16 de 16 trabalho(s) aceito(s)
necropolítica e educação: a guerra continuada por outros meios
LEANDRO ALVES BARBOSA
O objetivo desse trabalho é abordar o conceito de necropolítica no pensamento de Achille Mbembe a partir de obras e entrevistas do autor, sua relação conceitual com Michel Foucault, Carl Schmitt, Frantz Fanon, Giorgio Agamben, Gilles Deleuze e Felix Guattari, Édouard Glissant, e com pensadores latinos e afro-americanos, assentados na ideia de raça como um dispositivo, uma tecnologia de poder, de gestão da vida, estruturante da modernidade/colonialidade, segundo o Grupo Modernidade/Colonialidade, precursor do pensamento ou giro decolonial nos estudos pós-coloniais latino-americanos. Essa ideia, da centralidade da raça para o pensamento e para a formação da modernidade, fundamental para a necropolítica, assim como o colonialismo moderno e contemporâneo, será articulada para pensarmos a educação no Brasil em diálogo com Abdias do Nascimento, Sueli Carneiro, Boaventura de Sousa Santos, Eliseu Pessanha, Sylvio Gadelha, Bernadete Beserra e Rémi Lavergne. Defendemos que a necropolítica se trata de uma política de guerra que tem sua genealogia na escravidão colonial e se utiliza de subsídios raciais para eliminação física dos corpos, suas culturas e formas de pensamento. É nessa linha que concentramos nossa exposição, pensando a relação entre necropolítica e educação enquanto a guerra continuada por outros meios. A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica. Na primeira parte do trabalho, abordamos os conceitos fundamentais para entendermos a necropolítica, tais como: biopoder; soberania; estado de exceção, máquina de guerra, além da própria necropolítica na visão mbembiana. Na segunda parte, trabalhamos a questão da raça na colonização e o surgimento de um novo mecanismo de racialidade/biopoder, aliado a máquina de guerra colonial, que estrutura a raça como mecanismo de dominação. Por fim, apresentamos a relação entre necropolítica e educação na estruturação do sistema educacional brasileiro e a possibilidade de uma educação antinecropolítica esboçada no pensamento de Mbembe.
Palavras-chave: Necropolítica, Raça, Colonialismo, Guerra, Educação
Resumo Expandido
APRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS REGRAS DE FALÁCIAS À LUZ DE EXEMPLOS DA POLÍTICA BRASILEIRA
TIAGO GOMES LANDIM
Para se propor como um campo de conhecimento que tem na reflexão seu método de abordar a verdade, a filosofia buscou, antes de tudo, a exatidão de seus argumentos. Com isso, tem causado não só para si, mas em todos os diversos campos do conhecimento sistemático essa mesma preocupação. Como resultado, sua reflexão sobre as estruturas da argumentação coerente é apresentada como o lugar de avaliação do pensamento e da linguagem. A lógica surge como ponto de partida de todo discurso que deve respeitar algumas regras fundamentais para que alguém seja respeitado como tendo um argumento sem erros, sem falácias. Segundo Copi e Cohen (2007), as falácias são erros típicos do discurso comum que invalidam os argumentos que são usados para construir sua construção cognitiva. Aqui será apresentado o esquema das várias falácias, seus significados e aplicações que foram apresentadas por esses autores em seu livro Introdução à Lógica, aproveitando-se da efervescência do período eleitoral do Brasil para, a partir de exemplos relacionados às ações do Governo do Presidente Jair Bolsonaro, mostrar como é possível fazer aplicações das regras das falácias propostas pelos autores Copi e Cohen. Com a apresentação dos exemplos identificados, facilita-se o aprendizado daquele a quem se está ensinando tais regras de lógica. A seguir, poderá ser visto o esquema de que trata esta introdução, com a riqueza de detalhes necessária para identificar as diversas falácias, seus significados e aplicações. Embora, de acordo com Copi e Cohen, tenham sido identificados recentemente mais de 113 tipos de falácias, na edição de 2007 de seu livro eles apresentam apenas 17, divididos em dois tipos: falácias de relevância e falácias de ambiguidade.
