46 de 46 trabalho(s) aceito(s)
A CONTRIBUIÇÃO DOS ROMEIROS NA CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO SAGRADO DO JUAZEIRO
JOSÉ CARLOS DOS SANTOS
A pretensão deste trabalho é compreender a romaria de Juazeiro na constituição do rol das experiências do território religioso no nordeste brasileiro, construída sob a égide da pessoa e da visão multidimensional do Pe. Cícero. A romaria de Juazeiro é uma das expressões mais ricas e singelas da cultura popular nordestina. As expressões religiosas, os rituais simbólicos e místicos que os romeiros inventam e reinventam nas estradas que os conduzem ao Juazeiro atravessam o tempo numa longa tradição e desenvolvem uma originalidade no comportamento e nos gestos da experiência vivencial do território sagrado. Neste itinerário, os romeiros projetam valores e sonhos que fazem emergir a utopia como a força das ações do Pe. Cícero, em torno da cidade de Juazeiro, vinculadas às lutas em prol da vida e resistência as intempéries do cotidiano e, ao mesmo tempo, à alegria de viver. Essa realidade materializa-se concretamente na experiência do simbolismo religioso da fé dos peregrinos que se deslocam e constroem a identidade da cidade. A romaria é uma festa de renovação ao transcendental e ato de profissão e crença nos princípios humanísticos. Os romeiros projetam na sua peregrinação a vivência de uma comunidade de esperança. Toda experiência de transitar pelo Juazeiro no seu roteiro de fé construído pelo romeiro na “espacialidade mística” do lugar é singular para revigorar e energizar a vida do peregrino diante das grandes dificuldades da sua existência cotidiana. Assim, o movimento romeiro é complexo e contém laços comunitários com relações humanizadoras e certas reservas de dignidade diante de uma sociedade desigual e de forte competição. De fato, o povo na busca por realizar a experiência de peregrinação não faz desaparecer os males e as angústias coletivas do mundo, mas instiga essa gente condenada à situação de pobreza e miséria, a reconstruir suas ruínas, superar as tragédias, realimentar o sentido da vida e reinventar formas de viver com alegria.
Palavras-chave: Padre Cícero, Romeiros, Espacialidade mística
Oral
BASÍLICA DE N. S DAS DORES NO JUAZEIRO DO NORTE/CE: onde encontram-se devoções, fé e vida
“SER CARIRI É UMA COISA DA ALMA”: NATUREZA, COSMOVISÕES E RELIGIOSIDADES ENTRE OS INDÍGENAS CARIRI DE POÇO DANTAS – UMARI.
RENATA MARINHO PAZ; Vitória Jessiany dos Santos
Nossa proposta integra as atividades do projeto de pesquisa “Cosmovisões e religiosidades do povo Cariri de Poço Dantas-Umari, Crato (CE)” - PIBIC/CNPq/URCA. Nosso objetivo é compreender como as cosmologias e as religiosidades, intrinsecamente associadas à natureza, vêm influenciando o processo de levante protagonizado pelos indígenas Cariri de Poço Dantas-Umari, iniciado em meados da década de 2000. Esse povo vem lutando pelo reconhecimento de sua existência e de seu território, enfrentando os desafios decorrentes das violências encetadas desde o período colonial e que perdura até os dias atuais. Para a realização desta pesquisa, foi adotado uma abordagem qualitativa, com analise de trabalhos no campo da Antropologia, História e Geografia, essenciais para a compreensão do tema; realização de entrevistas com lideranças indígenas e visitas a campo. Os resultados indicam que a tríade cosmovisão, natureza e religiosidade ocupa lugar central na luta dos Cariri, funcionando como forças de resistência e pertencimento. Nesse sentido, a religiosidade pode ser entendida como um dos elementos fundamentais que guardou, durante todo o período da colonização até hoje, a chama e força de ser Cariri. Assim, a espiritualidade e a religiosidade atuam como guardiãs da memória coletiva, preservando elementos que fazem parte da identidade do grupo que resistiram, mesmo tendo sido “integrados” a outras matrizes religiosas, especialmente o catolicismo e a umbanda, permanecem vivos. Concluímos, que a espiritualidade não apenas faz parte das práticas culturais, mas também, fortalecendo o movimento de levante atuando como ponte para conexão entre passado e presente.
Palavras-chave: Relgiosidades, Levante indígena, Natureza, Povo Cariri,Cosmovisões
Oral
A ARTICULAÇÃO DA TRÍPLICE DIMENSÃO DA ESPIRITUALIDADE DO PAPA FRANCISCO: ENCARNADA, CONCRETA E TRANSFORMADORA
ARLINDO JOSÉ VICENTE JUNIOR
A espiritualidade do Papa Francisco (2013-2025), cuja sua origem está nos Exercícios Espirituais (EE) de Santo Inácio de Loyola, pode ser definida pela tríplice dimensão: encarnada, concreta e transformadora. Essa tripartição tem como fundamento o Evangelho, o cuidado com a vida (e com a Casa Comum), na oração como fonte para o compromisso social e para a ação transformadora. Queremos com este trabalho analisar a espiritualidade do Papa Francisco marcada pela contemplação na ação, em constante diálogo com a realidade e pelo discernimento espiritual. O objetivo é mostrar como a espiritualidade do primeiro Papa latino americano se articula: com a fé vivida e expressa na realidade, com atenção especial aos pobres e ao sofrimento e com a ação que busca transformar a vida em sociedade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem interdisciplinar, oferecendo como método uma apresentação bibliográfica dos escritos pontifícios, dentre os quais destacamos: Evangelii Gaudium (2013), Fratelli tutti (2020) e da Carta Encíclica Dilexit nos (2024) realizando uma análise crítica do projeto pastoral-teológico desenvolvido no pontificado de Francisco. Bergoglio, o primeiro papa jesuíta da história da Igreja Católica efetivou em seu pontificado a espiritualidade inaciana: ser contemplativo na ação. Francisco, a partir da parábola do Bom Samaritano, destacou que a compaixão é chave da vida cristã, insistindo que se diante de uma pessoa necessitada não se sente compaixão e não se comove, há algo de errado; exortando os fieis da religião na qual foi líder a perguntarem-se se diante da indiferença o coração não se endureceu.
Palavras-chave: Francisco; espiritualidade; encanada; transformadora; compaixão
Oral
A formação da pessoa humana em Edith Stein
JOÃO GABRIEL DE PAULA SILVA
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE RELIGIÕES E ESPIRITUALIDADES: Diálogo Inter-religioso, Ensino e Diversidade Intelectual. 3-6 de novembro 2025 STs – 2 Místicas e espiritualidades A FORMAÇÃO DA PESSOA HUMANA EM EDITH STEIN João Gabriel de Paula Silva, bacharel em Filosofia, pós-graduado em Psicologia Fenomenológica Existencial, PUCCAMP, bsiilva107@icloud.com. Resumo Essa pesquisa busca adentrar no pensamento de Edith Stein e suas contribuições para a filosofia durante o período contemporâneo, por meio da análise de suas principais obras, e comentadores atuais, visando à formação da pessoa humana a partir de seus conceitos no campo fenomenológico e antropológico, bem como a dimensão biopsicossocial. Coloca-se como problemática de pesquisa a formação do ser humano diante dos desafios existenciais provenientes da sociedade pós-moderna, no que diz respeito à depressão e ansiedade como expressões de angústia existencial. A primeira seção iniciará a partir da biografia de Edith Stein, apresentando suas raízes judaicas e aqueles que influenciaram academicamente sua trajetória no campo das ciências humanas. Na segunda e terceira seção, a partir da antropologia filosófica na ótica de Edith Stein, procuraremos entender sobre a estrutura do ser humano e aquilo que fundamenta a dignidade em sua subjetividade, promovendo o processo educacional do sujeito frente aos desafios existenciais provenientes da sociedade pós-moderna. Desafios que se apresentam como gatilhos para o desencadeamento de patologias de ordem psíquica, como: depressão e ansiedade. O trabalho visa apresentar dados clínicos e organizacionais frente as expressões de uma angústia existencial.
ENSINO RELIGIOSO NA ERA DIGITAL: CIDADANIA, PLURALISMO E SABERES EM REDE
THATYANA FLORINDO MACIEL DA ROCHA
Esta comunicação tem como base o capítulo “Teias do Conhecimento: O Cenário do Ensino Religioso”, que integra a fundamentação teórica de uma pesquisa sobre as relações entre fé, cidadania e tecnologia no contexto escolar. O Ensino Religioso, enquanto componente curricular da educação básica, assume na contemporaneidade um papel estratégico na promoção da cidadania, do respeito à diversidade e da construção de valores éticos que sustentam o convívio democrático. O estudo parte da constatação de que o Ensino Religioso, ao se articular com as novas tecnologias, ganha relevância na formação ética e plural dos estudantes. O objetivo é compreender como esse componente curricular pode contribuir para o desenvolvimento da cidadania e do pensamento crítico por meio de práticas mediadas pelo diálogo inter-religioso e pela cultura digital. A metodologia utilizada é de natureza teórico-documental e qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo e na abordagem hermenêutica, a partir de autores como Junqueira (2017), Souza (2015), Kenski (2019) e Morin (2019). Os resultados apontam que o Ensino Religioso, quando alinhado à diversidade e à digitalização da educação, torna-se espaço privilegiado de integração entre ética, espiritualidade e inovação tecnológica. A incorporação consciente das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) favorece a aprendizagem colaborativa, a valorização da diferença e o fortalecimento das competências socioemocionais. Conclui-se que o Ensino Religioso, ao reconhecer a pluralidade cultural e adotar uma postura dialógica, assume papel central na formação cidadã e na construção de uma educação crítica, inclusiva e conectada à era digital.
Palavras-chave: Ensino Religioso,Cidadania,Pluralismo,Tecnologia,Educação Digital
Oral
A DIDÁTICA DO ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA PÚBLICA: PRÁTICAS E DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E DIALÓGICA EM FORTALEZA/CE
VIRNA MARIA FERREIRA SIQUEIRA
"Ainda creio": religiosidade e dissidência em uma Pastoral da Diversidade evangélica.
LUCIANO RODRIGUES DA COSTA
Este trabalho tem como objetivo analisar o lugar da religiosidade na vida de pessoas LGBTQIA+ que integram a Pastoral da Diversidade da Primeira Igreja Batista dos Bultrins, em Olinda (PE). A partir de experiências marcadas por exclusão, culpa e violência simbólica em contextos eclesiásticos anteriores — tanto em igrejas conservadoras quanto em espaços autodeclarados inclusivos —, esses sujeitos constroem uma vivência de fé afirmativa e comunitária. A Pastoral da Diversidade, criada em 2023, tem promovido cultos, eventos e congressos que abordam as violências religiosas, especialmente contra pessoas trans, e propõem uma espiritualidade baseada no acolhimento, na dignidade e no direito de pertencer. Em 2024, o culto do Dia do Orgulho LGBTQIA+ trouxe como lema “Somos todos um em Cristo”, afirmando a unidade na diversidade. Já em 2025, um congresso abordou o uso da Bíblia para legitimar a exclusão. A atuação da Pastoral tem provocado mudanças no ethos da igreja, gerando tensões e disputas simbólicas, mas também abrindo espaço para a reconfiguração dos modos de ser igreja. A pesquisa parte de uma perspectiva etnográfica e dialoga com os estudos de gênero e religião, interseccionalidade e espiritualidades dissidentes. Refletir sobre essas trajetórias de fé é reconhecer que, mesmo após experiências de negação, há corpos que ainda creem — e que, ao crerem, transformam e resistem.
