22 de 22 trabalho(s) aceito(s)
História e Práxis Educativas no Assentamento Acoci: perspectivas e contradições
FÁBIO SANTOS DA SILVA
A história do sujeito assentado se configura como uma narrativa daqueles que preservam as suas raízes culturais e sociais, que valorizam o seu lugar. O objetivo deste trabalho é trazer a discussão a história do assentamento Acoci e a luta pela garantia de escolas para todos os camponeses. A metodologia adotada fundamentou-se nos princípios da pesquisa qualitativa. Assim, no presente estudo, para realizar esta discussão, utilizou-se da pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa que ora apresentamos está em fase de desenvolvimento e, traz como primeiros resultados, o desejo de saber se, com a conquista da escola no território do Acoci, seria a educação proposta nesse ambiente, uma garantiria de ter uma educação pensada para o povo do campo, com as características que os definem.
Oral
Abrir o trabalhoO Estágio Supervisionado na Formação de Professores de Ciências e Biologia.
ELISANGELA LUCAS TEIXEIRA
O Estágio enquanto componente curricular obrigatório assume o lugar central nos Cursos de Formação de Professores ao tempo que propicia aos licenciandos reflexões críticas sobre as experiências e identidades docentes. O objetivo da pesquisa consiste em analisar as contribuições do Estágio Curricular Supervisionado para a formação de professores de Ciências e Biologia. A pesquisa caracteriza-se como sendo do tipo exploratória, de natureza qualitativa e tem por base a pesquisa de campo. A coleta dos dados foi realizada através da entrevista semiestruturada e analisadas a partir da análise temática, categorial de Bardin (2016). Os resultados revelam que os participantes destacam a importância do Estágio Curricular Supervisionado como enriquecedora e permeada de possibilidades de aprendizado e reflexões sobre a prática docente e que este é um elemento importante para o encontro com o curso de Licenciatura e com o desejo de exercício profissional da docência. Conclui-se que o Estágio Curricular Supervisionado, no âmbito de suas potencialidades, contribuir significativamente para a formação de professores na medida em que analisa, de forma dialética, o fenômeno educativo, media o processo de transformação da realidade e contribuir para o processo de humanização dos indivíduos.
A Implementação da lei 10.639/2003: Um relato de experiência
JOSE VALDELANEO SOUSA NUNES
O presente resumo tem como principal objetivo apresentar e relatar vivências e dados da realidade encontrada no ambiente escolar e a associação do conhecimento teórico com o prático. Assim, apresentar, justificar e relatar a experiência da pesquisa desenvolvida em um recorte geográfico da cidade de Abaiara e Brejo Santo no projeto de pesquisa intitulado “Implementação da lei 10.639/2003 em escolas de bairros de maioria negra”. Esta pesquisa se propõe entender a dinâmica que se dá entre escolas que estão inseridas em bairros negros e como elas agem diante da presença dessa comunidade negra. Nas atividades desenvolvidas, no decorrer da pesquisa foram feitas observações da aplicação da Lei 10.639/2023, não foi tida nenhuma dificuldade em constatar que as escolas presentes nestes bairros herdaram uma herança colonial que ainda se perpetua hodiernamente.
Palavras-chave: Lei 10.639/2003, Bairros Negros, Escola
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoCada Vida Importa: reflexões sobre o genocídio da juventude negra
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
Cada Vida Importa: reflexões sobre o genocídio da juventude negra Maria Dálete Alves Lima Universidade Regional do Cariri-URCA, Juazeiro do Norte, CE, Brasil Resumo São notórias as múltiplas violações de direitos no Brasil baseadas nas relações étnico-raciais, resquícios de escravismo criminoso e do racismo. O racismo estrutural tem provocado vulnerabilidade e exclusão social, o que se percebe nas precárias condições de vida e de trabalho da população negra. O estudo objetiva fomentar o debate acerca dos dados divulgados pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA) nos relatórios intitulados Cada Vida Importa. Como metodologia utilizou-se a Pesquisa Bibliográfica. Os resultados mostram que a juventude negra tem vivenciado cotidianamente as refrações da questão social e do racismo, estando vulnerável. A violência letal atinge drasticamente jovens do sexo masculino, negros, de áreas periféricas e baixa escolarização. O CCPHA tem dado grande contribuição no que se refere à pesquisa, bem como na formulação de estratégia de intervenção qualificadas na realidade social para a redução da violência letal na adolescência. Palavras-chave: Cada Vida Importa. Genocídio da Juventude Negra. Racismo Estrutural. Every Life Matters: reflections on the genocide of black youth and racismo Abstract The multiple violations of rights in Brazil based on ethnic-racial relations, remnants of criminal slavery and racism, are notorious. Structural racism has caused vulnerability and social exclusion, which can be seen in the precarious living and working conditions of the black population. The study aims to encourage debate about the data released by the Ceará Committee for the Prevention of Adolescent Homicides (CCPHA) in the reports entitled Every Life Matters. As a methodology, Bibliographic Research was used. The results show that black youth have experienced the refractions of social issues and racism on a daily basis, making them vulnerable. Lethal violence drastically affects young black males from peripheral areas with low education. The CCPHA has made a great contribution in terms of research, as well as in the formulation of qualified intervention strategies in social reality to reduce lethal violence in adolescence. Keywords: Every Life Matters. Genocide of Black Youth. Structural Racism. 1 Introdução A desigualdade social promovida, historicamente, a partir das relações étnico-raciais é imensurável e se apresenta de forma multifacetada principalmente para a população negra, pobre e de áreas periféricas, que vivenciam as mais profundas expressões da questão social, acompanhada do preconceito, exclusão social e racismo estrutural. Não se pode negar o histórico de discriminação, violação, opressão e marginalização vivenciadas pelas pessoas negras, dos mais diferentes segmentos sociais, sexos e faixa-etárias, ao longo dos tempos. Essa situação é fruto de um sistema racista que carrega resquícios do escravismo criminoso e até hoje promove profunda vulnerabilidade e exclusão social a população negra brasileira. O povo negro vivencia situações eminentes de vulnerabilidade e risco social e pessoal, suas famílias são os mais suscetíveis a vivenciarem problemas sociais decorrentes, fundamentalmente do racismo estrutural, como por exemplo: desemprego ou subemprego, pobreza e miséria, evasão escolar, violência policial, violência letal, agressão, tortura, encarceramento, como também o abandono, mendicância, trabalho infantil, exploração sexual infanto-juvenil, questões vinculadas à condição de exclusão