Palavras-chave: Falácias, sofismas, ensino de lógica, Ações de governo, fixação de aprendizado
Oral
Congresso virtual como proposta de incentivo a pesquisa científica para estudantes do Ensino Médio – relato de uma experiência na EEEP Raimundo Saraiva Coelho, Juazeiro do Norte – Ceará
A QUESTÃO DA LINGUAGEM NÃO-BINÁRIA COMO UMA PERFORMATIVIDADE INCLUSIVA
JOÃO HEULER AGOSTINHO DE SÁ; Dra. Regiane Lorenzetti Collares; Dra. Cícera Alves Agostinho de Sá
Com os movimentos coletivos e minoritários, sobretudo, com o movimento feminista – em sua nova onda (quarta onda) dada com a popularização da internet e do ciberativismo – , surge também a necessidade de refletir sobre as possibilidades da sexualidade, vista como performatividade, escapar de um sistema linguístico profundamente marcado por referências binárias (BUTLER, 2020). Se o sistema de linguagem atual ainda representa o universal como masculino (CAMARA JR. 1966), como é possível o reconhecimento de indivíduos fora de uma lógica linguística vinculada ao binarismo em que se privilegia a centralidade do masculino? Dessa forma, a discussão das referências linguísticas e performativas poderiam ser pensadas a partir de termos dados por uma neutralidade de gênero? Embora Moura Neves afirme que a linguagem não pode ser neutra, esta autora também endossa o esforço de se forjar uma linguagem que possa romper a barreira do binarismo, fazendo-se inclusiva (2021). Assim, depreende-se que as transformações da linguagem não pode ser tematizada fora de um campo ético-político; seria então em uma dimensão a um só tempo ética- política-linguística que poderia se inaugurar outra lógica epistêmica (BOURCIER, 2020) baseada no reconhecimento do não binarismo. Por fim, estudando como a esfera de transformação ético-política se implicaria ao uso de uma linguagem não-binária, levando em consideração como a dimensão do real se vincularia à transgressão dos jogos de verdade (FOUCAULT, 2021), questiona-se neste artigo sobre a instauração de linguagens inclusivas de reconhecimento que possam escapar aos discursos de ódio. (BUTLER, 2021).
Palavras-chave: Linguagem, não binarismo ,movimentos políticos,subversão
Resumo Simples
O DISCURSO DE ÓDIO COMO DISPOSITIVO DESENCADEADOR DA MORTE NA BIOPOLÍTICA
Relato de Experiência: Leitura como ferramenta de emancipação
ANA PAULA DA COSTA; Elaine Maria Silva Moura; Camila do Espírito Santo Prado de Oliveira
RESUMO Este trabalho é um relato de experiência das atividades do projeto de extensão “Círculos de Leitura: educação filosófica em comunidade'', projeto realizado por estudantes e professora dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em Filosofia da UFCA, no ano de 2022, nas Escolas Municipal de Ensino Fundamental Izabel da Luz, Estadual de Ensino Médio José Bezerra e na Universidade Federal do Cariri. Neste relato refletimos um pouco sobre a experiência da leitura compartilhada de uma obra que trata da leitura. INTRODUÇÃO Este trabalho é um relato de experiência das atividades do projeto de extensão “Círculos de Leitura: educação filosófica em comunidade'', realizado em 2022. Por objetivo visa-se destrinchar um pouco sobre a experiência das bolsistas atuantes no projeto, especificamente no âmbito do Círculo de Leitura universitário, com a leitura e estudo da obra “Como um Romance” do escritor francês Daniel Pennac (1993). Nesta obra, o autor, que além de escritor é professor de Literatura, faz uma reflexão importante sobre a leitura, seu aprendizado e os encontros e desencontros que ela proporciona . METODOLOGIA Para a execução do Círculo de Leitura na universidade, optamos pela forma remota de reunião. Através de uma sala virtual, os participantes do círculo se encontram para leitura simultânea do livro escolhido. Esses encontros estão sendo realizados uma vez por semana, em horário que melhor se adeque a realidade de todos. Durante e após a leitura, em voz alta, de cada capítulo, o grupo abre espaço para discussão e compartilhamento de impressões e do entendimento de cada participante. CONCLUSÃO Temos descoberto através da leitura do Pennac o quanto o exercício da leitura está intimamente ligado ao desenvolvimento humano. Que a leitura pode (e precisa) ser estimulada, especialmente nos primeiros anos da educação escolar e que isso irá impactar muito a vida que for tocada por esta experiência. O texto do Pennac, além de instrutivo, é também bastante poético e faz o leitor mergulhar em memórias da sua própria experiência com a leitura e perceber boas práticas e enganos dos que o cercavam na sua experiência infanto-juvenil com a leitura.