Resumo Simples · Oral
ASSIM O CAPITALISMO PREENCHEU OS TEMPLOS: O SHOWBIZ EVANGÉLICO E A TEOLOGIA DO DOMÍNIO NO BRASIL NEOLIBERAL
LUIZ FÁBIO DA COSTA
Este artigo analisa a transformação nos protestantismos e pentecostalismos brasileiros, notadamente no segmento neopentecostal, onde o “sucesso” de uma comunidade religiosa passou a ser auferido pelo número de pessoas que lotam o templo, fazendo da igreja uma “empresa liberal carismática” (Naso, 2015, pp. 257-271). Argumenta-se que este fenômeno, denominado aqui como “showbiz evangélico”, é um sintoma da mercantilização da fé sob a égide do neoliberalismo e do capitalismo de consumo. A análise demonstra como a liderança pastoral foi reconfigurada no modelo do “pastor-CEO” e como a fé se tornou um produto espetacularizado. Utilizando os referenciais teóricos de Weber, Bourdieu, Debord e Bauman, em diálogo com estudos contemporâneos sobre a Teologia do Domínio, o artigo conclui que a superlotação dos templos representa a consolidação de uma fé-mercadoria e de um projeto de poder político-econômico que encontra sua justificação teológica na Doutrina dos Sete Montes e outras vertentes da Teologia do Domínio. Este sistema cria as carências espirituais que promete resolver, sustentando uma economia bilionária e neutralizando o potencial crítico da teologia. Por fim, conclui-se que o templo cheio não é reavivamento, mas a prova de que o “fetiche da mercadoria” encontrou seu altar. Essa “febre da mudança perpétua”, da “inflação de novidades” e outros artifícios da economia neoliberal também criaram uma espiritualidade consumista. Talvez uma cultura de consumo que espelha a “modernidade líquida”, substituindo a busca pela salvação pela gestão do espetáculo religioso, em uma expressão de poder disfarçado de fé.
ENCANTAMENTO E ANCESTRALIDADE COMO REINVENÇÃO NEGRA NO CONTEXTO BRASILEIRO
CIBELE BITENCOURT SILVA
O sequestro de africanos ao longo de séculos para o trabalho escravo nas colônias europeias produziu feridas profundas, as quais estão presentes na perpetuação do racismo e suas desigualdades nos mais diversos contextos sociais. O mito da democracia racial não se sustenta diante da realidade dos números da violência policial, do encarceramento, da violência doméstica, e da distribuição de renda – os números escancaram o racismo anti-negro. Numa articulação entre as ideias de Lélia González, Eduardo Oliveira e Luiz Rufino, a presente pesquisa exploratória procura investigar os traumas históricos do processo de colonização e, principalmente, as articulações e reinvenções de humanidade pelas vias do encantamento e da ancestralidade operadas pela população negra em território brasileiro a partir das sabedorias trazidas desde África. A partir da leitura de textos escolhidos e articulação entre eles, saídas para as armadilhas coloniais de desumanização são propostas, (1) com a leitura de que os processos históricos de formação brasileira estão referenciados em modelos africanos, conforme demonstrou Lélia González, assim como (2) com a visibilização e valorização da produção de conhecimento negro, especificamente acerca da ancestralidade, encantamento e fresta, conforme demonstraram Eduardo Oliveira e Luiz Rufino. Com o título “Encantamento e ancestralidade como reinvenção negra no contexto brasileiro”, de autoria da psicóloga clínica e doutoranda em Psicologia (UFRN)Cibele Bitencourt Silva, a comunicação oral busca dialogar com práticas antirracistas e interculturais.
Resumo Simples · Oral
A AUTODECLARAÇÃO E PERCEPÇÕES DOS ESTUDANTES FRENTE ÀS RELAÇÕES ÉTNICAS RACIAIS NA ESCOLA EEMTI PREFEITO RAIMUNDO COELHO BEZERRA DE FARIAS EM CRATO-CE
MARCIA WILLIANE FERREIRA RODRIGUES; Erisvania De Sousa Santos; João Damião Paulo dos Santos; Suzana Martins Inacio
A discussão sobre práticas educativas antirracistas no Brasil tornou-se ainda mais urgente com a promulgação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena em toda a educação básica. Nesse contexto, a presente pesquisa tem como objetivo analisar como os estudantes compreendem e se posicionam diante das relações étnico-raciais, com destaque para o processo de autodeclaração, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). A investigação adota abordagem quali-quantitativa, desenvolvida por meio de atividades de reflexão, rodas de conversa, leitura de textos e debates, especialmente a partir das contribuições da autora Bárbara Carine em Como ser um educador antirracista. A pesquisa de campo inclui a aplicação de questionário, voltado a compreender as percepções subjetivas dos estudantes sobre sua identidade racial, bem como suas experiências e opiniões acerca da discriminação e das desigualdades raciais no ambiente escolar. Os resultados parciais indicam que o processo de autodeclaração, quando mediado por práticas educativas conscientes e pautadas no respeito à diversidade, constitui-se em um recurso pedagógico potente para a promoção da representatividade e da inclusão. Assim, reafirma-se o papel essencial da escola na construção de uma sociedade mais justa e plural, estimulando o reconhecimento racial e valorizando as histórias, culturas e saberes afro-brasileiros.
A contribuição do Ensino Religioso para o desenvolvimento da identidade, consciência ética e da diversidade na Educação Infantil
HÉRICA ARAGÃO DA SILVA ; Roberta Duarte Benício; Cintielena Holanda Costa
A pesquisa intitulada “A contribuição do Ensino Religioso para o desenvolvimento da identidade, consciência ética e da diversidade na Educação Infantil” investiga como a unidade temática “O Eu, o Outro e o Nós”, presente na BNCC, pode ser articulada às práticas pedagógicas, promovendo a identidade, a alteridade e o respeito à diversidade na primeira infância. Embora o Ensino Religioso seja previsto apenas no Ensino Fundamental, sua integração interdisciplinar na Educação Infantil pode enriquecer o processo formativo, fortalecendo a consciência ética e a convivência respeitosa. O objetivo é analisar como os conteúdos do Ensino Religioso podem dialogar com o campo de experiências da Educação Infantil, consolidando valores éticos e sociais. O método inclui um estudo bibliográfico e qualitativo, com um estudo de caso numa escola pública de Fortaleza/CE. Fundamenta-se em marcos legais e na Base Nacional Comum Curricular, especialmente no campo de experiências “O Eu, o Outro e o Nós”. A metodologia envolve análise documental, entrevistas com professores e observações de práticas pedagógicas, com dados analisados por meio da Análise de Conteúdo. Ainda em fase inicial, a pesquisa busca identificar a viabilidade de integrar o Ensino Religioso de forma lúdica, plural e laica, contribuindo para currículos mais inclusivos, sensíveis, oferecendo subsídios pedagógicos para práticas interdisciplinares à diversidade cultural e religiosa. Este trabalho é de autoria de Hérica Aragão da Silva, pedagoga, mestranda em Ciências das Religiões pela Faculdade Unida de Vitória e atuante na Educação Infantil em Fortaleza/CE; Roberta Duarte Benício, graduada em Ciências das Religiões, mestranda pela Faculdade Unida de Vitória e professora do Ensino Fundamental; e Cintielena Holanda Costa, professora de Geografia, doutoranda pela Faculdade Unida de Vitória e coordenadora pedagógica na Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza/CE. Palavras-chave: Ensino Religioso; Educação Infantil; Eu, o Outro e Nós; Interdisciplinaridade.
Resumo Expandido · Oral
Ensino Religioso caminhando com a Diversidade Intercultural
LILIANE LIMA AMORIM
No âmbito educacional o ensino religioso ocupa um espaço significativo na formação ética, moral e cidadã dos estudantes, especialmente em uma sociedade marcada pela diversidade cultural e religiosa. O presente trabalho tem como objetivo compreender a importância do respeito entre as diferentes tradições religiosas e culturais utilizando o ensino religioso para fortalecer as competências socioemocionais como empatia e tolerância. Nesse cenário o ensino religioso desenvolvido de forma crítica, reflexiva e laica consiste numa ferramenta fundamental para promover o respeito e a valorização para com a diversidade intercultural, fortalecendo o respeito mútuo e uma convivência harmoniosa. A pesquisa é explorativa de caráter bibliográfico, fundamenta-se em autores como Maria Vera Candau, Moacir Gadotti, Faustino Texeira, também em documentos oficiais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que norteiam o ensino religioso a valorizar as diferentes expressões de fé e cultura. Todavia é contundente oportunizar atividades que destaquem e respeitem essa diversidade, buscando promover o diálogo intercultural e o reconhecimento das diferenças como recursos engrandecedores do processo educativo. O professor por sua vez age como mediador estimulando a empatia e o pensamento crítico dos alunos. Conclui-se que o ensino religioso, não se limita à transmissão de conteúdos sobre religiões, mas abre espaço para o diálogo, a construção de pontes de entendimento, promovendo a empatia, o respeito e o diálogo intercultural como caminho para uma educação inclusiva e democrática.
Palavras-chave: Ensino Religioso,Tolerância,Diversidade Intercultural,Diálogo
Oral
ENTRE A TOLERÂNCIA E A AUSÊNCIA: REFLEXÕES DOCENTES SOBRE O ENSINO RELIGIOSO FACULTATIVO
JAMILLIS KEILA; Luciene Laranjeira Diniz
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE RELIGIÕES E ESPIRITUALIDADES: Diálogo Inter-religioso, Ensino e Diversidade Intelectual. 3-6 de novembro 2025 ST 7 - ENSINO RELIGIOSO E DIVERSIDADE INTERCULTURAL ENTRE A TOLERÂNCIA E A AUSÊNCIA: REFLEXÕES DOCENTES SOBRE O ENSINO RELIGIOSO FACULTATIVO Autora principal: Jamillis Keila Xavier Moura Co-autora 1: Luciene Laranjeira Diniz² Co-autora 2:Rita Cristina Barbosa³ Resumo A intolerância religiosa é um tema recorrente em Ciências das Religiões(CR), refletindo a urgência de promover uma cultura de respeito à diversidade religiosa no espaço público. A construção de uma sociedade democrática, plural e comprometida com os direitos humanos exige a superação de práticas educativas excludentes, como também a valorização da empatia como fundamento das relações humanas. Nesse ínterim, as CR têm desempenhado papel significativo na formação de professores de Ensino Religioso (ER), ao propor o modelo pluralista, fundamentado na diversidade religiosa e na laicidade do Estado. Esta pesquisa propõe uma reflexão crítica sobre a facultatividade da matrícula em ER nas escolas públicas. Partindo de uma abordagem qualitativa, articulada ao relato de experiência docente, foi possível evidenciar que a não obrigatoriedade da disciplina compromete o acesso equitativo ao conhecimento sobre as tradições religiosas, condição indispensável para a promoção da tolerância e do reconhecimento das alteridades. Portanto, o ER, modelo pluralista e laico, deve constituir componente curricular de frequência obrigatória, assegurando aos estudantes o direito de conhecer e conviver com a diversidade religiosa presente em sua comunidade. Tal medida não representa violação da liberdade de crença, mas sim uma estratégia educativa para a formação integral, crítica e cidadã, capaz de enfrentar as mais variadas formas de discriminação e de ampliar a consciência ética e social dos educandos.
