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A (DES)MOTIVAÇÃO DAS ESTUDANTES NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
CICERO DA SILVA ARAÚJO; MARIA ROSÂNGELA DIAS PINHEIRO
A (DES)MOTIVAÇÃO DAS ESTUDANTES NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Cícero da Silva Araújo Maria Rosângela Dias Pinheiro Palavras- chave: Motivação, Desmotivação, Educação Física. INTRODUÇÃO O presente estudo trata da (des)motivação de estudantes do sexo feminino nas aulas de Educação Física e traz o seguinte problema de investigação: quais os fatores que levam as estudantes que cursam os anos finais do ensino fundamental de escolas municipais de Iguatu-CE a se sentirem desmotivadas em relação às aulas de Educação Física? Nesse sentido, apresenta-se como hipóteses, que a desmotivação das estudantes está relacionada a fatores como: os conteúdos abordados privilegiarem as práticas esportivas; os métodos utilizados pelo professor não serem estimulantes e instigantes; as alunas não possuírem habilidades com o conteúdo proposto, especialmente os esportes; e sentirem vergonha em expor seus corpos na execução das atividades. Justifica-se este trabalho pela possibilidade de trazer reflexões que possibilitem soluções para ressignificar a disciplina Educação Física, agregando informações colaborativas para que as estudantes se sintam estimuladas a participarem das aulas. Ao mesmo tempo, possa contribuir no redimensionamento das práticas pedagógicas no que se referem aos conteúdos selecionados, metodologias e avaliações aplicadas, possibilitando questionamentos e discussões sobre a prática docente, e aos acadêmicos, futuros professores das escolas, para que possam repensar estratégias que motivem as alunas a participarem das aulas. O estudo objetivou de forma geral analisar os fatores que contribuem para a desmotivação das estudantes nas aulas práticas de Educação Física nos anos finais do ensino fundamental. E tem-se os seguintes objetivos específicos: discutir a importância das aulas de Educação Física na formação das estudantes; compreender os motivos que levam as estudantes a não participarem das aulas práticas de Educação Física; identificar fatores que as motivam a participarem das aulas; e refletir estratégias que possam favorecer a participação de alunas nas aulas de Educação Física. MATERIAIS E MÉTODO A pesquisa caracteriza-se de natureza qualitativa, de campo e descritiva, realizada em quatro escolas da rede municipal de ensino da cidade de Iguatu-CE. Os sujeitos da pesquisa foram cinquenta e três estudantes matriculadas nos anos finais do ensino fundamental. Foram incluídas no estudo alunas de escolas da rede pública do município de Iguatu- CE que estão matriculadas no 8° e 9° anos, nos turnos manhã e tarde, e que não participam das aulas práticas de Educação Física. A identificação da não participação dessas alunas nas referidas aulas se deu junto ao professor da disciplina, em que foram buscadas informações sobre as discentes que não participam das aulas práticas. Foram excluídas da pesquisa as estudantes que desistiram de responder o questionário e as que não responderam completamente as indagações. Para a obtenção dos dados foi aplicado um questionário semiestruturado contendo oito perguntas abertas e fechadas. A pesquisa foi realizada nos dias 06, 19 e 20 de novembro de 2019, nos períodos matutino e vespertino respectivamente das 08h00min às 09h30min e das 13h00min às 15h00min. O preenchimento do questionário pelas participantes durou em torno de sete minutos. O método utilizado na pesquisa foi a análise de conteúdo. Segundo Bardin (2011) trata-se de um aglomerado de técnicas de análises buscando adquirir, através de métodos ordenados e objetivos, indicadores (quantitativos ou não), permitindo a dedução de conhecimentos das variáveis. A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Regional do Cariri – URCA, no dia 10 de outubro de 2019 pelo Parecer Nº 3.635.320 e o CAEE nº 21277019.0.0000.5055. O estudo seguiu as normas da Resolução n° 510, de 07 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Saúde, no qual explana que a ética faz parte da construção do ser humano nos aspectos histórico, cultural e social, e que pressupõe o respeito à dignidade humana e proteção às pessoas envolvidas em pesquisas realizadas com seres humanos (BRASIL, 2016). RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise dos dados foi realizada através de categorias de análises. A primeira categoria formulada trata da importância da Educação Física. Desse modo, os resultados mostraram que algumas estudantes consideram a disciplina importante por: proporcionar interação social, conhecimento sobre os esportes, prevenção de doenças e promoção da saúde; evitar o sedentarismo, fator que, ligado a hábitos alimentares inadequados e a ausência de atividades físicas contribui para o surgimento de diversas enfermidades, dentre elas, a obesidade. Silva e Costa Júnior (2011) afirmam que a prática de atividade física, executada de forma regular, consiste em contribuir na promoção de benefícios acerca da saúde, sendo fundamental também no aprimoramento dos aspectos físicos, psicológico e mental da criança e do adolescente, além de caracterizar-se de maneira eficaz na prevenção contra o surgimento de futuras enfermidades. Em contrapartida, uma das participantes do estudo destacou que a Educação Física é uma prática desnecessária, considerando-a insignificante. Dessa forma, é nítido que, na percepção da estudante, a disciplina é dispensável enquanto componente curricular da educação básica, talvez por acreditar que não contribui numa perspectiva pedagógica para a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno de forma ampla, quando comparada às demais que fazem parte da matriz curricular da escola. Assim, nota-se que a Educação Física mesmo sendo componente obrigatório da matriz curricular da educação básica e regulamentada por lei, sofreu e ainda sofre preconceitos quanto ao seu papel na escola, considerada no pensamento social como uma disciplina desprovida de conteúdo, que não proporciona conhecimentos e saberes sistematizados aos estudantes, sendo entendida por eles como um componente sem importância alguma (SANTOS; MENEZES; SANTOS, 2017). A segunda categoria buscou identificar e compreender os motivos que levam a não participação das estudantes nas aulas práticas de Educação Física. Diante disso, as alunas ressaltaram diferentes motivos, dentre eles, as aulas acontecerem no contra turno é um fator que tem contribuído para a evasão das estudantes na disciplina, de acordo com algumas alunas. Confirmando, Darido et al., (1999) enfatizam em seu estudo, que um dos elementos contribuintes para o afastamento de estudantes das aulas de Educação Física é o horário invertido da disciplina, uma vez que são realizadas em período diferente dos outros componentes da educação básica, consequentemente, acaba por dificultar a presença de estudantes que moram distantes, assim como daqueles que trabalham. Outros fatores abordados pelas participantes foram: não gostar de acordar cedo e preguiça para a prática de atividades físicas; indisponibilidade de tempo por realizar tarefas domésticas no horário das práticas; falta de transporte para conduzi-las à aula, devido ao fato de morar distante da escola, torna-se um meio necessário; problemas de saúde; rejeição dos colegas do gênero masculino por acharem que as meninas não têm a mesma capacidade que eles na realização de algumas práticas esportivas; atitudes hostis por parte dos meninos; cansaço; desinteresse pela disciplina; vergonha em expor seus corpos e por não saber realizar as atividades contempladas; repetição dos métodos e conteúdos com foco nas práticas esportivas. A terceira categoria teve como objetivo identificar e apresentar os fatores que motivam as estudantes a participarem das aulas práticas de Educação Física. Desse modo, constatou-se os seguintes resultados: mudança no horário, assim como no período em que são ministradas as aulas, já que o atual horário e período têm dificultado a presença das discentes nas aulas práticas da disciplina; transporte escolar para conduzi-las às aulas; proximidade da escola com a residência e tratamento igualitário dos gêneros por parte dos professores. Outros pontos destacados acerca dos fatores contribuintes na motivação para as práticas, inclui modificações na forma como o professor aborda suas aulas; a diversificação dos conteúdos, com atividades atrativas e inovadoras, que possam despertar o interesse das alunas pelas práticas corporais que compõem a disciplina e, assim, sentir-se motivadas perante as aulas de Educação Física. Nesse sentido, como asseguram Drews et al., (2011) o professor de Educação Física também é responsável em relação a desmotivação dos estudantes na disciplina, dado que, os métodos escolhidos para desenvolver as aulas, seu relacionamento com os discentes, assim como os conteúdos contemplados, são fatores que corroboram para que os educandos participem ou deixem de participar das aulas. A quarta e última categoria tratou de apresentar as estratégias utilizadas pelo professor na concepção das estudantes para incentivá-las a participarem das aulas. Sendo assim, as discentes apontaram, a diversificação nos conteúdos e nos métodos de ensino, em que o professor poderia variá-los implementando novas e diferentes temáticas; proporcionar práticas de diferentes jogos e brincadeiras, por vezes incluir músicas durante a realização de algumas aulas e não centralizá-las apenas no desenvolvimento de práticas esportivas. Ao adotar tais medidas o professor estará contribuindo para a ampliação de conhecimentos e vivências corporais das educandas no componente Educação Física, e sobretudo, deixando suas aulas dinâmicas e atrativas. Mesmo existindo diferentes formas de abordagem, por inúmeras vezes, tem-se concentrado em metodologias repetidas que incorrem na monotonia e acabam tornando o desenvolvimento da aula desinteressante, implicando na desmotivação e, consequentemente, na evasão das discentes na disciplina. Silva (2017) explana que existe uma ampla variedade de conteúdos e métodos aplicáveis no componente Educação Física. Assim, compete ao professor saber utilizá-los e proporcionar aos estudantes acesso a essa diversidade nas suas aulas, de modo que, os discentes possam se sentir confortáveis e instigados a participar das atividades contempladas e adquirir conhecimentos por meio delas. As estudantes apontam, ainda, como formas de incentivo, o desenvolvimento de práticas inclusivas, no sentido de que todos os estudantes, independente do sexo, possam interagir e compartilhar dos mesmos conhecimentos e aprendizagens que dispõe a disciplina. Suprimindo dessa forma, a segregação e conservando tratamento igualitário para ambos os sexos, e não priorizar um grupo em detrimento do outro, baseando-se em desempenho apresentado em determinadas práticas corporais. A Educação Física nem sempre beneficia todos os estudantes pela falta de um bom planejamento, o que contribui para a segregação dos discentes em diferentes âmbitos, tais como, sexo, capacidades motoras, diversidade cultural acerca das práticas corporais, impedindo que haja a troca de experiência e vivência cultural relacionadas a outros tipos de esportes (VALERIANO; NEVES JÚNIOR, 2014). CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo confirmou as hipóteses levantadas inicialmente, de que a desmotivação das estudantes está relacionada a alguns fatores, como: privilegiar as práticas esportivas enquanto conteúdo; os métodos utilizados pelo professor não são estimulantes e instigantes; falta de habilidades com os conteúdos e vergonha em expor seus corpos na execução das atividades. Além desses, destacaram outros, dentre eles: o fato de as aulas acontecerem no contraturno; a falta de transporte, problemas de saúde e rejeição dos colegas do gênero masculino, etc. Também mostrou que as estudantes têm conhecimento sobre a importância da Educação Física na sua formação. E propuseram mudanças nas estratégias utilizadas pelo professor e nas perspectivas de concretização do componente. Em relação à efetivação da disciplina, nota-se a necessidade de os gestores (prefeito, secretário (a) de educação, diretores e coordenadores escolares) terem um olhar mais atencioso para a Educação Física e refletirem sobre como esse componente tem sido desenvolvido, no intuito de solucionar problemas que têm desmotivado e dificultado a participação das estudantes na disciplina. Diante dos resultados, sugere-se que outros trabalhos sejam realizados com estudantes do sexo feminino, na perspectiva de se aprofundar na temática nesse nível de ensino e também no ensino médio, visto que, diante da busca por artigos, periódicos, percebeu-se uma carência de estudos com esse público. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições, 70, 2011, 229 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União. Brasília, 24 maio 2016. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia//asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/22917581. Acesso em: 10 abr. 2020. DARIDO, S. C. et al. Educação física no ensino médio: reflexões e ações. Motriz, v. 5, n. 2, p. 138-145, dez.1999 Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2011/5041_3450.pdf. Acesso em: 19 jun. 2019. DREWS, R. et al. Interesse dos alunos do ensino médio pelas aulas de educação física através do projeto cultura esportiva na escola, PIBID, CAPES. EFDeportes.com, Revista Digital, v.15, n. 154, mar. 2011. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd154/educacao-fisica-atraves-do-projeto-cultura-esportiva.htm. Acesso em: 04 jul. 2020. SANTOS, L. R.; MENEZES, T. C.; SANTOS, L. A. M. O componente curricular educação física e a sua inclusão no exame nacional do ensino médio: um estudo descritivo nas escolas da cidade de Lagarto-SE. Revista Científica da FASETE, n. 2, p. 128-147, 2017. SILVA, G. C. Educação Física Escolar: as contribuições para a qualidade de vida dos alunos do ensino médio. 2017. 23f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação Física) – Faculdade de Macapá, FAMA, Macapá, 2017. SILVA, P. V. C.; COSTA JÚNIOR, A. L. Efeitos da atividade física para a saúde de crianças e adolescentes. Psicologia Argumento, v. 29, n. 64, p. 41- 50, jan./mar. 2011. ISSN 0103-7013. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/index.php/psicologiaargumento/article/view/19915/19213. Acesso em: 09 jun. 2020. VALERIANO, R. J.; NEVES JÚNIOR, C. L. Diversidade nas aulas de educação física das escolas públicas de Araxá – MG. Evidência, v. 10, n.10, p. 61-74, 2014.
Palavras-chave: MOTIVAÇÃO,DESMOTIVAÇÃO,EDUCAÇÃO FÍSICA
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoA RECREAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
PEDRO CARLOS SILVA DE AQUINO
INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta um relato da experiência vivenciada a partir do estágio supervisionado II, componente curricular obrigatório do curso de licenciatura em Educação Física da Universidade Regional do Cariri – URCA/CE e direcionado aos anos iniciais do ensino fundamental. O estágio supervisionado apresenta-se como uma oportunidade de aproximação dos futuros professores com as situações reais de ensino, proporcionando a capacitação dos acadêmicos para as demandas do âmbito escolar, no qual o estagiário experimenta as situações cotidianas do seu contexto de atuação e elabora ferramentas para desempenhar com competência a sua prática pedagógica. Para Scalabrin e Molinari (2013) o Estágio Curricular Supervisionado é um processo de aprendizagem fundamental para um profissional que realmente pretende encarar os desafios de uma carreira, isto acontece durante a formação acadêmica, no qual os discentes são incentivados ao contato com a realidade sociocultural da população e da instituição, visitando os espaços escolares, sendo o estágio fundamental na formação dos discentes em futuros professores nos cursos de licenciatura. A partir disso, o estagiário realizou a sua prática docente, com a utilização da recreação como metodologia para aplicação dos conteúdos nas aulas de Educação Física Escolar para alunos dos anos iniciais do ensino fundamental de uma instituição escolar pública municipal. Diante disso, é necessário esclarecer que quando nos referimos ao termo “Recreação”, pode-se entender unilateralmente como qualquer atividade que promova diversão ou passatempo daquele que realiza. Como também, referente a perspectiva na promoção de lazer. Mas, neste caso, o termo está direcionado e relacionado com o processo educativo, possibilitando usar como meio para conduzir ou atingir um determinado objetivo do processo de ensino aprendizagem. Para Santos, Alves e Canto (2011) a recreação são todas as atividades espontâneas, prazerosas e criadoras, no qual atenda às diversas faixas etárias e preferências, proporcionando a escolha das atividades para ocupar seu tempo livre, para que seja possível o prazer na sua participação de forma ativa. Para Freire (1994) as atividades recreativas estão relacionadas com a própria cultura, sendo que na cultura infantil é um mundo recheado de jogos, brincadeiras e fantasias, no qual a escola e os professores não levam em conta que a maior peculiaridade das crianças é o brincar, sendo um erro cometido quando ignoram esse aspecto. Com isso, quando as crianças chegam na escola cheias de expectativas, acabam se deparando com a monotonia das aulas de Educação Física. Santos (2017) aborda que trabalhar com atividades recreativas auxilia no desenvolvimento do raciocínio, imaginação e a criatividade através da convivência entre os alunos. Além disso, ajuda na construção do sistema de representação, englobando a aquisição da leitura e escrita, focando na formação dos aspectos motores, cognitivos e psicológicos das crianças. Diante disso, a recreação apresenta-se como uma das diversas maneiras que o docente possui para desenvolver um trabalho que promova aos alunos adquirirem experiências motoras, intelectuais, afetivas e proporcionar a interação social no decorrer do processo de ensino e aprendizagem. A partir disso, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada na aplicação da recreação como estratégia de ensino da Educação Física Escolar nos anos iniciais do ensino fundamental. MATERIAIS E MÉTODO O estudo delineia-se como descritivo do tipo relato de experiência e pesquisa-ação com uma abordagem qualitativa. Para a prática docente, o campo de atuação foi uma escola de ensino fundamental da rede pública municipal do Crato-CE. E através de um ofício, o núcleo gestor da referida instituição permitia a atividade curricular. A instituição oferece ensino a crianças com faixa etária entre 6 e 12 anos de idade. Na intervenção contemplou a participação de 145 alunos de turmas do 4ª e 5ª anos iniciais do ensino fundamental. A regência do estágio ocorreu durante o período de agosto a novembro de 2018, no qual as intervenções foram realizadas três vezes semanais e uma aula por turma. Cada aula teve uma duração de 60 minutos, totalizando 54 horas aulas no final da prática docente. Para a regência, houveram momentos iniciais para observações das turmas mencionadas para armazenamento de dados dos alunos e o ambiente escolar. E consequentemente, realizou-se um planejamento com os docentes em relação a organização dos conteúdos propostos, e as atividades desenvolvidas para o período, e os procedimentos metodológicos e avaliativos para o ensino e aprendizagem dos alunos. Os conteúdos propostos para as turmas ficaram estabelecidos como, os jogos de tabuleiro; sensoriais; cantados; competitivos e cooperativos, sendo trabalhado com ênfase nos aspectos lúdicos, buscando promover o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e sociocultural dos alunos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante a prática docente foi possível nortear pontos chaves para a obtenção dos resultados, no qual o estagiário ao decorrer do processo de ensino e aprendizagem, observou mudanças nos alunos durante a prática pedagógica, como a participação, aderência e engajamento nas aulas, na rotina das aulas; socialização dos alunos e a inclusão. Inicialmente foi percebido um “estranhamento” dos alunos com a nova organização das aulas, pois houve modificações da estruturação, procedimentos metodológicos e avaliativos dos conteúdos da prática docente do estagiário. Dessa maneira, a disciplina incorporou uma fundamentação teórica e metodológica da Educação Física. Diante disso, é necessário destacar que na fase dos anos iniciais do ensino fundamental é obrigatório a presença do componente curricular de Educação Física, mas a presença do docente é facultativa. De acordo com a Resolução CNE/CEB nº7 de 14 de dezembro de 2010 no seu artigo 31, no mencionado período de ensino, o componente curricular poderá ser referente ao docente que permanece a maior parte do período escolar com a sua turma de referência, caso contrário, o licenciado do componente assume, caso a instituição escolar tenha o profissional. Nesse sentido, as atividades docentes do estagiário foram realizadas na disciplina intitulada de “Jogos e Recreação", no qual era conduzida pelo docente polivalente e de referência da turma. De maneira geral, a característica da disciplina baseava-se na realização de atividades recreativas e lúdicas livres. Dessa maneira, no início das primeiras aulas, houve resistência dos alunos para participarem das atividades propostas, devido estarem adaptados com o modo das aulas aplicado pelos docentes das turmas. Com isso, foi necessário diálogo com os alunos para explicar a dinâmica das atividades propostas para o período. Diante disso, pôde-se perceber motivos que fizeram com que os alunos não participassem inicialmente das aulas de Educação Física elaboradas pelo estagiário, as atividades desenvolvidas pelos docentes