237 de 237 trabalho(s) aceito(s)
A MÚSICA DE RINCON SAPIÊNCIA NO PROCESSO DE AUTOCONHECIMENTO DE UMA JOVEM NEGRA
JOICE DA SILVA LIMA; Joanice Conceição
A musicalidade é um dos valores civilizatórias africanos para expressar alegria e resistência de um povo que trouxe sua cultura na memória. A presente comunicação tem como objetivo analisar os impactos da música “A coisa tá preta” de Rincon Sapiência na construção da identidade racial de uma jovem negra do município de Guaiúba. Para alcançar o objetivo proposto faremos uso do método qualitativo, com a técnica de estudo de caso. A fundamentação teórica dialoga com os seguintes autores: Kabengele Munanga (2016), bell hooks, (2019) Frantz Fanon (2006), Jaqueline Lima (2019) dentre outros. Deste modo, a partir da pesquisa espera-se compreender de que maneira a música do artista impactou positivamente na vida desta jovem e como essa ferramenta pode auxiliar no processo de autoconhecimento.
Palavras-chave: Música, Cultura,Identidade,Autoconhecimento
Oral
ANÁLISE DA LINGUAGEM TIPOLÓGICA DOS PADRÕES CULTURAIS E ARQUITETÔNICOS DO QUILOMBO SÍTIO VEIGA
JEFFERSON ALEFF BEZERRA BATISTA
O quilombo Sítio Veiga, caracteriza-se como uma comunidade negra tradicional rural, de acordo com sua trajetória histórica dotada de relações territoriais específicas além da ancestralidade negra. O quilombo em questão localiza-se no Distrito de Dom Maurício, zona rural do município de Quixadá-CE. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo proporcionar visibilidade ao quilombo Sítio Veiga, através do resgate de sua trajetória histórica, ressaltando suas características físicas, culturais e arquitetônicas. Para isso realizou-se pesquisas de campo, registros fotográficos como método de produção de dados, observação participante dos moradores e análise tipológica do conjunto arquitetônico como símbolo de resistência. Pode-se perceber que a resistência da comunidade se dá através de suas manifestações culturais e arquitetônicas.
Palavras-chave: Quilombo,Arquitetura,Resistência
ENSINO RELIGIOSO: RELIGIÃO OU RELIGIÕES?
PEDRO HAWYR BEZERRA DA SILVA ; Thais Gonçalves Silva; Antonia Tayane de Souza Costa
No Brasil segundo a constituição, documento mais importante da soberania nacional descreve o país como “Estado laico”, porém, na prática nos remete a algo bem diferente e certas ações que envolvem o estado e a escola continuam perpetuando um ensino pautado em uma única religião. Nesse sentido, o estudo buscou compreender a importância do ensino de religiões no ambiente escolar e destacar a relevância de trabalhar as múltiplas religiões e ritos presentes na sociedade. Dessa forma, a pesquisa se justifica por perceber que ao falar somente de uma religião estamos inviabilizando culturas e priorizando o senso dominante na sociedade. Assim, a trajetória metodológica seguiu uma abordagem qualitativa de caráter exploratório, bibliográfico e documental. Futuramente de campo, pois, o trabalho encontra-se em andamento.
Palavras-chave: Educação,Religiões,Escola
Oral
Na aula de hoje veremos Exu: corpo-brincadeira em práticas pedagógicas antirracistas.
ANTONIO WILAME FERREIRA DA SILVA JUNIOR; LINCONLY JESUS ALENCAR PEREIRA
A presente pesquisa do projeto Encruzilhadas (PIBIC/CNPq), tem como objetivo apontar a partir de Exu como fundamento conceitual e epistemológico, possibilidades de práticas pedagógicas que situem as brincadeiras no seu potencial de ensino-aprendizagem e desenvolvimento cognitivo para crianças da educação básica. Reinventar práticas pedagógicas que possam colaborar no combate ao racismo, vem sendo o principal desafio da educação brasileira desde a homologação da LEI 10.639/03. Destacamos que as brincadeiras dinamizam o espaço educacional ao considerar o corpo enquanto fonte motriz de possibilidades educativas. A partir da metodologia de pesquisa participativa no terreiro de candomblé Ilê Asè Oba Oladeji, evidenciamos Exu nas dimensões de corpo, brincadeira e educação, energizando outros parâmetros de práticas pedagógicas antirracistas.
Exu,Corpo,Brincadeiras,Práticas pedagógicas antirracistas
A INVISIBILIDADE DAS EPISTEMOLOGIAS SOBRE NEGRAS E NEGROS NO ENSINO DA MUSEOLOGIA BRASILEIRA
SOARES CONCEIÇÃO MOREIRA CECILIA; Luzia Gomes Ferreira; Joseania Miranda Freitas
Este trabalho apresenta as primeiras reflexões e diálogos de pesquisas de três docentes negras da Museologia brasileira. Ao analisar a situação de ampliação dos cursos de Museologia, principalmente em relação à inserção de discentes negras e negros, verifica-se que o ensino da Museologia no Brasil, ainda não alterou significativamente o campo teórico, a ponto de incluir as novas epistemologias sobre negras e negros nas suas teorias e práticas. Para uma descolonização das teorias e práticas museológicas é preciso incorporar novas construções teóricas, já preconizadas nas diversas denúncias dos movimentos negros, que vêm se materializando, principalmente, nas artes contemporâneas negras, nas literaturas negras, e por intelectuais da África e suas diásporas forçadas, dentro e fora da academia, como uma das formas de enfrentamento do racismo
Palavras-chave: Ensino da Museologia, Pensamento negro,Racismo epistêmico
Oral
A SIMBOLOGIA DO BERIMBAU
DENILSON FIUZA
O intuito deste trabalho é trazer uma discussão sobre a simbologia do berimbau, a partir de três perspectivas, a saber: abordagem sobre a vida de Mestres de Capoeira no Brasil e a importância dos seus discípulos; musicalidade e tradição. Igualmente, tem como objetivo, apresentar os diálogos entre capoeiristas, entre o Capoeirista Monge, junto à percepções autorais no evento de Capoeira no Centro de Referência da Juventude em Belo Horizonte em 2015. Nesse sentido, fruto dessa experiência será apresentado à representatividade dos Mestres, o alcance da capoeira no mundo, historiografia da capoeira com relatos a partir de experiências empíricas e como Monge virou o especialista na musicalidade e registros iconográficos. Para a obtenção destes, foi utilizado como método: revisão bibliográfica, pesquisa-ação pesquisa de campo e qualitativa.
A ÁFRICA IMAGINADA: DO IMAGINÁRIO ESCOLAR AOS LIVROS DIDÁTICOS.
EMANUELA DE MORAES SILVA
Este trabalho é resultado da pesquisa de dissertação de Mestrado da Universidade Federal do Tocantins, por meio do programa de Mestrado Profissional em Ensino de História- ProfHistória, defendida no ano de 2016. Para sua construção foi utilizada o método de pesquisa-ação onde os estudantes do ensino fundamental e médio, com orientação da pesquisadora, elaboraram quadros expositivos com palavras-chaves que representavam o continente africano. Já os livros didáticos, foram analisados pela pesquisadora a partir as imagens que faziam referência a África. Constatou-se que muitas das palavras-chaves escritas pelos alunos, estavam representadas em imagens nos materiais didáticos, demostrando a influência que os livros na formação do imaginário estudantil sobre a temática.
Oral
A EDUCAÇÃO QUILOMBOLA E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS COM RELEVÂNCIA HISTÓRICO-CULTURAL DA COMUNIDADE CARCARÁ NA ESCOLA EEFM MENEZES PIMENTEL POTENGI/CE
RAMON SAMPAIO PEREIRA
Resumo Simples Este trabalho possui por escopo, uma investigação sobre as práticas pedagógicas utilizadas na a escola estadual para jovens e adultos Eefm Menezes Pimentel, concernente à comunidade quilombola no sítio Carcará, localizada no município de Potengi, convergindo para proporcionar um diálogo interativo com a realidade sociocultural do quilombo Carcará, e seus conhecimentos e práticas logo serem incluídos na conjuntura pedagógica escolar. Palavras Chave: Educação quilombola; Práticas Educativas; Comunidade Carcará.
Oral
Atuação de Professores nas escolas quilombolas: práticas do ensino de africanidades na educação infantil.
A IMPORTÂNCIA DA LEI 10.639/ 03 E DOS CONTOS INFANTIS NA CONSTRUÇÃO DE SI E NA DESCONSTRUÇÃO DO RACISMO NAS CRIANÇAS
THAÍS GONÇALVES SILVA ; ALAN BARBOSA DE SALES; MARIA GISLAYNE BORGES MAIA
Os contos infantis são utilizados na educação básica como instrumento interdisciplinar, auxiliando na aquisição de determinados conteúdos. Assim, este estudo problematiza se a utilização da literatura infantil, envolvendo o protagonismo negro, pode ser uma possibilidade de ressignificar conceitos racistas naturalizados pela sociedade? Objetivando discutir a importância da lei 10.639/ 03 e dos contos infantis no combate do racismo e sua importância na construção da representatividade, do reconhecimento de si e do outro, propondo uma reflexão acerca do racismo estrutural nas relações assimétricas da prática pedagógica. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa. Embasou teoricamente em: Almeida (2018); Brasil (2017); Carmo (2015); Dias (2009); Oliveira (2008) e outros.
Palavras-chave: Contos infantis, Lei 10.639/03, Representatividade
Oral
CULTURA AFRICANA: COMO ENSINAR O QUE NÃO ME FOI ENSINADO? UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O ESTÁGIO SUPERVISIONADO.
MARIANA CUNHA CASTRO; Andria Magalhães Cordeiro; Antonio Flávio Maciel de Souza Júnior
O estágio é um importante componente curricular que contribui para a formação inicial do futuro professor. É espaço de excelência em que se vivenciam de perto as movimentações da escola de educação básica. O presente trabalho, com abordagem qualitativa e de campo, tem como objetivo compartilhar nossa experiência, durante a disciplina de estágio supervisionado curricular, com os alunos do ensino fundamental I sobre a cultura africana. Isto posto, consideramos a importância de debatermos assuntos relacionados à cultura africana e afro-brasileira com as crianças do ensino fundamental I, colocando em prática a Lei 10.693/03.
Cultura Africana,Estágio Supervisionado,Relato de Experiencia
A CULTURA AFRICANA COMO ELO ENTRE A HISTÓRIA E A MATEMÁTICA
NAIARA ALVES DE SOUSA; Suzana Alves de Sousa; Francisco José de Andrade
O presente trabalho aborda a importância e necessidade de existir um discurso étnico racial e cultural africano na disciplina de matemática. No campo educacional é essencial que os envolvidos estejam sempre na busca da inclusão das diversidades e atentos às novas estratégias para integrar da melhor maneira os grupos sociais que estão presentes no ambiente escolar. Nesse sentido, objetiva-se refletir sobre a presença e a sociodiversidade das culturas através da interligação entre as disciplinas História e Matemática no intuito de que os discentes compreendam as características socioculturais. Os teóricos referenciados são: D’Ambrosio (2001), Kolodzieiski (2013) e Pereira (2008). Espera-se que, desta forma, a lei nº 10.639/2003 sancionada no dia 9 de janeiro de 2003, seja posta em prática através de abordagens interdisciplinares.
Palavras-chave: Ensino de Matemática.,História.,Etnomatemática.
Oral
A IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS SOBRE ETNOMATEMÁTICA: UM RELATO DA MINHA EXPERIÊNCIA NA GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA.
ELISAMA DE JESUS GONZAGA SANTOS
Elisama de Jesus Gonzaga Santos Universidade Federal da Bahia (UFBA) elisamajg@gmail.com Este trabalho tem por objetivo dialogar sobre a importância dos estudos referentes a Etnomatemática durante a formação do/a pedagogo/a por meio do relato da minha experiência formativa durante a graduação. Compreendendo ser a Etnomatemática uma forma de aproximação da cultura onde a criança está inserida (D'Ambrósio) e a Matemática escolarizada eleita como hegemônica, visando a ruptura com a eurocentralização dos conhecimentos conforme Paulo Freire dialoga em seu livro "Educação como Prática da Liberdade", se faz necessário então estudarmos novas formas de mediação das aprendizagens matemáticas da Criança. Pretendemos refletir esta temática dentro do ST-06 Etnomatemática: saberes tradicionais, educação intercultural dentro e fora da escola.
A FOME DO QUARTO DE DESPEJO - UMA REFLEXÃO SOBRE RACISMO, FOME E POBREZA NA LITERATURA DE CAROLINA MARIA DE JESUS
KATARINA DA SILVA BARBOSA
A proposta do estudo é uma reflexão sobre fome da população negra no Brasil, trazendo o conceito de racismo institucional e pobreza para essa realidade social. E através do livro Quarto de Despejo serão expostos os conceitos e a real solidão do povo negro, contribuindo para a costura e o desenvolvimento do texto, dando veracidade ao racismo na construção do Estado brasileiro, e como ele se materializa em ações individuais, coletivas e institucionais, a favor de uma classe dominante que detém o poder. O texto é construído pela narrativa de Carolina Maria de Jesus, no cenário da década de 1950 em São Paulo, sendo comparado com os dias de hoje, sobre essa população que continua enfrentando a pobreza, mesmo com os avanços das ações afirmativas e as lutas do movimento negro, tendo a fome como companhia.
Palavras-chave: pobreza, fome,racismo institucional
Oral
ESCRITAS MATRIPOTENTES COMO PARIDORAS DE CRIATIVIDADE
JOSINÉLIA CHAVES MOREIRA
Diante das diversas travessias que vilipendiaram a maternidade para as mulheres negras, analisarei nesse texto a epistemologia da escrevivência (EVARISTO, 1995, 2005, 2007), como um gesto materno, fecundação ou fertilização de múltiplos gestos ritualísticos de uma enunciação coletiva. Para tanto, trarei as escritas matripotentes de Maya Angelou e de Conceição Evaristo como esse poder negro feminino, a partir dos seus contextos de origem, que herdam um legado e pretendem fecundar novas travessias de interpretações sobre essa temática na literatura negra nas Améfricas (GONZALEZ, 1988). Narrativas que nos reconectam com esse processo de retorno para casa em busca do rosto de nossas mães, tias, irmãs, avós, irmãs, de todas as mulheres da família e de nossas ancestrais.
Palavras-chave: Escrevivência,Maternidade,Matripotência,Conceição Evaristo,Maya Angelou
FRANTZ FANON, RACISMO CULTURAL E A INAPTIDÃO DO DIREITO PENAL NO COMBATE AO RACISMO
DANILO DOS SANTOS RABELO
O presente trabalho teve como objetivo primário realizar uma análise em torno do conceito de racismo cultural desenvolvido pelo psiquiatra e filósofo Frantz Fanon. Em um segundo momento, já com um repertório teórico sedimentado, é traçado um contraponto entre esta dimensão sistemática, difusa e sutil do racismo; e o modo como a racionalidade penal moderna enxerga as práticas racistas. Assim, apesar do sistema penal ser pensado, por muitos, como a principal ferramenta de erradicação do racismo, a investigação realizada caminhou em direção contrária. Para tanto, aponta a inaptidão originária daquele, seja por apenas alcançar responsabilizações à nível individual, ou ainda, pelo fato de que a finalidade preventiva do seu "ius puniendi" resta solapada dentro de uma sociedade constituída por um emaranhado de relações estruturalmente racistas.
Palavras-chave: Frantz Fanon,Racismo Cultural,Direito Penal,Racionalidade Penal Moderna
Oral
A COVID-19 E A PANDEMIA DE COR: RACISMO ESTRUTURAL E DESIGUALDADES RACIAIS EXPOSTAS
CAROLAYNE ROCHA DOS SANTOS ; Wesley Silva dos Santos
O presente trabalho tem como intento, através dos métodos histórico e indutivo discorrer acerca dos efeitos desproporcionais que a pandemia do novo Sars-cov-2 vem causando nas populações negras. Nesse sentido, por meio da pesquisa quantitativa serão observados possíveis impasses que tem contribuído para o cenário atual de cristalização da desigualdade racial. Ademais, a revisão bibliográfica de autores que se dedicam em temas como teoria afro-diaspórica, teoria decolonial, e o Estado de Exceção Moderno trazem uma nova visão para o debate da pandemia de cor. Isto posto, é imprescindível analisar as desigualdades raciais no contexto de pandemia, visto que possibilita que sejam pensados mecanismos tangíveis a fim de desconstruir o quadro de exceção. Por fim, tomando uma posição, será dado juízo valorativo sobre o assunto.
A DUPLA CONCEPÇÃO DE BELEZA NA ESTÉTICA KEMÉTICA
BIANCA PEREIRA DA SILVA
A estética, como estudada na academia, é entendida como tendo surgido com os questionamentos de Platão acerca do Belo e, posteriormente, a disciplina teria sido criada por Alexander Baumgarten, no século XVIII. Porém, muito antes de Platão nascer, a arte era não somente contemplada como também vivida na África. Isso porque, na cultura africana, a arte é percebida como transmissora de valores e possuidora de uma função na comunidade. Assim, o objetivo desta comunicação será investigar essa dupla concepção de estética na cultura africana, mais especificamente, na cultura kemética (egípcia) que, segundo Willie Cannon‑Brown, era baseada na junção entre os conceitos nefer e maat. Nefer representava beleza e maat representava justiça. Juntas elas personificavam a compreensão daquela sociedade acerca do belo e da vida.
Oral
A IMAGEM COMO INSTRUMENTO EPISTEMOLÓGICO: UM ESTUDO SOBRE ALGUNS ADINKRAS
ÉRIKA RODRIGUES COELHO; Natalino da Silva de Oliveira
Resumo: O presente estudo concentra-se na observação de um recorte da imagística africana evidenciando o denso conteúdo conceitual próprio de sua poiésis, em específico, os símbolos adinkra. Com o objetivo de desvelar nosso olhar equivocado sobre a cultura artística africana, a pesquisa bibliográfica demonstra que além do universo negro-africano ter estado fora de foco dos livros de história, sua arte é densa, incompreendida e alvo de rótulos que produz apagamentos e o isolamento de seu povo. O trabalho justifica-se por sua proposta desmistificadora apresentando os negros como um dos reais autores do surgimento da escrita e a indissociabilidade de sua arte a seu modo de vida pleno de sentidos. Como resultado torna-se nítido na cultura africana: a forma/estética imbricada à essência e cosmogonias negras, reflexo de vida e arte engastadas.
Oral
Epistemologia da diáspora: elementos discursivos no candomblé paraibano
HERMANA CECÍLIA OLIVEIRA FERREIRA
Este trabalho busca entender a partir da filosofia de Fu Kiau (2001) em seu livro: “African cosmology of the bantu-kongo: principles of live na living”, alguns elementos, de maneira comparativa, com o arcabouço cultural e religioso de um terreiro de candomblé domiciliado na Paraíba. Para este fim, serão analisadas falas da Ialorixá da casa, alguns Ogãs e Ekedjis a respeito da cosmologia afro diaspórica praticada aqui no Brasil, considerando suas práticas rituais e identificando elementos discursivos com o que caracteriza e delineiam nossos “caminhos ancestrais”. Esse pressuposto teórico busca contribuir com a discussão acerca dos núcleos epistemológicos produzidos pela experiência diaspórica na contemporaneidade, considerando aspectos da resistência, sacrifício e terror presentes necropolítica praticada no Brasil, atualmente.
Palavras-chave: Epistemologia afrodiaspórica, cultura afro-brasileira
Oral
IDENTIDADE AFRICANA: UMA QUESTÃO DE NATUREZA DA FILOSOFIA À INVISIBILIDADE DA FILOSOFIA AFRICANA
GERMANO ALVES CAVALCANTE; MARIA GERLANE CAVALCANTE; LUIZETE VICENTE DA SILVA
O presente trabalho é uma pesquisa qualitativa que utiliza da análise bibliográfica a partir de considerações acerca da natureza da filosofia, sua relação e interferência ao conhecimento em cruzamento com a filosofia africana que foi invisibilizada e teve pouca repercussão nos espaços e discursos acadêmicos. Traz-se por objetivo analisar como a filosofia africana se encontra invisível nos espaços e discursos acadêmicos principalmente filosóficos. A partir de trabalhos em desenvolvimento e/ou já publicados como a obra de Negreiros (2019) que traz considerações acerca da filosofia africana, as pesquisas de Morgana e Chizenga (2016) com perspectivas identitárias e Dantas (2016) a tratar da invisibilidade da filosofia africana nos discurso acadêmico brasileiro.
Palavras-chave: Filosofia,Filosofia africana,Invisibilidade
A PESSOA NEGRA NO TELEJORNALISMO BRASILEIRO: UM ESTUDO DE CASO DO JORNALISMO DA TV GLOBO
PAULO JUNIOR ALVES PEREIRA
O telejornalismo segue sendo um espaço importante para o debate e conhecimento das questões do cotidiano. Vem, seguidamente, se reafirmando como lugar de relevância para o debate público. No entanto, a sua construção diária também é espaço de questionamento e observação. O telejornalismo brasileiro é marcado pela ampla branquitude, dos âncoras aos repórteres e comentaristas. Tal aspecto é observado em praticamente todas as emissoras de TV, havendo, apenas, pequenas gradações ou raras exceções. A Rede Globo não está distante desta lógica, portanto, seu telejornalismo também reproduz diversas nuances de branquitude. Diante desses, fatos o presente trabalho almeja perceber, por meio de um estudo de caso, como se dá a presença da pessoa negra nos programas jornalísticos da Rede Globo de Televisão.
Palavras-chave: pessoa negra,telejornalismo,rede globo,branquitude
Oral
AS CORPOREIDADES DO SAMBA DE CABOCLO EM PROCESSOS ARTÍSTICOS NAS DANÇAS NEGRAS BAIANA
INAH IRENAM OLIVEIRA DA SILVA
As corporeidades do Samba de Caboclo nos aboia as filosofias, estéticas e poéticas realizadas em corpos negros diaspóricos. Observar as gestualidades dos Marujos (entidades ligadas ao mar), Caboclos de Pena (entidades ligadas as matas) e Caboclos de Couro (entidades ligadas ao sertão) nos possibilita matripotencializar outras epistemes corporais, abrindo a mata para investigar, criar, conduzir processos artísticos nas danças negras baiana, capazes de mergulhar em águas profundas da Cosmovisão africana (OLIVEIRA, 2003), da Matripotência (OYĚWÙMÍ, 2016), na poética do Orixá, (OLIVEIRA, 2016), nos donos da terra, (SANTOS, 1995), e navegar em memórias ancestrais para laçar futuros suleados no pulso da quebrantura coletiva do racismo. Seu Boiadeiro por aqui passou!
Palavras-chave: Samba de Caboclo, Corporeidade, Processos Artísticos
A COSMOPOLÍTICA DOS BANIMENTOS: O CASO DA SANTA CRUZ DA BAIXA RASA
TEREZA RAQUEL ARRAES ALVES ROCHA; Victor Arraes Rocha Félix
Este trabalho tem a missão de discutir a Romaria da Santa Cruz da Baixa Rasa, que se dá na Chapada do Araripe, em suas possíveis conexões com as práticas indígenas ancestrais. A partir de pesquisa bibliográfica e entrevistas semiestuturadas realizadas com familiares de Vó “Pretinha”, iniciadora do culto à memória do vaqueiro falecido na Floresta Nacional do Araripe, temos o objetivo de analisar a Romaria como uma expressão cosmopolítica dos povos da Chapada do Araripe dentro dos processos históricos coloniais. Bem como, apontar o papel central da espiritualidade como uma contra-resposta às capacidades limitadas da ciência e do poder público na solução dos desafios relativos à saúde coletiva.
Oral
A RESISTÊNCIA INDÍGENA NO TERRITÓRIO BRASILEIRO: UM ESTUDO NARRATIVO ACERCA DA PERSISTÊNCIA INDÍGENA NA COLONIZAÇÃO
MARIA GABRIELA VIEIRA LEITE; Sabrina Maria Monte
Quando os colonizadores cruzaram o território brasileiro se depararam com o equivalente a 11 milhões de indígenas, após um século de contato com os colonizadores, o extermínio dos povos indígenas ocorreram em torno de 90%, havendo um genocídio iniciado pelas doenças trazidas pelos colonizadores e o etnocídio colocando em risco a cultura dos povos originários. Com isso, proponho um estudo de revisão bibliográfica sobre as narrativas acerca do “descobrimento” do Brasil trazendo uma reflexão crítica, buscando compreender a especificidade histórica e de resistência da sociedade indígena do Brasil. Como também, a produção do conhecimento colonial e suas narrativas sobre a nação brasileira, trazendo como referência os estudos dos autores Benedito Prezia e Manuela Cordeiro da Cunha sobre a resistência indígena brasileira.
Palavras-chave: Indígena,Resistência,Narrativas,Colonização
Oral
(EN)CENA DOS PRIVILÉGIOS DA BRANQUITUDE: O TEATRO COMO POSSIBILIDADE DE REFLEXÃO RACIAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL
LAURA LESTE LEMOS; RIDALVO FELIX DE ARAÚJO
Planos sobre o uso da linguagem teatral para a produção de reflexões acerca das expressões de poder da branquitude podem possibilitar práticas educacionais que resultem em interlocuções sobre questões relacionadas à raça e gênero para a educação infantil. A nossa pesquisa, ainda em fase inicial, pretende construir metodologias que abordem um reconhecimento racial, bem como discutir sobre os privilégios mantidos pela branquitude, para práticas em sala de aula. A partir da aplicação dos planos de aula no ambiente escolar, pretendemos documentar e refletir sobre as experiências vividas, e contribuir com o debate acerca da consciência racial no ambiente educacional. Assim, partimos buscando um projeto educativo emancipatório e plural nas suas expressões.
Oral
A BRANQUITUDE NO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFSC: IMPLICAÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
JULIANA DE SOUSA BARBOSA
O presente trabalho destina-se ao Simpósio Temático 13 - A branquidade, a branquitude acrítica, a branquitude na educação e outros conflitos étnico-raciais e suas intersecções vividas no Atlântico Sul, trata-se de um recorte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia da UFSC, sobre as relações étnico-raciais. A partir da análise do currículo do curso, destaco a necessidade de problematizar a racialização da população branca e a naturalização da construção desta identidade na formação inicial do Curso de Pedagogia. Para a discussão trago os seguintes autores Bento (2002) e Munanga (2007).
Oral
ACESSIBILIDADE E RACISMO: O ESTADO DA ARTE NOS ARTIGOS CIENTÍFICOS NO PERÍODO DE 2014 A 2020.
AGLAILDA SILVA ALENCAR; Maria Josiane Oliveira Silva; Beatriz Ribeiro Luciano
O presente trabalho ampara-se na perspectiva de uma educação antirracista e inclusiva e objetiva analisar a partir do estudo da arte, como tal temática vem sendo tratada, especialmente por compreendermos a necessidade da garantia da inclusão para a pessoa com deficiência, tal qual na Lei Brasileira de Inclusão-LBI n°13.146/2015. O referido estudo será realizado tendo como referência a abordagem qualitativa por meio da análise de conteúdo (BARDIN, 2008), utilizamos a base de dados do Scientific Electronic Library Online (SciELO) na busca dos artigos científicos no período de 2014 a 2020. Nesse sentido, percebemos que faz-se necessário este estudo para tornar essa discussão ainda mais visível pelo protagonismo das pessoas negras com deficiência em uma sociedade que na maioria das vezes as colocam em condição de exclusão.
Palavras-chave: ACESSIBIILDADE,ESTADO DA ARTE,ARTIGOS CIENTÍFICOS,RACISMO
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CULTURA E IDENTIDADE SURDA: DESCONSTRUINDO ISOLAMENTO LINGUÍSTICO E ISOLAMENTO SOCIAL
FRANCISCO RAULE DE SOUSA; Andreína Severo Figueiredo
As ações de cultura promovidas por instituições de ensino superior tem contribuído para a promoção de políticas de acessibilidade. Reconhecer as pessoas surdas como movedoras de identidades e cultura que lhes são próprias e se põe em interação constante com as das pessoas ouvintes, constitui-se como uma dessas ações. Assim, propomos relatar as experiências desenvolvidas no projeto “Cultura e Identidade Surda na Escola” (UFCA/IFE/PROCULT) voltado à inclusão de alunos/as surdos/as, via propagação da Cultura Surda e da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) em Brejo Santo-CE. Atividades culturais dos espaços escolares serão o espaço de acessibilidade e aprendizagem da língua e da Cultura Surda. Espera-se, portanto, reduzir o distanciamento linguístico de surdos/as, o qual tem sido muito anterior ao momento atual denominado de isolamento social
O RACISMO RECREATIVO E A LIBERDADE HUMORISTICA: UM DISCURSO DISCRIMINATÓRIO REPRODUZIDO EM FORMA DE PIADA PELA SOCIEDADE BRASILEIRA
ÉRICK JUAN AZEVEDO BARROS; Hayane Mateus Silva Gomes
O humor é um estado de espírito característico dos seres humanos, estando constantemente relacionado a boas sensações e aspectos positivos do cotidiano, pode esse elemento ser utilizado para propagar uma linguagem discriminatória de maneira quase imperceptível na forma de piada, recebendo um caráter de naturalidade e sustentando assim, estereótipos que contribuem para formação de uma imagem negativa do negro(a) na sociedade brasileira. Dessa maneira, é necessário analisar o teor racista reproduzido de maneira cômica e quais as consequências sociais produzidas, levando em consideração o pensamento do autor Adilson Moreira sobre o racismo recreativo e a construção de identidade.
Palavras-chave: Racismo, Humor, Esteriótipos
Oral
A CONSTRUÇÃO DO ETHOS DE SUBALTERNIDADE DE MULHERES NEGRAS EM NOVELAS BRASILEIRAS: UMA ANÁLISE TEXTUAL-DISCURSIVA
ROSANE LORENA DE BRITO
O presente artigo busca analisar a reprodução do ethos de subalternidade atribuído a mulher negra em telenovelas brasileiras na década de 1960 e que influenciou midiaticamente toda uma geração, contribuindo para reforçar o pensamento de um corpo negro feminino subalterno, considerando que as novelas replicavam o convencionalismo padrão da sociedade da época. Através da tv, adentrava todos os lares reforçando o padrão de uma sociedade que segregava e replicava o discurso colonizador desde o império, marcado por uma construção do discurso da empregada doméstica, da mãe preta, da submissa, inculta que teve como consequência uma construção estereotipada da mulher negra brasileira. A subalternidade atribuída àquela cuja voz não é escutada e compreendida pelos que estão no poder e está sempre confinada à posição de marginalidade e silêncio.