Oral
Rocha Lima e a Escola Popular de 1874
FRANCISCO JOSE DA SILVA
A presente comunicação visa abordar a criação, as características e a importância da chamada “Escola Popular” de 1874 para a educação cearense em geral e o ensino de Filosofia em particular. A Escola Popular foi uma escola livre fundada pelo filósofo cearense Raimundo da Rocha Lima (1855-1878) e seus companheiros da Academia Francesa em Fortaleza no ano de 1873-74. Rocha Lima é um dos principais pensadores da inteligência cearense da década de 1870, um jovem prodígio falecido aos 23 anos que foi jornalista, crítico literário e o principal precursor do Positivismo no Ceará. Sua atuação se deu essencialmente no campo jornalístico e literário inserindo no debate público a crítica do tradicionalismo católico da segunda metade do século XIX, promovendo temas como a liberdade de pensamento, o pensamento abolicionista e republicano, as questões estéticas e cientifico-filosóficas, suscitadas pelo Positivismo e pelo Evolucionismo. A Escola Popular é um marco na educação cearense ao promover a formação literária, científica e política de jovens e adultos advindos do proletariado fortalezense, antes mesmo das primeiras faculdades e Universidades. Esta escola informal e proletária foi criada em 1874, chegando a ter 156 alunos, com aulas noturnas de primeiras letras, língua nacional, aritmética, geografia, história e francês, além das conferências sobre literatura nacional (Capistrano de Abreu), sobre Liberdade religiosa (Xilderico de Faria), sobre O Papado (Araripe Junior), sobre Soberania popular (Pompeu Filho), entre outros assuntos. Esta comunicação é fruto de um projeto de pesquisa sobre Filosofia no Ceará na segunda metade do século XIX e tem como objetivo apresentar o processo de inserção dos debates filosóficos no meio literário, jornalístico e educacional.
Oral
“PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”: PENSANDO A EDUCAÇÃO DIALÓGICA.
TALISSON ALVES DA SILVA; Antonia Cinara Barros do Nascimento; Ana Carla Ribeiro de Oliveira
Esse texto tem por objetivo fazer uma reflexão sobre a educação dialógica proposta por Freire na obra “Pedagogia do Oprimido” em contraposição à educação bancária. Freire em sua obra desvenda a questão da opressão e aponta para a importância de uma educação emancipadora que contribua para problematizar nossa visão de mundo, desnaturalizando a realidade, contribuindo para a construção de uma consciência crítica. Defende que uma educação libertadora só será possível se erradicarmos a educação bancária e antidialógica que é instaurada nas instituições de ensino na qual os discentes são vistos unicamente como depositários de informações e o professor como detentor e reprodutor do conhecimento e instaurarmos uma educação dialógica, problematizadora, em que haja o encontro e o reconhecimento de sujeitos na busca por liberdade e emancipação. Nessa perspectiva, ressalta que ninguém se liberta sozinho, também a liberdade não se doa, ou seja, ninguém dá a alguém sua liberdade, mas ambos, educadores e educandos mediatizados pelo mundo, num processo de ação-reflexão constroem-se como sujeitos críticos e transformadores. Nesse processo instaura-se uma nova consciência (transitiva crítica), em que há o reconhecimento do outro como sujeito, balizada pelo respeito às diferenças, a cultura. Um diálogo que humaniza, é base para perceber o mundo e questionar-se de maneira mais crítica. Por conseguinte, a educação dialógica pressupõe metodologias em sala que valorizem o trabalho coletivo e prezem pelo protagonismo do aluno.
