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APRENDIZAGEM SOCIAL E EDUCAÇÃO PARA GEOCONSERVAÇÃO: CONSTRUÇÃO DE DIÁLOGOS PEDAGÓGICOS PARA A GOVERNANÇA AMBIENTAL
VANIA MARIA NUNES DOS SANTOS; DENISE DE LA CORTE BACCI
De forma a promover a integração da geodiversidade em políticas públicas e governança ambiental, este trabalho se propôs a analisar os processos e resultados de uma experiência educativa desenvolvida no Geoparque Ciclo do Ouro, em Guarulhos (SP), que envolveu os mais diferentes atores sociais na aprendizagem social, sendo estes professores da educação básica, comunidade, gestores públicos e pesquisadores acadêmicos. O processo de aprendizagem social e educação para geoconservação e sustentabilidade procurou melhorar a compreensão da geodiversidade e das principais lacunas de conhecimento dos atores sociais participantes, por meio de metodologias participativas focadas no (re)conhecimento do lugar/ambiente associadas ao ensino em Geociências, com referência em proposta inédita de formação de professores (Santos e Jacobi, 2018). A questão de pesquisa que procuramos responder foi “como os diferentes atores aprendem em um processo de aprendizagem social?” Participaram da referida experiência: Prefeitura Municipal de Guarulhos; Grupo de Estudos de Governança Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP; Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra do Instituto de Geociências da Unicamp; Núcleo de Apoio a Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo do Instituto de Geociências da USP; Instituto Geológico de São Paulo; Universidade de Guarulhos; Diretoria de Ensino de Guarulhos Sul; Organização Eco-Social Água Azul; Seminário Diocesano Imaculada Conceição; Centro de Educação Ambiental do Balneário Água Azul e AmBev filial Guarulhos. Os diferentes atores responderam à questionários semi-estruturados e participaram de entrevistas. Além desses dados foram analisados os materiais produzidos durante o curso de formação realizado durante um ano e os produtos originados das metodologias participativas, como world café, role play e o mapeamento socioambiental, além dos trabalhos de campo e dos recursos didáticos produzidos pelos professores. O estudo teve como objetivo compreender a construção de sinergias entre os diferentes atores sociais participantes como base nos processos socioeducativos desenvolvidos, visando à proposição de caminhos para a governança ambiental na macrometrópole, considerando: a) compreensão individual-coletiva de problemas/conflitos/desafios em comum; (deslocamentos de compreensão, e como os atores se entendem/percebem na relação individual-coletivo, no lugar) – conhecimento/informações, valores, ações; b) a reflexão sobre os mesmos com a análise de contextos e possibilidades (cenários); c) a transformação de práticas e realidades com a construção de cenários e soluções negociadas para a tomada de decisões democráticas e sustentáveis. Os resultados indicam que para promover a gestão da geodiversidade em regiões com alta densidade populacional e conflitos socioambientais (Santos e Bacci, 2017) e desvelar a consciência do valor da geodiversidade, os processos de aprendizagem social e educação para a geoconservação podem indicar caminhos relevantes na proteção futura dos serviços ecossistêmicos, particularmente no contexto das mudanças climáticas. Os aspectos geológicos são extensivamente conhecidos pelo seu valor econômico, fornecendo recursos essenciais para a manutenção do modo de vida da sociedade atual, garantindo, por exemplo, a geração de energia, a produção de minérios, a agricultura, dentre outros. Desse modo, visando a manutenção desses recursos pode-se destacar a necessidade de desenvolvimento de melhores técnicas e métodos para sua exploração sustentável, além da redução das taxas de consumo (Henriques et al., 2011). Nesse contexto, o conceito de governança ambiental ganha importância significativa para pensar em formas inovadoras de gestão do lugar/ambiente por incorporar, além da dimensão ambiental, os determinantes políticos e os diferentes interesses e realidades no debate sobre políticas públicas ambientais. No processo de governança ambiental, destaca-se a importância da aprendizagem social. Seus referenciais inserem-se nas práticas socioambientais educativas de caráter colaborativo e contribuem na construção de uma nova cultura de diálogo, participação e corresponsabilização em resposta aos problemas e desafios, a exemplo da geoconservação. Referências: HENRIQUES, M.H.; PENA DOS REIS, R.; BRILHA, J.; MOTTA, T. Geoconservation as an Emerging Geoscience. Geoheritage, 2011, 3: 117-128 . SANTOS, V. M. N.; BACCI, D.C. Proposta para governança ambiental ante os dilemas socioambientais urbanos. Estudos Avançados 31 (89), 2017. p. 199-212. SANTOS, V. M. N; JACOBI, P.R. Educação, Ambiente e Aprendizagem Social: reflexões e possibilidades à geoconservação e sustentabilidade. CRV, 2018.
A geodiversidade como potencial turístico e o geoturismo como incentivo à preservação da geodiversidade: Castelo do Piauí
VITAL ANTÓNIO VILELAS FARIA; Juliana Gonçalves de Sousa; Antônio Augusto Vasconcelos Júnior
A geodiversidade como potencial turístico e o geoturismo como incentivo à preservação da geodiversidade: Castelo do Piauí Vital António Vilelas Faria¹, Juliana Gonçalves de Sousa², Antônio Augusto Vasconcelos Júnior³ ¹Programa de Pós Graduação em Geografia da UFPI-Universidade Federal do Piauí, E-mail: vf.geografo@outlook.com; ²IFPI-Instituto Federal do Piauí, E-mail: julianahsousa2013geoproc@gmail.com; ³UESPI-Universidade Estadual do Piauí, E-mail: augustostemplario@hotmail.com Palavras-chave: Geodiversidade. Geoturismo. Castelo do Piauí. O município de Castelo do Piauí fica situado no Estado do Piauí, na grande Região do Meio-Norte, e, Território de Desenvolvimento de Carnaubais. Este município é o sexto mais antigo do Piauí, criado no período colonial em 12 de Setembro de 1762, com o nome de Marvão. Hoje, depois de vários desmembramentos, compreende uma área de 2.063,960 km² e conta com uma população de 19.715 habitantes (IBGE, 2018). Desde 2002 que Castelo do Piauí conta com grupos de guias turísticos e desde 2005 que conta com uma associação de guias turísticos (Condatur – Associação de condutores de turistas e visitantes de Castelo do Piauí). O geoturismo, além de render alguma renda tem sido também uma forma de divulgação do nome do município. Para tanto, muito tem contribuído o Parque Pedra do Castelo, uma estrutura geológica ruiniforme, de grande atração, e, tão importante, que está ligada ao atual nome do município (Castelo do Piauí), visto que “a pedra do castelo” é um conjunto de ruínas geológicas dispostas em circulo, fazendo lembrar um castelo. Além da pedra do castelo há também “os Picos dos André”, um número considerável de sítios geológicos dispersos em volta do povoado dos André. Este trabalho teve por objetivo identificar a geodiversidade do município de Castelo e o seu potencial geoturístico e como esse potencial pode contribuir para a sua preservação. Em termos de materiais e métodos, salientamos pesquisa de campo, onde identificamos os principais sítios geológicos e fizemos o registro fotográfico. A pesquisa foi complementada com estudo bibliográfico sobre geologia, geomorfologia, geodiversidade, geoturismo e outros. Na pesquisa de campo foram usados máquina fotográfica, GPS, altímetro e caderno de notas. O material recolhido foi posteriormente processado em computador de modo a poder ser usado no artigo. As bases geológicas do município de Castelo do Piauí são diversificadas, havendo a registrar maior abrangência da formação cabeças, embora, no entanto a área abrangida pelos depósitos coluvio-eluviais, seja também significativa. Pequenas áreas de formação pimenteiras e serra grande completam as principais bases geológicas do município. Quanto aos sítios geológicos aqui tratados, são essencialmente constituídos por arenitos. As rochas estratificadas tendem a criar tetos, durante o seu processo geomorfológico, os quais foram muito usados pelo homem, atendendo à grande quantidade e diversidade das pinturas encontradas nessa espécie de abrigos. As principais formações rochosas encontradas (sítios geológicos) foram a Pedra do Castelo e os Picos dos André. No primeiro caso temos uma estrutura ruiniforme disposta em circulo, fazendo lembrar um castelo. No interior podem ser observadas algumas galerias, cujas paredes têm incrustadas pinturas rupestres, sinalizando a passagem do homem e o uso daquelas estruturas como abrigos ou outros. Em relação aos Picos dos André, eles representam um número considerável de sítios geológicos dispersos, porém todos eles com sinais da passagem e uso do homem de há milhares de anos, destacando-se a pedra furada e o pico do ninho do urubu. Estes representam um número considerável de sítios geológicos dispersos, porém todos eles com sinais da passagem e uso do homem de há milhares de anos. Isso faz-nos pensar no quanto o homem antigo está ligado à geologia e à geodiversidade, e, quanto o homem “moderno” se está igualmente ligando e, quanta necessidade há de uma ligação perfeita entre homem e natureza – ou no que resta dela. O geoturismo tem-se mostrado uma forma e um incentivo à preservação da geodiversidade, essencialmente daquela geodiversidade cujos elementos representam valores significativos em termos científicos, culturais ou educativos de modo geral (BRILHA, 2005). Muitos desses elementos são já patrimônios geológicos, outros estarão em processo, outros ainda, nunca chegarão a entrar nesse processo, mas nem por isso devem deixar de ser preservados. A geodiversidade apresenta alguma vulnerabilidade, nomeadamente a partir das atividades antrópicas. As atividades turísticas sem controle são também uma ameaça, porém as atividades turísticas regradas e acompanhadas por guias competentes representam um potencial importante na preservação e conservação da geodiversidade. Inclusive, podemos considerar esta atividade de forma regrada, como um incentivo à preservação e conservação. Durante o trabalho de campo fomos alertados pelo guia, que algumas pinturas estavam incompletas, porque alguém tentou retirar o pedaço de rocha com a pintura, acabando por danificá-la. Segundo relato do guia, em tempos quando as visitas eram feitas de forma desregrada, aquela prática era comum. Porém hoje em dia não acontece mais. O grupo de guias tem tido o cuidado de vedar os acessos às pinturas para evitar contatos e assim preservar. A atitude dos guias e os resultados caracterizam assim o geoturismo como forma de incentivo à preservação da geodiversidade, patenteada ali naquelas formações rochosas. REFERÊNCIAS BRILHA, J. B. R. Patrimônio geológico e geoconservação: a conservação da natureza na sua vertente geológica. São Paulo: Palimage, 2005. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estimativas para a população para 2018. Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br (Acessado em 18 de jun. de 2019, às 18-00h).
A utilização do Geocaching para o desenvolvimento do geoturismo no território da proposta Geoparque Quarta Colônia (RS)
DJULIA REGINA ZIEMANN; João Henrique Quoos; Jhon Notzold; Dilson Nicoloso Cecchin; Adriano Severo Figueiró
As inovações tecnológicas encontram-se presentes constantemente no cotidiano da população. A intensificação do uso de tecnologias, principalmente os dispositivos móveis, traz uma nova forma de estabelecermos contato com as pessoas e consequentemente de interagirmos com o território (AMADEUS, 2014). Em 2016 o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (CETIC), apontou que o celular passou a ser o meio mais utilizado pela população para acessar à internet. Esta expansão impacta também na experiência turística, pois através dos aplicativos com funcionalidades gratuitas e de fácil utilização, os turistas acessam informações, decidem seus destinos e experiências e assim, passam a utilizar cada vez menos o atendimento oferecido pelas agências de turismo. Atualmente, turistas apresentam um comportamento em que os web sites são preferência no período pré viagem, enquanto no destino torna-se mais comum a utilização de aplicativos para obtenção de informações (WANG, PARK e FESENMAIER, 2012). Uma tecnologia que acompanha esta mudança na atividade turística é o Geocaching. Atividade mundialmente difundida, chegando a 3188470 geocaches espalhados por todo o mundo, que pode ser compreendida como uma versão tecnológica da atividade de caça ao tesouro. Para participar, o usuário cria uma conta gratuitamente no site ou no aplicativo de smartphone, com a finalidade de visualizar um mapa com geocaches (caches/pistas) próximas. A funcionalidade básica deste aplicativo é o jogador navegar através do GPS do celular até o local de sua preferência, ler as instruções disponíveis, desvendar o mistério que guarda o “cache” e assim assinar o livro de registros, além de compartilhar a experiência online, convidados novos jogadores de todas as partes do mundo. Devido a atividade ser realizada ao ar livre e ter foco em ambientes naturais, somada a sua ampla abrangência e popularidade, o geocaching pode ser considerado como uma ferramenta para o desenvolvimento do geoturismo, através da divulgação e valorização da geodiversidade local. Ainda, permite aperfeiçoar a orientação dos usuários, pois trabalha com coordenadas e a sensibilização quanto a necessidade de conservação ambiental. Neste sentido, este trabalho tem por objetivo discutir a utilização do Geocaching para a divulgação do geopatrimônio presente no território da proposta Geoparque Quarta Colônia (RS). Esta proposta corresponde a uma área de 2899,929 Km², composta por nove municípios, localizados na Mesorregião Centro Oriental Rio-Grandense: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Silveira Martins e São João do Polêsine (IBGE, 2018). Estes nove municípios estão interligados por fortes questões culturais relacionadas a imigração italiana e alemã, seus hábitos e costumes; vasto patrimônio natural com fósseis datados do período Triássico (252-201 Ma), que corresponde a “Aurora dos Ecossistemas Modernos”, com rica fauna e flora preservadas nas rochas do território; além de diversas cachoeiras; morros testemunhos que compõem mirantes; escarpas vulcânicas alagadas e exposição de obras esculpidas em rochas areníticas encontradas no local (ZIEMANN, 2016). Diante deste panorama tem-se a questão de aproveitar o Geocaching para interpretar tais fatores e torná-los compreensíveis para os visitantes, na elaboração da pista associada ao geossítio. Para tal, este trabalho busca descrever o processo de divulgação do potencial geoturístico do território, através de um web site, onde foram elencados os 24 geossítios previamente selecionados através de quantificação elaborada por Ziemann (2016). Estes geossítios receberam enigmas (caches) associados ao patrimônio existente e foram devidamente registrados na plataforma mundial do Geocaching. Os resultados demonstram uma nova forma de desenvolver o geoturismo através de uma ferramenta tecnológica e acessível, buscando a valorização do território, abrangendo as potencialidades associadas a geologia, paleontologia, cultura e aspectos naturais.
Geoética e História da Terra na cadeira de Filosofia da Educação do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRJ – intercâmbio, divulgação e produção de conhecimento
SILVIA MARIA TEIXEIRA SILVEIRA
Este trabalho relata a experiência de sua autora, Geóloga e Mestre em Geociências, como aluna da disciplina de Filosofia da Educação do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, ministrada pela Professora Doutora Maria Judith Sucupira da Costa Lins. Tal experiência ocorreu no primeiro semestre de 2018, enquanto a autora cursava o último ano do Programa de Pós-graduação em Geociências, ênfase em Patrimônio Geopaleontológico, do Museu Nacional – UFRJ e elaborava sua dissertação de mestrado, intitulada “Onde estão Os Super Feras? Formação de professores para a construção do Geoparque Costões e Lagunas do estado do Rio de Janeiro”. A dissertação relata os resultados da pesquisa desenvolvida durante o mestrado, envolvendo a parceria entre a UFRJ, o Geoparque Costões e Lagunas e a Prefeitura Municipal de Armação dos Búzios, cujo principal objetivo foi trabalhar temas como geossítios do Geoparque Costões e Lagunas, suas mascotes e a história geológica do município de Búzios com professores que atuam no local. Um roteiro geodidático do município foi confeccionado e posteriormente apresentado em encontros do Curso de Formação Continuada dos professores de 4º e 5º ano da Rede Municipal. Por se tratar de uma pesquisa estreitamente relacionada à educação, envolvendo elaboração de material educativo e também capacitação de professores surgiu a vontade e a necessidade da autora de obter conhecimento acadêmico na área de pedagogia, matriculando-se, para isso, em disciplinas dos programas de pós-graduação em educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e também da UFRJ. Neste último, cursou a cadeira de Filosofia da Educação, o que gerou importantes reflexões e frutos. O livro “Filosofia da Pessoa e Educação Dietrich von Hildebrand” é parte da pesquisa intitulada “Filosofia da Pessoa como base para a teoria da Educação” coordenada pela professora Maria Judith. Grande foi a surpresa e a alegria quando foi recebido o e-mail da professora convidando o texto “Obra ‘Atitudes Éticas Fundamentais’ de von Hildebrand e as relações entre a humanidade e a Geodiversidade", produzido pela autora que vos escreve, para integrar o livro. De acordo com a professora, o texto apresentado pela geóloga compara o olhar dos geocientistas com a área da educação, trazendo uma abertura original para o ensino das geociências. Utilizando o pensamento de von Hildebrand como base para reflexões educativas referentes ao relacionamento do ser humano com o planeta Terra a geóloga contribui com uma visão pedagógica específica e interessante para o estudo da Filosofia da Pessoa (Sucupira Lins & Cardoso 2018). Considera-se que a escrita de um capítulo trazendo o conhecimento geocientífico para um livro de Filosofia da Educação seja muito importante para divulgar a Geologia, além de discutir o papel desta ciência na educação e na construção de um pensamento ético em relação à vida humana na Terra.
A atuação da Comissão de Geoparques da Sociedade Brasileira de Geologia
MARILDA SANTOS-PINTO MIEDEMA; Marcos A.L. Nascimento; Gilson Burigo Guimarães; Antônio J. Dourado Rocha; Renato Pimenta Azevedo; Andreá Trevisol; Caiubi Kuhn
A Sociedade Brasileira de Geologia – SBG é a maior entidade técnico-científica em Ciências da Terra no Brasil, com mais de 70 anos de fundação. Com sede em São Paulo, ela possui cerca de 5.000 sócios ligados a 10 núcleos regionais distribuídos em todo o país. Sua missão é fomentar o conhecimento e o desenvolvimento das geociências, da geologia aplicada e da pesquisa e tecnologia correlata, bem como o aproveitamento racional e sustentável de recursos minerais e hídricos. Nesta perspectiva, por indicação do Núcleo Bahia-Sergipe, a Comissão de Geoparques (CG-SBG) teve o seu regimento aprovado em 21 de abril de 2018 (Santos Pinto et al., 2018; SBG, 2018). A Comissão de Geoparques é composta por especialistas provenientes de instituições de ensino e pesquisa, órgãos e empresas ou por profissionais autônomos que foram indicados por cada núcleo regional. Atualmente, ela integra representantes ligados às propostas dos geoparque de Morro do Chapéu, Alto Rio de Contas, Serra do Sincorá e São Desidério, na Bahia; Seridó, no Rio Grande do Norte; Costões e Lagunas do Rio de Janeiro; Uberaba, Terra de Gigantes (MG), Bodoquena-Pantanal, no Mato Grosso do Sul e Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Entretanto, a inclusão de novos membros é prevista (Santos-Pinto et al, 2018). Os objetivos da CG-SBG são: a- Despertar e conduzir debates e reflexões sobre o tema Geoparques dentro da SBG, b- Compartilhar conhecimentos sobre o contexto e a atuação dos geoparques junto à sociedade nacional, instituições governamentais e entidades de interesse comum com este tema pela publicação em seus mais diversos meios (livro, artigo, cartilha, sitio eletrônico ou folder), c- Trabalhar em benefício da divulgação e implantação de geoparques no Brasil, d- Integrar os representantes das diversas propostas de geoparques no Brasil, e- Propor o apoio institucional aos projetos de implantação de geoparques em território nacional. O sítio eletrônico da Comissão de Geoparques (http://www.geoparques-sbg.org.br) compartilha informações sobre o contexto e a atuação dos geoparques junto à sociedade nacional, instituições governamentais e entidades de interesse comum com este tema pela publicação de artigos científicos, teses, monografias, inventários geológicos, eventos e endereços eletrônicos de interesse. Apesar do Brasil abrigar o 1º Geoparque das Américas, o Geopark Araripe, e contar com um número crescente de propostas de projetos de geoparques, ainda não temos uma entidade oficial (Fórum, Comissão ou Comitê), de cunho nacional, que coordene as discussões sobre a temática no país, que faça a pré-seleção dos candidatos aptos a pleitear o selo da UNESCO, segundo os critérios do Programa Global de Geoparques, além de outras funções de sua alçada. Na falta dele, propostas foram submetidas diretamente à UNESCO, a exemplo dos projetos Geoparque Bodoquena-Pantanal e Geoparque Quadrilátero Ferrífero, mas que não obtiveram sucesso. Os esforços em conjunto do Geopark Araripe, Serviço Geológico do Brasil-CPRM e representantes da UNESCO e da Rede Mundial de Geoparques, ao longo da última década, para mudar esta situação, não lograram êxito. Em fevereiro deste ano, durante o 1° Curso Universidade de Verão da URCA e da V Reunião da Rede de Geoparques Mundiais da UNESCO na América Latina e Caribe - GEOLAC, em Juazeiro do Norte (CE), a pedido da CG-SBG, foi realizada uma reunião, coordenada pelo Geopark Araripe, que discutiu a implementação do Comitê Brasileiro de Geoparques e contou com a presença dos representantes da UNESCO no Brasil e na América Latina, da Associação Brasileira de Defesa do Patrimônio Geológico e Mineiro e da Universidade Regional do Cariri. Foi consenso a urgência desta ação, devido ao estágio avançado de várias propostas de geoparques no Brasil que aspiram integrar o Programa Mundial e a Rede Mundial de Geoparques (um país só pode submeter duas propostas por ano), e a indicação da Comissão de Geoparques da SBG, como membro permanente, na composição do Comitê Brasileiro de Geoparques. A Sociedade Brasileira de Geologia, através de sua Comissão de Geoparques, se disponibiliza para continuar a trabalhar em prol da criação do Comitê Brasileiro de Geoparques, da divulgação e implantação de geoparques no país. Referências Santos-Pinto, M., Nascimento, M. A. L., Rocha, A. J. D., Mansur, K. L., Nolasco, M. C., Azevedo, R. P., Guimarães, G. B., Sanches, J. P., Santos, I. P. L., Trevisol, A., Boggiani, P. C., Kuhn, C.E.S. (2018). A Comissão de Geoparques da Sociedade Brasileira de Geologia. Cong. Bras. Geo., 49, 2018, Rio de Janeiro, Anais … SBG, cd-rom. SBG. Comissões da SBG. Acessado em 30 de junho de 2019. Disponível em http://www.sbgeo.org.br/home/pages/12.
GEODIVERSIDADE E POTENCIALIDADES DE TRILHAS NOS CAMPOS GERAIS DO PARANÁ
ANA CLAUDIA FOLMANN; Maria Ligia Cassol Pinto; Gilson Burigo Guimarães
As geociências na educação possuem grande importância (CARNEIRO et al., 2004), mas assuntos relacionados à disciplina são pouco ou precariamente mencionados na educação formal, e essa falta de informações deixa uma lacuna muito grande na aprendizagem, já que algumas questões são chave para o melhor entendimento do funcionamento da Terra. Em paralelo, muitos geossítios nos Campos Gerais do Paraná estão sob constante ameaça de degradação, o que ressalta a necessidade do conhecimento para a geoconservação. Nesta perspectiva, identificar locais que apresentem valor singular para a compreensão de parte da história do planeta é um dos principais passos no processo de geoconservação, ou seja, as áreas e pontos denominados geossítios. No que se refere ao processo educativo, é importante que em alguns desses geossítios sejam realizadas ações de educação e interpretação ambiental em parceria com escolas e universidades, visando à popularização do ensino e divulgação das Ciências da Terra. Deste modo, aproximar a população dos geossítios pode se constituir em uma das principais ferramentas de conservação da natureza. Sabe-se que só se protege aquilo que se ama, e só se ama aquilo que se conhece, então o turismo pode ser uma forma de fazer as pessoas conhecerem para poderem conservar o ambiente. As visitações turísticas, por sua vez, tornam-se mais enriquecedoras se agregarem ao lazer a aquisição de informações e conhecimentos sobre o local e, para isso, a interpretação ambiental é peça central. As trilhas podem unir o lúdico a atividades educativas, e podem desempenhar um papel importante como uma ferramenta de educação não formal na conservação dos geossítios. Além disso, as trilhas colaboram com a saúde física e mental dos cidadãos, e podem auxiliar na gestão do território apresentando possibilidades de geração de renda à comunidade, por meio da oferta de serviços e produtos de apoio e/ou infraestrutura turística. Nesse caso, o tipo de turismo que se almeja não se trata, de forma alguma, do turismo de massa, e sim do eco e geoturismo, que têm como preceitos o envolvimento das comunidades locais e a conservação ambiental. As caminhadas em trilhas consistem na realização de percurso a pé, em ambientes naturais com pouca infraestrutura. Podem durar desde uma hora ou menos até um dia inteiro, sendo que o praticante retorna ao seu local de origem para pernoite. Apresentam vários graus de dificuldade, conforme a topografia e a distância do percurso. Diante disso pode ser possível delimitar a área de estudo em alguns municípios localizados nos Campos Gerais do Paraná, identificando os geossítios, os melhores trajetos, percursos e pontos de parada, de forma a beneficiar os moradores locais e assim obter trilhas que possibilitem vivências agradáveis e enriquecedoras nas paisagens exuberantes dos Campos Gerais. Algumas trilhas podem ter a obrigatoriedade do guia/condutor local, que fará o papel de intérprete ambiental, trazendo informações sobre fauna, flora, história, geografia, geologia e o elemento humano. Há uma riqueza de informações sobre a cultura local, como a história indígena (a região fazia parte do Caminho do Peabiru, a trilha inca transcontinental que conectava a América do Sul antes da colonização), história das reduções jesuíticas, tropeiros e imigrantes. Histórias do naturalista francês Saint-Hilaire, que viajou pelo Brasil estudando e catalogando plantas e relatando costumes e paisagens brasileiros do século XIX. De acordo com Rocha (1992) a geomorfologia da área em estudo ocupa lugar de destaque, pela sua importância paisagística. A Formação Furnas apresenta esculturas geomorfológicas ruiniformes de grande beleza, em especial às margens do rio São Jorge, em Ponta Grossa, incluindo diversas cascatas. E os arenitos do Grupo Itararé, no Parque Estadual de Vila Velha, são mundialmente famosos por este aspecto, podendo toda a região ser explorada no turismo científico, histórico e cultural. Em relação à geologia do município de Ponta Grossa, a região dos Alagados, do sumidouro do rio Quebra Perna e do entorno de Vila Velha apresentam afloramentos de relevante interesse científico (ROCHA, 1992). Os municípios de Tibagi e Castro têm excelentes possibilidades para trilhas nas proximidades do cânion Guartelá, situação que ao longo dos últimos anos tem se convertido em realidade (por exemplo, a Trilha do Mato da Toca). Jaguariaíva e Piraí do Sul também têm ótimas opções de trilhas (por exemplo, parques do Codó e do Cerrado, ou em Piraí da Serra) que passam por cachoeiras e pinturas rupestres. As atividades econômicas que se destacam nestes municípios são, além da indústria, a agricultura, pecuária, mineração e reflorestamento de espécies exóticas como pinus e eucalipto. Atividades mais sustentáveis como o turismo ainda estão começando a aparecer como uma fonte de renda. Em um estudo realizado por Guimarães et al. (2012), focado em uma proposta de geoparque, foram identificados 14 geossítios na região dos Campos Gerais, com relevância internacional, nacional e regional-local. Estes locais são: Canyon Palmeirinha, Cachoeira da Paulina, Mirante da Escarpa Devoniana, Pedreira Malucelli, Pedreira de Ferro Tronco, Contato Furnas-Ponta Grossa, Mirante do Rio Tibagi, Estratótipo da Formação Iapó, Fósseis Devonianos, Salto Santa Rosa, Parque Estadual do Guartelá, Pedreira de dacito, Estrias Glaciais de Witmarsum e o Parque Estadual de Vila Velha. Além destes locais, há outros de interesse geológico que merecem destaque, como a Cachoeira da Mariquinha e o Buraco do Padre. Estes geossítios têm elementos importantes para a compreensão dos processos formadores da paisagem. Além disso, esta geodiversidade pode ter valores que vão desde o valor intrínseco, passando pelo valor cultural (espiritual, de senso de lugar, arqueológico), valores estéticos (inspiração artística, atividades de lazer e geoturismo), econômicos, funcionais e educativos (GRAY, 2004). Os Campos Gerais tem um grande potencial para o ecoturismo, geoturismo, turismo científico, entre outros, e várias possibilidades para caminhadas. A possibilidade de visitar diversos atrativos de beleza cênica e relevante interesse turístico e científico em um, dois, três ou mais dias de caminhada demonstra a importância de se planejar e organizar as trilhas para que estas possam ser exploradas de forma sustentável. REFERÊNCIAS CARNEIRO, C. D. R; TOLEDO, M. C. M.; ALMEIDA, F. F. M. (2004). Dez motivos para a inclusão de temas de Geologia na Educação Básica. Revista Brasileira de Geociências. 34(4): 553-560 GRAY, M. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. John Wiley & Sons Ltd., Londres/ Inglaterra, 2004. 434p. GUIMARÃES, G. B.; MELO, M. S.; PIEKARZ, G. F.; MOREIRA, J. C.; LICCARDO, A.; MOCHIUTTI, N. F. Geoparque dos Campos Gerais (PR): Proposta. In: SHOBBENHAUS, C; SILVA, C.R (Eds.). Geoparques do Brasil: Propostas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Serviço Geológico do Brasil: 2012a. p. 617-646. ROCHA, C. H. Plano de Integração Parque Estadual de Vila Velha – Rio São Jorge. Ponta Grossa – PR.Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. Itupahva S/C Ltda. 1992.
Metodologia para inventário e valoração quantitativa do Patrimônio Geológico ex situ: proposta para o Museu da Geodiversidade (IGEO/UFRJ)
RENAN GOMES PAIVA DA SILVA; Kátia Leite Mansur; Aline Rocha de Souza Ferreira de Castro
O Museu da Geodiversidade (MGeo/UFRJ) é um museu universitário que possui associação com as coleções de fósseis, rochas e minerais do Departamento de Geologia. O espaço abriga a terceira maior coleção de fósseis catalogados pela plataforma Paleo do Serviço Geológico do Brasil, além de milhares de exemplares de minerais, rochas e acervo bibliográfico e tecnológico (Castro et al., 2011). Parte dessa coleção está acessível ao público na exposição de longa duração “Memórias da Terra”. O acervo foi visitado em 2016, 2017 e 2018 respectivamente por 4.721, 5.660 e 7.356 pessoas. Os elementos do patrimônio geológico (Brilha, 2016) contidos nas instituições de salvaguarda e divulgação do patrimônio se configuram como patrimônio geológico (PG) ex situ, à medida que são dotados de valor para a história de evolução da Terra e da vida (García-Cortés e Carcavilla Urquí, 2013; Brilha, 2016). Assim, esses espaços são designados como Lugar de Interesse Geológico e seus acervos são passíveis de geoconservação. Inventariar e valorar esses objetos é essencial para que os centros divulgadores de ciência possam potencializar a comunicação de seu patrimônio com o público considerando que eles já estão sujeitos à geoconservação por estarem nessas instituições, diferente do que acontece com o PG in situ. As metodologias para atribuição de valor ao PG ex situ são praticamente inexistentes. Romão e Garcia (2017) fizeram uma análise histórica das iniciativas de inventário e valoração do PG no Brasil, e todos os casos abordados são referentes a estudos in situ. Brilha (2016) afirma que o objetivo da avaliação quantitativa é de diminuir a subjetividade do processo valoração. Este trabalho apresenta uma proposta metodológica para inventariação e valoração do PG ex situ contido na exposição de longa duração do MGeo, entendendo que esse é o passo inicial no inventário de PG da instituição e toda sua coleção. Para o desenvolvimento de uma metodologia de inventariação e valoração do PG ex situ, foi feito um levantamento bibliográfico que revelou a falta de referências sobre material produzido com a temática, com a identificação de apenas uma proposta (García-Cortés, 2015) que, segundo o autor ainda não foi testada (comunicação por correio eletrônico em 10/04/2018). Essa metodologia foi adaptada para este trabalho, e foram também consideradas as metodologias consagradas de Brilha (2016) e García-Cortés e Carcavilla Urquí (2013). O inventário foi elaborado em duas etapas, a primeira consistiu em idas à exposição para fotografar (acervo e etiqueta de identificação) e realizar levantamento qualitativo dos bens a fim de definir o tipo de elemento de geodiversidade, valor, uso potencial, entre outros. Vale ressaltar que algumas visitas foram feitas com os curadores das coleções e diretoria do museu, entendendo que a consulta aos especialistas é essencial para conhecer e entender mais sobre o acervo e o que já foi produzido acerca do mesmo. A segunda etapa consistiu em visitar às coleções para coletar dados nos arquivos históricos e catalográficos e elaborar uma ficha catalográfica própria que se baseou também no levantamento realizado pela equipe do MGeo em 2017. Todas as peças contidas nas ambientações museográficas foram consideradas incluindo as reconstituições, réplicas, mapas, vídeos e paleoartes, que podem ser compreendidos como Patrimônio Cultural de Ciência e Tecnologia (PCC&T), dado sua relevância para evolução do conhecimento sobre as geociências. Assim tem-se os seguintes campos de preenchimento na lista: (a) nome da peça; (b) número de identificação; (c) tipologia; (d) composição; (e) idade associada; (f) proveniência; (g) modo de aquisição; (h) uso; (i) estado de conservação; (j) bibliografia associada; (k) temas associados; (l) data de observação na exposição; (m) observações; (n) localização atual na exposição. A valoração consistiu em uma avaliação quantitativa, seguindo o padrão das metodologias tradicionais que atribuem nota aos quesitos selecionados. Foram levantados 211 objetos expostos, desses 182 foram considerados representativos de elementos de geodiversidade e foram valorados. Para a valoração foram selecionados 12 critérios, sendo eles: (a) interesse científico; (b) grau de conhecimento científico; (c) raridade; (d) diversidade; (e) estado de conservação; (f) tamanho do exemplar; (g) conteúdo didático; (h) origem; (i) vulnerabilidade; (j) uso tradicional, industrial ou simbólico; (k) valor comercial; (l) potencial de interpretação. A proposta metodológica de quantificação se encontra em fases de teste e o método tem se mostrado adequado à medida que o trabalho se desenvolve. Referências BRILHA, J. Inventory and quantitative assessment of geosites and geodiversity sites: a review. Geoheritage, v. 8, n. 2, p. 119-134, 2016. CASTRO, A.R.S.F.; GRECO, P. D.; PEREIRA, E. M. R.; DIOGO, M, C.; CARVALHO, I. S. O Museu da Geodiversidade (MGEO–IGEO/UFRJ) nos desafios da sociedade contemporânea. In: CARVALHO, I.S.; SRIVASTAVA, N.K.; STROHCHOEN JR., O.; LANA, C.C. (Org.). Paleontologia: Cenários de vida. 1ªed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. v. 4, p. 829-842. GARCÍA-CORTÉS, A. Valoración del Patrimonio Geológico. Bogotá: Servicio Geológico Colombiano, 2015. Bogotá. Disponível em: <https://www2.sgc.gov.co/sgc/mapas/Documents/PDF%20PRESENTACI%C3%93N%20IGME/Valoracion_Patrimonio_Geologico.pdf>. Acesso em: 19/01/2018. GARCÍA-CORTÉS, A.; URQUÍ, L.C. Documento Metodológico para la elaboracion del inventario espanñol de lugares de interés geológico (IELIG). Madrid: Instituto Geológico y Minero de España, 2013. ROMÃO, R. M. M E GARCIA, M. G. M. Iniciativas de inventário e quantificação do Patrimônio Geológico no Brasil: panorama atual. Anuário do Instituto de Geociências, v. 40, n. 2, p. 250-265, 2017.
Palavras-chave: educação para geoconservação, aprendizagem social, governança ambiental, geoparque ciclo do ouro
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Abrir o trabalhoDINOSSAUROS DO CARIRI NA LITERATURA INFANTOJUVENIL BRASILEIRA
LANA LUIZA MAIA FEITOSA SALES; Maria Helena Hessel; José Araújo Nogueira Neto
Umberto Eco (2012) alertou a potenciais escritores de textos literários que “é preciso situar sua história inverossímil num ambiente verossímil”, pois “os mundos ficcionais são parasitas do mundo real”. E acrescentou: “espera-se que os autores não só tomem o mundo real por pano de fundo de sua história, como ainda intervenham constantemente para informar aos leitores os vários aspectos do mundo real que eles talvez desconheçam”. Estas afirmativas são especialmente importantes ao se construir narrativas dedicadas às crianças, onde dinossauros, tão fascinantes no cotidiano infantil, são protagonistas de obras literárias. Já foram descritos restos fossilizados de 26 gêneros de dinossauros encontrados em cinco bacias sedimentares brasileiras (Sales, 2019): de São Luís (Maranhão), do Araripe (Pernambuco, Piauí e Ceará), de Bauru (Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo), Sanfranciscana (Minas Gerais) e do Paraná (Rio Grande do Sul). Porém, esses dinossauros aparecem em livros de literatura infantojuvenil disponíveis para nossas crianças e seus(suas) professores(as)? Com o objetivo de responder a essa indagação e de sugerir possíveis livros como material paradidático, investigamos 78 obras literárias que circulam no mercado nacional tendo dinossauros como destacados personagens, tomando por base os estudos de Colomer (2002), Lluch (2003) e Hunt (2010). Nessa análise, identificamos algumas narrativas de autores estrangeiros que trazem o correto conhecimento sobre dinossauros ocorrentes em algumas regiões do mundo sem perder o encanto da literariedade. É o caso das obras criadas pela escritora austríaca Edith Thabet sobre os tiranossauros do leste africano, encontrados no monte Tendaguru, Tanzânia (Reginaldo Tiranossauro, 1992); pela dramaturga sul-africana Hiawyn Oram, que traz histórias de um filhote de †Massospondylus fêmea, gênero ocorrente só no Zimbabwe, Lesotho e África do Sul (Quero um dinossáurio, 1990); por uma das escritoras infantis mais premiadas da Austrália, Jackie French (Meu bicho de estimação é um dinossauro, 2003), sobre a vida com um †Rhoetossaurus, gênero conhecido somente na região central de Queensland, Austrália; e pela escritora italiana Elisabetta Maria Dami (que usa o pseudônimo de Geronimo Stilton), que narra peripécias que envolvem o gênero †Tarbosaurus, ocorrente apenas na Mongólia (O vale dos esqueletos gigantes, 2006). Estas excelentes narrativas literárias transmitem conhecimentos científicos verdadeiros e estimulam frutíferas discussões com as crianças, caso sejam adotadas em escolas locais, valorizando o patrimônio paleontológico dos países onde foram situadas suas tramas. O mesmo poderia ocorrer no Brasil. De todo o corpus reunido, composto por quase oitenta obras de literatura infantojuvenil sobre dinossauros, encontramos só duas que mencionam gêneros brasileiros em suas narrativas, ambas de autores nacionais. Do século passado, há o livro dos acadêmicos cearenses Francisco Cunha e Willian Brito, Viagem ao Cretáceo (1999), com fio narrativo centrado em uma viagem ao Cretáceo na região do Araripe, onde as crianças protagonistas observam um exemplar do dinossauro †Angaturama Kellner et Campos 1996, entre outros animais hoje extintos. A narrativa traz muitos dados irrelevantes à trama, o que revela um objetivo francamente pedagógico e empobrece a qualidade literária da obra. No presente século, o paulista Fernando Vilela publicou Dino e Saura (2017), um livro que traz no enredo indivíduos de †Oxalaia Kellner, Azevedo, Machado, Carvalho et Henriques 2011 como protagonistas, um gênero cujos restos fósseis ocorrem somente na ilha do Cajual, Maranhão. Num paratexto inicial, o autor menciona †Santanaraptor Kellner 1999, do Cariri cearense, e †Mirischia Naish, Martill et Frey 2004, encontrado no sul do Estado do Piauí, ambos pertencentes à Bacia do Araripe. Na última página, traz outro paratexto, intitulado ‘Dinossauros brasileiros’, onde acrescenta informações sobre todos os gêneros citados no livro. Deste modo, separando o texto ficcional dos que trazem dados científicos, oferece a oportunidade de conversas paleontológicas paralelas ao prazer da leitura de uma narrativa fluente. Há ainda um livro infantojuvenil que utiliza esse mesmo recurso do paratexto explicativo, mas cuja trama não inclui dinossauros encontrados no Brasil: é Na era dos dinossauros (1994; edição brasileira de 2003) da estadunidense Joanna Cole. Esta é a única obra de autor estrangeiro, em português e disponível no mercado nacional a trazer algumas informações sobre dinossauros brasileiros, mencionando, entre outros, a presença de carnossauros no Ceará, referindo-se provavelmente a †Angaturama. Todos estes três livros, por apresentarem informações referentes aos dinossauros do Cariri, de diferentes maneiras, poderiam ser adotados em sala de aula para, até em atividades interdisciplinares com outras matérias das Ciências Humanas, dinamizar o estudo de Ciências com discussões sobre os dinossauros, seus hábitos, sua evolução e extinção, sobre a história geológica do Cariri e sobre o patrimônio paleontológico a ser valorizado e protegido. A existência de tão poucos livros literários para crianças que trazem informações corretas sobre dinossauros mostra uma lacuna de obras que poderiam incentivar a leitura de modo prazeroso, enquanto trazem informações científicas que incentivam a discussão e dinamizam as tarefas escolares. Por fim, considerando todos os livros inicialmente examinados, é curioso que, dos inúmeros gêneros brasileiros, apenas os dinossauros nordestinos tenham servido de inspiração para criar histórias infantojuvenis com esses sáurios como personagens. Este fato, de certo modo, destaca o valor dos dinossauros do Cariri. Referências COLE, Joanna. O ônibus mágico: na era dos dinossauros. Rio de Janeiro: Rocco [edição original de 1994], 2003 COLOMER, Tereza (dir.). Siete llaves para valorar las historias infantiles. Madrid: Fundación Germán Sánchez Ruipérez, 2002. CUNHA, Francisco & BRITO, Willian. Viagem ao Cretáceo. Recife: Bagaço, 1997. ECO, Umberto. Seis passeios pelo bosque da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. FRENCH, Jackie. Meu bicho de estimação é um dinossauro. São Paulo: Fundamento [1ª edição de 2003], 2007. HUNT, Peter. Crítica, teoria e literatura infantil. São Paulo: Cosac Naify, 2010 LLUCH, Gemma. Análisis de narrativas infantiles y juveniles. Cuenca: Universidad de Castilla La Mancha, 2003 ORAM, Hiawyn. Quero um dinossáurio. Lisboa: Caminho [edição original de 1990], 2005. SALES, Lana Luiza Maia Feitosa. Dinossauros na literatura para crianças no Brasil. Tese de Doutorado, Fortaleza, Universidade Federal do Ceará, 2019. STILTON, Geronimo. O vale dos esqueletos gigantes. São Paulo: Planeta Infantil [edição original de 2006], 2013. THABET, Edith. Reginaldo Tiranossauro. 1ª ed., São Paulo: Ática [edição original de 1992], 1993. VILELA, Fernando. Dino e Saura. 1ª ed., São Paulo: Brinque Book, 2017.
Oral
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO AMBIENTAL INFORMAL: GEOCONSERVAÇÃO DOS GEOSSITIOS DO GEOPARK ARARIPE
BRUNA ALMEIDA DE OLIVEIRA; Selton David Cavalcante Sobral
Entende-se por Educação Ambiental (EA) os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos coletivos e atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente, sento este um bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999, art.1º). Nessa perspectiva, juridicamente a EA é entendia como um componente essencial e permanente em todo o processo educativo, podendo ser no âmbito formal ou não, como orienta, aliás, os artigos 205 e 225 da Constituição Federal de 1988 (SILVA, 2003). Um dos objetivos da EA é: O incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente (BRASIL, 1999, art.5º). A EA permite encontrar caminhos para o equilíbrio ambiental, econômico e social, configurando-se como uma ferramenta de sensibilização e mobilização, visando assim um espaço menos degradado, relacionando sociedade e natureza, abrindo um espaço para repensar as práticas sociais, (GALVÃO, 2007). O GeoPark Araripe por sua vez tem assumido um caráter efetivo frente à busca de conhecimentos sobre a temática ambiental, isto devido à forte preocupação com os recursos ambientais existentes na localidade em que o mesmo encontra-se inserido. Pode-se destacar que uma das principais caracteristicas dos recursos naturais é a própria estética da sua Geodiversidade, balizando a isto, se encontra cravado no sertão nordestino um oásis, tal título é justificado pela riqueza em fontes de água doce, possibilitando o surgimento de espécies no reino vegetal e animal que não são encontras de forma corriqueira na caatinga. Sendo assim é fundamental apoiar-se em ações educativas voltadas para a conscientização coletiva e à participação na defesa do ambiente, na qual os poderes públicos devem promover a difusão de campanhas educativas relativas ao meio ambiente, à participação das empresas públicas e privadas, meios de comunicação, ONGs, escolas e sociedade na formulação, execução e desenvolvimento de programas e atividades vinculadas com a EA (BRASIL, 1999). Para implementar de forma eficaz programas relacionados à EA não formal é imprescindível primar pela oportunidade de participação que deve ser dada a todos os envolvidos, permitindo questionamentos e soluções para os objetivos traçados. A realidade local sempre deve ser levada em consideração para a prática de EA, pois diz muito sobre os aspectos culturais e sociais do público-alvo (REIS et al.,2012). Nesta perspectiva, a EA aplicada no nível não formal pode ser entendida como aquela que se dá através de programas direcionados para a divulgação e fomento à geoconservação da geodiversidade, a serem aplicados fora do ambiente escolar formal, fora do contexto pedagógico, mas sem perder o caráter educativo. Sua importância se justifica pela ampla possibilidade de aplicabilidade em qualquer local dotado de geodiversidade, desvinculada do possível enrijecimento associado aos currículos e parâmetros escolares, sendo acessível à iniciativa e criatividade de seus proponentes, os quais podem realizar ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre a geoconservação das mais diversas formas, envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um público alvo variável em suas características: faixa etária, nível de escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, entre outros aspectos. Sua aplicabilidade se dá no GeoPark Araripe, por exemplo, com a realização de oficinas pedagógicas aplicadas nas comunidades residentes no entorno dos geossítios, as quais versam sobre a reutilização de materiais recicláveis, réplica de fosseis, biojóias, teatro de bonecos e livro de pano; colônia de férias, além das trilhas ecológicas. Vale ressaltar, que desde a implantação em 2010, o Centro de Interpretação e Educação Ambiental já recebeu, aproximadamente, 30.000 visitantes, e no mesmo período foram realizadas 497 oficinas já citadas, atendendo a um público estimado em 15.910 participantes, desde sua criação, já foram realizadas dezessete colônias de férias nos seis municípios que compreendem o território do GeoPark Araripe, atendendo a um público estimado em 1.500 participantes, dados do último relatório do GeoPark Araripe. A EA não formal pode ser feita sob diversas formas, tais como: nos centros de interpretação ambiental, adequando a infraestrutura ao público estudantil; elaboração de painéis interpretativos e de material impresso adequados para cada nível escolar; realização de palestras, jogos e atividades lúdicas; exposições em museus; adoção da prática dos conteúdos em trabalhos de campo, o que pode ser feito em excursões e visitas guiadas, apoiadas por técnicos com capacidade adequada e formação científica; concepção e implementação de trilhas, percursos educativos e turísticos; enfim, pela dotação de espaços em que se enquadram os elementos patrimoniais em condições de informação para os visitantes e estudantes (ALMEIDA e PORTO JUNIOR, 2012). Referencias ALMEIDA, S. e PORTO JUNIOR, R. Projeto Ciclo das Rochas: um exemplo bem sucedido do uso do patrimônio geológico como estímulo ao aprendizado de ciências naturais. Anuário do Instituto de Geociências, v. 35, n.1, p. 28-33, 2012. BRASIL. Ministério do Turismo. Ecoturismo: orientações básicas. 2 ed. Brasília: MT, 2010.Lei Federal nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, 1999. GALVÃO, Maria. Neuma. Clemente. Educação ambiental nos assentamentos rurais do MST. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2007. REIS, L. C. L.; SEMÊDO, L. T. A. S.; GOMES, R. C. Conscientização Ambiental: Da Educação Formal a Não Formal. Revista Fluminense de Extensão Universitária, v. 2, n. 1, 2012. SILVA, J. B. Educação Ambiental. In: CLAUDINO-SALES, V. (Org). Ecossistemas Brasileiros: Manejo e Conservação. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2003.
Palavras-chave: Sustentabilidade, Interdisciplinaridade,Geodiversidade
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Abrir o trabalhoGeociências, Artes e Filosofia: uma experiência de ensino interdisciplinar
PATRICIA ANSELMO DUFFLES TEIXEIRA; Lucas Nogueira Gonçalves; José Ricardo Lopes; Douglas Rodrigues; Ana Paula Boaventura
O ensino de Geociências no ensino médio e fundamental de forma fragmentada, dispersa e desatualizada, compromete o aprendizado. O processo dinâmico de aprendizagem, não passivo, exige a participação integral do indivíduo, incluindo a participação física. Métodos ativos de ensino trazem elementos de renovação, adequando os conteúdos para cada realidade particular e redefinindo o papel do professor, qualificando-o como norteador ou condutor. Com base nisso, um grupo de professores da rede estadual de ensino no interior do estado de São Paulo vem trabalhando de forma interdisciplinar, aplicando ferramentas de empoderamento e aplicação de conceitos na solução de problemas cotidianos. O segundo encontro de formação no Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Cunha, contou com a participação de alunos dos ensinos fundamental e médio da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, professores de ciências, artes e filosofia, pesquisadores da área de ecologia, geologia e geografia. Motivado pela experiência bem sucedida do ano anterior e partindo de uma demanda dos alunos em recuperar o ambiente físico degradado da escola, durante dois dias de atividades teóricas e práticas foram abordados assuntos interdisciplinares, com o objetivo de trocar conhecimento e integrar o conteúdo escolar e sua aplicação como elementos naturais. Os pesquisadores ministraram palestras sobre bioconstrução, destacando os monumentos históricos e construções locais, as técnicas de construção com barro e a história do cimento. Os alunos ministraram palestras sobre as condições de conservação de sua escola, destacando passado e presente e relatando como gostariam que fosse no futuro. Participaram também da coleta diferentes tipos de solo para a utilização nas oficinas. O professor de filosofia realizou palestra e dinâmica de empoderamento e pertencimento, estimulando o sentimento de propriedade e responsabilidade pelo ambiente escolar, bem como sua cidade e sua região. A professora de artes ofereceu uma oficina de pintura com tintas naturais, onde os alunos demonstraram resultados da dinâmica de filosofia e perceberam como a coloração reflete diferentes tipos de composição do solo. Foi realizada uma oficina de bioconstrução, na qual os alunos tiveram oportunidade de construir seu próprio tijolo de barro. Nesta oficina foram trabalhados os conceitos de granulometria do solo, teor de umidade, plasticidade e coesão. O surgimento desta demanda, partindo dos alunos que participaram do primeiro encontro de formação no ano anterior, reflete o sucesso de atividades que promovem a interação entre grupos escolares e pesquisadores.
Palavras-chave: Educação,Geodidática,interdisciplinaridade
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Abrir o trabalhoGeodidática: uma experiência no Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha, SP
PATRICIA ANSELMO DUFFLES TEIXEIRA; Lucas Nogueira Gonçalves; José Ricardo Lopes
As Geociências compõem uma área interdisciplinar e está presente no cotidiano das pessoas. Porém, este assunto é tratado nos ensinos fundamental e médio de forma fragmentada, dispersa e desatualizada, normalmente incluído nas disciplinas de Ciências e Geografia. Na maioria das vezes, os professores não estão devidamente preparados para discutir o assunto, fazendo com que os alunos tenham uma compreensão insatisfatória a respeito do funcionamento do Planeta Terra. Ações que promovam a interação entre os ensinos fundamental e médio e as universidades podem minimizar essa lacuna de conhecimento. O lançamento da edição 2017 do 8º Grande Desafio do Museu Exploratório de Ciências da UNICAMP motivou um grupo de professores dos ensinos fundamental e médio da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo a orientar seus alunos nesta atividade, que consistia no desenvolvimento de um projeto de acessibilidade para turismo em ambientes naturais. Essa motivação levou à realização do primeiro encontro de formação no Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Cunha, com a participação de alunos, professores, funcionários do parque, pesquisadores da área de ecologia e geologia, montanhistas e um Cabo do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. O objetivo do encontro foi promover a troca de conhecimento, integração com o conteúdo escolar e sua aplicação em ambiente natural. Durante dois dias de atividades foram abordados assuntos variados estimulando a criatividade dos alunos para a elaboração do projeto a ser desenvolvido no desafio proposto favorecendo o aprendizado através da experiência. Os pesquisadores ministraram palestras sobre, turismo sustentável e modelos de acessibilidade praticados em unidades de conservação, destacando os impactos no meio físico e biótico. Os funcionários do parque ministraram palestras sobre a biodiversidade local e fizeram demonstrações das atividades de pesquisa desenvolvidas no parque. O grupo fez uma trilha pelo parque, onde foram destacados os aspectos abordados nas palestras. Os alunos ministraram palestras sobre “Física” e “Liderança em projetos educacionais”. Os princípios de física apresentados pelos alunos foram demonstrados a partir de atividade prática, através da montagem de um sistema de polias, com a supervisão de montanhistas e do cabo do corpo de bombeiros. Idealizada para dar apoio, incentivo e estimular a criatividade dos alunos para a participação do desafio, esta atividade foi muito além de seu objetivo inicial. No local está instalado o Laboratório de Hidrologia Florestal “Engenheiro Agrônomo Walter Emmerich”, administrado pelo Instituto Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, um dos maiores laboratórios de pesquisa a céu aberto da America Latina. Alunos e professores tiveram a oportunidade não só de observar uma estação meteorológica, como também de participar da aquisição de dados científicos. A interação entre grupos escolares e pesquisadores contribui para a formação de alunos e profissionais e motiva o interesse por atividades científicas. O projeto desenvolvido pelos alunos que participaram desta experiência foi vencedor do 8º Grande Desafio do Museu Exploratório de Ciências da UNICAMP.
Palavras-chave: Educação,Geociências,Interdisciplinaridade
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Abrir o trabalhoImportância educativa e atrativo geoturístico de subfósseis vegetais existentes nas dunas de Galinhos (RN)
MARIA DAS VITÓRIAS DA SILVA; Maria Zuleide Carvalho Lima; Marcos Antonio Leite do Nascimento; Ivaniza Sales Batista
Fósseis são restos ou vestígios de organismos (animais e vegetais) preservados em rochas (ex.: ossos, dentes, escamas, troncos e vestígios de pegadas), evidenciando sua existência ou suas atividades. Para assim serem considerados devem, portanto, apresentar idade superior a 11.000 anos, ao contrário são denominados de subfósseis (CASSAB, 2010). Ambos são produtos altamente procurados, não só pela comunidade científica, mas pelo público em geral que se sente atraído pelo tema, o qual fornece informações que auxiliam no esclarecimento dos acontecimentos ocorridos em tempos remotos (há mil, milhões ou bilhões de anos). O estudo dos fósseis/subfósseis permite revelar sua idade, além da identificação da espécie, qual seu modo de vida, condições ambientais sob as quais de desenvolveram (clima do passado) e causas da morte ou da sua extinção. Atrelado a ideia educativa percebe-se um claro viés turístico, onde uma boa história, contada com requintes de detalhes e abordando uma volta ao passado com descrição de como poderia ter sido as características geomorfológicas, paleoambientais e climáticas de uma determinada área, são produtos altamente vendáveis como atrações turísticas. Dessa forma é possível fazer um link visando o chamamento para preservação dessas áreas fossilíferas que se encontram em áreas susceptíveis a ações antrópicas e que podem ocasionar seu desaparecimento. O Município de Galinhos está localizado na porção centro-norte do litoral do Rio Grande do Norte, distando 165 km de Natal. A área correspondente a esse município está geologicamente inserida em depósitos eólicos vegetados e não vegetados (campos dunares móveis) do período cenozoico, o qual é marcado pela evolução das planícies costeiras, especificamente no quaternário. Nesse contexto, existem subfósseis vegetais associados às regiões dunares, ainda pouco conhecidos pela comunidade geocientífica, que apesar de preliminarmente ter uma singular diversidade paleobotânica, pode se mostrar uma importante fonte para estudos, não somente para pesquisadores universitários, mas, para a comunidade educacional básica do município. Os subfósseis vegetais da área de estudo encontram-se local e verticalmente dispostos nas dunas. Os mesmos apresentam tecido vegetal substituído por quartzo hialino e amarelado e, mais raramente, por conchas (bivalves), cimentados por carbonato (Fig. 1). A conservação desses ambientes é uma tarefa complicada, que deve passar por um processo de conscientização a respeito da sua importância sob os aspectos educativos e turísticos. Estratégias educativas como a abordagem do tema “fóssil/subfóssil - o qué é? O que eles nos contam? E qual a sua importância?” em sala de aula, é uma das alternativas que impactam tanto a curto, quanto a longo prazo na formação da sensibilização da população, “massa crítica” quanto a esse tema. A construção dos recursos educativos são estratégias metodológicas didáticas que visam alcançar um resultado significativo na formação do pensamento científico. Piaget (1978) e Vygotsky (1991) advogam “o jogo”, por exemplo, como uma atividade lúdica capaz de favorecer a aproximação do indivíduo com o objeto, proporcionando momentos de descontração que facilitam o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. Dessa forma fica entendido que o desenvolvimento de uma atividade lúdica favorece o processo de ensino aprendizagem, ao mesmo tempo funciona como agente multiplicador de conhecimento, o que pode auxiliar na preservação desses patrimônios paleobotânicos.
Palavras-chave: Galinhos (RN), Dunas, Subfósseis vegetais, Patrimônio paleobotânico
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Abrir o trabalhoInventário do Patrimônio Geológico e ambientes de aprendizagem: estudo de caso nos núcleos Picinguaba e Caraguatatuba, no Parque Estadual da Serra do Mar (SP)
ELIANA MAZZUCATO; Denise de La Corte Bacci
Os núcleos Picinguaba e Caraguatatuba do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) abrangem principalmente os municípios de Ubatuba e Caraguatatuba em São Paulo. Esses municípios são caracterizados por ocupações costeiras concentradas nas planícies e nos sertões (voltadas para a Serra do Mar) representando remanescentes da cultura caiçara e quilombola. A paisagem da região é dominada pela Mata Atlântica que se diferencia em relação ao gradiente altitudinal da Serra do Mar em interação com os ambientes costeiros, representando uma biodiversidade única. A geodiversidade também se integra a essa riqueza natural e cultural, composta essencialmente por aspectos petrológicos, mineralógicos, tectônicos e geomorfológicos associados aos eventos de evolução do Supercontinente Gondwana. Estudos de inventários do Patrimônio Geológico identificaram um total de 22 geossítios em Ubatuba e Caraguatatuba (Garcia, 2019). Com o objetivo de promover atividades educativas nos geossítios inventariados, Mazzucato (2017) e Mazzucato et al (2018) desenvolveram cursos de formação para gestores, monitores ambientais e professores da rede municipal, visando divulgar o Patrimônio Geológico e promover sua conservação. O presente artigo traz o enfoque sobre a importância do inventário do patrimônio geológico para os trabalhos de campo realizados durante os cursos de formação, realizados entre 2016 e 2017 nos núcleos Picinguaba e Caraguatatuba, no PESM. Os seguintes questionamentos são propostos para a avaliação: os sítios escolhidos a partir do inventário do patrimônio geológico local foram adequados à proposta do curso? Os conteúdos e as atividades desenvolvidas nos locais de interesse geológico foram significativos na aprendizagem dos participantes? Como os participantes integraram o aprendizado à sua atuação profissional? Desse modo, em atenção aos questionamentos levantados nesta pesquisa observa-se que: - O inventário do patrimônio geológico não é o resultado final da pesquisa em uma área inventariada, mas dá início à uma série de possibilidades de utilização dessas informações em outras atividades, projetos e programas. - Nos cursos, por restrições de transporte, foram escolhidos os pontos de observação próximos à sede das unidades, a partir dos critérios de acessibilidade, alto potencial didático, e representatividade dos principais aspectos levantados nos geossítios, sendo estes: Trilha das Conchas e Trilha Praia do Puruba (Ubatuba) e Trilha do Jequitibá (Caraguatatuba). Foram utilizados roteiros geointerpretativos produzidos pelo NAP GeoHereditas (Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo). Tais locais foram integrados ao inventário dos sítios da geodiversidade do litoral norte de São Paulo (Arruda et al., 2017), confirmando o valor didático identificado. O conhecimento prévio dos participantes de alguns desses pontos contribuiu para a troca de saberes científicos e saberes locais, como lendas, forma de uso e significado para as comunidades. - Os trabalhos de campo foram acompanhados de etapas pré e pós-campo. O pré-campo abordou elementos introdutórios sobre Geociências, com discussões acerca da geodiversidade local. Durante a atividade, de acordo com Mazzucato et al. (2018) a abordagem promoveu uma observação direcionada e ampliada dos conteúdos teóricos sobre geodiversidade e patrimônio local, correlacionando-os à realidade socioambiental. As atividades consistiram em explanações em pontos específicos durante as trilhas, com questionamentos, indagações e contribuições dos participantes a partir do seu conhecimento do local (Figura 1). Foram utilizados bússola, lupa, cadernetas de campo, cartas e mapas como recursos didáticos e materiais de apoio para observações nos pontos de interesse. No pós-campo, discutiu-se as implicações da atividade desenvolvida no cotidiano dos participantes e como poderiam integrar esses conhecimentos à sua prática profissional, seja na gestão, na condução de atividades turísticas guiadas, ou no ensino escolar. Foram propostas pelos participantes medidas de geoconservação dos locais visitados utilizando-se de metodologias participativas (world café e mapeamento socioambiental). Como conclusão, salientamos que o campo foi gerador de discussões e questionamentos com relação aos atributos físicos da paisagem, a partir do inventário. O campo despertou o interesse dos participantes na compreensão dos fenômenos e processos naturais, principalmente relacionados à origem dos materiais terrestres, evolução das paisagens, composição das rochas e formação das praias, dinâmica fluvial e climática, ressaltando a importância da abrangência dos aspectos locais Para além da compreensão do meio físico, reflexões sobre a ocupação urbana, a presença de populações tradicionais e os impactos antrópicos sobre a biodiversidade também foram aspectos de interesse dos participantes. Num contexto de aprendizagem significativa, a saída de campo com foco no lugar é essencial para promover a compreensão das relações de um conjunto de conceitos geológicos e geomorfológicos com a realidade local, permitindo ainda integrar os saberes dos participantes, como a biodiversidade e riqueza sociocultural da região. Nesse sentido, o inventário do patrimônio geológico serviu de base para o curso de formação e orientou a saída de campo, contribuindo para o estabelecimento de um novo olhar dos moradores locais para com o patrimônio geológico local e para sua conservação. Fig. 1 – Trabalho de campo desenvolvido na Praia do Puruba, Ubatuba – SP. Referências Arruda K.E.C, Garcia M.G.M, Del Lama E.A, Mucivuna V.C., Reverte F.C. 2017. Métodos de Seleção e Propostas de Uso dos Sítios da Geodiversidade: Exemplo do Litoral Norte do Estado de São Paulo, Brasil. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ, 40(3):24-47. Garcia M.G.M. 2019. Inventory and assessment of geosites to stimulate regional sustainable management: the northern coast of the state of São Paulo, Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências. 91(2). Mazzucato E. 2017. Estratégias de Geoconservação no Parque Estadual da Serra do Mar – núcleos Picinguaba e Caraguatatuba (SP). Dissertação, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, 320p. Mazzucato E, Bacci D.C., Santos V.M.N. 2018. Educação para a geoconservação: reflexões da experiência no Parque Estadual da Serra do Mar (SP). Terrae Didática, 14(4):417-426. Santos P.L.A. 2014. Patrimônio Geológico em áreas de proteção ambiental: Ubatuba-SP. Dissertação, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 207 p.
Oral
Abrir o trabalhoMestrado em Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente: Espaço importante de difusão do conhecimento sobre Patrimônio Geológico
JOSELISA MARIA CHAVES; Marjorie Cseko Nolasco; Jocimara Souza Brtito Lobão; Washington de Jesus Sant’Anna da Franca Rocha; Carlos César Uchôa de Lima; Rodrigo Nogueira Vasconcelos
Introdução A universidade é um espaço de difusão do conhecimento por ser reflexivo, crítico, plural, de formação continuada. Com diferentes desafios, em especial na atualidade, as universidades públicas, apesar dos cortes orçamentários, não deixam de cumprir sua missão. Como reflete Jesus (2011) a universidade se constitui em um local ímpar, privilegiado para a produção/reprodução crítica do conhecimento, sendo socialmente relevante e pautado pela ética. Nesse universo um dos espaços de efervescência do conhecimento é a Pós-graduação, seja lato sensu, seja stricto senso. O Programa de Pós-graduação em Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente (PPGM), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), tem se constituído, desde a sua criação em 2006, um espaço de conhecimento sobre as Ciências Ambientais, e dentro delas da Geodiversidade e Patrimônio Geológico. Esse artigo tem como objetivo destacar essa produção, tornando público os entrelaçamentos entre Modelagem das Ciências da Terra e do Ambiente, Geodiversidade e Patrimônio Geológico. Materiais e Método Para realização da pesquisa levantou-se dados das 12 turmas do mestrado, de 2006 a 2018. Foram analisadas as 115 dissertações defendidas, entre mestrandos brasileiros e estrangeiros, cuja inserção a partir do ano de 2011, se deu com geoturismo em Havana, com uma estudante cubana. As dissertações foram classificadas a partir de temáticas, levando em conta os títulos e principais objetivos. Destacou-se em especial, dados das dissertações, com temáticas que tivessem relação direta com o tema Geodiversidade e Patrimônio Geológico. Resultados A partir da tabulação dos dados observou-se que em sete das doze turmas a temática vinculada à Geodiversidade é analisada de forma mais direta. Na décima turma, com defesas em 2018, 45% dos mestrandos, abordaram temáticas relacionadas à geodiversidade. Um destaque é o trabalho de Pires (2018), cujo título foi “Estudo de Métodos de Avaliação da Geodiversidade e sua Aplicabilidade na Chapada Diamantina” Já a mestranda cubana Thaishell Gonzales Peñalver, em 2012, desenvolveu uma dissertação, cujo tema foi “Potencial Geoturístico do Entorno da Cidade de Habana”, baseada em geossítios daquela localidade. O amadurecimento adquirido no processo de construção dessas pesquisas culminou na criação, em 2019, de uma disciplina para que tratar especificamente dessa temática baseada em vários autores de referência (BUREK, C. V. & PROSSER, 2008; BRILHA, J. 2005; CHAKRABORTY, A.; MOKUDIA, K.; COOPER, M.; WATANABE, M.; CHAKRABORTY, S (ed.). 2018; DOWLING, R; NEWSOME, D. (Eds.). 2010; GARCÍA-CORTÉS A. & URQUÍ L. C. -2009; GRAY, M. -2004; OLLERO OJEDA, A. 2017; NASCIMENTO, M. A. L.; RUCHKYS, U.; MANTESSO-NETO, V. 2008; REYNARD, E.; BRILHA, J. (ed.). 2018), similar a propostas desenvolvidas em programas de outros estados. Um ponto de destaque nesta trajetória foi a participação do professor Dr. José Brilha entre 2008-2013, em campo de disciplinas que, destacavam a importância do patrimônio Geológico no Estado da Bahia, principalmente na Chapada Diamantina-BA, onde a UEFS possui um unidade avançada, o Campus Avançado da Chapada Diamantina- CACD, que abriga atividades de pesquisa, ensino e extensão, todas visando a valorização do enorme patrimônio natural da região, local inclusive do III Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico, em 2015. Entretanto, devem-se mencionar pesquisas anteriores realizadas pelos atuais professores do programa que, indiretamente, tendiam a valorização da geodiversidade e patrimônio com inserção de alunos de iniciação científica a exemplo Trilhas de Igatu: bases para o Turismo Sustentável e a Conservação Ambiental; Sistema Integrado de Informação Ambiental da Chapada Diamantina, dentre outros. Como também, os trabalhos que apoiam diversas propostas de Geoparques que vem sendo desenvolvida no Estado, “Geoparque Morro do Chapéu, a modelagem de trilhas e identidade” (Silva, 2017) ou, em desenvolvimento, como os trabalhos: “Rio ou área úmida? Estudos sobre o Marimbus”, “Trilhas Femininas de Igatu” no Geoparque Serra do Sincorá. Conclusões A principal conclusão do estudo é que o tema Geodiversidade permeia parte importante dos estudos realizados no Mestrado do PPGM - UEFS, e tem grande potencial para desdobramentos e aprofundamentos, tanto em função da experiência acumulada como também da abordagem inovadora com qual a temática tem sido tratada. Além disto, aponta a importância, frente as diversas propostas de Geoparques da Bahia, de aumentarmos as redes de colaboração entre Pós-graduações, para apoiar seus desenvolvimentos, compreendidos como interdisciplinares por excelência.
