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"AH! QUE SAUDADE DANADA DO SERTÃO DE ANTIGAMENTE": O CORDEL COMO MANIFESTAÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL
JAQUELINE BRÍGIDA SOUZA ANJOS
<p>O presente trabalho tem como objetivo estreitar os laços entre a Literatura e a Geografia através do olhar humanístico que a Geografia Cultural utiliza em seus estudos. Dentro dos estudos geográficos é necessário considerar os cordéis como uma forma de manifestação das espacialidades culturais do sujeito, como é possível ver no folheto "Ah! Que saudade danada do sertão de antigamente", de Manoel Monteiro. Dessa forma, a aplicação do método fenomenológico se fará necessário para chegar aos resultados esperados: entender a literatura de cordel como expressão das espacialidades culturais, da identidade, do lugar e das geograficidades carregadas pelo cordelista. Vale ressaltar a importância dessa ampliação de horizontes geográficos dentro da ciência geográfica, visto que muitos estudos não consideram a subjetividade contida no espaço. Espera-se, portanto, conseguir explicitar a relação que a literatura de cordel tem com a questão da identidade cultural, usando a Geografia Cultural como suporte para o ponto de vista aqui defendido. A espacialidade pode ser expressada de diversas formas e os córdeis, com seus versos e estrofes carregados de subjetividades, são o que senão expressões das vivências, experiências e, sobretudo, da identidade?</p>
Palavras-chave: literatura de cordel,identidade cultural,espacialidades,lugar
Resumo Expandido
FORTALEZA LITERÁRIA: A CIDADE NA OBRA “A AFILHADA” DE MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA
LIDIA MARQUES DA SILVA; Beatriz Santos de Souza; Tiago Vieira Cavalcante
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12px"><span style="font-family:Times New Roman,Times,serif"><span style="color:black">O presente trabalho tem como finalidade expor os resultados e discussões do projeto intitulado “Fortaleza Literária: os escritores e a cidade”, que propõem analisar o que a vida e a obra dos escritores revelam sobre a geografia de Fortaleza. O projeto está em sua segunda fase e neste período dedicou-se a analisar a obra “A afilhada” do Escritor Manuel de Oliveira Paiva, além de construir uma trilha sobre o romance em questão no centro de Fortaleza. O Enredo do livro se passa em Fortaleza no final do século XIX e traz elementos fundamentais – hábitos do cotidiano, descrição das ruas, paisagens, casas- para entender as transformações urbanas, políticas e sociais que a cidade vivia. Vemos na obra de Oliveira Paiva um acompanhamento real dos acontecimentos da época, o que nos leva a viver através da leitura da obra a cidade de Fortaleza no final do século XIX. É possível entender a dinâmica de Fortaleza nesse período através dos textos científicos, mas com a literatura é possível outro vislumbre sobre os acontecimentos na Cidade, com os aspectos subjetivos mais trabalhados nos personagens, visto que esses a vivem constantemente, andam pelas ruas e socializam entre si. “A afilhada” é um romance que destaca as vivencias da classe média Fortalezense e que também traz a cidade como protagonista.</span></span></span></p>
PRÁTICAS SOCIOAMBIENTAIS E RESISTÊNCIA CAMPONESA NO LUGAR OLHOS D’ÁGUA – MG
MONICA ARRUDA ZUFFI; Rosselvelt José Santos
<p style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">1. Introdução.</span></span></strong></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Sem dúvida a riqueza de um lugar consiste na simbiose de interações que compõem as relações sociedade-ambiente, no entanto é a partir das práticas sociais que compreendemos como essas relações, historicamente, são tecidas. As abordagens culturais que podemos desenvolver compreende a decomposição das teias sociais que formam o lugar. Elas também lançam luzes sobre as relações Camponês-Estado e as ressignificações de tirocínios que comparecem na existência do sujeito camponês.</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">No meio rural, encontramos diversas formas de resistência camponesa que nos remetem às suas práticas socioambientais. Destacamos aquelas relacionadas ao conhecimento tradicional ecológico que parte do princípio fundamental de resistência no campo que é a compreensão dos ciclos da natureza. Trata-se de interações sociais e culturais estabelecidas na vida deles, pela existência desses sujeitos no lugar.</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> No município de Uberlândia, pesquisamos diversas propriedades rurais as quais caracterizamos por suas especificidades, envolvendo formas sócioprodutivas que foram desenvolvidas considerando os recursos disponíveis no lugar. Na lida com os ciclos da natureza, elas comparecem como resultado de saberes e fazeres constituídos como um conjunto de estratégias das famílias. Adentrando nas áreas rurais do município, conhecemos a Comunidade de Olhos D’água, onde observamos os grupos familiares que desenvolvem seus cultivos de hortifrúti. As propriedades são densamente trabalhadas pelas famílias, ressaltando sua campesinidade em lidarem com os problemas cotidianos. No lugar, conhecemos uma dessas famílias que ressalta seu modo de ser, indicando diversas disparidades com as demais. Suas habilidades resilientes envolvem a produção de alimentos orgânicos, desenvolvidas em consonância com o conhecimento tradicional ecológico camponês. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">A comunidade rural Olhos D’Água está situada próximo da área urbana do município de Uberlândia-MG. Seu território encontra-se na BR 365, próximo ao anel viário leste, seguindo até o limite do município de Araguari (SANTOS, R. J.; SANTOS, A. B., 2017).</span></span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Com as intensas mudanças na região do Cerrado Mineiro mediante processos produtivos voltados para o agronegócio e consequentemente os conflitos que são provocados entre os sujeitos envolvidos, as paisagens tendem a tornarem-se homogêneas. Como resultado das políticas de uso e ocupação dos solos junto com a modernização no campo, registram-se grandes impactos socioambientais e econômicos para as comunidades camponesas tradicionais.</span></span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Sob várias tensões decorrentes do mercado e do Estado, pensarmos sobre como os camponeses (re)existem no lugar. Na comunidade, a família que optou pelos orgânicos desenvolve as suas atividades usando os recursos disponibilizados no lugar. Conhecimento e trabalho tem lhes permitido construir saídas para lidarem com as imposições sociais, principalmente àqueles relacionadas a produtividade. Assim, faz parte do objetivo desse texto, analisar como as práticas camponesas são estabelecidas a partir do conhecimento tradicional ecológico enquanto formas de resistência no lugar. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Metodologicamente, procuramos analisar a realidade camponesa considerando as suas relações com o lugar, e no trabalho de campo, pudemos realizar incursões ao modo de vida das famílias, estabelecendo comparações entre os que continuam fieis aos pacotes tecnológicos da agricultura moderna e aquela família que decidiu cultivar alimentos orgânicos. Os quantitativos relacionados a produção também nos permitiu compreender suas particularidades, sobretudo formas e conteúdos técnicos e culturais relacionados ao processo de (re)existir no lugar enquanto camponeses. Também fizemos uso de bibliografias específicas que nos auxiliaram nesta análise.</span></span></span></span> <strong>2. </strong><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Modernização do campo e a resistência camponesa.</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> H</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">istoricamente, o desenvolvimento da agroindústria surgiu amparado por uma base comum científica inspirada no desenvolvimentismo. Com ele, veio um discurso cujo propósito era justificar o uso extensivo de produtos químicos nas lavouras sob a perspectiva da melhoria do produto final, rendimento e eficiência na lavoura. Certamente um paradigma a ser discutido, principalmente nos vieses que isso trouxe não só para a população consumidora como também para os pequenos produtores, propositalmente colocados em situações de dependência a esses produtos que são elaborados estrategicamente pela agroindústria para que o consumo seja sempre interligado. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">As sementes são produzidas para serem germinadas dentro de um contexto que envolve o consumo de um conjunto de produtos. Elas precisam de certos tipos de insumos e assim eles criam uma teia que não deixa brecha para que os produtores tenham autonomia na hora do plantio, a isso, denominou-se “Revolução Verde”.</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Para Alentejano (2012), essa Revolução propiciou o aumento do consumo de agrotóxicos nos países. O autor considera que se criou um modelo que produz uma inversão radical do consumo, diferente daquele tradicional que regia a agricultura que era adaptativo à diversidade ambiental. Nesse momento (2020) tem-se uma agricultura adequada aos padrões mecânico-químico, “impondo a todos os povos um padrão alimentar que atende aos interesses das grandes corporações agroindustriais”<em> </em>(ALENTEJANO, 2012, p. 480).</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Como possibilidade de esclarecer o contraditório decorrente da revolução verde, pesquisadores preocupados com os impactos desse sistema vão analisar as repercussões dessa agricultura para os recursos naturais. Também vão surgir estudos que avaliam os riscos econômicos, geopolíticos e sociais, os quais deixaram os pequenos produtores expostos, sobretudo, à perda de suas terras impactando negativamente na (re)produção social e econômica dos camponeses. Neste processo, foram surgindo formas de resistência camponesa, indicando alternativas sociais para lidarem com essas novas dinâmicas do campo. A modernização da atividade agrícola e a substituição de áreas naturais por grandes lavouras contaram com a participação do estado. Em diversos países as politicas públicas fomentaram, pois subsidiaram fortemente a agricultura moderna. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">No estado de Minas Gerais, essas políticas influenciaram e garantiram o desenvolvimento de grandes monoculturas, como a da cana-de-açúcar e grãos. Destaca-se o Projeto de Desenvolvimento do Cerrado (PRODECER), que teve como propósito a reocupação territorial do estado, reformulando cultural e socioeconomicamente, os lugares por onde as monoculturas foram sendo cultivadas. Desse cenário, surgiram novas configurações na vida do camponês e consequentemente a necessidade de se adaptarem a elas, sobressaindo o caráter resiliente. Dessa resiliência, avultam-se os saberes e fazeres camponeses que são acionados pelas famílias como formas e conteúdos de lidarem com as incertezas da vida. Assim, entendemos que a existência camponesa se encontra relacionada as suas práticas socioculturais as quais lhes permitem desenvolver arranjos e estratégias sócioprodutivas e de vida para continuarem no lugar.</span></span></span></span> <strong>3. </strong><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Agroecologia como práticas camponesas na Comunidade Olhos D’água.</span></span></strong></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"> <span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Na luta para se manterem no lugar, a família que se inicia na agroecologia desenvolve atividades voltadas para a construção de uma autonomia social e econômica que poderá influenciar os outros que vivem no mesmo território. No campo, observamos que a relação daquela família camponesa com a natureza acontece de uma forma mais direta. Segundo Silvone (2008), a relação sociedade/meio, especialmente, no campo sempre existiu através da diversidade de recursos, mas após a década de 1970, a chamada agricultura tradicional </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">foi alterada profundamente sob o aparato tecnológico-produtivo que a acompanhou, trazendo a ideia de domínio da natureza e a possibilidade de um melhor aproveitamento de seus recursos. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Na comunidade Olhos D’água, a família de camponeses construiu saídas contrariando o discurso produtivo da necessidade de introduzir sementes modificadas geneticamente e insumos para terem resultado nas colheitas. Na propriedade, introduziram práticas agroecológicas como a plantação de orgânicos, que ao contrário do que a agroindústria impõe, lhes permitem serem autônomos e independentes das teias que a “Revolução Verde” constrói para aumentar os gastos desses sujeitos.</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A partir da produção de orgânicos, esses sujeitos resgataram saberes que antecedem a agricultura que temos hoje. Em linhas gerais praticam uma agricultura pautada no conhecimento tradicional ecológico que representa a experiência que esses camponeses adquiriram ao longo dos anos em contato direto com o meio ambiente. No pensamento de Berkes (1993), esse conhecimento se refere às relações dos seres vivos uns com os outros e com o seu meio ambiente, se organizando de forma que os impactos de suas práticas evidenciam uma percepção ecológica compreendendo também os possíveis danos que podem causar ao meio e consequentemente a si mesmo. Para Altiere (2010), esses sujeitos tendem a cultivar variedades de plantas, utilizando sementes crioulas, o fato de não serem modificadas geneticamente, deixa a plantação mais resistente em relação a pragas, secas, doenças, dentre outros fatores, mantendo a diversidade como um seguro para enfrentar as mudanças ambientais ou as necessidades sociais e econômicas futuras.</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Essa prática da produção de orgânicos é uma das formas que esses sujeitos encontraram para sobressair sobre as amarras da agroindústria. Na agroecologia, além de não utilizarem agrotóxicos, dentre outros produtos químicos, o uso de técnicas seculares ajuda a romper com todo um sistema que não permite que esses sujeitos tenham autonomia. Desse modo, quebrar esse padrão através de princípios tradicionais, lhes consente retomar forças que residem nas raízes dessas contradições, seus resíduos socioculturais, criando alternativas às forças dominantes. A produção de orgânicos sugere mudanças de racionalidades culturais, políticas e econômicas, além de uma transformação que fecunda na ação de romper com modelos capitalistas impostos. Nessa condição, também recriam alternativas baseadas no conhecimento herdado, oferecendo a sociedade uma produção orgânica, natural, livre de veneno.</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"> <span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Um dos princípios da agricultura orgânica é manter os sistemas de produção em equilíbrio com a natureza. Ela atua, sobretudo, no manejo das propriedades rurais visando maximizar o fluxo de nutrientes e reduzir custos operacionais e o mais importante, garantir alimentos sadios e ecologicamente sustentáveis (SOUZA, 2015), portanto, contribuindo com a permanência camponesa no lugar. <strong>4.</strong> </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Considerações finais. </span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> partir desta abordagem, buscamos compreender as (re)existências desses produtores rurais a partir das “tensões” e realocações camponesas no lugar, onde a agroindústria delimita e reorganiza o território conforme as necessidades dos grandes produtores. A partir da prática agroecológica, como a produção de orgânicos, observamos um processo de inclusão das famílias camponesas no mercado, principalmente por ser um sistema que valoriza alimentos livres de venenos. Contu</span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">do, as dificuldades impostas pelo sistema capitalista devem ser entendidas enquanto processos dinâmicos que podem ser alterados em função das demandas do mercado. Assim, a participação da família camponesa na agroecologia é vital, pois elas comparecem historicamente no desenvolvimento da agricultura, como capazes de se adaptarem aos percalços da vida, criando novas simbioses com base em uma configuração autônoma, sobretudo, em consonância com seus modos de vida. <strong>5.</strong> </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Referências.</span></span></strong></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">ALENTEJANO, P. Modernização da Agricultura. In: CALDART, R.; PEREIRA, I.B.; ALENTEJANO, P.; FRIGOTTO, G. (Org.). <strong>Dicionário da Educação do Campo.</strong> Expressão Popular. Rio de Janeiro/São Paulo: Expressão popular, 2012.</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">ALTIERI, M. A. Agroecologia, agricultura camponesa e soberania alimentar. <strong>Revista NERA</strong>. Presidente Prudente. Ano 13, nº 16 p. 22-32. 2010. Disponível em: </span></span><a href="http://www2.fct.unesp.br/nera/revistas/16/7_altieri.pdf" style="color:blue; text-decoration:underline"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">http://www2.fct.unesp.br/nera/revistas/16/7_altieri.pdf</span></span></a><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">. </span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Acesso em agosto 2020.</span></span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">BERKES, Fikret. Traditional Ecological Knowledge in Perspective<strong>. </strong>In: INGLIS, JULIAN T. <strong>Traditional Ecological Knowledge. Concepts and Cases</strong>. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Ottawa, Canada: Canadian Museum of Nature, 1993, p. 1 – 9.</span></span></span></span> <span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">SILVONE, Bruno Rangel. <strong>Análise socioambiental em assentamentos de reforma agrária do norte paraense</strong>. 2008. 113 f. Dissertação (Mestrado em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.</span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">WOORTMANN, Ellen F.; </span></span></span></span><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">SOUZA, J. L. Agroecologia e agricultura orgânica: princípios, métodos<strong> e </strong>práticas. Vitória: <strong>Incaper</strong>, 2015, 2a . edição atualizada. 34p. :il. (Incaper. Documentos, 200) ISSN 1519-2059. Disponível em: <a href="https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/item/766/1/Agroecologia-Ainfo.pdf" style="color:blue; text-decoration:underline">https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/item/766/1/Agroecologia-Ainfo.pdf</a>. Acessado em 16 de outubro de 2020.</span></span></p>
A CRIAÇÃO DO MUSEU DE PALEONTOLOGIA PLÁCIDO CIDADE NUVENS NO COMBATE AO TRÁFICO DE FÓSSEIS NA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE
RUAN GONÇALVES MONTEIRO; Fabrício Ferreira da Silva; Karen Iza Clementino Rodrigues; Renan Ferreira Sales
A Bacia do Araripe fica no interior do nordeste brasileiro e um dos estados que ela abrange é o Ceará onde há uma grande área de materiais fossilíferos do período Cretáceo. Um dos sítios fossilíferos de maior destaque fica no município de Santana do Cariri, o Parque dos Pterossauros, em seu subsolo foram encontradas as “pedras de peixes”, nome ao qual os moradores usam para referirem-se aos famosos fósseis. As pesquisas feitas na Bacia do Araripe começaram em 1800 no período em que o Brasil ainda era uma colônia dos portugueses, e desse período até os dias atuais a Bacia ainda é fonte de inúmeras pesquisas. É no século XX que vão surgindo mais pesquisas sobre a Bacia e escavações a procura dos seus fósseis, concomitantemente a esse período começa um intenso comércio ilegal dos fósseis na região, pelo perfeito estado de conservação que são encontrados fazem com que despertam o interesse de colecionadores e de museus. Sabemos que a comercialização de algo é feita a partir da “procura” e “oferta”, se existem pessoas que procuram determinados produtos e estão dispostos a pagar, obviamente terão pessoas que venderão o tal produto, e é exatamente assim que acontece com os fósseis da Bacia do Araripe. Outro fator para que esse comércio ocorra, é a falta de emprego na região, tendo em vista que a maioria dos moradores são agricultores e que é da plantação que ganham o seu dinheiro e o alimento. Então os “peixeiros”, como são chamados o pessoal que escavavam e vendiam os fósseis, viam nesse comércio uma opção de fonte de renda para o seu sustento. Sendo propriedade da União e regidos por leis que proíbem a sua extração, seu comércio e sua exportação, os “peixeiros” não se intimidavam e continuavam a vendê-los. Foi a partir disso que o prefeito da cidade de Santana do Cariri com o intuito de preservar e guardar os fósseis da região criou o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, sua inauguração foi no ano de 1988. Em 1991 Plácido decide doar o museu para a Universidade Regional do Cariri que tem a missão de propulsar pesquisas, divulgação e apoio a cultura e o patrimônio cultural, paleontológico e ambiental da região. Com a criação do museu a cidade ganhou um novo ponto turístico, se tornando uma das grandes economias da cidade, além de contribuir para a cultura e a preservação da história e do patrimônio paleontológico que lá é encontrado. Todo o seu material fossilífero vem principalmente das formações Missão Velha e Santana do Cariri, provenientes da formação Romualdo. Em 1997 foi criado a APA da Chapada do Araripe, que protege e preserva toda a área da Chapada, inclusive os sítios paleontológicos. Se juntando a essa equipe de preservação, temos o Geopark Araripe, criado em 2006 tem o objetivo valorizar e proteger as áreas naturais e de grande interesse patrimoniais, didáticos e turísticos. O Geopark atualmente possui nove geossítios que tem estrutura para apoiar uma utilização turística e educativa, mas são dos Geossítios Cachoeira de Missão Velha, Floresta Petrificada do Cariri e do Parque dos Pterossauros que são encontrados a maioria dos fósseis. Desde a criação do Geopark são desenvolvidas atividades que tem o intuito de conscientizar e preservar a cultura do Cariri cearense, assim como o patrimônio e natureza dessa região. Essas atividades partem de instituições como a Universidade Regional do Cariri (URCA), do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens e do próprio Geopark.