Palavras-chave: Educação dialógica,Educação bancária,Diálogo,Libertsç~so
Resumo Simples
MARIA IRAIDES RUFINO DE SALES
Este trabalho é um relato de experiência vivenciada pela comunidade escolar, em especial, os estudantes do ensino médio e professores de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da EEEP Raimundo Saraiva Coelho. Trata-se da realização de um congresso virtual abordando temáticas referentes aos componentes da área mencionada. Os Congressos são encontros acadêmicos e profissionais, normalmente, eles contam tanto com palestras, quanto com grupos de trabalho (nos quais autores apresentam trabalhos e pôsteres) e wokshops práticos. Na escola, aconteceu por meio da plataforma meet, contando com a participação dos alunos das turmas de 1º, 2º e 3º anos, divididos por grupos de estudos com a finalidade de discutir sobre a temática proposta pelos professores através de apresentações orais virtuais. Analisando os temas do Congresso Virtual e as competências e habilidades propostas na BNCC 2018 (ver quadro 01), foi possível perceber que os estudantes conseguiram desenvolvê-los e o evento cumpriu os objetivos as quais se propôs em realizar reflexões e análises diante da atual conjuntura do processo de ensino e aprendizagem, respeitando a diversidade de valores, crenças e comportamentos existentes, desde que seja garantida a dignidade do ser humano. Assim, proporcionou aos estudantes condições para que eles desenvolvessem atividades de pesquisa, reflexão, discussão, reavaliação e, acima de tudo, ter a coragem de recomeçar e tornar-se um verdadeiro cidadão formando valores éticos e morais para o exercício da cidadania e cumprindo assim, com o maior papel social da escola: favorecer uma aprendizagem realmente significativa na formação de seres humanos mais conscientes, participativos, responsáveis e críticos no convívio social. Nesse período da vida escolar, os jovens afloram os questionamentos sobre si próprios e o mundo em que vivem, possibilitando assim, não apenas compreender as temáticas e conceitos utilizados, mas problematizar categorias, objetos e processos (BNCC, 2018, p.548). Contudo, professores e alunos tornaram-se capazes de pesquisar, refletir, discutir, reavaliar-se, se reinventar e, adquiriram a capacidade de realizar críticas.
Oral
Contribuições da disciplina de filosofia nas orientações dos trabalhos de NTPPS: Transdisciplinaridade em uma escola de tempo integral em Crato/CE.
CLAUDIO RICARDO REIS EDUARDO ; Dra. Maria Dulcinea da Silva Loureiro
A disciplina de Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais (NTPPS) vem fazendo parte como disciplina obrigatória nas escolas de tempo integral do Ceará, desde a implantação da mesma em 2016. Com objetivos específicos a disciplina de NTPPS tem como finalidade o desenvolvimento de competências socioemocionais por meio da pesquisa, da interdisciplinaridade, do protagonismo estudantil, contribuindo assim para um ambiente escolar mais integrado, motivador e favorável à produção de conhecimentos. Este trabalho é um relato de experiência da transdisciplinaridade que aconteceu entre as disciplinas de filosofia e NTPPS. Cinco alunas do 1º ano integral foram orientadas na elaboração da pesquisa-trabalho de conclusão da disciplina de NTPPS. Usado como abordagem metodológica o método dialético com encontros semanais equivalentes a duas aulas, se mostrou eficaz. Textos de apoio e debates foram as formas de abordagem que se configurou mais recomendada. Cada encontro correspondia a um aspecto dos pontos da pesquisa. Aqui vale lembrar que não estávamos ensinando como elaborar uma pesquisa, já que esse aspecto foi abordado pela disciplina de NTPPS. Nosso intuito foi proporcionar à equipe suporte teórico e uma experiência mais intuitiva e espontânea. Com a temática “Dificuldades enfrentadas pelos alunos do 3º B na escola Teodorico Teles, durante o período de pandemia.” a pesquisa parte do espanto dos alunos ao se depararem com a quantidade de alunos que não tiveram acesso ao ensino remoto durante o período da pandemia. Segundo o levantamento dos próprios alunos, cerca de 83% das escolas públicas tiveram algum tipo de problema durante as aulas remotas. O estímulo em poder, como professor de filosofia, provoca uma transdisciplinaridade com ênfase nos aspectos didáticos abordados na pesquisa e nas reflexões que partiram dos alunos com os reais motivos que os levaram a pesquisar o tema. O resultado final foi satisfatório e a partir dos resultados apresentados podemos compreender que as duas disciplinas têm potencialidades individuais que ao se somarem ampliam e potencializam o campo de debate deixando assim uma maior fundamentação ao trabalho.