Oral
Abrir o trabalhoOlhólhó! Contando histórias da geodiversidade de Florianópolis
GILSON BURIGO GUIMARÃES; ROBERTA ALENCAR; NAIR FERNANDA BURIGO MOCHIUTTI
A formação na área de geociências nos empodera com ferramentas e responsabilidades, incluindo a possibilidade de divulgação de conhecimentos sistematizados. A partir das leituras de artigos, livros, paisagens e da própria sociedade ampliamos o saber, agregando o popular ao erudito, construindo uma compreensão do complexo Sistema Terra. Sensíveis à realidade, passamos a transformar o olhar e o cuidado pelo espaço geográfico em que vivemos, seja ele local ou global, enfatizando as relações entre os meios naturais e as decisões políticas, econômicas, artísticas e a atuação como geocientistas, adotando-se uma conduta pautada em princípios (geo)éticos. É em sintonia com valores apontados na Declaração da Cidade do Cabo sobre Geoética (DI CAPUA et al., 2017) que profissionais das Ciências da Terra devem trabalhar pela proteção da geodiversidade como um aspecto essencial ao desenvolvimento da vida, assim como também pela promoção do patrimônio geológico, numa estratégia que fortaleça o sentimento de pertencimento das pessoas pelo seu ambiente. E para o êxito destas ações, uma via particularmente promissora está em que o significado e as relações da sociedade com a geodiversidade do lugar onde se vive sejam apresentados desde o Ensino Básico. Na capital do estado de Santa Catarina há rochas, manguezais e campos de dunas no caminho. A origem e formação desses e outros elementos da geodiversidade de Florianópolis não são temas comumente abordados na sala de aula daqueles que ensinam e aprendem na educação básica. Segundo o saber popular, as paisagens são oriundas da ação do mar. Este foi e ainda é o grande modelador das belezas naturais da Ilha de Santa Catarina e porção continental do município. Tal saber não está errado, mas incompleto. Como geocientistas, fomos então sensibilizados a compartilhar nossas leituras e vivências no livro Um pedacinho de terra e muitas histórias para contar: a geodiversidade de Florianópolis (financiado pelo Edital 009/2018 de Apoio às Culturas do Fundo de Cultura da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes). Tendo como inspiração uma experiência desenvolvida coletivamente com crianças do 6º ano do Ensino Fundamental do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (ALENCAR, 2013), esta modalidade de intervenção paradidática foi retomada em 2019. Enriquecida com ilustrações de alunos da Escola do Engenho, culminou com a transposição de saberes na forma do livro aqui apresentado (Fig. 1a), com tiragem de mil exemplares e que foi distribuído nas escolas da rede municipal de Florianópolis. No livro, apresentamos a história geológica de Florianópolis partindo da percepção da própria vida da criança e das mudanças no seu corpo, fazendo uma relação com as alterações da paisagem. Na sequência, narramos a formação das “terras altas” do município, onde estão incluídos os maciços, costões e ilhotas, enfatizando as principais rochas que as sustentam, explorando aspectos da gênese, idades, minerais essenciais e formas de exposição na superfície. Depois falamos das “terras baixas”, correspondentes à planície costeira, com ambientes constituídos nos últimos 120 mil anos, como praias, dunas e lagoas, explicando a origem dos materiais que os compõem e os processos envolvidos na sua gênese. Neste momento abordamos as variações do nível do mar ao longo do Quaternário, eventos importantes na constituição da paisagem florianopolitana. Na segunda metade da obra apresentamos algumas das relações entre a geodiversidade e o ser humano em Florianópolis. Começamos pela sociedade dos homens do Sambaqui e seus registros líticos, passamos pelas interferências na paisagem com a construção de aterros mecânicos e hidráulicos nas porções continental e insular do município e falamos sobre as ocupações em áreas de risco e a necessidade de cuidado e planejamento territorial. A mensagem final fala da importância de se conhecer e valorizar a geodiversidade de onde vivemos, explorando para isso os valores propostos por Gray (2004). Adicionalmente, há um glossário para facilitar o entendimento de termos pouco usuais para as crianças. Como um extra, sugerimos um conjunto de 16 atividades de pesquisa, leitura e campo, as quais poderão ser desenvolvidas pelas crianças do 6º ano do Ensino Fundamental, público-alvo do livro, ou propostas pelos educadores interessados pela temática da geodiversidade local. Paralelo à publicação do livro, o projeto também contemplou a confecção de um marcador de páginas que apresenta o conceito de geodiversidade e a possibilidade de acessar esta publicação em formato PDF (bit.ly/umpedacinhodeterra e pelo QR Code; Fig. 1b). Fig. 1 – a) Capa do livro Um pedacinho de terra e muitas histórias para contar: a geodiversidade de Florianópolis; b) Frente e verso do marcador de páginas, com endereço e QR Code para acesso à versão do livro em PDF. Referências Alencar R. 2013. A geodiversidade da Ilha de Santa Catarina: explorando seu valor didático no 6º ano do Ensino Fundamental. Dissertação de mestrado. Pós-graduação em Geografia, Universidade Federal de Santa Catarina, 181 p + 5 anexos (inclui a cartilha “As rochas e suas histórias: a geodiversidade da Ilha de Santa Catarina). Disponível em http://tede.ufsc.br/teses/PGCN0520-D.pdf. Acesso em 23 de julho de 2019. Di Capua G, Peppoloni S, Bobrowsky PT. 2017. The Cape Town Statement on Geoethics. Annals of Geophysics, Vol. 60, Fast Track 7, doi: 10.4401/ag-7553. Gray M. 2004. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. Chichester: Wiley. 434 p.
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Abrir o trabalhoWeb série “Salvador, há milhões de anos: origem e evolução do território soteropolitano e da Baía de Todos os Santos” uma proposta metodológica para divulgação das geociências
LAILA MILANI MAGALHÃES; RICARDO GALENO FRAGA DE ARAÚJO PEREIRA
“Salvador, há milhões de anos” é o título de uma proposta metodológica de web série baseada na elaboração de documentários educativos, com a finalidade de divulgação científica, focada nas Geociências, que conta a história da origem e evolução do território de Salvador e da Baía de Todos os Santos, a partir de grandes eventos naturais que ocorreram ao longo do Tempo Geológico e estão relacionados com a dinâmica do Planeta Terra. A série, que foi criada como parte de um Trabalho Final de Graduação - TFG da autora, também aborda como o relevo da cidade influenciou na história de ocupação territorial e identidade sócio-cultural da capital baiana, uma vez que este elemento da geodiversidade foi determinante na escolha do local para a sua instalação e em seu desígnio como primeira capital do Brasil. Os episódios da série consistem em gravações feitas em “sítios geológicos” da cidade, cuja escolha levou em consideração os aspectos científicos, pedagógicos, turísticos e culturais de um, bem como a representatividade dos principais eventos geológicos que resumem a formação do território soteropolitano e da Baía de Todos os Santos. Dentre estes locais, podemos destacar: Praia do Farol da Barra e seu entorno; dunas e lagoas do Abaeté, Ponta de Humaitá e a região da Avenida Contorno e Elevador Lacerda, que são também pontos turísticos consagrados da capital baiana e foram inventariados no aplicativo GEOSSIT, desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil - CPRM. Além das gravações externas nos sítios, os capítulos serão acrescidos de ilustrações de arquivo histórico da cidade; técnicas de animação e entrevistas com profissionais das áreas de geologia, geografia, história, urbanismo e educação, além de artistas e figuras populares dos locais das filmagens. As características geológicas de Salvador são marcantes em sua paisagem, a começar pelo relevo acidentado e pelo desnível topográfico da cidade baixa e da cidade alta, que foi estratégico e influenciou, sobremaneira, a história de ocupação do território soteropolitano. A própria escolha de Salvador para ser a primeira capital do país e principal porto do hemisfério sul durante muitos anos, teve influência da sua geologia, visto que o terreno fornecia a proteção natural da montanha, fontes de água potável e uma vista privilegiada da Baía de Todos os Santos, situada na margem oeste da península, o que contribuía para a defesa da cidade contra invasões estrangeiras. Grande parte dos pontos turísticos da cidade são também pontos de interesse geológico, o que concerne à Salvador um potencial para o desenvolvimento do “geoturismo”, cujo foco está na apreciação e compreensão da natureza e no uso sustentável do patrimônio natural geológico. Durante muito tempo, a atuação dos geólogos se restringiu aos trabalhos técnicos vinculados à provisão de recursos naturais, sem a divulgação da ciência para outros segmentos da sociedade. Embora tenham crescido nos últimos anos, as ações em geoeducação ainda são incipientes no Brasil. Neste contexto, as universidades brasileiras – centros privilegiados do saber - têm o papel de democratizar a informação e contribuir para o desenvolvimento da sociedade, fomentando trabalhos de divulgação científica que visem a popularização da geologia, fazendo uso de uma linguagem acessível que possa ser compreendida por públicos diversos. Na tentativa de buscar financiamento para a produção desta web série, como resultado do TFG, em maio deste ano foi encaminhada uma proposta para o Edital Setorial do Audiovisual FCBA 2019, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, que contou com cartas de apoio institucionais do Instituto de Geociências da UFBA, Museu Geológico da Bahia – MGB, Museu Náutico da Bahia, UNIDUNAS e Caranguejeira Filmes. No mês de junho, uma nova proposta foi inscrita na Chamada Pública CAMP 2019, promovida pelo Instituto Serrapilheira. No momento, ambas se encontram em fase de avaliação. A iniciativa de produzir uma web série de documentários sobre a geologia de Salvador tem potencial para: - Promover a divulgação científica de conteúdos relativos à história geológica de Salvador, contribuindo para o empoderamento dos seus cidadãos, na medida que os mesmos se apropriam de conhecimentos sobre a geologia da cidade e que foram marcantes na sua trajetória histórica; - Contribuir para a popularização das geociências, difundindo conhecimentos gerados na academia com linguagem acessível ao público leigo; - Despertar e/ou fortalecer a identidade territorial; - Formar cidadãos conscientes sobre a importância da conservação do patrimônio geológico e natural, bem como sobre as condições de uso e ocupação do espaço geográfico; - Valorizar aspectos geológicos na atividade turística e, com isso, implementar roteiros geoturísticos na cidade. Tendo em vista o número crescente de documentários de natureza enfocando aspectos relativos à geodiversidade e à dinâmica natural do planeta Terra, essa proposta metodológica consiste em uma iniciativa pioneira no Estado da Bahia, que é carente de iniciativas de divulgação científica e promoção do conhecimento vinculado às geociências nos níveis básicos da educação formal, apesar de ser consagrado como um dos Estados brasileiros mais bem conhecidos do ponto de vista geológico, em função das oportunidades vinculadas ao seu potencial mineral.
Oral
Abrir o trabalhoOral
Abrir o trabalhoAplicação da aerofotogrametria com drones na caracterização e planejamento de geossítios: O caso do Cânion do Rio Sergi
WASHINGTON DE JESUS SANTANNA DA FRANCA ROCHA; Thaison Monteiro de Jesus; Rafael Oliveira Franca-Rocha; Diêgo Pereira Costa; Dante Severo Giudice; Ana Maria de Lima Santos
O Cânion do Rio Sergi, localizado a noroeste da sede do município de Santo Amaro, no Estado da Bahia, faz parte de um sistema de cânions esculpidos pelos rios da bacia hidrográfica do Rio Subaé, que foram decretados em 2006 como Monumento Natural Estadual, por apresentar atributos geológicos/geomorfológicos de relevante interesse estético, cultural e científico. Considerando a integridade do geossítio e sua vulnerabilidade à processos naturais e a ações humanas, trabalhos de inventariação mais criteriosos em um menor intervalo de tempo são fundamentais, a fim de garantir a conservação e proteção do patrimônio geológico. Os VANT´s, também conhecidos como “drones”, vem auxiliando profissionais de diversas áreas no planejamento e gestão reduzindo tempo, custo e risco. Os avanços tecnológicos alcançados nos últimos anos tem possibilitado enormes facilidades na obtenção e manipulação de informações geográficas a partir do seu uso. Paralelamente, as aplicações dadas a essas ferramentas, em diversas áreas do conhecimento, tem sido imensuravelmente ampliada. Planejamento agropecuário, ambiental e da construção civil são alguns exemplos de sua utilização. Deste modo, a aerofotogrametria com uso de drones possui grande potencial de implementação no inventário e planejamento de geossítios, uma vez que a escala dessas localidades exige a obtenção de informações detalhadas do terreno e os produtos gerados por esta técnica atendem perfeitamente esta demanda. As possibilidades de aplicação perpassam por avaliação de áreas de risco, delimitação de trilhas e identificação de pontos de interesse, dentre outros. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar o potencial do uso da aerofotogrametria com drones como ferramenta para auxiliar na caracterização do geossítio proposto. A captura de imagens foi realizada no dia 12 de janeiro de 2019 às 15 horas da tarde utilizando o quadcoptero Phantom 4 PRO com sensor CMOS (complementary metal-oxide semiconductor) de 20 megapixels de resolução. O levantamento foi planejado utilizando o Drone Deploy, aplicativo de voo automatizado voltado para drones da empresa DJI. O local de partida foi selecionado através da avaliação do terreno buscando uma cota de segurança para evitar a colisão da aeronave com paredões ou árvores. O voo foi realizado à uma altura de 100 metros da cota de partida e as fotos capturadas com nível de sobreposição frontal e lateral de 75%. foram sobrevoados aproximadamente 6 hectares de uma parte do Cânion. As imagens foram pós-processadas utilizando o software Agisoft Photoscan v. 1.4.0 e analisadas com Qgis v. 2.18.23. A partir das imagens realizadas com o voo automatizado foi gerado o ortomosaico da área levantada, modelo digital de superfície (MDS) (Fig. 1), modelo 3D Modelo digital de Terreno (MDT), Declividade, curvas de nível de 1 metro e o Índice de Vegetação VARI - (Visible Atmospherically Resistant Index). Os produtos obtidos pelo uso da aerofotogrametria por VANT permitiram a identificação de feições com potencial de aproveitamento didático, possíveis delimitações de trilhas e mirantes, áreas de risco geológico, acessibilidade e seu estágio de conservação / preservação. A aplicação da técnica apresentou grande potencial de utilização por gestores e tomadores de decisão para melhor promover a conservação e uso sustentável desses patrimônios geológicos.
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Abrir o trabalhoAvaliação da Geocomunicação por meio de Análise SWOT Parque Geológico do Varvito
ANDREA DUARTE CANIZARES; Chistine Laure Marie Bourotte
A preocupação central da conservação da geodiversidade, conjunto de elementos da natureza abiótica, é a baixa prioridade dada pelo público para esse assunto pois sua importância é pouco percebida e o indivíduo dificilmente valoriza aquilo que desconhece. Dessa forma, a comunicação é fundamental para promoção de uma melhor percepção da geodiversidade e, consequentemente, sua conservação (Stewart, 2013). Os geossítios são excelentes cenários para a comunicação das Geociências, a Geocomunicação, pois permitem o encantamento do público por meio de uma história que ali pode ser contada e, dessa forma, facilita a absorção de conceitos complexos nela permeados e promove o engajamento do público (Somerville & Hassol, 2011). Nesse sentido, temos em São Paulo um geossítio, escolhido a partir do inventário do patrimônio geológico do Estado realizado por Garcia et al. (2018), o Parque Geológico do Varvito, que ilustra um exemplo bastante propício para comunicação da geodiversidade. Trata-se de um parque municipal que reúne o mais valioso conjunto de elementos da geodiversidade, testemunhos da glaciação do Paleozóico tardio no sudeste brasileiro, incluindo estruturas sedimentares, seixos caídos, icnofósseis, dentre outros elementos de singular relevância. O Parque possui notória vocação para o ensino, figurando em atividades de campo de estudantes do nível fundamental à pós graduação, bem como em pesquisas científicas (Guimarães et al., 2018). Dessa forma, para entender a situação atual da comunicação em uso no Parque, faz-se necessária uma análise estratégica sistemática e integrada que pode ser realizada por meio do uso da análise SWOT. A análise SWOT é uma metodologia de diagnóstico estratégico que busca o entendimento do ambiente situacional de forma sistemática e racionalizada mapeando as forças (S: strenghts) e fraquezas (W: weaknessess) internas, e as oportunidades (O: opportunities) e ameaças (T: threathens) externas (Kotler e Keller, 2012). O uso dessa metodologia vem crescendo em diversos segmentos voltados para a geodiversidade como por exemplo, os geoparques, recuperação ambiental de áreas de mineração e turismo, podendo ser ilustrado por alguns trabalhos: análise ambiental de unidades de conservação em Bertioga (Banzato, et al., 2012), análise de parque nacional na China (Hong e Chan, 2010), avaliação do potencial geoeducacional de relevos de mineração na República Checa (Kubalíková, 2017) e análise de geoturismo em geoparque no Seridó (Medeiros, et al., 2017), entre diversos outros. O presente trabalho realizou a análise SWOT do Parque Geológico do Varvito para subsidiar futuras formulações de estratégia de comunicação. Para esta análise utilizou-se como insumo a percepção de professores, estudantes e pesquisadores que realizam trabalhos de campo no Parque, alguns visitantes, entre outros indivíduos como gerente administrativo; referências bibliográficas; conteúdos veiculados na mídia e observações diretas em campo. Os dados obtidos foram organizados em uma matriz de quatro quadrantes e classificados segundo sua relevância no cenário atual de acordo com o seguinte critério dos autores: 0- nenhuma/baixa, 1-média, 2-alta. A Figura 1 apresenta os aspectos relacionados à Geocomunicação identificados como de alta relevância. Figura 1 Percebe-se uma descontinuidade das ações de comunicação e a falta de visão integrada e estratégica da mesma, o que faz com que o Parque ofereça ao visitante uma visão fragmentada de seu contexto geológico e contribua muito aquém de seu potencial com a disseminação de conceitos importantes das Geociências. Stewart (2013) propõe o uso de temas geocientíficos de grande popularidade, para capturar o interesse do público. O Parque do Varvito poderia explorar de forma epopeica a separação do Super Continente Gondwana e existência de geleiras no Brasil que engajariam os indivíduos pelo seu fascínio. Para isso, entre outras ações, a linguagem dos painéis poderiam ser revistas e sua ordem de disposição alterada para melhor compor a sucessão de relatos dessa história. As ilustrações poderiam instigar mais a imaginação do público quanto ao paleoambiente. O amplo uso por escolas torna relevante que se promova uma percepção integrada das Geociências, que permita o indivíduo a conectar os aspectos das Geociências que são ensinados na educação formal de forma fragmentada. A análise SWOT oferece uma visão geral da situação da Geocomunicação no geossítio e, a partir desses resultados, metodologias de priorização podem ser utilizadas para em trabalhos futuros para formular estratégias de comunicação. Referências Banzato, B. M., Favero, J. M., Arouca, J. A. C., Carbonari, J. H. B. 2012. Análise Ambiental de Unidades de Conservação através dos Métodos SWOT e GUT: O Caso do Parque Estadual Restinga de Bertioga. Revista Brasileira de Gestão Ambiental. 6(1): 38-49. Garcia, M. G., Brilha, J., Lima, F., et al. 2018. The Inventory of Geological Heritage of the State of São Paulo, Brazil: Methodological Basis, Results and Perspectives. Geoheritage. 10: 239-258. Guimarães, G. B., Lima, F. F., Rocha-Campos, A. C. 2018. Varvite Park, a Brazilian Initiative for the Conservation and Interpretation of Geoheritage. In: Reynard, E., Brilha, J., Geoheritage: Assesment, Protection, and Management, 23, 405-416. Amsterdam: Elsevier. Hong C., Chan, N. 2010. Strenght-weakness-opportunities-threaths Analysis of Penang National Park for Strategic Ecotourism Management. World Applied Sciences Journal 10. (Special Issue of Tourism & Hospitality): 136-145. Kotler, P., Keller, K.L. 2012. Administração de Marketing. 14ª Edição. São Paulo, Pearson Universidades. 794p. Kubalíková, L. 2017. Mining Landforms: An Integrated Approach for Assessing the Geotourism and Geoeducational Potential. Czech Journal of Tourism, 6(2), 131–154. Medeiros, J. L., Nascimento, M. A. L., Perinotto, A. R. C. 2017. Análise SWOT e Turismo: Uma Avaliação Estratégica no Projeto Geoparque Seridó/RN. Ciência e Sustentabilidade - CeS. 3(1): 94-123. Somerville, R. C. J., Hassol, S. J. 2011. Communicating the Science of Climate Change. Physics Today. 64 (10): 48 Stewart, I., Nield, T. 2013. Earth stories: context and narrative in the communication of popular geoscience. Proceedings of the Geologists' Association. 124 (4): 699–712.
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Abrir o trabalhoAvaliação da percepção sobre o patrimônio geomineiro em Diamantina (MG)
JOÃO ANTONIO MOTTA NETO; Anderson Aparecido Silva
A conservação do patrimônio geológico vem crescendo cada vez mais, fazendo com que ações alusivas ao patrimônio geológico e mineiro sejam ampliadas constantemente devido a iniciativa de geocientistas (BRILHA, 2016). De acordo com Castro et alli (2015), trata-se de uma luta para a conscientização do poder público e para a divulgação da importância científica desses elementos para a sociedade. De acordo com Silva et alli (2005), a região de Diamantina (MG) apresenta diversos atrativos naturais com potencial geoturístico. No entanto, ainda são poucos os trabalhos que buscam conhecer melhor a percepção das comunidades que vivem no entorno desses elementos (VIEIRA, 2009; TEIXEIRA et ali, 2012). Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção da população residente sobre o patrimônio geológico e mineiro no município de Diamantina (MG). O presente trabalho foi realizado no município com a aplicação de 60 questionários (CASTRO et al, 2015) aplicados nos meses de setembro e outubro de 2018, com o objetivo de analisar a percepção da população sobre patrimônio geológico e mineiro na região. Após a coleta de dados, as informações foram sistematizadas e analisadas. Grande parte dos entrevistados possui entre 21 e 40 anos, todos residem no município de Diamantina, sendo que 65% residem a menos de 10 anos. A maior parte das pessoas são solteiras (72%), sendo que 62% dos entrevistados tem de 4 a 6 integrantes na família. A renda familiar mensal de 65% da população entrevistada é em torno de 2 a 3 salários mínimos mensais, e 92% dos entrevistados nunca teve nenhuma relação com a mineração. 35% dos entrevistados afirmaram possuir ensino médio completo, 36% dos entrevistados possuem ensino superior incompleto, 15% têm ensino superior completo, 5% das pessoas entrevistadas possuem pós-graduação. Cerca de 92% dos entrevistados disseram saber o que é patrimônio, independentemente do tipo. Foram citados como exemplo de patrimônio: dinheiro, casas, bens materiais e culturais, Igreja do Rosário, Centro Histórico e empresas passadas hereditariamente. 93% das pessoas acham importante conservar o patrimônio, 58% deles pensam que a responsabilidade de cuidar do patrimônio é de todos, sendo o restante dividido em responsabilidade do governo e do próprio proprietário. Por outro lado, 88% dos entrevistados demonstraram não saber o que é patrimônio mineiro. Quando foram perguntados se existe algum tipo de patrimônio relacionado a mineração na região, 72% disseram não saber. Situação semelhante ao ocorrido com o patrimônio mineiro, 73% afirmaram não saber o que é patrimônio geológico. Os resultados obtidos mostram que os entrevistados compreendem o que é patrimônio, fazendo uma forte associação a principalmente bens materiais. Entretanto, não conseguiram ter a percepção esperada sobre patrimônio mineiro e geológico. Uma pequena porcentagem soube definir o que é patrimônio mineiro e identificar onde está localizado no município, sendo igual resultado sobre patrimônio geológico. No entanto, grande parte dos entrevistados acha importante conservar o patrimônio independente de qual tipo seja. Considera-se que o acervo patrimonial na região de Diamantina (MG) pode servir de base para o crescimento de atividades turísticas ligadas ao patrimônio mineiro e geológico, sendo necessário a elaboração de planos de ação integrados junto à comunidade local, empresas privadas e comunidade cientifica com objetivo de se obter uma maior envergadura nas ações de geoconservação e geoturismo. Tabela 1 – Respostas consolidadas obtidas pela aplicação de questionários. Variável analisada Resposta Sexo: 52% masculino Idade: 57% tem entre 21 e 40 anos de idade Cidade de residência: 100% reside em Diamantina Estado Civil: 72% são solteiros Número de pessoas na família: 62% tem 4 a 6 pessoas na família Renda familiar mensal: 65% recebe de 2 a 3 salários mínimos Escolaridade: 35% tem ensino médio completo, 36% superior incompleto, 15% superior completo Meios de comunicação acessados: 31% TV, 53% internet Você sabe o que é patrimônio ?: 92% sim Há quanto tempo voce reside nesse local ?: 65% residem a menos de 10 anos em Diamantina De quem é a responsabilidade de cuidar do patrimônio?: 58% acha que é de todos Você sabe o que é patrimônio geológico?: 73% não Pode existir alguma atividade turística ligada ao patrimônio mineiro?: 82% sim Esse patrimônio mineiro pode trazer benefícios para a região?: 53% sim, 43% não sabe Você sabe o que é patrimônio mineiro?: 88% não sabe Existe algum patrimônio ligado a mineração aqui na região?: 72% não sabe Existe algum patrimônio geológico aqui na região?: 77% não sabe Voce acha importante conservar o patrimônio?: 93% sim Referências Brilha, J. 2016. Inventory and Quantitative Assessment of Geosite and Geodiversity Sites: a Review. Geoheritage, n. 2, v. 8, p. 119-134. Castro, A.R.S.F.; Mansur, K.L.; Carvalho, I.S. 2015. Diagnóstico da relação da comunidade com o patrimônio geológico por meio de instrumento de coleta de dados. Terræ Didatica, v. 11, n. 3, p. 162-172. Medeiros, W. D. A.; Oliveira, F. F. G. 2011. Geodiversidade, geopatrimônio e geoturismo em Currais Novos, NE do Brasil. Mercator. Fortaleza, v. 10, n.23, p. 59 – 69. Silva, A. C.; Pedreira, L.S.F.; Abreu, P.A.A. 2005. A Serra do Espinhaço Meridional: paisagens e ambientes. 1. ed. Belo Horizonte: O Lutador. 272p. Teixeira, I.S.N., Machado D.M.C., Castro A.R.S.F.de, Farias L.F. 2012. Uma ferramenta para compreender a apropriação do Patrimônio Geológico pela sociedade: um estudo sobre o Morro do Corcovado/Rio de Janeiro. Anuário Inst. Geociências UFRJ, 35(1):123-132. DOI: 2012_1_123_132.Vieira, A.C.M. 2009. O olhar da comunidade sobre o patrimônio: um estudo de caso no Parque Nacional da Tijuca. Rio de Janeiro: Univ. Fed. Rio de Janeiro. 96f. (Trab. Concl. Curso Bach. Museologia), 96f.
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Abrir o trabalhoAvaliação de planos de manejos como subsídio para a inserção do patrimônio geológico na gestão de áreas protegidas no Brasil: aplicação ao Parque Nacional do Itatiaia
VANESSA COSTA MUCIVUNA; Maria da Glória Motta Garcia; Emmanuel Reynard
A conservação da natureza envolve tanto elementos da biodiversidade quanto da geodiversidade. No que concerne aos aspectos abióticos, a Geoconservação inclui as ações de avaliação, conservação, valorização e gestão dos locais de interesse geológico. Apesar do patrimônio geológico constituir-se como parte integrante do patrimônio natural, as iniciativas para sua proteção não têm sido adequadamente integradas nas políticas e ações de conservação da natureza (Gordon et al. 2018). Nas áreas protegidas a situação não é diferente e apesar das recentes iniciativas de integração do patrimônio geológico pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) (Resoluções 4.040/2008 e 048/2012), a gestão destas áreas ainda é fortemente direcionada para a conservação da biodiversidade. No Brasil, as Unidades de Conservação (UCs) exibem notoriedade no que concerne à conservação da natureza e são regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com objetivos direcionados à manutenção, à proteção e à recuperação dos aspectos bióticos e abióticos. Para regular e orientar estes objetivos, as UCs devem elaborar o plano de manejo (PM) com o diagnóstico dos meios físico, biológico e social e descrever os objetivos gerais, as normas e as restrições de uso e visitação com base no zoneamento específico (Brasil 2000). Os PM são essenciais para nortear as ações de gestão das UCs, mas, em geral o contexto geológico e geomorfológico aparece como item pouco desenvolvido nestes documentos, o que dificulta a abordagem integrada entre bio e geodiversidade e reduz o potencial de uso do patrimônio geológico. O Parque Nacional do Itatiaia (PNI), foco deste estudo, foi criado em 1937 com 11.943 ha e em 1982 foi ampliado para cerca de 30.000 ha. Apesar do forte componente geológico, em particular o geomorfológico, caracterizado pelos litotipos e pelo relevo associado ao Maciço Alcalino de Itatiaia, os elementos da geodiversidade são, em geral, pouco explorados em relação ao seu grande potencial geoturístico. Sob este prisma, o objetivo deste trabalho é analisar como a geodiversidade está descrita e como o patrimônio geológico pode ser inserido no PM do PNI. Duas versões do PM estão disponíveis. A primeira, de 1982, abrange os limites iniciais (IBDF 1982) e a segunda, publicada em 2013, inclui a área ampliada (cerca de 57% da atual) (ICMBio 2013). A análise dos quatro encartes do PM atual (Quadro 1) foi realizada com base nas seguintes questões: 1) Como os elementos da geodiversidade são descritos?; 2) Os mapas geológicos e geomorfológicos indicam locais de interesse geológico?; 3) A caracterização física dos locais de interesse geológico é adequada? e 4) As propostas de uso público abrangem os locais de interesse geológico? A análise do PM do PNI permitiu identificar as possibilidades de integração do patrimônio geológico na gestão da UC. A partir desta análise, serão desenvolvidas fichas com avaliação e propostas de manejo de cada local de interesse geológico e geomorfológico, direcionadas aos gestores e visando a inclusão destes locais no PM do parque. Quadro 1. Síntese da análise do Plano de Manejo do Parque Nacional do Itatiaia com base nas possibilidades de inserção da geodiversidade e do patrimônio geológico na gestão da UC. Encarte Capítulo Descrição no plano de manejo Possibilidades de inserção da geodiversidade Contextualização do Parque Nacional do Itatiaia Enfoque estadual Programas e projetos de gestão focados na conservação dos aspectos biológicos; nos programas de Educação Ambiental; na construção de infraestruturas; e no apoio à criação de UC contíguas ao PNI. As instituições parceiras podem contribuir com o desenvolvimento de pesquisas; projetos de Educação e conscientização ambiental; atividades eco turísticas; e criação de roteiros turísticos. Apesar de não descrever sobre os elementos abióticos, os aspectos da geodiversidade e alguns sítios de interesse geológico poderiam ser incluídos nos programas de Educação e conscientização Ambiental. Análise da região da Unidade de Conservação Aspectos culturais e históricos A descrição, localização e usos dos sítios históricos e culturais foram caracterizados com base no patrimônio cultural e ambiental. A descrição do patrimônio ambiental poderia incluir os sítios de interesse geológico. Alternativas de desenvolvimento econômico e sustentável O uso sustentável dos recursos naturais é descrito através das possibilidades de fortalecimento da região por meio da criação de infraestrutura; reflorestamento e turismo. Inclusão e disseminação de conteúdos geocientíficos nas atividades turísticas. Análise do Parque Nacional do Itatiaia Caracterização dos aspectos abióticos e bióticos Caracteriza o meio físico (Clima, Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Hidrografia) e biológico (Fauna e Flora) através de descrições, mapas e figuras. A descrição foi baseada nas principais unidades geológicas e geomorfológicas, porém não foi avaliada os riscos de ameaça e degradação. Planejamento do Parque Nacional do Itatiaia Objetivos específicos de manejo do Parque Nacional do Itatiaia Doze objetivos para o manejo foram apresentados, nos quais, cinco se destacam em relação às possibilidades de integração com a geodiversidade: (i) proteger a paisagem e a beleza cênica representativa da Mata Atlântica, do Vale do Paraíba do Sul e da Serra da Mantiqueira; (ii) proteger as nascentes das bacias hidrográficas; (iii) propiciar atividades de uso público, educação e interpretação ambiental; (iv) promover ações de visitação pelas populações do entorno com sensibilização ambiental; e (v) incentivar e desenvolver atividades ligadas à visitação e ao turismo. Ações de interpretação e educação ambiental poderiam ser realizadas para contribuir com a divulgação sobre a importância dos sítios de interesse geológico para a gestão e conservação da UC. Avaliação estratégica do Parque Nacional do Itatiaia Destaca a necessidade da implementação de um programa de educação e sensibilização ambiental dirigidos aos visitantes, residentes, e moradores do entorno. Implementar atividades integradas que incluam a divulgação conjunta dos aspectos bióticos e abióticos. Zoneamento Oito zonas foram mapeadas com base nas características bióticas, abióticas e de uso e ocupação do solo. Avaliar o uso e divulgação dos sítios de interesse geológico nas diferentes zonas do parque. Referências Brasil. 2000. Lei nº 9.985 de 18 de julho de 2000 - Regulamenta o artigo 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm. Acesso em 25 nov 2015. Gordon JE, Crofts R, Díaz-Martínez E. 2018. Geoheritage Conservation and Environmental Policies: retrospecto and prospect. In: Reynard E, Brilha J. (eds.) Geoheritage: assessment, protection and management. Elselvier, Amsterdam, 3-9. IBDF. Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal 1982. Plano de manejo do Parque Nacional do Itatiaia. Brasília, IBDF, 207p. ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 2013. Plano de manejo: Parque Nacional do Itatiaia. ICMBio, Brasília, 487 p.
Oral
Abrir o trabalhoAvaliação e Classificação do Patrimônio Fluvial: Base teórica e metodológica para seleção dos critérios
CARMÉLIA KEROLLY RAMOS DE OLIVEIRA; Paulo de Tarso Amorim Castro; Úrsula Ruchkys Azevedo; Diamantino Manuel Insua Pereira; Frederico de Azevedo Lopes
Atualmente, embora conhecimentos diversos (políticos, econômicos, ecológicos, ambientais, filosóficos, literários, poéticos…) sejam mobilizados para entender a complexidade dos rios e sirvam como pano de fundo para políticas públicas, do ponto de vista legal não existe uma abordagem holística que trate os rios, assim como seus elementos da geodiversidade (quedas d´água, afluentes, leito, foz e nascentes), do ponto de vista patrimonial. As variadas funções dos ecossistemas aquáticos tropicais não são completamente conhecidas, em consequência da heterogeneidade e complexidade das interações bióticas e abióticas (CALLISTO et al., 2002). A deterioração desses ecossistemas é cada vez mais evidente, e medidas têm sido necessárias para sua gestão, recuperação e/ou conservação. Contudo, a avaliação desmembrada de parâmetros não é efetiva nos processos de gestão, recuperação e conservação dos sistemas fluviais, visto que se apoiam principalmente em análises de qualidade de água. O patrimônio fluvial se caracteriza não por trechos de rios comuns, mas de rios com aspectos singulares em termos de geodiversidade, valores histórico-culturais, ecológicos, serviços geossistêmicos e ecossistêmicos e de paisagens com alta qualidade cênica. Para compor o patrimônio fluvial o trecho do rio deve conter elementos que justifiquem o seu valor patrimonial, ou seja, o patrimônio fluvial é o conjunto de elementos com valores de diversas ordens tanto no curso d’água quanto no seu entorno. A avaliação e classificação de um rio ou trecho de rio como patrimônio fluvial é uma tarefa transdisciplinar, onde as características bióticas, abióticas e culturais se complementem, possibilitando uma avaliação holística e integrada do curso d’água. O rio isoladamente tem uma função vital inquestionável, mas o olhar sobre os cursos d’água deve extrapolar essa perspectiva, e se integrar com outras abordagens válidas e relevantes, como as questões socioculturais, da geodiversidade e da geoconservaçao dos ambientes aquáticos. O uso do termo patrimônio fluvial tem como objetivo trazer esse olhar integrador, onde todos os elementos relacionados a um trecho fluvial coexistam e se complementem de tal forma que as medidas de proteção desses locais sejam efetivas e complementares, nunca excludentes. Nesse contexto o trabalho tem como objetivo selecionar critérios que viabilizem a caracterização e classificação de relevância rios como patrimônio fluvial. Inicialmente foram selecionados os valores da geodiversidade que esses ambientes podem apresentar. Para tanto os valores da geodiversidade descritos por Gray (2004) e Pereira (2006) serviram de base teórica para a seleção dos critérios. Posteriormente foi elaborado um protocolo para avaliação de relevância do patrimônio fluvial em segmentos de rios, realizado a partir da compilação e adequação de critérios pertencentes a outros protocolos e inventários nacionais e internacionais de diferentes categorias de geopatrimônio (geomorfológico, espeleológico), do patrimônio ambiental (balneabilidade e sanitário) e do patrimônio cultural. O processo foi realizado em gabinete, onde foi possível analisar e extrair critérios e parâmetros relacionados à proposta de avaliar os rios ou segmentos de rios de acordo com uma visão holística para classificá-los como geopatrimônio. Os critérios criados estão relacionados aos valores: científicos, ambientais, culturais, estéticos, educativos e turísticos, além dos critérios ligados ao estado de conservação do segmento fluvial. Após seleção análise dos trabalhos foi possível obter critérios relevantes e adaptá-los para a proposta de avaliação do patrimônio fluvial. Os critérios são de ordem física (geomorfologia e geologia), ambiental, cultural, turística, paisagística, didática e científica, buscando compreender o rio e seu entorno dentro dos seus valores primordiais e possibilitando observar suas relações naturais e sociais. A etapa seguinte configura a avaliação e formulação de um protocolo contendo todos os critérios, para servir de ferramenta para gestores, analistas ambientais, professores, pesquisadores e sociedade civil. Com critérios claros que avaliam holisticamente um segmento de rio é possível caracterizar e classificar o patrimônio fluvial, além de subsidiar e complementar tecnicamente a legislação existente sobre os rios com características e valores patrimoniais, como a Lei (14007, de 04/10/2001) que reconhece o Rio São Francisco e Minas Gerais como patrimônio cultural, paisagístico e turístico de Minas Gerais, e a Lei (15082, de 27/04/2004) que confere alguns segmentos em Minas Gerais como rio de preservação permanente.
Oral
Abrir o trabalhoBeachrocks de Jaconé: Um geossítio à luz da legislação ambiental e patrimonial
ADRIEL FILIPE SOARES BRITO; KÁTIA LEITE MANSUR; RENATO RODRIGUEZ CABRAL RAMOS
Ligado notadamente nas últimas décadas aos processos socionaturais e alterações relativas à ação humana sobre o meio ambiente, ações judiciais cada vez mais despontam-se complexas e interdisciplinares, tornando relevante às diversas esferas e instituições judiciais à aplicação de diferentes conhecimentos científicos na direção de responder questões legais. Nessa perspectiva, a Política Nacional de Meio Ambiente estabelecida desde 1981, e reafirmada em 1988 pela Constituição Federal, destaca o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo ainda ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Diante de mecanismos e instrumentos de proteção da temática ambiental no Brasil, sobre a interface desse ordenamento jurídico e sociedade, mostram-se fundamentais a ação de órgãos públicos, bem como uma contínua vigilância da população em prol da conservação de todos os valores e serviços ecossistêmicos associados à geodiversidade. Ainda nesse cenário, perante uma constante preocupação com o risco de degradação pela ação humana de locais onde aspectos da história da Terra estão registrados, e diante do debate a cerca do valor das Geociências frente aos direitos difusos e coletivos, o presente trabalho busca ponderar a atuação do Ministério Público, bem como de pesquisadores e ambientalistas na tutela do meio ambiente, objetivando um maior esclarecimento acerca das condições existentes para a efetivação da proteção ambiental. Em abril de 1832, em sua viagem pelo interior do Rio de Janeiro, o naturalista inglês Charles Darwin ao passar pela praia de “Manatiba” (Mandetiba) foi atraído pela presença de um fragmento de arenito com conchas. Ao descrever em sua caderneta de campo, o célebre cientista relatou pela primeira vez uma rocha de praia em território fluminense. Datados em cerca de 08 mil anos, os beachrocks de Jaconé se estendem por mais de 01 quilômetro na orla dos municípios de Maricá e Saquarema no estado do Rio de Janeiro, e possuem ampla importância para estudos sobre a evolução desse antigo cordão de praia do litoral fluminense. Com a notícia em 2010 da instalação do Terminal Ponta Negra (TPN) na praia de Jaconé – que ocuparia a área marinha adjacente à Ponta Negra até a base da Serra de Jaconé – e defronte de toda a importância histórica, cultural e informações científicas atingíveis dos beachrocks de Jaconé, surge então um embate entre diferentes polos em um caso que se arrasta há mais de cinco anos. A figura de Charles Darwin, o conceito de rocha como patrimônio, a importância da proposta do Geoparque Costões e Lagunas, e questões sobre o que é desenvolvimento sustentável, integram parte de inúmeros pareceres e discussões presentes em tribunais e audiências públicas, que decerto reforçam uma maior integração entre instituições acadêmicas e órgãos técnico–científicos. Desse modo, analisando o caso dos beachrocks de Jaconé, fundamentou-se esse estudo mediante uma linha cronológica com as diversas ações que sucederam e produziram tal situação de impasse para a instalação do megaempreendimento portuário em Jaconé. Em função de sua importância científica e social, obteve-se como resultado uma avaliação preliminar da relação existente entre a temática forense e sociedade, onde um geossítio decisivamente se interpôs entre um megaempreendimento – com evidentes interesses econômicos e políticos – e a proteção ambiental de uma área rica em geodiversidade e biodiversidade. Ainda, constatou-se que a melhor forma de atuação é a preventiva e resolutiva pautada acima de tudo em um diálogo aberto e transparente, com proposição de orientações e recomendações, onde a última instância seja a via judicial. Da mesma forma, percebe-se também que a defesa do meio ambiente é uma realidade a ser abrangida com maior intensidade junto à população, sendo ainda necessário aprimorar as formas de educação ambiental e de conscientização da sociedade. Assim, uma vez que ações de proteção ambiental seguramente estão vinculadas aos valores e serviços ecossistêmicos associados à geodiversidade, ainda se mostra vital um foco de cooperação no emprego dessa perspectiva no contexto nacional. Igualmente a outras Ciências que já se consolidaram no meio judicial, é preciso fomentar uma visão mais ampla dos fundamentos teóricos, potencialidades e ferramentas das Ciências da Terra em defesa da ordem jurídica, isso tudo aliado a estruturas que estejam sempre à disposição de uma interlocução, resolvendo de maneira efetiva os principais impasses que afligem a esfera ambiental no Brasil. Referências Mansur K.L., Ramos R.R.C., Godoy J.M.O., Nascimento V.M.R. 2011. Beachrock de Jaconé, Maricá e Saquarema – RJ: importância para a história da ciência e para o conhecimento geológico. Revista Brasileira de Geociências, 41(2): 290-303. Vasconcellos E.B. 2008. O Ministério Público na tutela do meio ambiente. Revista do Ministério Público do RS, Porto Alegre, 60: 163-187.
Oral
Abrir o trabalhoCARACTERIZAÇÃO DA GEODIVERSIDADE COMO SUBSIDIO PARA INVENTARIAÇÃO DO GEOPATRIMÔNIO: ESTUDO DE CASO DO MUNÍCIPIO DE CAIAPÔNIA- GOIÁS
ANDRÉA MACIEL LIMA; Cláudia Valéria de Lima
Introdução: O munícipio de Caiapônia está situado na região sudoeste do estado de Goiás a aproximadamente 327 km de Goiânia, capital, com área territorial de 8.635,129 km². No mapa turístico do estado o munícipio está inserido no Circuito Pegadas no Cerrado, esse circuito faz parte de um roteiro integrado por seis munícipios do sudoeste goiano que conta com a oferta de turismo de aventura, ecoturismo, cultura e tecnologia. A área está inserida em uma região caracterizada pelo importante registro geológico do período Paleomesozóico da Bacia do Paraná, onde está localizado a Serra do Caiapó, sendo um grande divisor hidrográfico responsável pela separação da drenagem das bacias do Araguaia e do Paraná. A área também apresenta uma imponente geoforma do Morro do Gigante Adormecido (Fig. 1), além de inúmeras cachoeiras, destaca-se a ocorrências fósseis. Na tentativa de conservar este patrimônio natural de excepcional beleza e importância científica, educativa e turística pretende-se nesse trabalho realizar a caracterização da geodiversidade do munícipio como subsidio para inventariação do geopatrimômio, sendo uma das etapas definidas para estratégia de geoconservação. Materiais e Métodos: Primeiramente foi realizado um levantamento de dados bibliográficos e cartográficos e trabalho de campo. Dessa forma, analisou-se os aspectos da geologia, geomorfologia, declividade, altimetria, pedologia e ocorrências de fósseis. Para caracterização da geologia, geomorfologia e pedologia utilizou-se os dados disponíveis pela plataforma do Sistema Estatual de Geoinformação- SIEG. Para a altimetria e declividade utilizou-se mapas obtidos por meio do sensoriamento remoto: Modelo Digital de Elevação (MDE/ALOS PALSAR). E por fim, na ocorrência de fósseis utilizou-se o trabalho realizado por Carbonaro e Ghilardi que identificam os fósseis do devoniano no estado de Goiás. Resultados: A geologia do munícipio é predominantemente pela formação Aquidauana, seguido pela formação Ponta Grossa, Furnas, Serra Geral, Irati, Iporá, Vale do Rio do Peixe, Corumbataí, Coberturas detríticas e depósitos aluvionares. Caiapônia está inserida dentro da bacia sedimentar do Paraná, o que justifica a presença expressiva de arenito e relevo característico de bacia sedimentar, apresentando cuesta bem definida. As altitudes variam entre 1.048m nas áreas mais elevadas e 446,2m nas áreas mais baixas. O município apresenta em sua maior parte, áreas planas (0 a 3% de declive) e suave-ondulado (3 a 8% de declive). Quanto à pedologia ocorrem treze tipos de solos e os que mais ocorrem na região são os solos do tipo LATOSSOLO VERMELHO-AMARELHO Distrófico, LATOSSOLO VERMELHO Distrófico e NEOSSOLO QUARTZARÊNICO Órtico. Quanto aos registros fósseis a literatura aponta que na área de estudo foi identificada espécies de macrofósseis de invertebrados das unidades 2, 3 e 4 e de unidades geológicas desconhecidas, microfósseis e vegetais fósseis. Conclusões: Dessa forma, diante da caracterização dos elementos da geodiversidade observou-se que a área de estudo apresenta uma riqueza, diante das suas características geológicas e geomorfológicas e consequentemente a presença de uma diversidade de ocorrência de fósseis como foi constatado, justificando a necessidade de uma inventariação do seu patrimônio. Para posteriormente, promover ações de geoconservação e divulgação desses geopatrimônios.
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Abrir o trabalhoCerro dos Porongos: um lugar de memórias
JAQUELINE DICKEL BILHAR; Rafael Midugno; Rafael Fernandes e Silva; Tanice Cristina Kormann
Localizado a quase 400 km da capital gaúcha, no interior do município de Pinheiro Machado - RS, o Cerro dos Porongos foi cenário de uma das maiores batalhas ocorridas durante a Guerra dos Farrapos, episódio histórico que ficou conhecido como o Massacre de Porongos. Desde 1983 há um marco histórico junto ao local homenageando os farrapos e informando que ali houvera a tal batalha (Fig. 1). Este estudo faz parte de um projeto de iniciação científica, desenvolvido junto ao Departamento de Qualidade Ambiental da Fepam - órgão responsável pela fiscalização, licenciamento, e pesquisas voltadas a assegurar a proteção e preservação do meio ambiente no estado do Rio Grande do Sul, e, objetivou o inventário e avaliação do patrimônio geológico na Bacia hidrográfica do rio Camaquã, com o intuito de estabelecer locais prioritários para a conservação. Foram identificados seis locais, dentre eles o Cerro dos Porongos. A metodologia contemplou pesquisa bibliográfica da geologia e geomorfologia, local e regional; técnicas de geoprocessamento; levantamento de dados turísticos e históricos, incluindo consulta ao governo municipal e de moradores identificados com a história e o turismo local; visitação em campo e posteriormente quantificação do sítio e classificação com o auxílio do aplicativo Geossit, desenvolvido pela CPRM, baseado na metodologia elaborada por José Brilha (2005). O Cerro dos Porongos está inserido no bioma pampa e, tem esse nome devido ao conjunto de colinas cujas silhuetas assemelham a forma de porongos, fruto utilizado na confecção de cuias de chimarrão, na qual se prepara uma bebida de mesmo nome, típica da região sul do país. Foi nesse relevo montanhoso, favorável a esconderijos, que se desdobraram os acontecimentos da batalha de Porongos. A região está localizada no Escudo Sul-Rio-Grandense, na unidade geotectônica Cinturão Dom Feliciano, Terreno Tijucas. O Cerro dos Porongos pertence ao Complexo Porongos, e, é caracterizado por uma sequência de margem passiva, inserida no Cráton Rio de La Plata e deformada durante o Ciclo orogênico Brasiliano, no final do Neoproterozóico. Compreende rochas metassedimetares, compostas por intercalações de camadas de mica xistos e quartzitos puros leitosos, extremamente fraturados. E, é a presença desses quartzitos que dá o aspecto de relevo positivo dos morros. Historicamente, foi na madrugada de 14 de novembro de 1844, que as forças imperiais lideradas por Moringue surpreenderam os revoltosos. Esse ataque, entretanto, se deu apenas no acampamento dos lanceiros negros, escravos que lutavam sob a promessa de liberdade. De forma a não oferecer a abolição da escravidão, prometida aos negros ao final da guerra, a maior parte das evidências, demonstrada através de cartas trocadas entre os exércitos, confirma a traição por parte do general Davi Canabarro. Apesar disso, a história apresenta várias controvérsias. Em campo, durante conversas com moradores locais foi possível identificar as contradições em relação a como cada indivíduo compreende e se identifica em relação à história e também a percepção de uma atmosfera mística que ronda o local, fazendo surgir lendas de fantasmas e espíritos dos lanceiros negros. Após utilizar o Geossit, o local foi classificado como geossítio de relevância nacional, devido ao seu potencial científico, cultural e turístico. Conforme Delphim (2009) o Cerro dos Porongos, além dos valores históricos e culturais, também apresenta valores paisagísticos, genéticos, legendários e simbólicos contemplados por valores materiais e imateriais, sendo considerado não apenas um patrimônio regional como também um patrimônio da humanidade. O autor ainda propõe ações de conservação, tais como a declaração do local como uma paisagem cultural; o tombamento do sítio no âmbito municipal, estadual e nacional de modo que haja o reconhecimento em diferentes esferas do poder público; e, além disso, a promoção do turismo ecológico e cultural através de roteiros culturais. Com isso, valorizando a paisagem e preservando a memória cultural, histórica e o desejo de liberdade.
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Abrir o trabalhoConservação e uso de geossítios em países em desenvolvimento: resultados comparativos preliminares entre Brasil e África do Sul
MARIA DA GLORIA MOTTA GARCIA; Christine Laure Marie Bourotte; Jasper Knight; Andrea Duarte Cañizares; Karina Kawai Higa; Karabo Mothibi
O reconhecimento e a gestão da geodiversidade e do patrimônio geológico é um desafio em países em desenvolvimento. Nestes locais, que falham frequentemente em suprir a população de necessidades básicas, a conservação da natureza e o uso sustentável dos recursos naturais são, em geral, aspectos menos relevantes frente aos grandes desafios socioeconômicos e socioambientais. No caso da Geoconservação, os métodos e práticas utilizados são, na maioria das vezes, baseados em experiências europeias com realidades bastante distintas daquelas observadas nestes países e muitas vezes não aplicáveis ao contexto local. Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo relatar os resultados preliminares do projeto “Valuing and protecting geoheritage: comparing experiences in South Africa and Brazil”, em colaboração das universidades de Witwatersrand e de São Paulo e com financiamento da National Research Foundation e da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo. O projeto tem como objetivo comparar iniciativas em geoconservação no Brasil, representado pelo estado de São Paulo, e na África do Sul, representada pela província de Gauteng. Três geossítios foram selecionados em cada local, com base na representatividade, variedade de elementos e relativa similaridade (Quadro 1). Buscou-se selecionar sítios com características distintas em termos geológicos, de regime de proteção, de presença ou não de infraestrutura e de iniciativas de promoção. No estado de São Paulo, os geossítios fazem parte do inventário do patrimônio geológico estadual (Garcia et al. 2018). Na província de Gauteng, os locais foram selecionados com base na sua importância como patrimônio mundial da UNESCO e pela representatividade na história geológica regional (Knight et al. 2015). Todos os geossítios são foco de publicações científicas relevantes. Em termos de publicações para o público em geral, dois dos locais selecionados na África do Sul fazem parte de roteiros geológicos, o que lhes traz visibilidade. Por outro lado, ao contrário de São Paulo, a África do Sul não conta com um inventário sistemático do patrimônio geológico. Por este motivo, eventuais comparações em termos da avaliação quantitativa do patrimônio geológico não puderam ser feitas. A legislação brasileira parece ser mais clara em relação à responsabilidade de gestão dos geossítios que, no caso sul africano, é mais difusa. A avaliação do panorama legal da geoconservação nos dois locais vem sendo realizada por meio de entrevistas com especialistas em diferentes âmbitos: i) pessoal técnico de instituições públicas responsáveis pela gestão de locais de interesse geológico, nos âmbitos federal, estadual e municipal e ii) gestores dos geossítios selecionados. Para ambos os casos, os questionários abrangem questões sobre práticas existentes, dificuldades encontradas, perspectivas futuras e sugestões de melhorias. Além do panorama legal, uma avaliação acerca da percepção da sociedade em relação aos locais de interesse geológico também vem sendo implementada. No estado de São Paulo, na primeira etapa da pesquisa foi aplicado um questionário a 100 habitantes (Canizares et al. submetido), com base na experiência e nos resultados obtidos, novos questionários serão aplicados em cada geossítio para visitantes, público escolar, monitores ambientais e comunidade local. Quadro 1 – Geossítios selecionados no Brasil e na África do Sul. Geossítio Representatividade geológica Figura de gestão Ilustração Brasil (estado de São Paulo) Varvito de Itu Melhor exposição de ritmito glacial conhecida na Bacia do Paraná́, constituindo uma ocorrência clássica da geologia gondwânica do Brasil. Municipal (Parque Geológico do Varvito) Gruta da Tapagem (Caverna do Diabo) Caverna em mármore (Unidade Mármore da Tapagem), com extensão de 6237m, condutos amplos e rica em espeleotemas. Estadual (Parque Estadual da Caverna do Diabo) Pico de Itapeva Registro de bacia do tipo pull-apart. Permite observação do vale do Paraíba, situado no Rifte Continental do Sudeste do Brasil. Privada (Parque Pico de Itapeva) África do Sul (província de Gaunteng) Cavernas de Sterkfountein Formadas por calcário dolomítico do Supergrupo Transvaal, do Arqueano / Paleoproterozoico. O mais prolífico sítio fossílifero de hominídeos do mundo, contêm importantes fósseis com mais de 3,5 milhões de anos. Universidade de Witwatersrand (Patrimônio Mundial da UNESCO - Berço da Humanidade) Cratera de Vredefort A maior e a mais antiga cratera de impacto de meteorito conhecida no mundo, com cerca de 300 km de largura e formada há cerca de 2 bilhões de anos. Não há. Faz parte de duas províncias distintas. Patrimônio Mundial da UNESCO Trilha geológica / Cachoeira de Witpoortjie Trilha geológica ilustrando os eventos tectônicos e climáticos importantes da história geológica da África do Sul, com afloramentos de rochas e estruturas representativas. Municipal (Jardim Botânico Nacional Walter Sisulu) Com base nos resultados pretende-se obter um panorama acerca da representatividade, da situação legal e da percepção da população sobre o papel da geodiversidade e do patrimônio geológico. Considerando a relevância dos sítios geológicos dos dois países dentro do registro geológico global e particularmente no que concerne à parte da história geológica em comum, relacionada ao Supercontinente Gondwana Ocidental, conhecer o cenário que envolve o conhecimento, a conservação e a promoção do patrimônio geológico em contextos socioeconômicos semelhantes permitirá identificar lacunas e compartilhar boas práticas na gestão e no uso destes sítios, na busca de soluções que considerem estas diferenças e que contribuam para a formulação de estratégias adequadas às especificidades locais.
Oral
Abrir o trabalhoDefinição das Categorias Temáticas para o Inventário de Locais de Interesse Geológico do Estado de Goiás
CLÁUDIA VALÉRIA DE LIMA; Marcos Antonio Leite do Nascimento
As categorias temáticas constituem os principais temas que representam a história geológica de uma determinada região enfatizando os eventos geológicos e geomorfológicos relevantes que ocorreram nessa área. Essas categorias podem ser identificadas em função dos domínios geológicos, da classificação estratigráfica, tectônica, paleontológica, espeleológica, geomorfológica, dentre outras (BRILHA, 2005; WIMBLEDON, 2011). De acordo com Lima (2008) a utilização de categorias temáticas no processo de inventariação do patrimônio geológico é bastante apropriada pois permite uma sistematização do inventario de geossítios dentro de um contexto geológico específico. No inventário do patrimônio geológico do Estado de São Paulo, Garcia et al (2017) identificaram 11 (onze) categorias temáticas representativas da evolução geológica do estado baseadas nas unidades tectono-estratigráficas do mapeamento do estado e de outros elementos como geomorfologia e feições cársticas, em consenso com a comunidade geológica. Xavier (2018) no inventario de geossítios do Estado do Paraná definiu 3 (três) categorias temáticas considerando as províncias estruturais mapeadas. Essas categorias foram divididas em 10 (dez) subcategorias considerando as litologias, bacias sedimentares, coberturas e sedimentos recentes e processos geomorfológicos. Para o estado do Rio Grande do Norte, Medeiros (2018) definiu 15 categorias temáticas com o objetivo de identificar e descrever os principais locais de interesse geológico com relevância científica. As categorias temáticas foram identificadas a partir dos mapas geológico e de geodiversidade do estado, considerando a divisão tectono-estratigráfica e outras características representativas da geodiversidade potiguar, tais como paleontologia, espeleologia, geocronologia, metalogênese e geomorfologia. Esse trabalho tem o objetivo de apresentar as categorias temáticas identificadas para o Estado de Goiás com vistas ao inventário dos principais locais de interesse geológico do estado. O Estado de Goiás apresenta uma evolução geológica bastante complexa refletida em litologias com origem e idades de formação distintas, abrangendo desde o Arqueano até o Fanerozoico. O arcabouço geotectônico do estado compreende unidades das faixas Brasília, Araguaia e Paraguaia pertencentes à Província Tocantins (ALMEIDA et al., 1977) e Bacias Sedimentares Fanerozoicas. A Faixa Brasília é bastante expressiva no estado e é dos orógenos neoproterozoicos mais completos e complexos do Gondwana Oeste (PIMENTEL, 2016). As faixas Araguaia e Paraguaia ocorrem em porções mais restritas. A Bacia do Paraná, ocupa a porção sul-sudoeste do estado e possui registros litológicos do Paleozoico ao Cenozoico. As bacias cenozoicas compreendem a Bacia do Bananal, parte da Bacia do São Francisco e o Gráben de Água Bonita (LACERDA FILHO e FRASCA, 2008). Considerando essa diversidade de litologias, eventos e estruturas geológicas é importante a sistematização de locais que apresentem feições, gênese e características em comuns e que possam contribuir para a caracterização do patrimônio geológico do estado. Nesse sentido foram definidas 17 (dezessete) categorias temáticas para o inventário de locais de interesse geológico do estado. Dessas, 13 (treze) categorias foram estabelecidas tendo como parâmetro as unidades tectono-estratigráficas definidas no mapeamento geológico do estado (GOIÁS, 2008) considerando, inclusive, aquelas com pequena representatividade areal (Terrenos Arqueanos/Paleo-mesoproterozoicos, Arco Magmático de Goiás, Zona Interna da Faixa Brasília, Zona Externa da Faixa Brasília, Faixa Paraguai, Faixa Araguaia, Bacia do Paraná, Bacia Bauru, Magmatismo Cretaceo, Bacia Sanfranciscana, Gráben de Água Bonita e Bacias Cenozoicas). As demais categorias foram definidas em função de informações paleontológicas, espeleológicas, geomorfológicas (Registro Fossilífero, Cavernas e Sistemas Cársticos, Paisagens e Unidades Geomorfológicas). Também se levou em conta as informações de ocorrências minerais em função da importância da mineração para o estado (Províncias Minerais). Agradecimentos: A primeira autora agradece a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) pela concessão de bolsa para realização de estágio pós-doutoral. Referências ALMEIDA, F.F.M., HASUI, Y., BRITO NEVES, B.B., FUCK. R.A. Províncias estruturais brasileiras. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO NORDESTE, Campina Grande: SBG, 1977. P.363- 391. BRILHA, J.B.R. Património Geológico e Geoconservação: A Conservação da Natureza na sua vertente Geológica. Editora Palimage. Portugal, 2005. 190p. GARCIA, M.G.M. et.al. The inventory of geological heritage of the State of São Paulo, Brazil: methodological basis, results and perspectives. Geoheritage, p. 1-20. 2017. GOIÁS (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS). Secretaria da Indústria e Comércio. Superintendência de Geologia e Mineração. Mapa Geológico do Estado de Goiás e do Distrito Federal. Goiânia, GO. 2008. LACERDA FILHO, J.V.; FRASCA, A.A.S. Compartimentação Tectônica. In: GOIÁS (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS). Secretaria da Indústria e Comércio. Superintendência de Geologia e Mineração. Mapa Geológico do Estado de Goiás e do Distrito Federal. Goiânia, GO. 2008. LIMA, F.F. Proposta metodológica para a inventariação do Patrimônio Geológico Brasileiro. Dissertação de Mestrado. Universidade do Minho. Braga –Portugal, 2008. 90p. MEDEIROS, D.K.A.D. Definição de categorias temáticas e dos primeiros locais de interesse geológico do Rio Grande do Norte como base para o inventário geológico potiguar. Monografia (Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Exatas e da Terra, Relatório (Bacharelado em geologia), Natal, 2018. PIMENTEL, M.M. The tectonic evolution of the Neoproterozoic Brasília Belt, central Brazil: a geochronological and isotopic approach. Brazilian Journal of Geology, 46(Suppl 1): 67-82, June 2016. WIMBLENDON, W.A. Geosites – a mechanism for protection, integrating national and international valuation of heritage sites. Geologia dell`Ambiente supplement n.2/2011:13-25. XAVIER, F. C. B. Definição de Categorias geológicas na adaptação de métodos qualitativo e quantitativo para inventário da geodiversidade do Paraná. ANAIS do XXI Seminário do Programa de Pós-Graduação em Geologia, UFPR, Curitiba. 2018.
Oral
Abrir o trabalhoDiagnóstico e modelo de conservação do patrimônio geológico no Sertão Central do Ceará, Nordeste do Brasil
PÂMELLA MOURA; Maria da Glória Motta Garcia; José Brilha
No Brasil, a conservação do patrimônio geológico apresenta um desafio, para além das dimensões territoriais do país, que pode ser expresso em dois fatores principais: i) desconhecimento do poder público e do público em geral sobre patrimônio geológico e ii) ausência de um corpo gestor especialista e de legislações específicas que possam garantir sua proteção efetiva. Neste sentido, é preciso que se desenvolvam ferramentas que auxiliem os gestores no processo de proteção, uso, valorização e divulgação do patrimônio geológico. Em vista disso, este trabalho apresenta um modelo de conservação desenvolvido para o patrimônio geológico do Sertão Central cearense, a partir do diagnóstico dos sítios geológicos, considerando sua vulnerabilidade e fragilidade, valores e uso potencial. O Sertão Central, representado neste trabalho pelos municípios de Mombaça, Pedra Branca, Quixadá, Quixeramobim e Senador Pompeu, configura-se como uma das regiões administrativas do estado do Ceará e caracteriza-se por clima semiárido e bioma caatinga. Inserida no contexto tectônico do Domínio Ceará Central, a região tem sua evolução geológica relacionada ao amálgama do Gondwana Oeste durante o Ciclo Brasiliano/Pan-Africano no Neoproterozoico. O arcabouço geológico local é formado por rochas paraderivadas de médio a alto grau, predominantemente paleo- a neoproterozoicas, com algumas porções remanescentes de um núcleo arqueano, e granitoides diversos neoproterozoicos, majoritariamente de composição calcialcalina (Arthaud et al. 2008). O relevo é caracterizado por extensas superfícies de aplainamento, pontuadas de inselbergues cristalinos, e por maciços residuais expressos em colinas dissecadas, morros e serras baixas (Lima et al. 2000). Neste estudo, o patrimônio geológico da região encontra-se representado por 20 sítios geológicos (entre geossítios e sítios da geodiversidade). O inventário seguiu os procedimentos de Brilha (2016). Posteriormente, todos os sítios foram avaliados no sistema GEOSSIT/CPRM (Rocha et al. 2016) quanto o valor científico (VC), risco de degradação (RD) e potencial uso educativo (PUE) e turístico (PUT). Os resultados obtidos na avaliação qualitativa e na avaliação quantitativa compõem o diagnóstico de cada um dos sítios geológicos inventariados (Moura 2018). A partir disso, eles foram organizados em grupos de uso, a fim de facilitar o aproveitamento das potencialidades e a proteção de sua integridade física e de seus conteúdos associados (Tabela 1). Ainda considerando o diagnóstico, delineou-se um plano de ações iniciais de conservação, onde foram detalhados os seguintes itens: medidas de proteção física, medidas de proteção legal, periodicidade preliminar de monitoramento (considerando o risco de degradação) e identificação dos atores sociais que poderiam se responsabilizar pela conservação dos geossítios. O modelo de conservação apresentado consiste no primeiro conjunto de diretrizes gerais para a conservação dos sítios geológicos do Sertão Central e visa facilitar a tomada de decisão de gestores não especialistas em geoconservação, em prol do patrimônio geológico. Ressalta-se que este plano representa um quadro geral do processo de conservação a partir do qual devem derivar planos detalhados. Neste sentido, duas ações futuras são imediatamente necessárias: delimitar as áreas de proteção e definir ações de monitoramento específicas para cada sítio geológico. Em ambas as situações, utilizando-se de métodos sistemáticos de avaliação. Tabela 1. Grupos de uso e valores obtidos a partir da avaliação quantitativa no GEOSSIT e sítios geológicos associados (potencial para uso educativo ou turístico: valores a partir de 200 pontos) Agradecimentos Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Código de Financiamento 001. Referências Brilha J. 2016. Inventory and quantitative assessment of geosites and geodiversity sites: a review. Geoheritage, 8(2):119-134. Arthaud MH et al. 2008. Geology of the northern Borborema Province, NE Brazil and its correlation with Nigeria, NW Africa. Geological Society of London, Special Publications 294(1):49-67. Lima L, Cruz MJO, Souza MJN. 2000. Compartimentação territorial e gestão regional do Ceará. Fortaleza: 268p. Moura P. 2018. Geoconservação no Domínio Ceará Central, Nordeste do Brasil: Métodos para seleção, proteção e uso dos sítios geológicos. 206p. Tese (Doutorado) - Pós-graduação em Geologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 206p. Rocha AJD, Lima E, Schobbenhaus C. 2016. Aplicativo GEOSSIT: nova versão. Anais do Congresso Brasileiro de Geologia, 48. Porto Alegre: SBG, p. 6389.
