
28, 29 e 30 de maio de 2018
Auditório do Centro de Artes Reitora Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau
Carga horária: 30h

Um debate contemporâneo tem tomado os principais centros de pesquisa de vários contextos culturais, tanto no Brasil como em diversos países, em torno de uma historiografia da arte que tradicionalmente excluiu de seus registros (livros, catálogos, artigos, documentários etc.), a produção artística de pessoas assumidamente homossexuais e de mulheres. Para tanto, alega-se a inexistência dessa produção, como Gombrich em entrevista para Ana Mae Barbosa, não importa quem produz o objeto artístico se é um homem ou uma mulher.
Apresentamos, dessa forma, três abordagens que consideramos de fundamental e urgente pertinência no que tange a atualização das discussões e registros acerca das produções em artes visuais e outras linguagens da arte.
A primeira que abordaremos trata da abordagem das artes visuais a partir do protagonismo das mulheres, movimento que se impulsiona devido a uma outra história da arte vem sendo escrita por historiadoras, críticas, curadoras e artistas revelando não só uma vasta e significativa produção feminina, como que esta produção traz em seu eixo questões relativas ao gênero e o papel sexista, patriarcal e de poder que a história da arte dos homens provocaram e provam para manter estática e conservadora as sociedades contemporâneas.
Ao mesmo tempo em que se descortina, revela e vem a público uma centena de mulheres artistas, também são demonstrados procedimentos, técnicas, materiais e suportes usados por estas para denunciar o status quo que procura mantê-las em diversos contextos culturais como sujeitos de menor prestígio social, político e de representação.
Observa-se, portanto, a construção de outras narrativas e projetos emancipatórios que se propõem a reorganizar o modelo social, econômico, político, religioso e artístico no qual homens e mulheres tenham formas de tratamento e direitos equivalentes
No interior desse movimento, nacional e internacional, surge uma segunda abordagem que diz respeito às pulsantes produções de arte por mulheres negras enquanto profissionais da arte que, ademais de abordarem em seus trabalhos as questões de gênero, acrescentam os processos de exclusão que aos quais são submetidas mesmo após o fim do apartheid na África do Sul, no contexto da história contemporânea internacional, ou das sequelas advindas de uma sociedade escravocrata como a brasileira que em pleno século XXI insiste em seu projeto de embranquecimento da sociedade brasileira.
Nesse projeto de uma sociedade de brancos ou miscigenada, desde que de tez clara, na qual predomina o racismo que gera violências e exclusões social, política e econômica, assistimos levantes de resistência nas favelas, nas comunidades periféricas e nos mais diferentes setores de concentração da população negra. Esse segmento social que não mais se ante ao projeto neoconservador e neocolonizador das elites brancas de nosso país.
Na arte também assistimos à desconstrução de imaginários em torno de uma produção artística negra tanto de homens como de mulheres. Produção essa excluída dos livros de história da arte e mesmo da formação d@ artista/professor@/pesquisador@.
Por fim, outra abordagem que contesta a história da arte tradicional e, consequentemente, canônica surge no interior do movimento LGBTT desde a década de 60 do século passado. Este movimento vem trazendo à luz uma produção artística que ultrapassa o lugar de uma arte erótica como lugar para artistas gays e lésbicas, como alguns historiadores situaram por muito tempo a produção artística desde as pinturas rupestres até as performances dos anos 1970, tanto no Brasil como na América Latina.
Atualmente não só mais artistas ativistas do movimento LGBTT ocupam espaços em Bienais, Centros Culturais, Museus e Galerias, como o fazem reafirmando que são artistas que em seus trabalhos problematizam essa mesma sociedade heteronormativa e seu projeto opressor.
Nos últimos anos tanto no Brasil como em países da América Latina, da Europa, América do Norte, Ásia, África e Oceania tem aumentado iniciativas conservadoras de judicialização e criminalização de artistas, curadores e instituições por exibirem corpos nus em performances, pinturas, desenhos, colagens, instalações, esculturas, vídeo art que demonstram práticas da cultura LGBTT ou mesmo heterossexual.