social, marginalização, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, cooptação por grupos criminosos, etc. A juventude negra tem sido uma das principais atingidas pela omissão do Estado em garantir políticas públicas equitativas. E por atuar, na maioria das vezes, apenas pelo viés repressivo e punitivo. As desigualdades sociais no Brasil estão ligadas a dimensões socioculturais e étnico-raciais, e por esse motivo, perpassam questões meramente socioeconômicas, como muito acreditam. O presente estudo tem como objetivo fomentar o debate acerca dos dados divulgados pelo CCPHA nos relatórios chamados de Cada Vida Importa, correlacionando ao genocídio da juventude negra no Brasil. A pesquisa se mostra necessária, uma vez que o racismo estrutural cada vez mais se faz presente na sociedade contemporânea, sendo essencial compreender os seus rebatimentos na vida dos sujeitos sociais, principalmente por os dados das pesquisas mostrarem um verdadeiro genocídio da juventude negra, sendo essencial o combate a toda e qualquer forma de violência, preconceito e discriminação social. Portanto, precisamos refletir sobre a atual situação da juventude negra, que tem vivenciado um verdadeiro genocídio. Acreditamos ser essencial o diálogo e compreensão dos dados divulgados nos relatórios Cada Vida Importa, para podermos pensar estratégias qualificadas de resistência e a atual situação, bem como promover estratégias capazes de promover o empoderamento e a desnaturalização do preconceito e estigma quanto à temática, bem como a transformação da cultura excludente. Tais intervenções precisam se dá de forma integrada as políticas setoriais, na tentativa de contribuir para desenvolvimento do protagonismo social e da autonomia das dos sujeitos. Como também, romper com o racismo e genocídio da população negra. 2 Metodologia Decidiu-se pela realização de uma Pesquisa Bibliográfica, uma vez que conforme Marconi e Lakatos (1992), a pesquisa bibliográfica se dá por meio de um levantamento de bibliográfico já publicado. São fontes secundárias de informação, ou seja, já foram anteriormente publicadas em forma de livros, revistas, publicações, entre outros. Desse modo, optou-se por utilizar, principalmente o material publicado e divulgado pelo CCPHA, bem como grandes nomes que discutem a temática. 3 Resultados e Discussões Os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, vivenciam cotidianamente a marginalização, estigmatização e exclusão social, devido a todo o contexto social e cultural que estão inseridos. Legitimando, muitas vezes, o racismo estrutural e a institucionalização de adolescentes e jovens que, em sua grande maioria, são sexo masculino, negros e de áreas periféricas. Tal perfil traz a tona os estereótipos sociais que são representados pelas relações étnico-raciais na atualidade. Levando em consideração os escritos de Terra e Azevedo (2018, p. 73), percebe-se que “a correlação entre a pobreza e a criminalidade tem servido para estigmatizar e segregar parcelas da população que já se mostram excluídas em diversas dimensões das relações sociais”. Assim, as relações étnico-raciais tem papel direto na atual composição do público de adolescentes e jovens inseridos nos Centros Socioeducativos no Brasil. Os dados publicados em nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-IPEA revelam que “Os estudos mostram que o fenômeno contemporâneo do ato infracional juvenil está associado não à pobreza ou à miséria em si, mas, sobretudo, à desigualdade social, e à dificuldade no acesso às políticas sociais de proteção implementadas pelo Estado” (IPEA, 2015, p. 15). O perfil dos adolescentes em conflito com a lei que cumpriam medida socioeducativa de privação de liberdade no ano de 2013 era correspondente a “95% eram do sexo masculino e cerca de 60% tinham idade entre 16 e 18 anos”, dentre essa parcela, é importante mencionar “mais de 60% dos adolescentes privados de liberdade eram negros, 51% não frequentavam a escola e 49% não trabalhavam quando cometeram o delito e 66% viviam em famílias consideradas extremamente pobres” (IPEA, 2015). Conforme mencionado por Cerqueira et al (2020, p. 47): Uma das principais expressões das desigualdades raciais existentes no Brasil é a forte concentração dos índices de violência letal na população negra. Enquanto os jovens negros figuram como as principais vítimas de homicídios do país e as taxas de mortes de negros apresentam forte crescimento ao longo dos anos, entre os brancos os índices de mortalidade são muito menores quando comparados aos primeiros e, em muitos casos, apresentam redução. As questões étnico-raciais e o racismo estrutural são temáticas que envolvem diretamente o universo da socioeducação no Brasil, sendo que todos os estudos analisados trazem dados que apontam para a exclusão social e encarceramento em massa da população negra, pincipalmente no que se refere a juventude. A falta de oportunização, equidade das politicas públicas, desigualdade social, precárias condições de vida e de trabalho, revitimizam cotidianamente tais sujeitos. Nesse sentido, o autor Abdias Nascimento (2016, p. 169), no seu livro O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado, menciona que “Caracteriza-se o racismo brasileiro por uma aparência mutável, polivalente, que o torna único; entretanto, para enfrenta-lo, faz-se necessário travar a luta característica de todo e qualquer combate antirracista e antigenocida”. O racismo está presente e vitimiza diariamente. De acordo com Rômulo Fonseca Morais (2019, p. 286) “O extermínio da juventude periférica no Brasil, que tanto colocamos em debate, apesar de todas as lutas, não cessa. Não cessa em razão de legitimar as reinvindicações de direitos, políticas públicas preventivas e de segurança”. O biopoder e a lógica de expansão do capital no neoliberalismo tem agravado o genocídio da juventude negra na contemporaneidade. No ano de 2016, visando conhecer e entender os elevados índices de assassinatos de adolescentes no Estado do Ceará nos últimos anos foi fundado o CCPHA. O Comitê se estabelece a partir da parceria entre a Assembleia Legislativa do Ceará, instituições do poder público e da sociedade civil, Governo do Estado e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), dentre outros. Desse modo, foi desenvolvida pesquisa de campo em sete cidades cearenses (Sobral, Maracanaú, Caucaia, Horizonte, Fortaleza, Juazeiro do Norte e Eusébio) com familiares que de adolescentes assassinados no ano de 2015 no estado do Ceará (BRASIL, 2020) para compreender o fenômeno. Na pesquisa Foram ouvidas 224 famílias de adolescentes assassinados. Em 2015, 816 meninos e meninas de 10 a 19 anos foram mortos no território cearense, sendo 387 apenas na capital Fortaleza, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social. A pesquisa mais abrangente feita no Ceará sobre homicídios na adolescência reuniu 24 profissionais e resultou no relatório “Cada Vida Importa”, assinado pelo deputado estadual Renato Roseno, relator do Comitê (BRASIL, 2020, 01). Assim, o Comitê tem sido fundamental para