das turmas na disciplina de “Jogos e Recreação”, eram livres, no qual os próprios alunos escolheram suas práticas preferidas e realizadas no seu cotidiano. Como também, estarem condicionados a monotonia das atividades, que por sinal, tinha uma característica excludente, levando a falta de motivação e até a rejeição. Em relação a isso, Gonçalves (2007) diz que a maior responsabilidade em motivar o aluno para a prática das aulas é o docente, assim proporcionando levá-lo a esse hábito para sua trajetória de vida. Ao decorrer das aulas, não demorou muito para que os alunos se adaptassem à nova rotina, que foram facilitadas com uma abordagem de escuta ativa do estagiário para com os alunos e a intervenção com a recreação, que promoveu aulas de cunho educativo, com características prazerosas e divertidas. Contudo as atividades propostas sempre tiveram sua fundamentação e objetivos claros na perspectiva do ensino em Educação Física. Foi observado que a interação social não era comum a todos os alunos, visto que durante a realização das atividades nas turmas havia por parte de alguns grupos, a exclusão. Assim, cabendo ao estagiário modificar essa situação dentro das classes com aplicação de atividades que possibilitaram o trabalho em cooperação e aprendizado mútuo. Dessa maneira, ao passar das aulas, foi percebido alterações no comportamento dos alunos, sendo importante para a interação social, desenvolvimento da afetividade e aprendizagem. Nesse sentido, a recreação como estratégia de ensino, possibilitou e contribuiu para integralização, a cooperação e estimulação da criatividade dos alunos, propiciando o desenvolvimento das capacidades físicas, tendo aulas dinâmicas, com todos participando, não havendo exclusão dos menos habilidosos e todos aprendem enquanto divertem-se (SANTOS, ALVES e CANTO, 2011). Durante a prática pedagógica foram desenvolvidas atividades recreativas para enfatizar o caráter lúdico e interligado com o aspecto cultural das crianças, no qual proporcionou o conhecimento de jogos e brincadeiras populares daquela comunidade para desenvolver a aprendizagem da cooperação, interação social, afetividade e desenvolvimento das capacidades físicas. Dessa maneira, com as atividades recreativas foi possível ser desenvolvido as capacidades físicas e habilidades motoras como: correr, saltar, pular e entre outras. Como também, estimular a criatividade, socialização, cooperação, inclusão e o respeito entre os alunos. Diante disso, várias atividades realizadas proporcionaram aos alunos a buscarem a vontade e satisfação em participar das aulas, motivadas para a prática de atividades físicas dentro do ambiente escolar como fora dela (SANTOS, ALVES e CANTO, 2011). Em algumas turmas apresentavam alunos com características especiais, como Síndrome de Down e deficiência visual congênita, que estavam incluídos no ambiente escolar. Dessa forma, houveram modificações nas aulas para adaptar as atividades aplicadas para uma maior adesão desses alunos. Com isso, garantiu a participação efetiva nas aulas, e proporcionou a aquisição da aprendizagem e a ludicidade. Com isso, as atividades recreativas desencadearam possibilidades para as crianças com tais características fossem incluídas e familiarizadas com a Educação Física. Com isso, Santos (2017) complementa que na formação dos aspectos motores, cognitivos e psicológicos das crianças, e no desenvolvimento da imaginação, raciocínio e a criatividade, e também influenciando na convivência positiva dos alunos, as atividades recreativas é um excelente meio para o trabalho no processo de inclusão, ou seja, a através da recreação é possível tornar a escola um ambiente atrativo, contribuindo com a formação dos valores culturais dos alunos no meio onde estão inseridos. De maneira geral, as atividades recreativas são elementos importantes para o desenvolvimento integral da criança. Dessa maneira, é necessário que os docentes explorem a fase inicial de vida da criança, e incorpore a recreação como ferramenta pedagógica e metodológica para proporcionar um processo de ensino e aprendizagem eficiente (MELZ e VAROTO, 2015). CONSIDERAÇÕES FINAIS Portanto, constatou-se que a recreação é uma estratégia eficaz ligado às aulas de Educação Física nos anos iniciais do ensino fundamental para promover a aprendizagem através do lúdico permitindo o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo, sociocultural dos alunos e a inclusão no ambiente escolar. Como também, contribuindo para os futuros estagiários e docentes utilizarem a recreação como possibilidade de aplicação na sua prática pedagógica nas aulas de Educação Física Escolar. REFERÊNCIAS FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro: Teoria e prática da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1994. GONÇALVES. Y. S. O valor da recreação no incentivo à prática da educação física no colégio estadual Ana Nery de 5ª A 8ª série. 2007. Disponível em: https://www.cdof.com.br/recrea25.htm. Acesso 12 de junho de 2021. MELZ, J. I.; VAROTO, F. A. Atividades recreativas na educação física escolar: importância no desenvolvimento integral das crianças do 1º ciclo do ensino fundamental. Revista Educação Física UNIFAFIBE, Ano IV, n. 3. Dez. 2015. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Resolução CNE/CEB nº 7, de 14 de dezembro de 2010. Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. Diário Oficial da União, Brasília, p. 34, 15 dez. 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf. Acesso em: 20 jun. 2021. SANTOS, T. Z.; ALVES, C. P.; CANTO, J. V. Recreação: uma alternativa para as aulas de educação física. Revista Digital EFDeportes. Buenos Aires, n. 152, 2011. SANTOS, S. L. Atividades recreativas de inclusão no ensino fundamental: anos iniciais da educação formal, [Dissertação]. Repositório da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), 2017. SCALABRIN. I. C.; MOLINARI. A. M. C. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista UNAR. v. 7, n. 1, 2013.
Palavras-chave: Estágio Supervisionado, Recreação, Educação Física
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoANÁLISE DA DISCIPLINA “HISTORIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA” DOS CURSOS DE FORMAÇÃO DA REGIÃO DO CARIRI.
EMMANUEL PEREIRA DE SOUZA
A região metropolitana do Cariri, a qual está localizada ao sul do Ceará, tem características particulares como a Chapada do Araripe, clima e a cultura própria que a difere de outras regiões do estado e até mesmo do próprio nordeste. A Região é composta por 09 municípios, que têm sido beneficiados pela presença de Instituições de Ensino Superior (IES) na região, bem como muitos outros circunvizinhos do próprio estado do Ceará e do estado de Pernambuco. Especificamente no que diz respeito à área de Educação Física, através do site de busca e-MEC, foram listadas 18 (dezoito) Instituições de Educação Superior na região do Cariri obedecendo aos critérios inclusivos de ofertar o curso de Licenciatura em Educação Física. Com os Cursos completando aproximadamente 17 anos de existência na região Cariri em 2021, surge a indagação: o conteúdo História da Educação Física na região do Cariri cearense é trabalhados na disciplina História da Educação Física dos cursos de formação de professores da Região? O presente estudo tem o objetivo de analisar as matrizes curriculares dos três cursos de Licenciatura em Educação Física do Cariri para verificação e categorização dos componentes curriculares referentes à disciplina História da Educação Física, observando o conteúdo referentes à História da Educação Física no Cariri cearense. Percebeu-se que apenas uma das instituições aborda os conteúdos referentes à História da Educação Física no Cariri cearense, e as outras instituições detém-se a história da Educação Física no mundo e no Brasil, não abordando a cultura, as práticas corporais do indígena nativo, a história e os aspectos da região onde o curso está localizado. Percebe-se a necessidade de um maior estímulo para a pesquisa na área da História da Educação Física na região do Cariri e também um aprimoramento das ementas da disciplina de História da Educação Física dos IES da região, pois devem conter conteúdos relacionados à história da Educação Física e as primeiras praticas corporais e esportivas da sociedade caririense, na qual está inserido o curso.
Palavras-chave: Educação Fisica, Hitoria e Região do Cariri.
Oral
Abrir o trabalhoATLETISMO: O ESPORTE COMO FERRAMENTA SOCIAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA REDE MUNICIPAL DE SOUSA-PB
RITIELLEN RODRIGUES DOS SANTOS; Alessandra Teresinha da Rosa; Álex Júnio Vieira de Moraes
O Atletismo é um esporte construído culturalmente, onde pudemos observar na literatura que as civilizações mais primitivas já se utilizavam das corridas e dos lançamentos para sobreviver. Chamamos de esporte base, pois serve de base para todos os outros esportes devido ao movimentos comuns de saltar, correr, arremessar e lançar. Por ser um esporte de fácil acesso e que possui diversas provas, facilita a prática por parte dos alunos. Bem como a facilidade de adaptação dos materiais de algumas provas atléticas. Esta foi uma das motivações da escolha do tema. O projeto teve como cunho sócioeducacional, pois pretendeu-se utilizar o esporte como forma de aprendizado, estimulando a prática de atividade física, oportunizando a prática dentro e fora da escola em seus momentos ociosos, utilizando o esporte como meio para instigar a criticidade e torna-los mais efetivos. Este projeto teve como objetivo analisar como o atletismo pode promover, como meio de inclusão social, o desenvolvimento dos educandos no espaço escolar. Pretendeu-se também criar a cultura de aproveitamento de materiais recicláveis, contribuindo assim com o meio ambiente. O público beneficiado foram os alunos do ensino fundamental de 1 escola da rede pública da cidade de Sousa/PB. Na qual, esperava-se com este projeto contemplar em torno de 120 alunos, mas que, por consequências da pandemia e das questões tecnológicas e da falta de acesso a internet, atingindo um efetivo total de 60 alunos. O projeto teve como foco, oportunizar um maior conhecimento acerca do atletismo e a vivência dos alunos seja na escola ou em seus bairros, de forma a obter melhorias no desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social.
Palavras-chave: Atletismo, Sócioeducacional, Meio ambiente
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoCONSTRUINDO UMA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA EJA: EXPERIÊNCIA DE ENSINO NA PANDEMIA
HARIAN PIRES BRAGA
CONSTRUINDO UMA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA EJA: EXPERIÊNCIA DE ENSINO NA PANDEMIA Harian Pires Braga INTRODUÇÃO Este trabalho é um relato de experiência sobre a Educação Física Escolar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), em escolas municipais de Ensino Fundamental, em Campinas, São Paulo. Desde março de 2020, diante do contexto de pandemia da Covid-19, as aulas presencias da Rede Municipal de Campinas foram suspensas, sendo adotada uma modalidade remota. A interação ocorre pelo uso do serviço Google Sala de Aula (GSA), com postagens de atividades. No caso específico da EJA, o acesso ao GSA é limitado, sendo a troca de mensagens por WhatsApp o caminho de melhor interação entre docentes e estudantes. A partir do final de maio de 2021, as aulas presenciais foram retomadas, com limitações de tempo e de número de estudantes. As condições epidemiológicas no município impussessem a limitação na circulação de pessoas à noite, o que, na prática, significou que as aulas noturnas da EJA – maioria da unidades do município – não fossem viabilizadas na maioria do tempo. Na medida em que as condições sanitárias demonstraram melhoras, a presença física foi retomada, sem contudo, abandonar o trabalho remoto, constituindo uma relação pedagógica de dois momentos: um presencial, na escola; outro virtual, no GSA e WhatsApp. Em todos os momentos dessa readequação pedagógica, a Educação Física Escolar, apresentou limitações e comprometimentos, já que as atividades práticas, parte fundametal do componente curricular, foram impossibilitadas, com espaços coletivos como quadras, parques e afins sendo interditados. Esse cenário parece ser mais drástico no Ensino Fundamental regular, que no caso de Campinas, conta com três aulas semanais de 50 minutos desde o 1º ano. Para esse grupo de estudantes, a Educação Física é ofertada no turno e é um componete obrigatório, por tanto, legitimado no currículo e na construção simbólico do que é ensinado na escola. No remoto, a perda simbólica acabou sendo mais evidente. Já na Educação de Jovens e Adultos, a situação é diferente. Dentro da matriz curricular do município, a Educação Física tem apenas duas aulas semanais de 50 minutos, sendo elas no contraturno e com uma quantidade significativa de dispensas: trabalhadores e trabalhadoras, mães, maiores de 30 anos de idade. Essa não obrigatoriedade é garantida pela Lei de Diretrizes e Bases, que cita tais grupos em seu artigo 26, §3º (BRASIL, 1996). Na prática, boa parte do corpo discente se torna inelegível à disciplina, que, é deslegitimada, seja pela exclusão legal, seja por essa simplificação epstemológica, na qual ela seria um sinônimo de atividade física, portanto, em contraposição ao fazer laboral, às mães e limitada apenas a jovens. O contexto pandêmico trouxe a demanda por uma nova organização de trabalho, que segundo a legilação municipal, deveria adotar um norte coletivo, interdisciplinar, focando o processo e não apenas conteúdos descontextualizados (CAMPINAS, 2020a; CAMPINAS, 2020b). Nesse sentido, pensar a Educação Física Escolar na EJA passa a ser um desafio positivo, já que o debate dos conhecimentos próprios da área poderiam ocorrer num espaço de protagonismo e alcançado a todas e a todos estudantes. Há, assim, um inversão no lugar da Educação Física, de apêndice isolado, para parte do debate pedagógico maior. Neste relato, além da condição especial da pandemia, temos um segundo diferenciador que é um dos locais em que se desenvolveu o trabalho docente, trata-se de um Projeto Piloto com turmas em três períodos, docentes selecionados por processo interno, sem hierarquia dos componentes na matriz, apenas com turmas específicas de EJA e com a concepção de uma relação dialógica de Educação, assentada em Paulo Freire. Esse pormenor já permitiria uma quebra curricular, porém não é a simples existência de um currículo distinto que garante protagonismo à Educação Física, é preciso que se reafirme quais objetivos devem ser trabalhados e também quais são os conhecimento próprios da área, isso pensando sempre em contexto articulado com os outros saberes. Para que esse processo ocorra é importante pensar o que seria interessante ensinar na Educação Física num contexto de EJA. A EJA é uma modalidade própria, que não pode ser compreendida como sinônimo de suplência, em que se simplfica o conteúdo na certeza de limitação discente e na premissa de que aquilo que deveria ser ensiando em um ano, deve ser transmitido em seis meses. Ora, não se trata aqui de uma simples correção de fluxo, mas um ensino que seja pensado para adultos, de diferentes idades, em diferentes momentos da vida e com relação já estabelecida com o Mundo do Trabalho. Enfatizo aqui a concepção de Mundo e não de Mercado, pois não se trata de uma formação técnica, mas sim de um conjunto de relações econômicas, sociais e também culturais que norteiam a vida em coletivo, tendo o trabalho como base. Se o público da EJA é diferente daquele do Ensino Fundamental regular é evidente que os objetivos da Educação Física na EJA precisam ser repensados. Nesse sentido, a valorização da construção de uma Diretriz Municipal que, norteada pela ideia do Trabalho como tema central, traz alguns objetivos promissores e que permitiram, no momento pandêmico, ter caminhos para que as perdas pedagógicas fossem atenuadas. A seguir, transcrevo alguns desses objetivos. • Integrar e inserir todos os alunos nas práticas corporais; • Valorizar, apreciar e desfrutar dos benefícios advindos da cultura corporal de movimento; • Perceber e compreender o papel do esporte na sociedade contemporânea; • Usufruir do tempo livre de lazer, resgatando o prazer enquanto aspecto fundamental para a saúde e melhoria da qualidade de vida; • Valorizar, por meio do conhecimento sobre o corpo, a formação de hábitos de cuidado pessoal; • Compreender e ser capaz de analisar criticamente valores sociais como padrões de beleza, relações entre os sexos e preconceitos. (CAMPINAS, 2013). Demonstro três possibilidades pedagógicas para Educação Física na EJA, refletindo não apenas seus êxitos, mas também as dificuldades e as potencialidades ainda a se trabalhar. Importante notar que essas ações estão centradas dentro de um contexto específico e que a reprodução delas só é possível se o local em que forem pensadas também for considerado, bem como as personagens que compõe esse local. Seguindo Paulo Freire, é notório que nossos estudantes possuem saberes prévios e são esses que nos guiam para uma educação transformadora. MATERIAIS E MÉTODO O método aqui adotado é um relato de experiência, baseando-se em três ações pedagógicas aplicadas a estudantes da EJA no município de Campinas, debatendo a limitações e as potencialidades de cada prática. Para esse relato são utilizados não só os planos de aula, como também os registros de avaliação e os documentos curriculares do município.Os três níveis de documentação estão aqui articulados para que o cotidiano da sala de aula esteja em conssonância com preceitos teórico, sem perder de vista que, não há deliberação legal que não demande uma correspondência material. RESULTADOS E DISCUSSÃO A primeira possibilidade pedagógica é a discussão sobre qualidade de vida e saúde. Essa dimensão já está contemplada nas Diretrizes Curriculares Municipais de EJA e se configura como uma interface de contato com Ciências. Contudo, sofria um processo de apagamento, já que a pequena carga horária acaba sendo preenchida com a atividades práticas. Mais ainda, o processo de secundarização da disciplina, com sua oferta no contraturno, afastou boa parte dos estudante do contato com essa discussão. O caminho inicial precisou ser de retomada e de legitimação, feito, preferencialmente, nas rodas de conversa organizadas com estudantes pelo aplicativo Google Meet, Um dos temas recorrentes nesse momento de ensino remoto, como não poderia deixar de ser, foi a questão da Covid-19. Pudemos trazer, em trabalho multidisciplinar, a própria noção de saúde, não como ausência de doenças, mas como práticas positivas e como um direito social, experimentado com maior intensidade no cenário pandêmico. Esse pormenor é fundamental, pois tratamos de estudantes, muitos deles e delas, que já convivem com problemas crônicos de saúde, seja pelos hábitos negativos (tabagismo, sedentarismo, uso de abusivo de álcool), ou mesmo por consequências do envelhecimento. Quando se debate o que é saúde, protagonza-se um saber prévio, portanto, cria-se a mediação, de uma cultura popular com saberes escolarizados. E as noções de saúde são múltiplas, justamente por essas experiências anteriores serem variadas. O ponto aqui não é colocar um conceito prévio, mas construir com o coletivo de estudantes o que seriam os hábitos positivos e os negativos para a saúde. A escuta e a construção do conceito coletivo, atreladas aos cuidados preventivos diante da pandemia (uso de álcool gel, distanciamento social), fez com que as/os estudantes compreendessem melhor o que é saúde. Num segundo momento, justamente diante dos hábitos, podemos trabalhar conceitos como alongamento, treinamento e orientar para práticas físicas simples, desconstruindo determinado paradgmas de “movimentar-se a qualquer custo”. Há uma dificuldade estrutural no acesso à internet, o que fez com que o público alcançado não fosse a totalidade de estudantes, algo muito mais comum no ensino presencial. Isso demanda que o assunto seja retomado no presencial, apresentando o que já foi debatido e dando vasão às novas opiniões. A gama de falas, sistematizada com o saber acadêmico passaria, então, a compor um contéudo mais paulátvel. Ainda há uma limitação grande no ensino remoto que é não mostrar totalmente as práticas, limitadas pela videochamada. A especificidade técncia que limita a demonstração não pode ser uma amarra, mas deve ser considerada para que não se propanha gestos complexos, que não podem ser acompanhados por quem assiste. A segunda proposta pedagógica é relativa à capoeira. Dentro da temática das africanidades, trabalhou-se a capoeira como um componente cultural com múltiplos significados. A capoeira já está presente diferentes currículos de Educação Física e possui ainda maior força na medida em que se tem a Lei nº 10.639/03, com a obrigatoriedade do ensino de “História e Cultura Afro-Brasileira". Em tempos de ensino presencial, propostas de vivência da capoeira seriam adequadas, experimentando as dimensões corporais, mais também musicais da prática. Em meio remoto, e pensando na EJA, a vivência não é possível. Por si só, a limitação aqui é de uma perda dos sentidos da prática como um todo, mas ainda é possível apresentar dimensões da capoeira que podem e devem ser revisitadas no presencial. A aposta foi explicar a sua construção histórica e debater o que é o floreio. Como composição corporal básica da capoeira e com grande significado simbólico, debater o floreio é introduzir o universo da capoeira e valorizar diferentes elementos culturais negros e/ou diaspóricos. O meio utilizado foi a gravação de um podcast com uma pesquisadora de capoeira. O programa, no formato de entrevistas, foi disponibilizado aos estudantes para que pudessem ouvir o conteúdo posteriormente. A mídia podcast, um programa de áudio que pode ser ouvido a qualquer momento, em qualquer