DO ROÇADO PARA A AVENIDA: O HIBRIDISMO CULTURAL DA ESCOLA DE SAMBA RURAL UNIDOS DO ROÇADO DE DENTRO.
EMANUEL MAXIMO DE MENEZES; ALEX PEREIRA RIBEIRO
Esse artigo é uma análise da agremiação carnavalesca que começou a se formar na comunidade rural Roçado de Dentro, em Várzea Alegre, nos anos 60. Em 1963, em uma pequena cidade do interior do Ceará chamada Várzea Alegre, hoje com aproximadamente 38 442 habitantes, distante 440 quilômetros de Fortaleza, agricultores da comunidade Roçado de Dentro, localizada na zona rural, tiveram a ideia de sair nas ruas da cidade em pleno carnaval para comemorar o bom inverno. Encabulados por serem de origem muito humilde e temerosos de não terem a aceitação social na cidade, tingiram o rosto de carvão, se fantasiaram com galhos de plantas e seguiram rumo à Várzea Alegre com alegria e descontração. Para surpresa de todos, foram ovacionados pela população urbana, que aprovaram a ideia. Segundo relatos de alguns fundadores, as pessoas saiam nas varandas das casas, nas janelas e portas para observarem aquele som e folia dos agricultores. Ali nascia o bloco do Roçado de Dentro, mais tarde, ESURD, Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro. O que se pode perceber, através de relatos de fundadores e até mesmo de populares das comunidades, é que a ESURD em seus primórdios se utilizava de instrumentos da banda Cabaçal local. Depois, os instrumentos de percussão começaram a incorporar a bateria, depois as referências do carnaval do Sudeste começaram a fazer parte dos desfiles, demonstrando o quanto a ESURD está envolvida em um verdadeiro hibridismo cultural. Hoje, a ESURD conta com alas, destaques, carros alegóricos, samba enredo, sambistas, pensa em temas e os desenvolve na avenida, incorpora dança e teatro em seus desfiles, porém sempre fez referências à cultura local, regional e nacional. A fama da escola, juntamente com o crescimento da cidade e sua proximidade com as comunidades, começou a atrair a participação de pessoas da zona urbana, que hoje ajudam a agremiação a desenvolver seus desfiles. Além disso, muitos moradores da comunidade foram tentar uma vida melhor na cidade e seus descendentes acabaram ficando por lá, mas o amor pela escola fortaleceu os laços e muitos desses descendentes também participam dos desfiles e trabalham para que a ESURD saia todos os anos na avenida. Com o passar do tempo, o poder público municipal, vendo o potencial turístico cultural e patrimonial das escolas, começou a investir nela dando incentivo financeiro para ajudar nas despesas. A escolas se consagrou no cenário carnavalesco da cidade. Pessoas viajam de outras cidades para ver os desfiles. Ela também atraiu a atenção da imprensa estadual e nacional. Todo ano, a imprensa faz cobertura do desfile. Já foi matéria de destaque no Jornal Nacional, El País e outros jornais, que dão a escola o título de “A única escola de agricultores do Brasil”. Esse é um título que chama atenção da imprensa e que acaba causando controvérsia na cidade, pois com o passar dos anos a escola começou a ganhar apoio de outros setores da sociedade, não sendo talvez adequado a utilização desse título. Porém, a ESURD pode ter sido a primeira escola de samba formada por agricultores do Brasil. Essa dúvida é algo que precisa ser esclarecido em alguma pesquisa mais aprofundada, através de mapeamento de escolas de samba rurais do país. Mas uma coisa é fato, o que temos hoje, é uma escola de samba que teve uma origem rural, mas que por questões sociais e territoriais acabou sendo afetada pela urbanidade. Por trás de toda essa história de evolução e de conquista no espaço cultural da cidade, além do espaço que ganhou nas páginas de notícias da internet, jornais e TV. Existe uma história de talento e gosto pela cultura que os habitantes daquela comunidade traziam e trazem consigo. São muitas histórias e poucos estudos sobre ESURD. Muitos depoimentos populares e pouca documentação. Os principais fundadores faleceram e o que deixaram foram memórias e depoimentos para alguns habitantes do local que não tiveram o cuidado – ou o esclarecimento – de reunir e cuidar desses registros para se transformar em acervo histórico da cidade. Em um trabalho de Conclusão de Curso, a jornalista Beatriz Jucá, fez um livro reportagem sobre a Escola de Samba do Roçado de Dentro, chamado “Unidos no roçado: vidas entrelaçadas em saudade e samba”, nele, ela reúne inúmeros depoimentos de fundadores e populares que narram a história da escola. Uma riquíssima fonte histórica, porém, umas das poucas fontes históricas da comunidade. Talvez, as escolas de samba Unidos do Roçado de Dentro, em si, sempre seja lembrada pelo povo, pois é uma tradição que circula gerações e parece não ter fim, mas as questões históricas e antropológicas que justificam essas manifestações culturais continuam desconhecidas, ou conhecidas sem muito embasamento histórico-científico, pelos habitantes das comunidades, imprensa, governo e população. E ainda se um dia elas deixarem de existir, correm o risco de não ter documentos e registros oficiais reunidos e organizados que demonstrem o seu surgimento, suas referências e a sua importância no cenário cultural. É necessário que isso se faça com a devida urgência, tendo em vista que o tempo não perdoa e acaba levando potenciais fontes históricas. Além disso, os documentos, pesquisas, artigos sobre as escolas são praticamente inexistentes. Se resumem as notícias de jornais, ao livro reportagem da jornalista Beatriz Jucá, a fotos e registros de desfiles. Por fim, a importância de questionar e entender a formação da ESURD se justifica pela necessidade de fazer com que a história e memória da escola de samba seja (re)conhecida, se torne científica e seja entendida pela população, através de um documentos e artigos onde estejam reunidos elementos que demonstrem suas origens, referências culturais e a importância dessa agremiação para o carnaval da região. Além disso, analisar as questões antropológicas e culturais e estudar como se formou ao longo de mais de meio século uma manifestação cultural tão rica para o carnaval da região é muito importante para que a população de Várzea Alegre e do Ceará tenham acesso a essa fonte e conheça a verdadeira trajetória e formação da ESURD, mesmo que de forma resumida. É também importante, para que os próprios moradores da comunidade entendam suas origens, o que lhes influenciou, de onde veio aquelas referências e possam se enxergar na escola de samba de agora. Perceber onde estão e todo o percurso que trilharam até conseguirem o devido espaço no cenário cultural de Várzea Alegre e região quebrando barreiras sociais e preconceitos.
A FARINHA DE BRAGANÇA (PA): SABERES E FAZERES EM UM NOVO TEMPO
JAKELINE ALMEIDA BRITO
Não seria possível falar sobre a farinha bragantina sem antes caracterizar a dinâmica social dos sujeitos que ali projetaram suas vidas, saberes locais que se expressam na forma de produzir, um saber fazer que reflete um modo de vida, no que é feito, e como é feito. A forma de fazer farinha de um lugar diverge de outro, os agentes mudam, o modo muda, mas o que de fato faz a farinha bragantina ter de diferente das demais? Um alimento que é tradicional na região, expresso de maneira plural, um patrimônio visível e imaterial na Amazônia paraense. Para tal este trabalho faz parte de reflexões feita na dissertação de mestrado em geografia. Como forma de análise preliminar apresentamos ao público uma breve reflexão sobre a farinha de Bragança considerando essa como um saber tradicional. Práticas reveladas no alimento é uma construção histórico/social. Seja da ordem do comestível ou mesmo pela temporalidade alimentar a farinha de mandioca se constitui um símbolo, uma marca identitária no processo de produção do espaço. Estaríamos falando de um aspecto cultural que engloba saberes e fazeres. Nesse sentido Claval (2002, p. 21) afirma que a “cultura tem um papel importante na construção das identidades coletivas”.