influenciar políticas públicas em resposta aos trágicos dados mostrados pela pesquisa, bem como tem mobilizado a sociedade civil, organizações estatais e sociais pela prevenção de homicídios na adolescência. Percebeu-se que a violência letal que atinge um perfil social especifico composto por: jovem, negro, do sexo masculino e morador da periferia urbana (BRASIL, 2017, p. 37). Dado esse que demonstra o racismo estrutural que marca trajetórias de vida. Vale salientar que A equipe do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência participou da discussão, que pautou as fronteiras raciais do genocídio no Brasil e a falta de reconhecimento do problema, além da dificuldade de acesso aos dados oficiais a partir do recorte de raça. Para o grupo, as ações das polícias nas comunidades das grandes capitais constroem como inimigo o jovem, negro, morador da periferia, reforçando essa lógica cruel que rege a “guerra às drogas” (BRASIL, 2017, p. 37). O extermínio da juventude negra está correlacionada a violência letal de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade e risco social. Reflexo do racismo e exclusão social ao negro. Levando em consideração O Atlas da Violência 2018, ele aborda dados extremamente relevantes e que denunciam que há um recorte racial significativos com relação aos homicídios de jovens, uma vez que de cada 100 pessoas que sofrem homicídio no Brasil, 71 são negras (CERQUEIRA et al, 2018). Outro fator importante diz respeito a crescente violência entre jovens, havendo uma clara diferença entre jovens brancos e negros. O Mapa da Violência 2013: homicídio e juventude no Brasil mostrou que existe uma tendência crescente de vitimização de jovens negros no Brasil. Conforme mencionado no documento, é importante salientar que Entre 2002 e 2012 o número de homicídios juvenis diminuiu 32,3%, passando de 10.072 para 6.823. No entanto, a quantidade de assassinatos de negros aumentou 32,4%, de 17.499 para 23.160. As taxas de homicídio de jovens por 100 mil caíram 28,6% entre brancos e subiram 6,5% entre negros” (WAISELFISZ, 2013, p. 117). O relatório intitulado Cada Vida Importa: Relatório do segundo semestre de 2018 do CCPHA 2018.2, menciona fala do deputado Renato Roseno, sobre a urgência falar sobre a morte dos jovens negros no Brasil “A gente sabe quem são, sabe os territórios, a cor da pele – porque o país continua sendo um país racista que mata jovem, negro, pobre da periferia urbana. Precisamos falar sobre isso (...)” (BRASIL, 2018, p.39) Já o relatório de 2019 cita que o persistente número de vitimados por homicídio no Estado do Ceará é alarmante e merece destaque para a construção de políticas públicas intersetoriais. Trazendo a questão da incapacidade do atual modelo de segurança pública, implementado pelas mais variadas gestões, provocando múltiplas violências e atingindo “(...) segmentos que são historicamente preteridos e aviltados pela omissão do Estado em prover políticas públicas efetivas de prevenção e de proteção social e pelas ações de reprimenda e criminalização, como adolescentes, jovens, população negra e mulheres” (BRASIL, 2019, p.46). A omissão do Estado tem compactuado com um verdadeiro genocídio da juventude negra ou do seu encarceramento em massa, negligenciando direitos e promovendo ainda mais o racismo. Vale mencionar ainda que “É obrigação da polícia registrar a morte violenta para dar início à investigação, mesmo que os familiares da vítima não procurem uma delegacia para fazer o Boletim de Ocorrência” (BRASIL, 2019, p.179). Entretanto, em casos que envolvem pessoas negras, credita-se que muitos não são notificados, principalmente em casos de violência policial ou praticada por agente do Estado, dentre outros. A subnotificação faz com que não tenhamos dados exatos e demonstrando que a situação atual do Brasil em relação à população negra pode ser ainda pior. Já no material divulgado pelo CCPHA intitulado Cada Vida Importa: Relatório final, “De acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), um menino negro no Brasil tem três vezes mais chances de morrer assassinado do que um adolescente branco” (BRASIL, 2020, p.118). A pesquisa demonstra que os adolescentes/jovens negros no Brasil vivenciam uma vitimização nos casos de homicídios em 2013 de 173,6% a mais que os brancos. Fato que demonstra a vulnerabilidade e exclusão social que os mesmos vivenciam e a urgência de políticas públicas e intervenções qualificadas junto a esse público. O documento cita ainda que em 2016 foi instaurada pelo Senado Nacional uma Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI objetivando investigar os altos índices de assassinatos de jovens no Brasil. Sendo divulgado que A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil, cinco a cada duas horas, 60 por dia. “Isso equivale à queda de um jato cheio de jovens negros a cada dois dias. Genocídio da população negra é a expressão que melhor se enquadra à realidade atual do Brasil”, avalia o relator da CPI, senador Lindbergh Farias (BRASIL, 2020, p.118). Os números são assustadores, mais infelizmente representam a realidade da população negra brasileira, marcada pela exclusão das políticas públicas, negação do racismo e aceitação do mito da democracia racial. Negar a problemática relacionada às relações étnico-raciais ao longo das gerações e se omitir com relação às refrações da questão social e aos resquícios do escravismo criminoso direcionadas ao povo negro, foi o papel do Estado. Invizibilizando ainda mais os sujeitos sociais marcados pela exclusão social. Enfim, os relatórios trazem a tona questões fundamentais para pensarmos a desigualdade social e racial no Brasil e no Ceará, racismo, sexismo, violência policial, homicídio da juventude negra, em especial a negra, vulnerabilidade social, econômica, cultural, habitacional, dentre outros. O CCPHA tem dado grande contribuição no campo da realização de pesquisas, produção material relevante, promoção de encontros e discursões sobre a temática, sensibilização do poder público e da sociedade civil. 