lugar, é também uma possibiliade de inclusão digital, com acesso a novos canais de comunicação. Novamente, percebe-se dificuldades e limitações na prática. A inclusão digital não está posta a todas e a todos da EJA, com as dificuldades técnicas de acesso, mas também, por um desconhecimento de como utilizar aplicativos, navegar em sites ou mesmo utlizar os recursos de mídia do celular. O podcast precisou ser transposto para o Youtube e ser ofertado em diferentes momentos. A audiência ainda é baixa, algo que não assusta, pois a mídia é nova para esse público e mais do que um trabalho de consolidação de conteúdos, tem-se a iniciação a um novo formato de consumir informação, por áudio. Por fim, o trabalho com a ideia de lazer. Mais uma vez utilizamos o recurso do podcast, entrevistando também uma pesquisadora de lazer que trouxe conceitos fundamentais da área. Na escuta com as/os estudantes, pautamos quais as atividades de lazer estão em seus cotidanos e em seus territórios. Essa mediação de saberes prévios e conceitos academicamente constituídos é, como já descrito, fundamental para que se construa conceitos que tenham sentido para estudantes, que dialoguem com o saber escolarizado e que provoque avanços nas interpretações de mundo. No caso do lazer, a discussão é justamente mostrar como a importância do tempos de não trabalho são fundamentais, constituem conhecimento e permitem perceber as divisões sociais e espaicias da cidade. Essa visão ampliada e crítica do lazer conseguiu engajar muitos estudantes. Como o trabalho aqui é, eminentemente, teórico, as adaptações são mínimas e o resultado no remoto é promissor. O cuidado é para que a discussão ocorra, não seja apenas uma expressão individual em atividades escritas, mas que se compartilhem suas visões, que analisem seus territórios e que, em algum momento ocupem os espaços públicos de lazer. CONSIDERAÇÕES FINAIS . O ensino remoto adotado em Campinas é uma ação emergencial, de redução de danos, já que seria impossível seguir os trabalhos presenciais devido à situação pandêmica. Algumas das ações pensadas nesse ensino remoto usam táticas do Ensino à Distância, o que é precário no Ensino Fundamental. Por mais que haja qualidade na concepção de atividades e no trabalho pedagógico, estudantes do Ensino Básico, especialmente de EJA, tem uma carência no domínio dos meios virtuais e necessitam de interaçõess pessoais. No caso da Educação Física, o remoto sepulta a vivência, uma limitação do corpo como linguagem. Qualquer ação pedagógica deve ser pensada como especial e com pontes para uma continuidade no presencial. Nas ações aqui descritas, não se reduz a Educação Física a uma disciplina apenas teóricas, pois isso é uma simplificação da própria área, assim como o oposto: a prática pela prática não se aplica. O que se pensa aqui são ações especiais, pontuais, para compor o leque de possibilidades da Educação Física na EJA, com a excpecionalidade do ensino pandêmico. As ações não podem ser pensadas como reproduzíveis sem que se olhe o contexto da Comunidade Escolar, portanto, avaliações diagnósticas são fundamentais, não apenas no início do ano letivo, mas a cada momento em que pretende iniciar nova temática. Por fim, a importância de um bom combate para que a EJA tenha possíbilidades, tão logo as condições sanitárias permitam, de vivências comporais nas aulas de Educação Física, pois não é um ensino de segunda classe, mas sim, um direito social que precisa ser defendido. REFERÊNCIAS BETTI, M. Educação física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991. BRASIL. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 16 jul. 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm>. Acesso em: 24 de jul. 2021. BRASIL. Lei nº 10.741, de 1° de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 1 out. 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm>. Acesso em: 24 de jul. 2021. CAMPINAS. Diretrizes Curriculares da Educação Básica para a Educação de Jovens e Adultos Anos Finais - um processo de reflexão e ação. Campinas: SME, 2013. CAMPINAS. Decreto Nº 20.768 de 16 de março de 2020 – Dispõe sobre a suspensão de todas as atividades escolares nas Unidades Educacionais que compõem o Sistema Municipal de Ensino de Campinas. Diário Oficial do Município de Campinas, Campinas, SP, ano 49, n.12287, 17 de março 2020. Disponível em: http://www.campinas.sp.gov.br/diario-oficial/. Acesso em 15 de jul. de 2020a. CAMPINAS. Documento Orientador para o desenvolvimento de ações mitigadoras e emergenciais de apoio pedagógico durante o período de suspensão de atividades escolares. Disponível em: https://sites.google.com/educa.campinas.sp.gov.br/sme-teletrabalho/ensino-fundamental?authuser=0. Acesso em 15 de jul. de 2020b. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992. DAOLIO, J. Da cultura do corpo. Campinas: Papirus, 1995. FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1989. MARCELLINO, N. C. Estudos do lazer: uma introdução. 2. ed., ampl. Campinas, SP: Autores Associados, 2000. MEDINA, J. P. S. A educação física cuida do corpo .... e “mente”: bases para renovação e transformação da educação física. Campinas: Papirus, 1983.
Palavras-chave: EJA, relato de experiência,pandemia
Oral
Abrir o trabalhoCORPO CONSCIENTE: contribuições freireanas para a Educação Física
ARLIENE STEPHANIE MENEZES PEREIRA PINTO; Maria de Fátima de Lacerda; Symon Tiago Brandão de Souza; Maria Neurismar Araújo de Souza; Klertianny Teixeira do Carmo
Neste texto objetivamos apresentar a concepção de “corpo consciente” tecida por Paulo Freire e as reflexões para a Educação Física. Para tanto, primeiramente abordaremos os contributos da práxis freireana para uma Educação Física libertadora. Tais reflexões se justificam pela dicotomia corpo-mente que ainda se apresenta no pensamento da área de Educação Física e que acaba por incutir na área práticas tecnicistas e tradicionais. O presente trabalho deu-se a partir de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa e de natureza descritiva tendo como referencial básico Paulo Freire (2005; 2015), Osmar Fávero (2007), Lacerda, Silva e Pereira (2017) e Lacerda (2020). A partir do referencial selecionado, enveredou-se por uma leitura crítica trazendo as principais categorias elencadas por Freire como “prática de liberdade”, “pedagogia do oprimido”, “educação bancária” e “ser mais” para se chegar a concepção de “corpo consciente” e tecer uma reflexão crítica para a Educação Física a partir de Lacerda (2020). Em síntese, compreendemos que trabalhar o “corpo consciente” a partir do pensamento freireano contribui demasiadamente para romper com a lógica tradicional e tecnicista advinda da dicotomia corpo-mente e da educação bancária vivenciada ainda hoje na Educação Física.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoDesafios do PIBID educação física em tempos de pandemia: um relato de experiências
FRANCISCO WAGNER CONRADO CRUZ; Maria Samile Vieira Ferreira; Karla Geovana de Souza; Francisco Danilo da Silva Sousa; José Vagner de Souza; Albino Freire de Sousa
Este trabalho justifica-se pela necessidade de socializarmos como vêm sendo desenvolvidas as experiências do PIBID Educação Física da URCA. Temos percebido o sujeito e sua noção de corpo em sua dimensão não apenas biológica, mas também psicológica, social, biopolítica, entre outras possíveis dimensões constituídas, uma vez que temos como proposta básica da experiência a metodologia interdisciplinar na perspectiva do empoderamento. Nesse sentido, procuramos saber: Como vêm sendo desenvolvidas as experiências do PIBID Educação Física da URCA na Escola Estado da Paraíba em Crato-CE, em tempos de pandemia? Objetiva-se apresentar as experiências desenvolvidas pelo Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) Educação Física da URCA em tempos de pandemia; e relatar como, até o momento, essa experiência vem sendo desenvolvida em tempos de pandemia, destacando, sobretudo, os desafios enfrentados. Toma como referência o método descritivo com o objetivo de relatar, explicar e interpretar as vivências, ainda em andamento, dos bolsistas do PIBID, acadêmicos do Curso de Educação Física da URCA, realizadas no Ensino fundamental II durante o período de regência, na Escola de Ensino Fundamental Estado da Paraíba no bairro Pimenta no município de Crato-CE. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo pesquisa de campo. Constatamos que a comunicação está sendo um dos pontos importantes neste processo de experiência, fazendo-nos encontrar pistas e caminhos de como lidarmos com o contexto das atividades remotas.
Palavras-chave: PIBID, Educação física ,Pandemia
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO FÍSICA E O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
ANA CLARA CASSIMIRO NUNES; GERTRUDES NUNES DE MELO; GIULYANNE MARIA SILVA SOUTO
As discussões em torno da participação de pessoas com deficiência vem sendo cada vez mais evidenciada na literatura. Não obstante, ainda é um desafio para a sociedade acolher esse público, fato que reflete o preconceito e exclusão advindo de um histórico de marginalização, em ambientes livres, na escola, bem como nas aulas de Educação Física. Tais barreiras sociais, caracterizam-se como a deficiência em si, e inferem diretamente no desenvolvimento dessas pessoas desde o início da vida. Na deficiência intelectual, essas razões secundárias, somadas ao descaso do ensino, falta de estímulos e o quadro clínico de lesões, impossibilitam o desenvolvimento de competências motoras e socioafetivas que são utilizadas por longos anos. Assim, na tentativa de afastar a perspectiva pautada na exclusão das pessoas com deficiência, o presente estudo objetiva analisar a importância das aulas de Educação Física e da escola no desenvolvimento de habilidades motoras e socioafetivas de crianças com deficiência intelectual, a partir de uma revisão bibliográfica, oriunda de um recorte de uma proposta de monografia a ser submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa do IFPB. Nos achados, é notório a necessidade de um olhar atento, e uma atuação inclusiva por parte dos profissionais, uma vez que os benefícios são de grande relevância para crianças com deficiência intelectual, desenvolvendo não só aspectos motores, mas também competências socioafetivas como independência, autoestima, confiança, espírito de cooperação e diminuição da agressividade. Deste modo, é preciso uma formação abrangente que propicie essa perspectiva desde o início, a fim de despertar o olhar dos acadêmicos para esse público, bem como a oferta de capacitação para os professores que estão no campo de atuação.
Palavras-chave: Aulas de Educação Física, Desenvolvimento, Crianças com deficiência intelectual
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoESTÁGIO SUPERVISIONADO VIRTUAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
MANOEL BOMFIM LEITE NETO; Pedro Carlos Silva de Aquino
INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta um relato da experiência vivenciada a partir do estágio supervisionado II, componente curricular obrigatório do curso de licenciatura em Educação Física da Universidade Regional do Cariri – URCA/CE e direcionado aos anos iniciais do ensino fundamental. As práticas de ensino e o estágio supervisionado passou a ser obrigatório nas escolas, estabelecendo carga horária definida, desde a resolução CNE/CP 02/2002, tornando-as fundamentais ao exercício do futuro profissional. Porém, algumas dessas práticas são iniciadas em uma ou mais disciplinas, no qual trazem conteúdo específicos, e não cumprindo com o que está descrito na diretriz curricular. Na Resolução CNE/CP 01/2002, determina que todas essas práticas no componente curricular, deve ser aproveitada durante o processo acadêmico em todas as disciplinas que nele compõem, permitindo o funcionamento dessas atividades. O estágio supervisionado vai além de todas as práticas tradicionais. Algumas atividades são trabalhadas nessa prática de ensino sendo elas: a observação, participação e regência, que permite uma reflexão e investigação sobre cada processo do ensino-aprendizagem. (...) a formação inicial e o estágio devem pautar-se pela investigação da realidade, por uma prática intencional, de modo que as ações sejam marcadas por processos reflexivos entre os professores formadores e os futuros professores, ao examinarem, questionarem e avaliarem criticamente o seu fazer, o seu pensar e a sua prática (ZOTOVICI, 2013 p. 570). Nesse sentido, precisamos valorizar a prática de forma coletiva, e esquecer a individualidade, e trazer reflexões e discussões que possam contribuir para a formação docente através do estágio supervisionado, permitindo uma experiência frente a sua realidade de atuação, reconhecendo sua área como um campo de conhecimento. Em decorrência da pandemia desencadeada em março de 2020, pelo novo coronavírus, um vírus altamente transmissível e podendo ser letal, obrigou os governantes municipais e estaduais a adotar medidas de hábitos de isolamento e distanciamento social como uma estratégia para evitar e diminuir a disseminação da doença (COVID-19). Para isso, foi necessário o fechamento de todas as instituições de ensino público e privado, no qual foram interrompidas todas as atividades educacionais presenciais, sendo direcionadas para o ambiente virtual. Em decorrência da pandemia da COVID-19, permitiu que houvesse algumas mudanças no sistema educacional, no qual as aulas presenciais foram substituídas pelas aulas em formato remoto, devido ao cumprimento das recomendações de isolamento e distanciamento social. Nesse sentido, optou pela Educação a Distância (EaD) e o ensino remoto, no qual os docentes e estudantes se encontram separados fisicamente, porém, juntos através das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) (REIS, 2021). Com a autorização do Ministério da Educação e Cultura (MEC), houve a substituição do ensino presencial pelo remoto durante a pandemia, muitas escolas adotaram ferramentas digitais para o ensino, mas houve muitos desafios, no qual o sistema de ensino não estava preparado para essa nova realidade, fazendo com que houvesse inúmeras barreiras para a continuidade das atividades educacionais. Além do mais, nos deparamos com a fragilidade socioeconômica, onde muitos alunos tiveram dificuldade de participar das aulas em caráter virtual, no qual é necessário o uso das TIC’s. Nesse sentido, o aluno depende do celular ou computador do seu responsável para continuar a estudar. Com isso, foi necessário o docente reinventar a prática pedagógica e metodológica de ensino durante as aulas conforme a realidade social de cada aluno. A partir disso, entendemos as dificuldades de alguns docentes em utilizar aparelhos eletrônicos como aplicativos, gravação e edição de aulas, mesmo não entendendo o funcionamento dessas ferramentas. Alguns deles possuíam problemas de infraestrutura, como internet de má qualidade, e aparelhos que não conseguiam suportar as plataformas digitais (REIS, 2021). O presente trabalho tem o objetivo de relatar a experiência vivenciada na prática pedagógica em caráter virtual em Educação Física Escolar realizada no estágio supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental. MATERIAIS E MÉTODO O presente trabalho trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência com uma abordagem qualitativa. Para a prática docente, o campo de atuação foi uma escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental da rede pública municipal do Crato-CE. A instituição oferece ensino fundamental às crianças com faixa etária entre 06 a 11 anos de idade. Na intervenção contemplou a participação entre 10 a 15 alunos de turmas do 1° ao 5° ano do ensino fundamental. A regência do estágio ocorreu remotamente durante o período de quatro semanas, no qual as intervenções foram realizadas 1 vez por semana, em 6 turmas, com a duração de 60 minutos de aula, totalizando 6 horas semanais, finalizando com 24 horas aulas no final da prática docente. As atividades pedagógicas aconteceram de forma remota, no qual foram realizadas adaptações para a continuidade do ano letivo. Para isso, foram utilizados recursos/equipamentos tecnológicos para o desenvolvimento das aulas como, os aparelhos eletrônicos: celulares, computadores/notebooks e tablets; e as mídias sociais e de comunicação, o WhatsApp, E-mail e YouTube e bancos de dados científicos. A escolha do campo de atuação foi através de uma ficha que foi repassada pelo docente coordenador(a) do estágio supervisionado. Nela continha várias escolas na região do Cariri cearense que estavam disponíveis para receber estagiários do curso de Educação Física. Os estagiários entraram em contato por meio de ligação telefônica para as escolas para se informar sobre a disponibilidade para o desenvolvimento da realização do estágio supervisionado Foi realizada uma triagem das escolas do campo de atuação, e foi selecionada aquela que apresentou disponibilidade do estagiário com os horários estabelecidos pela instituição de ensino para as aulas do referido componente curricular. Os conteúdos propostos e desenvolvidos foram baseados na abordagem da psicomotricidade, no qual fundamenta a atividade pedagógica no trabalho das capacidades e habilidades para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e sociocultural dos alunos. O docente do componente curricular juntamente com os estagiários selecionava e programava as atividades semanais com eixos temáticos, elaborando aulas com materiais que pudessem conter em ambiente domiciliar e de fácil acesso aos alunos. Para o processo avaliativo, foi desenvolvido um material de acordo com cada aula elaborada, e em seguida foi avaliado o retorno de cada atividade para correção. RESULTADOS E DISCUSSÃO No tocante ao desenvolvimento do trabalho na instituição escolar, as aulas de Educação Física foram adequadas à realidade dos alunos e respeitando suas individualidades. Como a maioria dos alunos não tinham acesso à internet em horários simultâneos, a metodologia utilizada para realização das aulas foi no formato assíncrono, no qual os estagiários gravavam videoaulas sobre o conteúdo proposto, e a turma assistia-os nos seus horários de disponibilidade. Depois disso, os alunos gravaram vídeos de retorno das atividades solicitadas. O contato que os estagiários tiveram com os alunos no primeiro momento foi muito distante da realidade que era esperada. O núcleo gestor da instituição determinou que toda e qualquer atividade deveria ser enviada ao professor em seu privado do WhatsApp para encaminhar aos alunos. Isso dificultou ter um feedback mais próximo, impossibilitando realizar possíveis observações e anotações necessárias no final do relatório de estágio. No decorrer do estágio, foram desenvolvidas atividades que trabalhassem as habilidades motoras e qualidades físicas dos alunos, sendo elas: lateralidade, equilíbrio, atenção, coordenação motora e flexibilidade. Durante o período letivo, as atividades eram enviadas por vídeos de até três minutos pelo WhatsApp, e era estipulado um prazo para entrega dos trabalhos, cobrando registros com fotos e vídeos. O docente juntamente com os estagiários programava as atividades semanais com eixos temáticos, com aulas elaboradas com materiais que pudessem conter em casa e de fácil acesso aos alunos. No início houve uma evasão dos alunos com a plataforma Google Meet, no qual os pais/responsáveis por possuírem baixo conhecimento em tecnologias, tinham dificuldades de utilizá-los nos aparelhos eletrônicos. Como também, os aplicativos que a instituição orientava para o desenvolvimento das atividades de ensino. Nesse sentido, foi definida a utilização do WhatsApp para facilitar o envio das atividades através de grupos. Com isso, a adesão dos alunos aumentou nas aulas, devido a facilidade no uso do aplicativo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se, que o ensino remoto trouxe muitas dificuldades de adaptação tanto aos alunos quanto aos professores. Foi possível notar que a pandemia da COVID-19 e as medidas decorrentes de isolamento social acarretaram a necessidade de adaptação ao ensino remoto de forma imediata, utilizando tecnologias para dar continuidade às aulas nas escolas da rede pública. Nesse sentido, essas dificuldades que foram enfrentadas no estágio supervisionado podem trazer como consequência o cansaço físico, mental para os alunos, pais e professores. É importante destacar que as adaptações nesse novo modelo, acontecidas no contexto educacional no processo de ensino-aprendizagem, foram desafiadoras para os professores e estagiários do curso de Educação Física, levando em consideração o pouco de tempo para estruturação e planejamento adequados para realizar o estágio nas escolas. REFERÊNCIAS BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolu¬ção CNE/CP 01 de 19 de fevereiro de 2002. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CP022002.pdf>. Acesso em: 18/07/2021. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolu¬ção CNE/CP 02 de 19 de fevereiro de 2002. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CP022002.pdf>. Acesso em: 18/07/2021. IZA, D. F. V.; SOUZA NETO, S. Os desafios do estágio curricular supervisionado em educação física na parceria entre universidade e escola. Movimento (ESEFID/UFRGS), v. 21, n. 1, p. 111-124, 2015. LIMA, A. Q. O.; TUMBO, D. L. Desafio do ensino remoto na educação básica em tempo de pandemia. Revista Faculdade FAMENI, v. 2, n. 1, p. 141-151, 2021. REIS, A. L. A pandemia da COVID-19: potencialidades e desafios do ensino remoto na perspectiva de professores de educação física. In: Anais do Congresso Nacional Universidade, EAD e Software Livre. 2021. Zotovici, S. A., Melo, J. B., de Campos, M. Z., & Lara, L. M. (2013). Reflexões sobre o estágio supervisionado no curso de licenciatura em educação física: entre a teoria e a prática. Pensar a prática, 16(2).
