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Ferramentas metodológicas para dialogar com os jovens a partir da experiência com grupos focais: aproximações da realidade para falar sobre o real.
RAYANNE ALVES DA SILVA
A instituição escolar é o principal meio em que os jovens têm para descobrir suas capacidades e possibilidades, e esta como mentora dessa descoberta deveria oferecer subsídios para que isso acontecesse. No entanto, na prática isso ocorre de modo diferenciado, pois a predominância de um ensino dotado de tradicionalismo em que a(o) professora(or) fala, trabalha com o material didático padrão que é distribuído apenas repassando o que já vem pronto e os alunos ficam apenas com a função de memorizar o que é passado, sem a possibilidade de uma reflexão, de uma discussão. Nessa perspectiva, segundo Libâneo (1994, pág. 91) “a unidade de ensino aprendizagem fica comprometida quando o ensino se caracteriza pela memorização, quando o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria, quando não suscita o desenvolvimento do aluno.” Então é inviável que os jovens se desenvolvem como agentes ativos no seu processo de ensino-aprendizagem se na sala de aula não se dar oportunidades para que se manifestem a cerca das suas dúvidas, das suas opiniões, concordâncias ou discordâncias com determinados temas, desse modo tornam-se mais uma vez reféns do ensino moldado da reprodução do que o professor transmite. Para que este jovem se construa enquanto um sujeito autônomo, livre, participativo, expressivo, é necessário que este esteja em espaços que lhe permitam que uma teia de relações deem origem a essa identidade, que é construída compassadamente. Mas não é fácil diante de tantos empecilhos que são postos nas escolas públicas. O tempo de hora-aula, a quantidade de aulas por disciplina, as metodologias dos professores, principalmente os jovens, pois estes acabam não tendo espaço de fala e nem de escuta, ações importantes e necessárias para que falem de si, sobre si e consigam se sentir agentes do seu próprio processo de aprendizagem. É válido ressaltar também a dificuldade que a escola e os professores apresentam em se utilizar de métodos e metodologias de ensino que visem uma aproximação real do aluno para que este consiga se sentir envolvido na proposta em que está sendo pautada na sala de aula e de uma forma de diálogo que os façam se sentir próximos daquele debate, visto que as demandas atuais alteram completamente a maneira como os jovens se comunicam e se desenvolvem. Souza (2003, pag. 57) nos faz refletir sobre isso ao discutir sobre a nosso modelo de sociedade atual em que existe uma cultura midiática/midiatizante que se torna grande responsável pelas formação de opiniões, de hábitos, costumes e influencia diretamente nas relações sociais existentes. Esse trabalho portanto, se dá com o intuito de apresentar as metodologias utilizadas para facilitar a comunicação e o diálogo com os jovens a partir de aspectos que fazem parte da sua realidade cotidiana, colhidas a partir da pesquisa “Juventude e formação: A filosofia no ensino médio”. Nessa pesquisa foram realizados quatro encontros de grupos focais que são grupos de discussões em que a ideia é fazer com que os participantes conversem entre si ao invés de interagir apenas com quem está na mediação. E aconteceram com jovens do 1° ao 3° ano do ensino médio da Escola Estadual Wilson Gonçalves, em Crato-Ce. Em cada encontro do grupo focal foi utilizado uma metodologia para que os alunos sentissem vontade e a vontade para participar. E foi pensando nisso, e percebendo a necessidade de um diálogo mais próximo que foram escolhidos as formas para iniciar as provocações nos grupos focais. No I Encontro foi utilizado um trecho do documentário “Escola proibida” onde se faz uma relação entre a escola e o mito da caverna de Platão. No uso dessa primeira metodologia, foi possível observar que os alunos se sentiam mais confortáveis para falar porque partiam de um assunto que eles já tinham conhecimento, pois já haviam estudado sobre o Mito da caverna de Platão nas aulas de Filosofia e o ato de assistir e de ouvir causava um impacto e por isto ficavam atentos no que estava sendo passado. No II Encontro, utilizamos de uma linguagem que muitos adolescentes se apropriam para expressarem o que estão sentindo ou aquilo que desejam falar, a música. Nesse encontro tínhamos como objetivo conversar um pouco sobre as perspectivas de futuro dos jovens, sobre o que almejavam, sobre os seus anseios e sonhos. Se aproximando também do gosto musical apresentado pela maioria deles atualmente, apresentamos a música de Racionais MC’s – A vida é um desafio - para provocar o debate. A reação foi imediata, pois muitos já afirmaram conhecer a música e enquanto esta tocava, os jovens acompanhavam cantando a letra da música. Ao encerrar a música, a conversa iniciou de maneira muito mais leve e descontraída, pois os jovens visivelmente se sentiam no seu espaço de fala, em se perceberem em um lugar que de fato era feito para