JOSINEIDE SILVEIRA DE OLIVEIRA; UMBERTO DE ARAÚJO MEDEIROS; JOÃO BATISTA NUNES FILHO
Análoga às batidas de um coração encontra-se no centro do Juazeiro do Norte/CE a Basílica de Nossa Senhora das Dores pulsando com as chegadas e partidas de romeiros movidos pelo desejo de abastecer-se dos Conselhos do Padre Cícero e revisitar o recinto da Virgem. Abrigo de devoções populares advindas da pluralidade cultural nordestina o lugar acolhe pessoas de todas idades assegurando a continuidade da tradição. A observação de tal fenômeno feita “in loco” durante períodos de romarias, consultas às fontes documentais e entrevistas, instiga-nos pensar a íntima relação romarias-devoções com o templo, a partir de três princípios: deslocamento, proximidade e compromisso. O deslocamento identificado na preparação da viagem dos devotos até destino numinoso; a proximidade expressa na chegada e circularidade espontânea pelo espaço sacrossanto, o pagamento de promessas, a compra de objetos e os entretenimento que se desenvolvem no entorno do santuário; o compromisso provedor da guarda do sagrado para si, para os parentes e para a comunidade de origem convencionado como expansão da graça. Os interlocutores teóricos dessa reflexão são biólogo Mia Couto para quem o deslocamento é motivado pelos sonhos vitais; o pensador complexo Edgar Morin na perspectiva da proximidade enquanto religação dos vínculos duradouros; a psicanalista Clarissa Estés no que toca a manutenção do compromisso firmado sob o alicerce das narrativas alimentadoras da alma romeira.
Oral
EDUCAÇÃO DIGITAL E DIVERSIDADE RELIGIOSA:UMA EXPERIÊNCIA DE COMBATE AOS DISCURSOS DE ÓDIO.
ANTONIA GOMES DA SILVA; JÉSSIKA MARIA BEZERRA MENDONÇA; ROSELÂNDIA ALCÂNTARA GONÇALVES; IVYNNA ÁDALIA ROSENDO MENEZES
A Sociologia, ao estudar os sistemas de crenças e as dinâmicas culturais, oferece instrumentos teóricos e metodológicos para compreender como a religião atua na organização da vida social e na formação de identidades e valores coletivos. As relações sociais e seus atravessamentos também se manifestam nos espaços virtuais, o que torna necessária a inserção da temática da diversidade religiosa nas aulas de Cultura Digital, promovendo a reflexão e o diálogo entre diferentes visões de mundo.O presente trabalho apresenta uma experiência pedagógica desenvolvida na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Presidente Geisel, em Juazeiro do Norte (CE), por meio de ações elaboradas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), subprojeto de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA). A atividade teve como objetivo refletir sobre a diversidade religiosa e combater os discursos de ódio nas redes sociais, articulando o uso das tecnologias digitais à formação crítica e cidadã dos(as) estudantes, com o intuito de desconstruir preconceitos e promover o respeito às religiões de matriz africana e a outras tradições frequentemente marginalizadas.A metodologia adotada possui caráter qualitativo e participativo, fundamentada nos princípios da pesquisa-ação e da aprendizagem colaborativa. O trabalho iniciou-se com uma pesquisa exploratória na internet, na qual os(as) alunos(as) foram orientados(as) a analisar conteúdos digitais que expressassem manifestações de intolerância religiosa e racismo religioso. Em seguida, produziram seminários expositivos com o objetivo de promover a reflexão crítica sobre a diversidade religiosa, o enfrentamento ao discurso de ódio nas redes sociais e a valorização da diversidade cultural.
Palavras-chave: Discurso de ódio,Educação digital,Diversidade religiosa,Racismo religioso
Oral
PADRE CICERO, MISSIONÁRIO NA CHINA?
FRANCISCO JOSE DA SILVA
A presente comunicação é resultado de uma pesquisa bibliográfica que pretende abordar um tema pouco conhecido e estudado na vida de Padre Cícero, o seu interesse em ser missionário na China. Esse fato está registrado no livro do Padre Azarias “O Patriarca de Juazeiro”. O jovem sacerdote após sua ordenação planeja ser missionário na China, para isso busca informações em jornais e revistas e através do órgão da Igreja responsável pelas missões, a Propaganda Fide. A Propaganda Fide é o nome da Congregação para Evangelização dos Povos, criada pelo Papa Gregório XV através da Bula Inscrutabili Divinae no ano de 1622, com o intuito de promover a missão católica pelo mundo. A presença da Igreja no Oriente remonta ainda a Antiguidade, especialmente pela lenda segundo a qual o apóstolo São Tomé esteve na Índia ainda no primeiro século, crença que será reafirmada no Livro das Maravilhas do viajante e mercador Marco Polo no século XIII, o qual chegará até a China sob o império Yuan de Genghis Khan. As missões jesuítas do século XVI serão fundamentais para implementar a evangelização dos chineses, como foi o caso das missões de Francisco Xavier (1506-1552) e Matteo Ricci. No caso de Cícero, embora tenha sido apenas uma cogitação de momento, logo depois descartada por insistência de João Brígido, poderia fazer toda a diferença em sua vida e carreira, caso o projeto do padre tivesse sido realizado. Pretendemos explorar as informações que Cícero tinha sobre a evangelização da China e a situação do país oriental no final do século XIX, destacar as motivações, inclusive a aquisição de um dicionário, instrumento que revela sua busca de conhecimentos sobre cultura e língua que seriam fundamentais para a consecução de seu projeto. Esse detalhe interessante na decisão de nosso ousado sacerdote de ir ao Oriente foi a aquisição de um dicionário Português-Chinês , o que revela que a intenção de Cícero não era mera especulação, mas estava sendo preparada cuidadosamente ao buscar informações sobre o país do Oriente, sua língua e cultura. Imagine-se a dificuldade de adquirir um dicionário de Português-Chinês no final do século XIX, quando ainda não havia as facilidades de transporte e comunicação, quanto mais a tradução e distribuição de livros voltados para a cultura de um país distante e fechado como a China de então. Consideramos fundamental essa investigação, pois revela o espírito pioneiro e audacioso do Patriarca do sertão, cujos projetos revelam uma faceta intercultural.
Palavras-chave: Padre Cícero,Missão,China
Oral
Oral
A INFLUÊNCIA AGOSTIANA NO PENSAMENTO DE TERESA DE JESUS: CONFISSÕES E O CASTELO INTERIOR
HIGOR DE SOUZA MENDES
Agostinho é um dos principais autores do cristianismo e da patrística. Sua produção intelectual é vasta, destacando-se obras como A Trindade, A Cidade de Deus e Confissões. Nesta última, especialmente no livro X, capítulo 27, encontra-se uma das passagens mais célebres de toda a tradição cristã: “Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora, a te procurar”. Teresa d’Ávila, herdeira espiritual de Agostinho, foi uma das grandes místicas do século XVI, doutora da Igreja e mestra da vida interior. Assim como o bispo de Hipona, deixou uma obra ampla e profundamente influente, na qual se destacam O Livro da Vida (1565), Caminho de Perfeição (1566) e O Castelo Interior (1577), sua obra mais conhecida. Já em O Livro da Vida, Teresa reconhece a importância do testemunho de Agostinho em seu próprio processo de conversão: como ele, percorreu diversos caminhos até descobrir que Deus habitava em seu interior. O objetivo desta comunicação é articular o pensamento de ambos os autores por meio de um elo comum: a vida interior como caminho de encontro com o Inefável. O método adotado é a revisão bibliográfica exploratória. A partir dessa análise, evidencia-se a relevância da influência agostiniana na obra teresiana, especialmente ao se confrontarem o livro X das Confissões e O Castelo Interior. O estudo também se apoia no apêndice I de Ser Finito e Ser Eterno (1936), de Edith Stein, carmelita profundamente influenciada por Agostinho e Teresa
Palavras-chave: Agostinho, Teresa d'Ávila,Via interior,Inefável,Confissões
Oral
A PINTURA MEDIÚNICA COMO PROCESSO DE AUTOCONHECIMENTO
JHEINE ALVES DE MOURA
Este trabalho investiga a pintura mediúnica como prática artística e processo de autoconhecimento, partindo da trajetória pessoal do autor enquanto artista médium. A introdução apresenta o tema como um fenômeno que, embora desperte curiosidade e resistência no meio acadêmico, tem crescido em visibilidade, especialmente nas redes sociais. O objetivo central foi analisar a pintura mediúnica a partir de experiências autobiográficas e de comparações com outros artistas brasileiros que atuam nesse campo, buscando compreender suas especificidades, formas de validação e contribuições ao desenvolvimento pessoal. O método adotado foi qualitativo, fundamentado em pesquisa autobiográfica e em entrevistas semiestruturadas com artistas médiuns brasileiros de diferentes contextos espirituais. Essa abordagem possibilitou a análise de práticas, técnicas, referências e percepções, respeitando a subjetividade e a historicidade dos participantes. Os resultados evidenciaram elementos recorrentes na prática, como a sacralidade e ritualística do processo criativo, a canalização de imagens de mentores espirituais e a importância da espiritualidade interior como guia para o trabalho artístico. Verificou-se ainda que a pintura mediúnica favorece o autoconhecimento, ao permitir que o indivíduo se reconheça como ser espiritual e multidimensional. Conclui-se que, embora não apresente resultados definitivos, a pesquisa contribui para legitimar a pintura mediúnica como campo de estudo nas Artes Visuais, incentivando novas investigações e desconstruindo preconceitos acadêmicos em torno da espiritualidade. Minicurrículo do proponente: Jheine Alves de Moura (Khalreon) é artista visual e médium, licenciado em Artes Visuais pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e pós-graduado em Arteterapia pela Faculdade Líbano. Desenvolve pesquisa em arte mediúnica, explorando a relação entre espiritualidade, processos criativos e autoconhecimento, com produções que transitam entre o desenho e a pintura digital, ultrapassando mais de 700 artes canalizadas até o momento.