Nas escolas da educação básica professores e professoras não recebem atualizações sobre essas abordagens e desconhecem as produções artísticas de mulheres e homens negros que paralelamente a artistas não-negr@s produziram e produzem arte em diferentes contextos sócioculturais.
A educação tem sido orientado por uma concepção eurocêntrica, heteronormativa e branca, portanto, uma história da arte que reforça uma pseudo superioridade do homem sobre a mulher, do segmento branco sobre os não brancos, da heteronormativa sobre as demais formas de orientações e condições sexuais.
Assim as instituições educacionais e de formação mantêm um discurso sexista, machista e patriarcal impedindo que estudantes tenham contato com outras perspectivas e abordagens artísticas, afastamento que ocorre da educação infantil ao ensino médio e mesmo nos curso de licenciatura, como já mencionado. Tal omissão dificulta ou impede que estudantes, futuros cidadãos e cidadãs, se reconheçam a partir de pensamentos e concepções não normativas e, portanto, dificulta a construção de suas próprias identidades como sujeitos de direitos ou mesmo desenvolvem o sentimento de respeito aquel@ que difere de sua condição de existência.
Diante desse panorama e aderindo à sua importância para a formação inicial e continuada d@ artista/professor@/pesquisador@ é que o Grupo de Pesquisa Ensino da Arte em Contextos Contemporâneos – GPEACC/CNPq, o Grupo de Pesquisa Novos Ziriguiduns Internacionais e Nacionais Gerados nas Artes Visuais - NZINGA/CNPq, o Grupo de Pesquisa Poéticas Audiovisuais e Tecnologias Contemporâneas - Méliés/CNPq e o Grupo de Pesquisa Ateliê de Pintura: possibilidades e descobertas dos materiais pictóricos/CNPq tomaram para si o desafio de propor o Seminário Internacional “Arte, Gênero, Ensino – em tempos de conservadorismo” a ser realizado no Auditório do Centro de Artes da Universidade Regional do Cariri – URCA nos dias 28, 29 e 30 de maio do ano em curso.
O seminário terá como parceiro o Serviço Social do Comércio – SESC Unidade Crato que ao longo dos últimos 20 anos tem sido colaborador junto as ações do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino da Arte – NEPEA e do Grupo de Pesquisa Ensino da Arte em Contextos Contemporâneos – GPEACC/CNPq.
Objetivo:
O objetivo geral do evento é promover o debate sobre as relações entre Arte, Gênero e Ensino da Arte (Artes Visuais, Dança, Música e Teatro) e sua perspectiva emancipatória.
8 atividades
Arte, Gênero e poder: mulheres artistas em Pernambuco
Construções de conhecimentos sobre arte Di-ver-gentes: revisão de narrativas
Entre el saber y el poder: mujeres del sur de colombia en el arte actual
Gay Power nas Artes Visuais na América Latina
Gênero, arte e educação: resistências e novas paisagens do possível
O que pode um corpo que sabe? Perspectivas afro-orientadas, linguagens e movimentos críticos para habitar o mundo
Transcartografia: Teatralidades e Performatividades no Devir-trans
Bonecas de Trapo: reinvenções do corpo feminino
Manhã
7:30 às 8:00
Credenciamento
8:00 às 9:00
Solenidade de Abertura
9:00 às 10:00
Conferência
Entre el saber y el poder: mujeres del sur de colombia en el arte actual
Dra. Rocio Polanía (Colômbia)
10:00 às 10:30
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
O segredo dos lírios - 2012 – 16 min
Direção: Brunna Kirsch e Cris Aldreyn
O curta mostra o depoimento de três mães que possuem filhas lésbicas e cada uma conta histórias de quando as garotas eram pequenas, quando contaram a elas sobre a sua sexualidade, os sustos e a aceitação. Cada mãe a sua maneira, porém, sempre com o amor incondicional materno.
