNO BOLSONARO:UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DOS DEPUTADOS FEDERAIS (2019-2022).
VERÔNICA GUEDES FERREIRA
A BANCADA EVANGÉLICA E A AGENDA ANTIABORTO NO GOVERNO BOLSONARO:UMA ANÁLISE DOS DISCURSOS DOS DEPUTADOS FEDERAIS (2019-2022). Autor Verônica Guedes Ferreira Orientador Prof.Dr. Jaime Valim Mansan Este trabalho analisa a atuação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) - conhecida como bancada evangélica - durante o governo Bolsonaro (2019-2022), com foco nas políticas públicas relacionadas ao aborto. O estudo investiga como os discursos e projetos de lei apresentados por deputados federais evangélicos influenciaram o debate legislativo, revelando o fortalecimento do vínculo entre religião e política. A FPE, grupo suprapartidário com atuação articulada no Congresso Nacional, tem se consolidado como uma das principais forças conservadoras do país. A pesquisa adota como referência teórica autores como Celina Souza, ao discutir políticas públicas como respostas estatais organizadas, e Gramsci, ao abordar a ideologia como instrumento de dominação cultural. Com base nesses referenciais, analisa-se como a FPE atua na tentativa de impor uma hegemonia religiosa no espaço público e político, utilizando a agenda antiaborto como um de seus principais focos. Por meio da análise de conteúdo de discursos, projetos de lei e outros documentos legislativos, foi possível identificar quatro eixos centrais da atuação da bancada: aumento da criminalização, proibição total do aborto, restrição à divulgação de informações e defesa dos “direitos do nascituro”. O estudo evidencia que essas iniciativas, baseadas em valores religiosos, muitas vezes se sobrepõem a princípios constitucionais como a laicidade do Estado e os direitos reprodutivos das mulheres. Assim, a pesquisa aponta para os desafios enfrentados por sociedades democráticas e plurais diante do avanço de grupos religiosos no campo político, e destaca a necessidade urgente de um debate público mais qualificado sobre o tema.
DO PÃO AO BERRO: A PADARIA ESPIRITUAL NA CANÇÃO DE EDNARDO
SHIRLEY PINHEIRO LIMA
Em uma sociedade, todo gesto é político, seja o termo mobilizado ou não. Quando relacionada com a política, a arte assume o importante papel de produtora de fenômenos de transformação, reprodução e compreensão de um sistema social. Assim como a História, é comum observar a ciclicidade dos movimentos artísticos e sua relação com outros gêneros, textos, enunciados e discursos, para além do espaço-tempo. Na linguística e nos estudos literários, essa relação entre um texto e outro é conceituada a partir das teorias de intertextualidade, em que todo texto é resultado da relação intertextual com outros enunciados. Partindo desses pressupostos, este trabalho tem como objetivo analisar as ocorrências de resistências e intertextualidades presentes na letra da canção “Artigo 26”, do cantor cearense Ednardo, inspirado nas produções e discursos do grêmio literário Padaria Espiritual, em especial seu Programa de Instalação. Esta trata-se de uma pesquisa bibliográfica e descritiva, para a qual utilizamos livros e artigos publicados sobre a Padaria Espiritual, assim como textos e poemas produzidos por membros da Padaria Espiritual e a produção musical do cantor Ednardo. Como embasamento teórico, utilizamos Sânzio Azevedo (2011); I. V. Koch; A.C. Bentes; M. M. Cavalcante (2008); Marcos Napolitano (2011), dentre outros. Com esta pesquisa, percebemos que o cantor cearense engajou sua produção musical à luta contra a censura do governo ditatorial, inspirado em suas próprias raízes, a Padaria Espiritual, uma das mais fascinantes fontes de resistência artísticas do Ceará.
Palavras-chave: Padaria Espiritual,Ednardo,Intertextualidade
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoDISPUTAS DE FÉ E AUTORIDADE: AS TENSÕES ENTRE IGREJA E A POLÍTICA NOS ARTIGOS “JOASEIRO EM FOCO” (1925)
ÍTALO DIEGO DE OLIVEIRA FEITOSA
A proposta investiga os conflitos entre fé popular, política e autoridade eclesiástica em Juazeiro do Norte, com foco nas disputas simbólicas e institucionais ocorridas em 1925. O estudo analisa os artigos “Joaseiro em Foco”, escritos pelo padre Manoel Macedo Correia e publicados no jornal O Nordeste, e a reação dos aliados de padre Cícero, expressa em matérias do jornal O Commercio e em telegramas digitalizados e arquivados no CEDOC/UFC. O problema central é compreender como se deu a luta por hegemonia moral, simbólica e institucional em um contexto marcado pela politização da religiosidade popular. A pesquisa articula metodologia de análise documental com abordagens próprias da história política (NAPOLITANO, 20007) e da história da imprensa (BARBOSA, 2007; (SCHMIDT, 1996), considerando os meios de comunicação como instrumentos de disputa ideológica e representação de poder. Os resultados parciais apontam que as tensões expressas na imprensa e nos documentos oficiais não apenas refletiram os conflitos de sua época, mas também contribuíram para moldar a identidade política e religiosa de Juazeiro do Norte como um espaço de disputa por legitimidade moral e institucional.
Oral
Abrir o trabalhoDA PROMESSA À FESTA: A TRADIÇÃO DA SUBIDA DO HORTO NA SEXTA-FEIRA SANTA
CICERO ARTHUR OLIVEIRA DE LIMA
Esta pesquisa tem como objetivo analisar a tradição de subir a pé a ladeira do Horto, que se estende do rio Salgadinho até a estátua do Padre Cícero, na Sexta-feira Santa de cada ano, investigando sua origem e evolução ao longo do tempo. Busca-se compreender os fatores que impulsionaram e ainda sustentam essa prática, que combina devoção religiosa, memória coletiva e sociabilidade. A metodologia adotada é qualitativa, fundamentada na análise de fontes bibliográficas e documentais, periódicos, relatos orais e estudos sobre a religiosidade popular e o culto ao Padre Cícero. Como referencial teórico, a pesquisa se apoia na obra A Invenção das Tradições, de Eric Hobsbawm, que discute a construção e a ressignificação das tradições ao longo da história. Além disso, dialoga com autores que estudam a figura do sacerdote, as práticas religiosas a ele associadas e sua construção simbólica. Atualmente, o estudo encontra-se em fase inicial, com o levantamento de fontes e a estruturação do arcabouço teórico.
ORGANIZAÇÃO DAS JUVENTUDES RURAIS: O CASO DA PASTORAL DA JUVENTUDE RURAL NO CARIRI CEARENSE NA DÉCADA DE 1990
FRANCISCO YTALO DE LIMA SILVA
O presente trabalho objetiva apresentar os resultados parciais de minha pesquisa de doutorado que trata sobre a história da Pastoral da Juventude Rural (PJR) na região do Cariri cearense na década de 1990. A PJR é uma organização de juventude rural de abrangência nacional vinculada a Igreja Católica, surgida em 1983. No Cariri cearense, seus grupos foram formados a partir de 1992 por intermédio da Diocese de Crato, que convidou lideranças jovens das comunidades rurais para participarem dessa construção coletiva, que envolveu jovens rurais e padres diocesanos. Neste sentido, tomo como material de análise a história de vida de três lideranças da época, que tiveram um papel fundamental no processo de articulação e coordenação dos primeiros grupos que foram criados nas cidades de Brejo Santo, Milagres, Nova Olinda e Santana do Cariri. A metodologia utilizada para coleta e análise das narrativas orais é História Oral, por se tratar de uma pesquisa que busca analisar os diferentes significados e a importância que as pessoas entrevistadas atribuem a experiência em que participaram e protagonizaram. Por fim, o exame preliminar das fontes tem revelado o quanto a experiência foi exitosa e profícua na trajetória de vida dos integrantes desses grupos. Mas também, tem revelado como a interferência diocesana limitou a participação dos grupos nos debates políticos e sociais da época, ocasionando conflitos entre as lideranças que preferiam atuar mais alinhadas a Igreja Católica e os que queriam participar ativamente das discussões políticas.
Palavras-chave: Juventudes rurais. Diocese de Crato. Pastoral. Movimentos sociais. Cariri cearense
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoA ciência viaja ao sertão: Francisco Freire Alemão e a Vila de Exu no século XIX
JOSE ITALO DOS SANTOS NASCIMENTO
Este trabalho analisa os registros do naturalista Francisco Freire Alemão durante sua passagem pela vila de Exu, Pernambuco, em 1860, no contexto da Comissão Científica de Exploração (1859–1861). A partir de seu diário, observam-se descrições da paisagem, da arquitetura local, das relações sociais e, sobretudo, de interações com povos indígenas presentes na região no século XIX. A leitura crítica do diário de Francisco Freire Alemão permite compreender como a ciência oitocentista operava como ferramenta de legitimação do domínio territorial e simbólico do Estado imperial. Ao registrar minuciosamente paisagens, estruturas arquitetônicas, modos de vida e dinâmicas sociais da vila de Exu, o botânico também consolidava uma narrativa que naturalizava a subordinação dos povos indígenas e a concentração fundiária nas mãos de descendentes de colonizadores. Dessa forma, a obra de Freire Alemão se configura como uma fonte ambígua: valiosa para reconstruir a história social do sertão, mas também marcada pelas hierarquias epistêmicas e pelo silenciamento das vozes indígenas que buscava representar. A análise dialoga com os questionamentos de João Pacheco de Oliveira (1987) sobre as finalidades das viagens científicas e os interesses coloniais que moldaram os discursos sobre os povos e territórios explorados. Ao focar nos registros produzidos na região do Araripe, o estudo busca contribuir para uma leitura crítica das expedições imperiais e para a valorização das fontes de viagem como instrumento de reconstrução histórica das resistências indígenas no Brasil oitocentista.
Palavras-chave: Expedições científicas, Exu, povos indígenas, Francisco Freire Alemão.
Oral
Abrir o trabalhoA DITADURA NO SERTÃO CEARENSE (1964–1985): OS CASOS DE VICENTE POMPEU E JOSÉ RODRIGUES
A VIOLÊNCIA COMO OBRA DE ARTE ATRAVÉS DA CINEMATOGRAFIA AMERICANA (1970-1979)
ADNE CRISTINE MOREIRA DIAS
O cinema, sendo uma das principais fontes de entretenimento utilizadas nos dias atuais, é um dos caminhos mais notáveis para entender essa influência. Frequentemente torna-se muito mais que um simples objeto para o deleite humano, transforma-se em uma ferramenta eu expressa das práticas culturais e políticas de uma sociedade. Sua influência na percepção social tem sido utilizada desde seu primórdio. Facilitar a propagação de ideais, pensamentos, sentimentos e até mesmo mensagens odiosas de forma esteticamente agradável ou chamativa tem-se mostrado frequentemente ser um dos motivos principais para a existência. Da mesma forma, notavelmente, comportamentos sociais e políticos têm sido capturado pela lente de cinegrafistas norte-americanos, sua ficção sendo fortemente influenciada pela massa o que na segunda metade do século XX significou focar-se cada vez mais em uma mídia que busca, em sua maioria, a aquisição de grandes bilheterias e que cada vez mais se distanciam de produções consideradas de qualidade. Pretende-se através do filme “O Massacre da Serra Elétrica” de 1974, dirigido por Tobe Hooper, analisar as representações da violência como prática cultural nas obras cinematográficas do cinema estadunidense da década de 1970, com o intuito de compreender, levando em conta o fascínio com a violência de forma estética, o papel dos conflitos sociopolíticos no cinema setentista e seu reflexo no consumo do entretenimento cinematográfico. Será levado em conta o caráter ficcional da obra bem como sua linguagem estética, que nos permite desenvolver diálogos a partir da análise fílmica, dissecando os conteúdos visuais, sonoros, textuais e qualitativos das produções a fim de observar seu caráter estético e suas intenções narrativas estabelecidas a partir da seleção de frames, cenas e diálogos juntamente seu caráter visual e sonoro. Espera-se investigar e compreender qual o melhor elemento para representar uma sociedade coberta por injustiças, guerras e censuras se não a violência, o que importa para o poder político a forma como as obras cinematográficas são produzidas e consumidas e o que significa para uma sociedade abalada por inúmeros conflitos sociopolíticos consumir produções cinematográficas que agora são voltadas apenas para o entretenimento.