escuta-los. No III Encontro, a ferramenta metodológica utilizada foi como uma forma de problematização de conceitos e conteúdos trabalhados na disciplina de Filosofia. Selecionamos 11 imagens que faziam referências a várias situações, como: Meninos salvando um cachorro; Foto de uma moça ressaltando o cabelo afro; Imagem que representa o homem entre o trabalho e o lazer; Foto de um homem dando comida a um morador de rua; Tirinha Verdade e mentira; As duas faces; Foto de uma mulher apreciando os bíceps de um homem – imagem ressalta a beleza de um corpo malhado; Imagem de um quadro que mostra uma bela jovem admirando um homem mais velho – os alunos denominaram de a bela e a fera; Imagem com um homem diante de um ponto de interrogação gigante com escada; foto de trabalho voluntario em um hospital com palhaços; Foto de um menino empurrando uma cadeira de rodas de outro menino e brincando com um avião E a partir dessas imagens os jovens iriam discutir sobre as suas concepções de bem, de verdade, do belo e de homem. A fluidez com que eles conseguem levar a discussão parte dos elementos que conseguem captar das imagens, então essa ferramenta metodológica especificamente fez com que os jovens refletissem até mesmo sobre as suas próprias concepções através das colocações dos colegas. Foi um momento de trocas onde o compartilhamento das ideias se tornou produto gerador até das suas próprias relações (internas e externas). No IV Encontro, a finalidade era discutir sobre o ponto chave da pesquisa, ver qual sentido os jovens atribuíam ao saber filosófico na vida deles e qual era o sentimento de cada um a respeito do tempo de formação e das aulas de Filosofia. Para essa análise foram utilizados os recursos que os adolescentes mais tem acesso hoje em dia, os emojis das redes sociais. A mediadora do grupo focal ia fazendo perguntas e ele tinham que escolher um emoji que melhor expressasse o sentimento daquela determinada interrogação. A facilidade em se manifestar se dava sobretudo por estarem se utilizando de ferramentas que cotidianamente estes jovens usam. E consequentemente, com a explicação do porque ter escolhido determinado emoji para representar a pergunta feita, dar-se ao jovem a oportunidade de se pronunciar da maneira que ele sabe e sente. Pode-se perceber, a partir das análises feitas sobre cada metodologia utilizada nos grupos focais, que essas ferramentas metodológicas tornam-se instrumentos alternativos de uma metodologia ativa onde o jovem se torna o principal mediador da sua aprendizagem, pois é este que responde as provocações feitas, é este que precisa refletir a partir da música ou da imagem apresentada, é este que deve determinar o sentido de tal avaliação a partir das suas escolhas. Logo utilizar-se de novas metodologias, que são acessíveis e pertencentes a linguagem da comunidade adolescente, é fazer com que estes se sintam protagonistas da discussão e que os faça despertar para a possibilidade de serem sujeitos livres e ativos capazes de falarem sobre si, sobre o que pensam, o que desejam. REFERÊNCIAS Barbour, Rosaline. Grupos Focais. Porto Alegre: Bookman; Artmed, 2009. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Coleção Magistério 2° grau. Série formação do professor. 14 Ed. São Paulo: Cortez, 1994. SOUZA, Carlos Henrique Medeiros. Comunicação, educação e novas tecnologias. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora FAFIC,2003.
filosofia da libertação dos povos latino-americanos: uma filosofia em tempos de cólera
DIEGO MIRANDA ARAGÃO
Palavras-chave: Filosofia da Libertação, Colonialidade, Modernidade, Epistemicídio, Originalidade
Oral
Abrir o trabalhoaretê, paidéia e a arte sofistica como distorção da educação
WESLEY ANDRADE LIMA; Damião da Silva Gomes
Oral
Abrir o trabalhoOS IMPACTOS DOS SABERES FILOSÓFICOS NO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL E DO SENSO/PENSAMENTO CRÍTICO DOS JOVENS NO ENSINO MÉDIO
ANTONIA JAÍNE SILVA DOS SANTOS
Introdução Este trabalho traz um recorte da pesquisa: “Juventude e formação: a filosofia no ensino médio” em que são investigados os alunos dos três anos do Ensino Médio do Colégio Estadual Wilson Gonçalves em Crato-CE, vinculada à CREDE 18. Nesse trabalho discutiremos qual a importância que os jovens atribuem aos saberes filosóficos e quais os impactos destes no desenvolvimento do senso crítico dos mesmos com o intuito de conhecer qual a importância da Filosofia para a formação dos jovens. No momento em que a obrigatoriedade da Filosofia enquanto disciplina nesse nível de ensino é novamente questionada, em que o governo publica uma Lei n° 13415/2017 que reformula o ensino médio sem considerar as discussões e formulação da Base Nacional Curricular Comum – BNCC, além de anunciar cortes de investimentos para o Ensino Superior, especificamente na área de humanas e congelamento dos recursos destinados a educação como um todo. Consideramos importante conhecer como os jovens que fazem parte do público alvo destes níveis de ensino compreendem essas proposições legais e se