Palavras-chave: Pintura mediúnica, Arte, Espiritualidade, Autoconhecimento, Artes, Visuais.
Oral
ARTE MEDIÚNICA: INFLUÊNCIA ESPIRITUAL NAS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS SOB A ÓTICA ESPÍRITA
MARCIANO DO NASCIMENTO BELARMINO
RESUMO O presente escrito se destina à investigação de produções artísticas e de artistas que através de vias mediúnicas, apresentam imagens em desenhos e pinturas psicopictografadas e/ou canalizadas, trata de uma experiência pessoal realizada na Associação Espírita Allan Kardec – AEAK em diálogo com demais artistas da arte mediúnica de diferentes crenças e religiões. Busca-se uma melhor compreensão a respeito da mediunidade como fator biológico humano, objetivando-se compreender como as influências espirituais se deram nos processos de produção artísticos ao longo do tempo, e como o artista médium dos dias atuais, podem perceber essa sutileza que pode ser a influência espiritual que o inspirou e que o inspira atualmente O intuito desta investigação é analisar e compreender os fins aos quais se destinam essas produções, quais os conceitos e especificidades desta manifestação artística, bem como, buscar quebrar tabus existentes sobre o tema. Uma abordagem interdisciplinaridade entre áreas de conhecimento como artes visuais e ciência das religiões a partir da ideologia espírita. Tendo como linha norteadora questões como: o que nos dizem os espíritos superiores, na codificação de Allan Kardec, sobre influência espiritual? Como essa influência é trabalhada pelos artistas e com qual intuito? Para tanto pretende-se realizar entrevistas abertas com alguns desses artistas, que se tem acesso, para que narrem sobre como realizam, através da mediunidade, a transposição das mensagens recebidas utilizando-se das linguagens artísticas, desejosos de mostrar ao mundo uma nova realidade ao transmitirem seus conhecimentos, junto a isto será feito um levantamento bibliográfico sobre escritos de artistas e/ou pesquisadores sobre o tema para uma análise do fenômeno, que será tratado de forma respeitosa pautado em experiência científicas, reconhecendo o espiritismo como uma ciência de observação, que através dos tempos podemos observar muitas dessas manifestações. Espera-se que com este estudo se possa ampliar o conhecimento para as diversas possibilidades de canalização de mensagens espirituais através de pinturas e/ou desenhos, buscando chamar a atenção para o mundo espiritual e sua relação com o mundo material.
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Aspectos espirituais e místicos do texto "Estações no caminho para a liberdade" de Dietrich Bonhoeffer
RENATO KIRCHNER
Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) é uma das personalidades mais interessantes do século XX. Segundo Eric Metaxas, ele foi mártir, pastor, profeta e espião. Filho de uma família alemã abastada, ele tinha tudo para viver uma vida longa e confortável. No entanto, inspirado pelo Evangelho, escolheu encarar os poderes de seu tempo sombrio. Foi orientado por Adolf Harnack (1851-1930), a grande estrela do liberalismo teológico e do método histórico-crítico de interpretação das Escrituras, o teólogo da Igreja Confessante teve a coragem de rejeitar os dogmas liberais e reafirmar importantes aspectos da ortodoxia. A sua paixão por fazer a vontade de Deus o levou, finalmente, a enfrentar o pior dos males que se abateu sobre sua terra natal, o nazismo, à custa de sua própria vida. Quando Hitler tentou cooptar a Igreja Alemã, Bonhoeffer foi um dos líderes da resistência, fundando a Igreja Confessante, que acabou por ser tornada clandestina pelo regime. Ele também ajudou ativamente na fuga de famílias de judeus para a Suíça e militou junto às demais igrejas europeias no sentido de conscientizá-las a respeito da situação da Igreja Alemã. Porém, o momento mais dramático dessa luta foi participação de Bonhoeffer num plano para assassinar Adolf Hitler. A presente proposta de comunicação é dupla: a) de um lado, apresentar o Dietrich Bonhoeffer; b) fazer uma análise textual e interpretativa da composição intitulada “Estações no caminho para a liberdade”, procurando evidenciar os elementos espirituais e místicos presentes neste breve texto poético cujas palavras orientadoras são Disciplina, Ação, Sofrimento e Morte. Palavras-chave: Bonhoeffer, Disciplina, Ação, Sofrimento e Morte.
Oral
FÉ, SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE: PRÁTICAS HOMOAFETIVAS COMO FORMA DE IRRADIAÇÃO DA RENOVAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
MARILENE FERREIRA LOBO
FÉ, SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE: PRÁTICAS HOMOAFETIVAS COMO FORMA DE IRRADIAÇÃO DA RENOVAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Marilene Ferreira Lobo Resumo Este trabalho aborda as práticas homoafetivas na Renovação ao Sagrado Coração de Jesus (SCJ), tradição devocional fortemente enraizada na religiosidade popular do Cariri cearense. A pesquisa parte da constatação de que, embora não haja proibição formal por parte da Igreja Católica, discursos morais excludentes ainda atuam como barreiras simbólicas que limitam a expressão religiosa de casais homoafetivos. O objetivo é compreender como a fé e a espiritualidade, atravessadas por gênero e sexualidade, se tornam formas de resistência simbólica e de ressignificação do sagrado. O método utilizado combina entrevistas em profundidade com um casal homoafetivo e com um tirador de Renovação que se reconhece como homossexual, além de observação participante e escuta sensível, fundamentadas na geografia simbólica (Gil Filho), na filosofia das formas simbólicas (Cassirer) e na hermenêutica de Paul Ricoeur. Os resultados evidenciam que a Renovação, quando celebrada em lares homoafetivos, constitui um espaço de afirmação identitária, resistência moral e recriação simbólica do rito. A prática devocional, ao mesmo tempo que rompe com normatividades excludentes, reafirma o valor comunitário da Renovação, revelando novas possibilidades de pertencer e irradiar a fé. Conclui-se que a espiritualidade homoafetiva não representa ruptura com a tradição, mas atualização viva do sagrado, que amplia os sentidos da devoção e contribui para uma compreensão inclusiva da experiência religiosa contemporânea. Palavras-chave: Renovação ao Sagrado Coração de Jesus, Espiritualidade homoafetiva, Geografia simbólica, Formas simbólicas.
Oral
O CAMINHO QUE SE FAZ NA FÉ: O SANTO SEPULCRO E AS NARRATIVAS DE DEVOÇÃO
JOSÉ FELIPE DE LIMA ALVES; Itamara Freires de Meneses
Esta proposta de trabalho surge a partir das investigações empíricas realizadas para a construção da tese de doutorado durante a Romaria de Finados, em Juazeiro do Norte. Refletimos sobre o lugar da materialidade nas práticas religiosas ligadas ao Padre Cícero, com foco na materialização devocional em um dos espaços sagrados mais visitados da cidade: o Santo Sepulcro, localizado na Colina do Horto. Esse local era utilizado pelo Padre para recolhimento espiritual e orações, e possui um percurso de aproximadamente 3 km. Após sua morte, os romeiros e devotos passaram a adotar o espaço como destino de peregrinação, oração, redenção dos pecados e pagamento de promessas. Ao longo do trajeto, observam-se diversas paradas em lugares considerados sagrados, como a Pedra do Pecado, a Pedra da Coluna e a Capela, que compõem o circuito devocional. O trabalho baseia-se na observação participante e no método etnográfico, realizados durante as romarias de finados nos anos de 2019, 2021 e 2022. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com conversas informais e registro das narrativas por meio de áudios, fotos e vídeos dos devotos que visitam o lugar. Autores como Barros (1988), Halbwachs (2006), Braga (2007) e Cordeiro (2010) contribuem para refletirmos sobre a memória e o processo devocional em torno do Padre Cícero. Assim, o percurso revela as múltiplas narrativas expressas pela memória dos devotos, as práticas simbólicas e os aspectos materiais, espirituais e culturais que permeiam a romaria e a experiência no Santo Sepulcro.
Palavras-chave: devoção,práticas simbólicas,espiritualidades,religiosidades
Oral
O CARISMA OBLATO COMO SINAL DE ESPERANÇA PARA OS POBRES FRENTE AO MAGISTÉRIO DO PAPA LEÃO XIV
MARIA LUISA MAGNANI; Adriano Ramos Soares de Lemos Júnior
A presente comunicação tem em vista abordar o carisma da Congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada como fonte de amor e esperança aos pobres em diálogo com a recém-publicada exortação apostólica do Papa Leão XIV: Dilexi Te. Sabe-se que a sociedade contemporânea vive uma constante desestabilização de paradigmas com valores volúveis, onde cada indivíduo é encerrado em si mesmo. Diante dessa constante, também se apresentam novos rostos da pobreza e diferentes disfarces da marginalização social. Assim, se faz necessário reparar essa situação, sendo uma das possibilidades o carisma oblato. Disto, nosso primeiro objetivo é situar o carisma oblato enquanto agente de transformação social. A opção preferencial pelos pobres como uma escolha para a Igreja da América Latina agora é abordada como uma iniciativa universal de toda a Igreja no despertar da esperança pela caridade com o próximo. Disto deriva-se nosso segundo objetivo: entender a Igreja como uma instituição que se sensibiliza pela causa dos pobres como prioridade em sua opção teológica. Por fim, nosso terceiro objetivo visa compreender a relação do exercício missionário da Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada com a exortação apostólica do Papa Leão XIV, em suas aproximações no cuidado com os pobres diante do esquecimento que esta população é acometida. Para cumprir com esses objetivos, utilizaremos o instrumental teórico da fenomenologia heideggeriana para interpretação da realidade atual e as possíveis hermenêuticas que se colocam frente ao problema. Com essa pesquisa, poderemos notamos também a atuação da Igreja na imitação ao Evangelho de Cristo.
Oral
Práticas medievais de saúde integrativa por Santa Hildegarda de Bingen: corpo, emoção e espiritualidade no cuidado integral do ser humano
SILVIA HELENA COUTO
No contexto da saúde medieval, Santa Hildegarda nos comtempla com tradições fitoterapia e saberes populares, sistematizando-os em uma perspectiva integral: plantas e alimentos são percebidos como mediadores da graça divina e como agentes que restauram o equilíbrio corporal. Seu enfoque dietético e terapêutico privilegia a prevenção, a observação dos humores e a integração das emoções no processo curativo, antecipando noções contemporâneas de saúde psicossomática. Com tudo sua pratica espiritual permeia toda a sua obra com práticas de meditação músicas e orações integrando as faces humanas em uma medicina natural integrativa. A obra visionária “Scivias”, considerada sua obra-prima, afirma a presença do divino nas ordens naturais e oferece fundamentos teológicos para entender a doença como desordem que pede reconciliação física e espiritual (“Scivias”). Esse fundamento espiritual é retomado pela pesquisa atual para justificar práticas integrativas que não se limitem a intervenções biomédicas, mas acolham sentido, rito e pertencimento na cura. Ao dialogar com a produção contemporânea, este painel mostra como a ênfase hildegardiana na comunhão com o transcendente. A espiritualidade atua como componente terapêutico que dá sentido à enfermidade, favorece resiliência e mobiliza redes de cuidado. Aprendizados centrais incluem a valorização do conhecimento ecológico das plantas, a alimentação como prática terapêutica e o reconhecimento do papel transformador da experiência espiritual. Conclui-se que a herança de santa Hildegarda oferece um modelo ético-prático para a saúde integrativa contemporânea, convidando profissionais e comunidades a integrarem saberes tradicionais, ciência e espiritualidade na promoção do bem-estar integral. O painel propõe ainda pesquisas colaborativas entre terapia integrativa e complementar, teologia, medicina e antropologia.