Palavras-chave: História Cultural, Cinema Estadinidense, Sociopolítica, Violência, Pós-Guerra
DO ENSINO TRADICIONAL À MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA UMA EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA
MATEUS PINHEIRO
O presente estudo analisa a transição do modelo tradicional de ensino, centrado na figura do professor como transmissor de conteúdos, para práticas mediadas que reconhecem o estudante como protagonista do processo de aprendizagem. Em um cenário educacional marcado por transformações tecnológicas, culturais e sociais, evidencia-se a necessidade de superar a lógica expositiva e memorística, ainda presente no ensino superior, em favor de metodologias que promovam autonomia, pensamento crítico, empatia e construção coletiva do saber. O trabalho adota uma abordagem teórico-reflexiva, de base qualitativa e bibliográfica, ancorada em autores como Vygotsky, Paulo Freire, Fonseca, Tébar e Ibernón. A mediação pedagógica é compreendida como prática intencional, centrada nas interações sociais e no respeito às singularidades dos alunos, tendo na Zona de Desenvolvimento Proximal um referencial importante para planejar ações que potencializem o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes. A figura do professor mediador emerge como elo entre saberes acadêmicos e a vivência dos alunos, exigindo formação sólida, escuta ativa, sensibilidade e planejamento consciente. São discutidas estratégias como rodas de conversa, projetos interdisciplinares e ensino por investigação, além dos desafios enfrentados na formação inicial e continuada de docentes, carentes de preparo para práticas mediadas e críticas. A pandemia da Covid-19 evidenciou fragilidades estruturais do ensino tradicional e reforçou a urgência de mudanças. Conclui-se que a mediação pedagógica não é apenas um recurso metodológico, mas uma postura ética e política voltada à formação integral dos estudantes e à construção de uma escola conectada com a realidade, transformadora e comprometida com a cidadania.
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Luta de classe, Século XIX, Materialismo histórico-dialético
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoDISPUTAS PELA POSSE DAS DATAS E SESMARIAS COLONIAIS NO ALTO SERTÃO PARAIBANO: O SILENCIAMENTO DA PRESENÇA E RESISTÊNCIA INDÍGENA TUPI NA REGIÃO
DJALMA LUIZ DO NASCIMENTO DANTAS
O presente trabalho busca apresentar as percepções historiográficas acerca do povoamento indígena pré-colonial e colonial no Alto Sertão Paraibano, tendo em vista as recentes descobertas arqueológicas dos Sítios Arqueológicos Tupis - Tupi Moconha em Serra Grande-PB (2022) e Boa Fé em Cachoeira dos Índios-PB (2023) – nesse território. Tais achados se tornaram fontes subsidiais para o questionamento das narrativas históricas predominantes, sobre a ocupação dos povos indígenas nos sertões da Paraíba, pois, ainda são comuns as narrativas historiográficas não mencionarem, ou até mesmo negarem, a presença Tupi como ocupantes destes territórios. Tradicionalmente, o espaço e as escritas apontam como povos autóctones da região os grupos indígenas Tapuias e Cariris, em oposição ao Tupis que ocupavam o litoral do atual Estado. O que, nesse sentido, nos permite analisar o fato até então pouco questionado da presença dos povos Tupis nesse meio histórico, por meio das constatações arqueológicas recentes. Nesta perspectiva, este trabalho buscará refletir sobre os novos indícios da presença indígena Tupi, destacando apontamentos de como a exploração do trabalho, o genocídio e a aculturação pela catequização, podem ter sido responsáveis por promoveram o silenciamento da presença deste grupo autóctone nesses espaços, durante o processo de disputas pela posse das terras, para consolidação da colonização no Alto Sertão Paraibano.
Palavras-chave: Povoamento Indígena, Colonização,Alto Sertão Paraibano,Tupis, Silenciamento
Oral
Abrir o trabalhoESCRAVIDÃO CONTEMPORÂNEA, AS DENÚNCIAS DE TRABALHO ANÁLOGO ESCRAVIDÃO NO MEIO RURAL.
FELIPE GEYMISON RAMOS BERNARDO
O documento que dá esboço a essa pesquisa é o relatório Conflitos do Campo organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que há 50 anos trabalha na catalogação referente aos conflitos agrários no Brasil, sendo um espaço de denúncia para os trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, pescadores e demais populações tradicionais ou, como dizia Franz Fanon, os Condenados da Terra, pelos sujeitos historicamente assolados pela opressão e pela violência do agronegócio aliada ao Estado brasileiro. Portanto, esse eventual tema de pesquisa tem como objetivo apresentar o Caderno de Conflitos de 2024 e realizar uma análise crítica dos dados referentes à seção trabalho, que, por meio de coletas de fontes primárias e secundárias, sistematizam as denúncias de trabalho análogo à escravidão no meio rural. O foco principal dessa pesquisa é analisar o dado central do relatório, que é a diminuição em 40% no número de resgatados. No entanto, essa queda pode não significar uma diminuição do fenômeno, mas sim um esboço de sua invisibilização. Inicialmente, é importante destacar que o agronegócio é o maior setor envolvido em denúncias de trabalho análogo à escravidão e um dos setores que mais recebe créditos e subsídios do Estado brasileiro. Sendo destaque em regiões como Sudeste e Sul, além do impacto ambiental, tal setor econômico é um dos responsáveis por trabalho precário e de ordem da superexploração do trabalho. Seguindo uma linha histórica, o Brasil se consolidou na economia mundial a partir da sua agroexportação, com produtos como café e cana-de-açúcar, tendo tido como base a mão de obra negra escravizada. Atualmente, o panorama se reconfigurou, a partir de rupturas e permanências, e uma dessas permanências é que os resgatados, em sua maioria, são homens negros. Um dos argumentos do qual é possível refletir sobre o dado central é que, num período de 5 anos, comparando as tabelas, há o crescimento exponencial do número de resgates, inclusive de setores produtivos específicos, sendo, em sua suma maioria, resultado de processos migratórios, principalmente da região Nordeste. Tais problemáticas exprimem a necessidade e relevância da pesquisa em temas como conflitos por terra, trabalho análogo à escravidão, processos produtivos, que em geral abordem o campo como espaço de pesquisa, na mesma proporção repensar a conduta do Estado e seu papel de promoção da constituição, fornecendo o suporte técnico e jurídico necessário para as vítimas.
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Abrir o trabalhoMUNDOS DO TRABALHO NO CARIRI CEARENSE: AS DIFERENTES RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
JARDEL MACÊDO PEREIRA
Na segunda metade do século XIX, o Império do Brasil passava por profundas transformações que afetaram o mundo do trabalho, envolvendo tanto escravos quanto trabalhadores livres. Embora juridicamente distintos, ambos estavam submetidos à dominação dos senhores. Enquanto os escravizados eram considerados propriedade, os pobres livres, embora pudessem escolher seus trabalhos, eram constantemente explorados, vigiados e discriminados, o que acentua a desigualdade social. No Cariri cearense, especialmente no Crato, criou-se a imagem de uma região fértil e próspera – um “oásis” do sertão – promovida pelas elites locais para justificar a exploração da população pobre. Essa construção simbólica apoiava-se em quatro pilares: vantagens naturais para a agricultura, autonomia política, imagem paternalista da elite senhorial e o estereótipo da vadiagem. A documentação a ser utilizada será jornais como o Pedro II e O Araripe, leis provinciais que estarão no III tomo Leis Provinciais: Estado e Cidadania (1835-1861), relatórios do presidente da província dos anos de 1850 a 1880, os processos cíveis relacionados à conflitos entre proprietários e trabalhadores. As fontes se encontram no Centro de Documentação do Cariri (CEDOCC), laboratório vinculado à Universidade Regional do Cariri - URCA.
Palavras-chave: Trabalho,Modo de Produção,Camponês
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Abrir o trabalho“ONDE ESTÁ MEU FILHO?”: A LUTA DAS MÃES NA RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR
CLARISSA BENJAMIM DE QUEIROZ
“ONDE ESTÁ MEU FILHO?”: A LUTA DAS MÃES NA RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR Clarissa Benjamim de Queiroz Sônia Maria de Meneses Resumo: Este trabalho analisa, a partir da trajetória de Elzita Santa Cruz, mãe de Fernando Santa Cruz, como o luto não autorizado e a dor do desaparecimento forçado foram transformados em ação política e em luta pela memória. A metodologia é qualitativa, com foco na análise de testemunhos e relatos de familiares, particularmente das mães, sob a perspectiva da memória coletiva, do trauma e do testemunho. A narrativa dessas mães representa um importante campo de disputa pela memória e revela como o trauma pode ser ressignificado como resistência, contribuindo para a democratização da história e para a reparação simbólica. Palavras-chave: Ditadura militar. Memória. Luto. Testemunho. 1. INTRODUÇÃO A presente pesquisa tem como objetivo central analisar a trajetória de resistência política protagonizada pelas mães de militantes mortos e desaparecidos durante o regime militar brasileiro (1964–1985), destacando o papel fundamental dessas mulheres na construção da memória coletiva e na denúncia das graves violações de direitos humanos perpetradas pelo Estado não-democratico. Em um contexto marcado pela censura, repressão sistemática e pela institucionalização do esquecimento, essas mães transformaram a dor e o sofrimento de uma perda irreparável em um ato político de enfrentamento ao autoritarismo. O luto foi transmutado em uma mobilização social, tornando-se uma poderosa ferramenta de reivindicação por verdade, justiça e reparação histórica. A pesquisa tem como figura emblemática Elzita Santa Cruz, mãe do militante Fernando Santa Cruz, desaparecido em 1974 sob custódia do Estado brasileiro. Através do testemunho de Elzita, e de outras mães que também se organizaram em comissões e movimentos como o Comitê Brasileiro pela Anistia, o Grupo Tortura Nunca Mais e posteriormente a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o trabalho busca compreender como essas mulheres desafiaram o silêncio institucional imposto pelo regime. Elas romperam barreiras políticas e sociais que, por muito tempo, invisibilizaram sua dor e sua atuação, transformando o sofrimento em ação coletiva e simbólica, com o objetivo de manter viva a memória dos seus filhos e de denunciar a impunidade dos crimes cometidos. A proposta está ancorada em um referencial teórico que articula os conceitos de luto, trauma, testemunho e memória,
Palavras-chave: Ditadura militar,mémoria,luto,testemunho
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Abrir o trabalhoPalavras-chave: Mestre Noza, Artesanato, Fé, Padre Cícero
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COTIDIANO E VIVENCIA: A FÉ FIGURADA EM OBJETOS SACROS
GESSILIANE VIANA DE SOUSA
Resumo: O presente resumo tem por objetivo analisar religiosidade no âmbito privado e público, que organizam o dia do fiel em prol de orações e preces, dando destaque ao Oratório, objeto sacro que ocupa lugar de destaque e rege as orações das contemplativas, no interior da moradia do fiel sempre há a presença de algum símbolo divino, como um terço, quadro, imagem ou nicho de madeira envernizado para guardar os santos, e na parte externa como, por exemplo, uma bandeira indica o santo de preferência dos donos da casa. Os objetos são a extensão do devoto, eles aparecem como um fator cultural e de identidade, e também um lugar de memórias, que remetem a um espaço e tempo apropriado para exercer sua fé. Podemos concluir que tais objetos desempenham uma função fundamental na vida de um devoto, durante suas atividades diárias há um tempo dedicado as orações, a veneração aos santos protetor da casa, e da família. É uma pesquisa qualitativa, recorro ao uso da História Oral, onde as entrevistas com os devotos propõem uma maior sustentação à pesquisa, logo por meio de entrevistas e leituras tendo como referencial teórico Laura de Mello, Eliade, Mott, Bosi entre outros é possível a construção deste texto.