4 Considerações finais Desde 2016 quando o CCPHA foi criado até os dias atuais, já é possível perceber a sua grande contribuição para a discursão do extermínio da juventude negra. O comitê tem lutado incessantemente para compreender o homicídio da adolescência e pensar estratégias qualificadas de intervenção na realidade social para a redução da violência letal. O comitê já possui variadas publicações essenciais para a discursão do fenômeno e que dão suporte para conhecer e aprimorar práticas interventivas. Vale destacar que as pesquisas comprovam a existência de uma grande disparidade entre a realidade social de pessoas brancas e negras. A desigualdade social marca esse lugar de exploração do corpo negro para os privilégios da branquitude. A condição de vida e de trabalho, na maioria das vezes, se dá de forma precária e em áreas consideradas periféricas. A infância, adolescência e juventude estão desprotegidas, principalmente se tratando de negros. As políticas públicas atuais não são equitativas as vulnerabilidades sociais do povo negro, decorrentes das refrações do escravismo criminoso e do racismo. Sendo visível a crescente mortalidade de Jovens do sexo masculino, negros, moradores de áreas periféricas, que se configuram como um verdadeiro genocídio da juventude negra. Desse modo, se faz essencial discutir questões que envolvam as vulnerabilidades socioeconômicas da população negra, bem como o atual genocídio da juventude negra, marcado pela marginalização e exclusão social, provocada pelo racismo. Enfim, fazem-se essenciais políticas públicas equitativas que garantam condições efetivas de igualdade de oportunidades a população negra, ações socioeducativas que visem fortalecer a autoestima, autonomia, consciência critica, estabelecendo uma comunicação aberta e efetiva de dialogo com a sociedade civil sobre negritude. Políticas públicas de cunho antirracista para os diversos seguimentos sociais se fazem urgentes, principalmente contra o atual genocídio da juventude negra o seu encarceramento em massa. Referências BRASIL. Cada Vida Importa: Relatório do segundo semestre de 2017 do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Fortaleza-CE, 2017. BRASIL. Cada Vida Importa: Relatório do segundo semestre de 2018 do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Fortaleza-CE, 2018. BRASIL. Cada Vida Importa: Relatório 2019 do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Janeiro-Junho, 2019. BRASIL. Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. 2020a. BRASIL. Cada Vida Importa: Relatório final do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. 2020b. CERQUEIRA, D. et al. Atlas da violência 2020. Brasília: Ipea; FBSP, 2020. CERQUEIRA, D. et al. Atlas da violência 2018. Nota técnica. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Rio de Janeiro: IPEA, 2018. IPEA. Nota Técnica: O Adolescente em Conflito com a Lei e o Debate sobre a Redução da Maioridade Penal: esclarecimentos necessários. E. R. A. Silva e R. M. Oliveira, Nº 20, Brasília, junho de 2015. NASCIMENTO, A. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Editora Perspectiva, 2016. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico. São P
Desafios no Ensino Remoto de Libras: experiências em tempos adversos na Educação Superior
VERONICA NOGUEIRA DO NASCIMENTO; Maria Rerbelânia de Souza Pereira; Lara Paulino Cazé
O objetivo principal deste trabalho é identificar os desafios e perspectivas da comunidade acadêmica no desenvolvimento das atividades relacionadas ao ensino de Libras na modalidade remota de ensino. O presente estudo configura-se como um relato de experiência desenvolvido no decorrer das atividades de ensino da disciplina de Libras em cursos de Licenciatura de uma Instituição de Ensino Superior na Região do Cariri Cearense. A coleta de dados junto aos estudantes, público-alvo da pesquisa, deu-se por envio de formulário digital. A pesquisa mostrou que docente e discentes vivenciaram barreiras de acesso a esses recursos, mas, apesar disso, professora e alunos conseguiram utilizar as TDICs na disciplina de Libras, contemplando toda a visualidade e estímulos necessários para uma experiência exitosa.
Palavras-chave: Ensino Remoto,Ensino de Libras,Metodologias de Ensino
Oral
Abrir o trabalhoEntrelace entre a formação Inicial e prática docente inclusiva no ensino de Geografia
JAQUELINE PINHEIRO; Allison Silva do Nascimento
Com o objetivo de analisar a relação entre formação inicial dos professores de Geografia e as práticas docentes inclusivas na educação básica, esta investigação instiga a reflexão sobre a inclusão escolar de estudantes com deficiência. Tendo como percurso metodológico o levantamento bibliográfico; análise da matriz curricular do curso de licenciatura em Geografia da Universidade Regional do Cariri; aplicação de questionário com graduandos e análise dos dados. Foi possível identificar que mesmo com o avanço da temática nos ambientes acadêmicos, ainda existe um hiato na formação destes estudantes no que diz respeito à prática docente inclusiva. A matriz curricular apresenta fragilidades na contemplação do eixo de estudo, com número reduzido de disciplinas com abordagem inclusiva, além do desafio de diálogo entre educação inclusiva e a geografia
A cultura do cordel na cidade de Juazeiro do Norte
ANTONIO MARCOS GOMES DA SILVA
A temática deste trabalho é geografia e literatura, com base na cultura do cordel, tem preocupação com a essência da cidade a partir da poesia e surge da problemática como a literatura de cordel pode contribuir para o entendimento do espaço geográfico, tendo como referência a fenomenologia. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a composição espacial da cidade de Juazeiro do Norte, na captação das múltiplas essências, pela cultura do cordel, tendo como fundamento filosófico a fenomenologia. A opção de se trabalhar com fenomenologia às análises geográficas é suporte filosófico à tese de que a cultura do cordel está no espaço e compõe a paisagem da cidade de Juazeiro do Norte de forma sensível.
Palavras-chave: Fenomenologia,cultura do cordel, Cidade, Xilogravura,Geograficidade
Oral
Abrir o trabalhoCiganos calon na educação básica de Ouricuri. Proposta de intervenção decolonial/intercultural
DÉBORA BARROS DOS SANTOS
Este trabalho problematiza a presença, na comunidade escolar, de estudantes da etnia Calon, na Cidade de Ouricuri- PE. Esta análise partiu da percepção, como docente no município, da marginalização econômica e epistemológica à população Calon de Ouricuri. No entanto, é necessário que o ensino de História ofereça aos estudantes e professores condições para a desconstrução das práticas de racismo e estigmatização. Essa pesquisa se desenvolve a partir de uma intervenção decolonial, consoante com a pedagogia intercultural na defesa de uma produção epistêmica que se estruture a partir da visão dos povos ciganos, cerceados historicamente pela colonialidade e pelo colonialismo. A pesquisa se desenvolve a partir da coleta de entrevistas com Ciganos Calon, moradores do Bairro Capela de São Braz, no Município de Ouricuri -PE. A partir da construção de uma proposta de ensino baseada em uma intervenção decolonial/intercultural acredita-se contribuir para o combate à perpetuação de estereótipos e práticas discriminatórias.
A arte de contar histórias como prática pedagógica: experiência de pesquisa
REBECA BAIA SINDEAUX
A presente pesquisa teve por objetivo elaborar proposta de intervenção junto a educadores, com a intenção de valorizar a arte de contar histórias como ferramenta pedagógica para o trabalho com a literatura infantil. Como metodologia, se consolidou como uma pesquisa-ação, visando intervir na formação de educadores, ao se ministrarem oficinas teórico-práticas com ditados populares, quadrinhas, trava-línguas e histórias populares e como elas contribuem ao educador-narrador. Como resultados, vimos que contar histórias possibilitam o aumento do vínculo das crianças com o mundo, dado seu viés histórico-cultural e sua contribuição com o desenvolvimento através da aquisição de linguagem mais rica e variada.