Oral
Ensino de Filosofia: Construindo Novas Metodologias de Trabalho com o Universo da Lógica.
RAIMUNDO ERIVAN LUCENA DE ALMEIDA; Dra. Maria Dulcinea da Silva Loureiro
Resumo Diante da realidade sociocultural em que estamos inseridos, marcada pelo avanço tecnológico e a rápida reprodução de informações, o estudo da lógica demonstra ser um caminho necessário para aqueles que almejam uma comunicação clara e coerente e uma interpretação crítica e mais próxima possível da verdade sobre os fatos. Nesse sentido, pautado em uma abordagem filosófica sobre minha prática docente como professor de filosofia, o presente trabalho pretende fazer um relato de uma experiência pedagógica realizada no período de 2021 e 2022 com alunos da Escola Menezes Pimentel, nas turmas do 1° e 2° anos na disciplina de Filosofia e da Eletiva de Introdução à Filosofia proposta pelo novo Ensino Médio. Essa atividade foi desenvolvida em aulas de campo, exposição de conteúdos em sala de aula, produção e leituras de textos literários como As Memórias de Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes e Protetores de Poteneiros de Raimundo Erivan Lucena de Almeida, recortes de jornais, revistas em quadrinhos, imagens retiradas da internet e de utilização do filme Sherlock Holmes dirigido por Guy Ritchie. Como fundamentação teórica, recorremos ao estudo dos filósofos Aristóteles, Marilena Chauí, Cleverson L. Bastos e Vicente Keller, Introdução à Lógica de Cezar A. Mortari, Como Raciocinar com Lógica de Leo Markume. Como resultado foi possível perceber uma melhora na produção escrita, com elaboração de argumentos e coerência de ideias. Bem como, na utilização da lógica matemática em diferentes áreas do conhecimento pelos estudantes com a elaboração de manual básico de estudo de temas da Lógica Formal e Matemática para alunos do Ensino Médio. Palavras-chave: Ensino de Filosofia; Metodologia; Lógica; professor pesquisador
Palavras-chave: Palavras-chave: Ensino de Filosofia, Metodologia, Lógica, professor pesquisador
Oral
Ensino de Filosofia: Construindo Novas Metodologias de Trabalho com o Universo da Metafísica.
RAIMUNDO ERIVAN LUCENA DE ALMEIDA; Dra. Maria Dulcinea da Silva Loureiro
Resumo A divulgação de relatos de experiências educacionais realizados pelos educadores em seu espaço de trabalho possibilita ao professor reflexivo uma oportunidade de refletir sobre si mesmo e propiciando condições favoráveis a torná-lo um professor pesquisador. Nesse sentido, pautado em uma abordagem filosófica sobre minha prática docente como professor de filosofia, o presente trabalho pretende fazer um relato de uma experiência pedagógica realizada com alunos da turma do 2° Ano A da Escola Menezes Pimentel, composta por 28 alunos, durante 3 semanas através de um projeto educativo direcionado ao conteúdo de Metafísica e intitulado “O mundo das Causas”. Essa atividade foi desenvolvida por aulas de campo, músicas como Fico Assim Sem Você de Claudinho e Bochecha e Aleluia de Roberto Carlos, leitura e discussão de textos filosóficos. Como fundamentação teórica, recorremos ao estudo da Alegoria da Caverna de Platão, trechos da Metafísica de Aristóteles, da obra Convite à Filosofia de Marilena Chauí e do livro Metafísica escrito por José Carlos Romero. Como resultado, foi possível perceber, que através das metodologias de ensino escolhidas para o projeto, os alunos participaram de todas atividades e demostraram um satisfatório rendimento nos debates realizados, nas produções textuais e uma boa compreensão dos conceitos trabalhados no decorrer do projeto, nos fazendo perceber novos horizontes para os trabalhos educacionais referentes ao ensino de temas filosóficos como a Metafísica.