Oral
Abrir o trabalhoRELIGIOSIDADES NORDESTINAS E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: EXPERIÊNCIAS DO OBSERVATÓRIO TRANSDISCIPLINAR DA URCA
MARIA VITÓRIA ALVES RODRIGUES ; Natanielle de Lima Beserra
As expressões religiosas e culturais presentes no Nordeste brasileiro são múltiplas e profundamente enraizadas na história, resistência e identidade de seus povos. Trata-se de um território que abriga diferentes formas de viver e sentir o sagrado. No entanto, persiste o desafio de reconhecer essas manifestações como formas legítimas de produção de conhecimento, diante da hierarquização dos saberes que ainda predomina no meio acadêmico. É nesse contexto que surge o Observatório Transdisciplinar de Religiosidades, Espiritualidades e Expressões Culturais do Nordeste, iniciativa do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais (IPESC), vinculado à Universidade Regional do Cariri (URCA). O Observatório propõe-se a promover a integração entre os saberes acadêmicos e populares, articulando ensino, pesquisa, extensão e cultura. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o papel do Observatório como espaço interdisciplinar de escuta e valorização das pluralidades religiosas e espirituais nordestinas. A metodologia adotada é qualitativa e exploratória, com base em análise documental e revisão bibliográfica. Ainda em fase inicial, o Observatório já demonstra ser uma proposta promissora na escuta ativa, valorização da diversidade e na promoção do diálogo entre universidade e comunidade.
Palavras-chave: Religiosidades,Pluralidades, Nordeste, Conhecimento
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Abrir o trabalhoCINECATOLÉ: O AUDIOVISUAL COMO FERRAMENTA DE MOBILIZAÇÃO DA MEMÓRIA INDÍGENA NA SERRA DO CATOLÉ - “ MEU POVO CONTA".
JOSE FELIPE EVANGELISTA DA SILVA
Neste trabalho, temos como objetivo apresentar as ações que vem sendo realizadas por meio do projeto O CineCatolé, especificamente a sessão em que foi exibido o documentário “Meu Povo Conta”. Trata-se de uma cineclube criado pela Coletiva Maria Piauí e a Organização do Povo Kariri da Serra do Catolé, executado como projeto de extensão da Universidade do Regional do Cariri. Busca-se utilizar o audiovisual como uma ferramenta para a mobilização da memória indígena na Serra do Catolé. Por meio de exibições de curtas-metragem produzidos por ou com povos indígenas no Nordeste brasileiro que dialogam com a realidade e a história dos povos indígenas, o projeto promove momentos de reflexão, escuta e valorização cultural. Em uma das sessões realizadas, foi exibido o documentário ‘Meu Povo Conta’, que apresenta a história, os saberes e as tradições do povo indígena Kapinawá, etnia localizada no estado de Pernambuco. O filme dá voz aos próprios indígenas, permitindo que sejam os protagonistas de suas memórias, compartilhando relatos orais, costumes e modos de vida que resistem frente aos desafios históricos e sociais enfrentados por sua comunidade. A exibição não apenas proporcionou ao público um contato direto com a cultura Kapinawá, mas também despertou importantes reflexões sobre o pertencimento, a ancestralidade e a necessidade de preservar a cultura indigena. A formação de plateia por meio do CineCatolé com exibições de produções com linguagem acessível e culturalmente situadas, demonstrou-se eficaz na valorização das memórias indígenas, aproximando a Academia das comunidades da Serra do Catolé das realidades do povo Kariri. Além disso, a experiência reforça o papel do cineclube como um instrumento mobilizador dentro e fora da universidade, promovendo o diálogo entre culturas e fortalecendo os laços entre o conhecimento acadêmico e os saberes indígenas. Projetos como esse se mostram fundamentais para ampliar a escuta, o respeito e o reconhecimento das histórias indígenas, muitas vezes silenciadas e invisibilizadas nos espaços públicos e institucionais.
Palavras-chave: indigena, CineCatolé, Serra Catolé, Audioviusual
Oral
Abrir o trabalhoENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO BÁSICO
MARIA DANIELE ALVES
A educação brasileira, que foi marcada historicamente e ao longo dos anos por um ensino eurocêntrico, onde sempre se destacou a história do colonizador europeu, formalizou em 2003, a partir da promulgação da Lei 10.639/03, a obrigatoriedade da inclusão da história do povo africano nas salas de aula de todo o Brasil. A promulgação desta lei representa um marco significativo na promoção de uma educação antirracista e na valorização da diversidade étnico-racial no Brasil. No entanto, sua efetivação no cotidiano escolar ainda enfrenta múltiplos desafios, entre eles, a falta de formações para os professores, a escassez de materiais didáticos, resistências institucionais e o silenciamento de vozes negras no ambiente educacional. A falta de uma preparação docente mais eficaz tem culminado na maioria das vezes, em práticas pedagógicas superficiais, muitas vezes reduzidas a datas comemorativas, conteúdos isolados na proposta educacional ou estereótipos culturais. Este trabalho, ainda em desenvolvimento, busca refletir, de forma crítica e construtiva, sobre esses desafios e as possibilidades de serem criadas metodologias ativas que valorizem de fato a história e as diversas expressões culturais afro-brasileiras, considerando também a importância de desconstruir narrativas educacionais eurocentradas. Sabemos que os desafios da implementação, efetivação e práticas da Lei 10.639/03 ainda são numerosos, mas que para superá-los torna-se fundamental o investimento na formação docente, criação de políticas públicas que garantam suporte pedagógico, valorização das identidades negras no espaço educativo, assim como o engajamento e comprometimento de toda a comunidade escolar de forma contínua e efetiva para que tenhamos verdadeiramente uma escola inclusiva e antirracista. Palavras-chave: Educação antirracista, Lei 10.639/03, Ensino básico, Formação docente.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE OS ESTEREÓTIPOS E EUROCENTRISMO: AS COMUNIDADES INDÍGENAS EM DESENHOS ANIMADOS DO SÉCULO XX
XAIANE GONÇALVES PINHO
Este trabalho propõe refletir sobre a construção de estereótipos no que concerne às comunidades indígenas, a partir dos desenhos animados “Pica-Pau” e “Looney Tunes”, concentrando a pesquisa aos episódios que externalizam a violência e construção destes estereótipos. Ademais, o objetivo deste resumo é examinar a produção dos desenhos, com o intuito de mapear e compreender de que modo a construção destes estereótipos estão internalizados no poder colonial e nas questões eurocêntricas. Além disso, oferecer repertório de análise crítica dos estereótipos indígenas para uso em sala de aula. A partir de Jaques Aumont e Michel Marie (2004) é proposta uma análise fílmica das animações com o intuito de compreender os significados das estruturas narrativas, dados sonoros e visuais, junto com o resultado da produção e roteiro. Com Ella Shohat e Robert Stam (2006) reconhece-se as formulações de uma história eurocêntrica e colonial nos desenhos. Por fim, indaga-se como as construções de estereótipos sobre as comunidades indígenas se perpetuam nas camadas sociais com Stuart Hall (2016). Metodologicamente, esta pesquisa busca analisar os eixos propostos não apenas a partir da análise fílmica, mas também com o os estudos prévios, desenvolver uma pesquisa qualitativa. Como resultado parcial, observa-se como a construção de estereótipos nos desenhos “Pica-Pau” e “Looney Tunes” estrutura o poder colonial e desenvolve o regime representativo colonial e a imagem eurocêntrica. Conclui-se que o trabalho apresentado contribui para o desenvolvimento de pesquisas sobre as comunidades indígenas, correlacionando com a história do cinema animado, a fim de compreender sobre a construção de estereótipos a partir dos conceitos de eurocentrismo e história colonial. Palavras-chave: Pica-Pau. Looney Tunes. Indígenas. Estereótipos. Agradecimentos: Agradeço ao professor Dr. Thiago de Abreu e Lima Florêncio pela orientação, a Universidade Regional do Cariri e a comissão organizadora da XXIV Semana de História pela realização do evento.
Palavras-chave: Pica-Pau, Looney Tunes, Indígenas, Estereótipos.
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Abrir o trabalhoHISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA SALA DE AULA: O SAMBA COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
KARLA VICTÓRIA TELES SIQUEIRA; Anna Luísa Silva Duarte
A mudança no contexto social é nítida, pois a cada era histórica os pensamentos mudam, sendo um processo de evolução constante no raciocínio dos seres humanos sobre seu entendimento perante o espaço ocupado. A educação, por sua vez, tem que acompanhar a evolução para que a mesma seja útil, informativa e, principalmente, formativa. O ensino de história tem o papel fundamental no processo de analisar e gerar um pensamento crítico sobre a formação da sociedade ao longo do tempo e espaços. Assim, hoje se coloca como desafio a busca para quebrar paradigmas e preceitos criados pelo olhar do eurocêntrico e colonizador, especialmente para pessoas não brancas. Tendo em vista isso, a necessidade de se reinventar e decolonizar as aulas de História é essencial, para trazer a atenção das/dos estudantes e trabalhar os diferentes tipos de tempos e espaços existentes no mundo, facilitando assim a compreensão e inclusão dos alunos no mesmo. Entre as inúmeras possibilidades, o samba é uma possibilidade para didatizar de forma decolonial sobre outros tempos e espaços, destacando a história e cultura afro-brasileira. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo promover reflexões sobre a importância do samba como instrumento didático-pedagógico no âmbito de uma educação decolonial para as relações étnico-raciais e para o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana. A metodologia foi baseada em uma abordagem qualitativa, tendo como finalidade ser uma pesquisa exploratória a partir da revisão sistemática de literatura de artigos científicos sobre o tema entre os anos 2014 e 2024. Logo, o trabalho em andamento, através da análise dos dados, identifica como o samba contribui para uma abordagem no ensino de história e para o fortalecimento das relações étnico-raciais no ambiente escolar. No entanto, ainda há uma dificuldade de trabalhar em sala de aula de forma decolonial.
Palavras-chave: Ensino de História,Decolonialidade,Relações Étnico-Raciais
Oral
Abrir o trabalhoDAVID KAUAN LOPES DA SILVA
O projeto de extensão "Direitos Humanos, Cinema & Sensibilidade: construindo espaços para a formação cidadã de adolescentes e jovens do Cariri cearense" é uma ação realizada em parceria entre a Universidade Regional do Cariri (URCA) e a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Dona Maria Amélia Bezerra (EMMTI), localizada em Juazeiro do Norte – CE. Este trabalho tem como objetivo utilizar o cinema como ferramenta pedagógica na abordagem dos direitos humanos na educação de jovens EMMTI. A partir da exibição de filmes de longa e curta-metragem que tratam de temas como desigualdade social, racismo, violência e cidadania, o cinema é proposto não apenas como exibição ou entretenimento, mas como uma potente ferramenta didática, capaz de sensibilizar, provocar e estimular o pensamento crítico nos estudantes, articulando-se com suas vivências, afetos e conhecimentos. A proposta foi desenvolvida por meio de sessões semanais da eletiva Memória, Verdade e Justiça, analisando os perfis dos alunos por meio de questionários, leituras bibliográficas para ampliar o conhecimento sobre direitos humanos, como A Invenção dos Direitos Humanos (2009), de Lynn Hunt, além da seleção de filmes relacionados ao tema. As exibições foram seguidas de rodas de conversa com perguntas norteadoras, priorizando produções brasileiras e de livre acesso. Abordando a temática do racismo estrutural, foi analisado o curta O que é racismo estrutural? (2019), do Canal Preto, disponível no YouTube. O vídeo explica como o racismo no Brasil não se limita a atitudes individuais, mas se configura como uma estrutura sustentada por instituições. Dentre outras produções, foi exibido o filme Ainda Estou Aqui (2024), outra produção brasileira, que sensibiliza os alunos e mostra, por meio do cinema, o período da ditadura, narrando a luta de Eunice Paiva por justiça. Ao retratar sua persistência, o longa-metragem reforça a necessidade de lembrar para que não se repita. As exibições despertaram nos alunos um olhar mais crítico sobre temas ligados aos direitos humanos presentes em seu cotidiano. As rodas de conversa possibilitaram um espaço seguro onde puderam compartilhar e trocar suas vivências, analisando criticamente o que foi exibido e relacionando com suas realidades, criando um espaço de escuta e acolhimento. Assim, observamos o potencial transformador do cinema enquanto ferramenta pedagógica.