Palavras-chave: Literatura Infantil, Formação Docente, Educador-narrador
Oral
Abrir o trabalhoA escola como um espaço de espaço de leituras necessárias
PEDRO WESLEI DE OLIVEIRA SILVA
A escola tem falhado em desenvolver, valorizar e fomentar a leitura de mundo dos seus estudantes, que poderia se transformar numa fecunda alternativa para o desenvolvimento de sua criticidade. Esse trabalho se justifica pela necessidade de pensarmos uma escola democrática, plural e comprometida com os interesses da classe trabalhadora, tal como a busca por práticas pedagógicas que sejam significativas para os educandos e educadores. Tendo por objetivo refletir sobre as diversas formas de leitura em ambiente escolar. É uma pesquisa bibliográfica e se utiliza dos autores Alves (2004), e Freire (2016). Durante a pesquisa problematizamos a forma como o ensino de gramática e ortografia por vezes é supervalorizado, chegando em alguns momentos a negligenciar a função social dos textos e suas potenciais reflexões a partir da vida do discente
A formação continuada de professores(as): uma reflexão acerca da sua importância
LUANA RICARTO DA COSTA ; Rayanne Pereira do Nascimento; Cicera Nunes
Discutirmos a formação de docentes no Brasil é pensarmos em diversas maneiras do ensinar e aprender, e do que necessita ser repensado e reconstruído. Para tanto, o objetivo da nossa pesquisa é apresentar os pensamentos dos(as) teóricos(as) da educação acerca da compreensão que têm sobre a formação continuada mostrando a sua importância aos docentes. Além disso, apresenta algumas reflexões sobre as limitações que atravessa esse processo. Assim, fizemos uso de um estudo bibliográfico, para que fosse possível esse diálogo próximo com os pesquisadores, Mizukami (2010), Cunha (2019) e Franco (2019) que abordam as compreensões conceituais sobre formação docente e desenvolvem pesquisas nesse campo da educação. Dessa forma, por meio deste estudo pudemos avançar no que diz respeito ao reconhecimento da importância de sermos professoras(es) ativas(os) na busca do conhecimento, que sentem a necessidade de estar em busca por formações cujo o acompanhamento seja eficaz e que se avalie o que foi positivo e negativo, para reformularmos as práticas formativas construídas nos mais diversificados espaços.
Oral
Abrir o trabalhoA RELAÇÃO ENTRE O PERCURSO FORMATIVO E A PRÁTICA PEDAGÓGICA DOCENTE
MARIA DASDORES DE SOUZA SANTOS
O objetivo geral do estudo foi compreender aspectos da trajetória de formação dos professores que contribuem para a atuação no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do IFSertãoPE, Campus Salgueiro. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, de inspiração (auto)biográfica, com foco no percurso formativo e suas reverberações para a prática docente. Inicialmente, realizou-se um questionário com os docentes, a partir de um roteiro. Posteriormente, foi realizada uma proposta de curso, onde foram realizados 5 encontros formativos com atividades que submergiram com instrumentais das narrativas (auto)biográficas, guiadas também pela didática do Sensível. Essas atividades serviram de guia para a elaboração do produto educacional , um curso de formação que servirá de instrumento para próximas formações. Como método de análise dos dados foi utilizado a Análise Textual Discursiva (ATD).
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoTEORIA DA REPRODUÇÃO SOCIAL EM TITHI BHATTACHARYA
ANTONIEL DOS SANTOS GOMES FILHO
Releituras contemporâneas dos escritos e formulações teóricas sociais e econômicas de Karl Marx, tem sido realizada por pensadoras feministas, tencionando especificamente o trabalho doméstico reprodutivo e suas interfaces com as questões de gênero, sexualidade e raça, em perspectiva histórica, bem como, no cenário neoliberal mundial contemporâneo. O presente estudo tem como objetivo: apresentar uma reflexão-síntese sobre a Teoria da Reprodução Social (TRS) presente nos escritos de Tithi Bhattacharya. Partindo de uma abordagem qualitativa, de nível exploratório, o presente estudo consiste em uma pesquisa bibliográfica sobre TRS. Considera-se com base nos escritos de Bhattacharya que o trabalho humano é central na criação e reprodução da sociedade, todavia, no capitalismo (neoliberal) o trabalho que é reconhecido, é aquele de tipo produtivo e que gera acumulação de capital, ao passo que, os trabalhos de reprodução do trabalhador (cuidados familiares, domésticos e comunitários), não são reconhecidos e não remunerados no espaço do lar.
Palavras-chave: Teoria da Reprodução Social,Tithi Bhattacharya,Trabalho reprodutivo
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Cada Vida Importa,Genocídio da Juventude Negra,Racismo Estrutural
Oral
Abrir o trabalhoConstrução da Identidade nos caminhos da docência: Entre a valorização a invisibilidade da Educação das Relações Etnicorraciais.
PAULO TIAGO OLIVEIRA ALVES; CICERA NUNES; HAILLA SILVA BARRETO
Esta pesquisa qualitativa tem por objetivo compreender como a construção de uma identidade etnicorracial influencia a identidade profissional docente e suas escolhas epistemológicas. O estudo utiliza a pesquisa narrativa autobiográfica, permitindo a reflexão do sujeito sobre si mesmo e o desenvolvimento de estratégias de emancipação. Partindo do conceito da “escrevivência” permite que um professor negro narre sua trajetória, reivindicando seu lugar como autor de sua história. Descrevendo suas experiências, desde a educação básica, licenciatura e especialização e o impacto de não acessar estas discussões. Destaca essa necessidade de uma formação mais ampla. Onde é crucial o compromisso coletivo com o debate acerca da educação das relações etnicorraciais na formação docente. Concluímos que para a lei federal ser cumprida, sobre a história das contribuições dos diferentes grupos étnicos, na formação do povo brasileiro, depende da mobilização social e ampliação a base epistêmica, política e pedagógica, para a solidificação de uma educação antirracista.