Palavras-chave: Saúde intergral,Mística
Oral
Versenkung e Nachfolge: Mística, Seguimento e os Modos de Habitar a Terra no Cristianismo Não-Religioso
LUCAS PEREIRA DA SILVA FREITAS
A presente comunicação propõe uma reflexão sobre a convergência entre diferentes perspectivas teológicas e filosóficas contemporâneas, aproximando o conceito de rebaixamento hermenêutico, ou Versenkung (imersão, rebaixamento), de Gianni Vattimo, e a noção de Nachfolge (seguimento), presente na obra de Dietrich Bonhoeffer. O objetivo é mostrar que a vida cristã plena não se fundamenta em categorias metafísicas abstratas, mas na fisicalidade do mundo, na concretude da existência. O cristianismo é concebido como o movimento de rebaixamento de Deus na imanência histórica, uma encarnação que se realiza nos modos de habitar a terra, nas relações humanas e na prática cotidiana. Nesse horizonte, a Kénosis, ou esvaziamento divino que funda a encarnação, dialoga com o niilismo ativo de Vattimo, abrindo espaço para caminhos dialógicos em que a verdade não se impõe como absoluto, mas se manifesta na comunicação aberta e no encontro entre sujeitos. A Igreja, enquanto corpo de Cristo, aparece como comunidade encarnada, revelando a possibilidade de um cristianismo não-religioso, orientado pelo engajamento ético e pela responsabilidade concreta diante do mundo. A fé pode ser entendida como cantus firmus, eixo que sustenta a vida cotidiana sem se apresentar como sistema rígido, permitindo a polifonia existencial e a liberdade na experiência humana. Assim, a fé não se reduz a dogmas, mas se vive como confiança encarnada, prática e responsiva. A proposta delineia uma antropologia teológica da secularização que reconhece o ser humano em sua maturidade e autonomia, sem dependência de categorias sacras exteriores. O método adotado combina hermenêutica filosófica e revisão bibliográfica, contemplando tanto as obras centrais de Vattimo e Bonhoeffer quanto comentadores. Espera-se que a aproximação entre Versenkung, Kénosis e Nachfolge ilumine o redirecionamento do sagrado como espaço de linguagem, hospitalidade e prática ética, enraizado na imanência e capaz de responder aos desafios da modernidade tardia.
Palavras-chave: Versenkung,Nachfolge,Bonhoeffer,Mística,Cristianismo não-religioso
Oral
Esta comunicação apresenta a análise do primeiro capítulo da dissertação A Didática do Ensino Religioso: Práticas e Desafios no Contexto da Escola Pública Sebastiana Aldiguere na Cidade de Fortaleza/CE, intitulado “Ensino Religioso no Ceará”. O capítulo organiza-se em três seções: 1.1 Contextualização histórica e legal do Ensino Religioso nas escolas públicas do Município de Fortaleza, 1.2 Importância do Ensino Religioso na Educação Pública e 1.3 Práticas Pedagógicas usadas atualmente no Ensino Religioso. A pesquisa examina a trajetória histórica e normativa da disciplina, sua relevância para a formação integral dos estudantes e as metodologias atualmente utilizadas nas escolas públicas. Fundamentada em autores como Freire (1988), Saviani (1983), Libâneo (2008) e Oliveira (2009), a análise evidencia que o Ensino Religioso é um espaço de desenvolvimento da espiritualidade e de promoção da cidadania, desde que pautado em uma abordagem crítica e inclusiva. Os resultados mostram que, apesar dos avanços normativos como a Resolução nº 404/2005 do Conselho Estadual de Educação do Ceará e o Documento Curricular Referencial de Fortaleza (DCRFor, 2024), persistem desafios na formação docente e na consolidação de práticas inter-religiosas. Conclui-se que o Ensino Religioso, articulando espiritualidade, religiosidade e didática reflexiva, desempenha papel fundamental na construção de uma cultura de paz e no fortalecimento de uma educação pública democrática e plural, em consonância com o ST 3 – Espiritualidade, Religiosidade e Ensino Religioso Escolar.
Palavras-chave: Ensino Religioso, Didática,Diversidade Religiosa,Inclusão
Resumo Simples · Oral
ENSINAR COM A ALMA: INTERFACES ENTRE EDUCAÇÃO, RELIGIÃO E PSICANÁLISE NO PENSAMENTO DE RUBEM ALVES
NAJLA GERGI KROUCHANE
A partir de Rubem Alves, é possível entrelaçar educação e religião por meio de uma abordagem sensível e poética. Enquanto educador, defende que a educação deve tocar corpo e a alma — marcados pela imaginação, afeto e escuta poética. Propõe, assim, uma pedagogia do encantamento, capaz de despertar o desejo de aprender. Para ele, o professor deve ser um encantador de palavras, alguém que educa o olhar e convida o aluno a sonhar com o que ainda não sabe. Como teólogo, concebe a religião como expressão da imaginação e do desejo humano, revelando sentidos poéticos e subjetivos. A religião, em sua visão, é uma linguagem que retrata os anseios profundos da existência e organiza o mundo em torno da esperança e beleza. O religioso funciona como resistência à frieza da razão, sendo abertura ao mistério e à transcendência. A fé, para Alves, é uma experiência estética, ligada à imaginação, à emoção e à sensibilidade. Se manifesta como encantamento diante do mistério da existência — uma linguagem poética que contorna o indizível: o Deus capaz de ouvir o silêncio. Enquanto psicanalista, Alves afirma que é preciso escutar o não dito — uma linguagem do silêncio, gestos, sonhos e afetos. Essa escuta profunda aparece em sua crítica à educação tradicional, que ignora a singularidade do aluno. Em obras como O que é religião? (1981) e A alegria de ensinar (1994), Alves o articula saber pedagógico, o pensamento teológico e a escuta, propondo uma educação que toca o sensível, o simbólico e o espiritual do sujeito.
Resumo Simples · Oral
ENSINO RELIGIOSO EM FORTALEZA: ENTRE A TRADIÇÃO CONFESSIONAL E OS DESAFIOS DA LAICIDADE CRÍTICA
SÔNIA WERLANE DAMASCENO DIOGO DA SILVA
SONIA WERLANE DAMASCENO DIOGO DA SILVA ¹ Esta comunicação apresenta uma investigação sobre o desenvolvimento histórico do componente curricular Ensino Religioso (ER) na rede municipal de Fortaleza-CE. Esse tema se deriva da pesquisa de mestrado e contempla seu primeiro capítulo que tem como tema: Fundamentos Teóricos e Trajetória Histórica do Ensino Religioso em Fortaleza. O objetivo principal é analisar a transição de um modelo predominantemente confessional para uma proposta pedagógica pautada na pluralidade e na laicidade do Estado, mapeando as tensões políticas e pedagógicas que marcaram essa trajetória. Para tanto, empregou-se uma abordagem histórico-analítica e documental, com exame de legislações como a Constituição Federal de 1988, a LDB de 1996, a BNCC e as Diretrizes Curriculares de Fortaleza (DCRFor). A análise foi fundamentada nos referenciais teóricos da pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani e da educação libertadora de Paulo Freire. Os resultados apontam que, apesar dos significativos avanços normativos que orientam o ER para uma perspectiva não proselitista, persistem desafios cruciais em sua implementação. Destacam-se a necessidade de formação docente adequada para uma prática dialógica e intercultural e a dificuldade em superar legados confessionais no cotidiano escolar. Conclui-se que a consolidação de um Ensino Religioso emancipador em Fortaleza está condicionada ao fortalecimento de políticas de formação continuada de professores e à promoção de uma cultura escolar que valorize a diversidade como princípio ético-pedagógico. As considerações versam sobre a construção de um espaço para a espiritualidade laica e a religiosidade crítica permanece como o principal horizonte a ser alcançado. ____________________ Especialista em Psicopedagogia, mestranda em Ciências das Religiões pela Unida de Vitória-ES. Professora da rede pública municipal de Fortaleza. E-mail: soniawds@hotmail.com
Oral
ENSINO RELIGIOSO EM FORTALEZA: TRAJETÓRIA, TENSÕES E PERSPECTIVAS PARA UMA PRÁTICA LAICA
SOLANGE MARIA BARROS DIOGO
O presente estudo busca analisar a transformação do Ensino Religioso (ER) na rede pública de Fortaleza, contextualizando sua transição de um paradigma confessional para um modelo laico e pluralista, conforme os marcos legais contemporâneos. Os objetivos centrais são analisar a trajetória histórica e a configuração atual da disciplina, investigando as influências legais e políticas que moldam sua prática, e identificar os principais desafios para a efetivação de um ensino não proselitista, com foco nas lacunas da formação docente. O método empregado consiste em uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise documental de marcos legais (Constituição, LDB, BNCC) e diretrizes locais (DCRFor), articulada a uma revisão bibliográfica crítica sobre o tema. Os resultados revelam um profundo tensionamento entre o projeto normativo de um ER laico e as influências político-religiosas historicamente consolidadas, evidenciando uma significativa dissonância entre a norma e a prática cotidiana. Aponta-se a precariedade na formação de professores como o principal obstáculo à implementação do modelo pluralista, um cenário agravado por interpretações legais como a decisão do STF na ADI 4.439. Conclui-se que a efetiva transformação do ER em Fortaleza depende de um esforço coordenado que envolva políticas de formação continuada e o fortalecimento do compromisso institucional com a laicidade. A pesquisa culmina na proposição de um Guia Pedagógico como subsídio concreto para qualificar a prática docente e consolidar os princípios de uma educação democrática.