Palavras-chave: Cinema,Direitos Humanos,Formação cidadã,Educação
Resumo Simples
Abrir o trabalhoO CINEMA COMO FERRAMENTA DE ENSINO HISTÓRICO E DIÁLOGO SOBRE IDENTIDADE, GÊNERO E RAÇA.
CÍCERO ISMAEL SOUZA DOS SANTOS
Este trabalho apresenta uma proposta pedagógica desenvolvida durante um estágio em uma disciplina extracurricular, na qual o cinema é utilizado como ferramenta didática para fomentar a consciência crítica de estudantes acerca de temas como identidade, gênero e raça. A prática surgiu da necessidade de tornar o ensino mais próximo da realidade dos alunos, articulando os conteúdos escolares às suas vivências cotidianas. Com base na seleção de obras cinematográficas que abordam processos históricos relevantes, as exibições foram seguidas de rodas de conversa que incentivaram o diálogo, a escuta ativa e a troca de experiências, promovendo um ambiente reflexivo e colaborativo. Essa abordagem contribuiu para o fortalecimento das aprendizagens em disciplinas como História e Redação, ao mesmo tempo em que estimulou o posicionamento crítico dos alunos diante de questões sociais contemporâneas. O envolvimento nas atividades foi significativo, com relatos de maior interesse nas aulas, aprofundamento na compreensão dos temas discutidos e avanços perceptíveis na argumentação oral e escrita dos participantes. A experiência evidenciou o potencial do cinema como linguagem integradora, capaz de mobilizar emoções, despertar questionamentos e ampliar horizontes de leitura do mundo. Assim, o uso do cinema no espaço escolar se revela como uma estratégia pedagógica eficaz, que valoriza a diversidade, contribui para uma educação mais dialógica e democrática e potencializa o ensino a partir de práticas que respeitam os contextos e subjetividades dos estudantes.
Palavras-chave: Cinema,Educação,Consciência Crítica,Práticas Pedagógicas,Formação cidadã
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Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA A PARTIR DOS ESTUDOS E VIVÊNCIAS NO PROJETO “ECOS DA CIÊNCIA: CONECTANDO PESQUISADORES, EDUCAÇÃO E SOCIEDADE”.
XAIANE GONÇALVES PINHO; Maria Sophia Agata da Silva
O presente trabalho busca relatar nossa experiência como bolsistas do projeto de extensão “Ecos da Ciência: Conectando Pesquisadores, Educação e Sociedade”. O projeto tem como objetivo explorar e divulgar o trabalho de pesquisadores em investigações científicas de diversas áreas por meio de podcasts, promovendo um diálogo entre suas pesquisas, estudos internacionais e a teoria da História. A iniciativa visa suprir a lacuna existente na alfabetização científica ampla, democratizando o acesso ao conhecimento acadêmico por meio de uma linguagem acessível. Diante disso, o objetivo principal deste relato de experiência é apresentar a importância do podcast como ferramenta pedagógica que possibilita o acesso democrático a conteúdos científicos. Ademais, o relato de experiência consiste em uma produção de conhecimento cujas informações referem-se a uma vivência acadêmica em algum dos pilares da formação dentro da universidade: ensino, pesquisa ou extensão, assim como afirma Mussi, Flores e Almeida (2021). Metodologicamente o trabalho foi dividido em seis etapas: gravação das entrevistas, produção dos roteiros, edição, lançamento e divulgação. As entrevistas ocorreram de forma presencial e foram organizadas em três eixos: 1. Apresentar histórias de vida e trajetórias acadêmicas dos pesquisadores; 2. Apresentar as pesquisas desenvolvidas, seus contextos e parcerias; 3. Destacar programas de pós-graduação, além de divulgar dicas de financiamento e incentivos ao desenvolvimento profissional. Como resultados parciais, a experiência na gravação, produção, edição e divulgação do podcast nos permitiu compreender os processos de construção dessa ferramenta como agregadora às práticas de divulgação e democratização das produções científicas. Além disso, possibilitou o registro das narrativas e vivências de educadores brasileiros em sua formação continuada no exterior, fortalecendo a pluralidade de experiências na produção científica e reafirmando a universidade pública como um bem comum. Agradecemos a Pro-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri - URCA e ao Departamento de História pelo apoio ao projeto, aos entrevistados pelo comprometimento com a ciência e produção do Podcast, além da Universidade Estadual do Vale do Acaraú, Universidade Nova de Lisboa e Universidade Federal do Ceará pela contribuição com o projeto.
Palavras-chave: Podcast,Curricularização da Extensão,Divulgação Científica, Educação, Formação Continuada
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENTRE BRINCADEIRAS E SILENCIAMENTOS: RACISMO RECREATIVO E OS DESAFIOS DA LEI 10.639/03 NO COTIDIANO ESCOLAR
JOSEANE ALVES LOPES; Danielle Melo dos Santos
O racismo disfarçado de “brincadeira” é uma prática recorrente e naturalizada no ambiente escolar. Ele se manifesta por meio de atitudes, falas e comportamentos que, embora muitas vezes inconscientes ou despretensiosos, causam impactos profundos e duradouros nas subjetividades de estudantes negros. Essa forma de discriminação, conhecida como racismo recreativo, reforça estigmas, inferioriza identidades e perpetua desigualdades sob o véu do humor e da suposta inocência. O presente trabalho tem como objetivo compreender como o racismo estrutural se manifesta de forma velada nas escolas e de que modo a Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, pode servir como ferramenta de enfrentamento e transformação. A pesquisa baseia-se em uma abordagem qualitativa com foco em revisão bibliográfica. Como principais referenciais teóricos, destacam-se os estudos de Silvio Almeida, com a obra Racismo Estrutural, que evidencia como o racismo está entranhado nas instituições sociais; Adilson Moreira, com Racismo Recreativo, que analisa o uso do humor como forma de dominação simbólica; e George Marmelstein, que discute o racismo implícito e suas manifestações no cotidiano. Também foi utilizado o artigo de Guedes, Nunes e Andrade, que analisa criticamente os desafios da implementação da Lei 10.639/03 nas escolas brasileiras. Ao final dessa pesquisa podemos indicar que o racismo velado está profundamente enraizado na cultura escolar, sendo reproduzido por “brincadeiras” práticas e silenciamentos cotidianos. A Lei 10.639/03, embora avance no reconhecimento da identidade negra, ainda é aplicada de forma superficial ou negligenciada pela instituição. Conclui-se que o combate eficaz ao racismo “sem querer” exige uma educação verdadeiramente antirracista, pautada na valorização das identidades negras, na formação crítica de professores e no compromisso institucional com a justiça social.
Palavras-chave: Racismo velado,Preconceito,Antirracista,Lei 10639/03
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoGENXES: OFICINAS DE ENSINO DE HISTÓRIA, GÊNERO E SEXUALIDADE NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS DO CARIRI CEARENSE
FRANCISCO HELDER DA SILVA FILHO; Cícero Joaquim dos Santos
Esta pesquisa pretende refletir sobre as ações educativas do projeto de extensão universitária GENXES: Oficinas de Ensino de História, Gênero e Sexualidade, estando ele atrelado ao Núcleo de História Oral, Memória e Diversidades (NHISTAL). Tal projeto vem realizando práticas educativas sobre as dissidências sexuais e de gênero nos espaços educativos escolares e não escolares da região do Cariri cearense, no Nordeste brasileiro. Conectando a História LGBTQIAPN+ e o ensino de história, essa iniciativa conta com o financiamento da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri, estando vinculada ao Departamento de História desta IES e ao Programa de Extensão Núcleo GENXES: Acolhimento e Empoderamento LGBTQIA+, localizado no Museu Comunitário Casa da Memória de Porteiras, na cidade de Porteiras-CE. A pesquisa tem como objetivo geral compreender a dinâmica das ações educativas desenvolvidas pelo projeto GENXES. Como objetivos específicos, ela busca entender o alcance social e seus resultados. Do ponto de vista teórico, ela tece reflexões sobre memória, comunidade, gênero e interseccionalidade, nos diálogos com bell hooks, Joan Scott, Patricíl Hill Collins, Benito Schmidt, Lauri Miranda e Jaqueline Gomes de Jesus. O estudo é descrito e analítico, com uma abordagem qualitativa. Ele utiliza o Caderno de Campo, bem como relatórios, publicações e imagens. O GENXES teve início em 2018. No contexto da Pandemia de Covid-19, ele foi direcionado para a rede social Instagram (@genxes. Em 2023, ele voltou a ser realizado presencialmente, sendo desenvolvido nos espaços urbanos e rurais de Porteiras. Já em 2024, as oficinas voltaram a acontecer em Crato e Juazeiro do Norte, envolvendo, principalmente estudantes e LGBTQIAPN+.
Oral
Abrir o trabalhoMULHER VIRTUOSA: O MOVIMENTO TRADWIFE NO BRASIL ALIADO AO DISCURSO CRISTÃO E CONSERVADOR
LUAN SILVA DE LUNA
O presente trabalho tem como ponto de partida a influência da religião e do conservadorismo no movimento tradwife. Em um contexto onde a religião, especialmente o cristianismo, tem grande poder nos ditames socioculturais, a ideia de colocar as mulheres como submissas aos homens se fortalece. Nessa mesma lógica, as pautas conservadoras, que avançaram especialmente no período entre 2018 e 2022, que compreende a campanha eleitoral e o mandato de Jair Bolsonaro como presidente da república, têm na instituição familiar o seu basilar. A pesquisa, de caráter analítico, se propõe a investigar as postagens feitas por 4 tradwives brasileiras com objetivo de identificar em suas postagens a presença da religião cristã e a importância deste movimento, nessa perspectiva, como firmador de uma cultura baseada em princípios cristãos. Os resultados explicitam que a base argumentativa dessas mulheres é a tradição cristã, sendo todas elas dessa vertente religiosa, em sua maioria católicas, corroborando com o discurso sobre virtudes femininas e contribuindo para o avanço das pautas de costumes nos meios de comunicação de massa, e portanto levando-as ao centro da cultura brasileira.
Palavras-chave: Tradwife, Instagram, Religião, Conservadorismo
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoMULHERES (IN)VISÍVEIS? A CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES DE LÉSBICAS NEGRAS DO CARIRI CEARENSE DO SÉCULO XXI
ANA ELISA PEREIRA DA COSTA
Essa pesquisa histórica busca compreender a construção de identidades de mulheres lésbicas negras que atuaram e/ou continuam atuando nos movimentos sociais feministas da região do Cariri cearense do século XXI. Imersa no campo da história das mulheres e pensada numa perspectiva feminista, ela conecta lesbianidade e feminismo, dando destaque às experiências de vida de mulheres negras feministas lésbicas caririenses e/ou residentes na região. Nesse direcionamento, a problemática questiona como algumas mulheres lésbicas construíram suas identidades e se posicionaram na cena pública, considerando as trajetórias de vidas e suas inserções nos movimentos sociais do Cariri Cearense do século XXI? O estudo dialoga com as categorias gênero, interseccionalidade e memória, tomando como referências os escritos de Angela Davis, Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, bell hooks, Marta Rovai, Joan Scott, Patricia Hill Collins e Sirma Bilge. O trabalho vem sendo desenvolvido a partir da metodologia da história oral, mediante a história oral de vida. Além das entrevistas orais, usadas aqui com fontes principais, o projeto também utiliza um caderno de campo e publicações impressas e virtuais relacionadas aos movimentos sociais do Cariri.