Palavras-chave: Estágio,Ensino Remoto,Ensino Fundamental
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Abrir o trabalhoESTIMULAÇÃO PSICOMOTORA EM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL EM TEMPOS DE PANDEMIA COVID-19: REVISÃO DE LITERATURA
DAVI DE ALCANTARA SARAIVA; GEYSA CACHATE ARAÚJO DE MENDONÇA
ESTIMULAÇÃO PSICOMOTORA EM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL EM TEMPOS DE PANDEMIA COVID-19: REVISÃO DE LITERATURA INTRODUÇÃO Psicomotricidade é utilizado para designar o movimento organizado e integrado, que acontece através da utilização da individualidade, da socialização, e da linguagem daquele indivíduo (RODRIGUES, 2021). Contata-se também que através da psicomotricidade a criança desenvolve capacidades necessárias para a aprendizagem, desenvolvimento global e conhecimento sobre si própria, relacionando o meio interno e o meio externo (ROSSI, 2012). Logo, os estímulos psicomotores agem no desenvolvimento da criança visando a evolução harmônica de habilidades essenciais a ela, que vão utilizar da interação de suas competências motoras, cognitivas e psíquicas. Compreendendo a importância do desenvolvimento harmônico dessas competências fisiológicas do corpo humano, percebemos que algumas condições atípicas podem interferir, comprometendo a obtenção proficiente de algumas habilidades. E, uma dessas condições é a deficiência intelectual (DI), caracterizado por “déficits em capacidades mentais genéricas, como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência” APA, 2014). Porém, é essencial entendermos que DI simboliza um amplo universo de etiologias, individualidades, e dificuldades associadas, logo, se torna impossível a existência de um protocolo pedagógico que possa ser aplicado universalmente às crianças com DI (MELO et al., 2018). Desse modo, em virtude da imensa heterogeneidade, o acompanhamento educacional, e que também vise o desenvolvimento das habilidades essenciais, requer um planejamento individualizado e equipe multiprofissional. A criança, no processo de desenvolvimento e aprendizagem, irá vivenciar as mais diferentes experiências e a partir delas construir seus conhecimentos, e retomando o princípio da psicomotricidade, é através da exploração desse desconhecido que ela adquire percepção sobre si mesma. A partir da abordagem de Basei (2008), entende-se que, a criança no seu desenvolvimento utiliza das capacidades que possui para conseguir interagir com o mundo ao seu redor, e por mais que ela ainda não domine completamente a fala, consegue através do movimento expressar-se e interagir com pessoas e objetos. Isso demonstra como o movimento se constitui uma das principais formas de comunicação e de aprender para a criança. Desse modo, em consonância a abordagem psicomotora, consegue-se através do movimento unir o desenvolvimento das capacidades cognitivas e psíquicas da criança. A disponibilidade de estímulos para a criança encontra-se livremente dispersa por todo ambiente que a rodeia, mas é através da escola onde ela adquire principalmente de forma organizada e planejada (BASEI, 2008). Entretanto, constata-se que o processo de educação no Brasil esbarra frequentemente em barreiras, como a desigualdade social, violência infantil e uma série de outros problemas intrínsecos (STEVANIM, 2020). A acessibilidade ao aluno com deficiência no ambiente escolar é fator essencial para que haja sua inclusão, porém ainda é pouco efetivado, necessitando que a escola passe por adequações (DE CASTRO, 2018). Além do já exposto, em março de 2020, com o anuncio da pandemia do novo coronavírus pela OMS, e com as medidas de contenção do vírus, como o isolamento social, surge mais um grande desafio para a educação de todos, principalmente, para alunos que já apresentam dificuldades de aprendizagem, como é grande parte dos casos de crianças com DI. Portanto, o presente estudo objetiva-se a descrever sobre a importância de estimular crianças com deficiência intelectual a partir de atividades psicomotoras durante o período de isolamento social. METODOLOGIA Caracteriza-se como estudo de natureza básica e abordagem qualitativa, sendo uma revisão narrativa de literatura com procedimentos bibliográficos, que de acordo com Rother (2007, p.1): [...] os artigos de revisão narrativas são publicações amplas, apropriadas para descrever e discutir o desenvolvimento ou o “estado da arte” de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico contextual [...]. Constituem, basicamente, de análise da literatura publicada em livros, artigos de revista impressas e/ou eletrônicas na interpretação e análise crítica pessoal do autor. Utilizou-se como fonte para busca, a plataforma Google Scholar, foram utilizadas as palavras-chave: psicomotricidade; deficiência intelectual. Definiu-se como critérios de inclusão artigos originais, com corte temporal de no máximo dez anos anteriores, e disponíveis em formato completo. E como critérios de exclusão: artigos que após a leitura na íntegra foram identificados como transversais ao assunto de pesquisa, chegando ao total de cinco artigos a serem analisados e confrontados para os resultados, conforme mostra fluxograma abaixo. Para apresentação dos resultados buscou-se debater os temas pesquisados, através de um diálogo sobre estimulação psicomotora, a criança com deficiência intelectual levando em consideração os desafios de um período pandêmico. PSICOMOTRICIDADE, DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E AS BARREIRAS PROVOCADAS PELO ISOLAMENTO SOCIAL Crianças com DI requerem, um planejamento educacional e de intervenção individualizado, pois são várias as adaptações e estratégias que deverão ser tomadas para melhor desenvolvimento daquela criança (MELO et al., 2018). Logo, ao relacionarmos as dificuldades que crianças com DI enfrentam devido ao funcionamento atípico de alguma parte de seu intelecto, é evidente como a intervenção utilizando-se da psicomotricidade pode ser bastante pertinente. Ao descrever o quadro clínico de crianças que possuam DI, Ke e Liu (2015), relatam exemplos como, prejuízos nas capacidades de analisar, compreender e raciocinar, déficit na coordenação motora, e outros. A psicomotricidade como parte de um processo educacional ou terapêutico, objetiva a desenvolver o domínio e coordenação do próprio corpo, cria na criança a autoconsciência corporal, fornece base essencial para desenvolvimento motor, afetivo e psicológico, desenvolve as capacidades sócio afetivas, nível de abstração, concentração e etc. (RODRIGUES; NOHAMA, 2012)(ROSSI, 2012). Portanto, ressalta-se a relevância da utilização da psicomotricidade em crianças com DI ( VALENTE ; SANTOS ; MORATO , 2011). Entretanto, entendendo as complexidades contidas no processo educacional de crianças com DI, e com acréscimo da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), percebe-se como a estimulação psicomotora se tornou um processo complicado. Com a implantação do sistema de aulas remotas (online), adicionada as barreiras sociais e tecnológicas, ainda, a falta de adaptações essenciais, falta de capacitação de professores, e fácil dispersão dos alunos, tornaram problemas recorrentes. E, ao centralizar a investigação em sistema de aula online para alunos com DI é que se agrava ainda mais a situação. Lembrando que crianças com DI possuem comumente dificuldades como, baixo nível de concentração e de memória (KE; LIU, 2015), logo, o nível de dispersão e facilidade com que perdem a concentração na aula se apresenta de maneira mais impactante. Além disso, é necessário considerar que por causa das mudanças causadas na vida diária das crianças com DI, em virtude principalmente do isolamento social, e das barreiras sociais, é improvável que elas possuam em suas residências ambientes com materiais adequados para a realização de atividades como estimulação de suas capacidades psicomotoras. Apesar disso, essas barreiras podem ser contornadas pela adaptação de materiais, utilização de materiais didáticos adaptados, objetos e utensílios domésticos, com o suporte dos pais/responsáveis na condução das atividades e principalmente com a orientação de profissional, mesmo que de forma remota. Outro fator relevante, é que a rotina dos pais e responsáveis também sofreu inúmeras mudanças, com a adaptação das atividades laborais para o formato online, sobrecarga de atividades domésticas e acompanhamento das aulas on-lines, a dedicação as crianças com DI se tornou um desafio ainda maior, principalmente por terem que realizar atividades com os filhos que antes da pandemia eram cumpridas por um professor especializado e treinado para realizar aquele desenvolvimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS Portanto, com a realização desse trabalho foi possível constatar que os principais desafios que envolvem a aplicação de atividades e estímulos para o desenvolvimento psicomotor em crianças com deficiências intelectuais estão relacionados a barreiras sociais e tecnológicas, falta de capacitação oferecidas aos professores e dificuldades de orientações aos pais e responsáveis, o que pode provocar provável desinteresse pelas aulas online por parte dos alunos com deficiência intelectual. Ademais, foi verificado o quão importante é a intervenção educacional e terapêutica com uso da psicomotricidade para crianças com deficiência intelectual. É imprescindível ressaltar que o desenvolvimento da criança requer esforço para que passem por esse processo da melhor forma que lhe for possível, e independente de possuir alguma deficiência ou não, garantindo o direito a entrada e permanência satisfatória na escola regular. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE (Brasil). O QUE É PSICOMOTRICIDADE. Disponível em: https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/. Acesso em: 12 jul. 2021. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014. BASEI, A. P. A Educação Física na Educação Infantil : a importância do movimentar-se e suas contribuições no desenvolvimento da criança. Iberoamericana de Educación, n. 47/3, p. 12, 2008. DE CASTRO, Gisélia Gonçalves et al. Inclusão de alunos com deficiências em escolas da rede estadual: acessibilidade e adaptações estruturais. Revista Educação Especial, v. 31, n. 60, p. 93-105, 2018. KE, Xiaoyan; LIU, Jing. Deficiência intelectual. IACAPAP e-Textbook of Child and adolescent mental health.(Edição em Português, 2015. MELO, D. G. et al. Investigação etiológica nas situações de deficiência intelectual ou atraso global do desenvolvimento. Saúde e Desenvolvimento Humano, v. 6, n. 3, p. 73, 9 out. 2018. RODRIGUES, Viviane Salete Loureiro; NOHAMA, Percy. A importância da psicomotricidade no processo de ensino-aprendizagem para alunos com deficiência intelectual. O professor PDE e os desafios da escola pública paranaense, Secretaria de Educação, Paraná, v. 1, p. 2-15, 2012. RODRIGUES, K. D. Psicomotricidade na Educação. Práticas Educativas, Memórias e Oralidades - Rev. Pemo, [S. l.], v. 3, n. 3, p. e335566, 2021. DOI: 10.47149/pemo.v3i3.5566. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/revpemo/article/view/5566. Acesso em: 20 jul. 2021. ROSSI, F. S. Considerações sobre a Psicomotricidade na Educação Infantil. Revistas Vozes dos Vales da UFVJM, v. 1, p. 1–18, 2012. ROTHER, Edna Terezinha. Revisão Sistemática x Revisão Narrativa a. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 2, abr.-jun. 2007 STEVANIM, Luiz Felipe. Exclusão nada remota: desigualdades sociais e digitais dificultam a garantia do direito à educação na pandemia. RADIS: Comunicação e Saúde, n. 215, p. 10-15, ago. 2020. VALENTE, Pedro; SANTOS, Sofia; MORATO, Pedro. A Intervenção Psicomotora como (um sistema de) apoio nas Dificuldades Intelectuais e Desenvolvimentais. A psicomotricidade, v. 14, 2011.
Palavras-chave: psicomotricidade,deficiência intelectual , pandemia
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoEXPERIÊNCIAS DO PIBID EDUCAÇÃO FÍSICA/URCA: OS DESAFIOS DA PRÁTICA EM TEMPOS DE PANDEMIA
LEANDRA DELMONDES REGO; Pábola Maria Ferreira Martins; Rosa Helena Américo Vidal; Thallyson Santiago de Araujo; Wiliana Aquino dos Santos Bessa; Lucas Vieira de Lima Silva
O presente trabalho trata de um relato de experiência sobre as práticas vivenciadas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) Subprojeto Educação Física da Universidade Regional do Cariri (URCA). Surgiu em decorrência da necessidade de desenvolvermos experiências que possam nos ajudar a ampliar e melhorar nossa formação docente, entendendo o PIBID Educação Física como espaço/tempo importante para esse propósito, bem como socializar essas experiências durante o período da pandemia do covid-19, a partir da seguinte questão: Como a experiência no projeto PIBID Educação Física na turma do 8° ano B vem sendo desenvolvida em tempo pandêmico? Objetivamos analisar as experiências que vêm sendo construídas no PIBID Educação Física na turma do 8° ano B na Escola E.E.F Estado da Paraíba da cidade do Crato/CE. Caracteriza-se como um relato de experiência, utilizando-se da pesquisa de natureza qualitativa e descritiva, tendo como instrumentos para a obtenção das informações as observações sistemáticas e diário de campo. Participam da pesquisa 10 a 15 alunos do ensino fundamental II, de faixa etária entre 12 e 13 anos dessa escola. As aulas são ministradas uma vez por semana, das 9:00h às 9:50h todas às sextas-feiras. A experiência vem sendo analisada por meio de um relato interpretativo de todo processo ocorrido até o momento, utilizando-se autores que nos ajudam a refletir sobre esse processo em que temos como proposta central de trabalho a metodologia interdisciplinar na perspectiva do empoderamento. Acreditamos que apesar das dificuldades encontradas, estamos conseguindo desenvolver uma experiência que nos ajuda a superar os desafios da realização de aulas em tempos remotos e, também, pelo fato de estarmos colocando em prática uma metodologia que extrapola a compreensão meramente biológica do sujeito e suas ações humanas.
Palavras-chave: PIBID, Educação Física, Pandemia
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoIDOSOS E REDES SOCIAIS: UMA ANÁLISE DOS CONTEÚDOS
FRANCISCA JOYCE MARQUES BENÍCIO ; Giulyanne Maria Silva Souto
O objetivo deste estudo é analisar os perfis nas redes sociais dos principais influenciadores digitais da terceira idade do Brasil, observando assim, quais os conteúdos estão sendo expostos por estes. Logo, justifica-se por perceber como os idosos cada dia vem se engajando no mundo das redes sociais , buscando através desses ambientes expor seus cotidianos e como isso, incentivando outras pessoas a compreenderem que que a idade pode ser apenas números. A pesquisa é de cunho descritivo e documental e utilizou como fonte dos dados as informações, artigos, reportagens como forma de seleção dos sujeitos da pesquisa, que estão disponibilizas nas redes sociais de idosos produtores de conteúdo para o meio digital, também conhecidos como “influencers”.Foram encontrados sete influenciadores digitais que mais se destacam na plataforma Instagram.A pesquisa mostrou que esses influenciadores buscam com suas postagens que apesar de tantas dificuldades que os idosos enfrentam a cada dia , estes buscam nas redes socias espaço para mostrarem que a experiência que trazem pode ajudar outras pessoas como também a eles mesmos existindo uma troca de vivências, como uma forma de interação social e aceitação. Palavras Chaves: Idosos. Influenciadores. Produção de Conteúdos.