RELATOS DE EXPERIÊNCIAS: AÇÕES DE EXTENSÃO DO PROJETO UNICULTURAS DO EIXO CULTURAL TOQUES DA BANDA
CRISTIANE FREIRE GOMES; DELFINA TALAVENDA CRISTOVÃO; JANSELMA FIGUEIREDO
O presente trabalho é parte de uma imersão em um grupo de danças formado exclusivamente por Estudantes de Angola, vinculado ao projeto de extensão Universitária Uniculturas, promovido pela UNILAB. Este texto, é a expansão de relatos e experiências, que se tece em conjunto com 2 (duas) integrantes do grupo Toques da Banda. Partimos de uma abordagem antropológica, na qual analisaremos como essas sociabilidades se constroem a partir dos relatos dos/as integrantes do grupo, construindo assim uma rede de afetos mútuos. Além de promover para a comunidade local, atrativos significantes de extensão por meio das danças de Angola (Kizomba e Semba), que acabam por ser grandes referências da cultura do país pela versatilidade histórica.
Oral
A INVISIBILIDADE OU REJEIÇÃO DA PRESENÇA DO POVO PRETO NO ESTADO DE CEARÁ
TEDSE SILVA SOARES DA GAMA; FRANCK PIERRE GILBERT RIBARD
A presente proposta de estudo faz parte do grupo de pesquisa intitulado – Trabalhadores Livres e Escravos no Ceará. Este trabalho desencadeia uma análise reflexiva sobre a negação da presença do povo preto no Estado de Ceará. O colonialismo e consequentemente o processo de deslocação forçosa de corpos, permitiu a movimentação do atlântico que culminou com a presença de pretos africanos nas demais partes da América, principalmente no território conhecido hoje como o Brasil. O Ceará concentra uma parcela dos africanos submetido a escravidão no novo mundo, entretanto, nos anos subsequentes, com o fim do processo escravocrata percebe-se a negação deste grupo, e ao mesmo tempo que se declara o Ceará como o primeiro a libertar os escravizados. Assim sendo, nos interessa compreender essa dicotomia a partir de uma análise reflexiva.
Oral
RACISMO POR OMISSÃO: RELATOS DA TRAJETÓRIA DE UMA MULHER NEGRA CARIRIENSE NO PARTIDO DOS TRABALHADORES- PT.
MARIA RAIANE FELIX BEZERRA; Maria Elaine de Carvalho Cruz; Cicera Nunes
Esse resumo é parte de uma pesquisa monográfica –em andamento- que se propõe a analisar as mulheres negras do Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC) que são filiadas aos partidos políticos de esquerda e centro esquerda, a exemplo do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Partido dos Trabalhadores (PT), buscando compreender como essas mulheres negras dialogam sobre a temática de raça e gênero dentro do âmbito partidário. As leituras de Sueli Carneiro (2011), bell hooks (2019) e Lélia Gonzalez (2018) tem ancorado as principais reflexões desse estudo, como também, (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2012) que me guia na entrevista narrativa com uma das interlocutoras que é filiada ao (PT), onde a mesma relatou suas experiências que se fazem importantes para o fomento do debate teórico prático dessa pesquisa.
Palavras-chave: Racismo por Omissão, Partido dos trabalhadores, Cariri
Oral
(In)visibilidade da mulher negra sob o olhar decolonial: uma análise da “associação de resgate histórico e cultual dos afrodescendentes (ARHCA)” no combate ao machismo e racismo no município de Arcoverde – PE
RAQUEL RIZZIELE BEZERRA DE CARVALHO; Kátya Carvalho Alexandre Almeida; Jaelson Gomes de Andrade Pereira
Este artigo fará uma pesquisa pós-crítica e empírica sobre o papel histórico e social da Associação de Resgate Histórico e Cultural dos Afrodescendentes (ARHCA) no combate ao machismo e racismo no município de Arcoverde – PE, desde a sua fundação a partir do movimento negro sob a atuação de Luiz Eloy de Andrade, conhecido por Luizão (In memoriam -líder negro e fundador da ARHCA e do Jornal Abibiman, ambos dedicados à defesa da causa negra) até os dias atuais com a retomada da Associação pelas mulheres negras líderes de movimento antirracista e de gênero do município. A pesquisa se fará a partir da perspectiva epistemológica decolonial e contará com o relato de seis entrevistadas (mulheres negras) sendo 3 com experiências do movimento da época de fundação da ARCHA e 3 referentes aos trabalhos atuais da Associação.
Oral
Apartheid à brasileira: Icó-CE
YOHANNA ALENCAR MAIA
O presente resumo visa refletir sobre as relações de poder, com ênfase racial, imersas na vida social e material do município de Icó-ce. Para a realização do trabalho adota-se uma abordagem qualitativa, com objetivos explicativos e procedimento de revisão bibliográfica, a fim de compreender as relações de poder na construção do território e o atravessamento do racismo estrutural e institucionalizado no espaço material e imaterial. Na cidade de Icó, marcas materiais do racismo é visível na estruturação do conjunto arqueológico de casas, sobrados, ruas e até mesmo igrejas que eram um verdadeiro ‘’apartheid’’ à brasileira.
Palavras-chave: Poder, Território,Racismo
Oral
APONTAMENTOS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA EM UMA PERSPECTIVA ANTIRRACISTA
EDIVÂNIA FERREIRA AGOSTINHO
A educação em geral e, especialmente, o ensino de história, têm sido utilizados no Brasil como uma importante ferramenta de manutenção e perpetuação das desigualdades étnico-raciais. Percebendo a educação como um importante campo na luta antirracista e para a promoção da justiça social, o movimento negro organizado passou a reivindicar a criação de leis, em especial, ligadas a educação que buscassem o rompimento com esse quadro. Compartilhando com a concepção desse movimento social, este trabalho se propõem a problematizar a relação entre ensino de historia, educação e antirracismo no Brasil, buscando assinalar a premente necessidade da sua utilização como instrumento de combate ao racismo e de valorização da população negra.
Palavras-chave: Educação,Ensino de História, Antirracismo
Oral
BAIRROS NEGROS E SOCIABILIDADES URBANAS: A EXPERIÊNCIA DO CONJUNTO PALMEIRAS, FORTALEZA, CEARÁ.
EMANUELA FERREIRA MATIAS; Henrique Antunes Cunha Juniior
O Conjunto Palmeiras é um bairro de maioria afrodescendente, abriga uma população de 36.599 mil habitantes, sendo que deste total, 27.7 mil se intitulam pardos e negros. O bairro é marcado pela sua história de resistência e construção de sua própria urbanização. As dinâmicas de sociabilidades construídas ao longo dos 47 anos mostram a força organizativa de um povo que construiu sua própria história. Espaço como igrejas Católicas, Evangélicas os terreiros de Umbanda e Candomblé, bem como, o Mercado púbico e o Clube Recreativo são parte da identidade e da memória sociocultural do bairro. Com base nas reflexões de Santos e Cunha Jr. (2019), Antunes (2015) Silva (2018) e Ramos (2013), pretendem-se evidenciar a memória de sociabilidades destes lugares e vivencias no cotidiano da população do Conjunto Palmeiras.
Oral
CORPOS E AFETOS NEGROS NO CENÁRIO DO RAP BRASILEIRO
PATRICIA DE CASTRO SOUSA
O presente trabalho busca discorrer sobre os corpos e afetos negros que compõem o cenário da música rap no Brasil. Investiga-se, a partir das músicas e da figura do rapper, de que modo são elaboradas as nuances e subjetividades negras dentro desse cenário. Buscando desmistificar a figura do rapper como alguém mau e embrutecido, traz-se à tona a abordagem da professora e ativista negra Bell Hooks, que tece uma importante crítica ao dizer que enquanto os rappers fazem uma crítica ao sistema, acabam também sendo tragados por ele. Embora o cenário da música rap mundial tenha feito importantes contribuições para a classe negra e periférica, ele ainda cai na malha do machismo e da misoginia. Assim, os corpos negros que se movimentam dentro desse cenário, perdem subjetividade. Não se é mais sujeito do rap, se torna objeto dele.
Oral
DA “PORTEIRA PARA FORA”: A FESTA DE RUA ENQUANTO EXTENSÃO DO TERREIRO DE SANTO
FLÁVIO CARDOSO DOS SANTOS JUNIOR ; Fabio Macedo Velame; Any Brito Leal Ivo
O trabalho que ora se apresenta é desdobramento de tese de doutorado (em curso) em Arquitetura e Urbanismo e se propõe em analisar a partir da experiência sensível do campo empírico da pesquisa, como se dá o processo de territorialização, desterritorialização e reterritorialização das casas de santo no cenário urbano, ou seja, como esses lugares se estabeleceram em solo soteropolitano, de que forma eles transcendem os muros e se estabelecem nos eventos do calendário de festas populares da cidade. Trata-se de um trabalho Etnográfico, via Observação Participante que lança mão principalmente de imagens, filmagens, depoimentos e consulta a periódicos. Percebemos em nossas observações que ao “ganhar” as ruas o Candomblé se potencializa enquanto prática religiosa outrora marginalizada pelo poder hegemônico.
Palavras-chave: Festas Populares, Religião Afro-brasileira, Pertença Étinica
Oral
IDENTIDADE NEGRA, CULTURA, LUTAS E RESISTÊNCIAS: III SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, NEABI/IFCE, CAMPUS BOA VIAGEM, UM RELATO DE EXPERIÊNCIAS
PAULO TIAGO OLIVEIRA ALVES; ANA GLAUDIA VASCONCELOS CATUNDA; CLAYANE CARVALHO DOS SANTOS
A terceira Semana da Consciência Negra, organizada pelo NEABI / IFCE campus Boa Viagem tratou o tema Identidade Negra, Cultura, Lutas e Resistências, em diferentes aspectos, por meio de apresentações culturais, mesas redondas, visitação às salas temáticas, oficinas, grupos de discussão e fórum de integração. Ações como estas, conduzidas no interior do estado do Ceará apresentam grande relevância para fomentar a desconstrução do racismo em âmbito nas suas mais diferentes formas, para promover o ensino multicultural e a pluriétnico em âmbito escolar, e para promovem a valorização da cultura afrobrasileira. A construção deste trabalho foi possível, tendo como ponto de partida o registro das atividades do encontro na forma de relatórios, os quais produzidos por uma comissão de estudantes, e utilizados para a construção deste relato.
Palavras-chave: Identidade Negra,Relações etnicoraciais,cultura
Oral
O ESQUECIMENTO DAS CONQUISTAS NEGRAS: UMA ANÁLISE DA INCONFIDÊNCIA BAIANA A PARTIR DO MODELO DE EDUCAÇÃO COLONIAL E A IMPORTÂNCIA DA LEI 11.645/2008.
ALESCA BATISTA DE ARAUJO; NATÁLIA VIANA NOGUEIRA
O Brasil é um país que mantém até hoje as heranças da colonização em sua cultura, na educação, não seria diferente, dispomos de um modelo educacional de ensino que reflete o histórico de esquecimento das lutas e conquistas pretas. Raramente encontra-se em materiais didáticos e escolares alguma representatividade das benfeitorias conquistas e lutas dessa população. Tem-se como claro exemplo a inconfidência baiana, que foi uma revolução originada da população negra e pobre no contexto de alteração da capital para o Rio de Janeiro. A luta de negros não ganhou visibilidade merecida, fato este que não ocorreu no que diz respeito à inconfidência mineira, que também foi uma revolta, mas feita pela burguesia, reforçando o modelo eurocêntrico de educação. A lei 11.645 nos traz o enfrentamento desse esquecimento, mas ainda deve ser muito debatida.
Palavras-chave: Inconfidência baiana,Conquistas Históricas Negras,Lei 11.645/08
Oral
ORGANIZAÇÃO DA VIDA URBANA EM BAIRROS: REDES E SOCIABILIDADES NA COMUNIDADE ROSALINA, FORTALEZA-CE
TIAGO SOUZA DE JESUS; Henrique Cunha Junior
A presente comunicação oral busca dialogar com o Simpósio Temático nº 01: Arquitetura e urbanismo africano, em uma perspectiva da sociabilidade dos bairros negros da cidade de Fortaleza-CE. Especificamente, abordaremos, do ponto de vista histórico, as redes de sociabilidades da comunidade Rosalina. Demarcador da territorialidade na cidade, a forma urbana negra incide diretamente em uma organização étnica própria do bairro, tendo como centralizador da sociabilidade uma rede formada pelas relações familiares, as reciclagens, as igrejas e os terreiros. Buscamos compreender, a partir de um referencial de base africana, as formas de vida afrodescendente na comunidade Rosalina. Dialogamos com Sanzio (2009; 2010) Cunha Junior (2001; 2007; 2017; 2019a; 2019b), Antunes (2015), Silva (2018), para compreender as formas de vida dos moradores.
Palavras-chave: Sociabilidade,Bairros negros,Ancestralidade,Comunidade,Formas negras urbanas
Oral
Silêncios e arquiteturas no Acre
MARCIO RODRIGO CÔELHO DE CARVALHO
A proposta da comunicação apresenta a necessidade de diálogos mais amplos e sistêmicos sobre a produção da arquitetura no Acre. Tal condição busca observar a ampliação da relação indígenas-imigrante que silenciam a presença afrodescendente na romanização e no smazonialismo que estruturam as narrativas e as paisagens. O objetivo se centra em evidenciar a produção do espaço construído pela presença das populações negras que ali sempre estiveram, ao menos a partir do fim do século XIX. Como estudo de caso observa -se o tapiri e como se relaciona a produção dessa arquitetura popular com as matrizes africanas.
Oral
Oral
O RACISMO NA ICONOGRAFIA DA ORIXÁ YEMỌJÁ
INAH IRENAM OLIVEIRA DA SILVA
O branqueamento da iconografia da orixá Yemọjá na diáspora e as consequências para os adeptos das religiões de matrizes africanas tem sido pauta após a recuperação das histórias dos antepassados escravizados e o pertencimento das experiências étnico racial. Ressoam em nossos corpos até hoje os mais de trezentos anos de translado atlântico escravocrata, e nessa perspectiva, as reinvindicações pelos reparos sócios culturais contribuem para o entendimento de aspectos da formação educacional na afrodiáspora, essa que transmuta a estética negra, como lábios grossos, olhos grandes, narizes largos, cabelos crespos para traços europeus que reforçam a estrutura racista e machista, principalmente no Brasil, amparados no ideal da mulher branca, magra, de longos cabelos lisos, com ar pueril reproduzida pelo catolicismo, artes e mídias.
Palavras-chave: YEMOJA, ICONOGRAFIA, ESTÉTICA NEGRA, RACISMO RELIGIOSO,EDUCAÇÃO MUSEAL
Oral
PEDAGOGIA DO MOVIMENTO RELIGIOSO CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA, JUAZEIRO DO NORTE – CE
MARIA IMACULADA SILVA DE ALMEIDA
Este trabalho pretende apresentar uma pesquisa que está em andamento. Para este evento, será apresentada a importância do movimento social como ferramenta pedagógica. Segundo Nascimento (2015), apesar da escola ser denominada como um espaço laico; na prática, não é isso que acontece. Nesse sentido, outros espaços aparecem como possibilidade para combater o racismo religioso, compreendendo o conceito de racismo religioso conforme Oliveira (2017), em que concebe a esse termo as violências que sofrem as religiões afro-ameríndias-brasileiras. A pedagogia, como aponta Domingos (2011), não se limita ao ambiente escolar. Portanto, aqui será apresentada a Caminhada pela Liberdade Religiosa que acontece na cidade do Juazeiro do Norte (CE) como dispositivo pedagógico no combate ao racismo religioso na região do Cariri cearense.
Palavras-chave: Educação, Racismo Religioso, Movimento Social
Oral
RACISMO VIRTUAL: VAMOS FALAR SOBRE O TEMA?
CLEBERSON VIEIRA DE ARAÚJO; Lucas de Sousa Ferreira; Mariana Soares de Farias
A vida em sociedade coloca a prova comportamentos e atitudes de convivência mútua e pacífica, mesmo aquelas consideradas mais simples. Porém, com o advento da tecnologia e o crescente uso das redes sociais, comportamentos antes tidos como inaceitáveis voltam à discussão, são as práticas racistas (de cunho religioso), veladas ou não, que geram tantos problemas para quem os sofre, tornando a discussão extremamente importante e atual. Logo, esse trabalho tem por objetivo discutir o racismo atrelado ao mundo virtual, em especial nas redes sociais. Enquanto metodologia faz-se uma abordagem qualitativa ao adotar enquanto aporte teórico autores como Berleze e Pereira (2017) e Trindade (2018).
Palavras-chave: Racismo,Preconceito,Redes sociais
Oral
Palavras-chave: Capoeira, Berimbau, Mestres, Tradição, Musicalidade
Oral
A trajetória de enfrentamento social do Projeto Capoeira nas Escolas: Campina Grande - Paraíba.
THIAGO MELO DUARTE
A capoeira vem contribuído para a construção da identidade social de crianças, jovens e adultos por meio da inclusão. Este resumo propõe apresentar por meio de uma discussão o Projeto Capoeira nas Escolas desenvolvido na rede municipal de Campina Grande – PB, que a 14 anos vêm trabalhando com alunos. Onde as aulas de capoeira são o vetor de transmissão dos ensinamentos da cultura afro brasileira, desta forma também vivenciam o maculelê, o samba de roda e outras manifestações. Nesta perspectiva pretendo apresentar fragmentos do trabalho desenvolvido na cidade referida. Assim este projeto com a capoeira busca combater o racismo, a violência escolar, disseminando por meio da oralidade os ensinamentos da cultura afro brasileira. Desta forma pretendo apresentar a trajetória de resultados alcançados com a transmissão da capoeira
Palavras-chave: Identidade, escolas, ensinamentos,projeto
Oral
AS MULHERES NEGRAS E A PRODUCÃO DA CULTURA DE MATRIZ AFRICANA NO CARIRI CEARENSE
CÍCERA NUNES; JOSEANIA MIRANDA FREITAS; ANA CRISTINA LEANDRO NASCIMENTO
Este trabalho trata do papel das mulheres negras enquanto transmissoras de práticas culturais de matriz africana no Cariri cearense. A pesquisa se fundamenta no diálogo teórico-metodológico com a abordagem (auto) biográfica na relação com a memória e a oralidade (PASSEGI e SOUZA, 2016; WERNECK, 2017; FREITAS, 2004). As entrevistas narrativas realizadas com mulheres negras do Cariri cearense indicam: a) a existência de uma rede dinâmica de mulheres negras protagonistas e responsáveis pelas transmissões do legado afrodescendente caririense; b) um legado histórico da presença de mulheres negras no Cariri Cearense; c) possibilidades pedagógicas para o redimensionamento da educação que partam das africanidades locais.
Palavras-chave: mulheres negras, ancestralidade
Oral
AXÉ AJEUN: ANCESTRALIDADE, COMIDA DE SANTO E O ENSINO DE CIÊNCIAS
FRANCISCO GINUELDO DA SILVA PEREIRA; CRISTIANE SOUSA DA SILVA
O ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira ainda é bastante invisibilizado nas diferentes esferas educacionais do nosso País. Essa problemática expressa o racismo estrutural velado que permeia a comunidade escolar e inviabiliza a propagação dos conhecimentos de que trata a Lei 10.639/2003 também nos livros didáticos a partir do seu silenciamento, mesmo após os 16 anos da sua implementação, bem como o apagamento histórico da existência de tal cultura que expressa o conhecimento advindo de um continente rico em saberes. A educação para as relações étnico-raciais busca se posicionar frente às iniquidades sociais, ressaltando a importância de disseminar conhecimentos como forma de resistir dentro dos espaços educativos, para que seja possível construir a identidade do ser negro(a) e a valorização da cultura afro-brasileira.
Palavras-chave: Ensino de Biologia, Educação anti-racista, Relações étnico--raciais, Ciências e religiosidade, Culinária afro-brasileira
Oral
COLONIALISMO QUE PASSA, COLONIALIDADE QUE FICA: LUTAS ANTICOLONIAIS BRASILEIRAS EM TORNO DA MEMÓRIA
NUNCIA GABRIELE GUIMARÃES ESCOBAR; MARIANA SELISTER GOMES
Este trabalho propõe uma discussão sobre as disputas em torno do Simbólico, sobretudo ao que se refere aos patrimônios culturais coloniais – debate amplamente divulgado devido à repercussão mundial do movimento Vidas Negras Importam, em 2020, mas que acontece no Brasil há muitos anos. Alguns exemplos das lutas antirracistas pela descolonização do universo simbólico no Brasil são: o Teatro Experimental do Negro, de 1944-1961; a inclusão do Imaterial no âmbito do Patrimônio Cultural, na Constituição de 1988; a Lei 10.639/2003; a definição do Dia da Consciência Negra em homenagem a Zumbi dos Palmares. Por outro lado, há uma força brutal da colonialidade mantendo patrimônios culturais eurocêntricos e racistas. Neste sentido, apontamos alguns discursos brasileiros em disputa pela memória, bem como, seus efeitos no imaginário social.
Palavras-chave: decolonialidade,memória,racismo,patrimônio,discurso
Oral
ENTRE A “TIRANIA DO SILÊNCIO” E A “TIRANIA DO VISÍVEL”, ONDE FICAM AS MULHERES NEGRAS NAS NARRATIVAS EXPOGRÁFICAS?
SILVIA RAQUEL DE SOUZA PANTOJA; Joseania Miranda Freitas
Este trabalho visa trazer à luz inquietações que se refletem na pesquisa de mestrado ainda em fase inicial, quanto ao lugar destinado às mulheres negras nas narrativas expográficas, tendo como objeto de análise a exposição de longa duração “Janelas do Passado, Espelhos do Presente: Belém do Pará, arte, imagem e história”, no Museu de Arte de Belém (MABE), que teve seu início em 2011 e encerramento abrupto em 2017, devido ao sinistro pelo qual passou o Palácio Antonio Lemos, sede que o MABE divide com o Gabinete da Prefeitura Municipal. Assim, planeja-se confluir pensamentos e diálogos a partir de noções trazidas por Audre Lorde e Georges Didi-Huberman acerca da “tirania do silêncio” e “tirania do visível”, respectivamente, convergindo em uma reflexão sobre as constituições de narrativas expográficas e seu caráter legitimador.
Palavras-chave: análise expográfica, regimes de visibilidades, exposição de longa duração
Oral
ESPAÇOS DE RESISTÊNCIA: REDE DE MUSEOLOGIA KILOMBOLA COMO UM LUGAR DE AQUILOMBAMENTO EM TEMPOS DE LUTA
VITOR LUIZ M DE SOUZA; NUTYELLY CENA; LUCAS RIBEIRO LIMA
Este artigo aborda a construção de uma corrente epistemológica conhecida como Rede de Museologia Kilombola. Procura-se enfatizar uma nova interpretação da Musealização, museografia (Sobretudo na Documentação e Pesquisa), A discussão teórica baseia-se na noção de Quilombo enquanto espaço de poder e memória, transgredindo também a visão somente do quilombo físico (remanescente das lutas coloniais), abarcando outros espaços, como favelas (quilombos urbanos), museus e pontos de memória (quilombos de informação). Em seguida, problematiza-se a construção de toda a noção Brasileira de patrimônio, que sistematicamente, exclui esses espaços e visões negras (afrodiaspóricas) de sua tutela.
Palavras-chave: Identidade,Aquilombar,Museologia, Museu,Patrimônio
Oral
MEMÓRIAS NEGRAS E PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM: ALGUMAS REFLEXÕES AUTOBIOGRÁFICAS
THANITY SILVA DE ANDRADE; Joseania Miranda Freitas
Este texto destaca a importância das memórias negras para o processo formativo da pesquisadora-autora. Este processo autobiográfico ancora-se, principalmente, na experiência paterna de cuidado e arquivamento de acervo familiar, que a influenciou na realização da graduação e pós-graduação em Museologia. Nestes cursos a pesquisadora encontrou docentes negras (os) que contribuíram para a sistematização das inquietações sobre esta temática. Ainda na graduação conheceu registros de uma exposição temporária, com curadoria de uma docente afro-bogotana, na Universidade Nacional da Colômbia, levando estas primeiras análises para o TCC e para o amadurecimento no Mestrado em Museologia, trabalhando com as memórias autobiográficas afro-brasileiras e as memórias afro-colombianas, na perspectiva das memórias do “Atlântico negro”, de Paul Gilroy (2001).
Palavras-chave: Memórias negras, Formação, Autobiografia,Exposição Temporária
Oral
Modos de educar, formas de resistência: A capoeira como educação informal.
THIAGO MELO DUARTE
A construção da história afro-brasileira perpassa por antagonismos sociais e a capoeira se manifesta como enfrentamento as desigualdades. Ao longo de sua trajetória de perseguição as tradições africanas se tornaram presentes na sociedade brasileira. No entanto, a discussão deste resumo busca ressaltar a educação informal da capoeira, que passa a ser transmitida por meio de seus fundamentos. Assim a oralidade sendo a forma de transmissão destes ensinamentos. Nesta perspectiva de ações afirmativas a valorização e preservação da História do povo africano tem contribuído para a formação dos sujeitos. Este resumo apresenta parcialmente uma apreciação sobre o trabalho da capoeira, onde realizei numa pesquisa de TCC do autor deste resumo, as minhas percepções acadêmicas sobre a educação informal no ambiente educacional da capoeira.
Palavras-chave: HIstória,educação,ensinamentos,oralidade
Oral
MUSEUS E COMUNICAÇÃO DO PATRIMÔNIO AFRICANO: EXPERIÊNCIAS DO MAFRO/UFBA
MARIA DAS GRAÇAS DE S. TEIXEIRA; Judite Primo; Lucival Fraga dos Santos
O presente texto discute sobre o patrimônio cultural e sua articulação com a educação no museu, reconhecendo a importância do patrimônio e da memória nas relações de pertencimento e constituição de identidade (s). Desse modo, buscamos refletir sobre o papel do museu na comunicação do patrimônio afro-diásporico nos circuitos expositivos, composto por parte do acervo africano, a partir da experiência na atividade de mediação cultural desenvolvida no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia junto ao público estudantil, no período de setembro 2011 a setembro de 2018. Utilizamos como metodologia a pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e o relato de experiência.
Palavras-chave: Museu,Exposição
Oral
NEGROS DOS QUARENTA: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO QUILOMBOLA NA CIDADE DE TRIUNFO-PB
CLÉBIA VALÊSCA GONÇALVES SOARES
O presente trabalho propõe discutir o processo de elaboração de uma memória quilombola na cidade de Triunfo, Paraíba, a partir da construção de monumentos que fazem referência a um grupo de quarenta negros descendentes de escravos brasileiros vindos de um Quilombo de Pombal que se fixaram e construíram uma comunidade conhecida na cidade como “Negros dos Quarenta”. Essa memória passa a ganhar mais espaço com a construção, pela administração municipal, de uma praça inaugurada em 22 de dezembro de 2008, intitulada “Praça dos Quarenta”, e de um “Mini Museu” situado na sede da “Associação Remanescente dos Quilombolas dos 40” inaugurado em 28 de fevereiro de 2013. Estes elementos obtém significativa relevância dentro do patrimônio local criando um sentimento de pertença, orgulho e identificação da população negra com a história a qual integra.
Palavras-chave: Memória, Patromônio,Quilombolas,Triunfo
Oral
O POPULAR NA CULTURA DE CIPÓ: PARA ALÉM DO LUXO, FRACASSO E DESCASO PÚBLICO
TALBERT IGOR SANTANA DE OLIVEIRA
Esse projeto busca fazer uma investigação a respeito do desenvolvimento da cidade de Cipó, localizada no sertão baiano, a partir da sua perspectiva cultural fundante em relação à cena atual, analisando sua formação luxuosa e excludente de caráter turístico exploratório do passado, com o abandono de seus bens culturais e sociais no presente. Com tal foco temático, ético e estético, a pesquisa sugere um olhar para a formação identitária e racial do seu povo, com a valoração de componentes relacionais, coletivos e simbólicos das suas manifestações culturais e contemporâneas ressignificações. Assim, além da dissertação, propomos um redimensionamento narrativo, através da linguagem fotográfica, que acesse a valoração da cultura popular e da memória coletiva, em um inventário analítico e fotográfico no formato de livro-objeto.
Palavras-chave: Cipó-Bahia, Cultura Popular,Desenvolvimento Turístico Exploratório,Linguagem Fotográfica,Memória Coletiva
Oral
MARIA GILDERLANIA DA SILVA COSTA
Os profissionais que atuam nas comunidades quilombolas carregam em suas práticas valores e conhecimentos das narrativas existentes da cultura africana e suas raízes, sendo desenvolvidas de forma diversificada podendo situar seus alunos como pertencentes aos povos quilombolas. Esse estudo tem como objetivo avaliar as práticas desenvolvidas na educação infantil para o ensino das matrizes africanas, em uma comunidade quilombola, contemplando os aspectos curriculares e formação de professores. A realização da pesquisa se dá através da exploração e análise dos projetos propostos na instituição que englobam a temática das histórias africanas em sala de aula e relatos de experiência dos profissionais. Concluiu-se que há uma barreira a ser quebrada mediante as práticas já existentes e a valorização do ensino de africanidades na educação infantil.
Palavras-chave: Quilombo,Africanidades,Práticas Pedagógicas,Educação Infantil
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O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E A ETNOMATEMÁTICA EM UMA ESCOLA QUILOMBOLA: MOMENTOS DA MINHA FORMAÇÃO DOCENTE
NÚBIA PEREIRA SANTANA; Januária Araújo Bertani
A presente pesquisa objetivou correlacionar, em uma escola quilombola, a Etnomatemática com as atividades de estágio supervisionado. Tendo como intuito, traçar alguma resposta, ou possibilidades, para a questão: No Colégio Estadual, denominado como quilombola, como são abordados os conceitos de matemática? Esta investigação foi constituída com os aportes teóricos metodológicos da pesquisa formação. A pesquisa foi realizada em dois momentos; o primeiro, durante a observação participante em uma turma do 6º ano; e o segundo, no período em que a turma cursava o 8º ano. Dentre os resultados, destacamos a importância de uma formação que possibilite a articulação de conceitos matemáticos e práticas sociais, destacando o sentimento de pertencimento de uma cultura.