Palavras-chave: lesbianidade, identidade, memória, raça
Oral
Abrir o trabalhoRAÇA E GÊNERO EM O DIREITO DE NASCER: O MATERNO NA PERSONAGEM DE ISAURA BRUNO
DÉBORA DE LIMA SANTANA
A presente proposta integra o projeto de pesquisa de conclusão de curso intitulado Raça e Gênero em O Direito de Nascer: o materno na figura de Isaura Bruno. O estudo tem como objetivo analisar de que forma a televisão brasileira, por meio de sua produção novelística, construiu o arquétipo sub-representado de uma personagem preta e retinta, incorporando dois estereótipos recorrentes da experiência escravista no Brasil: a ama e a mucama. A figura da "mãe preta" parece sintetizar a imagem remanescente dessas mulheres, ora escravizadas, ora libertas, mas permanentemente associadas ao cuidado com os senhores e suas proles. Essas mulheres, apesar da condição de subalternidade, desempenharam papel fundamental em transformações socioeconômicas, mentais e estruturais no seio da sociedade brasileira. A telenovela O Direito de Nascer foi exibida, pela primeira vez, em 1964 — marco temporal considerado central para compreender a formação daquilo que se convencionou chamar de identidade nacional do negro e suas visualidades. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, fundamentando-se em levantamento bibliográfico e análise de fontes audiovisuais televisivas, com foco específico nas telenovelas brasileiras. O diálogo com a historiografia pertinente permite inserir o debate no campo da História Cultural, buscando contribuir para uma reflexão crítica e aprofundada sobre a representação dos corpos negros na televisão brasileira.
Palavras-chave: O Direito de Nascer,Raça,Gênero,Histórial Cultural,Isaura Bruno
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoRepresentação racial no cinema brasileiro: desafios e subversões na primeira metade do século XX
JOYCE LUANNA FEITOSA FELIZARDO
A partir do século XX a industria do Cinema cresceu em disparada alcançando uma importância que reverbera até os dias atuais. No Brasil isso não foi diferente, o Cinema brasileiro transitou por várias vertentes, temas e eras de acordo com os avanços artísticos e culturais da sociedade. Muitas das inspirações que serviram para a construção de um cinema nacional veio dos Estados Unidos, já referência nas produções de filmes nesse contexto, logo não é de se estranhar que o nosso cinema reproduzia as formulas que faziam essas obras fazerem sucesso. Nesse contexto, me limito a estudar as décadas de 40 e 50 e escolhi três filmes para centralizar essa discussão, sendo eles: E o Mundo se Diverte (1948), Também Somos Irmãos (1949) e Orfeu Negro (1959). Meu intuito na seleção desses filmes é em como são retratados os personagens negros; como esses discursos raciais eram transmitidos; se e como eram empregados os estereótipos e se esses filmes tinham algum elemento que coexistia com as discussões raciais nesse período. O modo como a indústria cinematográfica construiu estereótipos de pessoas não brancas, determinou espaços de subalternização, sub-representação e desvalorização de narrativas afrorreferenciadas, de modo que a coletividade de pessoas negras ficou marcada pela ausência de suas representações integrais, ou seja, núcleos familiares completos, narrativas lineares ou densas a respeito de aspectos geracionais, como início, meio e fim, são elementos que nos ajudarão a entender melhor e mais intimamente essas obras. O método a ser utilizado nos permite a concentração na imagem fílmica a partir do seu conteúdo qualitativo, visual, sonoro e textual, estabelecendo observações, seleção de frames, cenas e diálogos para que se possa comparar e analisar o seu caráter estético, visual e suas intenções. Partindo desse conjunto de informações, que trouxe de maneira mais resumida, procurarei responder a esses questionamentos durante a produção da minha pesquisa ainda em andamento.
Palavras-chave: História Cultural, Cinematografia nacional, Raça, Esteriótipo, Imagem
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoTAMBÉM SOU TEU POVO: QUANDO O CORPO TRANSGRIDE A REZA
LAURA STEPHANY ALVES SILVA
Objetiva-se, neste resumo, articular a travestilidade e a religiosidade a partir da obra cinematográfica “Também sou teu povo” (2006), dirigido por Orlando Pereira e Franklin Lacerda. A obra expõe vivências marcadas por uma espiritualidade resistente, na qual o corpo trans emerge não como oposição ao sagrado, mas como agente de resistência, inscrevendo seus corpos em uma cena que, historicamente, lhes foi negada. Isso configura, segundo Foucault, uma forma de insubmissão às normas do biopoder, desestabilizando os limites instituídos entre o aceitável e o desviante. Assim, as romarias tornam-se um espaço que agrega devotas e trabalhadoras do sexo de várias partes do Brasil e do exterior. Neste sentido, o corpo trans que “serve” os prazeres sexuais dos romeiros em época de romarias também desenvolve suas práticas de fé. Por fim, compreendeu-se que as questões de gênero não interferem nas relações com o sagrado, em que, no caso específico da cidade de Juazeiro do Norte, as romeiras e devotas do “Padim ciço” reinventam a cena ao dizerem “também sou teu povo”, essas sujeitas reescrevem o sagrado a partir das margens, instaurando outras formas de religiosidade e presença na cena da fé popular nordestina. Como afirma Camila Montenegro: “Também somos sim, também somos filhos de Deus” (TAMBÉM..., 2006), reivindicando reconhecimento num espaço que lhes foi negado.
Palavras-chave: Religiosidade,Gênero,Trans,Romarias,Devoção
Oral
Abrir o trabalhoVozes que resistem: escrevivência e autorrepresentação como estratégias na literatura de mulheres negras brasileiras (1950-2005)
DANIELLE MELO DOS SANTOS
A literatura brasileira, historicamente dominada por homens brancos de classes médias e altas, marginalizou vozes dissidentes, especialmente as de mulheres negras. Este trabalho busca compreender como as estratégias de escrevivência e autorrepresentação se constituem como formas de resistência na produção literária de autoras negras brasileiras entre 1950 e 2005. A pesquisa insere-se no campo da História Cultural e utiliza abordagem qualitativa, com levantamento e análise de obras que revelam o protagonismo dessas mulheres na construção de suas próprias narrativas. A seleção das autoras foi feita a partir do levantamento em fontes como o livro de Kabengele Munanga (2002) e o TCC de Daniele de Lima Rodrigues (2023), priorizando obras que dialogam diretamente com os conceitos de escrevivência e autorrepresentação. Como corpus central, foram escolhidas as obras Quarto de despejo: diário de uma favelada de Carolina Maria de Jesus e Ponciá Vicêncio de Conceição Evaristo, que permitem observar como as experiências pessoais e coletivas do povo negro são ressignificadas na literatura como forma de denúncia social, afirmação identitária e enfrentamento das estruturas de opressão de raça, gênero e classe. A análise aponta que essas produções transcendem a dimensão estética e se configuram como práticas políticas, evidenciando a literatura como instrumento legítimo de construção do conhecimento histórico. Conclui-se que, ao ocuparem o espaço literário com suas vozes, essas autoras rompem com padrões hegemônicos de representação e constroem novas possibilidades de subjetividade e memória para o povo negro no Brasil.
Palavras-chave: Literatura negra,escrevivência,autorrepresentação
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Frente Parlamentar Evangélica,Aborto,Governo Bolsonaro
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Abrir o trabalhoA GERAÇÃO “DE 40” NO CRATO – HISTÓRIAS DE REPRESSÃO E DE RESISTÊNCIA NOS TEMPOS DE “NUNCA-MAIS”: OS CASOS DE ÂNGELA DE FIGUEIREDO E JOSÉ DE BRITO FILHO
APARECIDA VALDCÉLIA FERREIRA DE ALMEIDA; Fábio José Cavalcanti Queiroz
Este trabalho, intitulado “A geração “de 40” no Crato – Histórias de repressão e de resistência no tempo de “nunca-mais”: Os casos de Ângela de Figueiredo e José de Brito Filho, tem como foco a análise de duas trajetórias de vida profundamente marcadas pela ação do aparato repressivo da ditadura militar brasileira (1964-1965): Ângela de Figueiredo e Albuquerque Mattos e José Figueiredo de Brito Filho. Os dois, nascidos e criados na cidade do Crato, no Ceará, pertencem à chamada geração “de 40”. Ambos, ainda muito jovens, iniciaram uma vida política ativa e desafiadora, enfrentando os mecanismos de controle social impostos pela ditadura, em uma luta constante contra um sistema que buscava silenciar aqueles que se opunham à ordem vigente. Esta pesquisa trabalha sobre o itinerário biográfico da biografia de ambos, ressaltando suas lutas, trajetórias e desafios. A pesquisa é inserida no campo da História Social, utilizando-se de fontes como a história oral e documentos públicos disponibilizados pela Comissão Especial de Anistia Wanda Rita Sidou, com o objetivo de destacar e preservar a memória de personagens Cratenses no contexto das violências cometidas pelo Estado militarizado.
Palavras-chave: Ditadura Militar,Resistência,Militancia
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Abrir o trabalhoA UTILIZAÇÃO DO GAME AGE OF EMPIRES II NA FORMAÇÃO DE CONSCIÊNCIAS HISTÓRICAS
MARCELLO JULIO
Diante de como os professores no geral enfrentam desafios significativos para despertar o interesse dos alunos e promover uma aprendizagem efetiva em sala de aula, na história se destaca diversas dificuldades aos alunos, com uma percepção da disciplina como desinteressante ou desconectada da realidade desses estudantes, e o excesso de conteúdos que precisam ser abordados em tempo limitado. Ao propor essa pesquisa, movido pelas possibilidades pedagógicas que esses games oferecem para serem trabalhados, pretende-se construir e discutir elementos que venham a auxiliar nessa aprendizagem, ao mesmo tempo em que responder uma pergunta, como fazer os nossos futuros alunos a se envolverem e gostarem de história? A tecnologia se expandiu para muitos lados e os videogames não ficaram de fora disso. Utilizando gráficos, sons e, muitas vezes, narrativas para criar experiências imersivas que permitem aos usuários interagirem com personagens, ambientes e desafios dentro de um espaço virtual, Games possuem uma maior liberdade em comparação a outras produções digitais, como filmes, já que eles podem durar dezenas de horas em uma história, em comparação a um filme que possui geralmente seu enredo entre duas a três horas de duração.
Palavras-chave: Ensino de História,Games,Aprendizagem
Oral
Abrir o trabalhoDEMOCRACIA CORINTHIANA: MOVIMENTO E POLÍTICA ALÉM DAS QUATRO LINHAS
ANA BEATRIZ DA SILVA; N/I
Entre 1982 e 1984, durante o processo de redemocratização do Brasil, o Corinthians viveu um dos momentos mais marcantes de sua história: a Democracia Corinthiana. Esse movimento, liderado por jogadores como Sócrates, Casagrande, Wladimir e pelo diretor de futebol Adilson Monteiro Alves, propôs uma forma diferente de administrar o clube, onde todos, jogadores, comissão técnica e funcionários, podiam votar e participar das decisões do dia a dia. Este trabalho tem como objetivo analisar como esse movimento interno do clube ultrapassou os limites do esporte e tomou proporções nacionais, fomentando discussões políticas extremamente necessárias em um momento de reabertura da política brasileira. A Democracia Corinthiana refletia um desejo maior da sociedade por liberdade, participação e fim do autoritarismo. Enquanto o país lutava pelas Diretas Já, os jogadores também levavam essa luta para dentro e fora dos campos. Eles entraram em campo com faixas que incentivam o voto e a democracia, como “Dia 15, vote!” e “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”, mostrando que o futebol podia ser uma forma de engajamento político. A metodologia utilizada baseia-se em leituras de matérias de revistas, trabalhos de conclusão de curso e trechos de entrevistas extraídas de documentários disponíveis online. Esses materiais ajudaram a embasar e aprofundar a análise do tema, permitindo compreender a dimensão histórica e política do movimento. Mesmo sendo uma experiência de curta duração, a Democracia Corintiana deixou um legado importante. Mostrou que o esporte pode ser um espaço de expressão, luta e transformação social. Até hoje, é lembrada como um exemplo inspirador de cidadania e consciência política dentro e fora das quatro linhas.
