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A CRIATIVIDADE EM GEOGRAFIA FRENTE À ESPETACULARIZAÇÃO DO ESPAÇO
ANAEL RIBEIRO SOARES
A CRIATIVIDADE EM GEOGRAFIA FRENTE À ESPETACULARIZAÇÃO DO ESPAÇO Anael Ribeiro Soares Resumo: Propõe-se como objeto de reflexão nesse texto lançar alguns apontamentos teóricos-epistemológicos acerca do desenvolvimento e exercício da criatividade no contexto da cidade espetacularizada, submetida ao poder espetacular que tende a substituir as experiências por representações, impactando, direto ou indiretamente, no potencial criativo dos estudantes. Desse modo, a partir de autores da teoria crítica, especialmente Guy Debord, promove-se uma reflexão em torno da interface experiência urbana, criatividade e educação na sociedade do espetáculo. Palavras-chave: Experiência urbana, criatividade, sociedade do espetáculo. 1. Introdução O presente texto tem um caráter teórico e ensaístico, mas ao mesmo tempo encontra-se lastreado pelas experiências pedagógicas do professor-pesquisador que assume sua autoria, como também pelas contribuições teóricas e metodológicas de pesquisadores que se debruçam sobre a temática geografia, criatividade e educação. Busca-se refletir sobre a relação entre o potencial criativo dos estudantes, o contexto cotidiano no qual estão inseridos e a educação geográfica, sinalizando assim para alguns apontamentos a partir dos quais podemos exercitar reflexões importantes. Não se trata pois, como tem prevalecido nos estudos nesse campo, de uma contribuição em torno de processos criativos no processo de ensino aprendizagem através de metodologias avaliativas e de ensino, mas sim de uma reflexão de natureza teórica e epistemológica em torno da seguinte problemática: se o potencial criativo dos estudantes é tributário dos referencias e do conhecimento sociocultural forjado na experiência cotidiana com a cidade, uma vez que esta tem um potencial educativo expresso nas dimensões epistemológicas do aprender na cidade e aprender da cidade (BERNET, 1997), quais elementos que caracterizam a experiência urbana contemporânea na cidade espetacularizada? 2. Objetivo Tendo em que vista que o cotidiano é lócus de todo e qualquer processo criativo que ganha materialidade numa obra, se debruçar sobre as experiências urbanas cotidianas dos estudantes nos lugares em que vivem pode lançar luz sobre um contexto espaço-temporal que pode estar condicionando à alienação espacial e, consequentemente, interferindo na sensibilidade e no potencial criativo dos estudantes. 3. Metodologia Através de revisão bibliográfica, associada as experiências e resultados de estudos desenvolvidos pelo autor e pesquisadores do tema, buscamos lançar alguns apontamentos acerca das implicações da experiência urbana cotidiana na cidade espetacularizada no que tange ao exercício da criatividade nas aulas de geografia. Em vez contribuir com os resultados práticas de ensino que se valem da criatividade, o texto se propõe a ir mais a montante no sentido que compreender a fonte, o nascedouro, dos processos criativos e sua relação como espaço urbano a partir de pressupostos teóricos do campo da teoria crítica. 4. Resultados Para Ostrower (2010) criatividade pode ser definida como a capacidade de resolver situações-problemas para as quais não se tem obtêm soluções convencionais, sendo necessário recorrer a inovação e a originalidade através da imaginação, de associações, insights, à luz de um processo criativo. Essa habilidade é tributária do contexto sociocultural, de modo que é importante refletirmos sobre o atual contexto no qual nossos estudantes estão imersos. O espetáculo submete à vida cotidiana a dominação do capital por meio da forma-mercadoria, acentuadamente fetichizada a partir do consumismo, inclusive do consumo dos lugares e das imagens em si mesmas, de modo que se opera a transição do ter para o parecer (DEBORD, 1997). Assim, mais do que a realização a partir da mercadoria na ótica do consumidor, tão importante quanto é a aparência do poder ter. “O consumismo derivado daí leva a uma ‘sobrevivência ampliada’, produzindo também a produção de pseudonecessidades para garantir esse processo de expansão da produção e do consumo.” (MEDEIROS, 2010, p.97) É através dessas pseudonecessidades criadas a partir, por exemplo, das propagandas e do marketing graças às imagens espetaculares, entre outras estratégias, que se dá a reprodução ampliada do capital atualmente. A atualidade da Sociedade do Espetáculo, obra seminal de Guy Debord (1997), reside na ideia de que o poder espetacular conduz os sujeitos à passividade de meros consumidores e espectadores, uma vez que a divisão do trabalho inerente à sociedade capitalista, a qual define a separação entre proprietários e não proprietários, trabalho intelectual e manual, favorece sobremaneira a dominação classista. Nesse sentido, argumenta Debord (2012) que a alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. (DEBORD, 2012, p.24) O processo pelo o qual a alienação se amplia a partir do consumo remonta o contexto posterior à segunda guerra, quando a moda, os novos meios de comunicação, a colonização do tempo livre pelo capital, a racionalidade tecnológica criaram um mundo cujos momentos da vida social acabam sendo subsumidos à lógica da mercadoria. A partir daí, o consumo torna-se vetor essencial para o regular o excedente, favorecendo a reprodução ampliada. Lefebvre (2000) antevê a emergência dessa sociedade fundamentada no consumo nesse mesmo contexto histórico. Para esse autor marxista, a sociedade do consumo produziu um cotidiano programado cujos ritmos e momentos da vida humana passaram a ser mediados pela lógica do capital, sujeitando o trabalhador a um homo economicus movido por pseudonecessidades. Se considerarmos que nossos jovens educandos nasceram e se desenvolvem novo contexto, inclusive diante de dispositivos digitais por meio dos quais o capital se retroalimenta nas imagens dominantes que potencializam o consumo, se faz necessário problematizar qual foi o impacto disso no ambiente escolar e no exercício da criatividade em sala, um esforço que foi empreendido, em certa medida, por Sibilia (2012), muito embora a criatividade não seja o foco do estudo desenvolvido, mas suas contribuições nos permite, no mínimo, levantar algumas hipóteses sobre isso. Essa autora interpreta a escola coma uma instituição em crise, em descompasso com o contexto contemporâneo em que as crianças e jovens se desenvolvem desde a tenra infância ante a influência dos meios de comunicação de massa, das redes sociais e da própria internet, sendo incorporadas como alvos e nichos de mercadorias e propagandas pelas quais se tem garantido a reprodução ampliada do capital. Nas palavras dessa autora, esse descompasso se dá porque (...) justamente essas crianças e adolescentes, que nasceram ou cresceram no novo ambiente, têm de se submeter todos os dias ao contato mais ou menos violento com os envelhecidos rigores escolares. Tais rigores alimentam as engrenagens oxidadas dessa instituição de confinamento fundada há vários séculos e que, mais ou menos fiel a sua tradições, continua a funcionar com o instrumental analógico do giz e do quadro-negro, dos regulamentos e boletins, dos horários fixos e das carteiras alinhadas, dos uniformes, da prova escrita e da lição oral. (SIBILIA, 2012, p.51) Por isso, há tempos, se tem ouvido tanto dos educandos que cotidiano escolar não os mobiliza a criar, pelo contrário, implica em tédio e monotonia. Os educadores, por sua vez, reclamam da dispersão dos educandos em sala de aula. Considerando que “(...) no plano do cotidiano o espetáculo remete ao sequestro da vida, impondo a esta uma paralisia asfixiante, tornando-a inerte, fazendo esvair-se sua capacidade de ação” (GONÇALVEZ, 2015, p.36), o corolário disso, tanto para autores como Lefebvre (1991), como também para Debord (2012) e Damiani (2012), é que estamos diante de um empobrecimento da experiência vivida cotidiana na medida em que as imagens espetaculares e a lógica mercadológica contida nelas ocupam os momentos de sociabilidade, mediam os encontros, esvaziam os sentidos da festa, reforçando o caráter contemplativo do capitalismo. Com repertório cultural limitado em virtude da homogeneidade que se impõe no cotidiano através do espetáculo, mesmo quando estimulados, não é raro os alunos apresentaram resistência em criar, em representar um tema geográfico e, apesar do caráter cíclico, preferem a zona de conforto do tradicionalismo. Para além do contexto escolar, o espaço urbano submetido à lógica espetacular inibe a apropriação, as práticas socioespaciais de caráter lúdico, as atividades culturais e festivas, à medida que se torna funcional ao ser dominado pelos agentes econômicos hegemônicos que atuam na produção e reprodução do espaço. Assim, como argumenta Gonçalvez (2016, p.23), a cidade para ser vista, exposta, já não pode mais ser apropriada. Em outras palavras, o valor de troca se sobrepõe ao valor de uso produzindo um espaço urbano em que a aceleração limita a experiência socioespacial, em que as imagens dos outdoors, dos painéis digitais, a exposição de mercadorias em vitrines se impõe ao olhar, convertendo os sujeitos\estudantes em meros transeuntes e espectadores. 5. Conclusão Diante da necessidade de criação de representações que possam comunicar uma temática geográfica na dinâmica da construção do conhecimento, observa-se por vezes na esteira dos processos criativos a falta de originalidade, a escassez de repertório sociocultural, o empobrecimento de vivências espaciais, acriticidade, a dificuldade de comunicação através das diversas linguagens (verbal, escrita, imagética). Essas dificuldades podem sinalizar para uma realidade extraescolar que merece ser objeto de análise, especialmente do ponto de vista da vida cotidiana nos lugares onde os estudantes socializam, pois o espaço não só reflexo das relações sociais, também intervém sobre estas (Lefebvre, 2000), intervindo no limite, inclusive, sobre o potencial criativo dos estudantes. Ribeiro (2014) tem desenvolvido nos últimos anos uma metologia no ensino de Geografia que combina arte e criatividade, estimulando a criação de obras com temáticas geográficas de forma crítica . Durante o processo criativo cujo ponto de partida é a pesquisa culminando na montagem e apresentação das obras expostas ao público, dentro ou fora da escola, parte significativa dos estudantes não conseguem avançar no sentido de comunicar simbolicamente de maneira crítica e criativa uma problemática de natureza geográfica. Esses estudantes não podem ser ignorados, tampouco suas dificuldades apresentadas, até mesmo porque há uma tendência de um número maior de estudantes que apresentam dificuldades com processos criativos, visto que a pandemia da Covid 19, devido as medidas sanitárias aplicadas, implicou numa privação dos espaços de sociabilidade, afetando, portanto, o repertório sociocultural acumulado no vivido. Se a cidade, ela própria, é um agente educativo, na medida em que projeta ou não espaços de sociabilidade e apreensão da cultura e da arte, cabe então problematizar a experiência urbana contemporânea em face de um processo de espetacularização das cidades e suas implicações quanto o potencial criativo dos estudantes no contexto da educação geográfica. Foi esse esforço que intentamos empreender aqui. 6. Referências BERNET, Jaume Trilla. Ciudades educadoras: bases canceptuales. In: ZAIKO, Maria A. S (Org). Cidades educadoras. Curitiba: Ed. UFPR, 1997, p. 13-34. DAMIANI, Luisa, Damiani. Introdução a elementos da obra de Henri Lefebvre e a geografia. Revista do Departamento de Geografia, São Paulo, v. esp., p. 254-283, 2012. DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997. GONÇALVES, Glauco, Roberto. A produção espetacular do espetáculo: as cidades como cenário na Copa de 2014. Tese (Doutorado em Geografia Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. MEDEIROS, Caciane Souza de. Sociedade da Imagem: A (re)produção de sentidos da mídia do espetáculo. Santa Maria: UFSM. Tese de Doutorado em Letras – Universidade Federal de Santa Maria, UFSM/PPGL. 2010. LEFEBVRE, Henri. A vida cotidiana no mundo moderno. São Paulo: Ática, 1991., LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de l’espace. 4e éd. Paris: Éditions Anthropos, 2000). OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 25 ed. Editora Vozes.. RJ. 187p. 2010. RIBEIRO. Emerson. Processos criativos em Geografia: metodologia e avaliação para a sala de aula em instalações geográficas. 2014. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. SIBILIA, Paula. Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.
GEOZINE: POSSIBILIDADES DE ENSINO DE GEOGRAFIA, NO 7° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL, NA ESCOLA DOM QUINTINO EM CRATO-CE
KÉSIA GOMES DOS ANJOS FEITOSA
GEOZINE: POSSIBILIDADES DE ENSINO DE GEOGRAFIA, NO 7° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL, NA ESCOLA DOM QUINTINO EM CRATO-CE Késia Gomes Dos Anjos Feitosa1 Antônio Marcos Gomes da Silva2 1. Introdução Este trabalho visa relatar as vivências ocorridas durante a prática do Estágio Supervisionado II, com enfoque na metodologia Geozine, aplicada na turma do 7° ano C da Escola de Ensino Fundamental Dom Quintino em Crato – CE. A ideia surgiu da necessidade de encontrar uma maneira lúdica para ensinar o tema: Regiões do Brasil, na referida turma. A principal razão que nos motivou a realizar tal prática encontra-se no fato de que os estudantes do Ensino Fundamental II possuem certa dificuldade em compreender os conteúdos programáticos da disciplina. Isto ocorre porque, na maioria das vezes, os alunos nesta faixa etária enxergam o espaço geográfico a partir de uma escala grande, o que significa dizer que eles conhecem muito bem o ambiente onde vivem, o bairro, a praça, a casa onde moram. No entanto, ainda não dispõem de uma noção mais ampla em escala nacional, por exemplo, ou seja, uma dimensão escalar pequena. Desse contexto de escolarização, no sentido dos objetos de conhecimentos geográficos na escola é que é preciso ter a clareza que “No ensino de Geografia, os objetos do conhecimento são os saberes escolares referentes ao espaço geográfico. São resultados da cultura geográfica elaborada cientificamente pela humanidade e considerada relevante para a formação do aluno.” (Cavalcanti, 2012, p.44-45). Nesse contexto, é salutar que ao abordar determinados assuntos, seja levado em consideração as formas pelas quais, os estudantes melhor assimilem e compreendam os assuntos trazidos à sala de aula, observa-se, assim, a relevância de trabalhar a materialização dos assuntos abordados pelos professores e, os mesmos estudados pelos alunos, ou seja, considerar que “Um ponto de partida relevante para se refletir sobre a construção de conhecimentos geográficos, na escola, parece ser o papel e a importância da Geografia para a vida dos alunos” (Cavalcanti, 2013, p.11). Assim, nos parece que, na realidade escolar, as ações de ensino, em certa medida, podem articular-se metodologicamente com aquilo que seja importante na vida dos estudantes. Através da mediação didática do professor, os alunos podem empregar sua criatividade para expressar, no papel, o que entendem pelo conteúdo, no caso, sobre as regiões do Brasil, utilizando recortes, desenhos, bricolagens diversas etc. Assim, Geozine pode ser definido como um procedimento metodológico que se ancora nas artes – fotografia, cinema, pintura, colagem – e, dessa maneira, os estudantes podem intercalar o conhecimento geográfico com os saberes do seu cotidiano, como salienta Silva (2021). Além disso, é importante destacar que tal experiência somente foi possível por meio do Estágio Supervisionado, uma vez que na formação de professores, o estágio proporciona para os estudantes dos cursos de licenciaturas a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na universidade e, na medida do possível, refletir sobre tais práticas, fortalecendo o entendimento que toda prática exige reflexão, quando se trata de uma formação ampla e sólida. Deste modo, os licenciandos conseguem, ainda durante o curso, conhecer e interferir na realidade escolar ao manusear recursos didáticos, linguagens e lançar mão de determinadas estratégias didáticas em cada contexto escolar e de sala de aula. Ao longo do curso, por exemplo, os professores em formação, têm contato com as mais variadas disciplinas curriculares e, com diferentes metodologias de ensino apreendidas no curso e, em algum momento, são estimulados a pensar a sua ação no espaço escolar de modo contextualizado. Nesta dimensão, Lana de Souza Cavalcanti (2012, p.45), o ensino de conteúdos escolares devem ser pautados a partir da realidade cultural dos alunos, uma vez que: “Na escola, portanto, o ensino das diferentes matérias escolares, a metodologia e os procedimentos devem ser pensados em razão da cultura dos alunos, da cultura escolar, do saber sistematizado e em razão, ainda, da cultura da escola.” Para Pimenta e Lima (2010, p.41), isso significa que a ação docente visa intervir na realidade social, isto é: De acordo com o conceito de ação docente, a profissão do educador é uma prática social. Como tantas outras, é uma forma de se intervir na realidade social, no caso por meio da educação que ocorre não só, mas essencialmente, nas instituições de ensino. Isso porque a atividade docente é ao mesmo tempo prática e ação. Nesta perspectiva, pode-se considerar o Estágio Supervisionado como um espaço de pesquisa onde os licenciandos se deparam com a ocasião oportuna de colocar em prática as noções metodológicas apreendidas no curso, como é o caso da linguagem artística. Seria esta, uma tentativa de despertar o interesse dos alunos no conteúdo curricular, encorajando-os a expressar o seu entendimento sobre o espaço geográfico através dos elementos do seu cotidiano que, naturalmente, eles incluem na revista seja por meio de desenhos, colagens, poemas, ou diante de outras expressões comunicativas atribuídas de significado. Assim, é possível observar que com essa metodologia os alunos passam a interagir melhor em relação aos conteúdos escolares de Geografia e, consequentemente, agem com mais criticidade na realidade escolar. 2. Objetivo Compreender as aprendizagens dos conteúdos de Geografia, por meio da metodologia geozine em uma turma do 7° ano, durante a realização do Estágio Supervisionado II, na Escola Dom Quintino em Crato-CE. 3. Metodologia Seguindo uma abordagem qualitativa, a pesquisa se efetivou institucionalmente na Escola Dom Quintino em Crato-CE, com olhar instrucional pedagógico aos saberes de Geografia do 7º ano, considerando as múltiplas realidades culturais dos estudantes. Nesse contexto, propusemos uma intervenção, a partir da metodologia geozine, com base em Silva (2018; 2021) em sala de aula, obedecendo as seguintes etapas: a) levantamento bibliográfico com o intuito de reunir informações acerca da metodologia geozine, como também, sobre a disciplina curricular de Estágio Supervisionado, considerando que o uso da metodologia deu-se quando cursei essa disciplina no curso de formação de professores em Geografia da URCA; b) identificação das necessidades dos alunos, buscando a melhor estratégia para utilização da metodologia; c) efetivação e intervenção pedagógica com a metodologia geozine, através dos conteúdos geográficos propostos no 7º ano, na Escola Dom Quintino; e, d) verificação da aprendizagem geográfica, a partir da análise dos geozines produzidos pelos estudantes.A última etapa constituiu-se na verificação da aprendizagem, através da análise dos resultados obtidos, examinando as revistas produzidas pelos alunos e percebendo a melhor apreensão do tema pelos próprios estudantes. 4. Resultados Diante do procedimento metodológico de revisão bibliográfica, o geozine, na visão de Silva (2021), na realidade do processo de ensino geográfico, se constitui como procedimento metodológico, portanto, se caracteriza como metodologia de ensino. Já em outras fontes, que se baseiam em Silva (2018), geozine é considerada como “[...] uma metalinguagem, na medida em que se organiza no trânsito entre diferentes expressões, sem que haja redução entre elas” (Viana; Dantas, 2021, p. 2). Nesse contexto, destaca-se ainda a relevância de utilizar esta metalinguagem para que os alunos sejam capazes de relacionar símbolos que eles conhecem com o conteúdo proposto pelo professor, utilizando esses elementos para explicar o próprio conteúdo que se materializa em forma de revista. De acordo com Silva (2021, p. 123), a materialização desses elementos contribui para o desenvolvimento das noções espaciais dos estudantes, ou seja: O professor, no seu fazer, imbuído dos saberes de Geografia e do campo da pedagogia, notadamente do campo da didática ao selecionar os conteúdos a serem ensinados, com foco na apreensão das espacialidades geográficas, que são múltiplas, os materializam com elementos diversos e contribui para o desenvolvimento do raciocínio espacial. Neste sentido, na escola Dom Quintino, percebemos práticas e ações metodológicas na área de Geografia que consideram, minimamente a realidade vivenciada pelos estudantes, no entanto, percebemos que quanto mais há, no contexto de ensino, práticas que estimulem o pensamento espacial, objeto geográfico, mais os estudantes tendem a participar e se envolverem, aproximando-se da máxima freiriana que: “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” (Freire, 2017, p.24) A partir das leituras realizadas, podemos compreender que o estágio pode ser considerado também como uma forma de pesquisa, tendo em vista as oportunidades pertinentes para que o estagiário possa entender o contexto escolar e, possivelmente, intervir na realidade encontrada na sala de aula. Como evidencia (Pimenta; Lima, 2010, p. 46), “[...] a pesquisa no estágio é uma estratégia, um método, uma possibilidade de formação do estagiário como futuro professor”, e, portanto, se configura como um ambiente propício para a compreensão do contexto escolar e consequente desenvolvimento de metodologias de ensino com o intuito de transformar a realidade. Após a assimilação do contexto educacional da turma em questão, constatou- se que os alunos apresentavam dificuldade na compreensão do conteúdo proposto, nesse caso as Regiões do Brasil, levando em conta sua dimensão escalar pequena, como mencionado. A temática foi trabalhada por meio de aulas expositivas e utilizando também recursos audiovisuais como vídeos explicativos. Notou-se, então, que os estudantesentendiam o conteúdo explicado, porém, não conseguiam compreender ou assimilar com a realidade. Nesse contexto, percebeu-se a necessidade de trabalhar o assunto de uma maneira mais lúdica, na qual os estudantes pudessem utilizar símbolos do cotidiano para materializar sua interpretação acerca do tema, através de desenhos e colagens. Diante disso, os resultados mostraram que os alunos da turma do 7° ano revelaram maior interesse em compreender o conteúdo sobre Regiões do Brasil, a partir da confecção dos geozines. Constatou-se que a metodologia utilizada resultou em avanços positivos em relação ao entendimento dos estudantes acerca do tema. Eles demonstraram, desde o início, altas expectativas para realizar a feitura dos geozines e, consequentemente, voltaram uma maior atenção para o conteúdo, compreendendo que o território brasileiro possui uma vasta diversidade natural e cultural. Ademais, foi constatada uma maior participação dos alunos no decorrer das aulas nas quais foi desenvolvida a metodologia. Isto porque, nas aulas ministradas, foi possível verificar que os estudantes pouco participavam das atividades desenvolvidas e, este cenário mudou expressivamente através do uso da metodologia geozine, principalmente, porque ao usar essa metodologia, o professor possibilita que o aluno exerça a pesquisa, superando um dos desafios postos que é educar pela pesquisa. Os estudantes ao fazerem os recortes para colarem numa revista, em si, já estão pesquisando. Para Silva (2012, p.225) A pesquisa como princípio científico e educativo na formação e na prática do professor de Geografia, respectivamente, se faz necessária a partir do momento em que se compreende que um dos motivos que geram o desinteresse dos alunos nos diferentes níveis de ensino é a ausência significativas em sala de aula que agucem a curiosidade e a criatividade intelectual dos educandos. Sendo assim, concluímos que o trabalho contribuiu para incentivar a participação dos alunos na aula, até mesmo, os mais introvertidos da turma demonstraram autoconfiança, compartilhando sua experiência com os colegas. Desta feita, com base nessa metodologia, os alunos começaram a fazer Geografia. Começaram a entender que Geografia, como diz Nestor André Kaercher (2014, p.46) “Nossa existência tem um caráter geográfico/espacial intrínseco. Não refletir sobre os aspectos espaciais da existência do ser humano é deixar uma faceta primordial de nossas vidas no escuro! Um desperdício!” Neste sentido, de humanidade e de se humanizar, na prática educativa, consideramos que a metodologia geozine permitiu ainda identificar habilidades artísticas que os estudantes possuíam, por exemplo, o desenho. A criatividade foi exposta, também, nas colagens feitas por alguns dos alunos que optaram por utilizar mapas que representavam a região escolhida por eles. Assim, Não há outro caminho senão o da prática de uma pedagogia humanizadora, em que a liderança revolucionária, em lugar de se sobrepor aos oprimidos e continuar mantendo-os como quase “coisas”, com eles estabelece uma relação dialógica permanente. (Freire, 2017, p.77)Dessa forma, eles se dedicaram ao aprendizado dos aspectos, principalmente, físicos e culturais das regiões do Brasil para buscar os elementos que representassem tais aspectos e, em seguida, fazer o recorte. 5. Conclusão Diante dos resultados obtidos, conclui-se que o emprego da metodologia de ensino geozine na turma do 7° ano da Escola Dom Quintino alcançou o objetivo esperado, por possibilitar aos alunos o desenvolvimento do pensamento geográfico e apreensão do conteúdo programático da disciplina de Geografia. Mediante à análise das revistas produzidas pelos estudantes, foi possível entender que o uso de metodologias amparadas nas linguagens no ensino de Geografia possui grande relevância no processo de aprendizagem dos conceitos geográficos. Assim, por meio dos processos metodológicos explicitados, bem como da análise do contexto escolar, foi possível perceber que os alunos compreenderam o essencial do conteúdo proposto pois, a partir da pesquisa e seleção dos elementos que resultaram nos trabalhos manuais, eles captaram os principais aspectos que distinguem as regiões do Brasil, tais como as características sociais, culturais e naturais. 6. Agradecimentos À Escola Dom Quintino, ao professor supervisor Marcos Allan Gonçalves de Araújo, ao orientador Antônio Marcos Gomes da Silva, por seu apoio na construção deste trabalho.Agradecemos à Universidade Regional do Cariri - URCA, ao Laboratório de Ensino em Geografia-LEG.