Palavras-chave: Estágios Supervisionados,Formação de professores de Matemática,Etnomatemática
Oral
PERSPECTIVAS DO BEM VIVER NA COMUNIDADE QUILOMBOLA SÍTIO ARRUDA EM ARARIPE – CEARÁ
JOÃO LEANDRO NETO; TAYRONNE DE ALMEIDA RODRIGUES; FRANCISCA LAUDECI MARTINS SOUZA
O objetivo desta pesquisa foi analisar quais as relações que se pode estabelecer entre as práticas comunitárias quilombolas no Sítio Arruda-Araripe - CE e o que se preconiza como experiências-vivências de Bem Viver. A pesquisa é de natureza bibliográfica e documental, sendo que a primeira vertente se refere à construção dos marcadores conceituais que apontam para experiências-vivências de Bem Viver e a segunda diz respeito ao levantamento da empiria exercida nas experiências comunitárias no Sítio arruda. O Bem Viver é uma proposta de desenvolvimento onde o centro das atenções é o ser humano vivendo em comunidade e em harmonia com a Natureza. Trata-se de opor-se a exploração da mão de obra e da defesa da vida contra esquemas antropocêntricos de organização produtiva, causadores da destruição do planeta. Assim, podemos afirmar a comunidade
Palavras-chave: Bem Viver,Comunidade Quilombola,Araripe
Oral
QUANDO A DEBULHA DO FEIJÃO TORNA-SE PRÁTICA PEDAGOGICA NA ESCOLA
FRANCISCA TAINARA EUGENIO DA SILVA; Joanice Santos Conceição
A presente comunicação tem como objetivo analisar de que maneira a debulha do feijão pode ser uma prática pedagógica no fortalecimento da identidade do Quilombo Sítio Veiga – Ceará. Para alcançar êxito na proposição utilizaremos o método qualitativo, com suporte da história oral. A fundamentação teórica dialogará com os seguintes: Vera Candau (2016), Jean-Claude Forquin (1993), Jacque Le Gof (1994), dentre outros. Espera-se que com a realização desta pesquisa as práticas pedagógicas passem a considerar, como parte integrante do currículo escolar, os saberes tradicionais existentes no cotidiano do quilombo Sítio Veiga.
Oral
SABERES E RESISTÊNCIAS: REFLEXÕES SOBRE O LETRAMENTO ACADÊMICO DE MULHERES NEGRAS UNILABIANAS
ANA PAULA RABELO ; Ivan Costa Lima; Rosângela Ribeiro da Silva
O presente estudo, decolonial e feminista, visa identificar vivências de letramentos (STREET, 2012; 2014) presentes no cotidiano de mulheres negras, alunas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira – Unilab. Da mesma forma, visa descrever como, a partir de suas narrativas, o acesso aos gêneros acadêmicos pode possibilitar empoderamento individual ou coletivo. A pesquisa utiliza a Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2003; MAGALHÃES et al, 2017; RESENDE, 2019) como teoria e método. Foram analisadas as narrativas (GEORGAKOPOULOU, 2011; BAKTHIN, 1998; 2006) de quatro alunas (e seu grupo familiar geracional). Os dados da pesquisa apontam que a aquisição de novos saberes em espaços não formais de educação acadêmica (como rodas de conversa) são fundamentais para a aquisição de saberes formais forjados em aula.
Palavras-chave: Educação,Letramento,Mulheres Negras,ADC
Oral
“ABC Quilombola”: uma proposta antirracista para a educação infantil na comunidade de Alto Alegre (CE)
ANTONIO JEOVANE DA SILVA FERREIRA; FRANCISCA MARLEIDE DO NASCIMENTO; TATIANA RAMALHO DA SILVA
Mesmo diante dos avanços frente à implementação da educação escolar quilombola no Brasil, múltiplos desafios ainda ofuscam sua efetivação, exigindo o fortalecimento das lutas e o protagonismo quilombola. Neste sentido, este trabalho apresenta um relato de experiência sobre o projeto “ABC Quilombola”, que encontra-se em fase germinal, que tem como objetivo a construção, de forma coletiva, de um alfabeto que valorize os elementos da identidade e do território quilombola, servindo enquanto uma proposta didático-metodológica e antirracista para a alfabetização de crianças quilombolas e não quilombolas, atendidas no centro de educação infantil localizado na comunidade de Alto Alegre, município de Horizonte/CE.
Palavras-chave: Educação Quilombola,Identidade,Território,Alfabetização,Alto Alegre
Oral
Oral
ENSINO DE HISTÓRIA E A TEMÁTICA INDÍGENA: O USO DA MÚSICA COMO RECURSO DIDÁTICO
KÉVIA DANIELE DA SILVA; Natália Pinheiro Bezerra
Este trabalho reflete sobre a experiência de estágio com os alunos do 8° ano da escola de ensino fundamental Pedro Felício Cavalcante, localizada no município de Crato-Ce, durante o qual trabalhamos com a temática indígena por meio da utilização da música Índios da banda Legião Urbana, como ferramenta para repensar a colonização do Brasil e para a efetivação dos conteúdos previstos na lei n. 11.645/08. Ao longo do estágio, nossos percursos metodológicos se concentraram na aula expositiva-dialogada e leitura direcionada de letras de músicas, pois esta é uma ferramenta que faz parte da vida prática dos estudantes. Sendo assim, partimos da perspectiva de Bittencourt (2005), que chama atenção para a importância em se trabalhar em sala de aula os “documentos não escritos”.
Palavras-chave: Ensino da temática indígena,Lei 11.645/08,Música
Oral
HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PROJETO PEDAGÓGICO
FRANCISCO JOEL NASCIMENTO DE MOURA
A História e a cultura Afro-brasileira e Indígena influenciam fortemente a cultura brasileira, porém os currículos oficiais de ensino só passaram a contemplar o ensino desta temática após a Lei 10.639/2003; e mesmo com a obrigatoriedade, ainda se percebe um ensino bastante superficial nas salas de aula em relação ao tema. Foi nesta perspectiva e baseado na experiência de um estágio não curricular que um projeto pedagógico foi desenvolvido visando sanar a ausência desta temática em uma determinada sala de aula. Logo, este trabalho apresenta o desenvolvimento deste projeto pedagógico, bem como os resultados alcançados com os educandos envolvidos.
Palavras-chave: História e Cultura afro-brasileira,História e cultura Indígena,Projeto Pedagógico, Lei 10.639/2003
Oral
IMPLEMENTAÇÕES DAS LEIS N° 10.639/03 E N° 11.645/08 E SEUS IMPACTOS NAS ESTRUTURAS LEGAIS DE ENSINO.
ANTONIA TAYANE DE SOUZA COSTA ; Pedro Hawyr Bezerra da Silva; Natalia Bezerra Rodrigues
O vigente trabalho tenciona contribuir com as discussões já existentes em referência as implementações e a relevâncias das leis nº. 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira nas instituições de ensino fundamental e médio; e a amplificação dela, a lei nº. 11.645/08 acarretando também o ensino da história e da cultura dos povos indígenas brasileiros. Analisando-as, nos manifestou a seguinte indagação: Como a efetuação dessas leis contribuem para uma formação cultural afro-brasileira? Considerando isso, nossa pesquisa é de cunho qualitativo e de carácter exploratório, onde buscamos compreender e sondar a atuação dessas leis na prática social, se denominando assim uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa ainda se encontra em andamento.
Palavras-chave: Sociedade,Cultura afro-brasileira,Diversidade
Oral
LEI 10.639/2003: A FORMAÇÃO CONTINUADA, AS MÍDIAS E O IMAGÉTICO NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE NEGRA
EDILEUSA FRANCISCA DA SILVA; Suzana Maria Amorim do Monte; Reginaldo Ferreira Domingos
A Lei 10.639/2003 tornou obrigatório discussões voltadas às questões etnicorraciais e nesse viés analítico apresentamos o projeto de extensão o qual vem tendo ações desde o ano de 2018. Esse projeto é fruto de resultados do projeto de pesquisa. Ambos realizados no âmbito da UFCA. Esta proposta objetiva relatar uma experiência vivenciada do projeto de extensão em uma das ações realizada com professoras/es de humanas da cidade de Brejo Santo. Atividade, “(Re) construção da identidade da pessoa negra”, que ora se apresenta foi focada na discussão da relação entre imagens e mídias e seus reflexos na identidade da população negra, pois entende-se, a partir dos estudos teóricos, a necessidade de trabalhar a identidade racial na formação das/os educadoras/es e fazê-las/os compreender a sistematização do racismo estrutural também nesses meandros.
Palavras-chave: Formação continuada,Identidade,Lei 10.639/2003
Oral
MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA: UM OLHAR SOBRE A LEI 10639/03 DENTRO DA SALA DE AULA
JEFFERSON ALEFF BEZERRA BATISTA
Esta pesquisa se propõe a trazer para o interior da escola a temática das religiões de matriz africana, contribuindo para a difusão do conhecimento e a consequente eliminação do preconceito e da intolerância. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo contribuir com a aplicabilidade da Lei 10639/03 nas práticas pedagógicas da Escola Estadual Liceu Doutor José Gondim na cidade de Iguatu-Ce, no que concerne ao quesito religiosidade. Para isso realizou-se rodas de conversa e questionário pautados no uso da análise documental com base na Lei 10.639/03 e na observação incorporada, a fim de nos familiarizarmos cada vez mais com a realidade das religiões encontradas. Pode-se perceber a necessidade de práticas educativas voltadas para o conhecimento da religião de matriz africana e valorização da memória cultural dos grupos africanos.
Palavras-chave: Educação,Religião, Lei 10.639/03
Oral
PENSANDO O ENSINO DE CIÊNCIA ANTIRRACISTA: UMA ANÁLISE SOBRE A ICONOGRAFIA EM MEIO AOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS DO SÉTIMO ANO DAS ESCOLAS PÚBLICAS DE JAGUARIBE
ELIMARDO CAVALCANTE BANDEIRA; CRISTIANE SOUSA DA SILVA
O presente artigo tem como objetivo analisar como a imagem do /a negro/a está sendo construída nos livros didáticos de Ciências do sétimo ano que foram adotados nas escolas públicas municipais de Jaguaribe - CE. O artigo é resultado da pesquisa do Programa Institucional de Iniciação Científica - PIBIC/IFCE intitulada “Descolonizando saberes no ensino de ciências; uma análise face ao livro didático no ensino fundamental II”. A metodologia utilizada, se deu por uma pesquisa bibliográfica e documental, após a coleta dos dados, as imagens veiculadas nos livros didáticos foram agrupadas e analisadas a partir da técnica de análise de conteúdo para elucidar os dados obtidos na pesquisa documental. As obras estão buscando banir a presença de estigmas negativos referentes ao negro, no entanto isso ainda ocorre, assim como, realçar-se uma ciência e
Palavras-chave: Livro Didático, Iconografia, Ensino de Ciências, Lei 10639/03
Oral
POLÍTICA DE COTAS RACIAIS NO BRASIL: CONSTRUÇÃO E DESAFIOS
MACIANA DE FREITAS E SOUZA; Aylana Paula dos Santos Silva; Francisco Vieira de Souza Junior
O presente trabalho desenvolvido através de pesquisa bibliográfica e documental, objetiva analisar a construção da política de cotas raciais no Brasil e os principais desafios para a sua materialização com o avanço do projeto neoliberal. Para tanto, apresentamos as principais mudanças no cenário educacional a partir da Constituição Federal de 1988 e a Lei Federal nº12.711/2012, tendo como referencial teórico e metodológico o materialismo histórico-dialético. Os principais resultados denotam que a política de cotas tem contribuído para a entrada da juventude negra no ensino superior, no entanto com o acirramento do neoliberalismo, podemos perceber reflexos na política de assistência estudantil, essencial para garantir a permanência dos estudantes cotistas no ensino superior.
Palavras-chave: cotas raciais,educação,projeto neoliberal
Oral
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM DANÇAS E A LEI 10.639/03: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PROFESSOR EM BELO HORIZONTE/MG
BRUNO DE SENA MARÇAL; HELOISA TEOTÔNIA BOSCO DE ANDRADE; RIDALVO FÉLIX DE ARAUJO
A partir dos conhecimentos adquiridos na disciplina “Danças de matrizes africanas, afro-brasileiras e populares”, no primeiro módulo do Curso Técnico em Dança da Escola Estadual Centro Interescolar de Cultura, Arte, Linguagens e Tecnologias/Cicalt, localizada em Belo Horizonte/MG, em 2018, pretendemos, por meio do relato de experiência, refletir como se processa o contato de alunos da Rede de Ensino Municipal de Belo Horizonte e da comunidade, com os temas trabalhados em sala de aula na disciplina de Dança. Diante dessa situação, o relato considera como o discente percebe a disciplina de Dança, como esta é concebida pelo “novo” professor - referido discente -, e, por fim, como ocorre o contato entre esse professor com os alunos, considerando o que está sendo compartilhado. Palavras-chave: Danças Negras; Escola Integrada; Educação
Oral
PROBLEMATIZANDO O “RACISMO RECREATIVO”: UMA EXPERIÊNCIA DO PIBID MULTIDISCIPLINAR NA EDUCAÇÃO BÁSICA.
ANTÔNIA LUCIVANIA DA SILVA
O presente trabalho tem como propósito apresentar uma experiência pedagógica desenvolvida por bolsistas do PIBID multidisciplinar, no ano de 2019, na Escola de Ensino Médio José Alves de Figueiredo, em Crato-CE. Foram trabalhados conceitos como racismo, negritude e branquitude a partir da obra de Adilson Moreira, intitulada Racismo Recreativo. Como metodologia foi utilizada a exibição e problematização de memes e vídeos de humor com viés racista. Nem todos os discentes foram capazes de compreender o conteúdo racista disfarçado de humor. Porém, parte da turma relatou suas experiências enquanto vítimas de racismo. Pudemos perceber que os discentes sabem identificar a violência racial explícita. No entanto, desconhecem os meios legais e manifestaram descrença na justiça no combate ao crime de racismo e injúria racial.
Oral
Projeto Identidade Negra: uma experiência pedagógica antirracista em uma escola de Jaguaribe-Ce
FRANCISCO MATEUS BEZERRA AUGUSTO; Cristiane Sousa da Silva; Francisco Ginueldo da Silva Pereira
O presente artigo objetiva relatar uma experiência pedagógica antirracista fruto do projeto Identidade Negra em parceria com o NEABI/Jaguaribe nasce ao perceber que na E.E.F. Professor Gutenberg os educandos tinham dificuldade de se identificar como negras, em reconhecer e valorizar seus traços fenótipos, como por exemplo, cabelo, cor da pele, traços negroides. Entretanto, o silêncio escolar é marcado pelo sistema que inferioriza a população negra pelo livro didático, pelas professoras e pela gestão escolar são apagamentos e subalternização enraizados cotidianamente e que nada contribuem para a valorização da história e cultura do ser negro. Em contraponto ao ritual pedagógico do silêncio, o projeto traz à tona as vozes e narrativas dos subalternizados e proposta pedagógicas antirracista para se implementar a Lei 10639 no chão escolar.
Palavras-chave: educação antirracista, lei 10639/03, Relações étnico-raciais
Oral
Projeto Quilombo: uma forma de resistência negra
ANA PAULA DOS SANTOS REINALDO VERDE
A pesquisa foi voltada para o Projeto “Quilombo”, efetivado pelos professores e alunos do Centro de Ensino Liceu Maranhense, descreve as práticas pedagógicas para a Educação das Relações Étnico Raciais que possibilitam a formação de indivíduos críticos e reflexivos dentro de uma sociedade plurirracial e multicultural como a sociedade brasileira. Fundamentou-se na abordagem qualitativa de cunho etnográfico. Identificou-se que na escola pesquisada existem práticas pedagógicas inovadoras que remetemos a uma educação para as Relações Étnico Raciais por parte de um contingente mínimo de professores e alunos, que apontam para um espaço escolar pluriétnico e multicultural, apesar de esses profissionais ainda não terem a medida exata das contribuições de tais práticas pedagógicas para a cultura escolar
Palavras-chave: Práticas pedagógicas,etnico racial,cultura escolar
Oral
UMA INTRODUÇÃO AOS JOGOS AFRICANOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: UM RELATO DE EXPERIENCIA AFROCENTRADA.
PAULO TIAGO OLIVEIRA ALVES
Este trabalho relata a experiência de ensino, desenvolvida numa Instituição Federal situada no município de Boa Viagem (CE), utilizando os jogos africanos nas turmas de 3º ano do ensino médio. Trata-se de uma práxis pedagógica da Educação Física desenvolvida em 4 aulas, ministradas em quatro encontros semanais no turno vespertino, no período de 18/06/2020 a 02/07/2020. O percurso pedagógico foi desenvolvido por meio de uma plataforma educacional virtual. A experiência foi dividida em três momentos dialeticamente articulados: Jogo Tradicional; Jogos Africanos de tabuleiro; a lei nº 10639 e a educação física; apresentação de seminários em equipe sobre a temática, por parte dos discentes. A prática pedagógica está alicerçada em uma pedagogia afrocentrada e os resultados obtidos se materializaram em um material de cunho pedagógico.
Palavras-chave: Educação Física Escolar,Afrocentrismo,Jogos Africanos
Oral
Palavras-chave: Aprendizagens Matemáticas, Formação de Professores,Etnomatemática
Oral
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM MATEMÁTICA: PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES GUINEENSES DA UNILAB
AGOSTINHO CÁ; Railane Bento Vieira Sabóia; Elcimar Simão Martins
O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre as percepções de estudantes guineenses acerca do Estágio Supervisionado no curso de licenciatura em Matemática da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Brasileira – UNILAB. Metodologicamente, de abordagem qualitativa, a investigação utilizou como estratégias de aproximação com a realidade a análise de relatórios de Estágio Supervisionado III (no âmbito do Ensino Médio) e a realização de entrevistas com os respectivos estudantes. Os resultados desta pesquisa contribuem para a compreensão de um Estágio Supervisionado que favoreça uma aproximação com o contexto brasileiro, mas potencialize um diálogo com o contexto das escolas guineenses, lócus de futura atuação dos estagiários e fortalecendo a missão institucional da UNILAB
Palavras-chave: Formação Inicial, Matemática,Guiné-Bissa
Oral
JOGO IGBA-ITA: SABERES AFRICANOS NO CHÃO DA SALA DE AULA DE MATEMÁTICA
JOÃO VICTOR DA SILVA GABRIEL; JOSÉ IVANILDO FELISBERTO DE CARVALHO
O jogo Igba-Ita é um jogo praticado na Nigéria e de origem do povo Igbo, localizados em sua maioria no sul e oeste do país. O termo tem como significado “pegue e jogue para cima” e se joga com um total de 52 conchas. O estudo deste jogo como possibilidade para o ensino e aprendizagem da matemática, particularmente das noções de aleatoriedade e probabilidade, articulado aos princípios da Educação das Relações Étnico-raciais, se constitui na investigação realizada pelos autores. Propomos utilizar o jogo para a promoção de um debate orientado para a discussão dos saberes e artefatos africanos e que põe em cena o cumprimento da Lei 10.639/03 também por meio da Educação Matemática. Neste trabalho discutiremos a vivência do jogo com estudantes da Educação Básica utilizando os pressupostos da Etnomatemática como base teórica e metodológica.
Palavras-chave: Educação das Relações Étnico-raciais, Ensino e aprendizagem da matemática,Probabilidade,Etnomatemática,Igba-Ita
Oral
JOGOS DE ORIGEM AFRICANA E ETNOMATEMÁTICA: UMA EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA EM MEIO A PANDEMIA.
LORRAN CICERO MELO DOS SANTOS; Edileusa Francisca da Silva; Anna Karla Silva do Nascimento
A pandemia causada pela COVID-19 trouxe a necessidade de rápidas adaptações, em particular, ao campo educacional. Nesse contexto, discutimos as ações do projeto de extensão “Jogos de origem africana e educação matemática: um olhar etnomatemático”, da Universidade Federal do Cariri. O referido projeto integra, por meio de jogos e da Etnomatemática, a cultura africana ao processo de ensino e aprendizagem de Matemática. O cronograma original do projeto e suas atividades foram modificadas, utilizando-se de tecnologias digitais como o Google Meet, Google Drive, Software de edição de vídeo e Youtube. Para continuar atingindo o público-alvo, as ações de extensão precisaram se reinventar, ajustando-se ao ensino remoto, mas mantendo suas premissas de valorização e reconhecimento da diversidade cultural brasileira em sala de aula.
Palavras-chave: Etnomatemática,Jogos Africanos,Ensino Remoto
Oral
O jogo Ouri como possibilidade de ensino interdisciplinas: matemática e questões etnoraciais
MARIA LUÍSA SANTOS SILVA
O Ouri é um jogo da família das Mancalas, oriundo do Continente Africano, construído historicamente por casas em formato de círculos feitos no chão e por sementes, no qual, além do seu caráter histórico e identitário, traz um conjunto de possibilidades matemáticas referentes a linguagem e raciocínio lógico. Nesse sentido, foi feito uma proposta de oficina interdisciplinar com este jogo, com alunos do EJA (Educação para Jovens e Adultos) em uma perspectiva da Etnomatemática proposta por Ubiratan D'ambrosio para analisar o desenvolvimento dos conteúdos de ambas as áreas do conhecimento, em paralelo. Assim este trabalho traz um relato de experiência sobre a recepção de estudantes a dinâmicas interdisciplinares entre matemática e questões etnico-raciais.
Palavras-chave: Jogos matemático, Etnocultura
Oral
O SLAM DE POESIA E AS SUAS VISÕES LÍRICAS DECOLONIAIS: UM ESPAÇO DE CONSTRUÇÃO POLÍTICA
LUAN DE LIMA; JAMILA REIS GOMES
Possibilidades de criar trajetórias de ação individual/coletiva para idealizar e construir modelos de estar e viver na sociedade são demandas urgentes para nós que não pretendemos aceitá-la como está estruturada. Através do Slam, essas possibilidades encontram-se e divergem dos estereótipos, sendo representadas por poetas que versam sobre as insurgências urbanas, dialogando saberes através do que interpretamos como pedagogia griô. Sendo o poeta o comunicador-griô, capaz de expressar o universo da sociedade contemporânea brasileira afrodiasporica. O corpo-expressão-negra consciente do seu potencial, borrifando o mundo com a sua potência poética (FANON, 1963) é capaz de criar uma relação não de apropriação do mundo, mas uma relação de ser-mundo, o Slam cria/é um processo de descolonização enquanto ação no espaço e no tempo.
Palavras-chave: SLAM,PEDAGOGIA GRIÔ,COMUNICADOR-GRIÔ,CORPO-EXPRESSÃO-NEGRA,DESCOLONIZAÇÃO
Oral
OS DISCURSOS INSURGENTES NAS BATALHAS DE RAP: O DIÁLOGO POSSÍVEL ENTRE PEDAGOGIA GRIÔ E A POÉTICA DAS RUAS
JAMILA REIS GOMES; Luan de Lima
Pensando maneiras de interpretar o mundo através das suas vivências, produzindo mecanismos de (re)criar o cotidiano assumindo um pensamento decolonial, a batalha de rap emerge como um espaço plural de representação da cultura negra e periférica. Reflexo do movimento afrodiasporico dentro do contexto brasileiro contemporâneo, conecta passado, presente e futuro através de expressões orais inspiradas pelo espaço sociocultural, tensionando a apropriação da cidade, além de disseminar e difundir conhecimento remetendo a pedagogia griot. Nesse percurso é relevante à forma como o MC-griô enuncia os discursos de resistência e multiplicidade de existência entendendo o lugar como locus da reprodução social. Essas narrativas negras questionam a universalidade e possibilitam a criação de outros discursos para entendimento dos corpos dissidentes.
Palavras-chave: Batalha de rap,Cultura negra,Pedagogia griô,Mc-griô
Oral
RESGATANDO A CULTURA AFRO BRASILEIRA: A IMPORTÂNCIA DA ETNOMATEMÁTICA
NÍVEA ARETHUZA VITAL ALVES; Samara Luciano Vieira; Francisco José de Andrade
A Etnomatemática é perceptível em toda a história da humanidade. Um questionamento pertinente seria: porque a Cultura Afrodescendente é pouco explorada nas ações educacionais formais? O presente artigo traz reflexões e contribuições sobre a importância do resgate da cultura africana no ensino de matemática, e assim contribuir para a implantação da História e Cultura Afro-Brasileira em todo currículo escolar, em especial no ensino de matemática. Tomou-se como principais bases teóricas as obras de D’Ambrosio(2001) e Knijnik(2012,2015), elencou-se os principais desafios que são encontrados para este resgate no contexto atual dos discentes, bem como buscou-se proporcionar meios de incentivar os docentes a utilizar métodos cognitivos de ensino que abordem a cultura afro-brasileira entrelaçada na matemática e suas formas no dia a dia.
Palavras-chave: Etnomátematica,. Ensino-Aprendizagem,. Afro-Brasileira
Oral
SABERES E FAZERES DOS POVOS: A ETNOMATEMÁTICA PRÁCTICADA POR UM ARTESÃO DE CADEIRAS DE JUNCO DA ALDEIA DE TXIPULULO
LAISSA MARIA GARCIA MAKUKO MATIAS; Eliane Costa Santos
Este trabalho foi realizado para o fechamento da cadeira de Exploração de aspectos matemáticos de culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas na educação matemática na Universidade Lueji A´Konde. Com o objetivo de observar a etnomatemática de um artesão da aldeia do Txipululu nmunicípio do Chitato na província da Lunda Norte. Fomos até ao local, e observamos a construção de cadeiras de junco de forma artesanal. Esse saber-fazer do artesão é identificado enquanto etnomatemática no fazer profissional. Tomamos como base o autor Paulus Gerdes e Ubiratan D´Ambrósio.
Palavras-chave: Etnomatemática,relato de experiência,Artesão,matemática,junco
Oral
Oral
EXPERIÊNCIAS DE UM QUILOMBO LITERÁRIO EM FORTALEZA/CE: LITERATURA NEGRA, NARRATIVAS E AFETOS
PAULO CESAR ALVES GARCIA; Paulo Luiz Rodrigues
Trata-se de um relato de experiência, cujo objetivo é descrever as percepções de dois participantes de um grupo de leitura denominado Quilombo Literário, na cidade de Fortaleza/CE. O referido grupo, de caráter interdisciplinar, é formado por interessados(as) em trocar experiências sobre a temática negra, a partir da leitura de autores(as) negros(as). Até o momento, o Quilombo Literário promoveu 4 encontros, nos quais as seguintes obras foram analisadas, respectivamente: i) Na minha pele, de Lázaro Ramos; ii) Olhos d´água, de Conceição Evaristo; iii) Eu sei por que o pássaro canto na gaiola, de Maya Angelou; e iv) Não vou mais lavar os pratos, de Cristiane Sobral. Verificou-se que aspectos referentes às questões étnico-raciais, observados nas obras citadas, a exemplo do racismo, são constituintes das trajetórias dos integrantes do grupo.
Palavras-chave: Quilombo Literário,Grupo de Leitura,Autores(as) Negros(as)
Oral
FEMINISMO, LITERATURA E NEGRITUDE: PONTOS DE UM DIÁLOGO
MARIA MARIANA FERREIRA GONÇALVES; Rafaelly Carneiro dos Santos Nogueira; Iara Maria de Araújo (Orientadora)
Por muito tempo negou-se à mulher a participação no âmbito literário, para a mulher negra esse mecanismo de negação da fala e da escrita sempre ocorreu duplamente, pois além de ser subjugada pelo gênero é marginalizada pela raça. A intenção do artigo é pensar sobre a contribuição do pensamento feminista negro para problematizar as questões de racismo e sexismo que colocaram a mulher negra em condição de exclusão e marginalização e como esse movimento repercutiu na visibilidade da literatura de autoria feminina negra. Utilizaremos um aporte teórico fundamentado em Constância Lima Duarte (2003), Bell hooks (2000), Sueli Carneiro (2005) Lélia Gonzalez ( 2019), Patrícia Hill Collins (2019) Grada Kilomba (2019) entre outras, perpassando a crítica cultural, educacional e feminista, os estudos literários, decoloniais, de gênero e étnico-raciais.
Palavras-chave: Literatura Feminina Negra,Pensamento feminista negro,Racismo,Sexismo
Oral
IDENTIDADE NEGRA E PRESTEZA SOCIAL EM TONI MORRISON: UMA ANÁLISE PÓS-COLONIALISTA DE THE BLUEST EYE
CAMILA MOURA DO NASCIMENTO LEITE
Os romances publicados por escritores negros durante a década de 60 nos EUA têm em comum a necessidade de estabelecer a construção cabal da identidade negra e de fomentar o diálogo entre a influência dessa identidade e do levante branco que a subalterniza. O objetivo desta pesquisa é compreender como Morrison estabelece esse paralelo em seu romance The Bluest Eye (1965): analisar os recursos narrativos usados para construir a identidade negra e a perpetuação do ódio ao negro na cena (afro) americana da década de 40. Sob a luz das teorias de Fanon (2008), Hall (2004) e Bhabha (2001), este trabalho analisa, sobretudo, a personagem Pecola e a ideia de negritude construída nela a partir da narradora-testemunha Claudia.
Palavras-chave: The Bluest Eye,Identidade negra,Narrativa Morrisoniana,Pós-colonialismo, Cena Literária Afro-americana
Oral
IDENTIDADE, NEGRITUDE E SAÚDE MENTAL: NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DE UMA YOUTUBER
ANDERSON MORAES PIRES; Raquel de Souza Xavier
O objetivo desta apresentação é discutir a caracterização da identidade a partir da internalização de processos de autodefinição e individualização, além de analisar a importância dada à saúde mental neste processo, a partir da análise do vídeo “Psicoterapia, minha experiência - ferramentas de autocuidado #1”, publicado por Nátaly Neri, no YouTube. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utiliza o método netnográfico, com apoio de narrativas autobiográficas disponíveis na internet. Por isso, o simpósio temático escolhido foi: “Narrativas negras: imagens (enquanto recurso narrativo), oralidades e palavra escrita”. Observou-se que a narrativa apresentada faz um diálogo entre sujeito e sociedade, encontrando as possíveis barreiras para o adoecimento mental, e que é necessário conceder abertura para que o processo de mudança possa ocorrer.
Palavras-chave: identidade,negritude,saúde mental,netnografia
Oral
LITERATURA E DIÁSPORA: OS DESLOCAMENTOS DE UMA AMERICANAH
LARISSA LACERDA DE SOUSA
O objetivo deste texto é analisar algumas características da obra Americanah (2013) que constroem o caráter de movimento do romance mais recente da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Esse movimento não é configurado apenas pelo deslocamento geográfico, que constitui o pano de fundo do romance, mas também pela desestabilização da noção de identidade, pela mudança de perspectivas das personagens sobre si e sobre o Outro, pela fragilidade dos estereótipos e pelos problemas da homogeneização de grupos. Desse modo, pode-se mostrar, na obra, que aquilo que parece seguro, se revela deslizante. Para isso, este trabalho irá analisar brevemente como o tema da diáspora é apresentado no romance a partir da ideia de “literatura movente” de Braga (2019) e sob à luz das contribuições de Homi Bhabha (1998) sobre o entre-lugar.