10:30 às 11:30
Conferência
Arte, Gênero e poder: mulheres artistas em Pernambuco
Dra. Madalena Zaccara - UFPE
11:30 às 12:00
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
Tempo de cura” nos mostra uma outra plataforma sobre o fazer. O filme traz um pertencimento de cura, como o novo disco do Mano Brown, “Boogie Naipe”, que joga outros textos e batidas num momento delicado. Ao mesmo tempo que Ana Paula Mathias, na direção, e Diane Lima, na curadoria, escrevem sobre a necessidade do autocuidado e do cuidado coletivo em épocas de crise, efervescentes manifestações e perdas profundas.
Manhã
8:00 às 9:00
Conferência
Construções de conhecimentos sobre arte Di-ver-gentes: revisão de narrativas
Dra. Renata Felinto – Nzinga/URCA
9:00 às 10:00
Mesa Redonda
Bonecas de Trapo: reinvenções do corpo feminino
Larissa Raquel – GPEACC/URCA
Da religiosidade ao profano: análise de documentário sobre travestis na terra de Padre Cícero
Jaildo Oliveira – GPEACC/URCA
10:00 às 10:30
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
Arrasa Manxs - 2016 - 15 min
Direção: Sofia Marques
Um retrato da juventude LGBT da periferia de São Paulo. Por meio de dois personagens, o filme mostra o que essa galera empoderada pensa sobre família, trabalho, preconceito e amor, como lidam com as “tretas” do cotidiano e o que sonham para o futuro.
10:30 às 11:30
Conferência
Transcartografia: Teatralidades e Performatividades no Devir-trans
Dr. Jerônimo Vieira - URCA
11:30 às 12:00
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
Eden 2014 – 12 minutos
Director: Fábio Freitas
Gênesis 2: 8 "E o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, no leste, e lá ele colocou o homem a quem ele havia formado". Nesta história, João (Nuno Pardal) e Pedro (Pedro Sousa Loureiro) vivem neste jardim. O que o João mais quer é que o Pedro seja feliz e a única maneira que encontrou para o conseguir é apoiá-lo na sua fuga com a Sara (Sara Barros Leitão). Por outro lado, Pedro aprendeu a amar João e não quer sair do jardim. Mas um deles comeu o fruto proibido.
Manhã
8:00 às 9:00
Conferência
Gay Power nas Artes Visuais na América Latina
Dr. Fábio Rodrigues – GPEACC/URCA
9:00 às 10:00
Conferência
O que pode um corpo que sabe? Perspectivas afro-orientadas, linguagens e movimentos críticos para habitar o mundo
Dra. Luciane Silva (Casa da África/São Paulo)
10:00 às 10:30
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
Bambas - 2017 - 20 min
Diretor: Anna Furtado
O documentário dá voz a mulheres sambistas de São Paulo de diferentes idades, classes e ideias, desenhando um panorama da vida dessas mulheres e mostrando as dificuldades e situações que o samba impõe às que se aventuram em suas rodas.
Negra lesbica - 2013 - 4 minutos
Direção: Douglas soares – Allan ribeiro
6 mulheres, 6 histórias diferentes, mas que apresentam um único elo – o preconceito que sofrem por serem negras e assumirem a sua orientação sexual como lésbicas, dentro de uma sociedade machista e heteronormativa.
10:30 às 11:30
Conferência de Encerramento
Gênero, arte e educação: resistências e novas paisagens do possível
Dra. Luciana Loponte - UFRGS
Mostra de Curtas "Cineclube Maria"
Aceito - 2014 - 20 min
Junior prepara uma grande surpresa para pedir o seu namorado em casamento, mas nem tudo sai como o planejado.
Direção: Filipe cabral
Vestido de Laerte 2012 – 13 min
Diretor: Claudia Priscilla, Pedro Marques
Laerte percorre um longo caminho pela cidade de São Paulo em busca de um certificado.