Palavras-chave: Ensino Religioso,Politicas Educacionais, Laicidade, Formação Docente, Fortaleza
Oral
O CATIMBÓ COMO RAIZ DA CURA ANCESTRAL: INTERFACES ENTRE ESPIRITUALIDADE E SAÚDE
PAULO HENRIQUE MEIRA DUARTE
O Catimbó constitui um fenômeno polissêmico, representando um sistema complexo que integra dimensões culturais, religiosas e espirituais, crucial para o estudo da espiritualidade humana e da cosmovisão religiosa. O Catimbó, como “árvore-mãe”, proporciona benefícios com notáveis efeitos psicossomáticos e simbólicos sobre o sujeito. O presente estudo buscou analisar as transformações no processo de adoecimento após o contato com o Catimbó e investigar de que forma o poder curativo da Jurema Sagrada impacta a vida dos adeptos. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o Catimbó, a fim de identificar e analisar as múltiplas definições, compreensões e experiências registradas na literatura. A eficácia curativa no Catimbó transcende a materialidade. Ela é articulada por uma cosmologia que envolve rituais, cânticos e a mediação de seres encantados. A cura é um processo ancestral e integral, promovendo o acolhimento e a reintegração do fluxo energético mente-corpo, atuando como uma tecnologia ancestral que desloca a lógica biomédica. Contudo, a planta possui uma ambiguidade inerente ("jurema, tua folha cura, teu espinho mata"). Estudos desafiam a noção de que o natural é estritamente seguro, revelando riscos fisiológicos intrínsecos, como alterações renais, hepáticas e potencial tóxico, o que exige rigor científico para o uso controlado. A Jurema Sagrada é fundamental para a reflexão sobre espiritualidade, saúde e cura. A preservação do conhecimento ancestral simboliza justiça epistemológica, mas a identificação dos efeitos tóxicos revela a urgência de protocolos científicos para garantir a segurança e confiabilidade, fomentando o diálogo entre a sabedoria tradicional e o rigor acadêmico.
Palavras-chave: Jurema sagrada,Catimbó,Cura,Toxicidade,Espiritualidade
Oral
O livro Filoteia na formação da cosmovisão do Pe. Cícero Romão e aspectos dessa leitura na sua ação pastoral
RENNYLDO PHYERY SOUZA DE LIMA
A ação pastoral de Padre Cícero Romão Batista em Juazeiro do Norte constitui um dos fenômenos mais expressivos da espiritualidade popular brasileira. Este estudo propõe uma leitura teológico-espiritual de sua prática pastoral a partir dos princípios apresentados por São Francisco de Sales na Filoteia (Introdução à Vida Devota). O objetivo é compreender de que modo a espiritualidade ensinada por Sales — centrada na mansidão, no amor cotidiano e na santificação das tarefas ordinárias — encontra ressonância na missão pastoral do “Padim Ciço”, marcada pelo acolhimento dos pobres, pela educação moral do povo e pela vivência da fé em meio às adversidades do sertão. A pesquisa, de abordagem qualitativa e bibliográfica, realiza uma análise hermenêutica entre as fontes salesianas e a tradição oral e escrita sobre Pe. Cícero, situando-o como mediador entre a doutrina e a religiosidade popular. Conclui-se que a pastoral de Pe. Cícero revela uma forma singular de inculturação do Evangelho, na qual a simplicidade devocional se converte em caminho de santificação, aproximando a espiritualidade clássica de Sales da experiência de fé nordestina. O estudo contribui, assim, para repensar a pastoral como espaço de comunhão entre a tradição cristã e as expressões vivas da religiosidade do povo. Palavras-chave: Padre Cícero, espiritualidade, Filoteia, São Francisco de Sales, religiosidade popular.
Oral
PADRE CÍCERO: AS CARACTERÍSTICAS DE UM SANTO CONSELHEIRO
JOÃO EVERTON DA CRUZ SANTOS
O nosso propósito aqui é esclarecer algumas características significativas de um santo popular como o Padre Cícero, um elemento primordial da cultura popular e do catolicismo popular sertanejo da qual a cidade de Juazeiro do Norte é epicentro. A cultura e o catolicismo popular têm o um valor inestimável, porque estão enraizados dentro dos símbolos, dos costumes, da linguagem, das festas populares e dos ritos de uma determinada comunidade. Os romeiros do Pe. Cícero contam histórias, lendas sobre o seu nascimento e que se atribuem ao Pe. Cícero, centenas de milagres. A nossa contribuição tem a ver com o campo da Ciências da Religião, sobretudo as disciplinas de Sociologia e História. Pretendemos examinar as crenças populares não como superstição. Não desprezo à cultura e o imaginário social; compreendendo os aspectos sociológico deste fenômeno. Também não se pode conhecer este fenômeno plenamente desconhecendo o contexto social, econômico, moral e político do Nordeste brasileiro. Nessa direção, utilizaremos os resultados da nossa pesquisa de doutorado em Ciências da Religião sobre Frei Damião de Bozzano como conselheiro. O trabalho está dividido em três momentos distintos e complementares; bem com as considerações finais. Na primeira parte, abordaremos, a percepção do romeiro sobre o Pe. Cícero. Na segunda parte, consideramos os romeiros e, na terceira e última parte, as características de santo conselheiro.
Oral
SAPIENTIA SPIRITUALIS: reflexões sobre a espiritualidade humanista e a sabedoria interior em tempos de insensibilidade
DENIS COTTA
A contemporaneidade se encontra permeada por variados tipos de ideologias que, em grande medida, reverberam negativamente na saúde psicoespiritual do indivíduo. São tempos de excessos, de uma sociedade orientada para o Ter mais em vez do Ser mais, e neste interim, o sujeito se aliena, se torna um ente desprovido de alma, de sensibilidade e compaixão. Na obra Zen budismo e psicanálise, escrita em parceria com D. T. Suzuki e Richard de Martino, Erich Fromm sinaliza sobre um phatos espiritual que assola a contemporaneidade, “[...] uma crise que tem sido descrita como ‘malaise, ‘ennui’, ‘mal du siècle’, o embotamento da vida, a automatização do homem, seu alheamento de si mesmo, do seu semelhante e da natureza.” (Fromm, 1976, p. 94). Segundo o nosso autor, este mal do século afeta o sujeito em sua integralidade, sua dimensão corpórea, psicossocial e espiritual são amplamente afetadas, uma vez que se encontram interconectadas.Tendo como base as contribuições teóricas do psicanalista alemão Erich Fromm e do educador brasileiro Paulo Freire, a nossa comunicação visa sublinhar a importância do estabelecimento de uma educação transformadora, que viabilize experiências de espiritualidade. De modo específico, focaremos na concepção de espiritualidade humanista advinda da cosmovisão frommiana, que pode ser definida como uma vivência integral, imbuída de sentido, que se pauta pelo despertar da centelha divina, pelo pleno despertar do indivíduo, para que ele se situe no mundo como agente de transformação. A partir destas considerações, objetivamos enfatizar a importância de uma práxis educativa voltada ao cultivo dos valores humanos mais altos, que leva em consideração a dimensão espiritual antropológica do humano, recinto em que é nutrida a espiritualidade. Como recurso metodológico, utilizaremos uma revisão teórico-bibliográfica de obras frommianas e freirianas, a fim de destacar pontos de confluência entre os autores supracitados, sobretudo no que tange à ideia de uma educação que liberta e transforma o ser educando. Por fim, almejamos explicitar que, a sabedoria espiritual, não se refere a algo estritamente cerebral/intelectual, mas sim vivencial. É noutros termos, uma forma de ser e de estar no mundo, na qual, o cuidado com a natureza e com o outro se torna um compromisso indissociável consigo mesmo. * Doutor e mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas. E-mail: deniscottapsy@gmail.com
Palavras-chave: Sabedoria espiritual,Espiritualidade Humanista,Ética do cuidado,Educação
Resumo Expandido
TECNOLOGIAS DIGITAIS COMO FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL NO ENSINO RELIGIOSO ESCOLAR
LILIAN KÉCIA PENHA VASCONCELOS SILVA
A presente comunicação apresenta o projeto de pesquisa de mestrado que investiga o potencial das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) para a inovação pedagógica no Ensino Religioso (ER). Diante dos desafios de engajamento discente em aulas de ER, muitas vezes pautadas em modelos tradicionais, a pesquisa parte do problema de como os recursos tecnológicos podem contribuir para metodologias mais participativas e para o desenvolvimento de competências socioemocionais. O estudo visa analisar o impacto da inclusão das TDICs nas aulas de ER em uma escola pública de Fortaleza-CE, buscando compreender como essas ferramentas podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades como empatia, respeito à diversidade e diálogo, e identificar as percepções de professores sobre sua eficácia. A metodologia adotada possui abordagem mista, combinando revisão bibliográfica sobre ER, TDICs e competências socioemocionais, com uma pesquisa de campo que utilizará questionários semiestruturados aplicados a docentes. Como resultados esperados, pretende-se diagnosticar as práticas atuais e os desafios na integração tecnológica, além de mapear as potencialidades do uso de ferramentas digitais. A pesquisa culminará na elaboração de um produto educacional: uma proposta de formação docente para capacitar professores a utilizar as TDICs de forma crítica e criativa. Conclui-se que o estudo oferece contribuições práticas e teóricas, fortalecendo a prática docente e promovendo um ER mais dinâmico, inclusivo e alinhado às demandas do século XXI. Palavras-chave: Ensino Religioso; Tecnologias Digitais; Competências Socioemocionais; Formação Docente.
Oral
Palavras-chave: Capitalismo,Mercantilização da fé,Teologia do Domínio,Sociologia da Religião, Neoliberalismo
Oral
Palavras-chave: Educação antirracista,Autodeclaração, Identidade racial,PIBID,Escola
Oral
A EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO ESINO MÉDIO: ANÁLISE DAS PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES SOBRE A ELETIVA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE JUAZEIRO DO NORTE.
IVANILDE GABRIELLY DA SILVA BRAGA ; Danielle Soares Vasconcelos
O presente trabalho tem como objetivo analisar as percepções dos estudantes da Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, em Juazeiro do Norte-CE, acerca da eletiva Educação Antirracista, ministrada pelo professor Michael em parceria com os bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). A disciplina constitui uma importante iniciativa de enfrentamento ao racismo no contexto escolar, promovendo a reflexão sobre suas manifestações históricas, sociais e culturais, bem como sobre expressões veladas e estruturais. A pesquisa envolve estudantes que participam atualmente da eletiva e aqueles que a cursaram em 2023, considerando também a mudança no formato de inscrição, que passou da escolha livre ao direcionamento pela gestão, como fator relevante para compreender perfis e experiências. O estudo adota abordagem quali-quantitativa, com aplicação de entrevistas e questionários, e encontra-se em andamento, com análise parcial dos dados. Os resultados parciais indicam que os estudantes reconhecem a importância da eletiva para o fortalecimento do respeito à diversidade, o combate a estereótipos e a valorização da cultura afro-brasileira. Observa-se que o componente curricular tem favorecido o diálogo e ampliado o senso crítico dos alunos frente às desigualdades raciais, reforçando a escola como espaço de reflexão e transformação social.
Palavras-chave: Educação Antirracista, Relações raciais, Escola pública, PIBID.
Oral
A Poesia Afro-Brasileira Escrita por Mulheres Negras como Recurso Educativo para uma Formação Antirracista e Antissexista.