A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE RESISTÊNCIA DO MOVIMENTO dos trabalhadores rurais SEM TERRA - MST
MARIA ALYNE ALVES DE SOUZA; Carlos Augusto Barros da Silva; Geneva Helena de Menezes Santos
1.Introdução O MST, é um movimento social e político que tem em sua essência a herança de diversas lutas. Dentre tantas pode-se citar a Guerra do Contestado; Canudos; as Ligas Camponesas; Caldeirão, além da importante influência do Movimento dos Agricultores Sem Terra (MASTER), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) (Fernandes, 2000). Sendo fruto histórico de resistência do campesinato brasileiro (Fernandes, 2000), o MST dar continuidade ao processo de luta por uma sociedade mais justa e pela conquista da Reforma Agrária no país. Ele surge no final da década de 70 (ainda durante a ditadura militar) e se consolida na década seguinte. Para Caldart (2012, p. 37), os sem-terra passam, assim, a ser sujeitos sociais se constituindo como uma coletividade que traz para si a luta garantindo sua própria existência social como trabalhadores da terra. É a partir da ocupação que o governo é pressionado para que haja a desapropriação da terra, sendo esta destinada à reforma agrária popular. É importante salientar que a ocupação não é uma criação do MST, como afirma Caldart (2012), ela é tão antiga quanto a existência de camponeses sem-terra na história. Assim, ao longo dos anos ocorreram diversas ocupações, assim como importantes eventos que contribuíram para formação e consolidação do MST, entre eles pode-se citar, o 1° Encontro Nacional que ocorreu no Paraná em 1984, em Cascavel, nele decidem fundar um movimento camponês nacional, o MST, para lutar pela terra, pela reforma agrária e por mudanças sociais no país. Em 1990, foi realizado em Brasília o 2º Congresso Nacional do MST, onde foi criado o lema “Ocupar, Resistir, Produzir”. Em 1995, também em Brasília, ocorreu 3° Congresso Nacional do MST, e nele foi definida a palavra de ordem: “Reforma Agrária, uma luta de todos”. Assim como o Movimento Sem Terra reivindicava por seus direitos, muitos artistas também reivindicavam pelas melhorias sociais a partir de sua arte, entre elas, a música, que já trazia em suas letras o grito pela reforma agrária, posteriormente o Movimento passou a criar suas próprias canções, se consolidando como importantes símbolos do Movimento. Ao participar das Semanas Pedagógicas das Escolas do Campo do Ceará, organizadas pelo MST com parceria da Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC), observamos que as músicas, assim como a arte no geral, faziam parte da rotina do evento, então, lançamos alguns questionamentos: Qual importância da música para o Movimento? Elas servem somente para a distração e lazer dos militantes? A música também contribui com processo de resistência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra? 2.Objetivo Investigar se a música contribui para o processo de resistência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra a partir das canções do Movimento. 2.1 Objetivos específicos Compreender o processo histórico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil; Identificar quais foram as raízes musicais dentro Movimento Sem Terra; Analisar como as canções estão inseridas no Movimento Sem Terra atualmente. 3.Metodologia A presente pesquisa pode ser caracterizada como uma pesquisa bibliográfica, por isso, foram realizadas leituras de livros, artigos e dissertações sobre a temática. Entende-se que, uma pesquisa bibliográfica é de suma importância para qualquer pesquisa, visto que, oferece suporte teórico para realização da mesma, no entanto, como aponta Gil (2002), também se faz necessário uma reflexão crítica acerca dos assuntos estudados. Para a reflexão, nos debruçamos nos pressupostos da pesquisa qualitativa, cuja referência se assenta em autores como Flick (2009) e Marconi e Lakatos (2022). Nesse sentido, foi realizado inicialmente o levantamento bibliográfico dos textos que foram estudados. Posteriormente realizou-se a leitura, o fichamento, assim como a análise dos mesmos. Nesse sentido, este trabalho foi apoiado teoricamente nos trabalhos de Bogo (2000), Nonassa (2011), Caldart (2012, 2012), Fernandes (2000), entre outros. 4.Resultado A lua foi descoberta Amanhã eu vou pra lá Vou levar as ferramentas Pra mim poder trabalhar Dizem que a terra lá é boa Então vamos experimentar Vou fazer reforma agrária Vou ver se plantando dá Na lua vai dar de tudo Eu vou fazer plantação Vou plantar arroz e milho Café batata e feijão É lá que eu quero ver A fartura da nação. Em 1970, Moreno e Mariano gravaram a canção O caipira foi à Lua, criticando a concentração de terras no país, o qual na mesma década teve início processo de organização do MST e veio se consolidar na década de 80. Naquele período, era possível identificar diversas canções, especialmente do sertanejo que vinham tratando da temática Reforma Agrária, aliando-se as necessidades dos camponeses sem terra “as músicas expressam aquilo que o próprio movimento buscava desde o início: a luta pela terra, pela reforma agrária e uma sociedade mais justa e fraterna” (Bogo, 2020, p.46). Assim, como resultado dessa organização, em 1987, o MST buscou construir e consolidar os símbolos para o Movimento, entre eles a bandeira e o Hino. Vem teçamos a nossa liberdade Braços fortes que rasgam o chão Sob a sombra de nossa valentia Desfraldemos a nossa rebeldia E plantemos nesta terra como irmãos! Vem, lutemos punho erguido Nossa força nos faz a edificar Nossa pátria livre e forte Construída pelo poder popular Braço erguido ditemos nossa história Sufocando com força os opressores Hasteemos a bandeira colorida Despertemos esta pátria adormecida O amanhã pertence a nós trabalhadores! Nossa força resgatada pela chama Da esperança no triunfo que virá Forjaremos desta luta com certeza Pátria livre operária e camponesa Nossa estrela enfim triunfará! Hino do MST – Ademar Bogo/Willy Corrêa, 1987 Dessa maneira, com fim do regime ditatorial, a esperança se renova no país, assim como o anseio de se fazer presente nos novos rumos políticos, como pode ser observado nas canções do Dor e Esperança do Padre Zezinho. No entanto, essa esperança não perdura por muito tempo, pois nesse período o Brasil estava passando por profundas transformações econômicas, políticas e sociais, havendo uma forte frente de luta dos movimentos sociais contra um projeto político e social conservador e neoliberal (Bogo, 2020, p.48). Em sua primeira década de existência o MST acompanhou diversas mudanças políticas, econômicas e sociais no país (Bosano, 2011). Desde a Constituição de 1988 até a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, ocorreram as transformações nas políticas agrárias, nas tentativas de Reforma Agrária que praticamente foram paralisadas, de tal modo que o movimento também precisou se modificar. Surgiram novos questionamentos, necessidades de reformulação e aprofundamento de novas questões e pautas. Dessa maneira, tem início um processo de análise interna, que segundo (Bogo, 2020), perpassa por questões práticas, como a questão da formação dos integrantes do movimento, a organicidade dos assentamentos e acampamentos, questões educacionais como o analfabetismo dentro das áreas ocupadas, entre outros debates. A autora coloca ainda que “foi a música que protagonizou os primeiros debates e questionamentos dentro do movimento acerca do que seria uma arte do MST” (Bogo, 2020, p. 51), talvez isso se deva pelo fato de ter sido a primeira manifestação artística do Movimento. Nesse sentido, a criação da fita Dor e Esperança e das paródias musicais, se inicia o reconhecimento de uma “arte sem-terra” (Bogo, 2020) no Movimento. Sendo essa arte baseada em elementos de uma cultura campesina, que se baseia nas vivências de cada militante e também pela identificação com as músicas sertanejas. “A música sem-terra resgata todos esses elementos da música caipira, através de sua face interessada que busca aglutinar os militantes, animar os encontros, as lutas, todo esse universo de relações sociais[...]” (Bogo, 2020, p. 51). Cabe ressaltar que estas músicas não visam apenas o entretenimento dos militantes, mas também a promoção do pensamento crítico, identificando a “figura do ser sem-terra, para além do sujeito subalterno, mas um sujeito coletivo, que pode se organizar, protestar e almejar uma vida e uma sociedade diferente” (Bogo, 2020, p.51). Na canção Só a Luta Faz Valer de Zé Pinto, é possível observar que se trata de uma letra que carrega a criticidade ao mesmo tempo que traz uma melodia animada. Quem tá cansado dê licença do caminho Quem acredita dê as mãos e vamos embora Pois quem tropeça no primeiro desatino E pouca força na construção dessa história. Não adianta inventar outros caminhos Porque jamais vão conseguir nos convencer Capitalismo nunca foi de quem trabalha Nossos direitos só a luta faz valer Capitalismo nunca foi de quem trabalha Nossos direitos só a luta faz valer. Esse evento traz presente um passado De uma semente que deu vida ao movimento No broto novo de Macalli e Brilhante A Encruzilhada Natalino pôs fermento. E os companheiros que tombaram no caminho Serão lembrados sempre pela estrada afora Nossa Vingança é ocupar os latifúndios Já preparando o dia da grande vitória. Reforma agrária é uma luta de todos Aqui de novo viemos reafirmar Numa aliança entre o campo e a cidade Pois a verdade amanhã triunfará. Assim, à medida que as pautas de luta do MST se ampliam, as canções seguem acompanhando o Movimento. Em virtude disso, compreendemos que “(...) a relevância histórica da música na resistência social ressalta sua importância como uma forma de expressão artística com capacidade de impulsionar mudanças e influenciar a consciência coletiva (Barbosa; Correa, 2023, p. 60)”. Atualmente, essas músicas ganham destaque nas ocupações nas cirandas infantis e na Educação do campo. Destarte, “o termo ‘ciranda’ é utilizado no título da fita do MST em referência à expressão cultural folclórica e também às Cirandas Infantis do MST, que eram/são um espaço destinado às crianças sem terrinhas” (Bogo, 2020, p.52). Já a Educação do Campo, compõe uma das frentes de luta do Movimento que se fortalece cada vez mais, as canções fazem parte de essência e isso fica evidente em suas canções, como é possível observar na canção Construtores do Futuro de Gilvan Santos. Eu quero uma escola do campo Que tenha a ver com a vida com a gente Querida e organizada E conduzida coletivamente. Eu quero uma escola do campo Que não enxerga apenas equações Que tenha como chave mestra O trabalho e os mutirões. Eu quero uma escola do campo Que não tenha cercas que não tenha muros Onde iremos aprender A sermos construtores do futuro. (bis). Eu quero uma escola do campo Onde o saber não seja limitado Que a gente possa ver o todo E possa compreender os lados. Eu quero uma escola do campo Onde esteja o símbolo da nossa semeia Que seja como a nossa casa Que não seja como a casa alheia. Dessa maneira, o MST carrega em sua trajetória diversos símbolos de sua resistência, a música é um deles. Nelas se encontram esperança, indignação, força, amor, vida, morte, dentre tantas histórias que constituem o Movimento. Assim, com o intuito de manter a luta animada e consciente, estas canções constituem as rotinas das ocupações, assim como das cirandas infantis, nas escolas do campo e onde quer que os militantes se reúnam. 5.Conclusão Nesse sentido, foi possível percorrer de maneira sucinta a trajetória histórica do MST no Brasil, identificando as raízes musicais do movimento sendo possível analisar que, de modo geral essas canções tem como intuito, a animação da luta, a aproximação entre os militantes, o desenvolvimento e mediação de conhecimentos críticos sobre as problemáticas políticas, sociais, entre outros, tendo como foco a reivindicação pela conquista da Reforma Agrária Popular no país. Assim, é possível afirmar que a música contribuiu, contribui e certamente permanecerá contribuindo para o processo de resistência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no país. 6.Referências BARBOSA JUNIOR, Elenisio Rodrigues. CORREA, Thiago Pessanha. Melodias de resistência: a música como voz e força transformadora no Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 08, Ed. 12, Vol. 04, pp. 5472. ISSN: 2448-0959, Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/arte/melodias-de-resistencia . Acesso em: 01/05/2025 BOGO, Tainan Cristina de Araujo. Canções da terra: A produção musical do mst como instrumento de luta social. PORTO SEGURO, 2020. BONASSA, J. Caminos y descaminhos em laconstrucción de uma práxis cultural emancipadora: un registro crítico Del desarrollo Del Colectivo Nacional de Cultura Del Movimiento Sin Tierra de Brasil de 1996 – 2006. Monografía (Graduação) - Facultad deHumanidades. Santiago de Cuba, 2011. CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. 4. Ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012. CALDART, Roseli Salete. Educação do campo. 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SERRA DAS POMBAS E SUA GEODIVERSIDADE: CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-AMBIENTAL E DINÂMICAS NATURAIS
GIULIA FRADE RICARTE AUGUSTO; MARIA DE FÁTIMA BRAGA MARTINS
A Serra das Pombas, localizada no Município de Baixio-CE, na região centrosul do estado do Ceará, apresenta grande valor natural e educativo. Com cerca de 2,99 km² e altitudes que chegam a 470 metros, está inserida na Bacia Hidrográfica do Rio Salgado e se destaca pela sua rica geodiversidade. Este trabalho analisa as características físicas e ambientais da serra, combinando observações de campo com dados técnicos. Foram identificados diferentes tipos de rochas, solos, formas de relevo e vegetação típica da caatinga. Além de sua importância ambiental, a área possui potencial para o geoturismo e a educação ambiental, contribuindo para a valorização e preservação dos recursos naturais do semiárido cearense. A geodiversidade refere-se à diversidade dos elementos abióticos da natureza, como rochas, solos, relevo, água e processos naturais. Esses componentes são essenciais para a manutenção dos ecossistemas e das interações entre o ambiente e os seres vivos (BRILHA, 2005). O conceito de geodiversidade surgiu na década de 1990, inspirado pela ideia de biodiversidade, e visa enfatizar a importância de conservar não apenas as espécies vivas, mas também os elementos não-vivos que formam a base dos ecossistemas (SHARPLES, 1993). A definição mais ampla de geodiversidade foi proposta por Gray (2004), que a entende como um recurso fundamental para o planejamento territorial e o desenvolvimento sustentável, abrangendo valores científicos, educativos, ecológicos, estéticos, culturais e econômicos. Reconhecer a geodiversidade é crucial para a gestão responsável dos recursos naturais, principalmente em regiões vulneráveis, como o semiárido brasileiro. O Serviço Geológico Nacional/CPRM (2006) também define geodiversidade como o estudo dos componentes abióticos que formam as paisagens naturais e os ecossistemas, destacando a sua importância cultural, educativa, científica, estética e turística. No contexto do semiárido cearense, a geodiversidade apresenta grande relevância na formação das paisagens. Contudo, a valorização desse patrimônio natural nas políticas públicas e nas práticas de conservação e geoturismo ainda é incipiente. A Serra das Pombas, localizada no município de Baixio, no estado do Ceará, é um exemplo notável de relevo residual e geodiversidade rica, que ainda carece de estudos aprofundados para a implementação de estratégias de geoconservação e desenvolvimento sustentável. A serra é composta por diversas formações litológicas, com destaque para os granitóides e outras rochas ígneas, e sua morfologia inclui altitudes que chegam até 470 metros. A vegetação predominante na região é a caatinga, típica do semiárido, e a região é ainda marcada pela presença do Santuário da Pedra de São Francisco das Chagas, que reforça a relação entre o patrimônio natural e o cultural da região. A Serra das Pombas, com seu relevo acidentado e diversas formações rochosas, apresenta não apenas um atrativo geológico, mas também uma riqueza cultural significativa. O Santuário da Pedra de São Francisco das Chagas, por exemplo, representa um elo profundo entre a geodiversidade e a cultura local, com muitas visitas realizadas por aqueles que buscam momentos de espiritualidade e contato com a natureza. A região é um local de culto religioso que também se insere em um contexto de educação ambiental. A combinação dessas dimensões geológicas, ecológicas e culturais oferece uma plataforma para o desenvolvimento de práticas de geoturismo que promovam a sustentabilidade da área, ao mesmo tempo em que se busca preservar as tradições e valores da comunidade local. Embora a Serra das Pombas possua um grande potencial geoturístico, ainda falta um planejamento adequado para a preservação e uso sustentável dessa área. O reconhecimento e mapeamento das suas características geológicas e geomorfológicas são etapas essenciais para que a região seja integrada em políticas de conservação e em práticas de geoturismo, oferecendo também oportunidades para o desenvolvimento de atividades educativas e de conscientização ambiental. Em termos de geoturismo, a Serra das Pombas ainda carece de infraestrutura, com a maioria dos visitantes sendo locais ou turistas que se aventuram por conta própria, sem informações claras sobre os pontos de interesse geológico. O mapeamento das trilhas existentes e a criação de um plano de gestão para essas áreas podem ser passos importantes para tornar o geoturismo uma realidade na região, sem causar impactos ambientais negativos. Objetivo: O objetivo deste estudo é realizar uma análise detalhada da geodiversidade da Serra das Pombas, no município de Baixio/CE, por meio da caracterização físico-ambiental da área e da identificação das dinâmicas naturais que atuam na formação das suas paisagens, com foco na promoção da geoconservação e no desenvolvimento de atividades de geoturismo sustentáveis. Metodologia: A pesquisa foi desenvolvida com abordagem exploratória, descritiva e qualitativa, utilizando uma revisão bibliográfica associada ao trabalho de campo. A revisão teórica abrangeu estudos que discutem a geodiversidade e suas implicações para a conservação, como os trabalhos de Garcia (2016), e as metodologias voltadas à análise das paisagens geológicas. O trabalho de campo foi realizado em 15 de março de 2025 e incluiu a utilização de geotecnologias como Avenza Maps e Google Earth Pro para o mapeamento das áreas observadas. Durante a coleta de dados, foram analisadas diferentes formações geológicas, como gnaisse granodiorítico e tonalítico, que compõem o embasamento cristalino da região. As rochas e solos foram caracterizados para compreender os processos naturais que moldam a paisagem. Além disso, amostras de solo foram coletadas para análise laboratorial no LABOGEO/UFCG, a fim de determinar as características químicas e físicas do solo da região, que são essenciais para compreender a dinâmica dos ecossistemas locais. A coleta de amostras geológicas foi acompanhada de descrições detalhadas dos relevos locais, das suas formações e das atividades humanas que ocorrem na região. Resultados: A Serra das Pombas apresenta uma grande diversidade geológica, com formações rochosas predominantes compostas por granitóides, como gnaisses e tonalitos, que fazem parte do embasamento cristalino. Essas rochas foram moldadas ao longo de milhões de anos por processos tectônicos que resultaram em um relevo acidentado e de grandes escarpas. A vegetação local é composta pela caatinga, adaptada ao clima semiárido, e os solos da região são majoritariamente argilosos e rasos, com cores que variam entre o vermelho e o amarelado, próprios das áreas de clima seco. Hidrologicamente, a Serra das Pombas é influenciada por microbacias, como os riachos Caio Prado e Pendência, que são afluentes do Rio Salgado. Esses riachos têm caráter intermitente e são alimentados por chuvas sazonais, sendo fundamentais para o abastecimento de água da região. As microbacias são fontes importantes para a irrigação local e, no contexto do geoturismo, podem ser vistas como pontos de interesse para atividades de educação ambiental. O uso da água, bem como a preservação dos riachos, deve ser cuidadosamente planejado para que a região não enfrente problemas de escassez hídrica. Além da riqueza geológica e hidrológica, a Serra das Pombas é um local de grande valor cultural, especialmente devido ao Santuário da Pedra de São Francisco das Chagas, que se encontra na região. O santuário, localizado em um ponto estratégico da serra, atrai visitantes para momentos de espiritualidade e contato com a natureza. A região possui uma série de trilhas naturais que, embora de difícil acesso, oferecem oportunidades para o desenvolvimento de atividades geoturísticas. A implementação de infraestrutura básica, como sinalização e centros de visitantes, poderia ajudar a promover a região como um destino sustentável para o turismo ambiental e educativo. A preservação da vegetação e a conscientização sobre os impactos ambientais também devem ser prioridades nas estratégias de geoturismo. Conclusão: A Serra das Pombas é uma área de significativa importância geodiversa, possuindo uma riqueza geológica e natural notável, com destaque para suas formações rochosas e estruturas tectônicas que formam paisagens únicas. No entanto, a falta de um planejamento adequado para a preservação e o uso sustentável desses recursos geológicos compromete o pleno aproveitamento do seu potencial turístico e educacional. A criação de políticas públicas voltadas para a geoconservação e o fomento ao geoturismo, aliadas ao fortalecimento da educação ambiental, pode transformar a Serra das Pombas em um polo de conhecimento sobre geodiversidade, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável da região. A valorização do patrimônio natural e cultural da área, especialmente o Santuário da Pedra de São Francisco, poderia contribuir de maneira significativa para a integração da Serra das Pombas nas estratégias de desenvolvimento sustentável e no incentivo ao turismo responsável. Por fim, é necessário que os órgãos responsáveis pela gestão ambiental do Ceará promovam ações de mapeamento, educação e preservação para garantir que a geodiversidade da Serra das Pombas seja adequadamente protegida e aproveitada em benefício da comunidade local e do meio ambiente.
ANÁLISE CRÍTICO-REFLEXIVA DO TOMBAMENTO DE VIÇOSA DO CEARÁ: PELA LEGITIMAÇÃO DO PATRIMÔNIO-TERRITORIAL INDÍGENA.