Oral
Ensino remoto de filosofia em tempos de pandemia: pontos positivos e negativos segundo os docentes do Cariri
EDSON RIBEIRO LUNA; Maria Dulcinea da Silva Loureiro
O desenvolvimento das tecnologias digitais, a um ritmo cada vez mais acelerado, impacta a vida cotidiana e, de modo particular, a Educação. Vivemos um momento excepcional em que a pandemia nos impôs um trabalho remoto e, concomitantemente, uma busca imediata de atualização de conhecimento das mídias digitais. Acreditamos que essa atualização, reconhecimento da importância e apropriação de tais recursos foram imprescindíveis não só no momento pandêmico em que houve confinamento, mas também são atualmente, dada a importância desses recursos para o aprimoramento de nossas aulas. Em 1999 Pierre Lévy já afirmava que vivíamos um novo dilúvio, que agora é o de informações, que cresce de forma exponencial, explosiva, cada vez mais acelerada. Assim, cabe-nos a capacidade de oportunizar um processo educativo que transforme tais informações em conhecimento de fato, pautado pelo senso crítico. Partindo desta ideia, realizamos no ano de 2021 uma pesquisa participante, de abordagem qualitativa, com dezoito professores de filosofia da Região do Cariri, com o intuito de saber, dentre outros pontos, quais são os pontos positivos e negativos do ensino remoto de filosofia. Concluímos que o ensino remoto foi imprescindível para a manutenção das aulas e demais atividades escolares. A pesquisa também constatou que é razoável a possibilidade de o discente estudar em casa, dispor de horários flexíveis e o modelo de aulas síncronas e assíncronas que flexibilizam o processo de ensino/aprendizagem, dentre outras coisas. Como pontos negativos, por exemplo, atestamos que a presença dos discentes em casa no horário de aula trouxe para eles transtornos em virtude da proximidade à realidade doméstica, com o agravante de que eles são submetidos a uma realidade mais austera que decorre em muito dos seus problemas sociofamiliares, acrescidos dos relacionados às questões financeiras, falta de suporte tecnológico, acesso à internet etc.
Palavras-chave: Educação, Ensino remoto de filosofia
Oral
Filosofia e Cinema Uma Experiência Logica e Afetiva: O ensino de filosofia em uma sociedade do espetáculo
FRANCISCO DE ASSIS SILVA DOS SANTOS; Emanuel Marcondes De Souza Torquato
A responsabilidade metodológica do processo de ensino e aprendizagem é de modo geral atribuída ao docente, que estabelece meios estratégico para potencializar a compreensão dos discentes para com o conteúdo em questão, dessa forma, a escolha dos meios metodológicos é crucial para a eficiência pedagógica da disciplina. Contudo, essa tarefa demonstra-se complexa e reque do docente capacidades didáticas para discernir qual abordagem melhor encaixa em sua realidade escolar. Nessa perspectiva, a dificuldade de seleção da abordagem metodológica no ensino de filosofia é amplamente potencializada pela abstração conceitual intrínseca as temáticas que a tradição filosófica debruça, bem como, a reclusão que a disciplina enfrenta na distribuição do tempo pedagógico nos calendários escolares. Assim sendo, a utilização do cinema no ensino de filosofia demonstra-se bastante eficiente como estratégica metodológica para auxiliar a compreensão do discente do conteúdo em relação a exposição oral, visto que, o cinema contém as ferramentas necessárias para retratar e ilustra as diversas discussões filosóficas, por mais abstrata e conceitual que seja. Pois, segundo o autor argentino Julio Cabrera em sua obra “O cinema pensa: Uma introdução à filosofia através dos filmes” o cinema tem em sua essência a logopática que constitui da narrativa lógica e da experiência afetiva da imagem produzida pelo audiovisual. Ademais, estabelece uma proximidade da temática filosófica com o convivo do discente que está imerso em uma sociedade conectada ou uma sociedade do espetáculo como o autor Guy Debord retrata em sua obra, no qual, a relação do individuo com a imagem é estabelecida. Portanto, em virtude dos fatos expostos a utilização do cinema no ensino de filosofia apresenta-se como possibilidade metodológica pela sua característica logopática e pela familiaridade que os discentes têm com as imagens contidas nas produções cinematográficas, logo, o auxilio do cinema no ensino de filosofia pode potencializar a compreensão e adesão dos estudantes a disciplina.