Oral
Abrir o trabalhoDiferenças de comportamento entre um possível Mármore Carrara e alabastro frente ao intemperismo: estudo em uma escultura do Mosteiro de São Bento, RJ
CARLA CORRÊA FELIX; Kátia Leite Mansur; Roberto Carlos da Conceição Ribeiro
Monumentos pétreos expostos à ação do intemperismo podem ser alterados e degradados e, dessa forma, são necessários estudos sobre como conservar estas rochas, uma vez que são registros da história da humanidade. O Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro foi fundado em 1590 e apresenta em um de seus jardins uma escultura do busto de Jesus Cristo colocado sobre um adorno quadrado. O Mosteiro está localizado a poucos metros da Baía de Guanabara, no centro do Rio de Janeiro, local de tráfego diário de automóveis (Felix, 2018).A escultura está assinada por “F. Pettrich” no ano de 1843. De acordo com Auler (2019) houve um escultor alemão, de nomeFerdinand Pettrich que atuou no Rio de Janeiro e, possivelmente, foi o primeiro a esculpir em mármore no Brasil. Sua primeira aparição no Brasil foi numa exposição na Academia de Belas Artes, em 1843, com algumas produções, entre elas uma cabeça de Jesus Cristo que, possivelmente, é a escultura estudada.Ela e o seu adorno sofrem igualmente a açãodo intemperismo,porém apresentam diferenças quanto à alteração e degradação sofrida. Este trabalho tem por objetivo verificar as diferenças de comportamento frente ao intemperismo sobre as peças citadas por meio de ensaios não destrutivos, capazes de fornecer dados que auxiliem no entendimento das causas dessas alterações, além da caracterização tecnológica das peças. Os ensaios e análises foram realizados com equipamentos portáteis e nos laboratórios do CETEM – Centro de Tecnologia Mineral. O ensaio de fluorescência de raio-x foi realizado em amostras da estátua e do adorno. Para o de difração de raios-x, foi utilizado o equipamento D4 Endeavor. Um espectrofotômetro mediu o índice de cor e brilho das peças. A determinação da absorção de água deu-se com o uso do tubo de Karsten, que indica a permeabilidade das rochas. Um durômetroProceq foi utilizado no ensaio de dureza. As peças foram lavadas com água destilada a fim de coletar as impurezas contidas nas superfíciesdas mesmas para, posteriormente, analisá-las por absorção atômica e quanto ao pH. Procedeu-se, também, ao mapeamento de danos, baseado no glossário ilustrado publicado pelo ICOMOS (Rodrigues e Revez, 2016) para identificação das morfologias de alteração presentes.Os resultados dos ensaios de fluorescência e difração de raios-x indicaram que a escultura é composta por mármore (predomínio de calcita). Como a rocha se apresenta maciça e com coloração muito clara, parece tratar-se de um Mármore Carrara, enquanto que o adorno é composto por alabastro (predomínio de gipsita). A análise daágua de lavagem mostrou que tanto na escultura quanto no adorno foram detectados altos teores de enxofre e de cálcio. O enxofre está associadoà poluição atmosférica e, no caso do adorno,também está correlacionado à desintegração do alabastro. Já o cálcio é relativo à dissolução das rochas. Os teores significativos de nitrato foram associadosà excrementos de animais. A análise do pH indica que a água proveniente da lavagemda escultura tem um pH neutro, enquanto a do adorno tem um pH ácido, isso está possivelmente relacionado aos microorganismos que se acumulam no adorno. Quanto ao ensaio de cor e brilho, as peças apresentaram cor cinza escura, indicando que estão com sua cor original alterada, pois as cores de mármores e alabastros sãos, geralmente tendem a branco. Essa alteração cromática foi identificada no mapeamento de danos, pela constatação de que há um filme negro depositado sobre as rochas. Na medida de absorção de água com o tubo de Karsten, ambas as peças apresentaram muito baixa porosidade e permeabilidade, indicando que são compactas, sem presença de descontinuidades por onde a água pudesse penetrar e percorrer. O ensaio de dureza demonstrou que a estátua apresenta valores aproximadamente três vezes maiores que o adorno (na estátua o menor valor foi de 333 HDL enquanto no adorno foi de 110 HDL). No mapeamento de danos da escultura e do adorno foi possível observar alterações de sujidade microbiológica e manchamentos, possivelmente causados por atividades de microrganismos. Tanto a esculturaquanto o adorno apresentam uma fissura em sua estrutura. No topo da escultura há presença de pitting (cavidades milimétricas e pouco profundas). O adorno apresenta intensa microcarstificação (dissolução a partir do escoamento de água). No interior do adorno, nota-se predominância de crosta negra, causada possivelmente pelo acúmulo de água com pH baixo. De acordo com os resultados, é possível concluir que o alabastro é mais facilmente intemperizado que o mármore porque apresenta maior degradação. Tanto os ensaios mostraram que sua estrutura é menos resistente, quanto o mapeamento de danos comprovou que ele apresenta mais morfologias de alteração frente ao intemperismo, além de sua forma facilitar o acúmulo de água.A escultura é um elemento da geodiversidade(Brilha, 2016) que possui valor artístico e histórico, o que aponta para a necessidade de sua geoconservação.Este trabalho é parte de um projeto maior que estuda os danos no material pétreo do Mosteiro de São Bento, tombado pelo IPHAN em 1938 (IPHAN, 2019).
Oral
Abrir o trabalhoEstratégias de geoconservação na APA da Escarpa Devoniana: uma proposta de inventário do patrimônio geológico no município de Ponta Grossa (PR)
MAYSA FOLMANN; Gilson Burigo Guimarães
Criada em 1992, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana é a maior unidade de conservação (UC) do Paraná, abrangendo parte do território de doze municípios. O objetivo de sua criação é assegurar a proteção da barreira geomorfológica que separa o Primeiro do Segundo Planalto paranaense, a escarpa (chamada Devoniana, pela idade das rochas que a sustentam), além de parte do ecossistema singular característico dos Campos Gerais. A área apresenta uma rica geodiversidade, que condiciona o patrimônio natural e cultural da região, mas encontra-se ameaçada pela má gestão do seu território. Sendo uma UC de uso sustentável, é admitida a exploração dos seus recursos naturais, desde que respeitadas as normas do Plano de Manejo e zoneamento ecológico-econômico. Porém, este plano foi estabelecido anos mais tarde (em 2004), assim como a formação de seu conselho gestor (em 2013), de composição desequilibrada, privilegiando setores privados ligados ao uso da terra. O atraso destas ações fundamentais culminou na degradação do meio ambiente por práticas inadequadas dos setores agrossilvipastoril e da mineração que foram precariamente monitoradas pelo poder público, resultando em intervenções mitigatórias insuficientes ou mesmo inexistentes. Recentemente, os conflitos socioambientais se tornaram ainda mais evidentes, com o trâmite de um projeto de lei (PL 527/2016) que previa a redução de 68% da APA. O projeto, atualmente arquivado, foi considerado inconstitucional e imoral e despertou ainda mais a necessidade de trabalhos em prol da conservação do patrimônio geológico da UC. Sendo assim, este trabalho apresenta o levantamento de dados para o inventário do patrimônio geológico da APA da Escarpa Devoniana, dentro dos limites de Ponta Grossa (PR). O município apresenta uma grande geodiversidade, dada pelo seu contexto geológico englobando porções do embasamento e unidades litoestratigráficas da Bacia do Paraná, com destaque para a Formação Furnas. É cenário de fascinantes paisagens que integram elementos abióticos como furnas, cachoeiras e excepcionais formas de relevo com elementos especiais da fauna e flora, associando-se a um rico patrimônio cultural, destacando os sítios arqueológicos e o movimento do tropeirismo. Entretanto, Ponta Grossa concentra conflitos acerca do uso dos recursos naturais da APA e perderia quase todo o território da APA pelo PL 527/2016. É proposta então a etapa inicial para qualquer estratégia de geoconservação, o inventário de patrimônio geológico. Para isso foi realizada uma seleção de locais que evidenciam aspectos marcantes da geodiviersidade da região. O levantamento destes sítios foi feito através de consulta à bibliografia, aos especialistas das geociências e pelo conhecimento prévio dos autores. A seleção dos sítios levou em consideração os diferentes aspectos da geodiversidade, abrangendo assim, sítios de interesse geológico, geomorfológico, espeleológico e paleontológico. Foram pré-selecionados sessenta sítios potenciais e verificou-se que atualmente são utilizados para fins turísticos, científicos, didáticos e esportivos. A definição por tipo de uso atual permite organizar os dados coletados e auxiliar na proposta de uso com enfoque no potencial didático e turístico, com o intuito de direcionar as estratégias de geoconservação subsequentes. A inventariação dos geossítios é fundamental para que se possam definir prioridades e estratégias na gestão e no uso sustentável do patrimônio geológico, sendo possível incorporar a geoconservação nas políticas de criação e gestão de áreas protegidas, como nas unidades de conservação.
Oral
Abrir o trabalhoEstudo das alterações intempéricas atuantes nas rochas da fachada principal da Igreja de Nossa Senhora da Candelária utilizando ensaios não destrutivos in situ
AMANDA GUIMARÃES DOS SANTOS MOZER; KÁTIA LEITE MANSUR; ROBERTO CARLOS DA CONCEIÇÃO RIBEIRO
A Igreja de Nossa Senhora da Candelária foi construída no início do século XVII e foi tombada pelo IPHAN em 1938. Apresenta rochas comuns na geologia carioca em seu exterior, o Gnaisse Facoidal e o Leptinito, mas em seu interior foram utilizadas rochas de diversos países (Tadashi et al., 2016). Ela está localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, próxima à Baía de Guanabara, em um local de intenso tráfego de veículos e circulação de pessoas. As rochas que compõem a fachada principal foram estudadas por Mozer (2017) e Moura et al. (2018), com a identificação das morfologias de alteração e realização de análises não destrutivas in situ, utilizando aparelhos portáteis, para avaliar o estado de conservação das mesmas. Estas rochas estão alteradas e o ambiente em que estão inseridas pode intensificar esses processos. O objetivo da pesquisa é estender essas avaliações para as torres da fachada principal, assim como avaliar como estes parâmetros mudaram após 3 anos. A fachada principal é composta por 8 colunas em leptinito. Nas torres há a presença de leptinito e gnaisse facoidal e, como são rochas diferentes, foram tratadas individualmente. As morfologias de alteração foram identificadas utilizando o Glossário Ilustrado publicado pelo ICOMOS (Rodrigues e Revez, 2016). A avaliação da dureza foi realizada utilizando o Durômetro (Proceq). Na fachada, a dureza foi medida na base de cada coluna, nas laterais e no centro de cada bloco. Nas torres ela foi realizada seguindo a mesma lógica. Em cada ponto foi realizada uma média de 5 medições, para garantir um valor representativo. As avaliações de Cor e Brilho foram realizadas na fachada principal e nas torres utilizando um Colorímetro (BYK). Esse equipamento permite a determinação da coloração média das rochas. Foram observadas diversas morfologias de alteração na fachada e nas torres. Essas morfologias podem ser utilizadas como indicadores chave de processos de degradação e de suas possíveis causas (Rodrigues, 2015). As mais comuns na igreja são a formação de bolhas, acúmulo de sujidades, filme negro, aumento de rugosidade, esfoliação superficial, perda de componentes e microfissuras. Essas morfologias de alteração são comuns em ambientes poluídos e com influência do spray salino. Nas torres, em áreas onde há menor incidência de luz solar, é observada a presença de colonização biológica. Foram amostrados 259 pontos de dureza na fachada principal. Os valores médios encontrados para a base das colunas giram em torno de 420 HLD. Para um gnaisse são analisado em laboratório, os valores se encontram entre 700 a 800 HLD. Esse valor não foi observado em nenhum ponto amostrado na fachada. É possível observar que os menores valores se concentram em pontos onde a rocha visivelmente está mais alterada, e os maiores valores onde a rocha se apresenta mais coesa. A média de valores de dureza encontrada no estudo anterior era 400 HLD (Mozer, 2017; Moura et al., 2018). Na Torre 1, foram amostrados 145 pontos e os valores se concentram em torno de 366 HLD, e na Torre 2, foram amostrados 150 pontos e a média encontrada é 378 HLD. Para as análises de colorimetria a média de valores encontrados para L*, a*, b* e G na fachada principal foram respectivamente: 47.20; 2.78; 10.12 e 0.9. Esses valores indicam que a cor predominante na rocha é acinzentada, os valores positivos de a* e b* indicam uma coloração mais alaranjada e o valor baixo de G indica que essa rocha é opaca. Para as torres 1 e 2, os ornatos e balaústres serão tratados de forma diferenciada já que se tratam de rochas distintas. Na Torre 1, para os ornatos em leptinito os valores obtidos foram L*: 38.00; a*: 2.74; b*: 10.98; e G: 0.47. Para os balaústres em gnaisse facoidal foram L*: 37.24; a*: 1.90; b*: 9.63; e G: 0.31. Na Torre 2, para os ornatos em leptinito os valores encontrados foram L*: 40.27; a*: 3.65; b*: 10.60 e G: 0.28. Para os balaústres em gnaisse facoidal os valores foram L*: 36.63; a*: 1.65; b*: 9.13 e G: 0.26. Ao compararmos as cores obtidas é possível inferir que a fachada principal apresenta uma cor mais clara, o que é visível à olho nu. Nas torres, as rochas estão muito alteradas e apresentam sujidades, o que lhes confere cores mais escuras, principalmente em pontos abrigados da chuva, onde há presença de filme negro e os valores de L* chegam a 25. Os resultados observados indicam que as rochas da fachada da igreja se encontram em acelerado estágio de degradação, que pode ser explicado pela falta de manutenção e pelo ambiente em que a mesma está inserida. Ao comparar os valores encontrados de dureza para a fachada principal, os mesmos indicam que esse parâmetro não variou significativamente com o tempo. Porém este é um valor considerado baixo, o que condiz com o aspecto destas rochas em inspeções visuais. As rochas das torres estão alteradas e apresentam coloração semelhante mesmo se tratando de rochas diferentes, devido ao acúmulo de sujidades. Os valores de dureza observados nas torres são considerados baixos, se comparados com rochas sãs. Referências Moura LCR, Ribeiro RCC, Dalto DPS, Mozer AGS, Mansur KL. 2018. Alterações das rochas da fachada da Igreja de Nossa Senhora da Candelária. Série Rochas e Minerais Industriais, CETEM/MCTI, Rio de Janeiro, 71p. Disponível em: https://cetem.gov.br/series/serie-rochas-e-minerais-industriais/item/2649-alteracoes-das-rochas-das-fachadas-da-igreja-de-nossa-senhora-da-candelaria. Acessado em 21 jun 2019. Mozer AGS. 2017. Caracterização tecnológica das rochas da fachada frontal da Igreja de Nossa Senhora da Candelária ─ Centro, Rio de Janeiro, RJ. Trabalho de conclusão de curso, Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 72p. Rodrigues JD e Revez MJ. 2016. Glossário ilustrado das formas de deterioração da pedra, tradução da versão inglês-francês, v.15, Série Monumentos e Sítios do ICOMOS, Portugal. Disponível em: http://www.icomos.pt/images/pdfs/Glossario_Pedra_Icomos.pdf. Acessado em 7 mai 2019. Tadashi, F, Mozer A, Mansur K. 2016. Geoturismo Urbano: A Igreja da Candelária, Rio de Janeiro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 48, Porto Alegre - RS. Anais...São Paulo - SP: Sociedade Brasileira de Geologia.
Palavras-chave: Rochas ornamentais,Alteração de rochas,Elementos de geodiversidade
Oral
Abrir o trabalhoESTUDO DO PATRIMÔNIO GEOMORFOLÓGICO DE TANQUINHO - BA: PRIMEIRA APROXIMAÇÃO.
GIORDANIA DOS SANTOS VIANA; Jémison Mattos dos Santos
Estudo do patrimônio geomorfológico de Tanquinho - BA: primeira aproximação. Este trabalho é parte de um projeto guarda-chuva intitulado morfodinâmica das serras em ambiente tropical, na perspectiva de contribuir com planejamento e gestão das serras do semiárido baiano, estando alicerçado em conhecimentos oriundos da Geomorfologia e dos estudos de Geodiversidade e Geoconservação. No qual almeja-se caracterizar a geomorfologia do município de Tanquinho-Ba, com intuito de avaliar, valorizar e promover a divulgação do patrimônio geomorfológico (P.G.), diante do contexto preocupante de deterioração ambiental verificado, que está definido pelo rol de intervenções socioeconômicas que paulatinamente produzem alterações e impactos que afetam negativamente as paisagens, os sistemas ambientais. Objetivou-se nesta primeira fase realizar a caracterização geoambiental com ênfase para os fatores e processos geomorfológicos, relacionados ao modelado típico do domínio morfoclimático semiárido. Definiu-se então a primeira aproximação dos estudos do P.G.de Tanquinho-Ba, pavimentando o caminho para o desenvolvimento da próxima etapa da pesquisa. A abordagem metodológica utilizada compreende o levantamento bibliográfico e cartográfico, a coleta e sistematização dos dados primários e secundários (p.ex: clima, geologia, geomorfologia, solos, cobertura vegetal, culturais e históricos). Articulado com visitas técnicas de campo para observar, interpretar, e analisar os dados (também, checar as informações levantadas em gabinete), bem como para efetuar a seleção de locais com potenciais valores geomorfológicos. Além da elaboração da ficha de caracterização do P.G., que foi adaptada das propostas de Pereira (2006) e Pinto (2011). A referida ficha contempla: a localização com potencial geomorfológico, a tipologia do local, a análise do uso, gestão e avaliação preliminar de potencialidades e vulnerabilidades. Tanquinho apresenta um clima semi-árido, que varia de seco a subúmido, e está inserido no Polígono das Secas. Sua geologia é “representada por rochas neoarqueanas do complexo Caraíba, cortadas por corpos granitóides sin a tarditectônicos de idade paleoproterozóica” (BAHIA, 2005). Aspectos geológicos que deram origem aos Planossolos Solódicos eutróficos, Latossolos Álicos e Neossolos Litólicos, eutróficos, que formaram tipos vegetais predominantes: floresta estacional decidual ou semidecidual e contato caatinga-floresta estacional (Op.cit). Notou-se que Tanquinho apresenta condições particulares para os estudos de P.G. e geoconservação, pois confirma-se a existência de uma diversidade geológica e potenciais geossítios espetaculares (mapeados 15 inselbergs de várias dimensões, em um raio de 10 km, ponto central a partir do Monte de Tanquinho (M.T.) ligados à geologia, geomorfologia regional e local (p.ex: Inselberg conhecido como Monte de Tanquinho - local às margens da BR-324 utilizado por fiéis para pagar promessas religiosas e, também, apropriado como ponto turístico de passeio e científico (vista panorâmica do sítio urbano e da paisagem do entorno, depressão sertaneja), e para realização de trilhas ecológicas; Pé de Cristo forma aparente materializada sobre o inselberg M.T.; Minadouro de Tanquinho – antiga fonte natural muito utilizada pelos viajantes desde século passado e por moradores locais e da região para o abastecimento de água e tem sido referênciahistórica de surgimento do município, mas que exibe um cenário de abandono e de deterioração ambiental. Diante do estudo é possível afirmar que Tanquinho (fig.1) apresenta beleza cênica singular e espetacular, evidenciada por meio conjunto de atributos geomorfológicos (paisagísticos), materializados em compartimentos serranos (p.ex: mirantes naturais), conjunto de pequenas lagoas, a depressão sertaneja e os inselbergs (geoformas residuais) e o rol de macroformas (bornhardts, caos de blocos) e microformas de dissolução (tafonís, bacias de dissolução, karrens) e microforma de fraturamento (split rock), dentre outras. Fig. 1 – Inselberg - Geoforma Residual: conhecido localmente como Monte de Tanquinho. À direita: em primeiro plano inselberg inserido no pediplano sertanejo e típicas lagoas temporárias. À esquerda: sítio urbano do município ocupando parte do pedimento e ao fundo inselberg em maior evidência. O M.T. é definido como uma forma residual estruturada por rochas granitóides, exibindo forte controle estrutural, que condicionou processos geomorfológicos e aspectos morfológicos em uma sucessão de climas pretérito e presente. Por exemplo, feições dos “granitóides (denominados Riacho da Onça) representados por granitos, granodioritos, tonalitos, monzonitos, quartzomonzonitos, charnockitos, ortognaisses, dioritos e augengnaisses” (BAHIA, 2005). Diante da complexidade geológica, geomorfológica deste ambiente semiárido, associado a uma intensa apropriação- exploração sem planejamento efetivo que resultou em danos ao patrimônio geomorfológico, evidenciou-se a premente necessidade de preservação e conservação. Logo, este estudo prévio acerca do P.G. constitui-se imprescindível para o planejamento e controle dos processos que modificam danosamente as geoformas, além de colaborar para conservação e uso racional do Patrimônio Geomorfológico municipal. Referências BAHIA. Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea. Diagnóstico do Município de Tanquinho - Bahia/ VIEIRA, Ângelo T.. Et. al. (Organizador). Salvador:CPRM/PRODEEM, 2005. PEREIRA, P. Património geomorfológico: conceptualização, avaliação e divulgação: Aplicação ao Parque Natural de Montesinho. 370 f. Tese (Doutorado em Ciências). Escola de Ciências, Universidade do Minho, Portugal. 2006. PEREIRA, R. G. F. A. Geoconservação e desenvolvimento sustentável na Chapada Diamantina (Bahia-Brasil). 294 f. Tese (Doutorado em Ciências). Escola de Ciências, Universidade do Minho, Portugal. 2010. PINTO, A. M. R. T. Caracterização e valorização do património geológico da Penha (Guimarães – Norte de Portugal). 202 f. Dissertação (Mestrado em Património Geológico e Geoconservação). Departamento de Ciências da Terra, Universidade do Minho, Braga, Portugal. 2011. SANTOS, J. M. Dos; OLIVEIRA, J. H. M. O MUNICÍPIO DE MILAGRES NA PERSPECTIVA DE AVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO GEOMORFOLÓGICO-BAHIA/BRASIL, XVI Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, Teresina, 2015.
Palavras-chave: Ambiente Semiárido,Patrimônio Geomorfológico,Geoconservação,Geomorfologia
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Abrir o trabalhoGeomorfopatrimonio e geomorfodiversidade: afirmando o patrimonio geomorfologico
VANDA CLAUDINO-SALES
As pesquisas associadas com geodiversidade na geomorfologia brasileira são bem recentes. Isso porque, em parte, a geodiversidade é muito fortemente atrelada ao patrimônio geológico strictu sensu. A temática representa uma grande inovação para a geologia mundial, que tradicionalmente, trabalhava apenas com rochas. Com a temática geodiversidade, passa então a abordar todo o meio abiótico. Meio abiótico é por excelência uma temática cara da Geografia Física. Apesar da intimidade dos geógrafos físicos com o meio abiótico, a geodiversidade sofre algumas barreiras de crescimento na Geografia Física. Isso porque o geopatrimônio (geoheritage) é apresentado exatamente como sinônimo de patrimônio geológico. Ė verdade que conceitualmente, o patrimônio na geodiversidade é amplo, e envolve o meio abiótico na totalidade (NASCIMENTO et al., 2008; BRILHA, 2005; GRAY, 2004). No entanto, é forçoso considerar que a paisagem e as formas de relevo não são patrimônio geológico. Esses elementos são por excelência patrimônio geomorfológico, geográfico, espacial. Eles têm uma dimensão espacial que a geologia – que trabalha com tempo e processos - não abarca. Assim, parece que patrimônio geomorfológico não pode ser reduzido à ideia de patrimônio geológico. Processos associados com escalas espaciais e elos sociais são elementos geográficos, geomorfológicos, que merecem identidade própria. Não é à toa que tais aspectos vêm sendo muito pouco trabalhados na produção científica associada ao geopatrimônio. Não é à toa que ainda pouco falamos de patrimônio geomorfológico e de sítios do patrimônio geomorfológico (os geomorfossítios) nos meios geográfico e geológico mundial. Nesse sentido, propomos abordar essa realidade com conceituação própria, definindo os termos geomorfopatrimônio e geomorfodiversidade para abordar a paisagem geomorfológica. Assim, ampliaremos a perspectiva de analises geomorfológicas nas discussões do geopatrimônio e geodiversidade, abrindo o leque para a participação irrestrita de geógrafos na discussão e produção do conhecimento associado com a temática. Avançando nesse sentido, medida adicional seria ampliar a tipologia de geomorfossítios: de acordo com as principais características que definem as formas de relevo e a paisagem geomorfológica excepcional que está sendo tratada. Propomos assim a identificação de geomorfossítios sedimentares, geomorfossítios cristalinos, geomorfossítios costeiros, geomorfossítios hídricos, geomorfossítios fluviais, geomorfossítios cársticos, apenas para falar das principais áreas temáticas da geomorfologia. Outras tipologias podem depois vir agregar mais elementos nessa perspectiva de detalhamento. Exemplificando essas situações, trazemos para análise a geomorfodiversidade e os aspectos do geomorfopatrimônio na Área de Preservação Ambiental da Bica do Ipu, situada no noroeste do Estado do Ceará. Como demonstrado por Lopes (2019), a Bica do Ipu representa uma área de exceção na paisagem do semiárido no Nordeste setentrional, no sentido de representar uma feição típica de ambientes mais úmidos. Trata-se de uma queda d’água de 130 m de altura, semi-perene, formada por um rio anaclinal que escoa do front do Planalto (Glint) da Ibiapaba em direção a superfície de aplainamento Sertaneja, presente no sopé desse relevo serrano (Figura 1). Fig. 1. Bica do Ipu, formada pelo rio anaclinal Ipuçaba, o qual drena o front do Glint da Ibiapaba em direção a Superfície Sertaneja que caracterizada a área rebaixada do sopé. A área apresenta grande riqueza geoambiental, além de forte simbolismo na cultura regional. Com efeito, a queda d’água está simbolizada nas artes, no comércio, nas atividades econômicas (sobretudo no geoturismo), sendo inclusive objeto de preservação oficial, haja vista a Área de Preservação Ambiental (APA) criada no seu entorno pelo Governo do Estado em 1999 com essa perspectiva (Lopes, 2019). Diante do cenário de exceção do ponto de vista hídrico, da riqueza geomorfológica (rio anaclinal em glint) e do contexto biogeográfico (presença de formação florestal com espécies da Amazônia e Mata Atlântica) (Lopes, 2019), e considerando os elementos considerados nos parágrafos anteriores, classificamos a Bica do Ipu na categoria de “geomorfossitio hídrico”, o primeiro a ser identificado nessa perspectiva no Nordeste Setentrional. Referências Brilha, J. 2005. Patrimônio Geológico e Geoconservação: a conservação da natureza na sua vertente geológica. Braga: Palimage Editora Gray, M. 2004. M. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. Londres: John Willey and Sons. Lopes, FL. 2019. Geoambiente e Geodiversidade na Área de Preservação Ambiental da Bica do Ipu, Estado do Ceará: desafios para a sustentabilidade. Dissertação de Mestrado, Mag UVA. Nascimento MAL, Ruchkys UA, Mantesso-Neto V. 2008. Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo: trinômio importante para a conservação do patrimônio geológico. Sociedade Brasileira de Geologia.
Palavras-chave: Geomorfopatrimonio, Geomorfodiversidade, Geomorfossitio Hidrico
Oral
Abrir o trabalhoGeossítios como áreas de interesse em planos de manejo de unidades de conservação: exemplo da APA Marinha Litoral Centro, estado de São Paulo
MARIA DA GLORIA MOTTA GARCIA; Maria de Carvalho Tereza Lanza; Isadora Leite Silva; Vanessa Costa Mucivuna; Júlia Alves Costa; Débora Silva Queiróz
Como parte abiótica da natureza, a integração da geodiversidade à gestão de unidades de conservação (UCs) é essencial para o desenvolvimento de políticas de conservação da natureza, de educação e de (geo)turismo. De modo geral, o contexto geológico tem pouco destaque nos planos de manejo (PM) das UCs. Desde 2008, entretanto, a International Union for Conservation of Nature – IUCN, órgão internacional responsável pelas diretrizes para áreas protegidas, vem incluindo a geodiversidade e o patrimônio geológico em sua agenda, por meio de várias resoluções, formação de Grupo de Especialistas e capítulo no manual de gestão (Crofts et al. 2015). O reconhecimento de sítios geológicos por meio de inventários sistemáticos é fundamental para detectar os locais mais relevantes em termos científicos, educativos e turísticos e promover seu uso sustentável. No estado de São Paulo, estes inventários vêm sendo realizados desde 2011 e permitiram a definição de mais de 130 sítios geológicos na região costeira. Cinco destes locais, incluídos no inventário estadual (Garcia et al. 2018), inserem-se nos limites da Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Centro (APAMLC) e foram instituídos como Áreas de Interesse Histórico Cultural (AIHC) no PM, aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA) em junho/2019 e encaminhado para publicação como Decreto Estadual, quando passa a vigorar. A instituição dos 5 geossítios como AIHC foi proposta mediante: i) comprovação da condição fática apresentada no inventário; ii) publicidade da proposta (2 oficinas de zoneamento, 1 oficina de programas, 9 reuniões setoriais descentralizadas pelas comunidades e disponibilização em site oficial); iii) discussão da proposta com garantia da manifestação do contraditório pelos representantes dos setores da pesca artesanal (todas as modalidades/município), produtivo (pesca, indústria e turismo), direitos difusos (academia, órgãos governamentais) e conselho gestor, partes integrantes do processo participativo do PM; e iv) aprovação pelos conselheiros. A proposta foi analisada e discutida pelo comitê de integração dos PM, composto por representantes do Sistema Ambiental Paulista. O zoneamento da UC reconhece ainda a Zona de Proteção da Geobiodiversidade (ZPGBio), destacando a relevância e o papel igualitário dos elementos bióticos e abióticos no meio natural (MA 2019). Os geossítios estão localizados em quatro municípios (Fig. 1): Peruíbe (Granulitos de Peruíbe), Guarujá (Relações de contato da Ponta das Galhetas), Itanhaém (Gnaisses e migmatitos da Cama de Anchieta) e Bertioga (Milonitos da Praia de São Lourenço e Terraços Marinhos Holocênicos da Praia de Itaguaré). Em conjunto, estes locais contam uma história geológica que vai desde o Paleoproterozoico até o recente e, além da relevância científica, têm potencial para promover o uso educativo e turístico da geodiversidade. Fig. 1 – Mapa da APA Marinha Litoral Centro no estado de São Paulo e localização dos geossítios. Modificado de SIGAM (2019). Para a implementação das AIHC estão previstas ações prioritárias no Programa de Gestão do PM. As regras de cada AIHC serão elaboradas e aprovadas no âmbito do Conselho Gestor, garantindo a participação social e encaminhadas para manifestação do Comitê de Integração, para posterior publicação como Resolução do Secretário de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente (Artigo 12 do Decreto Estadual n° 53.526/2008), que prevê as competências de regramentos na APAMLC. Em abril de 2019 tiveram início ações convergentes à implementação do plano mesmo antes de entrar em vigor, com a inauguração do roteiro no Centro de Pesquisas e Educação Ambiental da Prefeitura Municipal de Itanhaém, voltado a alunos do 5o e 6o anos do ensino fundamental. No local foi ilustrado um mural interpretativo com os atrativos naturais protegidos do município nas UCs gerenciadas pela Fundação Florestal, no qual o geossítio AIHC “Gnaisses e migmatitos da Cama de Anchieta” é um dos destaques. Uma cartilha voltada ao público em geral sobre as áreas protegidas estaduais de Itanhaém também está em fase final de elaboração e inclui informações geológicas sobre o local. Trata-se da primeira vez que sítios geológicos obtidos a partir de inventários sistemáticos são incluídos formalmente em planos de manejo de UCs no Brasil. Isto traz perspectivas importantes para a inclusão da geodiversidade e do patrimônio geológico em áreas protegidas no país e para a gestão e uso destes locais em áreas dominadas por estudos voltados à biodiversidade. Além disso, estas ações reforçam a importância dos inventários como bases para reconhecimento, avaliação, proteção e uso de sítios geológicos.
Palavras-chave: geossítio, patrimônio geológico, políticas públicas, unidades de conservação
Oral
Abrir o trabalhoIdentificação dos serviços ecossistêmicos prestados pela geodiversidade da Bacia de Taubaté – SP: Rifte Continental do Sudeste do Brasil
FERNANDA COYADO REVERTE; Maria da Glória Motta Garcia; José Brilha
Os serviços ecossistêmicos da geodiversidade correspondem aos benefícios disponibilizados direta ou indiretamente pelos elementos abióticos da natureza, tais como os rios, solos, rochas e minerais, utilizados para promover o bem-estar da população (Gray, 2013). Embora existam outras classificações na literatura, neste trabalho adotou-se a classificação proposta por Brilha et al (2018), que busca ilustrar a inter-relação entre natureza, geodiversidade e sociedade por meio de quatro funções: regulação, suporte, provisão e cultural – a mesma utilizada na Avaliação Ecossistêmica do Milênio, a primeira iniciativa global no tema (MEA, 2005). A Bacia de Taubaté possui elementos da geodiversidade que contribuem diretamente com o bem estar de seus habitantes, disponibilizando uma variedade de recursos naturais utilizados tanto pela população quanto por setores industriais, principalmente do ramo da mineração. Localizada na porção leste do estado de São Paulo, a bacia ocupa uma área aproximada de 2400 km², altamente urbanizada, abrangendo onze municípios. Instalada durante o Eoceno/Oligoceno, faz parte de um conjunto de bacias pertencentes ao Rifte Continental do Sudeste do Brasil, relacionada à fase tardia do evento de ativação tectônica da Plataforma Sul Americana. Apresenta uma densa rede hidrográfica, representada pelo Rio Paraíba do Sul e afluentes, responsável pelo abastecimento de importantes polos industriais do país e de grande parte da população local. Dispõe ainda de um relevante patrimônio geológico, com geossítios que registram parte da história evolutiva do país, com ênfase nos aspectos geomorfológicos, em decorrência de sua localização privilegiada entre as Serras do Mar e Mantiqueira, paleontológicos, visto que a área é considerada uma das mais significativas em ocorrências de fósseis do sudeste brasileiro, e nos recursos minerais, abundantes da região (Reverte et al., 2019). Esta elevada geodiversidade torna a bacia um importante instrumento de ensino em virtude dos diversos afloramentos didáticos que são utilizados há anos para pesquisa científica. No entanto, por se tratar de uma bacia sedimentar, estes locais estão submetidos à ação de intemperismo severo, o que torna parte dos elementos abióticos extremamente frágeis. Além disso, atividades antrópicas também configuram ameaças à geodiversidade, interferindo no fluxo dos serviços ecossistêmicos. Diante do exposto, por meio da avaliação qualitativa da geodiversidade da bacia, foram identificados os serviços ecossistêmicos da região a fim de demonstrar como os elementos da geodiversidade foram e são fundamentais no desenvolvimento local. A avaliação qualitativa teve como base os aspectos físicos observados na área de estudo, onde foram definidos seis elementos principais: rochas e estruturas, recursos minerais, fósseis, formas de relevo, recursos hídricos (hidrografia e hidrogeologia) e solos. A partir desta classificação foram descritos os serviços ecossistêmicos prestados por cada um destes elementos, enfatizando sua importância no âmbito do provimento dos recursos como fator determinante na qualidade da vida de todos os seres vivos.
Oral
Abrir o trabalhoInventário e quantificação dos Locais de Interesse Geológico do Projeto Geoparque Corumbataí, interior do estado de São Paulo
ANDRÉ DE ANDRADE KOLYA; Flávio Henrique Rodrigues; Mariselma Ferreira Zaine; Leonardo Flório Lessi; Marina Ciccolin de Almeida; José Alexandre de Jesus Perinotto; José Eduardo Zaine
A Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí, situada no centro-leste do estado de São Paulo, constitui uma região de notável geodiversidade, sendo objeto do desenvolvimento de estratégias de geoconservação e desenvolvimento sustentável, como o Projeto Geoparque Corumbataí. A bacia compreende 1.710 km², entre os municípios de Analândia, Charqueada, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Piracicaba, Rio Claro e Santa Gertrudes. Geologicamente, a área de estudo está situada na borda leste da Bacia Sedimentar do Paraná, apresentando, localmente, o registro de sucessivos ciclos de erosão e deposição de sedimentos e por eventos de intrusões e derrames basálticos, estendendo-se do Carbonífero ao Cretáceo. Neste contexto, a geodiversidade da região é representada por materiais, processos e paisagens, cuja análise contribui para a compreensão da evolução natural do território, incluindo a dinâmica de interações entre as diferentes esferas do meio ambiente. Assim, o presente trabalho tem o objetivo de apresentar o levantamento e a avaliação quantitativa dos valores e da relevância de Locais de Interesse Geológico (LIGs) na região da Bacia do Corumbataí, definindo-se potencialidades e prioridades de uso e proteção do geopatrimônio. Este trabalho adotou os métodos de inventário e avaliação quantitativa dos LIGs, propostos por Brilha (2016). O inventário compreendeu identificação e caracterização de pontos de interesse dotados de conteúdos da geodiversidade com relevância para uso científico, educativo e/ou turístico. Os procedimentos incluíram pesquisa bibliográfica, consulta às comunidades local e científica, trabalhos de campo e tratamento dos dados, apresentados na forma de um banco de dados georreferenciados. No inventário foram incluídos LIGs com referências na bibliografia consultada ou com indicação de uso pela comunidade. A avaliação quantitativa foi realizada no intuito de hierarquizar a relevância, o potencial de uso, o risco de degradação e o grau de urgência para ações de proteção nos Locais inventariados. Para tanto, os LIGs foram avaliados por critérios expressos em parâmetros numéricos. Foram definidos três conjuntos de critérios: Valor Científico, Risco de Degradação e Potenciais de Uso Educativo e Turístico. O inventário resultou no registro de 170 LIGs, descritos na integra na dissertação de Kolya (2019). A classificação pela avaliação quantitativa especificou 76 Geossítios e 94 Sítios da Geodiversidade. Dos 76 Geossítios, 25 foram indicados como de relevância internacional e 51 de relevância nacional. Entre os 94 Sítios da Geodiversidade, 36 apresentam relevância nacional, 44 relevância regional e 14 relevância local (Figura 1). A quantificação do Risco de Degradação revelou a existência de 28 LIGs com alto risco de degradação, 56 com médio risco de degradação e 86 com baixo risco de degradação. As principais ameaças que elevam o Risco de Degradação dos LIGs são decorrentes de fatores como urbanização, intemperismo e erosão, indicando elevado grau de vulnerabilidade do geopatrimônio. Os resultados obtidos corroboram a hipótese de que a região da Bacia do Corumbataí é dotada de variados elementos do geopatrimônio de alta relevância e que justificam o desenvolvimento de uma estratégia de Geoparque no local, com a devida cautela para promover o uso sustentável dos LIGs.
Oral
Abrir o trabalhoMAPA DO PATRIMÔNIO GEOLÓGICO DA AMÉRICA DO SUL
CARLOS SCHOBBENHAUS; FERNANDO MIRANDA
l O Mapa do Patrimônio Geológico da América do Sul (Geoheritage Map of South America), escala 1:5M, é um projeto de cooperação internacional sob a égide da Comissão da Carta Geológica do Mundo (Commission for the Geological Map of the World-CGMW) com duração prevista de quatro anos. Os diversos serviços geológicos são membros estatutários da CGMW e a execução desse projeto será realizada em cooperação com a Associação de Serviços Geológicos e Mineiros Iberoamericanos (ASGMI) e a participação da comunidade geocientífica. O projeto terá duas coordenações gerais (área andina e área não andina), bem como, coordenações nacionais para os diversos países participantes. O projeto deverá registrar as feições notáveis da geodiversidade, representadas por sítios geológicos in-situ e, também, os elementos de valor relevante do patrimônio geológico móvel (ex-situ) que, principalmente, fazem parte de museus. O inventário do Patrimônio Geológico baseia-se, sobretudo, em critérios científicos, mas outros tipos são considerados, a exemplo do potencial uso educativo e turístico/cultural. Assim, o patrimônio geológico é identificado especificamente como possuindo necessidade de conservação, principalmente se ele é ameaçado por atividades humanas e pode ser perdido ou danificado. Em nível mundial, esse projeto provavelmente será o primeiro de uma série de mapas continentais dessa comissão, relacionados ao Patrimônio Geológico. O inventário dos sítios do patrimônio geológico de cada país deverá formar uma base dados estruturada em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). A localização dos sítios será indicada sobre uma base geológica sul-americana,compatível com o objetivo do projeto. Diversos países sul-americanos já realizaram atividades relacionadas ao inventário de seu patrimônio geológico. Com o apoio da ASGMI, os serviços geológicos do continente são convidados a contribuir para a execução desse importante projeto, com a colaboração de geocientistas com conhecimento da área a ser inventariada (especialistas temáticos), representando diferentes domínios e expertises das geociências, incluindo geólogos, geógrafos, geomorfólogos, paleontólogos, espeleólogos, sedimentólogos, etc. Sua principal tarefa é sugerir sítios potenciais e fornecer conhecimentos geológicos para a caracterização desses sítios. Principais atividades previstas para a preparação do Mapa do Patrimônio Geológico da América do Sul: Revisão da literatura e levantamento de inventários preexistentes; Consulta a autores e especialistas temáticos; Definir contextos geológicos registrando os principais eventos geológicos ocorridos; Avaliar sítios geológicos (Geossítios ou Lugares de Interesse Geológico -LIGs) em cada contexto geológico; Definir sítios geológicos mais relevantes de valor científico, educativo e turístico/cultural; Montar base geológica do continente, simplificada e estruturada em um SIG, através da generalização do novo Mapa Geológico da América do Sul, 2019; Indicar sobre a base geológica os sítios geológicos selecionados; Registrar locais com importante patrimônio geológico móvel (ex-situ); Definir critérios comuns entre os países sul-americanos para avaliação qualitativa e quantitativa de geossítios ou LIGs de alta relevância; Preparar uma base de dados em SIG dos sítios selecionados para o inventário; Elaborar pequena nota explicativa de cada sítio selecionado (inglês, português e espanhol); Elaborar pequena nota explicativa sobre o acervo de maior destaque do patrimônio geológico móvel (inglês, português e espanhol); Submeter resultado obtido ao Grupo de Peritos em Patrimônio Geológico da ASGMI, para aprovação final; Preparar SIG final do Mapa do Patrimônio Geológico da América do Sul; Apresentar resultados à CGMW e à ASGMI; Registrar sítios selecionados no banco de dados do GeoHeritage Task Group - IUGS (União Internacional de Ciências Geológicas). Referências ASGMI-Asociación de Servícios de Geología y Minería de Iberoamérica (2018b) Bases para el desarrollo común del Patrimonio Geológico en los Servicios Geológicos de Iberoamérica. Proposta metodológica aprovada na XXIV Assembléia Geral da ASGMI, Salta, Argentina, 15 p. (http://asgmi.org/wpcontent/uploads/2018/10/Bases-Metodologicas-Patrimonio-Geologico.pdf) Brilha J (2005) Património geológico e geoconservação: a conservação da natureza na sua vertente geológica. Palimage Editores, Viseu, p. 190. Brilha J (2016) Inventory and quantitative assessment of geosites and geodiversity sites: a review. Geoheritage 8(2):119–134. Carcavilla L, Durán JJ, Garcia-Cortés A, López-Martinez J (2009) Geological heritage and geoconservation in Spain: past, present, and future. Geoheritage 1(2–4):75–91. CPRM, Serviço Geológico do Brasil. Sistema de Cadastro e Quantificação de Geossítios e Sítios da Geodiversidade. GEOSSIT. (https://www.cprm.gov.br/geossit/.) García-Cortés A, Urquí LC (2009) Documento Metodológico para la elaboracion del inventario espanñol de lugares de interés geológico (IELIG). Madrid: Instituto Geológico y Minero de España (IGME), 2009. García-Cortés A, Carcavilla L, Díaz-Martínez E, Vegas J (2014) Documento metodológico para la elaboración del Inventario Español de Lugares de Interés Geológico (IELIG). V. 5/12/2014. 72 p. Lima FF, Brilha JB, Salamuni E (2010) Inventorying geological heritage in large territories: a methodological proposal applied to Brazil, Geoheritage, DOI 10.1007/ s12371-010-0014-9. Lima FF, Schobbenhaus C, Nascimento MAL (2017) Brasil. In: Prieto JLP, Cortez JLS, Schilling ME (Eds.) - Patrimonio Geológico y su conservación en América Latina-Situación y perspectivas nacionales. Instituto de Geografia, Universidad Nacional Autonoma de Mexico, Coleccion: Geografia para el siglo XXI Serie: Libros de investigacion, num. 18, Mexico, 2016, p. 55-79. Nascimento MAL, Ruchkys UA, Mantesso-Neto V (2008). 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Oral
Abrir o trabalhoMétodo para avaliação da prioridade de proteção de Locais de Interesse Geológico: proposta aplicada ao inventário do Projeto Geoparque Corumbataí, interior do estado de São Paulo
ANDRÉ DE ANDRADE KOLYA; Flávio Henrique Rodrigues; Mariselma Ferreira Zaine; José Alexandre de Jesus Perinotto; José Eduardo Zaine
A consolidação da geoconservação, como um ramo emergente das Geociências, foi acompanhada pelo crescimento em número e diversidade de trabalhos acadêmicos defendidos nesta área (Henriques, 2011; Ruchkys, Mansur & Bento, 2017). Todavia, conforme notado por Romão & Garcia (2017), as etapas de geoconservação (Brilha, 2005) não são uniformemente representadas na produção acadêmica brasileira. Os estudos analisados se ocupam, predominantemente, das fases de inventário, quantificação e divulgação, enquanto as fases de proteção legal, conservação e monitoramento são desenvolvidas com menor frequência. Neste sentido, é importante que, nos estudos voltados ao inventário e quantificação, sejam inseridos mecanismos para subsidiar as etapas seguintes de geoconservação. Dessa forma, o presente trabalho tem o objetivo de propor um método de avaliação da prioridade de proteção de Locais de Interesse Geológico (LIGs), de forma a direcionar projetos futuros de proteção física e/ou jurídica, monitoramento e uso sustentável do geopatrimônio. Esta temática já foi abordada por autores como Guimarães et al. (2018), propondo um método para avaliar o grau de prioridade para a gestão do impacto de visitação em geossítios do Geoparque Global da UNESCO Araripe (CE). García-Cortés e Urquí (2013) adotaram uma fórumla de avaliação da Prioridade de Proteção fundamentada na soma do Risco de Degradação com o quadrado da soma dos Valores Científico, Educativo e Turístico. Apesar de amplamente utilizado, Moura, Garcia e Brilha (2018) reconheceram limitações neste método, observando distorção dos resultados, notadamente na classificação de Locais de baixa relevância como prioritários. O método proposto consiste em analisar, de forma conjunta, a Relevância dos LIGs em função do Risco de Degradação, conforme definidos pela quantificação de Brilha (2016). A análise combinada destes parâmetros foi realizada conforme os critérios da Figura 1, resultando em quatro possíveis classes de Prioridade de Proteção: – Máxima: caracterizada por LIGs com moderado estado de conservação, alto risco de degradação e alta relevância, indicando prioridade primária para ações de proteção, conservação e monitoramento. – Alta: abrange LIGs com moderado estado de conservação, moderado a alto risco de degradação e moderada a alta relevância, sendo recomendada prioridade secundária para ações de proteção, conservação e monitoramento. – Programada: apresenta LIGs com moderado estado de conservação, moderado risco de degradação, baixa a moderada relevância, onde se propõe um cronograma de médio prazo para ações de proteção, conservação e monitoramento. – Acompanhamento: engloba LIGs com satisfatório estado de conservação e baixo risco de degradação, sendo indicado o monitoramento para manutenção das condições. Os LIGs desta categoria ocupam posição de destaque por estarem potencialmente aptos a receber ações de valorização e promoção, após a elaboração de planos de uso, manejo e/ou gestão. O método proposto foi aplicado à região proposta para o Projeto Geoparque Corumbataí, em desenvolvimento no interior do estado de São Paulo. Em recente inventário do projeto, foram identificados 170 LIGs (Kolya, 2019). Como resultado da análise, verifica-se que do total de LIGs, 30% foram classificados nas categorias de prioridade Máxima (6 LIGs) ou Alta (45 LIGs). A maior parte dos LIGs (86 ou 51% do total) foi classificada na categoria Acompanhamento. Destes, 35 ou 21% do total de sítios inventariados são de alta relevância científica e/ou potencial de uso, ou seja, os mais propícios e relevantes para receberem atividades científicas, educativas ou turísticas. A avaliação da Prioridade de Proteção é apresentada neste trabalho como uma análise complementar da etapa de quantificação do geopatrimônio, sugerindo potencialidades e urgências para ações futuras nos LIGs, permitindo, assim, melhor foco no planejamento das atividades. O método proposto se destaca pela facilidade de aplicação, podendo ser considerado uma forma expedita de alinhar projetos de inventário e quantificação às demais etapas das estratégias de geoconservação.
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Abrir o trabalhoNaquelas pedras existem figuras: um estudo de caso sobre o sítio arqueológico Dona Pedrina, Valença do Piauí-PI
LUCAS EMANNUEL SAMPAIO SOUSA; ANA MARIA ALMEIDA DE CARVALHO; ANA LUISA MENESES LAGE DO NASCIMENTO
O sítio arqueológico Dona Pedrina (Figura 1) está localizado no povoado Buritizal, no município de Valença do Piauí, PI. Em uma descrição prévia, este sítio consiste em um pequeno abrigo rochoso de arenito com pinturas rupestres da Tradição Agreste e gravuras da Tradição Itacoatiara que está posicionado no quintal de uma propriedade privada e que por isso possui características únicas. Este contato direto e diário com a população que ali reside transforma seu contexto em diferentes níveis, fazendo com que compreensão sobre a conservação desse patrimônio seja merecidamente discutida. Entende-se por “arte rupestre” como Prous (1992) explica, sendo as impressões feitas pelo homem nos suportes rochosos, sendo a palavra “rupestre” que mais designa e especifica esse tipo de produção, pois ela vem do latim significando “rochedo”, ou seja, a arte na rocha. Portanto, as pinturas rupestres, assim como as gravuras necessitam da rocha para ser parte do que são. Quando apontamos o termo patrimônio, incluímos Patrimônio Arqueológico de acordo com Schmitz (1988) como sendo a herança das gerações passadas com transmissão obrigatória às gerações futuras, e Patrimônio Geológico tratando-se dos traços geológicos da história da terra, como aponta Billet (1994). Partindo desses pressupostos que o presente trabalho teve como foco principal destacar as relações intrínsecas entre os dois tipos de patrimônios encontrados no sítio Dona Pedrina e como elas respondem a necessidade preservação. Hall & McArthur (1996) explicam que o auge da gestão do patrimônio é a zona de equilíbrio entre a proteção do mesmo e o acesso ao público. A sensibilização sobre a importância de políticas voltadas para a educação patrimonial bem como para a geoconservação são um constante desafio para um panorama dentro dos conformes diante da manutenção da cultura material e do desenvolvimento sustentável (Brilha 2009, Bacci et al. 2009, Piranha & Lama, 2011). A metodologia utilizada fora por meio de levantamento bibliográfico de artigos, livros, teses e dissertações pertinentes ao tema e sobre a área e por observações feitas diretas em campo. Assim sendo, em função de seus aspectos geológicos e culturais que esse sítio passe a uma categoria de maior importância dentro da comunidade e que se possam promover futuramente atividades de cunho educacional e turístico, além de novas pesquisas tanto de cunho arqueológico como geológico ou geomorfológico e que a sua preservação seja fruto de incentivo a gerações posteriores.
Palavras-chave: Arte Rupestre, Patrimônio Arqueológico, Patrimônio Geológico
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Abrir o trabalhoO Jardim Geológico da UNESP e a geodiversidade da região de Rio Claro, SP
RAPHAEL PARRA; THAIS CERQUEIRA SANTOS; WASHINGTON BARBOSA LEITE JUNIOR; JOSÉ EDUARDO ZAINE
Introdução No ano de 2019 o curso de Geologia da UNESP – Campus Rio Claro completa 50 anos de existência e, como forma de celebrar e materializar esta importante data, foi resgatado o antigo sonho de construir um Jardim Geológico no gramado em frente ao prédio do curso. A proposta foi bem aceita pela comunidade acadêmica, que se engajou com o intuito de elaborar um projeto sólido e viável para a realidade da universidade pública. O conceito de Jardim Geológico pode ser definido como uma exposição de materiais de cunho científico, como amostras de rochas e fósseis, dispostos de maneira a criar um ambiente atrativo e rico em conhecimento a cerca da formação e evolução do planeta Terra. De forma simplificada, pode ser descrito como um “museu a céu aberto”, composto por elementos didáticos, interativos e inclusivos. Assim, segundo Dillon et al. (2000), constitui uma importante ferramenta no ensino das geociências por proporcionar ao público, universitário ou não, um senso de Geologia mais realístico do que os métodos tradicionais de sala de aula ou laboratório. Paralelamente a este projeto, vêm sendo desenvolvidas pesquisas e ações na área de geoconservação e geodiversidade da região do município de Rio Claro, mais especificamente na área da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí. Tais atividades, amadurecidas ao longo dos últimos anos, culminaram na proposta de um ousado projeto, que se mostra extremamente importante para a preservação do patrimônio geológico regional: o Geoparque Corumbataí. Este trabalho pretende relatar o processo de construção do projeto do Jardim Geológico e apresentar seus resultados, bem como identificar de que forma este pode exercer o importante papel de patrimônio geológico dentro do contexto do geoparque, contribuindo com a divulgação e valorização de sua rica geodiversidade. Materiais e Métodos A iniciativa de construção do Jardim Geológico teve início em 2018, quando membros do Programa de Educação Tutorial – Grupo PET Geologia, em conjunto com uma comissão de docentes do curso, se mobilizaram em um grupo de trabalho, cujo objetivo principal era desenvolver um projeto completo e aplicável. Durante o ano foram realizadas amplas pesquisas a cerca de exemplos de projetos como estes ao redor do mundo que pudessem embasar e inspirar a construção de uma unidade no campus da UNESP de Rio Claro. Também foram pesquisados e discutidos os conteúdos geológicos que seriam introduzidos nesse espaço, bem como a maneira com a qual estes poderiam ser apresentados de forma simples e acessível ao público. Por fim, foram elaborados alguns modelos esquemáticos básicos daquilo que se desejaria obter como resultado final, materializando toda a ampla gama de ideias levantadas durante o processo de pesquisa. Então, no início do ano de 2019, se estabeleceu uma parceria com membros do Grupo PET Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com a intenção de que este grupo atuasse de forma mais técnica na elaboração de um projeto avançado de arquitetura e paisagismo. Assim, por meio de reuniões presenciais e visitas técnicas, alinharam-se os conceitos destas duas diferentes áreas para desenvolver um projeto de Jardim Geológico moderno e multidisciplinar. Resultados e Discussão Ao final das etapas de trabalho, obteve-se como produto principal o projeto de Jardim Geológico que traz consigo uma ampla variedade de elementos científicos, distribuídos de maneira a criar um ambiente lúdico e agradável. Um percurso através do tempo geológico oferecerá ao visitante uma imersão na história do planeta Terra, desde a sua formação até os dias atuais. Dessa forma, pretende-se inserir, de maneira instigante, o conceito de tempo utilizado nas geociências, conflitando-o com o conceito de tempo histórico e expondo a efemeridade do ser humano diante desse cenário. Para fins de elucidação, o percurso será segmentado em: Pré-Cambriano, Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico. Os principais eventos geológicos pelos quais passou nosso planeta serão representados através de grandes blocos de amostras de rochas e réplicas de fósseis, criando um ambiente interativo e dinâmico onde o visitante possa, além de observar, tocar e sentir os materiais, tal como um geólogo em trabalho de campo. Além do trajeto, serão dispostos três espaços, denominados “praças” que trarão conteúdos geológicos de temas variados. A primeira praça receberá a temática de estrutura e composição da Terra, apresentando ilustrações da compartimentação do interior do planeta. A segunda praça trará informações sobre os supercontinentes, elucidando a teoria da deriva continental e placas tectônicas, exibindo painéis com os principais supercontinentes do passado, a disposição atual dos continentes e o supercontinente previsto para o futuro. Por último, a Praça da Geodiversidade trará elementos e informações a cerca do meio físico, ambientes, fenômenos e processos que deram origem aos recursos geológicos da região de Rio Claro, com destaque para o Geoparque Corumbataí. O Jardim Geológico, quando estabelecido, constituirá um importante elemento do patrimônio geológico regional, baseando-se na definição de Nieto (2002), que inclui nesse conceito as coleções de objetos geológicos embutidas de valor científico, cultural ou recreativo. Através do seu potencial educativo, atuará como veículo de divulgação de informações a cerca da geodiversidade do município e região, colaborando com sua valorização frente à comunidade acadêmica ou externa à universidade. Dessa forma, pretende-se colaborar diretamente com as ações de conservação relacionadas ao Projeto Geoparque Corumbataí, uma vez que tais projetos se integram e complementam. Conclusão A elaboração deste projeto mostrou-se um desafio para todas as partes envolvidas, devido ao seu caráter inovador e por representar o primeiro contato dos participantes com o assunto. Entretanto, os resultados colhidos foram extremamente satisfatórios, criando um projeto que virá a ser um espaço de grande importância para o curso de Geologia da UNESP – Campus Rio Claro. Por fim, cabe citar que, para sua execução, este projeto dependerá de recursos financeiros e materiais, provenientes de patrocínios, apoios e parcerias. Referências Nieto, L. M. 2002. Patrimonio Geológico, Cultura y Turismo. Boletin del Instituto de Estudios Giennenses, 2002(182):109-122. Dillon, D. L.; Hicock, S. R; Secco, R. A.; Tsujita, C. J. 2000. A Geologic Rock Garden as an Artificial Mapping Area for Teaching and Outreach. Journal of Geoscience Education. 2000(48): 24-29.
Palavras-chave: Jardim Geológico,Geodiversidade,Geoparque Corumbataí
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Abrir o trabalhoOcorrência de Feições Geológicas e Arqueológicas na Região da Praia do Silveira, Garopaba - SC
EDUARDO ADRIANI RAPANOS; Lucas Vargas Moraes
As feições descritas abaixo situam-se no município de Garopaba (SC) em uma área de costão localizada entre a Praia do Silveira e a Praia da Vigia. Com aproximadamente 0,4 km², a região é composta por elementos da geodiversidade com grande importância científica e cultural que devem ser registrados e preservados como forma de valorizar o conhecimento geológico e histórico no local. As rochas que compõem a maior parte do costão são classificadas como Granitóides Garopaba (GG) e Granito Paulo Lopes (UFRGS, 1999; BITENCOURT et al., 2008; UFSC, 2018). Essas unidades pertencem a Suíte Paulo Lopes (BITENCOURT et al., 2008) e são provenientes de um magmatismo pós-colisional temporalmente relacionado ao final da Orogênese Brasiliana/Pan-Africana (BITENCOURT; NARDI, 2000). Na área de estudo é possível observar o contato entre as duas unidades graníticas descritas acima, assim como xenólitos do Granito Paulo Lopes contidos nos GG. Localmente, a ocorrência de estratificação ígnea modal formada pelo acúmulo e alternância entre níveis ricos em biotita e anfibólio e níveis quartzo-feldspáticos (Florisbal, 2007; UFSC, 2018) fazem dessa uma das feições petrogenéticas mais interessantes da região (Figura 1). Diques e soleiras de composição gabróica também são abundantes na região e ocorrem como corpos tabulares de até centenas de metros. Esses diques são interpretados como condutos alimentadores de um magmatismo fissural relacionado ao Grupo Serra Geral que foi responsável pela forte influência termal impressa sobre as rochas graníticas. As evidências do calor gerado às encaixantes está registrada pela refusão dessas rochas e geração de estruturas como back-veining e contatos difusos (FLORISBAL et al., 2014). Esses registros da interação entre os terrenos pré-cambrianos e essa atividade hipabissal de grande escala revelam a história geológica desse magmatismo e são uma ferramenta didática para os estudantes de diversas áreas da geociências. Além disso, inscrições rupestres e oficinas líticas esculpidas nas rochas vulcânicas representam a presença de civilizações pré-colombianas na região, o que agrega diversos valores da geodiversidade, como definido por Gray (2004, 2005). Os principais valores identificados na região são científico, educacional, turístico e cultural representados pelas estruturas geológicas e atividades pré-colombianas que devem ser reconhecidas e divulgadas como uma forma educativa de conscientização da preservação do patrimônio geológico nacional. Fig. 1 – Granitóides Garopaba com estratificação ígnea modal marcada pela intercalação de níveis máficos e félsicos. Referências BITENCOURT, M. F.; BONGIOLO, E.M.; PHILLIP, R.P.; MORALES L.F.G.; RUBERT, R.R. Estratigrafia do Batólito Florianópolis, Cinturão Dom Feliciano, região de Garopaba – Paulo Lopes, SC. Revista Pesquisas em Geociências, Porto Alegre, v. 35, n.1, p. 109-136, 2008. BITENCOURT, M.F.; NARDI, L.S.V. Tectonic setting and sources of magmatism related to the Southern Brazilian Shear Belt. Brazilian Journal of Geology. São Paulo, V. 30, p. 186-189, 2000. BRILHA, J.B.R. Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a review. Geoheritage, v.8, n.2, p.119-134, jun. 2016. FLORISBAL, L. M. et al. Tectonic significance of the Florianópolis Dyke Swarm, Paraná–Etendeka Magmatic Province: A reappraisal based on precise U–Pb dating. Journal of Volcanology and Geothermal Research, nov. 2014, v. 289, p. 140-150. FLORISBAL, L. M. Evolução petrológica do magmatismo pós-colisional precoce da idade neoproterozóica do sul do Brasil: a suíte Paulo Lopes, SC. 2007. 110f. Tese de Mestrado em Geociências – Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. GRAY, M. Geodiversity and geoconservation: What, why, and how? Geodiversity & Geoconservation, 22(3):4-12, 2005. GRAY, M. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. London: John Wiley and Sons, 2004. 315p. UFRGS. Mapeamento Geológico de parte das folhas Paulo Lopes (MI2909/4) e Imbituba (2925/2), SC. Porto Alegre, 1999. Trabalho de Graduação do Curso de Geologia. Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escala 1:25.000.
Palavras-chave: Praia do Silveira,Garopaba,Feicoes Geologicas,Feicoes Arqueologicas
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Abrir o trabalhoOs Geossítios e os Principais Elementos da Geodiversidade da Formação Botucatu na Região das Pedras Brancas, Serra Catarinense, Sul do Brasil
EDUARDO ADRIANI RAPANOS; Lucas Moraes Vargas; Arthur Schimidt Nanni
A região das Pedras Brancas (PB) abrange os municípios de Lages, Painel e Bocaina do Sul onde ocupa uma área de aproximadamente 162 km² que pertence ao planalto sul de Santa Catarina. Esta região é esculpida pelas águas do Rio das Caveiras e possui grande relevância geológica e geomorfológica evidenciada pela geodiversidade das unidades litológicas e feições que compõem a paisagem. Essas feições podem ser utilizadas com cunho científico e/ou pedagógico para elucidar os processos que moldam a superfície terrestre e disseminar o conhecimento geológico para além do âmbito acadêmico. A região das PB é caracterizada por um espesso pacote de rochas sedimentares da Bacia do Paraná composto principalmente pela Formação Botucatu (Jurássico); rochas vulcânicas vinculadas ao Grupo Serra Geral (Cretáceo) e rochas ígneas alcalinas de um evento intrusivo tardio que deu origem ao Distrito Alcalino de Lages (Paleógeno). Destacam-se nesse cenário os grandes afloramentos de arenito eólico expostos na forma de escarpas de serra, vales e cânions que resultam num relevo ruiniforme e revelam um registro estratigráfico completo que aflora de forma descontínua mas expõe grande parte da Formação Botucatu. Inicialmente, foram feitas análises de imagens aéreas para delimitar áreas com feições geológicas e geomorfológicas de destaque que foram averiguadas em etapas de campo executadas posteriormente. Na etapa de campo foram realizadas descrições inéditas dos elementos de geodiversidade conforme a metodologia proposta no sistema GEOSSIT (CPRM) que resultaram no cadastro de seis novos geossítios ou sítios da geodiversidade. A relevância desses sítios foi avaliada conforme seu valores científico, educativo e turístico, assim como pelo risco de degradação da área (BRILHA, 2016). A inventariação desses elementos resultou na catalogação de dois geossítios de relevância internacional denominados Garganta do Diabo e Ruiniforme Pedras Brancas; um geossítio de relevância nacional nomeado Vale do Lambedor e três sítios da geodiversidade de relevância nacional intitulados Vale dos Pessegueiros, Pedra do Guardião e Dunas Pré-Históricas. Com esses resultados, busca-se contribuir para a evolução do conhecimento na área da geodiversidade e pela valorização e divulgação do patrimônio geológico na Serra Catarinense. Fig. 1 – Geossítios de relevância internacional localizados na região das Pedras Brancas, Santa Catarina. (a) Geossítio Ruiniforme Pedras Brancas; (b) Geossítio Garganta do Diabo. Referências BRILHA, J.B.R. Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a review. Geoheritage, v.8, n.2, p.119-134, jun. 2016.