Palavras-chave: Americanah, Deslocamento,Entre-lugar
Oral
MARC FERREZ: UMA ANÁLISE DAS FOTOGRAFIAS
SUZANA ALVES DE SOUSA; CÉSAR DE FRANÇA BATISTA
O artigo tem por finalidade analisar as imagens do fotógrafo Marc Ferrez, refletindo os discursos presentes nessas produções. O fotógrafo produziu imagens de pessoas escravizadas de uma maneira “apaziguada” através de um olhar da supremacia branca. Sendo assim, questionar como esses negros escravizados se colocaram como sujeitos nessas fotografias, se torna necessário para reeducar nosso olhar perante essas ilustrações. O objetivo é perceber-los como sujeitos históricos, que deixaram seus rastros na história. O “olhar retornado” dos escravizados que aparecem nessas produções possibilita pensar sobre suas vivências e vontades. Portanto, pretende-se propiciar ao leitor uma criticidade no olhar sobre as representações feita desses escravizados, não se prendendo apenas no interesse do fotógrafo, mas perceber a humanidade desses indivíduos.
Palavras-chave: História,Fotografia,Marc Ferrez
Oral
MULHERES NEGRAS NA UNIVERSIDADE: A contribuição dos círculos de leituras para a formação de leitores e mediadores literários.
JÚLIA VITÓRIA MENEZES BEZERRA; Mayara Benevenuto Duarte
Vivemos em tempos de pluralidade e de quebra de paradigmas. Movimentos crescentes, liderados por minorias historicamente invisibilizados, vêm ganhando espaço e mostrando a urgente necessidade de ressignificar padrões comportamentais e estéticos. Por muito tempo o negro sempre fora colocado a margem do mundo literário sendo pouco representado na literatura Brasileira e mundial. Dessa forma, essa produção parte da experiência de participação em um Círculo de leitura de autoras negras da UFCG, Campus de Cajazeiras-PB. E tem como objetivo relatar a importância de romper com a estrutura de só ler autores homens ou brancos, como também desesteriotipar a ideia do negro e da África como um continente pobre. Para tanto, utilizaremos uma pesquisa básica, de abordagem qualitativa e um levantamento bibliográfico.
Palavras-chave: Literatura,Autoras,Padrões
Oral
O IMPACTO DA CINEMATOGRAFIA NEGRA EM AÇÕES ANTIRRACISTAS EM PROJETO DE ENSINO E EXTENSÃO
LEONARDO SOUZA DE ANDRADE; Josefa Nayane Medeiros Lima
No Projeto de Ensino e Extensão ‘Curso Pré-Vestibular Paulo Freire’, desenvolvido pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, que tem como objetivo geral promover o acesso democrático a alunos de escola pública à Universidade, a luta antirracista também é um ponto valorizado como educativo e cidadão. Por meio de um dos quadros do projeto, o ‘CINE PF’, é aberta a discussão de filmes de cunho social, onde os alunos possam refletir sobre as diferentes nuances de opressão na sociedade - como o racismo, por meio dos filmes 12 Anos de Escravidão, Estrelas Além do Tempo, etc. -, enquanto são estimuladas a praticar redações dissertativas argumentativas que lhes possibilita tanto desenvolver um senso crítico e antirracista, quanto se preparar para uma das provas mais importantes de suas vidas que lhe permite o acesso à Universidade
Palavras-chave: Projeto de Extensão, Antirracismo,Cinema
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O negro como sujeito comunicante: interlocuções acerca da análise midiática da série "Cara Gente Branca"
ACÁCIO MORAIS SILVA
Este ensaio tem por objetivo compreender como os meios de difusão midiática contribuem para uma visibilidade da população negra, a partir de suas vivências. Com isso o estudo terá como sujeito embasador a série intitulada “Cara Gente Branca”, especificamente, uma personagem que utiliza a mídia como aliada na luta contra o racismo. Nesse aspecto iremos analisar os episódios da primeira sessão e enxergar os meios de comunicação como principais condutores dos reflexos cotidianos em que a personagem está inserida, além disso perceber a mídia como uma ferramenta emancipatória dos corpos negros, tendo em vista o poder das falas e as representações que os mesmos possuem. Utilizaremos das noções de discursos, mídia e identidade para compor o estudo teórico da pesquisa.
Palavras-chave: Meios de comunicação,Discursos,Mídia,Identidade,Corpo negro
Oral
O SARAU DA PERIFERIA E O LUGAR DO SENSÍVEL
JAMILA REIS GOMES
O artigo tem como proposta o estudo do espaço urbano a partir das relações imbricadas entre a produção cultural e as narrativas poéticas de experiências negras cotidianas. Um dos objetivos é o estudo dos saraus de poesias produzidos nos bairros populares de Salvador-Ba compreendo o sarau como um espaço que promove elos entre arte e ação política, e como tais práticas culturais vem criando formas que subvertem a lógica hegemônica da produção da cidade contemporânea. Com isso, o entendimento do lugar como locus da reprodução, e de que maneira a arte vem apresentando táticas que permitem por meio dessa interação atribuir outras referências à lugares periféricos da cidade. Nesta perspectiva, busca-se entender como essas narrativas negras criam possibilidades para imaginar e realizar a utopia urbana.
Palavras-chave: arte ,literatura periferica ,sarau de poesia
Oral
OLHOS DA ESCOLA DO CAMPO EM OLHOS D’ÁGUA :O DESAFIO DE LER E FAZER HISTÓRIA
VERONICA DA CUNHA ANDRADE SANTOS
OLHOS DA ESCOLA DO CAMPO EM OLHOS D’ÁGUA :O DESAFIO DE LER E FAZER HISTÓRIA Veronica da Cunha Andrade Santos Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu professoraveronica@hotmail.com O trabalho deseja compor o eixo temático Narrativas negras: imagens (enquanto recurso narrativo), oralidades e palavra escrita, a fim de apresentar a pesquisa realizada na E. M. de Jaceruba. Buscamos compreender o processo de construção de uma roda de leitura semanal realizada com um grupo de alunos do 9º ano na disciplina língua portuguesa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa (BONI e QUARESMA, 2005) que analisou a percepção dos alunas frente ao encontro com o livro Olhos d’água-Conceição Evaristo. Assim, compreendemos que o impacto extramuro entrelaçou-se com o conceito de escrevivência cunhado por Evaristo, culminando na seleção para a antologia Mulheres do ler.
Palavras-chave: mulher preta,EDUCAÇÃO DO CAMPO,ESCREVIVÊNCIA
Oral
OS USOS DA RAIVA EM "O OLHO MAIS AZUL", DE TONI MORRISON.
SARA MARIA SILVA DE OLIVEIRA; LUANA ANTUNES COSTA
Este trabalho tem como objetivo construir um diálogo sobre uma análise crítico-literária da obra O olho mais azul, da intelectual afro-estadunidense Toni Morrison, a partir da concepção de “raiva” proposta por Audre Lorde (2019) como um fator essencial para a negação do mundo branco. Nosso referencial teórico é comporto por contribuições de Lorde (2019) e Collins (2009), trabalho inscrito no Simpósio Temático “Narrativas negras: imagens (enquanto recurso narrativo) oralidades e palavra escrita. A partir da análise, podemos notar que o sentimento raiva não é apenas uma maneira que meninas negras têm encontrado para reagir frente ao racismo, mas também um sentimento autêntico. A raiva se torna um fator humanizador vida das personagens além de ser a faísca capaz de desmantelar as imagens de controle rumo à possibilidade de auto definição.
Palavras-chave: Toni Morrison, O olho mais azul, Literatura negra norte-americana, Racismo
Oral
PARTILHAS EPISTÊMICAS ENTRE STELA DO PATROCÍNIO E D. ZÔI
ANA CAROLINA PEDROSA PONTES
Ana Carolina Pedrosa Pontes, ILUFBA, anapedrosap@gmail. A pesquisa de doutorado em literatura comparada, se estabelece entre as narrativas de Stela do Patrocínio e D. Zôi, poetas, mulheres negras e em situação de sofrimento mental. A poesia se delineia enquanto recurso na composição de possibilidades e modos de existir frente ao sofrimento. As diferencia não só o momento histórico sociocultural e a territorialidade, mas sobretudo as condições de acolhimento e cuidado estabelecido à situação de sofrimento. Patrocínio esteve internada em manicômio durante 30 anos e D. Zôi tem apoio antimanicomial, encontrando também no culto aos Orixás agenciamento de vida. A pesquisa se afirma entre os campos da saúde mental antimanicomial a partir de uma perspectiva racial, as linguagens artísticas enquanto re-existências e as tecnologias ancestrais.
Palavras-chave: D. Zôi,Stela do Patrocínio,linguagens artísticas,tecnologias ancestrais,saúde mental antimanicomial
Oral
PRODUÇÃO PRETA PARA CRIANÇAS: O PROJETO IPADE DUDU NI ILÊ NA LUTA ANTIRRACISTA
MARIA LUCIVANIA DE LIMA BARBOSA
Pensar a produção de trabalhos artísticos para crianças negras, é uma necessidade urgente, sobretudo na região do Cariri, em que há uma efervescência de ações artísticas para o público infantil, mas com poucas iniciativas continuadas com enfoque sobre a negritude. Essa necessidade, possibilitou que durante a pandemia, três artistas/professoras/negras do Cariri, criassem o projeto “Ipade Dudu Ni Ilê”-Encontro Preto em Casa. O projeto propõe que, semanalmente, sejam divulgadas histórias sobre negritudes, para o público infantil, através das plataformas do YouTube e do instagram. A abordagem discursiva a respeito desse trabalho focalizará nos intercruzamentos que essa prática tem produzido do ponto de vista tanto da produção como da recepção e as problematizações relacionadas ao engajamento dessa ação na luta antirracista.
Palavras-chave: produção artística, contos pretos, crianças
Oral
REFLEXÕES ACERCA DA LEITURA DE AUTORAS AFRO-BRASILEIRAS NAS ESCOLAS
MARLYSSON AERTON DE OLIVEIRA; Júlia Vitória Menezes Bezerra; Francisco Cleiton Limeira de Sousa
O racismo está presente em diversas esferas sociais como na escola, ambientes de trabalho e dentre outras. Muitas vezes fechamos os olhos para esse tipo de preconceito: não acontece para quem é branco, então não é importante. Por isso, objetivamos, a) discutir a desigualdade racial e seus reflexos na sociedade; b) repensar as práticas escolares no que diz respeito aos comportamentos étnicos e c) refletir a importância de levar autoras negras para as escolas. Assim, a metodologia desse trabalho terá uma pesquisa básica, de natureza qualitativa elaborado através de um levantamento bibliográfico e caráter exploratório. Para concluir, esperamos que nosso trabalho ajude professores a repensar sobre suas aulas e fazer com que os alunos reflitam sobre valores básicos de convivência.
Palavras-chave: Racismo,negro,ensino
Oral
RESISTÊNCIA ELEVADA A TRÊS: SOBRE SER MULHER NEGRA NO SUL DO PAÍS EM UM CURSO DE EXATAS
WELLEM CHRISTINA COSTA SOUSA
Ser uma estudante negra na graduação em matemática no sul do Brasil é desafiador. O sentimento de incapacidade frente a estrutura hegemônica branca e racista da universidade imposto a todo momento, é sufocante. Porém, como diria Maya Angelou, “Eu me levanto”. Nesta caminhada, venho alguns anos na resistência. Esquivando-me das mais diversas situações racistas que vou compartilhar. Nossas histórias se somam assim como nossas estratégias de resistências. Por inúmeras vezes pensamos em desistir, porém a multiplicação dos sonhos dentro da matemática cresce. Estive em um evento com mulheres negras que são potências na área. no qual possibilitou enxergar novas estratégias de sobrevivência e visualizar futuros possíveis que posso trilhar. A partir daí iniciei o desenvolvimento da pesquisa sobre a visibilidades das mulheres negras nas exatas.
Palavras-chave: mulher negra pesquisadora,resistencia nas exatas,racismo na matematica
Oral
UMA FORÇA QUE NOS ALERTA: A CONSTRUÇÃO REPRESENTATIVA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NEGRA NO CONTO MARIA, DE CONCEIÇÃO EVARISTO
MARCOS GABRIEL DE OLIVEIRA LIMA; GABRIELA RÉGIA DE OLIVEIRA LIMA
A presente proposta tem como objetivo discutir as perspectivas da construção de identidade da figura feminina negra, cuja formação perpassa por experiências históricas opressoras. Tais experiências frustram a formação e o reconhecimento íntegro da mulher negra no tempo e espaço. A discussão, que integra o ST 07: Narrativas negras: imagens (enquanto recurso narrativo), oralidades e palavra escrita, emerge das reflexões do conto “Maria” (Olhos d'água - 2014), de autoria de Conceição Evaristo. À luz do método da escrevivência, a expoente da literatura afro-brasileira intitula a escrita que afirma o corpo e a vivência negra no país. A fundamentação deste trabalho debruçar-se-á nos referenciais de Estudos Culturais; perspectivas antirracistas e feministas. E-mail: marcos.gabriel@aluno.ufca.edu.br; gabriela.regia.oliveira06@aluno.ifce.edu.br
Palavras-chave: identidade, literatura,afro-brasileira,escrevivência
Oral
“AINDA QUE TENTEM TE CALAR, NÃO DESISTE”: A POESIA RESISTÊNCIA, DECOLONIAL E IDENTITÁRIA DE MEL DUARTE
MARIA DO CARMO MOREIRA DE CARVALHO
RESUMO: A presente pesquisa versifica acerca do poema de Mel Duarte, Não desiste (2016), o qual propõe a exaltação da mulher negra e afirmação do cunho identitário, verticalizando elementos de matriz africana. Se justifica, pois, pela relevância em se discutir as inquietações referidas a estas mulheres, no que tange ao âmbito acadêmico e ao social. O objetivo trata de analisar como a autora busca reconstruir um espaço de denúncia e, ao mesmo tempo, de pertencimento, visto que a mulher negra está condicionada à cultura do embranquecimento e à massiva violentação de seus traços e seus direitos como cidadã. Com isso, utilizou-se do método de pesquisa bibliográfico com o intuito de fomentar a discussão proposta através de estudos de intelectuais negras, como Hooks (2014) e Carneiro (2002).
Palavras-chave: Resistência, identidade, mulher negra
Oral
“DUZU – QUERENÇA”: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL
ANDRESSA ALMEIDA DOS SANTOS ; Cássia da Silva
Resumo A literatura afro-brasileira de autoria feminina desempenha o papel de retratar, a partir de um lugar de fala próprio, a realidade dessa minoria social a partir de suas experiências quanto sujeito que são atravessados por opressões de gênero, raça e classe. Compreendemos que mesmo obras fictícias se relacionam com o senso comum vigente, corroborando para a efetivação de uma consciência coletiva. Por isso propomos aqui relacionar a teoria interseccional ao conto literário Duzu-Querença, presente no livro Olhos d’água (2014), de Conceição Evaristo. Para isso, autores como Ribeiro (2017) e Akotirene (2019) embasam as discussões sobre a temática da interseccionalidade e contribuem para evidenciarmos, a partir do enredo do referido conto, como ocorrem as várias formas de violência que o corpo da mulher negra está sujeito.
Palavras-chave: Mulher negra Literatura afro-brasileira, interseccionalidade, raça, gênero.
Oral
Palavras-chave: Pandemia, População Negra, Desigualdade Social, Exceção
Oral
A LEGALIDADE BRASILEIRA COMO MEIO LEGITIMADOR DO BIOPODER E NECROPOLÍTICA.
ANDREZA STEWART DUARTE FERREIRA; FRANCISCA ANDREA BRITO FURTADO
Ao analisar a política de segurança no Brasil, percebemos a raça como fator determinante para compreensão do Direito e de seus atravessamentos em relação corpos negros. Embora formalmente a justiça brasileira pregue a igualdade e o direito à vida, essa mesma justiça faz com que muitos cidadãos sejam legitimados para a morte através de perspectivas raciais estruturadas no cotidiano. A violência colonial e exclusão da população negra no Brasil limita o acesso desta ao acúmulo de capital social, econômico e cultural, e a deixa vulnerável, tornando-a alvo principal das violências impelidas pelo Estado. Pretendemos através dessa pesquisa entender como as normas legais atuam na marginalização e criminalização dos modos de vida da população negra.
Oral
A MULHER NEGRA SOB A ÉGIDE DO DIREITO: DESMISTIFICANDO A HOMOGENEIDADE NOS TEMPOS ATUAIS
KAIO EMANUEL DE SOUSA SILVA
Na atualidade, as desigualdades de gênero têm cor e características específicas, mulheres negras, por exemplo, estão na linha de frente quando o assunto é falta de políticas públicas, violência institucional e doméstica. Este trabalho, mediante o método hipotético dedutivo, à partir de uma pesquisa qualitativa, tem como desdobramento a abordagem de temas relacionados à interseccionalidade com que a mulher é tratada dentro dos diversos espaços sociais, seja no trabalho, na universidade ou na política, sob a ótica das legislações específicas destes temas, bem como desmistificar uma suposta homogeneidade da violência contra a mulher. Desta forma, se busca ampliar os horizontes sobre a relação entre a mulher negra, a sociedade e o direito, os entrelaçando e desmistificando.
Palavras-chave: Mulher negra ,Direito ,Interseccionalidade
Oral
A PANDEMIA DA DESIGUALDADE E A ARTICULAÇÃO QUILOMBOLA NA COMUNIDADE DO ARROJADO, RIO GRANDE DO NORTE: DESAFIOS ANTIGOS EM UM QUADRO AGRAVADO
ISAMARA DA SILVA MARINHO
O trabalho busca refletir a articulação da comunidade quilombola do Arrojado – Rio Grande do Norte, no período de pandemia da Covid – 19. O objetivo é analisar o modo de resistência comunitária diante da realidade de negativas de direitos e de políticas públicas já experimentadas, mas num quadro atual de crise sanitária, econômica e política que agravou e desnudou o abandono estatal dos povos quilombolas. Percebeu-se que existem dificuldades no acesso aos programas governamentais (quando há). O tema é fruto de pesquisas realizadas no projeto de extensão Direito e História: Comunidades Quilombolas, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo de caso, com método dialético e abordagem qualitativa, destinado ao simpósio temático Justiça Racial e Movimentos Negros na luta por Direitos.
Oral
A REVOLTA DOS MALÊS: ARTICULAÇÃO NEGRA COMO FATOR DE RESISTÊNCIA
LUÍS EDUARDO BORGES PEREIRA; MARIA BRUNA LEITE ROCHA
A Revolta dos Malês foi uma das principais articulações negra abolicionista no Brasil Imperial. Este trabalho objetiva fazer uma análise deste evento na conquista de direitos e na construção de uma narrativa simbólica de resistência para escravizados, examinando as influências do haitianismo, bem como seu reflexo na legislação do período, por meio de uma pesquisa qualitativa e procedimento de revisão bibliográfica. Os resultados mostraram que, embora não tenha havido uma conquista de direitos no âmbito legal e toda uma legislação penal tenha sido produzida para conter as insurreições escravas, o fato serviu como potencializador de uma história de resistência. Conclui-se então que tal legislação retrata o medo e a insegurança da aristocracia e o uso do poder estatal contra uma organização política negra de resistência à escravidão.
Palavras-chave: Revolta dos Malês, Escravizados,Legislação penal,Resistência
Oral
ABOLICIONISMO E DIREITOS HUMANOS: A LUTA ESCRAVISTA COMO MATRIZ DE PRERROGATIVAS FUNDAMENTAIS
LUANA DE ANDRADE OLIVEIRA; VITOR VALDEIR ALENCAR SOUSA
Historicamente, o surgimento dos Direitos Fundamentais foi dissociado das dinâmicas escravagistas. O presente trabalho visa examinar os movimentos abolicionistas no Brasil enquanto processos precursores do que hoje se entende como Direitos Humanos. Para a execução do trabalho adota-se uma abordagem qualitativa, com objetivos explicativos e procedimento de pesquisa bibliográfica, de modo a compreender o lapso existente entre a gênese do Direitos Humanos e suas instituições no século XX. A desvalorização do abolicionismo — eminente sustentáculo desse avanço — revela a profunda marca do racismo na estruturação da narrativa histórica dos direitos até hoje. Em suma, a luta pelos Direitos Humanos é contemporânea à luta abolicionista, e as dinâmicas de hostilidade racial se edificaram em instituições sociais de alicerces paradoxais.
Palavras-chave: Movimentos abolicionistas,Direitos humanos,instituições sociais
Oral
DE DOMITILA BARRIOS DE CHUNGARA A CAROLINA MARIA DE JESUS: VOZES DA PERIFERIA DO CAPITALISMO PARA CONSTRUÇÃO DE UMA AMÉRICA LATINA DECOLONIAL
WESLEY SILVA DOS SANTOS; DJAMIRO FERREIRA ACIPRESTE SOBRINHO
O presente trabalho pretende trazer à baila as narrativas de duas importantes mulheres, uma boliviana, operária, e a outra uma mulher negra, lavadeira, que denuncia em seus escritos à face mais cruel de um estado racista/genocida. Suas narrativas são fundamentais para entender os processos de opressão e a necessidade de refundação de um Estado sob a ótica dos povos que nele coabitam e que a partir de suas vivências pode contribuir para refundar um novo Estado constitucional em uma verdadeira democracia racial. Apoia-se o trabalho nas vigas da teoria decolonial constitucional latino-americana. Utiliza-se método histórico-dialético e da metodologia de analise das obras de Domitila e Carolina e dos teóricos da via decolonial. Serão discutidos as obras de ambas e como elas são importantes para o novo processo que está em curso.
Palavras-chave: Periferia,Decolonial,America Latina,Racial,Capitalismo
Oral
DIREITO E ESCRAVIDÃO: SISTEMA JURÍDICO ESCRAVISTA VERSUS MOVIMENTOS ABOLICIONISTAS NOS SÉCULOS XVIII E XIX, NO BRASIL.
LEANDRO FERNANDES; Ana Karoline de Sousa Pereira Lima
Fundamentando a relevância dos movimentos antiescravistas e a condição jurídica do escravo no Brasil Colonial e Imperial, o exposto trabalho procura relacionar através da Conjuração Baiana e a Revolta dos Malês, quais os motivos que proporcionaram a relação da escravidão com o direito e as razões pelas quais estas manifestações emergiram em pleno século XVIII e XIX a fim de que este último fator pudesse proporcionar uma justiça social e uma igualdade racial. Esta temática foi desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica e admitiu compreender o quanto a ciência jurídica consentiu perante a condição escravocrata no Brasil e, igualmente, a significância destes movimentos para abolir tais situações. Portanto, impulsionar a pesquisa acerca deste tema é essencial para entender a intrínseca e estranha relação do direito com a escravidão.
Palavras-chave: Direito, Escravo, Movimentos Abolicionistas
Oral
DIVERSIDADE ÉTNICO- RACIAL E O MERCADO DE TRABALHO, MERITOCRACIA PRA QUEM?
FRANCISCA JANIELE FELIPE FEITOSA
Estudos apontam que no Brasil os negros estudam, ganham e vivem menos que os brancos, sendo a questão racial fator determinante da desigualdade no País. Segundo dados (IBGE,2018) , naquele ano apenas 29,9% dos cargos gerenciais eram ocupados por pretos ou pardos, enquanto 68,6% são ocupados por brancos, já na força de trabalho desocupada ou subutilizada, os negros são maioria, chegando a 54,9% em detrimento de 43,9% dos brancos. (RIBEIRO 2019) diz que racismo é também uma empresa ter 90% dos funcionários brancos, chegar nos espaços e não ter pessoas negras, ou apenas em lugares de subalternidade. É necessário refletir sobre a predominância do racismo estrutural unido ao mito da meritocracia, pois cor e classe social em sua maioria ainda se sobressaem ao merecimento, desta forma o esforço por si só ainda não supera as engrenagens sociais.
Oral
DO MAIS ESTADO PENAL AO MENOS ESTADO SOCIAL
CRISTHIANE LINS BEZERRA DE ALMEIDA
Este estudo é uma análise teórico-conceitual baseada na obra de Loïc Wacquant "Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos". O presente trabalho tem por objetivo explicar a passagem do “Estado Social ao Estado Penal” nos Estados Unidos, elucidando quem são os “clientes naturais” dessa nova política de gestão da miséria. Tem ainda por propósito mostrar como, a partir da década de 70, sob a hegemonia do neoliberalismo, o desengajamento do Estado social fez nascer na América o “mais Estado” policial e penitenciário, fazendo as próprias vezes de política social. Finalmente, afirmar que os mecanismos adotados pela política do “tudo penal”, em especial a prisão, nada mais são do que processos sócio-políticos de segregação, localização e ostracismo das categorias deserdadas, principalmente as categoriais racializadas.
Oral
ENCARCERAMENTO FEMININO NO CARIRI CEARENSE
SUSANA DAINARA TERTO DE OLIVEIRA; Zuleide Fernandes de Queiroz
Este trabalho vem sendo desenvolvido desde o ano de 2018 a partir do projeto “Quem são as detentas? Vida, formação, profissionalização e encarceramento feminino” sob orientação da Prof.ª Dr.ª Zuleide Fernandes de Queiroz. O projeto tem como objetivo alcançar a compreensão sobre as prisões femininas no Cariri Cearense, sobre o perfil dessas mulheres que se encontram encarceradas nos centros prisionais da região e problematizar o feminismo intersecional, partindo de uma problematização afrocêntrica a partir da perspectiva intersecional sobre a discriminação de raça e gênero (CRENSHAW, 2002), complementadas com fontes documentais e dados estatísticos.
Palavras-chave: Encarceramento feminino,Intersecional,Discriminação
Oral
EPISTEMICÍDIO E A QUESTÃO RACIAL
MILENA OLIVEIRA PIRES
Historicamente, denominou-se o indivíduo como ser dotado da faculdade de razão (capacidade de raciocínio) atrelando-se, então, as mais diversas formas de produção e transmissão de conhecimento. Entretanto, o pensamento ocidental gerou um mecanismo excludente no qual não-europeus são tidos como irrelevantes, ou seja, toda e qualquer manifestação advinda desses povos é tida como ilegítima. Para nos determos um pouco mais sobre, utilizaremos como principal referencial teórico o autor Boaventura de Sousa Santos (1940-) o qual formulou o termo "epistemicídio" para explicar o processo no qual os negros são subalternizados e silenciados de forma que sua racionalidade, cultura e civilização, sobretudo, sua epistemologia é negada diante do que é universalmente aceito. Por fim, visamos elucidar a importância de se combater a injustiça epistêmica.
Palavras-chave: Epistemicídio, Questão Racial,Injustiça Epistêmica
Oral
FALANDO COM MULHERES MÃES DE CRIANÇAS COM ANEMIA FALCIFORME: UM COTIDIANO DE LUTAS E CUIDADOS
ULIANA GOMES DA SILVA ; Mònica Franch
Esse trabalho apresenta reflexões antropológicas sobre como as mulheres mães de crianças acometidas pela Anemia Falciforme (AF), (re)constroem seu cotidiano com a descoberta da doença do\a filho\a. Tomam como ponto de partida o trabalho de dissertação (PPGA/UFPB) concluído em 2018. Que buscou compreender antropologicamente de que modo as mulheres mães de crianças com AF vivenciam a experiência do adoecimento dos\as filhos\as, assim como constroem as estratégias de cuidado e os desafios que enfrentam. Bem como compreender como as lutas do movimento negro contribuíram para a Politica de saúde voltada para este publico. A busca pelo tratamento, assistência e respeito das pessoas com AF constitui um cenário marcado por lutas históricas, desafios e sofrimentos dos envolvidos.
Oral
INJÚRIA RACIAL X RACISMO: A LEI QUE SABOTA A LEI
NATALIA VIANA NOGUEIRA; JANICE ALVES TRAJANO; LUYSA GABRIELLY ARAÚJO MORAIS
O Código Penal brasileiro traz em seu texto, no art. 140, a previsão do crime de injúria, que pode ser qualificada quando cometida mediante a utilização de elementos referentes a raça, cor, religião e origem. Outro instrumento, a lei nº 7.716/89, também conhecida como Lei do Crime de Racismo, prevê uma série de crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Estudiosos da seara penal afirmam que é plenamente possível a distinção dos crimes e de qual legislação deve ser utilizada de acordo com o caso concreto. No entanto, o que de fato ocorre é que, no país que mais mata, discrimina e segrega pessoas negras, não existe ninguém preso pelo crime de racismo, sendo todas as práticas criminosas burladas e enquadradas rotineiramente apenas no crime de injúria racial, que em sua penalidade, é muito mais branda que a do crime de racismo.
Palavras-chave: Injúria Racial,Lei do Crime de Racismo,Burla Legal
Oral
JUSTIÇA RACIAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL: A SOCIEDADE COMO ENTE RESPONSÁVEL POR SUA HISTÓRIA
RAIMUNDO SÉRGIO QUEIROZ DA SILVA; Cristovão Teixeira Rodrigues Silva
O debate público sobre justiça racial ainda é guiado por argumentos e conceitos inadequados, sanear o quadro dessa discussão é de importância ímpar. Este trabalho tem como objetivo descrever e desenvolver os argumentos usados nas discussões sobre justiça racial. Através da análise bibliográfica de autores como Aristóteles e Silvio Almeida procuramos deduzir qualitativamente os principais conceitos que pautam a discussão sobre responsabilidade social e justiça racial. Encontramos no âmago da questão a noção de instituições sociais, pois estas expressam a continuidade de tradições, costumes e cultura e fundamentam a autoimagem da sociedade, consequentemente perpetuam o racismo e injustiças raciais dentro de sua estrutura. É na compreensão de que a sociedade liberal não está ligada à sua história que reside o maior entrave à justiça racial.
Palavras-chave: racismo estrutural,responsabilidade social,justiça racial,Aristóteles,Silvio Almeida
Oral
JUSTIÇA SOCIAL AFRODIASPÓRICA: A LUTA DO GRUPO DE VALORIZAÇÃO NEGRA DO CARIRI PELO BEM VIVER
LIVIA MARIA NASCIMENTO SILVA; Tiago Alexandre dos Santos; Zuleide Fernandes Querioz
O Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC) atua há mais de 20 anos na região do Cariri-CE e tem como principal objetivo desenvolver estratégias que visam à promoção da igualdade étnica/racial, partindo de uma percepção holística e centrada no Bem Viver. O Grupo tem atuado em rede, estabelecendo diálogos e construindo narrativas junto a vários outros Movimentos - de Catadores, Agricultores, LGBTTQI, Mulheres, Sindicatos - sob a égide de como a construção social da raça diz respeito/organiza toda “ordem” existente e que, portanto, o compromisso da luta anti-racista perpassa todos os outros Movimentos. Nesse sentido, objetiva-se neste estudo apresentar como a atuação do GRUNEC tonifica um novo saber, como uma genealogia, uma proposta para transformar a vida a partir de um olhar integral, efetivando uma justiça social afrodiaspórica.