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Abrir o trabalhoDO SIONISMO AO NEGACIONISMO: A CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS SOBRE O CONFLITO ISRAEL-PALESTINA NA MÍDIA BRASILEIRA
CICERO EDUARDO DE LIMA ROBERTO
Tendo em vista os usos e abusos do passado e os avanços do conflito entre o estado israelense e o povo palestino, essa pesquisa tem como objetivo analisar as disputas de narrativas que ocorrem na imprensa brasileira e sobretudo nas mídias digitais. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que, no âmbito das redes sociais, existem diversos grupos sionistas e da extrema direita nacional que tentam justificar a ação colonialista desempenhada pelo Estado de Israel desde os acontecimentos que sucederam o dia 7 de Outubro de 2023. Entende-se por sionismo uma corrente ideológica derivada do judaismo que nasceu baseada em dois princípios, sendo o primeiro deles a criação de um Estado judeu e de supremacia étnica judaica, e o segundo a reinvidicação de um direito parcial ou integral de colonização da Palestina para constituir e validar esse mesmo Estado. Percebe-se, portanto, que na essência dessa corrente ideológica está o racismo, colonialismo, expansionismo e o genocidio da população palestina. Assim sendo, a segunda finalidade dessa pesquisa é confrontar os discursos sobre o conflito por parte da mídia hegemônica pró-sionista e o conjunto de mídias alternativas (Opera Mundi etc.) que compreendem o conflito enquanto um genocídio e uma ação colonialista. Serão utilizadas como fontes para o trabalho uma amostra significativa de jornais hegemônicos e alternativos, analisando de forma comparada as suas abordagens. A pesquisa dialoga com autores como Edward Said, professor, crítico literário e ativista político palestino-estadunidense autor da obra “A questão da Palestina” assim como com o jornalista, autor do livro “Contra o Sionismo” e fundador do veículo de comunicação alternativa Opera Mundi, Breno Altman. Vale destacar que essa pesquisa encontra-se em estágio inicial, e que pretende utilizar como referenciais teóricos as obras de Frantz Fanon (Os Condenados da Terra, 2022), e Deivison Faustino (Colonialismo, Racismo e Luta de Classes, 2013).
Palavras-chave: Negacionismo, Colonialismo,Resistência
Oral
Abrir o trabalhoMOVIMENTOS ESTUDANTIS NO CARIRI CEARENSE DURANTE A TRANSIÇÃO À DEMOCRACIA (1974-1994)
DÉBORA DE LIMA SANTANA; Marcus Vinicius de Sousa Hora
Resumo: A pesquisa tem por objetivo analisar a história e as memórias dos movimentos estudantis secundaristas e universitários atuantes na região do Cariri cearense especificamente nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha no contexto da transição da Ditadura Militar para a democracia no Brasil. O recorte temporal abrange o período de 1974, início do governo Geisel e da chamada "distensão", até 1994, marco inicial da denominada "Era FHC". Tal delimitação fundamenta-se na compreensão de que a redemocratização brasileira constituiu-se como um processo prolongado e conflituoso, marcado por permanências institucionais e culturais do regime ditatorial mesmo após a promulgação da Constituição de 1988. A pesquisa busca compreender o papel dos movimentos estudantis no processo de redemocratização regional, identificando suas características, estratégias de atuação e a construção de memórias coletivas acerca de suas práticas. A abordagem metodológica adotada consiste em uma análise crítica, sistemática e comparada de fontes diversas, orientada pelas diretrizes teórico-metodológicas propostas por Rüsen (2010).
Palavras-chave: Movimentos Estudantis, Memórias, Ditadura, Redemocratização
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoMUÇULMANOS NO CEARÁ: MEMÓRIAS DE IMIGRAÇÃO E NARRATIVAS ISLAMOFÓBICAS NAS REDES SOCIAIS(1990-2025)
CICERO CLEMENTINO DE OLIVEIRA
Esta pesquisa procura compreender as narrativas sobre os muçulmanos no Ceará nas mídias digitais, investigando as estratégias de resistência e integração adotadas pelos islâmicos, sobretudo os representantes do Centro Muçulmano do Ceará.Através desta, busca-se responder às seguintes questões: quais fatores históricos impulsionaram a imigração muçulmana para o Ceará? De que maneira as redes sociais influenciam a construção de percepções sobre os muçulmanos no estado? A análise se volta especialmente para o caso do vídeo viral de turistas muçulmanos em Crateús e os discursos gerados nas redes. Quais formas de intolerância religiosa e de discursos islamofóbicos se manifestam nas mídias digitais? Que tipo de narrativa predominante tem sido disseminada, e como ela afeta a percepção pública? Como a comunidade utiliza estratégias de resistência e mobilização digital para combater o preconceito? Que ações têm sido promovidas para afirmar sua identidade cultural e religiosa frente à hostilidade? Qual o papel do Centro Islâmico na mediação do diálogo inter-religioso e no apoio à integração social da comunidade muçulmana no estado? Em que medida essa instituição atua para fortalecer os laços entre grupos religiosos distintos e enfrentar a intolerância?Para esta pesquisa serão realizadas entrevistas semi-estruturadas, análise dos comentários das redes sociais, principalmente, do Instagram, em especial do vídeo viral de turistas muçulmanos que visitaram Crateús.O referencial metodológico será constituído pelo método da história oral,análise de conteúdo e etnografia de redes.Por outro lado, o referencial teórico se fundamentará no conceito de orientalismo proposto por Said (1978), xenofobia e islamofobia.o conteúdo.A pesquisa pode contribuir para combate intolerância religiosa em meio a crescimento de discursos anti-imigração e anti-islã e ascensão da extrema-direita na contemporaneidade. Assim, busca-se ampliar a historiografia sobre esse tema ainda pouco explorado na academia brasileira.
Palavras-chave: Islamismo. Islamofobia. Xenofobia. Redes Sociais Orientalismo.
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Abrir o trabalhoNarrativas da Loucura: A Representação da Doença Mental no Jornal A Ação durante a Ditadura Militar no Ceará
MARIA EDUARDA SOUSA FÉLIX
Esta pesquisa investiga como a loucura foi representada, percebida e tratada na cidade do Crato-CE durante a Ditadura Militar (1964–1985), com foco nas articulações entre saberes psiquiátricos, práticas institucionais e discursos sociais alinhados à lógica de repressão e normalização do regime. O objetivo central é compreender de que maneira as representações sociais da loucura e as práticas de saúde mental foram construídas localmente, com ênfase no papel da imprensa regional. Para isso, toma-se como fonte o jornal A Ação, especialmente suas edições da primeira metade da década de 1970, buscando identificar as categorias e estratégias discursivas acionadas na produção dessas representações. A análise busca revelar como os discursos veiculados por esse periódico refletiram ou reforçaram as diretrizes autoritárias do Estado, em diálogo com políticas nacionais de saúde mental, como as promovidas pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e pela Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM). A escolha do recorte regional, ao deslocar o olhar dos grandes centros urbanos para o interior do Nordeste, permite compreender como o discurso psiquiátrico funcionou como instrumento de exclusão e controle social em cidades como o Crato. A fundamentação teórica articula as contribuições de Michel Foucault, com sua noção de biopoder e medicalização da sociedade; de Erving Goffman, com a teoria das instituições totais; e de Roberto Machado, com suas análises da psiquiatria brasileira. A investigação mostra como o discurso médico-psiquiátrico foi mobilizado pela imprensa local não apenas como saber técnico, mas como dispositivo de repressão simbólica e manutenção da ordem social. Como a pesquisa ainda está em desenvolvimento, os resultados finais serão apresentados a partir da análise sistemática das edições do jornal A Ação, permitindo observar com maior precisão as formas pelas quais a loucura foi discursivamente construída no contexto regional.
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Abrir o trabalhoNÚCLEO DE MEMÓRIA DAS LUTAS ESTUDANTIS E ACERVO HISTÓRICO DO CENTRO ACADÊMICO DE HISTÓRIA ASSENTAMENTO 10 DE ABRIL (CAHIS)
ADNE CRISTINE MOREIRA DIAS; IRIA MARIA OLIVEIRA
O projeto de extensão intitulado “Núcleo de Memórias das Lutas Estudantis e Acervo Histórico do Centro Acadêmico de História Assentamento 10 de Abril (CAHIS): parceria comunidade-universidade em prol da preservação do patrimônio histórico estudantil no Cariri cearense” busca responder à urgente necessidade de preservação e organização da memória do movimento estudantil na Universidade Regional do Cariri (URCA). Atualmente, o Centro Acadêmico de História Assentamento 10 de Abril (CAHIS) carece de um acervo estruturado, o que coloca em risco documentos, registros e narrativas fundamentais para a compreensão da trajetória das lutas estudantis na instituição. O projeto visa não apenas salvaguardar esse patrimônio, mas também criar um espaço de valorização das memórias dos participantes dessas mobilizações, contribuindo para o fortalecimento da identidade estudantil e para o debate sobre a atuação política dos estudantes na região do Cariri. O objetivo geral do projeto é consolidar o LUTAS – Núcleo de Memórias das Lutas Estudantis e o AHCAHIS – Acervo Histórico do CAHIS por meio de um processo coletivo e dialógico, envolvendo estudantes, egressos, docentes e a comunidade. Entre os objetivos específicos, destacam-se a produção de fontes orais audiovisuais, o mapeamento e a digitalização de documentos históricos, a criação de um repositório digital acessível e a definição de protocolos de gestão permanente do acervo. A metodologia adotada é interdisciplinar, integrando conhecimentos de História, Arquivologia, Comunicação e Tecnologia da Informação, e está estruturada em cinco eixos: planejamento e capacitação, produção e organização de fontes, digitalização e acessibilidade, gestão e avaliação do acervo, e sistematização de relatórios finais. Os resultados esperados incluem a preservação e a democratização do acesso ao acervo histórico, o fomento à pesquisa acadêmica sobre o movimento estudantil e o fortalecimento da organização estudantil na URCA. Em conclusão, o projeto representa uma ação transformadora, que integra ensino, pesquisa e extensão, promovendo o protagonismo estudantil e a valorização da memória histórica. Ao garantir a preservação e o acesso democrático ao acervo, a iniciativa fortalece a relação entre universidade e sociedade, contribuindo para a construção de uma consciência crítica e engajada entre os estudantes e a comunidade.