Oral
Abrir o trabalhoLAZER NA PERSPECTIVA DE TEMPO LIVRE E ATITUDE NO FUTEBOL AMADOR
PEDRO CARLOS SILVA DE AQUINO
INTRODUÇÃO O futebol é o jogo coletivo mais praticado em todo o mundo. Compreender o sentido do futebol não é tão fácil como parece, mesmo sendo a paixão do brasileiro e fazer parte da cultura do Brasil. O futebol como um fenômeno sociocultural é perceber o papel deste esporte na formação da identidade brasileira e sua influência nas mais diversas esferas culturais. Desde muito cedo as crianças começam a praticar o esporte apenas por diversão, na rua, no campinho de terra batida ou na escola, mas atualmente muitas pessoas têm levado a carreira a sério e investido no esporte. Provavelmente, o futebol se tornou tão popular devido ao fato de que, para realizar o esporte, são necessários poucos recursos. Diante disso, identificamos que quando falamos de futebol, podemos nos referir as várias práticas que se assemelha a maneira de se jogar o esporte, seja ele com os pés ou com as mãos, seja por diversão, prazer, no tempo livre ou por trabalho. Diante disso, Damo (2003) identifica o que o termo futebol apresenta uma limitação, e o substitui pela multiplicidade explícita da designação “futebóis”. Ou seja, parte do pressuposto de que o futebol é heterogêneo e, por esse motivo, admite a influência de uma heterogeneidade cultural sobre as formas de conceber as práticas futebolísticas. Com isso, identificamos na nossa comunidade que o futebol se expressa com várias influências aos sujeitos que se apropria da prática, e perpetua de várias maneiras, sendo uma delas, o futebol amador, no qual tem-se uma grande relevância para a promoção daqueles que o praticam, como aqueles que o observa, sendo um meio para se buscar o lazer nas horas de tempo livre ou depois do dia cansativo de trabalho. De acordo com Silva (2009) o futebol amador se caracteriza pela prática informal e não profissional, realizados em espaços disponíveis na cidade ou na zona rural, como os campos de “várzeas” ou terra batida. A sua organização parte de um interesse predominantemente local de uma comunidade. Nesse sentido, o futebol amador situa-se como uma organização que segue normas previamente estabelecidas de maneira adaptada, no qual se estabelecem relações de parcerias e informais de trabalho, permitindo uma aproximação entre o profissionalismo e amadorismo. Nessa perspectiva, esse esporte como um fenômeno sociocultural brasileiro, está ligado diretamente com a formação da identidade brasileira, que por sua magnitude causa influência nas mais diversas esferas da cultura do país, uma delas é a do lazer, no qual, o futebol para o brasileiro, é referencial de lazer, seja na possibilidade de prática ou como torcedor. Nesse sentido, “o futebol conquistou o referencial de lazer – espetáculo como espaço aceitável para liberação das tensões que no seu mundo real não é permitido” (SALLES, 1998, p. 53). Diante da multiplicidade do futebol, podemos fazer uma comparação em relação ao futebol amador do profissional na perspectiva de evidenciar de onde o lazer se encontra dentre as práticas realizadas pelos respectivos jogadores. Sobre isso, Silva (2011) explica que a diferença básica entre estas práticas é que o profissional tem como principal foco a perspectiva do trabalho, a busca de resultados e da vitória a qualquer custo, além de se tornar um meio de sobrevivência. Já o amador direciona-se para a perspectiva do lazer, sendo praticado pela busca do prazer, alegria e divertimento do grupo. No que diz respeito ao lazer, pode ser definido “como um tempo utilizado para a escolha e realização de atividades de forma livre, entendendo-o como período no qual o indivíduo irá buscar diversão, alegria, entusiasmo e satisfação naquilo que está fazendo de forma espontânea e prazerosa” (LIMA JUNIOR; SAMPAIO; NASCIMENTO, 2016, p. 2). Evidenciando a relação do futebol amador e o lazer, Carvalho (2012) menciona que, o futebol amador é uma das principais escolhas realizadas pelos indivíduos que tem uma carga de trabalho normal durante a semana, e que utilizam o tempo livre da semana como opção de lazer através da prática amadora. Para Marcellino (2004) o lazer é entendido como cultura, dessa forma, é visto como produto de significados e processo das manifestações humanas. Nesse sentido, o lazer pode ser vivenciado no tempo disponível, ou seja, de não trabalho. Apresentando um caráter desinteressado da vivência, não se busca pela uma recompensa além daquela que a prática proporciona e satisfaz. Com isso, “a disponibilidade de tempo” significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa” (MARCELLINO, 2004, p. 31). Além desse “tempo disponível”, leva-se em consideração de acordo com Marcellino (2000) a atitude do indivíduo para realizar a atividade, assim podendo ser caracterizado como lazer, ou seja, o lazer na perspectiva do tempo, refere-se a prática de determinada atividade, no tempo de não trabalho, longe das obrigações do trabalho, familiares, sociais e religiosas. Já na perspectiva da atitude, é o quanto a satisfação do indivíduo pela realização da atividade, que se mostra ser atraente e prazerosa. Nesse sentido, o objetivo do trabalho é relatar a relação da prática do futebol amador e o lazer na perspectiva do tempo livre e atitude de jogadores de futebol amador do Sítio São Paulo Futebol Clube. MATERIAIS E MÉTODO Delineia-se de cunho qualitativo e observacional com abordagem antropológica e etnográfica. Os dados elementares de observação foram registrados em diário de campo e a análise desses registros foram com base em outros estudos referentes ao tema do futebol e lazer, especificamente do livro Estudos do Lazer: uma introdução, na perspectiva dos conceitos de tempo livre e atitude de Marcellino (2000). Para isso, o autor anteriormente foi convidado pelos organizadores do clube para auxiliar tecnicamente e na preparação física dos jogadores na temporada de Campeonato Municipal de Futebol Amador de Caririaçu-CE. A relação do autor com os organizadores e alguns jogadores veio de anos anteriores, devido a sua relação de convivência com os integrantes da comunidade do Sítio São Paulo, Zona Rural da cidade. Desse modo, a observação aconteceu a partir de quatro jogos de futebol amador do Sítio São Paulo Futebol Clube. Tais jogos são caracterizados segundo Gonçalves (2002) como “jogos fechados”, pois as equipes possuem uma organização prévia; com nomes definidos; existe uma pessoa responsável pela organização interna do time, conhecida popularmente como ''dono do time'', geralmente um ex-jogador ou influente na comunidade; os jogadores apresentam-se em campo com uma vestimenta padrão; tem arbitragem para a aplicação das regras similares ao futebol profissional; a comunidade acompanha os jogadores para apoiar e prestigiar o jogo. Os referidos jogos aconteceram nas quartas-feiras, do mês de outubro de 2019. Através disso, devido a sua inserção no clube, permitiu a participação e convivência com os jogadores, que possibilitou a vivência das relações que cerca o jogador de futebol amador, em meio a prática esportiva e os afazeres da vida diária, e observou através dessa atividade organizada pela comunidade, a busca pelo lazer de quem joga e para aqueles que se identificam como os espectadores dos jogos. RESULTADOS E DISCUSSÃO No tocante as observações e analises dos jogos, foi verificado uma intima relação dos jogadores de futebol amador do Sítio São Paulo Futebol Clube e o lazer na perspectiva do tempo livre e atitude de buscar pela prática da atividade. Para Marcellino (2000) esses dois determinantes são uma combinação que um não poderá está separado do outro, ou seja, o lazer é considerado quando há soma de tais aspectos. Diante disso, foi percebido o quanto os praticantes procuram se dedicar ao futebol, em meio a suas obrigações na vida diária, fazendo um esforço para sair do trabalho a tempo de chegar nos horários previstos para começar a partida, mas também em busca do prazer e a diversão de estar a participar do jogo, como também uma forma de lazer daqueles que passa o dia trabalhando. Em meio ao círculo de convivência com os jogadores, foi notório a vontade de participar dos jogos, no qual é um sinônimo de prazer em estar a serviço do time, para ajudar, nem que seja para incentivar aos companheiros de equipe, como também até de trabalho, estes que por sua vez, não recebem nenhuma remuneração por estar atuando nos jogos da equipe, ou seja, a realização da prática acontece de maneira voluntária, relacionando o tempo destinado e sua atitude perante a atividade. Outro aspecto observado diante dos jogos, principalmente aqueles que estavam datados para ser realizados nas quartas-feiras, pôde ser constatado que o elenco que apresenta um número satisfatório de jogadores em relação as outras equipes que estavam inscritas no campeonato, é baixo, podendo deixar a equipe desfalcada ou mais fraca técnica e taticamente, podendo ser prejudicada com resultados negativos. Como alguns jogos estavam pré-estabelecidos para serem realizados nas quartas-feiras, é de fato que a equipe apresentou uma redução do elenco, por alguns jogadores que estavam ou não conseguiram sair antes do trabalho a tempo de chegar no horário previsto para o começo da partida. Outros faltaram pelo fato de ser estudante, e isso acabou por ser um tempo destinado à sua obrigação deste indivíduo nos seus afazeres da vida diária. Tais jogadores que acabaram não comparecendo aos jogos nas quartas-feiras, mesmo assim, fizeram questão do comparecimento para apreciação dos jogos, sendo naquele momento um torcedor que além de incentivar e apoiar os companheiros fora das quatro linhas, procurou um momento de lazer após o dia de trabalho, buscando enquanto espectador, o prazer e satisfação disponível nesse tempo de não trabalho. Ao final da partida, os mesmos fizeram questão de se dirigir ao vestiário para dialogar com os companheiros que estavam na prática do jogo, e se justificarem pelo não comparecimento para a atuação no jogo, podendo perceber a partir de suas falas, o quanto a não participação deixou-os desanimados. Dessa maneira, o futebol amador como mecanismo da cultura da comunidade e como prática de lazer por aqueles que o praticam e o assistem, de fato pode ter uma relação direta com a perspectiva de lazer definida por Marcelino (2000), no qual o tempo e atitude, são indissociáveis, na medida em que o tempo liberado do trabalho, tem conjuntamente uma associação com uma atividade que promova uma satisfação em está realizando-a. Nessa perspectiva, podemos nos referir que a prática do futebol amadora é uma válvula de escape, que o indivíduo encontra como uma forma de exercer o lazer, e que possivelmente possa aliviar o estresse do cotidiano, bem como a maneira de sentir-se ativo socialmente. CONSIDERAÇÕES FINAIS O futebol como manifestação da cultura, está presente no cotidiano dos brasileiros, principalmente daquele que prática como uma forma de diversão, descontração, como pela busca do prazer e a elevação da tensão-excitação. Tal esporte é considerado um fenômeno sociocultural na medida em que possibilita diferentes manifestações que são ressignificadas em diferentes contextos ao longo do tempo atuando na relação entre os indivíduos e a sociedade. As vivências de lazer relacionadas ao futebol podem ocorrer quando os indivíduos ou grupos sociais praticam, se integram a clubes ou times, participam como espectadores, ou até quando possuem pouco ou nenhum vínculo participativo. Assim, tanto um indivíduo que vivencia tal atividade de forma direta (jogar), e indiretamente (torcedor), pode fazer parte do mundo futebolístico, bem como experimentar diferentes manifestações de lazer. Portanto, diante do apresentado, conclui-se que a relação entre o tempo livre e atitude está intimamente ligada, para esses jogadores da equipe de futebol amador mencionada, em que os jogadores buscam o prazer e o lazer no tempo livre de suas obrigações para participar dos jogos, como também sentem uma satisfação por realizá-la. REFERÊNCIAS DAMO, A. S. Monopólio estético e diversidade configural no futebol brasileiro. Movimento. Porto Alegre, v. 9, n. 2, p. 129-156, 2003. GONÇALVES, A. M. A. Futebol amador: campo emergente de sociabilidade. [Dissertação] - Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002. LIMA JUNIOR, J. C. C.; SAMPAIO, J. M. F.; NASCIMENTO, P. R. B. Futebol Amador: Lazer e Saúde. JOIN, 2016. MARCELLINO, N. C. Estudos do Lazer: uma introdução. 2ª ed. Campinas, São Paulo. Autores Associados, 2000. MARCELLINO, N. C. Lazer e Cultura: algumas aproximações. In: Lazer e Cultura. (Org.). Campinas, SP: Editora Alínea, p. 9-30, 2004. SILVA, J. L. F. Futebol: amadorismo em tempos de profissionalismo. Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, v. 42, n. 1, jan./jun. p. 64-76. 2011.
Palavras-chave: Futebol Amador, Esporte, Lazer
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoMétodos de ensino de professores(as) de Educação Física no ensino fundamental II
GEORGE ALMEIDA LIMA; Luaneudo Pereira Araújo; Luan Gonçalves Jucá; Maria Rosângela Dias Pinheiro
O objetivo do presente estudo foi analisar quais são os métodos de ensino utilizados por professores(as) de Educação Física no ensino fundamental II na cidade de Icó/CE. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, do tipo descritivo e de campo. O estudo foi realizado em quatro escolas, duas instituições de ensino público e duas pertencentes ao ensino privado que contemplam os anos finais do ensino fundamental da zona urbana da cidade de Icó-CE. A mostra foi composta por seis professores(as) de Educação Física, sendo que quatro atuam no ensino público e dois (uas) em instituições de ensino privado. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário semiestruturado elaborado pelos pesquisadores contendo seis questões abertas. No entanto, para a construção do presente estudo foi analisada somente uma dessas questões. Esta pesquisa está amparada pela Resolução N° 466, de 12 de dezembro de 2012 e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Regional do Cariri (URCA), com Parecer N° 3.489.476 Os resultados apontam que professores (as) em suas aulas se apropriam do método expositivo, por meio de explicações e diálogos, como também se utilizam das mídias, trabalhos em grupos e produções textuais, para facilitar o processo de ensino/aprendizagem dos alunos. Conclui-se que para alcançar os objetivos propostos para as aulas, os docentes utilizam a metodologia de ensino expositivo a partir da utilização de explicações verbais, diálogos, uso de recursos digitais, tempestade de ideias, trabalhos em grupos e produções verbais.
Palavras-chave: Professor, Ensino, Métodos
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL NA DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO DA PANDEMIA
JOSÉ CASSIMIRO DO NASCIMENTO FILHO; SIMONE DA CONCEIÇÃO DUARTE SHUNK DO NASCIMENTO. ESPECIALISTA. FACULDADE DE TECNOLOGIA CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM.; LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA NEVES. PROFESSOR DA REDE MUNICIPAL DE CARIACICA-ES; KARLA RODRIGUES SCARAMUSSA.. ESPECIALISTA. FACULDADE DE TECNOLOGIA CACHOEIRO DE UTAPEMIRIM
O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL NA DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO CONTEXTO DA PANDEMIA INTRODUÇÃO A educação no Brasil vem passando por diversas mudanças com relação ao processo ensino-aprendizagem dos educandos. Inesperadamente, as metodologias de ensino necessitaram ser estruturadas de acordo com a realidade de pandemia da COVID 19 que ainda estamos vivenciando. Neste sentido, as aulas da educação infantil precisam ter um objetivo para dar significado quando retornarmos à escola. O isolamento social foi a fase mais intensa da pandemia, pois o medo tomou conta dos cidadãos, as crianças não puderam mais brincar nos diferentes espaços destinados ao lazer e, consequentemente, o tédio instalou-se em muitos lares. Para a escola surge um momento singular, com muitos desafios para que se conseguisse atender aos alunos de forma geral, não se esquecendo de suas especificidades. Buscou-se então, formas de conduzir o processo e de pensar na educação “tendo em vista a busca de se manter o foco na aprendizagem do aluno e nos instrumentos de ensino construídos pelo professor” (PASINI, CARVALHO e ALMEIDA, 2020, p. 02). “O papel do professor ganha destaque [...]. De detentor do conhecimento o professor passa a ser o guia, mentor e orientador” (ALVES e FARIA, 2020, p. 06). O brincar é reconhecido como elemento fundamental para o desenvolvimento da criança e de suas habilidades, tendo o aluno como referência. Para Vygotsky (2007, p.113), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, em vez de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas”. As brincadeiras são verdadeiras fontes de estímulos, tanto no desenvolvimento cognitivo, como no social, afetivo e até mesmo na maneira com que a criança se expressa. (POZAS, 2012). O brincar na Educação Infantil representa momentos entre o professor e o aluno, o aluno e os colegas, onde mesclam momentos reais com momentos de fantasias, onde as crianças interagem uns com os outros e criam momentos de empatia, colocando-se no lugar do coleguinha e o ajudando. Dessa forma, compreende-se que o lúdico se torna essencial no desenvolvimento da criança, pois quando a criança está brincando ela não aprende apenas conteúdo, mas sim, elabora e interpreta vivências do seu dia a dia, além de “quebrar” o gelo com a turma, vence a timidez e trabalha a socialização e a interação (POZAS, 2012). Porém, em tempos de pandemia, “no contexto aula, de isolamento social, a web conferência, e os aplicativos de troca de mensagens se tornaram alternativas de encontro do professor com os alunos, no mesmo horário da aula presencial” (ALVES e FARIA, 2020, p. 07). Num momento onde a criança não pode estar presente nas escolas, fisicamente, as atividades propostas oportunizaram uma reflexão acerca da importância de se trabalhar em prol de promover a formação integral do ser humano, independente de ser através de ensino remoto ou não, criando aulas de Educação Física onde o aluno tenha contato com diferentes materiais, que não os da escola, e possa criar e manipular também os seus próprios brinquedos, e os recursos lá encontrados. (POZAS, 2012). Kishimoto (1995) preconiza que brincar são práticas e ações que vão ao encontro do processo de aprendizagem da criança, logo quando sua identidade está sendo formada, e não apenas um conjunto de instrumentos que podem ser manuseados, pois o brincar pode se figurar em qualquer objeto, no cotidiano pedagógico e escolar. Assim, a escola assume a formação humana, inserida nos pressupostos da Pedagogia Histórico-Crítica e o ponto de partida é a realidade mais ampla, onde “a leitura crítica dessa realidade torna possível apontar novo pensar e agir pedagógicos” (GASPARIN, 2007, p.3). Destarte, as questões que englobam a formação do educando, estão além do que se propõe ensinar em sala de aula, se faz necessária uma inserção dos valores já inseridos na vida dos mesmos. Torna-se inevitável a constituição de uma relação entre escola e família, que estejam em consonância com o desejável para a construção das práticas pedagógicas do educando, a fim de garantir um percurso formativo, que assegure a continuidade dos processos de aprendizagem e desenvolvimento humano dos discentes (GASPARIN, 2007). A escolha do tema em questão surgiu das dúvidas existentes por parte dos pais que às vezes questionam sobre as brincadeiras propostas nas aulas de educação física, na etapa da educação infantil, principalmente em razão da necessidade do distanciamento social. Entretanto, existem formas seguras de se realizar a prática de brincadeiras que contribuem com a manutenção do corpo e da saúde, executadas no próprio lar, sob orientação adequada dos professores. Tais práticas poderão contribuir para a formação de atitudes sociais como, respeito mútuo, cooperação, relação social e interação, auxiliando na construção do conhecimento (DOHME, 2012). A abordagem do tema possui relevância científica e acadêmica, pois permite o estudo sobre potenciais possibilidades de adaptação da rotina praticada na Educação Física, apontando formas de trabalhar o desenvolvimento integral da criança. Permite ainda que os graduandos no curso de Educação Física recebam a orientação adequada sobre como proceder diante do chamado “novo normal” e sobre como orientar os seus alunos de maneira adequada para a prática de atividades físicas diversas. Para a sociedade, trata-se de uma forma de conhecimento acerca das possibilidades de realização de atividades lúdicas no próprio lar, sem comprometer a rotina do dia a dia. Dessa forma, obtêm-se informações necessárias para a manutenção da qualidade de vida enquanto o distanciamento social se fizer presente na sociedade como forma de prevenção à toda a população. OBJETIVO Realizar um levantamento bibliográfico narrativo sobre a importância do brincar na educação infantil para o desenvolvimento integral da criança, principalmente em tempos de pandemia. MATERIAIS E MÉTODOS Para desenvolver o assunto proposto realizou-se uma pesquisa de revisão bibliográfica integrativa, de caráter exploratório e qualitativo. Os descritores utilizados foram: “Educação Infantil”; “Educação Física”; “Brincar”. Como critérios de inclusão, foram escolhidos trabalhos da área temática de Ciências Sociais Aplicadas, selecionando publicações através do Google Acadêmico. RESULTADOS E DISCUSSÃO É possível observar que, entre educadores e pais, falar sobre a importância das brincadeiras no processo de ensino-aprendizagem ainda é um exercício um pouco complexo. Além disso, estabelecer um horário para a aplicação de brincadeiras e jogos em casa, mesmo sendo necessário em tempos de pandemia, às vezes ainda é uma missão difícil, pois as crianças estão sempre interessadas em manusear aparelhos eletrônicos. A criança desenvolve suas habilidades por meio da brincadeira. Os jogos e atividades diversas são uma forma de descobrir o mundo e suas possibilidades. As brincadeiras e jogos fazem com que a criança se prepare para a vida adulta. Os movimentos, a interação, ao dar a vez as possibilidades de escolha, são pontos onde a criança aprende a desenvolver habilidades que usará em toda a sua vida em sociedade (DOHME, 2012). A presença da Educação Física na Educação Infantil pode ser vista como uma ferramenta que possibilitará às crianças o direito às brincadeiras nos espaços abertos, oportunidades perdidas pelas crianças devido à pandemia, e que resultou em uma segurança instável e a redução dos lugares para recrear. Dessa forma, garantir a presença da Educação Física na vida escolar das crianças desde a Educação Infantil, significa ampliar as oportunidades de brincar (OLIVEIRA, 2020). Aos professores de educação física cabe propor jogos e brincadeiras antigas, conhecidas pelos pais, ginásticas naturais, além de atividades que contemplem a psicomotricidade. Para isso, será necessária a parceria das famílias, pois em diferentes atividades, a criança necessita da interação com algum objeto ou pessoa para que seja alcançado o objetivo pretendido. Sabe-se que na pandemia as famílias tiveram suas vidas e suas rotinas transformadas significativamente, o que torna o desafio da parceria escola e família imprescindível para que nossos estudantes continuem se desafiando, criando o seu mundo, por meio de experiências construtivas. Dessa forma, as habilidades práticas dos alunos serão desenvolvidas, pois, “não restam dúvidas acerca da importância da Educação Física para o desenvolvimento da criança [...] com a promoção de práticas que considerem as singularidades da infância e do ser criança, como as brincadeiras, por exemplo, para a efetivação de um projeto de Educação Infantil que promova o desenvolvimento integral da criança” (OLIVEIRA, 2020, p. 63-66). CONSIDERAÇÕES FINAIS Brincar é algo mágico, capaz de levar a criança a aprender e a ser desenvolver de maneira mais prazerosa e eficaz. Brincar dá autonomia a criança, ensina regras, trabalha frustações, enfim brincar é um aprendizado infinito. Os jogos, as brincadeiras, as atividades lúdicas precisam estar presentes em todo o contexto escolar e entre as relações de todos os envolvidos, possibilitando que a criança desenvolva gosto pelas atividades que lhe são apresentadas, aprendendo de uma forma divertida, e o melhor, sem ao menos perceber que está no processo de ensino-aprendizagem. As crianças desde cedo podem ir aprimorando suas habilidades, coordenação, lateralidade e socialização. Portanto o brincar se constitui em um novo ato de descoberta, escolhas, imaginação e (re) criação, ou seja, a criança recria o real, trabalha o imaginário. Ao brincar a criança se movimenta, age e se expressa, constroi sua identidade e aprimora os seus saberes, e o professor atento a esses movimentos pode começar a lapidar um talento às vezes escondido ou ainda não descoberto. REFERÊNCIAS (ABNT NBR 6023:2018) ALVES, E. J.; FARIA, D. C. de. Educação em tempos de Pandemia: lições aprendidas e compartilhadas. Revista Observatório, Palmas, v. 6, n. 2 p. 1-18, abr-jun. 2020. Disponível em: DOI: http://dx.doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2020v6n2a16pt. Acesso em: 16 jul. 2021. DOHME, V. A. Atividades lúdicas na educação: o caminho de tijolos amarelos do aprendizado. Dissertação de Mestrado, Curso de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, 2012. GASPARIN, J. L. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. Campinas, SP: Autores Associados, 2007. OLIVEIRA, T. N. De. Professores de Educação Física na Educação Infantil: trajetórias de formação [recurso eletrônico] / Timóteo Neres De Oliveira. -- 2020. Arquivo em formato pdf. Orientadora: Magda Carmelita Sarat Oliveira. Dissertação (Mestrado em Educação)-Universidade Federal da Grande Dourados, 2020. Disponível no Repositório Institucional da UFGD em: https://portal.ufgd.edu.br/setor/biblioteca/repositorio. Acesso em 17 jul. 2021. PASINI, C. G. D.; CARVALHO, E. de.; ALMEIDA, L. H. C. A Educação Híbrida em Tempos de Pandemia: algumas considerações. Observatório Sócioeconômico da COVID-19. Universidade Federal de Santa Maria, FAPERGS, 2020. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2020/06/Textos-para-Discussao-09-Educacao-Hibrida-em-Tempos-de-Pandemia.pdf. Acesso em 17 jul. 2021. POZAS, D. Criança que brinca mais aprende mais: a importância da atividade lúdica para o desenvolvimento cognitivo infantil. Rio de Janeiro – RJ, Editora: Senac, 2012. VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO FÍSICA, EDUCAÇÃO INDANTIL,BRINCAR
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoOS IMPACTOS CARDIOPULMONARES E PSICOLÓGICOS DO COVID-19 EM ADULTOS PRATICANTES DE NATAÇÃO EM CAMPINA GRANDE - PB
FERNANDA DE FÁTIMA SANTIAGO CRUZ; ELMITON ALVES PEREIRA; HEUBERT DO CARMO FONSECA
O covid-19 vem causando grandes mudanças na vida da população, resultando um impacto negativo na vida econômica e social, além de ter uma grande influência para o desenvolvimento de doenças mentais e físicas. De acordo com alguns estudos pode-se dizer que os exercícios físicos aeróbicos como a natação são essenciais para prevenção da doença e para a reabilitação, visto que é necessário manter as medidas preventivas do Ministério da saúde, (distanciamento social, uso de máscara e a higienização das mãos e ambientes). Esta pesquisa trata-se de um estudo de caso, de natureza quantitativa que visa coletar dados, ou seja, reúne dados que podem ser codificados de forma numérica. Terá uma análise descritiva, pois tem como objetivo, descrever e compreender as principais tendências nos dados existentes. Diante disto, o objetivo principal do estudo, é analisar os impactos cardiopulmonares e psicológicos do covid-19 em adultos praticantes de natação da Associação Atlética do Banco do Brasil – AABB na cidade de Campina Grande -PB. A análise desses dados será realizada através do questionário e do teste de Cooper adaptado à natação, ambos serão aplicados em adultos praticantes de natação do clube AABB na cidade de Campina Grande-PB. Tanto o questionário quanto o teste de Cooper adaptado à natação, buscaram evidências de que a natação é benéfica para ajudar na prevenção e na reabilitação de doenças mentais e físicas, causadas pelo covid-19. Todos os estudos realizados até aqui, deixarão claro que os principais fatores que desencadeia as doenças mentais, como a ansiedade neste momento, estão ligados a situações relacionadas aos impactos gerados pelo covid-19 como o distanciamento social que afeta o estilo de vida da população mundial prejudicando a socialização e gerando também um impacto importante no desporto.