Palavras-chave: Bem Viver,Grupo de Varolização Negra do Cariri,Justiça social afrodiaspórica
Oral
MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA: TRÁFICO INTERNACIONAL DE MULHERES NEGRAS PARA FINS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
VITORIA ALMEIDA SANTOS; Maria das Graças Mendes da Silva
O tráfico de pessoas trata-se da mercantilização e a coisificação do homem realizada por outro semelhante. Em especial, o tráfico de mulheres para exploração sexual gera aos traficantes alta rentabilidade e por trás disso há grandes organizações criminosas de caráter transnacional. As vítimas em sua maioria provêm de países menos desenvolvidas e encontram-se em grupos de vulnerabilidade. As mulheres negras de acordo com os dados representam boa parte das mulheres traficadas, tal fato liga o estereótipo da mulher negra a um objeto sexual. O mercado humano é a escravidão do século XXI, diversos institutos legais nacionais e internacionais dispõem para o combate. Entretanto, faz-se necessário a luta para a real efetivação desses direitos e a colaboração no âmbito internacional, com isso será possível prevenir, reprimir e punir tais atos.
Palavras-chave: : Direitos Humanos,Tráfico Humano, Mulheres Negras
Oral
MOVIMENTO NEGRO CEARENSE: FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE NEGRA A PARTIR DAS AÇÕES ANTIRRACISTAS
GEYSE ANNE SOUZA DA SILVA; PROF.ª DR.ª ELIANE COSTA SANTOS
Este resumo da pesquisa em andamento, proposta para o ST Justiça Racial e Movimentos Negros na luta por Direitos, tem como objetivo geral contextualizar a história e as lutas do movimento negro no Brasil com um olhar especial para o Ceará, de forma a compreender as dimensões da negação do racismo na vida social, econômica, afetiva da população negra cearense e os impactos para o desenvolvimento da sociedade. A metodologia de desenvolvimento da pesquisa está sendo por meio de entrevistas com 5 (cinco) militantes do movimento negro, na perspectiva de analisar como as ações antirracistas contribuem para o fortalecimento da identidade da população negra no Ceará.
Palavras-chave: Justiça racial, movimento negro,sociedade cearense
Oral
MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS NO BRASIL E PRODUÇÃO DE SABERES EMANCIPATÓRIOS
CRISTINA LOPES DA SILVA
A pesquisa, a ser apresentada no ST 08, visa identificar as relações que se estabelecem entre o Movimento Social Negro e a produção e sistematização de saberes a partir das lutas contra o racismo em distintas dimensões. Se alicerça sobre a afirmação de que este movimento social tem se constituído como sujeito fundamental na contestação do mito da democracia racial e da interpelação do Estado Brasileiro no que diz respeito aos direitos da população negra. Para dar conta do objetivo utiliza a pesquisa bibliográfica e documental e o recorte temporal de 1970 a 2020. Como resultado vimos que os saberes emancipatórios, além de reverberarem na construção identitária positiva de negras e negros, são a base para demanda, elaboração, implementação e monitoramento de políticas públicas que visam corrigir disparidades produzidas pelo racismo.
Palavras-chave: Movimento Negro, Produção de saberes, Luta contra o racismo.
Oral
NOTAS SOBRE A LEI ANTICRIME E O RECRUDESCIMENTO DA SELETIVIDADE PENAL
MACIANA DE FREITAS E SOUZA
Pretende‐se neste trabalho abordar aspectos teóricos sobre o sistema de justiça criminal e o recrudescimento da seletividade penal na realidade brasileira. São apresentados elementos acerca do racismo estrutural, uma abordagem mais geral a respeito da lei Nº 13.964/2019 conhecida como lei Anticrime que promove modificações nas legislações penal e processual penal, seguida de uma síntese do avanço neoliberal na conjuntura nacional e seus rebatimentos no campo dos direitos sociais. Realizou-se levantamento de legislação e de referências sobre o tema, analisados com base no materialismo histórico-dialético. O trabalho também apresenta alguns apontamentos sobre o aumento da violência contra a juventude negra na dinâmica social.
Palavras-chave: Racismo,seletividade penal,justiça criminal
Oral
O DIREITO À AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS E SUA RELAÇÃO COM O MOVIMENTO FEMINISTA NEGRO
VITÓRIA MUNIZ OLIVEIRA; CAMILA CARARO TONKELSKI
As mulheres negras são vítimas da opressão de gênero e da opressão racial. Apesar disso, ainda são titulares de Direitos Humanos, direitos estes garantidos indistintamente a todos os seres humanos em âmbito internacional. A partir da presente pesquisa, buscar-se-á estabelecer uma relação entre o conceito do direito à autodeterminação dos povos, direito humano de terceira dimensão e o Movimento Feminista Negro. Como metodologia, será feita uma revisão bibliográfica de textos e livros que tratam do tema dos Direitos Humanos e Feminismo Negro, dando especial atenção ao artigo intitulado “Mulheres em Movimento”, de Sueli Carneiro (2003). Espera-se que a presente pesquisa contribua para o movimento de mulheres negras no que refere à efetivação dos seus Direitos Humanos, especialmente, no que tange à autodeterminação dos povos.
Palavras-chave: Feminismo Negro, Direitos Humanos, Autodeterminação dos povos
Oral
RACISMO E PRECONCEITO: ENTENDENDO A CRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA NO BRASIL
ÂNGELA NASCIMENTO FARIAS
No presente trabalho faz-se um breve histórico sobre o processo da criminalização da maconha no Brasil com o objetivo de descortinar os discursos por trás da criminalização que se fundamentaram a partir de estudos médicos os quais apontavam riscos ao uso da maconha como: loucura, violência e práticas criminosas, quando, na verdade, tinham mais caráter sanitário do que criminal estritamente ligado ao consumo da maconha pela população pobre, negra e marginalizada no país. Utilizou-se de uma revisão bibliográfica encontrada em livros, teses, dissertações e artigos que deram suporte ao tema. O resultado da pesquisa fornece reflexões importantes acerca do racismo amplamente difundido como elemento central na história da proibição da erva no país visivelmente escancarado nas leis, consolidando um estigma ao uso da planta e aos seus usuários.
Palavras-chave: proibicionismo,criminalização , controvérsias, maconha, racismo
Oral
RACISMO ESTRUTURAL NA PANDEMIA DA COVID-19: LETALIDADE DE GESTANTES NEGRAS COMPARADO COM GESTANTES BRANCAS.
ANTONIO CARLOS SILVA DO NASCIMENTO FILHO; Tatiana de Fátima Monteiro Silva; Patricia Maria de Albuquerque Brayner
No Brasil já foi notificado 974 casos de gestantes e puérperas infectadas e destas, mais de 200 faleceram decorrente de complicações da doença. Desse número, a letalidade afetou de forma diferente as mulheres negras, com um valor de 17% contra 8,9% de mulheres brancas. Foi feito uma revisão da literatura usando os descritores “covid-19”, “pregnant” e “Brazil”, onde foram encontrados 26 artigos e destes, 6 foram utilizados dentro da pesquisa.Dados mostraram que as gestantes negras tinham mais complicações como dispneia e piores índices de saturação, além de uma maior dificuldade de acesso aos leitos de UTI, intubação e à ventilação mecânica. Isso decorre da dificuldade da população negra de acesso aos serviços de saúde, dificuldade em fazer medidas de prevenção, como acesso a máscaras, álcool 70% e distanciamento social.
Palavras-chave: Gestante,covid-19,racismo,saúde,obstetrícia
Oral
SAÚDE E JUSTIÇA: PARA QUEM SERVE?
RAQUEL DE SOUZA XAVIER; ANDERSON MORAES PIRES
Ao discutir sobre o consumo de drogas, dois discursos surgem para “sanar” a questão: de um lado, o sistema de justiça, que possui enquanto ferramenta a prisão como representante máximo, e do outro lado, a saúde, com suas variadas instituições, que encontram em Comunidades Terapêuticas ou em Hospitais Psiquiátricas suas maiores discussões. Frente a este impasse, propomos analisar a relação saúde-justiça como aparatos fornecidos por um mesmo sistema de Estado. Para isso, recorremos a uma pesquisa qualitativa com análise documental. Este trabalho vincula-se ao ST 08: Justiça Racial e Movimentos Negros na luta por Direitos. Considera-se que Saúde e Justiça fazem parte de um mesmo sistema colonial, que opera pelo prisma da violência, silenciamento, controle, e extermínio das populações minoritárias, principalmente a população negra-periférica.
Palavras-chave: Saúde,Justiça, Estado,Necropolítica
Oral
ÁGUA, MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE: O CORPO COMO POSSIBILIDADE DE CONEXÃO E CONSTRUÇÃO DE HISTÓRIA NA ENCRUZILHADA DA PERFORMANCE COROAÇÃO DE MARIANA MAIA
ROBERTA PAULA FERREIRA ALEIXO
A performance CoroAção (2019), é o local que nos coloca diante de possibilidades e caminhos. Localizada em uma encruzilhada de referências distintas tensionadas por memória e herança capaz de descentralizar e incutir outros modos de construção temporal e de desierarquização entre mente e corpo, compreendendo-o como um princípio e orientação para construção de saber. CoroAção provoca a reflexão sobre a nossa conexão com as águas, fazendo-nos ATLÂNTICAS e fonte de vida pertencentes a narrativas mitológicas capazes de trazer luz a nossa existência.
Oral
ARTE E DEVOÇÃO POPULAR: A CIRCULAÇÃO DA IMAGEM DE ANASTÁCIA
BERNARDO WAGNER MARQUES BAPTISTA
A devoção à Anastácia, santa do culto popular brasileiro, se inicia em um museu anexo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, no Rio de Janeiro, por proposição de uma irmandade negra. Na década de 1970 este espaço se transforma em um centro de devoção popular, onde devotos vão fazer pedidos e pagar suas promessas junto a uma gravura relacionada à Anastácia, de autoria de um artista viajante do século XIX, que reproduz os castigos coloniais que representam o silenciamento dos escravizados. Nas décadas de 1980, e nos anos subsequentes do fim do século XX, a imagem de Anastácia passa por ressignificações e transita por novos espaços, agenciando movimentos religiosos através da fé. No século XXI um jovem artista carioca propõe uma releitura decolonial, retirando os castigos impostos à representação de Anastácia
Oral
ATIVISMO DECOLONIAL NA PRODUÇÃO DA ARTISTA HARIEL REVIGNET
NUTYELLY CENA DE OLIVEIRA
Este trabalho se propõe apresentar a produção artística desenvolvida pela artista brasileira/gabonesa Hariel Revignet. Será apresentado a trajetória da artista e sua prática artística em diálogo com as abordagens do feminismo negro, pensamento decolonial e as aproximações com as discussões autobiogeográficas. Esta pesquisa objetiva contribuir para repensarmos na trajetória de artistas negras que têm se utilizado dos seus lugares de enunciação em seus trabalhos como possibilidade de ruptura contra as opressões raciais, territoriais e de gênero no sistema das artes.
Oral
INSCRIÇÕES DE NEGRITUDE NOS AUTORRETRATOS DE ZANELE MUHOLI: SALVE A LEOA NEGRA!
EDILVAN MORAES LUNA
Este resumo apresenta um pouco da obra da fotógrafa sul-africana Zanele Muholi, em particular, seus autorretratos presentes no ensaio Somnyama Ngonyama (Salve a Leoa Negra), onde a ativista visual, como prefere ser chamada, discute sobre representações do corpo negro por meio de narrativas imagéticas desconstrucionistas do discurso visual colonial exotizante e eurocêntrico. Na esteira da tradição do autorretrato, Muholi discute sobre negritude a partir da inserção de seu corpo como signo que reflete e refrata sua “experiência de ser negra”, procurando romper com os silêncios que envolvem a opressão e marginalização da mulher negra sul-africana. Por meio de uma leitura semiótica e sociocultural, espero ressaltar como a ativista inscreve novas visualidades no campo da fotografia contemporânea africana e internacional.
Palavras-chave: Apartheid,autorretrato,fotografia,negritude
Oral
LE CARREFOUR DE KOSSI EFOUI: UM EBÓ ARRIADO NA ENCRUZILHADA
DANIEL DE JESUS DOS SANTOS COSTA
Esse resumo, que será apresentado no Simpósio Temático 09 – Arte africana, afro-diaspórica do XI Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra, propõe analisar o texto dramático Le Carrefour (A Encruzilhada) do togolês Kossi Efoui. O texto foi traduzido e encenado pelo Grupo de Pesquisa “Na Classe e em Cena” da Universidade de Brasília, sob coordenação da Profª Dra. Maria da Glória Magalhães dos Reis. Kossi Efoui foi perseguido politicamente em seu país de origem, e desde os anos 90, vive na França. Em 1990, Kossi Efoui escreveu a peça Le Carrefour, que conta a história de quatro personagens que estão numa encruzilhada. A epistemologia do “ebó”, que está centrada nos elementos da cultura afro brasileira, apresenta-se como suporte teórico para entender os caminhos de uma dramaturgia afro-diaspórica.
Oral
O PENSAMENTO POLÍTICO DE AMÍLCAR CABRAL: A REAFRICANIZAÇÃO SOCIOCULTURAL E POLÍTICA COMO ARMA IDEOLÓGICA.
SABRINA MARIA MONTE ; Andre Alcman Oliveira Damasceno; Maria Gabriela Vieira Leite
As lutas contra o colonialismo nos países africanos proporcionaram analisar os conflitos políticos e socioculturais, devido a conjuntura colonial. Desse modo, as investigações acerca da resistência dos africanos e, principalmente, o alcance da independência dos países sob o julgo das autoridades europeias, possibilitaram analisar a firmeza e a segurança que os africanos transmitiram aos líderes políticos. Dessa forma, a pesquisa é um estudo da resistência cultural e política que Amílcar Cabral propagava para a libertação da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, que ocorreu, respectivamente, em 1973 e 1974. Dito isso, a metodologia a ser utilizada é o levantamento bibliográfico das escritas de Amílcar Cabral e de seus comentadores, tendo-se em vista sua reflexão em torno da reafricanização como arma ideológica contra o neocolonialismo.
Palavras-chave: Amílcar Cabral, Cultura, Política, Reafricanização.
Oral
PEDAGOGIAS CULTURAIS, PRÁTICAS ARTÍSTICAS E EXPRESSÕES ANTIRRACISTAS NO BOI TIRA TEIMA DE CARUARU-PE
RIDELMA BARBOSA DE MOURA MINHAQUI; Mário Faria de Carvalho
Refletiremos acerca de expressões culturais que culminam para uma educação antirracista a partir das práticas artísticas do grupo cultural ‘Boi Tira Teima’, de Caruaru-PE. Dispomo-nos a discutir no ST 09 Arte africana, afro-diaspórica, a importância das pedagogias culturais como fortalecimento das relações de cultura necessárias para a expansão dos processos pedagógicos relacionados à construção de práticas que valorizem a diversidade racial e cultural. Refletiremos a interculturalidade enquanto possibilidade de compreensão das diferenças culturais para o reconhecimento da multiculturalidade.
Oral
Pensar a escola como espaço de (trans)formação estética através das artes africanas: diálogos itinerantes
MARLON PROCOPIO MARTINS
Este trabalho consistiu em refletir sobre as contribuições de uma formação estética através das artes africanas para o contexto escolar. Enquanto respaldo ao referido tema, procuramos destacar a importância da lei 10.639/03 como forma de pensarmos estruturas curriculares menos fragmentárias, consonantes com um pensamento estético em que as dimensões relacionadas com a vida se sobressaem aos aspectos formais de uma obra. Com base nos estudos de Silva (2005) e Sousa Santos (2009), concluímos haver necessidade de uma desconstrução de narrativas hegemônicas no contexto escolar, sendo que uma formação estética afro vem contribuir no sentido de esclarecer preconceitos históricos referentes à produção artística tradicional africana, bem como no sentido de construir sensibilidades em um contexto escolar aberto ao diálogo com a diversidade.
Palavras-chave: Formação Estética,Arte Africana/ Artes Africanas,Educação Escolar
Oral
POÉTICAS DA MODERNIDADE AFRICANA NAS IMAGENS DE SEYDOU KEÏTA: CONTRADISCURSOS IMAGÉTICOS NO CAMPO DA FOTOGRAFIA MALINESA.
EDILVAN MORAES LUNA
O resumo apresenta o trabalho do fotógrafo malinês Seydou Keïta, cujas fotos procuram transpor representações imagéticas coloniais sobre povos africanos e inscrever, na gramática visual e representacional sobre a África, uma certa poética da modernidade africana. Por meio de uma análise semiótica e sociocultural, busco ver como tal poética rompe com concepções ocidentais racistas e exotizantes que ainda vigoram no imaginário discursivo europeu. Se apropriando do discurso fotográfico e deslocando a fotografia de uma função discursiva histórico-antropológico-documental para uma função artística, Keïta subverte os discursos colonialistas, proporcionando aos sujeitos fotografados a possibilidade de compor suas próprias narrativas de si, invertendo os dispositivos coloniais em favor de uma África política, cultural e imageticamente autônoma.
Oral
PRÁTICAS CURATORIAIS INSURGENTES: CONSTRUINDO OUTRAS CENTRALIDADES
NUTYELLY CENA DE OLIVEIRA
A presente proposta de pesquisa versa sobre a insurgência de ações promovidas por curadoras engajadas no processo de ocupação de espaços historicamente negligenciados as mesmas. Nos últimos anos é notável que se tem aumentado significativamente uma diversidade de estratégias e ações desenvolvidas por instituições museológicas, mas ainda é preciso sobretudo repesarmos nas estratégias e práticas curatoriais de corpos que se propõem a desmantelar as estruturas canônicas do sistema de arte. Para isso destaco o protagonismo feminino no desenvolvimento de uma curadoria da perspectiva decolonial das mulheres negras e racializadas, refletindo então sobre a intersecção entre as questões e noções de gênero, território e raça.
Oral
REINTEGRAÇÃO DE AFETO
ELIANA BARBOSA DE AMORIM
Recria, em imagens digitais, possíveis desejos que perpassaram os corpos e mentes de mulheres negras submetidas a serem amas de leite e crianças que foram apartadas, registradas em fotografias do século XIX. As imagens recriadas estão atreladas a discussão sobre o desmembramento da família preta, a proibição da existência e manutenção de elos afetivos e do leite de mães escravizadas em alimento para as crianças brancas, submetendo assim as crias das mães negras a mercê da inanição alimentar e sentimental. São imagens utilizadas como mecanismo de Reintegração de Afeto entre famílias preta. É uma discussão através da imagem sobre a grande marca de violência na história da família brasileira, em um estado real, que não atende a imagem da família tradicional brasileira tanto defendida como a única vigente. Simpósio Temático 09. Arte africana.
Oral
Oral
NOTAS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA PSICOLOGIA AFROPERSPECTIVADA YORUBANA
CARLA FERNANDA DE LIMA; Geice Maria Pereira dos Santos
A presente pesquisa visa propor um projeto ético-político, um paradigma, base epistêmica, que lança mão de referenciais não-ocidentais para a compreensão da subjetividade do negro brasileiro, partindo da filosofia Yorubá, que compõe um dos grandes grupos trazidos de África para o Brasil (Ramos, 1940). Através de um estudo sistemático da oralitura Yorubá, visto que a tradição Yorubá, escolheu a oralidade como forma de comunicação, esse trabalho propõe uma Psicologia Afroperspectivada Yorubana. que busque um realinhamento entre os elementos que compõe a personalidade humana: o ori ode (cabeça externa) e ori inù (cabeça interna) (Wolf, 2016), incluindo nessa composição o ori esè (pernas), citado por Abimbola (1971).
Palavras-chave: Psicologia, Afroperspectiva, Filosofia Yorubá
Oral
O NÃO RECONHECIMENTO HUMANO COMO UM ATO DE TRAIÇÃO: UM DIÁLOGO ENTRE FRANTZ FANON E APELIDADO XIS
NILSON LUCAS DIAS GABRIEL
O presente trabalho destina-se à sessão temática Filosofia Africana e afro-brasileira. O objetivo desse trabalho, é refletir acerca da interdição da dialética do reconhecimento, presente em Pele Negra, Máscaras Brancas, como um ato de traição, evidenciado pelo rapper paulistano Apelidado Xis. Sua gênese está na dissertação de mestrado do autor que investigou a concepção de liberdade na obra do psiquiatra martinicano Frantz Fanon. Para tanto, utilizou-se do método progressivo-regressivo sob a ótica existencial, que por meio da correlação intencional, exigiu da subjetividade do pesquisador implicação na objetividade pesquisada. Assim, Sonho Meu, faixa do álbum Fortificando a Desobediência do rapper Xis, torna-se referencial de uma experiência vivida mediada pelo rap nacional em sua tomada de consciência da negritude e seu encontro com Fanon
Palavras-chave: Fanon, Xis,Existencialismo,Rap Nacional,Reconhecimento
Oral
XIRÊ, POTENCIALIDADE ÉTICA: EXPERIMENTO CONCEITUAL AFRICANO-BRASILEIRO PARA CRIAR MUNDOS POSSÍVEIS
BRUNO DE JESUS DA SILVA
Proponho o Xirê, uma palavra iorubá que significa roda, brincadeira, ou dança utilizada para evocação dos Orixás nas religiões de matrizes africanas no Brasil, como potencialidade ética. Intento refletir a partir da filosofia africana e da cosmovisão alicerçada no sistema cultural iorubano, que temos contato nos candomblés. Um experimento conceitual para refletir sobre possíveis transcriações e/ou cruzo de ideias entre o Xirê como ética articulado a mitologia, para apontar possíveis contribuições nas relações interpessoais no reconhecimento de si, e do outro, enquanto sujeitos negros, suas pluralidades enquanto alteridade. Uma abordagem que pode nos ajudar a pensar a contemporaneidade, sobre a vida sobre o mundo na diáspora, para fortalecimento contra hegemônico, mantido pelos mecanismos de controle de corpos negros pelo racismo.
Palavras-chave: Xirê,corpo,filosofia africana,ancestralidade,dança
Oral
Oral
CAVALGARSE – PROCESSO CRIATIVO EM DESDOBRAMENTO DE SI
LÍRIA DE ARAÚJO MORAIS; TÂNIA MELLO NEIVA; LUNA DIAS FERREIRA
Esse texto se trata de uma reflexão a partir de uma experiência de criação artística do solo Cavalgarse, que parte de uma perspectiva autobiográfica para o desdobramento de uma performance. Relata-se aqui a condição de um corpo feminino que enquanto rememora a si, gera um estado de pulsão, reunindo também em sua equipe técnica sujeitas que criam em coletividade, em cumplicidade. Compreender a condição do racismo em sua sutil violência e deixar que isso se desdobre em arte, se torna algo complexo, já que, há sensações veladas que se apresentam nesse processo de autodescoberta. É possível que essas reflexões, e a performance no ato da fruição, reverbere identificações entre sujeitas em condições similares. Escrita proposta por três mulheres implicadas em performar, projetar imagens, sonorizar junto ao processo compositivo.
Oral
CENTRALIDADE NO OLHAR DAS MULHERES NEGRAS: PARADIGMAS PARA UM NOVO MARCO IMAGÉTICO DA NEGRITUDE
PÂMELA MARIANA QUEIROZ SANTANA
O presente trabalho propõe discutir à luz do pensamento de intelectuais negras como Sueli Carneiro (2005), Lélia González (1984), bell hooks (2019) e Grada Kilomba (2019) a centralidade do olhar das mulheres negras para a construção do que se entende ser um novo marco de produções imagéticas do povo negro. Explorando as potências narrativas das interlocuções entre negritude e imagem a fim de disputar narrativas e reconhecer as produções de mulheres negras como paradigmas epistemológicos para os estudos de imagem.
Palavras-chave: Mulheres negras, imagem, narrativas, paradigmas
Oral
CONSERTO EM 5 ATOS: DESCOLONIZANDO A HISTÓRIA BRASILEIRA POR MEIO DA ARTE
GUILHERME MARCONDES DOS SANTOS
Como proposta para o ST 11. Corporeidades negras nas artes da cena e da imagem, parte-se do entendimento de que a colonização e a colonialidade modelam as estruturas da sociedade brasileira e, assim, regem as condutas dos indivíduos, através de mecanismos de apagamento da história africana e afrodiaspórica, propõe-se, então, a análise da produção de cinco artistas visuais negros/as/es brasileiros/as/es, por meio de um trabalho de cada um/a/e. Seus trabalhos são compreendidos como atos que recontam a história nacional no tocante a população negrodescendente, descolonizando o conhecimento sobre o passado, atualizando as lutas do presente e projetando novos futuros. Sendo este trabalho um recorte da pesquisa de pós-doutorado (PNPD/CAPES) em curso, a qual busca compreender os processos de legitimação de artistas negros/as/es no campo da arte.
Palavras-chave: Artistas Negres,Arte Contemporânea,Descolonização,História
Oral
DA PROPRIA PELE, NÃO HÁ QUEM FUJA: O XIRÊ COMO ÉTICA NOS CORPOS NEGROS QUE DANÇAM SUAS DANÇAS.
BRUNO DE JESUS DA SILVA
Apresento o Xirê como ética na dança baseados nas noções de Quilombismo, Negritudes e na perspectiva da Filosofia da Ancestralidade. O Xirê como sabedorias africanas aqui reinventadas e resignificadas, postulam retomadas de valores filosóficos e conversões próprias enquanto sujeitos/artistas negros quando se relaciona uns com os outros, com suas histórias, suas danças, corporeidades e saberes próprios numa perspectiva de reconhecimento da diversidade estéticas de muitas danças negras em diáspora. O Xirê como ética é alicerçada no sistema cultural iorubano, cosmovisões africanas que temos contato nos candomblés. Intento refletir como o corpo negro conhece e gera conhecimento a partir da ancestralidade de suas danças a construir modos de ser e existir enfrentando o racismo que nos lembra que “ da própria pele, não há quem fuja”.
Palavras-chave: Danças negras,xirê,ancestralidade,corpo,candomblé
Oral
DESPIR O OLHAR OCIDENTAL PARA VESTIR O CORPO NEGRO
CARLA APARECIDA DA COSTA
Este artigo apresenta alguns aspectos e características no traje de cena do personagem negro e revela as multiplicidades identitárias dentro da noção de Teatro Negro no Brasil. Por se tratar de um conceito em aberto, a definição de Teatro Negro aqui apresentada está alinhada com a percepção de alguns teóricos do teatro e estudiosos do assunto. Nosso objetivo é mostrar a revolução vestuário do personagem negro nos palcos do teatro contemporâneo após séculos vivenciando personagens em papeis estigmatizados e arquétipos de subalternidades. As imagens das novas narrativas nos mostram que o personagem negro vem nas últimas décadas despindo o olhar preconceituoso de quem o via e vestia. A partir de novas perspectivas de espetáculos em que o protagonismo se volta para o personagem negro, buscamos refletir sobre o vestir desses corpos.
Palavras-chave: Corpo Negro, Vestir a Cena, Teatro Negro,figurino
Oral
ENEGRECENDO (NORDESTINOS) OLHARES: A FOTOGRAFIA DE JOSÉ EZELINO DA COSTA E A LITERATURA DE MARIA FIRMINA DOS REIS
RUBENS VENÂNCIO
Essa proposta discute o entrecruzamento de olhares sobre o negro a partir da vasta obra em retrato do primeiro negro fotógrafo do sertão do Seridó (RN), na primeira metade do século XX, e a partir de “Úrsula”, primeiro romance publicado por uma escritora negra brasileira no final do século XIX. Em um contexto sociocultural permeado pelo predomomínio de uma elite branca e escravocrata e na contramão de representações subalternizadas do negro, o potiguar José Ezelino retratou sua família sem criar distinções com as famílias brancas que fotografava; e a maranhense Maria Firmina, que apresentou um Brasil colonial sob o ponto de vista de narradora(e)s negr(a)s. Como histórias-corpos se expressão pela imagem e pela palavra? Como recordar a história a partir de narrativas contra-hegemônicas?
Palavras-chave: fotografia,negro,retrato
Oral
MULHERES NEGRAS NA CORDA BAMBA DO RACISMO
HELOISA TEOTÔNIA BOSCO DE ANDRADE; Bruno de Sena Marçal; Ridalvo Félix de Araujo
É evidente a falta de conteúdos sobre a trajetória do negro na história das Artes Circenses. Essa ausência se desvela porque nesse universo, os negros também são invisibilizados, ou seja, as matrizes negras de muitas práticas circenses não são reconhecidas e, portanto, negadas. Zoalinde Santana, mulher negra, multi artista, mais conhecida como a Matriarca do Circo, é mais um exemplo do que o racismo estrutural pode fazer, ao negar sua existência na História do Circo. Essa investigação tem se desvelado de suma importância, na medida em que, na revisão da literatura sobre as Artes Circenses, a presença e protagonismo da mulher negra ainda é silenciada. Portanto, nosso trabalho busca dar visibilidade a existência da grande artista Zoalinde na História do Circo no Brasil.
Oral
NARRATIVAS DRAMÁTICAS DOS CORPOS NEGROS ANÔNIMOS DANÇANDO NA RUA
FLÁVIO CARDOSO DOS SANTOS JUNIOR ; Luís Vitor Castro Júnior; Ana Rita Queiroz Ferraz
Trata-se de um vídeo que “viralizou” na grande rede, através do Youtube , no ano de 2013. Ao som da música “Vai no Cavalinho” um casal, sem perceber a filmagem, dança protagonizando uma performance teatral que expressa enunciados emergentes das diversas experiências sensíveis de seus corpos. O estudo buscou identificar e analisar os diferentes saberes e potências estéticas ali presentes, bem como decodificar a linguagem corporal subjacente no audiovisual. Para tal tarefa investida, usou-se o programa Fraps que possibilitou fotografar o vídeo. No “palco-rua”, ocorrem vivências inusitadas, fugais e imprevisíveis dos dançarinos que não se rendem às imposições da indústria musical colocada para controlar o gosto sonoro, o gesto e as formas rítmicas da dança e, por isso, produzem instintivamente gestos diferentes dos impostos hegemonicamente.
Palavras-chave: Narrativas Dramáticas, Corpo Negro, Teatralidade, Anonimato, Cena Urbana.