Palavras-chave: farinha de bragança, modo de vida
Resumo Expandido
FAROFA: de matula de viajante a comida de cavaleiro na Festa do Divino de Pirenópolis - Goiás
ALEXANDRE FRANCISCO DE OLIVEIRA; Maria Idelma Vieira D'Abadia
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Pirenópolis uma das cidades mais antigas e importantes do estado de Goiás, tem na sua </span></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Festa do Divino Espírito Santo a sua maior manifestação de fé e religiosidade. A festa foi tombada como Patrimônio Cultural em 2010, sendo registrada no livro de celebração do Iphan e agrega uma variedade de atividades e manifestações cultuarias em cerca de 65 dias de festa. Dentre as muitas manifestações aglutinadas em tal festejo as farofas e paçocas, alimentos que acompanham a formação do povo brasileiro exercem um papel importante nas farofadas, quando os cavaleiros que encenam as Cavalhadas juntamente com uma equipe de músicos próprios dos cavaleiros são recebidos por anfitriões que lhes ofertam farta alimentação e bebidas, dentre os muitos alimentos as farofas figuram como item essencial do cardápio. Essas atividades acontecem durante o período de ensaio das Cavalhadas, por cerca de 15 dias até a aproximação de Pentecostes, em dois momentos, na madruga e a noite. Visto que durante os dias de batalha os cavaleiros não têm possibilidade de confraternizar, as farofadas são oportunidades de oração, diversão, dança e cantoria para os cavaleiros que em campo, no ápice da festa encherão os olhos dos espectadores. </span></span></span></span></span></p>
O QUE A PAISAGEM REVELA? A RELAÇÃO DOS MONUMENTOS COM A SEGREGAÇÃO RACIAL EM PETRÓPOLIS-RIO DE JANEIRO
WANDERSON FREITAS FRANÇA; MARIA LÚCIA PIRES MENEZES
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Esse texto pretende apresentar uma contraposição evidente na paisagem por um viés geográfico cultural sobre diversos pontos (turísticos e urbanos) de Petrópolis, município da região serrana do estado do Rio de Janeiro. A paisagem é interpretada de acordo com a construção singular da identidade cultural de cada pessoa, dessa forma, surgem múltiplas interpretações do mundo que nos cerca. Assim, ao caminhar pela cidade é possível observar monumentos que convidam os moradores e transeuntes a invocar personagens emblemáticos que fizeram parte da construção urbana. Mas, as monumentalidades, que são vistas nos espaços públicos representam em sua grande maioria apenas a elite branca, se opondo com a realidade das comunidades, com uma população tão diversa etnicamente, predominantemente negra. O texto se concentra na visão singular do autor sobre a cidade, buscando reflexões acerca do ir e vir urbano, revisões bibliográficas e observação dos monumentos em contraposição com as comunidades segregadas.</span></span></span></p>
Palavras-chave: SEGREGAÇÃO RACIAL,MONUMENTOS,PAISAGEM, PETRÓPOLIS
Oral
A RENOVAÇÃO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E AS MUDANÇAS CULTURAIS
ALEXSANDRA SALVADOR DA SILVA
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A renovação do Sagrado Coração de Jesus, renovação do santo, ou simplesmente renovação, é uma festa popular, presente principalmente em municípios do Cariri Cearense, com presença em algumas localidades de outros estados e regiões. Uma devoção que teve início com Santa Margarida Maria de Alacoque, e implantada no Cariri, por Padre Cicero. Uma festa cultural, religiosa, celebrada anualmente, em uma data definida, onde a família se reúne com parentes e amigos, para renovar os votos de fé. Uma festa de tradição da religiosidade popular. Mas como outras manifestações, também tem sofrido mudanças com o passar dos anos. A pesquisa foi realizada em ambientes rurais e urbanos, com observação direta, onde utilizou-se a etnografia, para descrição e interpretação do que foi pesquisado. Com informações provindas da memória, e de relatos orais. Uma pesquisa qualitativa, na qual percebe-se a presença de renovações bem diferentes de como era há alguns anos atrás, tanto no que diz respeito ao modo de organização da festa, perpassando pela alimentação, modo de preparo, até a maneira de “tirar” as renovações, já quase que completamente descaracterizadas do seu ritual tradicional. Este artigo reúne informações a respeito da renovação, e de mudanças ocorridas.</span></span></span></span></p>
Oral
ESPAÇO E SUBJETIVIDADE: O IMAGINÁRIO NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ESPACIAL DOS LUGARES RECEPTIVOS AOS FESTEJOS RELIGIOSOS DO CARIRI CEARENSE
EMANUEL SILVA DOS SANTOS; JOSIER FERREIRA DA SILVA
A efetivação do acesso aos bens de cultura sob a perspectiva do direito comparado
JOÃO PEDRO COSTA GENRO
Dada a recente extinção do Ministério da Cultura, com a sua consequente transformação em órgão submetido ao Ministério do Turismo, intensifica-se o debate popular sobre a importância do fomento à cultura nacional e a constante sujeição da matéria a predileções partidárias. Assim, o presente trabalho analisa os desdobramentos do direito ao acesso aos bens de cultura no Brasil, fazendo uso dos métodos científicos hipotético-dedutivo e comparativo-funcional, para o fim de verificar se os mecanismos jurídicos existentes no país são hábeis para a efetivação desse direito. A investigação é realizada por meio de revisão bibliográfica, pesquisa da legislação brasileira atinente ao tema e estudo comparado a partir das experiências chilenas e mexicanas. Verificado, inicialmente, o dever do Estado brasileiro de garantir a todos o pleno exercício dos seus direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional (art. 215, CF), constata-se o emprego do Plano Nacional de Cultural como ferramenta para conduzir, dentre outros objetivos, à democratização do acesso aos bens de cultura (art. 215, §3°, IV, CF). A Lei 12.343/2010, que regulamenta esse Plano, reitera o compromisso do poder público de universalizar o acesso dos brasileiros à arte e à cultura, bem como dispõe que o Sistema Nacional de Cultura, instrumento de gestão entre os entes da Federação, é o seu principal articulador. As práticas do México e Chile, por sua vez, convergem para um movimento de ação cultural colaborativa com intensas atividades regionais e municipais. Dessa forma, pode-se concluir que as políticas culturais desses três países tendem igualmente à descentralização na busca da efetivação dos direitos culturais, o que evidencia que o Brasil encontra no Sistema Nacional de Cultura importante instrumento de garantia e realização do direito ao acesso aos bens de cultura. É perceptível, entretanto, vide problemáticas de operacionalidade, que as garantias jurídicas ora existentes, por si só, não são suficientes para a implementação do propósito perseguido, exigindo-se comprometimento político e participação de toda a sociedade. Infere-se, assim, que em virtude dessa sujeição a intempéries conjunturais, há a necessidade de modificação na agenda cultural uma vez que, mesmo na existência de importantes aparatos jurídicos, a temática em torno do acesso aos bens de cultura ainda não atingiu o seu patamar ideal de concretização
Palavras-chave: Políticas Culturais,Direito Comparado,Culturas Regionais,Sistema Nacional de Cultura
Palavras-chave: Geografia e Literatura, Fortaleza
Oral
Abrir o trabalhoGeografia Literária das Indústrias em "Parque Industrial" de Patrícia Galvão.
BEATRIZ SANTOS DE SOUZA
A industrialização trouxe consigo um desenvolvimento econômico, político e social para o espaço urbano. Para entender esse processo contamos com a contribuição da Geografia das Indústrias. Entretanto, a Literatura, que desde 1970 vem sendo inserida com mais vigor nos estudos geográficos se mostra também capaz de explorar diferentes dinâmicas que envolvem a indústria. Relacionando a Geografia e a Literatura, propomos uma Geografia Literária das Indústrias capaz de explorar momentos da industrialização, não somente a fábrica em si como também as relações que envolvem todo o contexto fabril, nos escritos literários. O romance "Parque Industrial" publicado em 1933 por Patrícia Galvão, uma mulher que atuou no Partido Comunista Brasileiro e usou da arte como meio difusor de seus ideais, retrata a vida das operárias do bairro do Brás em São Paulo. O romance põe em primeiro plano a condição feminina desde o trabalhar, perpassando o habitar até o momento da luta por melhores condições de trabalho. A obra é um exemplo da possibilidade de se trabalhar uma Geografia Literária das Indústrias.
Palavras-chave: Geografia,Literatura,Indústria
Oral
GEOGRAFIA LITERÁRIA EM A NORMALISTA: O ESCRITOR, OS LEITORES E A CIDADE
TAÍS TEIXEIRA GUERRA
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Ao percebermos a comunicação entre nossas experiências urbanas e literárias, compreendemos também os conhecimentos geográficos e literários em seu conjunto. Essas formas de vivenciar e conhecer o mundo se relacionam de modo muito enriquecedor quando temos como enfoque o espaço urbano. Através da obra <em>A Normalista</em>, romance em que o escritor cearense Adolfo Caminha descreve e recria a capital da província no final do século XIX, podemos apreender uma Fortaleza histórica, evidenciando as espacialidades e geograficidades presentes na obra literária e na vida do autor. Geografia Literária que se realiza por meio de uma abordagem humanista-cultural, compreendendo os caminhos humanistas e culturais como fundamentos epistemológicos para novos modos de se pensar-fazer geografia e literatura. Direcionamo-nos, assim, aos leitores que vivenciam e leem o espaço urbano, atentos ao papel que a literatura pode exercer no pensamento e na construção da cidade. Identificamos, por fim, a cartografia literária e no percurso geoliterário como nossos próximos passos visando à associação entre uma Fortaleza histórica e atual, entre um espaço ficcional e real na compreensão do espaço citadino.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p>
Palavras-chave: Geografia Literária,A Normalista,Adolfo Caminha,Abordagem humanista-cultural
Resumo Expandido
Palavras-chave: Lugar,Camponês,Práticas Agroecológicas,Revolução Verde,Orgânicos
Resumo Expandido
SABERES E FAZERES DOS GERAIZEIROS NA SOCIOBIODIVERSIDADE DO CERRADO - BURITIZEIRO-MG
JAQUELINE BORGES INÁCIO; Rosselvelt José Santos
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O presente trabalho tem por objetivo analisar os saberes associados às práticas socioambientais dos geraizeiros do município de Buritizeiro na mesorregião Norte de Minas Gerais. O texto justifica-se no sentido de abordar a valorização da sociobiodiversidade do Cerrado no contexto da implementação da Reserva Extrativista (RESEX) Serra do Alemão, abordando as estratégias dos geraizeiros para se manterem no território.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A área da RESEX Serra do Alemão, foi delimitada pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), no ano de 2010, mas, até o atual momento (2020) não houve regularização fundiária da área, que abrange cerca de 33.000 hectares, sendo que 80 hectares estão na área de conflito entre a monocultura de eucalipto e a área ocupada pelos geraizeiros.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Segundo informações disponibilizadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2011), foram realizados levantamentos da vegetação e o uso das espécies nativas do Cerrado dos municípios de Buritizeiro e Ibiaí, pelos pesquisadores do Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas (CRAD) da Universidade de Brasília (UNB), cujo objetivo consistiu em disponibilizar dados para criação de duas RESEX.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os dois municípios supracitados estão situados na mesorregião Norte de Minas Gerais, na Bacia do Rio São Francisco. Essas duas novas Unidades de Conservação foram solicitadas pelos povos tradicionais da região, no ano de 2006. Os pesquisadores envolvidos no estudo, fizeram levantamento das espécies vegetais presentes na área, e foram catalogadas cerca de 225 espécies diferentes entre árvores frutíferas, medicinais e madeireiras. (MMA, 2011).</span></span></span></span></p> <div> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A partir da análise socioespacial, neste trabalho elencamos o município de Buritizeiro para realizar o nosso estudo, pois, trata-se da área onde está sendo desenvolvida a pesquisa de doutorado. Destarte, estamos apresentando, parte dos resultados da pesquisa neste texto.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A análise da comunidade considera os saberes e fazeres, bem como o modo de vida dos geraizeiros e suas práticas socioambientais. Como característica sociocultural das pessoas que vivem no lugar, eles nos ajudam a compreender aspectos das experiências e das diferentes lógicas sociais que dão significado a vida daquele grupo.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Metodologicamente foram realizadas leituras de bibliografias referentes ao conteúdo que estamos estudando: sociobiodiversidade, práticas socioambientais, saberes e fazeres dos povos tradicionais, usos e apropriações do território e a importância da RESEX para a região e para o município de Buritizeiro, bem como, consultas em sites de órgãos ambientais.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Foram realizados trabalhos de campo em Buritizeiro, a partir de entrevistas semiestruturadas e análise qualitativa de entrevistas dialogadas com os sujeitos pesquisados. No campo trabalhamos com duas comunidades que estão inseridas na área da RESEX: Gerais do Calixto e Lança I. Além disso, entrevistamos algumas pessoas que residem na área urbana, mas, que são oriundos das comunidades rurais e também são geraizeiros.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os momentos de diálogo, as falas foram registradas, explorando as memórias desses sujeitos. Eles relataram como foram constituindo as relações com o lugar, suas práticas e saberes. Foram descritas como processo que continua ocorrendo, bem como, as formas de transmissão de conhecimentos para as gerações seguintes. </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os saberes e fazeres dos geraizeiros relacionados as práticas socioambientais, contribuem para a conservação das espécies de vegetação do Cerrado, fazendo com que eles possam permanecer no lugar desenvolvendo seus conhecimentos e reelaborando suas atividades extrativistas.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">No enfrentamento das ameaças territoriais reconhecem que precisam se organizar politicamente para fazer frente a outras lógicas socioeconômicas que comparecem no lugar como: o agronegócio (eucalipto), as carvoarias e os grandes proprietários de terra. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Neste sentido, resistir implica oposição a essas outras lógicas. Usar ao seu favor as suas singularidades socioculturais, articulando-se com a sociedade, pode ser um caminho para se manterem como “gentes” de tradição, capazes de contribuir com a preservação da sociobiodiversidade do Cerrado.</span></span></span></span></p> <div id="ftn1"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> </div> </div>
Oral
SABERES E PRÁTICAS CULTURAIS EM SAÚDE: O USO DE FORMIGAS “TRINCA-CUNHÃO” NA MEDICINA CASEIRA
PAULO RICARDO BATISTA; SARA TAVARES DE SOUSA MACHADO
1 Introdução Sabe-se que o manejo de recursos naturais como alternativa terapêutica é tão longínquo quanto o surgimento das civilizações. Corroborando com esses argumentos Córdula, Nascimento e Lucena (2018) enaltecem o seio da relação entre as comunidades tradicionais (grupos culturalmente diferenciados vinculados ao território do qual se utilizam dos recursos para sobrevivência) e locais (distinta das tradicionais nos quesitos ancestralidade e pertencimento ao território) e o ambiente, apontando que no trato da utilização dos recursos naturais são desenvolvidos saberes, práticas e vínculos místico-espirituais transmitidos de geração em geração mediante a oralidade. Aqueles mesmos autores também argumentam que é incubência da etnociência registrar e caracterizar nessas comunidades, tais práticas, crenças e saberes e suas relações com a natureza. O campo da etnociência integra a antropologia, sociologia e as ciências naturais, além de se ramificar em diversas áreas dentre as quais, a etnobiologia, com estudos em etnoecologia, etnobotânica e etnozoologia (CÓRDULA; NASCIMENTO; LUCENA, 2018). Destarte, será a etnozoologia (centrada na interação da díade culturas humanas/animais e seus derivados) abordada ao longo deste trabalho. O uso de animais e produtos derivados como medicamentos (zooterapia) além de antigo é também partilhado por distintas culturas através da chamada medicina tradicional, que por sua vez é de amplo uso pela população humana mundial, constituindo alternativa frente aos preços dos fármacos da indústria farmacêutica. No Brasil, a manifestação da zooterapia advém da interação dos componentes indígenas, africanos e europeus, compondo uma valiosa etnomedicina, não obstante ser pouco estudada e caracterizada em comparação às plantas medicinais (ALVES; DIAS, 2010). Diante disso, considerando como relevância as contribuições para o resgate das tradições do campo sobre o uso de animais na medicina caseira (em áreas rurais e urbanas) e a valorização desses etnoconhecimentos como patrimônio histórico-cultural imaterial, este texto tem por objetivo explorar e fomentar a discussão da importância das práticas e etnosaberes na promoção da saúde enfocando o uso de formigas da espécie Dinoponera quadriceps Kempf. 2 Metodologia Trata-se de uma revisão narrativa da literatura de caráter descritivo e natureza qualitativa. A coleta dos estudos foi realizada na plataforma Google Scholar nos meses de outubro e novembro de 2020 sob a aplicação das palavras-chave: (i) Dinoponera quadriceps (nome científico da espécie) e (ii) usos medicinais, optou-se por esses dois descritores gerais coma finalidade de favorecer uma gama maior de estudos a serem prospectados. Os critérios de elegibilidade para a inclusão dos estudos foram: artigos completos e de livre acesso, dissertações e teses; idioma português, inglês e espanhol; estudos que retratam a temática. Ao passo que foram excluídos da análise: anais de eventos, livros e publicações que não atendessem ao objetivo geral deste estudo. Não foi definido um recorte temporal a fim de evitar a exclusão de estudos importantes. Os trabalhos compilados passaram por uma triagem inicial correspondente a leitura do título e resumo e aplicação dos critérios de elegibilidade, posteriormente seguiram-se os passos de Roman et al. (2017, p. 350), “leitura exploratória, leitura seletiva e escolha do material que contemplasse os objetivos deste estudo, análise dos textos e, por último, a realização de leitura interpretativa e redação”. Em adição, os trabalhos incluídos foram qualificados e discutidos de acordo com a literatura pertinente. 3 Resultados e discussões A busca geral na plataforma retornou em 47 produções científicas, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, a amostra final resultante compôs-se de 13 estudos (11 artigos, 1 dissertação e 1 tese) publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol entre os anos 2003 e 2020, indicando a atualidade da temática proposta no tocante ao banco de dados bibliográfico visitado e a combinação de palavras-chaves utilizada. Cabe ressaltar que todos os estudos (direta ou indiretamente) foram referentes ao nordeste brasileiro. Reiterando e fundamentando o panorama histórico-cultural apresentado no início, Baldin e Acosta (2018, p. 160) esclarecem que: Ao longo da história o homem sempre esteve em contato com a natureza e dela tirou o alimento, o habitat e também as substâncias com fins curativos para tratar as doenças de seus povos. Esse conhecimento, milenar, foi sendo repassado para as gerações que se seguiram, constituindo assim o que denominamos patrimônio histórico cultural imaterial, que, nos dias atuais, cada vez mais se confronta com o acelerado desenvolvimento das cidades. Desenvolvimento que leva à industrialização, à urbanização e a mudanças nos estilos de vida das pessoas, ocasionando com isso um distanciamento das tradições e hábitos preservados pelos antigos familiares. Diante disso, afunilando o contexto das etnociências já introduzido, dentro da área da etnozoologia, têm-se a etnoentomologia que estuda o modo (passado e atual) como os insetos são percebidos, classificados e utilizados pelas sociedades humanas. Nesse cenário, as formigas (Hymenoptera) se sobressaem nos sistemas culturais por se apresentarem em mitos, lendas, práticas místico-religiosas (COSTA NETO; RODRIGUES, 2005), atividades lúdicas (COSTA NETO, 2003) e consistirem em recursos alimentares e medicinais. Neste último aspecto, têm-se registros para o tratamento de problemas no sistema respiratório, quadros dolorosos e inflamatórios, dentre outros, até mesmo para sutura de feridas (COSTA NETO; RODRIGUES, 2005). A etnoespécie Dinoponera quadriceps é conhecida popularmente como formiga-conga, formiga-jeja, formiga-jeje, formiga-preta (COSTA NETO; RODRIGUES, 2005), formiga-de-rabo (COSTA NETO, 2003) e formiga trinca-cunhão (ALVES et al., 2009; FERREIRA et al., 2013). Trata-se de formigas primitivas predadoras endêmicas do nordeste brasileiro e que podem se desenvolver em grandes tamanhos, as colônias desse gênero possuem organização característica por não possuírem rainha e as operárias terem potencial reprodutivo (LIMA, 2014). Cujos acidentes de picadas em humanos são bastante dolorosos (COSTA NETO, 2003). Os principais achados da presente pesquisa denotam no contexto cultural que as formigas em questão são comercializadas e/ou utilizadas para fins medicinais (FERREIRA et al., 2009; ALVES; ROSA, 2010). Notou-se que esses animais são utilizados integralmente (todo o organismo) no preparo dos “medicamentos populares”, conforme apontam os estudos revisados (COSTA NETO, 2003; ALVES et al., 2009; FERREIRA, 2009; FERREIRA et al., 2009; ALVES; ROSA, 2010; FERREIRA et al., 2013; ALVES et al., 2016). As indicações terapêuticas que permeiam no seio desse uso cultural são apenas duas identificadas, asma de forma majoritária (ALVES et al., 2009; ALVES et al., 2016; SILVESTRE; SAUDA NETO, 2020) e dor de ouvido (FERREIRA, 2009). Para o caso da asma, os resultados do estudo de Costa Neto (2003) conceberam que o modo de preparo e a administração se fundamentam em torrar as formigas, moê-las e preparar um decocto com o pó resultante ou adicionar este à comida do indivíduo asmático, a quantidade também foi apontada “uma formiga”. 4 Considerações finais Segundo os pressupostos de Costa Neto (2003, p. 168): “[...] os insetos considerados medicinais têm recebido pouca atenção devido, talvez, ao menosprezo que a maioria da população demonstra por essa classe de animais” e adiciona “por outro lado, o potencial zooterápico dos insetos representa uma contribuição importante para o debate da biodiversidade, bem como abre perspectivas para a valorização econômica e cultural de animais considerados inúteis” (COSTA NETO, 2003, p. 168). Face aos dados alcançados constata-se o vínculo das ciências sociais e naturais e a quão rica e transdisciplinar é a etnoentomologia suscitando aportes para: (i) a valorização da identidade histórico-cultural das comunidades que fazem uso das formigas no seu contexto medicinal; (ii) o resgate e compreensão das práticas culturais e percepção/interação/utilização das sociedades humanas no tocante às formigas; (iii) e para a conservação do patrimônio natural. Com efeito, uma vez que a etnoespécie destrinchada neste trabalho é endêmica da região Nordeste, os etnoconhecimentos compilados podem favorecer o desenvolvimento local, sustentável e biotecnológico, posto sua aplicação também nas áreas de prospecção farmacológicas e toxinológicas relativas às biotoxinas das formigas.