DANIELE MARIA DE CARVALHO SANTOS
ANÁLISE CRÍTICO-REFLEXIVA DO TOMBAMENTO DE VIÇOSA DO CEARÁ: PELA LEGITIMAÇÃO DO PATRIMÔNIO-TERRITORIAL INDÍGENA. Daniele Maria de Carvalho Santos Resumo: A pesquisa em desenvolvimento busca realizar uma análise crítico-reflexiva do parecer de tombamento de Viçosa do Ceará, realizado em 2002 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) investigando a viabilidade de legitimar o patrimônio-territorial indígena de Viçosa do Ceará, município situado na microrregião da Serra da Ibiapaba, no Estado do Ceará. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, por meio de uma análise crítico-reflexiva do parecer de tombamento de Viçosa do Ceará realizada IPHAN e um levantamento bibliográfico preliminar sobre a formação histórica do município e uma noção introdutória dos conceitos de território, territorialidade, desterritorialização, reterritorialização e patrimônio-territorial. Apesar de ser uma pesquisa ainda em andamento, já foi possível verificar a necessidade de legitimar Viçosa do Ceará enquanto patrimônio-territorial indígena, visto que, a colonização portuguesa promoveu a desterritorialização dessas populações, repercutindo no parecer de tombamento, que minimiza a ancestralidade indígena em detrimento da arquitetura português. Palavras-chave: Tombamento. Viçosa do Ceará. Patrimônio territorial indígena. 1. Introdução Viçosa do Ceará é um município localizado no noroeste do Estado do Ceará, pertencente à microrregião da Serra da Ibiapaba. Possui uma população de 59.712 habitantes e abrange uma área de 1.310,91 km² (IBGE, 2022) e se destaca como uma cidade erigida em função do aldeamento indígena (Pontes, 2009), mas impacta ao sabermos que desse número populacional, somente 0,18% são autodeclarados indígenas atualmente (IBGE, 2022). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) confirma que Viçosa do Ceará foi o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba e inicialmente habitado por indígenas Tabajaras (pertencentes ao ramo Tupi, Anacé, Arariú) e Croatá (ramo Tapuia), mas utiliza-se de forma secundária desse fato para justificar o tombamento e prioriza hegemonicamente o legado português no território viçosense. Assim, a presente pesquisa emerge da necessidade de reconhecer Viçosa do Ceará como um território onde a memória indígena pode ser reestabelecida como símbolo de resistência, mesmo com todo processo de desterritorialização promovidos pela colonização portuguesa. Tais processos contribuíram para a interiorização de sentimentos de negação e de visões estereotipadas, por parte significativa da população viçosense, em relação aos povos indígenas. Assim, o presente estudo buscou responder à seguinte questão: como o parecer de tombamento do centro urbano de Viçosa do Ceará, elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), enxerga as territorialidades e memórias indígenas presentes no município? Para responder a esse questionamento, adotou-se uma abordagem qualitativa, alicerçada em uma análise crítico-reflexiva desse parecer e uma revisão bibliográfica que resgate a formação histórica do município e possibilite o entendimento dos conceitos de território, territorialidade, desterritorialização, reterritorialização e patrimônio-territorial. Ressalto que as informações apresentadas neste trabalho são somente as reflexões preliminares levantadas, diante do parecer de tombamento e das leituras de algumas fontes bibliográficas, o que configura afirmar que ainda há muito caminho a ser percorrido para nivelar esta pesquisa com os objetivos concretos a serem atingidos. 2. Objetivo Analisar de forma crítica-reflexiva o parecer de tombamento de Viçosa do Ceará, realizada em 2002 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) investigando a viabilidade de legitimar o patrimônio-territorial indígena de Viçosa do Ceará. 3. Metodologia O presente estudo foi alicerçado na análise crítico-reflexivo do parecer de tombamento da cidade de Viçosa do Ceará elaborada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com o objetivo de investigar a viabilidade de legitimar o patrimônio-territorial indígena de Viçosa do Ceará. A presente pesquisa baseou-se numa abordagem qualitativa, pois segundo Minayo (2012), este tipo de pesquisa é essencial para explorar e compreender as experiências e percepções dos indivíduos, proporcionando uma imersão nas relações sociais e no significado dos fenômenos. Empregou-se o método dialético, pois os trabalhos que se utilizam desse método se caracterizam por ser mais críticos da realidade por sua concretude e pelo fato de mostrarem as contradições existentes no objeto pesquisado (Spósito, 2004). Preliminarmente, foi realizada uma revisão de literatura priorizando as obras de Santos e Haesbaert (2007) que discutem sobre o território, a territorialidade, a desterritorialição e a reterritorialização; Costa (2016) que desenvolve o conceito de território-patrimonial; Girão (1984), Castro (2002), Studart (2004) e Menezes (2005) que resgatam a história do Ceará incluindo a Serra da Ibiapaba; e Vasconcelos (2024) cujos estudos mais recentes abordam a presença indígena e sua influência no processo de tombamento de Viçosa do Ceará, dentre os outros autores e instituições que contribuíram para aprofundar a pesquisa. Assim, a metodologia aplicada buscou realizar um diálogo entre os autores citados anteriormente e o parecer de tombamento de Viçosa do Ceará, analisando de forma crítica-reflexiva a memória indígena e sua importância para possibilitar um processo de reterritorialização, que por séculos, foi marginalizada e invisibilizada da história oficial. 4. Resultados Viçosa do Ceará foi a primeira cidade criada na Serra da Ibiapaba, habitada originalmente por indígenas, que por décadas, resistiram à colonização portuguesa, cujo primeiro contato externo ocorreu com os franceses liderados por Adolf Montbile em 1590, porém a primeira tentativa colonial ocorreu somente em 1603 com Pero Coelho de Sousa, que mesmo não obtendo sucesso colonizatório, conseguiu expulsar os franceses da região (Castro, 2002). Em 1609 foi realizada uma nova tentativa de colonização, desta vez, através das missões jesuíticas lideradas pelos Padre Francisco Pinto e Padre Luís Figueira, que além de fracassar, ainda terminou com o fim trágico desse primeiro, que foi brutalmente assassinado por indígenas em forma de resistência à invasão portuguesa (Studart, 2004). Menezes (2005) confirma que a colonização da Ibiapaba só foi efetivada em 1700 com a chegada de Padre Ascendo Gago que fundou oficialmente a Aldeia da Ibiapaba, posteriormente elevada à categoria de vila com o nome de Vila Viçosa Real, em 7 de julho de 1759, sendo assim, considerada uma das primeiras vilas originadas de aldeamentos indígenas no Ceará (Girão, 1984). Embora tenha seu passado intrinsecamente ligado aos povos indígenas, pouco restou da antiga missão jesuítica na Ibiapaba, onde as antigas ocas de madeira e palha foram gradualmente sendo substituídas por edificações no estilo colonial português, característica marcante nas cidades históricas brasileiras (Vasconcelos, 2024). Isso é validado no parecer de tombamento, onde o IPHAN cita a presença indígena em Viçosa do Ceará de forma secundária, minimizando de forma explícita a territorialidade desses povos que são parte intrínseca do território. Cabe aqui entendermos que para Haesbaert (2004), o território não é apenas o espaço da dominação, mas também da resistência onde se constroem identidades e se disputam sentidos. Santos (2007) corrobora com esta definição, quando diz que “território usado é o chão mais a identidade”, ou seja, ele não é somente a base física onde existem relações de poder, mas um espaço onde há construção das territorialidades, como “sinônimo de pertencer àquilo que nos pertence” (Santos; Silveira, 2001). O parecer do IPHAN reconhece explicitamente a importância histórica e arquitetônica do centro urbano de Viçosa do Ceará, principalmente em torno da praça Clóvis Beviláqua e da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, além de 72 casarões de valor arquitetônico comprovado (Castro, 2002), o que nos permite concluir que houve uma forte valorização dos edifícios coloniais e um apagamento das territorialidades indígenas. É evidente que os indígenas de Viçosa do Ceará enfrentaram um processo de desterritorialização, assim, como ocorreu em várias cidades brasileiras, pois Andrade (1998), afirma que a expansão do território, ao mesmo tempo em que promovia a ampliação da territorialidade, provocava a desterritorialidade nos grupos que se sentiam prejudicados com a forma e a violência com que era feita, como é o caso dos indígenas. Haesbaert (2004) afirma que a “desterritorialização é o movimento pelo qual se abandona o território, que quase sempre ocorre de forma traumática, associada à perda, à exclusão ou à despossessão, enquanto a reterritorialização é o movimento de reconstrução do território”, assim, embora a territorialidade indígena de Viçosa do Ceará tenha sido negligenciada pela colonização portuguesa, ela sobreviveu na memória e nas práticas culturais, entretanto, o tombamento realizado pelo IPHAN formalizou a desterritorializa-ção simbólica dessas territorialidades, ao priorizar a arquitetura portuguesa e desvalorizar a memória indígena, por isso, a proposta deste trabalho é uma provocação à reflexão sobre a reterritorialização simbólica dos povos indígenas ao território viçosense. Considerando a exclusão dos elementos da cultura imaterial indígena como justificativas diretas para o tombamento é premente evocar o conceito de patrimônio-territorial, que dialoga com a proposta desta pesquisa, quando conceitua este termo, dizendo que é a história registrada em símbolos territoriais resistentes à colonialidade do poder: arte, religião, saberes, fazeres, modos de vida, assentamentos de grupos subalternos urbanos e rurais (Costa, 2016). 5. Conclusão Inicialmente é importante ressaltar que o objetivo desta pesquisa não é desmerecer os bens materiais originalmente tombados pelo IPHAN, mas sim, ampliar a ideia para que o patrimônio-territorial indígena seja igualmente valorizado e se equipare ao valor das construções de origem portuguesa. A análise realizada sobre o parecer de tombamento do centro urbano de Viçosa do Ceará evidencia como a história oficial, mesmo ao reconhecer brevemente a origem indígena da cidade, deixa evidente que essa escolha foi ideológica, pois prioriza a herança portuguesa e relega os povos nativos que deram origem ao território, invisibilizando as suas territorialidades. Nesse sentido, a ideia de patrimônio-territorial indígena é uma solução viável, pois nos convida a repensar essa territorialidade negligenciada e propõe a reterritorialização simbólica capaz de reconstruir pertencimentos e resgatar vínculos que o tempo e o esquecimento institucional tentaram romper. Assim, legitimar Viçosa do Ceará como patrimônio-territorial indígena permite corrigir uma lacuna histórica e reconhecer a dignidade de um povo, de suas memórias e de sua relação com a terra, além de construímos um patrimônio mais inclusivo, que contribua para a valorização das vozes que historicamente foram silenciadas, mas que permanecem como expressão viva de resistência no território. 6. Referências ANDRADE, Manuel Correia de. Territorialidades, desterritorialidades, novas territorialidades: os limites do poder nacional e do poder local. In: SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A. de; SILVEIRA, Maria Laura. Território: globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec, 1998, p. 213-220. CASTRO, José Liberal de. Viçosa do Ceará: parecer sobre tombamento federal de trecho urbano. Revista do Instituto do Ceará, Fortaleza, Anno CXVI, 2002. COSTA, Everaldo Batista da. Utopismos patrimoniais pela América Latina: resistências à colonialidade do poder. 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Oral
Abrir o trabalhoA Cultura da Meritocracia que destruiu a Educação Brasileira: o caso da BNCC e o Ensino de Geografia no cenário do Cariri cearense
ROGÉRIO CELESTINO ARAÚJO
Resumo: A nossa cultura social não se baseia realmente na meritocracia por direito e por condição. O que seria realmente o conceito da meritocracia? Seria a pessoa com a melhor condição técnica ou profissional para ascender em uma carreira ou ser a melhor opção para assumir um projeto, ou seja, seja o indivíduo mais capaz para uma necessidade. Com a Lei 13.415/2017, que instituiu o professor com notório saber e modificou a estrutura do Ensino Médio no país, houve uma aplicação direta do discurso da nova direita brasileira, com a visão de precarizar a educação pública, instituir organizações think tank1 com discursos neoliberais e ultradireitistas, a fim de destruir a educação transformadora de Paulo Freire e instituir a educação neoliberalizada descrita por Laval. 1. Introdução Atualmente tudo possui uma mensuração, já que seus bens e sua conta bancária, definem em que classe social você está inserido, mesmo não detendo um vasto conhecimento. A meritocracia no sistema neoliberal atual se baseia no quanto de dinheiro você possui, além disso, nossa sociedade está precificando tudo, não deixando de fora a educação e seus elementos. Grande parte da problemática da educação atual advêm do período pandêmico que modificou a forma de ensino no país. Tanto professores quanto alunos, não estavam preparados para a virtualização das aulas, demonstrando uma fragilidade nas bases conceituais dos alunos, bem como demonstrou o despreparo dos professores com as TIC´s. Com tudo isso, o processo de implementação neoliberal do modelo de educação utilitarista e mercantilizada foi implementado na base legal do país, modificando para tanto a nossa legislação e os documentos norteadores para fomentar os parâmetros curriculares de Estados e Municípios. Esse artigo, analisará o papel da nova direita, implementando a visão neoliberal, tanto em seus discursos quanto na aplicação de uma escola pautada em metas e objetivos. 2. Objetivo Compreender como a BNCC e demais leis, contribuiram com a dinâmica mercantilizada do ensino de maneira geral, bem como a influência no ensino de Geografia, analisando os problemas enfrentados pelos professores na prática cotidiana de ensinar, tendo o organograma do Novo Ensino Médio como pano de fundo no cenário neoliberal de accountability2. 3. Metodologia Grande parte dos métodos aplicados em nossa pesquisa usam os processos da perspectiva dialética, promovendo uma verificação das possibilidades inseridas em nossa pesquisa como algo inacabado (e realmente estará inacabado, pois existem diversas nuances para serem analisadas), já que as possibilidades vivem em transformação. Utilizaremos o método materialista histórico, que segundo Marx (1857, in: Vasconcelos et. al. 2021), os procedimentos consistem em relacionar o objeto pesquisado com a totalidade (ou parte) das relações sociais, suas determinações econômicas, sociais e políticas e as contradições presentes. Teremos uma revisão documental (fontes primárias) e em uma revisão bibliográfica (fontes secundárias), que nos permitiu organizar as principais posições acadêmicas sobre o desenvolvimento atual da disciplina Geografia na sua vertente escolar. Elucidamos diversos questionamentos provenientes da discussão em curso com o intuito de prover um diálogo científico que alcance novos desdobramentos e propostas para a superação da atual crise que passa o ensino de geografia. Com o intuito de vislumbrar as diversas realidades, das escolas da região da CREDE-19, utilizamos um questionário produzido dentro da plataforma Google Forms™, já que a distância e o tempo são fatores limitantes em pesquisas de cunho empírico, como a nossa. Tal ferramenta servirá para a coleta de informações sobre a realidade, possibilitando uma tabulação desses dados, onde podemos selecionar as características necessárias para o desenvolvimento da análise, mesmo reconhecendo as vantagens e desvantagens dessa proposta, acreditamos que terá papel fundamental na parte final de nossa pesquisa. 4. Resultados A nossa pesquisa até aqui, tem percebido que a discussão sobre as mudanças que foram propostas pela Lei 13.415/2017 e BNCC em sua versão de 2018, causaram diversos problemas no âmbito do ensino de Geografia, principalmente no Ensino Médio, o que nos fez perceber que o plano traçado pela agenda neoliberalista foi implementada de vez pelo governo de extrema direita que dominou o país de 2020 a 2023. A educação formal tem a função de promover a construção de conhecimento, pois é um instrumento de empoderamento dos sujeitos com vistas à transformação da sociedade. Sem a educação formal, muitos processos sociais teriam que praticamente começar do zero o tempo todo (Young in: Neto, 2021, p. 373), e a Geografia tem papel preponderante para isso. O ensino em si, deteriorado pela grande distância existente nos currículos municipais e estaduais, bem como a falta de investimentos específicos, que não cumprem com os limites do FUNDEB para investimento nas escolas, na formação dos professores e no incentivo profissional, causou uma obstrução do ensino e isso tem a proposição de organismos internacionais, já que dessa forma, o inciso IV do art. 44 da lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, atinge diretamente a carreira docente e os estudantes da escola pública ao não se exigir uma formação adequada para atuar em sala de aula, não investindo nos docentes das próprias redes (estaduais, municipais) na formação, nas condições de trabalho e na remuneração. Mesmo em cursos técnicos, a formação adequada é necessária (Neto, 2021, p. 378). A concepção economicista intensifica a necessidade da inserção das pessoas no mercado global. Na dimensão da educação, tem se direcionado para a reforma global educacional (GERM) iniciada nos Estados Unidos, na década de 1990, e com expansão para vários outros países, entre eles, os da América Latina. Com isso, há uma conexão entre GERM e o direcionamento para a formação do mercado de trabalho. Sendo assim, considera-se que palavras que aparecem nos currículos escolares, como empreendedorismo, habilidades socioemocionais e mundo dos negócios, não são obra do acaso. (Alexander, 2012, in: Neto, 2021, p. 374). Cabe-se ressaltar que, com essa reforma global, há outra que, por sua vez, a induziu: a reforma econômica. O consenso de Washington de 1989 nos Estados Unidos, teve como propósito traçar reformas e construir diretrizes para os países pobres, entre eles, os da América Latina. Para o autor, essas diretrizes implicaram “[...] no campo econômico, a elevação ao status de valor universal de políticas como o equilíbrio fiscal, a desregulação dos mercados, a abertura das economias nacionais e a privatização dos serviços públicos; no campo político, a crítica às democracias de massa” (Saviani, 2018, p. 293 in: Neto, 2021, p.375). Temos essa clareza na percepção da implantação de programas de competição interna nas escolas, como avalia Albuquerque (2021, p.27): As políticas meritocráticas e de bonificação são espelhos desse elevado grau de fetichização do trabalho, subtraindo os trabalhadores das lutas sindicais e das reflexões sobre o trabalho docente. Este conjunto de estratégias mercantis de controle sobre o trabalho docente corroboraram com a competição e a individualização do trabalho e das escolas. No estado de São Paulo o “Programa de Valorização pelo Mérito”, Na Paraíba os “Prêmios Mestre da Educação e Escola de Valor na Paraíba” e no estado de Pernambuco “Bônus de Desempenho Educacional (BDE)”, são alguns dos exemplos de processos de controle e diferenciação social dos professores. Nestes programas não se procede apenas a bonificação dos sujeitos sociais da escola, eles estabelecem sistemas de controle sobre a dimensão política do trabalho docente, determinando até mesmo novos comportamentos de constrangimentos e assédios de colegas, sob os riscos da escola e professores não serem premiados e bonificados. Trata-se da unidade da célula neoliberal fabril transportada para a escola e se constituindo como fator decisivo sobre o trabalho e as relações de trabalho docente. Segundo Mészáros (2008, p.25), temos que as mudanças sob tais limitações, apriorísticas e prejulgadas, são admissíveis apenas com o único e legítimo objetivo de corrigir algum detalhe defeituoso da ordem estabelecida, de forma que sejam mantidas intactas as determinações estruturais fundamentais da sociedade como um todo, em conformidade com as exigências inalteráveis da lógica global de um determinado sistema de reprodução. Podem-se ajustar as formas pelas quais uma multiplicidade de interesses particulares conflitantes de deve conformar com a regra geral preestabelecida da reprodução da sociedade, mas de forma nenhuma pode-se alterar a própria regra geral. 5. Conclusão Laval (2019, p.44), avalia que a contradição entre a aquisição do saber pelas novas gerações é cada vez maior, que exige estabilidade, garantia de valor do que se aprende, respeito à cultura comum e construção da personalidade, e as necessidades econômicas, que são particulares e inconstantes. Enquanto a “profissão” para a qual a escola preparava permitiu projetar um futuro relativamente estável e a realização de uma “função” social em conjunto inteligível, a profissionalização (parcial) dos estudos não tinha os efeitos destruidores que pode ter quando a vida futura sugere apenas a ameaça de deslocalização de uma fábrica ou o descaminho de saltar de emprego para emprego. O capitalismo “flexível” e “revolucionário” mina a confiança no longo prazo, ignora compromissos, e não se preocupa com o patrimônio cultural, nada será como antes, a educação não é mais algo transformador. As elites não querem que as classes proletárias e seus descendentes tenham um futuro, com mudanças sensíveis através da educação, por isso utilizaram grande parte da classe média (que almeja estar na elite, mas nunca estará) a usar discursos de ódio aos programas assistenciais implantados pelos governos de centro-esquerda no Brasil, atacando-os ao nível de serem pauta política para a ascensão da “nova direita” no país, não entendendo que era com tais sistemas, que muitas pessoas suplantaram a pobreza e vislumbraram uma melhora no seu padrão de vida. Freitas (2018. p.138), comenta que apesar da política agressiva da “nova direita” e da reforma empresarial, nada disso evita o desenvolvimento das contradições geradas na prática educativa pelas políticas da reforma. O fato concreto, como mostram os estudos já citados, é que estas ideias não funcionam e, além disso, geram efeitos colaterais destrutivos que atingem professores, estudantes e, indiretamente, os pais. Se são mantidas, deve-se a que permitem o controle político e ideológico do aparato escolar. Por isso, a resistência a essas políticas se fortalecerá no interior das escolas, liderada pelo magistério, pelos estudantes e pelos pais. As universidades podem ajudar com seu conhecimento a desvendar os meandros de tais reformas, mas o embate tem lugar e hora marcada no interior das escolas e deverá ser sistematizado e organizado com apoio dos sindicatos dos professores e com as organizações estudantis. 6. Agradecimentos Ao bom Deus que até aqui nos sustentou. Ao meu orientador pelas contribuições. Aos amigos e professores que estiveram conosco nessa caminhada. 7. Referências FREITAS, Luiz Carlos de. A Reforma Empresarial da Educação: nova direita, velhas ideias. 1 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2018; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6ª Ed. 3ª reimpressão. São Paulo: Atlas, 2006; LAVAL, Christian. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. 1ª. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019; MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. 2. ed. São Paulo: Bomtempo, 2008; NETO, Daniel Rodrigues Silva Luz. Afinal para onde caminha o Ensino de Geografia no contexto de Reforma do Ensino Médio e implantação da BNCC?. Terra Livre. São Paulo, 2021. DOI: https://doi.org/10.62516/terra_livre.2021.2205. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/2205. Acesso: 22 out. 2024; VASCONCELOS, Carolina de Moura; MAGALHÃES, Carlos Henrique Ferreira; MARTINELI, Telma Adriana Pacifico. A influência neoliberal nas políticas educacionais brasileiras: um olhar sobre a BNCC. Eccos - Revista Científica, São Paulo, n. 58, p. 1-18, e10726, jul./set. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5585/eccos.n58.10726. Acesso: 23 out. 2024;
Palavras-chave: Educação geográfica,Neoliberalismo,BNCC,Reforma do Ensino Médio,Lei 13415/2017
Oral
Abrir o trabalhoA EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA PIBID NA APLICAÇÃO DAS INSTALAÇÕES GEOGRÁFICAS COMO PROPOSTA PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA
MARIA HELOISA FRANÇA DOS SANTOS ; Emerson Ribeiro; Cassio Expedito Galdino Pereira
Resumo Este trabalho é resultado de uma prática didático-pedagógica realizada na EEEP Raimundo Saraiva Coelho no município do Juazeiro do Norte - CE pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Utiliza-se como metodologia de ensino, as instalações geográficas, esta, compreendida como proposta no processo ensino-aprendizagem. Foram trabalhados conteúdos geográficos através de processos criativos em estudos sobre a Colina do Horto, visando à pesquisa e a leitura em articulação com o ensino de geografia. O objetivo deste trabalho é, portanto, apresentar as experiências e considerações da intervenção teórico-prática durante ações educativas que contribuíram na formação docente dos bolsistas integrantes do programa PIBID e alunos da escola de ensino integral. Em síntese, as ações pedagógicas aproximaram a realidade dos estudantes e bolsistas na possibilidade de transformações e mudanças nas aulas de geografia. Foi uma experiência fundamental na formação docente, tendo como influência a atuação prática cotidiana educacional, além de agregar o conhecimento dos estudantes para transformação da sala de aula. Introdução O ambiente escolar deve proporcionar a aprendizagem e é imprescindível estabelecer saberes didáticos em sala de aula, além de reconhecer a necessidade da intervenção de práticas educativas que transcende em práticas construtivas (Ribeiro, 2016). Nessa perspectiva o presente relato de experiência busca abordar sobre o processo de construção de saberes geográficos a partir do uso da metodologia das instalações geográficas na promoção do conhecimento. Entendemos que desenvolver práticas pedagógicas que mobilizem o aluno para a centralidade do processo de produção do conhecimento permitem possibilidades de tornar o ensino de Geografia mais significativo (Cavalcanti, 2013). Esse processo deve ser ensinado na formação inicial de professores(as), focando não apenas em memorizar, mas que haja um apreender para conectar a aprendizagem do conteúdo à construção de conceitos geográficos, como afirma Santos (2024). Por esse sentido, concordamos com o autor que “aprendizagem, portanto, torna-se mais significativa em Geografia à medida que os conceitos são incorporados às estruturas de conhecimento de um aluno e adquirem significado a partir da relação com seu conhecimento prévio” (Santos, 2024, p. 82). Dessa forma, baseado em Cavalcanti (2013), entendemos que a formação de conceitos geográficos parte da mediação feita no trabalho docente, pois esse orienta e oportuniza o estudante desenvolver operações mentais para problematizar, sistematizar e sintetizar os temas geográficos. Esse processo é desafiante para o professor, pois a inclusão da geografia no cotidiano e o próprio ensino da geografia contempla a interdisciplinaridade na contextualização de conhecimentos propondo que os espaços em sua complexidade sejam interpretados, articulados e refletidos pelos estudantes. Logo, é preciso que a formação inicial de professores(as) tenha reflexões críticas para pensar estrategicamente possibilidades para a construção do conhecimento. E um dos grandes aliados tem sido o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). O PIBID foi uma política pública educacional, constituída em 2007 e implementada em 2009, “que muito vem atraindo professores da Educação Básica, como supervisores, professores da Educação Superior, como coordenadores de áreas e óbvio os licenciandos, como bolsistas de iniciação à docência, como nunca visto nestas dimensões no Brasil” (Carvalho, et. al., 2021, p. 199-200). Nesse cenário, o PIBID é um programa que oferta bolsas para a antecipação do vínculo docentes para os estudantes de licenciatura, objetivando sua integração e capacitação para o seu futuro espaço de trabalho, fazendo ter uma exitosa contribuição na formação de professores(as). Assim, enquanto projeto implementado pelo programa PIBID na Universidade Regional do Cariri, a aplicação da metodologia das Instalações Geográficas tem repercutido nas escolas da região do Cariri ao longo do tempo, trazendo novas possiblidade de trabalhar conteúdos geográficos através da representação e associação simbólica (Silva, 2020). Portanto, esse estudo busca relatar as experiências da metodologia das instalações geográficas, observando como essas estabeleceram relações e associações do que é visto em sala de aula (conteúdo) ao cotidiano, aproximando as experiências de vida dos estudantes, como também, conhecimentos do mundo que envolve em suas próprias vivências e contribuindo para uma avaliação construtiva. Para a avaliação das experiências, nos apropriaremos de uma abordagem de caráter qualitativo, mediante a averiguação da literatura e dos acervos produzidos. Objetivo Diante disso, este trabalho propõe analisar o uso das instalações geográficas e suas possibilidades de avaliação da aprendizagem escolar, a partir das experiências desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) em uma escola de Ensino Médio da região do Cariri cearense, sendo essa a EEEP Raimundo Saraiva Coelho. Metodologia Este trabalho foi desenvolvido com base em práticas pedagógicas implementadas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do uso da metodologia das Instalações Geográficas aplicada para o estudo do Geosítio Colina do Horto localizado em Juazeiro do Norte - CE, como proposta para o ensino de geografia com estudantes de ensino médio. Diante disto, sobre estas experiências, partimos de uma abordagem de caráter qualitativa, enfatizando as interpretações, sentidos e representações atribuídas pelos sujeitos investigados. (1) Em um primeiro momento, partiu-se da revisão de literatura acerca dos conceitos mobilizados na pesquisa, por meio das contribuições de autores, como Ribeiro (2016) e Cavalcanti (2013), para se ter um retrato sobre a construção do saber geográfico e necessidade de práticas pedagógicas que estimulem o processo da aprendizagem promovendo discursões das atividades didáticas em sala de aula. (2) Após a revisão bibliográfica, recorremos ao acervo fotográfico para a análise e seleção dos registros, na busca de enfatizar as representações presentes nas Instalações Geográficas. Para a sistematização dos dados, pautou-se a relação entre os significados atribuídos nas chamadas “Fichas técnicas” e da disposição de objetos selecionados. (3) Foram escolhidas duas experiências que tratam do tema da religiosidade e de fenômenos sociais e culturais contextualizado das relações da produção do espaço e da sociedade. Resultados As ações efetivadas no período de regência sucederam de planejamentos e organização para a realização das atividades propostas. Dentro desse período, o projeto aqui já apresentado teve como objetivo intervenção teórica e prática na formação acadêmica dos alunos bolsistas vinculados a instituição Universidade Regional do Cariri (URCA) e alunos e professor da escola E.E.E.P. Raimundo Saraiva Coelho. As ações desenvolvidas no período de regência em atuação no programa PIBID na produção didático-pedagógico esteve no processo de representações espaciais a estabelecer vínculo educativo envolvendo a interação e atuação entre a escola e universidade. Iniciaram-se assim, atividades de palestras, reuniões, planejamentos e debates. É o momento do direcionamento em que os bolsistas participaram para o progresso de suas ações no reconhecimento da importância do ensino-aprendizagem e como protagonista no seu desenvolvimento que se aplica nas práticas educativas com orientações para estruturar o trabalho docente. Encaminhou-se o uso da metodologia das instalações geográficas que contribuiu no ensino de geografia na produção do conhecimento. Assim é definida pelo autor Ribeiro (2016) como uma metodologia de representações de conteúdos geográficos baseado na produção das instalações mediados pela pesquisa e criatividade, utilizando signos e símbolos estes produzidos ou não pelo homem. Ainda considera como método de avaliação na materialização de conteúdos estudados que difunde na aprendizagem. Com o intuito de trabalhar com as instalações na turma de ensino médio, foi necessária uma primeira aproximação com os estudantes da classe sendo elaborada apresentação com uso do recurso didático datashow e algumas instalações já produzidas. Conduzindo os alunos na compreensão e apresentando definição e etapas definidas para aplicação desta metodologia, os bolsistas lançaram atividades que complementassem a integração da turma seguindo o planejamento e orientações do professor supervisor. Destaca- se, na figura 1 abaixo, o interesse dos alunos na mediação didática realizada. Durante aplicação da metodologia das instalações foi encaminhado o estudo do meio a partir de aula de campo proporcionando aos estudantes a experiência do cotidiano vivido incorporando o estudo da dinâmica social, econômica e territorial na região mais, especificamente, ao estudo do Geosítio Colina do Horto que se encontra na cidade de Juazeiro do Norte – CE. Para realização da aula de campo foi viável uma prévia visitação com os bolsistas e professor supervisor para análises e levantamentos que construíssem para a pesquisa geográfica inserida no estudo do meio. Trata-se de uma experiência enquanto prática educacional importante, objetivando o processo de ensino-aprendizagem em relevância ao direcionamento do processo investigativo e desenvolver o olhar crítico dos sujeitos pesquisadores. Nessa etapa de pesquisa e levantamento foram abordados em campo importantes aspectos geográficos e conceitos de lugar, território, paisagem no qual, apresentado na figura 2, os alunos buscaram a compreensão da ocorrência do forte turismo religioso da região, as transformações do espaço visualizadas na paisagem geográfica assim como puderam perceber o processo de urbanização inserido dentro da dinâmica espacial. Para execução das atividades propostas, a etapa final concretiza-se com o objetivo de estudo envolvendo a teoria e prática na produção das instalações geográficas priorizando a avaliação construtiva idealizada por esta metodologia. Constituiu no ato da materialização do conteúdo, momento o qual os alunos realizam a associação dos símbolos e signos e trabalharam a criatividade na escolha dos elementos significantes assim expondo as suas abordagens e conhecimentos. Mediante atividades propostas aos estudantes, desempenharam suas abordagens de conhecimento abarcando as experiências de pesquisa e construção das instalações geográficas conseguindo atribuir o conhecimento significativo enfatizando importantes aspectos culturais, econômicos e sociais. Para finalização do objetivo do estudo em questão, a escola foi o espaço utilizado para a exposição das produções das instalações geográficas (figura 3) em uma culminância organizada pelos bolsistas, professor supervisor, alunos protagonistas de suas produções e apoio também da coordenação escolar. O evento envolveu os estudantes e professores da escola, a comunidade local sendo também aberto ao público. Conclusão A relevância desse trabalho adquire aqui sua importância tendo como referência contribuições significativas no ensino de geografia assim como formação docente dos bolsistas vinculado no programa PIBID. Como prática educativa envolveu uso da metodologia das instalações geográficas visando a pesquisa, leitura e articulação com intervenção teórica e prática a partir do conhecimento geográfico. Referências CARVALHO, J.; SANTOS, F. K. S.; SOUSA, L. .; SERAFIM, A. . Incentivo à docência por meio do PIBID na formação inicial de professores de Geografia para educação básica. Metodologias e Aprendizado , [S. l.], v. 4, p. 197–205, 2021. CAVALCANTI, L. S. Os Conteúdos Geográficos no Cotidiano da Escola e a Meta de Formação de Conceitos. In: ALBUQUERQUE, M. A.; FERREIRA, J. A. S. (Org.). Formação, Pesquisas e Práticas Docentes. João Pessoa: Mídia Gráfica e Editora LTDA, 2013, v. 1, p. 367-394. RIBEIRO, E. A arte e criatividade em Geografia. Crato – CE, URCA, 2016. SANTOS, F. K. S. Aprendizagem em geografia e construção de conceitos. In: Carneiro, R. N.; ARAÚJO, R. L. (Org.). Didática da Geografia: seus elementos e suas linguagens. 1ed.Mossoró: Edições UERN, 2024, v. 1, p. 82-90. SILVA, Carlos Augusto Barros da. A criatividade na formação de professores: o caso do PIBID-Geografia na região do cariri cearense. 189f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2020.