Oral
NEGRITUDE E REPRESENTAÇÃO: UMA ANÁLISE DE PESSOAS NEGRAS NAS TELENOVELAS BRASILEIRAS À LUZ DO MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO
IVAN GABRIEL SOUSA FEIJÓ; AMANDA BIASI CALLEGARI
A primeira telenovela brasileira foi exibida em 1951. Desde então, outras diversas produções estrearam nos canais de televisão do país, a maioria delas com algo em comum: pessoas negras representando personagens que reforçam a supremacia branca. Com isso, este trabalho tem o objetivo de analisar a representação de pessoas negras nas telenovelas brasileiras a partir do materialismo histórico-dialético. Como resultado, percebe-se que, desde o surgimento do racismo, durante o processo de nascimento do capitalismo, as sociedades burguesas se utilizam de diversas áreas, como o controle das imagens da televisão, a fim justificar a submissão da população negra a outros grupos. Assim, conclui-se sobre a necessidade da derrubada do sistema capitalista pelos trabalhadores como meio de construir uma nova representação de pessoas negras na televisão.
Palavras-chave: Negritude,Representação,Telenovelas,Materialismo Histórico-Dialético
Oral
NOIRBLUE: corpo-alforria
JOUBERT DE ALBUQUERQUE ARRAIS
Pretendemos, nesta escrita crítico-afetiva, apresentar olhares/dizeres interseccionais afrorreferenciados do corpo-artista presente no curta-metragem “NoirBLUE, deslocamentos de uma dança” (Ana Pi, 2017, Brasil/França), mobilizando a relação entre dança e cinema como ver-ouvir-mover. Nossa hipótese é que este trabalho artístico, também nomeado como peça coreográfica, tensiona a corporeidade negra como campo de forças coreopolítico e diaspórico. Faz isso quando se desloca enquanto cena-dançada, imagem-frame e palavra-escrevivência, configurando o que chamamos, experimentalmente como pergunta investigativa, de "corpo-alforria". Compõe nossa argumentação com textos teóricos: a articulação entre textos crítico-analíticos, entrevistas audiovisuais da artista e fragmentos videográficos da obra, difundidos e compartilhados na Internet.
Palavras-chave: dança e cinema,corpo-artista,corpo-alforria,NoirBLUE,Interseccionalidades
Oral
O MOVIMENTO NEGRO GAÚCHO NA CENA DA DANÇA: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE COLETIVOS ARTÍSTICOS
AMANDA SANTOS SILVEIRA; Ceres Karam Brum
O Coletivo Corpo Negra e o Coletivo Negressencia são dois grupos formados por artistas negros e negras vinculados à graduações em Dança no Rio Grande do Sul e, portanto, fazem parte do Movimento Negro universitário gaúcho. A partir disso, o que se propõe nesse trabalho é analisar a relação entre dança, movimentos sociais e educação. Para tanto, o objetivo é compartilhar um estudo em andamento a partir de uma etnografia multissituada, tendo em vista que o Coletivo Corpo Negra está localizado em Porto Alegre/RS e o Coletivo Negressencia em Santa Maria/RS. Esses coletivos negros podem ser vistos como um espaço de acolhimento, de militância e de manifestação antirracista através da arte, ressignificando as formas mais tradicionais de entendermos o Movimento Negro e abrindo espaço para discussões no ST 11.
Palavras-chave: Movimento Negro, Coletivos Negros, Graduações em Dança,Rio Grande do Sul
Oral
Paisagens afrodiaspóricas: memórias e ritualidade em jogo.
GABRIELA SANTOS CAVALCANTE SANTANA
Esta comunicação destina-se ao simpósio Corporeidades Negras nas Artes da Cena e da Imagem e tem como objetivo o compartilhamento de notas e pensamentos sobre imagens cinestésicas e sensoriais, “paisagens”, mobilizadas por meio de ações investigativas realizadas por três trabalhos de dança. À saber: Erranças (2014), AssentAção (2020) e o mais recente ainda sem nome. Todos, motivados por vivências e estudos focados em performances culturais afrodiásporicas que conjugam jogo, dança e luta. Para tanto serão apresentadas estratégias criativas e pensamentos em torno da performatividade resultante do diálogo com elementos e dinâmicas constituintes das corporeidades afrodiásporicas experienciadas e testemunhadas no e pelo corpo. A comunicação abre espaço de reflexão sobre a produção de subjetividades em meio a memórias e identidades coletivas.
Palavras-chave: afrodiáspora, performance, memória, ritualidade, jogo.
Oral
TRANSNEGRIR: Corporeidades Desobedientes e Pedagogias Anticoloniais nas Artes Cênicas.
LAUDEMIR P. DOS SANTOS(LAU SANTOS)
O presente texto discute processos criativos e pedagógicos para produção de Presença Cênica à luz das cosmogonias africanas, a partir das corporeidades que emergem na hibridação das linguagens da dança, do teatro, da performance e da música enquanto potencialização de saberes ancestrais e sensório-afetivos. A questão que se coloca é: não seria a gramática das corporeidades afrodiaspóricas uma ação anticolonial? Os materiais cênicos, denominados transnegrações, resultantes desses processos pedagógicos-criativos foram apresentados como intervenções estético-políticas em espaços públicos. A produção de presença cênica se configura, neste caso, como um instrumento político, estético e pedagógico para produção de experiências artísticas afrorreferenciadas e anticoloniais.
Oral
“Segura o coco!”: Estética da diáspora no coco de roda novo quilombo.
HERMANA CECÍLIA OLIVEIRA FERREIRA
Este trabalho busca identificar uma memória do corpo encontrada em aspectos estéticos diaspóricos na dança e na música produzidas atualmente por pessoas negras em Novo Quilombo (Ipiranga). Atravessando este caminho, serão consideradas narrativas, performances e letras de músicas (cocos) produzidas por esses atores sociais na busca por melhor compreender traços negros na prática de uma arqueologia sensorial dos sentidos da diáspora no Brasil contemporâneo. O trabalho se valerá metodologicamente sons e imagens de acervo pessoal, registros audiovisuais coletados na internet e entrevistas com moradores do Novo Quilombo. Os elementos conceituais serão relacionados à bibliografia de Paul Gilroy (Atlântico Negro) e Walter Benjamin (Pedagogia do Gesto).
Oral
AS MARCAS ÉTNICO-RACIAIS NO ESPAÇO URBANO DA CIDADE DE CRATO-CE
FRANCISCO JOEDSON DA SILVA NASCIMENTO
O presente trabalho faz parte de debates envolvendo a disciplina África e Diáspora Africana no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Goiás – UFG. O objetivo é discutir a presença indígena e negra através das marcas espaciais urbanas com base na metodologia aplicada por Souza e Ratts (2016) que discutiram a “diferença étnico-racial no espaço urbano” da cidade de Goiânia, bem como abordagem de Ratts (2016), ao tratar da presença negra e indígena no espaço urbano a partir dos planos simbólicos e territoriais em Fortaleza. Nesse trabalho, selecionei narrativas e locais da cidade entre eles os discursos de referência do antigo aldeamento indígena acionados ao falar da origem da cidade e o silenciamento da influência negro-africana, bem como a Pedra da Batateira, o túmulo de Maria Caboré e a Escola de Samba Operários
Oral
DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE: O RELATÓRIO FIGUEIREDO E AS VIOLAÇÕES DE DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL
THAYNARA ANDRESSA FROTA ARARIPE
O presente estudo debruça-se sobre o Relatório Figueiredo que apurou diversos crimes praticados contra os povos indígenas do Brasil e sua relação com o direito à memória e à verdade desses povos. Observa-se, inicialmente, através de uma análise bibliográfica, que a ação indigenista do Estado, ao longo da história, foi moldada por concepções assimilacionistas e integracionistas que implicaram na construção de relações violentas do Estado para com os povos indígenas. Adiante, através da análise documental, analisa-se as violações de direitos documentadas no relatório produzido em 1967 pelo procurador Jader de Figueiredo Correia. Por fim, problematiza-se a omissão e a violência da política indigenista estatal brasileira, assim como a violação do direito à memória e à verdade mediante o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.
Palavras-chave: Direito à memória,Direito à verdade,Relatório Figueiredo,Comissão Nacional da Verdade,Povos indígenas
Oral
NOS TRILHOS DA MODERNIZAÇÃO: REGIME TUTELAR E ASSIMILACIONISTA DAS POPULAÇÕES INDÍGENAS DO NORDESTE COMO PROJETO IDEOLÓGICO/REGIONALISTA
MISCILANE COSTA SILVA
Ciente de que as relações entre Estados nacionais e populações indígenas se definiram em contextos sociopolíticos distintos e tiveram como pano de fundo a presença de três dimensões, a busca para uma concentração econômica dos recursos, um modelo de desenvolvimento de fronteiras com um poder centralizador em todos os níveis e uma fictícia unidade étnica nacional (ATHIAS, 2007). O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre o processo de consolidação do discurso homogeneizante da extinção dos povos indígenas, na região do Nordeste, no Ceará, e em especial no Cariri Cearense, como algo intimamente relacionado ao processo ideológico de modernização do Estado-nação e suas reformas políticas. Bem como, de ações e práticas de elites intelectuais que folclorizaram os os povos indígenas na produção de uma de uma literatura regionalista.
Oral
Pensamento sem forma: como trabalhar ensino de história indígena em sala de aula sem formatar os pensamentos indígenas?
THIAGO DE ABREU E LIMA FLORENCIO; Francisca Oliveira Cabral de Lima
Esta apresentação tem por objetivo aprofundar reflexões sobre o ensino de história indígena em sala de aula tendo em vista a necessidade de se trabalhar com conceitos e categorias formuladas pelos próprios pensadores indígenas. Ness sentido, como conseguir compartilhar os conceitos formulados por intelectuais indígenas sem formata-los a um proceder intelectual ocidental? Como fazer as complexidades epistemológicas indígenas, cujas relações entre memória, corpo, território e palavra são totalmente distintas do proceder ocidental, serem compreendidas sem reduzi-las a modelos explicativos encaixados em padrões da lógica ocidental?
Oral
PERCEPÇÕES DO EXTERMÍNIO NO CATACLISMO BIOLÓGICO: O COVID-19 E OS POVOS INDÍGENAS
MARCELO SOARES MOTA; MIKAELY PINHEIRO DO NASCIMENTO
O contemporâneo estudo visa escrutinar as consequências do Covid-19 nos povos indígenas do Brasil, emergindo uma análise do coronavírus como fator de aumento da vulnerabilidade dos povos. Destarte, é primordial entender os possíveis fatores que possibilitaram o avanço no número de casos e, por conseguinte, no de óbitos. Ademais, questionar a ineficácia do Estado em conter a ascensão do coronavírus nos territórios indígenas e do acesso amplo ao tratamento, perpassa pelo intuito da presente pesquisa. Os métodos trabalhados nessa pesquisa, o método de abordagem será o dedutivo, o de procedimento será o histórico é o de pesquisa enfatiza primordialmente o bibliográfico. Por fim, a pesquisa salienta que o cataclismo biológico com a junção da ineficácia estatal, tornou-se mais uma fase do extermínio dos povos indígenas.
Oral
Povo indígena Tabajara, da luta pela vida ao fortalecimento da identidade
TAÍZA NUNES DOS SANTOS LIMA; Juscelino Silva de Souza
Este trabalho constitui reflexões a cerca das atividades de caça, pesca e coleta entre os indígenas Tabajara da aldeia Barra de Gramame, localizada no litoral sul da Paraíba, mais especificamente na cidade de Conde. Buscamos através do método etnográfico, evidenciar a importância dessas formas de vida no cotidiano indígena tabajara, como mecanismo de preservação de saberes e fazeres ancestrais, técnicos e ritualísticos, configurando-se como aparelhos de fortalecimento e manutenção da vida e visão do mundo indígena, mesmo em época de opressão a exemplo: expulsões, invasões, e apossamento do território pelas oligarquias locais. Neste sentido o trabalho constitui como uma análise do cotidiano de vida dos Tabajara, observando essas atividades como estratégia indígena de resistência e preservação de narrativas essenciais para o fortalecimento
Oral
RELATOS E MEMÓRIAS DAS MULHERES DA CURA E REZA DE MINHA FAMÍLIA VINDOS DA ALDEIA DE MONGUBA-PACATUBA-CE
MARIA ELIENE MAGALHÃES DA SILVA
O artigo trata-se do modo de pensar a cerca de minha espiritualidade com as cunhãs (mulheres) que vieram da aldeia de Monguba, na Pacatuba no Ce. O estudo com a Pretagogia em quilombos de Caucaia e a relação com as rezadeiras vieram ser trilhas para meu rumo e processo na identificação e pertencimento com a terra mãe. Hoje em plena Pandemia, em dias difíceis na qual vivemos que enfrentar o isolamento, sabendo pelas lideranças das mortes das mais velhas, com isso se faz importante fortalecer as memórias das rezadeiras de minha família. Este trabalho tem como objetivo em trabalhar a valorização através da saúde e bom viver através das reflexões acerca do sentido da vida de nossas raízes e do encantamento na comunidade. Com isso, vejo a necessidade de trabalhar e potencializar para isso à coletividade, o comunitarismo, a ancestralidade atra
Oral
RESISTÊNCIA POLÍTICA E A EDUCAÇÃO DO HOMEM BRANCO NA OBRA “A QUEDA DO CÉU” DE DAVI KOPENAWA YANOMAMI
KÉVIA DANIELE DA SILVA
Este trabalho busca compreender, a partir da obra “A queda do céu: palavras de um xamã Yanomami”, as bases investigativas para a análise da literatura indígena como fenômeno, simultaneamente, literário, político-social e epistemológico capaz de não só apreender e interpretar uma realidade nativa, mas também de afirmar identidades e memórias de resistência de grupos historicamente subalternizados. Para tanto, partimos das concepções de Janice Thiél (2012), que consiste na observação em se trabalhar a produção literária indígena por meio de “multimodalidades discursivas”. Diante disso, compreendemos a importância em se trabalhar a obra indígena levando em consideração as implicações reflexivas para desestabilizar tendências canônicas ocidental do que seja uma obra literária.
Palavras-chave: Literatura,Epistemologia indígena,Resistência,Escrita e oralidade
Oral
VESTÍGIOS HISTÓRICOS DA PRESENÇA INDÍGENA EM TRAIRI, LITORAL OESTE CEARENSE
ANTONIO JUSCELINO BARBOSA DOS SANTOS; Fábia Janaina Marciel da Silva
Trairi está localizado á 124 km da capital Fortaleza, no litoral oeste cearense, do indígena significa “rio de traíras”. No litoral brasileiro, os caçadores-coletores-pescadores holocênicos surgiram em meados da última grande mudança climática. Diante de uma maior diversidade de recursos esses grupos assentaram-se próximo a lagoas e rios, onde promoviam a caça e a pesca, coleta de frutos e também de moluscos que habitavam esses corpos d’água. Assim, o trabalho tem como objetivo investigar os vestígios históricos da presença indígena no município de Trairi, evidenciando suas contribuições na formação sociocultural do trairiense. Há muitas inconsistências quando nos deparamos com as informações disponíveis na historiografia acerca dos grupos que ocuparam esse território, desejamos traçar uma narrativa aliada aos aos estudos arqueológico.
Palavras-chave: Historia, Historiografia,Presença Indígena, Arqueologia, Trairi- Ce
Oral
A COVID-19 E SEUS IMPACTOS NA POPULAÇÃO NEGRA E INDÍGENA: DIALOGANDO COM BASE EM FOUCAULT, FANON E MBEMBE
ANDRISSON FERREIRA DA SILVA; Cláudia Marques de Oliveira; Sulamita Rosa da Silva
O presente trabalho tem o objetivo de analisar os impactos da pandemia do novo coronavírus na vida da população negra e indígena. Através de procedimentos teórico-metodológicos serão feitas reflexões a partir de Fanon (1968) entrevendo o funcionamento da máquina estatal contra os condenados da terra, Foucault (2008/2009) tratando sobre a biopolítica e Mbembe (2018) acerca da necropolítica. Os resultados possibilitam a discussão sobre uma sociedade colonizada e patriarcal e que condena minorias políticas regulando a vida e a morte, o acesso e o não acesso, fortalecendo o darwinismo social e a eugenia estabelecendo lugar de privilégio para branquitude. Sendo assim, a população negra e indígena são os mais dizimados nesta pandemia que elucidou uma verdadeira luta de classes onde a hegemonia branca prevalece.
Palavras-chave: Cidade Colonizada,Novo Coronavírus
Oral
A REPRESENTATIVIDADE DO CORPO NEGRO NO ÂMBITO EDUCACIONAL EM MEIO A NEGAÇÃO DO RACISMO
EDILENE BARBOSA SANTOS; Karina Faustino Sousa; Mikaele Silva Santos
O presente resumo busca discutir sobre a representatividade do corpo negro frente a uma sociedade que nega o racismo. Nessa perspectiva, como objetivo geral iremos discorrer sobre o que é ser um corpo negro/a para a sociedade e para o sistema educacional brasileiro? E os objetivos específicos compreender a respeito dos vários modos de ser negro/a; e os dilemas que enfrentam no meio educacional, e a importância de situar a luta do povo negro contra o racismo. Para isso, faremos uso de uma metodologia de cunho bibliográfica e relato de experiência.
Oral
ANTI-RACISMO NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA: A SUPERAÇÃO DO MODELO EPISTÊMICO EUROPEU DOMINANTE
LUÍSA PAIM MARTINS
Entendendo o racismo como construção social, produto do empreendimento colonial, este trabalho é fruto de pesquisa de conclusão de curso e busca problematizar o papel de intelectuais brancos no combate ao racismo. Perpassando discussões de âmbito epistêmico e cultural, reflete-se sobre a violência imbricada no processo de tornar corpos negros apenas objetos de – e não sujeitos capazes de construir – conhecimento. Partindo de teóricos e movimentos pós-coloniais (Fanon, Quijano, Castro-Gómez, etc), como de percursores de estudos que tem como preocupação analítica a identidade racial branca, analisa-se como, na gênese das ciências sociais, subjetividades negras múltiplas foram relegadas à apenas uma representação. Destaca-se os estudos sobre branquitude como possibilidade de superação do ideal branco - imposto como único tipo ideal humano.
Palavras-chave: Racismo Epistêmico,Estudos étnico-Raciais,Descolonial,Sociologia Brasileira,Branquitude
Oral
APROPRIAÇÃO CULTURAL E PRIVILÉGIO BRANCO NA CULTURA POPULAR
MARIANA MARINAN SANTOS DE CARVALHO
A ideia é compartilhar reflexões iniciais de pesquisa em andamento. No primeiro momento, a proposta era refletir sobre as narrativas de estudantes universitários brancos de Belo Horizonte que se identificam como amantes da cultura popular brasileira. O desafio era sair do simplório "pode ou não pode", propondo uma perspectiva da apropriação cultural como um mecanismo de opressão numa sociedade racista. Tendo de interromper essa proposta no contexto atual, indico novos caminhos, problematizando as estratégias de uma branquitude brasileira que se pretende negra quando convém. A partir das cantoras de axé Claudia Leite e Daniela Mercury, que já insistiram em "performar" uma suposta negritude, questiono o que viabilizaria tais narrativas. O mito da democracia racial, e uma hiper valorização da mestiçagem parecem ser imprescindíveis para isso.
Palavras-chave: branquitude,apropriação cultural,privilégio branco
Oral
AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NA CONSTRUÇÃO DA NOÇÃO DE SUJEITO COMO ENRAIZAMENTO DO RACISMO
MARIA GERLANE CAVALCANTE; GERMANO ALVES CAVALCANTE; LUIZETE VICENTE DA SILVA
Na contemporaneidade, o racismo tem sido muito trabalhado na sociedade e assim, tem diminuído como prática social, porém, há formas mais recentes e distintas de discriminação e de estereótipos (Lima & J.Vala, 2004), compreendendo-se então, que o preconceito racial está enraizado e é introjetado por meio de representações sociais (Almeida, 2016). Nesse sentido, objetiva-se com o presente trabalho, fazer uma revisão bibliográfica referente a Teoria das Representações Sociais de Moscovici (1978) no que tange a noção de sujeito constituída nas relações, através do construto de atitudes sociais (Jodelet, 2009). O estudo da construção identitária a partir das concepções sociais permitem o direcionamento de discussões sobre possibilidades de atenuar o preconceito racial mediante perspectivas de cognição social (Loewenhaupt & Iglesias, 2018).
Palavras-chave: Representações sociais,Preconceito Racial,Racismo
Oral
Brancos produzem fatos, pretos constroem mitos: percepções de acadêmicos de nutrição sobre racismo na ciência
JANICE ALVES TRAJANO; Luysa Gabrielly de Araujo Morais; Natália Viana Nogueira
Assim como as ciências em geral, a ciência da nutrição é construída a partir de preceitos cartesianos, visando neutralidade e objetividade. Essa forma de fazer ciência inferioriza saberes tradicionais do eixo sul do globo, enquadrados como “mitos” e “tabus”. Entretanto, o nutricionista, que visa a manutenção e recuperação da saúde através dos alimentos, tem a responsabilidade valorizar a cultura e as socialidades em torno do comer. A partir disso, foram entrevistados estudantes do último ano do curso de Nutrição, para compreender suas percepções quanto à contribuição de povos oriundos do continente africano para a ciência da nutrição. A análise de conteúdo das falas demonstra que há um reconhecimento da colaboração desses povos para a formação de hábitos alimentares, mas não como saberes válidos para a decisão de sua conduta nutricional.
Palavras-chave: ciência,racismo,alimentação,educação
Oral
FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA: SABERES E PRÁTICAS IMPORTADAS
RAQUEL DE SOUZA XAVIER; ANDERSON MORAES PIRES
A Psicologia é um curso majoritariamente composto por pessoas brancas: coordenadores, professores e alunas, que tem em sua base autores brancos europeus. Assim, a proposta deste trabalho é analisar a configuração da branquitude na formação de psicólogas. Este trabalho se apresenta como uma pesquisa exploratória e qualitativa. Se amparando no ST 13: A branquidade, a branquitude acrítica, a branquitude na educação e outros conflitos étnico-raciais e suas intersecções vividas no Atlântico Sul. No campo formativo há pouca discussão acerca das raças, e quando há, apresentam discursos que defendem a igualdade entre todos e/ou que a Psicologia é neutra. Tais discursos encobertos por uma “neutralidade” desconsideram a historicidade e ecoam nas práticas psi. Dessa forma, considera-se que a formação em Psicologia não é neutra, é branca e colonial.
Palavras-chave: Formação,Psicologia, Branquitude
Oral
Mulheres Negras e o acesso a Politica Pública de Educação Superior: Uma visão antropológica de memórias e narrativas em Redenção
ANA PAULA FONSECA BRAGA
O presente trabalho faz parte da pesquisa de mestrado de antropologia em andamento e visa analisar trajetórias femininas de mulheres negras que tiveram acesso ao ensino superior e de mulheres que não conseguiram acessar essa politica pública, convergindo para a identificação de como isso influência na percepção das relações de gênero e poder presentes na cidade de Redenção. Além, disso o trabalho busca perceber como as inter-relações entre gênero, poder e acesso a educação superior em uma cidade marcada pela história da escravização e patriarcado tem reflexo nas narrativas destas mulheres. A metodologia utilizada foi entrevista, observação participante e produção de diário de campo.
Palavras-chave: Mulher,Genêro,Racismo
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O RACISMO ESTRUTURAL E SEUS REBATIMENTOS NA VIDA DE ADOLESCENTES EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA EM MEIO FECHADO NO CARIRI CEARENSE: um relato de experiência
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
O estudo parte de um relato de experiência para analisar o racismo estrutural na vida de adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa em meio fechado no Cariri Cearense. A maior parte deles é negra e relata vivenciar múltiplas violações de direitos baseadas nas relações étnico-raciais. De acordo com esta pesquisa, o racismo estrutural tem provocado vulnerabilidade e exclusão social, o que se percebe nas precárias condições de vida e de trabalho da população negra, como também nas condições relacionadas à desigualdade de acesso a educação, saúde e lazer. O racismo gera a marginalização, estigmatização, esteriotipação, bem como a cooptação de adolescentes por organizações criminosas. A pesquisa se direciona ao ST 13. A branquidade, a branquitude acrítica, a branquitude na educação e outros conflitos étnico-raciais.
Oral
O REFLEXO DA BRANQUITUDE NO ESPELHO DA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO ANTROPOLÓGICO NO BRASIL
ZWANGA NYACK
Este trabalho visa abordar as formas pelo quais a branquitude se faz presente nos processos de produção de conhecimento, especificamente o caso da Antropologia feita no brasil. Para isto, me referenciei nos Estudos Críticos da Branquitude bem como nas tentativas de se legitimar um cânone responsável pela fundação da ciência, por parte dos antropólogos/as brasileiros/as. Desta forma, compreendo a produção de conhecimento como um espelho no qual aqueles/as que se imbricam neste processo tem suas posições sociais refletidas neste fazer-ser. Indago o porque da produção de conhecimento ocidental não ter refletido as posições sociais de quem o produz, apontando para a necessidade de colocá-los de frente para este espelho.
Palavras-chave: História da Antropologia,Produção de conheicmento,Antropologia feita no Brasil,Branquitude
Oral
ONDE VOCÊ GUARDA O SEU RACISMO? OS (DES)LIMITES DAS DISCUSSÕES RACIAIS DENTRO DO AMBIENTE ACADÊMICO
JACSON DE JESUS DA SILVA
“Seja superior e aprenda a se blindar, finja demência e siga a vida”. Esta foi a frase vinda de um colega após eu compartilhar em um grupo de pares acadêmicos a seguinte postagem que havia acabado de ler em uma rede social: “mais um negro associado ao estupro, a própria raça que reclama do racismo”. É mesmo possível/necessário abstrair e silenciar? Proponho, enquanto homem preto, gay, professor e acadêmico refletir de forma implicada, os modos coercitivos de silenciamento e os (des)limites para discussões raciais dentro da academia. No lugar dos Estudos Culturais, assumo não neutralidade deste trabalho, ensaiando um exercício de bricolagem teórica dos conceitos de raça, racismo estrutural, branquitude, educação e das minhas vivências na graduação e pós-graduação.
Palavras-chave: Racismo estrutural,Braquitude,Educação superior
Oral
PROFESSORES BRANCOS: APONTAMENTOS SOBRE O DITO E O NÃO-DITO DA BRANQUITUDE NOS DISCURSOS DO COTIDIANO
MARIA ISABEL DONNABELLA ORRICO; VANESSA FERNANDA RODRIGUES
A pesquisa visa captar e analisar as representações sociais de professores brancos atuantes em uma escola do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Campinas no que se refere às questões sobre branquitude, às relações étnico-raciais e à prática escolar. Os dados foram coletados durante uma formação, a partir de questões colocadas pelas formadoras. As análises foram feitas sob o olhar da Teoria das Representações Sociais e da Psicanálise. Os resultados a partir da análise das narrativas evidenciam dificuldade em elaborar um discurso que não incorra em práticas estruturais de racismo, especialmente no que se refere à ausência de embasamento teórico sobre as questões étnico-raciais, ao expresso desapercebimento de si, em se pensar racializado, e à ausência de um posicionamento autocrítico em relação à branquitude.
Palavras-chave: branquitude,professores,educação,Teoria das Representações Sociais,Psicanálise
Oral
RELATO DE EXPERIÊNCIA: QUANDO A BRANQUITUDE SE ESTUDA
MARIA IZABEL FEITOSA ACCIOLY; Jonathas Henrique Nascimento Rodrigues
O presente relato de experiência tem por objetivo descrever a vivência de uma professora negra ministrando um curso intitulado “Relações Raciais e Branquitude no Brasil”. O espaço do curso - apesar de misto, apresentando considerável diversidade de gênero, raça e classe - foi composto majoritariamente por mulheres brancas. Para além das trocas típicas da atividade docente, o curso permitiu-nos observar o processo de racialização dos sujeitos brancos ali presentes através do estudo de sua branquitude. Desde o desconforto que vem com o reconhecimento do privilégio branco as dificuldades de definir um ethos antirracista próprio.
Palavras-chave: Branquitude, relato de experiência, letramento racial
Oral
UMA LEITURA DO PRIVILÉGIO BRANCO DA PROTAGONISTA DE CAPITÃES DA AREIA
MARLYSSON AERTON DE OLIVEIRA; Francisco Cleiton Limeira de Sousa; José Carlos Redson
Capitães da Areia, de Jorge Amado, retrata a rotina de um grupo de meninos de rua num cotidiano recheado de assaltos e violência da vida bestializada e cheias de aspirações e pensamentos ingênuos. Nesse pensamento, este trabalho objetiva refletir sobre o privilégio branco, a partir do evento do estupro de uma personagem negra, cometido pelo personagem Pedro Bala, na perspectiva modernista, com suas temáticas atemporais, como a desigualdade social e a violência verbal e física. Este trabalho é de natureza básica, qualitativa, exploratória e bibliográfica, pautada em: Amado (2009), Andrade (2014), Carlos e Ferreira (2009). Assim, acreditamos que a obra, carrega ainda questões atuais como as nuances da desigualdade racial, socioeconômica, e do privilégio branco, necessários de reflexão no contexto da literatura brasileira modernista.
Palavras-chave: Capitães da areia, privilégio branco, estupro, personagens
Oral
“A PELE ESQUECIDA”: CONSIDERAÇÕES A CERCA DA INVISIBILIDADE DA PELE NEGRA NOS LIVROS DE DERMATOLOGIA MÉDICA.
LUYSA GABRIELLY DE ARAUJO MORAIS; Natália Viana Nogueira; Janice Alves Trajano
A escola médica é burguesa, branca, masculina, hétero e CIS. É fruto de uma sociedade meritocrática, machista e racista, carregando em sua essência sequelas desses absurdos sociais. A ausência quase que completa da pele negra nos livros de dermatologia médica é um exemplo disso, uma vez que, essa invisibilidade interfere na formação de um profissional capaz de reconhecer lesões e tratar patologias nesses sujeitos. A invisibilidade é uma violência, é fruto de um acesso à saúde historicamente negado, dificulta o atendimento e a cura, reafirma a raça/etnia como determinante social em saúde e contribui com o racismo estrutural. Salienta-se que, quando presente, a pele negra é atrelada a lesões infecto contagiosas recobertas de estigmatização, como é o caso da hanseníase (lepra), e reafirmam um estereótipo de feiura, de sujeira e impureza.