Palavras-chave: COVI-19, Doenças Psicossociais,Natação
Oral
Abrir o trabalhoPADRÃO DE BELEZA E CORPO IDEAL DOS/AS DISCENTES DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
MARCELO ALENCAR LEITE
O corpo é o campo de estudo da Educação Física, seja o corpo em seu aspecto biológico, anatômico e fisiológico ou o corpo em seus aspectos sociais de interação com os outros indivíduos ou por meio dos elementos da Cultura Corporal. A pressão social para que seja seguido um determinado padrão de beleza se apresenta cada vez mais forte. A cobrança surge no cotidiano por meio dos veículos de comunicação em massa, que reforçam estereótipos a serem seguidos, e por meio das mídias sociais, que crescem a cada dia com o surgimento de perfis dedicados a mostrar um corpo “sarado” ou mostrar rotinas de exercícios e dietas. Compreender como os discentes do Curso de Licenciatura em Educação Física percebem a afetação do “Padrão de Beleza” e “Corpo Ideal”, dentro do que é construído socialmente, é importante para saber como os futuros profissionais lidam com essas questões e como elas podem ser repercutidas no meio social. O objetivo da pesquisa é compreender como os/as discentes do Curso de Licenciatura em Educação Física percebem a imposição de um padrão de beleza e a percepção sobre a existência de um padrão de corpo ideal socialmente determinados e sobre a percepção acerca da afetação dos estereótipos corporais criados sobre os/as profissionais da área de Educação Física. Trata-se de uma pesquisa de campo e tem um caráter qualitativo. Participaram da pesquisa 32 discentes, tendo representantes de todos os semestres letivos. A participação se deu por adesão voluntária e não foi imposto critério para a exclusão. Todos/as os/as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido disponibilizado virtualmente e foi resguardado o direito ao anonimato e a desistência de participação a qualquer tempo. Para conseguir coletar as informações necessárias para a construção do trabalho foi aplicado um questionário, contendo questões fechadas e abertas, por meio de formulário eletrônico da plataforma do Google Forms. Optou-se pelo meio eletrônico em virtude do cenário de isolamento social e a interrupção das aulas presenciais por conta da pandemia de Covid-19. O questionário foi disponibilizado no aplicativo de mensagem utilizado pelos/as discentes para que pudessem responder em um prazo de, no máximo, uma semana. Com a pesquisa realizada, pôde-se perceber que ainda está arraigado no pensamento dos discentes a necessidade de se enquadrar em um Padrão de Beleza e seguir uma ideia de Corpo Ideal exemplar por serem acadêmicos e futuros professores de Educação Física. Essa percepção pode estar relacionada a pressão social para que os indivíduos se enquadrem em determinado padrão estético, assim, passando a ser melhor aceito socialmente. Ainda existe a cobrança de que por serem acadêmicos (e futuros professores de Educação Física) eles devem exibir um corpo esbelto, magro, torneado e definido pelos exercícios físicos, pois como irão trabalhar com o corpo devem ser um exemplo de corpo a ser seguido. O Curso de Licenciatura em Educação Física deve formar indivíduos que sejam capazes de pensar criticamente e buscar ter uma melhor compreensão sobre o Corpo e os aspectos sociais que o afeta. Desta forma, não seria, no ambiente profissional e social, um indivíduo que estimula a busca por um padrão inalcançável que é imposto e que aflige muitos jovens que estão em conflito com a sua percepção e imagem corporal.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoPRÁTICAS RELIGIOSAS NO FUTEBOL AMADOR EM UM MUNICÍPIO DO INTERIOR CEARENSE
MANOEL BOMFIM LEITE NETO; Pedro Carlos Silva de Aquino
INTRODUÇÃO A literatura tem revelado diversas estratégias para aproximar-se da compreensão e explicação dos aspectos inerentes à prática do futebol em esfera sociocultural. Em relação a isso, Damo (2003) identifica a limitação do termo futebol, e o substitui pela sua multiplicidade da designação “futebóis”. Ou seja, parte do pressuposto de que o futebol é heterogêneo e, por esse motivo, admite a influência de uma heterogeneidade cultural sobre as formas de conceber as práticas futebolísticas. Nesse sentido, Silva (2009, p. 18) ressalva que. “para continuar sendo considerada como futebol, estas práticas precisam possuir uma estrutura comum, através da qual são conhecidas e reconhecidas socialmente”. Dessa maneira, a compressão dessa multiplicidade da prática futebolística, temos o futebol amador, no qual “é uma prática que se desloca em espaços múltiplos na cidade. Qualquer terreno baldio é um campo de futebol em potencial” (GONÇALVES, 2002, p. 14). Complementando, Silva (2009) caracteriza como sendo uma prática realizada em espaços localizados em várzeas e outros disponíveis na cidade, com uma organização local que segue normas previamente estabelecidas de maneira adaptada, no qual se estabelecem relações de parceria e informais de trabalho entre os sujeitos, permitindo uma aproximação entre o amadorismo do profissionalismo. Diante disso, o futebol amador apresenta-se ter relações com outras facetas da sociedade, principalmente no Brasil, envolvendo o culto a religiosidade, crendices e superstições, no qual se insere no futebol, como uma forma de busca pela compreensão da sua dinâmica dentro da cultura brasileira, movendo a fé de quem o pratica e acompanha. Ao assistirmos a um jogo de futebol, podemos visualizar expressões que permitem se referir como práticas religiosas, seja por parte dos torcedores, como também pelos jogadores dentro e/ou fora de campo. E observamos que tais expressões simbólicas estão mais presentes no futebol brasileiro em comparação com os de outros países. Para Aguiar (2011) tornou-se uma prática “naturalizada” no Brasil, no qual os jogadores de futebol demonstram abertamente as suas religiosidades, rezando dentro e fora do campo, apelando a Deus e agradecendo, após um gol, um pênalti, uma vitória, mas também depois de uma derrota, isto porque, como dizem, “Deus é fiel”, expressão que é o ato de ajoelhar-se apontando para o céu em gratidão a uma suposta bênção, “tornou-se comum entre jogadores evangélicos” (AGUIAR, 2011, p. 242). Nesse sentido, Rial (2013) diz que, a maior visibilidade religiosa no futebol brasileiro ocorreu a partir da década de 1980, através de um grupo evangélico de atletas, chamado de ”Atletas de Cristo”, no qual essa presença da religiosidade no futebol coincide com um aumento expressivo das igrejas evangélicas no Brasil. Dessa maneira, o futebol como um dos esportes mais praticados no Brasil, tem um contexto que “[...] constitui-se numa das principais manifestações culturais brasileiras, constantemente atualizada e ressignificada pelos seus atores” (DAÓLIO, 2005, p. 6). O futebol brasileiro tem se constituído, ao mesmo tempo. Em expressão da sociedade brasileira e em um modelo para ela, espelhando toda e sua dinâmica, com todas as riquezas nela presentes. [...], ora se o brasileiro traz, em sua dinâmica cultural, características mágicas, religiosas, supersticiosas, crendices, etc. E se o futebol, expressa e espelha a cultura, então o futebol também apresenta essas características (DAÓLIO, 2005, p. 5-6). A relação entre futebol e religião no Brasil, vem de muito tempo antes e depois da massificação desse esporte no país. Pois, devido a uma década após o alemão Charles Miller ter trazido o esporte para o Brasil, a primeira bola manufaturada foi pelo Padre Manuel Gonzales, sendo uns dos difusores do futebol no estado de São Paulo (MURAD, 2004). Dessa maneira, mostra-se como a religiosidade se inseriu no futebol durante a passagem do tempo, no qual contou com a influência e participação de sujeitos e instituições religiosas para propagar o futebol pelo país. Assim, as manifestações de crenças religiosas, superstições e crendices acontecem cotidianamente durante a sua prática, dentro ou fora do campo de jogo. Petrognani (2016) diz que o futebol é um espaço cercado de “situações intangíveis”, por apresentar uma certa imprevisibilidade que, em algum momento a bola bate na trave; um pênalti desperdiçado; algum jogador pode sofrer uma lesão, e etc. E que a recorrência a práticas religiosas é comum para “controlar o incontrolável”, ou seja situações que escapam de uma lógica racional. “O meio futebolístico brasileiro sempre foi um território coberto por uma névoa de religiosidade e magia. Uma arena como esta (…) não poderia deixar de ser um lugar onde todos os meios naturais e sobrenaturais são usados para atingir objetivos (...)” (JUNGBLUT, 1994, p.116). Enfim, diversos são os apontamentos que demonstram a relação da religiosidade e o futebol no Brasil. Essas manifestações de crenças por parte da torcida e jogadores, interligam-se ao esporte de várias maneiras, desde o início do futebol brasileiro, até os dias atuais, percebemos que a religião, seja qual for, faz parte do espetáculo futebolístico. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo descrever as práticas religiosas realizadas pelos jogadores de futebol amador de uma cidade no interior cearense. MATERIAIS E MÉTODO O estudo delineia-se de cunho qualitativo e observacional com abordagem antropológica e etnográfica. Os dados elementares de observação foram registrados em diário de campo e a analisados com base em outros estudos referentes ao tema sobre religiosidade no futebol, e principalmente com o estudo intitulado de Futebol e Religião no Brasil: Um estudo antropológico do “fechamento” de Claude Petrognani (2016). Para isso, os autores assistiram e observaram sistematicamente a dois jogos de futebol amador acontecidos em setembro de 2019 das equipes do Benfica e da Portuguesa, no estádio municipal de Caririaçu-CE. Ambas as equipes eram compostas por dois times cada, chamado de primeiro e segundo quadro, representando a categoria de base e principal, respectivamente. Tais jogos, foram caracterizados como “jogo fechado”, no qual as equipes possuem nomes definidos; existe uma pessoa responsável pela organização interna do time, os jogadores apresentam-se em campo com uma vestimenta padrão; tem arbitragem para a aplicação das regras similares ao futebol profissional (GONÇALVES, 2002). RESULTADOS E DISCUSSÕES Numa tarde, antes do início e durante a partida de cada jogo, foram observados os comportamentos e as práticas religiosas realizadas pelos jogadores de futebol amador de ambas as equipes. A partir disso, no momento preparatório, antes do início da partida dentro do campo, as equipes se reúnem para uma conversa em formato de roda, no qual o “dono do time ou técnico”, dialoga com os jogadores, para auxiliar a equipe sobre as circunstâncias geral para um bom jogo. Após esse momento, todos os jogadores com as outras pessoas que auxiliam no trabalho da equipe se abraçam para rezar uma oração católica, O Pai Nosso, que segundo Petrognani (2019, p. 253) “é recitado, declamado, cantado, gritado, em uníssono e sincronicamente, de olhos fechados e com um vigor incrível, ritualizado dentro de um esquema fixo, mas, não por isso, menos performático”. Sobre a oração católica do Pai Nosso, Haro (2009) menciona que no momento que os jogadores se reúnem para realizar o ritual antes da partida, a oração é executada por todos, não desconsiderando a religião de cada um, mas que, naquele momento, todos buscam o mesmo desejo. Em seguida, ao finalizar o ritual, que naquele momento mais emblemático da transcendência, o momento mais sublime e intenso do ritual, no qual estoura toda a potência do sagrado, os jogadores desfazem o círculo, por eles comumente chamada de “roda”, e se exaltarão e exibirão, dando pulos desordenados, podendo ser interpretado como uma liberação de uma espécie de energia (PETROGNANI, 2016). Segundo Petrognani (2016) esse ritual de fazer uma “roda” para realizar a oração é chamado de “fechamento”, sendo uma prática dos futebolistas brasileiros, que designa: “a um conjunto de expressões, verbais e corporais, que os jogadores acionam sistematicamente antes das competições e que se distingue de práticas semelhantes pela recitação coletiva da reza do Pai Nosso” (PETROGNANI, 2016, p. 24). Após isso, o grupo reconstitui o círculo de mãos dadas celebra-se o nome do clube, em voz alta. Mas tudo será interrompido poucos segundos mais tarde, quando será restabelecida a ordem e os jogadores se colocam em posição à espera do árbitro para declarar o começo da partida. Ao término da oração é notável o estado de ânimo modificado dos jogadores, no qual a oração incentiva um estado de excitação para quem partilha dessa espécie de ritual celebrado antes do jogo. De fato, para os futebolistas, o “fechamento” não é nada mais que uma das componentes da “partida”: uma prática que se tornou imprescindível no futebol brasileiro, (...). Isto reforçaria a tese de que hoje em dia o “fechamento” constituiria o habitus do jogador de futebol brasileiro - sendo que é percebido, emicamente, como parte integrante da cultura esportiva brasileira (PETROGNANI, 2016, p. 28). Outras práticas religiosas que ocorreram no jogo, mostram um certo apelo para uma busca de uma proteção. Neste caso, os goleiros antes da partida, realizam uma espécie de ritual de tocar nas dimensões do gol, para efetivar em seu íntimo, a sensação de que ao realizar tal procedimento, ali está sendo protegido por um ser superior. “[...] quando entram em campo, realizam ao mesmo tempo, gestos mágicos que influenciam magneticamente a bola, batem nas traves e trançam linhas misteriosas para fechar o gol” (ROSENFELD, 1993, p. 103 apud HARO, 2009). Os jogadores quando fazem o gol, e quando a partida é finalizada com um bom resultado, é realizado o “sinal da cruz”, no qual o atleta “imediatamente volta seu olhar para o céu, com seus dedos indicadores aponta para o alto, faz o sinal da cruz. Agradece a Deus pela graça da bela jogada e pela dádiva do bonito gol” (GAYA, 2008, p. 35 apud HARO, 2009). CONSIDERAÇÕES FINAIS O futebol como uma paixão do povo brasileiro, apresenta-se como um agente sociocultural que permite e influencia na expressão dos sentimentos e o comportamento dos sujeitos, que de algum modo, estão envolvidos com as práticas futebolísticas, seja no cenário profissional ou amador; o espectador, o amante torcedor e o jogador. Desse modo, as práticas religiosas que permeia o campo do futebol, evidencia a forte relação e apego que o povo brasileiro manifesta em seu íntimo, com o intuito de buscar através de uma intercessão de um “ser superior” a proteção, a vitória e a benção do time ou jogador. Nesse sentido, a religiosidade está inserida e presente nas torcidas, nos vestiários, nos jogadores fora e dentro do campo do futebol amador. REFERÊNCIAS AGUIAR, R. O. Deus é mais: a supremacia da fé evangélica na ótica dos Atletas de Cristo. Revista Brasileira de História das Religiões, v. 3, n. 9, p. 229-252, 2011. DAÓLIO, J. A superstição no futebol brasileiro. Futebol, Cultura e Sociedade. Campinas: Autores associados, 2005. DAMO, A. S. Monopólio estético e diversidade configural no futebol brasileiro. Movimento. Porto Alegre, v. 9, n. 2, p. 129-156, 2003. GONÇALVES, A. M. A. Futebol Amador: Campo Emergente de Sociabilidade. 2002. 104 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002. JUNGBLUT, A. L. Entre o Evangelho e o Futebol: um estudo sobre a identidade religiosa de um grupo de Atletas de Cristo em Porto Alegre. Dissertação (Mestrado) - Antropologia Social, UFRGS, Porto Alegre, 1994. HARO, G. K. Futebol e valores religiosos: uma revisão da literatura. [Trabalho de Conclusão de Curso] – Educação Física. 35f. 2009. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. MURAD, M. A história social do futebol brasileiro: alguns elementos para a sua compreensão. Porto, 2004. PETROGNANI, C. Futebol e Religião no Brasil: Um estudo antropológico do “fechamento”. 2016. 237 f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2016. PETROGNANI, C. Religião e futebol no Brasil: Análise do “fechamento”. Civitas, Porto Alegre, v. 19, n. 1, p. 247-260, jan-abr. 2019. RIAL, C. “O ovo do diabo” e os jogadores de futebol como pastores neopentecostais, Revista Instituto Humanitas Unisinos, v. 13, n. 424, p. 19-22, 2013. SILVA, J. L. F. Os significados do futebol amador recifense a partir de sua interdependência com o futebol profissional. 2009. 137 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2009.