Palavras-chave: Saberes-Fazeres do Campo , Etnoentomologia , Formigas Trinca-Cunhão
Resumo Expandido
TERRA DE TRABALHO, TERRA DA VIDA: A QUESTÃO DA REPRODUÇÃO CAMPONESA NO ASSENTAMENTO CANGUSSU -BA
ALINE FARIAS FIALHO
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O presente trabalho teve como principal objetivo refletir como as relações existentes entre reprodução camponesa e a terra, a partir da realidade apresentada no Assentamento Cangussu, localizado no município de Barra do Choça – BA, fornecem elementos para a compreensão da singularidade do modo de vida camponês na sociedade contemporânea. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A permanência da lógica da reprodução camponesa no espaço agrário brasileiro e o seu papel como sujeito central para a compreensão da questão agrária, expressam as contradições que caracterizam o modo de produção capitalista e se manifestam, também, na dialética sujeição/resistência do campesinato ao sistema vigente. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A lógica do trabalho realizada pelos camponeses nas unidades produtivas do Assentamento Cangussu, permite-nos afirmar que a posse da terra é, sobretudo, garantia da manutenção da vida e se configura como uma forma de resistência que estabelece oposição à lógica de reprodução e acumulação do capital. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O trabalho realizado na terra pelas </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">famílias camponesas em questão, portanto, </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">assume um sentido que extrapola as amarras impostas pelo capital, uma vez que a terra significa possibilidade de realização do seu trabalho.</span></span></span></span></p>
Oral
Palavras-chave: Fósseis,Bacia do Araripe,Comércio Ilegal,Tráfico,Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens
Resumo Expandido
A PRESENÇA DA MÃO DE OBRA ESCRAVA NA CONSTRUÇÃO DA CAPELA DE SÃO CAETANO NO DECORRER DE 1735 A 1762 SITUADA EM NARANIÚ, CEARÁ.
FABRÍCIO FERREIRA DA SILVA; Ruan Gonçalves Monteiro; Maria Daiane da Silva Sousa; Samuel Távora da Silva
O presente trabalho visa investigar e discutir a presença da mão de obra escrava na construção da capela de São Caetano localizada no distrito de Naraniú em Várzea Alegre - CE. Partindo de uma analise minuciosa feita aos documentos encontrados na capela, bem como as fontes a serem averiguadas nas Cúrias Diocesanas de Icó e Iguatu. A pesquisa bibliográfica é levada em consideração uma vez que, trata-se de uma análise de informações claras e precisas a respeito da capela como patrimônio histórico e cultural Estadual, e para uma maior discussão teórica metodológica serão levadas em consideração autores que trabalham e discutem a menção do conhecimento sobre patrimônio histórico e cultural, assim como autores que pesquisam o processo escravista no Ceará. Faz se necessário analisar também dois jornais Cearenses, um voltado mais para a capital Fortaleza. O Libertador, Órgão da Sociedade Cearense Libertadora fundado em 1881, onde será analisado como a presença escrava era retratada nesse impresso e como a campanha abolicionista foi aderida pelos Cearenses que sonhavam com o fim do cativeiro escravo no Ceará. O outro jornal é O Araripe impresso Cratense que circulou em 1855 na cidade do Crato, Região do Cariri.
Palavras-chave: Mão de obra escrava, Patrimônio, Período colonial, Cativos
Resumo Expandido
Bordado como forma de resistência: iniciativas de educação patrimonial na Biblioteca Cajuí - Cidade de Goiás
JAQUELINE MORAES FERNANDES
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O bordado é uma atividade que proporciona aprendizado constante, e em sua prática, podemos observar traços do patrimônio imaterial, visto que na simplicidade do fazer e do ensinar, há uma aprendizagem passada, muitas vezes, entre gerações. Baseado nisso, faz-se necessário apoiar a valorização do bordado enquanto bem cultural, proporcionando o ensino/aprendizado, através de seus detentores, por meio de práticas educativas. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Pensando nisso, o objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de educação patrimonial no ambiente da biblioteca universitária, em parceria com a Associação Mulheres Coralinas, um projeto da cidade de Goiás – GO que envolve mulheres de várias idades, valorizando seus afazeres artesanais, gastronômicos e poéticos aliadas a suas trajetórias de vida. Seu objetivo é tecer laços entre cultura e atividades de capacitação para proporcionar autonomia econômica e emancipação cidadã das participantes (SIQUEIRA; CAMARGO, 2016). </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Uma das atividades ofertadas nesta associação é o bordado, em diferentes materiais, trazendo elementos artesanais e saberes. Utilizando-se do caráter interativo e imersivo, a ação proposta será uma oficina de bordado, dentro das atividades da Semana do Livro e da Biblioteca, oferecida pela Associação Mulheres Coralinas em parceria com a Biblioteca Cajuí, seccional do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Localizada na Cidade de Goiás, a biblioteca possui caráter universitário e comunitário, por intervir não só com a comunidade acadêmica em suas atividades, mas também na população da cidade.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Terá como proposta aproximar a comunidade, interna e externa, das práticas do bordado, focando não apenas no objeto final, mas nas habilidades que são intrínsecas em patrimônios culturais imateriais: as vivências e experiências a serem compartilhadas entre os detentores do saber e os participantes. As memórias e troca de saberes serão primordiais neste trabalho de educação patrimonial, pautando na construção da memória e identidade cultural destes detentores, no ambiente da biblioteca.</span></span></span></span></p>
Palavras-chave: Bibliotecas,Educação patrimonial,Patrimônio,Memória
Resumo Expandido
CIDADE, ESPAÇO E TEMPO: REFLEXÕES SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES SOCIOESPACIAIS
MARÍLIA SILVA LEITE ; JEFFERSON DA SILVA TORRES; MAURA DE CARVALHO IBIAPINA
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Pensar no conceito de paisagem nos dias atuais vai muito além de uma grande extensão territorial carregada de plantas e animais, está ligada não somente aquilo que se pode ver, mais também aquilo que se pode sentir, ouvir, e até imaginar.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">O presente trabalho é resultado de uma atividade prática da disciplina de Organização do Espaço do curso de geografia da Universidade Federal do Piauí, Polo de Campo Maior-PI. Essa prática foi desenvolvida numa escola pública localizada na zona urbana de Campo Maior com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, onde foram abordadas as transformações e características das paisagens ao longo do tempo.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Essa prática teve como objetivo analisar as transformações socioespaciais da cidade de Campo Maior ocorridas ao longo do tempo, através da análise de paisagens presentes no cotidiano do aluno, possibilitando um resgate histórico espacial da cidade.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Para melhor compreensão foi realizado um resgate histórico da cidade, foram apresentadas algumas paisagens que estão diretamente ligadas ao cotidiano dos alunos, possibilitando aprender sobre paisagem de maneira mais concreta, utilizando fotos da cidade do passado assim como fotos recentes, para que os mesmos possam sentir-se participante da realidade estudada.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <ol start="2"> <li style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Principais conceitos</span></span></strong></span></span></li> </ol> <p style="margin-left:36pt; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Fazer com que os alunos se encontrem dentro de um conteúdo, se sintam parte integrante daquilo que estão aprendendo é sem dúvidas um dos desafios dos professores na atualidade, conhecer sua cidade e entender que aquilo que está sendo visto no livro, também acontece onde eles moram, torna a aprendizagem mais dinâmica, e estudar sobre paisagem e suas transformações, usando sua cidade como referência.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Nesse sentido, o estudo do meio permite que o conteúdo ensinado não seja meramente teórico e sim, ligado a vida das pessoas, entender que uma praça da sua cidade, ou sua escola, pode ser definido como paisagem. “Paisagem é uma porção perceptível a um observador onde se inscreve uma combinação de fatores visíveis e invisíveis e interações as quais, num dado momento, não percebemos senão o resultado global (TRICART, 1982, p.18)”</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">É muito comum ao se aprender sobre paisagem, ao se ilustrar, a figura que vem são rios, florestas ou seja lugares que não tiveram ainda a intervenção do homem, sendo assim e preciso mostrar os dois lados, tanto o que não teve intervenção humana que pode ser citada como uma paisagem natural, assim como uma paisagem cultural que já aconteceu a intervenção do homem para criar um local que vai trazer benefícios para as pessoas que ali residem. Segundo Bertrand (2007, p. 223-225) “qualquer paisagem é ao mesmo tempo social e natural, subjetiva e objetiva, espacial e temporal, produção material e cultural, real e simbólica.” Dada à sua complexidade não devemos estudar itens apenas, mas sim toda a globalidade do fenômeno.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <ol start="3"> <li style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Metodologia</span></span></strong></span></span></li> </ol> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Para a execução desse trabalho foi realizada uma pesquisa bibliográfica em vários autores que abordam essa temática, entre eles podemos destacar Tricart (1982) e Bertrand (2007) e Santos (1988). Foi feita também uma pesquisa documental com imagens antigas e recentes para analisar as transformações mais importantes ocorridas na cidade.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">No primeiro momento foi apresentado o conceito de paisagem. Posteriormente, realizou-se uma análise comparativa das imagens atuais e passadas de alguns pontos da cidade conhecidos pelos alunos. Através da análise dessas imagens, possibilitou ao aluno a construção do seu próprio conceito de paisagem. “A paisagem revela como algo não estanque no espaço, e sim que a cada período histórico se altera, renova e se adapta para atender os novos paradigmas do modo de produção social” (SANTOS, 1988).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Após as análises e discussões das imagens foi proposta uma atividade na qual o aluno representou por meio de desenhos uma paisagem que ele mais se identificou e em seguida, foi convidado a relatar o que essa representa para a sua vida. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <ol start="4"> <li style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Resultados e Discussões</span></span></strong></span></span></li> </ol> <p style="margin-left:36pt; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Estudar sobre a paisagem vendo somente as figuras comuns dos livros, acaba limitando um pouco o entendimento do aluno, ao planejar essa atividade, quando se decidiu por usar imagens que estão rotineiramente no cotidiano dos alunos, optou-se por mostrar que na maioria dos espaços tem-se uma história.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Utilizou-se imagens do bairro onde moram para que pudessem entender, como a estação ferroviária, que por mais que nos dias atuais não seja usada, representa muito para o bairro, desde o seu nome até a configuração atual que se fez ao redor dela (Figura 1). São alunos que estão inseridos em uma faixa etária de 10 a 12 anos, então é muito importante conhecerem a origem das paisagens que são hoje vistas por eles.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif""><img id="_x0000_i1027" src="file:///C:\Users\maril\AppData\Local\Temp\msohtmlclip1\01\clip_image001.jpg" style="height:254.25pt; width:205.5pt" /> <img id="Picture_x0020_2" src="file:///C:\Users\maril\AppData\Local\Temp\msohtmlclip1\01\clip_image002.jpg" style="height:253.5pt; width:210pt" /> </span></span> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Figura1</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">: Estação Ferroviária (presente e passado) Fonte: Moreira 2019</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Como foi visto que as paisagens sofrem modificações ao longo dos anos, utilizou-se imagens de uma construção recente que trouxe inúmeros benefícios para o bairro que eles residem, tentando com que eles descrevessem o que era ali antes, e agora atualmente.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><img id="Imagem_x0020_1" src="file:///C:\Users\maril\AppData\Local\Temp\msohtmlclip1\01\clip_image003.jpg" style="height:170.25pt; left:0; margin-left:10.35pt; margin-top:89.15pt; position:absolute; text-align:left; width:444.65pt; z-index:251659776" /> <span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Para finalizar, foi aplicado um questionário para acompanhar a compreensão dos alunos sobre o tema proposto. Após os conceitos apresentados, dúvidas e curiosidades discutidas, foi proposto que o aluno fizesse um desenho de uma paisagem que tivesse mais importância na sua vida. (figura 3). </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Figura 3</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">: Desenhos dos alunos. Fonte: Leite 2019</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">O resultado dessa atividade foi a produção de desenhos de alguns pontos turísticos da cidade como igreja, açudes e serras. Logo após, os alunos tiveram a oportunidade de expressar o significado daquela paisagem para o mesmo. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <ol start="5"> <li style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Considerações finais</span></span></strong></span></span></li> </ol> <p style="margin-left:36pt; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Portanto, essa atividade prática foi muito rica em conhecimentos tantos para os alunos como para estudantes de licenciatura, pois possibilitou uma troca de experiências aproximando-nos da realidade escolar. Percebeu-se por meio das discussões e das produções que os discentes compreenderam o conceito de paisagem e as transformações ocorridas naquele espaço nos últimos anos.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Despertar o interesse do aluno, por meio de uma aprendizagem ativa inserindo-o no tema estudado faz com que se sinta motivado a aprender. Utilizar a cidade deles como exemplo, para explicar um assunto que e tão explorado somente de forma livresca, como a paisagem e o espaço, despertou a curiosidade por parte deles, assim como motivou quem está mediando esse processo de ensino-aprendizagem.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif""> Resgatar patrimônios culturais da cidade, fazer uma ligação do passado com o futuro, com uma linguagem simples, com imagens que são vistas por eles diariamente, desvendar a história e a importância desses locais é sem dúvidas enriquecedor. E por fim, não deixa de ser prazeroso, ver refletido nos desenhos que por mais difícil que seja a vida naquele lugar, possível perceber a afetividade e a construção de lembranças que marcam cada um, e que podem ser desenhadas como referências de paisagens.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Referências</span></span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">BERTRAND,</span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif""> Georges ; BERTRAND, Claude. A paisagem entre a natureza e a sociedade. In: PASSOS, Messias Modesto (Org). <strong>Uma geografia transversal e de travessias</strong>. Maringá, PR: Massoni, 2007.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">TRICART, J.</span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif""> <strong>Paisagem e ecologia. Inter-Facies: escritos e documentos</strong>. São José do Rio Preto: Ed. Da UNESP, 1982.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">SANTOS, Milton. <strong>Fundamentos Teórico e Metodológico da Geografia.</strong> Heratec. São Paulo, 1988.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p>
Palavras-chave: Espaço urbano,Memória, Estudo da paisagem
Resumo Expandido
DESARANJOS PATRIMONIAIS: O CASO DA RUA CARAÍBAS, EM LONDRINA (PR).