Palavras-chave: Pele Negra, dermatologia,racismo
Oral
“E DAÍ?” OU DA ESPIRITUALIDADE DENEGATIVA-RACIAL-PERNICIOSA EM UMA BRANQUITUDE ACRÍTICA
JOSÉ DIÊGO LEITE SANTANA; AURINO LIMA FERREIRA; SIDNEY CARLOS ROCHA DA SILVA
Este trabalho objetiva discutir como a branquitude acrítica constrói a imagem do outro a partir de uma espiritualidade denegativa-racial-perniciosa. O mundo naturalizado na/pela perspectiva do sujeito branco é um movimento de perpetuação dos seus privilégios e isso denega seus processos identitários. Essa denegação é uma ruptura com uma realidade plural que pode ser observada nos discursos de sujeitos brancos acríticos diante das mortes causadas pela atual pandemia, que no Brasil tem preferência e alvo: pessoas pretas e pobres. Propomos uma espiritualidade participativa decolonial como um ato esquizo diante da realidade redutora branca acrítica. Uma esquizoespiritualidade provocadora de desalojamentos dos sujeitos que se movem no Brasil, atravessados pela necropolítica do atual cenário econômico, social e político que vivemos.
Palavras-chave: Espiritualidade, Branquitude Acrítica,Ontologia Decolonial
Oral
“NÃO SOU PRECONCEITUOSA, TENHO ATÉ NEGROS NA FAMÍLIA”: REFLEXÕES A PARTIR DA AMOSTRA DE UM DISCURSO RACISTA COMPARTILHADO EM GRUPO DE WHATSAPP
PAULO CESAR ALVES GARCIA
O presente trabalho objetiva analisar a amostra de um discurso racista que circula em grupo de WhatsApp. O referido discurso emergiu após o compartilhamento da reportagem intitulada “MEC revoga cotas para negros, indígenas e deficientes em curso de pós-graduação”, publicada pela CNN Brasil, no dia 18 de junho de 2020. Para alcançar o objetivo proposto, recorro, metodologicamente, aos pressupostos da Análise do Discurso Crítica (ADC) de van Dijk (2010) em diálogo com Cardoso (2017), Carone e Bento (2002), dentre outros. Os resultados me permitiram identificar marcas de negação do racismo, da branquitude, reforçadas pela valorização da ideia de meritocracia, pelo discurso da mestiçagem e do “somos todos iguais”.
Palavras-chave: Discurso, Racismo,Whatsapp
Oral
Palavras-chave: cultura surda, educação, libras, inclusão
Oral
EDUCAÇÃO BRASILEIRA: A INCLUSÃO SOCIAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SEUS AVANÇOS NO SÉCULO XXI.
ANTONIO RODRIGUES SOBRINHO FILHO
A educação brasileira envolve qualquer forma de educação, seja ela da criança, ou seja, ela na família é considerada a primeira etapa da educação básica, ajudando no desenvolvimento psicológico, físico e social da criança. A Educação inclusiva, portanto, busca em um mesmo contexto escolar realmente buscar incluir todos os estudantes e mesmo diante das suas dificuldades, dessa forma as diferenças deixarem de ser vistas como problemas e sim uma diversidade e variedade, e por fim, gerar uma visão de mundo a partir da realidade social, com base nesta questão, tratou-se de um estudo de modalidade exploratória, com delimitação de busca a partir de descritores sobre o assunto, por meio de uma pesquisa bibliográfica, tendo como o objetivo geral de analisar a inclusão social na educação infantil brasileira.
Oral
EDUCAÇÃO INCLUSIVA E SEUS DESAFIOS: UM OLHAR SOB A PRÁTICA E FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE
ANTONIO RODRIGUES SOBRINHO FILHO
Este artigo traz uma discussão sobre a prática docente atual e a formação inicial de graduandos em Pedagogia que ocorre na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) na disciplina de Educação Inclusiva, ministrada pela professora Nozângela Dantas no período de 2014.2. A proposta é ampliar o conhecimento dos graduandos sobre questões que envolvem a inclusão de alunos com deficiência e oferecer apoio a aprendizagem de pessoas com necessidades especiais, valorizando as interações sociais e as adaptações pedagógicas necessárias nos diferentes contextos. Formando futuros professores com um novo olhar diante dos desafios, capazes de valorizar a diversidade e encontrar, apesar das dificuldades, diversas maneiras que estimulem a aprendizagem. Questionamos os saberes que constituem a prática pedagógica e fomentamos a necessidade de uma formação
Oral
EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
MARIA JÉSSICA SILVA CASTRO; FRANCISCO MATEUS FAUSTINO ARAÚJO
A sociedade vem passando por transformações e em consequência a educação segue rompendo com antigos paradigmas, promovendo adaptações estruturais e pedagógicas, visando superar os obstáculos para a totalidade da integração dos alunos com deficiência, no ensino regular. Porém, mesmo com as modificações e a garantia do art. 58 da lei nº 9394/96, o processo educativo oferecido pelas escolas ainda é insuficiente para suprir a demanda do atendimento especial desses educandos. Portanto, considerando a amplitude dos desafios ainda é possível ressignificar modelos educacionais tornando-se acessível. Nisso, esse estudo tem como objetivo discutir acerca da educação inclusiva, utilizando-se da pesquisa bibliográfica de autores como Carvalho (2004), LDB entre outros.
Oral
INCLUSÃO E EXCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM CONTEXTOS DE PRECONCEITO NA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL
FRANCISCO RENATO SILVA FERREIRA; VANESSA DE CARVALHO NILO BITU; MIGUEL MELO IFADIREÓ
O comportamento recreativo de pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem e desporto aquático como forma de inclusão é o foco deste ensaio acadêmico. Por conseguinte, destacam-se no atual cenário político e social brasileiro, realidades de racismo vivenciadas por uma parcela considerável da população brasileira. Para a definição dos critérios metodológicos deste resumo expandido se foi feito uso da revisão sistemática de literatura inclusiva que tratasse da temática da educação adaptada e da educação não formal através de esportes. Os achados da investigação apontam que ações e práticas discriminatórias de exclusão de crianças e adolescentes com deficiência podem findar retardando, em alguns casos, o desenvolvimento social e cognitivo destes indivíduos.
Oral
O(A) ESTUDANTE NEGRO(A) COM DEFICIÊNCIA NA UNIVERSIDADE: O QUE REVELAM AS PESQUISAS?
LUCAS RODRIGUES GONÇALVES; Rosane Santos Gueudeville; Maria Yonara Ferreira dos Santos
A inclusão de estudantes negros(as) com deficiência no ensino superior tem apontado para a necessidade de investidas científicas que apontem o processo de acesso e permanência nos cursos de graduação. O objetivo do estudo foi investigar de que forma tem sido tratada a referida temática, a partir da análise dos artigos científicos publicados no período de 2015 a 2020 na Scientific Electronic Library Online – SciELO. O método utilizado foi pesquisa bibliográfica com víeis qualitativo-analítico. Analisamos resumos de artigos científicos utilizando os seguintes indicadores de pesquisa: “estudante and negro and universidade”, “estudante and deficiência and universidade” e “estudante and negro and deficiência and universidade”. Concluímos nesse momento inicial da pesquisa que são poucos os registros encontrados que discutem essa temática.
Palavras-chave: A pessoa com deficiência,Acessibilidade,Racismo
Oral
REFLEXÕES ACERCA DA INVISIBILIDADE DE PRODUÇÕES CIENTÍFICAS DE PESSOAS NEGRAS COM DEFICIÊNCIA
MARIA DÉBORAH SILVA; Larissa Araújo Alves; Rosane Santos Gueudeville
O crescente número de estudantes com deficiência no ensino superior evidencia um marco primordial para se efetivar uma educação democrática e inclusiva. Assim, a presente pesquisa objetiva refletir acerca da existência de produções científicas de pessoas negras com deficiência fazendo uma análise relacional entre os pesquisadores negros e a pesquisa. Caracteriza-se como bibliográfica de carácter qualitativo através de um levantamento de dissertações do ano de 2015 a 2020 no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes sobre a temática. O escrito fundamenta-se em autores como Minayo (2002), Almeida (2019), Costas e Torres (2020), entre outros, visando também viabilizar e fortalecer discussões que sinalizem a importância de uma sociedade inclusiva e antirracista.
Palavras-chave: Inclusão, Pesquisadores negros, Pesquisadores negros com deficiência
Oral
SURDEZ, RACISMO E ACESSIBILIDADE: O ESTADO DA ARTE NO BRASIL (2010 - 2020)
MARLA VIEIRA MOREIRA DE OLIVEIRA; Tatiane Patrícia Santos Nascimento
Este resumo apresenta uma pesquisa quantitativo-descritiva no Brasil tendo como temática a surdez, racismo e acessibilidade durante o período de 2010 a 2020. A busca realizada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) teve como palavras-chave: surdez, surdo negro, raça/racismo e acessibilidade. O estudo objetivou mapear as produções científicas que se debruçaram sobre a tríade – surdez – racismo – acessibilidade. Destaca-se nesse intervalo a falta de produção que contemple essa temática. Conclui-se que é preciso produzir sobre acessibilidade interligando surdez a um recorte racial.
Palavras-chave: Surdez, racismo, acessibilidade
Oral
SURDOS: ACESSIBILIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA
CLÊNIA VALÉRIA GONÇALVES SOARES
No presente trabalho apresento as questões da surdez em tempos de pandemia. O estudo é um relato de experiência da minha vida social, enquanto deficiente auditiva, estudante e Pedagoga. O objetivo deste é discutir sobre as dificuldades dos surdos em tempos de pandemia, refletir sobre as acessibilidades ofertadas neste período de distanciamento e identificar quais as ferramentas que vêm contribuindo para a inclusão e/ou exclusão das pessoas surdas. A falta de acessibilidade, de modo geral, acompanha o dia a dia na vida dos surdos, seja onde for, e nessa pandemia não é diferente. É correto afirmar que tudo está em processo de adaptação e a ausência de acessibilidade, tem nos deixado muito angustiados e cansados, devido os esforços constante para compreender os acontecimentos a nossa volta.
Palavras-chave: Surdez,Acessibilidade,Pandemia
Oral
Oral
A IMPORTÂNCIA E OS DESAFIOS DE SER PROFESSOR (A) ANTIRRACISTA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
LUANA RICARTO DA COSTA ; Francisca Luclécia Ricarto da Costa
Falar sobre educação e negritude em um país que historicamente se construiu com bases racistas é sobre tudo compreender a importância de ser antirracista dentro dos espaços de ensino. Dessa forma, objetivamos neste trabalho apresentar a relevância que tem os (as) professores (as) para a desconstrução do racismo dentro das instituições escolares. Além de buscar refletir sobre os desafios que estes profissionais enfrentam para se manterem defensores das pautas raciais em sala de aula, desenvolvendo práticas educativas antirracistas. Para tanto, realizamos um estudo bibliográfico que teve como autores norteadores Cunha Jr (2001), Andrade (2005), Gonzalez (2010) e Brasil (2004). Isso porque, sabemos que este enfrentamento antirracista não é fácil, principalmente quando se volta para os anos iniciais do ensino fundamental, foco de nosso estudo
Palavras-chave: Educação, negritude, professores (as), antirracismo
Oral
A pesquisa de campo como espelho: interpelações, conflitos e rupturas de um pesquisador gay negro pesquisando negritude e homossexualidade no Grindr
LUIZ HENRIQUE SILVA DE CASTRO; Guilherme Libardi (Orientador)
O objetivo deste trabalho é relatar a minha experiência enquanto pesquisador gay e negro, em uma pesquisa desenvolvida com usuários negros do aplicativo Grindr em Porto Alegre. Foi construído um perfil para pesquisador na plataforma, onde recrutei interlocutores para a realização de entrevistas semiabertas. Estar em contato com relatos que eu já havia vivenciado foi uma experiência de confrontamento e posterior autoafirmação da minha negritude. Na interface desse relato, discuto a relevância da reflexividade na pesquisa como ferramenta para sua maior legitimidade científica. Elaboro que o fazer científico não é neutro, mas político, dando centralidade para as implicações dos marcadores de raça e sexualidade na dialética entre pesquisador e interlocutor.
Palavras-chave: Negritude,Sexualidade,Reflexividade,Grindr
Oral
AÇÕES GOVERNAMENTAIS E REAÇÕES SOCIAIS À INVIABILIZAÇÃO DE ACESSO DE PESSOAS TRANS E NEGRAS À UNIVERSIDADE PÚBLICA
BRUNO ALVES DE SOUSA
O trabalho objetiva compreender ações governamentais nos últimos anos que tentaram inviabilizar acesso de pessoas trans ao ensino superior (graduação ou pós-graduação). Nossa hipótese é de que há uma antipolítica pública em curso somada a uma desfreirização, mas também uma transgressão (HOOKS, 2013) a tal processo nas margens do Estado (DAS, POOLE, 2004) com ocupações e cursinhos populares. Toma por base dois eventos: a intervenção do MEC em reitoria de universidade lusoafro pela anulação do vestibular com vagas para transgêneros e intersexuais em 2019; e a revogação da Portaria Normativa nº 13/2016 em 2020, que previa políticas afirmativas na pós-graduação. Far-se-á análise documental dos discursos de diversos atores (MEC, reitoria, procuradoria jurídica, programas de pós-graduação, ativistas) em mídias e atos oficiais.
Oral
AS CATEGORIAS GÊNERO E RAÇA E A MULHER NEGRA
GABRIELA SIQUEIRA CAVALCANTE
Gênero e raça são categorias que aparecem constantemente nas pesquisas em Ciências Sociais porém não há consenso a respeito delas. Diante disso, esse artigo se propõe a realizar um levantamento bibliográfico dessas categorias, fazendo o esforço de articula-las de orientado pelo pensamento feminista negro interseccional. A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica. Os principais resultados encontrados foram que sobre gênero, as ideias começaram a ser elaboradas a partir da década 1960 e posteriormente o movimento feminista se apropriou, politizando-a; sobre a categoria raça foi idealizada por intelectuais europeus há mais de 200 anos e o movimento negro tomou-a para si. O trabalho é parte da pesquisa de mestrado intitulada “Violência de gênero e raça: uma avaliação das DEAMs na perspectiva das mulheres negras" no PPGCS/UFRN.
Palavras-chave: raça ,gênero,feminismo interseccional
Oral
COLONIALIDADE DE PODER, DE SABER E DE SER: O EMPREENDIMENTO COLONIAL NA MARCAÇÃO DAS MASCULINIDADES DO SUL
ENILSON FERREIRA DA SILVA JÚNIOR; Iris Marly Bezerra Leite Ferreira
Este trabalho trata-se de uma revisão narrativa e tem como objeto problematizar acerca das produções dos modelos de masculinidade impostos pela matriz colonial ao contexto das nações colonizadas. A colonialidade apresenta a noção de que apesar do término das administrações Europeias nas Américas, África, Ásia e Oceania e a emergência dos Estados-nação não representam o fim da colonização e suas diferentes formas de imposição social. Quando as masculinidades são decolonizadas e vistas como construções sociais importadas, é possível mudar os estereótipos de gênero dominantes e aceitar novas possibilidades de masculinidades fora do padrão hegemônico, para além de um corpo eurocentrado.
Oral
COLONIZAÇÃO E MASCULINIDADES NEGRAS - UM RETRATO SOBRE OS SUJEITOS COLONIAIS E COLONIZADOS
ANDY MONROY OSÓRIO; Marco Antonio Lima do Bonfim
O presente trabalho é fruto de resultados preliminares da nossa pesquisa de mestrado que visa analisar discursivamente(FAIRCLOUGH, 2001) as representações de sujeitos racializados no cinema. No entanto, na nossa primeira etapa de pesquisa foi possível entender que a colonização europeia no continente africano e nas Américas transformaram as realidades dos povos não-brancos cultural, político e economicamente. Os efeitos nefastos da opressão colonial (CÉSAIRE, 2017) construíram uma ambiência em que o povo negro teve sua identidade forjada a partir de estereótipos raciais (BHABHA, 1998). Este primeiro momento da nossa pesquisa propõe lançar um olhar crítico sobre a construção estigmatizada da identidade do homem negro perpetuada historicamente pelos grupos hegemônicos(KILOMBA, 2019).
Palavras-chave: colonização,racismo,masculinidadesnegras
Oral
DANDO CLOSE NA VIOLÊNCIA LINGUISTICA: A EMERGÊNCIA DO CORPO LGBTQIA+ NO CEARÁ E O DISCURSO MIDIÁTICO
FRANCISCO RAULE DE SOUSA; Marco Antonio Lima do Bonfim
Primeiros passos nas leituras e escrita sobre a performatização do corpo LGBTQIA+ na mídia cearense, esse excerto de pesquisa integrará dissertação, em construção, filiada à linha Identidade, Raça e Gênero (MIHL/UECE). Discutiremos brevemente como emergem esses sujeitos nas notícias que os protagonizam, em sua maioria, sendo vítimas da violência e como tais veículos articulam-se para potencializar seus silenciamentos históricos através de seleções lexicais (relexicalizações) que ferem e marginalizam corpos. A partir dos recursos textuais manuseados por veículos midiáticos, evidencia-se como os referidos corpos se constroem na mídia local entre fascínio, ojeriza, marginalidades, patologização, glamour, silenciamento e resistências em suas diversas configurações. Para além do ato de noticiar violência, tais veículos também a faz.
Palavras-chave: Violência Linguística,Corpo,Mídia,Resistência
Oral
DISCURSO-MITO: ENTRE O FAZER RIR E O FAZER MORRER.
CICERO WEVERTON NASCIMENTO DA SILVA
“Tem alguma placa ali fora proibido a entrada de negros?”, esta foi a resposta do então Deputado Jair M. Bolsonaro para um jovem estudante durante evento no Clube Oficial da PM em Vitória-ES (01/04/2016) ao ser questionado sobre a falta de negros nas universidades de um país em que população é “majoritariamente negra”, e como ele (Bolsonaro) entende sua própria associação com a Polícia Militar. Após a resposta, a plateia reage com aplausos, riso e escárnio “mito, mito, mito”, seguido de vários “cala a boca e me escuta” do Deputado para o estudante. O que analisaremos é como o discurso-mito funciona como um dispositivo de fazer rir por meio da enunciação de um sujeito de poder, e que este fazer rir está atrelado ao fazer morrer dos movimentos sociais minoritários na sociedade contemporânea brasileira.
Palavras-chave: Análise do discurso,Discursos-mito,Política brasileira
Oral
DIVERSIDADE CULTURAL NO CURRÍCULO ESCOLAR: A EXPERIÊNCIA DO POVO XUKURU DO ORORUBÁ
MARIA HELOISA FELIX DA SILVA; Eunice Andrade de Oliveira Menezes
Em nossa sociedade há uma grande diversidade cultural, sobretudo devido à influência das várias etnias que compõem o Brasil. Por que então não inserir nos currículos as diferentes culturas presentes na sociedade? A educação indígena Xukuru do Ororubá é um exemplo específico dos povos originários do nosso país. Em sua educação escolar, esse povo busca conectar a Base Nacional Comum Curricular com as especificidades de seus saberes. Assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância de se inserir as diferentes culturas no currículo das escolas. Apoia-se na abordagem qualitativa, inserindo-se em um estudo descritivo, que trata de experiências vivenciadas no território Xukuru do Ororubá. Conclui-se que a principal dificuldade de inserir a diversidade cultural nas escolas consiste em seu reconhecimento como vantagem pedagógica.
Palavras-chave: Diversidade cultural, Povo Xukuru do Ororubá, Curriculo
Oral
EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: UM OLHAR DE VALORIZAÇÃO DOS POVOS NEGROS E SUA HISTÓRIA.
MAYARA SOARES DA SILVA
Com uma história manchada pela marca da escravatura, o Brasil viveu entorno de mais de quinhentos anos de escravidão, período este que resultou em uma sociedade desigual que não proporciona as mesmas oportunidades para sua população. Desta forma buscamos aqui discorrer sobre a importância de uma educação antirracista em nossas escolas; explanar sobre a efetivação de uma sociedade que ocasione oportunidades bem como direitos iguais para sua população negra. Por meio de uma pesquisa de base bibliográfica, justificada pela relevância de construirmos uma educação antirracista em nosso país. Utilizaremos os seguintes autores Gonzáles (1982), Cunha Jr. (2001, 2010), Glass (2012), Freire (1989) e Silva (2018). Que seja construída por meio de práticas educativas que valorizem a população negra e sua história.
Oral
EDUCAÇÃO SEXUAL FAMILIAR: COMO LIDAR COM A HOMOFOBIA?
NEREIDE DOMINGOS DANTAS
O presente trabalho propõe um entendimento sobre a educação sexual mais especificamente sobre a homofobia no contexto familiar. O referido estudo é um relato de experiência observada no âmbito familiar ao qual estou inserida. Os objetivos deste é analisar o processo homofóbico no comportamento dos sujeitos que sofrem essa manifestação de negação no ambiente familiar, apresentar as características de exclusão pela homofobia e identificar as consequências negativas que contribuem nesse processo de aceitação dos sujeitos na relação familiar. Considerando o contexto da não aceitação da “diferença” na educação dos sujeitos, é preciso pensar numa educação sexual que se faça presente, rompendo com as formas de exclusão e que cada sujeito pode viver suas especificidades e/ou diferenças não cabendo a família excluí-los do meio social.
Palavras-chave: Homofobia,Educação Sexual,Contexto familiar
Oral
EXPERIMENTO ARTÍSTICO CORPOS BIXA-DOSS: VISIBILIZANDO TRAJETÓRIAS LGBTQI+ NOS BLOCOS AFROS DE SALVADOR
ANDERSON DOS SANTOS SANTANA; Jadiel Ferreira dos Santos
Os estudos de ancestralidade nas pesquisas acadêmicas e nas metodologias artísticas e pedagógicas das aulas de danças afros e nos blocos afros consideram as subjetividades e identidades de gênero e sexualidade de corpos negros LGBTQI+? É sob essa problematização que nasce o experimento artístico Corpos Bixa-Doss ( 2018), no qual os estudos continuaram em aprofundamento na Especialização em Estudos Contemporâneos do Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDANÇA/UFBA) no ano de 2019. A obra em construção, Corpos Bixa-Doss, tem como um dos seus objetivos criar processos de experimentações artísticas e metodológicas de performance em danças afro-brasileiras, tendo como mote central e objetivo, visibilizar as contribuições dos artistas LGBTQI+ negros nos blocos afros de Salvador e seu protagonismo na luta antirracismo e anti-homofobia.
Palavras-chave: blocos afros, dança,masculinidades negras,LGBTQI+
Oral
FEMINISMOS NA EXPERIÊNCIA DE MULHERES NEGRAS ATIVISTAS DO CARIRI - CE
MARIA ELAINE DE CARVALHO CRUZ; Maria Raiane Felix Bezerra; Cicera Nunes
O artigo faz parte de uma pesquisa em desenvolvimento, que busca analisar as falas e trajetória política de mulheres negras atuantes de movimentos sociais na região do Cariri Cearense, sobre como as desigualdades de raça, gênero, classe e território são transformadas em instrumentos para pensar formas de enfrentamento. Aborda, ainda, como o discurso feminista é recriado a partir de demandas específicas das mulheres negras. Nesse sentido, busco pensar como as ativistas se alinham à perspectiva interseccional, ferramenta usada também pelos movimentos de mulheres negras brasileiras nas suas ações de intervenção política. O trabalho foi desenvolvido por meio de entrevistas que buscam centrar na trajetória individual e coletiva de cada entrevistada, tendo como referencial teórico ativistas intelectuais como Lelia Gonzalez, e Sueli Carneiro.
Palavras-chave: mulheres negras,feminismo negro,interseccionalidade
Oral
Mapeando os feminismos enegrecidos nos programas de pós-graduação do Brasil
JADIELE CRISTINA BERTO DA SILVA
O presente artigo tem como objetivo sistematizar a produção científica dos programas de pós-graduação do Brasil sobre feminismo negro. A pesquisa documental foi realizada no Catálogo de Tese e Dissertações da Capes, tendo como delimitação as palavras-chave: feminismo negro, a tríade “gênero, raça e classe” e movimento de mulheres negras. Ciente que a produção em pauta parte daquelas que subvertem a ordem resistindo historicamente, dialogamos com as intelectuais negras Carneiro (2003), Gonzalez (2011), Werneck (2010), Collins (1990; 2000; 2002) e Bairros (1995; 2008). Buscou-se averiguar os avanços e debates instituídos sobre os feminismos negros, além de investigar o local de produções, as representações, conceitos, categorias e anos de produção.
Oral
Mulheres Negras e o acesso a Politica Pública de Educação Superior: Uma visão antropológica de memórias e narrativas em Redenção.
ANA PAULA FONSECA BRAGA
O presente trabalho faz parte da pesquisa de mestrado de antropologia em andamento e visa analisar trajetórias femininas de mulheres negras que tiveram acesso ao ensino superior e de mulheres que não conseguiram acessar essa politica pública, convergindo para a identificação de como isso influência na percepção das relações de gênero e poder presentes na cidade de Redenção. Além, disso o trabalho busca perceber como as inter-relações entre gênero, poder e acesso a educação superior numa cidade marcada pela história da escravização e patriarcado tem reflexo nas narrativas destas mulheres. A metodologia utilizada foi entrevista, observação participante e produção de diário de campo. O trabalho será submetido ao ST-15 Linguagem, Raça, Gênero e Educação: perspectivas antirracistas, antiLGBTQIA + fóbicas.
Palavras-chave: Mulher ,Gênero,Racismo
Oral
O ANTIRRACISMO – REFLEXÕES DA LÍNGUA À CIÊNCIA
ERIC SILVA DOS SANTOS; Marco Antônio Lima do Bonfim
A pesquisa visa uma discussão sobre a importância dada às questões raciais no contexto acadêmico e os seus desdobramentos enquanto ciência, numa sociedade através e pela inter-ação na língua. Neste trabalho pretendemos fazer uma reflexão sobre a ciência em sua atuação antirracista e militante. A princípio fizemos um percurso bibliográfico sobre ciência, língua e sujeito, discutindo aspectos ligados a racialização e racialidade, além de aspectos ligados à branquitude. Com esse aparato teórico, nos propomos a olhar para a ciência feita por nós, no Mestrado Interdisciplinar de História e Letras (MIHL), através da análise dos resumos das dissertações que pautassem temáticas étnico-raciais por meio de uma análise linguística. As conclusões apontam para alguns desafios a serem trilhados em relação as pesquisas que tratem de questões raciais.
Oral
O gênero live na pandemia: um relato de experiência sobre uma discussão sobre o racismo brasileiro
FRANCINE OLIVEIRA DA SILVA; VITÓRIA MUNIZ - OLIVEIRA; SIDERLENE MUNIZ - OLIVEIRA
O racismo está presente na sociedade, ocasionado pela história escravagista luso-brasileira e marcada pela violência e invisibilidade do povo negro. Reivindicações feitas pelo movimento negro passaram a chamar a atenção a partir de movimentos estadunidenses, que tomaram proporções mundiais. O objetivo deste trabalho é relatar uma experiência em que lives foram promovidas com o objetivo de disseminar conhecimento a um grande público de maneira didática e atual sobre esta temática, racismo brasileiro, de forma a contribuir com a difusão de conceitos fundamentais, geralmente, restritos à área acadêmica. Para resultados positivos, faz-se necessária a utilização de uma linguagem que busca dialogar com os mais diversos públicos.
Palavras-chave: Gênero live,Racismo brasileiro,Pandemia
Oral
OS ESTUDOS DE GÊNERO E SEXUALIDADE E O PROCESSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL
ALESSANDRA OLIVEIRA DE ARAUJO; Gabriel dos Santos Barbosa; Pedro Adjedan David de Sousa
A presente pesquisa propôs analisar os desafios da transversalidade dos estudos de gênero e sexualidade no processo de formação em Serviço Social, observando como se dá a incorporação da temática na formação do assistente social e sua relevância neste processo. Sabendo que consta no Projeto Ético Político da profissão, princípios que sinalizam o empenho na eliminação de toda forma de preconceito e a luta contra opressões, é essencial assegurar na formação, a abordagem de temáticas que contemplem todos os demarcadores sociais sem hierarquizá-los. Para subsidiar a pesquisa, realizou-se pesquisa bibliográfica e documental. Para tal, analisamos as Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, afim de identificar menções à temática aqui abordada. Constatando assim, certa fragilidade na incorporação da temática.
Palavras-chave: Gênero, Sexualidade,Serviço Social,Formação Profissional
Oral
PEDAGOPRETA: Mulher-Negra-Educadora Uma Escrevivência Etnopedagógica
MARÍLIA FARIAS XAVIER
Este trabalho apresenta o conceito de Pedagopreta e aborda os processos de construção e formação a respeito do ser e tornar-se mulher-negra-educadora e de como esses atravessamentos colaboraram para a construção de uma etnopedagogia, ancorado na metodologia da escrevivência e em referências que privilegiam o lugar da subjetividade, da afetividade e da cosmovisão africana, a partir da apresentação dessas vivências pretendemos colaborar para a construção de uma pedagogia afrorreferenciada e de processos didáticos e metodológicos relacionados a educação de crianças e relações étnico-raciais na escola, além disso o desenvolvimento dessa pesquisa contribui para a implementação da lei 10.639/03 e para a formação de professoras e professores da educação básica.
Oral
PLURIVERSALIDADE COMO PRÁTICA ACADEMICA
LUCIANA LINDENMEYER
O presente trabalho foi realizado na Disciplina de Docência III no curso de Doutorado do Programa de Pós Graduação em Sociologia. Foi feita uma pesquisa para saber sobre a qualidade da didática do ensino nas Ciências Sociais. Foram entrevistadas egressas do Curso de Graduação em Ciências Sociais. Durante os relatos, ficou explicita a visão das entrevistadas sobre a necessidade de ampliar a pluriversalidade nos cursos e nas referências apresentadas, incluindo autores negros e que rompam com a visão eurocêntrica, colocada como visão “universal” das ciências humanas. Uma outra questão apontada foi a existência do racismo nas disciplinas e na postura dos docentes, o que deve ser combatido e denunciado. Essa questão deve ser melhor estudada pela autora ao longo de seu percurso do Doutorado iniciado em 2020.
Palavras-chave: pluriversalidade,epistemicidio,eurocentrismo
Oral
POR UMA PEDAGOGIA DECOLONIAL: UMA ANÁLISE DE NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DE DOCENTES DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DA BASE EM PACAJUS –CE.
ALEXANDRE CEZAR DA SILVA
Partindo do pressuposto de que o termo raça configura-se como um ato político de enfrentamento e resistência a colonialidade do ser, do saber e do poder. compreendemos a necessidade de descolonizar saberes, culturas e instituições historicamente herdadas da tradição eurocêntrica visando à construção de novas configurações de saberes. Nesse sentido, esse estudo tem por objetivo compreender aspectos de uma pedagogia decolonial por meio da análise de narrativas autobiográficas de docentes da Comunidade de Remanescentes de Quilombola da Base em Pacajus acerca de suas experiências raciais.