Palavras-chave: Geossitios,Sitios da Geodiversidade,Pedras Brancas,Relevo Ruiniforme
Oral
Abrir o trabalhoPatrimônio Integral em perspectiva: reflexões a respeito do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e a comunidade do Fabião, em Minas Gerais
MONICA RODRIGUEZ; Flávia Cristina Costa Vieira; Deusana M.C. Machado; Mell Siciliano; Ranielle Menezes de Figueiredo
O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PNCP) está localizado na porção norte do estado de Minas Gerais, abrangendo parte dos municípios de Januária, ltacarambi e São João das Missões, distante 653 km de Belo Horizonte, e situando-se à margem esquerda do rio São Francisco. O acesso principal é feito pelas rodovias BR-040 e BR-135, percorrendo-se, a partir de Belo Horizonte, 424 km até Montes Claros, mais 169 km até Januária e 44 km até o povoado de Fabião, distrito de Levianópolis, município de Januária, onde fica a entrada do Parque e a sede local do ICMBio. O PNCP é uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral criada em 1997 a partir de um acordo celebrado entre o Ministério Público Federal (MPF) e a FIAT. Para a implantação da infraestrutura do Parque, a empresa adquiriu 6.000 hectares de terras localizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Cavernas do Peruaçu. A proposta de criação do Parque teve início em 1986, por meio de acordos iniciados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM). O PNCP foi efetivamente criado pelo IBAMA em 1999, com área de cerca de 56 mil hectares, englobando o núcleo principal das cavernas (6.000 ha) e extensas áreas adjacentes com cobertura vegetal nativa de Cerrado e Caatinga em bom estado de conservação. Em 2002 iniciaram-se os levantamentos de dados técnicos para o planejamento do Parque, concluído em 2005 com a entrega, ao IBAMA, do documento Plano de Manejo e Zoneamento (MMA/IBAMA, 2005). A região possui uma diversidade de elementos com valor patrimonial, constituída por relevos cársticos, cavernas calcáreas e sítios paleontológicos e arqueológicos (MMA/IBAMA, 2005). A associação entre esse conjunto de patrimônios e a sociedade de entorno promove interesses integrados, entre a visão cultural e natural da região. A comunidade do Fabião é um pequeno povoado localizado às margens do rio Peruaçu, onde fica a entrada principal do Parque e o escritório do ICMBio, se encontra fora da delimitação do Parque, mas dentro da Área de Proteção Ambiental e do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu. Boa parte dos moradores que foram desapropriados no processo de criação da Unidade de Conservação recomeçaram suas vidas indo morar com suas famílias nessa comunidade. Esse processo remete a existência de um mundo natural selvagem intocável e intocado, impregnado pelo pensamento racional (DIEGUES, 2000). Entretanto, essa ideia da natureza em seu estado puro não existe, haja vista as ocupações pretéritas da região e o próprio manejo realizado pela sociedade local em momentos anteriores à criação da UC. A relação entre as pessoas e o meio ambiente não se constitui numa coleção de coisas isoladas, nem uma realidade externa (CHAUÍ, 2000), tendo em vista que não há separação entre humanidade e natureza (ACSERALD, 2004). De acordo com o antropólogo Tim Ingold (1993) a paisagem conta uma história e se constitui como um todo, de modo que não existem vazios, projetando um mundo conhecido para aqueles que a habitam, vivem em seus lugares (BASSO, 1988) e transitam em seus caminhos, conectando-os. Assim, a região não se constitui exclusivamente como um espaço estático da natureza, mas como um local dinâmico, marcado por diferentes eventos, momentos, caminhos e trajetórias, coletivas e particulares, que ao serem revisitadas permitem a compreensão dos desdobramentos que levam ao que ele é hoje, identificando como os moradores da comunidade do Fabião interagem com esse patrimônio integral.
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Abrir o trabalhoPotencial para registro de patrimônio paleontológico Neopaleozoico e Mesozoico do norte do estado do Tocantins e sul do Maranhão
RAYLON DA FROTA LOPES; Carlos Roberto A. Candeiro; Cláudia Valéria de Lima
Introdução As regiões norte do estado do Tocantins e sul do Maranhão possuem registros paleontológicos de valor, principalmente científico. Essas áreas apresentam rochas sedimentares datadas para o Paleozoico (Permiano) ao Mesozoico (Triássico, Cretáceo Inferior). O patrimônio paleontológico já descrito para essas regiões se constitui de fósseis de pteridófitas das formações Pedra de Fogo (Permiano) e Motuca (Permiano), e icnofósseis (pegadas de dinossauros) para as formações Sambaíba (Triássico) e Corda (Cretáceo Inferior). Essas grandes áreas possuem um significativo potencial para a ocorrência de novos registros paleontológicos, apesar de nas últimas décadas ter havido poucos estudos sistemáticos para a exploração desta grande potencialidade. O presente trabalho tem como objetivo realizar o levantamento preliminar do patrimônio paleontológico do Permiano e Cretáceo Inferior do norte do estado do Tocantins e sul do Maranhão. Métodos Este trabalho se utilizou dos seguintes passos metodológicos: (1) levantamento bibliográfico sobre o tema trabalhado, sendo que as pesquisas bibliográficas foram desde uma macroescala com foco na Bacia Sedimentar do Parnaíba, cujas formações geológicas em estudo afloram, à escala local com produções já realizadas sobre as ocorrências fósseis aqui relatadas; (2) trabalho de campo nas áreas de estudo, para descrever os afloramentos e avaliar o estado das ocorrências; (3) interpretação dos dados a partir de análises das informações coletadas tanto na literatura quanto no campo. Resultados No norte do Tocantins há a ocorrência de uma floresta fossilizada, que se localiza no distrito de Bielândia, município de Filadélfia. Este patrimônio paleontológico levou à criação do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins (MONAF), que abrange uma extensa área contemplando rochas sedimentares das formações do Permiano: Pedra de Fogo e Motuca (Permiano), ambas pertencentes à Bacia do Parnaíba. A assembleia de fitofósseis presente nos vários geossítios do MONAF é composta por em sua maioria por Gimnospermas, cuja preservação se deu pelo processo de permineralização celular por sílica, no qual houve a infiltração e impregnação de sílica nas células e nos espaços intercelulares e assim a formação de uma matriz inorgânica que sustentou os tecidos das plantas (DIAS-BRITO et al., 2007). No sul do estado do Maranhão, às margens do ribeirão das Lajes, município de Fortaleza dos Nogueiras, Assis et al. (2010) descreveram uma área com pegadas dinossauros bípedes com 71 impressões tridáctilas digitígradas atribuídas a dinossauros carnívoros terópodes. Os icnofósseis encontrados neste geossítio estão preservados em lajes de arenito pertencentes à Formação Sambaíba (Triássico), Bacia do Parnaíba. As pegadas foram divididas em três grupos, sendo A e B correspondentes a pegadas de indivíduos de pequeno porte, e C correspondendo a pegadas de indivíduos de maior estatura. No extremo norte do estado do Tocantins, no distrito São Domingos na região denominada Bico do Papagaio, município de Itaguatins, às margens do rio Tocantins, se encontra o geossítio composto por icnofósseis, representados por pegadas de dinossauros herbívoros, atribuídas a saurópodes do Eocretáceo (LEONARDI, 1994; DE VALAIS et al., 2015). O geossítio é constituído por 20 pegadas, preservadas em rochas da Formação Corda (Cratáceo, Barremiano), Bacia do Parnaíba, distribuídas em quatro trilhas e também em pegadas isoladas. Os icnofósseis encontrados são pegadas subcirculares e algumas com impressão subtriangular, o que indica desgaste por erosão. Este geossítio possui um patrimônio paleontológico de significativa importância, pois as pegadas nele presente correspondem a dinossauros saurópodes basais que se encontravam distribuídos no norte do Gondwana durante o início do Cretáceo, sendo assim, este patrimônio paleontológico é uma importante contribuição para a icnofauna do Cretáceo do Hemisfério Sul. Conclusão As ocorrências fósseis das formações do Permiano estão entre os maiores achados de fitofósseis já relatados no mundo. As formações geológicas em que as ocorrências fósseis foram relatadas neste trabalho, correspondem a unidades com poucos registros fossilíferos conhecidos, sendo que as formações Sambaíba e Corda possuem apenas as preservações aqui relatadas como conhecidas em seus afloramentos até o presente momento. A ocorrência de icnofósseis relatada para a Formação Corda possui uma significativa importância biogeográfica, pois é de um período em que as regiões hoje correspondentes ao norte do Brasil e norte da África ainda estavam unidas. Há algum tempo atrás essas unidades geológicas eram consideradas afossilíferas, a descoberta de fósseis nessas unidades geológicas evidencia que as mesmas possuem um potencial à ocorrência de preservação fóssil com grande importância paleoecológica, paleobiogeográfica e estratigráfica, necessitando então que sejam realizados estudos nessas áreas para a possível descoberta de novos achados.
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Abrir o trabalhoProposta de criação de roteiros geoturísticos para o município de Ipeúna, interior do Estado de São Paulo
MARINA CICCOLIN DE ALMEIDA; José Eduardo Zaine; André de Andrade Kolya; Paulo Santos de Moraes
Ipeúna é um município do interior paulista com cerca de 7 mil habitantes, inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí e, no contexto geomorfológico, faz parte das Cuestas Basálticas e da Depressão Periférica Paulista. Está incluído em duas Áreas de Proteção Ambiental: APA Corumbataí, Botucatu, Tejupá - perímetro Corumbataí, e APA Piracicaba e Juqueri-Mirim - Área I. Desde 2018 tem o título de Município de Interesse Turístico (MIT) e faz parte da Região Turística da Serra do Itaqueri e do Projeto Geoparque Corumbataí. Geologicamente, Ipeúna se encontra no contexto estratigráfico da Bacia do Paraná. As rochas sedimentares depositadas na bacia evidenciam ciclos sucessivos de erosão e deposição e abrangem desde o Carbonífero até o Cretáceo. As rochas ígneas encontradas são provenientes de derrames basálticos ou eventos de intrusão na Era Mesozoica. A região é composta por vários elementos da geodiversidade de relevância espeleológica, estratigráfica, geomorfológica, paleontológica, arqueológica e ambiental, representados por cavernas, morros testemunhos, cachoeiras, afloramentos rochosos, sítios arqueológicos e ocorrências fossilíferas. O objetivo deste trabalho é propor a criação de roteiros geoturísticos no município, de modo a promover a difusão do conhecimento geológico, percorrendo trilhas e estradas rurais. Os sítios de interesse geológico da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí foram inventariados, quantificados e valorizados por Kolya (2019), segundo a metodologia de Brilha (2016), oferecendo subsídios ao Projeto Geoparque Corumbataí. No município foram identificados Geossítios de Relevância Nacional e Internacional, e Sítios da Geodiversidade de Relevância Local, Regional e Nacional. Com a criação destes roteiros pretende-se incentivar o interesse da comunidade local, turística e acadêmica pelos elementos do patrimônio geológico com valores educacionais, científicos, culturais e turísticos, e a sua relação com o meio ambiente, contribuindo, assim, para a geoconservação. A metodologia de trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica, sensoriamento remoto, consulta às comunidades local e científica, trabalhos de campo e tratamento dos dados para organizar um banco de dados georreferenciados, permitindo a proposição de três roteiros geoturisticos com cinco pontos cada. O roteiro 1 é voltado à comunidade científica incluindo quatro afloramentos (R1-1, RI-3, R1-4, R1-5) sendo um deles classificado como Sítio da Geodiversidade Local, dois como Geossítio Nacional e um como Geossítio Internacional e uma pedreira (R1-2) classificada como Geossítio Nacional. O roteiro 2 é voltado para a hidrologia da região e inclui quatro cachoeiras (R2-1, R2-2, R2-3, R2-5) sendo uma classificada como Sítio da Geodiversidade Regional, duas como Sítio da Geodiversidade Nacional e uma como Geossítio Internacional, e um encontro entre rios classificado como Geossítio Internacional (R2-4). O roteiro 3, denominado geoecológico, associa aspectos da geodiversidade com a biodiversidade, e permite a observação do relevo de cuestas e de um morro testemunho classificado como Sítio da Geodiversidade Regional (R3-2), percorrendo duas trilhas (R3-2 e R3-3) e o Parque Ecológico Municipal (R3-1) classificados como Sítios da Geodiversidade Nacional, além de um mirante considerado Geossítio Nacional (R3-5). Para a organização destes roteiros foram utilizados pontos localizados em áreas ou estradas públicas, ou em áreas particulares onde já existe atividade turística, permitindo o acesso a qualquer pessoa. Com isso, espera-se que os roteiros contribuam para proteção, conscientização e valorização do patrimônio geológico, por meio da atividade geoturística sustentável. Para estes roteiros é prevista a instalação de placas de sinalização e painéis explicativos nos percursos projetados, bem como a elaboração de materiais interpretativos como folhetos e mapas.
Oral
Abrir o trabalhoReconhecimento e Caracterização dos Meteoritos Resgatados Após Incêndio do Museu Nacional/UFRJ
FELIPE ABRAHÃO MONTEIRO; Filipe Abreu de Oliveira; Maria Elizabeth Zucolotto
Em 02 de setembro de 2018, o Museu Nacional (MN/UFRJ) foi devastado por um incêndio de grandes proporções, dizimando o Palácio, que abrigava as exposições e a maioria de suas dependências (laboratórios e coleções científicas), justamente no ano de seu bicentenário. A coleção de meteoritos do MN/UFRJ é a maior e mais específica no Brasil, sendo mantida e gerida pelo Departamento de Geologia e Paleontologia (DGP). Apesar de a maioria dos espécimes ter sido recuperada, muitos não poderão ser reconhecidos por simples aparência e peso. Será necessário reclassificá-los para realizar uma comparação com o catálogo existente e uma identificação precisa, o que é extremamente importante, uma vez que se trata de uma coleção que possui muitos meteoritos-tipo. Assim, está em desenvolvimento uma tese, pelo primeiro autor do resumo, e uma dissertação, pelo segundo, sendo orientadas pela terceira autora, que é a atual chefe do Setor de Meteorítica do DGP. Ambos os projetos têm como objetivo central reconstruir o acervo de meteoritos do MN/UFRJ resgatado após o trágico incêndio, com avaliação das implicações estruturais, composicionais e na dureza, geradas a partir dos efeitos térmicos. O trabalho consiste em identificar, classificar, restaurar, catalogar e acondicionar, ordenadamente, estes itens da coleção, recuperados em novos expositores, tendo como finalidade a criação de um banco de dados e imagens online. Toda a coleção que se encontrava no MN/UFRJ, à exceção do Bendegó e de alguns meteoritos que estavam na exposição ou em armários especiais, ficou sob os escombros e exposta às intempéries, misturando-se ao entulho, tornando-se muito difícil recuperá-los e reconhecê-los. Embora grande parte dos itens tenha sido resgatada, os lastros estão danificados, havendo muitas amostras misturadas. Com esse cenário caótico, perde-se, assim, por completo a importância científica da coleção, uma vez que não se tem a procedência dos materiais. Muitos do tipo rochoso, principalmente alguns menores e friáveis, quebraram-se ou até se desintegraram. Enquanto os metálicos, estão enferrujados e a demora no resgate ocasionou a “quebra” da carepa (camada protetora escura que se formou após o metal ser submetido a gradiente térmico), fazendo com que oxidassem rapidamente. Para dificultar ainda mais a recuperação, os menores também podem ser confundidos com placas de ferro enferrujadas do entulho. A metodologia aqui empregada utiliza técnicas analíticas na identificação e recuperação da coleção, aliadas à experiência, para reconhecimento de assembleias minerais, petrográficas e peculiaridades litogeoquímicas. Inicialmente, o reconhecimento e classificação dos meteoritos foram realizados com base no peso, tamanho, formato e textura das amostras, sendo comparados com fotos antigas do banco de dados e/ou catálogos informativos. Os itens resgatados foram separados em três grupos: identificados, suspeitos e não identificados. Posteriormente, análises petrográficas e metalográficas serão efetuadas, através de microscopia ótica. Os meteoritos, que após essa etapa não forem identificados, serão submetidos a análises químicas na EPMA (Electron Probe Micro-Analyzer), no LA-ICP-MS (Laser Ablation Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry) para identificação de isótopos e no INAA (Instrumental Neutron Activation Analysis) para obtenção de elementos-traço (Gálio, Germânio, Irídio e Ouro), a fim de correlacioná-los geneticamente a meteoritos semelhantes. Alguns meteoritos mais importantes, como o Angra dos Reis e o Serra de Magé, estavam guardados em uma gaveta de aço trancada (espécie de cofre), sendo mais facilmente resgatados. Os demais se encontravam em cima de bancadas ou em armários de vidro e de madeira que se desintegraram com o fogo, misturando-se com as cinzas e escombros dos dois andares superiores, além do telhado. Foi necessário um trabalho de aproximadamente três meses de resgate, em que todo entulho removido foi previamente examinado. As amostras menores foram recuperadas em peneiras. A coleção continha cerca de 470 itens, com 357 espécimes diferentes. Após o incêndio, foram resgatadas cerca de 400 amostras, no entanto não são de 400 meteoritos diferentes, e sim de 100 espécimes, alguns bem fragmentados. Destes, 37 são meteoritos brasileiros (Tab. 1), a maioria com apenas um espécime, apenas o Patos de Minas com dois (hexaedrito e octaedrito). Estatisticamente, podemos resumir da seguinte forma as massas recuperadas: • 100% dos meteoritos cuja massa era superior a 1 kg; • 80% com massa entre 100 g e 1 kg; • 60% com massa entre 50 g e 100 g; • 40% com massa entre 10 g e 50 g; • 10% com massa entre 2 g e 10 g; e • 5% com massa menor que 2 g, devido à dificuldade/impossibilidade de separar do entulho, mesmo com os equipamentos utilizados. Quanto às consequências do incêndio, estima-se um maior tempo para serem efetivamente avaliadas. Enquanto alguns meteoritos alteraram-se pouco, outros foram bastante danificados e muitos ainda não foram devidamente identificados. Desta forma, a recuperação e reconstrução desse acervo são fundamentais para o desenvolvimento científico, assim como para divulgação científica voltada à sociedade, a fim de diminuir a lacuna gerada pelo sinistro. Tab. 1 – Meteoritos brasileiros identificados e recuperados após o incêndio do Museu Nacional/UFRJ. Angra dos Reis Cratheús Pará de Minas Santa Catarina Avanhandava Faina Paranaíba Santa Luzia Balsas Itapicuru Mirim Patos de Minas (2 spp.) Santa Vitória do Palmar Barbacena Itutinga Patrimônio Santo Antônio do Descoberto Bendegó Lavras do Sul Piedade do Bagre São João Nepomuceno Blumenau Macau Pirapora Serra de Magé Bocaiuva Minas Gerais Putinga Veríssimo Campos Sales Nova Petrópolis Quijingue Vicência Casemiro de Abreu Palmas de Monte Alto Santa Bárbara Vitória da Conquista Referências Buchwald VF. 1975. Handbook of Iron Meteorites: Their History, Distribution, Composition and Structure. University of California Press, 1426 p. Monteiro FA. 2018. Caracterização Histórica, Mineralógica e Metalográfica de Artefatos Forjados Supostamente Utilizando Ferro Meteorítico. Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Geopalentológico, Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dissertação de Mestrado, 110 p. Scott ERD, Wasson JT. 1975. Classification and properties of iron meteorites. Rev. Geophys. Space Phys., 13: 527-546. Sears DWG, Dodd RT. 1998. Overview and classification of meteorites. In Kerridge JF, Matthews MS, eds., Meteorites and the Early Solar System, pp. 3-31. Tucson, AZ: University of Arizona Press. Zucolotto ME, Fonseca AC, Antonello LL, Monteiro FA. 2013. Decifrando os Meteoritos. Rio de Janeiro, Museu Nacional, Série Livros 52, 160.
Palavras-chave: Meteoritos,Acervo,Resgate,Museu Nacional/UFRJ
Oral
Abrir o trabalhoRepresentações populares do patrimônio geológico: Gruta Casa de Pedra, Madalena/Itatira-CE
WELLINGTON FERREIRA DA SILVA FILHO; Pâmella Moura; César U.V. Veríssimo; Sebástian G. Chiozza; Pedro E.F. Moura; Allan L. Carnielli
Introdução A Gruta Casa de Pedra, uma extensa caverna com centenas de metros localizada entre os municípios de Itatira e Madalena, Ceará, representa um dos principais registros de carste em rochas carbonáticas pré-cambrianas do estado (Veríssimo et al. 2019). Configura-se como um geossítio do patrimônio geológico cearense e possui valor cultural para a comunidade do entorno, além de registros arqueológicos. Mesmo sem infraestrutura, é um dos principais atrativos turísticos da região e, ao longo dos anos, a ausência de medidas protetivas e abandono do poder público facilitou o uso desordenado do local, com ações de vandalismo e depredação. Sob a perspectiva da geoconservação, reconhece-se a necessidade da elaboração de estratégias que incluam as comunidades locais no processo de proteção do patrimônio geológico (Gordon et al. 2018). Neste trabalho, buscou-se identificar as representações sociais da Gruta Casa de Pedra que podem alavancar a cooperação entre comunidade e academia na formulação de tais estratégias. Para tanto, foi realizada uma amostragem “bola de neve” para aplicação de entrevistas semiestruturadas gravadas e filmadas com consentimento prévio. O roteiro foi o seguinte: i) caracterização preliminar do respondente, ii) Você conhece alguma história a respeito da Casa de Pedra?, ii) Você acha a Casa de Pedra importante?, iii) Quando começaram as ações de vandalismo?, iv) O que deve ser feito para conservar a Casa de Pedra? As entrevistas foram transcritas, tabuladas, codificadas e sintetizadas em discursos coletivos relacionados a representações sociais, de acordo com o método de Lefévre e Lefévre (2012). Resultados Os 14 respondentes residem ou já residiram nas vizinhanças da Gruta Casa de Pedra, cinco dos quais do sexo feminino, com idades entre 28 a 82 anos. Apenas três têm nível superior. Todos tiveram contato com a gruta desde a infância. Suas respostas foram analisadas em quatro categorias: histórias (pitorescas e trágicas), importância para a comunidade, estado de conservação e sugestões de ações de conservação. Dentre as histórias pitorescas, destacam-se a de um “quarto” escuro, onde nenhuma luz permanece acesa, mesmo de fonte elétrica/eletrônica, e outro “quarto” associado a uma princesa encantada, possivelmente de etnia indígena, que vivera na caverna. Um fato é que muitos respondentes reconheceram a presença de indígenas no passado, através de pedaços de cerâmica e machados de pedra polida. Adicionalmente, a ocorrência de gravuras rupestres na entrada da gruta reforça essa presença no imaginário popular, especialmente dos mais novos. Outra história se refere a um “cordão de ouro” que aparecia à noite, estendendo-se da entrada principal da gruta até duas árvores, com várias dezenas de metros de extensão. Segundo os respondentes, esse cordão estaria associado a uma “botija”, panela cerâmica recheada de bens de valor que era enterrada como salvaguarda de patrimônio, antes da difusão do sistema bancário pelo interior do nordeste. O “cordão de ouro” teria desaparecido em meados do século XX, após a “botija” ter sido encontrada. Completando o rol das curiosidades, vários respondentes assinalaram histórias de sons de pessoas e animais, como um galo, que eram ouvidos à noite, cuja fonte nunca era encontrada. As histórias trágicas relacionam-se, principalmente, à morte de um trabalhador da caieira que existia a algumas dezenas de metros da entrada da gruta. Hoje, no local de sua morte, há um pequeno nicho encimado por uma cruz. Outra peculiaridade do entorno da Casa de Pedra associado à morte é o cemitério dos “anjinhos”, natimortos pagãos que, na impossibilidade de serem sepultados em cemitérios católicos, mesmo pelas dificuldades de transporte na primeira metade do século XX, eram sepultados sobre as lajes de mármore junto à caieira, no mesmo local do Miguel. Atualmente, o cemitério dos “anjinhos” está desativado, mas é cuidado pela comunidade do entorno, que o decora para celebrações do dia de finados. A gruta foi reconhecida como patrimônio pelos respondentes, por sua relevância turística, educacional, científica, paisagística e afetiva, já que vários entrevistados frequentavam a Casa de Pedra na infância e adolescência, inclusive tendo sido palco de festividades. O reconhecimento da importância da Casa de Pedra, várias vezes, foi associado em contraponto ao seu estado atual de conservação, comprometido principalmente por inúmeras pichações que ocorrem em seu interior. Segundo relatos, as inscrições de nomes, datas etc. remontam ao final dos anos 1990, relacionados ao maior fluxo de visitantes estimulados indiretamente pela maior visibilidade da caverna decorrente de ações comunitárias e oficiais de educação ambiental. As sugestões dos respondentes, em termos de ações para proteção, centraram-se na ocupação do local da Gruta Casa de Pedra com a construção de casas para zeladores, um centro de visitantes e uma cerca no perímetro, o que já foi feito. Uma sugestão interessante é a colocação de um painel para inscrições, e a conscientização que o registro da visita pode ser feito por fotos postadas em redes sociais. Considerações Finais A riqueza de histórias e lendas evidencia a importância da Gruta Casa de Pedra para as comunidades do entorno. A intensificação de atividades degradantes após ações para divulgação do local reforça a necessidade de associação permanente entre divulgação do patrimônio natural/cultural e salvaguardas de conservação. As sugestões para proteção da Casa de Pedra convergem para a ocupação do local e instalações de infraestrutura para visitantes. O desenvolvimento de estratégias de geoconservação para a Gruta casa de Pedra deverá envolver, primeiramente, os anseios da comunidade local para este patrimônio. Agradecimentos Ministério Público Estadual do Ceará, projeto “Estudando e Conservando a Gruta da Casa de Pedra” (Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Estado do Ceará, coord.: Prof. Dr. César Veríssimo), Jeferson Santos e Vanusa Barbosa. Referências Gordon JE, Crofts R, Díaz-Martínez E. 2018. Geoheritage conservation and environmental policies: retrospect and prospect. In: Reynard E, Brilha J. Geoheritage. Cambridge: Elsevier, 213-236. Lefevre F, Lefevre AM. 2012. Pesquisa de representação social: Um enfoque quali-quantitativo (Série Pesquisa Vol. 20) 2º ed. Brasília: Liber Livros, 224 p. Veríssimo CUV et al. 2019. Controle estrutural e aspectos genéticos da Gruta Casa de Pedra: exemplo de carste em rochas pré-cambrianas no Domínio Ceará Central. 35 Congresso Brasileiro de Espeleologia. Bonito: Anais... 10p.
Oral
Abrir o trabalhoServiços Ecossistêmicos em Geossítios do Geopark Araripe, CE, Nordeste do Brasil
MARCOS ANTONIO LEITE DO NASCIMENTO; MATHEUS LISBOA NOBRE DA SILVA; MARCELO MARTINS DE MOURA FÉ
Os geoparques estão consolidados como uma das principais ações de conservação da natureza e, sobretudo, nos seus aspectos abióticos - a geodiversidade. No mundo são 147 geoparques (abr/2019) organizados em rede por meio do Programa Mundial de Geoparques UNESCO e da Rede Mundial de Geoparques, do qual, no Brasil, apenas o Geopark Araripe é integrante. Qualquer intenção em definição de geoparques começa com o inventário da geodiversidade e a hierarquização dos locais a partir da valorização dos elementos da geodiversidade, fundamental para a elaboração de ações de geoconservação. Nesse contexto, este trabalho objetiva identificar os Serviços Ecossistêmicos nos geossítios do Geopark Araripe, associados aos valores da Geodiversidade, feita a partir da metodologia de Gray (2013). Metodologicamente foi realizada uma atualização bibliográfica sobre avaliação da geodiversidade e serviços ecossistêmicos, a qual embasou a realização de trabalho de campo no Geopark Araripe em fevereiro de 2019. Tais etapas permitiram a realização de descrições de cada geossítios e, por conseguinte, o levantamento e revisão dos serviços ecossistêmicos da geodiversidade para cada um. O Geopark Araripe, primeiro geoparque das Américas, foi criado em setembro de 2006, instituído pelo Governo Estadual do Ceará em parceria com a Universidade Regional do Cariri – URCA (Herzog et al., 2008). Está localizado na região sul do Estado do Ceará, Nordeste do Brasil, no contexto geológico da bacia sedimentar do Araripe e geomorfológico da chapada do Araripe (Moura-Fé, 2016), contemplando seis municípios: Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Esta área é considerada como detentora de não apenas um, mas dois world-class fossil Konservat Lagestätten, em referência às duas importantes unidades fossilíferas que ali afloram: Membro Crato e Membro Romualdo da Formação Santana. Os fósseis preservados nas jazidas da Bacia do Araripe são notáveis por sua abundância, diversidade e excepcional estado de conservação (Herzog et al., 2008). Os principais geossítios foram selecionados em função da representatividade estratigráfica no contexto da bacia, com a finalidade de propiciar atividades científicas qualificadas com potencial de divulgação científica dos conceitos de geociências. Como resultados da avaliação dos serviços ecossistêmicos, 19 dos 25 bens e processos, distribuídos pelos 05 serviços (regulação, suporte, provisão, cultural e de conhecimento), foram identificados nos diferentes geossítios, ao passo que três geossítios possuem os cinco tipos de serviços associados: Batateira, Cachoeira de Missão Velha e Riacho do Meio. Por outro lado, o geossítio Floresta Petrificada do Cariri é o que possui o menor número de serviços identificados. Entende-se que a identificação dos serviços ecossistêmicos nos geossítios, realizada neste trabalho, é uma ferramenta de interpretação ambiental, que pode ser utilizada na divulgação das geociências e do próprio geoparque, ao passo que procura identificar a importância da geodiversidade para o ecossistema, estando o ser humano incluso neste conceito. Referências Gray, M. 2013. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. 2nd edition. Chichester, John Wiley & Sons, 495 p. Herzog, A.; Sales, A. M. & Hillmer, G. 2008. The UNESCO Araripe Geopark: A short story of the evolution of life, rocks and continentes, Expressão Gráfica e Editora, 71p. Moura-Fé, M.M. 2016. GeoPark Araripe e a geodiversidade do sul do Estado do Ceará, Brasil. Revista de Geociências do Nordeste, 2(1): 28-37.
Palavras-chave: Geopark Araripe, Serviços, Geossítios
Oral
Abrir o trabalhoSistematização da seleção de sítios geológicos potenciais: aplicação na Baixada Santista (SP)
DEBORA SILVA QUEIROZ; Maria da Glória Motta Garcia; Eliane Aparecida Del Lama
As propostas de geoconservação são importantes ações para se preservar a geodiversidade. Para conservar é necessário conhecer os elementos existentes no local e, nesse sentido, o inventário é peça-chave. Brilha (2016) indica as etapas do inventário: i) revisão bibliográfica e consulta a especialistas que já trabalharam na área para a listagem com os potenciais locais de interesse geológico; ii) trabalhos de campo para avaliação qualitativa, quantitativa e identificação de possíveis novos locais; iii) listagem final com os sítios geológicos e suas caracterizações. O primeiro passo é a seleção de potenciais locais de interesse geológico. Tal seleção irá nortear todo o inventário. Assim, esse trabalho tem o objetivo de sistematizar a seleção de potenciais sítios geológicos e discutir quais critérios devem ser adotados para obter resultados que sejam realmente relevantes. O município de Guarujá (Baixada Santista – SP) será utilizado como exemplo. Para a listagem prévia dos potenciais sítios geológicos é necessário analisar de forma sistemática as diversas fontes (Figura 1): i) Material cartográfico Devem-se analisar as cartas geológicas de escala regional, pois fornece uma visão geral da região e posteriormente, mapas geológicos de escala local. Selecionam-se afloramentos que só ocorrem na área e alinhamentos e falhas que são representativas na evolução geológica da região. Os outros materiais cartográficos são essenciais para ajudar a compreender como são as características físicas da área. ii) Publicações científicas Devem-se ser consultadas publicações científicas referentes às geociências que apresentem a área de estudo com descrição da geologia ou aborde algum elemento da geodiversidade que ocorre na região. Selecionam-se os locais em que houve trabalhos de campo, em especial aqueles que foram alvo de análises geocronológicas, geoquímicas, estrutural, entre outras e, quando for o caso, áreas em que houve a aplicação de alguma metodologia. Há publicações em que não há realização de trabalhos de campo, mas apresenta descrição da área que pode auxiliar o pesquisador a compreender as características da área a ser inventariada. Os guias de campo podem ser de eventos científicos ou de disciplinas de graduação ou pós-graduação em Geociências, estes indicam a visitação de locais com potencial didático ou turístico. iii) Especialistas Especialistas que estudam na área podem indicar locais que não foram inseridos em publicações científicas, mas são interessantes do ponto de vista geológico, locais em que foram retiradas amostras para datação e destinos de visitas de campo com alunos de graduação ou pós-graduação em Geociências. Além dessas informações, os especialistas também podem conhecer outros pesquisadores que trabalham na mesma região. iv) Materiais didáticos e turísticos Este item tem o foco mais nos sítios da geodiversidade, porém pode auxiliar na listagem dos potenciais sítios geológicos. Devem-se analisar publicações/encartes/folders de circulação local buscando encontrar pontos de visitação com elementos da geodiversidade que são utilizados em roteiros turísticos ou em visitação didática por escolas de ensino básico. Outras publicações interessantes são os materiais didáticos utilizados pelas escolas locais que apresentam a caracterização da área de estudo. A sistematização da seleção prévia dos potenciais locais de interesse geológico permitiu elencar os seguintes pontos do município de Guarujá: Granito Guarujá, Ermida de Santo Antônio do Guaíbe, Morro do Maluf, Mirante do Costão das Tartarugas, Mirante das Galhetas, Praia do Góes, Praia do Guaiúba, Praia do Bueno, Praia do Éden, Praia do Camburi, Praia do Mar Casado e Praia do Pernambuco. A seleção dos potenciais sítios geológicos é uma etapa prévia, porém importante, pois norteará todo o inventário. Com o trabalho de campo será possível identificar as características do local e alguns pontos podem ser retirados ou incluídos na listagem. Nesse sentido, o trabalho de campo é crucial também para que o pesquisador possa conhecer a área e que novos pontos interessantes possam ser encontrados. Referências Brilha J. 2016. Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a Review. Geoheritage, 8: 119-134.
Oral
Abrir o trabalhoTerritório, Identidade e Comunidade: O Legado Sustentável da Pedra Cariri em Inhumas, Santana do Cariri, Ceará
YPSILON RODRIGUES FÉLIX; Alice Ferreira de Souza Castro; Francisco Idalécio de Freitas; Rafael Celestino Soares
O município de Santana do Cariri, localizado no sul do estado do Ceará, é um local relevante pela qualidade dos elementos da geodiversidade, em especial dos fósseis. Essa região é rica em diversidade geológica, tanto do aspecto geomorfológico como dos fósseis encontrados, muito bem preservados e diversificados, tornando-a o destino de muitos geocientistas. Por outro lado, essa também é uma região que não oferece muitas oportunidades de trabalho, de geração de renda e de estudos. Essa situação provoca a emigração dos mais jovens, que se dirigem para as capitais em busca de melhores condições de vida. Portanto, pensar em atrativos para evitar a saída desses jovens é um grande desafio. O bairro de Inhumas localiza-se a aproximadamente 2 km da sede do município de Santana do Cariri (sul do estado do Ceará, Brasil). Apesar de pequeno, contando com apenas 200 residências e cerca de 702 habitantes, ele possui características únicas, como a técnica empregada para a construção das casas (Fig. 1). Isto ocorre pois nessa região concentra-se uma mão de obra muito especializada no trabalho com a pedra (conhecida como Pedra Cariri), que aos poucos vem sendo pouco utilizada (Cidrão, 2010). Cabe destacar que, embora a região tenha representatividade nacional e internacional do ponto de vista geológico e paleontológico, poucas são as ações para a preservação e divulgação do importante patrimônio geológico existente. A criação de um Museu de Território, num cenário complexo como esse vem auxiliar no diálogo entre a comunidade científica e a população local, de modo que todos sejam beneficiados. Pensar esse espaço como um museu também é uma excelente iniciativa para o incentivo da cidadania, pois além de ser um espaço de estudo e de divulgação das pesquisas realizadas, é também um espaço de preservação, aprendizado, convivência e trocas sociais e culturais. Um ponto relevante desse projeto é a sua sustentabilidade. A maior parte dos elementos com potencial patrimonial foi construída com a pedra cariri, extraída da região pelos próprios moradores e com a mão de obra local, valorizando os recursos naturais e resgatando as técnicas tradicionais de construção. Esse resgate possui extrema relevância para a memória e a identidade locais, pois incentiva os atuais trabalhadores a continuarem na região e a transferirem seu conhecimento de modo a qualificar novos calceteiros. Desta forma, gera-se emprego ao mesmo tempo que se preserva a cultura e a integridade das construções do bairro. Identificar e valorar os pontos relevantes e possíveis patrimônios do bairro de Inhumas, são ações relevantes para categorizá-lo como um Museu de Território, contribuindo para explorar todo o potencial patrimonial, educativo e cultural que está ali presente, movimentando a economia local de forma sustentável (ICOM, 2007; Castro, 2014). Referências CASTRO, A.R.S.F. O patrimônio geológico sob a perspectiva da população residente no município de Santana do Cariri, Ceará. Tese (Doutorado em Geologia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Programa de Pós-graduação em Geologia, 2014, 300p. CIDRÃO, R.S. Resgatando a memória de Santana do Cariri. 2ª edição. Gráfica Digital e Offset Francy Cópias. Produção independente, 2010, 134p. ICOM. ICOM Statutes. Viena: ICOM, 2007. 15p.
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Abrir o trabalhoUso de Geotecnologias como ferramenta de Geoconservação para localidades fossilíferas da formação Ponta Grossa (Devoniano) da Bacia do Paraná na coleção de “Fósseis Paleozoicos” da UNIRIO.
RAFAEL DA CONCEIÇÃO RIBEIRO; Deusana Maria da Costa Machado
Este trabalho busca visualizar os impactos antrópicos sobre as associações fossilíferas devonianas da Bacia Sedimentar do Paraná, através das amostras de fósseis da Coleção “Fósseis Paleozoicos” da UNIRIO, a fim de gerar subprodutos cartográficos (mapas geográficos temáticos e paleogeográficos) que possibilitem analisar os impactos antrópicas sobre as localidades fossilíferas de importância patrimonial, usando geotecnologias como ferramenta auxiliar na tomada de decisão, visando à mitigação dos impactos dessas atividades sobre elas. O material coletado pela equipe do LECP (Laboratório de Estudos das Comunidades Paleozoicas) da UNIRIO, consiste em exemplares da microfauna e, principalmente, macrofauna encontrados nas litologias provenientes de diferentes afloramentos da Formação Ponta Grossa (Período Devoniano Inferior), em diferentes momentos, entre os anos de 1994 e 2008, sobretudo nos municípios de Ponta Grossa e Jaguariaíva, no estado do Paraná. A respeito da microfauna, foram encontradas amostras de palinomorfos que, após análise em lâmina verificou-se a existência de espécimes dos grupos fósseis Quitinozoários, Acritarcas, Escolecodontes, Esporos e Cutículas Vegetais. Já a macrofauna é rica e bastante pronunciada nesta Bacia Sedimentar. É composta por braquiópodes, trilobites, equinodermos, anelídeos, moluscos bivalves, gastrópodes, tentaculitídeos, ostracodes e caliptoptomatídeos, além disso, ocorrem fragmentos de plantas e icnofósseis (Sedorko, 2015). Os produtos cartográficos gerados forneceram subsídios para promover algumas ações e discussões importantes sobre o Patrimônio fossilífero, como utilização sustentável dos recursos geológicos, introdução do conhecimento geológico nos instrumentos de ordenamento das áreas protegidas, levantamento dos locais de interesses geológico, geomorfológico e paleontológico ou arqueológico que ocorram no interior das áreas protegidas, integração da política de conservação da natureza e do princípio da utilização sustentável dos recursos geológicos na política de ordenamento do território e nas diferentes políticas setoriais e projetos de educação ambiental em matéria de conservação da natureza, em escalas Federal, Estadual e Municipal (BRILHA, 2005). Este trabalho pôde evidenciar que a ação antrópica pode causar um impacto gigantesco nesse patrimônio, impedindo assim que a conscientização dessa importância chegue ao grande público, por meio da disseminação do conhecimento das Geociências. A organização e disponibilização dos dados acerca das amostras coletadas irão auxiliar nos estudos sobre todos os aspectos inerentes à Palontologia de microfósseis e macrofósseis marinhos, por exemplo, estudos tafonômicos e paleoautecológicos, bem como fortalecer a área de patrimônio natural (incluso o geológico e paleontológico).
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Abrir o trabalhoValorização dos Geossítios Brasileiros por meio da sua Multicategorização: a Contribuição da Geomorfologia
ROSANGELA GARRIDO MACHADO BOTELHO; Raphaela Almeida de Souza; André Souza Pelech
Introdução: Os geossítios são lugares de relevante interesse geológico, no seu sentido mais amplo, e podem, eventualmente, acumular funções, sendo importantes não só para estudos científicos, mas também para ensino e turismo. Os geossítios brasileiros cadastrados estão organizados segundo uma tipologia, que reflete a área de conhecimento específica relacionada com as justificativas de criação do próprio geossítio. Contudo, um geossítio pode atender a interesses de mais de uma área ou subárea das geociências, como paleontologia, geologia, espeleologia, geomorfologia e outras. Acredita-se que geossítios definidos como sendo de mais de uma categoria têm seu valor aumentado, pois indica que o mesmo reúne fatos e ou processos relevantes a mais de uma área do conhecimento, podendo atrair, não só um maior número de pesquisadores, como de visitantes (estudantes e turistas). Muitos dos geossítios mais recentemente aprovados, mas não publicados, foram considerados pertencentes a mais de uma categoria, alguns em até quatro categorias simultâneas. Para eles, foi definida uma tipologia principal. Contudo, os geossítos publicados pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Palebiológicos (SIGEP) foram definidos como atendendo a apenas uma categoria cada um. Nas várias leituras realizadas destes volumes, percebeu-se a pertinência de vários geossítios para outras categorias além daquelas para os quais foram designados. Assim, o presente trabalho objetiva avaliar os geossitios publicados quanto à possibilidade de sua inserção também na categoria de sítio geomorfológico, contribuindo para sua valorização e proteção. Materiais e métodos: Para a realização desta pesquisa, verificou-se a existência de aspectos geomorfológicos de interesse em cada um dos geossítios publicados em três volumes pela SIGEP (2019), num total de 93, visto que dos 116 geossítios, 23 foram originalmente definidos como geomorfológico. Para tal, procedeu-se à leitura dos respectivos capítulos descritivos, buscando informações sobre aspectos geomorfológicos do geossítio, tanto no texto quanto nos mapas e ilustrações apresentados. Para auxílio na identificação desses aspectos, consideraram-se os conceitos e pressupostos contidos no Manual Técnico de Geomorfologia (IBGE, 2009) e, eventualmente, no Novo Dicionário Geológico-Geomorfológico (GUERRA; GUERRA, 2003) e no Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente (IBGE, 2004). Durante a leitura, buscaram-se respostas a perguntas como: "há feições ou elementos geomorfológicos de interesse no geossítio avaliado?"; “a feição pode ser considerada de relativa raridade?”; “a área do geossítio é marcada por feições de aspectos estéticos excepcionais, constituindo belas ou exóticas paisagens?”; ou "é possível apontar processos geomorfológicos de grande valor associados à formação do geossítio?". Uma matriz com esses resultados foi elaborada, incluindo também a tipologia original do geossítio, eventuais considerações do(s) autor(es) do capítulo sobre a relevância do sítio para geomorfologia, em especial; e subárea(s) da geomorfologia mais diretamente envolvida(s). E, por fim, a lista com os indicados à adição da categoria de sítio geomorfológico. Vale lembrar que a própria SIGEP prevê, quando da sua atuação, não só acréscimos de novos sítios, mas também atualizações ou correções dos já descritos. Resultados: Dos 93 geossítios avaliados, 45 foram considerados como pertencentes também à categoria dos sítios geomorfológicos. Destes quase 50% do total, 4 são da categoria astroblema, 11 espeleológicos, 1 estratigráfico, 3 da história da geologia, da paleontologia e da mineração, 2 ígneos, 5 marinhos, 5 paleoambientais, 4 paleontológicos, 9 sedimentológicos e 1 tectônico. Vale destacar que todos os geossítios das categorias astroblema, marinhos, sedimentológicos e espeleológicos foram considerados geomorfológicos. Nos três volumes publicados, há apenas um sítio estratigráfico e um tectônico e ambos foram indicados. Apenas a categoria dos sítios hidrogeológicos, com somente um sítio cadastrado, não teve indicação. Os sítios paleontológicos, que são a maioria entre os publicados, tiverem a menor taxa de indicação. A grande maioria dos geossítios indicados como sítios geomorfológicos constituem ou apresentam feições de relevo de destaque na paisagem, por sua raridade, beleza cênica, caráter exótico ou curioso, e/ou por serem exemplos didáticos de feições geomorfológicas em suas diferentes escalas de análise. Neste caso, cita-se o sítio sedimentológico “A Costa do Descobrimento”, BA, que se destaca, notadamente pela visão a partir do mar, por sua geomorfologia dominada pelos tabuleiros costeiros da Formação Barreiras. Outros, em menor número, não constituem feições exuberantes, mas refletem e explicam processos de formações de feições geomorfológicas atuais e subatuais, que merecem ter sua importância reconhecida por meio da categorização adicional do sítio como geomorfológico. Um exemplo deste caso é o sítio paleoambiental Coquinas da Paleolaguna da Reserva Tauá - Pântano da Malhada (RJ), que registram processos de transgressão e regressão marinhas, capazes de auxiliar a compreensão dos processos que levaram à formação da planície costeira fluminense, reconhecidos pelos próprios autores, e que agregam informações aos estudos de Geomorfologia Costeira e de Geomorfologia do Quaternário. Vale mencionar, ainda, que alguns geossítios poderiam ter a categoria geomorfológica como principal, como é o caso do primeiro exemplo aqui mencionado. Conclusões: A multicategorização dos geossítios é válida e necessária, pois o reconhecimento de múltiplas categorias em um único geossítio agrega valor ao mesmo e propicia sua maior visibilidade e interesse, e, ainda, agrega argumentos para sua proteção. Avaliando os geossítios brasileiros cadastrados sob a ótica da geomorfologia, reconheceu-se que muitos são também sítios geomorfológicos e a adição desta categoria às suas descrições é indicada. Referências: GUERRA, A.T.; GUERRA, A. J. T. Novo Dicionário Geológico-geomorfológico. 3ª ed., Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2003. IBGE. Manual Técnico de Geomorfologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. 182p. (Manuais Técnicos em Geociências, n. 5). IBGE. Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: IBGE, 2004. SIGEP. Sítios Publicados. Disponível em: http://sigep.cprm.gov.br/sitios. Acesso em: jun. 2019.
Palavras-chave: geossítios,sítio geomorfológico, geoconservação
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Interpretação, Geopatrimônio, Interpretação
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Abrir o trabalhoAbordagem geossistêmica multi-escalar em trilhas do bioma Mata Atlântica
FERNANDO AMARO PESSOA; Jhone Caetano de Araujo; Marcus Felipe Emerick Soares Cambra; Maria Naíse de Oliveira Peixoto; Kátia Leite Mansur; José Carlos Sícoli Seoane
O bioma Mata Atlântica tem uma expressiva geodiversidade, que condiciona também a sua heterogeneidade interna e apresenta um excepcional valor estético, o qual permite ressaltar outros valores e usos, conforme aborda Brilha (2018). Um destes usos corresponde ao próprio uso geocientífico, que produz conhecimentos significativos sobre como a geosfera trabalha e interage com outros sistemas (biosfera, hidrosfera e atmosfera). A geoeducação constituíria outro tipo de uso que pode ser realizado por professores ligados às Geociências, apresentando questões referentes às pesquisas científicas realizadas sobre a geodiversidade local. Por fim, o uso econômico através do geoturismo e da prática de esportes, lazer e recreação, peculiares às características naturais das áreas consideradas, configura-se como outra vertente de uso, que se relaciona com as comunidades locais. Essa perspectiva de análise acaba por ressaltar aspectos ligados à abordagem geossistêmica no estudo das paisagens, através da concepção da Teoria dos Geossistemas, considerado por Sochava (1978) como “o espaço terrestre de todas as dimensões, onde todos os componentes naturais individuais encontram-se em uma relação sistêmica uns com os outros e, como integridade, interatuam com a esfera cósmica e com a sociedade humana”, teoria que possui como foco central o estudo da dinâmica do meio natural, em que a divisão dos geossistemas em componentes abióticos e bióticos torna-se inadequada, ao considerarmos que ambos os aspectos estão estreitamente relacionados. Este autor ressalta, por exemplo, não ser possível analisar nenhum sistema geográfico sem levar em consideração o ponto de partida energético e a água como condição necessária do processo físico-geográfico, sendo esses componentes mais importantes do que a biota, ou ao menos tendo o mesmo valor que a biota. Porém, é necessário considerar o geossistema não só como um sistema natural, já que inclui as transformações causadas por fatores sociais e econômicos (Rodriguez e Silva, 2019). O bioma Mata Atlântica materializa exemplarmente a complexidade geossistêmica. Possui destaque a sua heterogeneidade interna, que contempla diversos ambientes físicos e bióticos hoje configurados em arranjos espaciais fragmentados, decorrentes de um processo histórico de intensa devastação com o avanço da ocupação do território brasileiro desde o início do século XVI (Dean, 1996). Os seus remanescentes florestais destacam-se pela importância na criação dos primeiros Parques Nacionais, embriões de toda uma estrutura e políticas ambientais voltadas à preservação e conservação de ecossistemas e biomas no país. As unidades de conservação (UCs), por sua vez, também materializam a complexidade geossistêmica da paisagem nos seus processos de gestão ambiental, ao tratarem necessariamente da inter-relação entre os elementos abióticos, bióticos e a sociedade. Nesse contexto, ressaltamos a relevância do uso público como aliado da conservação, concepção relativamente nova no Brasil, porém já bastante utilizada em outros países (Menezes, 2017), e de extrema importância para ressignificar o papel social das UCs. Dentro deste contexto, foram analisados três estudos de casos (com diferentes escalas) em trilhas no estado do Rio de Janeiro: Caminho Darwin (Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói/Maricá) – com um percurso de 4,7km que compõe um dos trechos iniciais da excursão ao norte fluminense feita pelo famoso cientista britânico Charles Robert Darwin, de 8 a 24 de abril de 1832, na primeira passagem pelo Brasil durante a sua viagem (1831-1836) ao redor do mundo no navio Beagle; Travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ) - trilha que possui aproximadamente 30 km de extensão, boa parte situada acima dos 2.000m de altitude e realizada, tradicionalmente, em três dias de caminhada; Trilha Transcarioca – que possui aproximadamente 180 km de extensão, atravessa a cidade do Rio de Janeiro de leste à oeste no âmbito do Mosaico Carioca de 10 UCs (1 federal, 2 estaduais e 7 municipais) e percorre grande parte da história geológica da cidade. Neles, fica evidente que a geodiversidade e a biodiversidade estão interligadas e podem ser avaliadas em diferentes escalas espaciais e temporais, representando elos entre visitantes/turistas e a natureza que os cercam (Costa e Oliveira, 2018). Com isso, embora a proteção dos valores científicos e educacionais do patrimônio geológico continue a ser uma atividade central, a geoconservação está evoluindo para adotar uma abordagem mais integrada ligando a geodiversidade, a biodiversidade, a paisagem e as pessoas, aspecto central em que a presente pesquisa pretende contribuir. Os estudos de casos, apesar de suas distintas escalas espaciais, vêm demonstrando a importância de se inventariar, sinalizar e divulgar a geodiversidade em trilhas nas UCs compostas pelo geossistema Mata Atlântica. Através de uma abordagem interdisciplinar nas geociências contribuem para a sua Geoconservação, estimulando as atividades do Geoturismo e da Geoeducação vistas como propostas de um desenvolvimento sócio-ambiental mais sustentável, que integram as comunidades dos seus entornos e visitantes. Com isso, os valores científicos, históricos, culturais e educacionais atribuídos à geodiversidade local são divulgados de modo que se crie uma identidade cultural e afetuosa para aqueles que querem usufruir de seus serviços ecossistêmicos e lutar pela sua conservação.
Oral
Abrir o trabalhoAnálise potencial do local de interesse geológico/geomorfológico da Pedra do Chapéu em Tibau, Rio Grande do Norte
MARIA LUIZA DE OLIVEIRA TERTO; Isa Gabriela Delgado de Araújo; Matheus Dantas das Chagas; Marco Túlio Mendonça Diniz
O potencial sítio da Pedra do Chapéu está localizado no município de Tibau-RN, inserido na região imediata e intermediária de Mossoró-RN, Nordeste brasileiro (IBGE, 2017). Os geomorfossítios segundo Lopes (2017), fazem parte do contexto do Patrimônio Geomorfológico, que trata das geoformas, depósitos e processos na paisagem, a qual atribuí-se escalas, aplicando valores e princípios da geodiversidade, definidos por Gray (2004), Brilha (2005). Desse modo, foi realizada uma pesquisa in situ, a partir da metodologia de Lopes (2017), que se fragmenta em duas etapas principais: inventário adaptada dos trabalhos de Reynard (2006) e Pereira (2006) e quantificação adaptada de Reynard (2006), Pereira (2006) e Pereira e Nogueira (2015). O Local de interesse geológico em Tibau-RN é caracterizado como uma falésia ativa, que segundo Souza et al. (2009) é pertencente a formação Tibau, constituído por arenitos, médios e grossos, com coloração amarelada e esverdeada, com alguns níveis de argila, o contraste de cores e desnível topográfico entre a falésia, a praia e o oceano são fatores de atração turística. Na avaliação qualitativa (inventário), o geomorfossítio está classificado como uma geoforma em escala local, apresentando um valor cultural e ecológico baixo e valor estético médio. Sua vulnerabilidade antrópica e natural é de nível baixo, no entanto as condições de observação e estado de conservação são enquadradas como de nível bom. A quantificação foi realizada de acordo com a Valoração Científica, Valoração de Potencial Geoturístico, Potencial Didático e Grau de Suscetibilidade, por meio de médias aritmética e ponderada. De acordo com os resultados foi possível analisar em que nível cada item se inseriu, definidos por ser de 0 a 0,25 = baixo; de 0.26 a 0,50 = médio; de 0.51 a 0,75 = alto e; 0,76 a 1 = muito alto. A Valoração Científica apresentou uma pontuação de 0,73 (Nível Alto), possuindo um destaque de natureza cientifica, mas de pouca expressividade, pois possui apenas uma geoforma. O Potencial Geoturístico recebeu valoração de 0,86 (Nível Muito Alto). Podendo ser visitado através de estradas asfaltadas, com excelente visualização dos elementos geomorfológicos, possuindo boa infraestrutura turística. A Valoração de Uso Geoturístico é atrelada a Valoração científica, pois segundo Lopes (2017) agrega valor ao foco principal do geoturismo, de outra maneira, o geopatrimônio. Assim, seu valor resultou em um escore de 0,79 (Nível Muito Alto). O Potencial Didático que obteve 0,82 (Nível Muito Alto), pois é considerado como um sítio ilustrativo, aplicável como recurso didático, sendo foco de várias produções científicas. A Valoração de Uso Educativo também é atrelada a Valoração Científica com pontuação de 0,79 (Nível Muito Alto). O Grau de Suscetibilidade referente às perturbações existentes apresentou uma pontuação de 0,4 (Nível Baixo). O valor baixo do local se deu pelo inexistente controle de visitação e pouca vulnerabilidade às ameaças antrópica ou naturais, sendo de baixa fragilidade. Portanto, a partir da inventariação e quantificação realizada é possível constatar que a área deve ser considerada um geomorfossítio, devido ao seu alto valor científico para o conhecimento da Terra, a qual deve ser desenvolvida e empregadas medidas de geoconservação e geoturismo. Vale ressaltar que o geossítio em questão é parte de um da catalogação que visa subsidiar a proposta do Geoparque Costa Branca, localizada no Litoral Setentrional do estado do Rio Grande do Norte e em parte do litoral leste do Ceará.
Oral
Abrir o trabalhoAplicação de L.I.D.A.R. como ferramenta de controle, análise e Geoconservação
LEON MULLER MARQUES; Daniel Galvão Veronez Parizoto; Henrique Fernando de Abreu
O uso dos sensores L.I.D.A.R. (Light Detection and Ranging) teve inicio na topografia de grandes áreas, embarcados em aeronaves, permitindo a extração de modelos digitais de terreno (MDT) e modelos digitais de superfície (MDS) com uma alta resolução espacial (DASSOT et al. 2012). O L.I.D.A.R. é uma tecnologia que se utiliza de pulsos lasers altamente precisos com o objetivo de medir distâncias nas três dimensões (3D) baseado no tempo de retorno do laser emitido do sensor ao objeto. Cada disparo desses pulsos de laser contra um objeto, que os reflete, retorna com as informações de coordenadas 3D (x, y, z) e essa base de dados gerada é a chama de Nuvem de Pontos. Esses sensores são aplicáveis em diversas áreas do conhecimento, gerando uma massiva quantidade dados, confiáveis e acurados, com alta velocidade de tomada, permitindo a reconstrução virtual em 3 dimensões dos objetos escaneados (HACKENBERG et al. 2014; DE CONTO, 2016). Avanços na tecnologia permitiram a diminuição do preço e do tamanho desses equipamentos. Nos dias de hoje os lasers scanner terrestre portáteis, os T.L.S. (Terrestrial Laser Scanning), tem como grande vantagem a proximidade dos objetos a serem escaneados, aumentando consideravelmente o nível de detalhe da nuvem de pontos. O presente trabalho objetiva descrever as metodologias adotadas no escaneamento de geossítios a fim de garantir a produção de banco de dados, o monitoramento e a replicabilidade, como apoio a geoconservação dos objetos de estudo. O geossítio adotado é a cavidade do tipo Depósito de Talus formada pelo empilhamento de grandes blocos de granito (Granito Ilha de idade Neoproterozóica da suíte Pedras Grandes) identificada no CECAV como SC_ 019 (PARIZOTO et. al, 2015; MARQUE, DOMINGOS e PARIZOTO, 2017). Foi utilizado o Laser Scanner da Topcon o GLS -1000 com alcance de até 330 metros e acurácia de 6” no ângulo vertical e horizontal, com taxa de 3.000 pontos por segundo. O equipamento também possui uma câmera digital de 2 megapixels que registra fotos antes do escaneamento, relacionando “pixel X ponto” e atribuindo a cor verdadeira a nuvem de pontos. Para o georreferenciamento dos pontos foi utilizado um GNSS (Global Navigation Satellite System) modelo PROMARK 220 antena L1/L2 (GPS + GLONASS). Para o transporte das coordenadas para o interior da cavidade e irradiações foi utilizado a estação total RUIDE RTS -822R3. Foram realizadas 6 visadas entre cenas amplas e de detalhe. As cenas amplas (Fig. 01) produzem dados de volume, dimensão e topografia, por exemplo. As cenas em detalhe geram informações destinadas à evolução de formas, controles erosivos e processos intempéricos. Dados precisos de volume e dimensão em cavernas formadas por empilhamento de blocos são importantes uma vez que essa morfologia tem baixa ocorrência e, quando ocorrem, são em geral pequenas e pouco profundas. Dada à complexidade da topografia tradicional nesses ambientes de blocos, a técnica do imageamento laser é uma opção a ser considerada. No nível dos detalhes, foram realizados dois tipos de experimentos de simulação e controle temporal relacionados à erosão e a evolução/crescimento dos micro-espeleotemas, respectivamente. A alta resolução das imagens tomadas a curta distância serviram para identificar variações milimétricas nas estruturas escaneadas. Os resultados atestam a precisão da técnica e capacidade de controle e a comparação temporal das informações é um eficiente instrumento de geoconservação.
Oral
Abrir o trabalhoAplicação do Inventário dos Lugares de Interesses Geológicos das Praias Selvagens no Rio de Janeiro/RJ para o Geoturismo na Trilha Transcarioca
JOÃO PEDRO ARAÚJO DE MELLO; Jhone Caetano de Araujo; Kátia Leite Mansur
Palavras-chaves: Geoconservação, Geoturismo, Geodiversidade Praias Selvagens é o nome dado ao conjunto de cinco praias localizadas no bairro de Guaratiba, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. São elas: Praia do Inferno, Praia Funda, Praia do Perigoso, Praia do Meio e, por fim, a Praia dos Búzios ou das Conchas. A região possui grande apelo turístico atraindo visitantes não só da cidade, mas de todo mundo aos costões, praias, mirantes e grutas. Nesta localidade está o trecho 1 (Guaratiba x Grumari) da Trilha Transcarioca, cuja governança é do Movimento Trilha Transcarioca. Essa é uma iniciativa que une pessoas e instituições da sociedade civil compromissadas com uso público e qualificado da trilha. Enquanto a geodiversidade se refere a toda diversidade do meio físico, o patrimônio geológico se refere às ocorrências da geodiversidade que, por possuírem valores especiais, devem ser protegidos para usufruto das gerações atuais e para as próximas (Brilha, 2016). O turismo que busca promover o conhecimento geocientífico, sendo essencial para a proteção e promoção do patrimônio geológico (e da geodiversidade que possui valores) e para promover o desenvolvimento econômico sustentável local é conhecido por geoturismo. Essa pesquisa tem como objetivo inventariar os pontos de interesses geológico da região. A metodologia foi dividida em três etapas: pré-campo, campo e pós-campo. A primeira etapa consistiu no cadastro da pesquisa no Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e na busca de possíveis LIGs (Lugares de Interesses Geológico) (García-cortés & Carcavilla, 2013) através da busca por roteiros de campo de universidades, entrevista com o guia adotante do trecho e outros guias de trilhas, encartes turísticos e de bolso como o da Trilha Transcarioca, internet, guias turísticos, fotografias históricas e atuais da região e Google Earth. A segunda etapa consistiu no levantamento de campo de LIGs utilizando o aplicativo SW MAPS em Smartphone com sistema operacional Android (Araujo, 2018). Em cada LIG foram coletados nove atributos: nome, coordenadas geográficas; unidade geológica; tipo (ponto, área, seção, mirante e/ou área complexa); interesse geológico (geomorfológico, hidrogeológico, entre outros); interesse associado (ecológico, estético e/ou cultural); uso (didático, turístico e/ou científico); foto e observações gerais. A terceira etapa consistiu na análise e descrição dos pontos de interesse geológico. Ao total foram reconhecidos 6 LIGs (Praia de Búzios, Pedra da Tartaruga, Praia do Perigoso, Pedra do Telégrafo, Pedra da Lua e Praia do Inferno) descritos em tabela, mapas temáticos e um mapa síntese de localização com fotografias. Na Praia de Búzios são encontradas as 4 unidades geológicas mapeadas (Complexo Rio Negro, Suíte Suruí, Dique de Diabásio e Quaternário Praial) na região com destaque para um dique de diabásio de aproximadamente 60 metros de espessura e sendo fanerítico no centro e afanítico nas bordas. Na Pedra do Tartaruga é possível observar os outros LIGs e dois abrigos em blocos na íngreme trilha de acesso. Na Praia do Perigoso foi encontrada uma foliação bem marcada no Complexo Rio Negro, além de processos de fusão ou refusão (anatexia). O mirante da Pedra do Telegráfo se destaca como o principal atrativo turístico da região, tanto pela beleza cênica quanto pelo alto número de visitantes, e apresenta diversos abrigos e cavidades na trilha de acesso. Na Pedra da Lua é observável feições esburacadas resultadas pelo o processo de intemperismo e erosão das rochas do costão que remetem as crateras de impacto da Lua. A Praia do inferno apresenta um veio pegmatítico de grande expressão cênica próximo a um abrigo. Em todos os LIGs são reconhecidos os interesses associados aos valores estéticos e culturais e aos usos potenciais didáticos e turísticos (figura 1). A geomorfologia e a espeleologias foram os interesses geológicos mais recorrentes assim como a tipologia de área. Dessa forma, o levantamento de LIG sobre as Praias Selvagens vem a contribuir para a gestão do patrimônio natural como estratégia de geoconservação e para o uso sustentável da geodiversidade, além de conscientizar os praticantes de trilhas e população local. Conclui-se, também, que o inventário e os mapas elaborados podem alimentar futuros painéis, cartilhas e roteiros com conteúdo geológico para uso didático e turístico.
Palavras-chave: Geoconservação, Geoturismo,Geodiversidade
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Abrir o trabalhoAs especificidades dos geomorfossítios e suas influências no processo de avaliação: uma comparação metodológica
DANIEL SOUZA DOS SANTOS; EMMMANUEL REYNARD; KÁTIA LEITE MANSUR; JOSÉ CARLOS SÍCOLI SEOANE
A criação de inventários de geossítios se destaca como uma das principais ações para a implantação de estratégia de geoconservação. A seleção de elementos da geodiversidade que devem ser conservados para o benefício das gerações presentes e futuras é um grande desafio e, por isso, diversos métodos vêm sendo desenvolvidos e aplicados, o que propiciou um significativo avanço acerca do tema (Brilha 2018). Sobre esses métodos, Coratza & Hobléa (2018) destacam que muitos foram desenvolvidos para ser aplicados especialmente em geomorfossítios (geossítios de natureza geomorfológica) e Reynard (2009) destaca três características específicas deste tipo de geossítio que os diferencia de outras categorias, sendo: a imbricação de escala espacial e temporal; o aspecto dinâmico; e a dimensão estética. Destaca-se também o fato de que é comum que geomorfossítios possuam valores adicionais além do científico, sendo os valores ecológico e cultural os mais importantes. Este trabalho teve como objetivo avaliar como essas características dos geomorfossítios influenciam o processo de avaliação qualitativa e quantitativa, que são etapas importantes na criação de inventários. Para isso, foram selecionados dois métodos distintos: o método disponibilizado pela CPRM (Serviço Geológico do Brasil), chamado GEOSSIT, que é uma adaptação do método de Brilha (2016), com influência de García-Cortés & Carcavilla (2009), podendo ser utilizado em qualquer tipo de geossítio; e o método de Reynard et al. (2016), que foi desenvolvido para ser aplicado especificamente na avaliação de geomorfossítios. O objetivo da análise não foi definir um método melhor, mas sim analisar como se dá a influência das cinco características destacadas dos sítios geomorfológicos. Os dois métodos foram aplicados em uma zona costeira do estado do Rio de Janeiro e em uma zona alpina no Cantão do Valais, Suíça. Dez sítios foram selecionados em cada área, havendo um esforço para englobar a maior diversidade geomorfológica possível. Dessa forma, foram selecionados sítios costeiros, tectônicos, glaciais, periglaciais, erosivos, cársticos, fluviais, eólicos e antrópicos. Os resultados mostraram uma grande disparidade entre os rankings gerados (Fig. 1), sendo que muitas dessas diferenças podem ser explicadas a partir da influência das especificidades dos geomorfossítios. A grande variação e imbricação de escalas espaciais foi um fator preponderante, já que os sítios variam desde formas isoladas com pequenas dimensões até grandes sistemas geomorfológicos, compostos por diversas formas e processos interligados. A imbricação de escalas temporais também teve grande relevância, já que os sítios que possuem formas herdadas receberam pontos pelo valor paleogeográfico, parâmetro avaliado apenas no método de Reynard et al. (2016), o que gerou diferenças significativas entre os dois rankings. O aspecto dinâmico influenciou, principalmente, a avaliação de riscos de degradação, já que a integridade de sítios geomorfológicos não está relacionada apenas às formas, mas também aos processos ativos. A dimensão estética foi um fator primordial na avaliação dos potenciais geoturístico e educacional, reforçando a sua importância para a capacidade dos geomorfossítios de atrair a atenção do público em geral. O valor ecológico é representativo das relações entre a geodiversidade e a biodiversidade, influenciando, principalmente, o valor científico e os riscos de degradação e necessidades de proteção. Por fim, o valor cultural pôde ser demonstrado, principalmente, nas formas antrópicas e paisagens culturais. Além disso, esse valor é demonstrado também na importância histórica, artística, econômica, religiosa etc. presente em diversos sítios. Portanto, foi possível observar que as especificidades dos geomorfossítios influenciam de forma direta o processo de avaliação e criação de inventários, sendo crucial leva-las em conta para que não haja falhas que possam levar ao uso inadequado dos geomorfossítios. Fig. 1 – Posição dos geomorfossítios nos rankings de cada método.