CAROLINE SANTOS DE OLIVEIRA
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O presente trabalho tem como proposta enunciar uma discussão acerca do processo de apropriação de espaços constitutivos de uma identidade urbana e paisagística da cidade, por parte de empreendimentos que constroem um desarranjo da paisagem cultural e patrimonial. Para tanto, tem-se como estudo de caso o bairro Vila Casoni, na cidade de Londrina (PR), centrando-se principalmente no trecho característico e formativo do bairro, a Rua Caraíbas. Enquanto aporte metodológico, a presente pesquisa estruturou-se em um levantamento bibliográfico acerca da história e formação de Londrina (PR), e principalmente do bairro Vila Casoni, bem como acerca do processo de construção do espaço urbano, forjado ou não por ideologias hegemônicas, como o capitalismo. Além disso, realizou-se um levantamento de campo de observação, fotográfico e de cunho qualitativo, utilizando-se da técnica “história-oral” para realização de entrevistas com os usuários do bairro. Resultados de pesquisa demonstraram a tendência de apropriação do espaço urbano guiado pela lógica capitalista, de forma a condicionar um desarranjo da paisagem cultural patrimonial da Rua Caraíbas, desvinculando os sentidos de identidades e impregnações consolidadas no bairro, além de evidenciar a importância do processo de inventariamento como forma de salvaguarda da paisagem cultural.</span></span></span></span></p>
Palavras-chave: Paisagem,Vila Casoni,capitalismo,patrimônio
Oral
Abrir o trabalhoDivulgando e conhecendo a metodologia dos Inventários Participativos: usos e aplicações
EDILSON DA SILVA PORTO NETO
<p><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Nesse trabalho iremos lançar mão da metodologia dos Inventários Participativos que se constitui de uma iniciativa formulada e criada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com vistas à produzir materiais, conhecimentos e experiências acerca da constituição do patrimônio histórico local ou comunitário nos bairros de cada cidade. O que nos interessa saber sobre os Inventários Participativos é sobre seu objetivo em promover a sensibilização e a mobilização dos agentes que estão e que fazem parte do processo de conhecer mais sobre as referências culturais que estão postas e assentadas no espaço de suas vivências, de seu cotidiano e que, diretamente, são nós ou pontos responsáveis pela solidariedade do grupo, pelo repasse de signos, significados e sentidos de geração em geração, pela importância dos valores, dos saberes-fazeres de um grupo e do sentimento de pertencimento e de afetividade que emana da memória coletiva. A iniciativa em questão partiu da participação do IPHAN numa atividade de Educação Patrimonial que foi pauta do programa Mais Educação, vinculado ao Ministério da Educação (MEC). </span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Então, o objetivo principal dos inventários seria inventariar, documentar, registrar e divulgar, através de entrevistas, pesquisas de campo e anotações, os resultados dos trabalhos de levantamento, de todo o arsenal de bens culturais que as comunidades locais possuem e que não dão certa importância para que todas essas práticas culturais não se percam com o passar dos tempos. </span></span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os inventários são mais uma alternativa de cunho político-social-cultural-econômico para que a sociedade civil se reúna com as instituições e busquem meios para uma gestão patrimonial mais participativa. </span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">. O trabalho não será somente de visitar os centros da cultura, universidades, museus, arquivos e bibliotecas públicas, buscar fontes de pesquisa na internet ou em instituições, mas de avaliar, comparar e interpretar as fontes de pesquisa com o que foi dito pelos entrevistados, a tarefa da equipe que materializa os inventários será tanto descritivo como analítico. É um olhar para dentro dos espaços de vida de um povo ou de uma comunidade, a partir da construção de sua cultura, de seus valores, de suas crenças e de seus saberes-fazeres. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os Inventários Participativos são uma possibilidade, um horizonte, uma virtualidade que oportuniza novos direcionamentos e novos encaminhamentos, lançam luz aos territórios que veem sua cultura ameaçada a ser reduzida ao silêncio e ao esfacelamento de seus elementos, de seus códigos. É urgente a educação patrimonial para que os agentes sociais firmem o compromisso com a cultura que produzem e reproduzem em seus territórios, se responsabilizando, não obstante, com a conscientização dos sentidos que o patrimônio local causa e agrega na vida das pessoas de seu bairro, território e/ou comunidade, ensinando as práticas, os saberes, os fazeres, os conhecimentos e experiências de seus antepassados às gerações futuras.</span></span></span></span></p>
Palavras-chave: patrimônio,referências culturais,inventários participativos,educação patrimonial,IPHAN
Oral
ENTRE APEGO E AFETOS: OS TRABALHADORES CAMELÔS DE RECIFE-PE E A CULTURA URBANO-ESPACIAL
GABRIEL DA SILVA SANTOS
<p>Uma das características notáveis, no Brasil, é sua formação urbana desordenada, fruto dessa formação temos o comércio informal de rua, um fragmento desse grupo são os camelôs, um grupo complexo e plural, porém invisibilizado. Tendo isso em mente, esse trabalho busca questionar essa invisibilização e, ainda, voltar a atenção aos trabalhadores e trabalhadoras camelôs, discutindo sua condição e dando voz a esses. Com o auxílio do método fenomenológico, pretendemos construir uma discussão significativa, dentro da perspectiva a que estamos propondo. Além disso, foram realizadas entrevistas com camelôs, com o intuito de trazê-los para dentro do trabalho, serão compartilhados aqui alguns fragmentos de entrevista, para atender a esse objetivo. A discussão aqui aplicada envolveu questões sensoriais dos entrevistados (afetivas), discussão quanto ao setor informal da economia, um breve histórico do comércio informal no Recife-PE, além da discussão sobre a indivisibilidade do camelô e do espaço urbano recifense, o que está refletido próprio ambiente urbano.</p>
Palavras-chave: Comércio informal,cultura,espaço urbano
Resumo Expandido
ENTRE O CONCRETO E OS OLHOS: MEMÓRIA PRESENTIFICADA NA ARTE - A COMUNA 13 EM MEDELLÍN
CAROLINA MARIA SOARES LIMA
O presente resumo expandido apresenta uma discussão acerca de um excerto da pesquisa de mestrado em curso no Programa de Pós Graduação em Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais, cujo título provisório é “ESPAÇO, ARTE E IDENTIDADE: O MURALISMO COMO COMPONENTE DA IDENTIDADE ATRAVÉS DA APROPRIAÇÃO DOS MUROS E ESPAÇOS DE REPRESENTAÇÃO NA URBE LATINOAMERICANA”. No presente excerto, apresento as reflexões e resultados acerca dos murais da Comuna 13 na cidade de Medellín, na Colômbia. O propósito, nesse texto, inicialmente apresentado na disciplina "Práticas Espaciais da Arte e Outras Epistemologias", foi verificar se os murais são (e em que medida são) uma arte crítica (ou ativista, ou apenas política, ou apenas pública), qual a agência que a eles é conferida (e sua relação com a memória) e se eles permitem a partilha do sensível em comum com o grupo que contempla e reflete essas obras. Para a metodologia desse trabalho foi pensada uma revisão bibliográfica e uma incursão empírica, apoiada na história oral e em visitas de campo.
Palavras-chave: Espaço público,Arte pública,Memória,Identidade
Resumo Expandido
O ATUAL PROCESSO DE HIGIENIZAÇÃO SOCIAL NO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS-MA: analisando o Projeto Reviver
RICKSON PABLO SÁ PINTO; MATHEUS ABREU GOMES
<p style="text-align:justify">O espaço tornou-se uma mercadoria no capitalismo, reproduzindo-se cada vez mais de forma desigual. Nesse contexto, o capitalismo tem no desenvolvimento geográfico desigual sua base, se materializando em diferentes escalas e refletindo a sociedade de classes. A Praia Grande, sítio urbano de São Luís, por muito tempo foi um espaço com funções espaciais, sociais e econômicas distintas das quais os investimentos e projetos públicos, atualmente, propõem. Tendo como foco o projeto de revitalização do Centro Histórico, o Projeto Reviver, o objetivo de revitalizar o espaço histórico e cultural a partir de reformas, serviços e infraestrutura alinha-se a uma metodologia que não considera os interesses de toda a sociedade, exclusivamente não considera as noções de revitalização da população mais pobre. No presente trabalho será explicado o atual processo de gentrificação no Centro Histórico de São Luís-MA, com foco no Projeto Reviver, colocando em evidência as mudanças sociais recentes, desdobrando os fatores que atuam nesse processo.</p>
Palavras-chave: Gentrificação,Reviver,Centro Histórico,São Luís,Espaço Urbano
Oral
Abrir o trabalhoO bairro fundador de Sobral marcado por duas fábricas: Memórias, Espaços e Culturas.
ANA CAROLINA ARAÚJO MARTINS; Telma Bessa Sales
O bairro fundador de Sobral marcado por duas fábricas: memórias, espaços e culturas O presente trabalho busca tratar sobre o Patrimônio Industrial sobralense a partir de duas importantes fábricas datadas do início do século XX, a Usina dos Araújos e a Fábrica Santa Emiliana, exemplares que remontam ao período econômico da cidade de Sobral chamado de Ciclo do Algodão. As fábricas estão inseridas no bairro fundador da cidade, localizado na margem esquerda do rio Acaraú, espaço esse tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional- IPHAN, se antes a área era um polo produtivo passou a ser um polo cultural, com museu, biblioteca e centro de formação. O objetivo da pesquisa é trabalhar com a História Oral, tratando de histórias e memórias de antigos trabalhadores fabris e moradores do bairro, percebendo a partir dos diálogos a importância das antigas fábricas e como as transformações foram ocorrendo depois do fechamento. As modificações no núcleo fundador da cidade pertencem ao contexto das discussões acerca do reaproveitamento do patrimônio industrial, valendo-se de estruturas que se tornaram obsoletas, mas cujas edificações continuam a ocupar áreas importantes, além de serem testemunhos importantes do processo de industrialização.
Palavras-chave: Trabalho, Patrimônio Industrial, Cidade, Memória
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Abrir o trabalhoO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DO POVOADO DA CAPELA DO RIO DO PEIXE E O DISTRITO DE LAGOLÂNDIA, EM PIRENÓPOLIS/GO.
LEILIANE ALVES TRINDADE
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O Município de Pirenópolis/GO, fica localizado a 150 km de Brasília, cerca de 120 km de Goiânia, e foi fundado no período da mineração, na primeira metade do século XVIII, com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. Atualmente possui um conjunto arquitetônico, urbanístico, histórico e paisagístico, tombados como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo IPHAN, mantendo preservados casarões e igrejas do século XVIII.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A cidade atualmente é um destino turístico consolidado, atraindo inúmeros visitantes ano após ano, e isso ocasiona uma intensa valorização imobiliária, e faz com que os moradores acabem procurando outros locais de moradia ou para se refugiar em finais de semana e feriados, quando a cidade aumenta o fluxo de visitantes.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O Povoado da Capela do Rio do Peixe, fica a cerca de 36 km da cidade de Pirenópolis, e sempre no mês de julho tem uma festa de romaria, em louvor a Nossa Senhora Santana, que atrai inúmeros devotos ano após ano. De início a maioria das pessoas montava acampamentos, mas com a proximidade que o asfalto trouxe, hoje os devotos compram terrenos e constroem suas casas, indo para o local não só em julho, mas em finais de semana, e feriados.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O Distrito de Lagolândia, possui uma festa de romaria, que atrai para seu território no mês de julho, inúmeros visitantes, em louvor a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Pai Eterno, também conhecida como a festa do doce, devido à distribuição de grande quantidade de doces. Tal festa se iniciou por influência de Benedita Cipriano Gomes, conhecida como Santa Dica, que possuía poderes considerados messiânicos, e foi uma liderança influente para o lugar, conseguindo inclusive que na década de 60, o mesmo fosse emancipado, para alguns anos depois, retornar como Distrito.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Por atrair inúmeras pessoas, o Povoado da Capela do Rio do Peixe e o Distrito de Lagolândia, começaram a ter suas áreas rurais do entorno loteadas, para pessoas construírem casas que na maioria, são ocupadas apenas no período dos festejos no mês de julho, ou se tornam casas de veraneio, sendo ocupadas pouquíssimas vezes no decorrer do ano, em finais de semana e feriados principalmente, nos dias atuais, com a facilidade de acesso, é possível morar, nos povoados ou no Distrito, e trabalhar na cidade.</span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"> </p> <div id="icpbravoaccess_loaded"> </div>
Palavras-chave: Pirenópolis,Lagolândia,Capela do Rio do Peixe,Espaço Urbano,Regularização Fundiária
Oral
OS PERCURSOS URBANOS COMO POSSIBILIDADE DE EFETIVAÇÃO DA LEI 10.639/03 NO ENSINO DE GEOGRAFIA
RAFAEL FERREIRA DA SILVA ; MERYELLE MACEDO DA SILVA; CICERA NUNES
<p style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">A implementação da Lei 10.639/03, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, promove uma reformulação curricular na educação básica, incidindo também sobre os cursos de formação de professores, já que estes deverão atuar nos sistemas de ensino escolar. Desse modo, é imprescindível propor metodologias, que associadas à teoria específica, possibilitem a efetivação da lei supracitada, seja nos espaços escolares e/ou acadêmicos. No que tange a geografia, temos a busca da consciência espacial como objetivo fundamental. E para essa finalidade, os percursos urbanos são relevantes, à medida que favorecem a inserção na realidade pesquisada, o andar pela cidade, o vislumbrar da imaterialidade na materialidade dos objetos espaciais.</span></span></span></span><span style="font-family:Times New Roman,Times,serif"> </span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Diante do contexto, objetivamos analisar como a metodologia dos percursos urbanos pode colaborar no reconhecimento das afrodescendências nos espaços urbanos das cidades brasileira e, como possibilidade de efetivação da Lei 10.639/03 no ensino de geografia. Compreendemos que a/o profissional docente deve atuar no cumprimento da mesma, mas tendo em vista que a docência é essencialmente política, por tanto não existe neutralidade no saber/fazer pedagógico, este, deve favorecer a construção da cidadania, que tem uma conotação de criticidade da realidade, o que passa pela apreensão da geo-historicidade dos lugares, ou seja, das relações sociais materializadas, onde se inclui a espacialidade negra. O protagonismo social de africanas/os e afrodescendentes precisa ser reconhecido no intuito de superar o eurocentrismo e o racismo estrutural. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Tivemos como base conceitual-prática a pesquisa afrodescendente, de Cunha Junior (2013) esta, promove a inserção no ambiente da pesquisa, visibilizando a população negra, evidenciando suas produções e buscando a transformação social. Em conformidade com a revisão de literatura, realizamos os percursos urbanos, ocorridos no bairro Seminário, no Crato-Ce, tendo ainda como instrumento de coleta de dados o registro iconográfico. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Compreendemos que os percursos urbanos cumprem o papel de por em prática a Lei 10.639/03, pois prioriza a consciência espacial de determinado lugar, seu processo formativo, e os grupos étnico-raciais preponderantes para sua constituição, em especial a comunidade negra. Ao percorrer o Seminário, que é um bairro negro, analisamos as suas produções negras, enquanto patrimônio cultural, sobretudo, a arquitetura antiga. Tomamos consciência que as edificações existentes nos remetem à influência africana nas técnicas empreendidas e na sua essência social.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p>
Palavras-chave: Lei 10.639/03, Percursos Urbanos, Ensino de geografia
Oral
PATRIMÔNIO CULTURAL E PRÁTICAS DOCENTES: um estudo sobre os museus orgânicos como ferramenta metodológica na formação sociocultural no Estado do Ceará do município de Nova Olinda-CE.