Palavras-chave: Raça, Colonialidade, narrativa autobiográfica, pedagogia decolonial.
Oral
POR UMA PRAGMÁTICA AFRODIASPÓRICA: O USO DA LINGUAGEM PARA FRANTZ FANON, LÉLIA GONZALEZ E GRADA KILOMBA
MARCO ANTONIO LIMA DO BONFIM
Palavras têm poder interventivo em nosso cotidiano. Palavras ferem, insultam, violentam, matam, constroem relações, transformam realidades, racializam corpos. No campo dos Estudos Críticos da Linguagem esse caráter performativo da linguagem é investigado principalmente pela Nova Pragmática (RAJAGOPALAN, 2010; SILVA, FERREIRA e ALENCAR, 2014). Impulsionado por linguistas negras/os que têm estudado a língua[gem] de um ponto de vista negro-descendente, como Ana Lúcia Souza (2011), Aparecida Ferreira (2015), Kassandra Muniz (2016) e Gabriel Nascimento (2019), esta comunicação tem por objetivo apresentar as reflexões de pensadores/as negros/as afrodiaspóricos acerca de nossas práticas de linguagem, especificamente, focalizo aqui o que denomino de uma pragmática afrodiaspórica.
Palavras-chave: Linguagem, Pragmática Afrodiaspórica,Intelectuais negros/as, Racismo, Branquitude
Oral
TRAJETÓRIA CAPILAR E EDUCAÇÃO: CONSTRUINDO IDENTIDADES NO ESPAÇO ESCOLAR.
ANGÉLICA APARECIDA PEREIRA DE SOUZA E SOUZA
Essa pesquisa destacará em seu desenvolvimento a formação de identidade negra a partir das trajetórias capilares de jovens negras/os estudantes do ensino médio do Colégio Estadual Rômulo Galvão, São Félix-BA, considerando o papel do cabelo na construção da identidade no ambiente escolar. Este resumo tem como finalidade participação no Simpósio Temático: “Linguagem, Raça, Gênero e Educação: perspectivas antirracistas, antiLGBTQIA+fóbicas e descolonizadoras”. Na perspectiva de compreender a escola como espaço formador de uma identidade negra, o espaço escolar é visualizado como um ambiente de construção de conflitos sociais e identitários. Com o auxílio de analises da pesquisa participante, as estratégias individuais e coletivas desses jovens negras/os na construção de suas identidades são interpretadas.
Palavras-chave: Identidade Negra,Educação,Trajetória Capilar
Oral
“IDENTIDADE, BELEZA NEGRA E LUGAR DE FALA”, UM OLHAR ATRAVÉS DA MULHER NEGRA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PIBID A PARTIR DE UMA CONVERSA.
TAIS TAMIRES LIMA DA SILVA
Este trabalho almeja compartilhar uma experiência vivida dentro do subprojeto Multidisciplinar (2018-2020) do Programa Institucional de Bolsas a Docência - PIBID, da Universidade Regional do Cariri – URCA. Para esse relato de experiência foi selecionada uma das atividades realizadas na escola E.E.F.M. José Alves de Figueiredo, localizada na cidade de Crato-CE. Essa roda de conversa teve como público as estudantes negras desse colégio e foi mediada pelas bolsistas do projeto. Como metodologia fizemos uso de uma exposição de conceitos como Identidade e Beleza negra baseados na obra “Sem perder a raiz – Corpo e cabelo como símbolos da Identidade Negra" de Nilma Lino Gomes, exibição de vídeos e a socialização das experiências e percepções que essas estudantes tiveram em relação a sua existência em quanto mulheres negras.
Oral
AFROETNORELAÇÕES: TRIGONOMETRIA KAIROLÓGICA EM ESPAÇOS MANICOMIAIS
EDCARLOS DA SILVA COSTA
Dentre os impactos causados pelos isolamentos sociais em tempos de pandemia e na busca de novas epistemes de diálogos e experiências de ensino-aprendizagem, focamos o espaço e o público dos Hospitais e Clínicas Psiquiátricas, que possuem uma vulnerabilidade maior ao Covid 19, devido ao uso contínuo (portanto cíclico) de medicamentos psicotrópicos. Este insight sobre os ciclos, períodos e frequências, nos possibilitou discutir a Afrocentricidade como método, tendo como objetivo principal evidenciar a Afroetnomatemática como mais uma forma ancestral de expressão da realidade e assim, através da transdisciplinaridade criar relações de cunho educacional, com as vivências cotidianas dos pacientes internos e suas próprias articulações, percepções mentais e psíquicas.
Oral
BEATRIZ NASCIMENTO: TEMPOS, CONCEITOS E RESISTÊNCIA EPISTÊMICA DE UMA INTELECTUALIDADE ATL NTICA
MARIA LÍDIA DE GODOY PINN
Este trabalho, ainda em desenvolvimento, é parte da minha pesquisa de mestrado financiada pela CAPES, nele procuro, a partir de um estudo sistêmico das produções acadêmicas e intelectuais da historiadora Maria Beatriz Nascimento, compreender diferentes formas e possibilidades da escrita da história e a potencialidade de suas obras para a História da Historiografia brasileira. Contudo, a intelectualidade e os espaços acadêmicos foram, e em certa medida ainda são, espaços forjados em detrimento da população negra, no qual os privilégios inerentes a branquitude acabam por fundamentar teórica e epistemologicamente as bases das ciências modernas. Beatriz Nascimento, procurou através da prática acadêmica questionar os pressupostos teóricos e metodológicos próprios da disciplina histórica e, das humanidades como um todo, interrogando seus tempos
Palavras-chave: Beatriz Nascimento,Intelectualidade Negra,Epistemicídio
Oral
CONSTRUINDO REDES AFETIVAS E TEÓRICAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O PROJETO MULHERES NEGRAS RESISTEM-CE
JOICE DA SILVA LIMA; Laise Teixeira de Matos; Ana Larisse Santos Barbosa
Entendendo a questão racial como central na sociedade e para as subjetividades, decidimos falar sobre o projeto Mulheres Negras Resistem do Ceará. Diante da negação da existência de negros no estado (RIOS, 2019) , surge em 2018 o referido Projeto de extensão da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira em parceria com Laboratório de Estudos e Pesquisas em Afrobrasilidade, Gênero e Família. Construído com/para mulheres negras, o projeto está em sua terceira edição, aderindo ao formato online em contexto pandêmico. O presente trabalho tem como objetivo visibilizar a movimentação coletiva de mulheres negras na formação político teórica destas. Para alcançar o que foi proposto realizaremos uma pesquisa de natureza qualitativa com abordagem descritiva. Dialogando com Hooks(2019), Kilomba(2019), dentre outros.
Palavras-chave: Racismo,Pandemia,Mulheresnegras,extensão,epistemologia
Oral
LITERATURA NEGRA NA ESCOLA: CONTRIBUIÇÕES PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
ALAN BARBOSA DE SALES; Cicera Sineide Dantas Rodrigues; José Wegino Santos Saturnino
A educação antirracista é tema cada vez mais urgente nas escolas. Para contribuir com esta discussão, a pesquisa se propõe a refletir sobre a importância de se trabalhar com a literatura negra no contexto escolar, compreendendo o impacto deste tipo de literatura na desconstrução de práticas e atitudes que podem revigorar o racismo. Nesse sentido, elaborou-se uma investigação qualitativa, com uso da técnica de revisão bibliográfica, com suporte em autores como Almeida (2018); Canen (2011); Gerturdes (2015); Freire (1996), entre outros teóricos essenciais para a fundamentação deste escrito. A pesquisa evidenciou que o trabalho com a literatura negra na escola possibilita uma maior visibilidade da cultura afro-brasileira que, geralmente, é negada ou distorcida nas relações assimétricas que ainda permeiam as praticas pedagógicas nas escolas.
Oral
Literaturas africanas e afro-brasileiras de língua portuguesa na educação de surdos
ALESSANDRA GOMES DA SILVA
Temos como objetivos descrever e analisar possibilidades de trabalho a partir de diálogos entre as literaturas africanas em língua portuguesa e a educação de surdos, em um contexto bilíngue, Libras e língua portuguesa escrita. Para isso, tem-se como base aulas de literatura no Ensino Médio, no colégio de aplicação do INES. Nesse sentido, corroboramos com a visão de Skliar (1998), calcada na compreensão da surdez como diferença, reconhecendo o direito do surdo ao aprendizado da língua de sinais como 1ª língua e a língua portuguesa, em sua modalidade escrita, como 2ª língua. Acrescentamos a discussão levantada por Sousa (2017), que analisa como as literaturas de língua portuguesa são abordadas no livro didático, evidenciando sua presença ainda discreta. Assim, visamos construção de práticas de leitura mais democráticas e produtivas.
Oral
MODA AFRO, REDES DE PERCEPÇÃO DO QUILOMBISMO
JULIANA SILVA CHAGAS
Partindo da abordagem das africanidades presentes na contemporaneidade, convido a uma percepção do Quilombismo sob o olhar da produção de moda afro na cidade de Fortaleza/CE, a partir de pesquisa em curso, em direção à produção de identidades por meio da corporeidade segundo o uso e a ressignificação de elementos afro referenciados nas roupas e adornos corporais reunidos na loja Cearafro, situada no centro da cidade. Me apoio nas noções de quilombismo de Abdias Nascimento e de Beatriz Nascimento, no que se refere à existência da loja, espaço horizontal, colaborativo e em rede composto por 20 produtores negros, em sua maioria mulheres, que têm nas africanidades referenciais de produção, visibilização e positivação do seu fazer autoral e cooperativo, em diálogo com o protagonismo e modos de resistência da mulher afro-brasileira.
Oral
MULHERISMO AFRICANA NA DIÁSPORA: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA DO PAN-AFRICANISMO NAS PRÁTICAS SOCIOCULTURAIS.
SABRINA MARIA MONTE ; André Alcman Oliveira Damasceno; Maria Gabriela Vieira Leite
A ideologia Pan-africanista surgiu nos séculos XIX /XX com a intenção discursiva acerca da valorização negra, isto é, autores como desde WEDu Bois, Marcus Garvey e Frantz Fanon, defenderam politicamente os africanos e afrodescendentes que se encontram no território americano e Europeu, em que, suas culturas e seus valores foram retraídos pela colonização. Devido ao aparecimento epistêmico, pretendo associar as manifestações da Clenora Hudson como agregação ideológica do Pan-africanismo, tendo em vista o estudo do Mulherismo Afrekana como uma especulação de um conjunto de ideias que busca relacionar a diáspora africana como fenômeno de enfrentamento à supremacia branca. Com isso, a metodologia para a investigação será um levantamento bibliográfico de autores Pan-africanistas e do Mulherismo Afrekana junto à contextualização sociocultural.
Palavras-chave: Pan-africanismo,Mulherismo Afrikena,Diáspora africana
Oral
O FIO E AS MISSANGAS: A LITERATURA AFRICANA DE MIA COUTO EM SALA DE AULA
RAFAELLY CARNEIRO DOS SANTOS NOGUEIRA ; JOSELY MARCELINO FERREIRA
É de grande importância a difusão de ações pedagógicas em sala de aula que venham a contribuir para a valorização da cultura afrodescendente, em meio ao contexto étnico-social e de racismo no Brasil. Para tanto, o presente trabalho se propõe a discutir a temática por meio da literatura, com foco no conto “O fio e as missangas” de Mia Couto. Assim, Consideramos o contexto histórico do autor como escritor, as possibilidades de intertextualidade entre as literaturas, africana e brasileira, e de diálogo entre a leitura literária, o conto, e a leitura de mundo, vivência e realidade dos alunos no sentido de conscientizar os estudantes de suas origens e da necessidade de lutar por equidade étnica e racial. Para a fundamentação teórica recorreu-se a Cavalcante (2003), Couto (2003), entre outros.
Oral
O FORTALECIMENTO DA MÚSICA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA EM SALA DE AULA
IRENE KESSIA DAS MERCÊS DO NASCIMENTO; EDMILTON AMARO DA HORA FILHO
O presente trabalho é um relato de experiência pedagógica sobre vivências com músicas africanas e afro-brasileiras na Rede Municipal de Ensino de Jaboatão nos anos finais, no ano de 2017, no projeto Batuque Puká. Tendo como objetivo: desenvolver a musicalização junto aos alunos/as da escola buscando como resultado o interacionismo explorando as possibilidades educativas que são específicas da experiência na tradição de matriz afro. Para fundamentação discutiremos com: Gilroy (2012) Tinhorão (1988) Fanon (2008) e dentre outros. A metodologia desse trabalho trata-se de um estudo de caso sobre a análise do desenvolvimento dos estudantes do sexto ao nono ano em relação a música afro no projeto Batuque Puká na Escola M Albenise Maria da Silva. Os resultados apontam um bom desenvolvimento dos alunos/as no projeto Batuque Puká.
Palavras-chave: Musicalidade afro, Educação Musical,Lei 10.639/03
Oral
O NEABI como espaço dialógico das questões étnico-raciais no IFCE Campus Jaguaribe
VIVIANE DE SOUSA FERREIRA; Cristiane Sousa da Silva; Raquel Campos Nepomuceno de Oliveira
Este trabalho retrata as ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFCE campus Jaguaribe, institucionalizado através da Resolução n° 071/2017 e da Portaria n° 075/2017. Neste trabalho, são descritas as ações e pesquisas desenvolvidas pelo Núcleo, assim como seu funcionamento e composição de membros. Diante do contexto ausente ou insuficiente de discussões das relações étnico-raciais, o NEABI IFCE Jaguaribe surge como um espaço formativo e de efetivação da discussão e valorização das questões negras, tanto no interior da própria Instituição como para fora desta. Por meio de tais ações, percebe-se a importância da criação de estratégias e ações que permitam que a discussão racial seja pautada e respeitada, para que assim seja possível efetivamente a construção de uma sociedade diversa e antirracista.
Palavras-chave: Educação antirracista, Relações étnico-raciais, Transformação social
Oral
REFLEXÕES SOBRE A TEMÁTICA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA NA BNCC DE GEOGRAFIA
RAQUEL ALMEIDA MENDES; ALEX RATTS
O presente trabalho visa identificar, por meio da Base Nacional Comum Curricular, as abordagens relacionadas a temática africana e afro-brasileira na área de Geografia. Para tanto, consideramos o viés dos estudos curriculares, estabelecendo uma leitura crítica das competências e habilidades da BNCC do ensino fundamental e médio, que se correlacionam com a temática em foco. Por meio da análise do documento, notamos que a questão africana e afro-brasileira se fazem presentes, todavia, de maneira desigual ao longo das etapas escolares. O teor da discussão também apresenta falhas e por vezes ocorre de maneira pouco aprofundada, não havendo avanços significativos no debate. O que se almeja é que o ensino de geografia africana seja efetivado nas escolas e universidades, possibilitando a desconstrução de estereótipos e concepções equivocadas.
Palavras-chave: África, Currículo, BNCC de Geografia
Oral
SABERES E MEMÓRIAS EM MANDJUANDADIS NA GUINÉ-BISSAU
PETI MAMA GOMES
O presente trabalho é parte do desenvolvimento de uma pesquisa de dissertação de mestrado em antropologia junto à Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), tendo como foco investigar e compreender as relações que envolve gênero e representações identitárias relativas ao poder efetivamente exercido por organizações femininas guineenses-urbanas-rurais na Guiné Bissau. Nesta comunicação, pretendo, trazer experiências e memórias ancestrais minhas e de mulheres em Mandjuandadis no Norte de Canchungo, Guiné-Bissau, a partir de suas concepções de saberes, das epistemologias não acadêmicas visto nas produções compartilhadas de objetos comuns, nos trabalhos de plantações, na família e demais redes de sociabilidade e convivência no país.
Oral
TECNOLOGIA SOCIAL EM UM NÚCLEO DE PRODUÇÃO DE OSTRA EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA
AMÁLIA NASCIMENTO DO SACRAMENTO SANTOS; Mariana Conceição
Objetiva-se descrever as dimensões e características inerentes ao processo de tecnologia social presentes em um Núcleo de produção de ostras de uma comunidade quilombola baiana. Trata-se de pesquisa descritiva, exploratória, com abordagem qualitativa, a partir do estudo de caso. Utilizou-se as técnicas de observação simples e entrevista narrativa. Participou da entrevista narrativa um líder do núcleo de ostra da comunidade. A coleta de dados ocorreu entre os meses agosto de 2016 a maio de 2017. Fez-se análise de conteúdo. Esse trabalho segue os preceitos éticos da pesquisa com seres humanos. Observa-se que o Núcleo de produção estudado apresenta fortes e positivos aspectos de Tecnologias social, tendo fragilidade no tópico da sustentabilidade no que tange a cuidados com a saúde do trabalhador, revelando vulnerabilidades sociais.
Palavras-chave: Tecnologia Social,Comunidades Quilombolas,Ostreicultura,Economia Solidária
Oral
Palavras-chave: Machismo,Racismo,ARCHA,Decolonialidade,Gênero
Oral
A HISTÓRIA DO DIREITO E AS CATEGORIAS GÊNERO, RAÇA E CLASSE: INTEGRANDO TENSÕES, CONFLITOS E DISPUTAS
AMANDA OLIVEIRA DE SOUSA; Diana Melissa Ferreira Alves Diniz
O presente estudo objetiva demarcar a importância da produção historiográfica do Direito não caminhar desatada das categorias gênero, raça e classe. Trata-se de uma pesquisa jurídico-sociológica e bibliográfica. Discute-se a indispensabilidade de analisar processos jurídicos, sociais, econômicos ou culturais atravessando a multiplicidade de opressões que definem as experiências dos sujeitos que os protagonizam, focando nas imbricações entre gênero, raça e classe. Localiza-se esse debate no campo da História Direito e se realça a necessidade de que esta seja produzida integrando os sujeitos, as tensões e as disputas que estiveram dentro e fora da gênese de dados fenômenos jurídicos. Verifica-se a importância dessa abordagem para descortinar narrativas e sujeitos universais e firmar diálogos entre presente e passado.
Palavras-chave: História do Direito, Conflitos sociais,Gênero,Raça, Classe
Oral
A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O ESTEREÓTIPO DA MULHER NEGRA “QUE TUDO SUPORTA”.
NATALIA VIANA NOGUEIRA; JANICE ALVES TRAJANO; LUYSA GABRIELLY DE ARAUJO MORAIS
A violência obstétrica é uma realidade para várias mulheres sobretudo mulheres negras. Caracteriza-se principalmente pela atuação desrespeitosa e danosa dos profissionais e instituições de saúde para com a mulher grávida. Vítima que tem, em decorrência desse despreparo, sua gravidez e principalmente seu processo de parturição interferido e perturbado, gerando inclusive, uma série de traumas e danos irreparáveis. Ocorre que, toda essa hostilização do corpo, da mulher e do parto, demonstra-se ainda mais intensa e desumanizada quando se tem como vítima a mulher negra. O estereótipo construído a partir de uma herança racista e escravocrata perpetua uma visão de que as mulheres negras devem ser sucessíveis a qualquer violação e dor sem qualquer questionamento, acusando que tais eventos constituem algo natural e que integram às suas realidades.
Palavras-chave: Violência obstétrica,Mulher Negra, Racismo
Oral
CEARÁ NEGRO: ESCRITAS E APONTAMENTOS DO IMOPEC (1988-2015)
PEDRO IGOR OLIVEIRA DE MELO; ANTONIO CARLOS DIAS DE OLIVEIRA; CICERO JOAQUIM DOS SANTOS
O estudo apresenta reflexões sobre as publicações do Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC), organização não governamental fundada em 1988, em Fortaleza/CE. Este trabalho objetiva compreender as trajetórias e demandas das populações negras presentes nas publicações do IMOPEC. Desde sua criação, o instituto passou a desenvolver iniciativas de formação de públicos sobre os problemas sociais existentes no Ceará, como pesquisas acadêmicas, cursos de formação, elaboração de materiais educativos e etc. O IMOPEC criou a Revista Propostas Alternativas (1992-2014) e o Boletim Raízes (1992-2015). Estas são as principais fontes da pesquisa. Em muitas delas, os negros e as negras cearenses são objetos de reflexões, apresentando suas trajetórias de lutas, demandas socioculturais e perspectivas de futuro, entre outras questões.
Palavras-chave: CEARÁ NEGRO,APONTAMENTOS,IMOPEC
Oral
DE DONA DE CASA À ATIVISTA: A ATUAÇÃO DE MÃES NA PROMOÇÃO DE DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO CEARENSE
BRUNO ALVES DE SOUSA
O trabalho tem por objetivo dissertar brevemente sobre a atuação de coletivo cearense de mães que se organizaram pela reivindicação de direitos de seus filhos nos sistemas socioeducativo e prisional cearense. Nossa hipótese é de que a atuação dessas mães, em imensa maioria negras, é fundamental no acompanhamento das políticas públicas, na popularização da luta pelos direitos humanos. As relações com o Estado são marcadas por diálogos mas também enfrentamentos. A aproximação com o coletivo se deu em decorrência de pesquisa no sistema socioeducativo. Através da participação em eventos públicos (presenciais e virtuais) e de conversas com algumas mães, fazemos breve análise de como tal intervenção da família é validada pelo suporte constitucional, se organiza em redes e colabora para a luta dos direitos humanos, atravessada por gênero e raça
Oral
ESCRAVIDÃO: O PROTAGONISMO FEMININO NEGRO NA RESISTÊNCIA FRENTE A ESTRUTURA SÓCIO JURÍDICA BRASILEIRA
FRANCISCA ALESSANDRA DA SILVA SOARES; CAMILA PAULA PEREIRA DE LIMA
A violência racial é fato no Brasil desde o período escravagista, legitimada pela estrutura social e jurídica da época, agravando-se ainda mais em se tratando da negra escravizada, posto que sofria violência dupla em razão de raça e gênero. O presente trabalho trata sobre as principais formas de resistência das negras escravizadas contra as normas sociais e de direito estatal, que legalizava o exercício de múltiplas violências. Por meio de uma revisão bibliográfica e pesquisa qualitativa, os resultados mostraram que as mulheres negras, embora submetidas a indizíveis crueldades, resistiam, por diversos meios, às formas de violência que lhes eram infligidas. Conclui-se que a ordem jurídica amparou todas as formas de violência dos senhores contra suas escravas, estas, no entanto, sempre foram protagonistas na luta para a sua emancipação.
Palavras-chave: Violência,Protagonismo,Sistema Jurídico,Resistência,Mulher negra
Oral
Feminismos, coalizões e emergência de sujeitos políticos. Participação de Gays, bissexuais e homens trans na Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri (CE)
ROBERTO MARQUES
A partir de 2012, um conjunto de movimentos sociais relacionados a questões de gênero, sexualidade, liberdade religiosa e raça passou a compor a Frente de Mulheres dos Movimentos do Cariri. Essa coalizão formada por participantes com trajetórias de lutas e pertenças bastante diversas possibilitou uma comunicação mais ágil entre grupos, conferindo maior organicidade para movimentos sociais da Região. Ao mesmo tempo, a busca de uma linguagem comum muitas vezes explicita especificidades das trajetórias ali articuladas. Essa pesquisa refletirá sobre uma dessas tensões: a participação de homens gays e trans na Frente. Através de entrevistas com militantes LGBT, problematizaremos questões relacionadas a diferentes formas de perceber a participação masculina em movimentos de mulheres e feministas localiza esses militantes na Frente.
Oral
FESTA CRIOULA, PENSANDO RESISTÊNCIAS DE CORPOS ASSUJEITADOS NO BAR THE LIGHTS
KARLENE DA SILVA ANDRADE
Neste trabalho reflito sobre formas de resistências de pessoas negras e LGBTIQ+ no bar The Ligths, tendo como foco a festa Crioula, em Fortaleza-CE, localizado no bairro do Benfica, considerado parte central da cidade. Através de um olhar de perto e de dentro (MAGNANI, 2012) procuro transcrever as formas de sociabilidades desses sujeitos na corporeidade da/na cidade, o objetivo é observar como esses corpos estigmatizados habitam o espaço urbano e existem de variadas formas, por meio da música, dança e arte em geral no lazer noturno. Compreendendo que este espaço é preenchido pelas pessoas que compõem e transformam a paisagem urbana, construindo redes de relacionamentos com atravessamentos afetivos, políticos, subjetivos e sociais (PERLONGHER, 2008); (FRANÇA, 2002);(GROSFOGUEL, 2013).
Palavras-chave: LGBTIQ,Raça, CORPOREIDADE,FESTA
Oral
IDENTIDADE ÉTICA E ESTÉTICA DAS MULHERES NEGRAS EM JUAZEIRO DO NORTE: NOVAS PERSPECTIVAS
MILENA LUNA BARROS OLIVEIRA
A pesquisa presente neste trabalho movimenta aspectos pessoais e culturais das mulheres negras do cariri, mais especificamente na cidade de Juazeiro do Norte. O trabalho irá se desenvolver a partir de discussões sobre a transição capilar e a autoestima das mulheres negras, procurando estabelecer e evidenciar seu lugar social, sua posição delimitada nos espaços públicos, atentando a sua estética como um fator referente a essa condição. A relevância do trabalho será dar voz efetiva para as mulheres que se sentirem à vontade, falar sobre suas histórias, suas motivações, quais os elementos envoltos nas decisões sobre sua estética A força do feminismo da mulher negra dentro da sociedade está ocupando lugar e modificando estruturas, se fazendo presente de forma resistente em diversos espaços, colocando em pauta desigualdades ainda presentes.
Oral
JUVENTUDE QUILOMBOLA E A LUTA POR DIREITOS ÉTNICO-TERRITORIAIS NO AMAPÁ
CRISTINA LOPES DA SILVA
A pesquisa emerge da experiência como gerente de projetos, entre 2011 a 2019, no Fundo Baobá, que tem como missão promover a equidade racial no Brasil. Objetivamente, tomei como cenário os mais de 100 projetos acompanhados e que se direcionaram às áreas de educação, saúde, cultura e formação política, desenvolvidos por pequenas e médias organizações negras em todo país. Especificamente, o foco é a experiência com a Associação dos Jovens, Moradores e Produtores Rurais de Santa Luzia do Maruanum I – AJOMPROM, no Amapá. A pesquisa é bibliográfica e documental. Como resultado, vimos que a Associação produziu informações sobre seu território e estabeleceu parcerias e diálogo qualificado com o poder público, tornando-se uma referência para a defesa e efetivação de direitos quilombolas em território amapaense.
Oral
JUVENTUDES EM FORTALEZA: POLÍTICAS PÚBLICAS E A CONSTRUÇÃO DE UM OUTRO FUTURO
MARIO MAGNO DE OLIVEIRA SILVA; Mariana Vieira Lacerda
A presente pesquisa discorre sobre a construção e os desafios das políticas públicas para as juventudes em Fortaleza. Possui como objetivo compreender a importância dessas políticas e pensar as relações entre classe, raça e gênero. A metodologia utilizada será de abordagem qualitativa e o método bibliográfico. Esse trabalho deverá ser apresentado no simpósio temático Movimentos sociais e intersecção de diferenças: dinâmicas a partir dos marcadores de raça, gênero, sexualidade, origem social e geração. Mesmo que essas políticas públicas tenham sido pioneiras na cidade, ainda se faz necessário garantir o direito de viver, emprego e renda para as juventudes, em especial nas periferias.
Oral
LEI ÁUREA E DEMOCRACIA RACIAL: A Discrepância entre os Direitos Constitucionalmente Positivados e a Realidade Social da Mulher Negra Periférica
MIKAELY PINHEIRO DO NASCIMENTO; Djamiro Ferreira Acipreste Sobrinho; Marcelo Soares Mota
O presente trabalho teve por intento ressaltar a contrariedade entre a utópica ideia da democracia racial e a histórica usurpação dos direitos da Mulher Negra Periférica Brasileira, sendo para tanto analisado a atuação do Estado perante a materialização efetiva dos direitos já positivados no texto constitucional vigente, bem como a relação dessa com o fenômeno do “Estado de exceção”. Outrora, foram utilizados os métodos dedutivo, histórico e bibliográfico. Deste modo, os resultados obtidos demostraram a vinculação do Estado a manutenção da segregação racial e de gênero e a importância do fortalecimento do feminismo negro para a sociedade.
Palavras-chave: Estado de exceção,Feminismo negro,Periferia
Oral
POLÍTICA QUEERIFICADA: A BUSCA POR DIREITOS ENTRE ATRAQUES, POLÍTICAS IDENTITÁRIAS E DAS DIFERENÇAS EM JUAZEIRO DO NORTE, CEARÁ
GEOVANE GESTEIRA SALES TORRES; Maria Laís dos Santos Leite
As últimas décadas testemunham a alvorada das articulações políticas em prol dos direitos humanos de sujeitos cujas sexualidades e identidades de gênero destoam da heterossexualidade compulsória e dimorfismo sexual. Neste cenário, um conjunto de leis foi publicado em Juazeiro do Norte-CE com o intuito de responder às lutas da população LGBTQI+. Isto posto, estabelecemos como objetivo geral deste estudo analisar a legislação municipal ordinária publicada em Juazeiro do Norte – CE de 2000 a 2020 diretamente relacionada às pautas das dissidências sexuais e de gênero. Para tanto, utilizamo-nos da pesquisa bibliográfica do tipo narrativa e do estudo das práticas discursivas (SPINK, 2010, 2013, 2014) a fim de verificar de que maneira tais leis municipais contribuem com a efetivação de direitos relativos ao grupo estudado.
Oral
TEREZA DE BENGUELA: LIDERANÇA FEMININA NEGRA NA LUTA CONTRA A ESCRAVIDÃO.
ANA KAROLINE DE SOUSA PEREIRA LIMA; LEANDRO FERNANDES SILVA CLEMENTINO
Considerando a pouca visibilidade que os quilombos e, sobretudo, as mulheres quilombolas têm no estudo da história nacional, o presente trabalho busca fazer um reparo histórico a esse grupo, por meio da análise do papel de luta contra a escravidão e da ruptura com o sistema legal da Coroa Portuguesa exercidos pela rainha negra e ex-escrava africana Tereza de Benguela, líder por cerca de 20 anos do quilombo de Quariterê, no Mato Grosso, no século XVIII. O estudo foi feito por meio de uma revisão bibliográfica e permitiu entender como a liderança feminina negra na luta contra a escravidão serve para empoderar as mulheres negras de hoje a ocuparem espaços de liderança. Diante disso, fomentar o debate sobre as mulheres quilombolas é crucial para entender a construção da liberdade feminina negra, no Brasil.
Palavras-chave: TEREZA DE BENGUELA, QUILOMBO, LIDERANÇA NEGRA
Oral