Palavras-chave: filosofia,ensino,cinema
Resumo Expandido
Filosofia oriental e saúde na escola pública
OSVALDO GALDINO FERREIRA FILHO
Este relato de experiência ocorreu na disciplina de ensino religioso na escola Raimundo Pelópidas de Araújo em Russas no Ceará, cujo componente curricular abrange estudos de filosofias de vida na esfera pública. A reflexão parte da filosofia oriental e de seus usos práticos na saúde humana no contexto escolar. Desde o período da pandemia do Covid-19 aos dias atuais acentuou-se a incidência de problemas de saúde mental e emocional em especial entre os jovens. Na rotina escolar evidenciamos queixas diversas que apontam ansiedade, automutilação, estresse e demais transtornos que acometem os estudantes. Sob essa motivação, encontramos na reflexão filosófica e seu diálogo com as práticas integrativas e complementares (PIC’s) uma possibilidade de intervenção capaz de contribuir para o bem-estar dos estudantes. Trata-se de promover uma vivência entre os estudantes e professores, uma oficina filosófica e experiência terapêutica, reunindo teoria e prática no espaço da sala de aula. A princípio, dispomos dos estudantes em círculo. Após a distribuição de imagens do corpo humano com destaque dos pontos dos chakras, problematizamos a ideia do ser humano e sua constituição corporal e sutil, questionando as ideias dualistas de corpo e alma e apresentando uma nova visão a partir de tradições orientais védicas e chinesas, hindu e taoísta. A exploração do tema segue com referências a termos como yin e yang, chakras, bastante familiares aos jovens pela introdução no ocidente da cultura dos animes orientais. A aula segue com breves apontamentos sobre as PIC’s e a vivência da técnica Qi Gong, realizado por estudante de saúde integrativa, valorizando o cultivo de energia contidas no próprio corpo humano. Por fim, os estudantes manifestaram reações diversas que variam entre bem-estar, sensações de formigamento nos membros e mãos, mas rara demonstração de indisposição.
Palavras-chave: filosofia de vida, qi gong, védica
Oral
O papel das disciplinas eletivas no currículo das EEMTI e a potencialização da formação humana: um relato de experiência do Polivalente
FRANCISCO GABRIEL SOARES DA SILVA
As escolas de tempo integral (EEMTI's) já são uma realidade efetiva no solo cearense. Qual o seu currículo diversificado possibilita e tende a potencializar o desenvolvimento de habilidades e a construção de conhecimentos que a base comum não consegue efetivar. Nos propomos apresentar um relato de experiência quanto ao papel das disciplinas eletivas na formação dos discentes do ensino médio. A secretaria de educação do estado do Ceará iniciou o processo de implantação das EEMTI desde 2016. Hoje o Ceará conta atualmente com 261 Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral que estão distribuídas em 130 municípios cearense. A perspectiva é que até o ano de 2026 todas as escolas regulares do Ceará se enquadrarão neste modelo. As disciplinas eletivas possuem carga horária aproximada de 2 horas semanais. Sendo organizado através de um catálogo diversificado que possibilita a escolha de disciplinas pré-estabelecidas bem como a possibilidade anual de proposição/ criação de novas disciplinas. Partiremos da realidade da escola de tempo integral Presidente Geisel em Juazeiro do Norte para elucidar nosso relato de experiência. A escola supracitada apresenta a maior oferta de disciplinas eletivas do Estado do Ceará, ultrapassando de 100 o quantitativo de eletivas ofertadas semestralmente. Além de ser a escola, deste modelo com maior quantidade de turmas estadualmente, com 15 salas. As disciplinas eletivas da Escola Presidente Geisel acaba por ter um diversificação dos temas, mas também dos seus ministrantes, pois os pais, parentes, ex estudantes, estudantes e professores de instituições de nível superior participam da oferta das disciplinas eletivas.