Palavras-chave: Educação,Educação Antirracista,Formação de Professores
Oral
Abrir o trabalhoPedagogia Afro-Afetiva: um relato de experiência
SARA RAQUEL DE ALENCAR FERREIRA ULISSES
Pedagogia Afro-Afetiva: um relato de experiência Sara Raque de Alencar Ferreira Ulisses Mestrado Profissional em Educação, Crato, CE, Brasil Resumo Após desenvolver um estudo bibliográfico baseado nos valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil, idealizados por Azoilda Loretto da Trindade, floresceu em mim e em meu fazer pedagógico o desejo de partilhar o significado da Pedagogia Afro-Afetiva por onde for. Esse trabalho é fruto deste estudo bibliográfico, aliado ao relato de experiência vivenciada no mês de novembro de 2023, na EMEI Professora Francisca Letícia do Amaral Brasileiro, localizada no Município de Juazeiro do Norte-CE, local onde sou professora de Educação Infantil há quase três anos, pude desenvolver minha pesquisa de mestrado fundamentada na diversidade étnico-racial na Educação Infantil e hoje ressignifico e compartilho um pouco da minha história docente nesta instituição. Palavras-chave: Educação Infantil. Pedagogia Afro-Afetiva. Docência. Abstract After developing a bibliographical study based on Afro-Brazilian civilizational values in Early Childhood Education, idealized by Azoilda Loretto da Trindade, the desire to share the meaning of Afro-Affective Pedagogy wherever I go flourished in me and in my pedagogical work. This work is the result of this bibliographic study, combined with the report of experience lived in the month of November 2023, at EMEI Professora Francisca Letícia do Amaral Brasileiro, located in the Municipality of Juazeiro do Norte-CE, where I have been an Early Childhood Education teacher for almost three years, I was able to develop my master's research based on ethnic-racial diversity in Early Childhood Education and today I reframe and share a little of my teaching history at this institution. Keywords: Early Childhood Education. Afro-Affective Pedagogy. Teaching. 1 Introdução Traduzir a Pedagogia Afro-Afetiva (PAA), idealizada por Azoilda Loretto da Trindade (2005), em experiências significativas na Educação Infantil é ser afetado e poder afetar positivamente a formação da identidade dos bebês e das crianças bem pequenas e pequenas, mediante os Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros (VCAB): axé/energia vital, oralidade, circularidade, corporeidade, musicalidade, ludicidade, cooperação, memória, ancestralidade, religiosidade, territorialidade. Trabalhar com estes valores desde o início da Educação Básica é contribuir com uma sociedade mais justa e mais humana. Mais justa, por conceber as relações étnico-raciais como primordiais no processo educativo dos sujeitos, efetivando a Lei 10.639/03. Mais humana, por ressignificar o relacionamento afro-afetivo entre: i) o eu, o outro, e, o nós; ii) escuta, fala, pensamento e imaginação; iii) traços, sons, cores e formas; iv) corpo, gestos e movimentos; e, v) espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Estes, configuram os campos de experiências a serem trabalhados na proposta educativa da Educação Infantil, conforme orienta a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018). Nessa perspectiva, o objetivo desta pesquisa foi vivenciar a Pedagogia Afro-Afetiva com crianças bem pequenas e pequenas da Educação Infantil. A relevância deste relato de experiência consiste em afro-afetar concepções e práticas pedagógicas na Educação Infantil, em prol de uma sociedade mais justa e mais humana. 2 Metodologia Descrever como foi desenvolvido o estudo, de modo a permitir sua replicação. Pode conter informações referente: à abordagem da pesquisa, ao tipo de estudo, ao local em que foi desenvolvida, aos sujeitos que colaboraram, ao instrumento de coleta de dados, à técnica de análise dos dados e aos aspectos éticos. Essa pesquisa de natureza qualitativa fundamentou-se em um estudo de caso desenvolvido na EMEI Professora Francisca Letícia do Amaral Brasileiro em Juazeiro do Norte-CE. O instrumento de coleta de dados foi a entrevista com as famílias de quatorze crianças de uma turma do Infantil II, a técnica de análise de dados ocorreu à luz dos Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros idealizados por TRINDADE (2005). No tocante aos aspectos éticos dessa pesquisa, foram preservados os nomes das crianças e de suas famílias, sendo apresentadas nos resultados e discussões apenas mediações docentes guiada pela Pedagogia Afro-Afetiva. 3 Resultados e Discussões A Pedagogia Afro-Afetiva floresceu em mim, a partir da minha pesquisa de MPEDU/URCA, orientada pela professora Cicera Nunes e idealizada pela intelectual Azoilda Loretto da Trindade. Trilhar por esse caminho repleto de afro-afetos possibilitou-me contribuir com transformações positivas em meu ambiente de trabalho contando com a participação da gestão, docentes, crianças, famílias, entre outros educadores. Como professora de Educação Infantil procuro contribuir com o desenvolvimento pleno das crianças a partir de suas múltiplas linguagens. Os projetos são organizados a partir das experiências com as próprias crianças, pois como orienta as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil DCNEI (BRASIL, 2009), a criança deve ser o centro do planejamento e, conforme o seu Artigo 4º, reconhecida como: [...] sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. Neste sentido procuro mediar experiências que potencializem as relações étnico-raciais fortalecendo a construção da identidade das crianças, como por exemplo o projeto intitulado “O meu nome tem história”, o qual pude vivenciar com as crianças na EMEI ao longo do mês de novembro; mês de intensificação das reflexões sobre a consciência negra, a partir das rodas de conversas, contações de histórias e atividades afro-afetivas; guiadas pelos (VCAB). Ao pensarmos sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros, criamos possibilidades de contar novas histórias, de inserir sujeitos e subjetividades dentro deste ambiente escolar que pode, e deve ser acolhedor e respeitoso com todas e todos. [...] Azoilda nos mostra que esses valores podem ser pensados e aplicados dentro e fora do cotidiano da escola, agindo como estratégia de múltiplas atuações. (SILVA, 2021, p.54). Todos os dias trabalhamos o AXÉ/ENERGIA VITAL, com as crianças demostrando ações e atitudes que alegram mais o nosso viver, como por exemplo observamos as cores, os sons, os cheiros e as outras vidas que nos cercam. No projeto “Meu nome tem história” as crianças perceberam a história de vida de cada um/a mediante o afeto das famílias na explicação dos porquês na escolha de cada nome. Nesse percurso a ORALIDADE deu visibilidade as especificidades de cada criança em conjunto de suas famílias, proporcionando momentos de curiosidade, imaginação e criatividade por meio das histórias contadas e contextualizadas pelas próprias crianças, assim vivenciamos “[...] uma oralidade que afete o outro e como via de mão dupla deixar que o outro fale e nos afete.” (SILVA, 2021, p. 56). Momentos construídos