Palavras-chave: Ensino de geografia,Instalações geográficas,Formação de professores
Oral
Abrir o trabalhoINSTALAÇÕES GEOGRÁFICAS: O PROCESSO CRIATIVO E A APLICAÇÃO DA METODOLOGIA NO ENSINO MÉDIO DA EEM POLIVALENTE ADAUTO BEZERRA EM CRATO - CE
MARCO AURÉLIO SIEBRA DE MELO; Cássio Expedito
Resumo: Ensinar requer estar em busca de novas metodologias com a proposta de tornar o processo de ensino e aprendizagem um ato construtivo. Dessa forma, este trabalho tem a proposta de obter novos elementos para formação de professores com a pretensão de mostrar como a Geografia pode encontrar na Arte através da construção de instalações e performance geográfica para serem metodologias avaliativas no processo de ensino aprendizagem. Para realização desta pesquisa foi necessário o estudo de caso em sala de aula na EEM Polivalente Adauto Bezerra, buscando-se compreender como trabalhar de forma criativa e artística na aula. Dessa forma, seguindo os passos metodológicos da instalação geográfica de Ribeiro (2014), a escola vem desempenhando seu papel socializador, seja na relação professor-aluno, na transmissão de conteúdo, na veiculação das crenças e valores, na organização do espaço escolar pelos agentes gestores e nas rotinas do cotidiano escolar, partindo da teoria em sala de aula ou a campo e desta para a prática. Palavras-chave: Instalações Geográficas; Avaliação; Ensino; Criatividade; Geografia. 1. Introdução Toda aula antes de ser ministrada aos alunos passa antes pela imaginação do professor(a). Isso faz com que a criatividade seja um dos exercícios mais praticados no processo de desenvolvimento do planejamento pedagógico. O processo de criação das atividades à serem desenvolvidas com os alunos(as) é um ato continuo no cotidiano do professor(a), pois a criatividade deste está diretamente relacionado com a maneira que percebe e interage com o espaço vivenciado e produzido na escola como espaço educacional, assim, como na/da comunidade do entorno, a qual influencia as medidas socioeducativas a serem adotadas pela gestão escolar (Silva, 2020). Neste sentido, compreende-se que a aula não se resume apenas ao espaço confinado das quatro paredes do que é concebido como sala de aula. O aluno não vivência apenas o espaço da sala de aula, a escola é um espaço que ainda necessita ser contextualizado no cotidiano das pessoas que vivenciam esse ambiente nos diversos níveis que compreendem suas atividades. A partir desta perspectiva, Ribeiro (2014) afirma que “a escola é um espaço polifônico”, o que dá a dimensão da relação social do ambiente escolar com o ponto de vista artístico da harmonia musical, possibilitando distinguir a potencialidade dialética do processo ensino aprendizagem vivido e sentido no espaço Geográfico da escola dos barulhos ensurdecedores do ensino bancário que, segundo Paulo Freire (1996), transfere apenas informação para o aluno, anulando toda potencialidade didático pedagógica e reproduzindo a prática apenas pela prática, precarizando o processo de ensino aprendizagem. Nesta perspectiva, é factível que o aluno enxerga o ambiente escolar como um lugar de obrigação social ao invés de um espaço de desenvolvimento pessoal e social. A motivação do aluno(a) está voltado para os momentos efêmeros das emoções instantâneas alienadoras, como as produzidas pelas redes sociais. Por isso, corroboro que “quando se trata de motivação, é importante compreender, por um lado, que é papel do professor orientar, direcionar e intervir nos motivos dos alunos, realizando a mediação didática.” (Libâneo, 2009 apud Cavalcante, 2010). A partir disso, é compreensível que o professor(a) se depare com alunos extremamente alheios aos assuntos discutidos durante as aulas devido ao alto nível de desconcentração motivados pelo consumo demasiado de produtos alienantes, como principal exemplo as redes sociais digitais através do uso excessivo de telas. São nestas perspectivas que as possibilidades da relação dialética professor/aluno são constituídas e afetadas pelo caminho guiado nos/dos conceitos geográficos proporcionando a ampliação da percepção dos sentidos ao ponto de começar a enxergar as realidades no/do seu entorno a partir da relação entre as atividades vivenciadas e produzidas nos mais diversos níveis no lugar. Desse modo, é possível compreender que a imaginação/criatividade seria o limite para o processo didático pedagógico no ensino de geografia, mas a realidade escolar apresenta-se como limitador deste processo, através da precarização estrutural do ensino público no país (Girotto, 2012). É importante destacar que, por mais que o mundo segundo Milton Santos (1996) seja globalizado em meio a um sistema técnico científico informacional, é evidente a precarização da estrutura de ensino público no país, desde o ensino básico ao nível superior. Com isso, os professores do ensino público lutam contra a escassez de recursos tecnológicos e/ou analógicos que possibilite a criação de dinâmicas capazes de possibilitar o interesse dos alunos em meio ao bombardeamento de informações através do uso excessivo de telas, o que, por sua vez, tem causado vícios compulsivos e sintomas semelhantes aos transtornos mentais, tornando mais difícil compreender e atender as demandas mentais/emocionais que não possui laudo médico para orientar a melhor forma de conseguir incluir o aluno no processo de ensino aprendizagem. A arte proporciona o meio com alto nível de potencialidade para que o aluno(a) seja capaz de aprender a “ler o mundo” segundo o que Callai (2005, p. 228 e 229) explica a seguir: Uma forma de fazer a leitura do mundo é por meio da leitura do espaço, o qual traz em si todas as marcas da vida dos homens. Desse modo, ler o mundo vai muito além da leitura cartográfica, cujas representações refletem as realidades territoriais, por vezes distorcidas por conta das projeções cartográficas adotadas. Fazer a leitura do mundo não é fazer uma leitura apenas do mapa, ou pelo mapa, embora ele seja muito importante. É fazer a leitura do mundo da vida, construído cotidianamente e que expressa tanto as nossas utopias, como os limites que nos são postos, sejam eles do âmbito da natureza, sejam do âmbito da sociedade (culturais, políticos, econômicos).Ler o mundo da vida, ler o espaço e compreender que as paisagens que podemos ver são resultado da vida em sociedade, dos homens na busca da sua sobrevivência e da satisfação das suas necessidades. Em linhas gerais, esse é o papel da geografia na escola. (Callai, 2005). Partindo do entendimento sobre o papel da geografia na escola, é possível utilizar, com efeito comparativo, a arte com o papel semelhante ao da geografia na escola, na perspectiva do processo de “aprender a ler o mundo” a partir de uma interpretação que expresse de forma significativa a relação vivenciada pelo aluno(a) na escola. Entendendo esse como ambiente científico e no meio onde reside e passar a perceber as relações associativas do conceitos apreendidos em sala de aula com a produção do espaço vivido, urge rever metodologias críticas e criativas para o ensino, como as instalações. Segundo o professor Emerson Ribeiro (2014), consiste no processo de materialização do conhecimento cientifico crítico geográfico apreendidos em sala de aula, através da representação artística das instalações e/ou performance que culmina em um produto carregado de elementos simbólicos, que denotam o entendimento e a relação vivenciada pelo aluno no meio o qual o mesmo está inserido, sobre os conteúdos discutidos dialeticamente durante o bimestre. As instalações geográficas são a materialização de relação pedagógica do ensino com a vida, possibilitando o professor trabalhar temas cotidianos e(m) conteúdos para chegar aos conceitos científicos. 2. Objetivo O presente trabalho tem como objetivo analisar novos elementos para formação de conceitos aos alunos da EEM Polivalente Adauto Bezerra com a construção de instalações geográficas e performances que potencializem o processo de ensino e aprendizagem e avaliação na disciplina de Geografia. 3. Metodologia Para alcançar os resultados dessa pesquisa, primeiramente foi necessário fazer uma revisão bibliográfica sobre arte e geografia, metodologias de ensino, criatividade e formação de conceitos. Em seguida, foram feitos os primeiros contatos com a EEM Polivalente Adauto Bezerra, apresentando a metodologia da pesquisa e a proposição das instalações geográficas para a professora de Geografia. Nesse sentido, foi escolhido trabalhar com a turma do 3° ano. A partir disso, tomando como base os passos metodológicos de Ribeiro (2014), foi selecionado o conteúdo de globalização e lugar para materializar nas instalações. Nesse sentido, foi estruturado aulas teóricas para trabalhar o tema, ao mesmo tempo sendo pensado o material base, que foi lata de cacimba. Com uma abordagem qualitativa do processo de ensino e aprendizagem, propiciando a construção das potencialidades cognitivas do raciocínio crítico, serão proporcionados que essa turma busque objetos que materializam signos e símbolos do conteúdo. Neste sentido, durante nas aulas ministradas estão sendo orientados aos alunos a potencialidade de enxergar além do que é visível nos objetos escolhidos para representar os conceitos abordados em sala e/ou capturados em campo. O método de análise é o materialismo histórico dialético marxista, na intenção de superar as limitações críticas dos alunos através da arte como meio de produção desalienante. 4. Resultados Os resultados são preliminares, pois a pesquisa do presente trabalho está em processo de desenvolvimento, seguindo o calendário educacional bimestral da instituição de ensino médio a qual está sendo aplicada a metodologia das instalações geográficas como avaliação do processo de ensino aprendizagem na disciplina de geografia. Deste modo, resultados definitivos só serão possíveis após processo de construção das instalações geográficas ao final do bimestre, materializando o aprendizado sedimentado em sala de aula e campo realizados ao longo do bimestre, seguindo o roteiro sugerido pela BNCC como caminho para ampliação das competências e habilidades cognitivas dos educandos(as). No entanto, é possível apreender de forma preliminar que os alunos tornam-se participativos quando são postos como protagonistas do processo de construção do seu próprio conhecimento ao compartilhar de forma dialética as vivências cotidianas, que antes não eram percebidas do ponto de vista crítico, pois ainda não haviam sido percebidas, pois é evidente a intensidade da alienação sofrida pelos alunos(as) no espaço produzido para e por eles(as), constituindo os entornos do ambiente escolar. 5. Conclusão A expectativa dessa pesquisa é que os(as) jovens está relacionada diretamente na (in)capacidade de expressar as emoções sobre as dificuldades de absorção dos conceitos geográficos apresentados em aula. Por este motivo, a arte através do processo criativo das instalações tem proporcionado subsidio necessário para alcançar uma comunicação dialética de forma eficiente ao ponto de conseguir preencher lacunas crítico cognitivas da aprendizagem no Ensino de Geografia. 6. Agradecimentos Aos integrantes do Laboratório Quatro Elementos, que potencializam através do convívio e grupo de estudos a possibilidade de pensar criativamente. A professora Ruth Rocha e ao professor Carlos Jeferson, bem como a comunidade escolar da EEM Polivalente Adauto Bezerra, por proporcionar o ambiente necessário para o desenvolvimento das atividades da pesquisa em sala de aula. Aos meus amigos e professores Carlos Augusto, Cássio e Antônio Marcos, por todo o incentivo e paciência com orientações e indicações de leituras que engrandeceram ricamente o desenvolvimento deste trabalho. Em especial a minha esposa Maria Fagna e a minha filha Maria Clara, por serem minha maior motivação para tudo nessa vida. 7. Referências CAVALCANTI, Lana de Souza. A geografia e a realidade escolar contemporânea: avanços, caminhos, alternativas. ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL: CURRÍCULO EM MOVIMENTO – Perspectivas Atuais, Belo Horizonte – MG, novembro de 2010. CALLAI, Helena Copetti. Aprendendo ler o mundo: a Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Cad. Cedes, Campinas, vol. 25, n. 66, p. 227-247, maio/ago, 2005. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo – SP, Paz e Terra, 1996. RIBEIRO, Emerson. A arte e criatividade em Geografia. Crato – CE, URCA, 2016. RIBEIRO, Emerson. Processos criativos em instalações geográficas e Pedagógicas. Sobral – CE, Sertãocult, 2023. SANTOS, Milton. Técnica, Espaço e Tempo: globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo – SP, EDUSP, 1994.
Palavras-chave: Instalações Geográficas; Avaliação; Ensino; Criatividade; Geografia.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO ESTUDO DO MEIO COMO METODOLOGIA PARA A APREENSÃO DAS PRÁTICAS SOCIOESPACIAIS
RUTH RIBEIRO ROCHA BRITO
Resumo: Este trabalho surge em razão de leituras realizadas sobre estudo do meio para a realização de pesquisa de mestrado profissional em Geografia na (URCA), Universidade Regional do Cariri. O mesmo tem como objetivo, Compreender o Estudo do Meio como metodologia eficiente para a compreensão das práticas socioespaciais cotidianas, tornando os conteúdos, sobretudo os de Geografia mais próximo dos discentes. Por se tratar de uma pesquisa de cunho bibliográfico, a mesma pautou-se nas seguintes etapas de construção: seleção das obras de Pontuschka que seriam analisadas de acordo com o objetivo, leitura e fichamento destas obras e por fim, organização de estrutura escrita deste trabalho. 1. Introdução O ensino de Geografia nas escolas do Brasil, desde o período colonial foi pensado por interesses de uma elite com o intuito de moldar valores que serviriam para um controle social. A prática de ensino dos professores de geografia seguiu nesta linha de raciocínio, inicialmente, orientados por livros/cartilhas elaboradas para professores como guia para o ensino. Essa geografia foi atrelada a uma prática de ensino que tinha como principal metodologia as aulas tradicionais com objetivos mnemônicos, modelo que, de certa forma, perdura em muitas escolas brasileiras até os dias atuais. Hoje, esses professores são orientados por currículos que não levam em conta a realidade dos alunos e professores e por políticas públicas, ou não, distantes da vida cotidiana/lugar e dos interesses da comunidade escolar e que limitam práticas de ensino mais dinâmicas que busquem o protagonismo estudantil, tornando o ensino de geografia mais significativo e atraente para os alunos. Nesse contexto, torna-se necessário pensarmos e repensarmos práticas de ensino de Geografia para o desenvolvimento de habilidades e competências que levem os alunos a uma leitura das práticas socioespaciais locais, associando as interferências globais no espaço de vivência, assim como, reconhecer a força dos lugares através das resistências locais. Diante dessa realidade, se faz necessário que professores livres e autônomos possam desenvolver práticas de ensino que consigam ultrapassar os muros escolares, as aulas em que os professores ensinam e os alunos apenas aprendem, assuntos distantes da realidade e estranhos aos alunos. Assim, aulas que explorem as potencialidades do lugar para o Ensino de Geografia podem ter um significado e interesse para os discentes. O estudo do meio emerge como uma possibilidade metodológica que, ao integrar o ambiente ao processo de ensino-aprendizagem, rompe com modelos tradicionais, permite uma leitura mais sensível e crítica do lugar, capaz de aproximar teoria e prática ao mesmo tempo que torna os assuntos de Geografia mais próximo dos alunos. 2. Objetivo Compreender o Estudo do Meio como metodologia eficiente para a compreensão das práticas socioespaciais cotidianas, tornando os conteúdos, sobretudo os de Geografia mais próximo dos discentes. 3. Metodologia Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa e de natureza bibliográfica fundamentada em análise em obras de Nídia Nacib Pontuschka, em razão da sua relevância na área e ensino no Brasil, sobretudo nas pesquisas relacionadas a metodologia denominada Estudo do Meio. O Estudo do Meio é uma prática pedagógica analítica, crítica, integradora, capaz de transformar a relação do aluno com o seu lugar, na medida que o discente passa a ter uma visão diferenciada a partir desta prática, contribuindo para uma consciência crítica da sua realidade. A escolha de obras de Nídia Nacib Pontuschka como base para a pesquisa justifica-se pela profundidade teórica que a autora oferece, dando subsídios significativos para compreender como essa metodologia pode ser aplicada no contexto da educação, com o objetivo de favorecer a análise das práticas socioespaciais pelos estudantes. A análise centrou-se em três obras da autora: Estudo do Meio: momentos significativos de apreensão do real (Pontuschka, 2007); "O conceito de estudo do meio transforma-se... em tempos diferentes, em escolas diferentes, com professores diferentes" (Pontuschka, 2004); "O Estudo do Meio como trabalho integrador das práticas de ensino" (Pontuschka et al., 1991). Após a seleção das obras que atenderiam ao objetivo da pesquisa foi feito a leitura e realização de fichamento do material, para em seguida organizar a estrutura e escrita, seguindo as discussões propostas pela autora. 4. Resultados De acordo com Pontuschka (1991), o estudo do meio apresenta-se como uma possibilidade concreta de superação da fragmentação institucional na formação de professores, bem como do isolamento das disciplinas no contexto da educação básica. Essa prática pedagógica propõe uma abordagem interdisciplinar da realidade, atuando como elemento integrador capaz de articular diferentes áreas do conhecimento — como o ensino de História e de Geografia — sem, contudo, comprometer as especificidades de cada disciplina. Com base nas contribuições de Pontuschka (2004), o Estudo do Meio configura-se como uma metodologia que visa superar a fragmentação dos conhecimentos escolares, promovendo uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. Ao possibilitar que os discentes desenvolvam um olhar atento, crítico e comprometido com o lugar estudado, essa abordagem contribui para a construção de um conhecimento geográfico mais integrado à realidade vivenciada pelos alunos. Nesse processo, elementos como ver, analisar, observar e criticar tornam-se essenciais para que o estudante compreenda as dinâmicas socioespaciais a partir de uma perspectiva dialógica, em que o espaço deixa de ser apenas cenário e passa a ser concebido como produto das interações humanas e naturais. Essa vivência direta com o objeto de estudo potencializa a compreensão dos fenômenos espaciais, ao mesmo tempo que fomenta a valorização do lugar como espaço de identidade e de pertencimento. Além disso, a autora destaca a importância de se promover um trabalho interdisciplinar que preserve a especificidade dos saberes, articulando diferentes áreas do conhecimento sem descaracterizar os fundamentos da Geografia ou de outra disciplina. Essa articulação é fundamental para que os alunos possam "saber ver" o lugar de forma crítica, identificando problemas concretos e compreendendo que as explicações para tais questões muitas vezes transcendem uma área de conhecimento e o lugar imediato de vivência. Pois, O Estudo do meio é uma metodologia de ensino interdisciplinar que pretende desvendar a complexidade de um espaço determinado extremamente dinâmico e em constante transformação, cuja totalidade dificilmente uma disciplina escolar isolada pode dar conta de compreender. (Pontuska, 2007 p.173) Assim, o contato direto com o meio por diferentes áreas de conhecimento e a posterior reflexão são passos essenciais para a construção de um conhecimento que vá além da descrição, alcançando interpretações que considerem a complexidade das relações socioespaciais. A prática do Estudo do Meio, quando bem orientada, torna-se uma ferramenta potente para a formação de sujeitos ativos, capazes de intervir de forma crítica e consciente na realidade que os cerca. Pontuschka 2007 destaca que uma das partes mais importantes do estudo do meio é trabalho de campo, através da experiência, os alunos podem usar sentidos e suportes para levantar questões que só se apresentam de forma aparente. Ir além da história oficial, trazer novas possibilidades pela experiência em campo, leva professores e alunos para além do que se ver e do que se houve, apreendendo o que está por traz do aparente e por traz do que se fala. O estudo do meio é organizado por etapas definidas previamente que são fundamentais para o sucesso desta metodologia de ensino. Pontuschka (2007, p. 180, adaptação nossa.), explica que: 1- Neste primeiro momento parte-se da reflexão sobre a prática pedagógica existente na escola e da crítica a compartimentação do conhecimento para pensar em possíveis ações interdisciplinares. É o encontro dos sujeitos sociais...; 2- Visita preliminar e a opção pelo percurso, esta etapa se efetivará com a preparação prévia, com a definição dos instrumentos e das tarefas a ser desenvolvidas...; 3- O planejamento, é preciso lembrar que isso não garante que todas as atividades previstas sejam efetivadas, pois em um trabalho de campo também ocorrem imprevistos, os quais vezes são enriquecedores e outras vezes oferecem restrições. Em sala de aula, são discutidas as razões pelas quais se escolheu o roteiro e dá-se início ao planejamento do trabalho de campo...; 4-Elaboração de caderno de campo, Na elaboração do caderno de pesquisa de campo, é importante haver o levantamento dos instrumentos necessários, das práticas de coleta de informações, dos diferentes registros - entrevistas, desenhos, lugares - a ser fotografados, da distribuição das responsabilidades e das tarefas de cada pessoa ou grupo...; 5- A pesquisa de campo, o trabalho de campo, educadores e educandos precisam superar o cotidiano que impede o sentir e o criar e constitui empecilho para chegar ao conhecimento. Esse é o momento do diálogo: com o espaço, com a história, com as pessoas, com os colegas e seus saberes e com tantos outros elementos enriquecedores de nossa prática e de nossa teoria... Após o estudo em campo dar-se início ao processo de análise de todos os registros feitos pelos alunos e das suas percepções a partir dos seus estudos. Vale salientar a importância de uma avaliação de todo o processo e a possibilidade de um retorno para toda comunidade escolar. 5. Conclusão O Estudo do Meio constitui uma prática pedagógica interdisciplinar potente para o ensino e aprendizagem, especialmente para a geografia, quando se busca desenvolver a compreensão das práticas socioespaciais e fortalecer o vínculo entre o conteúdo escolar e a realidade vivenciada pelos alunos. Ao permitir a integração entre teoria e prática, essa metodologia potencializa a aprendizagem significativa, promove o protagonismo estudantil e favorece o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre o espaço vivido. Além disso, o Estudo do Meio possibilita a construção de uma nova postura frente ao processo educativo, rompendo com o ensino tradicional, isolado por disciplinas. Ele convida o aluno a sair da passividade e a tornar-se sujeito ativo de seu processo de aprendizagem.
Palavras-chave: Ensino de Geografia,Interdisciplinaridade,Práticas Socioespaciais,Lugar,Estudo do Meio
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO TURISMO NOS CONTEUDOS DE GEOGRAFIA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
AIRLES MARIA MELO SALES
Diversos são os saberes discutidos e abordados no campo da Geografia, dentre muitas possibilidades definimos por analisar o Turismo e o Ensino de Geografia em busca de interfaces entre os mesmos. Para tanto algumas considerações são pertinentes a fim de que possamos compreendê-los e, a partir dessa compreensão inserirmos dentro do contexto do Ensino de Geografia. Podemos encontrar diversas definições do termo Turismo e, aqui cabe destacarmos a definição aquela que é adotada pela Organização Mundial do Turismo, que é um organismo oficial. Nesta definição O turismo é uma modalidade de deslocamento espacial, que envolve a utilização de algum meio de transporte e ao menos um pernoite no destino; esse deslocamento pode ser motivado pelas mais diversas razões, como lazer, negócios, congressos, saúde e outros motivos, desde que não correspondam a formas de remuneração direta. (APUD CRUZ, 2003, p. 04) O desenvolvimento e o crescimento da atividade turística estão intimamente ligados, a vida nos grandes centros urbanos e toda sua conjuntura de correria diária, o próprio capitalismo e a divisão social do trabalho produzem a “necessidade” do ócio, do descanso, do lazer. O lazer passa a ser uma necessidade para as sociedades contemporâneas, cada vez mais há uma procura por dar qualidade a esse tempo do não-trabalho, fazer o que de fato contribui para o seu descanso. É dentro desse contexto, que atuam as publicidades e mídias que “vendem” as paisagens turísticas que chamam atenção por seus aspectos paradisíacos, pois, dentro dessa lógica de marketing existem As paisagens consideradas mais atrativas pelo turismo na atualidade são criações culturais que têm muito a ver com o que se habituou chamar de cultura de massa e, portanto, com o papel da mídia na homogeneização de gostos e na disseminação de padrões de consumo homogeneizados. (CRUZ, 2003 p.10) Nossa pesquisa procura abordar o Turismo e suas relações com a Geografia, como podemos observar nas palavras de Cruz “O Turismo é antes de mais nada uma prática social, que envolve o deslocamento de pessoas pelo território e que tem no espaço geográfico seu principal objeto de consumo” (2003, p.05), portanto, por ser uma prática social e que ocorre dentro do espaço geográfico, podemos inferir não somente o Turismo como passível de ser analisado sob a perspectiva geográfica, mas, também sob o entendimento da grande contribuição que esta ciência pode ter na compreensão deste fenômeno sócio-espacial. Em busca de buscarmos aproximações entre o Ensino de Geografia e o Turismo, tomamos como base Soller e Castrogiovanni, onde os mesmos afirmam que “o ensino de Geografia e o Turismo, em diálogo, têm potencial de exercer várias funções: fruição, conhecimento crítico, informação, educação, compreensão, desenvolvimento de vínculos de subjetividade, sonhos, etc.” (APUD CASTROGIOVANNI, SANTOS, 2021, p. 107) No entanto, é necessário também frisar que o Turismo possui uma face complexa, e sua abordagem tem caráter multidisciplinar e, que sua compreensão requer embasamentos em outras áreas do conhecimento, especificamente nas Ciências Sociais, além de contemplar também aspectos econômicos, psicológicos, dentre outros. No entanto, o mesmo ainda necessita ter bases teóricas bem definidas a fim de que se possa subsidiar novos estudos e pesquisas. O turismo enquanto prática social causa profundas transformações no espaço, pois, para que haja as condições necessárias para sua realização são implementados objetos turísticos e/ou a utilização dos já existentes que passam a ter novas funções no intuito de atender as demandas turísticas. Além dessas grandes transformações/modificações causados no espaço, pela implantação desses objetos turísticos, devemos considerar também a ligação que este tem com a paisagem, pois, A observação da paisagem assim considerada é de grande importância nos estudos de Geografia do Turismo. A paisagem em si é um notável recurso turístico. tendo em vista que o turista busca na viagem a mudança de ambiente. Rompimento com o cotidiano, a realização pessoal, a concretização de fantasias, a aventura e o inusitado, quanto mais exótica for a paisagem, maia atrativa será para o turista. (RODRIGUES, 1991, p. 06) A paisagem, portanto, se configura enquanto grande atrativo para a atividades turística, muitas vezes tais paisagens vendidas são na verdade construções culturais onde se valoriza o que deve ou não chamar atenção do viajante, mais comumente, paisagens de praias, montanhas, parques naturais dentre outros. Para além da discussão de paisagem no Turismo dentro da perspectiva geográfica, outras categorias de análise também estão aí inseridas, tais como o lugar, o território, conceitos essenciais para que possamos compreender todas as práticas que são englobadas pela prática da atividade turística. Nos volatermos para a investigação de como vem sendo abordado o Turismo no Ensino de Geografia em alguns livros didático adotados para o Ensino Médio, como essa temática vem sendo tratada, diante da importância da ciência geográfica no que se refere à análise do espaço geográfico e tudo que envolve as atividades nesse espaço realizada. Perceber o uso da paisagem, dos territórios bem como os atores evolvidos nessa prática socioespacial. Nossa pesquisa se realiza na EEMTI Waldir Leopércio, localizada à Rua Tenente Pedro Cruz, Nº, Empréstimos, Varjota – Ce, analisaremos a coletânea de Ciências Humanas, que hoje são utilizadas no Ensino Médio. Nestas, os professores realizam uma espécie de filtro dos assuntos que correspondem à sua disciplina de atuação. Essa nova organização ocorre após a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 13.415/2017 que culminou com o Novo Ensino Médio e as Bases Nacionais Comuns Curriculares. Para além dessa análise também participamos de alguns momentos de planejamento a fim de identificarmos junto aos professores titulares os assuntos que estão sendo trabalhados em cada uma das séries de Ensino Médio e, a partir dessa reflexão iniciarmos nossas investigações do olhar que a Geografia vem tendo a respeito do Turismo.