Palavras-chave: Eletivas,EEMTI,Polivalente
Oral
USO DO QUADRINHO COMO RECURSO DIDÁTICO NO DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO NO ENSINO DE FILOSOFIA
WANIZA MIRLEY DO CARMO MACEDO; JOÃO HEULER AGOSTINHO DE SÁ; DRA. CÍCERA ALVES AGOSTINHO DE SÁ
As aulas de Filosofia, no ambiente escolar vigente, estão ainda marcadas pelo uso predominante de recursos tradicionais. No entanto, no contexto social atual predomina uma sofisticação tecnológica, além de ser marcado por um reiterado desmerecimento da ciência e, consequentemente, uma desvalorização da Filosofia. Dessa forma, é urgente o desenvolvimento de um pensamento crítico, que para Hooks (2017), não se apresenta apenas a partir da exposição do conteúdo em pauta na sala de aula, mas também através da subversão do próprio método didático, colocando novas possibilidades de ensino e de aprendizagem . Há que se considerar que o simples fato de o objeto de estudo ser apresentado em formato não tradicional atrai a atenção do aluno. Assim, os quadrinhos se inserem como recurso de fácil adesão do leitor, cujo discurso possibilita uma maior conexão com os estudantes, por apresentar em seu imaginário um divertimento, em oposição a um componente do estudo técnico e obrigatório. Considerando a pulverização progressiva das disciplinas humanas, sabidamente com teor crítico, o presente artigo tem como objetivo investigar possibilidade de utilização de quadrinhos como ferramenta metodológica apta a impulsionar o desenvolvimento crítico dos alunos, especificamente em Filosofia. A orientação metodológica desta proposta se pauta na Pedagogia de Gêneros (MARTIN; ROSE, 2012), que propõe uma ressignificação do trabalho com o gênero vigente, através da desconstrução, construção coletiva e por fim uma construção individual do quadrinho. Já a análise do conteúdo do gênero se pauta em categorias da Gramática do Design Visual, de Kress e Van Leeuwen (1996), com foco na relação entre participantes (Metafunção Ideacional/Representacional), na relação entre imagem e observador (Metafunção Interpessoal/Interativo) e na relação entre elementos da imagem (Textual/Composicional). Para este desiderato, pretendemos estabelecer diálogo entre os referenciais citados, na perspectiva de ampliar a criticidade dos alunos, com enfoque nas aulas de Filosofia.
Palavras-chave: Quadrinhos,Pedagogia de Gêneros, Pensamento Crítico
Resumo Simples
JOÃO HEULER AGOSTINHO DE SÁ; Dr. Luiz Celestino de França Junior
A biopolítica controla a vivência dos indivíduos nas mais diversas áreas, no direito sobre a vida e também no poder sobre a morte, com enfoque naqueles sujeitos que podem e nos que não podem produzir discursos válidos (FOUCAULT, [1976] 2022). Como um desses dispositivos do poder, o discurso de ódio funciona como um mecanismo de manutenção das relações sociais e epistêmicas, além de gerar novos entraves que prendem o indivíduo às relações de poder (BUTLER, 2021). Dessa forma o discurso pode produzir danos imediatos como ocorre nos atos ilocucionários, e também posteriores, conforme se observa nos atos perlocucionários, apresentando efeitos variados, que muitas vezes não eram esperados pelos interlocutores (AUSTIN, 1990). Esse discurso também pode atuar como um dos dispositivos que estão relacionados à morte em um sistema biopolítico. Para Arendt (2013), esses mecanismos atuam na produção de um inimigo em comum advindo de uma propaganda totalitária, o que pode acontecer também em um sistema de psicologia de domínio de massas analisadas por Adorno (2020) que se baseia na análise de Freud (2011), ao fazer uma análise dos indivíduos que participam desse sistema. Essas ferramentas aconteceram com frequência no último processo eleitoral, e tiveram como resultado casos de violência, que incorreram na morte apoiadores de seu principal opositor, decorrentes da frequente incitação ao ódio. Dessa forma, o presente artigo objetiva analisar como o discurso de ódio é constituído nos atos ilocucionários e perlocucionários, em propagandas eleitorais do candidato à reeleição Bolsonaro, gerando e propagando o ódio, incorrendo na incitação à morte, através da violência direta e indireta. A pertinência dessa abordagem reside na perspectiva de estabelecer relações entre o inimigo em comum, resultado do domínio de um sistema de massa, que incorre na morte de indivíduos, em virtude motivos de inimizade política.
Palavras-chave: discurso de ódio,violência,morte,biopolítica
Resumo Simples