ANTÔNIO KELVI DIAS MARTINS
<p>A educação patrimonial é um processo imprescindível no auxílio das práticas docentes, pois ao contribuir na preservação e valorização dos espaços culturais está promovendo a sensibilização no desenvolvimento sociocultural da sociedade. Fazendo um recorte, a educação patrimonial utilizada como ferramenta metodológica no processo educacional de crianças e jovens, é o principal objetivo deste trabalho pois sabemos que crianças e jovens na maioria das vezes já não se interessam tanto pela história de seu município. Essa história fica restrita para os museus, espaços atualmente desvalorizados pela forma que são apresentados a comunidade..Assim sendo, entendemos a cinesia deste trabalho como um processo de educação patrimonial que, associado a ensino-pesquisa-extensão, busca estabelecer, acompanhar e analisar práticas de formação que projetem o espaço da formação como espaço privilegiado de recriação de saberes, histórias e memórias que nos possibilitem reinventar o mundo a partir do lugar.</p>
Palavras-chave: educação patrimonial, espaços, educação
Resumo Expandido
PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EDIFICADO – ESTUDO DE CASO: MUSEU ZOROASTRO ARTIAGA
MAYSA MOREIRA ANTUNES
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">A preocupação com a preservação do patrimônio histórico no mundo iniciou-se na Europa no século XVIII com o movimento iluminista. Nessa época houve uma relevância atribuída à cultura clássica, propagação dos livros e um progresso nos estudos científicos que contribuíram para manutenção do patrimônio artístico, arquitetônico e prospecções arqueológicas (BRAGA, 2003).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Nos séculos seguintes (XIX e XX), período marcado por muitas guerras, o cuidado de preservar esses bens tornou-se ainda maior, surgiram teorias do restauro e encontros nacionais e internacionais para definir as cartas patrimoniais, diretrizes relacionadas à salvaguarda do patrimônio cultural mundial (BRAGA, 2003).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">No Brasil essa concepção teve amparo legal em 1937 com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e do Decreto-Lei de Nº25, que organiza o patrimônio histórico e artístico nacional. Este decreto estabelece o tombamento, proteção dos bens pelo o Estado através da inscrição das obras em 4 livros: Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, Livro do Tombo Histórico, Livro do Tombo das Belas Artes e Livro do Tombo das Artes Aplicadas (BRASIL, 1937).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Anos depois, o SPHAN passou a ser chamado de Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e foram criadas suas sedes regionais em todo o país. Em 2001 criou-se a 14ª Superintendência em Goiânia e em 2003 foram tombados dois traçados viários dos núcleos pioneiros e vinte e dois bens que compõem o conjunto arquitetônico Art Decó da capital de Goiás (CULTURA, 2010).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Dentre esses bens, destaca-se o objeto de estudo deste trabalho o Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga mais conhecido como Museu Zoroastro Artiaga, sendo o museu mais antigo da cidade de Goiânia-GO, possui um acervo eclético e de referência da história, artes e cultura de Goiás (ALMEIDA, 2017).</span></span> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Diante disso, o objetivo desta pesquisa em andamento é discorrer sobre a importância de preservar os bens edificados considerados como patrimônio cultural e, através do estudo de caso exposto acima, compreender o diagnóstico do estado de conservação do bem, um dos procedimentos necessários que antecedem o restauro de uma edificação.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Portanto, para alcançar os objetivos deste trabalho proposto, a pesquisa baseia-se em dados coletados através de pesquisa bibliográfica, um estudo de caso do Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga e a pesquisa de campo, realizada externamente no local, com registro fotográfico e análise do estado atual de conservação da fachada do edifício.</span></span></span></span></p>
Palavras-chave: Preservação,Patrimônio Cultural Edificado,Museu Zoroastro Artiaga
Oral
Abrir o trabalhoPalavras-chave: Tradição,escolas de samba, festejos populares, carnaval, zona rural
Resumo Expandido
FESTA DE SANTOS REIS EM JUQUITIBA-SP: PERMANÊNCIAS DA CULTURA CAIPIRA NO BAIRRO DOS CAMARGOS
DENISE DE CAMARGO MARCELINO
A seguinte pesquisa visa abordar uma manifestação lúdico-religiosa, a Festa de Santos Reis, praticada anualmente nos bairros rurais do município de Juquitiba-SP, cuja origem remonta a práticas culturais do modo de vida caipira, difundida em núcleos rurais do século XIX no estado de São Paulo, e de sua permanência nos dias atuais mediada pela sociabilidade a nível do bairro. Ainda que o desenvolvimento urbano tenha se espraiado para as dimensões vividas dos sujeitos, alterando a dimensão da produção e representação do espaço, podemos inferir a atuação da identidade e a produção de territorialidades na manutenção de elementos de uma cultura diante da patrimonialização pela comunidade, de rituais inerentes a seu modo de vida e de um grupo social. A estrutura e funcionamento da interação dessa comunidade a nível próximo, contribui para que a convivência em bairro seja palco para as manifestações da cultura popular. A memória e o simbolismo se fazem presentes e renova uma cultura que, ao invés de estar em vias de decadência, se adapta a novas formas de organização e de elementos da vida urbana a fim de dar continuidade as práticas culturais, registrando os diferentes tempos e espaços que coexistem na atualidade.
Palavras-chave: Territorialidades, Bairro rural, Cultura caipira, Festa de Santos Reis
Oral
Abrir o trabalhoFESTAS POPULARES DO SUL DE MINAS GERAIS: A DIVERSIDADE CULTURAL DO SAGRADO NOS MUNICÍPIOS DE MACHADO E SILVIANÓPOLIS
JHONATAN DA SILVA CORRÊA
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><strong><span style="color:black">1 Introdução</span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Os municípios de Machado e Silvianópolis estão localizados no Sul de Minas Gerais. Ademais, Machado possui uma população estimada de 42.413 habitantes e Silvianópolis uma estimativa de 6.027 habitantes para o ano de 2020 (IBGE, 2020). As festas trabalhadas são tradicionais nos municípios e configuram as principais manifestações culturais em ambas as cidades, sendo elas: a Festa de São Benedito em Machado com 106 anos e a Festa de Nossa Senhora do Rosário em Silvianópolis com 240 anos.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">A Festa de São Benedito em Machado desde a década de quarenta do século XX ocorre na segunda quinzena do mês de agosto, devido ao término da colheita do café, uma das principais fontes econômicas do município (GONÇALVES E REIS, 1979). O primeiro registro escrito da festividade ocorreu no ano de 1914, através da organização popular com destaque para a população preta (REBELLO, 2006). Com o decorrer do processo histórico a relação do catolicismo popular frente ao catolicismo oficial se deu de maneira conflitante, moldando toda condição espacial referente à Festa de São Benedito, fundando territórios e territorialidades que perpassam a religião e constituem novos usos não somente durante os dias festivos (CORRÊA, 2019; CORRÊA e ALVES, 2020).</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Em relação à Festa de Nossa Senhora do Rosário em Silvianópolis, destacamos que sua gênese ocorreu por volta do ano de 1780, no dia 13 de junho. A priori, uma festa introduzida por um padre com a finalidade de catequizar os escravizados ali situados. No perpassar de mais de dois séculos dessa manifestação cultural, a organização festiva não deixou de ter seus conflitos entre as vertentes do catolicismo popular e oficial, sendo perceptível um forte domínio pretendido pela Igreja Católica Apostólica Romana sobre a constituição festiva (DOMINGUES, 2017; CORRÊA, 2019).</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Os cenários de ambas as festas não estão dispersos e somente ligados às questões religiosas, os contextos históricos, econômicos, políticos e culturais são elementos essenciais para a nossa investigação. Por este motivo, entender as diversidades e as características das festas constituem o objetivo principal deste trabalho, sendo apresentado um fragmento de uma dissertação ainda em construção. A metodologia utilizada passou por duas etapas onde na primeira foi realizada uma revisão bibliográfica e na segunda houve entrevistas semiestruturadas e trabalhos de campo.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><strong><span style="color:black">2 As organizações festivas e suas estruturas</span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Tanto a Festa de São Benedito como a de Nossa Senhora do Rosário possuem como padroeiros três santos, sendo eles: Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito. São os santos padroeiros dos catolicismos populares existentes nos municípios, contudo nas duas comemorações festivas há presença do sincretismo religioso, onde elementos de outras religiões são incorporados aos ternos. Essa ocorrência manifesta-se de diferentes formas, dependendo do terno de congo, moçambique ou caiapó. As bases presentes nas manifestações podem ser entendidas como referentes aos portugueses, às religiões de matrizes africanas e aos indígenas.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Em Machado a organização festiva ocorre por meio de um tripé organizacional sendo a Prefeitura municipal de Machado, Paróquia Santo Antônio e Sagrada Família e Associação dos Cangaceiros Tio Chico. Essa estrutura é recente e a associação dos congadeiros criada em 1982 tem a função de representar politicamente os ternos de congo e caiapó no município, defendendo seus interesses (REBELLO, 2006). Principalmente devido ao processo de mercantilização festiva, onde a população progenitora da festividade viu sua dimensão territorial diminuir no decorrer dos anos no município.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Para mais, há 19 ternos de congadas em Machado e durante o espaço e tempo festivo são eles que possuem a incumbência de instituir a reatualização festiva e sua ruptura social. Além do mais, Machado possui grande importância no cenário cultural do Sul de Minas onde suas congadas participam com assiduidade de outras festividades, levando as características das congadas do município para outras territorialidades.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Em Silvianópolis apesar da festividade ser implantada pelo catolicismo oficial, com o decorrer do processo histórico a organização festiva desvencilhou-se da organização clerical e adentrou em uma estrutura deveras popular, sendo assim até o presente momento (DOMINGUES, 2017). A principal organizadora festiva é a Associação de Caridade Nossa Senhora do Rosário, inclusive hodiernamente diferente de Machado, a capela do município é cuidada pela instituição sem a presença de membros eclesiásticos. Além disso, Silvianópolis não possui uma associação que defenda os interesses políticos dos congadeiros, havendo dois ternos de congadas autóctones. Contudo, no espaço e tempo festivo há grande diversidade de ternos advindos de outros municípios, chegando a ter de 20 a 30 enriquecendo a festividade. Cabe ressaltar que os ternos de Silvianópolis também viajam para outras festas.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Estruturalmente as festas possuem momentos parecidos, sendo o marco inicial o levantamento do mastro instituindo a temporalidade e espacialidade das manifestações. Outra questão importante é referente a duração festiva onde ambas chegam a ter por volta de 12 dias, sendo nove dias de novena e três dias de festa. Devido a Festa de São Benedito ser registrada os ternos de congadas possuem ajuda fumaceira do município, o que possibilita uma melhor estruturação. Em Silvianópolis, os ternos se mantêm com mais dificuldade havendo pouca ajuda dos órgãos públicos. Porém a festividade ganha na independência organizacional popular, podendo administrar livremente as “esmolas” recebidas para sua materialização por intermédio dos festeiros.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Estrategicamente existe em Machado o desejo de fortalecer seus ternos, então dificilmente há congadas de outros locais dançando na Festa de São Benedito, o que não impede dançantes de outras áreas adentrarem os ternos do município. Sonoramente e visualmente em Silvianópolis existe maior disparidade entre os ternos tendo: moçambique, caiapó e as congadas. Em Machado não há moçambiques nos itinerários simbólicos, culminando em rompimento hierárquico da estrutura de representação.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><strong><span style="color:black">3 Considerações finais</span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">A Festa de São Benedito em Machado, tem como característica um maior investimento em suas congadas e caiapó, por esse motivo os ternos do município fazem a festa e formulam a territorialidade. Outra questão importante para a análise é entender a manifestação como concêntrica. Para mais, há participação dos ternos de Machado nas festas da região do Sul de Minas. Já a Festa de Nossa Senhora do Rosário possui grande diversidade de ternos em sua composição, onde apenas dois são do município. A heterogeneidade sonora e visual acaba sendo maior, justamente pelos ternos pertencerem a diversas localidades, culminando em uma festa mais pluralista em seus ritmos. Consequentemente, classificada como manifestação descentrada nesse quesito. Descentrada por buscar fora os elementos que compõem parte do espaço sagrado pertencentes aos caiapós, maçambiques e congadas.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">Ao entender as formas como se comportam as festividades e suas estruturas fica mais fácil analisar e compreender o papel de cada festividade no Sul de Minas Gerais, mostrando que não existe uma festa melhor que a outra, mas sim festividades com características próprias que buscam através de suas rupturas e reatualizações elementos que fortaleçam suas dinâmicas e contribuam para salvaguardar a cultura do estado de Minas Gerais. Festas que de longe parecem iguais, mas que de perto possuem suas especificidades.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><strong><span style="color:black">Referências</span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">CORRÊA, S, J. ALVES, D, F. Festa de São Benedito: territorialidade e a manifestação do circuito inferior em Machado-MG. <strong>Revista GeoNordeste</strong>, São Cristovão, Ano XXXI (2020), n.1, p.40-53. Jan/Jun.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">CORRÊA, J, S. Religião e Poder: a romanização no Sul/Sudoeste de Minas Gerais.<strong> Geographia Opportuno Tempore</strong>, Londrina, v.5, n.2, p. 104-121, 2019.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">DOMINGUES, A, S. <strong>Cultura e Memória: a Festa de Nossa Senhora do Rosário na cidade de Silvianópolis-MG. </strong>Pouso Alegre. Univás, 2017.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">IBGE – Instituto de Geografia e Estatística. <strong>Cidades</strong>. [on line]. Disponível na internet via WWW URL http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=313900&search=minas-gerais|machado|infograficos:-informacoes-completas. Acesso em: 09 de novembro às .17h e 06min.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">GONÇALVES, C, C; REIS, M, S. <strong>A Festa de São Benedito em Machado</strong>. Machado – MG. 1979.</span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">REBELLO, R, M. <strong>Machado até a virada do milênio. </strong>- Machado – MG. Tomo II: 170-193. 2006. </span></span></span></p>
Palavras-chave: Festas,Cultura,Tradição
Oral
FESTAS POPULARES EM TEMPOS DE PANDEMIA: A TRADIÇÃO (RE) INVENTADA COMO UM FENÔMENO DA GLOBALIZAÇÃO
JORGEANNY DE FÁTIMA RODRIGUES MOREIRA