JÉFERSON LEANDRO DE OLIVEIRA
Historicamente, a produção epistemológica de mulheres negras sofreu um apagamento resultante do epistemicídio; consequentemente, a literatura tem sido atravessada por um silenciamento e pela falta de reconhecimento de suas vozes. Este trabalho tem como propósito refletir sobre como a poesia e contos afro-brasileiros de autoria negra feminina podem ser utilizadas na educação como ferramenta de formação antirracista e antissexista. A lei nº 10.639/2003, que fundamenta a educação antirracista, orienta este estudo, desenvolvido a partir de Cadernos Negros: Autoras, obra que reúne textos de intelectuais como Esmeralda Ribeiro, Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, entre outras. O estudo investiga o potencial pedagógico dessa produção literária para fortalecer a identidade étnico-racial e enfrentar o racismo estrutural no ambiente escolar. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter bibliográfico, realiza uma leitura crítica de obras de poetas afro-brasileiras contemporâneas, propondo uma abordagem interdisciplinar entre literatura e educação. Percebe-se que seus versos podem ser trabalhados em sala de aula por meio de atividades de leitura, escrita e debate, de modo a favorecer o reconhecimento das identidades negras, bem como o combate ao racismo, ao sexismo, e ao racismo religioso. Observa-se que a poesia afro-brasileira escrita por mulheres negras é um potente recurso pedagógico para a formação, pois promove o diálogo entre arte, história, identidade e espiritualidade, além de contribuir para uma educação plural, emancipadora e comprometida com os valores da equidade racial.
Resumo Simples · Oral
Educação Antirracista e Liberdade Religiosa: Desafios Jurídicos e Sociais
FRANCISCO GABRIEL DA CRUZ
A Constituição Federal de 1988 consagra a igualdade como princípio fundamental e estabelece, em seu artigo 5º, a vedação a quaisquer formas de discriminação, assegurando a liberdade de consciência e de crença como direito inviolável. Contudo, a realidade social brasileira revela contradições persistentes entre o marco jurídico e as práticas cotidianas, especialmente no que concerne ao racismo estrutural e religioso. As religiões de matriz africana, historicamente estigmatizadas, ainda enfrentam intolerância, preconceito e violência simbólica e física, muitas vezes reproduzidos em espaços educacionais, que deveriam ser ambientes de promoção do conhecimento e da cidadania. O presente trabalho busca refletir sobre os desafios jurídicos e sociais da efetivação de uma educação antirracista comprometida com o respeito à diversidade religiosa, entendida como dimensão constitutiva da democracia e dos direitos humanos. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada na análise da Constituição Federal de 1988, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, bem como de tratados internacionais ratificados pelo Brasil no campo da proteção dos direitos humanos, além de dialogar com autores das áreas do Direito, da Educação e das Ciências da Religião. A investigação evidencia que, embora haja avanços normativos e políticas públicas voltadas ao combate ao racismo e à intolerância religiosa, persiste uma lacuna significativa na implementação de práticas pedagógicas efetivamente interculturais. A ausência de formação docente específica, aliada ao peso de heranças coloniais e eurocêntricas, contribui para a manutenção de estigmas que reforçam a marginalização de grupos religiosos historicamente oprimidos. Os resultados parciais indicam que a intolerância religiosa constitui uma das faces do racismo estrutural, com impactos diretos na dignidade da pessoa humana e na efetividade do princípio da laicidade estatal. Conclui-se que a construção de uma educação antirracista não pode se restringir à letra da lei, mas exige políticas públicas consistentes, investimento em formação docente crítica e a adoção de metodologias pedagógicas que promovam a valorização das identidades culturais e religiosas. A efetivação do direito à liberdade religiosa, nesse sentido, deve ser compreendida como um processo coletivo, que articula proteção normativa, conscientização social e práticas educativas transformadoras, voltadas à superação das desigualdad
Palavras-chave: Educação antirracista,Liberdade religiosa,Direitos humanos,Interculturalidade
Oral
LEITURAS QUE TRANSFORMAM A FORMAÇÃO DOCENTE
CÍCERA VITÓRIA ALMEIDA DA COSTA; VALÉRIA SOARES DA SILVA; MICHAEL MEDEIROS MARQUES
O presente trabalho propõe discutir e refletir sobre o impacto das epistemologias negras feministas na formação docente, articulando-o à construção de práticas pedagógicas antirracistas em escolas de ensino médio, bem como aos debates no campo acadêmico. O objetivo é analisar como as epistemologias negras feministas contribuíram e continuam contribuindo para a formação de educadoras comprometidas com práticas pedagógicas antirracistas nos contextos escolar e universitário. As vivências narradas emergem do curso de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA), a partir da participação como bolsista residente no Programa de Residência Pedagógica – Subprojeto de Sociologia, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), realizado na escola-campo Governador Adauto Bezerra, em Juazeiro do Norte-CE, no período de 2022 a 2024. A pesquisa adota um enfoque (auto)biográfico, considerando a experiência pessoal como elemento fundamental para refletir sobre a formação docente e a construção de práticas pedagógicas antirracistas. Também são analisadas ações desenvolvidas no Projeto de Extensão Tons da Diversidade, atuante na mesma escola-campo em 2024, e no clube de leitura Leia Mulheres Negras, que, desde 2024, promove encontros dedicados ao clube de leitura no âmbito universitário. A partir da reflexão sobre esses processos vivenciados enquanto bolsista e professora em formação, conclui-se que houve um significativo aprofundamento dos debates raciais, sociais e de gênero. Essas leituras — legítimas, críticas e acessíveis — revelam-se fundamentais para a formação docente, sobretudo para aqueles e aquelas que buscam “traduzir” conceitos sociológicos, muitas vezes abstratos, em práticas pedagógicas concretas. Elas promovem a desnaturalização das desigualdades e despertam a imaginação sociológica, contribuindo para a construção de um olhar mais atento e sensível por parte de educadoras e educadores diante dos problemas sociais contemporâneos.
Palavras-chave: Formação Docente,Educação Antirracista,Olhar Sociológico,Epistemologias Negras Feministas
Resumo Expandido · Oral
LER MULHERES NEGRAS: LITERATURA COMO FORMA DE RESISTÊNCIA
BRUNO LEVI DA SILVA BESERRA; João Pedro de Araújo Silva
O projeto “Leia Mulheres Negras” surge como uma iniciativa de pesquisa e extensão da Universidade Regional do Cariri (URCA), com o propósito de fortalecer a luta antirracista e antissexista por meio da leitura. A ação dá visibilidade à resistência e à produção científica de mulheres negras que, ao longo da história, têm sido silenciadas pelos processos de apagamento, consequência do epistemicídio. Três escolas da rede pública de ensino médio participam do projeto, acompanhadas por bolsistas que, por meio da leitura, apresentam às(aos) estudantes autoras negras raramente contempladas, inclusive no ensino superior. As instituições analisadas são a Escola Presidente Geisel Polivalente, em Juazeiro do Norte, e a Prefeito Raimundo Coelho Bezerra de Farias. O estudo busca realizar uma análise comparativa sobre como essas escolas estão recebendo e vivenciando a proposta. A metodologia adotada tem como objetivo desconstruir estruturas que perpetuam o racismo e o sexismo no ambiente escolar. O trabalho parte de autoras negras que expressam distintas realidades e perspectivas, como Jarid Arraes, Bell hooks, Djamila Ribeiro e Maria Firmina dos Reis. Integrando ainda o uso de ferramentas lúdicas, músicas, desenhos e produções textuais. Embora tenham sido observados desafios nas duas escolas, relacionados à falta de contato prévio das(os) estudantes com essas autoras e ao desconhecimento dos temas abordados, o que evidencia lacunas formativas no ensino tradicional, o projeto tem promovido uma transformação significativa no engajamento e na reflexão crítica das(os) estudantes. Elas(es) ampliam suas referências culturais e intelectuais à medida que se reconhecem nas narrativas apresentadas, fortalecendo o pensamento antirracista e feminista em suas práticas cotidianas.
Resumo Simples · Oral
O PODER DA PALAVRA: AS VIVÊNCIAS DAS MULHERES NEGRAS NA LITERATURA COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
ANNA JULITA BATISTA FREIRE AGAPTO ; Maria Estefene Moreira Souza
A literatura produzida por mulheres negras constitui uma poderosa ferramenta de empoderamento, ao oferecer vivências que desafiam estereótipos e narrativas hegemônicas. Este resumo analisa a influência dessas obras na formação da identidade e no fortalecimento do senso crítico de leitoras(es), especialmente em contextos educacionais. O objetivo é evidenciar como a leitura de autoras negras pode transformar a percepção de estudantes sobre raça, gênero e classe, promovendo reflexão e resistência. A metodologia envolveu a análise qualitativa de obras selecionadas pelo Projeto de Extensão Leia Mulheres Negras, vinculado à Universidade Regional do Cariri (URCA), com ênfase nas discussões em sala de aula. Entre as autoras estudadas, destaca-se Carolina Maria de Jesus, cuja obra Quarto de Despejo é fundamental. Por meio de sua narrativa sobre desigualdades sociais e raciais, as(os) alunas(os) conheceram a trajetória de uma mulher negra periférica e escritora que transformou a fome em resistência e a palavra em poder. O desconhecimento sobre autoras negras e o racismo representou um desafio, mas as vivências literárias despertaram engajamento e aprofundaram as discussões. Nos encontros, surgiram empatia e interesse pela compreensão da organização social, gerando identificação e reconhecimento diante da representatividade apresentada. Os resultados indicam que o Projeto Leia Mulheres Negras é essencial para romper estereótipos e validar vozes historicamente silenciadas. A exposição a essas narrativas enriquece o repertório cultural e consolida a literatura de mulheres negras como pilar de conscientização e transformação social.
Oral
A FOTOGRAFIA COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA E CONSTRUÇÃO DE UM OLHAR MULTICULTURAL NA EDUCAÇÃO
PAULA LUANA MOREIRA CRUZ; Geiza Maria Dias de Oliveira
A proposta deste trabalho parte da compreensão de que os modos tradicionais de ensino e a estrutura dos espaços de aprendizagem tendem a limitar a pluralidade das formas de aprender. Diante disso, propomos refletir sobre a fotografia como recurso pedagógico, capaz de ampliar os horizontes dos estudantes, incentivando-os a pensar e sentir de maneiras que rompam com os limites da escola e da pedagogia tradicional. O estudo será realizado na Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, localizada na cidade de Juazeiro do Norte – CE, no período matutino, envolvendo turmas do ensino médio nas aulas de Sociologia. Como objetivo buscamos investigar de que forma a lente multicultural, entendida como um olhar em construção ao longo das aulas e alimentado pelas experiências práticas do fazer fotográfico, pode contribuir para a formação crítica e reflexiva dos(as) estudantes. Assim, a proposta busca integrar teoria e prática, promovendo uma educação que valorize a diversidade de experiências e perspectivas. A metodologia adotada será de base qualitativa, a partir da observação participante e pesquisa bibliográfica, com o intuito de compreender como a fotografia pode impactar o processo de aprendizagem nas aulas de Sociologia. Como a pesquisa ainda está em andamento, os resultados apresentados devem ser compreendidos como reflexões provisórias, passíveis de novos aprofundamentos.