Palavras-chave: Movimento Estudantil, Patrimônio Histórico, Memória, Extensão Universitária, Interseccionalidade
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Abrir o trabalhoO FUTEBOL COMO PROPAGANDA POLÍTICA DURANTE OS ANOS DO GOVERNO MÉDICI (1969-1974)
ÉVITON KALEBE BARBOSA QUIRINO
Este trabalho está voltado para a análise do futebol como fenômeno social, capaz de realizar transformações na cultura e política de países. Além disso, esta pesquisa se concentrará em investigar, por meio da bibliografia selecionada, a utilização da seleção brasileira de futebol para fins propagandísticos durante os anos de 1969-1970, no Governo Médici. Ademais, este trabalho busca descrever as estratégias do governo militar para transformar o futebol em um elemento de legitimação política utilizando, entre algumas das suas estratégias, os discursos de caráter nacionalistas e ufanistas, exaltando a nação e demonstrando um patriotismo de forma exagerada. Cabe ressaltar que o futebol é, sem dúvidas, um dos maiores símbolos culturais do Brasil, exercendo papel fundamental na construção de identidades coletivas e no imaginário do povo, além de se consolidar como espaço de expressão popular. O esporte transcende o aspecto do entretenimento e liga-se a questões sociais, políticas e econômicas. Por conta disso, durante a ditadura militar, o futebol foi amplamente utilizado como ferramenta de propaganda, especialmente em momentos de grande visibilidade, como a copa do mundo de 1970. O título da seleção, que contava com Pelé, a sua maior estrela, no elenco, foi estrategicamente utilizado pelo Governo, buscando fortalecer o discurso de unidade nacional e a legitimidade do regime. Sendo assim, estudar o futebol como fator social é necessário para compreender a sua intersecção com o poder e a política. O esporte, enquanto fenômeno social, não é neutro. Nele, grupos dominantes e minorias conseguem expor seus valores, seus pensamentos e suas estratégias em diferentes contextos. No caso da ditadura militar, o sucesso esportivo da seleção na copa de 70 foi utilizado para mascarar à população e ao mundo, fatores como perseguição aos opositores, violações de direitos humanos e forte censura à imprensa. Para compreender melhor essa temática, essa pesquisa objetiva investigar como o futebol foi utilizado enquanto ferramenta política durante a ditadura militar, especialmente no governo Médici (1969-1974), além de analisar o impacto do futebol na imagem nacionalista explorada pela ditadura militar e descrever estratégias governamentais utilizadas para associar o sucesso esportivo ao regime vigente, uma vez que a estratégia de utilizar a figura de Médici, como torcedor, para aproximá-lo do povo, foi bastante reproduzida pelo regime, principalmente durante a copa do mundo de 197
Palavras-chave: Futebol, Política, Ditadura militar
Oral
Abrir o trabalhoOs discursos sobre cotas raciais veiculados pela Jovem Pan no período 2016-2026
ALAN NEVES SOARES
Análise de como a emissora Jovem Pan representa desde 2016 as políticas de cotas raciais e sociais no Brasil. Os meios de comunicação não apenas informam; também constroem discursos que influenciam o imaginário social, moldando opiniões e afetando o debate público sobre direitos e justiça social, como proposto em A ordem do Discurso (Foucault, 1970). Utilizando a metodologia da Análise do Discurso, propõe-se investigar os meios de comunicação da empresa, como site e canais do YouTube, avaliando como os conteúdos veiculados abordam as ações afirmativas no país. Serão identificados os argumentos mobilizados, os sentidos atribuídos às cotas e as estratégias de deslegitimação ou neutralização do debate racial. As ações afirmativas integram as políticas públicas de promoção da igualdade de oportunidades para grupos historicamente marginalizados, visando corrigir desigualdades sociais e raciais e promover a diversidade. Exemplos comuns de cotas baseiam-se em critérios de raça e classe, dentre outros. As questões que orientam a pesquisa são: como a Jovem Pan tem representado a política de cotas entre 2016 e 2026? Quais discursos foram/são mobilizados para criticar ou esvaziar o debate sobre as desigualdades raciais e sociais, se isso ocorre? Qual é o papel dessa empresa na disputa por sentidos em torno das políticas afirmativas no Brasil? Pretende-se contribuir com a compreensão do papel da mídia na manutenção/questionamento das estruturas de poder e na formação de percepções sociais sobre os direitos das populações historicamente marginalizadas. Este estudo propõe uma análise de discursos midiáticos, partindo da hipótese de que a Jovem Pan, de perfil conservador, tende a apresentar as políticas de cotas raciais e sociais sob perspectiva desfavorável ou questionável. As etapas de pesquisa serão: coletar e catalogar as fontes digitais; analisar as mensagens transmitidas; identificar os argumentos recorrentes; examinar as estratégias discursivas sobre ações afirmativas. Isso permite comparar a emissão com a hipótese inicial. A pesquisa dialoga com Foucault, reconhecendo que a linguagem não é imparcial, mas influenciada por dinâmicas de poder que estabelecem o que pode ser expresso, quem tem permissão para fazê-lo e quais impactos isso gera em termos de efeitos de verdade. A metodologia fornece uma estrutura lógica e crítica para entender como a mídia se envolve na disputa por interpretações ligadas aos direitos de grupos sociais historicamente desfavorecidos.
Palavras-chave: Análise do discurso,Mídia conservadora,Cotas raciais,Jovem pan,Desigualdade social
Oral
Abrir o trabalhoPANTERA NEGRA E AS RELAÇÕES COM O CAPITAL
ÁLVARO MARINHO DA SILVA
Este artigo foi utilizado como trabalho final de conclusão de curso de licenciatura em História, nele discutimos sobre os interesses da produção cinematográfica estadunidense e as representações em tela do capitalismo, algumas sutis e outras nem tanto. Para isso usamos como objeto o filme Pantera Negra (2018) para entendermos como o discurso hegemônico capitalista é embutido em filmes de massa, blockbusters, e utilizam de discussões pertinentes a movimentos sociais e políticos para atribuir sentido a suas lutas e lucrar com suas respectivas pautas. Inicialmente, foi discutido os interesses da produção fílmica e os possíveis públicos-alvo desse gênero, mais precisamente dessa temática, visto que Pantera Negra (2018) é um filme que tem como norte a luta antirracista e ambas as sociedades aqui analisadas, os Estados Unidos, lugar de produção do filme, e o Brasil, lugar de origem do autor, são profundamente racializadas e tem como herança do sistema escravagista o racismo. Como metodologia utilizamos a análise de conteúdo que aqui tem como principal nome Roque Morais, e a Decupagem, utilizando o modelo proposto por Marcos Napolitano. Para além destes, também foram utilizadas as contribuições de Grada Kilomba e Frantz Fanon. Para discutir raça e sua materialização nas telas do cinema. Pantera Negra (2018) enquanto um filme da Marvel Studios, pertencente a Dysney, foi um marco no cinema ao dar protagonismo tanto em tela como fora dela a pessoas negras, entretanto ele como um produto do capitalismo é feito para ser consumido por um público e dentro do capitalismo, não está isento de suas influências, nem de sua utilização enquanto estratégia de dominação.
Palavras-chave: Pantera Negra,Cinema,História,Capitalismo
Oral
Abrir o trabalhoUm olhar para o passado: uma análise dos discursos dos militares sobre o golpe de 1964 nos editoriais da revista A Defesa Nacional nas Efemérides de(1965-2004)
CRISTINA GONÇALVES ALVES ; N/I
Esta pesquisa propõe uma análise dos discursos dos militares durante e após a Ditadura Militar no Brasil (eixo 3), com foco voltado para a representação ou não do golpe de 1964 nos editoriais da revista A Defesa Nacional nas efemérides de 1965, 1974, 1984, 1994 e 2004. Uma vez que a Ditadura Militar no Brasil perdurou de 1964 até 1985, deixando assim marcas profundas na história do Brasil, a forma como essas “marcas” ou eventos são lembrados e narrados é fundamental na construção da identidade nacional e da memória coletiva. A memória coletiva, por sua vez, conforme abordada por Maurice Halbwachs (2006), refere-se à forma como grupos sociais lembram e reinterpretam eventos passados. A memória não é um mero registro do passado, mas uma construção social que pode ser influenciada por discursos oficiais e narrativas dominantes, dentre outros. No contexto brasileiro, a memória do golpe de 1964 e da Ditadura Militar é marcada por disputas entre diferentes grupos sociais, incluindo os militares, as vítimas da repressão e outros setores da sociedade. A revista A Defesa Nacional foi um dos principais veículos de comunicação do Exército Brasileiro, criada por iniciativa de oficiais brasileiros que fizeram estágio no Exército Imperial Alemão. Ela teve sua primeira edição publicada em 10 de outubro de 1913 e o formato foi baseado na Militär Wochenblatt, revista publicada por militares em Berlim desde 1816. A revista A Defesa Nacional desempenhou um papel crucial na divulgação do militarismo e na tentativa de legitimação daquele regime autoritário. Ao analisar os editoriais dessas publicações, buscarei identificar como os militares construíram suas narrativas sobre o golpe, além de tentar compreender como essas narrativas se transformaram ao longo do tempo.
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Abrir o trabalho“ESSE FOI O PIOR 69 DA MINHA VIDA”: ANÁLISE DA CHARGE DE ZIRALDO EM O PASQUIM NO CONTEXTO DA DITADURA MILITAR.
JANIZI DAS DORES RODRIGUES
Este estudo analisa a charge de Ziraldo publicada em 1970 no jornal O Pasquim, explorando seu significado como forma de critica cultural durante a Ditadura Militar brasileira. A obra, que retrata dois personagens trocando votos de Ano Novo, contém uma fala emblemática: "Esse foi o pior 69 da minha vida", uma crítica velada ao ano de 1969, marcado pelo endurecimento do regime com o AI-5. Através de uma abordagem qualitativa, combinando análise iconográfica e documental, a pesquisa demonstra como Ziraldo empregou humor ácido, traços caricatos e linguagem metafórica para burlar a censura e expressar o descontentamento popular. A charge, aparentemente simples, revela camadas de crítica política, refletindo o clima de medo, repressão e exaustão da sociedade. O estudo destaca a importância de O Pasquim como veículo de imprensa alternativa, que, mesmo sob censura, proporcionou um espaço para debates codificados e resistência cultural. Conclui-se que as charges de Ziraldo não apenas denunciavam a opressão do regime, mas também preservavam a memória coletiva, tornando-se documentos históricos essenciais para compreender a cultura política da época. A pesquisa reforça a relevância do humor satírico como ferramenta de crítica social e defesa da liberdade de expressão em contextos autoritários.
Palavras-chave: ditadura militar,Charges. Ziraldo, O Pasquim, Imprensa Alternativa
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Tradição,Horto,Padre Cícero
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoENTRE A HISTÓRIA E O ESQUECIMENTO: O SILENCIAMENTO DO ACONTECIMENTO DITADURA CIVIL-MILITAR NO ENEM (2019–2022)
ADILLA LIMA FERNANDES
Embora o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM -- seja uma importante política pública educacional que democratiza o acesso ao ensino superior, ele não está livre de tentativas de interferências, principalmente quando o contexto é de um governo negacionista que se caracteriza pelo ataque a ciência. Dessa forma, o objetivo desse trabalho é investigar como a ausência e posterior minimização de questões sobre a Ditadura Civil- Militar no ENEM durante o governo Jair Messias Bolsonaro (2019-2022), se constituiu como uma política de silenciamento que buscou apagar alguns aspectos históricos desse passado recente. Para isso, analisamos os cadernos de provas do ENEM nas edições aplicadas entre os anos de 2012 e 2022, objetivando verificar as presenças ou ausências do tema ao longo dos períodos. Também utilizamos como fonte o relatório da Comissão Verificadora de Itens, que apresenta todo o balanço do trabalho que se excluiu questões disponíveis no Banco Nacional de itens que seriam usadas no exame de 2019, e as notas técnicas do INEP, que trazem dados sobre desempenho e eventuais mudanças incorporadas ao longo do tempo. Esses documentos estão disponíveis no site do INEP/MEC, permitindo entender como algumas escolhas afetaram a presença de conteúdos ligado a Ditadura Civil-Militar brasileira. Esses achados indicam a necessidade de refletir acerca dos usos políticos da educação e os impactos do silenciamento histórico institucionalizado nas políticas públicas.
Palavras-chave: Enem,Memória,Ditadura Civil-Militar,Governo Bolsonaro
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoFÉ, TERRA E MEMÓRIA - A COMISSÃO PASTORAL DA TERRA E A RESISTÊNCIA CAMPONESA NO CARIRI CEARENSE.
FRANCISCO LIRA DE LIMA
A presente pesquisa propõe refletir sobre os conflitos de terra no Cariri cearense a partir da atuação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na organização das lutas camponesas. Inserido no campo da história local, o trabalho busca compreender como a CPT contribuiu para a construção de narrativas de resistência frente ao silenciamento histórico imposto pelas elites agrárias e pelo modelo de concentração fundiária que marca a região. A pesquisa parte da análise de atas, relatórios e manifestos produzidos pela CPT, documentos que registram ações concretas de mobilização, denúncias de violência no campo e articulações com movimentos sociais e comunidades eclesiais de base. Tais fontes permitem identificar como a CPT atua não apenas como mediadora de conflitos agrários, mas também como agente na construção da memória camponesa e na valorização de sujeitos historicamente excluídos. a pesquisa evidencia como essas narrativas se inserem em disputas simbólicas por reconhecimento e justiça social. Ao reconstruir essas histórias, o trabalho contribui para dar visibilidade às vozes camponesas e sua luta por terra, dignidade e pertencimento.