Palavras-chave: Futebol Amador, Religiosidade, Práticas Religiosas
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoPROMOÇÃO DE ATIVIDADES FÍSICAS VIRTUAIS PARA IDOSAS DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19: RELATO DE EXPERIÊNCIA
FRANCIVALDO DA SILVA ; Pedro Carlos Silva de Aquino; Naerton José Xavier Isidoro
INTRODUÇÃO Diante do cenário de propagação do novo coronavírus (SARS-Cov-2), desencadeada em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, classificou como pandemia em função dos níveis alarmantes de transmissão, apontando para a gravidade da referida doença em escala global (WHO, 2020a). O primeiro caso no Brasil foi confirmado em fevereiro de 2020 (KNUTH, CARVALHO e FREITAS, 2020). Governantes dos estados e municípios brasileiros, seguindo as recomendações internacionais, adotaram o distanciamento social como a principal medida de prevenção e controle da doença. Decretaram a paralisação das atividades nas instituições de ensino, diminuição dos fluxos comerciais e de transportes, direcionamento das tarefas laborais para ambiente domiciliar e o fechamento dos espaços de práticas de atividades físicas e esportivas (KNUTH, CARVALHO e FREITAS, 2020; RAIOL, 2020; SOUZA FILHO e TRITANY, 2020). Foram, portanto, tomadas medidas para restringir o fluxo de pessoas em espaços públicos, recomendando-se a permanência em casa para evitar a contaminação em massa. Maiores cuidados em relação ao novo coronavírus foram tomados entre os grupos considerados mais vulneráveis com potencial maior de agravamento da doença, entre os quais encontram-se as pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, aqueles com condições pulmonares e com o sistema imunológico comprometidos e os idosos (JIMÉNEZ–PAVÓN, CARBONELL-BAEZA, LAVIE, 2020; SOUZA FILHO e TRITANY, 2020). Nesse contexto, as atividades presenciais nas instituições de ensino superior do estado do Ceará foram interrompidas, repercutindo no desenvolvimento das ações de extensão universitária voltadas às comunidades. Para continuar sua execução mesmo durante a pandemia passaram a ser realizadas de forma virtual (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO, 2020a). As práticas de atividades físicas em espaços públicos e privados foram, também, afetadas em função da necessidade de evitar a circulação e aglomeração de pessoas, diminuindo assim o risco de contaminação pelo novo coronavírus (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO, 2020b). Ferreira et al. (2020) enfatizam que é fundamental manter uma rotina fisicamente ativa em ambiente domiciliar como medida preventiva de saúde no período de isolamento social, ressaltando a necessidade e a importância de orientação profissional para prescrição dos exercícios físicos. O presente estudo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada pela equipe extensionista na promoção de atividades físicas virtuais através do uso de recursos tecnológicos para a manutenção das atividades físicas de idosas participantes de um projeto de extensão universitária. MATERIAIS E MÉTODO O estudo delineia-se como descritivo do tipo relato de experiência com uma abordagem qualitativa. O trabalho em questão foi desenvolvido entre julho e dezembro de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) por três alunos-monitores do Curso de Educação Física da Universidade Regional do Cariri - URCA e um professor coordenador da referida Instituição de ensino. A ação extensionista contemplou 30 idosas residentes na cidade de Crato-CE, participantes do Projeto de Extensão Universitária Mais Vida, vinculado ao Centro de Atividades Físicas e Práticas Esportivas (CENAPES) e Pró-Reitoria de Extensão da URCA. Para o desenvolvimento da ação extensionista foram selecionados o Google Meet, WhatsApp e YouTube, no qual eram tecnologias digitais comuns as idosas e equipe extensionista em ambiente domiciliar. O Google Meet é um serviço gratuito de comunicação por vídeo desenvolvido pelo Google, que permite vários participantes possam estar numa sala virtual, por meio de acesso a um link, gerado por um administrador, possibilitando a interação síncrona. Já o WhatsApp e YouTube são mídias sociais acessíveis e de fácil utilização pela maioria da população. O primeiro é um aplicativo gratuito para smartphones, sendo possível realizar trocas de mensagens em texto, chamadas de voz e vídeo entre pessoas ou grupos. Este foi usado para o contato entre a equipe extensionista, acompanhamento e divulgação das atividades para as integrantes do projeto. Já o YouTube é uma plataforma gratuita de compartilhamento de vídeos na internet que possibilita a publicação e divulgação das videoaulas gravadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Diante do cenário pandêmico, o referido projeto de extensão suspendeu as atividades presenciais e direcionou para o meio virtual, respeitando as recomendações para a realização do distanciamento e isolamento social. No projeto em questão, verificou-se que todas as participantes tinham celulares do tipo Smartphone com acesso à internet em suas moradias, facilitando assim o contato entre os membros da ação extensionista. Dessa maneira, a equipe extensionista por meio de encontros virtuais, através do Google Meet, organizou e desenvolveu as práticas de atividades físicas, utilizando tecnologias digitais para comunicação entre os integrantes e as participantes, assim como a criação, publicação e divulgação de vídeoaulas numa plataforma de compartilhamento de vídeos com práticas e orientações de exercícios físicos para serem realizados em casa pelas integrantes do projeto. Para a produção das videoaulas, foram escolhidas previamente diversas práticas de atividades físicas para serem aplicadas semanalmente ao longo do período mencionado anteriormente. Os três alunos-monitores revezaram-se na gravação e edição dos vídeos, utilizando o celular para facilitar a compreensão das idosas durante a realização das práticas em casa. Após esse processo, os vídeos eram enviados ao professor coordenador para serem armazenados no canal do projeto “Cenapes Mais Vida URCA” no YouTube e compartilhado em formato de link no grupo do WhatsApp. As sessões de exercícios físicos realizadas pelas idosas em ambiente domiciliar aconteciam numa frequência de duas vezes por semana. As videoaulas gravadas com duração de aproximadamente trinta minutos, contemplavam como conteúdos: atividades de alongamento muscular; automassagem; dança; ginástica aeróbica; ginástica postural; treinamento com peso corporal; treinamento funcional e treinamento de força. Os conteúdos repassados foram adaptados à realidade das idosas, utilizando os espaços e objetos domiciliares disponíveis. O WhatsApp possibilitou uma relação intergeracional, caracterizada pela convivência e interação social entre indivíduos de diferentes gerações, contribuindo para minimizar a sensação de solidão e abandono durante o isolamento social, permitindo também avaliar continuamente as atividades desenvolvidas através das informações repassadas semanalmente. Garollo et al. (2020) relataram o desenvolvimento de uma estratégia de comunicação virtual em meio à pandemia para promover o cuidado e saúde de idosos participantes de um projeto de extensão de uma universidade em Minas Gerais. Utilizaram o WhatsApp para orientar condutas de saúde biopsicossocial e auxiliar no planejamento das atividades diárias e de lazer virtual. A equipe extensionista buscou parceria com discentes e docentes do Curso de Educação Física para gravarem vídeos explicativos de exercícios físicos para serem realizados em domicílio pelos idosos. Possamai et al. (2020) através de um projeto de extensão de uma universidade no Rio Grande do Sul voltado para a promoção de atividade física para 250 idosos durante a pandemia da COVID-19, desenvolvido em formato remoto pela plataforma Facebook, avaliaram a adesão de 60 idosos participantes, verificando que o sexo feminino é o público com maior aderência em relação à participação em grupos de atividade física voltados para idosos, assim como foi observado no projeto extensionista CENAPES/Mais Vida. A criação de canais de comunicação virtual entre profissionais e os idosos tem se mostrado bastante eficaz no sentido de manter a prática de exercícios físicos em isolamento domiciliar, evidenciando-se como uma excelente estratégia para preservar a saúde física e mental, prevenção de agravos das doenças crônicas, redução do comportamento sedentário e inatividade física (FAUSTINO e NEVES, 2020). Especialmente aqueles na faixa etária a partir dos sessenta anos, a praticarem atividades físicas em casa através da utilização de vídeos com apoio e orientação profissional. O exercício físico pode contribuir para o tratamento de inúmeras doenças crônicas não transmissíveis, melhorando a saúde física e mental do indivíduo. Especialmente para a população idosa, a prática de atividade física permite um envelhecimento saudável, evitando a fragilidade, o risco de quedas, aumento da autoestima e diminuição do declínio cognitivo (JIMÉNEZ–PAVÓN, CARBONELL-BAEZA, LAVIE, 2020). A prática regular de exercícios físicos em casa pode ser uma excelente estratégia para reduzir os efeitos desencadeados na saúde física e mental do idoso em função do isolamento social e domiciliar, utilizando para este fim diversas tecnologias digitais como ferramentas benéficas e baratas para a promoção da saúde, acesso às informações, comunicação e socialização dos idosos (LADAGA et al., 2020; RAIOL, 2020). CONSIDERAÇÕES FINAIS Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, foi necessária a adoção de medidas de distanciamento e isolamento social para evitar a transmissão do vírus e contaminação da população, principalmente na faixa etária a partir dos sessenta anos. O trabalho desenvolvido pela referida equipe extensionista em 2020, possibilitou a continuação das ações do projeto mesmo diante do cenário de pandemia, garantindo a promoção de atividades físicas virtuais para as idosas participantes, mantendo-as fisicamente ativas mesmo durante o período de isolamento domiciliar. REFERÊNCIAS DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO. Decreto nº 33.510, de 16 de março de 2020. Decreta situação de emergência em saúde e dispõe sobre medidas para enfrentamento e contenção da infecção humana pelo novo coronavírus. Fortaleza: Casa civil do Ceará, ano XII, n. 053, p. 1-1, 16 mar. 2020a. Disponível em: https://www.ceara.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/DECRETO-N%C2%BA33.510-de-16-de-mar%C3%A7o-de-2020.pdf. Acesso em: 23 maio 2021. DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO. Decreto nº 33.519, de 19 de março de 2020. Intensifica as medidas para enfrentamento da infecção humana pelo novo coronavírus. Fortaleza: Casa civil do Ceará, ano XII, n. 056, p. 1-2, 19 mar. 2020b. Disponível em: https://www.ceara.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/DECRETO-N%C2%BA33.519-de-19-de-mar%C3%A7o-de-2020.pdf. Acesso em: 23 maio 2021. FAUSTINO, A. M.; NEVES, R. Atividade Física, Pessoas Idosas e Isolamento Social – um olhar a partir de vídeos do Youtube. Revista Kairós-Gerontologia, São Paulo, v. 23, n. 28, p. 167-183, 2020. FERREIRA, M. J.; IRIGOYEN, M. C.; CONSOLIM-COLOMBO, F.; SARAIVA, J. F. K.; DE ANGELIS, K. Vida Fisicamente Ativa como Medida de Enfrentamento ao COVID-19. Arq Bras Cardiol. v. 114, n. 4, p. 601-602. 2020. GAROLLO, C. M.; NOGUEIRA, I. S.; VALENTIM, D. G. B.; DIAS, J. R.; FARIAS, H. G.; MANSANO, V. A. N.; LOPES, L. P.; SANTOS, V. M. A; GRATÃO, B. M.; SOUZA, C. M.; JAQUES, A. E.; BALDISSERA, V. D. A. Integração intergeracional utilizando tecnologias de informação e comunicação para o cuidado e saúde de idosos em meio a pandemia coronavírus. In: SILVA, R. H. (org). Inovação e tecnologia para o cuidar em enfermagem. Ponta Grossa, PR: Atena, 2020. Cap. 5, p. 55-67. ISBN 978-65-5706-321-7. Disponível em: https://www.atenaeditora.com.br/post-artigo/37289. Acesso em: 8 maio 2021. JIMÉNEZ–PAVÓN, D.; CARBONELL-BAEZA, A.; LAVIE, C. J. “Physical exercise as therapy to fight against the mental and physical consequences of COVID-19 quarantine: Special focus in older people published online a head of print”. Journal of Physical Activity and Health, vol. 63, n. 3, 2020. KNUTH, A. G.; CARVALHO, F. F. B. de. FREITAS, D. D. Discursos de instituições de saúde brasileiras sobre atividade física no início da pandemia de COVID-19. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. v. 25, p. 1-9, set. 2020. LADAGA, F. M. A.; ANDRADE, G. R.; SARTORI, A. C.; YAMAGUCHI, M. U. WhatsApp, uma ferramenta emergente para a promoção da saúde. Enciclopédia Biosfera. v.15, n. 28, p. 1370-84, 2018. POSSAMAI, V. D.; CARDOSO DA SILVA, P.; ALBO DA SILVA, W.; SANT´HELENA, D. P.; GRIEBLER, E. M.; VARGAS, G. G. DE; MARTINS, V. F.; GONÇALVES, A. K. Uma nova realidade: aulas remotas de atividade física para idosos na pandemia de Covid-19. Revista Kairós-Gerontologia, v. 23, n. 28, p. 77-98. 2020. RAIOL, R. A. Praticar exercícios físicos é fundamental para a saúde física e mental durante a Pandemia da COVID-19. Braz. J. Hea. Rev., Curitiba, v. 3, n. 2, p. 2804-2813 mar./apr. 2020. SOUZA FILHO, B. A. B.; TRITANY, E. F. COVID-19: importância das novas tecnologias para a prática de atividades físicas como estratégia de saúde pública. Cad. Saúde Pública, v. 36, n. 5, p. 1-5. 2020. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Director-General‘s opening remarks at the media briefing on COVID-19 - 11 March 2020. [S. l.], 11 mar. 2020a. Disponível em: https://www.who.int/director-general/speeches/detail/who-director-general-s-opening-remarks-at-the-media-briefing-on-covid-19---11-march-2020. Acesso em: 19 abr. 2021.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoQUADRILHAS JUNINAS, DANÇA E BEM-ESTAR: cuidando do corpo nos arraiais juninos
EVERTON GRANGEIRO GONÇALVES; BRUNO FELIPE BARROS SILVA
QUADRILHAS JUNINAS, DANÇA E BEM-ESTAR: cuidando do corpo nos arraiais juninos Everton Grangeiro Gonçalves Bruno Felipe Barros Silva INTRODUÇÃO As festas juninas no Nordeste brasileiro foram permeadas por diversas mudanças em seu percurso histórico, sendo estas resultantes de elementos da sociedade moderna. São visíveis características que nos remetem às perspectivas de hibridações da cultura (CANCLINI, 1997) e também da homogeneização das identidades culturais (HALL, 2002). Esses festejos são caracterizados por música, dança, literatura, dramatização (RUEDA, 2006), religiosidade, gastronomia (as avocadas comidas típicas) e outras expressões culturais. Dentre essas, as quadrilhas juninas podem ser apontadas como uma das manifestações de maior destaque e importância durante as celebrações juninas, enquanto prática sui generis desta festa. Historicamente, essa expressão cultural perpassou por diversas mudanças e ressignificações. Na modernidade, nota-se as chamadas quadrilhas juninas estilizadas/profissionais que se diferenciam das ditas como tradicionais ou matutas. Essas reconfigurações, pautadas no contemporâneo, são resultantes da conversão dessa festa folclórica em uma festa institucional, ocasionando sua profissionalização e vislumbrando elementos que reverberam no teor de espetacularização da festa (BENJAMIN, 2004, p. 136). A profissionalização acontece como consequência das disputas nos arraiais, obrigando as quadrilhas juninas a se adaptarem às exigências federativas das entidades juninas do Ceará. Logo, necessitam evoluir para surpreender e obter as melhores notas das mesas julgadoras. Decorrente dos fatores supracitados, os trajes, a dança, a música, grande parte do aparato estético-coreográfico não só foi, como continua sendo, reconfigurado conforme necessário para moldar-se às exigências dos meios de comunicação e dos órgãos estatais. Nessa perspectiva, a dança se torna elemento primordial para construção do espetáculo, sendo acompanhada de passos que possuem grau de dificuldade elevado e também exige fisicamente dos quadrilheiros, ocasionando desgaste físico para realização das apresentações nos diversos festivais que as quadrilhas se apresentam. Levando em consideração a importância de estudar esses aspectos, a pesquisa em tela objetiva analisar os cuidados através de hábitos e exercícios necessários para contribuir no preparo físico e melhor desenvoltura dos quadrilheiros durante as apresentações. Nesse processo, é feita uma breve relação com a Quadrilha Nação Nordestina, de Juazeiro do Norte, para observações recorrentes. A pesquisa justifica-se pela necessidade de observar como a Educação Física pode fornecer elementos e ferramentas que contribuam para as manifestações culturais, seus agentes e também provocar bem-estar e qualidade durante essas práticas. MATERIAIS E MÉTODO A metodologia da referida pesquisa constitui-se por levantamento bibliográfico, a fim de pleitear o histórico das quadrilhas juninas e seu processo de reconfigurações. Em segundo momento, busca-se observar questões relacionadas à dança, ao corpo e como a Educação Física pode fornecer subsídios para o bem-estar, contribuição na performance e resistência dos performáticos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Rodrigues e Correia (2013, p.02) dizem que pode-se considerar a “dança uma manifestação construída histórica, social e culturalmente e caracterizá-la como um fenômeno de linguagem corporal artística”. A dança significa nesse contexto: cultura, religião, educação e sociedade. (HASS e GARCIA , 2006). Nesse segmento, pode-se apontar uma relação entre o corpo (físico), e a dança nos arraiais juninos. Observa-se que o nível físico exigido durante as apresentações é alto. Isso se dá porque outros elementos entram em pauta, como: a realização dos passos; a intensidade com que são realizados e outros elementos circunstanciais. Os circunstância supracitados são as horas de viagens, as alocações nas cidades, alimentação, sono etc. É possível perder várias calorias enquanto se dança, ao mesmo tempo, deve-se levar em consideração a rotina de ensaios e apresentações. Para observar esses aspectos, trazemos para a discussão a quadrilha junina Nação Nordestina, de Juazeiro do Norte. O grupo em questão foi criado em 2009 na cidade supracitada e possui grande visibilidade no Ceará e em estados vizinhos. Jhone Barros, o presidente da quadrilha, informou que no ano de 2019, antes desse período pandêmico que o mundo se contra, o grupo fez 24 apresentações em diversas cidades do Ceará e em estados vizinhos, como Piauí e Pernambuco. Isso entre os meses de junho e julho. Trabalho que demanda horas de viagens, alojamento diário nas cidades das apresentações, às vezes em escolas e também em outros espaços cedidos pelos organizadores dos eventos. É importante