Oral
Abrir o trabalhoContribuições da Cartografia de Paisagens na manutenção da Geodiversidade e gestão de Geoparks
VICTOR LEONARDO SILVA; JULIO CÉSAR DA SILVA; LILIAN RENATA TEIXEIRA DA SILVA; TAMARA TRAJANO DA ROCHA; THOMÁZ AUGUSTO SOBRAL PINHO
Considerada uma atividade prática capaz de fornecer subsídios ao planejamento de áreas naturais, a Cartografia de Paisagens (CAVALCANTI, 2018), surge como uma nova vertente da cartografia de síntese, no sentido de considerar a geografia física integrada com o propósito de reproduzir mapas temáticos que auxiliem na tomada de decisão. A representação da estrutura da paisagem (geossistemas); (SOCHAVA, 1977), é a principal tarefa atribuída para esse tipo de atividade. De acordo com Gray (2004), a geodiversidade está relacionada a toda variedade natural dos elementos e processos geológicos, geomorfológicos e do solo. Assim, minerais; rochas; fósseis; formas de relevo e de solos podem ser destacados, na medida em que passam a serem objetos de preservação por meio de práticas conservacionistas, alimentando o desejo de resguardar aspectos singulares da história natural do planeta. O presente estudo objetiva apontar a relevância da cartografia de paisagens em relação ao gerir da geodiversidade e, desse modo, contribuir para o planejamento, monitoramento e conscientização ambiental em Geoparques. Concorda-se aqui que a Cartografia, além de ser uma ferramenta de auxílio nas atividades humanas de planejamento e localização, serve, também, para proteger e administrar espaços de valor especial em termos de natureza. Entretanto, os estudos ambientais, de forma geral, carecem de boas representações cartográficas. Nesse sentido, aflora-se a necessidade de maiores esforços na representação de áreas com alto valor científico, pedagógico, cênico e geoturístico. Desse modo, em um país rico em Geodiversidade como o Brasil, a elaboração de mapas temáticos que representem a fisionomia paisagística de forma a englobar elementos dinâmicos (relevos, solos, biota, etc) contribui para o entendimento completo e das fragilidades que os sistemas podem representar frente às práticas antrópicas. A elaboração se dá, sobretudo, através da delimitação de unidades de paisagens que guardem características homogêneas do ponto de vista geossistêmico, e após toda execução de dados em gabinete e campo, um produto adicional que pode ser feito é o quadro de correlação das informações. Cabe apontar que as unidades em que os geosítios estão presentes devem receber um olhar particular na produção de mapas desse âmbito, o que impulsionaria o monitoramento do ambiente em que elementos da geodiversidade estão inseridos. A aplicabilidade do produto da Cartografia de Paisagens configura-se de relevância no tratamento do patrimônio geológico. Isso porque, além de fornecer uma visão simplificada da estrutura da paisagem, contribui para o monitoramento eficaz em territórios de Geoparques. Sendo assim, a estratégia pode servir como um importante mecanismo de proteção da riqueza natural observada nos mais variados ambientes geológicos do Brasil.
Palavras-chave: Geodiversidade,Mapeamento,Geoconservação
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Abrir o trabalhoDivulgação da geodiversidade através de trilhas guiadas: uma proposta de geoturismo nos Campos Gerais do Paraná
MAYSA FOLMANN; Guilherme Forbeck; Alessandro Chagas
A região dos Campos Gerais, no centro-leste do Paraná, pode ser definida por conta de seus atributos naturais, fitogeográficos e geomorfológicos, relacionados intimamente à geodiversidade deste setor. Trata-se de uma zona coberta por vegetação de campos limpos e matas, galerias ou capões isolados de floresta ombrófila mista, em solos rasos e arenosos localizada no Segundo Planalto Paranaense, acompanhando o reverso da “Escarpa Devoniana”, uma estrutura de relevo regional, do tipo cuesta. Ocupam uma faixa de quase 12.000 km² e representam uma região de beleza única por suas paisagens que associam uma notável geodiversidade com elementos especiais de fauna e flora. Seu patrimônio geológico e geomorfológico é destacado por várias seções-tipo da Bacia do Paraná, fósseis de invertebrados marinhos, canyons, escarpamentos, cachoeiras, além de particular relevo ruiniforme, furnas, sumidouros e cavernas, caracterizando uma espetacular paisagem cárstica desenvolvida em rochas areníticas da Formação Furnas. Dentre os valores da geodiversidade destacam-se aqui o didático, o estético e o cultural. O valor didático dos Campos Gerais é de grande relevância pois possibilita a realização de atividades educativas no campo das Geociências, constituindo um laboratório ao ar livre de destaque nacional. Já o seu valor estético, destacado pelas belas paisagens e relevantes geossítios, sustenta a forte vocação geoturística regional. Os sítios arqueológicos contendo principalmente pinturas rupestres possuem íntima ligação com a geodiversidade. Na forma de abrigos sob rochas, os sítios estão controlados pelos tipos litológicos (principalmente arenitos), pelo padrão diferencial de erosão dos maciços rochosos (ocorrência de lapas), além da posição na topografia e material utilizado nas pinturas. Os elementos geológicos e geomorfológicos também foram determinantes para a cultura do tropeirismo, resultando no surgimento de vilas e cidades da região. Destaca-se, assim, o importante valor cultural da geodiversidade nos Campos Gerais. Ponta Grossa é um dos municípios detentores deste patrimônio natural e cultural e vem se destacando pelas iniciativas advindas de parcerias como a do Refúgio das Curucacas (Camping e Ecoturismo) com o Projeto Arqueo Trekking (Roteiros Arqueológicos). A ideia dos idealizadores destes projetos é desenvolver o turismo de natureza na região, percorrendo trilhas com atrativos naturais e culturais vinculados à geodiversidade da região. Os serviços oferecidos tanto para hóspedes do Refúgio das Curucacas, como para demais turistas, consistem em roteiros guiados de trilhas, circuitos e travessias que passam pelos principais atrativos naturais da região. Cachoeira da Mariquinha, Buraco do Padre e Furna Grande são alguns destes atrativos. As caminhadas permitem apreciação da beleza cênica dos Campos Gerais aliada ao conhecimento passado pelos guias acerca da geodiversidade. São visitados sítios arqueológicos, furnas, fendas, cachoeiras, setores de escalada, paredes rochosas, além de mirantes especiais para contemplação da paisagem com feições especiais de rocha e relevo. A experiência tem sido muito positiva, fomentando o turismo sustentável e surgindo como uma proposta de geoturismo inovadora da região dos Campos Gerais, em especial do município de Ponta Grossa – PR.
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Abrir o trabalhoElaboração de roteiro geoturístico e didático da Travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ) por meio do aplicativo de navegação Wikiloc®
FERNANDO AMARO PESSOA; Fabio Feler Pacheco; Adriel Filipe Soares Brito; Maria Naíse de Oliveira Peixoto; Kátia Leite Mansur
Diante da abundância de abordagens relativas à geodiversidade e de sua aproximação com unidades de conservação, o presente trabalho propõe-se a discutir como um amplo conjunto de características geológicas, geomorfológicas, pedológicas, hidrológicas, dentre outras, possibilita contribuir com ações de divulgação das geociências em áreas protegidas. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), localizado na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro, apesar de apresentar como atrativo principal as fabulosas feições de relevo, possui pouca informação sobre sua geodiversidade sendo transmitida aos visitantes. Nesse contexto, seu conjunto de montanhas apresenta grande valor estético que possibilita ressaltar outros valores e usos, como o científico, o didático e o turístico da sua geodiversidade, por meio de uma interpretação ambiental em trilhas, contribuindo no cumprimento de seus objetivos de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Assim, o PARNASO vem se destacando pelo seu expressivo potencial de divulgação científica, representado em especial nas suas diversas trilhas – com destaque para a Travessia Petrópolis-Teresópolis – onde têm sido buscados meios de incentivo e melhoria da experiência dos visitantes, levando em consideração sua diversidade natural. A Travessia Petrópolis-Teresópolis é uma trilha que possui aproximadamente 25 km de extensão, com significativa variação de altitude (cerca de 900 metros – portarias das sedes Petrópolis e Teresópolis do PARNASO – até 2.275 metros de altitude na Pedra do Sino, ponto culminante da Serra dos Órgãos), realizada, tradicionalmente, em três dias de caminhada. Com base nessa abordagem, a história natural do Rio de Janeiro e suas perspectivas físicas, ecológicas e socioambientais formam a base para uma compreensão maior de sua importância, temas que ficam explícitos na Travessia Petrópolis-Teresópolis, a trilha mais visitada do PARNASO e representativa de toda sua geodiversidade e serviços ecossistêmicos associados. Além disso, essa trilha de montanha configura-se como patrimônio geológico ao considerarmos Brilha (2018), patrimônio geomorfológico na abordagem de Reynard (2009) e foco de geoconservação de acordo com a perspectiva apresentada por Gray (2103). A partir de pesquisas bibliográficas, elaboração de mapas temáticos e levantamentos de campo, foi feita uma proposta de caracterização da sua geodiversidade, a qual abrange: um contexto geológico e tectônico regional que compreende o setor central do Sistema Orogênico Mantiqueira, o qual inclui a unidade tectônica Faixa Ribeira, onde o PARNASO inclui-se em seu Terreno Oriental (Hartwig, 2006), geologia representada na Travessia por ortognaisses e migmatitos do Complexo Rio Negro, granitóides intrusivos do Batólito da Serra dos Órgãos e maciços graníticos pós-tectônicos - Granito Andorinha; uma geomorfologia caracterizada por duas unidades principais, com base em (Oliveira et al., 2007): as escarpas serranas, observadas da Travessia pelos vales da escarpa de falha e pela escarpa de falha; e o planalto serrano, representado na Travessia pelo vale do Bonfim, planalto do Açu, planalto da Pedra do Sino e planaltos dissecados; uma hidrografia situada no contexto de três bacias hidrográficas: Piabanha, Guapimirim-Macacu e Roncador (INEA,2013); e, em relação aos solos, observa-se a presença de argissolos e cambissolos no vale do Bonfim, e neossolo litólico e cambissolo ao longo das unidades planalto do Açu, planato do Sino e planaltos dissecados. Já a cobertura vegetal presente na travessia expressa a relação com os aspectos da geodiversidade ao apresentar diferenciações conforme a posição no relevo. Quanto à sua fitofisionomia, situa-se no bioma Mata Atlântica e, por conta da expressiva variação altitudinal, é possível observar uma variação de ecossistemas, sendo eles: floresta pluvial montana, floresta pluvial alto-montana e campos de altitude (IBGE, 2012). A partir dessa caracterização e com o objetivo de implementar estratégias de gestão e divulgação da geodiversidade, foi realizada a elaboração de roteiros geoturísticos e didáticos com o auxílio do aplicativo de navegação Wikiloc®, com a inclusão dos pontos de interesse visitados - com fotos e descrições - e compartilhado com o nome: “GEOROTEIRO Travessia Petrópolis-Teresópolis”, podendo ser acessado a partir do aplicativo pelo público em geral. O aplicativo permite ainda a visualização em planta e em perfil da trilha, assim como baixar todas as informações no Google Earth, além de ser facilmente compartilhado a partir de links ou QR code e já ser amplamente utilizado por montanhistas. Neste sentido, detalhar, registrar e divulgar aspectos da geodiversidade da Travessia Petrópolis-Teresópolis contribui no destaque da dimensão estética da paisagem, da sua dimensão dinâmica, ao identificar e visualizar processos e mudanças, e também da sua imbricação de escalas, seja espacial ou temporal, o que está relacionado aos serviços ecossistêmicos de conhecimento, culturais, provisão, regulação e suporte. Sendo o PARNASO detentor do maior número de pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento em uma unidade de conservação no Brasil nos últimos anos, e um dos dez parques nacionais mais visitados do país, a roteirização da Travessia Petrópolis-Teresópolis pode assumir relevância destacada na divulgação da sua geodiversidade, servindo como base para desenvolvimento de estudos e atividades que envolvam gestores, condutores, guias, professores, estudantes e visitantes, tanto nessa quanto em outras trilhas vinculadas a unidades de conservação. Então, é necessário ressaltar uma abordagem mais integrada ligando a geodiversidade, a biodiversidade, a paisagem e as pessoas, aspecto central em que a presente pesquisa pretende contribuir. Referências Brilha J. 2018. Geoheritage: inventories and evaluation. In: Reynard, E; Brilha, José (Eds.). Amsterdam: Elsevier. Gray M. 2009. Geodiversity: Valuing and Conserving Abiotic Nature. 2a Edição. Londres, John Wiley & Sons. Hartwig, M.E. 2006. Tectônica rúptil mosozóico-cenozóica na região da Serra dos Órgãos, RJ. São Paulo: Instituto de Geociências Universidade de São Paulo (Dissertação de Mestrado). INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. 2012. Manual técnico da vegetação brasileira: sistema fitogeográfico, inventário das formações florestais e campestres, técnicas e manejo de coleções botânicas, procedimentos para mapeamentos. Rio de janeiro: IBGE- Diretoria de Geociências. INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE – INEA. 2013. Resolução CERHI-RJ Nº 107. Rio de Janeiro. Oliveira S.N.; Carvalho Junior O.A.; Martins E.S.; Silva T.M.; Gomes R.A.T.; Guimarães R.F. 2007 Identificação de Unidade de Paisagem e sua implicação para o ecoturismo no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Geomorfologia. Reynard E. 2009. Geomorphosites: definition and characteristics. In: Reynard E., Coratza P., Regolini- Bissig G. (Eds.), Geomorphosites. Pfeil Verlag, Mu¨nchen, pp. 9_20.
Oral
Abrir o trabalhoElementos da geodiversidade no Cemitério da Consolação, São Paulo
ELIANE APARECIDA DEL LAMA
O Geoturismo Urbano é o turismo praticado em lugares visitáveis em qualquer parte do perímetro urbano, seja na forma de patrimônio edificado com materiais pétreos, seja na forma de afloramentos naturais de rocha, e que esteja relacionado com conceitos geológicos (DEL LAMA, 2018a). Apesar de ser um termo recente, sua prática vem dos anos 1980 (ANGUITA-VIRELLA, 1982, ROBINSON, 1984, 1985). Como ramificações do Geoturismo Urbano, temos o Geoturismo Cemiterial e o Geoturismo Eclesiástico. Este trabalho trata do Geoturismo Cemiterial e objetiva indicar os elementos da geodiversidade presentes no Cemitério da Consolação na cidade de São Paulo. O turismo cemiterial é uma atividade bem estabelecida na Europa e nos Estados Unidos, mas sem conotação geológica. Há muitas razões para visitar cemitérios, incluindo ambientes pacíficos e naturais (arborizados), interesse em arte funerária, curiosidade em visitar sepulturas de pessoas famosas e descobrir os costumes e a evolução da sociedade registrados nos túmulos, reconhecendo cemitérios como locais históricos (DEL LAMA, 2018b). Outro aspecto que pode ser adicionado é a observação das pedras que constituem os jazigos. No Brasil, alguns exemplos de túmulos com apelo turístico são Pantheon dos Andradas em Santos (onde está enterrado José Bonifácio), onde se observa serpentinito oriundo da Itália; Cripta Imperial sob o Monumento à Independência do Brasil, construída com granito cinza nacional; e Mausoléu aos Heróis de 32 em São Paulo, onde foi usado travertino italiano. Os primeiros cemitérios públicos construídos, depois da proibição do sepultamento dentro das igrejas, são considerados cemitérios históricos e normalmente apresentam grande diversidade pétrea na constituição de seus jazigos, não só de pedras locais, mas também de pedras importadas. No caso brasileiro, particularmente paulista, no início do século XIX as pedras para construção dos túmulos vinham da Itália e de Portugal. Com a crise financeira de 1930, o uso de pedras nacionais para esse fim ficou mais comum. Rochas (Fig. 1) e minerais são os elementos da geodiversidade encontrados no Cemitério da Consolação. Entre as rochas, as mais comuns são: travertino, calcário fossilífero, arenito, granito (Itaquera, Cinza Mauá, Vermelho Bragança, Vermelho Capão Bonito), larvikito, monzonito (Preto Piracaia, Preto Bragança), gabro (Preto Apiaí), sienito, charnockito (Verde Ubatuba), mármore (branco, rosa, cinza), ardósia, gnaisse e rocha calciossilicática, que apresentam variações estruturais, texturais e mineralógicas. Entre os minerais, ocorrem gipsita e geodo de quartzo. Algumas cidades brasileiras já contam com roteiro de geoturismo cemiterial, tais como São Paulo (RODRIGUES, 2014, KUZMICKAS & DEL LAMA, 2015), Belém (SILVA, 2014), Curitiba (LICCARDO & GRASSI, 2014), São João Del Rei (FERREIRA et al., 2016) e João Pessoa (PEREIRA et al., 2019), evidenciando a potencialidade destes roteiros na disseminação dos elementos da geodiversidade. Fig. 1 – Exemplo da diversidade pétrea no Cemitério da Consolação, São Paulo. Referências ANGUITA-VIRELLA, F. 1982. Un itinerario geológico urbano en las inmediaciones del Museo Nacional de Ciencias Naturales (Madrid). Actas de II Simposio sobre enseñanza de la Geología, Gijón, España, 165-175. DEL LAMA, E.A. 2018a. Urban Geotourism with an emphasis on the City of São Paulo, Brazil. In: DOWLING, R.; NEWSOME, D. (Eds.). Handbook of Geotourism. Cheltenham, Edward Elgar Publishing, 210-220. DEL LAMA, E.A. 2018b. Potential for urban geotourism: churches and cemeteries. Geoheritage. FERREIRA, A.C.; FIGUEIREDO, M.A.; ROCHA, L.C.; GOMES, I.; ROSA, D.B.; NASCIMENTO, L.A. 2016. Proposta para criação de roteiro geoturístico baseado na geodiversidade litológica, contexto histórico e sociocultural nos cemitérios de São João Del-Rei. Geonomos, v.24, n.2, p.264–269. KUZMICKAS, L.; DEL LAMA, E.A. 2015. Roteiro geoturístico pelo Cemitério da Consolação, São Paulo. Geociências, v.34, n.1, p.41-54. LICCARDO, A.; GRASSI, C. 2014. Geodiversidade no Cemitério Municipal de Curitiba como elemento cultural em análises de patrimônio. Geonomos, v.22, n.1, p.48-57. PEREIRA, L.S.; NASCIMENTO, M.A.L.; MANTESSO-NETO, V. 2019. Geotouristic trail in the Senhor da Boa Sentença Cemetery, João Pessoa, State of Paraíba (PB), Northeastern Brazil. Geoheritage. ROBINSON, E. 1984. London: illustrated geological walks. Edinburgh, Scottish Academic Press Ltd., Vol. I. ROBINSON, E. 1985. London: illustrated geological walks. Edinburgh, Scottish Academic Press Ltd., Vol. II. RODRIGUES, R.P. 2014. Comparação entre as formas de intemperismo presentes nos Cemitérios São Paulo (SP, Brasil) e Père-Lachaise (Paris, França). Monografia de Trabalho de Formatura, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo (IGc-USP). SILVA, P.A.B.V. 2014. Deterioração nas pedras da arquitetura mortuária do Cemitério Nossa Senhora da Soledade. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Pará, Belém.
Palavras-chave: Geoturismo Cemiterial, arte tumular, pedra
Oral
Abrir o trabalhoEstudo da Geodiversidade e Diagnóstico dos Sítios de Interesse Geológico da Sub-região Leste da Região Metropolitana de São Paulo
LIGIA MARIA DE ALMEIDA LEITE RIBEIRO; Carla Cristina de Moraes Magalhães; Maria Cecília de Medeiros Silveira; Marcelo Eduardo Dantas
A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) concentra 39 municípios e foi criada em 1939 e reorganizada em 2011 pela LC 1. 139 que agrupou seus municípios em cinco sub-regiões mais o município de São Paulo. A sub-região leste conta com onze municípios (Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano) e é a maior em área contando com 2.839 km2. Dentro da área de estudo, estão localizadas as principais represas que compõe o Sistema de abastecimento do Alto Tietê: Ponte Nova, Paraitinga, Taiaçupeba que junto com a represa de Jundiaí (fora da área de estudos) formam o segundo maior sistema de abastecimento da RMSP. A geologia da área situa-se no âmbito do Cinturão Ribeira, localizado na porção central da Província Mantiqueira e apresenta registros de colisões neoproterozoicas dos crátons São Francisco, Congo e Paranapanema. Na área estudada observam-se grandes zonas de cisalhamento transcorrentes destrais que a separam os três principais domínios tectônicos: São Roque-Serra do Itaberaba (porção noroeste), Embu (porção central) e Costeiro (porção sudeste). As unidades mais recentes compõem as bacias cenozoicas integrantes do Rift Continental do Sudeste do Brasil (Bacias de São Paulo e Taubaté) e os depósitos quaternários, que em grande parte da área compõe a planície de inundação dos rios Tietê e Paraíba do Sul. O projeto Geodiversidade da sub-região leste da RMSP teve como objetivo o levantamento dos elementos do meio físico da área levando em consideração não apenas os aspectos geológicos, mas também geomorfológicos, potencial hidrogeológico, recursos minerais, áreas protegidas e especiais além do levantamento de sítios de interesse geológico e com uso potencial para o geoturismo. Foram levantados 32 sítios de interesse geológico nos municípios estudados. Grande parte consiste em atrativos conhecidos pela população dos municípios e amplamente utilizados para fins de turismo. Muitos destes locais contam com excelente infraestrutura para visitação e, no entanto, não dispõem de nenhuma informação geológica acessível aos visitantes, como por exemplo o e os parques municipais da Ilha Grande e Pedra Montada em Guararema e o Pico do Urubu em Mogi das Cruzes. As represas do Sistema Alto Tietê são administradas pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) que também administra dois importantes sítios de elevado potencial geoturístico: O Parque das Nascentes do Rio Tietê e o Museu da Energia, ambos no município de Salesópolis, mas que também contam com praticamente nenhuma informação geológica disponível. Dentre os sítios geológicos de maior vulnerabilidade destacam-se os que compõe as unidades geológicas mais recentes: bacias cenozoicas e sedimentos quaternários. Foram observados pontos em áreas de conservação como a APA da Várzea do Rio Tietê com importância ambiental e também cultural por tratar-se de um rio tão emblemático para a população paulista. Por outro lado, trata-se de uma área pouco conhecida pela população e pouco estudada pela comunidade geocietífica contando com poucos estudos geológicos recentes. Além disso, trata-se de uma área de alta vulnerabilidade, ameaçada pela urbanização desorganizada, principalmente nos municípios de Itaquaquecetuba e Guarulhos. No âmbito das bacias cenozoicas ressalta-se o relevo de tabuleiros dissecados que compõe a unidade de relevo mais característica da Formação Resende. São observáveis principalmente nas proximidades do município de Guararema. O relevo de tabuleiros dissecados merece ser destacado como um importante sítio geomorfológico na área estudada. A Formação Resende é amplamente explorada pela mineração de areia e possui alta susceptibilidade a erosão, o que coloca os tabuleiros dissecados como um elemento da paisagem com elevada vulnerabilidade. Além destes casos, foram levantados ainda sítios de interesse geológico localizados dentro de áreas de mineração, principalmente dentro de áreas de exploração de areia. onde algumas unidades geológicas puderam ser mais bem observadas, o que em outra situação seria impossível por conta da malha urbana da RMSP. O que levanta a discussão da urgência de um contato maior com as empresas de mineração na área de estudo de modo a promover meios que garantam a preservação destas unidades geológicas dentro das áreas mineradas. Muitas destas unidades geológicas correm o risco de desaparecimento, seja por serem esgotadas pela mineração, seja porque os remanescentes foram aterrados pelos projetos de recuperação ambiental das áreas mineradas. A exemplo temos os sítios geológicos da Formação Itaquaquecetuba inundados pela Raia Olímpica da Cidade Universitária (na Cidade de São Paulo) e os remanescentes em alto risco de desaparecimento dentro da área da Mineração Itaquareia no município de Itaquaquecetuba que está no final de sua operação. Os sítios de interesse geológico inseridos dentro das áreas de mineração, bem como em áreas densamente urbanizadas, como é o caso da RMSP, levantam a discussão da mineração sustentável e do uso adequado dos recursos geológicos. Além disso, é também urgente pensar em ferramentas que possibilitem uma gestão territorial mais eficiente, baseada nas potencialidades e limitações do território e que conversem com os órgãos gestores de maneira clara, como é o objetivo dos trabalhos de Geodiversidade desenvolvidos pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Tais estudos possibilitam um modo de pensar a respeito da geodiversidade e do território como elementos indissociáveis da história geológica de uma região levantando pontos críticos em termos de sua gestão e fornecendo uma base consistente para se pensar em estratégias de conservação e gestão. Além disso, é urgente pensar nos elementos geológicos explorados como bens não renováveis e sujeitos ao desaparecimento por seu uso indiscriminado. O que torna estratégica a discussão pela comunidade científica de políticas mais efetivas e imediatas para sua preservação.
Oral
Abrir o trabalhoGeoarqueologia e Geodiversidade no Sítio Pedra do Letreiro, Quixeramobim / CE
ALEXANDRE PINHEIRO DE ALCÂNTARA; Murielly Maia Nobre; Felipe Antônio Dantas Monteiro; João Luís Sampaio Olímpio
Na região do Sertão Central do estado do Ceará há um dos mais expressivos campos de inselbergs do Brasil, em função das exuberantes formas geomorfológicas, diversidade de minerais, rochas e solos construídos a partir de uma singular associação morfoclimática, morfoestrutural e fitoecológica. Em função destas particularidades abióticas e bióticas, a região foi palco para sobrevivência de grupos nômades pré-colombianos, o que hoje, resultou, em inscrições que contam a história deste período. Dentro da supracitada região, está o município de Quixeramobim. Segundo Marques e Verissimo (2008), Quixeramobim possui 9 (nove) sítios de artes rupestres gravados em afloramentos de rocha e catalogadas no IPHAN, além de ferramentas líticas e artefatos cerâmicos. Os autores ainda complementam que as gravuras são popularmente denominadas Itaquatiaras e, na língua tupi, significa pedra pintada. A manifestação dessa expressão gráfica ocorre, geralmente, nas proximidades de cursos d'água em todo o território brasileiro. Dentre estes, está o sítio arqueológico Pedra do Letreiro (Fig.1), o qual apresenta vários pretróglifos, registradas em um painel rochoso, além de pilões esculpidos em afloramentos rochosos do leito do riacho Mofumbo. Desta forma, neste trabalho buscamos elencar a diversidade de elementos da geodiversidade e a singularidade do patrimônio arqueológico presente, bem como a situação frente a geoconservação, o geoturismo principalmente para as comunidades locais e para o município. Em 1970 os arqueólogos Milton Parnes e Alfredo Mendonça de Souza, sob o comando do Centro de Informação Arqueológicas – CIA, realizaram inúmeras pesquisas, entre elas, as quantificações de gravuras rupestres, descrição geral do ambiente local (vegetação, tipos de rochas, solo e clima) e escavações de trincheiras, no intuito de localizar vestígios arqueológicos. Conforme Parnes e Souza (1971) em seu relatório, além das sinalizações, constataram que foram encontradas evidências arqueológicas de 4 lascas de sílex, apresentando vestígios de utilização e 16 círculos de pedras que apresentavam em média 2m de diâmetro. Vale salientar que os pesquisadores em seus relatórios não mencionaram quais povos habitaram a região, características culturais e étnicas, e quais os fatores culminaram na elaboração das inscrições. Marques (2009) elenca que as gravuras foram esculpidas por meio do polimento profundo constando grafismos individualizados, com sulcos que variam de entre 1,0 cm a 3,5 cm de largura. No imaginário popular perpetuou-se na região a crendice e o misticismo em torno das inscrições, perfazendo ligações com a civilização fenícia e com seres extraterrenos. Entretanto, Marques (2009) fala que a região do Sertão Central do Ceará foi habitada outrora pelo grupo indígena dos Tarairiú, os quais estavam distribuídos em subgrupos, tais como os Canindés, Jenipapos, Paiacus, Quixelôs e Quixerariús. Sendo assim, autora atribui que essas gravuras tenham sido desenvolvidas por esses paleoínidos. Para além dos registros arqueológicos na Pedra do Letreiro, também existem elementos da geodiversidade que o tornam singular. O painel onde estão as gravuras rupestres é uma geoforma diferenciada na paisagem local, pois é uma exposição vertical de rochas (gnaisses) que, durante o período chuvoso é parcialmente encoberto pelas águas do riacho Mofumbo, formando uma queda d’água. Também são observadas outras feições relevantes, tais como marmitas e estruturas formadas por termoclástia, intemperismo físico-químico biológico e estruturas de falhamento. Neste sentido, o local possui feições de valor intrínseco, ligados aos serviços culturais e científicos de grande valor para a geodiversidade, refletindo em atributos que o podem torná-lo um geossítio. Não obstante, não existe nenhuma ação para a proteção dos patrimônios deste sítio. Atualmente, são observados os riscos à conservação local em decorrência da visitação não controladas, tais como a danificação do sítio por retirada das gravuras, pichações, despejo de resíduos sólidos e ocorrência de fogueiras. Por isso, a geoconservação do sítio é de suma importância, pois através de ações preservacionistas será possível promover a valorização dos patrimônios da Pedra do Letreiro, bem como o desenvolvimento de ações para o fomento ao geoturismo e à geoeducação. Nascimento, Ruchkys, Mantesso Neto (2008) dizem que o geoturismo está diretamente associado a visitas a locais com patrimônio geológico significativo. No âmbito do geoturismo, a valorização local passa pela inserção das comunidades próximas, como também estruturação dos arranjos produtivos locais (vendas de souvenires, guias turísticos, alimentação, hotelaria e serviços em gerais), suscitando a sustentabilidade econômica e ambiental local. No aspecto geoeducacional, a divulgação do sítio nas comunidades acadêmicas, escolares e junto aos munícipes é um dos mecanismos promotores da própria conservação local. Para tanto, a implantação de trilhas geoecológicas, auxiliadas por profissionais de guiamento, instrumentos de sinalizações e comunicação é uma ação recomendada. Referências MARQUES, Marcélia . Materiais e saber na arte rupestre. Fortaleza: RDS Gráfica Editora, 2009. MARQUES, Marcélia; VERISSIMO, C. U. V. . Geoarqueologia e Sítios de Arte Rupestre do Sertão Central do Ceará. Programa de Levantamento Geológico Básico do Brasil. Geologia da Folha Boa Viagem - SB 24 D II.. Brasilia: CPRM, 2008, v. 1, p. 170-183. NASCIMENTO, M. A. L. ; RUCHKYS, Ú.A. ; MANTESSO NETO, V. . Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo: trinômio importante para a proteção do patrimônio geológico. São Paulo: Sociedade Brasileira de Geologia, 2008. 84p. PARNES, M; SOUZA, A.M. 1971. Relatório das Pesquisas Arqueológicas no Ceará. Centro de Informações Arqueológicas - Rio de Janeiro.
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Abrir o trabalhoGeodiversidade do município de São João da Serra (PI): aptidões e restrições preliminares de uso
HELENA VANESSA MARIA DA SILVA; CLAÚDIA MARIA SABÓIA DE AQUINO
Introdução O termo geodiversidade é empregado na referência ao meio físico, abrangendo todo o sistema abiótico. Conforme Gray (2004) inclui em seu conjunto, relações, propriedades, interpretações, elementos e fenômenos, integrando características geológicas (rochas, minerais, fósseis), geomorfológicas (feições do relevo, processos), águas e solos. Investigações nesse viés além de poder contribuir para futuros projetos de ordenamento territorial, quando combinados com a biodiversidade e com aspectos socioeconômicos locais permitem uma análise aplicada. Pode-se identificar, de maneira mais segura, as aptidões e restrições de uso do meio físico de uma área, bem como os impactos advindos de seu uso inadequado. O objetivo do trabalho consiste assim em: I) discorrer acerca da geodiversidade do município de São João da Serra (PI), identificando suas aptidões e restrições preliminares de uso. Materiais e Métodos Foi incialmente efetuada uma revisão bibliográfica e coleta de dados secundários em documentos e relatórios técnicos. Posteriormente, foram feitos trabalhos de gabinete para a confecção de mapas utilizando o software Qgis, versão 2.8.1. Resultados A pesquisa possibilitou uma investigação preliminar aplicada sobre a geodiversidade do município de São João da Serra (PI). Constituindo importante fonte de informações, foi possível discorrer acerca da geodiversidade do município, identificando suas aptidões (potencialidades) e restrições (limitações e ameaças) preliminares de uso, tendo como referência, principalmente os estudos de Pfaltzgraff, Torres e Brandão (2010). Na área encontram-se tanto estruturas geológicas de natureza sedimentar, quanto os basaltos e diabásios da Formação Sardinha, de natureza vulcânica. As rochas sedimentares constituem as Formações Cabeças, Longá, Poti e os Depósitos Colúvio-Eluviais, sendo este último o mais recente. Correspondendo ao Domínio Vulcanismo Fissural Mesozóico do Tipo Plateau com predomínio de intrusivas na forma de gabros, basaltos e diabásios, associada à superfície aplainada degradada a geodiversidade da Formação Sardinha de acordo com Pfaltzgraff, Torres e Brandão (2010) apresenta como potencialidades solos bem evoluídos (com pedogênese avançada), pouco erosivos, com boa capacidade de compactação e estabilidade. Apresentam ainda áreas planas bastante favoráveis à agricultura. Como limitações apresentam rochas impermeáveis, que se comportam como “aquíferos fissurais”. Seus solos argilosos são, naturalmente, pouco erosivos, mas quando continuamente submetidos a cargas elevadas pelo uso de maquinários agrícolas pesados e/ou intenso pisoteio de gado, compactam-se e impermeabilizam-se, favorecendo os processos de erosão hídrica (CAMPELO, 2010). Já os Depósitos Colúvio-Eluviais, formados por sedimentos areno-argilosos e conglomeráticos (cascalho e lateritos), pertencentes ao Dominío das Coberturas Detrito-Laterítica (DCDL) tem como aptidões (potencialidades) boa estabilidade em taludes de corte. Devido ao relevo plano a suavemente ondulado, são áreas favoráveis à utilização de maquinário agrícola, ocupação urbana e implantação de sistemas viários. Como restrições (limitações/vulnerabilidades) as coberturas lateríticas apresentam espessura, grau de consolidação e dureza bastante variáveis, formando crostas bastante compactadas e coesas. Os solos são de fertilidade natural muito baixa, com excesso de alumínio, bastante ácidos e difíceis de serem corrigidos(PFALTZGRAFF, TORRES, BRANDÃO; 2010). As demais formações identificadas no município estão associadas ao Domínio das Coberturas Sedimentares e Vulcanossedimentares Mesozóicas e Paleozóicas pouco a moderadamente consolidadas, associadas às bacias sedimentares do tipo Sinéclise. Conforme Pfaltzgraff, Torres e Brandão (2010) apresenta intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e folhelhos (ASAF) e intercalações irregulares de sedimentos arenosos, síltico-argilosos e calcários (ASAC). Incorporadas à unidade litológica ASAF está a Formação Cabeças, com baixos platôs dissecados, composta essencialmente por arenito conglomerados e siltitos e a Formação Poti, com presença de arenito, folhelho e siltito. Essas formações apresentam alta potencialidade hidrogeológicas (boa porosidade e permeabilidade), o que favorece a produção de água de boa qualidade. Os aquíferos são assim porosos de alta capacidade armazenadora e circuladora de água nas camadas arenosas (CAMPELO, 2010). Por outro lado, o predomínio de sedimentos arenosos formando solos naturalmente erosivos e de baixa fertilidade natural apresenta-se como restrições de uso. Os Neossolos (rasos e pedregosos), além da presença de Plintossolos constituem limitações quando associado à inadequada utilização pelo homem, principalmente com ações econômicas de agropecuária e mineração. Já a Formação Longá incorporada a litologia ASAC com presença de arenito, folhelho, siltito, calcário, apresenta como potencialidades solos de bom potencial agrícola, sobretudo derivados do calcário. Essas rochas alteram-se liberando vários nutrientes para o solo, principalmente cálcio e magnésio. Com relação aos fatores limitantes, nota-se que a vulnerabilidade a contaminação do lençol freático é muito alta, sendo que a qualidade da água pode estar comprometida em virtude da presença de altos teores de carbonato de cálcio. Quanto às ameaças dirigidas a geodiversidade do referido município, salientam-se as que se direcionam as feições geomorfológicas existentes. Embora pouco estudadas até o momento, observa-se o uso inadequado da terra para fins agropecuários (PFALTZGRAFF, TORRES, BRANDÃO; 2010). Conclusões De modo geral como aptidões destacam-se: boas condições hidrogeológicas, relevo pouco movimentado, com a presença de solos latossolos, o qual favorece a agricultura, além do caráter cênico da paisagem, com formas de relevo (geoformas) esculpidas sob a ação de um clima predominantemente Subúmido Seco. Como restrições destaca-se a ocorrência de solos rasos e pedregosos, aliado a uma textura mais argilosa. Referências CAMPELO, Frederico. Potencialidade hidrogeológica do estado do Piauí. In: PFALTZGRAFF, Pedro Augusto dos Santos; TORRES, Fernanda Soares de Miranda; BRANDÃO, Ricardo de Lima (Org.). Geodiversidade do Estado do Piauí. Recife: CPRM, 2010, p. 73-76. GRAY, M. Geodiversity: Valuing and Conserving Abiotic Nature. England: John Wiley & Sons, Chichester, 2004. PFALTZGRAFF, Pedro Augusto dos Santos; TORRES, Fernanda Soares de Miranda; BRANDÃO, Ricardo de Lima. Geodiversidade: adequabilidades/ potencialidades e limitações frente ao uso e ocupação. In: PFALTZGRAFF, Pedro Augusto dos Santos; TORRES, Fernanda Soares de Miranda; BRANDÃO, Ricardo de Lima (Org.). Geodiversidade do estado do Piauí. Recife: CPRM, 2010, p. 115-136.
Palavras-chave: geodiversidade,aptidões,restrições
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Abrir o trabalhoGeodiversidade e o espaço sagrado na Quarta Colônia (RS)
DJULIA REGINA ZIEMANN; João Henrique Quoos; John Pablo Barbosa Notzold; Dilson Nicoloso Cecchin; Adriano Severo Figueiró
A construção do nosso espaço vivido, o espaço das relações sociais está alicerçado em uma base que se desenvolveu e se transformou ao longo da história: a inter-relação sociedade-natureza. Os modos como as sociedades se relacionaram com a natureza ao longo do curso da história foram diversos, cada sociedade em seu tempo e em seu espaço, porém uma certeza é dada: a conciliação existente entre sociedade e natureza por meio de uma sacralização do espaço natural, pois “para o homem religioso, a Natureza nunca é exclusivamente ‘natural’” (ELIADE, p.160, S/D) pois ela apresenta um “ar de mistério”. Isso não foi diferente no processo de colonização da Quarta Colônia, uma região composta por nove municípios (Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Restinga Sêca, Pinhal Grande, São João do Polêsine e Silveira Martins) na Mesorregião Centro Oriental Rio-Grandense. Os primeiros imigrantes vislumbravam uma terra nova a ser descoberta, uma terra misteriosa e cheia de riquezas naturais e, traziam consigo, suas crenças e tradições. Com a chegada com consequente expansão e dispersão dos imigrantes pelo território, foram sendo escolhidos lugares para celebração religiosa ou alocação de monumentos. O que se evidenciou na pesquisa é que a escolha dos lugares não está relacionada a uma manifestação do tipo aparição ou evento, nem por uma orientação derivada de uma instituição religiosa, mas sim esses desígnios se dão em um caráter horizontal dentro dos atores da própria comunidade. A base para as espacialidades desses pontos se dá pela singularidade geológica e/ou geomorfológica ali presente. Porém, ao se conciliarem, elas adquirem um valor simbólico dentro da cultura local. Seguindo Jung, ele diz que “O que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente e convencional.” (p.18, 2008), o que se comprova, pois o valor simbólico desses lugares por meio do sagrado é muito forte. Devido a isso, esses lugares tornam-se sagrados, ou seja, na concepção de Eliade “um espaço [...] forte, significativo” (p.35, S/D) dentro da construção social temporal do território, e assim, devido a essas ações dos atores locais, construindo e evidenciando uma paisagem cultural local, pois “qualquer intervenção humana na natureza, envolve sua transformação em cultura” (p.102, 2004). A Presente pesquisa foi resultado de inventários realizados no território da Proposta de Geoparque Quarta Colônia (RS) a partir dos patrimônios culturais e naturais. Foram feitos trabalhos de campo para coleta de imagens e georreferenciamento, no período de novembro de 2016 a março de 2017. Os municípios que compõem o território são: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Sêca, Silveira Martins e São João do Polêsine. Nesses municípios foram evidenciados 09 locais de importância, que se contabilizam em: 01 em Dona Francisca, 02 em Faxinal do Soturno, 02 em Ivorá, 03 em Nova Palma e 01 em Restinga Sêca. Salienta-se que será produzido um mapa com a finalidade de ilustrar e representar os locais aqui identificados, uma vez que muitos desses lugares já são utilizados para manifestações religiosas, dentre elas pode-se citar: peregrinações, festas anuais, procissões, dentre outras. Estes locais apresentam proeminente geodiversidade, tratando-se de barra arenosa, formada por um canal fluvial meandrante; grutas compostas por arenitos intertraps da Formação Serra Geral (Cretáceo Inferior); morros isolados, compostos por rochas sedimentares e vulcânicas (Formação Serra Geral-Cretáceo Inferior). Tendo isso, deixa-se claro que a presente pesquisa evidenciou a potencialidade de se fazer um trabalho futuro focado nas diversas religiosidades do território, ampliando essa avaliação para tentar abarcar o maior número possível de manifestações sagradas e, com isso, produzir um roteiro Geoturístico focado no sagrado. Referências COSGROVE, D. A Geografia está em toda parte: Cultura e Simbolismo nas paisagens humanas. In: CORRÊA, R. L; ROSENDAHL, Z. (Orgs.). Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004. P. 92-123. ELIADE, M. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. S/D. JUNG, C. G. O Homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008
Palavras-chave: Quarta Colônia (RS), Sagrado,Geodiversidade
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Abrir o trabalhoGeodiversidade in situ: exemplo da duna do Capim – Galinhos/RN
MARIA DAS VITÓRIAS DA SILVA; Zuleide Maria Carvalho Lima; Marcos Antonio Leite do Nascimento; Ivaniza Sales Batista
A temática que envolve a identificação, caracterização, valoração, conservação e divulgação dos elementos que compõem a vertente física do planeta Terra, denominada de geodiversidade, foi utilizada inicialmente por pesquisadores como geólogos e geomorfólogos e mais recentemente, por geógrafos (de forma mais ampla) e turismólogos. O termo surge na década de 1990 como uma alternativa de promover o uso sustentável dos recursos naturais e, mais ainda, destacar a importância da vertente abiótica do planeta, considerada parte condicionante para o desenvolvimento e manutenção da vida. Brilha (2005), adotando a definição proposta pela Royal Society for Nature Conservation do Reino Unido, destaca que a geodiversidade compreende a variedade de ambientes geológicos, fenômenos e processos ativos que originam paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra. Para o Serviço Geológico do Brasil (CPRM, 2008), trata-se, além desses aspectos, da natureza abiótica a qual poderá ser atribuída os valores intrínseco, cultural, estético, econômico, educativo, científico e turístico. A geodiversidade pode, portanto, ser encontrada tanto nos seus locais de origem (in situ), a exemplo das dunas, dos afloramentos rochosos, dos fósseis (animais e vegetais), das formas de relevo etc, como também fora desses locais (ex situ) como é o caso das coleções expostas nos museus, de determinado tipo de rocha utilizada em algumas construções, entre outros. Galinhos é um município que está localizado no litoral setentrional do estado, distando 165 km da capital Natal. O mesmo está, geologicamente, inserido numa área composta por depósitos eólicos vegetados e não vegetados (campos de dunas móveis) pertencentes ao período cenozoico, os quais estão sotopostos em rochas carbonáticas da Formação Jandaíra pertencente a Bacia Potiguar de idade Cretácea. Na sua paisagem ganham destaque os campos de dunas móveis (exemplo de geodiverdade in situ), elemento de natureza abiótica de extrema importância, tanto para a dinâmica natural local, como no tocante ao desenvolvimento da atividade turística (geoturismo) e energética daquela região. A formação desse elemento físico está relacionada com a disponibilidade de sedimentos marinhos, transportados pela ação das ondas até a praia, e, por conseguinte, carregados pelos constantes ventos costa adentro. Atualmente um dos campos de dunas móveis, denominada de Duna do Capim (Fig. 1), se configura como atrativo turístico do município, fazendo parte do trajeto de pessoas que o visita. O passeio turístico sobre as dunas é realizado por meio do uso de buggy. Além do turismo, as dunas e, no caso específico, a Duna do Capim tem sido palco para a instalação de dezenas de torres eólicas, realidade presenciada em praticamente todo o litoral nordestino. A área litorânea do município de Galinhos, e consequentemente, o referido elemento abiótico, têm sido utilizados por estudantes, principalmente das áreas da geografia e do turismo, o que tem contribuído para o entendimento da dinâmica costeira bem como da atividade turística da região. Os estudos voltam-se também para as questões que envolvem os problemas de ordem socioambientais, destacando as consequências da inadequada ocupação desse ambiente. Sobre a Duna do Capim ainda encontram-se exemplos de afloramentos de eolianitos (rochas semiconsolidadas, formadas por carbonato de cálcio), além de diversos pontos com resquícios referentes a sambaquis (evidência de ocupação pretérita dessa região) e registro de fóssil vegetal, fatores que indicam sua importância de forma lhe agregar ainda mais valor.
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Abrir o trabalhoGeoparque Costões e Lagunas: uma proposta de geoturismo urbano no município de São João da Barra (RJ)
RAFAEL ALTOE ALBANI ; Kátia Leite Mansur; Wellington Francisco Sá dos Santos; Andre Luiz Rodrigues Pinto
A proposta de criação do Geoparque Costões e Lagunas (Mansur et al. 2012) abrange dezesseis municípios no estado do Rio de Janeiro e uma área de 10.900 km² de extensão territorial. O município de São João da Barra está inserido no contexto deste geoparque, localiza-se na região norte fluminense, possui cerca de 453 km² de extensão territorial e uma população estimada em 36.138 habitantes (IBGE, 2018). Em virtude de grande parte da população viver nas cidades, o geoturismo urbano possui ampla capacidade de desenvolvimento. Nos últimos anos, roteiros geoturísticos em áreas urbanas foram desenvolvidos por: Del Lama et al. (2015) em São Paulo (SP), Silva & Mansur (2017) no Rio de Janeiro (RJ), Nascimento et al. (2018) em Natal (RN) e, mais recentemente, por Queiroz et al. (2019) em Santos (SP). Este trabalho tem como objetivo apresen¬tar uma proposta de geoturismo urbano na cidade de São João da Barra. Foram selecionados seis locais onde foram emprega¬das rochas que podem servir como chamariz para visitantes que, além de poderem contemplar as características históricas, arquitetônicas e culturais, terão condições de conhecer e identificar as rochas utilizadas nessas edificações. Inicialmente foi realizada uma pesquisa bibliográfica para coletar informações sobre a área de estudo. Em seguida foram feitos dois trabalhos de campo a fim de verificar os locais que utilizam rochas na sua ornamentação, e que podem ter atribuídos os valores educativo e turístico. Ademais, foi feita uma breve descrição de cada local, bem como das rochas utilizadas em cada um deles. Por último foi elaborado um roteiro geoturístico para a área de estudo. A Casa de Câmara e Cadeia é o único imóvel do município remanescente do período colonial. No térreo funcionava a cadeia e, no andar superior, a câmara durante todo o século XIX. Atualmente é sede do Centro Cultural João Oscar do Amaral Pinto. As molduras de suas janelas são compostas de gnaisses kinzigítico, de idade 1,3-1,8 Ga e facoidal 560 Ma (Valeriano et al. 2012), ambos provenientes do Rio de Janeiro. Inicialmente construída em 1630 como uma capela, a Igreja Matriz de São João Batista foi erguida no ano de 1852. Exibe os gnaisses leptinítico 560 Ma e kinzigítico do Rio de Janeiro em sua fachada e mármore de origem desconhecida em seu interior. O Cais do Imperador foi o porto por onde Dom Pedro II desembarcou para visitar São João da Barra, no ano de 1847. As rochas encontradas tanto no Cais do Imperador quanto no Cais da Imperatriz são os gnaisses leptinítico e facoidal. Em edificação típica do final do século XIX, uma escadaria construída com gnaisse facoidal leva ao salão nobre do prédio onde atualmente funciona o Palácio Cultural Carlos Martins, antiga residência da família do Coronel Teixeira. O prédio de estilo neoclássico do Cine Teatro São João foi construído no início do século XX para ser a sede da Sociedade Beneficente dos Artistas de São João da Barra, em sua fachada apresenta o gnaisse facoidal. A região está inserida numa área de depósitos de sedimentos inconsolidados holocênicos associados ao delta do rio Paraíba do Sul e a planície costeira. Com exceção da Formação Barreiras (Mioceno-Plioceno), não apresenta fontes para extração de rochas, fato que explica a proveniência externa do material pétreo utilizado nas construções. O roteiro geoturístico urbano de São João da Barra inclui seis localidades e leva cerca de 1 hora e 30 minutos para ser percorrido caminhando, levando uma média de 10 minutos em cada ponto. Os visitantes poderão contemplar as características históricas, arquitetônicas e culturais, além de conhecerem um pouco sobre as rochas utilizadas nessas edificações. Ao fazer parte do cenário turístico do município, pretende-se que o roteiro auxilie na difusão do conhecimento e contribua para a conservação desses locais. Este estudo contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. Referências Del Lama EA, Bacci DLC, Martins L, Gar¬cia MGM & Dehira LK. 2015. Urban geotourism and the Old Centre of São Paulo city, Brazil. Geoheritage, 7, 147-164. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2018. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rj/sao-joao-da-barra/panorama. Acesso em: 20 jun. 2019. Mansur K, Guedes E, Alves MG, Nascimento V, Pressi LF, Costa Jr. N, Pessanha A, Nascimento LH & Vasconcelos G. 2012. Geoparque Costões e Lagunas do Estado do Rio de Janeiro (RJ) – Proposta. In: Schobbenhaus C. & Silva C. R. da (org.): Geoparques do Brasil: Propostas. Serviço Geológico do Brasil – CPRM. Rio de Janeiro/Brasil Nascimento MAL, Silva MLN & Bezerra GB. 2018. Presença da geodiversidade em itin¬erário geoturístico no centro histórico de Natal/ RN (NE Brasil). TerraPlural, 12(2), 238-253. Doi: 10.5212/TerraPlural.v.12i2.0006 Queiroz DS, Del Lama EA & Garcia, MGM. 2019. Proposta de roteiro geoturístico pelos prédios históricos do Cen¬tro de Santos, SP. Terræ Didatica, 15, 1-7, e019002. doi: 10.20396/td.v15i0.8654686 Silva RGP & Mansur KL. 2017. Proposta de roteiro para a prática de geoturismo urbano e para a geoeducação no centro da cidade do Rio de Janeiro. Anais do IV Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico e II Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação. (p. 482- 486). Ponta Grossa, Brasil. Valeriano CM et al. 2012. Geologia e recursos minerais da folha Baía de Guanabara SF.23-Z-B-IV, estado do Rio de Janeiro escala 1:100.000; organizador Luiz Carlos da Silva. – Belo Horizonte: CPRM. 156p. ; Mapa Geológico, escala 1:100.000, versão digital em CD-ROM, textos e mapas.
Palavras-chave: São João da Barra, Geoturismo, Geoparque Costões e Lagunas
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Abrir o trabalhoGeossítio Parque da Guarita (Torres, Rio Grande do Sul, Brasil) – Projeto Geoparque Caminho dos Cânions do Sul
DANIEL GALVÃO VERONEZ PARIZOTO ; Samanta da Costa Cristiano; Gabriela Camboim Rockett
O município de Torres RS, compõe a Proposta de Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul com um geossítio de relevância internacional, o Parque da Guarita/José Lutzenberger (GODOY et. al., 2012). Esse parque foi criado em 1971 visando proteger um cenário geológico de grande valor ambiental e paisagístico. Contudo, o Parque da Guarita não configura uma Unidade de Conservação, mas apenas uma área protegida por possuir regramentos específicos. Este local também possui grande importância econômica, recebendo aproximadamente 30.000 visitantes por ano. Em 1996 o Estado do RS passou a administração do parque à Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Torres, através de concessão de uso e atualmente está sob responsabilidade da Secretaria de Turismo. Este estudo tem como objetivo requantificar o valor do geossítio Parque da Guarita utilizando a atualização da metodologia empregada pela equipe do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em 2011 o aplicativo Geossit “destinado ao inventário, qualificação e avaliação quantitativa de geossítios e de sítios da geodiversidade” (SCHOBBENHAUS e BERBERT-BORN, S/D). A metodologia constante no aplicativo foi atualizada com uma adaptação da proposta de Brilha (2016), que observa parâmetros referentes ao valor científico, risco de degradação e potencial de uso educativo e turístico. O aplicativo resulta na classificação dos geossítios segundo a relevância científica em internacional (> 300 pontos) ou nacional (> 200 pontos), e caracterizam sítios de geodiversidade as pontuações inferiores a 200 (relevância regional ou local); e ainda, gera recomendações de proteção. Com os resultados obtidos observa-se a manutenção do Parque da Guarita como um geossítio de relevância internacional, como constatado por Godoy et. al. (2012) com a versão anterior do aplicativo, por obter valor científico superior a 300. Esse valor se dá devido aos afloramentos que dão nome à cidade, formados pela associação de rochas sedimentares e vulcânicas preservados em morros testemunhos escarpados na linha de praia (Formação Botucatu – Juro-Cretáceo e Formação Serra Geral – Cretáceo Inferior), configurando registros da separação do supercontinente Gondwana. (PETRY et. al., 2005; MILANI et. al., 2007). No município, estas rochas encontram-se em meio a depósitos sedimentares recentes e contribuem para a diversidade de paisagens litorâneas. As rochas de Torres constituem um ponto único de contato da Serra Geral com o Oceano Atlântico (RUSCHEL, 1961). As torres vêm resistindo à ação das ondas que as moldam há milhares de anos, esculpindo furnas e falésias. O geossítio também apresenta valores educativo e turístico elevados, 325 e 320 respectivamente, pois do topo destes morros se observa cenários geodidáticos e de elevado apelo cênico. Da Torre do Meio se observa ao norte a cidade com ocupação intensa,ao oeste a serra e ao sul a praia com a Torre da Guarita. Da Torre Sul se observa ao norte a praia da Guarita, ao leste o mar e ao sul o Parque Estadual de Itapeva. Entretanto, o geossítio também apresentou alto risco de degradação (305), haja visto que o acesso de turistas aos morros testemunhos não possui controle efetivo e proteção que impeça a degradação antrópica, mesmo situado em uma área protegida. Com a quantificação do valor do geossítio utilizando a nova versão do Geossit pode-se verificar que se mantiveram os altos valores. No entanto ainda persiste problemas que podem ser solucionados com medidas adequadas de gestão. O geossítio possui relevância científica internacional, porém a proteção legal atual não é efetiva, possibilitando ações no interior e entorno que podem levar à degradação do geopatrimônio do Parque da Guarita. Neste sentido, dentre as recomendações resultantes está a criação de Unidade de Conservação de Proteção Integral, essencial para a geoconservação desta parte do território do Projeto Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.
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Abrir o trabalhoGeoturismo no MoNa dos Morros do Pão de Açúcar e Urca a serviço da Geodiversidade
MONICA RODRIGUEZ; Nely Palermo; Deusana M.C. Machado; Mell Siciliano; Flávia Cristina Costa Vieira; Ranielle Menezes de Figueiredo
Os morros Pão de Açúcar e Urca são institucionalizados patrimônios sob várias esferas administrativas e sob diferentes adjetivações. Foi primeiramente considerado patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1973 em virtude de sua importância na composição da paisagem cultural e importância histórica (fundação da cidade do Rio de Janeiro), culminando como patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2012. A partir de 2006, tornam-se Patrimônio Natural pela criação de uma Unidade de Conservação Municipal (Fig.1), categoria Monumento Natural (MoNa) (RIO DE JANEIRO, 2006). Entretanto, por apresentar características de patrimônio natural e cultural no mesmo espaço: presença de formações rochosas, do bioma Mata Atlântica, de construções humanas utilizadas para expressões artísticas, de área de esporte, lazer e visitação turística, o MoNa constitui um Patrimônio Integral (CARNEIRO & MACHADO, 2018). Além de seu status de patrimônio, o MoNa passa por processo museológico que integra território de ação, patrimônio coletivo e comunidade de habitantes, caracterizando-o como um Museu de Território, legitimando o patrimônio já institucionalizado em outras esferas, por meio de coleta ou registro, salvaguarda, pesquisa e difusão de seus bens materiais e imateriais, atuando para e com a sociedade e visando seu desenvolvimento cultural e socioeconômico (OLIVEIRA, 2015). O presente trabalho se propõe a discutir como o geoturismo, nesse espaço com riqueza de geodiversidade e biodiversidade, pode contribuir para um maior conhecimento da geodiversidade e de sua interação com a biota e a sociedade. Infelizmente, a geodiversidade é um conceito ainda pouco reconhecido pela sociedade, sendo aqui constituída pelos minerais, rochas, fósseis, solos, água, ar do Planeta Terra, podendo estar in situ ou ex situ, assim como as paisagens e os processos associados, como no caso da paisagem turística do Pão de Açúcar (CASTRO et alii, 2018). A geodiversidade com valor turístico e educativo deve ser objeto da geoconservação (BRILHA, 2016). No MoNa, observa-se que os processos museológicos de comunicação sobre a geodiversidade carecem de melhor exploração para que a sociedade apreenda o conceito e auxilie na geoconservação e na preservação do patrimônio geológico. Dessa maneira, as duas primeiras autoras consideraram realizar atividades de Geoturismo como ferramenta para a divulgação das geociências e difusão dos conceitos de geodiversidade e geoconservação para o público visitante do MoNa. Desenvolveram projetos geoturísticos educacionais envolvendo 19 crianças, de 6 a 10 anos, inscritas no Ensino Fundamental I e II; e elaboraram uma excursão guiada, oferecida por meio da plataforma Airbnb®, para 78 turistas estrangeiros oriundos de 5 continentes diferentes e para 46 turistas brasileiros provenientes de vários Estados. Nessas experiências são apresentados os conceitos geológicos de formação das rochas e do relevo (magmatismo, tectonismo), os tipos de rochas: ígneas, sedimentares e metamórficas, os processos de intemperismo físico-químico-biológico, erosão e transportes de sedimentos, os minerais: sua composição e alteração, evidenciando a importância da geodiversidade como substrato para o desenvolvimento da vida. Portanto, ela necessita ser preservada e conservada pelo ser humano, visando minimizar os impactos ambientais e os riscos decorrentes do mau uso desses recursos. Ao longo de um ano de atividades, os resultados são de aprendizado das informações recebidas, mensurados pelo nível de questionamentos apresentados pelos visitantes, e pela mudança de atitude decorrente da conscientização sobre a necessidade de valorizar e preservar os elementos da geodiversidade. Nos projetos educacionais, as crianças fazem associações com desenhos e filmes, assimilando com facilidade os conceitos geocientíficos apresentados de forma lúdica, modificando assim seu olhar e comportamento, agregando a percepção da importância do substrato rochoso para a vida do planeta às questões da importância da biodiversidade, atualmente tão difundida. Como todas as atividades propostas foram remuneradas pelos próprios visitantes e responsáveis pelos estudantes, fica evidenciado: (i) que a sociedade está buscando aprender sobre a Geodiversidade, pois poderiam fazer o passeio turístico pelo teleférico, sem este custo extra, e (ii) o potencial do Geoturismo como ferramenta de difusão das geociências que permite apresentar de forma descontraída, dinâmica, lúdica e prazerosa a necessidade da geoconservação da Terra. Referências BRILHA, J.B.R. - Inventory and Quantitative Assessment of Geosites and Geodiversity Sites: a Review. Geoheritage, v. 8, n. 2, p. 119–134, 2016. CARNEIRO, L.C. & MACHADO, D.M. - Múltiplos aspectos patrimoniais do Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca (MoNa Pão de Açúcar). VIII Simpósio Nacional de Ensino e História de Ciências da Terra. Campinas, SP-Brasil, julho, 2018. pp.606-610. CASTRO, A.R.S.F., MANSUR, K.L., CARVALHO, I.L.- Reflexões sobre as relações entre geodiversidade e patrimônio: um estudo de caso. Terr@Plural, Ponta Grossa, v.12, n.3, p. 383-403, set./dez. 2018. RIO DE JANEIRO. DECRETO N.º 26578 DE 1º DE JUNHO DE 2006. Disponível em: <https://www.monapaodeacucar.com> Acesso em: 29 jun. 2019. OLIVEIRA, C.A. - A musealização do território como estratégia de gestão do Patrimônio e administração da memória. Revista Memorare, Tubarão, SC, v. 2, n. 2, p. 34-51, jan./abr. 2015. ISSN: 2358-0593.
Oral
Abrir o trabalhoGeoturismo no Parque Estadual da Serra do Jaraguá-GO: potencial para o estudo da percepção ambiental
NATALIA BARBOSA MATEUS; Cláudia Valéria de Lima; Vandervilson Alves Carneiro
O Geoturismo mais do que uma atividade voltada à apreciação da Geodiversidade se caracteriza também como um meio de transmitir conhecimento científico. Passar essa compreensão, no entanto, não é uma tarefa fácil já que as Geociências muitas vezes são incompreendidas. Isso acontece devido aos difíceis termos científicos utilizados, que impossibilitam o turista de conhecer os elementos ou processos físicos que caracterizam seu entorno. Além disso, o reconhecimento pode estar relacionado à forma como o turista percebe o ambiente que lhe cerca, se ele entende ou não como funciona a dinâmica da Geodiversidade presente na paisagem, por exemplo. Quando ocorre o entendimento desse turista sobre o funcionamento da dinâmica mencionada, se torna mais esclarecido o seu papel como parte da sociedade na contribuição para a manutenção dos processos e elementos que estão sendo observados. Assim apreende-se a importância de compreender a percepção ambiental para o auxílio da manutenção da Geodiversidade e do sistema geográfico no qual ela se insere. O homem além de ser um espectador e usar a visão para perceber o ambiente é também um autor, que age por motivos e emoções. Essas ações vão depender em grande parte da maneira pela qual percebe o ambiente (KRECH; CRUTCHFIELD, 1971). Quando ele questiona o seu lugar na paisagem que observa é quando se torna possível avaliar as suas ações, essa compreensão do espaço geográfico no qual o ser humano está inserido se configura não somente de conceitos científicos, mas de um ambiente cheio de significados, onde o racional não oprime a dimensão emotiva da percepção (MARIN et al., 2003). A percepção se dá através de várias reações que ocorrem no cérebro que alimentam os sistemas perceptivos como a visão. No caso da percepção ambiental, esse sistema sensorial é o mais interessante a se estudar, uma vez que através dele assimilamos a forma, o tamanho e a cor do espaço (KRECH; CRUTCHFIELD, 1971). Dessa forma, o Geoturismo mostra sua importância ao permitir que o turista contemple e desenvolva afetividade pelo meio físico observado. Alguns locais específicos permitem que os turistas tenham acesso e consigam além de observar, entender os processos que deram origem a Geodiversidade local, como o caso do Parque Estadual da Serra do Jaraguá (PESJ), que possui interessante valor do ponto de vista geoturístico (MATEUS, 2018). Tendo isto em mente o objetivo geral deste trabalho foi conhecer o potencial do parque para o estudo da percepção ambiental. Para isso utilizou-se uma metodologia com pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. O PESJ foi criado em 13 de janeiro de 1998 pela Lei Estadual nº 13.247 (GOIÁS, 1998). Sua maior parte se concentra no município de Jaraguá (GO) e uma pequena porção no município de São Francisco (GO) e possui uma área de aproximadamente 28,3 km². Uma das relevâncias de se estudar a percepção ambiental no parque é o fato do PESJ já comportar atividades turísticas, como o prática de parapente. Além disso, também faz parte de um dos trajetos do Caminho de Cora Coralina. A prática do salto de parapente está relacionada ao relevo bastante movimentado, onde as cristas da serra configuram desde topografias montanhosas à escarpadas, com alto grau de declividade. Dependendo do ponto de visada do turista que pratica o salto, a percepção pode ser estudada por diferentes perspectivas, se ele contempla a serra em si ou se dela ele observa o entorno. A topografia da serra também permite que ela seja um local para contemplação e entendimento da Geomorfologia local ao possibilitar o vislumbrar amplo da paisagem e das geoformas. Pereira (2006) considera como um local de interesse geomorfológico um ponto onde é possível visualizar uma estrutura geológica, ou um conjunto delas de forma panorâmica. Como ocorre com os mirantes, por exemplo. O mirante do PESJ (coordenadas geográficas 15°47’46.5” S e 49°20’00.4” W), permite observar a paisagem do entorno e possibilita visualizar a Geodiversidade relacionada as diferentes formas de relevo. Dessa forma, o Parque Estadual da Serra do Jaraguá demonstra um interessante local com potencial para se estudar a percepção ambiental, ao permitir não somente visualizar os elementos da Geodiversidade, mas também perceber as formas, cores e tamanho de seus elementos bem como os processos que as formaram.