<p><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A tradição é um conjunto de sistemas simbólicos transmitidos de geração a geração por meio da oralidade, e deve apresentar certa frequência de repetição. De acordo com Sahlins (1990), a tradição não é algo estático, mas dinâmico, atende ao curso da história para se reproduzir e para persistir. Nessa perspectiva, nesse trabalho apresentamos algumas reflexões sobre as festas populares brasileiras que precisaram se reinventar frente à pandemia da COVID-19.</span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Apesar de que os primeiros casos da doença tenham sido notificados ainda em fevereiro de 2020, as festas carnavalescas aconteceram nas principais capitais do país. Entretanto, com as sanções dos órgãos sanitaristas, que seguem orientações da Organização Mundial da Saúde, bem como epidemiologistas que atendem pacientes infectados pelo novo coronavírus, o distanciamento social foi a medida adotada para controlar o rápido contágio do vírus. </span></span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Em decorrência, muitas festas e festejos populares tiveram datas adiadas e depois canceladas em razão de não haver uma previsão de controle da transmissão da doença. Algumas delas, mesmo que de forma virtual persistiram em acontecer. As <em>lives, </em>em redes sociais como <em>Instagram</em>, <em>Facebook</em> e <em>YouTube,</em> foram as alternativas mais utilizadas pelos organizadores dos principais festejos do país. Mas, um questionamento se coloca a partir dessa iniciativa: as festas, ao acontecerem de forma virtual, marcam a repetição própria da tradição, ou são ressignificadas para atenderem mais uma demanda da globalização? Afinal, um dos efeitos da rede é a formação das identidades múltiplas devido a reinvenção das formas de sociabilidades. Tendo </span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">em vista, qual a relação entre essas novas formas de sociabilidades e os festejos virtuais em tempos de pandemia? </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A metodologia para a construção desse trabalho baseou-se em revisão de literatura sobre festas, tradição e identidades na pós-modernidade. Além disso, uma análise em mídias sociais, <em>blogs</em> e páginas na <em>internet, </em>que comunicam sobre a realização das festas em forma virtual, se fez necessária para que a construção de um arcabouço teórico conceitual pudesse ser confrontada com uma base empírica. </span></span></span></span></p>
Palavras-chave: COVID-19, FESTAS POPULARES, REDES SOCIAIS, LIVES, PÓS-MODERNIDADE
Oral
MONTE SANTO: CIDADE SANTUÁRIO NO SERTÃO DA BAHIA
RAIMUNDO PINHEIRO VENANCIO FILHO
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">A pesquisa tem por objeto de estudo a cidade de Monte Santo, localizada na Região Nordeste da Bahia, sertão do semiárido, lugar onde as romarias, procissões e veneração aos santos, perduram por mais de 200 anos, envolvendo o tradicional e o moderno no ambiente religioso. A cidade abriga na Serra do Piquaraça o Santuário da Santa Cruz , simbologia religiosa maior, que transforma a cidade em centro de peregrinações periódicas e atraindo visitantes, tanto do Estado da Bahia, como de outros lugares mais longínquos do país. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">O lugar se tornou íntimo, cheio de valor e tradição para os moradores que sempre viveram no ambiente venerável, que também serve de atração para o visitante que busca uma sacralidade para satisfazer seus anseios espirituais baseados na fé. As tradições locais, assim, foram sempre mantidas com a preservação da fé. </span></span></span></span><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman","serif"">Leituras e pesquisas de campo permitiram verificar que a religião católica e o deslocamento de pessoas ocupam e mudam, temporariamente, os espaços públicos de Monte Santo. O objetivo deste trabalho foi analisar a religiosidade sob a ótica das tradições que consagraram o Santuário como local sagrado, que, por sua vez, provoca uma nova dinâmica e funcionalidade na cidade nos períodos de fluxo intenso de fiéis. </span></span></span></span></p>
Palavras-chave: Romarias, Santuário
Resumo Expandido
Palavras-chave: Festa do Divino Espírito Santo, Cavalhadas, farofadas
Oral
<p>O Cariri Cearense, localizado ao sul do Ceará, é uma região de condições geoambientais diferenciadas de outras partes do semiárido nordestino, condiciona pela existência da Floresta Nacional do Araripe. Esse trabalho viabilizou a investigação da caracterização cultural dos lugares tomando como referência a apropriação da dimensão física da paisagem pelo imaginário, bem como a sua materialidade do espaço historicamente construída em articulação com a afetividade da população que dele participa e convive, fazendo emergir a categoria de lugar. Assim sendo, a pesquisa elege a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio e as Romarias de Juazeiro e a, respectivamente nos municípios de Barbalha e Juazeiro do Norte, como lugares de investigação, condicionada pela simbologia religiosa que historicamente se materializa no espaço decorrente da manifestação da religiosidade que demarcam a especificidades simbólicas dos lugares de vivência da fé católica. Trata-se de áreas, em que a interatividade entre cultura e natureza nunca foram exploradas na composição da paisagem cultural, e que foram considerados como elementos indissociáveis para viabilizar uma percepção mais holística sobre a abordagem regional. Os lugares escolhidos pelas pesquisas emergem historicamente dotados de grande potencialidade para a exploração dos elementos simbólicos da paisagem sobe a ótica religiosa do catolicismo centradas nas devoções a Santo Antônio e ao padre Cícero.</p>
Palavras-chave: Espaço, Subjetividade, Festejos Religiosos, Religiosidade Popular
Oral
Reflexão espacial sobre festejo de Juazeiro do Norte
JOAO PAULO CARNEIRO DOS REIS; Nayanny Bruno Braz
Este estudo tem como objetivo refletir sobre as especialidades do festejo da padroeira de nossa senhora das Dores em Juazeiro do Norte. A metodologia foi construída mediante de uma revisão bibliográfica a cerca das tematicas: festas populares, territorialidades, tradição, festejo de Nossa Senhora das Dores. Assim, estudar as festividades proporciona uma leitura cultura de um povo, bem como entende também como uma tradição se mantém anos a anos. Porém, destaca que em 2020 não houve a presença da realização presencial deste festejo devido a pandemia do COVID 19. Portanto, todos os anos desde da escolha da padroeira da cidade, essa festividade tem ocorrido, mas nesse não em decorrência do contágio do vírus que tem feito vítimas e infectado milhões de pessoas em escala global. Não houve a sua realização, assim também não houve a presença dos romeiros na data para celebrar esse festejo. Portanto, é importante ressaltar que os fiéis ja estabeleceram uma relação afetiva e emocional com lugar
Oral
UM ESTUDO SOBRE A RELAÇÃO DO ALIMENTO TRADICIONAL, MEMÓRIAS E IDENTIDADES NO SAMBA DE ABOIO DO POVOADO AGUADA-CARMÓPOLIS/SE
LUANA ALMEIDA DE JESUS; Denio Santos Azevedo
<p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:center"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:14.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">UM ESTUDO SOBRE A RELAÇÃO DO ALIMENTO TRADICIONAL, MEMÓRIAS E IDENTIDADES NO SAMBA DE ABOIO DO POVOADO AGUADA-CARMÓPOLIS/SE</span></span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:right"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Luana Almeida de Jesus<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[1]</span></span></a></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:right"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Denio Santos Azevedo<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[2]</span></span></a></span></span></span></span></p> <div> <hr /> <div id="ftn1"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:10pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Calibri",sans-serif">[1]</span></span></a> <span style="font-family:"Times New Roman",serif">Graduada em Turismo Bacharelado pela Universidade Federal de Sergipe, 2016; Pós-graduação em Lato Sensu em Planejamento do Turismo pela Universidade Federal de Sergipe, 2018; Mestranda no programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Culturas Populares pela Universidade Federal de Sergipe. </span><a href="mailto:luanaalmeidadejesus@hotmail.com" style="color:blue; text-decoration:underline"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">luanaalmeidadejesus@hotmail.com</span></a></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"> </p> </div> <div id="ftn2"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:10pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Calibri",sans-serif">[2]</span></span></a> <a name="_Hlk41057414"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação na Universidade Federal de Sergipe- PPGS/UFS; fez Doutorado Sanduiche no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra em Portugal CES/UC; Mestre em Sociologia pelo NPPCS/UFS; e Graduado em História pela UFS. É professor adjunto do Departamento de Turismo da Universidade Federal de Sergipe- DTUR/UFS. Professor do Programa de Pós- graduação Interdisciplinar em Culturas Populares- PPGCULT/UFS. Professor colaborados do Programa de Pós-graduação do Mestrado Profissional em Gestão do Turismo do Instituto Federal de Sergipe (PPMTUR/IFS). </span></a><a href="mailto:denio_azevedo@yahoo.com.br" style="color:blue; text-decoration:underline"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">denio_azevedo@yahoo.com.br</span></a><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> </span></span></span></p> <ol> <li style="text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Introdução</span></span></strong></span></span></li> </ol> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="background-color:white"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">A diversidade das culturas populares em Sergipe, é uma característica da presença de diferentes grupos culturais na formação social e cultural dos sergipanos, além de representar continuidades e transformações em suas práticas culturais ao longo dos anos. O diálogo entre o patrimônio cultural, as memórias, identidades e a relação com o alimento tradicional podem ser entendidas e analisadas nas mais diferentes manifestações culturais presentes no Estado. São inúmeras que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade da nossa cultura popular</span></span></span></span><span style="font-size:10.0pt"><span style="background-color:white"><span style="font-family:"Trebuchet MS",sans-serif"><span style="color:black">. </span></span></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="background-color:white"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">O presente artigo tem como objetivo geral </span></span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">analisar a memória e o sentido de pertencimento que o alimento tradicional, servido no Samba de Aboio, Povoado Aguada-Carmópolis/SE, possui nos atores sociais que participam desta prática cultural. Para tal se faz necessário contextualizar historicamente o Samba de Aboio, entendendo suas simbologias e dinamicidades ocorridas ao longo dos anos. Pretende-se ainda estabelecer uma análise dessa celebração visando entender a partir das narrativas, as aproximações e os distanciamentos entre religião e alimento tradicional dessa prática cultural. Por fim, é preciso identificar as formas e lugares que estão sendo utilizados para a transmissão dos saberes/fazeres desse alimento tradicional para novas gerações. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Alinhando os métodos as técnicas, o método de pesquisa é o etnográfico, com pesquisa de campo, documental, entrevistas e observação direta. A pesquisa de campo foi realizada no Povoado Aguada-Carmópolis/SE, durante o Samba de Aboio e também antes e após a celebração. No ano de 2017 foi realizada a primeira pesquisa de campo, com a segunda no ano de 2019, onde foram vivenciados os dois dias da celebração, observando desde o preparo dos alimentos, o momento do Samba, os rituais, preces e homenagens a Iansã- Santa Bárbara. A observação foi realizada junto à comunidade do Povoado Aguada na cidade de Carmópolis/SE, onde ocorre o Samba de Aboio. Foi observado diretamente todo o preparo do alimento que é servido do durante o samba, desde o preparo das carnes, até o momento em que é servido e consumido pelos sambadores e pessoas que ali estão para assistir o Samba de Aboio.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">A pesquisa documental <a name="_Hlk13150641">foi realizada com algumas filmagens de elaboração própria, encontradas na internet e em outras pesquisas, depoimentos orais e escritos feitos durante o campo, relatórios, entre outros, recolhidos durante a pesquisa, que servirão para contextualizar historicamente o Samba de Aboio. Estes servirão para entender as simbologias e dinamicidade ocorridas ao longo dos anos. Sendo assim, uma técnica de suma importância para realização dessa pesquisa. A entrevista possui o intuito de proporcionar o encontro entre duas ou mais pessoas, a fim que obtenha informações a respeito de determinado assunto. Sendo assim, as entrevistas foram semiestruturadas, podendo ser modificada no decorrer da pesquisa. As entrevistas estão foram realizadas com alguns participantes responsáveis pelo preparo dos alimentos, o mestre do samba e alguns sambadores do Samba de Aboio, para que assim, possa ser analisado, os rituais dentro da religião de matriz africana, a celebração, o sentido de pertencimento que o alimento tradicional possui dentro do Samba. </a></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O método de pesquisa é o etnográfico que de acordo com Clifford (2008, p. 21). “A etnografia está do começo ao fim, imersa na escrita. Está escrita inclui, no mínimo, uma tradução da experiência para a forma textual”. Nesse sentido, a pesquisa etnográfica é composta por procedimentos de coletas de dados associados a uma prática do trabalho de campo a partir de uma convivência do pesquisador junto ao grupo social a ser estudado. A etnografia da festa foi realizada desde 2017, quando comecei minha vivencia e pesquisa de campo e seguiu até o ano de 2019, com os participantes do Samba de Aboio, por meio de conversas, ouvindo suas histórias, vivenciando e observando não somente durante o Samba, mas também antes e após as celebrações, visando assim, entender a partir das narrativas as aproximações e os distanciamentos entre religião e alimentação dessa prática cultural.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Com a contribuição dessas técnicas e método de pesquisa, foram de suma importância para serem encontradas as respostas do objeto, objetivos lançados no texto, analisando assim a relação entre alimentação, memórias e identidades a partir da concretização dessas respostas. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">2</span></span></strong> <span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> <strong>Resultados e Discussões</strong></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">O </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">mito de origem do Samba de Aboio teve início em 13 de maio de 1888 no mesmo ano da Lei Áurea<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">[1]</span></span></span></a>. </span></span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Em Sergipe, no município de Carmópolis, povoado Aguada, o Samba de Aboio possui uma conotação extremamente sagrada, acontecendo quando Thamashamlim Ecoubanker, menina roubada de Angola – África e vindo diáspora ao Brasil,<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[2]</span></span></a>. A história, contada a partir dos sambadores, diz que Maria Benedita, neta de Thamashamlim ao completar mais ou menos 10 anos, encontrou à margem de um tanque uma estranha pedra e correu para casa dizendo ter encontrado uma boneca. Sua avó e por ser nagô, tinha certos conhecimentos religiosos, disse que ela havia encontrado um corisco, e que se tratava de Iansã- Santa Bárbara, orixá feminino dona dos raios, trovões e tempestades. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Assim, com as instruções passadas pela avó Thamashamlim, a família, junto com a comunidade local, passou a festejar Iansã- Santa Bárbara, denominando, então, a celebração como Samba de Aboio- Santa Bárbara, celebração que acontece sempre no sábado de aleluia e no domingo da ressurreição<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[3]</span></span></a>. No sábado de Aleluia, primeiro dia de celebração, o samba inicia-se à noite, todos que estão no círculo brincam ou sambam com a roupa que melhor lhe convier, inclusive pode-se contar com a participação de quem quiser entrar na roda do samba. Também é servida a partir de meia noite, uma boa parte da comida para todos os presentes, incluindo participantes e curiosos encerrando esse primeiro dia da celebração (figura 1).</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:center"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><img src="file:///C:/Users/bahia/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image002.jpg" style="height:306px; width:600px" /></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Figura 1:</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Roda do Samba de Aboio. Fonte: Luana Almeida, 2019</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">São realizados nesse primeiro dia de celebração pela manhã, os sacrifícios dos animais de quatro patas (boi e carneiro) e no domingo o sacrifício dos animais de duas patas (galo). </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Os banhos são feitos com o sangue dos carneiros, boi e dos frangos dados em oferenda, de forma que no sábado de aleluia Iansã é banhada com o sangue dos carneiros e do boi e no domingo com o sangue dos frangos. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Sendo no sábado os cozidos de boi e carneiro e no domingo o cozido de galo e com o diferencial da refeição que é servida somente para as crianças, um bolinho feito com farinha de mandioca e arroz, acompanhado com o cozido de galo. Todos os animais sacrificados e alimentos servidos são de doações das promessas feitas pelos devotos de Santa Bárbara – Iansã (figura 2). </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:center"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><img src="file:///C:/Users/bahia/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image004.jpg" style="height:281px; width:582px" /></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Figura 2:</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Preparo das Carnes. Fonte: Luana Almeida, 2017</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">No domingo da ressurreição, último dia de celebração, à tarde, os sambadores deverão ser aqueles que participam de toda a preparação e que são devotos fiéis, em sua maioria, a família Mota de Assis, mantenedor da tradição da celebração, por conta da sua própria herança cultural. Mas, quem não for participante pode participar da roda do samba, desde que esteja com a vestimenta adequada. Está indumentária usada neste dia difere do sábado, dia anterior, sendo toda branca, para homens mulheres e crianças, com um lenço amarrado ao pescoço de cor vermelha, cor de Santa Bárbara - Iansã.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">3</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> <strong>Considerações finais</strong></span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Durante todo o decorrer deste artigo, ficou visível que é necessário, um certo tempo até que os alimentos, os ingredientes, o saber/fazer e as receitas, possam revelar ou representar as tradições de uma comunidade. O alimento é um processo que carrega toda sua simbologia e tradição, dentro de uma manifestação cultural ou celebração. Existem grupos e gestores públicos e privados capazes de sugerir que determinados “pratos” ou comidas possam se tornar parte das identidades dos territórios. Porém, a popularização e a eficácia de medidas impostas, depende constantemente da atribuição de significados e dos reconhecimentos locais.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Nessa perspectiva, falar de culturas populares, memórias, identidades e alimento tradicional dentro do Samba de Aboio, significa falar das formas de expressão da cultura dos atores sociais envolvidos, que se traduzem por meio dessa celebração e de todo o aparato simbólico que o acompanha e particularizam um lugar: rituais, canções, danças, comidas, indumentárias. No Samba de Aboio, as relações sociais são produzidas também durante a preparação das refeições, ajudando a manter a identidade, tradição e sua cultura, ao mesmo tempo, construindo novas em função da interação entre os envolvidos na preparação dos alimentos e todos participantes do Samba. </span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">É perceptível como existe uma relação de pertencimento para os participantes do Samba e devotos de Santa Bárbara (Iansã) entre o ritual do sacrifício, o saber/fazer dos alimentos, até o momento em que são servidos os cozidos com o pirão. A relação da tradição de preparar e servir o alimento durante o Samba, junto com todo o seu ritual que acompanha é de suma importância para toda a celebração, desde das doações dos animais dos devotos, o modo de preparo das carnes que vem sendo mantido esse saber/fazer que é passado de geração a geração pela família Mota de Assis, sem ser modificado ou alterado. O Samba de Aboio só tem sentido quando realizado no seu espaço, no chão de areia, em frente à casa de Santa Bárbara (Iansã) que possui uma conotação sagrada incorporada pelos seus devotos que veem naquele momento uma celebração.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Referências</span></span></strong></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">CALDERARO, Maria Cleide Leite Andrade; SILVA, Maria de Fátima de Assis; SANTOS, Virna Fabíola Ferreira. </span></span><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">“Maria vem ver ô”: estudo etnográfico do Samba de Aboio Santa Bárbara. <strong>Revista </strong></span></span><strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Trapiche: Educação, Cultura & Artes.</span></span></strong><span style="font-size:12.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão/SE, n. 2. 2015, p. 113-126.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:12pt"><span style="font-family:Georgia,serif"><span style="color:black"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">CLIFFORD, James<strong>. A experiência etnográfica:</strong> antropologia e literatura no século XX. 3. ed. Editora: UFRJ, Rio de Janeiro, 2008.</span></span></span></span></p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"> </p> <div> <hr /> <div id="ftn1"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:10pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[1]</span></span></span></a><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> <span style="background-color:white"><span style="color:black">A <strong>Lei Áurea</strong><strong> </strong>determinou o fim da </span></span></span><a href="http://www.historiabrasileira.com/escravidao-no-brasil/" style="color:blue; text-decoration:underline"><span style="background-color:white"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">escravidão do Brasil</span></span></a> <span style="background-color:white"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="color:black">em 13 de maio de 1888..</span></span></span></span></span></p> </div> <div id="ftn2"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">[2]</span></span></span></span></a><span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif"> Informações retiradas do artigo “Maria vêm ver ô”: estudo etnográfico do Samba de Aboio Santa Bárbara.</span></span></span></span></p> </div> <div id="ftn3"> <p style="margin-left:0cm; margin-right:0cm; text-align:justify"><span style="font-size:11pt"><span style="font-family:Calibri,sans-serif"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" style="color:blue; text-decoration:underline" title=""><span style="font-size:11.0pt"><span style="font-family:"Calibri",sans-serif">[3]</span></span></a> <span style="font-size:10.0pt"><span style="font-family:"Times New Roman",serif">Idem.</span></span></span></span></p> </div> </div> </div> </div>
Palavras-chave: Samba de Aboio, Memórias
Resumo Expandido
Resumo Expandido
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL E O PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL: UMA ABORDAGEM INICIAL
ANTONIA JANAINA GOMES LOPES; Maria Alessandra Andrade de Lucena; Heibe Santana da Silva
1 Introdução Este texto aborda, de modo inicial, uma discussão sobre a relação entre desenvolvimento local, turismo e conservação/preservação do patrimônio histórico no município do Crato, na macrorregião Cariri/Centro Sul do Ceará. Com base nas discussões preliminares, tem sido identificado que a busca pela manutenção do patrimônio cultural guarda relação intima com os fatores históricos existentes em um determinado local. Isso ocorre porque esses fatores são essenciais para a compreensão do nosso presente, ou seja, não é possível interpretar os nossos dias atuais sem conhecer os caminhos que nos trouxeram até aqui. Nosso passado deve ser lembrado como uma herança que precisa ser passada de geração para geração e, por isso, devemos fortalecê-la para que seja apresentada às futuras gerações. O presente trabalho discute a importância do patrimônio cultural no município do Crato, na Região Metropolitana do Cariri, e suas implicações para o desenvolvimento local. Esse Município, juntamente com Juazeiro do Norte e Barbalha, tem traços históricos que datam do século XVIII (Barbalha, embora também antiga, é do século XIX) se levarmos somente em consideração a ocupação portuguesa. Contudo, estudos arqueológicos e paleontológicos mostram que os primeiros povos chegaram à região bem antes dos europeus, tendo sido registrados traços dos povos Kariris por antropólogos e historiadores. Para chegar aos resultados discutidos à frente, a metodologia desenvolvida pelos pesquisadores consistiu em realizar o levantamento bibliográfico no Google Acadêmico para a escrita do texto teórico. Em seguida, foram escolhidos alguns pontos culturais e sociais do Crato como objeto inicial de análise para servir de reflexão sobre a preservação do patrimônio cultural e seu uso no turismo local como modo para fomentar o desenvolvimento local (de modo equilibrado e sustentável, frise-se!). Essa metodologia embasa os textos presentes nas duas próximas sessões. 2 Patrimônio histórico-cultural: uma definição inicial Quando conceituamos o termo patrimônio dentro do contexto social é importante mencionar que essa ideia vem ao longo dos anos tornando-se tema de várias discursões, principalmente quando a sociedade se pautou na preservação desses bens materiais. A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 216, inciso 1º, orienta que a preservação do patrimônio cultural é dever do poder público e das comunidades locais a promoção e proteção a partir de diferentes mecanismos, ou seja, “inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação” (BRASIL, 1988, s/p). Além disso, a Carta Magna define que esses patrimônios são formados por diferentes objetos, como expressões, criações do tipo científicas, tecnológicas e artísticas, edificações, obras, documentos, objetos, conjuntos urbanos e sítios com valor cultural, histórico, paisagístico, além de outros tipos (BRASIL, 1988). Dessa forma, Oliveira (2016) afirma que o patrimônio pode revelar uma amplitude de termos e consonâncias com diferentes instrumentos de proteção, podendo incorporar diferentes informações e releituras, no qual considera-se o passado a partir de diversas relações. São consideradas as relações afetivas, sociais, temporais, assim como o espaço, esse último reconhecido, enquanto fatos históricos, como diferentes aspectos interpretativos. Assim, ao falar de patrimônio precisamos entender que cada objeto tem seu significado, sua forma e sua subjetividade. Ao olhar esses itens, o observador vai buscar compreender a dinâmica de como ocorreu o seu processo, mesmo que isso possa acarretar um certo esquecimento posterior. Nessa perspectiva, o Crato, uma das ocupações mais antigas do Cariri, apresenta-se como palco para diversos questionamentos acerca do patrimônio cultural local. Há, como exemplo de sua riqueza patrimonial e cultural, os diferentes casarões históricos existentes no centro histórico, o Caldeirão de Santa Cruz no Deserto (local onde ocorreu o massacre de sertanejos pelo Governo de Getúlio Vargas, situado no Baixa Dantas), os diferentes parques existentes dentro do Geopark Araripe (que não estão somente no Crato, mas espalhados por todo o Cariri), o Museu Histórico do Crato. Todos esses locais serão abordados, de modo sucinto, nas próximas páginas. 3 Patrimônio histórico, turismo e desenvolvimento local sustentável: um olhar inicial sobre o Crato-CE e suas oportunidades Com um território repleto de bens materiais e imateriais, o Crato, juntamente com os outros municípios que formam a Região Metropolitana do Cariri, é um local que tem uma série de possibilidades para a utilização do seu patrimônio no fomento às atividades de lazer e turismo. As oportunidades existentes variam desde pontos formados a partir da ação do tempo com o auxílio da natureza (as cachoeiras existentes, os sítios arqueológicos – embora nesses lugares também existam pontos da ação humana) até ocupações patrocinadas pelo homem com resquícios antrópicos importantes para compreender a evolução não somente da região, mas, inclusive, do próprio ser humano (o Geopark e seus pontos antropológicos / arqueológicos comprova a tese anterior). No caso do patrimônio cultural existente no Crato, um exemplo que pode ser utilizado para o turismo de modo sustentável é as trilhas ecológicas existentes no Geossítio Batateiras. Esse local, que faz parte do Parque Estadual Sítio Fundão, segundo informações extraídas do website do Geopark Araripe, é cercado de lendas trazidas a partir da ocupação dos povos indígenas na região, além da cascata do lameiro, de uma casa de taipa existente no local, das ruínas do engenho de rapadura existente no local, da edificação que serviu como primeira usina de energia do Crato, dentre outros aspectos existentes e que podem ser utilizados para promoção turística no estado do Ceará e em outros estados do Brasil (GEOPARK ARARIPE, 2010). Nesse sentido, o conceito de desenvolvimento sustentável defendido neste texto parte da ideia de que esse mecanismo precisa ser utilizado pelos diferentes atores sociais como uma ferramenta para diminuir o desenvolvimento econômico desigual que tanto afeta a nossa sociedade. Parte-se da ideia de que desde que explorado com o objetivo de preservar o ambiente local e auxiliar na melhor distribuição de renda entre a população para diminuir a pobreza e das injustiças no território, o desenvolvimento sustentável é uma ferramenta que pode ser utilizada com todas as precauções. Desse modo, Hanai (2011, p. 201-202) cita alguns caminhos que poderiam ser utilizados para o desenvolvimento sustentável: “redução das desigualdades, [...], usos e manejos conscientes e adequados dos recursos, participação efetiva da sociedade na tomada de decisões e internalização de uma relação de simbiose autêntica e duradoura dos seres humanos com a natureza”. Outro ambiente com possibilidade de ser aproveitado para o desenvolvimento sustentável a partir do turismo é o Museu Histórico do Crato, local que guarda importante elementos materiais da história deste Município. Um exemplo de bem material existente no Museu é a arte indígena dos Kariris, povo que já estava instalado na região antes dos portugueses chegar ao sul do Ceará. Ainda há importantes instrumentos que retratam a importância dos coronéis, da Igreja Católica, dos chefes políticos do entorno que foram responsáveis, para o bem e para o mal, por influenciar na formação da sociedade local e algumas armas expostas usadas por Lampião e seus homens. Há, ainda, elementos históricos que mostram a importância da mulher na história do Município, como os objetos utilizados por Bárbara de Alencar, moradora local que envolveu a Vila Real do Crato na Revolução Pernambucana em busca da liberdade contra os portugueses dominadores (DIÁRIO DO NORDESTE, 2004). Por fim, um terceiro ambiente que pode ser utilizado para fins de preservação do patrimônio cultural e, ao mesmo tempo, disseminação da história local é o espaço em que está o Caldeirão de Santa Cruz no Deserto . Esse local foi marcado pelo massacre camponês comandado pelos militares organizados por Getúlio Vargas e pela Polícia Militar do Estado em 1937. Ao todo, segundo Silva (2010), as contas mais realistas (e longe dos números oficiais) estimam que morreram ao menos 700 pessoas, dentre elas crianças, todos os aniquilados pela brutalidade do poder estatal que não conseguiu compreender que residia naquele acampamento não uma ameaça ao Estado. Residia no local um exemplo de como foi possível, durante as secas prolongadas da década de 1930, a organização comunitária para que todos passassem por um período delicado de maneira mais estável possível (ao invés dos campos de concentração construídos pelo Governo do Estado para evitar o deslocamento populacional em direção á Fortaleza, principalmente). 4 Considerações finais A identificação e caracterização de tudo que foi mencionado neste trabalho traz como base central a necessidade de preservar o patrimônio cultural (essa é a palavra-chave). Para apresentar a identidade local em que sobressaíssem as singularidades da área de estudo, diversas analise sobre o patrimônio cultural foram realizadas (de modo tímido ainda), como o Museu Histórico do Crato, o Geopark Araripe e os ambientes históricos locais, como o Caldeirão de Santa Cruz no Deserto, local que conta a história do movimento camponês local e sua importância no contexto regional. Esse discurso sobre os bens material e imaterial está diretamente ligado a necessidade de apresentar as riquezas municipais, permitindo o investimento na preservação da história, além de mostrar ainda mais ao Brasil o quanto o patrimônio local é amplo. No futuro, de modo mais persuasivo, pretende-se buscar discutir como induzir o desenvolvimento local de modo sustentável, gerando divisas não somente para aquela população já abastada, mas permitindo que a população do Município possa também participar dessa economia a partir do turismo a partir de diferentes vieses econômicos.
Palavras-chave: Turismo,Desenvolvimento Sustentável,Cultura,Patrimônio
Resumo Expandido