Oral
Abrir o trabalhoPARA ALÉM DA LOUSA: uso das instalações geográficas para o enriquecimento da prática pedagógica
LETICIA KAUANA ALVES DE SOUZA
PARA ALÉM DA LOUSA: uso das instalações geográficas para O enriquecimento da prática pedagógica 01 - EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA E CRIATIVIDADE Letícia Kauana Alves de Souza Robinson de Souza dos Santos (Orientador) Resumo: As instalações geográficas são utilizadas em projetos que têm como foco um método criativo e não tradicional, utilizando conteúdos geográficos comumente apresentados em aulas expositivas, além de propocionar momentos de formação para os estudantes envolvidos. O objetivo é oferecer uma experiência inovadora que estimula a participação ativa e a construção do pensamento crítico. A metodologia utilizada inclui uma abordagem qualitativa, pesquisa exploratória e de campo, integrando a teoria e prática. Como resultado parcial do projeto, destacamos um exercício prático realizado com a turma e sua participação, expressa por meio de questionamentos e curiosidade, o que tem contribuído significativamente para a culminância do projeto. Palavras-chave: Criatividade; Pensamento crítico; Metodologia alternativa; Introdução Apesar do desenvolver contínuo do saber didático, o ensino de geografia passa por limitações, no sentido de ainda ser, frequentemente, uma educação expositiva e bancária, onde o educando é visto como um mero receptor e o educador deve preenchê-lo com informações e conhecimentos, sem que o aluno construa um pensamento crítico. Assim, surgem as instalações geográficas, que propõem uma metodologia dinâmica e uma forma de expressão artística. Segundo Freire (1996), o que protege o aluno da potência do ensino bancário, é o estímulo do raciocínio analítico e a competência de tornar o aluno apto à busca por respostas, o livrando de um futuro alienado. Ribeiro (2013) aponta que a Instalação Geográfica trata-se de uma forma de representação de conteúdos geográficos pesquisados e desenvolvidos com criatividade através de signos e símbolos aplicados sobre objetos criados pelo homem ou bens naturais. Nesse contexto, as instalações geográficas surgem como uma oportunidade de o discente vivenciar o conteúdo de maneira interativa e empírica, distanciando-se do método de ensino tradicional. Sabendo, então, que as instalações surgem como uma abordagem inovadora, o presente resumo expandido irá abordar a aplicação deste método em sala de aula, através da oportunidade de contato através da bolsa do PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. A produção da técnica está sendo realizada em uma turma de alunos do segundo ano do ensino médio, na escola profissionalizante chamada E.E.E.P. Raimundo Saraiva Coelho, localizada na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará. Objetivo Este estudo objetiva compartilhar as etapas em andamento da experiência de aplicação da proposta pedagógica das instalações geográficas, focando no estímulo da criatividade e protagonismo dos alunos no processo de aprendizagem. Além de incentivar o uso da metodologia para o enriquecimento da prática pedagógica. Metodologia A metodologia adotada neste projeto tem como base uma abordagem qualitativa, em que o resultado do estudo é baseado em uma análise e compreensão do objeto. Além disso, estamos aplicando uma pesquisa exploratória, considerando que as instalações geográficas, com origem nas artes visuais, foram consolidadas como um recurso metodológico da geografia e vem sendo apropriada também por outras áreas de conhecimento, ampliando seu potencial pedagógico interdisciplinar e permitindo outras pespectivas e leituras, além de adaptações. Por conta do constante aprimoramento, as instalações passam por mudanças que devem ser exploradas para uma aplicação bem sucedida. Também utilizamos a pesquisa de campo, para unir a base hipotética e execução em um mesmo projeto. Portanto, iniciamos primeiramente explorando conceitos, datas, autores e estrutura física dessas instalações, para que a teoria complemente a prática. As atividades são programadas nos dias de planejamento, quando estamos em conjunto - bolsistas e professor supervisor - e são separadas em etapas para em seguida levarmos à turma. O professor supervisor, junto do coordenador do PIBID, selecionou alguns eixos temáticos, os quais influenciarão na criação das instalações geográficas. Os eixos estão enquadrados na Geografia Urbana e são os seguintes: Práticas espaciais; dinâmica e mobilidade; geografia econômica e desenvolvimento do espaço urbano. Após a escolha do eixo, planejamos difundir o tema através de algumas etapas, que incluem: Esclarecimento e definições sobre representações do espaço; apresentação sobre o que são as instalações geográficas, autoria, objetivos e exemplos de outros projetos produzidos anteriormente, além de alguns conceitos essenciais quando falamos de instalaçoes, como o estudo do meio e a teia de ideias - o último incluindo a ficha técnica e a escolha de base. A seguir, apresentam-se os resultados iniciais. Resultados Tendo em vista o uso de uma metodologia não tradicional, a proposta tem sido envolver os alunos em uma aprendizagem centrada na participação ativa, rompendo com um ensino engessado. Como afirmam Bonifacio et al (2020), a aplicabilidade de um método diferenciado faz com que os discentes tenham um aprendizado mais marcante, criando uma identidade própria neles e os fazendo sentirem-se como parte de uma sociedade ativa. Sobre esta questão, Pierre Monbeig afirma: Não se trata, porém, de modo algum, de se aprender de cor uma lista de nomes de cidades, de rios, montanhas e, sim, de coisas básicas, que mais tarde, em outras funções, vão ser desenvolvidas, que farão com que o aluno compreenda o movimento de ação e reação. (MONBEIG, 1995, p. 22) Para o autor, os ensinamentos de geografia não devem estar aprisionados na memorização ou na simples busca por um resultado quantitativo e avaliativo, mas sim ter uma função de desenvolver a formação cívico-moral do aluno e o entendimento do espaço em que vive. No intuito de construir o conhecimento, optamos por introduzir o tema de maneira gradual, valorizando o real aprendizado dos educandos e incentivando-os a tirarem dúvidas e reduzir as resistências e medos associados à geografia. Apesar do uso de aulas expositivas, as explicações, ainda assim, buscam o dinamismo, pois as instalações vão tratar justamente, como Ribeiro (2014) afirma, de uma abordagem inovadora de representar um conteúdo geográfico, estudado no dia a dia, através do ensino tradicional, por meio de signos e símbolos, utilizados de maneira criativa sobre objetos naturais ou artificiais. Essas atividades não estão presas ao âmbito escolar ou universitário apenas, mas também fora dele, ampliando o impacto social. Até o presente momento, o projeto tem tido avanços significativos no engajamento da turma e é possível perceber o envolvimento crescente deles, que desde o princípio mostrou-se uma turma receptiva, participativa e com forte capacidade de análise crítica. Os primeiros encontros permitiram a introdução teórica do conceito de instalação geográfica, como dito anteriormente, mas também a aplicação prática de atividades que estimularam a criatividade e a capacidade de articular os conteúdos curriculares com expressões visuais e espaciais. A cada aula dada, tentamos trazer exemplos práticos que fomente a ideia de espaço em suas mentes, fazendo comparações com o ambiente escolar ou da cidade em que moram, além de sempre relacionar com aulas dadas pelo professor de geografia, sem que o tema esteja diretamente atrelado às instalações. Na aula que aprofundamos o tema, falamos um pouco sobre as etapas para executar uma instalação geográfica: Conceito, objetivo, passo a passo (que envolve o que são os símbolos e signos e o que é a base), estudo do meio, ficha técnica e teia de ideias. Para analisar o entedimento da turma solicitamos um exercício em grupos de cinco que exigia deles um pouco de imaginação: anteriormente, estavam estudando o tema “Capitalismo financeiro”, então propusemos que pensassem no tema e em símbolos e signos que se conectassem com a temática. O desfecho da atividade mostrou-nos que o objetivo havia sido alcançado e que eles de fato captaram com clareza o que foi passado em sala. A seguir, estão alguns dos resultados: Outro momento marcante e recente do projeto, foi a aula em que lecionamos os eixos temáticos citados anteriormente. A proposta foi guiá-los para a futura aula de campo ao Horto - bairro do Juazeiro do Norte e objetivo central de muitos turistas que chegam à cidade, por conta da estátua do Padre Cícero - e apresentá-los um olhar geográfico para compreensão do espaço urbano de maneira crítica e técnica. A turma mostrou-se engajada e interessada, o que demonstrou o quanto o tema dialogava com suas vivências do cotidiano. A discussão foi facilitada justamente porque conseguimos estabelecer uma ponte entre o conteúdo geográfico e o contexto local. Por exemplo: ao falarmos de mobilidade urbana, utilizamos como exemplo o uso do teleférico e os alunos envolveram-se rapidamente, relacionando o teleférico com os problemas e soluções de deslocamento na cidade, Nessa mesma direção, citamos o exemplo do bairro Centro, também localizada no Juazeiro do Norte, e a dificuldade de mobilidade para os transeuntes em momentos de turismo. Desse modo, o conteúdo deixa de ser abstrato e passa a ser tangível em suas realidades. A aula foi extremamente importante, pois mostrou que, ao aproximarmos a geografia do cotidiano, conseguimos alcançar um ensino verdadeiramente significativo e transformador. O projeto ainda tem muito a ser desenvolvido e os próximos passos serão essenciais para uma avaliação real da potência das instalações geográficas e seu enriquecimento da prática pedagógica, mas a preparação para o momento de culminância - tanto teórico quanto metodológico - tem gerados grandes resultados. Os discentes estão, gradualmente, mais familiarizados com a proposta das instalações e começam a demonstrar autonomia na formulação de ideias e interpretações do espaço. Conclusão Acreditamos, portanto, que as instalações podem fazer a diferença no ensino em sala de aula, e indo mais além, no futuro dos alunos enquanto cidadãos. A união de conteúdo escolar com a experiência é de grande importância para o discente, principalmente se falamos de uma escola profissionalizante e/ou integral, em que os alunos têm um ciclo social reduzido ao âmbito escolar. Com a possibilidade de uso de uma abordagem alternativa, os educandos finalmente podem ter uma percepção prática do espaço em que vivem. A educação é de capacidade transformadora, modificando não apenas nós como pessoas que convivem em uma sociedade, mas no sentido de mudança de vida, e por isso é necessária a luta por um ensino igualitário e acessível. Desse modo, investindo em ideias como a instalação geográfica, estamos também conquistando um espaço de mudança em uma educação comumentemente desigual, que invisibiliza e que tem como foco a transmissão de ensino e não o verdadeiro aprendizado. Referências BONIFÁCIO, Ingrid Ribeiro Olanda et al. Metodologias para o ensino de Geografia: o uso de cartilhas geográficas. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 7, p. 52616–52620, 2020. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. MONBEIG, P. A Geografia moderna e o seu ensino. Revista Geográfica, n. 43, p. 19-24, 1995. RIBEIRO, Emerson. Processos criativos em Geografia: metodologia e avaliação para a sala de aula em instalações geográficas. 2014.
Palavras-chave: CriatividadePensamento crítico Metodologia alternativa
Oral
Abrir o trabalhoREFLEXÕES SOBRE O ENSINO CONTEXTUALIZADO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
LEILA NOEMIA ALENCAR LEITE
Este trabalho faz parte do projeto em andamento junto ao Mestrado Profissional em Rede Nacional em Ensino de Geografia da Universidade Regional do Cariri – PROFGEO/URCA, cujo objetivo é refletir sobre o ensino contextualizado da Geografia na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Diante das problemáticas e particularidades que envolvem a EJA, surgiu a questão: Como o ensino contextualizado de geografia na EJA pode contribuir para uma aprendizagem significativa nessa modalidade? Os autores consultados apontam que é preciso superar o modelo compensatório e conteudista que acompanha a EJA e considerar os saberes dos alunos jovens e adultos no processo de ensino-aprendizagem. A referida análise é um Estudo de Caso que se desenvolve no Centro de Educação de Jovens e Adultos Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira – CEJA/Crato. A metodologia envolve o estudo bibliográfico e a aplicação de questionários, com os professores da área de ciências humanas e de entrevistas semiestruturadas com os estudantes que estão cursando a disciplina de Geografia na escola. 1. Introdução Os apontamentos apresentados no presente texto resultam dos estudos bibliográficos desenvolvidos para a realização da pesquisa de mestrado que busca refletir sobre o ensino contextualizado da Geografia no CEJA Crato. O embasamento teórico que se desenvolve está contribuindo consideravelmente para a compreensão da EJA, suas problemáticas e desafios, assim como também para o entendimento da importância do papel da Geografia escolar para essa categoria de ensino. Os estudantes jovens e adultos são sujeitos que possuem uma trajetória de vida repleta de experiências e saberes que podem e devem ser considerados como ponto de partida para o ensino contextualizado da Geografia. Este, consiste em aproximar os assuntos abordados da realidade dos estudantes, de forma que os educandos possam identificar os conhecimentos geográficos no seu cotidiano e consigam através da Geografia, interpretar as contradições presentes no espaço do qual estão inseridos. Busca-se, a partir das reflexões aqui proferidas, destacar a importância da relação entre os conhecimentos dos estudantes jovens e adultos e o ensino de Geografia. Entretanto, para que o ensino de Geografia possa ser contextualizado e significativo para os estudantes da EJA, é preciso compreender as problemáticas e a particularidades que a caracterizam e que interferem no processo de ensino e aprendizagem. 2. Objetivo O presente texto tem como objetivo refletir sobre ensino contextualizado da Geografia na EJA, destacando a importância de se considerar os saberes dos educandos como caminho para o desenvolvimento de uma educação que seja significativa e que contribua para a compreensão da realidade. 3. Metodologia Os questionamentos que norteiam o presente estudo surgiram a partir das observações e vivências da pesquisadora no seu ambiente de atuação que é o CEJA Crato-CE, o que despertou a necessidade de refletir sobre o ensino de Geografia na realidade dessa escola, caracterizando a pesquisa como um Estudo de Caso. Para o desenvolvimento do trabalho, além do estudo bibliográfico, estão sendo aplicados questionários com os docentes que atuam com a Geografia e entrevistas semiestruturadas com os discentes que estão cursando a disciplina. As informações obtidas serão analisadas de forma qualitativa, porém, como os dados serão utilizados para fundamentar as análises desenvolvidas, será adotada uma abordagem Quali-quantitativa. O presente trabalho, portanto, encontra-se na fase de construção do referencial teórico e da pesquisa de campo. As leituras desenvolvidas têm permitido uma compreensão mais aprofundada sobre as características e as problemáticas relacionadas à EJA no Brasil e as novas tendências para o ensino de Geografia. 4. Resultados A Geografia enquanto conhecimento escolar desempenha um papel essencial para a construção de uma consciência crítica e da cidadania entre os estudantes. Compreender e refletir sobre a realidade do qual se está inserido é o primeiro passo para o desenvolvimento de uma consciência de classe e consequentemente cidadã. No entanto, para que esse objetivo seja alcançado é necessário que os alunos aprendam a interpretar a realidade a sua volta e consigam perceber que a Geografia está presente em todos os lugares, no dia a dia, e que através desse olhar geográfico é possível ter um entendimento não apenas do contexto local em que se faz parte, mas também de outras escalas geográficas: regional, nacional e mundial. Como demonstra Cavalcanti (2012. p.91): A geografia escolar permanece no currículo escolar porque tem uma contribuição na formação básica dos cidadãos, que é a de formar o pensamento geográfico, ensinar a pensar e a ver as coisas em sua dimensão espacial. Dessa maneira, o papel da Geografia na Educação de Jovens e Adultos (EJA) é de permitir que estes educandos desenvolvam sua capacidade de refletir criticamente sobre a sua realidade e de contribuir para a superação da ideia de uma escolarização de caráter compensatório, focada apenas na recuperação de conteúdos. Nessa perspectiva, se faz necessário desenvolver um ensino que valorize os saberes desses sujeitos, pois, os alunos jovens e adultos, através das suas trajetórias de vida, das suas experiências, trazem conhecimentos repletos de informações geográficas. Os estudantes da EJA, assim como qualquer outro discente, têm o direito de ter acesso a um conhecimento que lhe proporcione um avanço intelectual, de acessibilidade aos meios culturais e tecnológicos e com possibilidade de melhorias para a sua vida. Se faz urgente a superação de visões estereotipadas de que os alunos jovens e adultos precisam somente desenvolver competências limitadas ao ler, escrever e contar. Os sujeitos que compõem as escolas da EJA precisam ter as suas necessidades de aprendizagem encaradas com seriedade, e a disciplina de Geografia precisa experimentar novas estratégias didáticas que consigam atender a essas necessidades. A esse respeito, Serra (2019, p.7) expõe que: A ótica da contextualização e o reconhecimento de identidades e diversidades pressupõem e exigem um olhar mais apurado do professor de Geografia para as condições socioespaciais em que vivem os alunos da EJA. Para que estereótipos engessados sejam problematizados e superados, talvez seja necessário abrir-se para o que os educandos têm a revelar sobre si mesmos e sobre os grupos sociais aos quais pertencem. No cenário que envolve o CEJA Crato, temos um corpo discente diversificado, com características econômicas, culturais e sociais distintas e faixas etárias diferentes, mas que possuem em comum uma bagagem expressiva de experiências e visões de mundo. Esse conhecimento prático, do cotidiano, adquirido nos inúmeros espaços, seja do trabalho e das instituições que frequentam, podem ser o ponto de partida para a abordagem dos assuntos geográficos, convertendo o processo de ensino-aprendizagem em um momento rico, onde o estudante percebe os seus saberes sendo valorizados e consegue fazer a conexão entre as suas vivências e a Geografia. Como é apresentado por Serra (2019, p.3): Trata-se, portanto, de se refletir e pensar sobre o que significa construir conhecimento geográfico com pessoas adultas, jovens e idosas pouco escolarizadas, mas ao mesmo tempo portadoras de saberes produzidos em contextos não escolares, isto é, em contextos diversos de práticas sociais da vida adulta. No entanto, a forma como estão organizadas as escolas da EJA, baseadas no modelo compensatório e de caráter conteudista, dificulta a abordagem de assuntos que estejam presentes no contexto da realidade dos alunos. Dessa forma, os alunos voltam a sua atenção apenas para a avaliação, que é baseada no material didático utilizado. No CEJA Crato utiliza-se, para a Área de Ciências Humanas, o livro didático intitulado “Tempo, espaço e cultura”, da Coleção Viver Aprender (PNLD, 2014-2016), da editora Global. Segundo as observações realizadas, o material apresenta limitações consideráveis. Alguns capítulos dificultam a contextualização dos assuntos com o cotidiano dos alunos; a maioria dos temas são ultrapassados e não despertam o interesse dos estudantes, e determinados conteúdos, como os que tratam sobre a população brasileira e mundial, apresentam dados desatualizados. Os conteúdos geográficos quando abordados isoladamente, de forma estritamente pragmática, torna o conhecimento algo distante, difícil de ser internalizado e visto como algo a ser apenas apreendido. Mas, quando esse conteúdo é contextualizado, ele é internalizado e ganha sentido. Ao comparar ensino de Geografia e educação geográfica, Callai (2012, p.74) traz uma reflexão importante sobre o papel da Geografia escolar quando afirma que: Fazer a educação geográfica para além de simplesmente ensinar ou tratar de conteúdos da disciplina é a possibilidade de dar sentido mais significativo para esses temas, incorporando a subjetividade dos sujeitos e levando-os a pensar sobre o espaço em que vivem, seja ele o concreto e próximo, seja o distante, que diz respeito à sua vida da mesma forma que o que está perto de si. Segundo Cavalcanti (2024), a educação geográfica vai além do simples repasse de conteúdos e informações, e busca na verdade desenvolver nos estudantes a compreensão de que todos os elementos que se materializam no espaço são resultantes do conjunto de relações entre os seres humanos entre si e destes com a natureza. Não diz respeito em desconsiderar os conteúdos, porque esses são essenciais e resultam do legado construído ao longo do tempo pela humanidade do qual todos têm direito. Se faz necessário abordá-los, de forma que os alunos possam relacioná-los a sua vida cotidiana, lhes sendo úteis para seu avanço intelectual e de cidadania, e não sendo apresentados apenas como um amontoado de informações, algumas vezes incompreensíveis para os alunos. Dessa forma, é importante pensarmos uma Geografia contextualizada com a realidade dos alunos da EJA, como meio de colaborar para que esses alunos se reconheçam como sujeitos pertencentes a uma classe social e a uma realidade marcada por contradições, o que requer a formação de pessoas com capacidade crítica e consciência cidadã. Enquanto ciência e disciplina escolar, a Geografia precisa reafirmar a sua necessidade enquanto conhecimento essencial para a compreensão das relações que se estabelecem entre a sociedade e a natureza, sobretudo na conjuntura atual, em que as informações são muito mais acessíveis, as mudanças são cada vez mais rápidas e repletas de complexidade, fazendo com que a sua relevância, embora muitas vezes seja contestada e desvalorizada, seja imprescindível para o entendimento dos desafios e contradições que caracterizam a sociedade atual. 5. Conclusão As reflexões apresentadas neste texto resultam das análises desenvolvidas através da pesquisa de mestrado, que se encontra na fase de construção do referencial teórico e da aplicação dos instrumentais de coleta de dados. As leituras e observações realizadas demonstram que o desenvolvimento do ensino de Geografia contextualizado na EJA requer superar inúmeros desafios, que vão desde a ausência de políticas públicas efetivas à forma como estão estruturadas as escolas e o ensino nessa modalidade. Muitos dos aspectos apontados pelos autores consultados podem ser relacionados ao ensino de Geografia presentes no CEJA Crato, tais como a busca pela superação de um modelo de ensino baseado no livro didático e a necessidade de formular novas estratégias para as aulas de Geografia que estejam de acordo com as necessidades reais de aprendizagem dos estudantes. Nesse contexto, a relação entre a disciplina de Geografia e a EJA assume um viés importante. O ensino contextualizado é um caminho para se desenvolver um ensino de Geografia que envolva a realidade dos discentes da EJA. Dessa forma, a contribuição da pesquisa consiste em instigar reflexões acerca da Geografia escolar nessa modalidade de ensino, buscando sensibilizar uma discussão sobre as suas principais problemáticas e de pensar caminhos para uma educação significativa e emancipatória. 6. Referências CALLAI, H. C. Educação geográfica: ensinar e aprender geografia. In: MUNHOZ, G.; CASTELLAR, S. V. (Org.). Conhecimentos escolares e Caminhos metodológicos. São Paulo: Xamã Editora, 2012. CAVALCANTI, L. de S. Ensinar a aprender Geografia: elementos para uma didática: Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2024. CAVALCANTI, L. de S. Geografia escolar, formação e práticas docentes: percursos trilhados. In: MUNHOZ, Gislaine; CASTELLAR, S. V. (Org.). Conhecimentos escolares e Caminhos metodológicos. São Paulo: Xamã Editora, 2012. SERRA, E. Sobre os fundamentos e princípios da educação geográfica de jovens e adultos na perspectiva da educação popular. Signos Geográficos, Goiânia-GO, V.1, p. 2-17, 2019. Disponível em: www.revistas.ufg.br/signos.