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Abrir o trabalhoInterpretando a geodiversidade: percepções dos mergulhadores sobre o mergulho autônomo no arquipélago de Fernando de Noronha (Pernambuco, Brasil)
TATIANE FERRARI DO VALE; Jasmine Cardozo Moreira; Rafael Altoe Albani
Introdução O arquipélago de Fernando de Noronha situa-se no Oceano Atlântico Sul, a 345 km da costa brasileira. Com patrimônio geológico singular, este território conta parte da história geológica das ilhas oceânicas de origem vulcânica. Estudos e ações estão sendo realizados visando o reconhecimento como um geopark (Moreira, 2008; Wildner & Ferreira, 2012; Vale, 2017). Em 2013 foi formado o Grupo de Trabalho do Projeto Geopark. Wilder e Ferreira (2012) apresentaram um inventário do patrimônio geológico do arquipélago, no qual se evidenciaram 26 geossítios. Este estudo, no entanto, não considerou os geossítios marinhos, sendo posteriormente sugeridos por Moreira e Silva-Jr. (2016). Moreira e Silva-Jr. (2013) também coletaram informações sobre a geologia e a geomorfologia marinha dos pontos de mergulho, em um trabalho sobre trilhas subaquáticas, voltado à interpretação ambiental. A interpretação dos aspectos da geodiversidade marinha ainda é um assunto pouco abordado. No Brasil, tais estudos são praticamente inexistentes, o que evidencia a carência de ações no âmbito do ensino e divulgação geocientífica com este enfoque. Ao se considerar a interpretação ambiental como um aspecto fundamental para a compreensão das paisagens, o objetivo deste trabalho foi identificar as percepções dos visitantes que realizaram o mergulho autônomo em Fernando de Noronha sobre os aspectos da interpretação ambiental e da geodiversidade marinha. Materiais e métodos A técnica de coleta de dados adotada foi a aplicação de um questionário online, entre os meses de abril de 2018 a março de 2019. O questionário estruturado contou com 13 questões, todas fechadas. A primeira parte compõe perguntas sobre o perfil dos visitantes, e a segunda sobre a percepção que os mesmos têm sobre a interpretação ambiental e dos aspectos da geodiversidade. Foram obtidas 100 respostas. Resultados Dos 100 respondentes, 50% correspondem ao público feminino e 50% ao masculino. Com relação à faixa-etária, a maior parte tem entre 26 e 35 anos (51%), seguido de 36-45 anos (22%), 18-25 anos (17%) e 46-55 anos (10%). Quanto ao nível de escolaridade, majoritariamente, possuem pós-graduação (46%), seguido de ensino superior completo (27%), ensino superior incompleto (13%) e ensino médio (5%). No que concerne a procedência, 98% são brasileiros, e os estados mais representativos foram Pernambuco (22%), Paraná (21%), São Paulo (14%), Rio de Janeiro (11%), Minas Gerais (6%), Rio Grande do Norte (5%), Santa Catarina (5%), Bahia (4%), e os demais somam 9%. Não foi possível identificar a origem de um dos respondentes. Os 2% de estrangeiros correspondem aos países de El Salvador e Portugal. Dos visitantes que realizaram o mergulho autônomo, 44% praticaram mais de 8 vezes, enquanto que 23% de 1 a 4 vezes, 23% apenas uma vez (batismo) e 10% de 5 a 8 vezes. Quanto ao ano de realização do primeiro mergulho, os principais foram 2018, 2016, 2015 e 2013. A próxima questão evidenciou a principal motivação para realização da atividade, e a maioria respondeu recreação, turismo e/ou aventura (73%), seguido de ciência, estudo e/ou pesquisa (17%), trabalho (7%) e outros (3%). Dos respondentes, 83% afirmaram que receberam informações sobre a flora e fauna marinha, 30% geologia marinha, 11% não receberam informações e 5% não lembram. Ainda com relação à esta questão, dos que disseram ter recebido algum tipo de informação, 85,7% indicaram que estas foram facilmente identificadas durante a realização da atividade, enquanto, 14% disseram que não. Os mergulhadores foram questionados se sentiram faltam de alguma informação, e 26% indicaram fauna e flora marinha, 60% geologia marinha e 37% não sentiram. Sobre as informações transmitidas, 87,7% (n=91) disseram que foram transmitidas por briefing antes do mergulho, 34,1% conversa após o mergulho e demais respostas correspondem a 11%. A última questão buscou conhecer a opinião dos mergulhadores sobre a interpretação ambiental e os aspectos da geologia marinha, e 98% acreditam que tal assunto seja um aspecto relevante para a realização da atividade. Conclusões Com este estudo foi possível evidenciar que dada a relevância geológica de Fernando de Noronha, abordagens que envolvam a interpretação das paisagens podem melhorar a experiência dos visitantes, visto que os mesmos, acreditam que informações sobre geologia marinha são relevantes para a realização do mergulho autônomo. Fernando de Noronha é um dos destinos turísticos mais desejados pelos brasileiros. A proteção deste território singular é fundamental. Ações que promovam a sensibilização dos visitantes e ilhéus quanto à importância da geoconservação podem contribuir para uma postura mais consciente quanto a sustentabilidade insular. Referências Moreira, JC. 2008. Patrimônio Geológico em Unidades de Conservação: Atividades interpretativas, educativas e geoturísticas. 2008, 429 f. Tese (Doutorado em Geografia) Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Moreira JC, Silva Jr. JM. 2016. Underwater trails at Fernando de Noronha aspiring geopark project (Brazil): Marine geosites and the importance of the environmental interpretation related with the geodiversity. In: International Conference on UNESCO Global Geoparks, 7., 2016, Torquay. Abstract Book. Torquay, p.73. Moreira JC, Silva Jr. JM. 2013. Trilhas subaquáticas em Fernando de Noronha – PE. A importância da interpretação ambiental relacionada a geodiversidade. In: Anais do II Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas e I Colóquio Brasileiro da Red Latino Americana de Senderismo. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Vale, TF. 2017. A gestão do território e os benefícios de um geopark: ações visando a implantação do Projeto Geopark Fernando de Noronha (PE). 2017. 191 f. Dissertação (Mestrado em Gestão do Território: Sociedade e Natureza) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa. Wildner W, Ferreira RV. 2012. Geoparque Fernando de Noronha (PE): Proposta. In: Schobbenhaus C, Silva CR. Geoparques do Brasil: Propostas. Rio de Janeiro: Serviço Geológico do Brasil, cap. 10. p. 318-360.
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Abrir o trabalhoLOS GRANITOS DE YAGUARETE CUA: UNA GEOMORFOLOGIA SINGULAR COMO RECURSO GEOTURISTICO EN EL PARAGUAY ORIENTAL
CHRISTIAN FERNANDO COLMAN PATIÑO; YENNIFER SARUBBI JACKS; OSCAR ALFREDO MARTÍNEZ; RICARDO SOUBERLICH BARUA; JORGE OSCAR RABASSA
En la última década el geoturismo ha adquirido, en Paraguay, mayor relevancia y protagonismo. En este contexto y con el objetivo de impulsar dicha actividad, en el presente resumen se caracteriza el paisaje de un sitio del Paraguay Oriental que, por su singularidad geomorfológica y por su significado geológico y paleoambiental, merece ser evaluado como potencial recurso geoturístico. El área de estudio corresponde con los afloramientos graníticos de Yaguareté Cua (26°13´ S, 57°10' W; 140 m.s.n.m.) ubicados a 2 kilómetros al SE de la ciudad de Caapucú. El sitio es de fácil acceso y los afloramientos rocosos de interés quedan comprendidos íntegramente dentro de terrenos privados. Se ha realizado un inventario parcial de sitios potenciales para el turismo geocientífico en Paraguay, (un total de 106; Gadea y Benítez, 2018), en el que Yaguareté Cua no ha sido incluido. Por otro lado, dicho listado no cuenta con una interpretación morfológica y genética para la mayoría de las localidades. Aunque Yaguareté Cua cuenta con el potencial necesario para posicionarse como un atractivo turístico rápidamente, no es conocido por el público en general. Las rocas sobre las que se han generado las peculiares morfologías estudiadas se corresponden con la Suite Magmática Caapucú (560 +/- 35 Ma. Cordani et al, 2011). Esta unidad, junto al Grupo Paso Pindó, la Granodiorita Centu Cué y la Suite Metamórfica Villa Florida conforman lo que se conoce como el Precámbrico Sur del Paraguay Oriental (Leite et al, 2018)). En la superficie de estas rocas resistentes se han desarrollado bloques muy redondeados que alcanzan los 20 metros de diámetro (Fig. 1). La imposibilidad de aceptar que estos inmensos bloques deban su redondeamiento al transporte (por ejemplo, erosión/meteorización por acarreo fluvial) obliga a considerar otra génesis. Es así que este agrupamiento de bloques graníticos es interpretado como un “tor desmantelado”, compuesto por “rocas nucleares” o corestones (bloques redondeados que representan la fase inicial de meteorización química subsuperficial). Se interpreta que estos procesos han alterado la roca desde la superficie hasta importantes profundidades y han sido expuestos por procesos de denudación durante el Terciario (Rabassa y Ollier, 2014). Estos paisajes graníticos constituyen auténticas paleosuperficies muy antiguas formadas posiblemente en el Mesozoico tardío o Paleógeno. Estructuras similares han sido mencionados en los alrededores (Colman et al. 2018) razón por la cual se asume que estos granitos de Yaguareté Cua forman parte de un área mayor en donde abundan estas morfologías. Por lo dicho, este paisaje representa condiciones paleoambientales extremas (seguramente climas hipertropicales) radicalmente distintas a cualquier otra existente en la actualidad y su génesis es comprensible sólo si se las interpreta desde una escala de tiempo y espacio geológico. Esta componente conceptual es la que debería desarrollarse y trasmitirse debidamente al visitante para convertir al lugar en un auténtico geositio. En el mismo sentido, debe destacarse que estas notables geoformas, se localizan a sólo 30 kilómetros al N de la ciudad de Villa Florida, ciudad receptora de un número importante de turistas a lo largo del año y a mitad del trayecto entre las ciudades de Asunción y Encarnación. Existen, en la actualidad, oportunidades para poner en valor y formular proyectos para el desarrollo de sitios como Yaguareté Cua, por ejemplo los apoyos de entidades como la Organización Paraguaya de Conservación y Desarrollo Sustentable (OPADES), quienes tienen como objetivo contribuir en la creación de áreas protegidas. El Monumento Natural Cerro Kói y Chorori (Plan de Manejo de los Monumentos Naturales Cerro Kói y Chorori, 2014) en la ciudad de Areguá, es un ejemplo que demuestra que transformar determinados recursos geológicos/geomorfológicos en atractivos turísticos, motiva e impulsa la geoconservación
Palavras-chave: paleosuperficies,paisajes graníticos,corestones,geoturismo
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Abrir o trabalhoMapa Georrodoviário do Estado do Rio de Janeiro: um produto para estimular o geoturismo e divulgar a geodiversidade fluminense.
MARCUS FELIPE EMERICK SOARES CAMBRA; Julio Cesar Horta de Almeida; Raphael e Silva Girão; Thaís Lima Verde Monteiro; Natália Cota de Freitas; Roney Almeida dos Santos Chagas; Miguel Antonio Tupinambá Araujo Souza
O Mapa Geológico e de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro em escala 1:400.000 (Heilbron et al., 2016) e o seu banco de dados elaborado pelo Sistema de Informações Geográficas (SIG) servem de base para a maior parte das informações geológicas contidas no Mapa Georrodoviário do Estado do Rio de Janeiro. O papel pioneiro da Faculdade de Geologia da UERJ, que em 2011 ficou a cargo da elaboração de um mapa geológico estadual, referendou o Laboratório de Estudos Tectônicos – LET vinculado ao Grupo de Pesquisa em Geotectônica – TEKTOS, como uma referência nacional no processamento e elaboração de cartas geológicas. Uma das principais atividades técnicas do LET consiste no domínio e no aprimoramento das técnicas de cartografia geológica digital, visando à produção de mapas geológicos em diversas escalas, em ambiente de SIG. O Mapa Georrodoviário, um produto inédito lançado no Brasil pelo LET, objetiva a divulgação das informações geológicas e rodoviárias do estado. Além do mapa geológico há uma série de subprodutos desse projeto e produtos de outros projetos, desenvolvidos pelo LET e outras instituições, que foram incluídos no mapa Georrodoviário. Como os geossítios e sítios de geodiversidade (Pontos de Interesse Geológico – PIG) sinalizados pelos Caminhos Geológicos (PCG) do Departamento de Recursos Minerais - DRM-RJ (Mansur e Erthal, 2003) e pelos Caminhos de Darwin da Casa da Ciência, UFRJ e PCG/DRM-RJ (Simões et al., 2011), além da proposta do Geoparque Costões e Lagunas (Mansur et al., 2012). Outras informações relevantes já foram levantadas e elaboradas para a inclusão no produto final, tais como: a seleção de 7 rodovias federais e estaduais consideradas como as principais do estado (BR040, Rodovia Rio-Santos – BR101, Rodovia Presidente Dutra – BR116, BR356, Rodovia Amaral Peixoto – RJ106, RJ116,Via Lagos – RJ124); as seções geológicas de cada uma destas rodovias; os resumos da evolução geológica e geomorfológica do estado; os mapas hipsométrico, de recursos minerais, de compartimentação tectônica e de parques estaduais e nacionais. O dimensionamento escolhido para a folha impressa é de 0,9cm x 1,2cm, que terá dobras para atingir tamanho e forma de um manual de bolso. A escala 1:600.000 foi adotada para representar os dois principais mapas com as rodovias: o geológico e o hipsométrico. A legenda original do mapa geológico foi simplificada para o melhor entendimento do público em geral, de um número total de 57 unidades mapeadas para 21 unidades representadas no Mapa Georrodoviário. No layout deste mapa estão também inseridas as 7 seções geológicas das principais rodovias, o resumo da evolução geológica do estado e os mapas de recursos minerais e compartimentação tectônica. No layout do mapa hipsométrico estão plotados todos os PIG sinalizados pelos 111 painéis interpretativos dos projetos Caminhos Geológicos (93) e Caminhos de Darwin (18) implantados em 32 municípios, que juntamente com o território da proposta Geoparque Costões e Lagunas abordam a geodiversidade fluminense e o seu potencial geoturístico. Outros PIG serão escolhidos ao longo das principais rodovias, gerando uma base de informações para a seleção daqueles que ganharão destaque em fotografias e descrições sumárias. O resumo da evolução geomorfológica do estado e o mapa dos parques estaduais e nacionais completam este layout. As demais informações levantadas não inseridas no layout dos dois mapas principais serão disponibilizadas como complementares, as quais poderão ser baixadas da internet via QR Code. O estado do Rio de Janeiro abrange diferentes paisagens de belezas cênicas únicas, que se destacam pela exuberância da sua geodiversidade avistada durante as viagens realizadas em suas rodovias (Figura 1). Por outro lado, o estado também detém recursos minerais e energéticos de grande importância. O Mapa Georrodoviário representa um novo produto para incentivar o geoturismo no estado, divulgando o conhecimento geocientífico e a geodiversidade fluminense para além dos meios acadêmicos. Além de servir também como base para a elaboração de roteiros turísticos e educativos, contribuindo assim para a conservação dos sítios geológicos fluminenses. Referências Heilbron, M., Eirado, L.G. & Almeida, J. (Org). 2016. Mapa Geológico e de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro. Escala 1:400.000. Programa Geologia do Brasil (PGB), Mapas Geológicos Estaduais. CPRM-Serviço Geológico do Brasil, Superintendência Regional de Belo Horizonte. ISBN: 978-85-7499-300-3 Heilbron, M., Eirado, L.G. & Almeida, J. (Org) 2016. Geologia e recursos minerais do estado do Rio de Janeiro: texto explicativo dos mapas geológico e de recursos minerais do estado do Rio de Janeiro. Programa Geologia do Brasil (PGB), Mapas Geológicos Estaduais. CPRM-Serviço Geológico do Brasil, Superintendência Regional de Belo Horizonte. ISBN: 978-85-7499-300-3 Mansur, K.L. & Erthal, F.L.C. 2003. Preservação do Patrimônio Natural – Desdobramentos do Projeto Caminhos Geológicos – RJ. In Anais do VIII Simpósio de Geologia do Sudeste, Águas de São Pedro, SP. Mansur, K.L., Guedes, E., Alves, M.G., Nascimento, V., Pressi, L.F., Costa Jr., N. Pessanha, A., Nascimento, L.H., Vasconcelos, G. 2012. Geoparque Costões e Lagunas do Estado do Rio de Janeiro (RJ): proposta In: Schobbenhaus e Silva (orgs.). Geoparques do Brasil: propostas. Vol. 1. Rio de Janeiro: Serviço Geológico do Brasil (CPRM). p. 687-745. Simões, L.C., Mansur, K.L., Brito, M.F. 2011. O mapa dos Caminhos de Darwin no Rio de Janeiro: Implantação de um projeto de popularização da história da ciência. In: Scientiarum Historia, IV, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Anais, p. 1-7.
Oral
Abrir o trabalhoMapa Geoturístico de Prudentópolis (PR): Materiais cartográficos na divulgação das geociências
CARLOS ALEXANDRE ROGOSKI; ANTONIO LICCARDO
Prudentópolis é um município paranaense do sul do território brasileiro, localizado sobre a Bacia Sedimentar do Paraná. A sua localização geográfica, na transição morfoescultural do 2º para o 3º Planaltos Paranaenses, lhe confere uma geodiversidade rica e peculiar, onde, o conjunto de locais mais expressivos (geossítios) constitui um geopatrimônio ímpar, com formações geológicas de até 260 milhões de anos, ambientes de formação que vão de marinhos a desérticos ou vulcânicos, fósseis que testemunham a evolução da vida, e geoformas especiais, como canyons e cachoeiras gigantes. No Brasil, as discussões a respeito da geodiversidade ainda são muito recentes, sendo um tema pouco conhecido pela sociedade em geral. Este trabalho busca auxiliar na divulgação pública do conhecimento sobre a geodiversidade e contribuir com o desenvolvimento sustentável do território por meio do geoturismo. A divulgação científica pode ser definida, de acordo com Albagli (1996), como o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral, supondo a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga, visando a atingir um público mais amplo. Para esta tradução para o público, é proposto um mapa temático dos geossítios de Prudentópolis, onde estão espacializados os pontos de maior interesse da sua geodiversidade. Assim, este trabalho objetiva representar cartograficamente a geologia e o geopatrimônio do município de Prudentópolis, no Paraná, buscando tornar acessível a linguagem geológica para a sociedade através do geoturismo. Para isso foi criado um mapa geoturístico através da manipulação de dados espaciais contidos no mapeamento geológico do estado do paraná, escala 1: 250.000, produzido pela Serviço Geológico do Paraná (MINEROPAR). Para a criação do mapa foi indispensável o uso de Sistema de Informações Geográficas (SIG) como ferramenta de integração e análise do conhecimento geológico e cartográfico. Para criar o material cartográfico foi realizado um levantamento na geodiversidade do município de Prudentópolis, que resultou na seleção de 18 geossítios, que representam o seu geopatrimônio. Para cada geossítio foram associadas fotografias e textos informativos, e procedeu-se à espacialização desses pontos em um mapa geológico-geomorfológico, com indicativos dos principais rios e pontos de acesso. Estes dados permitiram a elaboração de um mapa temático para possibilitar a interpretação preliminar dos geossítios e do contexto geológico geral. Este mapa (Fig. 1) será disponível em formato impresso e digital, podendo ser usado por turistas, estudantes, pesquisadores, e comunidade em geral para entender ambiente físico do município.
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Abrir o trabalhoMapeamento da Geodiversidade de Miguel Pereira/Rj/Brasil através de uma análise qualitativa e integrada do meio físico
JÉSSICA BRITO GONÇALVES; Kátia Leite Mansur; Daniel Souza dos Santos
O conceito de geodiversidade está relacionado à diversidade do meio físico. Possui intrínseca conexão com o meio biológico, sendo o equivalente abiótico da biodiversidade; ambos constituindo a diversidade do ambiente natural. A geodiversidade fornece a sustentação à vida e à funcionalidade dos sistemas terrestres e marinhos; e devido ao seu grau de importância, é muitas vezes necessária sua conservação (Serrano & Ruiz-Flaño, 2007a). O patrimônio geológico representa parte da geodiversidade (elementos específicos) que pode ser conservada devido a sua importância ou valor. Por isso, é comum encontrar na literatura o termo “geodiversidade” ligado aos termos “patrimônio geológico” e “geoconservação” (Gray, 2018). Além disso, a geodiversidade possui relação direta com os Serviços Ecossistêmicos, pois desempenham papel fundamental no fornecimento de bens e serviços à sociedade, como por exemplo: regulação da qualidade da água e erosão dos solos, recursos minerais, regulação de condições climáticas, habitat, processos geomorfológicos, Geoturismo, entre outros (Gray, 2013). O objetivo deste trabalho foi realizar um mapeamento da Geodiversidade com uma abordagem qualitativa, utilizando como área de estudo o município de Miguel Pereira, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. A relevância deste estudo reside em sua contribuição a questões metodológicas ao mapeamento da Geodiversidade, que já vem sendo discutidas na comunidade científica; e, também, para a divulgação do conceito. O mapa de Geodiversidade de Miguel Pereira foi obtido a partir da definição de unidades de Geodiversidade, realizando-se uma análise integrada dos elementos abióticos (Geologia, Geomorfologia, Hidrografia e Solos), a partir da correlação entre os mapas e informações complementares de trabalho de campo. Assim, realizando-se a associação entre os elementos abióticos foi possível a definição de 6 classes, permitindo a compartimentação da área em unidades de Geodiversidade, denominadas: Escarpa de falhas de borda do Graben; Batólito Serra dos Órgãos; Relevo Serrano formado por Granitoides; Planícies de Inundação do rio Santana; Planaltos Dissecados; e Relevo Serrano formado por Ortognaisses e Migmatitos (Fig.1). Para cada uma dessas unidades foram definidos, então, suas potencialidades, limitações e serviços ecossistêmicos. O produto final obtido permite, portanto, a análise do meio físico do município como um todo, auxiliando em políticas de gestão do território, e estudos de patrimônio geológico e geoconservação. Destaca-se, ainda, a contribuição metodológica do presente trabalho para os estudos de avaliação qualitativa da geodiversidade, já que ainda são poucos os trabalhos com tal abordagem em escala municipal.
Oral
Abrir o trabalhoMapeamento Geoturístico do Litoral do Piauí
LARYSSA SHEYDDER DE OLIVEIRA LOPES; Osvaldo Girão da Silva
Introdução O mapeamento dos geomorfossítios é a etapa final de uma avaliação e muitas vezes é negligenciada, ficando muitos trabalhos restritos à quantificação. Para Reynard et al (2009), esta etapa não deve ser desconsiderada uma vez que realiza o trabalho de comunicação e interpretação, contribuindo assim para a valorização e divulgação do geopatrimônio. Sugere-se que, após a realização do inventário e da quantificação, que os geomorfossítios sejam mapeados a fim de facilitar a comunicação das informações geocientíficas ao público-alvo, uma vez que as informações numéricas em si não têm esta capacidade didática. Regolini-Bissing (2010) elencou quatro tipos de mapas: i) Mapa Índice, em que há pouca informação, tanto turística quanto geocientífica; ii) Mapa Turístico, onde é dado destaque às informações de interesse para a atividade como a localização de serviços e equipamentos e a indicação de roteiros; iii) Mapa Geocientífico, em que o conteúdo geocientífico é alto e o turístico é de médio interesse e; iv) Mapa Interpretativo, em que há uma harmonia entre a informação geocientífica e a de interesse turístico. O mapa interpretativo é sugerido, uma vez que ele pode ser utilizado como um produto de comunicação ao público não-especialista, servindo, portanto, para a comunicação das informações geocientíficas ao público não-especializado. As informações turísticas (serviços e equipamentos) são de importância secundária (REYNARD et al, 2009). É fundamental que as informações principais sejam no máximo duas. Deve-se questionar "quais as informações pôr no mapa" e "quais as finalidades". Desta forma, o usuário terá facilidade de encontrar o que está procurando. Dados como localização dos geomorfossítios, distância entre eles, comprimento de trilhas, localização de equipamentos de serviços como hotéis, restaurantes, banheiros, rede de telefonia, dentre outros, devem ser informados. A identificação do público-alvo também é fundamental para a adaptação do conteúdo do mapa ao nível de conhecimento e às habilidades de leitura do usuário. Para que este objetivo seja alcançado, o pesquisador deve possuir conhecimentos básicos sobre a transmissão da informação visual, podendo contar com o apoio de uma equipe interdisciplinar, a fim de evitar o uso de muitas informações técnicas, inutilizando o produto final, o mapa (REYNARD et al, 2009). Materiais e Métodos Foi realizado um mapeamento interpretativo em que buscou, sobretudo, valorizar a informação geocientífica e de forma secundária as informações do tema do mapa, neste caso, as informações turísticas. A metodologia constou, inicialmente, da pesquisa bibliográfica, seguida da pesquisa de campo, para reconhecimento dos pontos de interesse geoturístico para posterior mapeamento. Para a confecção do mapa-base, isto é, o de unidades geomorfológicas, foram utilizados os seguintes materiais: malha vetorial dos municípios do Piauí e estados do Brasil, em formato Shapfile (.shp) (disponibilizados pelo IBGE 2016); malha vetorial de Geologia e Geomorfologia do Piauí (disponibilizado pela CPRM); carta TopoData/Inpe para a área de estudo; e software de Geoprocessamento QGis, versão 2.10. Em ambiente SIG, a partir da carta TopoData/Inpe, realizou-se a extração da hipsometria e da declividade da área, utilizando o algoritmo de extração de contorno do QGIS. Após a obtenção dos dados altimétricos, realizou-se uma sobreposição das variáveis geolitológicas (geomorfologia e geologia) aos dados altimétricos e, a partir deles, realizou-se a compartimentação do relevo utilizando o cruzamento entre essas variáveis. Resultados O mapeamento fornece dados fundamentais e detalhados dos geomorfossítios, servindo como ferramenta para a comunicação visual e ajudando no processo de promoção e interpretação do patrimônio geomorfológico. O mapa disponibiliza informações de serviços de apoio (hotéis, restaurantes, universidades, rodoviárias, aeroportos, vias de acesso, dentre outros), seja para fins educativos ou geoturísticos. A maior dificuldade foi a adequação das informações desejadas à escala do mapa, uma vez que se trata de uma área grande em que o nível de detalhamento foi pequeno, impossibilitando informações mais pontuais como localização de hotéis e restaurantes, por exemplo. No entanto, como a finalidade do mapa é antes de tudo, a informação geocientífica de forma clara e simples para um público não-especializado, acredita-se que a seleção das informações tenha alcançado este objetivo (LOPES, 2017). Informações adicionais, com a descrição de endereço, telefone e/ou e-mail dos serviços de apoio turístico indicados no mapa podem vir em folders no qual o mapa pode ser inserido (Figura 1). Figura 1: Mapa Geoturístico do Litoral do Piauí Fonte: LOPES, 2017. Foram identificados 11 locais de interesse geomorfológico: SG1: Delta do Parnaíba; SG2: Pedra do Sal; SG3: Paleodunas; SG4: Cascudos de Itaqui; SG5: Lago de Sobradinho; SG6: Macapá; SG7: Campo de Dunas de Luís Correia; SG8: Estuário Cardoso/Camurupim; SG9: Beach Rocks de Barrinha; SG10: Recifes de Arenito de Morro Branco e SG11: Estuário Ubatuba/Timonha. Alguns pontos com serviços de apoio à atividade turística também foram identificados: o Aeroporto Internacional de Parnaíba; Associação Turística Barratur; Associação de Rendeiras Morro da Mariana; Terminal Rodoviário; Projeto Peixe-Boi; Porto das Barcas e Porto dos Tatus (LOPES, 2017). Conclusões O mapa geoturístico desenvolvido buscou apresentar como informação principal os aspectos geocientíficos de cada geomorfossítio avaliado, com o acréscimo de informações turísticas. Uma vez que a área de estudo exigiu uma escala pequena, não foi possível indicar informações turísticas mais detalhadas, no entanto, a partir dos locais indicados, o visitante tem acesso a demais informações que forem necessárias como localização de restaurantes, hotéis, agências de turismo, etc. Referências IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. < https://www.ibge.gov.br/ >. Acesso em: janeiro de 2016. CPRM. Serviço Geológico do Brasil. < http://www.cprm.gov.br/ > . Acesso em: janeiro de 2016. LOPES, L. S. O. Estudo metodológico de avaliação do patrimônio geomorfológico: aplicação no litoral do Estado do Piauí. 216fl, 2017. Tese de Doutorado. Pós-Graduação em Geografia. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 2017. REYNARD, E. Geomorphosites. European Union: Munchen, 2009. REGOLINI-BISSING, G. Mapping geoheritage for interpretive purpose: definition and interdisciplinary approach. In: REGOLINI-BISSING, G; REYNARD, E. Mapping geoheritage. Lausanne: Université de Lausanne, 2010.
Palavras-chave: Geomorfossítio, Turismo, Litoral, Piauí
Oral
Abrir o trabalhoNovo Geossítio Santa Fé: GeoPark Araripe, Ceará, Brasil
RAFAEL CELESTINO SOARES; EDUARDO DA SILVA GUIMARÃES; fRANCISCO IDALÉCIO DE FREITAS; ÍTHALO THALES BARROS GOUVEIA DINIZ; ROBERTA RAYANA MACHADO BANTIM
Reconhecido desde 2006 como o primeiro geoparque das Américas, o GeoPark Araripe ainda continua único representante do Programa de Geoparques da UNESCO no Brasil. Atualmente em processo de revalidação do seu selo verde pela terceira vez, o território GeoPark Araripe tem evoluído em diversos aspectos. O número de nove geossítios abertos ao público tende agora a aumentar, finalizado o processo de inventariação do novo Geossítio Santa Fé. A proposta do novo geossítio se iniciou pelo levantamento de novas localidades que apontassem diversidade temática e novidades para visitação. Decidiu-se assim, pela localidade de Santa Fé e incremento no tema arqueologia, considerado novo para o GeoPark Araripe. Seguiu-se o processo de inventariação geológica para o qual se utilizou a ficha de cadastro de geossítios padrão do GeoPark Araripe e a ferramenta GEOSSIT, desenvolvida pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais do Brasil – CPRM (BRASIL), que considera os métodos definidos por BRILHA (2005; 2016) e GARCIA-CORTÉS & URQUÍ (2009). A avaliação dos parâmetros posteriormente quantificados considerou a verificação dos aspectos da geodiversidade no local (CARCAVILLA 2012; CARCAVILLA et al. 2014), de forma consorciada e transversal com outros valores (GRAY, 2004; 2008; 2011; 2013; ĐUROVIĆ, 2010). Para quantificação, foram estabelecidos os índices de Valor Científico, Risco de Degradação, Valor Educativo e Valor Turístico. Cada índice é gerado pelos valores atribuídos aos seus parâmetros componentes, diagnosticados em campo. Paralelamente, discutiu-se com a diretoria do GeoPark Araripe as possibilidades para gerenciamento do novo geossítio, socializando os resultados do inventário com os possíveis parceiros que poderiam estar direta ou indiretamente envolvidos em uma proposta de gestão local. Assim, definiu-se o melhor modelo e estrutura para a sua implantação, considerando o diagnóstico do inventário. A partir do modelo de inventariação dos valores geológicos, foi estabelecida a classificação do Geossítio Santa Fé como um geossítio de relevância internacional (Valor científico de 320 pontos em um espectro de variância 0-400 pontos). O valor educativo e o valor turístico atingiram o total de 350 e 325 pontos, respectivamente, (no espectro possível 0-400 pontos) o que representa relevância nacional. A análise do risco de degradação em 245 pontos refletiu um risco médio, especialmente devido à ação erosiva natural que ocorre na área da encosta da Chapada do Araripe e à fragilidade dos registros arqueológicos existentes no abrigo de Santa Fé, caracterizados pelo uso conjunto das técnicas de gravura e pintura. Esses detalhes influenciaram na escolha do modelo de gestão local com visitação controlada para o geossítio, que será administrado por dois parceiros oficiais do GeoPark Araripe: O IU-Á Hotel (proprietário da área de acesso) em consonância com a Fundação Casa Grande de Nova Olinda (protagonista nos estudos arqueológicos sobre a Bacia do Araripe). Desse modo, a partir desse estudo previamente estabelecido, o Geossítio Santa Fé será brevemente incluído oficialmente no GeoPark Araripe. Além disso, compreendendo-se o Programa de Geoparques da UNESCO por um viés integral e holístico (CAPRA 1982, 2002; MATURANA & VARELA, 2010; SCHWARTZMAN, 2015) o inventário geológico do novo geossítio também se fará componente para a análise da Matriz de Prioridades ao Manejo de Impactos de Visitação, novo método fundamental para avaliação do espectro de saúde ecossistêmica do geossítio, e que reconhece outros aspectos do ambiente tão relevantes quanto os aspectos geológicos (GUIMARÃES, 2018), sendo esse nosso objetivo principal.
Palavras-chave: Inventário Geológico, Geoturismo, Patrimônio Arqueológico
Oral
Abrir o trabalhoO meio rural e sua apropriação pelo Geoturismo: uma proposta para o território do Geopark Araripe
LUCIANA SILVEIRA LACERDA; Thaís de Oliveira Guimarães
O Geopark Araripe Mundial da UNESCO, possui uma área de aproximadamente 3.441 km2, inseridos em parte dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Santana do Cariri, Nova Olinda, Barbalha e Missão Velha, todos situados no Vale do Cariri Cearense, que além de serem parte integrantes do Geopark, também integram a Região Metropolitana do Cariri, assim como, parte da Área de Proteção Ambiental do Araripe – APA Araripe (exceto Juazeiro do Norte). A Região do Cariri é um lugar privilegiado, no que diz respeito à sua localização, uma vez que, está estrategicamente localizada no sul do Ceará, fazendo divisa com três estados: Piauí, Pernambuco e Paraíba. Possui em média 700km de distância das principais capitais nordestinas. Apresenta infraestrutura para o turismo regional, contando com aeroporto regional, fácil acessibilidade através de rodovias federais e estaduais, bem como, oferta hoteleira adequada para a dinâmica regional (LACERDA, 2009). Além de infraestrutura básica de acesso, a região dispõe de atrativos naturais e culturais de imensa beleza e importância, que o torna um polo de turismo ecológico e cultural. Vê ainda como ponto positivo a nova tendência no mercado turístico que é a interiorização, bem como a procura de mercado para novos destinos. A presente pesquisa encontrasse em fase inicial. Para estes primeiros diagnósticos está sendo realizada uma pesquisa bibliográfica acerca dos geossítios e da atividade turística presente, bem como visitas de campo para conhecimento das comunidades. De modo geral, o processo metodológico seguirá as etapas: (a) levantamento bibliográfico; (b) investigações participativa para elaboração de um inventário Geoturístico; (c) análise das informações colhidas; (d) elaboração de estratégias de ação para as comunidades rurais em torno dos Geossítios do Geopark Araripe; e (e) ação de intervenção nas comunidades, com roteirização participativa do território; analise das ações; escrita e formatação da proposta. Diante deste cenário, se faz necessário uma proposta turística séria, voltada às comunidades e que esteja de acordo com a própria proposta conceitual do Geoturismo e o dos Geoparques. Segundo Guy Martini (2012), os Geoparques são, inicialmente, territórios com um importante patrimônio geológico. Devem ser locais onde a “Memória da Terra” é preservada. Também devem apresentar outros tipos de patrimônio natural, histórico e cultural, ou seja, tangível e intangível. O Geoparque não é um simples espaço natural, sem presença humana, não se configura como uma “Reserva Natural”, muito menos uma “Reserva Geológica”. Um Geoparque é um território “vivo”, resultando do encontro entre o homem, a natureza e o tempo. O tempo do homem e o tempo da Terra. “Um Geopark não é um simples território de inventário ou de valorização pedagógica, ele deve ser um território de projeto e de pensamento. Um território que promove novos valores e oferece uma nova identidade a este espaço, trazendo aos seus habitantes uma nova proposta de desenvolvimento econômico construído sobre bases duradouras e sustentáveis. Isso significa um “desenvolvimento” que satisfaz às necessidades das gerações presentes, começando com aqueles que mais necessitam, sem comprometer a capacidade de gerações futuras, satisfazerem as suas. Essa política sustentável promovida pelo Geoparque deve integrar questões econômicas, ecológicas e sociais.” (MARTINI, p.11, 2012) Esse pensamento nos leva a compreensão da necessidade real de se desenvolver um planejamento, onde a atividade geoturística seja trabalhada sempre com a colaboração da comunidade local e os diversos atores sociais que estejam direta ou indiretamente envolvidos com o desenvolvimento do setor na região do Cariri. Diante do exposto, entende-se como necessária a criação de estratégias que possam promover o desenvolvimento do Geoturismo nas Comunidades Rurais localizadas em torno dos Geossítios, visto que uma proposta de desenvolvimento econômico, social e sustentável, só será consolidada se a própria comunidade se fizer presente em todo processo de planejamento. Tomando, dessa forma, a “direção da sua história e destino”. Neste sentido, o presente trabalho se justifica uma vez que propõe um estudo participativo direcionado ao desenvolvimento do Geoturismo nos Geossítios e a população local, inventariando o território, formatando produtos e serviços e incentivando a inserção da comunidade neste processo. Referências Lacerda, L.S. A produção do espaço turístico o Cariri Cearense: Sociedade, Cultura e Natureza. Dissertação de Mestrado. Fortaleza, UF, 2009. _____________. Geoturismo e Desenvolvimento Regional. In: Geopark Araripe: História da Terra, do Meio Ambiente da Cultura/ Governo do Estado do Ceará/ Secretaria das Cidades/ Projeto Cidades do Ceará/ Cariri Central. – Crato/CE, 2012. Martini, Guy. In: Geopark Araripe: História da Terra, do Meio Ambiente da Cultura/ Governo do Estado do Ceará/ Secretaria das Cidades/ Projeto Cidades do Ceará/ Cariri Central. – Crato/CE, 2012.
Oral
Abrir o trabalhoO TURISMO E OS IMPACTOS NA GEODIVERSIDADE DO LITORAL PARAENSE: O CASO DE SALINÓPOLIS – PA
ALEXANDRE FIGUEIREDO SANTOS; RODRIGO LUCIANO MACEDO MACHADO; JOSE MENDES DE CAMPOS NETO; ELISEMBERG TEIXEIRA OLIVEIRA
Salinópolis, também conhecida como Salinas é um município brasileiro localizado na região nordeste do estado do Pará. Sua população, de acordo com o IBGE/2010 é de 37.430 habitantes e com população estimada de 40.424 (IBGE, 2018). As praias possuem areia fina e branca, com águas de uma tonalidade verde acinzentada, devido aos sedimentos carregados pelo rio Amazonas. (SALINÓPOLIS, 2019). A metodologia adotada nesta pesquisa consiste em levantamento bibliográfico, levantamento cartográfico e documental, registros fotográficos e trabalho de campo. O levantamento bibliográfico baseia-se no levantamento histórico-geográfico da formação do município de Salinópolis, para a compreensão a respeito da implementação de políticas públicas relacionadas ao turismo. A variável entre linhas de pensamentos relacionados a geodiversidade, portanto, estabelece fundamental importância na escolha do objeto de estudo, pois esta análise está para além da especificidade geológica, quando se pensa o caráter associado a paisagem, ao uso do solo, e a perspectiva socioespacial vinculada a importância da geodiversidade costeira das cidades amazônicas.Por volta de 1994 o governo do estado do Pará inicia a implementação de um projeto denominado de “Novo Pará”, aonde são destinados aos municípios localizados na zona costeira do estado, pesados investimentos no sentido de criar infraestrutura urbano-turística nos mesmos. A cidade de Salinópolis passa a partir de então, a receber vários investimentos que modificaram significativamente a sua paisagem e trouxeram significativos danos ao meio natural (MARINHO, 2009).No domínio geomorfológico de planície costeira estão presentes sedimentos do holoceno nas praias, campos de dunas recentes e manguezais na região de Salinópolis. Outras sub-unidades presentes morfológicas são: Paleodunas, sistemas de lagos e planície onerosas e deltas de maré (LEITE, 2010). Com a construção da orla, vários outros empreendimentos se instalaram no local, causando além de danos à geodiversidade, danos a biodiversidade, invadindo áreas de mangues. Diante do exposto no presente trabalho, fica evidente a necessidade de implementação de estratégias adequadas de gestão e da conservação para a proteção ambiental no município de Salinópolis. O termo geodiversidade é pouco conhecido pela população local, o que demonstra a necessidade de realização e divulgação de estudos relacionados a este termo, como forma de subsidiar ações voltadas ao equilíbrio entre turismo e proteção da geodiversidade local.
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Abrir o trabalhoOs valores da geodiversidade da Caverna da Furna Nova, Parque Nacional da Furna Feia (RN, Brasil)
JESSICA JESSIANA FERREIRA ALVES; Wendson Dantas de Araújo Medeiros
Introdução A caverna da Furna Nova se localiza na porção leste do Parque Nacional da Furna Feia (PNFF), uma Unidade de Conservação (UC) situada na Mesorregião Oeste do estado do Rio Grande do Norte (RN), entre os municípios de Mossoró e Baraúna (Figura 1). Criada pelo Decreto S/N de 5 de junho de 2012, a UC possui uma área de 8.494 hectares e uma zona de amortecimento com 25.322 ha. O Parque tem como objetivo a conservação do patrimônio espeleológico, que abrange um total de 248 cavernas esculpidas nos calcários da Formação Jandaíra, que integram os litotipos da Bacia Potiguar (PESSOA NETO et al., 2007). Além disso, a geodiversidade da Bacia Potiguar constitui a base para um importante remanescente do bioma Caatinga na área do parque e de sua zona de amortecimento. Dentre as principais cavernas da UC, destaca-se a Furna Nova, que apresenta um significativo apelo para o desenvolvimento de atividades científicas, educativas e turísticas. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo avaliar os valores científico, educativo e estético relacionados à caverna da Furna Nova, que se traduzem em um significativo potencial para o desenvolvimento, em especial, do geoturismo, que possui como principal atrativo o geopatrimônio, envolvendo a interpretação ambiental para os mais diversos públicos de visitantes. Materiais e Métodos A metodologia do presente trabalho se embasa em pesquisas bibliográficas e de campo. Os campos tiveram como objetivo a identificação, registro, georreferenciamento e caracterização da caverna da Furna Nova, elencando os valores da geodiversidade através da aplicação de uma ficha de inventariação adaptada de Brilha (2016), Ferreira (2014) e Pereira (2006). Resultados A caverna da Furna Nova é uma das maiores cavernas do PNFF que detém grande potencial do ponto de vista científico, educativo e estético. Brilha (2005) discute que o ato de elencar os valores de determinada forma da geodiversidade, aumenta a sua relevância e necessidade de conservação, podendo ser desenvolvidas estratégias que possibilitem o uso desta forma através de atividades embasadas na sustentabilidade. A Furna Nova possui um desenvolvimento de 250 metros, tanto horizontal quanto vertical, onde a entrada principal foi aberta após um processo de abatimento, no qual cicatrizes podem ser observadas nos blocos abatidos que se encontram logo após a entrada (Figura 1-B). Os valores podem ser evidenciados através de processos ativos de dissolução e sedimentação do mineral carbonato de cálcio em seu interior, mediante a presença de diversos tipos de espeleotemas. São encontradas na caverna estalactites e estalagmites de diversos tamanhos e em processo inicial de formação; escorrimentos calcíticos, travertinos, chão de estrelas, ninho de pérolas e cortinas, sendo que a Furna Nova detém a maior cortina do estado do RN, possuindo mais de 6 m de comprimento (Figura 1-C). Essas formas possuem alto potencial interpretativo por expressar o processo evolutivo da caverna, desde a sedimentação do mineral carbonato de cálcio, a partir da abertura do Oceano Atlântico pela separação dos continentes sul-americano e africano. Esta sedimentação originou a rocha calcária que, desde então, tem passado por processos de soerguimento e de dissolução, iniciados há cerca de 80 milhões de anos, dando origem às mais diversas formas na rocha. Estas formas detêm também valor estético, sendo atrativas por demonstrarem feições singulares que foram esculpidas pelo processo de dissolução e sedimentação no decorrer do tempo geológico. Além disso, despertam curiosidade no senso comum, podendo ser inseridas em estratégias educativas de valorização e divulgação para sensibilizar visitantes em relação à sua conservação. Somam-se a este potencial interpretativo, registros paleontológicos visíveis no interior da caverna (Figura 1-D) e outras formas exocársticas no entorno da caverna, como afloramentos e lapiás. Conclusões A caverna da Furna Nova apresenta valores científico, educativo e estéticos que podem ser traduzidos e interpretados através do desenvolvimento de estratégias e meios que permitam o desenvolvimento do geoturismo. Esta atividade pode vir a contribuir para um desenvolvimento local sustentável através da conscientização da população local e dos visitantes do PNFF para além da importância já bastante difundida da conservação da biodiversidade.
Palavras-chave: Patrimônio geomorfológico, Carste, Geoturismo
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Abrir o trabalhoPatrimônio espeleológico do Rio de Janeiro: Passado, presente e futuro
ADRIEL FILIPE SOARES BRITO; JAIRYSSON MELO ANDRADE; LUIS HENRIQUE SAPIENSA ALMEIDA; RENATO RODRIGUEZ CABRAL RAMOS; CAIO VIDAURRE NASSIF VILLAÇA; TERESA MARIA DA FRANCA MONIZ DE ARAGÃO
Diante do seu expressivo patrimônio geológico, geomorfológico e espeleológico, o estado do Rio de Janeiro sem dúvida destaca-se por tamanha geodiversidade, e serviços ecossistêmicos associados a tal variedade de elementos e processos geológicos. Berço da primeira entidade nacional de Espeleologia no final dos anos 1950, o Rio de Janeiro já na década de 60 era palco de inúmeros relatórios de pesquisa e expedições espeleológicas elaborados pelo então Centro Excursionista da Light (Bandeira, 1965). Hoje, o estado fluminense é uma das capitais nacionais mais visitadas por turistas na América do Sul. Para tanto, a apropriação dos elementos naturais é um passo decisivo para fins de geoconservação e divulgação do valor que constitui o patrimônio natural do estado, seja por sua importância histórica e cultural, seja pelas informações científicas fornecidas. Nessa perspectiva, dentro de um universo de mais de 175 cavernas que possuem algum tipo de visitação turística no Brasil, de acordo com compilação bibliográfica realizada por Lobo et.al. (2008), apenas 09 cavidades espeleoturísticas estão no território do Rio de Janeiro, destacando-se as grutas presentes no Parque Nacional da Tijuca, unidade de conservação de proteção integral. Sob as mais diversas motivações, com especial destaque à contemplação, à aventura e à religião, o potencial para melhorar a situação do espeloturismo no estado é enorme. Frente ao contexto nacional, o objetivo do presente trabalho é apresentar o atual panorama do patrimônio espeleológico do Rio de Janeiro, além de congregar dados espeleológicos presentes no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil (CNC) e Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (CANIE), junto a pesquisas desenvolvidas pelo Espeleogrupo Rio de Janeiro (EspeleoRio). De acordo com o anuário estatístico do patrimônio espeleológico brasileiro elaborado em 2018 pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV), o território brasileiro é composto por extensas áreas favoráveis à ocorrência de cavernas, sendo conhecidas atualmente cerca de 18 mil cavidades, onde apenas 117 dessas estão cadastradas no estado do Rio de Janeiro. Incorporado a uma abordagem integral de geoconservação e diversidade natural, desde 2013 o Espeleogrupo Rio de Janeiro trabalha à luz da divulgação científica, agregando conhecimento científico, educativo e turístico a respeito de diversas cavidades presentes no estado fluminense, contribuindo assim para a gestão dos elementos do meio físico. Com base em dados já levantados anteriormente e trabalhos de campo realizados pelo EspeleoRio, o presente levantamento espeleológico do estado constitui um importante instrumento que possibilita dar ênfase a geodiversidade e seus ecossistemas dentro de uma perspectiva interdisciplinar, onde cada vez mais se mostra fundamental a divulgação do patrimônio espeleológico, aliada a ações de turismo, educação ambiental e criação de áreas protegidas. Foi elaborado, portanto, a reunião dos dados sobre as cavidades do estado já cadastradas no CANIE, além da organização de informações sobre novas cavidades a serem cadastradas, a fim de entender melhor os diferentes contextos geológicos onde essas estruturas se encontram, como as grutas em rochas cristalinas de pequenas dimensões nas Serras da Mantiqueira e costões rochosos litorâneos, e as maiores cavidades subterrâneas do estado desenvolvidas em lentes de mármores sacaroidais do Proterozóico no extremo norte fluminense (Peixoto & Heilbron, 2010). Ainda, uma especial atenção é necessária quanto aos mecanismos reguladores que contribuam para conciliar o uso sustentável com a conservação, tendo em vista por exemplo a situação precária de preservação das cavernas em Itaocara, ameaçadas por megaempreendimentos de mineração, além de depredação por visitantes. Essa caracterização espeleológica do estado é de suma importância para fortalecer o incentivo a conservação e valorização do patrimônio natural do Rio de Janeiro. Além disso, com esse trabalho, visamos proporcionar a oportunidade de difundir o turismo espeleológico educativo no estado, onde cavernas e grutas certamente podem proporcionar aos seus visitantes uma oportunidade única de conhecer e compreender tanto o contexto histórico local, bem como outros enquadramentos importantes, como a evolução geológica/geomorfológica regional. Embora haja poucas leis e diretrizes que versam diretamente sobre o tema, e diante da proteção dos valores científicos, turísticos, educacionais e culturais com ênfase na história evolutiva da Terra e da vida, por meio da promoção de publicações, pesquisas e ações formativas, é fundamental contribuir no processo de planejamento e gestão das cavernas, um dos caminhos para garantir um contínuo desenvolvimento e divulgação não só do patrimônio espeleológico do estado do Rio de Janeiro, mas como também de todo o Brasil. Referências Bandeira, C.M. 1965. Relatório de Pesquisa N°02. Centro Excursionista da Light. 5p. Lobo, A.S.L.; Perinotto, J.A.J.; Boggiani, P.C. 2008. Espeleoturismo no Brasil: panorama geral e perspectivas de sustentabilidade. Revista Brasileira de Ecoturismo, São Paulo, v.1, n.1, pp.62-83. Peixoto, C. & Heilbron, M. 2010. Geologia da Klippe Italva na Região entre Cantagalo e Itaocara, Nordeste do Estado do Rio de Janeiro. Geociências, v.29, n.3, p.277-289.
Palavras-chave: Espeleologia, Patrimônio espeleológico, Rio de Janeiro.
Oral
Abrir o trabalhoPatrimônio geológico e urbanização: abordagem integrada em roteiros geoturísticos na Baixada Santista (SP)
DEBORA SILVA QUEIROZ; Maria da Glória Motta Garcia; Eliane Aparecida Del Lama
Os locais de interesse geológico são importantes para contar a história geológica de uma região e, em áreas urbanizadas, como é o caso da Baixada Santista (SP), os elementos da geodiversidade podem estar empregados nas edificações. De acordo com Queiroz (2018), nos municípios de Santos e São Vicente o patrimônio geológico e o construído são característicos da área, uma vez que é possível identificar os afloramentos e a utilização desses materiais pétreos na cidade. Para Hose (1995) o geoturismo vai além da apreciação estética das rochas fornecendo, também, interpretação referente à geodiversidade. Nesse sentido, englobar o patrimônio geológico e o construído em roteiros geoturísticos é uma importante ferramenta para difundir a geodiversidade e auxiliar na conscientização da população sobre a importância de preservar o patrimônio geológico. Assim, essa pesquisa tem o objetivo de apresentar três propostas de roteiros geoturísticos na cidade de Santos e São Vicente. Os pontos foram selecionados a partir do inventário dos locais de interesse geológico e do patrimônio construído (Queiroz, 2018) e apresenta os pontos mais representativos da história geológica da região associados a edificações já conhecidas pela população. i) Roteiro 1 - Objetivo: apresentar os diferentes litotipos que afloram na orla de Santos e São Vicente e as diversas edificações em que estas rochas foram empregadas; Extensão: ~ 13 km; Duração: ~ 4 horas; Meio de locomoção: carro ou bicicleta. Pontos de visitação: Museu do Porto de Santos (utilização da rocha gnaisse na base e nas colunas do edifício), Orquidário Municipal (possui construções e solário estruturado com colunas feitas de Granito Santos), Sítio da geodiversidade Granito da Pedra da Feiticeira (afloramento de granito porfirítico), Geossítio Granito Santos (Figura 1A) (mirante e afloramento do Granito Santos), Geossítio Gnaisses Migmatíticos da Praia dos Milionários (Figura 1B) (afloramento de gnaisses migmatíticos), Sítio da geodiversidade Rampa de Colúvio do Engenho dos Erasmos (edificações formadas com blocos de granitos e gnaisses locais) e Biquinha do Anchieta (utilização de gnaisse no entorno da fonte). ii) Roteiro 2 - Objetivo: evidenciar como o patrimônio geológico através do fornecimento de materiais pétreos para a edificação de prédios ajudou na urbanização da cidade de Santos; Extensão: ~ 3 km; Duração: ~ 5 horas; Meio de locomoção: a pé. Pontos de visitação: Outeiro de Santa Catarina (Figura 1C) (afloramento de gnaisse milonítico e a primeira residência de Santos), Casa do Trem Bélico (utilização de gnaisse milonítico na estrutura do prédio), Conjunto do Carmo - Igreja da Ordem Primeira e da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo – (utilização de gnaisse milonítico e muscovita gnaisse na estrutura e ornamentação dos edifícios), Casa de Câmara e Cadeia (utilização de gnaisse milonítico na estrutura do prédio), Mosteiro e Igreja São Bento (utilização de granito nas edificações), Geossítio Migmatitos do Terreno Costeiro da Antiga Pedreira dos Beneditinos (afloramento de gnaisse migmatítico) e Monte Serrat (Figura 1D) (visão panorâmica de Santos e da Serra do Mar). iii) Roteiro 3 - Objetivo: mostrar a diversidade de rochas exóticas que foram utilizadas nas edificações de Santos por meio de diversos pontos turísticos da cidade; Extensão: ~ 3 km; Duração: ~ 4 horas; Meio de locomoção: a pé ou bicicleta. Pontos de visitação: Outeiro de Santa Catarina (Figura 1C) (afloramento de gnaisse milonítico e a primeira residência de Santos), Catedral de Santos (uso do Granito Santos na fachada e rochas exóticas na ornamentação interna), Palácio José Bonifácio – Prefeitura - (Figura 1E) (utilização de rochas exóticas tanto na fachada quanto no interior do edifício), Igreja Nossa Senhora do Rosário (emprego de rochas exóticas na ornamentação interna), Pantheon dos Andradas (utilização de rochas exóticas tanto na fachada quanto no interior do edifício), Bolsa Oficial do Café (Figura 1F) (presença de rochas exóticas tanto na fachada do prédio quanto no interior) e Geossítio Migmatitos do Terreno Costeiro da Antiga Pedreira dos Beneditinos (afloramento de gnaisse migmatítico). Referências Hose, T.A. 1995. Selling the story of Britain’s stone.Environmental Interpretation, 10(2), 16-17. Queiroz, D.S. 2018. Patrimônio geológico e construído em áreas fortemente urbanizadas: um estudo na Baixada Santista (SP). Programa de Pós-Graduação em Geociências, Universidade de São Paulo, Dissertação de Mestrado, 139p.
Oral
Abrir o trabalhoPotencial de ocorrência de quedas d’água nos sistemas ferruginosos em Minas Gerais – subsídio para o inventário do Patrimônio Fluvial
CARMÉLIA KEROLLY RAMOS DE OLIVEIRA; Úrsula Ruchkys Azevedo; Eric Oliveira Pereira; Paulo de Tarso Amorim Castro
Dentre os elementos da geodiversidade relacionados aos ecossistemas fluviais merecem destaque as quedas d’água, devido a seu valor patrimonial de ordem científica (biodiversidade e geodiversidade), ambiental, estética, econômica, cultural, religiosa e turística. As quedas d’água são elementos especiais nos rios, com características cênicas e aptidão natural para o turismo, marco de processos geomorfológicos, além do seu aspecto econômico na potencialidade de geração hidroelétrica. Apesar desses valores facilmente relacionados às quedas d´água, no Brasil seu inventário, caracterização e estabelecimento de critérios para classificar sua relevância são ainda incipientes e pouco explorados. Consequentemente, não existem leis específicas englobadas nas resoluções ambientais para proteção das cachoeiras. Minas Gerais apresenta grande complexidade de formas de relevo e ampla diversidade de litotipos, refletido na existência de ambientes naturais diversificados e de elevado valor patrimonial. Nesse sentido podem-se destacar os geossistemas ferruginosos que possuem alta geodiversidade, heterogeneidade ambiental, além dos serviços ecossistêmicos vitais para a sociedade (Carmo e Kamino, 2015). Os geossistemas ferruginosos são unidades espaciais cujo substrato litológico é constituído por rochas ferruginosas, incluem todos os seus componentes físicos, por exemplo, os componentes mineralógicos, hidrológicos e pedológicos, e suas relações (Carmo e Kamino, 2015). Em Minas Gerais se destacam: o Quadrilátero Ferrífero na porção centro sul do estado, a bacia do Rio Santo Antônio a leste da Serra do Espinhaço Meridional e o Vale do Peixe Bravo no norte do estado. Refletido sobre a avaliação holística dos ecossistemas fluviais e o grande valor patrimonial atrelado aos geossitemas ferruginosos o presente trabalho teve o objetivo mapear as potencialidades de quedas d’água nos geossistemas ferruginosos de Minas Gerais: Quadrilátero Ferrífero, bacia do Rio Santo Antônio e Vale do Peixe Bravo, para indicar áreas de maior e menor potenciais de ocorrência de quedas d’água. O Mapa de Potencialidades de Quedas D’água se propõe a ser uma nova categoria de análise para estudos de geodiversidade e geoconservação, contribuir para os inventários de quedas d’água e avaliação do patrimônio fluvial, além de subsidiar uma visão integrada da geodiversidade nas áreas de estudo. Para gerar o mapa de potencial foram utilizadas bases cartográficas derivadas do modelo digital de terreno (SRTM), Índice de Rugosidade (IR) e Índice de Hack (IH), além dos dados interpolados das Estruturas Geológicas e das Cachoeiras Mapeadas. As quatro variáveis foram inseridas devido a sua relação direta com a ocorrência de cachoeiras, todas foram interpoladas com o uso do algoritmo de kernel, que criou superfícies contínuas para os dados pontuais e lineares, a exceção do IR, que foi derivado diretamente da superfície SRTM. Estes dados foram cruzados, e resultaram no índice de potencial de cavidades. O resultado do mapa de potencialidade de quedas d’água apresenta cinco classes: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto, essas classes correspondem ao potencial de ocorrência de quedas d´água para área analisada. A metodologia se mostrou satisfatória, pois os pontos apontados com classes alta e muito alta correspondem aos pontos das quedas d’água mapeadas e levantadas na área estudada. O uso dessa metodologia tem utilidade independente da área analisada, pois o Brasil tem poucos estudos relacionados ao tema, além de não existir inventários consistentes no para quedas d’água, o mapa sugere regiões com maior probabilidade de ocorrência, colaborando para o conhecimento desse elemento da geodiversidade fluvial, para o planejamento de territorial e para medidas de conservação desses elementos.
Palavras-chave: Potencial, Quedas d’água, Patrimônio Fluvial, Geossistemas Ferruginosos.
Oral
Abrir o trabalhoPotencial geoturístico da ilha do fogo: submédio do rio São Francisco
THAIS DE OLIVEIRA GUIMARÃES; Elisa Santos da Gama; Luiz Henrique de Barros Lyra
O turismo em áreas naturais tem notadamente sido incentivado no cotidiano da sociedade atual. Tais atividades, essencialmente ao ar livre proporcionam o contato com a natureza e seguem na “contramão” do turismo de massa. Nesse sentido, destaca-se o Geoturismo, importante ferramenta para a geoconservação e desenvolvimento dos territórios. Em 2011, foi elaborada a Declaração de Arouca (2011) e apresentado o conceito de geoturismo como “o turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, patrimônio e o bem-estar dos seus residentes.” Os principais atrativos da atividade são as formações geológicas, formas geomorfológicas, paisagens, fósseis e icnofósseis. É importante destacar que, ao contrário do que o prefixo “geo” inicialmente infere, os atrativos vão além, e agregam ao lazer da atividade os interesses didáticos, científicos, históricos, entre outros (GUIMARÃES Et Al., 2017). Assim, têm-se nos elementos da geodiversidade, fator determinante para o desenvolvimento da atividade geoturística. Com base nos conceitos de geodiversidade, geopatrimônio e geoturismo, as ilhas fluviais apresentam-se como áreas naturais em potencial para o desenvolvimento da atividade. Por meio de pesquisas na região do submédio São Francisco foram identificadas pequenas ilhas vegetadas e não vegetadas, bancos de areia, afloramentos cristalinos, ilhas habitadas (sem atividades turísticas) e ilhas onde há o desenvolvimento do turismo e comércio local. Quanto as áreas potenciais para a atividade geoturística destaca-se nesta pesquisa a Ilha do Fogo, cartão postal e limite natural entre as cidades de Juazeiro/BA e Petrolina/PE (Figura 1). Figura 1. Imagem a partir do alto do cruzeiro, afloramento rochoso na porção oeste da ilha. Vê-se a ponte Presidente Dutra sobre o Rio São Francisco ligando os estados de Pernambuco e Bahia. Em segundo plano, a cidade baiana de Juazeiro. Fonte: Autores. Segundo Guerra (2011), as ilhas fluviais são porções de terras emersas circundadas por água doce e formadas pela sedimentação no leito do rio. No caso das ilhas do Submédio São Francisco, como a do Fogo, verifica-se que estão associadas ao comportamento da geomorfogenese do rio, e em particular do trecho em que estão situadas, demarcado por formações recentes de “barras centrais ou transversais”. Para realização do trabalho foram realizados levantamentos bibliográficos, seguidos por incursões a campo para realização do inventário do geopatrimônio da área. Nesta etapa foi preenchida ficha de campo (SANTOS, 2016), realizada coleta de amostras e levantamento fotográfico. Para tanto, foi aplicada a metodologia qualitativa para os valores de geodiversidade proposta por Gray (2004) e a metodologia de classificação por categorias (frameworks) apresentada por Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010). A ficha supracitada teve como objetivo destacar pontos de potencial geológico/científico (PG) e potencial para uso e gestão (PU). De acordo com a metodologia de Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010) a ilha foi classificada como área complexa. Ao se tratar do seu Potencial Geológico/científico o grau de raridade do sítio é média e sua visibilidade, alta. Apresenta diversidade de elementos da geodiversidade média, podendo ser abordados mais de quatro temáticas de interesse no local. A integridade do local foi classificada como média, pois foram identificados pontos de vulnerabilidade e intervenção antrópica frequente. A fragilidade foi considerada como moderada e a coleta de amostra é possível sem muita dificuldade. Com relação ao Potencial Uso e Gestão do sítio, destaca-se: (i) fácil acessibilidade, (ii) infraestrutura regular; (iii) uso turístico; (iv) público leigo em relação às geociências; (v) os indicadores de degradação do local são classificados como reversíveis, apesar da ausência de medidas efetivas de conservação. Destarte, as etapas de trabalho permitiram identificar na ilha relevante potencial para o desenvolvimento geoturístico, que poderiam beneficiar os municípios de juazeiro/BA e Petrolina/PE, atendendo assim, aos dois Estados. Com base nos resultados obtidos, sugere-se medidas de intervenções estruturais e não estruturais, amparadas nos três principais pilares da sustentabilidade: social, ambiental e econômico. Do ponto de vista de intervenção física vê-se a necessidade inicial de uma reestruturação da infraestrutura da área, voltadas para necessidades básicas, como banheiros públicos e coletores de lixo. Quanto a atividade geoturística sugere-se inicialmente a inserção de um painel autoexplicativo, com informações da ilha e da dinâmica fluvial, destacando a importância do Rio São Francisco para o desenvolvimento das cidades de Petrolina e Juazeiro. Acerca da intervenção não estrutural, observou-se a necessidade de estratégias de geoeducação e geoconservação, a exemplo do desenvolvimento de projetos e ações socioambientais, via parcerias (público, privado e sociedade civil organizada), bem como, a elaboração de material informativo, impresso e/ou em mídias digitais. Tais ações visam a conscientização de moradores, comerciantes locais e frequentadores da ilha, de modo a impulsionar atividade geoturística nos pilares da geoconservação e desenvolvimento territorial sustentável. Nesse sentido, pode-se concluir que os indicadores de geodiversidade da paisagem local e da região atrelados à dinâmica hídrico-geomorfológica podem conduzir a um ordenamento Territorial com ocupação e no uso mais racional dos seus recursos naturais. Referências DECLARAÇÃO DE AROUCA. 2011. Declaração de Arouca. Congresso Internacional de Geoturismo – “Geotourism in Action - Arouca 2011. Disponível: https://www.azoresgeopark.com/media/docs/declaracao_de_arouca_geoturismo.pdf. Acesso: 26 jun. 2019. FUERTES-GUTIÉRREZ, I.; FERNÁNDEZ-MARTÍNEZ, E. 2010. Geosites inventory in the Leon Province (Northwestern Spain): a tool to introduce geoheritage into regional environmental management. Geoheritage, 2: 57-75. GUERRA, A. T. Novo Dicionário Geológico-geomorfológico. Edição atualizada e ampliada por Antônio José Teixeira Guerra. 9º ed. Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2011. 648p. GRAY, M. 2004. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. Chichester: Wiley. 448p. GUIMARÃES, T. G.; MARIANO, G.; SÁ, A. A. 2017. Geoturismo: proposta de valorização e sustentabilidade territorial alternativa ao turismo de “sol e praia” no litoral sul de Pernambuco – Brasil. Ciência e Sustentabilidade - Juazeiro do Norte, v. 3, n. 1, p. 33-57. SANTOS, E. M. 2016. A geoconservação como ferramenta para o desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas: estudo aplicado à Mesorregião do Agreste de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Tese de Doutorado – PPGEOC. UFPE. Recife.
Palavras-chave: ilhas fluviais, geoturismo, rio São Francisco, geopatrimônio
Oral
Abrir o trabalhoTrilhas do LET: caminhadas com o olhar científico sobre a geodiversidade nas trilhas fluminenses.