Palavras-chave: Sociologia,Ensino de sociologia,diversidade relogiosa,dialogo inter-relogioso,pibid
Oral
A INTERSEÇÃO ENTRE RELIGIÃO, INCLUSÃO E TECNOLOGIAS PARA INCLUSÃO EFETIVA DE ALUNOS COM TEA NO ENSINO RELIGIOSO
IZABEL CRISTINA FERNANDES DE OLIVEIRA
A inclusão no ensino religioso requer uma abordagem que respeite a diversidade de crenças e a pluralidade cultural no contexto educacional. A interseção entre religião, inclusão e tecnologias é um campo de estudo emergente e de grande relevância, sobretudo na educação de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA é um transtorno comportamental que apresenta dificuldades na linguagem, inclusão social, com repertório restrito de atividades e interesses. Apresenta uma alta taxa de prevalência e isso vem dificultando o processo de ensino e aprendizagem, pois traz inúmeros desafios diários no ambiente escolar. Este trabalho tem como objetivo explorar o uso de tecnologias digitais, especificamente jogos, como estratégias pedagógicas que possibilitem a inclusão de crianças autistas no ensino religioso. Para tanto, foi realizada uma pesquisa exploratória de caráter bibliográfico explorando o impacto de estratégias pedagógicas inovadoras utilizando tecnologias digitais na promoção de um ambiente educacional inclusivo dentro do ensino religioso. Como resultados preliminares, destaca-se que há uma lacuna significativa na literatura acadêmica sobre a interseção entre inclusão, tecnologias digitais e ensino religioso, embora haja um crescente interesse por práticas pedagógicas inclusivas em outras áreas do conhecimento, o campo da educação religiosa tem sido menos explorado neste aspecto, especialmente, no que se refere ao uso de recursos digitais para atender alunos com TEA e que a inclusão no ensino religioso requer adaptações pedagógicas e um olhar atento para as necessidades individuais de cada aluno garantindo que o aprendizado aconteça de forma significativa e respeitosa.
Palavras-chave: Religião; Inclusão; Educação; Tecnologias Digitais.
Oral
ENSINO DE SOCIOLOGIA E DIVERSIDADE A PARTIR DO DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
MARIELEN NOGUEIRA VIDAL LEITE; Adriana Maria Simião da Silva; Jetulho Bem Costa; Ryan Bryan Ferreira Dos Santos; Natália Braz Fideles
O presente estudo tem por objetivo analisar a forma como o ensino de Sociologia pode contribuir para o reconhecimento e o respeito à diversidade religiosa, promovendo o diálogo entre diferentes tradições de fé e combatendo preconceitos e estigmas ainda presentes no ambiente escolar. Dado que o ensino de Sociologia tem se mostrado campo fértil para a promoção de reflexões críticas sobre a realidade social, especialmente quando aborda a diversidade religiosa. Deste modo a inserção da temática das religiosidades de matrizes africanas e indígenas no ensino médio, especialmente no contexto da disciplina eletiva Racismo, Desigualdades e Diversidade, desenvolvida em parceria com o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) de Sociologia, constitui uma oportunidade pedagógica significativa para o enfrentamento do racismo religioso e o fortalecimento do diálogo inter-religioso. A metodologia adotada possui caráter qualitativo, articulando revisão bibliográfica que discute relações entre educação, religião e pluralismo, além da realização de entrevistas com agentes escolares, com o intuito de compreender práticas, desafios e percepções sobre o tema proposto. Os resultados parciais indicam que o ensino de Sociologia, quando pautado na valorização da diversidade religiosa, constitui um instrumento potente de transformação social. Ao promover o respeito às diferentes crenças e estimular o pensamento crítico sobre o papel da religião na sociedade, o professor contribui para a construção de uma cultura escolar mais democrática e plural. Ressalta-se, contudo, a necessidade de investir na formação docente e na produção de materiais didáticos que contemplem a diversidade, de modo que o ensino de Sociologia se consolide como espaço de acolhimento e reflexão sobre as múltiplas formas de viver e compreender o sagrado.
Palavras-chave: Sociologia,ensino de sociologia,diversidade religiosa,diálogo inter-religioso,PIBID
Resumo Simples · Oral
TERREIRO E PRÁTICA INTER-RELIGIOSA: AULA DE CAMPO ENQUANTO FERRAMENTA PEDAGÓGICA E ANTIRRACISTA
GLAFIRIA SILVA SANTOS ; Glafíria Santos Da Silva; Ana Alice Lima Da Silva; José Cláudio Santos Lopes Filho; Aparecida Daciana Pereira Neves; Francisca Érika Barros Gonçalves De Souza
É sabido que a discussão acerca das práticas educativas antirracistas no Brasil tornou-se ainda mais urgente com a promulgação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena em toda a educação básica. Neste sentido, nós integrantes do subprojeto do PIBID de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri, realizamos uma aula de campo em uma casa de terreiro junto aos educandos da escola. Esta vivência percorreu na aplicação da disciplina eletiva ofertada pela professora de Sociologia da escola E.E.M.T.I. Prefeito Raimundo Coelho Bezerra de Farias - Liceu do Crato, na casa de terreiro articulado pela sacerdote Mãe Dayse. O objetivo deste trabalho é abordar, em formato de relato de experiência, o uso da aula de campo quanto ferramenta pedagógica que instiga o desejo e a curiosidade dos discentes no processo de ensino-aprendizagem, ao tempo que proporciona uma reflexão crítica das relações inter-religiosas e interculturais do cotidiano dos estudantes. Assim, utilizamos como metodologia de escrita, o relato de experiência, que foi definido como uma descrição da intervenção científica, contendo embalamento científico e reflexão crítica (MUSSI; FLORES; ALMEIDA, 2021). É compreendido que para a efetivação das leis citadas neste trabalho, a educação deve estar comprometida eticamente, politicamente e pedagogicamente com debates que proporcionem uma consciência crítica das culturas plurais encontradas no chão da escola.
Palavras-chave: Educação Antirracista,Interculturalidade,Aula de Campo,PIBID
Oral
Palavras-chave: Ciências das Religiões; pluralidade; direitos humanos; laicidadefrequência obrigatória.
Oral
ENTRE SABERES E PRÁTICAS: TEORIAS DO CURRÍCULO, INTERDISCIPLINARIDADE E ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES
RACHEL COSTA RAMALHO VASCONCELOS; Alberlene Baracho Sales
Este artigo apresenta reflexões sobre o Estágio Supervisionado Obrigatório no curso de licenciatura em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Para tanto, o objetivo consiste em analisar o estágio curricular supervisionado na formação do professor de Ciências das Religiões, levando em consideração seu currículo. A pesquisa é bibliográfica e para fundamentar o estudo o marco teórico adotado dialoga com autores como: Silva (2024), Possebon, Possebon (2020), entre outros que discutem a temática abordada. Também como marco teórico foram utilizados documentos oficiais, tais como: resoluções, PPP, regimentos, entre outros. A interdisciplinaridade, por sua vez, revela-se essencial para que o ensino de Ciências das Religiões seja plural, contextualizado e comprometido com a diversidade, rompendo, desse modo, com a fragmentação do conhecimento e promovendo uma formação mais ampla, que considera as múltiplas dimensões do fenômeno religioso na sociedade. Dessa forma, o estágio supervisionado torna-se laboratório para a experimentação de abordagens inovadoras e para a promoção de um ensino crítico e reflexivo. O estágio supervisionado se torna um espaço de experimentação da interdisciplinaridade, onde o licenciando precisa conectar teoria e prática, lidar com múltiplas linguagens e interpretar o fenômeno religioso de forma contextualizada, plural e crítica, conforme o DNA das Ciências das Religiões. A partir da compreensão do currículo como prática social e espaço de disputa ideológica, propõe-se uma reflexão sobre a importância de uma abordagem pedagógica crítica e interdisciplinar para a formação de docentes capazes de atuar de forma ética, inclusiva e transformadora.
Palavras-chave: Currículo Crítico,Estágio Supervisionado Obrigatório,Ciências das Religiões, Interdisciplinaridade
Oral
O Ensino Religioso na EJA e os desafios vivenciados dentro do contexto escolar amazonense
ELENILCE DA COSTA SALES
O presente trabalho visa trazer para o centro das discussões a temática o Ensino Religioso e os desafios vivenciados dentro dos contextos escolares amazonenses, tendo como objetivo precípuo compartilhar experiências vividas como pesquisadora, por meio de relatos de professores e alunos sobre como tem sido implementado o ensino do referido componente curricular dentro da EJA, de 5ª a 8ª etapa, o que equivale ao Ensino Fundamental Anos Finais – EFAF. Para que o objetivo central fosse alcançado, foi necessário subsidiar as práticas de pesquisa por meio dos objetivos específicos: Estudar a origem e contribuição do fenômeno religioso, Conhecer a estruturação curricular do componente Ensino Religioso, dentro da realidade escolar amazonense e promover um espaço de escuta de professores e alunos da EJA quanto os desafios vivenciados no contexto escolar, em que estão matriculados ou que atuam profissionalmente. Na perspectiva de conhecer a realidade dos sujeitos educativos vinculados ao Ensino Religioso da EJA decidiu abordar como percurso metodológico a fenomenologia, a qual busca compreender o fenômeno religioso, sem juízo de valor, mas que se faz presente na realidade escolar, sendo necessário articular os saberes e valores trazidos pelos alunos , em consonância com a proposta curricular de ensino, baseada nos documentos que norteiam a prática pedagógica do Ensino Religioso escolar.
Oral
PETER BERGER E O PLURALISMO RELIGIOSO: MODERNIDADE, MULTICULTURALISMO E EDUCAÇÃO
MIDIÃ ALVES DA SILVA RODRIGUES
Resumo Este trabalho analisa a contribuição teórica de Peter Berger para a compreensão do pluralismo religioso na modernidade, com foco em suas implicações no Ensino Religioso nas escolas públicas brasileiras. O objetivo é refletir sobre como a diversidade religiosa, intensificada pela modernização, impacta práticas pedagógicas e políticas educacionais, especialmente no contexto de Fortaleza. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em análise bibliográfica e documental. Foram examinados o capítulo da obra Os múltiplos altares da modernidade (2017), documentos como o Documento Curricular Referencial de Fortaleza - DCR-For (2024), e autores da área da educação como Junqueira e Candau. A análise teórica foi articulada à realidade educacional local, buscando compreender como o pluralismo religioso se manifesta nas interações escolares. Os resultados indicam que a modernidade transforma a fé em escolha individual, promovendo um cenário de diversidade que desafia instituições religiosas e educacionais. Berger introduz conceitos como “contaminação cognitiva” para explicar a relativização das certezas religiosas diante do contato com o outro. Conclui-se que sua abordagem oferece subsídios relevantes para a construção de uma educação plural, crítica e democrática, que valorize a diversidade religiosa e cultural. A formação continuada de professores emerge como elemento central para enfrentar esses desafios e promover o diálogo inter-religioso nas escolas.
Palavras-chave: pluralismo religioso,modernidade,Peter Berger,Ensino Religioso,multiculturalismo
Oral