na CIRCULARIDADE, nas rodas de conversas com as crianças fortalecendo a amizade da turma e o desejo de compartilhar afetos por meio das histórias ilustradas, positivando a existência de cada um/a mediante a CORPOREIDADE, destacando características, enfatizando o protagonismo histórico, social e cultural de cada um. “Compreender sobre corpos que tiveram suas existências negadas, subjugadas, subalternizadas e, em muitos casos apagadas é refletir sobre uma outra possibilidade de encarar nossas questões relacionadas as nossas subjetividades nos diversos espaços.” (SILVA, 2021, p. 57). Nesse sentido nos apropriamos da LUDICIDADE, partilhando momentos de diversão, alegria e vontade de querer se aventurar conhecendo e refletindo sobre as histórias das crianças. A MUSICALIDADE também esteve presente em todos os encontros, pois “[...] promove momentos lúdicos e únicos de entrelace entre corpos numa perspectiva de integração e harmonia, aguçando nossos sentidos e afetando nossas existências.” (SILVA, 2021, p.57). Nesse ambiente as crianças também formularam hipóteses sobre a importância da COOPERATIVIDADE, isto é, de uma história de vida complementando a outra, dos afetos de um, tocando os sentimentos do outro e, assim construindo um ambiente de camaradagem, parceria e respeito mútuo. A MEMÓRIA, construída nesses momentos vivenciados com as crianças, fortaleceram os laços familiares, cada criança escutou sua própria história por meio dos depoimentos que as famílias deram, fortalecendo também a ANCESTRALIDADE, ou seja, as culturas, tradições, entre outras particularidades que cada criança possui em sua essência humana. A RELIGIOSIDADE, refletida nas histórias do povo de Juazeiro do Norte, seus saberes, suas crenças e sua TERRITORIALIDADE, tratando de suas origens, bens naturais e comunitários que fortalecem o sentimento de pertencimento ao espaço geográfico que ocupam e constituem-se como seres humanos. Para ampliar ainda mais os saberes das crianças a partir dos (VCAB) utilizamos o livro “Com qual penteado eu vou?” Escrito por Kiusam de Oliveira, tocando-lhes principalmente em suas memórias ancestrais, pois no livro os netos do vovô centenário conhecido por “Vovô Expedito”, lhe presenteiam com os seus penteados em um belo desfile no qual os significados dos seus nomes enfatizam suas histórias entrelaçadas nas origens africanas. Com isso a Pedagogia Afro-Afetiva foi concretizada a partir das expressões, sentimentos e desejos das crianças em apresentar as histórias dos seus nomes para todas as turmas da EMEI, com mediações docentes afro-afetivas. Figura 1: Apresentação das crianças em 23 de novembro de 2023 na EMEI Fonte: Acervo pessoal 4 Considerações finais Contribuir com as relações étnico-raciais na Educação Infantil é trilhar por caminhos que efetivem a Lei 10.639/03 nas concepções e práticas pedagógicas. Concepções pautadas nos Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros e práticas mediadas pela Pedagogia Afro-Afetiva. Assim tenho lutado em conjunto da equipe gestora e das professoras da EMEI Professora Francisca Letícia do Amaral Brasileiro em Juazeiro do Norte-CE, pois quando um projeto de diversidade étnico-racial é aceito por todos, o ambiente passa a ser organizado a partir do acolhimento afro-afetivo dos sujeitos, gerando mudanças no pensar e no fazer educação. Portanto gostaria que esse relato de experiência tocasse na alma de todos os envolvidos com processos educativos brasileiros, gerando o desejo de também contribuir com uma sociedade mais justa e mais humana, a partir do seu próprio local de trabalho: tocando vidas, influenciando-as positivamente por meio das relações étnico-raciais e das mediações afro-afetivas que não se restrinjam às quatro paredes das salas de experiências, mas que possam fluir em todos os espaços institucionais. Referências BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003. D.O.U. de 10 de janeiro de 2003. OLIVEIRA, Kiusam de. Com qual penteado eu vou? / Kiusam de Oliveira; ilustração Rodrigo Andrade. – 1. ed. – São Paulo: Editora Melhoramentos, 2021. SILVA, Gisele Rose da. Azoilda Loretto da Trindade: o baobá dos valores civilizatórios afro-brasileiros. 1. ed. – Rio de Janeiro: Metanoia, 2021. TRINDADE, Azoilda Loretto da. Valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil. In.: Valores afro-brasileiros na Educação. Boletim, v. 22, 2005. p. 30-36. (Salto para o Futuro).
Palavras-chave: Educação Infantil, Pedagogia Afro-Afetiva, Docência
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Currículo,Formação de professores,Inclusão escolar
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Ensino de História, decolonialidade,interculturalidade,ciganos,e anticiganismo
Resumo Simples · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: leitura,leitura de mundo,escola
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoCrenças de professores de língua inglesa sobre o uso do livro didático
MARIA GISELE DE SOUSA LEITE; CRISTIANE RODRIGUES VIEIRA
O livro didático é um dos recursos mais utilizados pelos professores para auxiliar nas aulas. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo analisar as crenças dos professores de língua inglesa sobre o uso do livro didático nas aulas de língua inglesa do ensino médio em escolas públicas, procurando compreender como o livro didático de língua inglesa é utilizado pelos professores nas aulas e como estes avaliam a importância desse recurso didático. Para atingir esse objetivo, foi conduzida uma pesquisa online com sete professores do ensino médio. Os dados foram analisados a partir das orientações de Kalaja (1995) e Barcelos (2001) sobre crenças. Os resultados mostram que os professores acreditam que o livro didático de língua inglesa é um recurso didático importante e facilitador. Mas que não é possível realizar todas as atividades propostas, pois o número de aulas é insuficiente e algumas atividades estão acima dos níveis dos alunos.
Palavras-chave: Crenças,Ensino de Língua Inglesa,Livro Didático
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoDinâmicas da pesquisa latino-americana em formação de professores e professoras
JEFERSON ANTUNES; Zuleide Fernandes de Queiroz
O presente estudo tem por objetivo propor estratégias para ampliar a influência das pesquisas brasileiras acerca de formação de professores e professoras na américa latina. Para tanto, utiliza da análise de desenvolvimento temático, como método de pesquisa, em vista a coleta e análise de dados sobre a pesquisa de alto impacto na formação de professores. Foram identificadas três estratégias a serem propostas: a) existe a necessidade de parcerias institucionais com Equador, Cuba, Peru e México; b) fortalecer o intercâmbio entre países para fóruns de discussão sobre formação de professores na américa latina, em vistas a ampliar as redes de parceria; c) as publicações do Brasil serem efetuadas em português e inglês, de forma simultânea, como um investimento, de longo prazo, para colaborar coma as discussões latino-americanas.
Oral
Abrir o trabalhoExcertos autobiográficos de um músico educador.