MARCUS FELIPE EMERICK SOARES CAMBRA; Julio Cesar Horta de Almeida; Natália Cota de Freitas; Mariana Bessa Fagundes; Jhone Caetano de Araujo; Fernando Amaro Pessoa
A divulgação de traçados de trilhas (“Guias de Trilhas”) e seus atrativos turísticos têm sido nos últimos anos uma das principais estratégias utilizadas no processo de articulação das Unidades de Conservação (UC) com os seus visitantes e as comunidades de seu entorno, bem como nas propagandas das prefeituras para atrair e estimular o turismo ecológico nos seus municípios. Neste sentido, ressalta-se a relevância do uso público das trilhas como aliado da conservação, concepção relativamente nova no Brasil, porém já bastante utilizada em outros países (Menezes, 2017). A aplicação e a divulgação dos conceitos da geodiversidade favorece uma melhor interpretação ambiental das trilhas e a sua consequente conservação (Cambra et al., 2017; Pessoa et al, 2019; Araujo, 2018), tal como vem se divulgando há anos os conceitos da biodiversidade. Assim, a geodiversidade e a biodiversidade podem ser avaliadas de maneira integrada em diferentes escalas espaciais e temporais, como em trilhas no interior de uma área protegida, por exemplo, representando elos entre visitantes/turistas e a natureza que os cercam (Costa e Oliveira, 2018). Trilhas do LET foi uma iniciativa que surgiu no início deste ano pelos pesquisadores do Laboratório de Estudos Tectônicos – LET vinculado ao Grupo de Pesquisa em Geotectônica – TEKTOS da Faculdade de Geologia da UERJ, visando promover a interação entre o lazer prazeroso de uma caminhada em trilhas e a discussão geocientífica de suas belas paisagens. O evento é aberto para o público em geral, agregando profissionais, estudantes e demais interessados. Após a escolha da trilha da vez, o LET convida especialmente alguns pesquisadores que possuem trabalhos ou interesse científico na região, no intuito de se enriquecer o debate sobre o potencial científico, didático e turístico do seu percurso. Nas caminhadas também se realizam levantamentos descritivos e georreferenciados dos lugares de interesse nas trilhas. A primeira caminhada, com a participação dos condutores de visitantes do Parque Estadual da Serra da Tiririca, ocorreu em janeiro no arquipélago das Ilhas Maricás localizado em frente à Praia de Itaipuaçu cerca de 6 km do litoral de Maricá. Um local com alto potencial científico e turístico pela beleza cênica de suas paisagens, onde se destacam belas estruturas geológicas “desenhadas” nas rochas metassedimentares neoproterozoicas intensamente deformadas. Além da deslumbrante vista do litoral das cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Maricá e o seu relevo de serras, baixadas litorâneas, lagoas costeiras e a Baía de Guanabara. A segunda caminhada ocorreu em abril no trecho Portão da Floresta x Mesa do Imperador da Trilha Transcarioca (TT) no Parque Nacional da Tijuca (RJ), com a participação de pesquisadores da UFRJ. Uma trilha dos mais belos trechos da TT (180 km, que cruza a cidade do Rio de Janeiro de leste a oeste), que atravessa um percurso de 5,7 km pela Serra da Carioca onde afloram as seguintes rochas: o Gnaisse Facoidal, a mais carioca das rochas (Mansur et al., 2008), os metassedimentos do Grupo São Fidélis e um quartzito (Heilbron et al., 2016). No entanto, se caracteriza principalmente pelas belezas cênicas das suas paisagens avistadas em seus principais mirantes, inclusive dos principais cartões postais da cidade: o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor no morro do Corcovado. A Mesa do Imperador que demarca o início/fim desta trilha agrega o seu valor histórico, por ter sido uma antiga parada da Família Real para refeições e repouso em meados do século 19. Outras caminhadas já estão previstas para o segundo semestre deste ano, tais como: o trecho das praias selvagens da TT; o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu (Geoparque do Vulcão) e a Travessia Petrópolis Teresópolis no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Apesar de ainda se constituir uma atividade informal, o lazer das caminhadas nas Trilhas do LET associado ao olhar geocientífico dos caminhantes têm proporcionado oportunidades para o levantamento, a caracterização e a divulgação da sua geodiversidade. Deste modo, também servem como contribuição para a elaboração de georroteiros turísticos e educativos em uma abordagem de conservação das trilhas pelo uso público, dentro ou fora das UC. Referências Araujo, J.C., Seoane, J.C.S. 2018. Geotecnologias como ferramenta no reconhecimento e divulgação da geodiversidade da Trilha Transcarioca, RJ. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 49, Rio de Janeiro, p. 6. ISBN: 978-85-99198-20-9. Cambra, M. F. E. S.; Pressi, L. F.; Mansur, K.L.; Costa Jr., N. A.; Silva, A. L. C.; Silva, M. A. M.; Xaubet, P. H. M.; Almeida, J. C. H. 2017. A atuação dos projetos Caminhos Geológicos e Caminhos de Darwin na divulgação da geodiversidade do Parque Estadual da Serra da Tiririca de 2014 a 2017 – Niterói e Maricá (RJ). IV Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, Paraná. Costa, N. M. C.; Oliveira, F. L. 2018. Trilhas: “caminhos” para o geoturismo, a geodiversidade e a geoconservação. In: GUERRA, A. J. T.; JORGE, M. C. O. (Orgs.) Geoturismo, Geodiversidade e Geoconservação: abordagens geográficas e geológicas. São Paulo: Oficina de Textos. Heilbron, M., Eirado, L.G.; Almeida, J. (Org). 2016. Mapa Geológico e de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro. Escala 1:400.000. Programa Geologia do Brasil (PGB), Mapas Geológicos Estaduais. CPRM-Serviço Geológico do Brasil, Superintendência Regional de Belo Horizonte. ISBN: 978-85-7499-300-3 Heilbron, M., Eirado, L.G.; Almeida, J. (Org) 2016. Geologia e recursos minerais do estado do Rio de Janeiro: texto explicativo dos mapas geológico e de recursos minerais do estado do Rio de Janeiro. Programa Geologia do Brasil (PGB), Mapas Geológicos Estaduais. CPRM-Serviço Geológico do Brasil, Superintendência Regional de Belo Horizonte. ISBN: 978-85-7499-300-3 Mansur, K. L.; Carvalho, I. S.; Delphim, C. F. M.; Barroso, E. V. 2008. O Gnaisse Facoidal: a mais Carioca das Rochas. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ, Vol. 31 – 2, p. 9-22, Rio de Janeiro. Menezes, P. C. 2017. O aprendizado brasileiro das trilhas de longo curso no mundo. (O) eco. 2017. Disponível em http://www.oeco.org.br/colunas/pedro-da-cunha-e-menezes/o-aprendizado-brasileiro-das-trilhas-de-longo-curso-no-mundo/, acesso em julho de 2019. Pessoa, F.A.; Pacheco, F. F.; Peixoto, M.N.O.; Mansur, K.L. 2019. Caracterização da geodiversidade da Travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ). Anais do Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Universidade Federal do Ceará: Fortaleza.
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Geoética, Valores Morais, Geologia e Educação Básica
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Abrir o trabalhoA geoética e a geoconservação: caminhos integrados
PAULO DE TARSO AMORIM CASTRO; Kátia Leite Mansur; Úrsula Ruchkys de Azevedo
“A terra ainda é considerada uma propriedade e todas as relações com ela ainda são baseadas no ponto de vista do consumo, que assume apenas direitos, sem quaisquer obrigações”; assim se expressou Aldo Leopold (1949), no alvorecer do pensamento conservacionista. Embora ele estivesse escrevendo a respeito do uso do território, e não a respeito do Sistema Terra, as bases da relação humana com a Terra nunca mais poderia passar ao largo das necessárias obrigações, e somente centrada no usufruto de seus componentes, entendidos como recursos para a humanidade. Ao longo da evolução da sociedade humana a sua relação com o Sistema Terra tem passado por cinco fases que embora distintas, não estão em ordens sucessivas, coexistindo entre si até os dias de hoje (CASTRO & RUCHKYS, 2017). As primeiras fases concernem ao uso dos geomateriais como recursos, a compreensão da natureza da Terra e as preocupações quanto ao uso de recursos naturais finitos e a degradação ambiental. A última das cinco fases, surge no início dos anos 1990, tendo como marco histórico referencial a Conferências das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, a RIO-92. Nesta fase estão as sementes da Geoconservação e da Geoética. Embora contemporâneas e tendo a mesma linhagem elas se diferem em alguns pontos que serão abordados neste texto. As relações dos seres humanos entre si, com os seres animados e para com os inanimados são regidos pela ética. Em especial, a Geoética trata das relações da humanidade para com o Sistema Terra. Este provê a humanidade uma ampla gama de substâncias e materiais que são a base da subsistência e cultura humanas. A Geoética tem uma ampla gama de enfoques, que vão desde o uso socioambientalmente sustentável dos recursos não renováveis, a preocupação com o acesso a estes recursos por gerações futuras, os desastres naturais e o direito à informação adequada a sociedade e a conservação de elementos da geodiversidade, dentre outros (PEPPOLONI & DI CAPUA, 2016). Em suas bases está presente a necessidade de conectar o uso dos métodos e técnicas a uma ética que vá além da ética humana e profissional. Deste modo, a difusão da geoética é a base da transformação social, em um mundo cuja população humana alcança oito bilhões e há necessidade premente de conciliar o uso da natureza como recurso e, ao menos, preservar as funções ecológicas dos sistemas naturais. Por um lado, a Geoconservação enfoca a necessidade de conhecer e significar elementos da grande diversidade planetária, sobretudo em seus componentes geosféricos, mas não necessariamente isolados dos elementos da biosfera. Por outro lado, a difusão dos elementos mais significativos da geodiversidade para a sociedade humana dá suporte ao fortalecimento da relação entre as comunidades locais e o território onde vivem como exemplificado peloconcepção de geoparques (MCKEEVER & ZOUROS, 2005, MARTINI, 2009). Nesta concepção, a difusão da informação científica de modo universal é a base da geoconservação. Pontos importantes que unem a geoética e a geoconservação são a necessidade de difundir posturas geoéticas em relação à coleta de amostras para análises laboratoriais visando a conservação de geossítios (MANSUR et al. 2017) e a definição da capacidade de carga e mesmo eventuais interdições a visitação de geossítios considerados frágeis. Exemplos mundiais desta postura ética para com o sistema Terra podem ser vistos em Bonito (MS) na visitação as Cavernas do Lago Azul (BOGIANNI et al., 2009) e no mergulho no rio Formoso, a visitação regulada no geossítio The Wave, no Arizona (ANTELOPE CANYON, 2017) e a caverna de megacristais de Naica, no Mexico (DAILY JSTOR, 2017).
Palavras-chave: geoética,difusão da informação geocientífica, geoparques
Oral
Abrir o trabalhoDivulgação das geociências no centro velho da cidade de São Paulo
ELIANE APARECIDA DEL LAMA; Debora Silva Queiroz; Daisy Pinato; Karolina von Sydow Domingues Gomes; Denise de La Corte Bacci
A fundação da cidade de São Paulo ocorreu no Pateo do Collegio em 1554 com a celebração da missa pelos Jesuítas. O local escolhido situava-se entre os rios Tietê e Tamanduateí, área já ocupada pelos índios e estratégica para evitar invasões. Com o crescimento da cidade o centro expandiu e atualmente São Paulo é a maior área urbana do Brasil. A construção de São Paulo foi facilitada pelo fácil acesso aos elementos da geodiversidade, que forneceram materiais pétreos para a edificação de prédios e monumentos. No centro de São Paulo já ocorrem roteiros de visitação com o objetivo de mostrar a história e a arquitetura da cidade, porém, roteiros geoturísticos que unem a história do local com a geodiversidade ainda são atividades pouco difundidas. Convém esclarecer que diversas publicações apresentam as rochas empregadas no centro de São Paulo (Stern et al., 2006, Augusto e Del Lama, 2011, Del Lama et al., 2015), contudo são apresentadas em publicações científicas, com maior dificuldade de acesso para o público leigo. Assim, com o objetivo de popularizar o conhecimento geocientífico sobre os materiais pétreos utilizados nas edificações do centro velho de São Paulo o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoconservação (GeoHereditas) do Instituto de Geociências da USP realizou um geotour na área (Fig. 1). Nessa atividade, além de apresentar as rochas, também debateu sobre a importância da preservação do patrimônio construído. O roteiro teve duração aproximada de três horas. O público, com aproximadamente 150 pessoas era formado por alunos de geologia, profissionais da área de geociências, turismo, professores do ensino básico e pessoas leigas em relação à geodiversidade. Com a realização do roteiro ficou evidente o interesse do público sobre os assuntos apresentados, pois foi possível fazer uma interdisciplinaridade relacionando a história da cidade, as tipologias pétreas construtivas que compuseram o estilo arquitetônico, a geomorfologia do local, a ocupação humana dessa colina central, entre outros aspectos que formam o contexto da região. No caso de roteiros geoturísticos em centros urbanos, além de São Paulo, essas propostas tem se popularizado, como é o caso de Curitiba – PR (Liccardo et al., 2008), Rio de Janeiro - RJ (Silva e Mansur, 2017), Natal - RN (Nascimento et al., 2018) e Santos - SP (Queiroz et al., 2019). Essas atividades devem ser estimuladas, pois auxilia na popularização das geociências em áreas urbanas. Figura 1: A) Apresentação do roteiro geoturístico no centro velho de São Paulo. B) Público participante da atividade. Referências: Augusto, W.C.B., Del Lama, E.A. 2011. Roteiro geoturístico no centro da cidade de São Paulo. TerraeDidatica 7:29-40. Del Lama, E.A., Bacci, D.L.C., Martins, L., Garcia, M.G.M., e Dehira, L.K. 2015. Urban geotourism and the Old Centre of São Paulo city, Brazil. Geoheritage, 7:147-164. Liccardo, A., Piekarz, G.F., e Salamuni, E. 2008. Geoturismo em Curitiba. Curitiba, Brasil: Mineropar. Nascimento, M.A.L., Silva, M.L.N., e Bezerra, G.B. 2018. Presença da geodiversidade em itinerário geoturístico no centro histórico de Natal/RN (NE Brasil). TerraPlural, 12:238-253. Queiroz, D.S., Del Lama, E.A., Garcia, M.G.M. 2019. Proposta de roteiro geoturístico pelos prédios históricos do centro de Santos, SP. TerraeDidatica 15:1-7. Silva, R.G.P., e Mansur, K.L. 2017. Proposta de roteiro para a prática de geoturismo urbano e para a geoeducação no centro da cidade do Rio de Janeiro. Anais do IV Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico e II Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação. (p. 482 - 486). Ponta Grossa, Brasil. Stern, A.G., Riccomini, C., Fambrini, G.L. Chamani, M.A.C. 2006. Roteiro geológico pelos edifícios e monumentos históricos do centro da cidade de São Paulo. Revista Brasileira de Geociências 36:704–711.
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Abrir o trabalhoGeocomunicação na Trilha Transcarioca, RJ
JHONE CAETANO DE ARAUJO; JOSÉ CARLOS SICOLI SEOANE
A Trilha Transcarioca (TT) conta com um movimento social organizado que fomenta, na cidade do Rio de Janeiro, o uso público através de atividades como mutirões de sinalização, manejo, reflorestamento e coleta de lixo em unidades de conservação (UCs). Dessa forma, a TT é utilizada como uma sala de aula multitemática para educação ambiental. São de amplo conhecimento do campo acadêmico, e um pouco menos no turístico, o mapa geológico da cidade; as inscrições no SIGEP do Morro do Corcovado e do Pão de Açúcar; e das diversas placas do Projeto Caminhos Geológicos. No entanto, a constante revisão de pesquisas realizadas sob a ótica da geodiversidade é necessária para somar novas abordagens sobre os monumentos geológicos já citados, além de outros, e assim fomentar ações de educação ambiental da TT nos moldes da geocomunicação. Propõem-se então, a compilação e divulgação de diversos projetos e trabalhos de pesquisa relacionados aos temas das geociências que interceptam o traçado da TT a fim de dar forma a uma geodiversidade pouco comentada e divulgada, e em certo ponto negligenciada pelos órgãos de gestão ambiental. Pretende-se, através de diversas metodologias de catalogação da geodiversidade, expor uma visão ampla de abordagens, seus objetivos, usos e escalas, uma vez que são realizadas em recortes espaciais menores e assim assimilados pelo trajeto da TT. Para tal, buscou-se dissertações e teses encontradas nas bases virtuais das bibliotecas das universidades do estado fluminense e trabalhos de jornada acadêmica no Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como resultado foram compilados inventários da geodiversidade classificados em qualitativos e em quantitativos. As pesquisas levantadas serviram de base para a realização de atividades de comunicação científica em ações de educação ambiental lideradas pela TT, as UCs e agência de geoturismo. Os trabalhos qualitativos são concentrados na catalogação de locais de interesse geológico com vistas a roteirização para fins científicos, educacionais e turísticos. Tem-se por destaque o georroteiro do Morro do Queimado no Parque Nacional da Tijuca (Arona, 2017), o levantamento de Lugares de Interesse Geológico nas Praias Selvagens no Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) (Mello, 2018) e a proposta de manejo e panejamento ambiental de trilhas ecoturísticas no maçico da Pedra Branca (Costa, 2006). Os trechos de trilha pesquisados se destacam pela paisagem exuberante e a imersão em locais de rara geodiversidade, sendo exemplos: um raro afloramento de quartizito na cidade, um dique de diabásio de mais de cinco dezenas de metros de espessura e a avaliação da atratividade dos pontos interpretativos, respectivamente. Araujo (2017) destacou os atrativos apontados pelo guia de bolso da TT (Mesquita, 2016) com interesse geológico e demonstrou como esses podem ser catalogados e avaliados em campo com o uso de geotecnologias (Araujo, 2018). As pesquisas quantitativas se concentram no PEPB, com destaque para os trabalhos de Santos (2014) e Soares Filho (2018). Como característica marcante podemos destacar a busca multitemática aos arredores da geologia, como a pedologia, hidrologia, geomorfologia, a fim de alcançar uma sistematização de valores, pesos e posição espacial. Dessa forma, os locais de maior ou menor geodiversidade, são expressos em mapas de índice de geodiversidade, de acordo com o maior ou menor número de unidades geológicas, pedológicas, geomorfológicas e hidrológicas. Os mapas de índice de geodiversidade são excelentes geocomunicadores. A sua interpretação não precisa de nenhum conhecimento geológico prévio. As zonas de alta geodiversidade são reconhecidas rapidamente e as implicações que elas demandam também. Em grande parte, as áreas de maior geodiversidade no PEPB se localizam próximas às portarias e ao longo da TT e outras trilhas ramificadas a partir dela ou não. A Pedra do Quilombo tem um destaque grande e, ao mesmo tempo, possui um uso público considerado relativamente alto, o que demonstra a importância de uma gestão ambiental que a tome por princípio. Portanto, conclui-se que essa compilação apresenta os primeiros passos de uma sistematização do conhecimento produzido na perspectiva da geodiversidade ao longo da TT e seus territórios. Os inventários qualitativos apresentam um enorme potencial didático pois sintetizam o conhecimento acerca deste ou daquele atrativo. A partir deles, são pensadas as melhores estratégias de comunicação pois nem todos os atrativos possuem a mesma acessibilidade ou vunerabilidade. Os roteiros ajudam a transmitir uma história geológica, cabendo a cada ação ou evento em geocomunicação a formatação da temática e a linguagem, tendo em vista a experiência do público alvo. As descrições de cada um dos atrativos também põem em voga a evolução do conhecimento, ou seja, os roteiros não são estáticos e podem ser revisados pela incorporação ou retirada de pontos.
Palavras-chave: Geocomunicação,Geoturismo,Trilha Transcarioca
Oral
Abrir o trabalhoGeodiversidade e sociedade: atividades de divulgação científica para a geoconservação
RAQUEL MAMBLONA MARQUES ROMÃO; Fernanda Coyado Reverte; Christine Laure Marie Bourotte; Eliane Aparecida Del Lama; Maria da Glória Motta Garcia
Geodiversidade e sociedade: atividades de divulgação científica para a geoconservação Raquel Mamblona Marques Romão1, Fernanda Coyado Reverte1, Christine Laure Marie Bourotte1, Eliane Aparecida Del Lama1, Maria da Glória Motta Garcia1 1Instituto de Geociências, Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo, Universidade de São Paulo, Endereço: Rua do Lago, 562.E-mail autores: r.m.m.romao@gmail.com; fernanda.reverte@usp.br; chrisbourotte@usp.br; edellama@usp.br; mgmgarcia@gmail.com. Palavras-chave: Geoconservação, Geoturismo, Divulgação, Popularização da Ciência A Geoconservação é um ramo das geociências em crescente ascensão e tem sido cada vez mais discutida em diversos lugares do mundo e no Brasil. No âmbito acadêmico brasileiro, muitas pesquisas já foram produzidas sobre a temática visando tanto a identificação do patrimônio geológico no território (Romão & Garcia 2017), como também a abordagem de temas diversos que envolvem Geodiversidade, Geoturismo, Geoparques, Geoconservação, Geocomunicação, Geoeducação, entre outros (Ruchkys et al., 2017). Ainda que a elevada produção científica seja essencial para a consolidação dessa área do conhecimento no país, por meio da obtenção de dados sólidos e da discussão de seus resultados é necessário que esse conhecimento produzido tenha um alcance maior na sociedade. Segundo Henriques et al. (2011), a Geoconservação tem por objetivos valorizar e conservar parte da geodiversidade ao promover o uso sustentável de seus elementos, o que pode potencializar a economia de uma determinada região por meio do geoturismo, por exemplo, proporcionando, desta forma, mais qualidade de vida à população. No entanto, embora a Geoconservação seja de extrema relevância à manutenção de um ambiente sustentável, ainda não são expressivas as iniciativas que dialogam diretamente com a sociedade, o que gera um grande distanciamento entre a real aplicação dessa ciência e seus respectivos benefícios à sociedade. Assim, torna-se difícil o trabalho de informar como essa ciência pode realmente agregar significados e melhorias à vida das pessoas, bem como atingir um reconhecimento social da produção acadêmica realizada nas diversas instituições de ensino do Brasil. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é apresentar o relato de experiência envolvendo cinco atividades que foram aplicadas a um público diversificado, dentro de um contexto não formal, relacionadas a diferentes conceitos sobre Geoconservação, desenvolvidas na unidade do Sesc Paulista, localizado na cidade de São Paulo. Além das atividades, foi possível fazer uma análise do tipo de público que as frequentou e do interesse despertado, registrados em redes sociais, tais como Facebook e páginas de divulgação do próprio Sesc. Para o planejamento e organização das atividades foi realizado o levantamento de referências bibliográficas com o intuito de orientar e complementar os conteúdos que seriam abordados. Para tanto, utilizou-se pesquisas consideradas fundamentais para a Geoconservação, trabalhos desenvolvidos pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo (GeoHereditas), da Universidade de São Paulo (disponível em: http://www2.igc.usp.br/geohereditas/), bem como trabalhos realizados em outras instituições de ensino no Brasil, tanto de educação e divulgação das Geociências, como de geoparques já existentes (Geoparque Araripe) e de projetos em andamento (Projeto Geoparque Seridó, Projeto Geoparque Cânions do Sul, Projeto Geoparque Costões e Lagunas, entre outros). No total, foram realizadas cinco atividades:i) Jogo de Tabuleiro Boggica: Aprenda como a rocha vira solo, ii) Passeio Virtual: Percorrendo sítios geológicos do Brasil ao Mundo, iii) Exposição Areias do Mundo, iv) Atividade de campo: Geologia no Cemitério da Consolação, v) Atividade de campo: Geologia no centro de São Paulo. Estas atividades representaram um importante desafio para a difusão do conhecimento geocientífico, além de uma oportunidade muito interessante para compreender as dificuldades do público em assimilar temas, que muitas vezes são de difícil interpretação. As alunas-pesquisadoras conseguiram aprofundar e discutir diversos conceitos básicos da Geoconservação para um público bastante diversificado, tanto de idade como de ocupação profissional. Muitos dos participantes estavam em busca de atividades de lazer ou cultura, mas havia também pessoas interessadas em novos conhecimentos, bem como professores em busca de temas potenciais para serem abordados em sala de aula com alunos. Uma das dificuldades encontradas no planejamento foi como levar todo esse conhecimento de forma atrativa para os participantes; assim, houve o cuidado de adequar o conteúdo e a linguagem utilizados. O elevado interesse da sociedade pela temática foi constatado pela alta procura das pessoas para se inscreverem nas atividades, as quais sempre estavam com o número máximo de inscritos possíveis ou muito próximo da lotação. Os eventos criados pela rede social Facebook mostraram a quantidade de interessados em participar das atividades, trazendo dados úteis para comprovar a elevada procura, sendo que alguns dos eventos marcavam mais de 900 pessoas. A divulgação feita no site do Sesc também contabilizou grande número de interessados no evento e mais de 1100 pessoas curtiram a postagem realizada referente à atividade “Passeio Virtual: Percorrendo sítios geológicos do Brasil ao Mundo”. Apesar de pontual, essa iniciativa possibilitou que cerca de 220 pessoas tivessem acesso ao conhecimento e à aproximação com a Geoconservação e a projetos realizados no Brasil, mostrando-se um trabalho relevante para o reconhecimento social das pesquisas que vêm sendo produzidas nas universidades. Referências Romão RMM, Garcia MGM. 2017. Iniciativas de inventário e quantificação do patrimônio geológico no Brasil: Panorama atual. Anuário do Instituto de Geociências UFRJ 40: 250-265. Ruchkys UA, Mansur KL, Bento LCM. 2017. A Historical and Statistical Analysis of the Brazilian Academic Production, on Masters and PhD Level, on the Following Subjects: Geodiversity, Geological Heritage, Geotourism, Geoconservation and Geoparks. Anuário do Instituto de Geociências UFRJ 40: 180-190. Henriques MH, Reis RP, Mota T. & Brilha J. 2011. Geoconservation as an Emerging Geoscience. Geoheritage, 3(1): 117-128.
Oral
Abrir o trabalhoGeoeducação: experiência em espaço não formal de ensino
THAIS DE OLIVEIRA GUIMARÃES; Luciana Freitas de Oliveira França
O processo educativo decorre de estratégias de ensino que desperte no expectador o interesse pelo conteúdo apresentado. Os espaços não formais de ensino compreendem ambientes que não apresentam um currículo formal. Todavia, são espaços que permitem a possibilidade de se desenvolver a prática educativa de maneira livre e despretensiosa. Nesse sentido, o presente trabalho apresenta a experiência do uso de estratégias alternativas de geoeducação e geocomunicação desenvolvida em um espaço não formal de ensino. A atividade foi realizada de forma multidirecional e interdisciplinar, por meio de palestra, exposição de minerais e rochas e aplicação de jogos geoeducativos no evento da Semana do Meio Ambiente promovido pela prefeitura do município de Petrolina/PE. A experiência possibilitou maior contato dos alunos com temas pouco trabalhados em sala de aula, além de atuarem de forma ativa, através do manuseio de amostras de rochas e minerais e do uso dos jogos didáticos. Para tanto, foram realizadas inicialmente pesquisas bibliográficas baseada nos pilares: geodiversidade, geoeducação e meio ambiente (temática do evento). Foi dada ênfase aos minerais, rochas, e a história geológica do município de Petrolina e região, como forma de contextualizar a realidade local. Utilizou-se a pesquisa participante, em que os autores compartilham “a vivência dos sujeitos pesquisados, participando, de forma sistemática e permanente, ao longo do tempo da pesquisa das suas atividades” (SEVERINO, 2011 p.120). Estiveram envolvidos direta e indiretamente na atividade coordenadoras e alunos (as) integrantes do grupo de estudos e trabalho REGECOS (Rede de Estudos em Geoeducação, Geocomunicação e Sustentabilidade) e GEGPE (Grupo de Estudos em Geodiversidade de Pernambuco) do curso de Licenciatura em Geografia, da Universidade de Pernambuco, campus Petrolina (Figura 1). A atividade desenvolvida no Parque Municipal Josefa Coelho teve como público alvo alunos do ensino infantil, e fundamental I e II das escolas da rede pública e particular do município. O evento ocorreu entre os dias 5 e 6 de junho de 2019 contando com palestras, exposição de rochas e minerais e aplicação de jogos geoeducativos. O material utilizado na ação faz parte do acervo de minerais e rochas do colegiado de Geografia e os jogos são produtos elaborados pelos membros do grupo REGECOS, a exemplo do jogo de tabuleiro “Geoeducação em suas mãos”. O município de Petrolina tem sido palco de diversas ações geocientíficas e geoeducativas, em espaços formais e não formais, através dos grupos de estudos em escolas de educação básica, por meio da elaboração de jogos geoeducativos, palestras, aulas de campo, grupos de estudos no ensino superior e publicações em revistas (PENHA ET AL., 2019; ROSENDO & FRANÇA, 2017). Na ação supracitada foi possível aproximar a universidade das escolas. Na palestra, por exemplo, os alunos interagiram com os professores e monitores da graduação, discutiram questões científicas desde a origem do universo até os dias atuais, bem como os registros deixados nas rochas a longo da evolução terrestre. Durante a palestra foram realizadas dinâmicas com o público, como a “dança das placas tectônicas”, momento ápice e de interação da plateia. Na exposição das rochas e minerais, os alunos manusearam as amostras e identificaram minerais, avaliaram o traço por meio da porcelana fosca, observaram atentos a reação ao ácido clorídrico, a atração magnética, entre outras características. Quanto as rochas, observaram textura, composição, cor e a singularidade das rochas sedimentares na preservação dos fósseis. Os alunos mostraram-se encantados com as características dos minerais e rochas. Os jogos geoeducativos, também expostos no evento, foram apresentados como uma ferramenta alternativa de incentivo ao processo geoeducativo. De acordo com Custódio & Vieira (2015) as atividades lúdicas podem promover “participação, solidariedade, cooperação, análise crítica, reflexão, motivação e participação em sala de aula, bem como o respeito do aluno a si mesmo e ao outro”. Assim, os jogos aplicados possibilitaram, por meio do lúdico, uma reflexão acerca de temáticas que envolvem o meio ambiente – interligando geodiversidade e biodiversidade. Vê-se no cenário atual a necessidade de se ocupar os mais diversos espaços na sociedade. Levar o conhecimento geocientífico aos espaços não formais gera oportunidades de conhecimento sobre temáticas que estão distantes da sociedade, mas que, deveriam estar em seu cotidiano. A ação realizada no Parque não possibilitou por hora uma avaliação mais profunda da atividade, uma vez que, não se configurou como atividade contínua e sim, uma ação pontual de dois dias com públicos diferentes. Entretanto, a ação permitiu discutir e popularizar, questões complexas que envolvem a história e evolução geológica da Terra, utilizando ainda importantes ferramentas geoeducativas, como as amostras de rochas e minerais e os jogos aplicados. Nesse sentido, viu-se como positiva a avaliação e feedback realizadas pelas coordenadoras e monitores por meio das reações entusiasmadas, do desempenho durante os jogos e depoimentos do público em tempo real. Figura 1. Atividades desenvolvidas durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente em um parque municipal (espaço não formal). (a) dinâmica “dança das placas tectônicas” apresentada durante palestra (b) exposição de minerais e rochas. (c) jogo da memória com temática ambiental. (d) jogo de tabuleiro – Geoeducação em suas mãos. Referências CUSTÓDIO, A. F., VIEIRA, J. N. 2015. TRILHA GEOGRÁFICA: uso de atividades lúdicas no ensino de Geografia. In: VIII Fala Professor será: “(Qual) é o fim do Ensino de Geografia?”. ANAIS VIII Encontro Nacional de Ensino de Geografia. Catalão (GO): UFG. PENHA, F. A. S., FRANÇA, L. F. de O., SOUSA, M. E., LIMA, F. J. 2019. O conhecimento de Geologia e Paleontologia como suporte no aprendizado de Geografia no ensino médio. Terræ Didática, 15, 1-11, e 019015. doi: 10.20396/td.v15i0.8653660. SEVERINO, A.J. 2011. Metodologia do Trabalho Científico. 23 ed. Rev. Atual. São Paulo: Cortez. ROSENDO, M. C.; FRANÇA, L.F. O. 2018. Educação em Espaços Formais e não Formais no Ensino de Paleontologia No Município de Petrolina e Lagoa Grande-PE. Petrolina, Brasil. III Encontro de Geografia do Vale do São Francisco. Disponível: https://gpvasfupe.wixsite.com/gpvasf/anais-eletronicos. Acesso. 25.06.19.
Palavras-chave: interdisciplinaridade,jogos analógicos,geocomunicação,popularização
Oral
Abrir o trabalhoO uso da “Pareidolia” como estratégia midiática
MICHEL MACEDO MARQUES; SARAH MENEZES PEREIRA
Divulgação é uma ação imprescindível para o fortalecimento e atratividade de uma marca, tudo hoje em dia necessita de visibilidade para existir no mundo. Desde os tempos pré-históricos o homem tem se preocupado em entender e apresentar seu mundo, as pinturas rupestres até podem ser consideradas primeiras histórias em quadrinhos da história. Com o advento da fala, o boca a boca trouxe fama e notoriedade a pessoas que foram importantes no passado mais remoto, depois com a escrita houve um maior fortalecimento e veracidade à mesma. Tudo isso foi moldando a história da humanidade, dando rumos que outrora pudesse até ter sido impensável. Hoje, com as mídias digitais (portais, instagram, facebook, entre outros), ficou muito mais fácil, barato e cômodo para que se consiga um alcance mundial com rapidez e baixo custo. Porém, é preciso estar atento a padrões que funcionam melhor dependendo do que se queira divulgar. Este trabalho propõe a personificação como uma forte e eficaz estratégia de divulgação. O ser humano sempre procura uma identificação com o que vê, nosso cérebro sempre procura, mesmo nas formas mais abstratas possíveis, formas que se identifiquem com o que já foi visto, é por isso, por exemplo, que fotos de paisagens, por mais bonitas que sejam, alcançam muito mais curtidas se estiverem juntas de uma pessoa; é por isso que procuramos formas vivas nas nuvens, enxergamos rostos nos carros, criamos ícones (como os emojis-ideogramas usados em mensagens eletrônicas e na web) que nos transmitem sentimentos e sensações apenas com traços rústicos que representem um rosto humano, também procuramos colocar nomes em objetos de paisagens que, assim como as nuvens, tragam formas já conhecidas e catalogadas pelo nosso cérebro, é o caso de lugares como Pedra do Morcego (Barbalha-CE, Geopark Araripe), Pedra da Galinha Choca (Quixadá-CE) Pedra do Lagarto (Flores, Geopark Grutas del Palacio, Uruguai), entre outras. Esse fenômeno psicológico recebe o nome de “Pareidolia”, que consiste num estímulo casual, que está mais ligado a imagem e som, sendo percebido como algo distinto com significado, uma distorção perceptiva que ocorre quando um estímulo que existe fora de nós, e que é acessado pelos órgãos sensoriais, é percebido de um modo diferente do que seria normalmente percebido. Podemos constatar este fenômeno em uma das redes sociais do Geopark Araripe (GA), o instagram, que é a rede mais acessada pelos “seguidores” interessados em consumir as informações do GA. Um geoparque é um território delimitado com um patrimônio geológico notável aliado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Nele deve conter lugares de visitação de importância nacional ou internacional, os geossítios, que nos contam a história geológica da região. O geoparque deve destacar os valores históricos, arqueológicos, culturais e ecológicos da região. Como estratégia de desenvolvimento regional são realizados trabalhos e ações nos pilares geoconservação, educação e geoturismo. O Geopark Araripe situa-se no sul do Estado do Ceará, na região nordeste do Brasil e envolve os municípios de Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri, com uma área aproximada de 3.441 km2; correspondente à porção cearense da Bacia Sedimentar do Araripe. O território está inserido em uma região caracterizada pelo importante registro geológico do período Cretáceo, com destaque para seu conteúdo paleontológico, com registros entre 150 e 90 milhões de anos, que apresenta um excepcional estado de preservação e revela uma enorme diversidade paleobiológica. É o primeiro das américas e da porção sul do planeta. Durante esses 13 anos de existência do Geopark Araripe, temos percebido a importância e os rumos que a divulgação do mesmo necessita, de início tínhamos apenas um jornalzinho informativo impresso, chamado GeoNews, que era produzido mensalmente e distribuído em pontos estratégicos do território, com as facilidades da internet ele passou a ser virtual e enviado por mala direta através de email e via site oficial da instituição, também, durante todo esse tempo tem sido feito muito trabalho corpo a corpo, através de palestras, congressos e exposições, além do estímulo à produção de produtos temáticos do território, Para mostrar toda essa riqueza para o mundo, uma das ferramentas utilizadas estrategicamente é o instagram. Na rede social oficial do GA, criada em 2015, que atualmente conta com 3.546 “seguidores” de todo o mundo, e com 772 publicações, é possível constatar que as fotos que mostram pessoas em seu conteúdo chegam a ter quatro vezes mais “likes”, ou seja, as pessoas se identificam mais curtindo aquela foto que tenha um ou mais “personagens”. Para atingir esse público, as postagens são feitas em português, inglês e espanhol. Numa rápida consulta ao “feed” da conta já se percebe a grande distância. Fotos com pessoas e/ou nomes de lugares humanizados agradam mais ao público, a Pareidolia é, pois, uma forma de trazer empatia ao público consumidor da divulgação, entender esse processo e difundir essa forma de apresentação é uma ferramenta midiática que deve ser utilizada sempre que possível, pois gera identidade, identificação e pertencimento no público alvo, tornando muito mais íntima e eficaz a interatividade e o processo de comunicação.
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Abrir o trabalhoParque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí: Evolução Digital
FELIPE ABRAHÃO MONTEIRO; Kátia Leite Mansur; Lílian Paglarelli Bergqvist
A Bacia Calcária de São José de Itaboraí, uma das menores bacias sedimentares brasileiras, foi descoberta em 1928 e explorada a partir de 1932 pela Companhia de Cimento Portland Mauá (Bergqvist, 2006). Essa exploração deu-se por 50 anos, sendo sua mineração paralisada em 1982. Em 1995, foi criado o Parque Paleontológico de São José de Itaboraí (PPSJI), devido à importância dos seus fósseis para o entendimento da evolução dos mamíferos sul-americanos. Segundo Bergqvist et al. (2008), é a única região do Brasil que contribuiu com seu nome para a coluna estratigráfica internacional (Idades-Mamífero Terrestre Sul-americanas, o Itaboraiense). Em 2018, o PPSJI foi reclassificado segundo o Sistema Nacional de Conservação da Natureza (SNUC), passando a ser denominado Parque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí (PNMPSJI). A ação estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão da unidade de conservação. Desde setembro de 2018, a FAPERJ fomenta o projeto de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT) “Apoio Técnico para Organização e Divulgação Eletrônica de um Acervo de Amostras e Bibliografias para o Parque Paleontológico de São José de Itaboraí, RJ”, que está sendo realizado no Departamento de Geologia (DEGEO) do Instituto de Geociências (IGEO) da UFRJ. As atividades priorizadas para o TCT estão relacionadas a trabalhos de gabinete e formação de pessoal, a fim de focar na informatização e divulgação eletrônica de conteúdos referentes à bacia, além de garantir a orientação de discentes na graduação. Assim, pretende-se incentivar a inquestionável colaboração que o meio digital é capaz de proporcionar à divulgação científica, disponibilizando gratuitamente materiais de relevância e estimulando um interesse mais profundo pelos estudos na área das “Ciências da Terra” (Mansur et al., 2014). A proposta de divulgação é fazer uma campanha intensiva sobre a bacia, levando o conhecimento a todos os segmentos da sociedade. Para isso, pretende-se utilizar um E-book informativo sobre a bacia, além de um website responsivo e interativo em conjunto com as mídias sociais para fazer uma campanha mais intensa e eficaz nestes nichos onde um grande número de pessoas acessa. O projeto possui três frentes de trabalho: pesquisa, curadoria e promoção/divulgação do conhecimento em Geologia e temas relacionados à bacia. a) A área de atuação na pesquisa é basicamente a coleta e descrição de rochas e lâminas petrográficas da bacia, busca e pesquisa histórica sobre a geologia e paleontologia local, e atividade de pesquisa integrada e multidisciplinar entre diferentes laboratórios de pesquisa, entre eles o DEGEO do IGEO da UFRJ e o Laboratório de Geologia do PNMPSJI. b) A curadoria ocorre de modo a informatizar e catalogar os materiais pré-existentes e novos na coleção e organizar um acervo para o PNMPSJI (com rochas e lâminas petrográficas). c) A terceira área de atuação do projeto tem como base desenvolver e promover o conhecimento sobre a importância da Bacia de Itaboraí. A divulgação será realizada através de palestras, exposições, webservices e publicações. Assim, espera-se disponibilizar material de estudo, bibliografias e novas análises de aspectos geológicos e paleontológicos sobre esta pequena, porém importante bacia brasileira. Ademais, serão disponibilizadas informações sobre as rochas carbonáticas da bacia, as quais foram muito pouco descritas na literatura. Inicialmente, está sendo executado um levantamento bibliográfico detalhado referente aos trabalhos já publicados sobre a Bacia de Itaboraí. Como a bibliografia é extensa e contempla documentos desde a década de 1930, alguns necessitam ser escaneados e digitalizados para, posteriormente, serem disponibilizados em website na Internet. As publicações estão sendo organizadas de acordo com os seguintes formatos: resumos; resumos expandidos e artigos; livros e capítulos de livros; acadêmicos (monografias, dissertações e teses). Dentro destes, estão sendo classificadas por tema, abrangendo as áreas de: Geologia; Paleontologia; Paleobotânica; Patrimônio; Arqueologia; e outros. A pesquisa bibliográfica já contempla cerca de 120 itens. Os materiais mais antigos, em papel, foram digitalizados através de scanner e os arquivos exportados em formato OCR (para reconhecimento ótico de caracteres – texto/imagem). A partir deste estudo bibliométrico, será produzido o primeiro E-book informativo sobre a bacia, o qual disponibilizará uma seleção com as publicações mais relevantes para produção de material de divulgação científica e histórica. Com o gerenciamento de uma página referente ao PNMPSJI no Facebook (facebook.com/parquepaleontologico), vem sedo possível divulgar as últimas novidades e eventos realizados no parque. Esta página foi criada há alguns anos e, após o lançamento do website, será também remodelada e atualizada regularmente. A Prefeitura de Itaboraí disponibilizou para o projeto dois subdomínios oficiais (ppsji.itaborai.rj.gov.br e parquepaleontologico.itaborai.rj.gov.br), que estão hospedados em servidor próprio. Como a liberação destes recursos ocorreu na segunda quinzena de junho de 2019, ainda está em processo de implantação o website do PNMPSJI, onde serão incluídas informações institucionais e científicas sobre o parque, além de um banco de dados com publicações referentes à bacia. Desta forma, após a resolução destes trâmites finais, espera-se que até agosto de 2019 seja possível realizar o lançamento oficial do website na Internet. O projeto pretende colaborar para a preservação e divulgação do Patrimônio/Geoconservação, além de beneficiar tanto a comunidade científica quanto a população em geral. A realização deste estudo promoverá um aumento de nosso conhecimento e compreensão sobre o potencial ímpar desta bacia. O projeto deixará um legado que pode levar a novas pesquisas e orientações acadêmicas. Referências Bergqvist LP, Mansur KL, Rodrigues MA, Rodrigues-Francisco BH, Perez RAR, Beltrão MCMC. 2008. Bacia São José de Itaboraí, RJ - Berço dos mamíferos no Brasil. In: Winge M, Schobbenhaus C, Souza CRG, Fernandes ACS, Berbert-Born M, Queiroz ET (Edit.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. Publicado na Internet em 25/04/2008 no endereço http://sigep.cprm.gov.br/sitio123/sitio123.pdf Bergqvist LP, Moreira AL, Pinto DR. 2006. Bacia de São José de Itaboraí - 75 anos de história e ciência. Rio de Janeiro, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SBG), 83p. Mansur KL, Bergqvist LP, Oliveira LGV, Siqueira D, Rodrigues MA, Castro LOR. 2014. Criação e organização do acervo de amostras de rochas e minerais do laboratório de geologia do Parque Paleontológico de São José de Itaboraí, RJ. In: XXXXVII Congresso Brasileiro de Geologia, Salvador.
Palavras-chave: Bacia de Itaboraí,Levantamento Bibliográfico,Divulgação Eletrônica,Parque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí
Oral
Abrir o trabalhoTornando a Geoconservação familiar à sociedade por meio do Curso "Da Geoconservação ao Geoturismo"
RAQUEL MAMBLONA MARQUES ROMÃO; Fabíola Menezes; Débora Silva Queiroz; Maria da Glória Motta Garcia; Eliane Aparecida Del Lama; Christine Laure Marie Bourotte; Marcos Antonio Leite do Nascimento
Tornando a Geoconservação familiar à sociedade por meio do Curso "Da Geoconservação ao Geoturismo" Raquel Mamblona Marques Romão1, Fabíola Menezes1, Débora Silva Queiroz1, Maria da Glória Motta Garcia1, Eliane Aparecida Del Lama1, Christine Laure Marie Bourotte1, Marcos Antonio Leite do Nascimento2 1Instituto de Geociências, Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo, Universidade de São Paulo, Endereço: Rua do Lago, 562. E-mail: r.m.m.romao@gmail.com; famenezes@usp.br; deboraqueiroz@usp.br; mgmgarcia@gmail.com; chrisbourotte@usp.br; edellama@usp.br. 3Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Geologia, Endereço Av. Salgado Filho, SN, Caixa Postal 1678, CEP: 59078-970, Natal/RN: E-mail : marcos@geologia.ufrn.br Palavras-chave: Geoconservação, Ensino, Divulgação, Popularização A geodiversidade consiste nos elementos abióticos do nosso planeta e pode ser definida como a diversidade de elementos geológicos tais como minerais, rochas, solos, fósseis, geoformas e processos geológicos que são essenciais como substrato para a vida das espécies (Gray, 2013). Desde a Pré-História o Ser Humano vem utilizando os elementos da geodiversidade para diversos fins, os quais muitas vezes têm forte relação com aspectos culturais, tendo sido utilizados por povos primitivos para a confecção de ferramentas e utensílios necessários para defesa e no cotidiano, tais como pontas de flechas, pilões e martelos, assim como matérias-primas para uma das primeiras manifestações artísticas, como a produção de pigmentos utilizado nos registros rupestres. Desde então, a dependência destes elementos só aumentou e atualmente, devido ao atual padrão de consumo da sociedade, a principal forma de aproveitamento ocorre através do viés econômico (explotação de recursos minerais, hidrológicos, hidrocarbonetos, entre outros). Embora a maior parte das pessoas não tenha vínculos próximos com a explotação dos elementos da geodiversidade, a sociedade é extremamente dependente destes recursos finitos e, justamente por serem finitos, faz-se necessário ter mais atenção ao tipo de uso, seja pela importância à prestação de serviços ao sistema terrestre e consequente equilíbrio ambiental (Gray, 2011), ou pela necessidade de conservar a geodiversidade para evitar perdas de significativos registros da história geológica da Terra (Brilha, 2005; Nascimento et al., 2008). Com base nas possíveis perdas, a Geoconservação vem apresentando formas de utilização mais equilibradas, como através do uso educativo ou turístico, que são interessantes maneiras de mostrar a importância da geodiversidade por meio da aproximação, da conscientização e da atenção em relação ao seu aproveitamento. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar uma iniciativa de popularização da Geoconservação, feita por meio do curso “Da Geoconservação ao Geoturismo”. O curso teve como objetivo sensibilizar e introduzir conceitos relacionados à geodiversidade para o público em geral com carga horária de dez horas, divididas em quatro encontros ao longo de um mês (Figura 1A). A cada aula, foram abordados diferentes assuntos que envolvem a temática da Geoconservação, fragmentados nos seguintes módulos: i) Geodiversidade, Patrimônio Geológico e Geoconservação, ii) Geoturismo em áreas naturais & Geoturismo Urbano, iii) Geoparques e iv) Educação em Geociências. A seleção dos temas foi baseada em aspectos básicos da Geoconservação, bem como em trabalhos e projetos realizados pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e Geoturismo (GeoHereditas) (disponíveis em: http://www2.igc.usp.br/geohereditas/) (Figura 1B), e participação do Projeto Geoparque Seridó, no (Rio Grande do Norte, www.geoparqueserido.com.br). Além da parte teórica, duas atividades práticas foram realizadas, nas quais os participantes tiveram contato e manusearam elementos da geodiversidade, tais como minerais, rochas, fósseis, além de artefatos líticos. Figura 1. A) Folder de divulgação do curso com imagem do Geossítio Xiquexique, localizado no território do Projeto Geoparque Seridó (RN). Fonte: Website do Sesc Avenida Paulista. B) Participantes do curso conhecendo a plataforma online de mapas Geo-interpretativos desenvolvida pelo NAP GeoHereditas. Com 40 vagas disponíveis, o curso teve alta frequência de participantes que, em sua maioria, não tinham conhecimento prévio sobre os assuntos ministrados e, mesmo dentre os que declararam ter contato com o meio ambiente, desconheciam a importância e o potencial dos elementos abióticos da natureza. Os participantes demonstraram curiosidade pelos conteúdos abordados e ressaltaram a importância dos conhecimentos adquiridos para sua vida, o que reforça a necessidade da popularização do conhecimento para a sociedade. Além disso, o curso proporcionou oportunidade para que os pesquisadores pudessem compartilhar suas pesquisas e projetos. Ações como essas são essenciais para que o público em geral tenha acesso aos trabalhos realizados nas instituições de ensino, contribuindo para a divulgação e para o reconhecimento social destas pesquisas e, mais especificamente, da Geoconservação no Brasil. Referências Brilha J. 2005. Patrimonio Geologico e Geoconservacao. Viseu, Portugal: Palimage Editores. Gray M. 2013. Geodiversity: Valuing and conserving abiotic nature (2nd edition): Londres, Editora John Wiley Blackwell, 495p. Gray M. 2011. Other nature: geodiversity and geosystem services. Environmental Conservation 38 (3): 271- 274. Nascimento, M.A.L.; Ruchkys, U.; Mantesso-Neto, V. 2008. Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo: trinômio importante para a proteção do Patrimônio Geológico. Sociedade Brasileira de Geologia, 81p.
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Comissão de Geoparques-SBG,Comitê Brasileiro de Geoparques,Geoparques
Oral
Abrir o trabalhoA sustentabilidade e o potencial geoturístico em propriedades rurais no território da proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul - BR
JULIANA ROSE JASPER; Natália Augusta Rothmann Eschiletti; Rosane Maria Lanzer
Para alcançar um turismo mais harmonioso (Krippendorf, 2009) é preciso pensar em práticas sustentáveis que atendam as dimensões social, econômica, institucional e ambiental (Santos e Cândido, 2018). Desta forma, este estudo tem por objetivo analisar a sustentabilidade e o potencial geoturístico nas propriedades rurais inseridas no território da proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul – RS/SC; problematizando a atividade turística, a sustentabilidade e a geodiversidade nas propriedades rurais integrantes desse território. O território proposto para o Geoparque Caminho dos Cânions do Sul RS/SC, apresenta um patrimônio natural (biótico e abiótico) e cultural (material e imaterial) que é utilizado como atrativo turístico em praias, lagos, dunas, rios, falésias, mirantes, furnas, sítios paleontológicos, arqueológicos (Prefeitura de Praia Grande, 2019). O Consórcio Intermunicipal Caminho dos Cânions do Sul encaminhou proposta para obter a chancela Geopark Unesco, via Ministério do Turismo, em junho de 2019, através de uma carta de intenção (Prefeitura de Torres, 2019). A proposta desse Geoparque, localiza-se na região sul do Brasil, em um território compreendido entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. São sete municípios que integram a proposta; quatro em SC (Jacinto Machado, Morro Grande, Praia Grande e Timbé do Sul) e três no RS (Cambará do Sul, Mampituba e Torres), numa área total de 2.830 km², correspondente à porção gaúcha e catarinense da Bacia Sedimentar do Paraná. A história geológica desse território, cuja origem relaciona-se à Sinéclise Paleozoica do Paraná, inclui a fragmentação do continente Gondwana e abertura do Oceano Atlântico Sul durante o Cretáceo. O pacote de rochas sedimentares, Formação Botucatu, depositado em um paleoambiente desértico, foi recoberto por rochas vulcânicas, Formação Serra Geral, oriundas de profundas falhas geológicas que derramaram lava basáltica sobre esta bacia. Além disso, a porção litorânea e plana do território da proposta do Geoparque é formada por sedimentos de sistemas deposicionais Tércio-Quaternários controlados por barreiras pleistocênicas e holocênicas constituídas a partir de transgressões e regressões marinhas. Leques aluviais em proximidade à escarpa do planalto e barreiras arenosas que represaram lagos e lagunas (Wilder, et. al, 2004; Godoy, et. al, 2011) são os principais obstáculos controladores desses sistemas. Os cânions encontrados na escarpa do planalto e serras da Bacia do Paraná foram esculpidos em rochas originadas a partir de um magmatismo único na história geológica da Terra (Lima e Vargas, 2017). Conforme orientações da Unesco (2017), um projeto de geoparque deve sempre andar lado a lado com o desenvolvimento sustentável. Assim como a Unesco (2017) a OMT (2017) propõe também que o turismo deve seguir os preceitos da sustentabilidade, este desenvolvimento sustentável deve alcançar três critérios: equidade social, prudência ecológica e eficiência ecológica. Conceitos e aplicações de sustentabilidade vêm sendo discutidos no turismo em diversos eventos, por diversas entidades e pesquisadores. Essas discussões contribuíram para em 2015 iniciar a construção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e em 2017 é aprovado na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas - ONU que estabelece 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável – ODS para serem alcançados até 2030. Os Objetivos fazem parte de um Protocolo Internacional da ONU, onde o Brasil e mais 192 Estados Membros das Nações assumiram o compromisso de implementar o Desenvolvimento Sustentável e define a estratégia mundial para os próximos 13 anos. A Agenda 2030 representa uma ferramenta orientadora para planejamento de ações e políticas públicas perenes, capazes de levar o Brasil ao efetivo alcance do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2019). O método para analisar a sustentabilidade no turismo será a partir da dimensão ambiental contemplados nos ODS da Agenda 2030. Quanto ao potencial geoturístico será realizado um levantamento dos atrativos turísticos a partir de um instrumento com conteúdos da geodiversidade, biodiversidade e histórico-cultural, adaptado a partir de Manosso, Moreira e Silva Júnior (2014). Para a escolha das propriedades rurais que trabalham com o turismo nos municípios de Cambará do Sul e Mampituba – RS, será o cadastro do grupo gestor de turismo rural da SEDACTEL (Emater, 2018). O estudo encontra-se em andamento, mas espera-se como resultado responder positivamente à hipótese de que o turismo no espaço rural de Cambará do Sul vem sendo desenvolvido de forma sustentável buscando sustentar e valorizar a identidade do território, abrangendo a geologia, o meio ambiente, a cultura, a estética, o patrimônio e o bem-estar dos moradores do território (Arouca, 2011) e assim espera-se encontrar práticas de geoturismo nessas propriedades.
Oral
Abrir o trabalhoConstrução do Projeto Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul (Brasil): 2007 – 2017
DANIEL GALVÃO VERONEZ PARIZOTO ; Chen Lin Sung; Leila Maria Vasquez Beltrão; Maurício Dalpiaz Melo; Daniel José da Silva; Samanta da Costa Cristiano
A área proposta para a criação do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul apresenta geopatrimônio relevante de sete municípios localizados entre os estados de Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS),onde encontram-se uma sequência de cânions de magnífica beleza cênica, caracterizados por sua singularidade geológica e geomorfológica, delineada pelas escarpas da Serra Geral, bem como, pela diversidade cultural da população local. A geologia do território é testemunha de um dos maiores eventos tectônicos ocorridos no planeta, associado à ruptura do supercontinente Gondwana há cerca de 200 milhões de anos, imprimindo na região o registro da separação dos continentes sul-americano e africano (GODOY et. al., 2012). O Projeto Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul tem como objetivo preparar o território, articulando, desenvolvendo e implementando ações para a candidatura ao título Global Geopark da UNESCO. A primeira semente foi introduzida em 2007, pelo visionário Dr. João Matos, liderança na comunidade de Praia Grande/SC. Sua ideia foi compartilhada com autoridades locais e regional, que abraçaram o projeto.O histórico do projeto pode ser compreendido em quatro fases, com três delimitações de áreas distintas: i) 2007 a 2010, com seis municípios, 3.158 km² e estimativa de 28.573 habitantes. Lançamento da primeira versão do Projeto Geoparque, denominado Cânions do Brasil (TOMASI, 2011), era composto por três municípios de SC - Praia Grande, Santa Rosa do Sul e São João do Sul - e três do RS - Cambará do Sul, São José dos Ausentes e Mampituba. Sob as lideranças da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado de Santa Catarina - posterior ADR – Agência de Desenvolvimento Regional de Santa Catarina de Araranguá, atualmente extinta) e da AMESC (Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense), ocorreram as primeiras articulações político-institucionais e a contratação de grupo consultor ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); ii) 2011 a 2014, com dezenove municípios, 5.750 km² e estimativa de 251.680 habitantes. O projeto passou a ser denominado Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul e sua área de abrangência contou com a soma dos demais 12 municípios da região da AMESC (Passo de Torres, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Araranguá, Maracajá, Ermo, Timbé do Sul, Jacinto Machado, Morro Grande, Sombrio, Turvo e Meleiro) e o município de Torres no RS, respaldado pelo estudo do Projeto Geoparques do Brasil - CPRM (GODOYet al., 2012).Nesta fase iniciou-se a aplicação do modelo GATS (Governança da Água e do Território na perspectiva da Sustentabilidade) na condução dos trabalhos pela equipe técnica da ADR e da AMESC, em regime de cooperação; iii) 2015 a 2016, com sete municípios, 2.830 km² e estimativa de 73.867 habitantes. Em dezembro de 2014, em reunião de prefeitos de municípios envolvidos no projeto, realizada na Praia Grande/SC, decidiu-se pela redução da área candidata, redefinindo-a de 19 para sete municípios – Morro Grande, Timbé do Sul, Jacinto Machado e Praia Grande, em SC, e Cambará do Sul, Mampituba e Torres, no RS. Tal decisão levou em conta a recomendação do estudo técnico contratado na época, de que o extenso tamanho da área de abrangência do projeto poderia desfavorecer avaliação da candidatura pela GGN/UNESCO (GEODIVERSIDADE, 2013). A condução dos trabalhos seguiu nesta fase em regime de parceria e cooperação entre a equipe técnica da ADR e da AMESC; iv) a partir de 2017 mantem-se a delimitação da fase 3. No entanto, a gestão do projeto passa a ser assumida pelo Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul, um dos principais resultados do processo de governança implementado, criado com o propósito amplo de promover o desenvolvimento sustentável do território.
Palavras-chave: Geoturismo,Geopatrimônio, Global Geopark
Oral
Abrir o trabalhoDesafios dos Projetos de Geoparques em Construção no Brasil
MARCOS ANTONIO LEITE DO NASCIMENTO; KÁTIA LEITE MANSUR; MARILDA SANTOS-PINTO
O Brasil, com alta geodiversidade, possui em seu território testemunhos de todas as eras geológicas. Estas características, aliadas à sua extensão territorial e riqueza cultural e ambiental, promovem grande potencial para a proposição de geoparques. O Brasil possui apenas um geoparque no Programa Mundial de Geoparques UNESCO (UNESCO Global Geoparks, UGG), o Geopark Araripe. Ele foi certificado pela Rede Mundial de Geoparques (Global Geoparks Network, GGN) e incorporado a este seleto grupo de territórios singulares em 2006 e ratificado em 2015 junto a UGG. No entanto no Brasil existem diversos projetos em andamento, em estágios diferenciados, que aspiram fazer parte da UGG/GGN. Mesmo com um patrimônio geológico ímpar sendo base para biodiversidade e cultura muitas vezes únicas, passados mais de 10 anos, o Brasil ainda não conseguiu obter a certificação de novos geoparques. Nesse período resultaram infrutíferas duas tentativas de certificações pelos projetos Geoparque Quadrilátero Ferrífero (MG) e Geoparque Bodoquena-Pantanal (MS). Apesar disso, vários outros projetos, com diferentes níveis de avanço, estão sendo trabalhados, com destaque para Seridó (RN), Caçapava (RS), Cariri Paraibano (PB), Caminhos dos Cânions do Sul (SC/RS), Costões e Lagunas (RJ), Chapada dos Guimarães (MT), Quarta Colônia (RS), Corumbataí (SP), Morro do Chapéu (BA), Serra do Sincorá (BA), São Desidério (BA), Uberaba (MG), Fernando de Noronha (PE), entre outros. Apesar de tantos esforços, ficam alguns questionamentos - “após 10 anos, porque o Brasil, com todo seu potencial, tem apenas um geoparque?” "Por que os projetos de geoparques não conseguem obter a chancela da UGG/GGN?" Vários autores têm se debruçado sobre esta questão (Onary-Alves et al., 2015; Nascimento et al., 2018). Alguns pontos podem ser destacados: (i) entendimento acerca do conceito de território; (ii) legislação aplicável; (iii) planejamento estratégico; (iv) interação com as comunidades e gestores públicos; (iv) baixa educação patrimonial e; (v) ausência de um Fórum ou Comitê Brasileiro de Geoparques, contribuem para a ausência de novos geoparques nacionais junto a UGG/GGN. Mesmo com tudo isto, fica claro que existem inúmeros avanços nos últimos anos, especialmente quanto ao amadurecimento de algumas propostas de geoparques que, hoje, já possuem condições de pleitear a chancela da UNESCO. Aliado a isso, ações mais amplas a nível nacional contribuem para esses avanços, são os casos do (a) Projeto Geoparques do Brasil do Serviço Geológico do Brasil - CPRM (Schobbenhaus e Silva, 2012). No livro “Geoparques do Brasil: propostas” estão descritas 17 propostas de áreas para criação de geoparques em território brasileiro. Contudo, vale salientar que muitos desses projetos deverão se adequar as premissas básicas de um geoparque, como afirmam Nascimento et al. (2018) e (ii) criação da Comissão de Geoparques da Sociedade Brasileira de Geologia - CG-SBG que promove o diálogo entre diversos profissionais interessados na temática, principalmente aqueles já envolvidos nos projetos de geoparques no país (Santos-Pinto et al. 2018). Tal comissão foi criada em 21 de abril de 2018. Na sua primeira formação, estão presentes representantes ligados às propostas dos projetos de geoparques de Morro do Chapéu, Alto Rio de Contas e Serra do Sincorá (ambos na BA); Seridó (RN); Costões e Lagunas (RJ); Bodoquena-Pantanal (MS) e Chapada dos Guimarães (MT). Vale salientar que os projetos nacionais ainda necessitam de aportes regulatórios a nível nacional, apoios políticos nos três níveis de governo e econômicos por parte dos atores envolvidos, privados ou públicos, para que se possa ultrapassar os entraves citados. O desafio maior é o de alavancar projetos geoconservacionistas, educacionais, geoturísticos, culturais e socioeconômicos locais/regionais, de forma a sensibilizar população, empresas e governantes para uma forma inovadora de desenvolvimento, onde a gestão territorial seja compartilhada para atender aos interesses múltiplos. Esse desafio deve levar em conta a diversidade ambiental, cultural, econômica e política de um país com as dimensões do Brasil. Referências Nascimento, M. A. L., Borba, A. W., Mantesso-Neto, V., Meneses, L. F. (2018). Geoparques no Brasil: Quo Vadis? Cong. Bras. Geo., 49, 2018, Rio de Janeiro. Anais... SBG, http://cbg2018anais.siteoficial.ws/resumos/8210.pdf. Onary-Alves, S.Y., Becker-Kerber, B., Valentin, P. R., Pacheco, M. L. A. F. (2015). O conceito de geoparque no Brasil: reflexões, perspectivas e propostas de divulgação. Terræ Didatica, 11(2), 94-107. Santos-Pinto, M., Nascimento, M. A. L., Rocha, A. J. D., Mansur, K. L., Nolasco, M. C., Azevedo, R. P., Guimarães, G. B., Sanches, J. P., Santos, I. P. L., Trevisol, A., Boggiani, P. C., Kulhn, C.E.S. (2018b). A Comissão de Geoparques da Sociedade Brasileira de Geologia. Cong. Bras. Geo., 49, 2018, Rio de Janeiro, Anais … SBG, http://cbg2018anais.siteoficial.ws/resumos/8434.pdf. Schobbenhaus, C., Silva, C. R. (2012). Geoparques do Brasil: propostas. CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 745p.
Palavras-chave: Território, UNESCO,UGG/GGN
Oral
Abrir o trabalhoDissonâncias e convergências entre os projetos de geoparques brasileiros e a Agenda 2030
ISABELLA MARIA BEIL
A Agenda 2030 foi fruto de negociações finalizadas em 2015 que culminaram nos chamados 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas. A Agenda 2030 teve como legado diversos eventos anteriores, remontando à Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), ou Rio-92, de onde surgiu a antiga Agenda XXI. A CNUMAD representou um momento importante nas relações internacionais sobre a temática ambiental, uma vez que moldou o cenário para o que viria posteriormente, baseado na busca por conciliar a proteção da natureza com o desenvolvimento através do conceito de desenvolvimento sustentável. Posteriormente, os Geoparques Globais da UNESCO também se baseariam nessa premissa. Tal premissa se justifica no mundo atual pela percepção de que certos bens naturais, comumente vistos como recursos, não são renováveis e o modo de produção em voga acelera esse processo. Ribeiro (2010) denomina Ordem Ambiental Internacional (OAI) essa trama de ações ao redor do mundo para regular as práticas humanas envolvendo o meio ambiente, que decorre por meio de convenções, assinatura de protocolos e acordos entre países. Também fazem parte da OAI os modos de se pensar e utilizar o patrimônio, tendo como uma das bases normativas o desenvolvimento sustentável. A Agenda 2030 concebeu em suas origens três dimensões do desenvolvimento sustentável a serem obtidas: a econômica, a social e a ambiental. Desse modo, e a partir de seus objetivos e metas, deveriam ser criados planos e programas pelos países adeptos, seja em nível global, nacional, regional ou local, que pudessem contribuir para o andamento e alcance da Agenda. Em 2015 foi fundado o Programa Internacional Geociências e Geoparques (IGGP, na sigla em inglês), colocado por Brilha e Henriques (2017) como uma das ferramentas para o alcance dos ODS. De acordo com o website da UNESCO , os Geoparques Globais possuem relação direta com oito dos dezessete objetivos, sendo estes: 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resistentes e sustentáveis; 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis; 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos; 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Nessa perspectiva, esta proposta, parte de uma pesquisa ainda em andamento , possui o objetivo de analisar as dissonâncias e convergências entre os projetos de geoparques brasileiros conforme estabelecido por Shobbenhaus e Silva (2012) e o Serviço Geológico Brasileiro com a Agenda 2030 e os ODS. Essa análise se baseará no discurso utilizado e objetivos principais elencados por cada proposta. Parte-se da proposição de que o planejamento sustentável do território é, hoje, o foco do ideal de Geoparque Global da UNESCO. Portanto, é preciso expandir os trabalhos em torno do tema, discutindo as possíveis abordagens e ações. Negligencia-lo torna-se um equívoco, pois trata-se de um mote fundamental para o sucesso das propostas brasileiras e sua efetivação. Assim, a base teórica será o próprio conceito de desenvolvimento sustentável, entendido por Leff (2001) como “um projeto social e políticos que aponta para o ordenamento ecológico e a descentralização territorial da produção, assim como para a diversificação dos tipos de desenvolvimento e dos modos de vida das populações que habitam o planeta”. Sabe-se que tal conceito passou a ser utilizado largamente em atividades de planejamento, incluindo aquelas relacionados ao turismo ecológico e ao geoturismo. Porém, é preciso adotar uma abordagem para diferenciar o uso do termo de forma leviana, apenas como propaganda, e seu uso de maneira consciente em torno de uma abordagem efetiva, pois, assim como traz Abramovay (2010) um dos aspectos que caracterizam o desenvolvimento sustentável é o processo de cooperação humana em torno de um ecossistema através de uma estratégia. Acredita-se que os Geoparques possuem concepções muito interessantes que podem contribuir com essa estratégia.