Direção: Carmen Luz
Um corpo negro que baila e interage com um saco de lixo. Uma alusão ao extermínio dos jovens negros no Brasil.
NEPEA
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino da Arte
GPEACC/CNPq
Grupo de Pesquisa Ensino da Arte em Contextos Contemporâneos
Líder
Dr. Fábio José Rodrigues da Costa
Pesquisador@s
Aline dos Santos Sousa
José Jaildo da Silva Oliveira
Alysson Amancio de Souza
Carlos Robério Silva
Charles Farias Siqueira
Cícera Edvânia Silva dos Santos
Edilania Vívian Silva dos Santos
Dra. Eleonôra Nunes Oliveira
Fábio Tavares da Silva
Gleison Amorim da Silva
Isabel Emanoela Vieira de Sousa
João Eudes Ribeiro Machado Filho
Maria Socorro Leal de Moraes
Raylla Brito Vieira
Dra. Sislândia Maria Ferreira Brito
Suzana Carneiro de Souza
Estudantes
Adriana Alves Bonfim Cardoso
Amilton Duarte Pereira (Bolsista Extensão)
Antônia Rebbeca Gonçalves Lima
Anália Lobo Mesquita
Carlene Cavalcante Batista
Carlos Roberto da Silva Lamberti
Francisco Inácio de Sousa Neto
Geraldo Taveira Leite Junior
Jaqueline Barbosa Rodrigues
José Romildo Bezerra Mendes
Lucas Vieira de Oliveira (Bolsista IC-FUNCAP)
Rafael Moraes de Lima
Rafael Vilarouca Peixoto Correia
Rawan Carvalho Alencar
Rildo Alves Araujo
Silvanira Pereira Alves
Tarciano Victor Cavalcante Pinheiro
Verônica Leite Machado
Wandealyson Dourado Landim Santos (Bolsista IC-CNPq))
Wellington Soares Gomes (Bolsista IC-CNPq)
Williana da Silva Maciel
NZINGA/CNPq
Grupo de Pesquisa Novos Ziriguiduns Internacionais e Nacionais Gerados nas Artes Visuais
Dra. Renata Aparecida Felinto dos Santos
Líder
Pesquisadora
Larissa Rachel Gomes da Silva
Estudantes
Aline Gonçalves
Andrea Sobreira de oliveira
Eliana Barbosa de Amorim
Fernanda Veloso da Costa
Gledson Rodrigues Duarte
Maria Claudineide Alves Macedo
Val Alexandre de Souza Silva
Williana da Silva Maciel
Méliés/CNPq
Grupo de Pesquisa Poéticas Audiovisuais e Tecnologias Contemporâneas
Dr. Sérgio Henrique Carvalho Vilaça
Líder
Pesquisadores
Akira Sanoki
Dr. Rubens Venâncio
Estudantes
Erlanderson Luna
Pablo Maxuell de oliveira Costa
Jarlâne Ferreira Lima
Carlene Cavalcante Batista
Cícero Elisieldon Dantas Bezerra
Yago Gomes
Luan Carvalho
Rebbeca Lima
Verônica Leite Machado
Grupo de Pesquisa Ateliê de Pintura: possibilidades e descobertas dos materiais pictóricos/CNPq
Líder
Dra. Ana Cláudia Lopes de Assunção
Pesquisador@s
Andrea Sobreira de Oliveira
Larissa Rachel Gomes Silva
José Jaildo da Silva Oliveira
Isabel Gomide França
José Emerson Monteiro Lacerda
Estudantes
Andréa Honorato Noronha
Alessandro Pinto Nunes
José Romido Bezerra Mendes
Emanoel do Nascimento Alves
Kaio Felipe Alves da Silva
Maria Aparecida Pereira Neves
Raquel de Santana Santos
SESC Unidade Crato
Supervisor de Cultura
George Belisário
Técnicas de Cultura
Maria Socorro Dantas
Maria Bezerra
Suzana Carneiro
Técnico de Luz
Daniel Rodrigues