enfatizar que cada apresentação dura em torno de 1h30min. Nessa perspectiva, ao mesmo tempo em que estão dançando, a mente está trabalhando em conjunto com o corpo. Isso porque existe uma plasticidade de sinapses no nosso cérebro, rapidamente mandando informações para cada parte do corpo em movimento, seja um salto, um agachamento, batida de palmas ou qualquer outro movimento que compõem as coreografias Corroborando com esses aspectos, o esforço físico e psicológico exigido durante as apresentações das quadrilhas juninas estilizadas é variável e está ligado intrinsecamente às condições e características físicas de cada pessoa. Nesse sentido, é difícil visualizar sem uma avaliação mais detalhada, com todas as informações necessárias. Nahas (2001 apud VILARTA e GONÇALVES, 2004, p.46) dizem que as as pessoas que necessitam adequar-se a hábitos e comportamentos que contribuem para um estilo de vida saudável, devem aproveitar os mecanismos que a vida proporciona dedicar-se mais ao lazer, adotar hábitos alimentares mais saudáveis e praticar atividade física regular. Nesse sentido, supõem-se que um quadrilheiro que possui uma rotina e qualidade de vida mais saudável poderá ter resultados melhores do que um que possui hábitos contrários. Obviamente os resultados serão diferentes, porque a dedicação e trabalho feito no corpo darão o resultado desejado para o que se almeja. Quando pauta-se sobre a dança nessa manifestação cultural, automaticamente somos remetidos a exercícios físicos, afinal, estão movimentando o corpo. Para ter uma boa prática e um bom desenvolvimento na dança, assim como na quadrilha junina, o corpo deve estar bem preparado, não havendo sedentarismo, desmotivação, e sim muita resistência. As coreografias são mais elaboradas e acabam exigindo mais fisicamente dos quadrilheiros. A dança deve seguir uma constância e não possui pausas durante as apresentações, a resistência é ainda mais importante quando se intensifica a importância dela para a nota final dos jurados. É importante enfatizar que a preparação física deve ser traçada sob uma rotina com plano de treinos e exercícios, oportunizando que os quadrilheiros conheçam os limites do próprio corpo e desenvolvam habilidades físicas. Praticar exercícios com frequência e disciplina, não somente quando for dançar, é vital para um melhor desempenho. A importância da disciplina se intensifica pelo fato da resistência física ser resultante de um processo a longo prazo, é necessário muito treino e dedicação. O corpo precisa estar acostumado com esse tipo de ritmo, deste modo esses fatores são extremamente necessários para uma melhora qualitativa no que concerne a resistência e melhor desempenho na performance. Fazer entre vinte a trinta minutos de caminhada por dia ou três vezes na semana, pode melhorar significativamente o desempenho de uma pessoa que participa dessas competições. É importante destacar que antes da prática de uma atividade física é necessário alongamentos ou exercícios de aquecimento, o corpo, os músculos, as articulações, precisam ser alongados e aquecidos, evitando assim, dores e desconfortos. O que também deve ser feito antes das apresentação. Os dançarinos normalmente consomem variedades de alimentos, que vão desde os mais saudáveis, até os ricos em óleos gorduras (Gouveia, 2008; Nunes et al, 2007). Para os quadrilheiros, ter uma alimentação saudável também é indispensável para o progresso e bom desempenho. A ingestão de frutas, verduras e legumes trará eficiência e leveza maior do que alimentos gordurosos e conservados. Ter uma alimentação pré-escrita e balanceada, irá garantir boa eficiência no organismo. Beber de 2 a 3 litros de água por dia também é fundamental para o organismo e melhor desempenho, é ela quem vai hidratar e recuperar os sais minerais perdidos no corpo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo, compreendeu-se como as quadrilhas juninas evoluíram para as estilizadas/profissionais e, a partir dessas ressignificações, novos elementos foram inseridos. Nessa inserção, a dança se mostra de grande importância dentre esses elementos. A dança e a necessidade de conseguir boas notas nos festivais juninos acaba exigindo fisicamente e mentalmente dos quadrilheiros. É justamente nesse sentido que vemos como hábitos saudáveis e disciplina podem contribuir para resistência e bom desempenho durante as apresentações. Com isso, constata-se como a Educação Física pode contribuir com essa manifestação cultural, seus agentes e participantes, oferecendo possibilidades para o se alcançar o bem-estar e bons resultados enquanto participante dessa manifestação. REFERÊNCIAS CAMARGO. A dança tem história e permanece construindo sua historicidade. Resv.Cient/ FAP, Curitiba.v.7, p 153 a 160, jan/ junh. 2011. CANCLINI, Nestor García. Culturas Híbridas: Estratégias para Entrar e Sair da Modernidade. 4.ed. São Paulo: Edusp, 1997. CHIANCA, Luciana de Oliveira. Quando o campo está na cidade: migração, identidade e festa. Revista Sociedade e Cultura, v. 10, n. 1, p. 45-49, jan./jun., 2007. BENJAMIN, Roberto. Folkcomunicação na sociedade contemporânea. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore, 2004. GOUVEIA, E.L.C. Nutrição – Saúde e Comunidade. 2. Ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2008. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 7. ed. Tradução de Tomaz Garcia Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. HASS, Aline Nogueira e GARCIA, ngela. Ritmo e dança. Canoas. Ed. ULBRA, 2006. NUNES, S.M.R. et.al. Dança Folclórica e Caminhada: Um Estudo Comparativo do Gasto Calórico de Universitários. Revista Salud Públic. V.9, n.4, p. 506-515, 2007. RANGEL, Lúcia Helena Vitali. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. RODRIGUES e CORREIA. Produção acadêmica sobre dança nos periódicos nacionais de Educação Física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. Vol.27.n.1,p. 91 a 99, jun\ mar.2013. RUEDA, Carlos Velázques. Mídia: novo totem para um casamento dessacralizado. Revista de Humanidades, v. 21, n. 2, p. 132-150, jul./dez. Fortaleza, Universidade de Fortaleza - Unifor, 2006.
Palavras-chave: Quadrilhas Juninas, Dança, Bem-estar
Oral
Abrir o trabalhoREPRESENTAÇÃO SOCIAL DO CORPO NA PERCEPÇÃO DE ADOLESCENTES: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
ISABELA ALIXANDRE SOARES; Giulyanne Maria Silva Souto
REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO CORPO NA PERCEPÇÃO DE ADOLESCENTES: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA Isabela Alixandre Soares Giulyanne Maria Silva Souto 1 Apoio/Auxílio Financeiro: Não houve. INTRODUÇÃO O corpo está inserido na sociedade como uma esfera central em diversas ciências e campos de estudo, por ser concebido como a forma do existir humano e de experimentar o mundo. Para Le Breton(2009), é através do corpo que se estabelecem as relações interpessoais e com a natureza, sendo o instrumento de comunicação natural do homem. Corroborando a isto, Nóbrega nos coloca que: Em sua espacialidade própria, descontínua, o corpo disponibiliza desde componentes físico-químicos à signos que definem a condição humana e as possibilidades de comunicação, que tem conformado o interesse de diversas disciplinas científicas, filosofias e modelos de educação. (NÓBREGA, 2006 p. 65). Observa-se que o corpo tem aspectos de uma estrutura física e biológica, mas também, que é constituída de aspectos sociais, culturais e psicológicos que expressam elementos da sociedade da qual faz parte. As discussões sobre o corpo transcorrem desde o nascimento, fazendo com que seu desenvolvimento ocorra por meio das experiências individuais e interpessoais que ocorrem durante toda a vida (TOMAZ et al., 2020). Especificamente na fase da adolescência, é notório que a percepção do corpo se evidencia, visto que nesse momento da vida do indivíduo o corpo está em constantes transformações (TONI et al., 2012). Como a representação social é uma forma de conhecimento do mundo, e advinda da interação social, é a partir do agrupamento dos significados que permitem dar sentido a fatos novos ou desconhecidos. Assim, o corpo mostra-se um objeto primordial para se estudar a interação dos processos individuais e coletivos na formação das representações por ser mediado pelas relações sociais (CAMARGO; JUSTO; JODELET, 2010). A importância do estudo do corpo através das representações sociais também é evidenciada por Jodelet (1984) apud Goetz et al (2008), quando o mesmo apresenta o reconhecimento das formas coletivas de enxergar, entender e viver o corpo, disseminando modelos de convicções e condutas relacionados a ele, além disso, o autor ainda afirma que “a imagem externa do corpo aparece como um mediador do lugar social onde o indivíduo está inserido.”, fazendo com que tais aspectos sejam reflexo das interações do indivíduo com o ambiente que o cerca e apresentem implicações na relação entre o ser biológico e os papeis sociais. A pesquisa acerca das representações sociais do corpo mostra-se pertinente tendo em vista a importância que o mesmo adquire na sociedade com a difusão de modelos ideais e de práticas corporais diversas. Compreende-se assim, a importância do estudo do corpo para os adolescentes através do uso das representações sociais, visto que os mesmos estão em processo de descobrimento e conhecimento do próprio corpo. Assim, o presente trabalho tem o objetivo de identificar pesquisas relacionadas a representação social do corpo de adolescentes, apresentados em bases de dados virtuais por meio de uma revisão sistemática. MATERIAIS E MÉTODOS Esta pesquisa se caracteriza como uma revisão sistemática, e nessa perspectiva, realizou-se um levantamento sobre estudos relacionados a representação social do corpo para adolescentes em bancos de dados virtuais, utilizando os descritores: “representação social AND corpo”, “representação social do corpo AND adolescentes”, e “representação social do corpo AND adolescência”. As pesquisas foram realizadas pelo portal BVS (Banco Virtual em Saúde), e através do Portal de Periódicos da Capes. Com base nos resultados apontados a partir dos descritores, os estudos foram selecionados inicialmente pelos seguintes critérios: Disponibilização de texto completo; Idioma – português; Publicação no período compreendido entre os anos de 2010 a 2020. Posteriormente foram analisados por meio da leitura dos títulos, resumos e metodologia com o intuito de identificar as pesquisas que tinham o objetivo de estudar a representação social do corpo para adolescentes. Os critérios de exclusão dos estudos foram estudos que fossem duplicados, estudos que já fossem revisão e estudos que não realizados no Brasil. RESULTADOS E DISCUSSÃO Inicialmente, o levantamento de dados apontou uma carência de estudos relacionados ao tema. Nesse contexto, o resultado das buscas no portal BVS (Banco Virtual em Saúde) e Portal de Periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) demonstraram um total de cinco estudos que atendem aos critérios de inclusão e exclusão propostos. Destaca-se no Quadro 1, abaixo, o fato destes estudos terem sido publicados em diferentes periódicos ou meios e os locais de realização dos estudos. O fato da ausência de estudos na região Norte, Sul e Centro-Oeste chama a atenção para a necessidade de explorar esta temática nestes locais. Além disso, observou-se que mais 55% dos estudos foram realizados na região Sudeste do Brasil, e pouco mais de 10% dos estudos foram realizados na região Nordeste. Quadro 1- Descrição dos estudos encontrados quanto ao título, periódico ou meio de publicação e local de realização do estudo. Autor e ano Título Periódico/ Meio de publicação Local de realização do estudo Maria Aparecida Conti; Maria Natacha Toral Bertolini; Stela Verzinhasse Peres 2010 A mídia e o corpo: o que o jovem tem a dizer Ciência & Saúde Coletiva São Paulo – SP Sudeste Patrícia Déa Braga; Maria del Carmen Bisi Miolina; Túlio Alberto Martins de Figueiredo 2010 Representações do corpo: com a palavra um grupo de adolescentes de classes populares Ciência & Saúde Coletiva Vitória – ES Sudeste Dessiane Zanardi Pereira 2011 A representação social de um corpo magro por adolescentes obesas Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública São Paulo – SP Sudeste Michelle Delboni dos Passos et al 2013 Representações sociais do corpo: um estudo com adolescentes do município do Rio de Janeiro Brasil Cadernos de Saúde Pública Rio de Janeiro- RJ Sudeste Isabela Bezerra Ribeiro 2018 Alice através do espelho: representações sociais e corpo entre adolescentes Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Filosofia e Ciências Humanas Juazeiro do Norte- CE Nordeste Fonte: Elaborada pelo autor. Num terceiro momento os estudos foram descritos no Quadro 2, por meio de seus aspectos gerais (autor, ano, objetivo e tipologia). Observou-se que estes foram publicados nos anos de 2010 (2), 2011 (1), 2013 (1), e 2018 (1) e possuem objetivos referentes ao conhecimento das representações sociais do corpo e aspectos relacionados. Estes estudos apresentados no Quadro 2 abaixo, objetivam ainda conhecer os diferentes instrumentos de pesquisa utilizados nos estudos. Quadro 2- Descrição dos aspectos gerais (autor, ano, objetivo e tipologia) dos estudos selecionados Autor e ano Objetivo Tipo de estudo Instrumento da Pesquisa Maria Aparecida Conti; Maria Natacha Toral Bertolini; Stela Verzinhasse Peres 2010 Verificar a percepção do jovem quanto à relação entre a mídia, especialmente o acesso à televisão e revistas e o corpo do adolescente, embasada no conceito das representações sociais. Transversal. Entrevista semiestruturada, caracterizada como entrevistas episódicas, que combina em sua estrutura convites para narrar acontecimentos da vida pessoal. Patrícia Déa Braga; Maria del Carmen Bisi Miolina; Túlio Alberto Martins de Figueiredo 2010 Conhecer e analisar as representações sociais de corpo de adolescentes trabalhadores vinculados ao Centro Salesiano do Menor, em Vitória (ES). Estudo Qualitativo. Foi utilizada a entrevista não-estruturada, sendo gravada com permissão dos participantes e de seus pais. Dessiane Zanardi Pereira 2011 Investigar a representação social de um corpo magro para adolescentes obesas. Pesquisa exploratória de corte quali- quantitativo. Entrevista semiestruturada de caráter qualitativo. Michelle Delboni dos Passos et al 2013 Conhecer as representações sociais sobre o corpo entre estudantes do nono ano do ensino fundamental das redes privada e municipal do Rio de Janeiro, Brasil. Grupo focal. Dinâmica de evocação de palavras que vinham à cabeça quando ouviam a palavra "corpo". Isabela Bezerra Ribeiro 2018 Analisar a dimensão atitudinal das representações sociais referentes a estética corporal de adolescentes do município de Juazeiro do Norte, Ceará. Pesquisa de Campo com abordagem qualitativa de natureza exploratória. Entrevista com questões abertas. Fonte: Elaborada pelo autor. Sobre os dados apresentados, observou-se os instrumentos utilizados pelos 5 estudos com o intuito de conhecê-los, e destes, 3 estudos utilizaram entrevista semiestruturada, 1 utilizou uma entrevista com questões abertas e somente 1 estudo fez a utilização da evocação livre de palavras. A partir daí pode-se observar que não houve muita diversidade nos instrumentos utilizados para analisar ou conhecer a representação social do corpo para os adolescentes, e que o uso da entrevista foi utilizado unanimemente na maioria dos estudos. Para Silva et al. (2006), a entrevista é um instrumento valioso nas pesquisas científicas e para as diversas áreas do conhecimento, pois facilita na compreensão de diversos fenômenos, elementos de construção e identificação social. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os estudos analisados apontam inicialmente, a carência de dados que buscam analisar as representações sociais do corpo para adolescentes. Ademais, geograficamente, estes estudos se limitam a algumas regiões e poucas cidades do território brasileiro expondo a insuficiência acerca desta temática. Podemos evidenciar que a teoria das representações sociais é fundamental para a compreensão do corpo, pois o mesmo é resultado de uma construção que envolve as percepções e representações individuais e coletivas que podem ser compartilhadas socialmente, e as representações sociais conduzem um novo olhar a estes aspectos, salientando elementos imprescindíveis na compreensão das construções sociais. Considera-se ainda, a necessidade do desenvolvimento de novos estudos da área que possam abranger outras localidades, bem como pesquisas capazes de propor novos instrumentos diante da complexidade da avaliação da representação social do corpo. REFERÊNCIAS CAMARGO, Brigido Vizeu; JUSTO, Ana Maria; JODELET, Denise. Normas, Representações sociais e práticas corporais. Interamerican Journal of Psychology, v. 44, n. 3, p. 449-457, 2010. GOETZ, Everley Rosane et al. Representação social do corpo na mídia impressa. Psicologia & Sociedade, v. 20, n. 2, p. 226-236, 2008. LE BRETON, David. A Sociologia do corpo. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. NÓBREGA. Terezinha Petrucia da. Corpo e Epistemologia. In NÓBREGA. T. P. (ORG.) Epistemologia, saberes e práticas da Educação Física. João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, p. 59-74. 2006. SILVA, Grazielle Roberta Freitas et al. Entrevista como técnica de pesquisa qualitativa. Online Brazilian Journal of Nursing, v. 5, n. 2, p. 246-257, 2006. TOMAZ, Rafael Cândido et al. Corpo Padrão: Um Estudo sobre as Concepções do Corpo Feminino Exposto pela Mídia. Revista Latino-Americana de Psicologia Corporal, v. 1, n. 9, p. 120-145, 2020. TONI, Vanderlei. et al. Insatisfação com a imagem corporal em adolescentes de escolas públicas de Caxias do Sul–RS. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, São Caetano do Sul, v. 16, n. 2, p. 187-194, 2012.
Resumo Expandido
Abrir o trabalho“AULA É AULA, LAZER É LAZER”: Repensando o cotidiano escolar
KARINE DO ROCIO VIEIRA DOS SANTOS; Simone Aparecida Rechia
A reflexão aqui tecida procurou atuar no sentido de repensar vivências cotidianas que se efetivam na escola. Para os estudantes talvez essas vivências não sejam lidas apenas na condição de trabalho e obrigação, mas também podem ser vivenciadas como formas subversivas e resistentes de lazer. Ao olhar pela perspectiva discente somos convidados a perceber o ângulo das táticas, dos usos cotidianos, no qual as brechas existentes ou, até mesmo cunhadas, integram um espaço pelo qual se pode “inventar o possível, ocupar um espaço de movimentação onde possa surgir uma liberdade” (CERTEAU, 2014, p.14).
Palavras-chave: escola, lazer, educação, cotidiano escolar
Oral
Abrir o trabalho