Palavras-chave: Agenda 2030,Geoparques,Brasil,Desenvolvimento sustentável
Oral
Abrir o trabalhoGEA-Terra Mãe na Agenda 2030 da UNESCO
LÁZARO RANIERI DE MACEDO ; Pedrina França Pereira; Maria Neuma Clemente Galvão; Douglas Almeida Teles Filho; Alisson Alves Oliveira; Roberta Rayana Bantim; Rafael Celestino Soares
GEA-Terra Mãe na Agenda 2030 da UNESCO Lazaro Ranieri de Macedo1, Pedrina França Pereira2, Maria Neuma Clemente Galvão3, Douglas Almeida Teles Filho4, Alisson Alves Oliveira5, Roberta Rayana Bantim6, Rafael Celestino Soares7 1GeoPark Araripe , Universidade Regional do Cariri, Endereço, E-mail:lazaroraniere@gmail.com; 2GeoPark Araripe, Universidade Regional do Cariri, Endereço, E-mail: pedrinafrancapereira@hotmail.com; 3 Departamento de Geografia, Geopark Araripe, Universidade Regional do Cariri Endereço, E-mail: rafaelcsoares@yahoo.com.br; 4Departamento de Educação, GeoPark Araripe, Universidade Regional do Cariri, Endereço de e-mail:neuma.galvao@urca.br; 5GeoPark Araripe, Universidade Regional do Cariri, Endereço de E-mail:douglasteles1997@gmail.com;6GeoPark Araripe, Universidade Regional do Cariri, Endereço de E-mail: alisson.a.oliveira2209@gmail.com; 7 GeoPark Araripe, Universidade Regional do Cariri, Endereço de E-mail:bantimroberta@gmail.com Palavras-chave: GeoPark Araripe, Educação, Sustentabilidade. O GEA-Terra Mãe é um projeto de cooperação na área das geociências no espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPCL, desenvolvido no âmbito do Programa Internacional de Geociências da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), seguindo as temáticas anuais e as linhas orientadoras dessa organização na área das geociências ao serviço da sociedade. Foi apresentado em 2013 ao Araripe Geoparque Mundial da UNESCO, como meio de promover a sensibilização das populações nos territórios dos Geoparques Portugueses (Naturtejo, Arouca, Açores e Terra de Cavaleiros) e Brasileiro (Araripe) para a importância do “uso sustentável da água”. Esse trabalho tem como principal objetivo apresentar como o projeto GEA-Terra Mãe edição de 2018, desenvolveu suas atividades no território do Araripe para promoção dos objetivos para o desenvolvimento sustentável da agenda 2030 da UNESCO. Para isso, utilizamos de um estudo de analise qualitativo e quantitativo, caracterizado por uma pesquisa bibliográfica e documental. Na sua V edição, visando fomentar atividades que englobassem estudos do Desenvolvimento Sustentável, foi trabalhado com a temática de Combate as Ações Climáticas, objetivo 13 e Vida Terrestre, objetivo 15 da agenda, sendo realizado junto às escolas públicas municipais e estaduais, além da Universidade Regional do Cariri - URCA, contemplando os níveis de ensino: fundamental, médio/profissionalizante e superior do Território do geoparque. Com o tema “Ação Contra Mudança Global do Clima” atrelado às questões da vida terrestre buscou-se a conscientização principalmente para proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e a perda de biodiversidade. Desse modo, em sua V edição, o projeto aconteceu como concurso e mostra escolar, comtemplando diretamente 26 instituições educacionais do território do Araripe, que trabalharam com o tema, desenvolvendo junto a comunidade escolar a socialização de conteúdos a fim de sensibilizar os professores, alunos e funcionários para a importância desses objetivos, utilizando uma linguagem lúdica e criativa além de produzirem materiais com vista a aprofundar o debate e o conhecimento sobre a temática, proporcionando oportunidades de reflexão de forma a tomar consciência da responsabilidade individual e coletiva. Assim, a partir, do trabalho desenvolvido no território, percebemos um impacto positivo conforme demostra a figura 01: Figura 01: Dados da V Edição projeto Gea - Terra Mãe 2018 Fonte: Arquivo setor de Educação Ambiental do GeoPark Araripe Portanto, de acordo com os dados apresentados, percebemos a consolidação do projeto GEA – Terra Mãe no âmbito educacional do território, assim também se apresentando a comunidade externa através do trabalho de intervenção realizado. Vale ressaltar, que são inúmeras dificuldades encontradas para a apropriação principalmente das escolas por projetos como esse, no entanto, as estratégias utilizadas começam a dar resultados e a proposta para as edições seguintes visão o envolvimento dos diferentes atores e instituições das comunidades do território do Araripe. Referências CEARÁ. GeoPark Araripe: Histórias da Terra, do Meio Ambiente e da Cultura. Secretaria das Cidades/Projeto Cidades do Ceará Cariri Central. Crato-CE, 2012. 168 p.. GEOPARK ARARIPE. Relatório e Regulamento do projeto Gea-Terra Mãe 2018. Crato/CE 2018. UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, à Ciência e à Cultura. A UNESCO e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em. http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/2030-agenda-for-sustainable-development/unesco-and-sustainable-development-goals/ Acesso em: 20 de jun. 2019.
Oral
Abrir o trabalhoPrograma educativo desenvolvido para o território do Geoparque Costões e Lagunas do RJ: onde queremos chegar?
KÁTIA LEITE MANSUR; Cicera Neysi de Almeida; Vitor Manoel Rodrigues do Nascimento; Felipe Abrahão Monteiro; Raphaela de Negri; Elaine Neri; Marcus Felipe Emerick Soares Cambra
A abordagem de gestão exigida para os UNESCO Global Geoparks deve envolver a comunidade residente, considerando a promoção da educação, visibilidade (geoturismo), cultura, comunidades tradicionais, desenvolvimento local e geoconservação de sítios geológicos e geomorfológicos de alta relevância, entre outros. Com base nessa conceituação, vêm sendo pensados e desenvolvidos programas e ações educativos para alicerçar a futura candidatura do projeto Geoparque Costões e Lagunas do RJ (GpCL-RJ) como membro integrante do seleto grupo dos geoparques da UNESCO. Todas elas baseiam-se na necessidade de atividades práticas de campo. Considera-se que uma das formas mais eficientes e eficazes para se promover a aprendizagem dos conceitos envolvidos nas Geociências é a realização de atividades práticas de campo (Compiani & Carneiro, 1993; Bonito & Souza; 1997; Catana, 2009; Nascimento et al., 2019). Neste contexto estão em andamento quatro ações para popularização das Geociências e reconhecimento público sobre o valor de geossítios do GpCL-RJ. A primeira foi denominada GeoDia e se configura como caminhadas guiadas, cujo chamamento para participação pública se dá pelas redes sociais e parcerias locais. A segunda é a confecção de paineis interpretativos para utilização como suporte de programa de turismo étnico e ambiental em comunidades tradicionais e unidades de conservação. A terceira, voltada para o público escolar e turistas, compreende a criação de uma série denominada “Geossítios”, que tem por objetivo a confecção de livretos para divulgação de sítios geológicos. A quarta é o programa de capacitação de professores do Ensino Básico em Geologia Geral, desenvolvido por Almeida et al. (2016) e modificado para o território do GCL-RJ por Nascimento et al. (2019). Todos os materiais produzidos estão disponíveis para download em www.geoparquecostoeselagunas.com. Já foram realizadas três edições do GeoDia em quatro municípios entre abril e junho de 2019 e pretende-se que essas sejam atividades mensais. A comunicação ao público se dá pelas redes sociais e por parcerias como, por exemplo, estação de rádio, organizações governamentais ou da sociedade civil ou qualquer pessoa interessada. São confeccionadas pranchas em formato A3 com imagens ou mapas para dar suporte às colocações teóricas. Professores e alunos de universidades (UERJ, UFF e UFRJ) participam das equipes de apoio que são dimensionadas segundo lista de participantes aberta na intenet. A primeira edição foi comemorativa ao Dia da Terra, daí o nome GeoDia, e ocorreu em Cabo Frio (campo de dunas do Peró) e Armação dos Búzios (Mangue de Pedra). Participaram da atividade cerca de 200 pessoas, num sábado durante manhã e tarde. O público predominante foi de estudantes e professores da rede municipal, moradores e ambientalistas, profissionais de órgãos públicos e políticos. A segunda foi realizada na RPPN (Reserva Parfticular do Patrimônio Natural) Fazenda Bom Retiro, em Casimiro de Abreu, numa segunda-feira, com a participação de 75 pessoas, com destaque para estudantes e professores da vila de Aldeia Velha. A terceira ocorreu na Praia de Jaconé (Maricá), também numa segunda-feira, com a participação de 85 pessoas, especialmente estudantes do ensino médio e seus professores, além de ambientalistas. A próxima atividade será em Saquarema, possivelmente num sábado. A confecção de painéis interpretativos sobre Geociências para utilização em projetos de turismo étnico por comunidades tradicionais e ecoturismo em Unidades de Conservação estão entre as atividades de destaque. A metodologia de elaboração está descrita em Mansur (2019), onde é destacado o papel dos alunos de extensão da UFRJ no processo. Foram elaborados três painéis para áreas de importância cultural nos Quilombos da Baía Formosa (Armação dos Búzios) e Fazenda Machadinha (Quissamã). Foi também executado um painel sobre um gossítio fluvial na RPPN Fazenda Bom Retiro, inaugurado durante evento do GeoDia. Ainda, dois painéis novos do Projeto Caminhos de Darwin foram implantados em Maricá e outros estão em andamento, inclusive a manutenção e remodelação de painéis do Projeto Caminhos Geológicos. A série “Geossítios” foi iniciada com a publicação de dois números, sobre o Mangue de Pedra e a Lagoa Salgada (Campos dos Goytacazes e São João da Barra). Eles foram elaborados a partir de trabalhos de extensão com alunos da UFRJ (Mansur, 2019). Foram confeccionados livretos com 16 páginas, em português e inglês e distribuídos para os municípios. Eles são verdadeiros guias de campo para visitação aos geossítios.Três outros estão em andamento para publicação ainda em 2019. Os cursos para professores do Ensino Básico vêm sendo aplicados no território do GpCL-RJ. São cursos teórico-práticos, ancorados nos Parâmetros Curriculares Nacionais; oficinas realizadas a partir de materiais de baixo custo e fácil aquisição (Almeida et al., 2016); atividades de campo para aplicação do conteúdo teórico; e projetos pedagógicos elaborados pelos professores. Entendemos que ampliar o conhecimento da população residente e visitantes sobre um dado território seja a melhor maneira de alcançar os pressupostos que culminam na nominação de um UNESCO Global Geopark. A partir dessas premissas, a equipe que trabalha em prol do GpCL-RJ vem desenvolvendo ações para popularização das Geociências, no fortalecimento do turismo e das comunidades tradicionais e Unidades de Conservação e no apoio à educação formal. Agradecimentos: Agradecemos a todos os alunos (bolsistas, voluntários e extensionistas), professores, pesquisadores, entidades e apoiadores que trabalham para a consolidação do GpCL-RJ, cujos nomes não foi possível inserir na autoria porque são muitos. Referências Almeida, C.N. de.; Araújo, C. de, Mello, E.F. 2015. Geologia nas Escolas de Ensino Básico: a experiência do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Terræ Didatica, 11 (3):150- 161. Bonito, J.; Sousa, M. 1997. Actividades Práticas de Campo em Geociências: Uma Proposta Alternativa. Departamento de Metodologia da Educação da Universidade do Minho. http://hdl.handle.net/10174/8355 Catana, M.M. 2009. Os Programas Educativos do Geopark Naturtejo: ensinar e aprender geociências em rotas, geomonumentos, Museus e na Escola. In: Neto de Carvalho, C. e Rodrigues, J. C. (Eds.), Geoturismo & Desenvolvimento Local, Idanha-a-Nova, 291-307. Compiani M.; Carneiro C. 1993. Os papéis didáticos das excursões geológicas – Investigaciones y experiências educativas. Enseñanza de las Ciências de la Tierra, (1.2), 90-98. Mansur, K.L. 2019. Ensino, Pesquisa e Extensão a Serviço da Geoconservação: Aplicação no Currículo do Curso de Geologia da UFRJ. Revista Terræ Didatica. Volume 15. Aceito para publicação. Nascimento. V.M.R. do; Almeida, C.N. de; Mansur, K.L.; Rosa, D.A.R.; Souza, M.M. de; Cambra, M.F.E.S. 2019. Importância da Contextualização de Conhecimentos e da Transposição Didática para a Educação Geológica: Experiências em Cursos de Formação Continuada de Professores no Território do Geoparque Costões e Lagunas do Estado do Rio de Janeiro – RJ. Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ, 42(1): 603-617.
Palavras-chave: Geoeducação,Atividades práticas de campo,Divulgação das Geociências
Oral
Abrir o trabalhoProjeto Geoparque Prudentópolis - Terra das Cachoeiras Gigantes
GIL FRANCISCO PIEKARZ; CARLOS ALEXANDRE ROGOSKI; ANTONIO LICCARDO; GILSON BURIGO GUIMARÃES
Projeto Geoparque Prudentópolis – Terra das Cachoeiras Gigantes Gil Francisco Piekarz1, Carlos Alexandre Rogoski2, Antonio Liccardo2, Gilson Burigo Guimarães2 1Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná (ITCG), gil.piekarz@gmail.com; 2Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR (UEPG), carlos-alexandre941@hotmail.com, aliccardo@uepg.br e gilsonburigo@gmail.com Palavras-chave: Geoparque, Prudentópolis, Geoturismo Prudentópolis é um município do Paraná situado na região centro-sul do estado, aproximadamente 200 km a oeste da capital Curitiba, com 2.247 km², 51.961 habitantes (IBGE, 2018) e IDHM 0,676 (IPARDES, 2019; ano-base 2010, 312º no estado, num total de 399), que conta com um conjunto cultural de destaque, inúmeras belezas naturais e um patrimônio geológico consistente. A construção de um projeto de geoparque no município está sendo avaliada como alternativa adicional de desenvolvimento, baseada na peculiaridade de sua geodiversidade, riqueza dos aspectos socioculturais e sua comprovada vocação turística. Este território encontra-se sobre rochas paleozoicas e mesozoicas da Bacia Sedimentar do Paraná, originadas em uma etapa crucial da história da Terra, desde o auge da existência do Pangea aos momentos imediatamente anteriores à abertura do Oceano Atlântico Sul. Incluem rochas da fase final da Supersequência Gondwana I (MILANI et al., 2007), caracterizada pelas últimas incursões marinhas (planícies de maré, lagunas com estromatólitos etc.) e pelo estabelecimento definitivo de ambientes continentais fluviais a desérticos do fim do Permiano ao início do Triássico (formações Teresina, Rio do Rasto e Piramboia), além da Supersequência Gondwana III, com os depósitos do megadeserto Botucatu e as rochas vulcânicas (Grupo Serra Geral) e intrusivas de uma das maiores províncias ígneas do planeta, a ‘LIP’ (Large Igneous Province) Paraná-Etendeka, do final do Jurássico e início do Cretáceo. Sobre estes terrenos desenvolveram-se feições geomorfológicas espetaculares, com destaque para grandes quedas d´água de elevado valor geodidático (MOCHIUTTI e KURAZ, 2017), entre elas o Salto São Francisco, o mais alto do sul do Brasil com 196 metros. Outras quedas d´água similares estão presentes, como o Salto São João (84 m) e Salto Barão do Rio Branco (64 m), condicionados por soleiras de diabásio encaixadas nas rochas sedimentares. Soma-se a estas paisagens uma estrutura de relevo notável, que delimita todo o oeste do município: a Escarpa da Serra da Esperança, que também se prolonga por praticamente todo o estado do Paraná e se constitui no limite natural entre o Segundo e o Terceiro planaltos paranaenses. Integra esta geodiversidade um conteúdo paleontológico em que se destacam lenhos fósseis, como no Geossítio Pinheiros de Pedra, que apresenta troncos silicificados praticamente intactos com mais de 10 metros, encaixados em folhelhos da Formação Teresina. Outros atributos, como águas minerais sulfurosas e sítios arqueológicos também contribuem para o enriquecimento do patrimônio cultural deste território. Os patrimônios geológico, paleontológico e geomorfológico, somados à existência de um contexto cultural especial, próprio da comunidade local, compõem um conjunto singular para a proposição de um projeto de geoparque nos domínios deste município. Prudentópolis foi ocupada por imigrantes europeus ao longo do século XX, principalmente ucranianos que imprimiram sua cultura no patrimônio material e imaterial do município. Arquitetura característica em igrejas católicas ortodoxas ucranianas (ritual bizantino), festas e gastronomia típicas, folclore, artesanato, constituem um forte componente cultural que tem sido oferecido no desenvolvimento do turismo local. Destaca-se, também, o sistema de “faxinais”, que é um modelo socioeconômico alternativo ainda presente no Paraná que se encontra em vias de extinção, cuja principal característica é o uso comum de terras para criação de animais por várias famílias, com a manutenção das áreas florestais. Existem vários empreendimentos sustentáveis de valorização e uso da geodiversidade, como o Ninho do Corvo, Salto Sete, Recanto Perehouski, Recanto Rickli e outros em fase de implantação. Estas iniciativas, estimuladas por políticas públicas municipais, adotam práticas que as aproximam do geoturismo. A valorização do patrimônio gradativamente se insere nos modelos de gestão do município e do estado, seja com a criação de áreas protegidas (por ex., o Monumento Natural Estadual do Salto São João, em 2010) e o reconhecimento dos faxinais como áreas especiais de uso regulamentado (Decreto Estadual 3.446/1997). Medidas de proteção, não oficiais, levadas a efeito pela comunidade do Faxinal do Taboãozinho com o Geossítio Pinheiros de Pedra comprovam o respeito da comunidade pelos seus bens de valor e o desejo de sua preservação para as gerações futuras. Tais medidas foram fundamentais para o processo de tombamento deste geossítio (2019, estadual), com a concordância da comunidade e da prefeitura para preservar o local e torna-lo um atrativo turístico/cultural. Por sua vez, a atual gestão municipal, bem como as anteriores, tem estimulado políticas públicas para o turismo cultural, natural e de aventura na região. Estradas de acesso e infraestrutura aos bens de valor, disseminados em seu território, apoio a investimentos turísticos ligados aos valores locais e a realização de festas tradicionais, indicam os interesses da sociedade na preservação e valorização dos atributos do município. Existem, portanto, os atributos necessários para respaldar um projeto de geoparque, cuja proposta poderia ser apresentada em médio prazo, o que contribuiria para a sustentabilidade ao município e valorizaria fortemente a cultura local e um patrimônio geológico de nível nacional e internacional. Fig. 1 – Imagem acima à esquerda - igreja cristã ortodoxa de São Miguel, em área rural; Imagem inferior à esquerda - lenhos fósseis inseridos em rochas sedimentares da Formação Teresina; Imagem à direita - cachoeira e cânion do rio São João. Referências IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e estatística. Cidades. 2018. IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Caderno Estatístico Município de Prudentópolis. 2019. MILANI, Edison José et al. Bacias sedimentares brasileiras: cartas estratigráficas. Anexo ao Boletim de Geociências da Petrobrás, v. 15, n. 1, p. 183-205, 2007. MOCHIUTTI, Nair Fernanda Burigo; KURAZ, Vanessa Regina. O valor didático das cachoeiras de Prudentópolis (PR). Raega-O Espaço Geográfico em Análise, v. 40, p. 79-93, 2017.
Palavras-chave: Geoturismo ,Educação Ambiental,Geoconservação
Oral
Abrir o trabalhoProjeto Geoparque Serra do Sincorá: Estratégias de Implantação
RENATO PIMENTA DE AZEVEDO; Natália Augusta Rothmann Eschiletti; Ricardo Galeno Fraga de Araujo Pereira; Emilio Carlos Ribeiro Tapioca; Euvaldo Ribeiro Junior; Liliam Margarida de Andrade Santos; Sirlene Rosa de Souza
A implantação de um Geoparque que pretenda integrar a Rede Global da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), aderindo e respeitando os critérios da Agenda UNESCO 2030, é um empreendimento complexo e exige uma abordagem amparada por técnicas de gestão similares àquelas utilizadas em projetos de grande porte. A Associação Geoparque Serra do Sincorá - AGS, uma organização do terceiro setor, que foi criada para encarregar-se da implantação desse projeto, congregando profissionais de diferentes áreas de atuação, utiliza técnicas de administração de eficácia comprovada na área empresarial e corporativa. No contexto da Agenda 2030, a implantação bem-sucedida de um geoparque contribui diretamente na consecução de, pelo menos, 10 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) promovidos pela UNESCO, dentre os quais, destacam-se os seguintes ODS: 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades; 4. Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis; 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis e, sobretudo, 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. No universo dos 147 geoparques, que hoje integram a Rede Global da UNESCO, muitos são os caminhos que levaram à implantação de cada um desses projetos. O modelo de investimentos e gestão do setor público é, notoriamente, o modelo mais aplicado nas diferentes experiências pelo mundo. A AGS, entretanto, como uma organização da Sociedade Civil, do direito privado, sem fins lucrativos ou objetivos econômicos, decidiu adotar um modelo de parcerias público-privadas para a consecução de seus objetivos, sob gestão do terceiro setor. Dessa forma, procura-se mitigar os riscos inerentes à instabilidade política de um modelo excessivamente dependente do Poder Público e aos ímpetos excessivamente liberais do modelo privado. O Projeto Geoparque Serra do Sincorá, localizado na porção central do estado da Bahia, abrangendo os municípios de Andaraí, Lençóis, Mucugê e Palmeiras, procura abordar, de maneira holística, um patrimônio natural e cultural rico e diverso, que reúne manifestações culturais e históricas, próprias de um território com tradição garimpeira, além de elementos importantes da biogeodiversidade, manifestados, essencialmente, em afloramentos de rochas sedimentares com mais de 1 bilhão de anos, que testemunham passagens importantes da história da Terra, além de relevos monumentais, com morros, cachoeiras e grutas que atraem a atenção de turistas de diferentes lugares do mundo. Os sítios geológicos ali presentes, fazem do território um destino importante do turismo de natureza no Brasil. A complexidade do projeto exigiu, como primeiro ato da associação, a elaboração de um exercício de planejamento estratégico no horizonte de quatro anos de implantação, a um custo total estimado em R$ 4,5 milhões. Este exercício forneceu um caminho composto por 10 objetivos estratégicos e 34 ações, organizadas em 6 temas, cobrindo os 3 principais pilares do conceito de Geoparque: Geoconservação, Geoeducação e Geoturismo; além do Capital Humano, Articulação e Captação de Recursos. Na figura apresenta-se um fluxograma com o mapa estratégico de ações estabelecidas para a implementação do Geoparque Serra do Sincorá.
Palavras-chave: geoparque,planejamento,Chapada Diamantina,Associação Geoparque Serra do Sincorá
Oral
Abrir o trabalhoOral
Abrir o trabalhoGeoturismo no Rio de Janeiro: inovação para o mercado de turismo na cidade com a Rio Geoutour
RENAN GOMES PAIVA DA SILVA; Dandara Santos Rodrigues
O Rio de Janeiro é a cidade mais visitada do Brasil e de destaque a nível mundial em termos de atrativos naturais em perímetro urbano. Um dos grandes impulsionadores de sua economia é o mercado turístico, relação estabelecida graças as belezas naturais e ao contexto histórico e cultural de grande relevância para o país. Essas belezas naturais juntamente à intervenção do homem na construção da cidade fizeram do Rio a primeira cidade a receber o título de Patrimônio da Humanidade, chancelado pela UNESCO, como Paisagem Cultural. Nesse sentido, a agência carioca Rio Geotour, propõe uma abordagem turística diferente da já ofertada no mercado. Com o nascimento em 2017, a empresa é composta por profissionais encantados pela Geologia, belezas naturais e peculiaridades da Cidade Maravilhosa, que entendem que a compreensão da natureza se dá a partir da experiência de contato com esse patrimônio. Tem-se como princípio norteador das ações desenvolvidas a divulgação das Geociências e da cultura geológica para a sociedade a partir do Geoturismo. Esse conceito tem a primeira aparição na literatura com Hose (1995) e cresce em países ao redor do mundo, principalmente na Europa. No Brasil, as pesquisas acerca do Geoturismo aumentaram e cada vez mais roteiros geoturísticos têm sido desenvolvidos (Liccardo et al, 2008; Pereira, 2010; Silva, 2017; Semêdo, 2017). Assim, a inserção do Geoturismo no mercado turístico torna-se iminente. A Rio Geotour, aqui, se apresenta como a primeira empresa de geoturismo na cidade do Rio que entende essa abordagem como inovadora no mercado e com muito potencial a ser explorado e descoberto. Este trabalho visa apresentar a proposta da empresa e seus avanços no mercado de turismo no Rio de Janeiro. A agência Rio Geotour foi regularizada como empresa e vinculada ao Ministério do Turismo em 2018. O foco de trabalho realizado até então foi de pesquisa, escolha e formulação de roteiros, realizado com a ajuda de um grupo de apoiadores, em sua maioria pesquisadores da UFRJ, que acreditam na proposta e seu potencial transformador. Os trabalhos de guiamento vêm aparecendo aos poucos, conforme a sociedade vai tomando conhecimento da proposta. A geóloga e guia de turismo Dandara Rodrigues é responsável por organizar as atividades e conduzir os passeios guiados. O mestrando em Geologia, Renan Gomes, compõe também o time de pesquisa responsável pelo pontapé inicial da empresa e, atualmente, auxilia nos roteiros urbanos. A empresa atua em duas frentes: guiamento e ações sociais. No guiamento são oferecidos aos clientes roteiros geoturísticos pela cidade do Rio de Janeiro. Os roteiros e destinos oferecidos consistem principalmente em trilhas interpretativas em monumentos naturais e parques como Morro da Urca e Pão de Açúcar, Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Parque da Catacumba, Praias (Copacabana, Ipanema, Recreio), além dos roteiros de geoturismo urbano no Centro Histórico, que incluem monumentos histórico-culturais e museus. Estes monumentos apresentam em suas construções uma grande diversidade de rochas e/ou tem as geociências como temática, como CCBB, Igreja da Candelária, Museu da Geodiversidade, Museu de Ciências da Terra. Outro roteiro de grande relevância para a empresa é o do Parque Nacional Serra dos Órgãos, que apesar de não ser no município do Rio tem grande apelo por parte dos clientes que procuram a empresa além de consistir num monumento de importância geológica. As ações sociais são frentes não mercadológicas de atuação da empresa, sendo provenientes da ideologia que rege os princípios da empresa, onde o conhecimento deve ser acessível a todos, ampliando a percepção do cidadão sobre seu entorno e sua própria autonomia. Essas ações abarcam aulas sobre geologia em escolas públicas, trilhas interpretativas e pedagógicas com esses alunos e participação em eventos e palestras na missão de divulgar geociências e geoturismo. A veracidade das informações contidas nos georroteiros é fundamental. Logo, são feitas constantemente pesquisas bibliográficas, para manter informações sempre atualizadas e descobertas sobre novos lugares a serem trabalhados. Quanto à divulgação da empresa e dos roteiros ofertados, as redes sociais, têm se mostrado promissoras em termos de alcance. Contudo, os números alcançados nas redes em boa parte não são diretamente revertidos em clientes. Outra forma de autopromoção são os roteiros de contribuição livre, onde são feitos curtos guiamentos (no máximo 1h de percurso) sem valor pré-estabelecido ou mesmo compra prévia de pacote. No intuito de estabelecer primeiro contato do público com a empresa, para que conheça e se aproxime dos serviços ofertados. Parcerias já foram estabelecidas nesse momento de crescimento da empresa. Pode-se citar a parceria com a Gestto Cultural, empresa com mais de 10 anos de mercado de turismo histórico e artístico da cidade. Outra bastante promissora é a parceria com o Coletivo Caracol, associação de profissionais que atuam nas causas ambientais e visa promover a saúde, cultura e meio ambiente com foco na biodiversidade. Almeja-se ampliar a rede de parcerias para elaboração de novos projetos e roteiros, como o Parque Estadual da Pedra Branca (RJ) e o Geoparque Costões e Lagunas (RJ), que são vínculos de grande importância para a consolidação e crescimento da empresa, uma vez que ampliam a atuação da empresa para outras áreas do estado do Rio de Janeiro e aproximação com órgãos públicos. Referências HOSE, HOSE, T.A. Selling the story of Britain’s stone. Environmental Interretation. Londres. 1995, vol.10, n.2, p. 16-17. LICCARDO, A.; PIEKARZ, G.; SALAMUNI, E. MINEROPAR. Minerais do Paraná. Geoturismo em Curitiba. Curitiba, 2008. PEREIRA, E. S. Geodiversidade do Parque Estadual da Pedra Branca-RJ: Subsídios para o planejamento geoturístico. 2010. Tese de Doutorado. Dissertação de mestrado. Instituto de Geociências. Universidade Federal do Rio de Janeiro. SEMÊDO, P. A. Roteiro Geoturístico no Litoral do Rio de Janeiro: do Leme ao Pontal. Trabalho de Conclusão de Curso (Geologia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2017, 133p. SILVA, R.G.P. Roteiro Geoturístico e Geoeducativo pelo Centro Histórico do Rio de Janeiro: um olhar geológico pela cidade. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Matemáticas da Terra). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2017, 108p.
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Abrir o trabalhoImplementação do roteiro geoturístico das praias da Ferrugem e da Barra, município de Garopaba, litoral centro-sul de Santa Catarina.
ANDERSON RUSSI; Daniel Galvão Veronez Parizoto; Maick Claudino Oliveira
O presente trabalho faz uma análise detalhada de cinco pontos de interesse geológico-geomorfológico com significativo potencial cientifico, cultural e educativo, nas praias da Ferrugem e da Barra, no município de Garopaba. Essa área de estudo está localizada no litoral centro-sul de Santa Catarina, entre as latitudes 28° 4'25.57"S e 28° 5'25.65"S.Geologicamente, dentre as unidades litoestratigráficas que compõe o Batólito de Florianópolis, a área de estudo está inserida na Suíte Intrusiva Paulo Lopes que é formada por Granitoides Sin a Tardi-transcorrentes de idade neoproterozóica das fácies Paulo Lopes e Garopaba. Na região também ocorrem intrusões de diques básicos (Diabásio) associados ao Enxame de Diques Florianópolis de idade eocretácica. Os diques têm orientação principal NNE e espessuras que variam de alguns centímetros até mais de 100 metros. Localmente é observado que os diques dispõem de bordas com granulação mais fina na borda e média a grossa no centro (tendência gabróide). Trabalhos como este buscam a conscientização da necessidade da preservação da geodiversidade, a qual deve receber a mesma importância de proteção já destinada à biodiversidade, pois, além da geodiversidade dar o suporte a vida, ela registra parte da história da Terra, sendo uma importante ferramenta para conhecermos a dinâmica de seus processos. A organização de roteiros geológicos para essa área implicou na exploração dos conteúdos científicos já disponíveis, na análise da relevância dos geossítios (para sua exploração como conteúdo acadêmico) na sistematização de níveis de conhecimento (para aplicação em diferentes níveis escolares), na divulgação nas associações de guias e na produção de material didático-explicativo para visitantes em geral.Foram caracterizados os seguintes geossítios: – Diques de diabásio que cortam os granitóides da Suíte Intrusiva Paulo Lopes: Neles há várias famílias de fraturas para a prática de utilização de bússola geológica, assim como o ensino das relações de corte da estratigrafia e trabalhos de mapeamentos; – Oficinas Líticas nos diques de diabásio: apresenta grande valor cultural, relacionado as atividades pré-coloniais de polimento de ferramentas líticas. Dessas atividades, ficaram registradas feições, como os Amoladores (sulcos) e as Bacias (depressões circulares); – Depósitos do tipo Sambaqui: São relacionados a rituais funerários ou a materiais construtivos. Estudos recentes descartam esses depósitos como sendo fruto apenas da alimentação dos povos pré-históricos; – Processo geológico-sedimentológico de erosão costeira:a Praia da Barra apresenta em toda sua extensão problemas relacionados a erosão costeira das dunas fixas, que foram indevidamente ocupadas com casas que estão susceptíveis ao avanço da linha de costa relacionado ao balanço sedimentar negativo atuante no local; – Processo geológico-sedimentológico da formação do canal da Barra: Na área de atuação da foz do canal há um tombolo que liga uma pequena porção de terra chamada de Ponta do Cemitério dos Índios - PCI. O georroteiro produzido está sendo testado com grupos acadêmicos de ensino superior e básico, que respondem questionários que serão quantificados e analisados, onde os resultados formarão uma tabela que validará ou não a importância e eficiência do roteiro proposto.
Oral
Abrir o trabalhoImportância do Geoturismo no Parque da Pedra Furada, Venturosa – PE
LILIAN RENATA TEIXEIRA DA SILVA; Thomáz Augusto Sobral Pinho; Tamara Trajano da Rocha; Victor Leonardo Silva; Bárbara Gabrielly Silva Barbosa
O geoturismo foi iniciado no Parque da Pedra Furada, localizado no município de Venturosa, região Agreste do Estado de Pernambuco, como uma das ferramentas da geoconservação, visando a necessidade de conservar a área de relevante valor geológico, geomorfológico e arqueológico. A área foi considerada como Geossítio e está vinculada ao inventário de Geossítios do Brasil realizado pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos - SIGEP. É constituída por um arco granítico, detalhe que já a torna singular, pois a maioria das feições geomorfológicas conhecidas como pedras furadas encontram-se onde há o predomínio de litologia sedimentar, a Pedra Furada apresenta uma beleza exuberante e importantes registros arqueológicos essenciais para o estudo da humanidade do passado. Tendo como um dos eixos a preocupação com o fornecimento de cultura cientifica, o geooturismo permite que o visitante/turista consiga interpretar o ambiente em relação aos processos que o modelaram não olhando apenas para o elemento estático da paisagem e sim conhecendo quais os processos que resultaram na feição geomorfológica avistada, para tal é necessário o acompanhamento de um guia que possa explicar de maneira clara e com uma linguagem de fácil entendimento a todos os públicos, pois infelizmente o acesso ao conhecimento referente ás geociências ainda é muito normatizado em livros e documentos quando deveria ser expandido principalmente para a experiência do visitante no local visitado, aprendendo de maneira simples, objetiva e vendo na prática. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo principal identificar a importância da exploração geoturística do Geossítio Parque da Pedra Furada para o desenvolvimento do conhecimento local, pois acredita-se que a população quando munida de conhecimento adquirido com a implantação do Parque passa então a entender, defender e preservar o “seu” patrimônio natural que está presente em seu cotidiano, garantindo a valorização de sua geodiversidade e a sua geoconservação para que as gerações futuras também possam desfrutar. Além de que existe a expansão e desenvolvimento econômico da região resultando no surgimento de novas formas de trabalho, capacitações e na visibilidade do município de Venturosa. Os resultados obtidos foram fruto de pesquisas bibliográficas em artigos que foram primordiais para o entendimento do tema principal juntamente com dados obtidos in loco no mês de Outubro de 2017 a partir de uma aula de campo ofertada pela Universidade Federal de Pernambuco.
Palavras-chave: Parque da Pedra Furada,Geoturismo,Educação,Conservação
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Abrir o trabalhoO potencial geoturístico do município de Torres na proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul (RS/ SC)
ALINE VICENTE KUNST; Nina Simone Vilaverde Moura
O turismo de Sol e praia é muito valorizado no litoral do Brasil e sendo Torres um município localizado ao norte da Planície Costeira do Rio Grande do Sul, confirma-se essa tendência. A presença de belos cenários, que vão desde afloramentos sedimentares recobertos de rochas vulcânicas no formato de imponentes torres até espetaculares dunas, torna o município um dos mais procurados no período de veraneio, na porção meridional do país. O município aproveita ainda sua diversidade de paisagens para a realização do festival de balonismo, que ocorre no início do mês de maio e expande o calendário de eventos turísticos da região. Contudo, ainda apresenta certa sazonalidade em sua oferta turística, o que impacta sua economia voltada para os serviços ligados ao turismo e ao lazer. Com a inserção do município no Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul e com a potencialidade do geoturismo, amplia-se a possibilidade de receber mais turistas e gerar emprego e renda, visto que esse não depende das variações sazonais para ser praticado. Com a extensa geodiversidade da região, que vai desde os cânions do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina até o litoral dos dois Estados, a proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul contribui para a exploração do potencial geoturístico de Torres dentro do contexto da geodiversidade da região. Sendo assim, o presente trabalho pretende analisar o potencial geoturístico do município de Torres/ RS a partir da proposta do Geoparque Cânions do Sul. Para a realização dessa pesquisa optou-se pelas seguintes etapas metodológicas: a) revisão bibliográfica a partir de Brilha (2005), visando a apropriação dos conceitos de Geoturismo, Geodiversidade, Geoparque e Geossítio; b) análise da proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, projetada pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/ Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB); c) caracterização do meio físico do município de Torres apoiada na sistematização de informações referentes ao clima, à geologia e à formação geológica; d) trabalho de campo. A busca da preservação das riquezas naturais faz com que estudos evoluam nesse sentido, portanto é necessária clareza acerca dos conceitos a serem utilizados. Os conceitos apresentados a seguir são fundamentais para essa pesquisa: iniciou-se pelo geoturismo que utiliza as características naturais como um atrativo turístico e essas estão mais relacionadas a feições geológicas e geomorfológicas da área. O geoturismo pode acontecer em locais onde outros segmentos do turismo já são desenvolvidos, pois segundo Brilha (2005), por não estar condicionado às estações do ano para acontecer, apresenta vantagens visto que não depende dos hábitos de fauna ou flora, por exemplo. O objetivo do geoturismo vai além da contemplação da paisagem, ele busca a conscientização para a preservação da Geodiversidade, aliado à educação ambiental e ao desenvolvimento local de forma sustentável; A Geodiversidade é um conceito ainda pouco utilizado na Geografia, pois além de recente, trata dos elementos abióticos, da variedade de ambientes geológicos e de seus processos de formação e de transformação. Talvez, a pouca utilização do conceito pelos geógrafos deva-se a falta de integração deste com as variáveis antrópicas, variáveis tão caras aos estudos geográficos. Entende-se como papel do geoparque não apenas a geoconservação, mas sim essa atrelada à participação da população local no processo de implementação e de manutenção do geoparque, de forma a gerar desenvolvimento local. O geoparque não exclui as diversas formas de uso e ocupação do solo e é menos restritivo que as unidades de conservação. Como parte integrante dos geoparques têm-se os geossítios, definidos pela “ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade (aflorantes quer por resultado da ação de processos naturais, quer devido à intervenção do homem), bem delimitado geograficamente e que apresenta valor singular do ponto de vista científico, educativo, cultural, turístico ou outro” (BRILHA, 2005). A área de estudo conta com apenas um geossítio: o Parque da Guarita (Figura 1). Recebe esse nome em razão do principal geomonumento da área possuir a forma de uma torre, com aproximadamente 30 metros de altitude, lembrando uma guarnição. Os afloramentos apresentam associação de rochas sedimentares e vulcânicas na forma de morros testemunhos escarpados na linha de praia com origem no Juro-Cretáceo (Formação Botucatu) e Cretáceo Inferior (Formação Serra Geral). As feições geológicas, decorrentes do recobrimento dos sedimentos pelo material vulcânico, despertam o interesse e a curiosidade dos visitantes do parque. É possível fazer trilhas ecológicas e tomar banho de mar no parque. Ele conta com uma boa infraestrutura de atendimento ao turista, que inclui: portaria, estacionamento, banheiros, restaurante, além de placas e painéis informativos. Em 2003, como homenagem ao seu idealizador e importante ambientalista gaúcho, o parque teve o seu nome alterado para Parque Estadual José Lutzenberger – Parque da Guarita, sendo este o principal atrativo turístico do município de Torres. A área do Geoparque Cânions do Sul abrange mais dezoito municípios, além de Torres, numa extensão aproximada de 5.570 km². Além da diversidade geológica, o clima também apresenta diferenciações, sendo classificado como subtropical, no litoral com invernos frios e verões quentes. Já nas regiões de altitudes mais elevadas (os chamados Aparados da Serra), os invernos são frios com a presença de geada e os verões são amenos. A exploração da geodiversidade pode impulsionar fortemente o geoturismo na região. A partir do entendimento das características do Geossítio Parque da Guarita e do entorno verifica-se que o geoturismo apresenta grande potencial de ampliação de suas atividades, tanto em Torres como nos demais municípios que integram a proposta do Geoparque. Conclui-se que é necessária uma maior integração de Torres com os demais municípios inseridos na proposta do Geoparque Cânions do Sul. Assim, poderão trabalhar de forma conjunta na divulgação do geoparque, na promoção da educação ambiental, na construção de infraestruturas de acesso, de hospedagem e de atendimento ao turista. De tal forma será possível ampliar a conscientização para a preservação e o desenvolvimento local através do geoturismo.
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Abrir o trabalhoPROJETO DE CLASSIFICAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE GEOPRODUTOS NO TERRITÓRIO ARARIPE GEOPARQUE MUNDIAL DA UNESCO
IALLISON ARAUJO DE OLIVEIRA; MARIA RENATA DA SILVA GONÇALVES; FRANCISCA JEANNE SIDRIM DE FIGUEIREDO MENDONÇA
INTRODUÇÃO Geoprodutos é o nome atribuído aos bens cujas características físicas principais fazem referência a uma determinada região, utilizando símbolos territoriais para representar a cultura, o patrimônio, a flora ou a fauna, ajudando a promover o conhecimento dos aspectos e das diversidades em sua identidade local (DEGRANDI; ZIEMANN; CECHIN; FIGUEIRÓ, 2018). Nesse contexto, o Araripe Geoparque Mundial da UNESCO tem se mobilizado para a difusão dos geoprodutos identificados em seu território a partir do incentivo junto às comunidades na criação e desenvolvimento de produtos que possam despertar a curiosidade e atenção dos turistas. O Geopark Araripe é o único geoparque da América Latina e, portanto, fica responsável por desempenhar um importante papel de desenvolvimento regional, buscando estimular projetos que também visam o envolvimento e as articulações com empresas privadas, órgãos públicos, instituições não governamentais e sociedade (GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ, 2012). É por conta do envolvimento com as comunidades que os geoprodutos passam a ser uma das atividades elaboradas pelo Geopark, pois transparecem a identidade do local, valorizando seu ambiente, sua cultura e seu povo, transformando-se em uma forma de alcance territorial sustentável (CORREIA, 2013). Portanto, o presente estudo visa apresentar a proposta de certificação de geoprodutos que atribuem uma característica de representatividade territorial do Geopark Araripe, validando-os em parâmetros estabelecidos e analisados em aspectos sobre qualidade, sustentabilidade e identidade cultural. MATERIAIS E MÉTODOS A primeira ação foi um conjunto de eventos e reuniões com artesões e associações comunitárias que atuam no território e que produzem produtos que podem ser classificados como Geoprodutos que remetam à região. Estes grupos também desejavam fazer parte do projeto do Geopark Araripe, reafirmando o compromisso, seriedade e parceria. As programações foram organizadas pelo setor de Desenvolvimento Territorial Sustentável e Geoturismo em parceria com o setor da Cultura do Geopark Araripe e ocorreram nos meses de maio e outubro de 2018, com a participação de artesões, representantes de instituições parceiras e demais interessados. A segunda ação foi voltada para a aplicação de questionário visando o entendimento e aprofundamento dos tipos e características que classificam e podem vir a ser parâmetros para a certificação dos geoprodutos produzidos no território. O instrumento de pesquisa foi dividido em três eixos: qualidade, sustentabilidade e identidade cultural. Cada grupo baseou-se em parâmetros previamente definidos nos eventos realizados que trouxeram um direcionamento para a avaliação dos produtos criados e produzidos no território, viabilizando a sua certificação como Geoprodutos do Araripe Geoparque Mundial da UNESCO. Ressalta-se que a elaboração do projeto de certificação teve como passo inicial a definição de geoproduto para o território Geopark Araripe: produtos produzidos que representem a identidade cultural da região pelos materiais, cores, personalidades culturais, históricas ou símbolos territoriais da flora ou da fauna. RESULTADOS O questionário foi separado por eixos para proporcionar a identificação dos aspectos avaliativos definidos pelos parâmetros previamente estabelecidos. No eixo qualidade, ficam definidos como itens para a avaliação: conformidade, confiabilidade, estética, acessibilidade, desempenho, operacionalidades adicionais, durabilidade e segurança. O eixo sustentabilidade analisa os aspectos ambientais, econômicos e sociais. No caso do primeiro, os parâmetros definidos eram baseados no grau de geração de resíduos, compostos químicos e tóxicos, preservação dos recursos naturais, uso de embalagens biodegradáveis, materiais utilizados para extração de matérias-primas e para a confecção dos produtos, transportes utilizados e potencial de descarte, reciclagem e manutenção. No econômico, devem ser considerados a viabilidade econômica à sociedade em respeito à relação custo-benefício e, portanto, voltados para os fatores que influenciam no cálculo dos custos, dos preços de venda, dos investimentos para o processo produtivo e na geração de renda para os envolvidos na produção. No aspecto social, que precisa identificar o impacto que o produto gera para às comunidades circunvizinhas, baseia-se em parâmetros como treinamentos para a produção, condições para saúde e segurança do exercício da produção, ações de educação ambiental na comunidade e incentivos à participação das gerações jovens na produção. Por fim, o eixo identidade cultural identifica os parâmetros visuais, como design, estilos, formatos e adequação ao espaço territorial; matérias-primas pertencentes à região, como flora, fauna, símbolos e personalidades; e aspectos relacionados ao modo de preparação dos produtos, como ser único na região ou copiado, envolvimento de terceiros e turistas, e segurança. De acordo com os questionários, os pesos ficam 4 (quatro) para qualidade; 5 (cinco) para sustentabilidade: sendo peso 3 (três) para ambiental, peso 1 (um) para social e 1 (um) para econômico; e peso 5(cinco) para identidade cultural. CONCLUSÕES Este artigo cumpriu o seu objetivo de mostrar como serão as normas para certificação de Geoprodutos do território do Geopark Araripe que tem muitas potencialidades. O projeto se configura como viável para promoção da territorialidade e identidade cultural, patrimonial e geoturística do Cariri – CE. Esta ação relaciona-se ao 11º objetivo para o desenvolvimento sustentável estipulado pela UNESCO que propõe à promoção de uma cidade ou comunidade mais sustentável para as pessoas, para o próprio ambiente e às futuras gerações. Contudo, ressalta-se que o projeto ainda está em elaboração e, portanto, modificações poderão ser feitas para a melhoria do desenvolvimento do projeto e de sua implantação. Referências CORREIA, Rafaela Rodrigues. O Geoturismo como Estratégia de Desenvolvimento Regional: O Caso do Geopark Araripe/Ceará – Brasil. Dissertação de Mestrado. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2013. DEGRANDI, S.; ZIEMANN, D.; CECHIN, D.; FIGUEIRÓ, A. Geoprodutos: Estratégia para Valorização e Promoção da Geodiversidade. XII Sinageo. 24 a 30 de maio de 2018. GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ. Geopark Araripe: Histórias da Terra, do Meio Ambiente e da Cultura. Secretarias das Cidades. Crato – CE, 2012, 167 p.
Palavras-chave: Certificação,Geoprodutos,Geopark Araripe
Oral
Abrir o trabalhoPROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE PROJETO DE GEOTURISMO/GEOCONSERVAÇÃO EM SÍTIOS DA GEODIVERSIDADE NA BAÍA DE SEPETIBA ATRAVÉS DE PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS (PPP’S)
SORAYA GARDEL CARELLI; AMILCAR PEREIRA DA SILVA JUNIOR; CAIRO PORTELA; ELISABETE DO NASCIMENTO ROCHA; KATIA LEITE MANSUR; RICARDO VAZ LEITE; RAFAEL FERREIRA
O desenvolvimento de projetos voltados à sustentabilidade face às novas exigências ambientais exige que as Universidades se dediquem à elaboração e aprofundamento de pesquisas sobre essa temática, este projeto pretende apresentar contribuições para a solução dos problemas decorrentes de impactos e degradação ambiental na baía de Sepetiba abordando indicadores da Geodiversidade em áreas ambientalmente sensíveis. Além do âmbito acadêmico, pretendemos também agregar apoiadores que exercem atividades econômicas (hotéis, restaurantes, prestadores de serviços, comércio, etc) nos município de Mangaratiba, Itaguaí e Rio de Jnaneiro, a população deste entorno e demais empresas do setor econômico como indústrias sediadas na baía de Sepetiba, através de parcerias público-privadas (PPP’S). As regiões litorâneas são faixas limítrofes entre os continentes (terras emersas) e os oceanos (terras submersas) sob condições de equilíbrio dinâmico. Estas áreas são ocupadas por 2/3 da população da Terra, ou seja, mais de 4,6 bilhões de pessoas vivem ao longo da costa litorânea ou em áreas próximas (Suguio, 2003). As regiões costeiras representam também importantes celeiros de fauna e flora, e possuem registros geológicos que explicam sua evolução ao longo do tempo. Entretanto, apesar de sua importância, as áreas litorâneas brasileiras são carentes de metodologias expositivas que apresentem de uma forma didática essa Geodiversidade à população inserida neste contexto. O desenvolvimento de projetos voltados à sustentabilidade e conscientização das comunidades no entorno da baía de Sepetiba face às novas exigências ambientais, exige que as Universidades se dediquem à elaboração de procedimentos sobre essa temática. Baseado nos conceitos de estratégias de Geoconservação – etapas como: inventário, avaliação quantitativa, conservação, interpretação, interpretação e promoção e, finalmente monitoramento de sítios da Geodiversidade (Brillha, 2016), visando o Geoturismo, o projeto atuará como difusor de tecnologia através da elaboração de roteiros didáticos que apresentem à população a riqueza de elementos geológicos de uma forma clara e objetiva, utilizando e promovendo o envolvimento das comunidades do entorno. Desta forma, através do aumento de percepção sobre a riqueza de detalhes da Geodiversidade que está inserido nesta baía culminará com a necessidade de capacitação profissional e consequente valorização do indivíduo inserido neste cenário, que atuará como agente ativo da Geoconservação dos sítios da Geodiversidade da região. Sabe-se que nas próximas décadas, esta área será sítio de importantes projetos industriais, como siderúrgicas, portos, estaleiros, terminais, base naval, entre os já existentes. A região apresenta, por força de suas características naturais, uma tradição como reduto de pesca e uma inclinação ao turismo, o que tem gerado conflito com as atividades industriais e urbanas, devido às intervenções humanas neste ambiente. A baía de Sepetiba, tem sido objeto de diversos estudos (Roncarati 1978, Borges 1998, Carelli 2008, Roncarati & Carelli 2012,). E nesse sentido, faz-se necessário buscar o conhecimento e a preservação deste ambiente, com o objetivo de entender as modificações decorrentes destas atividades visando conscientizar a população local e externa (visitantes/turistas), que usufruem do local como turismo e balneário. O projeto de implantação de Geoturismo através de estratégias de Geoconservação em sítios da Geodiversidade na baía de Sepetiba visa reunir e consolidar uma proposta de se empreender atividades econômicas sustentáveis com base no conhecimento científico, promovendo a integração com o meio ambiente, através do conceito de turismo informativo sobre a Geodiversidade local. Desta forma, ajudando a manter o acervo natural existente, instruindo e orientando os indivíduos adultos e crianças, com o intuito de semear a consciência de preservação ambiental na sociedade, a fim de mitigar e prevenir novos danos, com vistas à Geoconservação de tão importante patrimônio natural. Sendo assim, em função de sua importância econômica e ambiental anteriormente exposta, aliada ao fato de escassez de capacitação de pessoal oriundo das localidades do entorno no conhecimento específico desta rica Geodiversidade, sejam eles estudantes, professores ou turistas, vimos a necessidade de se implantar no meio acadêmico este projeto, sabendo que muito precisa ser feito para a divulgação técnico científica da região como forma de valorização da mão de obra local e atrair o interesse turístico com o intuito de proteger e preservar a baía de Sepetiba. Desse modo, visamos preencher uma lacuna através da apresentação do estado da arte da Geodiversidade por intermédio de roteiros Geoturísticos em áreas que futuramente poderão ser bastante impactadas por atividades diversas. Aliado a isto, alavancar futuros interesses científicos na região, resguardando a responsabilidade ambiental imposta ao desenvolvimento econômico. Referências - Borges, H.V. Holocene Geological Evolution of Sepetiba Bay and Marambaia Barrier Island, Brazil, 1998. 145p Tese (PhD Thesis) - State University of NewYork, 1998. - Brilha, J. 2016. Inventory and quantitative assesment of geosites and geodiversity sites: a review. Geoheritage.8: 119-134. DOI 10.1007/s12371-014-0139-3. - Carelli, S.G. 2008. Evolução geológica holocênica da planície costeira de Itaguaí litoral sul do RJ: uma abordagem interdisciplinar. Tese de Doutorado. Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 183p. - Roncarati, H., Barrocas, S.L.S. 1978. Projeto Sepetiba: estudo geológico preliminar dos sedimentos recentes superficiais da baía de Sepetiba, Município do Rio de Janeiro, Itaguaí e Mangaratiba, RJ. Rio de Janeiro: CENPES-Petrobras (Relatório Preliminar). 36p. - Roncarati, H. e Carelli, S. G. 2012. Considerações sobre o estado da arte dos processos geológicos cenozoicos atuantes na baía de Sepetiba. In: Rodrigues, M.A.C., Pereira, S.D., Santos, S.B. (eds.). Baía de Sepetiba: estado da arte. Corbão Editora Artes Gráfica Ltda. Rio de Janeiro. p:13-36. - Suguio, K. Tópicos de geociências para o desenvolvimento sustentável: as regiões litorâneas. Geologia USP: Série Didática, São Paulo, v. 2, n. 1, 40 p. 2003.
Palavras-chave: Baía de Sepetiba,Geoturismo,Geodiversidade,Geoconservação
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Abrir o trabalhoProposta de Musealização do Geossítio Pontal da Santa Cruz como ferramenta de apreensão do Patrimônio Geológico
RANIELLE MENEZES DE FIGUEIREDO; Deusana Maria da Costa Machado; Mell Siciliano; Mônica Rebelo Rodriguez; Flávia Cristina Costa Vieira
O Brasil apresenta um rico patrimônio geológico, constituído por uma diversidade de geossítios, que representam uma geodiversidade singular de grande valor simbólico e científico. A promoção e conservação do patrimônio geológico entram no século XXI como um dos maiores desafios. As primeiras iniciativas de preservação deste patrimônio, centraram sua atenção na necessidade de inventariar os sítios geológicos existentes em cada país, buscando promover o reconhecimento e salvaguarda. Dentre as iniciativas de conservação deste patrimônio as iniciativas de musealização do território podem favorecer a construção de uma visão mais integrada e abrangente das questões socioambientais ao propiciar: a inter-relação entre ambiente, geologia e sociedade; a inter-relação de campos de conhecimentos específicos entre geologia, museologia e educação. Sendo assim, este trabalho visa discutir uma proposta de musealização do Geossítio Pontal de Santa Cruz, no Geopark Araripe (CE), pois o mesmo apresenta em sua área uma diversidade de elementos, tais como geológico, geomorfológico, paleontológico, histórico, paisagístico, turístico e cultural. Esses elementos estão interligados com a geodiversidade local, caracterizada pela “variedade de natureza abiótica, incluindo os elementos litológicos, tectônicos, geomorfológicos, edáficos, hidrogeológicos, topográficos e os processos físicos sobre a superfície terrestre, dos mares e oceanos, junto a sistemas gerados por processos naturais endógenos, exógenos e antrópicos, que abrangem a diversidade de partículas, elementos e lugares” (SERRANO E RUIZ-FLAÑO, 2007, p144). O Geossítio em estudo faz parte de uma conjunto de geosítios que compõe o Geopark do Araripe, referendando uma valorização patrimonial inestimável, como mostrado por Brilha (2005) através de patrimonializar a geodiversidade inventariada e relevante de uma dada região. Por isso, o Geossítio Pontal de Santa Cruz, localizado a 4 Km da Cidade de Santana do Cariri, no sul do estado do Ceará (GEOPARK ARARIPE, S/D), serviu de objeto de estudo através de uma proposta de musealização. Área é formada pelo arenito da Formação Exu que constitui a porção superior da escarpa da Chapada do Araripe, com uma diversidade paleontológica baixa, mas favorecendo o acúmulo de água e a construção de uma paisagem cênica de interesse turístico e socioeconômico. Além do aspecto geopaleontológico, pode-se acrescentar a sua importância histórica e religiosa através da existência da capela e da Cruz, datadas de meados do século XX, e ligadas a lenda da “assombração”, uma das muitas lendas existentes na região. Apesar da observação de estratégias de geoconservação no geossítio como classificação, conservação (manejo), comunicação e gestão, observou-se a ausência da etapa de comunicação da musealização mais efetiva, atrelada às outras etapas desse processo (Inventariado, documentação, conservação e pesquisa). Para isso, no geossítio em estudo, propõe-se explicações geológicas (nas suas mais diversificadas vertentes), históricas e culturais, visando uma maior aproximação da população local e público visitante através de suas mais significativas afetividades. Sendo assim, considera-se a importância de uma musealização mais efetiva do geossítio para o desenvolvimento do turismo e apreensão desse patrimômio pela população, buscando relacionar o processo de musealização como meio de comunicação fundamentalmente importante no processo de inter-relação da geodiversidade, patrimônio e meio ambiente com a sociedade.
Oral
Abrir o trabalhoSinalizadores sobre o geoturista em Lençóis, município integrante da proposta do Geoparque Serra do Sincorá/BA - Brasil.
NATÁLIA AUGUSTA ROTHMANN ESCHILETTI; Rosane Maria Lanzer
Considera-se que o geoturismo acontece em função da geodiversidade (Brilha, 2005) e para que esteja de acordo com uma prática de turismo mais harmoniosa (Krippendorf, 2009) e sustentável, deve estar de acordo com os preceitos de Arouca (2011) que leva em consideração a busca por sustentar e valorizar a identidade do território, abrangendo a geologia, o meio ambiente, a cultura, a estética, o patrimônio e o bem-estar dos moradores do território. A área proposta para o Geoparque Serra do Sincorá situa-se na porção central do estado da Bahia, no setor centro-sudeste da Chapada Diamantina (CPRM, 2017) e envolve os municípios de Lençóis, Andaraí, Mucugê e Palmeiras, cobrindo uma extensão de 6.313 km², correspondente a 10% da porção do estado baiano. O objetivo desta pesquisa é descrever o perfil do turista que frequenta o município de Lençóis. Para o levantamento dos dados foi utilizado um questionário adaptado de Fonseca Filho e Moreira (2017) que faz a análise do perfil do geoturista em um parque estadual, aplicado no segundo semestre de 2018, totalizando 135 respondentes. Destes foram analisandos renda, frequência de viagem, motivações e atividades desenvolvidas no território da proposta do Geoparque. O público que frequenta Lençóis é caracterizado por mulheres entre 25 e 39 anos, corroborando com a razão de gênero brasileira indicada pelo IBGE (2016) que é de 51,5% de mulheres e 48,5% de homens. Em Lençóis, a maioria dos turistas possui renda acima de três salários mínimos (R$2.862). A renda é associada à alta escolaridade, uma vez que mais da metade dos turistas disseram ter ensino superior completo ou pós-graduação. Quanto à frequência de viagem, quase metade dos abordados viajam pelo menos 2x ao ano e ainda há uma parcela considerável de viajantes frequentes (mais de 4x ao ano). Parte dos turistas afirma que irão conhecer, além de Lençóis, os outros três municípios propostos para o território do futuro Geoparque (Andaraí, Mucugê e Palmeiras) e que têm interesse em aprender mais sobre o Patrimônio Geológico da Chapada Diamantina. Os turistas são motivados predominantemente pelo lazer, entretanto pode-se considerar que em função dos atrativos visitados e das atividades desenvolvidas, a motivação pode ser direta à geologia, mas também indireta: natureza, esporte, história, arquitetura e arqueologia. Há os que afirmam que foram à Lençóis praticar o geoturismo (17%), e os que indiretamente motivados pela geologia realizaram atividades como caminhadas/trekkings, contemplação da beleza cênica, ecoturismo, city tour, turismo cultural. Dentre os atrativos mais visitados estão: Morro do Pai Inácio (Palmeiras), Mucugezinho (Lençóis), Poço Azul (Nova Redenção), Serrano (Lençóis), Marimbus (Andaraí), Morro do Cruzeiro (Mucugê), Bairro Luis Santos (Andaraí); os centros históricos dos quatro municípios e a Vila de Igatu (distrito de Palmeiras), as feiras que acontecem em Lençóis tanto de artesanato quanto de abastecimento de alimentos desde a época do garimpo; o cemitério Santa Izabel (ou Bizantino), os museus – Casa de Cultura Afrânio Peixoto (Lençóis) e Projeto Sempre Viva (Mucugê), ainda o Circo do Vale do Capão, o Jarê, a Marujada, a procissão das Almas, as tocas dos garimpeiros e a comunidade quilombola do Remanso também são citados pelos turistas. Todos possuem conteúdo geológico diretamente ou indiretamente associados sendo geossítios inventariados (Pereira, 2010) ou até patrimônio cultural material e imaterial. Concluindo, é possível sugerir que Lençóis e os municípios do território do futuro Geoparque Serra do Sincorá possuem vocação para o geoturismo, uma vez que a geodiversidade está presente tanto nas formas da paisagem, como na história e na arquitetura dos quatro municípios. Os atrativos culturais (materiais e imateriais) são poucos utilizados por Lençóis e nos demais municípios da proposta, embora sejam potenciais atrativos turísticos, que envolveriam a comunidade e fortaleceriam a identidade da sociedade. Isso é corroborado quando 9% dos turistas dizem conhecer o Pantanal Marimbus, mas não relacionam a comunidade quilombola do Remanso nos atrativos culturais. Assim como conhecem a Vila de Igatu, mas não sabem que é um patrimônio cultural chamado bairro Luís Santos, tampouco associam o patrimônio geológico ao cultural, ao dizerem que conhecem o Cemitério Santa Izabel sem associar ao Morro do Cruzeiro em Mucugê. Parte dos turistas sabe que estão em Lençóis praticando geoturismo, motivados pela geologia, mas o potencial geoturístico é muito maior e está longe de ser consolidado, embora existam algumas iniciativas. O trade turístico deve estar consciente do perfil de turista que frequenta Lençóis e estar muito bem preparado para trabalhar com o conhecimento geológico elaborando produtos geoturísticos a fim de captar essa grande parcela de turistas que tem interesse em conhecer mais sobre o patrimônio geológico da Chapada Diamantina, ou seja, o geoturismo não se consolidará sem o envolvimento, engajamento e articulação dos quatro municípios da proposta do Geoparque e atenção às demandas dos turistas que visitam a região. Referências Arouca. 2011. Arouca Declaration. International Congress Arouca 2011. Unesco: 2011. http://aroucageopark.pt/documents/78/Declaration_Arouca_EN.pdf CPRM. 2017. Ministério de Minas e Energia. Geoparque Serra do Sincorá/BA: proposta. http://rigeo.cprm.gov.br/xmlui/handle/doc/18230?show=full Krippendorf J. 2009. Sociologia do turismo: para uma nova compreensão do lazer e das viagens. Brilha J. 2005. Patrimônio Geológico e Geoconservação: A Conservação da Natureza na sua Vertente Geológica. 1. Ed. Braga: Palimage Editores. http://www.dct.uminho.pt/docentes/pdfs/jb_livro.pdf IBGE. 2016. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população. Rio de Janeiro. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101629.pdf Fonseca Filho R, Moreira JC. 2017. O perfil do geoturista do Parque Estadual do Itacolomi, Ouro Preto e Mariana (MG). Revista Espacios. Vol. 38, núm. 47, p. 18-33. http://www.revistaespacios.com/a17v38n47/a17v38n47p18.pdf Pereira RGFA. 2010. Geoconservação e desenvolvimento sustentável na Chapada Diamantina (Bahia - Brasil). Tese (Doutorado em Ciências com Especialidade em Geologia). Universidade do Minho, Programa de Doutorado em Ciências. http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10879
Oral
Abrir o trabalhoOral
Abrir o trabalhoPatrimônio Paleontológico na Exposição “Arqueologia do Resgate” do Museu Nacional (RJ): nova (res)significação
DEUSANA MARIA DA COSTA MACHADO; Mell Siciliano; Mônica Rebelo Rodriguez; Flávia Cristina Costa Vieira; Ranielle Menezes de Figueiredo
Os fósseis refletem uma memória simbólica do passado histórico da Terra, representando produtos deixados pelos processos geopaleontológicos através do tempo. Tornaram-se objetos de estudos da Paleontologia e, dessa maneira, formou-se uma ligação intrínseca e afetiva entre os paleontólogos e seu objeto de estudo, que começa no processo de coleta, na seleção da pesquisa e na escolha do fóssil a ser estudado, gerando uma valorização para o objeto desde a sua coleta até sua efetiva salvaguarda numa coleção, referendando o seu caráter relevante para a ciência. São as coleções científicas que os legitimam como patrimônio paleontológico, certificando a sua identidade, seu caráter de excepcionalidade, sua valorização enquanto fonte de conhecimento e saber e produção científica (PINTO, 2009). Também são evidências de movimentos históricos, políticos ou científicos por quais passou o país, a instituição e ou a ciência. Cabe ressaltar ainda que os fósseis são, por excelência, objetos de várias sobrevivências. A primeira delas é a fossilização em si, seguida pela coleta e inserção em uma coleção. No caso do Museu Nacional soma-se ainda mais uma: a sobrevivência ao incêndio. Este novo significado, o de sobrevivência, deve ser registrado e trabalhado ativamente pelo Museu. Stránský (1995 apud DESVALLÉS; MAIRESSE, 2013) afirma que um objeto de museu (musealia) não é somente um objeto dentro de um museu, ou seja, não é a mera transferência de um objeto para os limites físicos de um museu que o torna objeto de museu. Para um objeto se tornar musealia, ele deve ser submetido a parâmetros (ou processos) específicos de proteção, documentação, estudo e interpretação (SCHEINER, 2015). Ao conjunto desses processos dá-se o nome de musealização. Um objeto de museu pode ser observado por vários prismas de significado (histórico, científico, social, entre outros) que influenciam sua interpretação (PEARCE, 1994). Cada prisma de significado se aglutina ao anterior; em um processo de enriquecimento e não de substituição de significações. Sendo assim, qualquer objeto de museu pode, ao longo de sua trajetória, ganhar novas significações, sejam elas frutos de novos olhares, novos estudos e descobertas ou ainda fruto de eventos externos, como acidentes e intempéries. O estudo das suas “biografias” permite uma série de descobertas e de relações que os cercam (ALBERTINI, 2005). No caso específico de acidentes e intempéries, o trabalho de (res)significação ocorre justamente em razão das avarias sofridas pelas coleções, que podem ser de diferentes graus e naturezas. No caso de coleções de história natural e antropologia essas alterações podem ser extremas e significar inclusive uma alteração completa do material. O presente estudo trata do processo de (res)significação do objeto museológico pós-desastres, e propõe a separação desses objetos em três categorias, levando em consideração as possíveis avarias sofridas pelos objetos. Tomou-se como estudo de caso os objetos da coleção paleontológica do Museu Nacional resgatados dos escombros do palácio, após o incêndio ocorrido em setembro de 2018. Esses fósseis foram expostos entre fevereiro e abril de 2019, junto a outros objetos resgatados, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro, em uma exposição intitulada Arqueologia do Resgate. As três categorias propostas são: (1) objetos sem nenhum ou com poucos danos aparentes, (2) objetos com danos (incorporação de outros elementos e alterações químicas), e (3) objetos que surgiram devido ao incêndio (transformados). A categorização em tipos de avaria contribui para uma gestão mais efetiva, facilitando os processos de documentação, conservação e expositivos destes objetos. A guisa de conclusão, lembramos que a tais fósseis, sendo objetos de museu, foram e são atribuídos significados tanto científicos-acadêmicos como outros relativos à instituição a qual pertencem. A sobrevivência ao incêndio permite que a tais valores seja somado mais um. Esses objetos, além de testemunhos da história da terra e tempo geológico, além de representação da biodiversidade de outrora, além de representantes de momentos históricos de coleta são agora representações de um fato institucional trágico, mas de importância.
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