Palavras-chave: EJA, Geografia,Contextualização,Aprendizagem significativa
Oral
Abrir o trabalhoVIVÊNCIAS ESPACIAIS EM MAPAS MENTAIS: A PRIMEIRA ANÁLISE DO MUNDO SOB UMA PERSPECTIVA CARTOGRÁFICA NO ENSINO FUNDAMENTAL
FABIANA GONÇALVES DE SOUZA
Resumo: O ensino geográfico torna-se fundamental, ao momento em que este ressalta detalhes do espaço em que vivemos. Na produção do conhecimento geográfico, o saber cartográfico se coloca como uma ferramenta primordial para se compreender por meio de mapas ou representações gráficas as localizações dentro desse espaço. Desta forma, ainda em andamento, esta pesquisa tem como objetivo a alfabetização cartográfica com o uso de mapas mentais produzidos a partir das vivências espaciais dos alunos. O processo metodológico se dará em três etapas: revisão bibliográfica, aplicação de oficina em escola do município do Crato e análise dos materiais produzidos na segunda etapa, com base no antes e depois da aplicação da oficina. Espera-se ao final deste trabalho, favorecer e estimular a compreensão das crianças sobre o espaço geográfico que as cerca, de forma que as suas experiências sejam o pontapé para entender como a geografia e a cartografia se fazem presentes em suas vidas. 1. Introdução O mapa é um recurso utilizado a bastante tempo, podendo ser considerado enquanto um meio de comunicação, já que sua composição permite transmitir uma mensagem que se utiliza de uma linguagem cartográfica (Almeida; Passini, 2008). Diante disso, o ensino cartográfico desde os anos iniciais deve atentar-se a metodologias que exponham o conteúdo geográfico, mas de forma leve e lúdica, tendo em vista a riqueza de detalhes e conceitos que acabam tornando complexo o ensino/aprendizado nas aulas de geografia, como salientam Islair Mendes e Rosa Noal (2013). Mendes e Noal (2013) ainda destacam, que o ensino e o aprendizado se tornam leves e produtivos quando a realidade vivenciada pelo aluno, assim como pelo professor, é socializada no decorrer das aulas, levando em consideração ideias e opiniões. Nessa perspectiva, a cartografia pode estar presente no contexto, no lugar e em cada particularidade dos presentes em sala de aula. Piaget (1970), defende em sua teoria do desenvolvimento, que a criança adquire sua noção espacial de acordo com as interações com o meio e que suas percepções são organizadas através de esquemas mentais, podendo ser por meio da assimilação ou acomodação. Ainda, é apontado por ele diante da teoria do desenvolvimento, os quatro estágios do desenvolvimento cognitivo, sendo estes, o sensório- motor (0-2 anos), pré-operatório (2-7 anos), operatório-concreto (7-12 anos) e o operatório lógico-formal (12-16 anos). Esta pesquisa tem como aliado o estágio operatório-concreto (7 a 12 anos), onde a criança deve ter suas noções lógicas mais formadas, ainda que por vezes haja a necessidade do concreto para saberem se expressar. Os mapas mentais propostos nesta pesquisa reconhecem essa relação de perceber e representar, partindo do abstrato, mas também do concreto. Nessa perspectiva, a observação do espaço por parte dos alunos torna-se crucial, pois se expressar a partir de textos como geralmente acontece, nem sempre condiz com o que foi de fato visto, analisado e compreendido por uma criança. Ao desenhar, a criança compreende que uma mensagem vai ser repassada através do que ela rabisca, dessa forma, Rosângela Doin (2011) afirma que o desenho de uma criança é um sistema de representação, que consiste na maneira como ela interpreta o real de forma gráfica. De acordo com as habilidades (EF03GE06) e (EF03GE07) presentes na BNCC, Brasil (2018), as crianças do terceiro ano do ensino fundamental devem: “Identificar e interpretar imagens bidimensionais e tridimensionais em diferentes tipos de representação cartográfica e reconhecer e elaborar legendas com símbolos de diversos tipos de representações em diferentes escalas cartográficas”. Nesse sentido, o trabalho com os mapas mentais pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de ambas as habilidades mencionadas, de maneira que a percepção das crianças sobre o espaço geográfico possa ser colocada em prática. Para tal, trabalhar os conceitos geográficos com a linguagem que se adeque a compreensão infantil favorece que o entendimento cartográfico possa ser entendido e representado graficamente. 2. Objetivos Utilizar os mapas mentais produzidos a partir das vivências espaciais dos alunos como recurso para a alfabetização cartográfica. Além de estimular a observação minuciosa do lugar em que vivem e frequentam, bem como, a paisagem, construções, objetos, e reconhecer a importância de compreender sobre tais cartograficamente. 3. Metodologia Os processos metodológicos se dividem em três etapas, sendo a primeira a revisão bibliográfica, que já se encontra sendo executada. As referências estão sendo baseadas em textos em torno da alfabetização, cartografia e desenho infantil, sobretudo nos conceitos geográficos básicos, já que o foco deste trabalho é com crianças do terceiro ano do ensino fundamental I. Para tratar da abordagem conceitual inicial cartográfica, o livro “O espaço geográfico: ensino e representação” de Almeida e Passini (2008) tem sido a referência utilizada. Outro material fundamental para a realização desse trabalho e estudo dessa etapa, é o texto “Iniciação cartográfica nos anos iniciais do ensino fundamental: proposta teórico-metodológica na construção do conhecimento” de Mendes e Noal (2013). Esse texto, diferente do anterior, vai abordar com maior ênfase sobre as metodologias do ensino geográfico e cartográfico na perspectiva do professor. Inclui-se a discussão a partir da obra: “Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola” de Rosângela Doin publicado em 2011. Essa leitura ao tempo em que vai ao encontro dos conceitos geográficos, ela também destaca muito bem a importância do desenho infantil como uma forma de comunicação, e é a partir dessa representação que esse trabalho anseia provocar e trazer à tona as experiências e vivências cartográficas identificadas pelas crianças. Na segunda fase, será realizada uma visita em uma escola com a escolha de nível fundamental, com o apoio e parceria da secretaria municipal de educação da cidade de Crato, Ceará. Na oportunidade, acontecerá a dinâmica com mapas mentais com crianças do terceiro ano do ensino fundamental I. Iniciará com um acolhimento e esclarecimentos sobre o que eles entendem por questões geográficas como espaço, lateralidade, localização e proporção adaptando esses conceitos formais à linguagem e ao ensino das crianças. Após o momento de ensino teórico dos conceitos citados, será promovido uma atividade reflexiva prática com a turma, onde será estimulada a criatividade e imaginação de cada um, pois solicitará o resgate pessoal da memória do trajeto até a escola, o caminho, os objetos, as paisagens, e em seguida a representação em desejo desse mapa mental. A imagem 1, retrata um exemplo do mapa mental a ser solicitado: Por fim, a última etapa, trata-se da explanação do exemplo aplicado da teoria na prática, como cada aluno construirá sua representação do mapa usando os conceitos outrora explicados, assim como propor a socialização dos alunos com seus mapas e entre si, e assim instigar o pensamento crítico no processo de ensino-aprendizagem da cartografia. 4. Resultados Esperados Espera-se, enquanto resultados, que o uso dos mapas mentais possa ser entendido como uma proposta para o ensino cartográfico no Ensino Fundamental I. Não somente isso, mas também, evidenciar que as vivências únicas de cada criança possa ser uma forte aliada para a compreensão do mundo sob um olhar cartográfico. Sendo assim, tornando o ensino lúdico e diversificado como defende Mendes; Noal (2013), e fazendo com que as crianças contribuam de forma significativa com a construção do seu aprendizado. Ter os mapas produzidos enquanto uma forma de expor suas compreensões tornarão a pesquisa satisfatória ao ver e analisar o antes, durante e depois do processo. 5. Conclusão Ao final desta pesquisa, almeja-se que as percepções espaciais da turma a ser trabalhada possam ser entendidas e representadas com base em seus entendimentos reais, sobretudo nos contextos vivenciados diariamente. Que as abordagens geográficas não se limitem aos conteúdos em sala de aula, mas que eles possam ter um olhar cartográfico para além da aula de geografia e que reconheçam e deem a devida importância aos fatores geográficos e cartográficos que fazem parte de suas vidas. 6. Agradecimentos Agradeço ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Espaços Urbano e Cultura- LEPEUC e ao Grupo de Estudos Imago pela oportunidade de compor os mesmos. 7. Referências ALMEIDA, R. D. de. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2011. ALMEIDA, R. D. de; PASSINI, E. Y. O espaço geográfico: ensino e representação. 16. ed. São Paulo: Contexto, 2008. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. MENDES, I. V.; NOAL, R. E. Iniciação cartográfica nos anos iniciais do ensino fundamental: proposta teórico-metodológica na construção do conhecimento. Pelotas: [s.n.], 2013. PIAGET, J. Epistemologia genética. Petrópolis: Vozes, 1970.
Palavras-chave: Alfabetização cartográfica,Representações espaciais,Ludicidade
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoResumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoMANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS LOCAIS: O GEOGRÁFICO E O ESTÉTICO ATRAVÉS DO SAMBA-ENREDO DA MANCHA VERDE DE 2022
JANILDO LIMA DE SOUSA ; Halline Tavares de Souza; Carlos Augusto Barros da Silva
Este trabalho enfatiza o uso e combinação da dimensão artística no ambiente escolar, especialmente a partir do uso do Samba-enredo como recurso para o ensino de Geografia. Seu objetivo é compreender as potencialidades e limitações do Samba enredo aplicado na Escola Municipal de Tempo Integral – EMTI Marieta Cals, localizada no município de Milagres-CE, onde o samba-enredo do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mancha Verde foi utilizado como ferramenta articuladora entre a Geografia e a arte. Enquanto fundamentação teórica basilar, para o debate do ensino de Geografia nos aportamos nas contribuições de Castellar (2010), Callai (2011) e Cavalcanti (2007). Para as discussões pertinentes ao campo da arte/estética, usamos Ostrower (2014), Vygostky (2018), Fisher (1983) e Lukács (1970), conjecturando suas aproximações e dissonâncias. Para o Samba-enredo, nos baseamos nas contribuições de Mestrinel (2010) e Souza (2014). Enquanto resultados preliminares, identificamos nesse recurso um fortuito espaço de associações e, consequentemente, do desenvolvimento dos processos criativos e estéticos na área da educação. O samba-enredo é um dos principais subgêneros musicais nacionais. Originado de manifestações trazidas pelos negros africanos durante a época da escravidão (Mestrinel, 2010), aqui no Brasil tem suas fontes provenientes das festividades carnavalescas, principalmente do universo das escolas de sambas, onde são elaborados especificamente para estas apresentações, que acabam ganhando repercussão em nível nacional, tornando-se uma referência cultural para o nosso país. Considerado como um elemento musical que possui uma linguagem própria, o samba-enredo é rico em informações para o desenvolvimento de pesquisas (Souza, 2014). Sua relação com a ciência geográfica vai além do que podemos imaginar. Por vezes, suas letras incorporam um olhar de diferentes elementos, oferecendo uma poderosa análise geográfica, que permite refletir acerca desses componentes e suas relações com comunidades e o território. Para esta pesquisa, o samba-enredo analisado foi a composição musical apresentada pelo Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mancha Verde no ano de 2022. E como recorte de pesquisa, utilizaremos as experiências decorridas na Escola Municipal de Tempo Integral – EMTI Marieta Cals, localizada no município de Milagres-CE. Enquanto problemática geográfica, selecionamos o conteúdo trabalhado nesta obra que aborda a importância da preservação da água e sua presença nas religiões. É importante frisar que essa composição carnavalesca é fruto de uma atividade artística, e suas referências podem resultar em uma condição direcionada a relação da arte e geografia Em princípio, a arte na educação geográfica também é outro fator determinante para analisar o mundo com um outro olhar, tendo em vista que arte é um mecanismo que “reflete a infinita capacidade humana para a associação, para a circulação de experiências e ideias” (Fischer, 1983, p.13). Tendo por base estas concepções, percebemos que pode existir uma articulação entre o samba-enredo, a geografia e a arte e que essa ligação pode ser favorável ao ambiente escolar. Pensando nessa relação que levantamos a seguinte questão: De que maneira a experiência com o samba-enredo pode levar os estudantes a despertarem uma concepção crítica sobre a importância da água e valorizar as expressões artísticas em sua comunidade local? Quais as limitações e potencialidades dessa prática? Seu objetivo geral busca compreender as potencialidades e limitações da utilização do samba-enredo enquanto recurso para a conscientização das problemáticas geográficas e valorização das expressões artísticas na comunidade local. Trata-se de uma abordagem de pesquisa qualitativa, sobretudo na análise de estratégias didáticas que utilizaram o samba-enredo enquanto ferramenta para o desenvolvimento de manifestação artística e a concepção crítica sobre a importância da água para o nosso Planeta. Através dos seus resultados foi notável perceber que o samba-enredo, utilizado na apresentação, trouxe contribuições reflexivas relevantes para o espaço educacional, mesmo ele sendo um peça-artística elaborada para as festividades carnavalescas de São Paulo (SP). Dessa forma, a conexão obtida por meio da sua letra, mobilizou conteúdos pertinentes da ciência geográfica. Como mencionado anteriormente, ao retratar de forma expositiva as características hidrográficas do ciclo da água, o Samba-enredo em questão tornou-se uma importante linguagem para e na mediação do tema. Foi por meio dessa associação que combinamos “música”, “representação” e “performance” enquanto estratégia artística-pedagógica. Com base nisso, sabemos que, “Criar é difícil. A necessidade de criar nem sempre coincide com as possibilidades de criação (Vigotski, 2018, p. 55)”. Ao indicar os “suplícios da criação”, Vygotsky chama a atenção para o fato de que, nem todo contexto devolve aos sujeitos uma “materialidade criativa”. Apesar disso, mesmo com as limitações manifestadas, de tempo, de planejamento e de recursos, foi possível mobilizar na EMTI Marieta Cals, uma abordagem geográfica que privilegiou a manifestação artística e a associação de diferentes linguagens: A música, os ritmos, as cores, a performance, etc. Nesta associação, identificamos também – no ato da performance – que o elemento artístico “É um recurso de que dispomos e que mobiliza em nós tudo o que temos em termos afetivos, intelectuais, emocionais, conscientes, inconscientes” (Ostrower, 2014 p. 68). Além disso, mostrou sua aptidão para o desenvolvimento dos processos criativos, principalmente no contexto coreográfico, onde os estudantes – com o auxílio dos professores – desenvolveram passos e expressões referentes a temática da água, buscando aproximar a interpretação de fenômenos e ações do cotidiano. Por fim, consideramos positivo o próprio resultado estético dada a importância dos alunos a construção do cenário, desde o formato do relevo, a representação da água, a cobertura vegetal e o percurso realizado por esse recurso até a foz.
Palavras-chave: Samba-enredo,Geografia,Arte
Oral
Abrir o trabalhoPROPOSTA DE AULA DE CAMPO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: SERRA DO MONTE MOR – ACOPIARA/CE
JOYCE FERREIRA GOMES
Resumo: Este artigo apresenta uma proposta pedagógica fundamentada na realização de uma aula de campo na Serra do Monte Mor, localizada no município de Acopiara, no Estado do Ceará, voltada para o ensino de Geografia da EEEP Alfredo Nunes de Melo com os estudantes da 1ª série. Tem como objetivo principal promover a articulação entre teoria e prática no Ensino de Geografia, proporcionando aos estudantes uma experiência concreta e significativa de observação e análise da paisagem local. Ao explorar os elementos naturais e humanos da região, pretende-se desenvolver competências geográficas, estimular a consciência ambiental e valorizar o patrimônio natural e cultural da comunidade. A proposta contempla três etapas principais: pré-campo, campo e pós-campo, com atividades integradas que favorecem a reflexão crítica e o protagonismo estudantil. A prática de campo é uma atividade de significativo valor didático e pedagógico, no processo ensino-aprendizagem de Geografia, uma vez que possibilita ao aluno um contato direto com a paisagem geográfica. Palavras-chave: Aula de campo. Ensino de Geografia. Paisagem. Semiárido. Serra do Monte Mor. 1. Introdução O ensino de Geografia no contexto da educação básica deve ir além da transmissão conteudista de informações. É essencial que o estudante desenvolva a capacidade de ler e interpretar criticamente o espaço geográfico em que vive, compreendendo as relações entre sociedade e natureza. A aula de campo surge como uma metodologia didática potente nesse processo, ao permitir que os estudantes vivenciem o conhecimento por meio da observação direta da realidade. A educação geográfica tem como um de seus pilares a compreensão do espaço vivido, permitindo que o estudante perceba e interprete os processos naturais e sociais que estruturam a paisagem. Para Callai (2010), a aula de campo é uma prática que amplia a formação do sujeito, pois o coloca diante do objeto de estudo, instigando a curiosidade e o senso crítico. Cavalcanti (2008) ressalta que a paisagem não deve ser vista apenas como uma configuração visual, mas como um campo de relações sociais, históricas e ambientais. Dessa forma, estudar a Serra do Monte Mor permite compreender as transformações ambientais a partir da interação entre o homem e a natureza no semiárido brasileiro. Essa abordagem está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), que propõe o desenvolvimento de competências como a análise crítica, a valorização do meio ambiente e o protagonismo juvenil. A Serra do Monte Mor (figura 01), situada ao norte do município de Acopiara no sertão central cearense, é um exemplo marcante da interação entre elementos naturais e ações humanas. Seu relevo, vegetação, uso da terra e os impactos ambientais observados no local são fontes riquíssimas para a investigação geográfica. Figura 01: Localização da Serra do Monte Mor em Acopiara/CE Fonte: Google Earth A Serra do Monte Mor já vem sendo utilizado por aventureiros da região e também por religiosos que uma determinada época do ano fazem uma peregrinação até o topo da trilha, com o intuído de devoção e tradição local. A partir dessa proposta de aula de campo, buscamos valorizar o território local como espaço de aprendizagem, aproximando os estudantes da sua realidade e incentivando o pertencimento e o cuidado com o meio em que vivem. Alves e Silva (2018) ressaltam a ausência de discussões relevantes para a Serra do Monte Mor e lacuna do reconhecimento do seu patrimônio natural de maneira geral, e desenvolver um roteiro para configurar uma trilha interpretativa de caráter autoguiada para suporte as práticas de ensino de Geografia e outras disciplinas, bem como desenvolver o turismo local uma vez que suas potencialidades locais são propícias para fomentar discussões, entre moradores, também turistas e sociedade escolar. 2. Objetivos Objetivo Geral: Promover uma experiência de aprendizagem significativa por meio da leitura geográfica da paisagem da Serra do Monte Mor em Acopiara/CE. Objetivos Específicos: • Identificar e descrever os elementos físicos (relevo, vegetação, clima) e humanos (ocupação, atividades econômicas, intervenções ambientais) da paisagem local; • Analisar o uso e ocupação do solo e seus impactos na Serra do Monte Mor; • Reconhecer e refletir sobre os problemas socioambientais presentes na região; • Estimular a consciência crítica e a valorização do patrimônio natural e cultural local. 3. Metodologia A proposta de aula de campo na Serra do Monte Mor proporciona uma caminhada que vai da comunidade Monte Mor até o ponto mais alto da serra, perpassando, desse modo, por diversas paisagens e garantindo sensações distintas ao longo do caminho, percurso este que pode ser realizado de transporte que pode facilitar o acesso para diferentes tipos de públicos (ALVES E SILVA, 2018). Os procedimentos metodológicos estão organizados em três etapas integradas: pré-campo, campo e pós-campo. Essa estrutura visa garantir que o processo de aprendizagem seja contínuo, reflexivo e contextualizado, permitindo que os estudantes se preparem, vivenciem e consolidem os conhecimentos adquiridos de maneira crítica e ativa. 3.1 Etapa pré-campo: Nesta fase inicial, o objetivo é preparar os estudantes conceitual e logisticamente para a atividade de campo. As ações incluem: Aulas expositivas dialogadas sobre os principais conceitos da Geografia física e humana relacionados ao estudo de paisagens, como relevo, clima, vegetação, ocupação do solo, impactos ambientais e a noção de lugar e território. Leitura e análise de materiais cartográficos e iconográficos, como mapas topográficos, cartas geológicas e imagens de satélite da região da Serra do Monte Mor, utilizando ferramentas como o Google Earth e MapBiomas. Discussão em grupo sobre os problemas ambientais locais já identificados, como desmatamento, queimadas e degradação do solo. Planejamento colaborativo da visita, com os estudantes participando ativamente da definição dos roteiros, perguntas norteadoras, fichas de registro e divisão de tarefas. Elaboração de um diário de campo individual, que será utilizado durante toda a atividade para registro de observações, desenhos e reflexões pessoais. Orientações sobre segurança e comportamento no campo, incluindo cuidados com o meio ambiente, respeito às comunidades locais e uso de equipamentos de proteção individual (calçados adequados, protetor solar, boné, água, etc.). 3.2 Etapa de campo: A atividade prática ocorrerá em um roteiro previamente definido, que inclui pontos estratégicos para observação, análise e registro das características naturais e intervenções humanas na Serra do Monte Mor. As atividades previstas são: Caminhada orientada com paradas programadas para observação do relevo, vegetação e formações geológicas locais, com ênfase na leitura da paisagem. Aplicação de roteiro de observação estruturado, contendo perguntas como: Que elementos naturais estão presentes? Há sinais de intervenção humana? Quais usos do solo podem ser identificados? Existem impactos ambientais visíveis? Registro fotográfico e audiovisual, incentivando o uso de celular e câmeras para documentação visual da paisagem. Coleta de pequenos dados ambientais, como amostras de solo (se autorizado), temperatura e umidade relativa do ar, utilizando equipamentos simples como termômetros e higrômetros. Entrevistas com moradores ou guias locais, abordando aspectos históricos, culturais e problemas enfrentados pela comunidade no entorno da serra, promovendo a valorização do conhecimento popular. Dinâmica de sensibilização ambiental, com momentos de escuta, contemplação e reflexão sobre o papel de cada um na preservação do meio ambiente local. 3.3 Etapa pós-campo: A última etapa visa sistematizar os dados e promover a reflexão crítica sobre a experiência. As ações incluem: Organização dos registros de campo em grupos, com análise dos dados coletados, seleção de imagens e confrontação com os conceitos estudados anteriormente. Produção de relatórios escritos e mapas mentais, onde os estudantes apresentarão suas análises e interpretações geográficas sobre o território visitado. Montagem de painéis temáticos e exposições escolares, para socialização das descobertas com a comunidade escolar e famílias, promovendo o protagonismo estudantil. Roda de conversa com autoavaliação da experiência, na qual os alunos compartilham percepções pessoais, desafios enfrentados e aprendizados. Proposição de ações práticas de intervenção local, como campanhas de conscientização ambiental, confecção de cartilhas educativas e projetos de reflorestamento. Essa metodologia busca integrar o saber escolar com a vivência concreta, articulando a dimensão cognitiva, afetiva e ética do ensino de Geografia, contribuindo para a formação de cidadãos críticos, atuantes e comprometidos com a sustentabilidade do seu território. 4. Resultados Com a realização desta aula de campo, espera-se que os estudantes ampliem sua capacidade de ler e interpretar a paisagem de forma crítica, relacionando os elementos naturais e as ações humanas. Além disso, pretende-se: • Estimular o senso de pertencimento ao território local; • Desenvolver habilidades de observação, registro e análise geográfica; • Incentivar a formação de uma consciência ambiental comprometida com a sustentabilidade; • Promover o protagonismo estudantil na proposição de soluções para os problemas locais. A Geografia possui conteúdos presente no cotidiano de todas as sociedades, estabelecendo relações com várias outras ciências, contudo, exige uma grande capacidade de abstração muitas vezes não efetivada pelos alunos. Verificamos a necessidade de haver uma complementação para estes conteúdos, principalmente com utilização de instrumentos didáticos diferenciados. 5. Conclusão A aula de campo é uma metodologia que humaniza o ensino de Geografia, pois leva o estudante a compreender o espaço a partir da sua vivência, da sua escuta e do seu olhar. A Serra do Monte Mor, por sua riqueza natural e simbólica, configura-se como um espaço privilegiado para a construção do conhecimento geográfico. Ao integrar conteúdos curriculares com a realidade local, a proposta aqui apresentada contribui para a formação de sujeitos críticos, conscientes e sensíveis aos desafios socioambientais do território em que vivem. A proposta de aula pode ser utilizado no ensino de geografia, visto que esta possui grande importância na compreensão dos fenômenos naturais e na evolução da paisagem, uma vez que estes podem funcionar como facilitadores do ensino-aprendizagem, tornando os conteúdos ensinados mais significativos na reflexão dos alunos. 6. Referências ALVES PINHEIRO, Mayra; MARIA OLIVEIRA SILVA, Juliana. PROPOSTA DE TRILHA INTERPRETATIVA NA SERRA DO MONTE MOR, ACOPIARA/CEARÁ: METODOLOGIA PARA O ENSINO DA GEOMORFOLOGIA. Revista de Geografia, [S. l.], v. 35, n. 4, p. 92–107, 2018. DOI: 10.51359/2238-6211.2018.238206. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistageografia/article/view/238206. Acesso em: 14 maio. 2025. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. 2018. CALLAI, Helena Copetti. O espaço geográfico: ensino e representações. Porto Alegre: Mediação, 2010. CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia, escola e construção do conhecimento. Campinas, SP: Papirus, 2008. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 2006.