Palavras-chave: Comissão Pastoral da Terra (CPT),Conflitos de terra,Memória camponesa,História local,Disputa de narrativas
Oral
Abrir o trabalhoLUCAS DO NASCIMENTO ALVES; N/I
Este trabalho tem como objetivo analisar as potencialidades do tema da questão camponesa no estado do Ceará durante o período da ditadura empresarial-militar instaurada no Brasil a partir do golpe de Estado de 1º de abril de 1964. O foco está na compreensão das dinâmicas de repressão, resistência e organização política dos trabalhadores rurais em um contexto de aprofundamento da violência estatal e da militarização da vida social e política no campo nordestino. O estudo parte da premissa de que o regime ditatorial não apenas perseguiu opositores políticos urbanos, mas também atuou de forma incisiva no meio rural, reprimindo movimentos sociais, sindicatos e lideranças camponesas que reivindicavam reforma agrária, melhores condições de vida e o direito à terra. Com base em fontes bibliográficas e documentais, especialmente os processos da Comissão Especial de Anistia Wanda Rita Othon Sidou, a pesquisa reconstrói as trajetórias políticas e pessoais de dois importantes líderes camponeses cearenses: Vicente Pompeu da Silva e José Rodrigues Araújo. Ambos foram figuras de destaque na mobilização rural em suas respectivas regiões e sofreram perseguições por sua atuação em defesa dos trabalhadores do campo. Suas histórias permitem compreender como o poder ditatorial agiu para desarticular as organizações camponesas, utilizando instrumentos jurídicos, policiais e militares para impor o medo, o silêncio e a submissão. Ao recuperar essas trajetórias, o estudo contribui para a ampliação do debate sobre a ditadura civil-militar brasileira, destacando a centralidade da luta camponesa como parte do processo histórico de resistência à opressão e à concentração fundiária no Brasil. Além disso, evidencia a importância da memória e da justiça de transição para o reconhecimento das violências praticadas contra os trabalhadores do campo, cujas vozes, por muito tempo, permaneceram silenciadas. A abordagem adotada também busca tensionar os limites das narrativas tradicionais sobre o período, propondo uma leitura que insere o sertão cearense como território de luta e repressão no cenário nacional da ditadura.
Palavras-chave: Camponeses,Ditadura empresarial-militar,Ceará
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoDO IDEAL AO REAL: CONTRASTES NA REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NAS “POESIAS” DE BARBOSA DE FREITAS
JERRE AURÉLIO NEVES DA CRUZ
Este estudo analisa as representações das mulheres na poesia de Barbosa de Freitas, poeta cearense conhecido como o “Condoreiríssimo”. O condoreirismo foi um movimento literário que se destacou na segunda metade do século XIX no Brasil e está ligado ao Romantismo, particularmente à terceira geração romântica, também chamada de geração condoreira. Influenciado pelo poeta francês Victor Hugo, esse movimento se caracteriza por uma poesia grandiosa, repleta de questões sociais como liberdade, justiça e oposição à escravidão. Seus poetas, conhecidos como condoreiros (em referência ao condor, uma ave de voo alto), fizeram uma poesia combativa e engajada. Dentro desse contexto, Barbosa de Freitas foi uma das figuras de destaque no Ceará. Sua poesia, tal como a de outros condoreiros cearenses, se relaciona perfeitamente com as ideias libertárias da última romântica. Tomando como fonte o livro “Poesias”, investigamos como o autor retrata a mulher no contexto do Cariri, especialmente em suas representações ligadas à prostituição e à pobreza — semblantes críticos da realidade regional no século XIX. A abordagem articula análise literária e histórica, explorando as contradições entre o idealismo condoreiro (com sua defesa dos oprimidos) e a perpetuação de estereótipos femininos vinculados às estruturas de poder da época. Levanta-se a hipótese de que a poesia de Barbosa de Freitas revela tanto uma crítica social quanto a (re)inscrição de hierarquias de gênero, oferecendo um panorama complexo das dinâmicas identitárias no sertão cearense.
Oral
Abrir o trabalhoMAPEANDO MEMÓRIAS DA RUA DA PALHA: DOCUMENTAR SABERES E FAZERES DA ANCESTRALIDADE INDÍGENA NO HORTO
LETÍCIA DO NASCIMENTO TORRES; Anna Luísa Silva Duarte
O projeto de mapeamento da memória da Rua da Palha, localizada no bairro Horto, Serra do Catolé, em Juazeiro do Norte-Ceará, tem como foco resgatar e valorizar a tradição do trabalho artesanal com palha feita pelas/pelos indígenas que moram na localidade, uma prática ancestral e de forte relevância econômica para a comunidade local. A iniciativa surge da necessidade de documentar histórias, saberes e fazeres que resistem ao tempo e expressam a identidade cultural de seus moradores. O principal objetivo é registrar os modos de produção artesanal, as experiências de vida dos artesãos e o papel social e econômico dessa atividade no cotidiano da rua. Também num processo de retomada indígena, pensando um movimento ancestral que conecte mesmo os próprios moradores com suas histórias. Para isso, essa pesquisa qualitativa, tendo como propósito ser exploratória e descritiva, emprega métodos de coletas de dados em pesquisa de campo, sendo observações participantes, entrevistas com moradoras antigas e produção de mapeamentos participativos da memória. Espera-se, como resultado, a criação de um acervo documental e expositivo que fortaleça o sentimento de pertencimento, estimule a continuidade dessa prática e incentive ações de valorização cultural e desenvolvimento sustentável. O mapeamento também visa contribuir para o reconhecimento do saber artesanal como patrimônio imaterial da cidade.
Palavras-chave: Mapeamento,Artesanato,Mulheres Indígenas,Memória Ancestral,Serra do Catolé
Oral
Abrir o trabalhoResumo Expandido · Oral
ESTUDO SOBRE A CAPOEIRA NO CRATO/CE: FUNDAMENTOS PARA UM MAPEAMENTO SOCIAL
SÉFORA AZAEL MARQUES GONÇALVES
O patrimônio cultural brasileiro abrange bens de natureza material e imaterial vinculados à identidade, à memória e à ação dos diferentes grupos sociais. A capoeira, enquanto expressão afro-brasileira, articula elementos de luta, dança, música e educação, sendo reconhecida como patrimônio imaterial. Presente em diversas regiões do país, também se manifesta no Cariri cearense, especialmente na cidade do Crato. No entanto, ainda são escassos os estudos que abordam essa manifestação cultural no contexto local. A presente pesquisa é de natureza qualitativa, com abordagem etnográfica, e tem como objetivo contribuir para o preenchimento dessa lacuna, mapeando os grupos, agentes e espaços dedicados à prática da capoeira no Crato, além de buscar compreender sua organização, práticas e territorialidades. Para isso, são utilizados procedimentos metodológicos como levantamento bibliográfico, análise documental e realização de entrevistas com mestres, praticantes e lideranças. A pesquisa está em andamento e, até o momento, foram identificados dez grupos que atuam na cidade. Espera-se ampliar esse número ao longo do processo investigativo, de modo a contribuir com a valorização da capoeira como patrimônio imaterial regional e fortalecer o reconhecimento das culturas populares no território caririense.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPADRE CICERO: RELIGIOSIDADE E MISTICISMO NUMA ANÁLISE LITERÁRIA.
HELENA LOPES DA SILVA
É notória a importância da figura do Padre Cícero para a religiosidade, não só da região do Cariri como de todo Nordeste brasileiro. Sua história foi e, ainda é contada através de vários meios como: música, biografias, jornais, livros, cordéis e pela oralidade. Dada a importância dessa representatividade de fé popular para a história do Brasil, analisaremos alguns aspectos da figura do Padre Cícero, contidos na literatura de cordel, que possam nos levar a entender de que maneira nosso personagem é retratado através desse veículo de informação, que tem seu auge de popularização na mesma época em que o Padre Cícero, ainda vivo, atraia milhares de pessoas de todo Nordeste para Juazeiro do Norte. Sabemos que a literatura de cordel é composta por fatos da realidade que se misturam a fantasia e a interpretação de quem o escreve, portanto, analisaremos essencialmente aspectos que norteiam a imagem mística do padre Cícero, a fim de compreendermos como ou se o cordel contribuiu para a construção da imagem mística em torno do Padre Cícero.
Oral
Abrir o trabalhoPRAÇA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, CENTRO DO PATRIMÔNIO DA CIDADE DE CAJAZEIRAS – PB
IRLANA MARIA HOLANDA GONÇALVES
O presente trabalho visa apresentar a Praça de Nossa Senhora de Fátima, como centro do Patrimônio da Cidade de Cajazeiras-Pb, sendo o principal foco de conservação da cidade. O seu surgimento data do ano de 1823, com a construção de uma pequena capela por parte da matriarca da família Rolim de Albuquerque e de seu filho recém ordenado padre em Olinda-Pe. Como era comum esse tipo de construção torna-se o centro da vida religiosa, social, cultural e econômica do local, passa a constituir na sua frente uma grande praça onde as pessoas se reuniam. Com o advento do crescimento da então Fazenda das Cajazeiras, esse local tem uma contribuição impar para esse crescimento, constituindo lá as primeiras feiras, festas, reuniões, ou seja, o centro de convivência cultural, econômica e política da então recém Vila. Assim, faremos uma pesquisa bibliográfica memorialística que visa apresentar a importância desse local para a formação da cidade e o porquê de sua conservação e valorização como patrimônio estadual e local, através do IPHAEP. Com a análise das bibliografias, chegaremos ao resultado da comprovação da importância do bem descrito e assim fazer uma discussão com Certeau (1982) sobre a escrita da história desse local. O referencial teórico-metodológico será composto por Leitão (1990), pesquisador e historiador da cidade que trata da história cronológica e pela análise do local a luz de Certeau, utilizada para compreender a forma que devemos apresentar e valorizar esse patrimônio, além do aparato legal do IPHAN e seus documentos.
Palavras-chave: Patrimonio, História, Cajazeiras
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DISCUSSÃO TEÓRICA SOBRE O ENSINO E A APRENDIZAGEM HISTÓRICA
MARIA CAROLINA RIBEIRO SILVA
O presente trabalho tem como proposta a articulação entre o ensino e a aprendizagem de História na modalidade educacional voltada para jovens e adultos (Educação de Jovens e Adultos – EJA). Esta modalidade de ensino, com uma diversidade etária, proporciona desafios para a dinâmica escolar, pois enquanto que os adultos já possuem trajetórias de vida mais longas com bagagem cultural e social mais complexa, os jovens se caracterizam como sujeitos mais integrados a tecnologia. Nesse sentido, entendendo que os/as estudantes, ao participarem da vida em comunidade, articulam saberes com a História oferecida em sala de aula e utilizam seu cotidiano, suas memórias, suas experiências e seus saberes, possibilitam a construção de conhecimentos a partir de contextos conhecidos por eles/as. Dessa forma, objetiva-se discutir teoricamente como o ensino e a aprendizagem histórica é construída e compreendida por jovens e adultos que frequentam turmas de EJA. Para isso, serão abordados os estudos de Paulo Freire (1996; 2005; 2023), sobre educação voltada para adultos, Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli (2004), ao tratar do ensino e aprendizagem de História, Alessandra Nicodemos (2019; 2020), trabalhando a relação entre ensino de História e EJA e Marta Kohl de Oliveira (2007), entre outros, que abordam desde a educação para jovens e adultos, sua aprendizagem e metodologias de ensino específicas. As proposições desses autores, ao lado de outros/as que se dedicam ao ensino de História e à educação voltada para jovens e adultos, sustentam a preocupação deste trabalho em fazer uso dos saberes, das experiências e vivências dos/as estudantes da EJA, reconhecendo suas especificidades como uma oportunidade de desenvolver um ensino de História a partir da problematização do presente. O ensino de História, nesse sentido, desempenha papel fundamental para a compreensão do mundo por parte dos/as discentes, bem como levá-los a enxergar-se como protagonista desse processo de aprendizagem e de construção de conhecimento. Dado que a educação é mais do que apenas conhecimento, pode-se dizer que a aprendizagem histórica engloba as práticas dos/as estudantes dentro e fora da sala de aula, de forma que o ensino e a aprendizagem nas aulas de História influenciam o exterior e vice-versa.
Oral
Abrir o trabalho