posicionam diante os desafios que advém dessas mudanças. Objetivo Analisar como os jovens dão significado aos conhecimentos adquiridos no seu percurso formativo em relação a sua inserção no mundo do trabalho, da política, do universo da cultura e em que medida o saber filosófico pode contribuir para o desenvolvimento do senso crítico dos jovens é o objetivo geral desse estudo. Metodologia Esta investigação de abordagem qualitativa foi realizada com uma pesquisa bibliográfica, documental e de campo. O levantamento bibliográfico constou de aprofundamento da problemática sobre o ensino de Filosofia, Juventude e grupos focais com a leitura dos autores: Barbour (2009), Cerletti (1996), Costa (2000), Favaretto (1996), Ferreti (2004), Kohan (2000, 2002), Severino (2002), Silva e Oliveira (2016), Pais (2003), entre outros. A pesquisa de campo constou da realização de 04 encontros de grupos focais com 10 jovens dos três anos do ensino médio. Resultados Com a realização das discussões nos grupos focais pudemos perceber que os jovens necessitam de um maior direcionamento acerca de esclarecimentos sobre assuntos que interferem diretamente no seu futuro, e de espaços onde esses possam falar, se expressar, expor suas opiniões e demonstrar como analisam, interpretam e compreendem as coisas ao seu redor. Proporcionar estes espaços no ambiente escolar são de grande importância para o desenvolvimento da percepção crítica, da segurança no ato de se colocar diante das mais diversas situações, de incentivo à uma participação mais ativa na análise e compreensão de questões que lhes afetam direta ou indiretamente contemplando as suas mais distintas necessidades. Os jovens percebem que através da educação, podem ampliar sua visão de mundo. Que uma educação transformadora pode nos tornar capazes de identificar e distinguir uma ideologia de um direcionamento ou esclarecimento, uma finalidade de uma intencionalidade alienante, um esclarecimento de uma indução e as razões pelas quais vivemos e existimos. Sobre essa questão Severino (2002) complementa que “A educação é então uma atividade, uma pratica mediante a qual buscamos aprender a praticar essa subjetividade e encontrar aí as referências para a nossa vida, para as nossas ações que constituem de fato a nossa existência” (p.????). A Filosofia pode exercer uma forte influência no que se refere ao desenvolvimento do senso crítico dos jovens, uma vez que essa os leva a reflexões necessárias para um melhor entendimento acerca dos fatos postos em questão. Segundo um jovem ao ser questionado acerca da utilidade e eficácia da Filosofia ressalta que: “ a filosofia é muito útil sim para uma educação de qualidade, ela faz a gente pensar sobre as coisas, para analisar uma coisa que a gente entendia de um jeito e quando para pra refletir sobre aquilo já entende é de outro, e isso a gente pode usar não só para estudar filosofia, dá pra usar nas outras matérias também” (JOVEM 01). O que expressa claramente a influência dos saberes filosóficos para a concretização de uma formação mais ampla e qualitativa para estes e muitos outros jovens que se encontram inseridos numa realidade onde se veem desafiados a opinar e questionar e a lutar arduamente pelos seus direitos. Desse modo, Favaretto (1996) ressalta que “Filosofar consiste principalmente em expulsar o acaso, decifrar a todo custo uma legitimidade sob o fortuito que se dá na superfície.” Nessa perspectiva a filosofia pode levar o ser à reflexão afastando-o do contentamento com obviedade e o encaminhando para um aprofundamento investigativo e reflexivo que irá proporcionar um aperfeiçoamento necessário para o seu desenvolvimento. No entanto, para que todos esses aspectos do ato de filosofar sejam despertados nos jovens, é necessário que os professores, não só de filosofia, mas das demais disciplinas, numa ação conjunta, que também envolve ações pensadas pelo núcleo gestor, desenvolvam metodologias ativas que levem seus alunos à pensar, refletir, perceber e compreender os fatos que estão acontecendo atualmente e que fazem parte das suas realidades. Ações que estejam voltadas para uma formação integral dos educandos que precisam ter uma maior autonomia de pensamento e expressão de suas e opiniões sobre tudo aquilo que de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais irá interferir e influenciar no rumo de suas trajetórias. O discurso dos jovens dos três anos do Ensino Médio que participaram da pesquisa enfatiza o papel crítico da Filosofia e compreendem a importância dos saberes por ela proporcionados para a sua preparação para a vida, a cidadania, a inserção no ensino superior, no mundo do trabalho e no universo da cultura, e nessa perspectiva atribuem a Filosofia um papel formador, na medida em que ela pode auxiliar de forma direta e essencial ao desenvolver nos jovens aspectos que os fazem entender a importância da sua existência e da sua inserção no meio social.
Palavras-chave: Ensino de Filosofia,Metodologias,Jovens
Oral
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