Palavras-chave: Aula de campo, Ensino de Geografia, Paisagem, Semiárido, Serra do Monte Mor
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: MST, Resistênsia, Música
Oral
Abrir o trabalhoARTES VISUAIS NA PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA O ESTUDO DOS ODS
KALINA FERNANDA CAVALCANTI FERREIRA; EMERSON RIBEIRO
Os problemas socioambientais vêm se intensificando na contemporaneidade, sendo crucial a consciência ambiental do indivíduo. Neste contexto, a geografia e a arte contribuem para promoção da educação ambiental, pois ambas permitem uma compreensão crítica-reflexiva da sociedade. Assim, o referido estudo tem como principal objetivo avaliar a utilização de uma proposta de intervenção no ensino de geografia, utilizando as artes visuais para compreensão do objetivo do desenvolvimento sustentável-ODS11. A pesquisa é qualitativa do tipo pesquisa-ação. Foi realizada na turma do 8º ano em uma escola pública no município de Sumé-PB, localizado no Cariri Paraibano. Foram realizadas aulas discursivas e debates sobre o meio ambiente e os ODS; e atividades teóricos/práticas sobre os temas “imagem, desenho e pintura” relacionando-os com a abordagem ambiental. Os resultados se mostraram satisfatórios, pois os alunos se sentiram mais motivados no processo de ensino-aprendizagem de geografia e fomentou-se o olhar crítico do aluno sobre a importância da educação ambiental. 1. Introdução Os problemas socioambientais tem aumentado consideravelmente depois da revolução industrial e vem se intensificando devido ao modo de produção do capitalismo predatório e de consumo, se tornando algo preocupante em todos os setores da sociedade e instâncias sociais, seja no campo ou na cidade. Sabendo disso, precisa-se que os moradores dos espaços urbanos tomem atitudes ecológicas e tenham consciência que tudo que é feito no local e na cidade vai interferir em todos os ambientes. Logo, todos os âmbitos sociais devem dar sua contribuição para formação de cidadãos que percebam a importância do meio ambiente para a geração atual e futura, e da necessidade de pensá-lo numa visão holística. Neste contexto, a escola tem um papel importante para promoção da educação ambiental, pois a mesma pode fomentar práticas para sensibilizar os educandos para o cuidado com meio ambiente. Dessa forma, a geografia escolar tem uma forte contribuição na formação da consciência ecológica do aluno, tendo em vista, que a geografia tem um papel importante para promoção da educação ambiental (EA), pois essa estuda a relação sociedade/natureza e pelo fato da “geografia possuir teorias, métodos e técnicas que podem auxiliar na compreensão de questões ambientais no aumento da consciência ambiental das crianças, jovens e professores” (Pontuschka, Paganelli e Cacete, 2009, p.134). Porquanto, um ensino de geografia mais significativo poder se realizado através de aulas mais lúdicas. Tem-se por exemplo, a utilização das artes visuais como ferramenta nas aulas de geografia, tendo em vista que, a arte vai permitir desenvolver habilidades de criatividade, imaginação, criticidade, permitindo a formação do raciocínio geográfico do aluno, de forma mais significativa e prazerosa. O referido estudo tem como objetivo avaliar a utilização de uma proposta de intervenção no ensino de geografia, utilizando das artes visuais para compreensão do ODS 11 e para a promoção da educação ambiental. A pesquisa foi realizada em uma escola pública no município de Sumé-PB, no ensino fundamental II. 2. Metodologia A pesquisa é qualitativa do tipo pesquisa-ação. Foi realizada na turma de 8º ano, no segundo semestre de 2024. Para execução do projeto foram realizadas as seguintes atividades: aplicação de um exercício sobre os ODS e a importância dos conhecimentos geográficos e artísticos para compreensão da educação ambiental, aulas teóricas sobre os ODS, evidenciando o ODS-11, relacionando-os com o cotidiano dos alunos. Ocorreram confecção de slides, cartazes e apresentações de seminários. Por fim, foram trabalhados de forma teóricos/práticas, os conceitos de “imagem, desenho e pintura” e a sua contribuição para a abordagem ambiental. 3. Resultados Para que a geografia escolar atinja seus objetivos, se faz necessário que o docente torne um ensino significativo para o aluno, para isso o professor tem como aliado a interdisciplinaridade, entre eles o uso das artes, pois essa é uma aliada para fomentar a educação ambiental. Dessa forma, a utilização das artes visuais como metodologia no ensino de geografia e neste contexto para compreensão dos ODS, em específico para compreensão dos problemas socioambientais nas cidades, se justifica pelo fato de possibilitar aulas mais atrativas e motivadoras por meio de um ensino mais lúdico. Logo, a arte é uma ferramenta que proporciona um ensino de geografia mais significativo, afinal de contas “dentre as várias ferramentas metodológicas, encontramos a Arte Visual que no contexto do século XXI, interage e dialoga com tudo e todos, pois o século XXI apresenta um forte apelo das cores, dos desenhos, dos virtuais, da Arte Visual” (Guimarães e Aguillar 2020, p.231). Para execução do referido projeto de intervenção, primeiramente foi aplicado um exercício em formato de questionário para saber os conhecimentos prévios dos alunos sobre os ODS e a importância da Geografia e das artes para compreensão do desenvolvimento sustentável. Em seguida foi realizada uma aula introdutória para explicar de forma breve os 17 ODS, enfatizando o ODS 11- “Cidades e comunidades sustentáveis” e sua relação com o ODS-12 “Consumo e produção responsáveis”. Depois foi pedido que os alunos realizassem a confecção de cartazes sobre os ODS e fosse apresentado de forma mais aprofundada em forma de seminário para o restante da turma, evidenciando exemplos práticos de cada objetivo do desenvolvimento sustentável no cotidiano de cada discente. Em seguida, foi pedido que os alunos elaborassem slides sobre cidades do Brasil e do mundo que são exemplos de cidades sustentáveis, elencando com isso as atitudes ecológicas presentes nas cidades escolhidas para serem consideradas cidades sustentáveis. Os alunos realizaram esse trabalho em equipe de quatro alunos e apresentaram em forma de seminários, demonstrando aprendizado sobre os conteúdos trabalhados. Em outro momento, através de uma aula expositiva e discursiva por meio de slides, a professora mostrou obras de artes e fotografias sobre o meio ambiente, evidenciando a importância das artes para a consciência crítica e para EA. Os alunos puderam apreciar e analisar as obras de artes que foram expostas. Assim, através da apreciação estética do aluno, isto é, do uso de sua sensibilidade para análise das obras de arte foi possível refletir sobre as questões ambientais. Segundo Geraldo e Iared (2022, p.8) a arte propicia “reflexões significativas para a educação ambiental, especialmente no que concerne em apresentar possibilidades de construir novos entendimentos e formas de se relacionar nas dimensões sociais, culturais, éticas, estéticas, econômicas e políticas”. Após, foi pedido que os alunos mediante os conhecimentos prévios sobre desenho realizassem a produção de HQ ou tirinhas sobre o tema “cidade sustentável e o meio ambiente”. Nas tirinhas da Fig.1, observa-se que os alunos compreenderam que para se ter uma cidade sustentável é preciso ter uma cidade na qual todos tenham direito à cidade (tenham moradia, lazer, saúde e educação de qualidade para todos), tenham atitudes ecológicas, realizem o consumo consciente e a coleta seletiva; e assim será possível um meio ambiente em harmonia. Percebe-se que, seja por meio da análise de tirinhas ou a elaboração delas por parte do aluno, é possível promover a educação ambiental e a compreensão de qualquer conteúdo geográfico, tendo em vista que “as tirinhas são concebidas como outro elemento artístico que muito atrai a atenção dos alunos do ensino fundamental pelo caráter multimodal e por fazer parte da nova tendência de comunicação” (Guimarães e Aguilar, 2020, p.231), pois as imagens tem uma grande força no século XXI muita marcado pela cultura visual. Além do mais, na elaboração da tirinha o aluno pode expressar sua percepção sobre o mundo não só através das palavras, mas também por meio do desenho, porquanto, “entendemos o desenho como ferramenta de grande relevância nas aulas de geografia, uma Arte visual simples, capaz de representar temas complexos que as palavras por si só talvez não consigam exprimir de forma tão inteligível e espontânea” (Guimarães e Aguilar, 2020, p.231). Na última etapa da intervenção foi pedido que os alunos elaborassem suas próprias obras de artes. Eles poderiam escolher a forma de arte que preferissem (desenho, pintura, colagem, entre outros). Os alunos optaram pela pintura (em virtude dos gastos com tela, os alunos optaram por fazer a pintura na própria folha ofício A4 e a utilização de tinta guache). Desse modo, foi pedido que realizassem a pintura sobre o tema “cidade, meio ambiente e consumo consciente”. Eles apresentaram e explicaram suas pinturas para o restante da turma. Entre as pinturas realizadas foram escolhidas as seguintes pinturas para análise (Fig. 2, 3 e 4). Na figura 2, observa-se que o aluno afirma a partir do título que deu à sua pintura, que só é possível ter uma cidade sustentável, quando a natureza é preservada e/ou conservada. Na figura 3, a pintura intitulada “Era uma vez uma cidade linda”, a aluna afirmou que para ter uma cidade equilibrada é preciso diminuir a poluição das fábricas e outros tipos de poluições, senão já era a “cidade linda”, ou seja, uma cidade sustentável. Na figura a seguir (fig. 4), o aluno afirmou que para se conseguir uma “cidade maravilhosa” é preciso ter atitudes ecológicas, entre elas, o investimento em energias limpas. Nota-se, a partir das pinturas realizadas pelos alunos, que eles compreenderam o ODS 11 e sua relação com os outros objetivos do desenvolvimento sustentável, percebendo a importância das artes e da geografia para formação da consciência crítica. Os discentes puderam compreender que os problemas ambientais também estão presentes em seu cotidiano e que as paisagens e os lugares pertos ou distantes estão sendo atingidos pelas problemáticas ambientais, sendo necessários que todos os indivíduos e instâncias sociais se unam para um mundo mais sustentável. Além disso, compreenderam por meio do estudo dos ODS, as categorias geográficas “lugar, espaço geográfico e paisagem”. Sobre a utilização de pinturas para compreensão das categorias geográficas, os autores Silva e Rodrigues (2023, p. 58) afirmam que: “Ao propor o estudo da paisagem e do lugar mediado pela pintura, o professor apresenta aos alunos uma possibilidade de pensar e representar o espaço a partir da capacidade criativa deles, demonstrando que nossa conexão com o espaço, além de material, também é simbólica [...]”. Através de pinturas, desenhos, tirinhas ou outro tipo de linguagem artística é possível promover uma aprendizagem de geografia mais crítica e criativa. Logo, houve um maior interesse dos alunos pelas aulas de geografia durante a execução do projeto, pois demonstraram mais motivação no processo de ensino-aprendizagem. Desse modo, “articulada à Arte visual, a Geografia pode ganhar um novo brilho, proporcionando ao aluno desfrutar de momentos de prazer ou divertimento ao mesmo tempo em que aprende” (Guimarães e Aguilar, 2020, p.231). Portanto, por meio de todas as atividades propostas, os alunos entenderam a verdadeira finalidade da EA, isto é, que essa, “tem como finalidade promover a compreensão da existência e da importância da interdependência econômica, política, social e ecológica da sociedade; induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto” [...] (DIAS, 2004, p.83). Assim, foi possível sensibilizar os alunos para a importância de todos cuidarem do meio ambiente, tornando-o mais sustentável, e que todos os lugares, seja ele o campo ou o urbano precisam ser espaços ecológicos, tendo em vista, que tudo que acontece no local, vai interferir no regional, nacional e global. 4. Conclusão Por meio da referida proposta de intervenção foi possível sensibilizar os educandos sobre o cuidado com o meio ambiente, consequentemente, permitiu desenvolver a consciência ambiental a partir do lugar de vivência dos alunos. Também permitiu desenvolver o processo de ensino-aprendizagem, fomentando a criatividade, imaginação e criticidade. Além disso, os discentes afirmaram ser mais fácil compreender o assunto por meio de atividades lúdicas e que através da análise e produção de práticas artísticas foi mais prazeroso aprender geografia.
Palavras-chave: Ensino de geografia,Artes visuais,ODS,Cidades,Educação ambiental
Oral
Abrir o trabalhoCINEMA E GEOGRAFIA ESCOLAR: ANÁLISE DO CURTA-METRAGEM “CANDEIAS” COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA PAISAGEM URBANA DE JUAZEIRO DO NORTE
ALAIDE MAIARA LOPES GONÇALVES ; Mayara Duarte da Silva
Resumo: A atual pesquisa busca investigar o curta-metragem Candeias (2017), como recurso didático no ensino de geografia, com foco na ampliação da percepção crítica dos estudantes sobre o espaço urbano. A análise de Candeias permite explorar temas como territorialidade, religiosidade e produção do espaço, elementos centrais na geografia humana. A romaria, enquanto fenômeno cultural e espacial, oferece um cenário rico para discutir como os sujeitos se apropriam e transformam a cidade, conforme sugerido por Massey (2012). A partir dessa análise, são sugeridas práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas, visando à construção de uma geografia mais crítica, interdisciplinar e conectada ao cotidiano dos alunos. Os resultados esperados incluem a produção de conhecimento acadêmico como artigos. Palavras-chave: Cinema, Juazeiro do Norte, Candeias, Ensino. Introdução O cinema, enquanto linguagem artística e recurso didático, permite explorar as complexas relações entre o espaço urbano e as representações fílmicas, oferecendo novas perspectivas para o ensino de geografia. No contexto do Cariri cearense, cidades como Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha têm sido retratadas em produções audiovisuais que dialogam com suas dinâmicas culturais e espaciais, conforme discutido por Barbosa (2003) e Azevedo (2009). Nesse sentido, o curta-metragem Candeias (2017), ambientado na romaria de Nossa Senhora das Candeias em Juazeiro do Norte, serve como um estudo de caso emblemático para investigar como o cinema pode ampliar a compreensão geográfica da paisagem urbana e suas simbologias. A pesquisa parte do pressuposto de que o cinema, ao representar a cidade, não apenas reproduz imagens, mas também as ressignifica, criando uma relação dialética entre o vivido e o imaginado (Berque, 1998). Essa abordagem é particularmente relevante para o ensino de geografia, pois permite articular as experiências cotidianas dos estudantes com reflexões críticas sobre o espaço, afinal, “a Geografia existe desde sempre, e nós a fazemos diariamente. Devemos romper então com aquela visão de que a Geografia é algo que só veremos em aulas de Geografia” (Kaercher, 2003, p.11). Neste entendimento a geografia está no cotidiano, assim como também o cotidiano faz parte da Geografia, pois produzimos geografia diariamente. Não somente pelo seu forte caráter interdisciplinar, a Geografia nesse diálogo com o cotidiano, na experiência sócio-espacial dos alunos, e também com a aplicação das linguagens do audiovisual (cinema e vídeo), caminha na direção do “reencantamento” da própria disciplina, evidenciando sua utilidade, importância na vida dos estudantes. Nesse sentido, o problema central deste estudo é: Como o curta-metragem Candeias pode ser utilizado como recurso didático para ampliar a percepção geográfica do espaço urbano no ensino de geografia? A hipótese norteadora é que o filme, ao articular paisagem real e representação fílmica, potencializa a compreensão crítica da cidade como um espaço dinâmico e multifacetado. A análise de Candeias permite explorar temas como territorialidade, religiosidade e produção do espaço, elementos centrais na geografia humana. A romaria, enquanto fenômeno cultural e espacial, oferece um cenário rico para discutir como os sujeitos se apropriam e transformam a cidade, conforme sugerido por Massey (2012). Além disso, o filme possibilita reflexões sobre as escalas local e global, já que eventos religiosos como a romaria conectam Juazeiro do Norte a redes mais amplas de significação e fluxos. Portanto, a linguagem cinematográfica pode ser mobilizada no ensino de geografia para promover uma leitura crítica do espaço urbano. A partir da análise de Candeias (2017), propõe-se uma metodologia que articula cinema e geografia escolar, contribuindo para práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas com a realidade dos estudantes. Os resultados esperados incluem não apenas a produção de conhecimento acadêmico, mas também a elaboração de materiais didáticos que facilitem a aplicação dessas reflexões em sala de aula. Objetivo Investigar como o curta-metragem Candeias (2017) pode ser utilizado como recurso didático no ensino de geografia, de modo a ampliar a percepção crítica dos estudantes sobre o espaço urbano, a partir da articulação entre linguagem cinematográfica, cotidiano e paisagem urbana no contexto do Cariri cearense. Específicos: Analisar a representação da paisagem urbana de Juazeiro do Norte no curta-metragem Candeias. Investigar a relação entre cinema e ensino de Geografia. Explorar conceitos geográficos presentes no filme. Metodologia Este estudo adota uma abordagem qualitativa que integra análise fílmica e geográfica para investigar as representações do espaço urbano no curta-metragem Candeias (2017). A pesquisa está fundamentada no modelo Autor-Texto-Leitor (ATR) de Sharp e Lukinbeal (2015), que permite examinar a construção cinematográfica da cidade a partir de três perspectivas inter-relacionadas: a intencionalidade do diretor, a materialidade fílmica e as possíveis interpretações do espectador. Essa abordagem é particularmente relevante para entender como a romaria de Nossa Senhora das Candeias é especializada no filme e quais significados geográficos emergem dessa representação. A análise geográfica do curta metragem envolve um mapeamento comparativo entre os espaços que são representados e a sua configuração real em Juazeiro do Norte. Este processo inclui a identificação de locais-chave da romaria, a análise dos fluxos urbanos retratados e o exame das relações entre paisagem física e paisagem simbólica. A pesquisa utiliza trabalho de campo para registrar a configuração atual desses espaços, complementado por entrevistas com moradores e frequentadores da romaria, permitindo confrontar as representações fílmicas com as experiências concretas dos sujeitos que vivenciam esses espaços no cotidiano. Como produto final, o estudo propõe uma metodologia para uso pedagógico do filme em aulas de geografia. Esta proposta inclui a elaboração de roteiros de discussão que articulem as cenas do curta-metragem com conceitos geográficos, atividades que relacionem a representação fílmica com as experiências espaciais dos alunos, e orientações para a produção de materiais audiovisuais pelos estudantes. A aplicação piloto dessa metodologia será realizada em escolas da região do Cariri cearense, com o objetivo de avaliar sua eficácia no ensino de conceitos geográficos e na ampliação da percepção espacial dos alunos. Resultados Nesta pesquisa utilizou a revisão bibliográfica, exibição do filme Candeias e primeiras anotações analíticas, espera-se estabelecer as bases teórico-metodológicas para o desenvolvimento do estudo. A consolidação do referencial teórico sobre geografia, cinema e espaço urbano permitirá construir um quadro analítico consistente para examinar as representações da cidade no curta-metragem, com especial atenção às dimensões espaciais da romaria de Nossa Senhora das Candeias. Como produto imediato desta etapa da pesquisa, prevê-se a elaboração de uma análise preliminar do material fílmico, identificando: (1) os principais elementos de paisagem urbana destacados na narrativa; (2) as estratégias cinematográficas utilizadas para representar o espaço sagrado da romaria; e (3) as relações entre os lugares filmados e sua configuração geográfica real. Esta análise será complementada pela criação de um banco de dados organizado com cenas-chave do filme, associadas a categorias de análise geográfica. Conclusão Conclui-se que a partir da análise do curta-metragem Candeias, constata-se que o cinema é um recurso potente para o ensino de geografia, ao permitir a articulação entre representação fílmica e vivência cotidiana dos espaços urbanos. O filme, ao retratar a romaria em Juazeiro do Norte, evidencia como o espaço urbano é constantemente definido nas práticas culturais e religiosas, possibilitando ao estudante compreender a cidade como um espaço dinâmico, simbólico e multifacetado. Assim, a proposta de integrar o cinema ao ensino de geografia não apenas enriquece a prática pedagógica, mas também contribui para o “reencantamento” da disciplina, tornando-a mais próxima da realidade dos alunos e mais eficaz na formação de um olhar crítico sobre o mundo. Agradecimentos Agradeço ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Espaço Urbano e Cultura (LEPEUC) e ao grupo de pesquisa de pesquisa Imago pelo apoio ao desenvolvimento da pesquisa. Referências AZEVEDO, A. F. Geografia e cinema. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (orgs.). Cinema, música e espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009, p. 95-128. BARBOSA, J. L. Geografia e cinema: em busca de aproximações e do inesperado. In: CARLOS, A. F. A. (org.). A Geografia na sala de aula. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2003, p. 109-133. BERQUE, A. Paisagem-marca, paisagem-matriz: elementos da problemática para uma geografia cultural. In: CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (orgs.). Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998, p. 84-91. KAERCHER, N. A. A Geografia é o nosso dia-a-dia. In: CASTROGIOVANNI, A. C. et al. (orgs.). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003, p. 11-21. MASSEY, D. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoRELATO DE EXPERIÊNCIA: EXPERIMENTAÇÕES GEOGRÁFICAS DA CIDADE EM IMAGENS
WEBERTH KAYO BEZERRA DA SILVA; Pedro Ivan dos Santos Lima
Resumo: Este relato de experiência analisa as transformações urbanas e sociais da Romaria de Candeias em Juazeiro do Norte-CE, utilizando o audiovisual como ferramenta de pesquisa. Parte-se do pressuposto de que a Romaria de Candeias é um fenômeno religioso urbano que impacta na dinâmica da cidade durante sua realização periódica. A metodologia combinou observação participante, filmagens com iPhone 15, capturando o espaço onde acontece a Procissão das Velas transformado. Os resultados revelaram: reconfiguração espacial temporária, com ruas comerciais adaptadas para barracas e fluxo intenso de pessoas; impacto econômico positivo, mas desafios como superlotação; e construção de uma identidade cultural híbrida, unindo sagrado e urbano. O documentário produzido, com narrativa não-linear, articulou teoria (geografia urbana) e prática, validado por participantes. Conclui-se que a romaria é um fenômeno multidimensional, e o audiovisual se mostrou oportuno para documentar parte de suas complexidades, oferecendo subsídios para estudos urbanos. Palavras-chave: Romaria. Juazeiro. Candeias. Sagrado. Urbano 1. Introdução A Romaria de Candeias, em Juazeiro do Norte, Ceará, é um fenômeno religioso e urbano que transcende a esfera da devoção, transformando radicalmente a dinâmica da cidade durante seu período de realização. Milhares de romeiros convergem para o município, trazendo consigo não apenas sua fé, mas também impactos significativos na infraestrutura, na economia e nas interações sociais locais. Essa intensa movimentação coloca em evidência uma problemática central: como a Romaria de Candeias reconfigura o espaço urbano de Juazeiro do Norte e quais são os desafios e oportunidades gerados por essa transformação temporária Além disso, a romaria evidencia contradições inerentes ao crescimento urbano acelerado por eventos religiosos de grande porte. Enquanto impulsiona o comércio e o turismo, também expõe fragilidades na mobilidade, na oferta de serviços públicos e na preservação da identidade cultural da cidade. A tensão entre o sagrado e o urbano torna-se palpável, levantando questões sobre como equilibrar a demanda dos romeiros com as necessidades cotidianas dos residentes. Nesse contexto, entender essas dinâmicas é essencial para propor estratégias que harmonizem o desenvolvimento urbano com a preservação do patrimônio imaterial representado pela romaria. A carência de registros audiovisuais que capturem não apenas o aspecto religioso, mas também as transformações geográficas e sociais da cidade durante o evento, limita a compreensão ampla desse fenômeno. Esta pesquisa surge como uma tentativa de discutir o objeto de estudo em tela, utilizando o vídeo como ferramenta de análise e documentação, capaz de revelar as múltiplas camadas que constituem a Romaria de Candeias em Juazeiro do Norte. 2. Objetivo Este relato de experiência visa analisar as transformações urbanas e sociais provocadas pela Romaria de Candeias em Juazeiro do Norte, durante seu período de realização anual, utilizando o audiovisual como ferramenta de pesquisa. Busca-se documentar as mudanças na paisagem urbana, os e as dinâmicas culturais do evento. O objetivo é criar um registro que ultrapasse a dimensão religiosa, oferecendo uma visão mais ampla relacionado as mudanças urbanas que acontecem na cidade. O produto final constitui-se de um documentário que retrate a romaria em sua complexidade, destacando seu papel na transformação do espaço urbano e nas relações sociais. 3. Metodologia A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa baseada em registro audiovisual para documentar as transformações urbanas e culturais durante a Romaria de Candeias. O trabalho de campo concentrou-se em três eixos principais de observação: os espaços sagrados como o Santuário, as rotas processionais e as áreas de comércio temporário. A metodologia privilegiou enquadramentos variados, desde planos abertos que captam a dimensão coletiva do evento até closes em elementos simbólicos como velas, objetos de devoção e expressões faciais dos participantes. Essa abordagem permitiu registrar tanto as grandes transformações urbanas quanto os tradicionais rituais religiosos que compõem a romaria. Utilizou-se um dispositivo móvel digital, iPhone 15 Pro, como principal ferramenta de captação, aproveitando seus recursos de filmagem em 4K/60fps com estabilização cinemática, garantindo qualidade profissional nas imagens. Complementando o equipamento, um painel de LED portátil foi empregado para iluminação controlada durante as gravações noturnas, particularmente na Procissão das Velas, permitindo capturar detalhes sem descaracterizar a atmosfera original do evento. Para a análise do material, adotou-se como referencial teórico os conceitos de produção do espaço de Lefebvre (1974) e as contribuições de Serpa (2010) sobre geografia visual. A pós-produção manteve-se minimalista, com ajustes básicos de cor e contraste realizados no próprio aparelho, sempre preservando a autenticidade documental das imagens. A opção por equipamentos compactos e versáteis demonstrou que, quando aliados a um planejamento metodológico rigoroso, podem produzir registros acadêmicos completos, capazes de articular análise científica e potencial representação estética sem necessidade de estruturas complexas de filmagem. 4. Resultados Os registros audiovisuais resultaram na ampliação do ponto de vista de como a Romaria de Candeias transformam Juazeiro do Norte em um palco de intensas dinâmicas espaciais e sociais. As imagens capturadas mostram uma cidade que se reinventa: ruas comerciais ganham nova configuração com barracas temporárias, o fluxo de pessoas multiplica-se exponencialmente e espaços públicos são ressignificados pelos rituais religiosos. A Procissão das Velas emergiu como o momento mais emblemático, onde a cidade brilha sob a luz das velas, criando uma paisagem urbana efêmera que funde o sagrado com o cotidiano. Enquanto comerciantes destacaram o impacto econômico positivo (aumento de até 300% nas vendas), moradores relataram desafios como superlotação e dificuldades de mobilidade. Os romeiros, por sua vez, enfatizaram a dimensão espiritual, descrevendo a romaria como uma experiência transformadora que ultrapassa o âmbito religioso para se tornar um fenômeno de identidade coletiva. A análise integrada dos dados visuais e narrativos permitiu identificar três eixos principais de transformação: reconfiguração temporária do espaço urbano, tensão entre benefícios econômicos e custos sociais, e construção de uma identidade cultural híbrida. Esses resultados evidenciam a romaria como um laboratório vivo de geografia humana, onde se observam processos urbanos acelerados e intensificados pela força da religiosidade popular. 5. Conclusão O estudo demonstra que a Romaria de Candeias transforma significativamente a dinâmica urbana de Juazeiro do Norte. Os resultados comprovam a reconfiguração temporária dos espaços públicos e a criação de novas geografias sociais durante o evento. A pesquisa evidencia o impacto econômico positivo para comerciantes, mas também revela os desafios de infraestrutura enfrentados pela população local. O trabalho alcança seu objetivo principal ao documentar visualmente essas transformações através do registro audiovisual. As imagens capturadas confirmam a fusão entre o sagrado e o urbano, especialmente durante a “Procissão das Velas”. Os depoimentos coletados validam a romaria como fenômeno multidimensional - religioso, econômico e sociocultural. A experiência reforça a importância de políticas públicas que equilibrem o desenvolvimento turístico-religioso com a qualidade de vida dos moradores. Sugere-se, por exemplo, a criação de planos de mobilidade urbana específicos para períodos de romaria, além de investimentos em infraestrutura temporária que possam atender ao fluxo massivo de visitantes sem prejudicar o cotidiano da cidade. Essas medidas poderiam potencializar os benefícios econômicos enquanto mitigam os impactos negativos identificados na pesquisa. Por fim, o projeto abre caminho para novas investigações sobre como outras cidades sagradas brasileiras lidam com fenômenos semelhantes. O método audiovisual aqui empregado mostrou-se particularmente eficaz para capturar a complexidade desses eventos, podendo ser adaptado para estudos comparativos em diferentes contextos culturais e urbanos. A Romaria de Candeias, portanto, não apenas revela as dinâmicas específicas de Juazeiro do Norte, mas também oferece insights valiosos para compreender a relação entre religiosidade popular e transformação urbana em escala nacional. 6. Agradecimentos Agradeço ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Espaço Urbano e Cultura (LEPEUC), ao grupo de pesquisa IMAGO, CNPQ, à Pró-reitora de Extensão (PROEX), à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), agradeço especialmente ao orientador Glauco Vieira Fernandes, por suas valiosas contribuições e apoio durante a realização desta pesquisa. 7. Referências CORDEIRO, M. P. J. (2023). Entre chegadas e partidas: dinâmicas das romarias em Juazeiro do Norte. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/2253. Acesso em: [28 de abril, 2025] SILVA, Weberth Kayo Bezerra da. Juazeiro em Candeias: experimentações geográficas da cidade em imagens. 2024. Trabalho apresentado na IX Semana de Extensão da Universidade Regional do Cariri, 2024, Crato. LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Tradução de Doralice Nascimento. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006. SERPA, Ângelo. Geografia e cultura visual: imagens, representações e práticas espaciais. Revista Terra Livre, São Paulo, n. 34, p. 79–98, 2010.