RAIMUNDO ERIVAN LUCENA DE ALMEIDA
O presente trabalho pauta-se em uma abordagem histórica, filosófica e social a respeito da minha autoformação como músico/educador e dos projetos e pesquisas culturais que desenvolvo na cidade de Potengi. Objetiva-se neste estudo compreender como o processo de aprendizagem em música e de pesquisador acabaram contribuindo para o saber da minha prática docente na área da educação musical. Como processo metodológico, para a elaboração deste trabalho optou-se pela produção de uma autobiografia utilizando como forma de abordagem a pesquisa qualitativa e como procedimento de coleta de dados a análise de documentos, fotos e vídeos. Como fundamentação teórica, recorremos ao estudo dos filósofos Pitágoras, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Schopenhauer, de educadores musicais como Teca Brito e de produções autobiográficas como a de Peixoto. Este trabalho oportunizou tomar consciência do aspecto curativo, socializador da música e perceber o quanto a arte e a filosofia podem ser aliados importantes nas práticas educacionais.
Palavras-chave: Músico Educador Formação. Ensino de Música.
Oral
Abrir o trabalhoO Filme Como Recurso Pedagógico: Experiências Que Atravessam O Cotidiano Dos Professores
JOÃO PAULO BEZERRA MACIEL
Buscamos trazer uma reflexão a partir da articulação entre Educação e Cinema em torno de uma real necessidade de mudança e de valorização docente, tendo como sujeitos participantes professores da educação básica. Como objetivo geral desenvolver estratégias que possibilitem operacionalizar didaticamente a ação pedagógica, partindo da experiência dos professores participantes com a utilização de filmes. Objetivos específicos: refletir acerca dos desafios postos ao professor no trabalho com as produções cinematográficas em sala de aula; analisar filmes e animações destinados ao público infantil, identificando os aspectos que caracterizam as narrativas; tomar a experiência docente como um campo de reflexão capaz de potencializar a formação docente. Procedimento metodológico foi realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa utilizando como instrumento de coleta de dados a aplicação de questionário online. Após análise dos dados ficou-nos claro que todos os participantes utilizam-se de filmes no decorrer de suas aulas, porém, para muitos tal ferramenta metodológica servia apenas para compreensão e reprodução de conteúdos, deixando de explorar o caráter formador, estético e ético das obras fílmicas.
Palavras-chave: Formação de Professores,Cinema,Educação
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Formação docente, Percurso formativo,Formação contínua,Educação profissional e tecnológica
Oral
Abrir o trabalhoCantores populares do Cariri cearense e seus saberes curriculantes: aproximações com o Etnocurrículo e a Multirreferencialidade
MABELL SALES BATISTA ; Mabell Sales Batista Pinho; Cicera Sineide Dantas Rodrigues; Francione Charapa Alves
Este é um recorte da minha pesquisa de mestrado pelo MPEDU-URCA que teve como objetivo geral compreender as histórias de vida de cantores populares urbanos da região do cariri, suas canções, tendo em vista estimular possibilidades de construção de um currículo escolar, pautado na perspectiva do Etnocurrículo e da Multirreferencialidade. Com base em uma abordagem qualitativa, o trabalho perpassa as discussões das narrativas (auto)biográficas e sua importância para formação e ação docente. A investigação aportou-se nos estudos de Delory-Momberger (2006), Josso (2007), Macedo (2015), Reis (2013), Severiano (2008) e Souza (2009). Utilizou-se a Análise Textual Discursiva (MORAES e GALIAZZI, 2007) para a análise e produção dos dados. Ademais, como produto educacional, requisito fundamental dos programas de Mestrado profissional, foi produzido uma revista digital (Bio)musical contendo as narrativas (auto)biográficas e trajetórias musicais de três cantores populares. O estudo permitiu elucidar a insurgência do tema abordado, ecoando a necessidade de pensar a possibilidade de construção de currículos plurais e heterogêneos.
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO PIBID COMO LUGAR DE PESQUISA SOB A PERSPECTIVA DO(A) PROFESSOR(A) SUPERVISOR(A)
JOÃO BATISTA MONTE DE OLIVEIRA ; KARINE PINHEIRO DE SOUZA; FRANCIONE CHARAPA ALVES
O trabalho apresenta como temática o PIBID como lugar de pesquisa na perspectiva do(a) professor(a) supervisor(a), trazendo como pergunta norteadora: Qual o alcance do PIBID no incentivo à pesquisa pela visão do(a) professor(a) supervisor(a)? Baseado nessa pergunta, o estudo propõe como objetivo incentivar o trabalho com pesquisa no âmbito escolar através da colaboração dos(as) professores(as) supervisores(as) do programa. A metodologia está pautada na abordagem qualitativa. Os sujeitos da pesquisa foram três supervisores do PIBID do subprojeto Pedagogia da Universidade Federal do Cariri (UFCA) de duas escolas da rede pública municipal de Brejo Santo-CE, que responderam duas perguntas referentes à temática do estudo, as quais foram analisadas pelo viés da análise textual discursiva (ATD). Compreendemos que o PIBID tem impulsionado e despertado nos professores supervisores um olhar mais reflexivo sobre sua prática e contribuído não só para formação inicial dos docentes, mas também para o processo de formação continuada.
Palavras-chave: Pesquisa, PIBID, Professor(a) supervidor(a)
Resumo Expandido · Oral
Abrir o trabalhoO Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em História da Universidade Regional do Cariri e a Base Nacional Comum Curricular
JOSÉ NILTON DA SILVA
Este artigo analisa o Projeto Político Pedagógico do curso de licenciatura em História da Universidade Regional do Cariri a partir das proposições estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A metodologia utilizada consistiu na revisão da literatura, de natureza qualitativa e do tipo exploratória. Os dados analisados explicitam que o perfil dos egressos está relacionado com a formação de educadores comprometidos com a compreensão da realidade histórica e política do país, percebe-se adesão pelo curso de licenciatura em História aos programas governamentais, tais como PIBID e PRP, programas estes que vinculam suas ações à BNCC. Face a análise, pode-se concluir que embora a BNCC tenha estabelecido competências e habilidades, a partir de uma abordagem uniformizadora, em um país diverso, esta gerou críticas quanto a formação técnica que se propõe ao tempo que o curso de licenciatura em História da URCA, por meio de sua autonomia, sistematiza os conhecimentos curriculares baseados nas experiencias socioculturais, sem necessariamente ater-se as proposições da BNCC. Dessa forma torna-se importante a médio e a longo prazo uma análise mais especializada dos programas PIBID e Residência Pedagógica haja visto as implicações propostas pelas BNCC a estes programas.
Oral
Abrir o trabalho