Palavras-chave: Romaria,Juazeiro,Candeias,Sagrado,Urbano
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Geodiversidade,Caracterização físo-ambiental,Dinâmicas naturais,Baixio-Ce
Oral
Abrir o trabalhoVARIABILIDADE PLUVIOMÉTRICA E ANÁLISE DO ÍNDICE PADRONIZADO DE PRECIPITAÇÃO (SPI) NO MUNICÍPIO DE PORTEIRAS (CE)
MARIA NÁGILA AMORIM DOS SANTOS; Ana Beatriz de Brito; Joaquim Aurélio Pereira da Silva
VARIABILIDADE PLUVIOMÉTRICA E ANÁLISE DO ÍNDICE PADRONIZADO DE PRECIPITAÇÃO (SPI) NO MUNICÍPIO DE PORTEIRAS (CE) Maria Nágila Amorim dos Santos Profa. Dra. Juliana Maria Oliveira Silva Ana Beatriz de Brito Resumo: As mudanças climáticas têm provocado alterações significativas nos padrões de precipitação em diferentes regiões do planeta, especialmente nas áreas semiáridas do Nordeste brasileiro. O município de Porteiras, localizado no sul do estado Ceará, possui características geomorfológicas e hidrológicas que o tornam altamente vulnerável a eventos climáticos extremos. Este trabalho tem como objetivo analisar a variabilidade pluviométrica do município no período de 1974 a 2023, utilizando o Índice Padronizado de Precipitação (SPI) como indicador das anomalias pluviométricas. A metodologia consistiu na análise da série histórica de precipitação mensal da FUNCEME, cálculo do SPI e classificação dos eventos segundo os critérios de McKee et al. (1993). Os resultados indicam alternância de anos com secas severas (1983, 1993, 2012, 2016) e chuvas intensas (2004, 2009, 2023), com SPI variando além dos limites de -1,5 e +1,5. A média do SPI para o período foi de -0,08, enquanto a precipitação média anual é de 812,6 mm. Gráficos e tabelas ilustram a distribuição temporal dos extremos. Conclui-se que o SPI é um instrumento eficiente para diagnosticar a dinâmica pluviométrica de Porteiras e que políticas públicas devem considerar essas evidências para promover adaptação e mitigação dos impactos climáticos. Palavras-chave: Variabilidade climática. Precipitação. SPI. Seca. Porteiras. 1. Introdução As mudanças climáticas globais vêm alterando significativamente os padrões de precipitação em diversas regiões do planeta, com impactos particularmente expressivos em áreas semiáridas como o Nordeste brasileiro. O município de Porteiras, situado no sul do Estado do Ceará, insere-se em um contexto geoambiental caracterizado por elevada vulnerabilidade climática, em função de sua posição no rebordo da Chapada do Araripe, da presença de rios intermitentes e da ocupação humana concentrada em regiões suscetíveis a eventos extremos. Nesse cenário, compreender a dinâmica pluviométrica local e identificar padrões de anomalias climáticas é fundamental para subsidiar políticas de gestão ambiental, planejamento territorial e prevenção de riscos. O SPI é um índice consolidado para a detecção de secas e excessos de precipitação, oferecendo flexibilidade de análise em múltiplas escalas temporais. 2. Objetivo O presente estudo tem como objetivo analisar a variabilidade pluviométrica do município de Porteiras (CE), entre os anos de 1974 e 2023, com base na série histórica de dados da FUNCEME, utilizando o Índice Padronizado de Precipitação (SPI) como instrumento para identificar eventos extremos de seca e de chuvas intensas. 3. Metodologia A pesquisa baseou-se na coleta e organização de dados pluviométricos mensais de Porteiras (CE), disponibilizados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME). A partir dessa base, realizou-se o cálculo do SPI mensal, conforme metodologia proposta por McKee et al. (1993), considerando a média e o desvio padrão da precipitação acumulada para diferentes escalas temporais. Foram considerados eventos extremos aqueles com SPI inferior a -1 (seca) ou superior a 1 (chuva intensa). Além disso, imagens de satélite e observações locais foram utilizadas para compreender os efeitos desses eventos no relevo e nos cursos d'água intermitentes da região. As análises estatísticas e as visualizações gráficas foram realizadas com o apoio de planilhas eletrônicas e ferramentas computacionais. 4. Resultados A análise da série histórica revela uma acentuada variabilidade interanual das chuvas em Porteiras, com oscilações marcadas entre anos de estiagem e anos com pluviosidade elevada. Foram identificados períodos de seca severa nos anos de 1983, 1993, 2012 e 2016, com SPI inferior a -1,5. Por outro lado, ocorreram eventos de chuvas intensas em 2004, 2009 e 2023, com SPI superior a 1,5. Esses eventos estão frequentemente associados aos fenômenos El Niño e La Niña, os quais afetam a circulação atmosférica e os padrões de umidade na região Nordeste. Figura 1 – SPI Anual (1974–2023) A Figura 1 apresenta a variação do Índice Padronizado de Precipitação (SPI) anual no município de Porteiras (CE), no período de 1974 a 2023. Os limites de SPI inferior a -1 e superior a 1 foram destacados para indicar secas e chuvas intensas, respectivamente. A média do SPI para o período é de aproximadamente -0,08, evidenciando uma tendência levemente seca no recorte temporal analisado. A média do SPI calculada para o período foi de aproximadamente -0,08, indicando tendência levemente seca, enquanto a média de precipitação anual é de 812,6 mm, conforme dados da FUNCEME. A frequente alternância entre anos secos e chuvosos gera impactos significativos na agricultura, na disponibilidade hídrica e na infraestrutura urbana, sobretudo em comunidades ribeirinhas e zonas de encosta. A associação entre os eventos climáticos extremos e as características geomorfológicas locais, como o relevo dissecado e a baixa capacidade de infiltração dos solos, agrava os efeitos das chuvas concentradas e das estiagens prolongadas. A visualização dos dados em gráficos temporais demonstra a presença de ciclos secos e úmidos de curta duração, sem tendência linear clara de aumento ou redução de chuvas, o que reforça a necessidade de planejamento adaptativo baseado em cenários climáticos variáveis. Os mapas de classificação de eventos extremos mostram distribuição não uniforme dos eventos ao longo das décadas, com alguns períodos concentrando vários anos críticos sucessivos, como entre 2010 e 2016. Figura 2 – Classificação dos Eventos Extremos (SPI) A Figura 2 mostra a distribuição dos eventos extremos classificados por SPI, com destaque para os anos em que foram registradas secas intensas (SPI < -1) ou chuvas intensas (SPI > 1). Esses dados auxiliam na identificação de padrões climáticos relevantes para ações de planejamento e mitigação. Fonte: FUNCEME (adaptado pelo autor). 5. Conclusão Os resultados confirmam que Porteiras apresenta alta variabilidade pluviométrica e frequente recorrência de eventos extremos de seca e chuvas intensas, o que torna o município especialmente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. O uso do SPI mostrou-se uma ferramenta eficaz para diagnóstico e monitoramento das condições hídricas, contribuindo para a compreensão da dinâmica hidrológica local. A integração entre os dados climatológicos, as observações do relevo e os dados socioeconômicos pode auxiliar no planejamento territorial e na formulação de políticas públicas voltadas à adaptação e à justiça climática. Como continuidade da pesquisa, propõe-se aprofundar a análise dos eventos extremos diários de precipitação, utilizando o SPI em escalas menores, a fim de identificar padrões de eventos críticos concentrados em poucos dias, com potencial para causar inundações, alagamentos e deslizamentos de massa. Estudos futuros também deverão considerar indicadores de vulnerabilidade socioambiental para identificar as áreas mais suscetíveis do município e propor medidas de prevenção e adaptação. 6. Referências FUNCEME – Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos. Dados pluviométricos históricos de Porteiras (CE). Fortaleza: FUNCEME, 2025. Disponível em: <http://www.funceme.br>. Acesso em: mai. 2025. IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – Impactos no Nordeste. Brasília: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, 2023. IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. Sexto Relatório de Avaliação. Genebra: IPCC, 2021. McKEE, T. B.; DOESKEN, N. J.; KLEIST, J. The relationship of drought frequency and duration to time scales. In: CONFERENCE ON APPLIED CLIMATOLOGY, 8., 1993, Boston. Anais [...]. Boston: American Meteorological Society, 1993. p. 179–183. MONTEIRO, C. A. F. Teoria e clima: um estudo geográfico. São Paulo: EDUSP, 1971. OBSERVAÇÕES e imagens de satélite do município de Porteiras – CE. Google Earth Pro, 2025.
Palavras-chave: Porteiras,Precipitação.,SPI.
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Abrir o trabalhoDO POVOADO DE SÃO BERNARDO AO MUNICÍPIO DE DEPUTADO IRAPUAN PINHEIRO: MEMÓRIA E PODER LOCAL
JONAS LIMA MACIEL
DO POVOADO DE SÃO BERNARDO AO MUNICÍPIO DE DEPUTADO IRAPUAN PINHEIRO: MEMÓRIA E PODER LOCAL Jonas Lima Maciel Resumo: Esse trabalho objetiva fazer uma análise do território de Irapuan Pinheiro-CE. A discussão começa com sua ocupação e emancipação política em 1988, ademais, a discussão do espaço pós-emancipação também se faz presente, tendo como foco o poder local desencadeando inúmeras transformações e metamorfoses espaciais que resultaram na aquisição de cidadania. Os procedimentos metodológicos incluíram: revisão bibliográfica sobre a rede urbana cearense, pequenas cidades, história e geografia local; análise de documentos; entrevistas com antigos moradores, políticos e ex-políticos; levantamento de dados estatísticos; visitas de campo; produção de mapas com os dados coletados. Nesse sentido, a pesquisa concluiu que com a emancipação do município ocorreram inúmeras melhorias relacionadas à aquisição da cidadania e de objetos geográficos no território. No entanto, percebe-se também um município dependente de receitas externas, do setor público e dos municípios vizinhos, com práticas de clientelismo político, impedindo, assim, a cidadania plena. Palavras-chave: Memória. Cidadania. Patrimônio. Pequenas cidades. Poder local. 1. Introdução O município de Deputado Irapuan Pinheiro está localizado na macrorregião cearense do Sertão Central, possui uma população estimada de 9.698 habitantes (IBGE, 2021), sua divisão político-administrativa é contemplada por seis distritos (sede, Betânia, Baixio, Aurora, Maratoan e Velame). No distrito-sede encontra-se um incipiente comércio e a oferta de alguns serviços públicos de saúde, educação, segurança além do poder político o que o torna uma centralidade polarizando as regiões do município. As características supracitadas se tornaram mais presentes nesse espaço a partir do processo de emancipação política ocorrido em 28 de abril de 1988, quando o então Distrito de Tataíra e alguns sítios dos distritos de Assunção e São José desmembraram-se de Solonópole formando o município de Deputado Irapuan Pinheiro. Esse fato histórico será tratado nesse trabalho como um marco divisório para entender as mudanças espaciais que ocorreram de forma gradativa e que culminou na presença dos objetos geográficos espacializados atualmente, sobretudo na sede e nos distritos de Betânia e Baixio. Ao abordar os moradores mais antigos de Irapuan Pinheiro, os relatos e a descrição do espaço pré-emancipação são unânimes: um lugar carente de infraestruturas, com um comércio pouco desenvolvido, economia baseada na agricultura e serviços públicos praticamente inexistentes, tendo que se deslocar para a Sede de Solonópole (em média 60 km de distância) para ter acesso aos mais básicos serviços como consultas médicas, pequenas cirurgias, ocorrências jurídicas, dentre outros. De acordo com Santos (1988, p. 5): “Os elementos do espaço seriam os seguintes: os homens, as firmas, as instituições, o chamado meio ecológico e as infraestruturas”. Dessa forma, com as contribuições teóricas de Santos pretende-se nesse trabalho estudar as mudanças espaciais que aconteceram de forma gradativa após o processo de emancipação política, usando as categorias de análise supracitadas para responder questionamentos como: Quais fatores levaram à ocupação e ao povoamento do antigo povoado de São Bernardo? Como se configurava o cotidiano dos habitantes desse povoado antes do processo de emancipação política? Quais as razões sociais, políticas e geográficas da ausência de políticas públicas nesse lugar? Quais os interesses e os agentes envolvidos no processo de emancipação política? De que forma a emancipação política trouxe mais cidadania para os munícipes do novo município? Como o poder local atua e influencia a dinâmica social e econômica de Irapuan Pinheiro-CE? Dentre outros questionamentos. Tendo como premissa a influência do poder local nesse processo com recorte temporal enfocado entre 1988 a 2024 para compreender o papel da emancipação política e o caráter gradativo dessas metamorfoses. 2. Objetivo • Analisar as metamorfoses espaciais no espaço de Deputado Irapuan Pinheiro-CE a partir da influência do poder local nesse processo. 3. Metodologia A metodologia da pesquisa envolve revisão bibliográfica sobre Pequenas Cidades, Rede urbana cearense e história e geografia local. Além disso, serão realizadas entrevistas com moradores antigos da cidade, historiadores, políticos e outros munícipes que possam contribuir para essa pesquisa. Ademais, pretende-se buscar registros documentais para confirmar as hipóteses e as informações coletadas a partir das entrevistas. Para essa pesquisa algumas categorias de análises e conceitos utilizados na ciência geográfica são de profunda importância. Tais como território. Lugar. Cidadania, metamorfoses espaciais, poder local, emancipação política, centralidade, patrimônio, memória, entre outros. Sobre este último salienta Abreu (1998, p.87): É através da recuperação das memórias coletivas que sobraram do passado (estejam elas materializadas no espaço ou em documentos), e da preocupação constante em registrar as memórias coletivas que ainda estão vivas no cotidiano atual da cidade (muitas das quais certamente fadadas ao desaparecimento) que poderemos resgatar muito do passado, eternizar o presente, e garantir às gerações futuras um lastro de memória importante para a sua identidade. Munido desses referenciais, posteriormente, será feita uma análise e melhor organização de tudo o que foi coletado em campo e nas leituras, bem como, das pesquisas de autoria própria já realizadas pelo autor (artigo científico e monografia) para assim concluir os objetivos do projeto e entender de forma mais ampla como ocorreram as mudanças espaciais e outros fenômenos no território. 4. Resultados O distrito de São Bernardo (atual município de Dep. Irapuan Pinheiro) foi incorporado de maneira periférica à lógica de exploração no interior cearense, também tendo como atividades econômicas principais aquelas associadas ao binômio gado-algodão. A ocupação desse espaço se deu inicialmente às margens do Riacho do Sangue, que no final do século XVII se tornou um ponto de parada para fazendeiros da Região do Cariri que visavam descansar nessas terras, alimentar e saciar a sede do seu gado, (Pinheiro, 2019). Segundo relatos, desde seu povoamento até a emancipação política, a ausência de políticas públicas e de infraestruturas era imensa. A primeira rua pavimentada construída em Tataíra (Antigo povoado de São Bernardo) ocorreu apenas na década de 1970, na Gestão da Prefeita Suelly Pinheiro (1973-1977); a energia elétrica chegou ao distrito também nesse período.Os agentes políticos de Solonópole dificilmente visitavam o distrito ou alocavam recursos. A maioria dos moradores relatam que o lugar só era lembrado em períodos de Pleito, sendo o reflexo da ausência do Estado em Tataíra. No distrito ruralizado de Tataíra inexistiam espaços públicos de lazer, a exceção da igreja matriz (construída ainda no século XVIII) e sua praça construída na década de 1970; a escola estadual e o posto de saúde estavam muito aquém da crescente demanda. Essa realidade ocasionou em várias lideranças locais o interesse por desmembramento do distrito e a criação de um novo município. Os conchavos, acordos com lideranças regionais e elites locais foram essenciais para que o processo de emancipação política obtivesse êxito (Pinheiro, 2009). A emancipação política descentralizou o poder político, criando um novo poder local que a partir dos recursos advindos de repasses federais e estaduais pôde agir de forma mais efetiva que a prefeitura de Solonópole. Proporcionando infraestruturas, políticas públicas e movimentando a dinâmica socioeconômica do espaço estudado. Por se tratar de uma pequena cidade, a prefeitura municipal é o grande agente modelador das dinâmicas espaciais, sociais e econômicas. A partir da construção de infraestrutura, de políticas públicas, de empregos movimentando a economia do município. Em outro ponto, como já citado anteriormente, a criação desse poder local proporcionou numerosas práticas clientelistas e coronelista típicas da política de cidades do interior brasileiro, dentre as quais: benefícios pessoais em troca de apoio político, beneficiamento de pessoas aliadas ao poder, políticas assistencialistas, dentre outras. A intenção da pesquisa e mais especificamente do produto desse trabalho é gerar não apenas conhecimentos histórico e geográfico aos estudantes do município, mas também promover uma educação voltada para a cidadania, do conhecimento dos seus direitos e deveres, de como era a ausência disso antes da emancipação e quais as funções do Estado em todas as esferas, sobretudo a esfera local. Afim de tornar estudantes mais críticos e questionadores de sua realidade. 5. Conclusão A análise da formação e das transformações espaciais de Deputado Irapuan Pinheiro-CE evidencia o papel fundamental do poder local na promoção de mudanças socioespaciais após a emancipação política em 1988. A criação do município permitiu a chegada de infraestrutura, a ampliação de serviços e o fortalecimento da cidadania, ainda que de forma gradativa e marcada por desafios típicos das pequenas cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, a pesquisa demonstra que o município, embora tenha avançado em termos de acesso a serviçoos, permanece dependente de repasses externos e carrega práticas políticas clientelistas e coronelistas, que limitam o exercício pleno da cidadania. A dinâmica espacial de Irapuan Pinheiro, portanto, é resultado da interação entre agentes locais e o poder público, inseridos em um contexto mais amplo de desigualdade regional. Compreender essas metamorfoses espaciais contribui para uma reflexão crítica sobre o papel do Estado, dos agentes políticos e da sociedade civil na construção de espaços mais justos e democráticos, reforçando a importância da memória coletiva como instrumento de preservação identitária e de estímulo à participação cidadã. 6. Referências ABREU, Maurício de Almeida. Sobre a memória das cidades. In: Revista Território. Rio de Janeiro, UFRJ/Laget, v. 3, n. 4, p. 5- 26, jan./jun., 1998. PINHEIRO, Francisco Dantas. Solonópole/Francisco Dantas Pinheiro. Fortaleza, ABC Editora, 2009. PINHEIRO, W. D. De São Bernardo a Irapuan Pinheiro: a Construção do Lugar em Uma Perspectiva Sociocultural. Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza-CE, 2019. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica, Razão e Emoção. 3 ed. São Paulo: Edusp (Editora da USP), 2003. _______.Espaço e Método. São Paulo: Nobel, Revista geonorte, 7(27), 78 -84, 1988 .
Palavras-chave: Memória, Cidadania, Patrimônio,Pequenas cidades, Poder local
Oral
Abrir o trabalhoO Bairro Salesianos No Contexto Urbano de Juazeiro do Norte-CE no Período de 1925 a 2020: Uma Análise Geohistórica e Fotogeográfica no Processo de Expansão Da Cidade
MARIA CLARA LOPES NASCIMENTO; Geovanna Soares Santos; Glauco Vieira Fernandes
O BAIRRO SALESIANOS NO CONTEXTO URBANO DE JUAZEIRO DO NORTE-CE NO PERÍODO DE 1925 A 2020: UMA ANÁLISE GEOHISTÓRICA E FOTOGEOGRÁFICA NO PROCESSO DE EXPANSÃO DA CIDADE Maria Clara Lopes Nascimento Geovanna Soares Santos Glauco Vieira Fernandes Resumo Este trabalho investiga o bairro Salesianos, em Juazeiro do Norte (CE), no contexto do processo de expansão urbana entre 1925 e 2020, a partir da abordagem da geografia histórica e da fotogeografia. Seguindo as reflexões de Corrêa (2011), considera-se que o espaço urbano é resultado da ação de múltiplos agentes em diferentes escalas e temporalidades. Inspirado na proposta metodológica na geografia urbana histórica, o estudo adota uma perspectiva que compreende a cidade como objeto e resultado da história, cujos processos socioespaciais se materializam na paisagem. O bairro Salesianos se destacou por sua localização estratégica e pelos equipamentos estruturantes que abrigou, como o Colégio Salesiano e a malha viária conectada ao centro tradicional da cidade. Com base em registros fotográficos, levantamento bibliográfico e trabalho de campo, identificaram-se transformações morfológicas que indicam a transição do bairro de um espaço predominantemente residencial para uma área de centralidade secundária, articulando memória urbana, reestruturação funcional e dinâmicas territoriais recentes. Palavras-chave: Geografia histórica. Produção do espaço. Juazeiro do Norte. Bairro Salesianos. Centralidade urbana. 1. Introdução A análise do espaço urbano à luz da geografia histórica permite compreender que a cidade não é um agente autônomo, mas sim o resultado de múltiplas relações sociais, políticas e econômicas (HARVEY, 2006). No caso de Juazeiro do Norte, marcada fortemente pela influência do movimento religioso liderado por Padre Cícero, é necessário superar uma leitura exclusivamente mítica da cidade para compreender sua estruturação a partir de lógicas socioespaciais mais amplas (PEREIRA, 2014). A proposta deste trabalho parte da compreensão de que a história da cidade se revela na morfologia urbana dos bairros, como é o caso do Salesianos, cuja posição e função evoluíram ao longo do século XX, em consonância com os processos de centralização e expansão urbana observados em cidades médias brasileiras (CARLOS, 2011). 2. Objetivo Analisar as transformações espaciais e funcionais do bairro Salesianos, em Juazeiro do Norte (CE), entre 1925 e 2020, com base nos princípios teórico-metodológicos da geografia histórica e da fotogeografia. Como objetivos específicos: Cotejar áreas do bairro Salesianos com paisagens representadas nos suportes iconográficos (fotografias, mapas, imagens) referendados para a pesquisa. 3. Metodologia A metodologia adotada segue a proposta de Vasconcelos (2009), dividida em quatro etapas: a) periodização das longas durações; b) contextualização histórica; c) identificação dos agentes sociais envolvidos; e d) análise da forma espacial produzida. Foram utilizados registros fotográficos (históricos e atuais), observações de campo, e levantamento bibliográfico. A fotogeografia foi empregada como suporte interpretativo para comparar visualmente os estágios de ocupação e transformação do bairro (CORRÊA, 2011). Em uma primeira análise interpretativa, segue-se a perspectiva empregada por Martins (2009), a de ver a composição fotográfica, profissional ou popular, prenhe da presença de conteúdos essenciais à intepretação sociológica/geográfica da fotografia como documento. Neste sentido, a fotografia documental assim compreendida: que não apenas informa sobre o meio representado, mas que também captura a polissemia da paisagem a partir de múltiplas leituras que dela possam sem feitas. A fotografia, enquanto iconografia principal nesta investigação geohistórica da cidade, apoia-se na perspectiva da paisagem valorizada e integrada com outros conceitos espaciais, tais como território e lugar. Apoiando-se em Souza (2013) delineou-se a análise das imagens a partir de sua potência reveladora, além da aparência. Ou seja, a paisagem é uma forma, uma aparência, mas que ressona uma dinâmica que nela está codificada na medida que se estabelece o cotejo entre os vários tempos acumuladas na própria paisagem. Por outro lado, a análise das representações fotográficas traz elementos diacrônicos e sincrônicos pontuados neste estudo. Conforme Santos (1999), o tempo como sucessão, ou tempo histórico, na análise geográfica da área da cidade revela simultaneidades. Não há espaço em que o uso do tempo seja idêntico para todos os períodos no processo de expansão urbana de Juazeiro do Norte. 4. Resultados Observou-se que, desde sua origem, o bairro Salesianos esteve inserido em um contexto de valorização territorial impulsionado por fatores religiosos, políticos e econômicos. Conforme aponta Della Cava (1985), a estruturação urbana de Juazeiro do Norte teve origem em uma combinação de agentes locais e interesses de escala nacional. A presença de instituições religiosas e educacionais no bairro contribuiu para sua relevância simbólica e funcional. Nas últimas décadas, processos como a verticalização, o adensamento populacional e a diversificação de usos do solo alteraram significativamente a paisagem local. Fotografias históricas contrastadas com imagens atuais evidenciam essas transformações, revelando um padrão de crescimento típico das áreas de centralidade urbana emergente (LEFEBVRE, 2008). Imagem 01 – Área de ocupação dos Salesianos na cidade (antiga fazenda de Dr. Floro Bartolomeu) – Data aproximada: 1925 Fonte: Arquivo Orfanato Jesus Maria José, 1925 Na imagem 01 observa-se o período de primeira ocupação do bairro, antes da chegada da ação missionária dos padres salesianos em Juazeiro do Norte. A nucleação inicial do aglomerado urbano estava ilhada em um mar de áreas contíguas a serem exploradas e ocupadas com o adensamento populacional no início do século XX. Entretanto, a principal via de mobilidade, a rua Padre Cícero (anteriormente denominada rua do Arame ou rua Grande) constitui logradouro que irá persistir demarcando o sentido de expansão urbana da cidade além da área central inicial. Na imagem 01, o então Orfanato Jesus Maria José – ao fundo da imagem, em segundo plano, passará a se situar na área do bairro Salesianos, que começa a se expandir a partir do final dos anos 1930, no momento da construção do Colégio Salesiano. Imagem 02a – Vista aérea da cidade – Juazeiro do Norte/1954 Fonte: IBGE – Acervo dos Municípios Brasileiros, 1954 Imagem 02b – Vista aérea da cidade – Juazeiro do Norte/2024 Fonte: GoogleEarth (2025) – v. ref. completa Nas imagens 2a e 2b, observa-se duas vistas aéreas com um intervalo de setenta anos, e que, tendo como referência o horizonte marcado pelo limite da chapada do Araripe, apresenta a expansão da mancha urbana a partir da área da igreja Matriz (imagem 2a) em primeiro plano. O bairro Salesiano é contíguo, em linha reta, acolhendo a primeira extensão da área central da cidade. Vide também imagem 4, abaixo. Nas imagens 3a, 3b, 3c e 3d, a seguir, percebe-se que no longo período entre 1940 a 1980 a presença essencial para essa extensão da área central da cidade, efetivou-se a partir do equipamento urbano histórico que irá demarcar a própria nomenclatura e modo de apropriação do uso do solo: a consolidação da atividade educacional neste setor da cidade com a construção do colégio e demais equipamentos associados aos padres salesianos. Imagem 03 – Colégio Salesianos 1940 – 2018 (localização: rua Padre Cícero) 3a 3b 3c 3d Fonte: 3a – IBGE – Acervo dos Trabalhos Geográficos de Campo, 1962; 3b – Construção do Colégio Salesianos, 1940/Acervo – Almeida (2013); 3c – Colégio Salesiano São João Bosco – IBGE / Acervo dos Municípios Brasileiros, ~1940; 3d – Colégio Salesiano, site institucional-2024 Imagem 04 - Mapa da expansão urbana de Juazeiro do Norte entre 1870-1930. Fonte: Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, Juazeiro do Norte, 2000. In: PEREIRA (2014) 5. Conclusão O bairro Salesianos é um exemplo notável de como a produção do espaço urbano reflete a articulação entre agentes, escalas e tempos. Ao aplicar a geografia histórica e a fotogeografia como instrumentos de leitura, torna-se possível compreender as formas espaciais como resultado de processos sociais complexos. A história urbana de Juazeiro do Norte, marcada pela religiosidade, pelas migrações e pela modernização econômica, está inscrita nas ruas, edificações e práticas espaciais do bairro Salesianos, que se consolida hoje como território de memória, centralidade e transformação urbana. 6. Agradecimentos Agradecemos ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Espaço Urbano e Cultura – LEPEUC /Departamento de Geociências/URCA; e aos residentes do bairro Salesiano, por seus relatos e história nas fontes de pesquisa consultadas para esta pesquisa. 7. Referências ALMEIDA, Ferreira Núbia. O colégio Salesiano em Juazeiro do Norte e o projeto educacional do Padre Cícero. Fortaleza: Edições UFC, 2013. CARLOS, Ana Fani Alessandri. A condição espacial. São Paulo: Contexto, 2011. CORRÊA, Roberto Lobato. Sobre agentes sociais, escala e produção do espaço: um texto para discussão. In: CARLOS, A. F. A. et al. A produção do espaço urbano. São Paulo: Contexto, 2011. p. 41-51. COSTA, Everaldo Batista da. Paisagem-memória e função social da fotografia. In: STEINKE, Valdir Adilson; REIS JUNIOR, Dante Flávio; COSTA, Everaldo Batista. (orgs). Geografia e fotografia: apontamentos teóricos e metodológicos. Brasília: Laboratório de Geoiconografia e Multimídias – LAGIM, UnB, 2014 DELLA CAVA, Ralph. Milagre em Joaseiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2006. LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. 5. ed. São Paulo: Centauro, 2008. LIMA, Átila de Menezes; AMORA, Zenilde Baima. In: Debates acerca da Geografia Histórica e da Geo-História: elementos para a análise espaço-temporal. In: Espaço Aberto, PPGG - UFRJ, V. 2, N.2, p. 51-72, 2012 - ISSN 2237-3071 MARTINS, José de Souza. Sociologia da fotografia e da imagem. 1 ed. São Paulo: Contexto, 2009 PEREIRA, Cláudio Smalley Soares. Centro, centralidade e cidade média: o papel do comércio e serviços na reestruturação da cidade de Juazeiro do Norte/CE. Presidente Prudente, SP: UNESP, 2014 – Dissertação de Mestrado. VASCONCELOS, Pedro de Almeida. Questões metodológicas na geografia urbana histórica. GeoTextos, Salvador, v. 5, n. 2, p. 147-157, 2009. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/4190
Palavras-chave: Geografia histórica, Produção do espaço, Juazeiro do Norte,Bairro Salesianos ,Centralidade urbana
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